Fisio
Fisio
Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona:
A via inicia quando células granulares justaglomerulares, localizadas nas
arteríolas aferentes dos néfrons, secretam uma enzima, chamada de renina. A
renina converte uma proteína plasmática inativa, o angiotensinogênio (sintetizado no
fígado), em angiotensina I (ANG I). Quando a ANG I presente no sangue encontra
uma enzima, chamada de enzima conversora da angiotensina (ECA), ela é
convertida à ANG II.
Quando a ANG II no sangue alcança a glândula suprarrenal, ela estimula a
síntese e a liberação da aldosterona. Por fim, no néfron distal, a aldosterona
desencadeia as reações intracelulares que estimulam a reabsorção de Na+ dos
túbulos renais para o sangue. Isso aumenta o fluxo osmótico, que eleva o volume
sanguíneo e a pressão arterial.
Os estímulos que ativam a via são todos relacionados direta ou indiretamente
à baixa pressão arterial. Baixa quantidade de sódio também ativa o sistema.
A aldosterona também mantém a concentração de K+ e H+, aumentando a
secreção deles no túbulo renal. A regulação dos níveis de potássio no corpo é
essencial para a manutenção de um estado de bem-estar. Mudanças nos níveis
extracelulares de K+ afetam o potencial de repouso membrana de todas as células.
Se a concentração plasmática (e do LEC) de K diminui (hipocalemia), o gradiente de
concentração entre a célula e o LEC torna-se maior, mais K+ deixa a célula, e o
potencial de repouso da membrana torna-se mais negativo. Se a concentração de
K+ no LEC aumenta (hipercalemia). Devido a seus efeitos em tecidos excitáveis,
como o coração, os médicos estão sempre preocupados em manter a concentração
plasmática de K+ dentro de sua faixa normal.
Cortisol:
O cortisol é o principal glicocorticóide secretado pelo córtex da glândula
suprarrenal, a síntese inicia com o colesterol. A via de controle da secreção de
cortisol é conhecida como eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal, o eixo HPA inicia
com o hormônio liberador de corticotrofinas (CRH), que é secretado no sistema
porta hipotalâmico-hipofisário e transportado até a adeno-hipófise. O CRH estimula
a secreção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) (ou corticotrofina) da
adeno-hipófise. O ACTH, por sua vez, atua no córtex da glândula suprarrenal para
promover a síntese e a liberação de cortisol. O cortisol, então, atua como um sinal
de retroalimentação negativa, inibindo a secreção de ACTH e de CRH. A secreção
de cortisol é contínua e possui um forte ritmo diurno. O pico da secreção geralmente
ocorre pela manhã e diminui durante a noite. A secreção de cortisol também
aumenta com o estresse, em casos de estresse crônico, a quantidade elevada de
cortisol modifica a resposta de outros hormônios.
O cortisol é essencial à vida. Os animais cujas glândulas suprarrenais
tenham sido removidas morrem se expostos a qualquer estresse ambiental
significativo. O efeito metabólico mais importante do cortisol é seu efeito protetor
contra a hipoglicemia. Quando os níveis sanguíneos de glicose diminuem, a
resposta normal é a secreção do glucagon pancreático, que promove a
gliconeogênese e a quebra de glicogênio. Na ausência de cortisol, entretanto, o
glucagon é incapaz de responder adequadamente a um desafio hipoglicêmico.
Os efeitos metabólicos do cortisol são contrários aos da insulina:
1. Anti-inflamatório
2. Lipolítico- disponibilizando ácidos graxos aos tecidos periféricos para a
produção de energia. O glicerol pode ser usado para a gliconeogênese
3. Catabólico (quebra de proteínas)- para fornecer substrato à gliconeogênese
4. Hiperglicemiante- promove gliconeogênese
Insulina
Aproximadamente três quartos das ilhotas de Langerhans são células beta,
as quais produzem insulina. No estado alimentado, quando o corpo está absorvendo
os nutrientes, a insulina é o hormônio dominante, e o organismo entra em estado
anabólico. A ingestão de glicose é utilizada como fonte de energia e todo e qualquer
excesso será estocado como glicogênio e gordura no corpo. Os aminoácidos vão
primeiro para a síntese proteica.
É um típico hormônio peptídico, é sintetizada como um pró-hormônio inativo e
ativada antes da secreção. A glicose é um importante estímulo à secreção da
insulina, porém outros fatores têm influência sobre o aumento, a amplificação ou
mesmo a inibição da secreção, como: aumento da concentração de aminoácidos,
efeitos antecipatórios dos hormônios GI, atividade parassimpática (estimula) e
simpático (inibe).
