Virologia
Virologia
○ Capsídeo:
É uma camada proteica que reveste o genoma. É uma associação de várias
unidades de proteínas (iguais ou diferentes). Sua formação ocorre de forma
espontânea.
O capsídeo protege o genoma viral e, em vírus não-envelopados, interage com a
célula hospedeira.
A composição e a forma como as proteínas se associam determinam a arquitetura
geométrica dos capsídeos. As unidades proteínas estruturais são chamadas de
protômeros, que se agrupam em capsômeros, formando o capsídeo
Simetrias do capsídeo: icosaédrica (possui 20 faces, lembrando um sólido
geométrico) Hepatite B, Poliovírus, etc.; helicoidal (apresenta forma de tubo ou
cilindro, com as proteínas do capsídeo interagindo diretamente com o material
genético viral) Sarampo, EBOV, etc.; complexa (simetria mais elaborada)
Bacteriófago T4, Poxvírus.
○ Envelope:
É uma membrana lipídica que reveste o nucleocapsídeo (genoma + capsídeo +
proteínas virais) em alguns vírus. Sua composição inclui uma bicamada de
fosfolipídios e glicoproteínas virais.
O envelope é obtido a partir de membranas celulares da célula hospedeira
(membrana plasmática, retículo endoplasmático, golgi).
Ele desempenha funções de proteção e interação vírus-célula.
Vírus envelopados são geralmente menos resistentes ao meio ambiente do que
os não-envelopados.
○ Outras moléculas/estruturas:
Alguns vírus podem apresentar outras moléculas em sua estrutura, como enzimas
virais essenciais para iniciar a replicação (polimerases como RdRp e TR,
integrases).
● Dependência celular: para se multiplicar, o vírus precisa se ligar a uma célula suscetível e
utilizar sua maquinaria metabólica, pois o genoma viral possui apenas uma pequena parte
dos genes necessários para a síntese de novos vírus.
● Conceitos essenciais:
- Permissividade: capacidade da célula viabilizar a multiplicação viral;
- Suscetibilidade: capacidade da célula de ser infectada devido a disponibilidade de
receptores apropriados;
- Infecção abortiva: ciclo replicativo não é concluído;
- Infecção produtiva: produção de progênie viral viável (vírions)
Eles não possuem nenhuma maquinaria que pode ser utilizada para traduzir seu RNAm e
sintetizar as proteínas virais, pois quem faz isso são os ribossomos, e eles não possuem. E
também não conseguem sintetizar proteínas envolvidas com o metabolismo energético.
● O objetivo da biossíntese viral: produzir novas partículas virais para manutenção e
propagação do vírus na natureza.
1. Não são todas as células que são capazes de servir como “fábrica” para a produção de
vírus. Existem alguns tipos diferentes:
● Célula suscetível: possui um receptor funcional para o vírus, podendo ou não suportar
a replicação viral;
● Quando o vírus entra na célula, ele precisa se destruir, a fim de deixar seu ácido
nucleico disponível e a partir disso, serem geradas novas proteínas virais ou novas
cópias do genoma. Posteriormente a isso, ocorre a montagem novamente, em
seguida a liberação dessa partícula viral nas células hospedeiras e aí então,
últimos uma produção e liberação de novas cópias de partículas virais infecciosas.
3. ADSORÇÃO
5. PENETRAÇÃO
● Fusão direta-envelopados
É a fusão do envelope lipídico do vírus com a membrana plasmática, que
também é lipídica. Geralmente isso vai acontecer porque você tem aquela exposição da
região hidrofóbica da proteína do vírus, que vai ser introduzida na membrana,
desencadeando esse processo de fusão. E aí quando se funde, tudo que está dentro da
partícula viral vai ser colocado para dentro da célula, no citoplasma. (em vírus não
envelopados não tem como fundir e fazer a fusão) Ocorre a perda do envelope.
Para acontecer essa fusão entre duas membranas é necessário sempre um gatilho,
seja para a fusão direta ou através do endossoma. Nesse caso, o gatilho vai ser a adsorção
(interação entre a espícula viral com a molécula receptora).
● O vírus tem uma forma principal de entrar nas células, mas eles podem utilizar
mecanismos diferentes. A endocitose pode ser mediada pela clatrina, mediada por
caveolina, independente dessas duas moléculas. Pode ter mecanismo de macropinocitose,
que serve para englobar moléculas maiores. Ou seja, ele pode explorar diversos
mecanismos de entrada e isso depende muito do tipo de célula.
