PROJETO 1
PROCESSOS CONSTRUTIVOS
Passo-a-passo de como executar uma edificação e prevenir erros
PROGRAMA DE GESTÃO CONSTRUTIVA
Realização:
Engº Civil Luã Pedro
Engº Civil Igor Martins
Engº Civil Lucas Diniz
Apoio:
APRESENTAÇÃO
Esse material tem como objetivo servir de apoio para o curso de Processos
Construtivos, o primeiro projeto do Programa de Gestão Construtiva (PGC), realizado
pela empresa Melius Engenharia & Desenvolvimento. A apostila visa apresentar ao
aluno as principais técnicas de construção utilizadas dentro da engenharia civil, para
que o mesmo saiba o passo-a-passo de uma construção de pequeno e médio porte.
Cada técnica explicada conforme padrões de qualidade da construção, para que
sejam evitados futuros transtornos na edificação.
O Programa de Gestão Construtiva é composto por 05 (cinco) módulos, onde
cada um aborda um tema essencial para a construção de uma edificação e
consequentemente para a formação de um gestor de obras.
Modulo 1 – Processos Construtivos
Modulo 2 – Gestão da Qualidade
Modulo 3 – Orçamento de obras
Modulo 4 – Planejamento de obras
Modulo 5 – Liderança de equipes
SUMÁRIO
1 PRIMEIROS PASSOS ............................................................................................. 1
1.1 CONTATO COM O CLIENTE ........................................................................... 1
1.2 VISITA AO TERRENO ...................................................................................... 1
2 TRÂMITES LEGAIS PARA A EXECUÇÃO DE UMA OBRA .................................. 2
2.1 PROJETOS ....................................................................................................... 2
2.2 ART ou RRT...................................................................................................... 2
2.3 ALVARÁ ............................................................................................................ 2
2.4 MATRÍCULA JUNTO AO INSS ......................................................................... 2
2.5 HABITE-SE ....................................................................................................... 3
2.6 AVERBAÇÃO .................................................................................................... 3
3 PROJETOS .............................................................................................................. 5
3.1 PROJETO ARQUITETÔNICO .......................................................................... 5
3.2 PROJETO ESTRUTURAL ................................................................................ 6
3.3 PROJETO ELÉTRICO ...................................................................................... 7
3.4 PROJETO HIDROSSANITÁRIO ....................................................................... 8
3.5 PROJETOS DIVERSOS ................................................................................. 10
4 INÍCIO DA OBRA ................................................................................................... 10
4.1 DEMOLIÇÕES E RETIRADAS ....................................................................... 11
4.2 PREPARAÇÃO DO TERRENO ...................................................................... 11
4.3 CANTEIRO DE OBRAS .................................................................................. 14
4.3.1 Ligação provisória .................................................................................. 14
4.3.2 Armazenamento ...................................................................................... 16
4.3.3 Circulação ................................................................................................ 16
4.3.4 Instalações ............................................................................................... 16
4.3.4.1 Almoxarifado ....................................................................................... 16
4.3.4.2 Escritório ............................................................................................. 17
4.3.4.3 Alojamento .......................................................................................... 17
4.3.4.4 Refeitório ............................................................................................ 17
4.3.4.5 Sanitários ............................................................................................ 17
4.3.4.6 Vestiários ............................................................................................ 18
4.3.4 Distribuição das máquinas ..................................................................... 18
4.3.5 Segurança ................................................................................................ 19
4.4 LOCAÇÃO DA OBRA ..................................................................................... 19
4.4.1 Documentos necessários para execução da locação da obra ............ 20
4.4.2 Condições para o início do serviço ....................................................... 20
4.4.3 Materiais e equipamentos ...................................................................... 20
4.4.4 Execução dos serviços ........................................................................... 20
4.5 FUNDAÇÕES.................................................................................................. 22
4.5.1 Documentos necessários para a execução das sapatas isoladas ..... 23
4.5.2 Condições para o início do serviço ....................................................... 23
4.5.3 Materiais e equipamentos ...................................................................... 23
4.5.4 Execução da sapata isolada ................................................................... 24
4.5.5 Execução da estaca escavada ............................................................... 25
4.5.6 Execução de sapatas tipo “baldrame” .................................................. 26
4.5.7 Execução de alvenaria de embasamento .............................................. 27
4.5.8 Impermeabilização .................................................................................. 28
5 ESTRUTURA ......................................................................................................... 29
5.1 CONCRETO.................................................................................................... 29
5.2 FÔRMAS PARA PEÇAS ESTRUTURAIS ....................................................... 33
5.2.1 Tipos de fôrmas ...................................................................................... 34
5.2.1.1 Fôrmas de madeira ............................................................................. 35
5.2.1.2 Fôrmas de metal ................................................................................. 35
5.2.1.3 Fôrmas mistas .................................................................................... 36
5.2.2 Fôrmas dos pilares ................................................................................. 36
5.2.3 Fôrmas de lajes ....................................................................................... 38
5.2.4 Fôrmas de vigas ...................................................................................... 40
5.2.4.1 Materiais e equipamentos ................................................................... 40
5.2.4.2 Execução do serviço ........................................................................... 40
5.2.5 Desforma.................................................................................................. 42
5.3 ARMADURAS ................................................................................................. 42
5.3.1 Montagem ................................................................................................ 44
5.4 CONCRETAGEM ............................................................................................ 45
5.4.1 Documentos necessários ....................................................................... 45
5.4.2 Materiais e equipamentos ...................................................................... 45
5.4.3 Condições para a execução do serviço ................................................ 45
5.4.4 Execução do serviço............................................................................... 46
5.4.5 Cura do concreto..................................................................................... 46
5.4.5.1 Tipos de cura ...................................................................................... 47
5.4.5.2 Tempo de cura.................................................................................... 47
5.4.5.3 Segurança .......................................................................................... 48
5.5 EXECUÇÃO DE LAJE PRÉ-FABRICADA COM USO DE VIGOTAS
TRELIÇADAS........................................................................................................ 49
5.5.1 Condições para execução do serviço ................................................... 49
5.5.2 Materiais e equipamentos ...................................................................... 49
5.5.3 Execução do serviço............................................................................... 49
6 ALVENARIA .......................................................................................................... 51
6.1 ALVENARIA ESTRUTURAL ........................................................................... 51
6.2 ALVENARIA DE VEDAÇÃO............................................................................ 52
6.3 DOCUMENTOS REFERENCIAIS ................................................................... 53
6.4 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS .................................................................... 54
6.5 CONDIÇÕES PARA O INÍCIO DA EXECUÇÃO ............................................. 54
6.6 EXECUÇÃO DO SERVIÇO............................................................................. 54