Efeitos metabólicos da insulina:
1. Pró-inflamatória
2. Lipogênica- inibe a beta-oxidação de ácidos graxos e promove a conversão
do excesso de glicose e aminoácidos em triacilgliceróis (lipogênese). Os
triacilgliceróis em excesso são armazenados como gotículas de lipídeos no
tecido adiposo.
3. Anabólica (síntese de proteínas)
4. Hipoglicemiante
A insulina também é termogênica (produz calor).
Glucagon
É secretado pelas células alfa-pancreáticas. Hiperglicemiante por aumentar a
glicogenólise. A insulina é capaz de inibir a geração de glucagon, na ausência de
insulina, além do aumento por sua ausência, também ocorre o aumento pela falta de
glucagon. Quando há um aumento muito elevado na concentração de glicose, ela é
eliminada na urina porque ocorre saturação dos transportadores, dessa forma,
perde glicose e água, diminuindo o volume de sangue.
Diabetes tipo II
Diabetes tipo II diminui a resposta à insulina. A insulina promove o transporte
de glicose para dentro das células, com alta concentração de insulina, poucos
receptores são expressos, diminui a captação de glicose, a alta concentração de
glicose no sangue promove mais secreção de insulina e o ciclo continua.
Adrenalina
Glicogenolítico, modula a resposta de insulina (diminui) e glucagon
(aumenta).
Adrenalina e noradrenalina são liberados pela medula adrenal.
Serotonina
Faz contração ou relaxamento dos músculos lisos, isso depende da
quantidade de receptores e qual o segundo mensageiro em questão.
Bócio
Aumento da glândula tireóide, pode ocorrer por excesso de TRH e TSH,
normalmente está relacionado com problemas na pituitária, níveis de tiroxina e TSH
elevados. Cada grupo de células produz determinados hormônios, como é uma
célula tumoral na pituitária que causa a produção alterada, deve-se tratar como se
trataria outras células tumorais; hipotálamo e tireóide não estão com problemas.
O bócio pode ser causado por células tumorais na pituitária, carência de iodo
e consequentemente baixa produção de T4. Além disso, pode estar com doenças
autoimunes como a tireoidite de Hashimoto (hipotireoidismo) e a doença de Graves
(hipertireoidismo), nessa condição, o corpo produz anticorpos, chamados de
imunoglobulinas estimuladoras da tireoide (TSI). Esses anticorpos mimetizam a
ação do TSH por se ligarem aos receptores de TSH na glândula tireoide e os
ativarem. O resultado é a formação de bócio, hipersecreção de T3 e T4 e sintoma
do excesso desses hormônios.
Mixedema: Em sujeitos hipotireóideos, o depósito de mucopolissacarídeos
sob a pele pode levar à formação de bolsas abaixo dos olhos. Exoftalmia: Em
estados de hipertireoidismo, a deposição excessiva de mucopolissacarídeos na
cavidade orbital pode tornar os bulbos dos olhos salientes, o que é chamado de
exoftalmia.
A baixa quantidade de T4 desinibe a alça longa e estimula a pituitária a
produzir mais hormônios, como consequência, aumenta de tamanho.
FSH e LH
O hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) liberado pelo hipotálamo
controla a secreção de duas gonadotrofinas da adeno-hipófise: hormônio
folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Por sua vez, FSH e LH
atuam nas gônadas. O FSH, junto com os hormônios esteróides gonadais, é
necessário para iniciar e manter a gametogênese. O LH atua principalmente sobre
células endócrinas, estimulando a produção dos hormônios esteróides gonadais.
PRL- Prolactina
A produção de leite é estimulada pela prolactina liberada pela adeno-hipófise
e regula hormônios sexuais no homem. A prolactina é um hormônio incomum da
hipófise, uma vez que sua secreção é primariamente controlada pelo hormônio
inibidor da prolactina (PIH) secretado pelo hipotálamo, a ausência do inibidor
estimula a prolactina.
A prolactina inibe GnRH (produzido no hipotálamo, estimula as
gonadotrofinas).
A prolactina é estimulada pelo estrogênio, TRH, sono, estresse, antagonistas
dopaminérgicos. E é inibida pela dopamina e agonistas dopaminérgicos, por
somatostatina, por ela mesma e GABA.
GH
Hormônio de crescimento e também é hiperglicemiante, é um anabolizante
não esteroidal.
Metabolicamente, o hormônio do crescimento é anabólico para as proteínas e
promove a síntese proteica, uma parte essencial do crescimento dos tecidos. O
hormônio do crescimento também atua para estimular o crescimento ósseo. O GH
aumenta as concentrações plasmáticas de ácidos graxos e de glicose por promover
a degradação dos lipídeos e a produção de glicose hepática.