● Durante a etapa de entrada, alguns vírus podem liberar diretamente seus genomas no
citoplasma.
Como por exemplo os de fusão direta. Ao invés de liberar o nucleocapsídeo
dentro da célula, ele pode ser desfeito nessa etapa e libera o genoma direto no citoplasma.
Porém, alguns vírus entram na célula ainda dentro do nucleocapsídeo, nesse caso, existe
uma etapa chamada desnudamento. Onde ocorre um desmonte da partícula viral e a
entrega do genoma do vírus no interior da célula hospedeira.
6. DESNUDAMENTO
Nessa etapa, o objetivo é utilizar o ácido nucléico do vírus, que foi disponibilizado
dentro da célula, para produzir as proteínas virais.
As proteínas virais são as estruturais e não-estruturais:
As não-estruturais são as envolvidas no processo de replicação do genoma, processos
como controle de mecanismos de defesa da célula, subversão da maquinaria da célula (sequestro
da maquinaria da célula hospedeira).
As proteínas estruturais são aquelas que vão ser usadas para montar as partículas
virais, vão estar presentes nas partículas virais infecciosas. Com essas proteínas disponíveis o
vírus começa a sintetizar novas cópias do genoma viral.
O vírus RNA simples fita polaridade positiva são aqueles que vão funcionar como um
RNA mensageiro. Então eles vão ser traduzidos diretamente nos ribossomos para gerar,
sintetizar as proteínas virais. Já os vírus RNA simples fita polaridade negativa, não funcionam
como RNA mensageiro, então a partir desse tipo de genoma é necessário a síntese de um RNA
mensageiro que será traduzido para a síntese das proteínas virais.
Os vírus do grupo VI, formado pelos retrovírus, realizam transcrição reversa. São
vírus que têm como material genético uma fita de RNA simples polaridade positiva, mas que
durante a sua replicação, a gente observa a formação de uma molécula de DNA fita dupla.
O grupo VII, possui como material genético dupla fita de DNA, mas durante a sua
replicação ocorre a produção de uma fita simples de RNA que será molde para a síntese de
uma nova fita de DNA. Logo, também há a transcrição reversa (não é exclusiva dos retrovírus)
De modo geral, as estratégias virais conservam um ponto comum, o vírus precisa gerar
um RNA mensageiro para traduzir e modificar as proteínas virais que serão importantes
para a produção de novos componentes dos vírus, novas cópias de genoma e de proteínas
virais.
● Nessa fase de replicação é o momento onde não é possível detectar o vírus, pois ele não
está na forma de vírus infeccioso, ele está todo desmontado dentro da célula (fase de
eclipse), e logo depois, do nada, temos vários vírus, pois eles se replicam e foram
montados novamente.
9. MONTAGEM
Vai ser a associação dos componentes dos vírus para a formação do nucleocapsídeo. É
um processo que acontece de forma espontânea. Ela pode acontecer no núcleo, no citoplasma,
vai depender de onde está acontecendo a replicação do vírus.
Vírus DNA: a replicação acontece no núcleo, pois é onde está presente toda a maquinaria
que ele pode precisar; Vírus RNA: replicação acontece no citoplasma.
Além da montagem, existe também a maturação. Ela não necessariamente vai acontecer
antes, pode acontecer durante. É a mudança que vai tornar a partícula viral infecciosa.
10.LIBERAÇÃO
É a última etapa, precisa liberar a partícula viral de modo que ela consiga infectar outras
células hospedeiras.
Pode ocorrer por:
● Lise celular (vírus não-envelopados): os vírus vão interagir com componentes da
membrana e vão promover a ruptura da membrana, que acaba levando a morte das
células.
● Brotamento (vírus envelopados): É durante a etapa de brotamento que os vírus
envelopados adquirem seu envelope. Nessa fase, o nucleocapsídeo viral já está
formado, e as proteínas virais de membrana são direcionadas para regiões
específicas da membrana da célula hospedeira. A interação entre o
nucleocapsídeo e essas proteínas induz o brotamento, no qual o vírus é envolvido
pela membrana celular, agora modificada, formando assim o envelope viral. Esse
processo permite que o vírus seja liberado da célula já completo e infeccioso.
Podemos ter brotamento a partir de diferentes estruturas das células, RE,
membrana plasmática, etc.