7 INSTALAÇÕES PREDIAIS HIDROSSANITÁRIAS ............................................... 55
7.1 ÁGUA FRIA ..................................................................................................... 56
7.1.1 Sistemas de distribuição de água na edificação .................................. 57
7.1.1.1 Sistema direto de distribuição ............................................................. 57
7.1.1.2 Sistema indireto de distribuição sem bombeamento .......................... 58
7.1.1.3 Sistema indireto de distribuição com bombeamento .......................... 59
7.1.1.4 Sistema misto de distribuição ............................................................. 60
7.2 ÁGUA QUENTE .............................................................................................. 60
7.2.1 Condições gerais .................................................................................... 62
7.2.2 Aquecimento elétrico .............................................................................. 62
7.2.3 Aquecimento a gás ................................................................................. 63
7.2.4 Aquecimento solar .................................................................................. 64
7.2.5 Execução das instalações hidrossanitárias ......................................... 65
7.3 ÁGUA CONTRA INCÊNDIO ........................................................................... 66
7.3.1 Generalidades ......................................................................................... 66
7.3.2 Classificação de incêndios .................................................................... 66
7.3.3 Sistemas de aplicação de água no combate aos incêndios ................ 67
7.3.3.1 Sistema sob comando de hidrantes .................................................... 67
7.3.3.2 Sistema automático de sprinklers ....................................................... 70
7.4 ESGOTOS SANTÁRIOS ................................................................................. 73
7.4.1 Terminologia, definições, simbologia ................................................... 73
7.4.2 Condições gerais .................................................................................... 75
7.4.3 Etapas do projeto .................................................................................... 76
7.4.3.1 Concepção ......................................................................................... 76
7.4.3.2 Dimensionamento ............................................................................... 77
7.4.3.3 Comunicação ...................................................................................... 77
7.4.4 Materiais e equipamentos ...................................................................... 77
7.4.5 Execução ................................................................................................. 77
7.4.5.1 Manuseio de materiais ........................................................................ 77
7.4.5.2 Junção das peças ............................................................................... 78
7.4.5.3 Assentamento ..................................................................................... 78
7.4.5.4 Fixação ............................................................................................... 78
7.4.5.5 Proteção ............................................................................................. 79
7.5 ÁGUAS PLUVIAIS .......................................................................................... 79
7.5.1 Documentos necessários ....................................................................... 79
7.5.2 Condições gerais .................................................................................... 79
7.5.3 Dimensionamento ................................................................................... 80
7.5.4 Materiais e equipamentos ...................................................................... 80
7.5.5 Execução ................................................................................................. 81
7.5.5.1 Área de coleta..................................................................................... 82
7.5.5.2 Emprego de calhas e condutores ....................................................... 82
7.5.5.3 Descarte as “primeiras águas” ............................................................ 82
7.5.5.4 Uso de um separador de materiais grosseiros ................................... 82
7.5.5.5 Armazenamento ................................................................................. 82
8 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS PREDIAIS............................................................... 83
8.1 ELÉTRICA E ILUMINAÇÃO ............................................................................ 84
8.1.1 Definições ................................................................................................ 84
8.1.2 Especificações técnicas ......................................................................... 85
8.1.2.1 Tomadas ............................................................................................. 85
8.1.2.2 Interruptores ....................................................................................... 86
8.1.2.3 Quadro de distribuição ........................................................................ 86
8.1.3 Leitura de projetos .................................................................................. 87
8.1.4 Materiais e equipamentos ...................................................................... 91
8.1.5 Execução ................................................................................................. 91
8.1.5.1 Tubulação em laje .............................................................................. 91
8.1.5.2 Tubulações em parede ....................................................................... 92
8.1.5.3 Fiação ................................................................................................. 92
8.1.5.4 Acabamento........................................................................................ 92
9 COBERTURA ........................................................................................................ 93
9.1 METÁLICA ...................................................................................................... 93
9.1.1 Terminologia ............................................................................................ 94
9.1.2 Generalidades ......................................................................................... 95
9.1.3 Execução ................................................................................................. 96
9.1.3.1 Cortes das peças ................................................................................ 96
9.1.3.2 Ligações com parafusos ..................................................................... 96
9.1.3.3 Ligações com solda ............................................................................ 96
9.1.3.4 Disposições gerais.............................................................................. 96
9.1.3.4 Pintura da estrutura ............................................................................ 97
9.2 MADEIRAMENTO ........................................................................................... 98
9.2.1 Terminologia ............................................................................................ 98
9.2.2 Generalidades ....................................................................................... 100
9.2.2.1 Espécies de madeira para estrutura de coberta ............................... 100
9.2.2.2 Parafusos ......................................................................................... 101
9.2.3 Documentos necessários ..................................................................... 102
9.2.4 Materiais e equipamentos .................................................................... 102
9.2.5 Execução ............................................................................................... 102
9.2.5.1 Condições iniciais ............................................................................. 102
9.2.5.2 Disposições construtivas .................................................................. 103
9.2.5.3 Estrutura com tesouras ..................................................................... 104
9.2.5.4 Estrutura com pontaletes .................................................................. 105
9.3 TELHAS ........................................................................................................ 107
9.3.1 Telha ondulada de CRFS (cimento reforçado com fios sintéticos) .. 107
9.3.1.1 Fixação ............................................................................................. 109
9.3.1.2 Forma das superfícies (coberturas e fechamentos laterais) ............. 109
9.3.1.3 Limpeza das telhas ........................................................................... 109
9.3.2 Telha cerâmica ...................................................................................... 109
9.3.2.1 Tipos de telhas cerâmicas ................................................................ 110
9.3.2.2 Exigências a serem atendidas .......................................................... 111
9.3.2.3 Características .................................................................................. 112
9.3.2.4 Estocagem ........................................................................................ 112
9.3.2.4 Execução do serviço ......................................................................... 113
9.3.3 Telha ondulada de poliéster ................................................................. 113
9.3.4 Telha ondulada de madeira revestida com alumínio ......................... 114
