Nível: Médio (CV5).
Especialidade: Electricidade de manutenção industrial.
Título do módulo: Demostrar compreensão sobre fundamentos de gestão de negócios.
1º Trabalho
Tema: Identificar ideias e oportunidades de negócio.
Formando:
Almeril Armando Gonçalves № 01
Formador:
___________________
(Isaac Rinze)
Tete, Agosto, 2025.
a) Definir e caracterizar um negócio.
O termo negócio provém do latim negotium, que significa “negação do ócio”, referindo-se, pois,
à actividade humana orientada para fins produtivos e económicos. Em sentido clássico, um
negócio é uma actividade organizada e contínua, voltada à produção de bens ou à prestação de
serviços, com vista à obtenção de lucro ou ao alcance de benefício económico.
Na tradição mercantil portuguesa dos séculos XV a XIX, os negócios eram regidos por códigos
de comércio e por práticas consuetudinárias, tendo como pilares a boa fé contratual, a livre
iniciativa e a função social da actividade económica. Os mercadores, feirantes, lavradores e
mestres de ofício, cada qual segundo a sua arte, eram considerados homens de negócio.
O negócio moderno, todavia, evoluiu no sentido da especialização e formalização, sendo hoje
caracterizado pela integração de diversos elementos essenciais:
I. Finalidade económica – o negócio visa produzir riqueza, seja por lucro, seja por auto-
sustento.
II. Organização estruturada – implica a coordenação de meios humanos, materiais e
financeiros.
III. Continuidade temporal – distingue-se de actos isolados por sua regularidade e
permanência.
IV. Risco assumido – toda actividade empresarial encerra incertezas quanto ao êxito.
V. Relação mercantil – baseia-se na oferta de bens/serviços e na procura do mercado.
Os negócios podem ainda ser classificados consoante três critérios fundamentais:
I. Forma jurídica – empresário individual ou sociedade (por quotas, anónima, cooperativa).
II. Ramo de actividade – agrícola, industrial, comercial ou de serviços.
III. Âmbito geográfico – local, regional, nacional ou além-mar.
O negócio não deve ser entendido meramente como instrumento de lucro pessoal, mas como
factor de desenvolvimento social e económico, contribuindo para a criação de emprego, inovação
e progresso colectivo.
b) Gerar ideias de negócio.
A geração de ideias de negócio é processo que exige simultaneamente observação acurada e
análise racional da realidade. Não basta o desejo de empreender; mister se faz identificar
oportunidades concretas, fundadas em carências reais ou novas possibilidades de mercado.
As ideias de negócio podem originar-se de diversas fontes:
I. Necessidades do quotidiano – quando certos bens ou serviços são escassos ou inexistentes
numa localidade, abrindo campo para sua introdução.
II. Inovações tecnológicas – que permitem novas formas de produção, distribuição ou consumo.
III. Transformações sociais ou legais – que criam novas exigências ou públicos-alvo.
IV. Recursos subutilizados – exploração de matérias-primas, habilidades ou infra-estruturas
ociosas.
V. Experiência e observação – conhecimento de actividades alheias que possam ser adaptadas
ao contexto local.
O método prático de identificação de ideias inclui:
I. Levantamento do meio – observar o bairro, vila ou cidade e tomar nota das actividades
predominantes, dificuldades frequentes e necessidades manifestas.
II. Consulta ao público – através de inquéritos, entrevistas ou conversas informais com
moradores, trabalhadores e comerciantes.
III. Análise documental – estudar dados estatísticos, relatórios económicos e tendências de
consumo.
Exemplo: Numa região onde se observe grande movimento de trabalhadores e estudantes, mas
escassez de estabelecimentos de alimentação rápida e saudável, pode surgir a ideia de criar um
serviço de refeições prontas com entrega local.
Outros exemplos:
I. Alfaiataria ou costura – onde haja população numerosa e poucas opções de vestuário sob
medida.
II. Oficina de bicicletas – em zonas de tráfego intenso e uso comum de meios alternativos de
transporte.
III. Serviços de reparação doméstica – em locais com alta densidade habitacional e pouca
oferta técnica.
A ideia viável deve, portanto, responder a utilidade social, ser factível com os recursos existentes
e ter potencial de gerar rentabilidade sustentável.
c) Priorizar as ideias de negócio.
De entre várias ideias, cumpre proceder à priorização, elegendo aquela que ofereça melhor
relação entre viabilidade e benefício esperado. A selecção racional deve basear-se em critérios
objectivos, que permitam discernir qual a mais promissora.
Os critérios geralmente aceites são:
I. Viabilidade Técnica – existência dos meios materiais, humanos e tecnológicos para
concretizar a ideia.
