Continente Africano
África é um dos seis continentes do mundo, sendo o terceiro maior em extensão
territorial. O território estende-se por mais de 30 milhões de km², ocupando,
aproximadamente, 20% da área continental da Terra. No continente vive mais de um
bilhão de habitantes, fazendo dele o segundo mais populoso entre os demais.
A África é conhecida pela sua pluralidade étnica e cultural, e, por meio de uma
história milenar, é capaz de contar a história de toda a humanidade. Apesar da enorme
riqueza do continente, muitos países africanos apresentam baixos índices de
desenvolvimento, com diversos problemas sociais, como a miséria, baixa qualidade de
vida, subnutrição e o analfabetismo.
O continente africano é cercado pelos oceanos Atlântico (oeste) e Índico (leste), além
dos mares Mediterrâneo (norte) e Vermelho (nordeste).
Cortam a África, três dos grandes paralelos terrestres: Equador, Trópico
de Câncer e Trópico de Capricórnio, além do Meridiano de Greenwich. Cerca
de 80% de seu território fica na zona intertropical, sendo que a maior parte de
suas terras localiza-se no hemisfério oriental (leste) e só uma pequena parte
delas no hemisfério ocidental (norte). O continente possui cinco diferentes fusos
horários. A África está separada da Europa pelo mar Mediterrâneo e liga-se à Ásia na
sua extremidade nordeste pelo istmo de Suez.
Os países africanos dividem-se em duas principais regiões — o Norte da
África e a África Subsaariana — e também se distribuem em:
Essa regionalização do continente tem o deserto do Saara como divisor
natural e os aspectos humanos, em especial a religião, como fator cultural. A África
Mediterrânea, situada ao norte do deserto do Saara, é composta por apenas cinco
países (Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito), além do território do Saara
Ocidental. Já a África Subsaariana, compreende toda a área localizada ao sul
do Saara, correspondendo a mais de 75% do continente.
As nações que integram a África Mediterrânea são banhadas pelo Mar
Mediterrâneo ou pelo Oceano Atlântico. Apresentam características físicas e humanas
semelhantes às das nações do Oriente Médio. O clima é desértico e a maioria dos
habitantes é de origem árabe e seguidora do islamismo. Apesar de possuir problemas, essa
porção do continente detém os melhores indicadores socioeconômicos da África.
A agricultura nessa região é desenvolvida nas proximidades do Rio Nilo e na área
denominada Maghreb. Porém, as principais fontes de receitas são oriundas da produção de
petróleo, gás natural, além de vários outros minérios: fosfato, ouro, cobre, etc. O turismo é
outra importante atividade econômica na África Mediterrânea, com destaque para Egito e
Marrocos, que recebem milhões de visitantes anualmente.
Com população majoritariamente negra, a África Subsaariana apresenta grande
diversidade cultural. A pluralidade religiosa é uma característica dessa porção continental,
onde há cristãos, mulçumanos (principalmente na região do Sahel), judeus, além de várias
crenças tradicionais. Os diversos grupos étnicos possuem dialetos, danças e costumes
próprios, fato que contribui para a riqueza cultural da África. Porém, em alguns países,
vários conflitos armados são desencadeados por diferentes grupos étnicos.
As riquezas no subsolo impulsionam a mineração. A África do Sul detém grandes
reservas de diamante, cromo, platina, ouro (maior produtor mundial), entre outros minérios.
Outro destaque é a grande produção de petróleo e gás natural nos países da África
Subsaariana. O turismo, promovido nos diversos parques naturais, é outra importante fonte
de recursos financeiros.
Apesar dessa grande riqueza mineral, a África Subsaariana apresenta vários
problemas socioeconômicos e os organismos internacionais não desenvolvem políticas
eficazes para solucioná-los. A fome, por exemplo, castiga grande parte dos africanos, os
índices de desnutrição são absurdos nessa região do planeta: República Democrática do
Congo (76%), Somália (72%), Burundi (63%), Serra Leoa (47%).
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dos 33,4 milhões
de portadores do vírus HIV no mundo, 22,4 milhões residem na África Subsaariana. Cerca
de 1 em cada 3 adultos de Botsuana, Lesoto, Suazilândia e Zimbábue está infectado.
Estima-se que a população desses países possa ser reduzida em 25% até 2020, como
consequência da doença. Além da AIDS, a malária também é responsável pela morte de
vários habitantes – anualmente, um milhão de africanos morrem em decorrência da doença.