Principais características:
● Hiperglicemiante- também aumenta a insulina
● Anabolizante
● Lipolítico
● Aumenta a síntese de colágeno
● Aumenta massa muscular e diminui a quantidade de tecido adiposo
● Chamado de hormônio do rejuvenescimento pois promove melhora na textura
da pele
● No entanto, é relacionado com o envelhecimento
● Em doses excessivas pode:
○ Aumentar a massa do coração
○ Acromegalia
○ Levar ao câncer por aumentar as mitoses
● É um hormônio diabetogênico
● Aumenta com o exercício físico, dieta também afeta a produção, hipoglicemia
estimula a produção de GH; por ser anabolizante, aminoácidos também
estimulam a produção.
● Testosterona estimula a secreção de GH
○ A testosterona exerce o efeito anabólico em parte estimulando o
sistema GH-IGF1
○ Em homens, com hipogonadismo, a reposição de testosterona
estimula a secreção de GH, mas os andrógenos não aromatizáveis
(que não são convertidos) não estimulam a secreção de GH
○ Estrogênios locais desempenham um papel fundamental na regulação
da secreção de GH em homens. Portanto, a testosterona em homens
requer conversão em estradiol para estimular a secreção de GH.
*Muitos efeitos atribuídos a testosterona são na verdade do estradiol
● Cortisol inibe secreção de GH pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
● Obesidade- leva a hiperatividade da adrenal (cortisol em altos níveis) GH é
diminuída nesses casos, têm mais tendencia a ser obeso.
● O fígado produz IGF (Insulin like growth factor), esse fator pode se ligar no
receptor do GH. GH é muito similar a insulina.
● GHIH ou somatostatina inibe a secreção de GH
● GHRH (hormônio liberador do hormônio do crescimento) estimula a secreção
● Eixo GHRH → GH → IGF
A grelina (produzida quando há fome física) estimula a secreção de GH, a
pessoa come e ingere proteínas e ocorre então o anabolismo.
Restrição calórica
A restrição calórica, sem má nutrição, suprime os níveis de IGF1 e insulina
circulantes. Aumenta a longevidade, mas depende da qualidade da alimentação.
GH e crescimento
GH faz parte do estirão de crescimento. O nanismo ocorre na falta ou
deficiência de GH na infância, o desenvolvimento mental não é afetado. Já o
gigantismo ocorre pelo excesso de GH na infância. Quando as epífises já estão
fechadas (após a puberdade) o excesso de GH está relacionado com acromegalia.
Ocitocina
Promove ejeção de leite (contração das células mioepiteliais) e contração da
musculatura lisa durante o parto. Também é conhecido como hormônio do amor, das
relações, do prazer, da confiança, dos vínculos, reconhecimento das faces
(empatia). Em doses muito altas pode estar relacionada com apego exagerado,
também é um hormônio anorexígeno (perda de vontade de comer).
Pâncreas
Não há uma regulação hipófise-pâncreas, mas todos os órgãos glicemiantes
aumentam a secreção de insulina.
Ciclo circadiano
Hormônios regulam, têm relação com inflamação, estresse. Melatonina é
produzida quando diminui a luz (inibe GNRH→ importante regulador dos hormônios
sexuais).
Feedback negativo
Hipotálamo, estrutura que regula fome, sede, metabolismo, hormônios.
Pituitária ↑ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓ ↓
Tireóide ↑ ↑ -- -- -- -- -- --
Adrenal -- -- ↑ ↓ -- -- -- --
Timo -- -- ↓ ↓ -- -- -- --
Testículo -- -- -- -- ↓ X ↑ X
Próstata -- -- -- -- ↑ ↑ ↑ --
Vesículas -- -- -- -- ↑ ↑ ↑ --
seminais
Peso ↓ ↓ ↓ ↓ ↑ ↑ ↑ --
corporal
Hormônios do experimento:
1. ACTH- olha aumento da adrenal
2. LH- olhar aumento do testículo
3. Testosterona- olhar diminuição do testículo
4. TRH- olhar aumento da pituitária
5. Cortisol- inibe respostas imunológicas ou inflamatórias
6. TSH
Co-transcritos
A atuação do CRH sob a adeno-hipófise estimula a secreção de ACTH. O
ACTH é sintetizado a partir de uma grande glicoproteína, chamada de
pró-opiomelanocortina (POMC). A POMC sofre processamento pós-transcricional
para produzir uma variedade de peptídeos biologicamente ativos em adição ao
ACTH. Na hipófise, os produtos da POMC incluem a β-endorfina, um opióide
endógeno que se liga a receptores que bloqueiam a percepção da dor. O
processamento da POMC em tecidos não hipofisários cria peptídeos adicionais,
como o hormônio estimulador de melanócitos (MSH). O α-MSH é produzido no
encéfalo, onde inibe a ingestão alimentar, e na pele, onde atua sobre os
melanócitos. Os melanócitos contêm pigmentos, chamados de melaninas, que
influenciam a cor da pele nos seres humanos, é comum, então, a presença de
manchas em situações de estresse.