● Exocitose (vírus envelopados)
Dependendo do vírus, pode haver uma etapa chamada maturação. De repente, não há
nenhuma partícula viral presente e, em pouco tempo, ocorre uma explosão de partículas virais
infecciosas. Isso é diferente das bactérias, que se reproduzem por divisão celular direta (uma
célula gera outra).
No caso dos vírus, não é assim. O vírus invade a célula, se desmonta, e seu material
genético é utilizado para produzir múltiplas cópias do genoma e das proteínas virais. Cada
uma dessas cópias é então usada para montar novas partículas virais. Depois disso, ocorre a
montagem propriamente dita, seguida da maturação e, por fim, da liberação dos novos
vírus, prontos para infectar outras células.
Com isso, temos a produção de uma quantidade significativamente maior do que o que
tinha inicialmente para a célula, pois a montagem, a replicação nada mais é do que a junção de
todos os componentes pré-formados de vírus.
Na maioria dos casos, a liberação das partículas virais vai causar a morte das células. Por
lise, vai romper a membrana plasmática da célula, já que não é apenas um vírus saindo, são
vários vírus saindo. Por brotamento também vai ocorrer danos, a célula perde um pedaço da
membrana. O fato de ter muitos vírus saindo causa um dano significativo à célula. O vírus pode
induzir a apoptose.
Então na maior parte dos casos vai ser possível observar a morte celular, porém também
existem muitos que não causam morte.
1. CONTEXTUALIZAÇÃO:
● Tradução:
O RNA, por sua vez, é traduzido para formar proteínas, que são cadeias de aminoácidos
com funções estruturais ou enzimáticas.
→ RNA → Proteína
● Replicação do DNA:
O DNA também pode se replicar, gerando uma nova fita complementar a partir de uma
fita molde, formando assim duas fitas idênticas, que compõem a dupla hélice.
O DNA é formado por duas fitas complementares e tem como bases nitrogenadas:
adenina (A), que se pareia com a timina (T); a guanina (G) que se pareia com a citosina (C ).
O RNA possui fita simples e as bases são: adenina (A), que se pareia com a uracila (U);
a guanina (G) que se pareia com a citosina (C ).
Entender como um patógeno se mantém na natureza, como ele infecta e causa a doença,
facilita o desenvolvimento de estratégias de intervenção mais específicas e direcionadas.
Por isso é tão importante conhecer todas as etapas do ciclo de replicação viral, pois
facilita pensar em formas de interferir em pontos estratégicos do ciclo, com desenvolvimento
de fármacos, vacinas e outras tecnologias.
3. ETAPA DE REPLICAÇÃO:
Nessa etapa de replicação viral, falamos tanto da síntese de proteínas virais quanto da
replicação do genoma. E para isso, temos algumas enzimas principais, que são chamadas de
polimerases, são elas que vão sintetizar os novos ácidos nucleicos.
Na célula temos as nossas DNA polimerases, que vão sintetizar um DNA a partir do
DNA molde, que é a etapa de replicação. Nesse caso chamamos de DNA polimerase
DNA-dependente.
Além disso, também temos uma enzima polimerase que vai sintetizar RNA a partir de
um DNA, que é a etapa de transcrição. Nesse caso chamamos de RNA polimerase
DNA-dependente.
Essas enzimas são essenciais não só para o funcionamento da célula, mas também para
muitos vírus que dependem da maquinaria celular. Outros vírus, por sua vez, trazem suas
próprias polimerases, e aí o jogo muda, com os vírus de RNA e retrovírus, por exemplo.
Esses vírus precisam produzir novas fitas de RNA a partir de RNA, o que exige uma
enzima especial: RNA polimerase RNA-dependente. Essa enzima é chamada informalmente de
RdRp.
Nenhuma célula eucariótica possui essa enzima. Ou seja, todos os vírus de RNA que
precisam sintetizar RNA a partir de RNA devem codificar sua própria RdRp. Se ele perde a
capacidade de produzir essa enzima (por mutação) ele não consegue mais se replicar e
desaparece por seleção natural.
Alguns vírus usam o RNA como molde para sintetizar DNA, isso é chamado de
transcrição reversa, que ocorre, por exemplo, nos retrovírus. Eles utilizam uma enzima
chamada de transcriptase reversa, que na prática é uma DNA polimerase RNA-dependente.
Essa estratégia permite que o vírus integre seu genoma ao DNA da célula hospedeira e
se perpetue por muito tempo.
Os genomas virais são, em geral, muito menores do que os das células hospedeiras.
Mas existe variação entre os vírus: alguns têm genomas muito pequenos, outros têm genomas
relativamente grandes, codificando dezenas de proteínas.