10 ACABAMENTOS ............................................................................................... 116
10.1 ESQUADRIAS ............................................................................................. 117
10.1.1 Janelas ................................................................................................. 117
10.1.1.1 Tipos ............................................................................................... 118
10.1.1.2 Condições específicas .................................................................... 118
10.1.2 Portas ................................................................................................... 119
10.1.2.1 Componentes ................................................................................. 119
10.1.2.2 Instalação ....................................................................................... 120
10.1.3 Esquadrias de ferro............................................................................. 122
10.1.3.1 Documentos de referência .............................................................. 122
10.1.3.2 Materiais e equipamentos ............................................................... 123
10.1.3.3 Execução ........................................................................................ 124
10.1.4 Esquadrias de alumínio ...................................................................... 126
10.1.4.1 Condições específicas .................................................................... 127
10.1.4.2 Materiais e equipamentos ............................................................... 129
10.1.4.3 Execução ........................................................................................ 129
10.1.4.4 Cuidados e limpeza ........................................................................ 131
10.2 REVESTIMENTO ........................................................................................ 133
10.2.1 Chapisco .............................................................................................. 134
10.2.2 Emboço ................................................................................................ 135
10.2.3 Argamassa industrializada para assentamento e revestimento ..... 135
10.2.4 Revestimento interno em argamassa única ..................................... 136
10.2.5 Revestimento externo em argamassa única ..................................... 136
10.2.5.1 Preparo ........................................................................................... 137
10.2.6 Reboco ................................................................................................. 137
10.2.6.1 Tipos ............................................................................................... 137
10.2.7 Pasta de gesso .................................................................................... 138
10.2.8 Revestimento cerâmico de paredes internas ................................... 139
10.2.9 Pastilhas .............................................................................................. 141
10.2.9 Forros ................................................................................................... 142
10.2.9.1 Tipos ............................................................................................... 142
10.3 PISOS ......................................................................................................... 148
10.3.1 Contrapiso ........................................................................................... 148
10.3.1.1 Execução do serviço ....................................................................... 149
10.3.2 Piso cerâmico ...................................................................................... 151
10.3.2.1 Execução do serviço ....................................................................... 152
10.3.3 Piso intertravado de concreto ............................................................ 153
10.3.3.1 Execução do serviço ....................................................................... 154
10.3.4 Outros tipos ......................................................................................... 155
10.3.4.1 Pisos de pedra de revestimento ..................................................... 155
10.3.4.2 Pisos de madeira ............................................................................ 155
10.3.4.3 Pisos de granilite ............................................................................ 156
10.3.4.4 Carpete ........................................................................................... 156
10.4 VIDROS ...................................................................................................... 157
10.4.1 Tipos..................................................................................................... 157
10.4.1.1 Laminado ........................................................................................ 157
10.4.1.2 Temperado ..................................................................................... 158
10.4.1.3 Aramado ......................................................................................... 158
10.4.1.4 Blindado .......................................................................................... 158
10.4.1.5 Serigrafado ..................................................................................... 159
10.4.1.6 Diversos .......................................................................................... 159
10.5 PINTURA .................................................................................................... 161
10.5.1 Pintura à latex (PVA) ........................................................................... 162
10.5.2 Pintura com tinta acrílica.................................................................... 163
10.5.3 Pintura a esmalte................................................................................. 163
10.5.4 Pintura a óleo ...................................................................................... 164
10.5.5 Pintura à base de cal........................................................................... 164
10.5.6 Pintura com hidrofugante ................................................................... 164
10.5.7 Pintura com verniz .............................................................................. 164
10.5.8 Pintura de madeira com verniz poliuretânico ................................... 165
10.5.9 Pintura com tinta epóxi....................................................................... 165
10.5.10 Patologias em pinturas ..................................................................... 166
11 PAISAGISMO .................................................................................................... 168
11.1 EM SUPERFICIES COMO TELHADOS, LAJES E TÉRREOS ................... 168
11.2 VERTICAL................................................................................................... 170
12 MANUAL DO EMPREENDIMENTO .................................................................. 171
12.1 TERMOS DE GARANTIA............................................................................ 173
12.2 PERDAS DE GARANTIA ............................................................................ 173
12.3 MEMORIAIS DESCRITIVOS ...................................................................... 174
12.4 MANUTENÇÃO........................................................................................... 175
13 SEGURANÇA NO TRABALHO ......................................................................... 176
13.1 PRINCIPAIS RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL ....................................... 176
13.1.1 Queda de materiais ............................................................................. 176
13.1.2 Queda de altura ................................................................................... 177
13.1.3 Choques elétricos ............................................................................... 177
13.1.4 Falta de sinalização............................................................................. 177
13.2 PRINCIPAIS DOCUMENTOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO ............. 177
13.2.1 Programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA) .................... 177
13.2.2 Programa de condições e meio ambiente do trabalho (PCMAT) .... 178
13.2.3 Permissão de trabalho (PT) ................................................................ 178
13.2.4 Diálogo diário de segurança (DDS) ................................................... 178
13.2.5 Programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO) ..... 178
13.3 PRINCIPAIS NORMAS REGULAMENTADORAS (NRs) ............................ 178
14 GESTÃO DA QUALIDADE ................................................................................ 179
14.1 FERRAMENTAS DE QUALIDADE ............................................................. 179
14.1.1 Ciclo PDCA .......................................................................................... 180
14.1.2 5W2H .................................................................................................... 180
14.1.3 5S .......................................................................................................... 180
14.2 SELO DE QUALIDADE DA CONSTRUÇÃO CIVIL ..................................... 181
15 ANEXO............................................................................................................... 182
16 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 192
1 PRIMEIROS PASSOS
1.1 CONTATO COM O CLIENTE
O ponto inicial de qualquer edificação é o primeiro contato com o cliente. Cabe
ao profissional orientar o cliente para que se possa extrair o maior número de
informações dele, basicamente o que o cliente quer fazer, analisando também o que
ele realmente pode fazer.