Diante desse cenário, os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) das nações que
compõem a África Subsaariana são os piores do planeta, reflexo da baixa expectativa de
vida e do PIB per capita, além das altas taxas de analfabetismo e de mortalidade infantil.
África Central
África Meridional
África Setentrional
África Ocidental
África Oriental
1) África Central: Abrange os
territórios dos seguintes países:
República Centro-Africana,
República Democrática do
Congo, Angola, Chade,
Camarões e República do
Congo. Essa região limita-se
com o Oceano Atlântico, a
oeste, e regiões montanhosas, a
leste. É atravessada por
diversos rios, apresenta altas
temperaturas, umidade do ar
elevada, predominância de
clima tropical e presença das
savanas.
2) África Meridional: Abrange os territórios dos seguintes países: África do Sul, Botsuana,
Comores, Lesoto, Malawi, Moçambique, Namíbia, Eswatini, Zâmbia e Zimbábue. Essa
região caracteriza-se pela presença de planaltos; clima tropical, desértico e mediterrâneo; e
vegetação de savanas, estepes e florestas. Parte dela é rica em minérios como ouro, cobre
e crômio. Em outras partes, é praticada a agricultura, como as plantações de cana-de-
açúcar, café e fumo.
3) África Setentrional: Abrange os territórios dos seguintes países: Argélia, Egito, Líbia,
Marrocos, Sudão e Tunísia, sendo a maior região do continente em termos de área. A
população distribui-se de forma heterogênea pela área, concentrando-se nas porções de
maior umidade.
Nessa região, também chamada Norte da África, há uma grande concentração de minérios
voltados para o mercado de exportação, ao passo que a agropecuária é pouco
desenvolvida, devido às suas condições naturais. Apenas no Vale do Rio Nilo é que a
agricultura desenvolve-se, devido à grande fertilidade do solo, graças às cheias do rio.
4) África Ocidental: Abrange os territórios dos seguintes países: Benin, Burkina, Faso,
Cabo Verde, Costa do Marfim, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné
Equatorial, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, São Tomé e
Príncipe, e Togo. Localiza-se entre o deserto do Saara e o golfo da Guiné.
A África Ocidental caracteriza-se pela predominância de clima equatorial, vegetação
representada pelas savanas e florestas. A população concentra-se especialmente nas
regiões ao sul, pois no Saara as condições geográficas não são atrativos populacionais.
Nessa área a agricultura é uma das atividades econômicas praticadas, com destaque para o
cultivo de cana-de-açúcar, cacau e banana.
5) África Oriental: Abrange os territórios dos seguintes países: Burundi, Djinouti, Eritreia,
Etiópia, Quênia, Ruanda, Ilhas de Madagascar, Seychelles, Somália, Tanzânia e Uganda.
Localiza-se entre a região da bacia hidrográfica do Congo e o Oceano Índico.
A África Oriental caracteriza-se pela presença de formações montanhosas, vulcões e
lagos. O clima predominante é o tropical, e a vegetação é dos tipos equatorial, savana e
estepes, com áreas desérticas.
A economia da região baseia-se na agricultura com o cultivo de café e algodão,
voltado ao mercado de exportação. Essa região apresenta baixos índices de
desenvolvimento humano e diversos problemas sociais.
História da África
A África é o berço da humanidade, pois há indícios de que o continente foi o primeiro
a ser habitado por humanos. Nele foram encontrados diversos fósseis que comprovam essa
teoria e também possibilitaram o estudo da evolução humana. Estima-se que a porção norte
do continente seja a mais antiga do mundo, na qual se estabeleceu os povos egípcios.
O continente foi colonizado por povos europeus, como os espanhóis, portugueses e
franceses. Muitos africanos foram arrancados e levados de seus países para outras partes
do mundo pelos europeus, a fim de realizarem o trabalho escravo.
Assim a África foi dividida ao longo da sua colonização, segundo os interesses dos
colonizadores, que ignoraram a realidade e identidade dos povos, agrupando-os em tribos
com disparidades culturais. Foi após a Segunda Guerra Mundial que as colônias africanas
iniciaram o seu processo de independência. Contudo, o continente ainda vive diversos
conflitos territoriais e religiosos.
População e idiomas
Vivem no continente mais de um bilhão de habitantes. No entanto e apesar do alto
contingente, a África apresenta distribuição desigual da população, devido às condições
geográficas que desfavorecem a ocupação das áreas.