Essa diferença influencia diretamente a autossuficiência do vírus, os com genomas
pequenos tendem a ser mais dependentes da célula hospedeira, já que codificam menos proteínas
e enzimas, os com genomas maiores possuem mais autonomia e codificam componentes
próprios.
Os vírus adotam estratégias para maximizar a sua capacidade de codificação, mesmo com
genomas curtos. Exemplos:
● Poliproteínas: a partir de um único gene, o vírus pode produzir uma grande proteína
continua, depois a protease cliva essa poliproteína em várias proteínas funcionais;
● Os vírus codificam exatamente o que precisam para sobreviver e nada além. Perder uma
polimerase essencial significa não se replicar.
Quando o RNA mensageiro viral é produzido, ele vai ser traduzido no citoplasma pelo
ribossomo, que lê o RNAm e converte a informação genética em proteínas.
A tradução ocorre de três em três bases nitrogenadas, e cada grupo de três bases é
chamado de códon. Um códon pode codificar um aminoácido como a valina.
O ribossomo vai se deslocando ao longo do RNAm de três em três nucleotídeos, de forma
sequencial, seguindo um quadro de leitura. Alguns vírus, especialmente os de RNA, têm
estruturas específicas em seu RNA, como pseudonós ou regiões ricas em pares de bases, que
induzem o ribossomo a fazer uma pausa durante a leitura.
Nessa pausa, o ribossomo “escorrega” uma base para trás, mudando o quadro de leitura.
Essa mudança é o que chamamos de frameshift. A partir desse ponto, ele passa a ler os códons
deslocados, por exemplo: em vez de 123-456-789, passa a ler 234-567-890. Essa mudança gera
uma proteína completamente diferente da que seria formada no quadro original.
● Essa é uma das estratégias virais para aumentar a sua capacidade de codificação
usando o mesmo trecho do genoma. Com um genoma curto, o vírus consegue produzir
várias proteínas a partir de uma única sequência de RNA, dependendo de como o
ribossomo lê. Dessa forma, ele consegue enganar a nossa célula e voltar, sequestrar várias
funções da célula.
10.FÁBRICAS VIRAIS:
11.CLASSIFICAÇÃO DE BALTIMORE:
É uma classificação clássica, que organiza e categoriza os vírus com base em:
● O tipo de ácido nucleico (DNA ou RNA);
● O número de fitas (simples ou duplas);
● Estratégia de replicação genética usada.
Ela divide os vírus em sete grupos, cada um com uma lógica específica para o caminho
do genoma até a produção de proteínas. Isso vai nos permitir prever mecanismos de
replicação, identificar alvos terapêuticos e entender como cada tipo viral interage com a célula
hospedeira.
7. GRUPO VII: DNA fita dupla com transcrição reversa (dsDNA-RT)
● Material genético: DNA de fita dupla, parcialmente incompleto
● Exemplo: Hepatite B (HBV)
● Durante a replicação, esse DNA é transcrito em RNA, que por sua vez é usado
como molde para sintetizar mais DNA, num processo inverso ao convencional
(usando a transcriptase reversa também). Ou seja, apesar de ser um vírus de
DNA, tem um intermediário de RNA na sua replicação.
1. Todos os vírus vão utilizar seu genoma como molde para produzir novas
cópias do próprio genoma viral;
2. Todos os vírus precisam produzir mRNA, independente do tipo de genoma. (no
grupo IV ele já funciona como mRNA, nos demais o mRNA é sintetizado);
3. Todos os vírus sintetizam proteínas virais a partir desses mRNAs. Essas
proteínas incluem: enzimas para replicação, proteínas estruturais (capsídeos),
fatores de evasão imune ou montagem viral.
4. Ou seja:
● Síntese de mRNA viral;
● Tradução de proteínas virais;
● Replicação do genoma;
● Montagem de novas partículas virais.
Na maioria dos vírus, a expressão dos genes ocorre de forma ordenada e funcional,
priorizando o que é essencial primeiro:
● Síntese de mRNA viral
● Tradução das proteínas não estruturais (envolvidas na replicação, regulação,
evasão imune e etc)
● Replicação do genoma viral
● Síntese de proteínas estruturais (capsídeo, envelope ou glicoproteínas de
superfície)
● Montagem, maturação e liberação das novas partículas virais.
Esse processo permite que o vírus controle o tempo e a quantidade de cada proteína
sintetizada, otimizando o uso da maquinaria celular.