O MSH, como citado, é anorexígeno (inibe o apetite), enquanto o cortisol é
orexígeno (estimula o apetite). A lectina e a insulina também são anorexígenos, mas
no caso de obesos ocorre uma resistência central a eles dois.
Hipercortisolismo
O excesso de cortisol no corpo é chamado de hipercortisolismo. Ele pode
ocorrer devido a hormônios secretados por tumores ou pela administração exógena
do hormônio. O tratamento com altas doses de cortisol por mais de uma semana
tem o potencial de causar hipercortisolismo, também conhecido como síndrome de
Cushing.
Muitos sinais de hipercortisolismo podem ser previstos a partir das ações
normais do hormônio. O excesso de gliconeogênese causa hiperglicemia, que imita
o diabetes. A degradação de proteínas musculares e a lipólise causam perda de
tecido. Paradoxalmente, o excesso de cortisol deposita gordura extra no tronco e na
face, talvez em parte devido ao aumento do apetite e da ingestão alimentar. A
aparência clássica dos pacientes com hipercortisolismo é braços e pernas finos,
obesidade no tronco e uma “face de lua cheia” com bochechas rechonchudas. Os
efeitos no SNC do excesso de cortisol incluem euforia inicial, seguida de depressão,
bem como comprometimento da aprendizagem e da memória. O hipercortisolismo
tem três causas comuns:
1. Um tumor suprarrenal que secreta cortisol de modo autônomo. Esses
tumores não estão sob controle do ACTH hipofisário. Essa condição é um
exemplo do hipercortisolismo primário.
2. Um tumor na hipófise que secreta ACTH de modo autônomo. O excesso de
ACTH leva à supersecreção de cortisol pela glândula suprarrenal
(hipercortisolismo secundário). O tumor não responde à retroalimentação
negativa.
3. O hipercortisolismo iatrogênico (“causado pelo médi-co”) ocorre
secundariamente ao tratamento com cortisol para alguma outra condição
clínica.
Segmentos funcionais:
● Boca
● Orofaringe
● Esôfago
● Estômago
● Intestino delgado
○ Duodeno
○ Jejuno
○ Íleo
● Intestino grosso
○ Cólon
● Reto
● Anus
Intestino delgado têm maior capacidade de absorção (de líquidos e
nutrientes) que o intestino grosso pois é mais longo e apresenta microvilosidades e
vilosidades.
O intestino grosso tem uma microbiota formada por trilhões de bactérias que
têm funções bem importantes, a ação das bactérias repercute sistemicamente.
Linfonodos: o tubo digestório é repleto de órgãos linfóides, que são
aglomerados de células de deseja, o sistema imune é muito presente,
principalmente no intestino grosso onde interage com a microbiota, quando se
melhora a microbiota, melhora-se a imunidade. Probióticos são as bactérias
benéficas do organismo e os prebióticos são as fibras utilizadas por essas bactérias.
Plexos nervosos: aglomerados de neurônios, presentes na parede do trato
gastrointestinal como um todo:
● Mioentérico de Auerbach- ficam entre as camadas musculares
● Submucoso de Meissner- na submucosa
Fazem parte do sistema nervoso entérico que é tanto aferente quanto
eferente, formado por milhares de neurônios. Atua coordenadamente com o Sistema
Nervoso Central.
Glândulas anexas:
● Glândulas salivares
● Pâncreas- o pâncreas exócrino produz e secreta enzimas digestivas e
bicarbonato, as enzimas degradam carboidratos, proteínas, lipídios e ácidos
nucléicos
● Fígado- produz a bile a partir de colesterol
● Vesícula biliar- armazena a bile
O bicarbonato faz a bile e o suco pancreático serem mais alcalinos, pois o
bicarbonato têm capacidade tamponante (capta H+ diminuindo a acidez), isso é
importante pois o estômago é extremamente ácido, o bolo alimentar precisa ser
neutralizado no duodeno pois ele não têm uma camada muco-protetora, além disso,
as enzimas do duodeno tem um pH ótimo diferente das do estômago (mais
alcalino).
Funções:
● Glândulas salivares: Produzem e secretam saliva (lubrificante, umedecedora
e enzimática)
● Pâncreas: Produz e secreta suco pancreático alcalino, que digere CD, PT, LP,
AN.