O continente africano convive com grandes problemas de ordem social. Muitos países
apresentam baixos Índices de Desenvolvimento Humano. Grande parte da população de
alguns países convive com baixa qualidade de vida, fome e miséria. As taxas de natalidade
e mortalidade são muito altas, enquanto a expectativa de vida é baixa.
Há uma grande diversidade cultural no continente, o qual possui várias etnias,
tradições, religiões e línguas. Além das milhares de línguas africanas, falam-se as línguas
trazidas pelos colonizadores, como o Francês, Inglês e Português. Essa última é falada por
cinco países: Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola.
Recentemente Guiné Equatorial também adotou o idioma. Caso tenha curiosidade sobre
esse tema, leia nosso texto: População africana.
Aspectos Naturais da África
Clima
A diversidade climática do continente africano é muito
influenciada pelas diferenças de latitude e, em menor grau, pela
maritimidade e continentalidade, além de, em alguns pontos, a
altitude também determinar alguns tipos climáticos, como o de Frio de Montanha. No mapa a
seguir, temos uma classificação genérica dos climas africanos.
Apesar de o Saara ser o maior deserto quente do mundo e trazer uma ampla
influência para a atmosfera continental, a maior parte do continente africano é ocupada pelo
clima tropical (semelhante ao que ocorre no Brasil), com um clima seco e frio no inverno e
quente e chuvoso no verão. Essa faixa climática interrompe-se em alguns trechos de clima
equatorial, que é mais quente e úmido em função da presença da floresta do Congo na
porção central da África.
Vegetação da África
Se observarmos o mapa a
seguir, onde há a indicação
genérica dos principais biomas
africanos, podemos notar que
existe uma relação de equilíbrio
entre o clima e a vegetação da
África, com as grandes faixas
desérticas já mencionadas, além
da presença de Estepes na maioria
das regiões semiáridas.
As Savanas, um tipo de
vegetação muito semelhante ao
Cerrado brasileiro e que ocupa a
maior parte do continente,
encontram-se quase que
totalmente nas faixas de clima
tropical. A floresta equatorial,
responsável pelas maiores
umidades do continente, encontra-
se nas zonas de baixas latitudes e mantém-se cercada por uma floresta tropical úmida,
enquanto nos extremos norte e sul habita a vegetação mediterrânea.
É importante destacar, contudo, que as fronteiras entre um tipo natural e outro não
são completamente claras e bem definidas, havendo áreas de transição entre um tipo e
outro. Um exemplo é a vegetação de estepe, que vai se tornando mais rala, com áreas de
campo, à medida que sua posição geográfica aproxima-se das zonas desérticas.
Relevo
A maior parte do norte da África está coberta pelas grandes extensões do Saara, a 2a
maior região árida do planeta. Na porção referente ao Saara estão incluídos desertos
menores como os desertos da Líbia e da Núbia, no leste, e do Grande Erg Oriental, Grande
Erg Ocidental e o Erg Iguidi no oeste. Em meio ao deserto aparecem dois planaltos
importantes: Tibesti e Hoggar, na parte central do Saara. O relevo da região também é
marcado por depressões, com destaque para a bacia do Lago Assal, 156 metros abaixo do
nível do mar.
Na porção noroeste, entre Marrocos, Argélia e Tunísia está a Cadeia do Atlas, um
conjunto montanhoso que possui aproximadamente 2,5 mil quilômetros de extensão, com
altitudes de mais de 4.000 metros. Sua localização entre as águas do Atlântico,
Mediterrâneo e o Saara contribui para a formação de áreas secas.
Ao longo da margem sul do Saara estão três grandes bacias sedimentares: bacia de
Djouf, através da qual corre o rio Níger; bacia do Chade, contendo o lago Chade e a bacia
do Sudão, onde está um trecho do rio Nilo. A bacia do rio Congo, na África Central, é quase
toda cercada por planaltos, sendo o Planalto do Leste Africano aquele que apresenta as
maiores altitudes. A bacia contém a maior parte do vale do rio Congo, que acaba se
estreitando nas montanhas de Cristal, perto da costa do Atlântico.
Nas porções leste e sul do Sudão e da bacia do Congo estão localizados os planaltos
mais altos do continente. Há extensões consideráveis de planalto no interior, especialmente
na Tanzânia, Zâmbia e África do Sul. Na parte leste da região desses planaltos, desde o
norte da Etiópia até o sul de Moçambique, corre o Grande Rift Valley, uma série de desníveis
provocada por uma enorme falha tectônica. Em algumas áreas das encostas íngremes do
Rift Valley aparecem as montanhas Ruwenzori na África Central e numerosos vulcões,
incluindo os dois maiores picos da África, o Kilimanjaro, na Tanzânia (5.895 m), e o Monte
Quênia, no Quênia (5.199 m). Ao longo das bordas do planalto leste e litoral sudeste, uma
série de escarpas é encontrada. A mais alta, atingindo 3.350 metros, é a Drakensberg, na
África do Sul.