Devem ser detalhadas informações como a localização do terreno, bem como
suas características (medidas, tipo de solo, tipo de vizinhança, etc), o tipo de
construção, se será residencial, comercial, mista, o número de pavimentos, entre
outras informações. Partindo para algo mais especifico, o profissional deve saber
afinco o número de cômodos, assim como a metragem de preferência, o número de
pessoas que irão residir, sexos, idades, toda e qualquer informação para que seja
possível realizar um projeto mais detalhado. Você deve saber todas as vontades do
cliente, afinal, é o sonho dele. Por fim, mas não menos importante, discutir sobre a
verba aproximada para a realização da obra.
1.2 VISITA AO TERRENO
O profissional deverá visitar o local onde será executada a obra antes de dar
início aos projetos, para verificar as medidas e confirmá-las. O ideal é ir na prefeitura
consultar o zoneamento local para que se obedeça às restrições que são dadas, tais
como a área do lote que pode ser edificada, o recuo mínimo de frente, laterais e de
fundo, altura máxima da edificação, entre outras. Vale a pena realizar uma leitura no
código de obras da cidade. Recomenda-se também ir na prefeitura para verificar se
existe algum projeto da mesma que possa interferir futuramente no lote, fazendo com
que haja desapropriação parcial ou total do mesmo, causando assim um transtorno
sem precedentes.
Caso o terreno ainda seja escolhido, deve-se atentar para algumas
características que o tornam melhor para execução. Recomenda-se analisar as
condições de infraestrutura (calçamento, energia, água, esgoto), a localização (zona
residencial, orientação do sol, proximidades), a topografia (terreno em aclive ou
1
declive, vegetação, forma geométrica) e características geológicas (tipo de solo, se
possui lençol freático, etc.).
2 TRÂMITES LEGAIS PARA A EXECUÇÃO DE UMA OBRA
2.1 PROJETOS
Todos sabemos que o projeto é a representação do empreendimento no papel,
incluindo detalhes que possam causar economia, rapidez, qualidade, etc. Os projetos
são do tipo estrutural, hidrossanitário, elétrico, arquitetônico e diversos.
2.2 ART OU RRT
Anotação de Responsabilidade Técnica, é um documento que formaliza o
contrato entre o cliente e o engenheiro civil, onde se estabelece as obrigações
contratuais, identificação dos responsáveis, funcionando como uma garantia para o
cliente que o profissional está regularizado pelo CREA.
O arquiteto e urbanista deve fazer o Registro de Responsabilidade Técnica,
comprovando que os projetos e serviços de arquitetura estão sendo realizados por um
profissional devidamente credenciado no CAU/BR.
2.3 ALVARÁ
O profissional após aprovar o projeto junto a Secretaria de Obras do município
deverá dar entrada no Alvará de construção, levando consigo o projeto arquitetônico,
as taxas pagas ao CREA e/ou CAU, documento de propriedade do imóvel e a ART ou
RRT de execução da obra. Com o projeto aprovado e as taxas pagas, o alvará é
liberado para a construção do imóvel.
2.4 MATRÍCULA JUNTO AO INSS
Obras acima de 70m² devem ser regularizadas junto ao INSS para o
recolhimento de impostos relativos à execução da obra, para que ao fim da
construção, sejam quitados os débitos, podendo ser emitida então a Certidão Negativa
de Debito (CND).
2
2.5 HABITE-SE
Após a conclusão da obra, deve ser solicitada à secretaria a Vistoria de
Conclusão de Obra, para verificar que a obra foi executada conforme o projeto em si
e que está de acordo com todas as normas estipuladas.
2.6 AVERBAÇÃO
Com a emissão da CND do INSS, a construção pode ser averbada, ou seja, no
registro onde continha um terreno, será incluída a construção da edificação e a obra
estará regularizada.
O fluxograma a seguir mostra a sequência de documentação para a legalização
de uma construção.
3
Figura 1 – Fluxograma de tramitação
4
3 PROJETOS
Quando o projeto final é realmente aprovado pelo cliente, deve-se aprová-lo
junto ao órgão competente para sua execução. Dentro da legislação brasileira, esse
órgão é a Prefeitura Municipal, onde os profissionais competentes deverão analisar o
projeto e indicar em que zona de uso o mesmo se enquadra, para definir as exigências
dessa construção. Para a obtenção do alvará de construção deverá ser dada a entrada
na prefeitura com alguns documentos, que podem ser consultados em cada órgão
responsável da cidade.
Os projetos necessários para a correta execução de uma obra são:
Projeto Arquitetônico;
Projeto Estrutural;
Projeto Elétrico;
Projeto Hidrossanitário;
Projetos Diversos
3.1 PROJETO ARQUITETÔNICO
O Projeto Arquitetônico é a base para a construção de casa, pois é a
representação de como ela deve ficar após construída. É a interface entre a ideia e a
realidade do que se deseja construir aliada a aspectos técnicos como funcionalidade,
conforto, estética, salubridade e segurança. Normalmente é elaborado por um
arquiteto e todos os outros projetos só podem ser elaborados a partir da definição
deste, além disso, é o que mais impacta o cliente.
Um bom projeto arquitetônico deve detalhar todos os elementos que compõe a
casa: Materiais e cores de tintas, tipos de revestimento, forros, esquadrias, rodapés,
beirais, pontos de iluminação, tamanhos, distâncias, áreas e sugestão de posição dos
móveis.
Nele estão representados os cômodos com suas divisões, dimensões e áreas,
as peças sanitárias dos banheiros e áreas de serviço, a disposição do mobiliário, tudo
isso em planta (horizontal) e em cortes (vertical). Inclui-se também nesse projeto a
locação do terreno, o detalhamento do telhado e as fachadas.