● Fígado: Produz bile – alcalina e emulsificante
● Vesícula biliar: Concentra e secreta a bile
Esfíncteres
➔ Estruturas musculares especializadas
➔ Isolam uma região da seguinte
➔ Retenção seletiva de conteúdo
➔ Impedimento de refluxo
● Esfíncteres esofágicos superior e inferior (antes e depois do esôfago)
● Esfíncter pilórico ou piloro- coordena o esvaziamento gástrico (do estômago
para o duodeno), têm abertura paulatina, de tempos em tempos
● Esfíncter de Oddi- no duodeno, recebe as enzimas pancreáticas e a bile
● Válvula ileocecal
● Esfíncteres anais interno (musculatura lisa, involuntária) e externo
(musculatura estriada esquelética, único esfíncter de controle voluntário)
Estrutura histológica
Processos fisiológicos
➔ Motilidade (movimentação)
➔ Digestão: ingerimos carboidratos (polissacarídeos), proteínas (aminoácidos),
gorduras, a digestão representa a quebra de ligações covalentes dessas
macromoléculas, pois só micromoléculas conseguem ser absorvidas
➔ Absorção: passagem do meio externo para o meio intracelular e depois para
a circulação nos vasos que estão na lâmina própria. Existem várias proteínas
transportadoras, uma para cada tipo de molécula
➔ Secreção: moléculas são secretadas para o lúmen, íons são secretados e a
água é levada junto, no lúmen as moléculas são a resultante entre o que é
absorvido e o que é secretado, no trato gastrointestinal ocorre mais absorção
que secreção
*Fibrose cística é uma doença na qual um canal de Cl- não funciona corretamente,
ocorre obstrução intestinal por ressecamento, o que demonstra a importância da
secreção
Mecanismos reguladores
O TGI precisa detectar diferentes situações (estado após a alimentação, ou
sem alimentação -quiescência relativa-) e para isso têm três mecanismos:
● Endócrino
● Neural
● Parácrina
Endócrino:
Têm células sensoras, também chamadas de enteroendócrinas, que fazem
duas ações: percepção do ambiente e secreção de hormônios que vão para a
corrente sanguínea e atuam em uma célula alvo.
Ex: no duodeno célula I (sensora) percebe a chegada do quimo (que vem do
estômago após a abertura do piloro) e secreta colecistoquinina (CCK) que vai para o
sangue e chega ao estômago, pâncreas, vesícula biliar e SNC. No estômago se liga
em receptores e inibe o esvaziamento gástrico temporariamente, pois atua em
células musculares e secretoras. No pâncreas e na vesícula biliar atua estimulando
as secreções. No SNC promove a sensação de saciedade, insulina e vários outros
hormônios estão envolvidos na sensação de saciedade. O CCK é mais liberado com
gordura, demora mais tempo para ser degradada.
Ex: no estômago, outra célula sensora produz grelina quando está vazio, que
vai ao SNC e estimula a fome.
Parácrina:
Também têm células sensoras ou enteroendócrinas (apesar de não ser
hormonal) que secretam substâncias que atuam nas células vizinhas.
Ex: quando o alimento chega ao estômago a célula G secreta gastrina que
atua no próprio estômago, em outra célula enteroendócrina (célula ECL) que produz
histamina, além de atuar em células parietais que aumentam a secreção ácida. A
histamina também estimula as células parietais.
A célula D produz somatostatina que têm ação parácrina inibindo a célula G
(quando já têm ácido suficiente). Somatostatina também é um inibidor de GH,
produzidos em locais diferentes, atuam em locais diferentes, têm ações bem
diferentes. A histamina também é produzida pelos mastócitos e nesse caso está
relacionada com alergias.
Neural:
Tem 3 personagens: neurônio sensitivo (aferente), interneurônio e neurônio
secretomotor (eferente). Pode ser um reflexo curto quando esses personagens
estão na parede do trato gastrointestinal, mas se o neurônio sensitivo se dirige para
o SNC e lá está o interneurônio e o neurônio secretomotor que pode ir para
qualquer local, esse é o reflexo longo.
A presença física de uma comida ou líquido ativa neurônios sensitivos que
vão para o SNC onde há o neurônio secretomotor que estimula os movimentos
peristálticos → Reflexo gastrocólico.
Toda ação neuronal tem ação conjunta entre o SNC e o sistema nervoso
entérico. E sempre é o sistema nervoso autônomo parassimpático que estimula
secreções e contrações musculares, o simpático inibe essas ações, menos a
contração dos esfíncteres.