II. Viabilidade Económica – capacidade de gerar rendimentos superiores aos custos.
III. Procura Efectiva – grau de interesse do público e volume potencial de clientes.
IV. Grau de Concorrência – existência e força de competidores no mesmo sector.
V. Sustentabilidade – aptidão da ideia para manter-se lucrativa ao longo do tempo.
Para aplicar estes critérios, recomenda-se utilizar a Matriz de Priorização, atribuindo valores de 1
a 5 (ou 1 a 10) para cada critério por ideia, e somando os resultados.
Exemplo prático de matriz:
Critério Loja Alimentar Oficina Reparações Serviço de Entregas
Viabilidade Técnica V (9) V (7) V (8)
Viabilidade Económica V (8) V (9) V (6)
Procura de Mercado V (10) V (6) V (8)
Concorrência Existente V (9) V (5) V (7)
Sustentabilidade V (8) V (7) V (7)
Total 44 34 36
Neste exemplo, a Loja Alimentar obteve maior pontuação, sendo, pois, a ideia prioritária.
Esta metodologia quantitativa permite apoiar a decisão de forma lógica e transparente, evitando
escolhas baseadas apenas em impressões ou preferências pessoais. A escolha acertada poupa
recursos e aumenta as probabilidades de êxito.
d) Produzir a nota conceptual da ideia de negócio.
A nota conceptual é documento sintético que descreve a ideia de negócio seleccionada, visando
apresentar fundamentos, objectivos e viabilidade. Serve como prévia ao plano de negócios
completo, podendo ser usada para captar parceiros ou investidores.
A estrutura clássica inclui:
I. Designação do Negócio – nome do empreendimento e seu sentido.
II. Objectivo Geral – fim último do negócio, benefício esperado.
III. Descrição dos Produtos/Serviços – o que se oferece, como, com que qualidade.
IV. Público-Alvo – perfil dos consumidores visados.
V. Concorrência – empresas existentes e seus pontos fortes/fracos.
VI. Fornecimento – onde e como se obtêm os insumos.
VII. Localização – zona de instalação, acesso e visibilidade.
VIII. Recursos Necessários – meios financeiros, humanos e materiais.
IX. Estratégia de Crescimento – expansão e inovação futuras.
Exemplo expandido:
I. Nome: Chingodzi Alimentar Lda.
II. Objectivo: Fornecer produtos alimentares frescos e embalados com qualidade, preços justos e
atendimento.
III. Produtos/Serviços: Arroz, farinha, leguminosas, carnes, produtos de higiene. Serviço de
entrega local.
IV. Público-Alvo: Famílias e pequenos comerciantes da zona urbana, com rendimento médio.
V. Concorrência: 2 mercearias tradicionais (oferta limitada, sem entregas). Diferencial: horário
alargado e variedade.
VI. Fornecimento: Compras no mercado grossista local e produtores regionais.
VII. Localização: Rua principal do bairro comercial, com fácil acesso pedonal e motorizado.
VIII. Recursos: 2 funcionários, 200.000 MZN de capital, estantes, frigoríficos, veículo leve.
IX. Crescimento: Criação de aplicação digital para pedidos; expansão para bairro vizinho em 2
anos.
A nota conceptual deve ser clara, lógica e fundamentada, transmitindo confiança e mostrando que
o negócio é exequível e necessário.
Nível: Médio (CV5).
Especialidade: Electricidade de manutenção industrial.
Título do módulo: Demostrar compreensão sobre fundamentos de gestão de negócios.
2º Trabalho
Tema: Reconhecer os Diferentes Tipos de Registos de Negócio Existentes e Compreender a Sua
Utilidade.
Formando:
Almeril Armando Gonçalves № 01
Formador:
___________________
(Isaac Rinze)
Tete, Agosto, 2025.
a) Definir registo de negócio
O registo de negócio corresponde ao conjunto de actos jurídicos e administrativos pelos quais
uma actividade económica é formalizada e reconhecida pelas autoridades competentes,
tornando-se legítima perante a lei, a sociedade e os demais agentes económicos. Tal registo é,
pois, a base legal que confere existência oficial ao negócio.
Historicamente, o registo mercantil teve origem nos livros de matrículas de mercadores
mantidos pelas câmaras municipais e pelas corporações de ofício, sendo posteriormente
institucionalizado pelos cartórios de comércio e pelos registos centrais. O Código Comercial
português de 1833 já previa a obrigatoriedade de certos registos, visando ordenar a actividade
económica, proteger terceiros e facilitar a fiscalização tributária.
No mundo moderno, o registo assume funções múltiplas:
I. Legalidade – permite o exercício lícito da actividade, com direitos e deveres.
II. Identificação – fornece número e nome registados, sede e titularidade.
III. Transparência – garante a terceiros (clientes, fornecedores, Estado) a possibilidade de
verificar a existência e condições do negócio.
IV. Responsabilidade – vincula o empresário ou a sociedade aos actos praticados no comércio.
V. Acesso a benefícios – sem registo, não se obtém crédito bancário, contratos com o Estado ou
licenças.