Hidrografia
A África possui alguns rios importantes e caudalosos, mas sua hidrografia não pode
ser considerada equilibrada. Seus rios são mal distribuídos por conta da presença de
diversas áreas de clima desértico, o que agrava a situação de seca e escassez de água em
várias localidades do continente. Na região do Saara existem muitos rios temporários,
também conhecidos como intermitentes, pois o fluxo desses rios diminui no período mais
seco até cessar completamente. Apenas o rio Nilo, o segundo maior do mundo em extensão,
com cerca de 6.700 km, não perde o seu fluxo no percurso do deserto para o mar. O Nilo
nasce na região equatorial próxima da floresta Nyungwe, em Ruanda. Por desaguar no Mar
Mediterrâneo, formando um imenso delta, ele foi historicamente aproveitado para a irrigação
e a agricultura.
O Rio Nilo, com cerca de 6.700 km, é o único que, em períodos de seca, não perde
seu fluxo no percurso do deserto para o mar
As regiões equatoriais possuem uma drenagem bastante desenvolvida,
principalmente pela presença do rio Congo, detentor da segunda maior vazão do planeta,
com aproximadamente 41.000 m3/segundo. O principal rio da África Ocidental é o Níger
(4.800km), já na porção sul destacam-se o Orange (2.200 km), Zambeze (2.574 km) e o
Limpopo (1.600 km). Muitos dos rios e cascatas reduzem o potencial para a navegação,
mas fornecem grande potencial hidrelétrico. Os mais importantes são as cataratas Vitória, no
rio Zambeze, e Boyomsa (antiga Stanley Falls), uma série de cataratas no rio Congo.
A principal região lacustre está no Grande Rift Valley, onde estão localizados os Lagos
Vitória, Albert, Tanganica e Niassa (ou Malawi). Por estarem relacionados ao relevo
modificado pelos movimentos das placas tectônicas, esses lagos são chamados de lagos
tectônicos. O Lago Vitória, no platô entre as ramificações do Rift Valley, é o maior lago da
África, com uma área total comparável ao território da Irlanda e repleto de nascentes que se
dirigem para o rio Nilo. O único grande lago natural localizado fora da África Oriental é o
Lago Chade, no extremo sul do Saara. Seu tamanho varia, dependendo das chuvas
sazonais, mas sua área foi intensamente reduzida nas últimas décadas devido às práticas
agrícolas que desconsideraram a sua conservação.
Economia da África
Índices econômicos e de desenvolvimento humano apontam que o continente africano
é o mais pobre entre os continentes. Muitos países são considerados subdesenvolvidos.
A economia africana é baseada, principalmente, no setor primário, com o extrativismo
e a agropecuária. O continente é rico em minerais como ouro e diamante. Em alguns países
também são encontrados petróleo e gás natural. A exploração de recursos naturais é feita
pelos europeus e também pelos norte-americanos, o que impede o desenvolvimento do país
com base em suas próprias riquezas.
O extrativismo animal e vegetal também destaca-se. Já no que tange à agropecuária,
a agricultura realizada em alguns lugares é para subsistência e, em outros, para fim
comercial.
Os principais cultivos para subsistência são: mandioca, milho, inhame e sorgo. Já dos
cultivos voltados para o mercado destacam-se algodão, cacau, café e amendoim. Em
relação à pecuária, a criação de gado ganha destaque em diversas áreas. A criação de
ovelha também é comum no sul do continente.
Aspectos da população africana
A África é, sem dúvida, o continente que apresenta os piores indicadores sociais do
mundo. O continente africano abriga, atualmente, cerca de 930 milhões de habitantes.
Desse total, grande parte se concentra na Nigéria, Egito, Etiópia, República Democrática do
Congo e África do Sul, que são países mais populosos.
As regiões que apresentam maiores densidades demográficas são aquelas que
possuem solos férteis, como o vale fluvial e o delta dos rios Nilo e Níger, além da costa
litorânea, lugar com boa incidência de chuvas.
As regiões da África que apresentam baixa densidade demográfica compreendem as
áreas desérticas, como o deserto do Saara (África Islâmica), deserto da Namíbia e do
Calaari e nas florestas do Congo (África Subsaariana).