● Sistema nervoso extrínseco (fazem parte do SNA)
○ Neurônios com corpos celulares fora do TGI
● Sistema nervoso intrínseco (ou sistema nervoso entérico)
○ Neurônios com corpos celulares na parede do TGI
○ Formam os plexos submucoso e mioentérico
Parassimpático
Os corpos celulares ficam no tronco encefálico e medula sacral, uma das
partes que ele inerva é o trato gastrointestinal. O nervo vago tem várias
ramificações:
● Esôfago
● Estômago
● Vesícula biliar
● Pâncreas
● Primeira parte do intestino
● Parte proximal do cólon
● Ceco
Existem reflexos vago-vagais, por exemplo o reflexo gastrocólico, a
informação aferente vai pelo nervo vago e a informação eferente também volta pelo
vago.
Nervo pélvico:
● Parte distal do cólon
● Região anorretal
Simpático
Seus corpos celulares ficam na toracolombar, também inerva uma série de
estruturas. Em situações de estresse o simpático atua no estômago e promove
menor produção de muco, causando agressão da mucosa e dor de estômago.
● Fibras simpáticas vasoconstritoras:
○ Vasos sanguíneos do TGI
● Outras fibras simpáticas
○ Estruturas glandulares da parede do TGI
Fase cefálica
● Função: preparar TGI para chegada de alimento
● Estímulos: cheiro, som, pensamento...
● Duração: curta (minutos)
● Mecanismo: neural
○ nervo vago (parassimpático) e sinapses no plexo submucoso do TGI
● Ações:
○ estômago, intestino e órgãos glandulares acessórios iniciam secreção
e aumentam motilidade
Fase oral
Ocorre quando o alimento chega à boca.
● Estímulo da secreção salivar
● Estímulo da secreção gástrica
● Estímulo da secreção pancreática
● Estímulo da contração da vesícula biliar
O dente tritura o alimento para aumentar a superfície de contato para a ação
da enzima.
Secreção salivar
● Estimulada nas fases cefálica e oral
● Funções:
○ Formação do bolo alimentar para deglutição;
○ Início da digestão de carboidratos e lipídeos;
○ Neutralização do refluxo gástrico no esôfago;
○ Ação antibacteriana, ex: proteína lisozima → neutralizante de bactérias
Glândulas salivares
● Maiores: parótida (Secreção serosa), sublingual (Secreção mucosa) e
submandibular (Secreção mista)
● Menores: em língua, lábios e palato
Composição inorgânica da saliva
● Secreção primária:
○ ácinos e ductos intercalares
○ saliva isotônica
○ [íons] similar à do plasma
● Secreção secundária:
○ após secreção dos ductos estriado e excretor
○ saliva hipotônica e levemente alcalina
■ ** Restrição do crescimento de microorganismos
■ ** neutralização de refluxo gástrico
Deglutição
Também têm núcleos no tronco encefálico que controlam a deglutição.
Ocorre até o alimento chegar ao estômago.
● Pode ser iniciada voluntariamente
● Em seguida: controle reflexo- a língua empurra o bolo alimentar contra o
palato mole e a parte posterior da cavidade oral, disparando o reflexo da
deglutição
● Reflexo da deglutição – sequência rígida de eventos → alimento da boca
para a faringe e da faringe para o estômago
● Controle reflexo:
○ Estímulo para deglutição: pressão criada quando a língua empurra o
bolo contra palato mole e parte posterior da boca → Receptores de
estiramento na faringe → Impulso sensorial → Centro da deglutição
(bulbo e ponte) → Impulso motor → Nervos cranianos (Musculatura
faringe e esôfago superior) e Neurônios motores vagais (Restante do
esôfago)
Deglutição infantil
Na amamentação, o mamilo fica entre a língua e o palato, o aleitamento
materno é importante para o correto desenvolvimento muscular, se for bem
desenvolvido com o desmame a criança vai passando para a deglutição típica.
A deglutição típica ocorre quando a língua vai para o céu da boca durante a
deglutição e a deglutição atípica a língua fica entre os dentes e pode causar vários
problemas de fonação, respiração…
Fase esofágica
Onda peristáltica
● Peristaltismo primário (contração alternando com relaxamento muscular)
● Peristaltismo secundário (na ausência de deglutição) – movimento do bolo
desencadeia segunda onda peristáltica.
Regiões
Outra subdivisão:
- Parte proximal (mais perto da boca)- fundo e corpo
- Parte distal (mais distante da boca)- antro e piloro
* Funções diferentes- em cada parte ocorre algum processo. Esfíncteres
regulam a passagem do alimento. Fundo e corpo são reservatórios para armazenar
o alimento, no antro e no piloro é misturado, triturado.