13.Manipulação da célula hospedeira - Caso do HPV:
O HPV é um exemplo clássico de vírus que modula o ambiente celular a seu favor. Ele
codifica proteínas virais (como E6 e E7) que interferem com as proteínas reguladoras chave
da célula, como:
● p53: São responsáveis por controlar danos no DNA e induzir a apoptose
● Rb: Regulam o ciclo celular, impedindo a progressão desnecessária para fases de divisão
Ao inibir essas proteínas, o HPV força a célula a entrar em divisão, o que cria um
ambiente propício para que o vírus consiga acessar a DNA polimerase da célula, já que ele
não codifica sua própria polimerase. Como consequência, isso pode levar a uma proliferação
celular descontrolada, ou seja, câncer.
A expressão gênica dos vírus de DNA (como adenovírus), costuma ser dividida em
fases, para garantir a eficiência e organização:
● Genes precoces (imediatos):
São expressos logo após a infecção. Servem para modular a célula hospedeira e
ativar genes virais seguintes. Ex: proteínas que bloqueiam a apoptose e alteram o
ciclo celular.
● Genes intermediários:
Codificam enzimas importantes para a replicação do DNA viral. Ex: DNA
polimerase viral, primases, proteínas de ligação ao DNA.
● Genes tardios:
Codificam as proteínas estruturais da partícula viral. Ex: proteínas do
capsídeo, envelope e etc. São expressos depois da replicação do genoma.
O vírus se liga ao receptor na célula hospedeira e entra por endocitose. O DNA viral é
liberado e transportado para o núcleo.
O genoma viral entra no capsídeo no núcleo. A partícula viral pode ser liberada por lise
ou brotamento a partir do envelope nuclear ou vesículas derivadas do Golgi. No caso
do adenovírus, a liberação geralmente ocorre por quebra da célula (sem envelope).
● Exceções: Poxvírus
Embora sejam vírus de DNA dupla fita, eles se replicam no citoplasma. Isso só é
possível porque eles codificam sua própria RNA polimerase DNA-dependente, permitindo a
transcrição do genoma fora do núcleo.
Antes de tudo, ele precisa formar uma fita dupla para prosseguir com a replicação.
● Etapas principais:
A partir da fita dupla, a célula transcreve o DNA viral em mRNA, que é traduzido
em proteínas virais, incluindo enzimas e proteínas estruturais.
Como são vírus não envelopados, a saída ocorre geralmente por lise.
● Etapas principais:
1. Tradução direta:
O RNA viral é traduzido imediatamente em proteínas virais, principalmente as
não estruturais, como a RNA polimerase RNA-dependente (RdRp).
2. Síntese do genoma viral:
A RdRp sintetiza uma fita de RNA negativa complementar. Essa fita servirá de
molde para sintetizar novas fitas de RNA positiva, que serão utilizadas na
tradução de proteínas estruturais ou encapsidadas como novos genomas
virais.
3. Síntese escalonada de proteínas:
Muitas vezes, o vírus regula o momento certo da produção de proteínas
estruturais, para garantir que o genoma já esteja pronto.
● Genoma infeccioso:
O genoma +ssRNA é chamado de genoma infeccioso, pois se for inserido isoladamente
numa célula, será traduzido imediatamente, produzindo proteínas virais e, com RdRp,
iniciando a replicação. Isso não acontece com vírus de -ssRNA, dsRNA ou DNA, pois estes
precisam de enzimas adicionais que não estão presentes na célula.
Ou seja, se adicionarmos um vírus da dengue ou do SARS-CoV-2 em uma célula
permissiva, ele será suficiente para iniciar a produção de partículas virais completas.
3. Resumindo:
● Primeiro passo: produzir RdRp
● Ela sintetiza: RNA negativo intermediário; RNA subgenômico (quando houver) e
os novos genomas positivos para encapsidação.
Levam sua própria RNA polimerase RNA-dependente (RdRp) dentro da partícula viral.
● Fluxo replicativo:
1. Entrada e desempacotamento:
Normalmente por endocitose, o RNA é liberado no citoplasma. A RdRp já vem
embalada na partícula viral → essencial para o início da infecção!
2. Síntese de mRNAs virais:
A RdRp converte o RNA negativo em vários mRNAs positivos, que são
traduzidos em proteínas virais (estruturais e não).
3. Síntese de nova fita genômica:
A RdRp também usa os mRNAs como molde para gerar novas cópias de RNA
genômico negativo. Essas cópias vão ser encapsidadas e formar novas partículas
virais.