Atualmente, o continente tem passado por um intenso processo de urbanização,
mesmo assim, são restritos os centros urbanos de grande porte, as maiores cidades são
Cairo (Egito), com cerca de 7 milhões de habitantes; Alexandria (Egito), com 4 milhões;
Lagos (Nigéria), com 7 milhões; Casablanca (Marrocos), com 3,7 milhões; Kinshasa
(República Democrática do Congo), com 9 milhões; Argel (Argélia), com 2,5 milhões; e
Cidade do Cabo (África do Sul), com 3,4 milhões.
Os países africanos possuem as piores taxas de mortalidade (13,5%), além de
apresentar elevada taxa de natalidade (35,2%) e o maior crescimento vegetativo do mundo
(2,17%), mostrando que a qualidade de vida da população é decadente. A fome e a AIDS
são problemas que atingem a África quase que na totalidade.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas, cerca de 150 milhões de
africanos não ingerem a quantidade mínima de calorias diárias, e mais 23 milhões correm o
risco de morrer de fome.
Todos os problemas sociais identificados na África (miséria, fome, desemprego,
guerras, dentre muitas outras) podem ser agravados, tendo em vista que se o crescimento
vegetativo continuar no mesmo passo (cerca de 1,9% ao ano), em 2015 a população
africana será de 1 bilhão de habitantes. Fato que irá desencadear um aumento pela procura
de alimentos, aumentando a fome.
Descolonização da África
A descolonização da África é o nome que se dá ao processo de independência dos
países africanos em relação aos colonizadores europeus. Até a segunda metade do século
XX, países africanos viviam sob a hegemonia de países da Europa.
Essa descolonização ocorreu na África, e também na Ásia, após a Segunda Guerra
Mundial, quando as potências europeias anteriores perderam força e entrou em vigor uma
nova ordem mundial, com a disputa agora centrada em URSS e EUA. Estes então
disputavam hegemonia política, econômica e ideológica do planeta, bem como territórios, e
começaram a interferir na política interna dos países novos africanos.
Dessa forma, cunhou-se termos como o pan-africanismo; congressos e conferências
foram realizados; e movimentos sugiram, sobretudo até a década de 1960, quando a maioria
das ex-colônias havia conseguido sua independência. Entretanto, por conta, principalmente,
da interferência dos EUA e da URSS, os conflitos internos permaneceram, gerando fome,
miséria, governos autoritários e corruptos.
Resumo sobre a descolonização da África
Deu-se em um contexto de fim da Segunda Guerra Mundial e de enfraquecimento dos
colonizadores europeus.
Suas causas foram a grande baixa populacional e do poderio europeu, dando
margem a lutas por autonomia nas colônias e ao advento de novas potências mundiais fora
da Europa: a saber, EUA e URSS.
Seu processo se deu por meio de lutas, elaborações de conceitos, congressos e
conferências que buscaram resgatar uma unidade e identidade dos povos africanos. A
Conferência de Bandung, em 1955, foi determinante nesse sentido.
O pan-africanismo foi uma ideologia que pregou a unificação em massa das
identidades nacionais dos novos países ex-colonizados da África.
Suas consequências foram as independências de vários países da África, com a
criação de mais de 40 novos, mas também os muitos conflitos internos e as desigualdades
sociais, devido, principalmente, à interferência norte-americana e soviética.
Contexto histórico da descolonização da África
Durante o século XX, vários países africanos passaram pelos seus processos de
independência e descolonização, livrando-se da dominação, principalmente a de europeus.
O primeiro deles foi a Libéria.
Países africanos e asiáticos viveram sob julgo das grandes potências imperialistas ao
longo do tempo, especialmente nos séculos XIX e XX, até a década de 1950. Esse domínio
foi, inclusive, motivo de conflitos entre tais potências, sendo um deles a Segunda Guerra
Mundial. Após essa guerra, iniciou-se o fim da exploração predatória colonial na África, já
que um bom número das potências envolvidas saiu das batalhas com baixas populacionais e
econômicas.
Causas da descolonização da África
Uma das principais causas da descolonização da África foi a Segunda Guerra
Mundial, pois, em consequência dela, iniciou-se o período da Guerra Fria, que teve URSS e
EUA como protagonistas na disputa política, econômica e ideológica dos países do mundo.
Contudo, a Guerra Fria não teve combates diretos, muito devido aos traumas
deixados por tantas mortes nos conflitos anteriores. Assim, EUA e URSS buscaram alianças
com países antes colonizados e que sofreram com a antiga política imperialista europeia,
agora arrasada pela recente guerra.