Especializações anatômicas
● Fundo: parede fina, expansão para acomodar alimentos
● Corpo: pregas longitudinais, distensão para acomodar alimentos
● Essas duas características permitem a expansão de 20x do volume quando
vazio. Volume vazio: 50 ml e cheio: 1000ml
■ secretora de ácido
■ acima da incisura gástrica
○ Região glandular pilórica
■ abaixo da incisura
Secreção gástrica
● Suco gástrico – mistura das secreções das células mucosas de superfície e
das glândulas
● 1 a 2L de suco gástrico/dia é produzido
● HCl → pH 1 a 2 (é produzido durante a estimulação- quando o alimento está
na boca)
→ células parietais - (H+/K+ ATPase)
→ conversão de pepsinogênio em pepsina- principal enzima do estômago,
pepsinogênio é a forma inativa, como forma de proteção, o HCl é responsável pela
conversão na forma ativa. Têm duas funções: deixar o pH ácido e converter o
pepsinogênio em pepsina.
→ ação bactericida- é uma via de entrada, microrganismos chegam, o pH
ácido serve como uma barreira química
*[K+] é sempre maior no suco gástrico ** vômitos persistentes - hipocalemia
● Pepsinogênio
○ células principais
○ Têm uma sequência de bloqueio, o pH baixo tira essa sequência,
expondo o sítio ativo para que a enzima possa agir
○ pepsina (digestão de proteínas)
○ função pode ser substituída pelas proteases pancreáticas
● Muco: secretado por células mucosas superficiais → Muco que retém HCO3-
→ Proteção contra H+ e pepsina- barreira física, o pH é próximo de 7 perto
das células secretoras de muco
● HCO3-: secretado por células mucosas superficiais
*Ingestão de alimento → aumenta secreção de muco e de HCO3-
● Fator intrínseco
○ glicoproteína produzida pelas células parietais
○ Auxilia na absorção da vitamina B12 no íleo (anemia perniciosa)
● Gastrina
○ células G (célula enteroendócrina) das glândulas do antro
○ estimula secreção de HCl- hormônio que prepara o estômago para
receber o alimento
○ efeito trófico sobre a mucosa gástrica- estimula a secreção de muco e
HCl
Hormônios podem ter ação endócrina (vão pela corrente sanguínea), ação
parácrina (agem nas células vizinhas, como a histamina e somatostatina), ação
autócrina (age na própria célula)
Somatostatina
→ células D do corpo do estômago – ação endócrina
→ células D do antro do estômago – ação parácrina
→ inibe secreção de HCl
Histamina
→ células enterocromafins da LP do corpo do estômago
→ estimula diretamente as células parietais
Digestão no estômago
● Carboidratos – amilase (protegida do pH baixo pela ligação ao substrato)
○ Ao chegar no estômago, a amilase proveniente da cavidade bucal
pode continuar digerindo por até 1 hora, depois o próprio pH
neutraliza.
● Lipídeos – lipase gástrica (TAG monoglicerídeos e AG livres)
○ ~ 10 % da digestão dos lipídeos
○ A lipase gástrica é produzida pelas células principais, mas é pouco
produzida.
● Proteínas – pepsina
○ Proteínas são quebradas em oligopeptídeos no estômago, o restante
da digestão ocorre no intestino delgado
○ Ocorre o início da digestão das proteínas. A principal enzima do
estômago é a pepsina.
Motilidade gastrointestinal
● Musculatura lisa gastrointestinal
○ células fusiformes com junções comunicantes (contrações
sincronizadas)
● Células intersticiais de Cajal
○ Passam informação dos neurônios entéricos para as células
musculares lisas
○ “Marcapasso” – geram ritmo elétrico básico ou atividade de ondas
lentas (característica do TGI)
○ Contrações que ocorrem no estômago: peristaltismo (contrações
rítmicas) e também outras motilidades. As células de Cajal levam a
contração da musculatura lisa, tem o próprio ritmo que é controlado
pelo sistema nervoso entérico
Funções do estômago
1. Armazenamento de alimentos: região do fundo e porção proximal do corpo
gástrico
2. Mistura de alimentos: região média e distal do corpo gástrico
3. Trituração de alimentos: região antral
4. Propulsão peristáltica: porção proximal do corpo
5. Regulação da velocidade de esvaziamento gástrico: controlada por
mecanismos neurohumorais
Curiosidades:
Quando o estômago fica vazio por muitas horas, ocorrem as contrações
conhecidas como contrações da fome, que resultam nas conhecidas pontadas de
fome.