● Genoma não é infeccioso:
Diferente do grupo IV, o RNA negativo isolado não é infeccioso. O RNA negativo
sozinho numa célula, nada acontece, porque ele não pode ser traduzido diretamente,
célula não tem RdRp e o RNA viral não pode iniciar a replicação sem a enzima
viral.
● Estratégia:
Genoma composto por RNA de dupla fita segmentada (ex: Rotavírus tem 11
segmentos). A fita positiva não é diretamente traduzida (apesar de ser positiva), pois está
pareada à negativa. A RdRp vem embalada na partícula viral.
● Etapas:
2. A transcrição ocorre ainda dentro da partícula viral (camada dupla) → isso evita que
a dsRNA seja exposta ao sistema imune celular.
4. Replicação do genoma: a fita positiva serve de molde para nova fita negativa →
formação da nova dsRNA.
6. Liberação por lise celular ou via vesículas (ex: em células intestinais).
● Etapas:
3. A RdRp sintetiza mRNAs virais positivos, que são traduzidos em:
4. Também sintetiza a fita complementar + para usar como molde para novos genomas –.
● Influenza:
Genoma com 8 segmentos de RNA – cada um com sua função. A replicação ocorre no
núcleo celular (raro entre vírus de RNA). Possui alta capacidade de
recombinação/reassortimento → importante para emergência de pandemias.
● Estratégia:
1. Genoma: duas cópias idênticas de +ssRNA.
2. Não é traduzido diretamente como o grupo IV.
3. Leva dentro da partícula a enzima Transcriptase Reversa (RT) = DNA
polimerase RNA-dependente.
● Etapas:
1. Entrada e liberação do RNA viral.
2. A RT converte o RNA viral em DNA fita simples, depois em DNA fita dupla.
3. Esse DNA é integrado ao genoma do hospedeiro (com ajuda da integrase viral).
● Reservatórios virais:
O HIV se instala especialmente em células do sistema imune (como linfócitos CD4+ e
células de memória), criando reservatórios virais latentes que são difíceis de eliminar. Essa é
uma das grandes barreiras para a cura definitiva da infecção.
● Maturação viral:
A maturação das partículas virais do HIV ocorre de forma progressiva:
- Começa durante o brotamento da célula;
- Envolve a ativação da protease viral, que cliva a poliproteína do capsídeo,
permitindo a montagem correta da partícula infecciosa.
Partículas imaturas não são infecciosas. Por isso, a maturação é essencial para a
infectividade, e inclusive é alvo de antivirais, como os inibidores de protease.
Os vírus do Grupo VII, como o HBV (Hepatite B), possuem um genoma de DNA
parcialmente fita dupla, ou seja, uma das fitas está incompleta.
1. Quando o genoma viral entra na célula, a DNA polimerase da célula hospedeira
completa a fita incompleta, formando um DNA circular covalentemente fechado
(cccDNA).
3. Esse RNA pré-genômico, além de codificar proteínas, serve como molde para a síntese
de novo DNA viral, através da transcriptase reversa viral, que:
○ Está presente dentro do capsídeo;
○ Atua durante a montagem do capsídeo, no citoplasma.
Diferente do HIV, o HBV não integra obrigatoriamente seu genoma ao DNA celular
para se replicar. A persistência do vírus se dá pela manutenção do cccDNA no núcleo das células
hepáticas, o que dificulta a erradicação da infecção.
Como a transcriptase reversa não é necessária para iniciar o ciclo replicativo, mas é
crítica na formação de novos genomas, sua inibição se tornou um alvo terapêutico. Por isso,
inibidores de transcriptase reversa (como tenofovir), usados no tratamento do HIV, também
são eficazes contra o HBV
1. As RNA polimerases virais são menos precisas e apresentam uma alta taxa de erro;
3. Consequentemente:
● Vírus de RNA acumulam mutações com mais facilidade, o que favorece sua
variabilidade genética, mas também limita o tamanho de seus genomas —
mutações excessivas em genes essenciais inviabilizam o ciclo viral.
● Vírus de DNA, por terem acesso a enzimas com maior fidelidade (ou
codificarem suas próprias com capacidade de reparo), mantêm genomas maiores e
mais estáveis.
● Exceção notável:
Coronavírus, apesar de serem vírus de RNA, possuem uma enzima de correção
(exonuclease), o que reduz sua taxa de mutação em relação a outros vírus de RNA.