5
O custo médio do projeto arquitetônico oscila entre 20 a 70 reais por m². O
preço varia principalmente de acordo com nível e padrão da obra. O preço também
varia muito de região para região e de profissional para profissional. No orçamento
total da obra, os projetos normalmente representam de 7 a 12% do custo total.
Vale lembrar também que o Projeto Arquitetônico deve ser aprovado no órgão
competente da Prefeitura Municipal para poder prosseguir com a construção da obra.
Figura 2 - Projeto arquitetônico
3.2 PROJETO ESTRUTURAL
O Projeto Estrutural é o dimensionamento das estruturas, geralmente de
concreto armado, que vão sustentar a edificação, transmitindo as suas cargas ao
terreno. Elaborado por um engenheiro civil, esse projeto é de fundamental
importância, pois é o responsável pela segurança do prédio contra desabamentos e
rachaduras (trincas).
Uma estrutura com lajes, vigas, pilares e fundações superdimensionados
representa custos altos e não significa obrigatoriamente segurança. É preciso que
haja um perfeito equilíbrio entre o concreto e o aço dentro dos elementos estruturais
para que as peças sejam consideradas seguras e, consequentemente assim, toda a
obra. Uma estrutural mal dimensionada pode até não cair, mas pode trazer problemas
como trincas que são, na maioria das vezes, de solução muito difícil e cara.
6
Para elaboração do Projeto Estrutural será necessário, além do Projeto
Arquitetônico, o Laudo de Sondagem. Esse documento, detalhadamente
confeccionado por empresas especialistas em sondagens, apresenta o perfil do solo
abaixo do nível zero, ou seja, com todos os tipos de camadas de solos e suas
respectivas resistências à compressão. Este laudo é necessário para o
dimensionamento adequado das fundações. Sem ele o engenheiro projetista de
estruturas deverá prever, por medida de segurança, resistências do solo inferiores,
aumentando consequentemente as bases das fundações. Em construções de mais
de dois pavimentos o Laudo de Sondagem é indispensável.
No Brasil, as estruturas de concreto ainda predominam, mas as metálicas vem
ganhando cada vez mais espaço. Em outros países, é comum o uso de outros
materiais, como a madeira, por exemplo.
Outras alternativas também são viáveis, como é o caso da alvenaria estrutural.
Mas, cabe ao engenheiro de estruturas responsável escolher qual é a solução mais
adequada ao projeto de acordo com os requisitos do cliente.
Figura 3 - Projeto estrutural
3.3 PROJETO ELÉTRICO
O Projeto Elétrico determina como são os circuitos elétricos e seus
componentes (passagem de eletrodutos, tomadas, interruptores, luminárias,
7
ventilador, ar condicionado e automação) especificando também o quadro de
distribuição com todos os seus disjuntores.
O engenheiro elétrico é o responsável por distribuir a rede de cabos pelos
ambientes, calcular as cargas de consumo que o uso do edifício utilizará, definir
dispositivos de proteção, detalhar a ligação com o fornecimento público de energia e
fazer o relacionamento com a concessionária.
É um projeto muito importante, pois uma instalação mal dimensionada e mal
executada, apesar do emprego de material de 1ª qualidade, pode acabar gerando
grandes despesas futuras e até acidentes de grandes proporções como incêndios.
Figura 4 - Projeto elétrico
3.4 PROJETO HIDROSSANITÁRIO
O Projeto Hidrossanitário pode ser feito por um engenheiro civil ou por um
arquiteto e é o responsável pelo bom dimensionamento das tubulações de águas e
esgotos sanitários e pluviais. Promove economia, conforto e higiene. Casos comuns
de pouca pressão de água em chuveiros e mal cheiro em ralos são exemplos da falta
de um bom projeto hidrosanitário.
8
Aqui está representado um grupo de projetos que cuidam da água. Os sistemas
que cuidam da reservação, distribuição, coleta e destinação geralmente são:
Água fria: detalha a ligação com a rede pública, a reservação (caixas d’água)
e a distribuição até os pontos de uso (torneiras, chuveiros, pias…);
Água quente: detalha o sistema de aquecimento (solar, elétrico ou gás) e sua
distribuição até os pontos de uso. Esse projeto tem total integração com os
sistemas elétricos e de gás do edifício;
Esgoto: detalha a coleta e destinação do esgoto, definindo o conjunto de
tubulações que ligarão todos os ralos e bacias ao sistema público de esgoto,
para então ser tratado antes do despejo em rios e córregos;
Drenagem de águas pluviais: é o projeto que representa o sistema de coleta
das águas da chuva. As águas coletadas são conectadas a um sistema de
tubulações separado que irá ligar-se à rede pública de drenagem para ser
despejada diretamente nos rios e córregos próximos. É cada vez mais comum
que esse sistema esteja integrado a um tanque de reservação para utilização
não potável, como irrigação e limpeza, economizando o uso de água potável
para fins não nobres.
Figura 5 - Projeto hidrossanitário
9
3.5 PROJETOS DIVERSOS
Conforme a complexidade da edificação e do tipo de projeto, outras
segmentações podem surgir. Os projetos para execução de um loteamento são
completamente diferentes de uma casa de altíssimo padrão. Listamos a seguir outros
tipos de projetos que podem se tornar necessários no seu próximo empreendimento
e que merecem ser considerados na concepção:
Projeto de instalações de gás;
Projeto de instalações de incêndio;
Projeto de exaustão;
Projeto de pressurização;
Projeto de ar condicionado;
Projeto de automação predial;
Projeto de detecção e alarme;
Projeto de segurança patrimonial e CFTV (Circuito Fechado de Televisão);
Projeto de acústica;
Projeto de decoração;
Projeto de sinalização.
4 INÍCIO DA OBRA
Antes do início da construção, terá de ser feito um levantamento minucioso e
completo da área do canteiro de obras e imediações, essa parte é chamada de
sondagem do terreno e serve para verificar se existem:
Desníveis perigosos
Fragilidades perigosas do terreno
Drenos ou tubulações enterradas de utilidade pública ou de terceiros
Possibilidade de enfraquecimento de construções vizinhas por escavações,
vibrações etc.