Contrações:
● Motilina e outros hormônios estimula
● O que inibe: sistema nervoso autônomo simpático, CCK, secretina, GIP
(peptídeo inibitório gástrico)
Vômito
● Salivação e náusea
● Peristaltismo invertido esvazia parte superior do
● ID para dentro do estômago
● Glote se fecha (evita aspiração para traquéia)
● Músculos da parede abdominal se contraem – aumenta pressão
intra-abdominal
● EEI e esôfago relaxam
● Conteúdo gástrico é ejetado
Estímulos
● Irritação da mucosa do TGI superior
● Movimento (origem central)
● Cheiros, visões (origem central – sistema límbico)
● Agentes químicos (origem central – 4º. Ventrículo)
Intestino delgado
● Digestão e absorção de nutrientes
● Tem 3 partes: duodeno, jejuno e íleo
● Especializações que aumentam superfície de contato com o quimo
○ Longo tubo- 7 a 9 metros de comprimento
○ Pregas em mucosa e submucosa
○ Vilosidades da mucosa
○ Microvilosidades dos enterócitos
● Quando o quimo sai do estômago leva um pouco de H+, o pH do intestino
delgado é básico, o bicarbonato de sódio produzido pelo pâncreas neutraliza
o pH e é importante para a atividade enzimática
Glândulas anexas:
● Pâncreas: produz enzimas digestivas (suco pancreático) e bicarbonato de
sódio
● Fígado: produz a bile, que é um conjunto de sais biliares, prepara a gordura
para que possa ser digerida
Pâncreas:
● Fica abaixo do estômago
● É uma glândula mista:
○ Pâncreas endócrino: secreta hormônios na porção das ilhotas
pancreáticas também chamadas de ilhotas de Langerhans. Produz
insulina e glucagon
○ Pâncreas exócrino: enzimas digestivas nos ácinos
Secreção pancreática
● Maior contribuinte da digestão enzimática da refeição (quantitativamente)
● Composição:
○ Enzimas
○ Água
○ Íons bicarbonato
■ Neutralização do ácido gástrico
■ Neutralização da ação da pepsina
● Estimulada nas fases:
○ Cefálica: iniciada pelo cheiro, gosto e condicionamento
○ Gástrica: iniciada pela distensão do estômago
○ Intestinal:
■ 80% da secreção intestinal corresponde a secreção
pancreática, o restante é o suco entérico, produzido pelo próprio
intestino delgado e atua no fim da digestão
■ Secreção enzimática e aquosa
■ Regulação neural e hormonal
Fibrose cística
Tem menos bicarbonato e enzimas, o intestino fica menos alcalino e isso
prejudica a digestão.
Pancreatites
➔ Agudas: glândula é capaz de retornar ao normal se a causa for removida
◆ Uma das causas pode ser a doença do trato biliar; alcoolismo (o
motivo ainda é desconhecido)- a ingestão crônica de álcool torna o
suco pancreático rico em proteína, formação de tampões de proteína e
obstrução de ductos pancreáticos pequenos, além de lesão de células
acinosas
➔ Crônica: presença de destruição irreversível do parênquima pancreático
exócrino
◆ Abuso de álcool de longa duração e obstrução de longa duração do
ducto pancreático (cistos, cálculos, trauma, neoplasma) causam
Secreção biliar
● Digestão e absorção de lipídeos
● Produzida pelo fígado
● Armazenada e concentrada na vesícula biliar
● Secretada pela vesícula biliar em resposta à refeição
● CCK- promove a contração da vesícula biliar e o relaxamento do esfíncter de
Oddi
Bile:
● Composta por sais biliares, pigmentos biliares, colesterol, íons e água
● Sais biliares são detergentes biológicos, reciclados via circulação
entero-hepática, produzidos a partir do colesterol
● Promove a emulsificação da gordura→ uma gota de gordura é quebrada em
gotículas menores, aumenta a área de ação enzimática
● Promove a formação de micelas que:
○ Mantêm os lipídeos em solução
○ Facilitam transporte de lipídeos para os enterócitos, sem as micelas
quase nada consegue ser absorvido
● Sal biliar têm uma parte hidrofóbica (volta-se para dentro) e outra hidrofílica
(fica para fora)
Digestão de lipídeos
● Lipase lingual e gástrica contribuem pouco para a digestão de lipídeos
● Maior parte da digestão do triacilgliceróis começa no duodeno → lipase
pancreática
● Digestão de ésteres de colesterol, ésteres de colesterol, ésteres de vitaminas
lipossolúveis e fosfolipídeos → colesterol esterase (pancreática)
● Os lipídeos são absorvidos → as micelas transportam e se abrem, os
monoglicerídeos entram na célula por difusão, são ressintetizados (voltam a
ser triglicerídeos) no retículo endoplasmático liso, formando quilomícrons
(semelhante as micelas) no complexo de Golgi, que deixam as células para o
espaço intersticial e dali para o lacteal central (vaso linfático) e depois são
transportado pelo canal torácico (principal canal linfático do corpo) para
serem lançados na circulação