Com isso, cerca de 40 de países novos surgiram nos anos 1950 e 1960 do século XX,
todos nos continentes asiático e africano. No entanto, essas alianças custaram-lhes também
intervenções dessas duas novas potências em suas políticas internas.
Quais as consequências da descolonização da África?
Como consequência da descolonização da África, podemos destacar o surgimento do
termo “terceiro mundo” para os novos países africanos que apresentavam fragilidade e
instabilidade política, econômica e social. Incluíram-se também nesse rol, por suas
características semelhantes, os países que compõem a porção latina nas Américas, também
chamados de países não alinhados.
De tal modo, o processo de descolonização africana e asiática representou um
avanço, todavia, não foi capaz de sanar conflitos internos nesses novos Estados. Muitos
desses conflitos foram causados pela interferência externa de EUA e URSS, que gerou
desequilíbrio na auto-organização dos povos, causando muita corrupção, desigualdade
social, conflitos constantes e autoritarismo.
Subdesenvolvimento Africano e suas raízes
Um dos principais motivos do subdesenvolvimento africano é a forma de ocupação e
exploração, que corresponde à forma de colonização que ocorreu não somente na África,
mas também na América e Ásia.
A África permaneceu, durante muito tempo, servindo como ponto de apoio às
caravanas portuguesas que iam em direção à Índia, até esse momento não existia de forma
efetiva a exploração.
No século XVI, os europeus começaram a capturar negros africanos com o intuito de
vendê-los (como mercadoria) para o trabalho escravo, eles foram distribuídos por vários
países do mundo, o Brasil foi o país que mais utilizou mão de obra escrava. A escravidão
perdurou por três séculos.
A colonização da África no século XIX
No século XIX, a Europa já tinha iniciado o processo de industrializaçã; como a
atividade exigia grande quantidade de matéria prima, houve a expansão da exploração na
África e na Ásia, mas houve outro motivo que fez intensificar o aumento da exploração, foi a
descolonização da América do Norte.
Impulsionados pelo crescimento industrial, os países que tinham iniciado sua
estruturação promoveram um encontro para definir a divisão do continente africano e
estabelecer quais áreas seriam exploradas, essa foi denominada de Conferência de Berlim,
na qual participou: Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, entre outros.
Nesse mesmo período aconteceram várias expedições ditas ‘científicas’ na África,
mas na verdade a intenção primordial era a de detectar e conhecer os recursos minerais
existentes.
A Conferência de Berlim estabeleceu a partilha e provocou uma desestruturação nas
sociedades africanas, com isso surgiram inúmeros problemas: os europeus, na partilha,
mudaram as fronteiras nativas e incitaram a rivalidades étnicas, pois quando as fronteiras
foram estabelecidas, em razão da diversidade cultural, muitos grupos rivais ficaram juntos e
outros se separaram; houve uma mudança produtiva, pois deixaram o cultivo de
subsistência para atender aos interesses europeus, esses introduziram a monocultura e a
extração mineral. Em todo esse processo, os europeus não tiveram respeito com os
africanos, pois não levaram em conta a identidade cultural do povo.
As resistências e a dominação cultural
Com a presença dos europeus, que impuseram sua cultura, alguns grupos se
rebelaram e se confrontaram. Como os africanos não tinham armas, foram facilmente
derrotados, até porque os europeus possuíam experiência em guerras.
As imposições culturais foram no sentido de fazê-los vestir roupas, já que alguns
grupos tribais não tinham esse costume, mudança de hábitos alimentares, mudança da
língua e religião (introduzindo o catolicismo), mudança produtiva, enfim, houve a perda da
identidade cultural, essa dominação ocorreu até a metade do século XX.
O processo de descolonização
Até no início do século XX, somente a Libéria era independente, em 1920, o Egito; em
1940, Etiópia e a África do Sul.
Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa ficou praticamente destruída e não estava
em condições de administrar a África, ficando assim um pouco distante. Essa ausência
gerou grupos de luta pela independência, nesse momento ocorreu a descolonização em
praticamente todos os países africanos. Atualmente são 53 nações independentes.
Embora tenha ocorrido a descolonização, o processo de estruturação da África
enfrenta vários problemas, tais como dificuldades internas que remetem às questões
políticas, as lutas tribais, que são heranças da partilha; os governos ditatoriais, que muitas
vezes são extremamente corruptos, a dependência financeira e o neocolonialismo.