Serão feitos o exame e a vistoria geral das construções vizinhas que
apresentarem fundações rasas, como também quando a obra a ser executada tenha
níveis de fundações inferiores, contenha subsolos ou, ainda, no caso de terrenos de
pouca consistência. No caso da obra necessitar de fundações por estacas, deverá ser
10
prevista a responsabilidade quanto a danos aos vizinhos, por parte da construtora,
com tolerância de pelo menos, um mês após a cravação da última estaca.
Recomenda-se que antes de dar início a execução da obra, todos os projetos
estejam concluídos e com cópia no canteiro. Vale salientar que qualquer mudança de
execução deve ser comunicada ao profissional responsável pelo projeto, sendo essas
modificações registradas para formalização da “As built” futuramente, conforme a NBR
14645/2001.
Para se ter o controle completo da obra, é importante o acompanhamento
cotidiano através de um “diário de obra”, onde serão descritas todas as atividades
iniciadas ou em execução no dia-a-dia do canteiro, registrando-se também
informações sobre o clima, entre outras informações.
4.1 DEMOLIÇÕES E RETIRADAS
Serviço que pode surgir em caso de antigas construções existentes no terreno.
Inclui a demolição de fundações, muros divisórios, redes de abastecimento de água e
energia elétrica, redes de esgoto, telefone, etc., mais a remoção e transporte de
resíduos.
Recomendações gerais:
− Regularização da demolição na prefeitura local;
− Cuidados para evitar danos a terceiros;
− Providenciar vistorias nas edificações vizinhas antes de iniciar a demolição;
− Atenção para reaproveitamento dos materiais que saem da demolição, por questões
ecológicas e porque podem servir para outra construção (janelas, portas, maçanetas,
pisos, vidros, calhas, etc.) ou para as instalações provisórias da nova obra.
4.2 PREPARAÇÃO DO TERRENO
Tanto em obras com desenvolvimento horizontal (como no caso de indústrias),
obras do porte de estradas e barragens, como também obras com desenvolvimento
vertical (ex.: edifícios) concentradas em pequenas áreas, geralmente é necessária a
execução de serviços de terraplenagem prévios, regularizando o terreno natural em
obediência ao projeto que se deseja implantar.
11
Assim, a terraplenagem, ou movimento de terras, pode ser entendida como o
conjunto de operações (escavação, carga, transporte, bota-fora ou aterro) necessárias
para remover a terra dos locais onde se encontra em excesso para aqueles onde há
falta, tendo em vista um determinado projeto a ser implantado.
Nas operações de corte e aterro, deve ser considerado o empolamento do solo,
ou seja, o aumento de volume quando o solo é retirado do seu lugar natural e removido
para outro. A proporção do aumento depende do tipo de solo escavado. A Tabela 1 a
seguir fornece a percentagem de empolamento (aumento de volume expresso em %)
para alguns tipos de solo.
Tabela 1 – Fatores de empolamento
Solo Empolamento (%)
Argila 40
Argila com pedregulho, seca 40
Argila com pedregulho, molhada 40
Terra comum seca 25
Terra comum molhada 25
Areia seca solta 12
Areia molhada compacta 12
Pedregulho ∅max 10 a 50 mm 12
Rochas duras (granito) 35 a 50
Rochas brandas (arenito) 30 a 35
Os movimentos de terra podem ser feitos manual ou mecanicamente,
dependendo da importância dos trabalhos, das possibilidades da empresa, das
exigências impostas pela própria situação do canteiro e dos prazos estabelecidos para
a duração das atividades.
Quando o volume de terras a movimentar for grande, será mais econômica a
utilização de aparelhos mecânicos, que apresentam rendimento variado entre 25 e
400 m³/hora. Assim, convém conhecer as possibilidades dos diversos equipamentos
disponíveis e sua eficiência, para adotar o tipo mais adequado a cada caso.
Dentre os instrumentos conhecidos de escavação, o que apresenta maior
variedade de emprego é a pá mecânica, podendo ser equipada de modos diferentes,
correspondendo a diferentes tipos de trabalho:
12
Escavadeira: Ilustrada na Figura 2, é um equipamento cuja capacidade varia
de 0,2 a 3 m³ que permite escavar desde solos moles até rochas desagregadas
por explosão. É utilizada também em dragagens. Como os movimentos de
rotação, de transporte e de posicionamento dos braços absorvem cerca de 60%
da duração do ciclo de trabalho, é preciso procurar dispô-la de maneira a
reduzir movimentos inúteis, poupando assim tempo na execução do serviço
Figura 6 - Escavadeira
Retroescavadeira: Ilustrada na Figura 3, é um equipamento diferente de um
trator comum, pois possui em sua frente uma pá montada e em sua traseira
uma carregadeira. É empregado principalmente nas construções urbanas. As
funções da máquina basicamente são escavar valetas para tubulação de água
e esgoto, carregar caminhões com terras e dejetos, nivelamento de terrenos,
derrubada de paredes, entre outras, ou remover material inacessível a
escavadeira.
Figura 7 - Retroescavadeira
13
4.3 CANTEIRO DE OBRAS
O Canteiro consiste no conjunto de "áreas destinadas à execução e apoio dos
trabalhos da indústria da construção, dividindo-se em áreas operacionais e áreas de
vivência". (NBR 12284)
Após a limpeza e movimentação de terra, deve ser preparado o canteiro de
acordo com as necessidades do desenvolvimento da obra. Nele devem constar:
Ligações de água e energia elétrica; distribuição de áreas para materiais a granel não
perecíveis; construções (almoxarifado, escritório, alojamento, refeitório e sanitário,
entre outros); distribuição de máquinas; circulação; trabalhos diversos.
4.3.1 Ligação provisória
Comumente usada nos canteiros de obra, a ligação provisória é a ligação,
solicitada pelo cliente à concessionária de serviços de água ou energia elétrica, de
caráter não permanente e por um pequeno período de tempo.
Quando existe rede de água na via pública para ligação da água, é necessária
a construção de um cavalete com registro, obedecendo às normas locais. A
localização deve ser (no máximo) a 1,50m da entrada do lote, de fácil acesso para
inspeção, de simples percurso entre o cavalete e os reservatórios, e com distância
máxima de 7m do portão de entrada.