Assim, o registo é indispensável para qualquer actividade económica formal, sendo realizado
conforme a natureza jurídica do negócio (individual ou colectivo) e o tipo de actividade
(comercial, industrial, agrícola ou de serviços).
b) Tipos de registos de negócio existentes
Existem diversos tipos de registos, cada qual com função específica, que devem ser
compreendidos pelo empreendedor. Os principais são:
I. Registo Comercial (ou Empresarial)
É o acto pelo qual se regista a constituição de uma empresa ou actividade individual perante o
órgão de registo competente (ex.: Conservatória do Registo Comercial). Inclui:
Nome empresarial (firma ou denominação).
Actividade principal (objeto social).
Sede do negócio.
Dados dos sócios ou empresário.
Este registo é obrigatório por lei e confere personalidade jurídica à empresa colectiva,
permitindo sua actuação plena no comércio.
II. Registo Fiscal
Todo negócio deve obter Número Único de Identificação Fiscal (NUIT) junto às autoridades
tributárias, habilitando-o ao pagamento de impostos e emissão de facturas. Este registo permite:
Declaração e pagamento de tributos (IVA, imposto sobre rendimento).
Emissão de documentos fiscais legalmente válidos.
Fiscalização e auditoria pelo fisco.
III. Registo de Licenciamento
Determinadas actividades requerem licença específica de funcionamento (ex.: venda de
alimentos, transporte, saúde, educação). O registo é feito junto à autoridade competente
(municipal ou sectorial) e atesta que o negócio cumpre requisitos legais e sanitários.
IV. Registo na Segurança Social
Empresas com trabalhadores devem inscrever-se na Segurança Social, contribuindo para o
sistema previdenciário e garantindo aos seus empregados direitos laborais (reformas, baixas
médicas, etc.).
V. Registo em Entidades de Classe
Alguns negócios exigem inscrição em ordens ou associações profissionais (ex.: advogados,
contabilistas, engenheiros), que supervisionam o exercício profissional.
VI. Registo de Propriedade Intelectual
Para protecção de marcas, patentes, logótipos ou criações, o negócio pode realizar registos no
Instituto da Propriedade Industrial, assegurando exclusividade de uso.
c) Utilidade dos registos de negócio
A realização correcta dos registos não é mera formalidade, mas instrumento de garantia
jurídica, económica e reputacional. A sua utilidade manifesta-se em diversos âmbitos:
I. Legalidade e Reconhecimento
Sem registo, a actividade económica é considerada informal ou ilegal, sujeita a sanções,
encerramento e exclusão de mercados formais.
II. Protecção do Nome e Marca
O registo assegura que nenhum outro negócio possa utilizar o mesmo nome ou símbolo na
mesma área de actuação, protegendo o investimento feito na imagem da empresa.
III. Responsabilidade Limitada
Nas sociedades comerciais, o registo separa o património pessoal dos sócios do património da
empresa. Isto significa que as dívidas do negócio não recaem automaticamente sobre os bens
pessoais dos sócios, garantindo segurança patrimonial.
IV. Acesso ao Crédito e Investimento
Bancos, investidores e parceiros exigem registo formal para conceder financiamento, contratos
ou acordos. Sem registo, o negócio é considerado risco elevado.
V. Participação em Concursos e Contratos Públicos
Apenas negócios registados podem concorrer a contratos com o Estado, participar em feiras,
programas de apoio e parcerias institucionais.
VI. Pagamento de Tributos e Cumprimento Legal
O registo permite cumprir obrigações fiscais de forma regular, evitando multas, juros e litígios
com a autoridade tributária.
d) Factos práticos: registo de negócio na realidade
Ao observar-se o funcionamento de microempresas e pequenas empresas em zonas urbanas e
rurais, constata-se que muitas enfrentam dificuldades por não possuírem registos adequados.
Tal situação origina:
I. Exclusão de mercados formais – impossibilidade de fornecer ao Estado ou grandes empresas.
II. Insegurança jurídica – vulnerabilidade a sanções ou encerramentos.
III. Limitação de crescimento – sem registo, não se obtém crédito nem se pode escalar o
negócio.
Por outro lado, negócios que realizam os registos adequados beneficiam-se de:
I. Expansão legítima – podem abrir filiais, contratar funcionários e operar com segurança.
II. Reputação positiva – são vistos como confiáveis por clientes e fornecedores.
III. Sustentabilidade – podem planear crescimento a longo prazo.
Exemplo:
Uma empresa registada como sociedade por quotas com actividade no ramo alimentar, ao obter
registo fiscal, licenciamento sanitário e marca registada, consegue fornecer supermercados,
exportar e receber financiamento bancário. Outra, sem registo, limita-se à venda informal e é
vulnerável a fiscalizações.