Entretanto, se não há rede de água na via pública e proximidades, o
abastecimento de água será através da abertura de um poço ou de uma cisterna. O
tipo de poço é definido de acordo com a camada do solo em que a água se encontra,
podendo ser artesiano, semi-artesiano ou lençol freático.
Para a ligação elétrica, deve ser encaminhado à concessionária uma solicitação
de estudo e orçamento, uma planta da futura edificação com o endereço da obra, a
potência a ser instalada no canteiro e a potência do maior motor empregado. Deve
ser esclarecido se a ligação é provisória, e aérea ou subterrânea. Além disso, é
necessária a preparação da instalação para o recebimento da ligação.
14
Figura 8 - Canteiro de obras
15
4.3.2 Armazenamento
Para os materiais da construção serão designados locais de armazenamento.
Os materiais não-perecíveis, no caso da areia, pedras britadas, tijolos, madeira e
ferros, são armazenados em locais específicos cujo suas dimensões são definidas de
acordo com a quantidade e característica de cada um.
Na obra também existem outros materiais como azulejos, conexões e tubos em
ferro galvanizado, etc., que são armazenados dentro da própria obra, devido ao alto
custo em relação aos materiais não-perecíveis.
Os materiais identificados como perecíveis (cimento e cal) devido ao fato de
que têm suas características físicas e químicas alteradas e entram em contato com
intempéries, é necessária a construção de um armazém adequado para que estes
sejam guardados com cuidado e proteção de ameaças externas.
4.3.3 Circulação
A circulação no canteiro de obra varia de acordo com o tipo de desenvolvimento
da obra. Aquelas que se desenvolvem horizontalmente (indústrias) precisam de
grandes áreas de circulação para distribuição e aplicação dos materiais. Já as obras
verticais (edifícios), possuem grandes áreas construídas em terrenos pequenos, o
canteiro é concentrado exigindo o mínimo de circulação, pois a construção se dá
verticalmente.
4.3.4 Instalações
No canteiro de obra também serão construídos:
4.3.4.1 Almoxarifado
Deve ser afastado dos limites do terreno pelo menos 2m, mantidos como faixa
livre, para evitar saídas não controladas de material.
16
4.3.4.2 Escritório
Onde as suas dimensões variam de acordo com o volume da obra. É importante
que no escritório haja uma mesa para leituras de plantas e possua arquivos para
documentos como notas fiscais e cartões de ponto;
4.3.4.3 Alojamento
Não podem estar situados em subsolos ou porões das edificações e é proibido
o uso de três ou mais camas na mesma vertical. É proibido cozinhar e aquecer
qualquer tipo de refeição dentro do alojamento.
É obrigatório o fornecimento de água potável, filtrada e fresca, para os
trabalhadores, por meio de bebedouros de jato inclinado (ou equipamento similar que
garanta as mesmas condições), na proporção de um para cada grupo de 25
trabalhadores.
4.3.4.4 Refeitório
O local para refeições precisa suportar cerca de uma pessoa por 1m², possuir
lavatório instalado em suas proximidades ou no seu interior, ter pé-direito mínimo de
2,5m ou respeitar o que determina o Código de Edificações do município da obra,
entre outros.
Independentemente do número de trabalhadores e da existência ou não de
cozinha, em todo canteiro de obras haverá local exclusivo para o aquecimento de
refeições, dotado de equipamento adequado e seguro.
4.3.4.5 Sanitários
Devem possuir área mínima de 1,50m² para vaso e chuveiro (em média uma
unidade para cada 15 operários). A instalação sanitária será constituída de lavatório,
vaso sanitário e mictório, na proporção de um conjunto para cada grupo de 20
trabalhadores, bem como de chuveiro, na proporção de um para cada grupo de 10
operários.
Os lavatórios precisam ser individuais ou coletivos tipo calha, possuir
torneira(s), ficar à altura de 90cm a medir do piso, ser ligado diretamente à rede de
17
esgoto, quando houver, ter revestimento interno de material liso, impermeável e
lavável, possuir espaçamento mínimo entre as torneiras de 60cm, quando coletivos, e
dispor de recipiente para coleta de papéis usados.
O local destinado ao vaso sanitário (gabinete sanitário) necessita ter área
mínima de 1m², ser provido de porta com trinco interno e borda inferior de no máximo
15cm acima do piso, e possuir divisórias com altura mínima de 1,8m.
Os mictórios precisam ser individuais ou coletivos tipo calha, com revestimento
interno de material liso, impermeável e lavável, ser providos de descarga provocada
(ou automática), e ficar à altura máxima de 50cm do piso. No mictório tipo calha, cada
segmento de 60cm deve corresponder a um mictório tipo cuba.
Para cada chuveiro deve-se ter área mínima de 0,80m², com altura de 2,1m do
piso. Este pode ser provido de estrado de madeira. Os chuveiros serão individuais ou
coletivos, dispondo de água quente. Haverá um suporte para sabonete e cabide para
toalha, correspondente a cada chuveiro.
4.3.4.6 Vestiários
Em todo canteiro de obras haverá vestiário para troca de roupa dos
trabalhadores que não residem no local. A situação do vestiário tem de ser próxima
aos alojamentos e/ou na entrada da obra, sem ligação direta com o local destinado a
refeições.
Eles devem possuir área de ventilação correspondente a 1/10 da área do piso,
no mínimo. Devem possuir armários individuais dotados de fechadura ou dispositivo
com cadeado, ter pé-direito mínimo de 2,5m ou respeitar o que determina o Código
de Edificações do município da obra, e possuir bancos em número suficiente para
atender aos usuários, com largura mínima de 30cm.
4.3.4 Distribuição das máquinas
Não há critério para distribuição de máquinas, elas devem ser posicionadas em
função da localização dos depósitos de circulação mínima possível, considerando seu
abastecimento e o transporte para o local da aplicação do material que foi preparado
na máquina em questão.
18
4.3.5 Segurança
Segue abaixo, uma lista de itens importantes para garantir a segurança dos
trabalhadores, sintetizando tudo que foi dito anteriormente:
Tabela 2 - Itens para um canteiro de obras seguro
Checklist - Canteiro seguro
>> Ligações de água, energia elétrica, esgoto e telefone.
>> Localização e dimensionamento das áreas de vivência (sanitários, vestiários,
alojamento, local de refeições etc.).
>> Localização e dimensionamento, em função do volume da obra, das áreas para
armazenamento de materiais a granel (areia, brita, etc.).
>> Localização e dimensionamento das centrais de: massa (betoneira s), minicentral
de concreto (quando houver), armação e fôrma, serra circular, pré-montagem de
instalações, soldagem e corte a quente, entre outras.
>> Localização e dimensionamento dos equipamentos de transporte de materiais e
pessoas (grua, elevador de transporte de materiais, elevador de passageiros).
>> Tapumes ou barreiras para impedir o acesso de pessoas estranhas aos serviços.
>> Verificação das diversas interferências com a comunidade e vice -versa.
>> Análise cronológica da instalação do canteiro e d as atividades de máquinas e
equipamentos fixos, para determinar, com antecedência, sua disposição e construção.
4.4 LOCAÇÃO DA OBRA
Locação da obra corresponde à operação de transferir para o terreno, na escala
NATURAL, as medidas em planta baixa de um projeto elaborado em escala reduzida.
Marcar ou locar a obra consiste em medir e assinalar no terreno a posição das
fundações, paredes, colunas e outros detalhes fornecidos pelo projeto de arquitetura,
marcando os principais pontos com piquetes. A locação é feita tomando-se como base
as plantas de situação e localização, de locação de pilares e fundações e planta baixa
do pavimento térreo (ou do subsolo, quando houver).
19
4.4.1 Documentos necessários para execução da locação da obra
Planta de locação da obra, projeto estrutural e arquitetônico;
ABNT 1367 - Áreas de vivência em canteiro de obras;
NR 18 - Condições e meio ambiente do trabalho na indústria da construção.
4.4.2 Condições para o início do serviço
O terreno necessita estar limpo e terraplenado até proximamente as cotas de
nível definidas para execução das fundações. A locação tem de ser realizada somente
por profissional habilitado (utilizando instrumentos e métodos adequados), que deve
partir da referência de nível (RN) para demarcação dos eixos. A locação tem de ser
global, sobre um ou mais quadros de madeira (gabaritos), que envolvam o perímetro
da obra. As tábuas que compõem esses quadros precisam ser niveladas, bem fixadas
e travadas, para resistirem à tensão dos fios de demarcação, sem oscilar nem fugir
da posição correta.
4.4.3 Materiais e equipamentos
Tabela 3 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Arame recozido e pregos;
2 EPI’s (bota, luva, capacete, etc)
3 Esmalte sintético;
4 Linha de nylon;
5 Mangueira de nível, nível de bolha ou Aparelho de nível a laser;
6 Martelo;
7 Pá, Enxada e Cavadeira;
8 Pincel fino para letreiro
9 Pontaletes, sarrafos e estroncas;
10 Prumo de centro;
11 Tábua;
12 Trena metálica;
4.4.4 Execução dos serviços
1. Definir referência de nível (RN) da obra e a referência pela qual será feita a
locação da obra, conferindo as medidas do terreno;
20
2. Definir a referência para o esquadro de locação da edificação e do gabarito;
3. A partir da referência escolhida no terreno, deve-se marcar uma faz faces do
gabarito com uma trena metálica e uma linha de náilon, obedecendo a uma
distância de 1 metro da face da edificação. As demais faces do gabarito podem
ser marcadas a partir dessa face e do projeto de locação;
4. Executar o gabarito cravando pontaletes aprumados e alinhados, faceando
sempre o mesmo lado da linha de náilon, a uma distância de 2 metros um do
outro;
5. Pregar nos pontaletes sarrafos com altura mínima de 15cm formando o
gabarito. DICA: Pintar de branco para facilitar a marcação;
6. Definir as linhas dos eixos principais, observando o projeto arquitetônico,
marcando a distância dos eixos dos pilares, assim como também da alvenaria;
7. Pintar os eixos principais, utilizando na longitudinal as numerações 1,2,3...e na
transversal a nomenclatura A,B,C...
Figura 9 - Locação da obra
21
4.5 FUNDAÇÕES
As fundações são responsáveis pela transmissão das cargas das edificações,
pontes, viadutos etc. ao solo, seja de forma direta, por fundações superficiais, seja de
forma indireta, por fundações profundas.
Fundação superficial é aquela onde a carga transmitida ao terreno,
predominantemente pela pressão distribuída sob a base da fundação e em que a
profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente é inferior a duas
vezes a menor dimensão da fundação: compreende as sapatas, os blocos, as sapatas
associadas, os radiers e as vigas de fundação.
Fundação profunda é aquela em que o elemento de fundação transmite a carga
ao terreno pela base (resistência de ponta), por sua superfície lateral (resistência de
atrito do fuste) ou por combinação das duas, e está assentada em profundidade em
relação ao terreno adjacente, superior no mínimo ao dobro de sua menor dimensão
em planta. Podem ser do tipo estaca, tubulão, caixão, estaca cravada ou perfurada.
Figura 10 - Exemplos de fundações
A escolha do tipo de fundação irá depender do solo e da sua resistência, como
pode-se ver na Tabela 4.
22
Tabela 4 - Resistencia à compressão dos solos
Resistência à
Tipos de solo
compressão
Areia movediça 0,5 kg/cm²
Barro (argila) macio 1,0 kg/cm²
Barro úmido com areia molhada 2,0 kg/cm²
Barro e areia em camadas alternadas 2,5 kg/cm²
Barro seco ou areia fina e firme 3,0 kg/cm²
Areia grossa, cascalho ou terra natural compacta 4,0 kg/cm²
Cascalho grosso, pedra e barro estratificados 6,0 kg/cm²
Piçarra ou xisto duro 10,0 kg/cm²
Rocha nativa muito dura 20,0 kg/cm²
4.5.1 Documentos necessários para a execução das sapatas isoladas
Projeto de locação, projeto estrutural;
ABNT 6122 – Projeto e execução de fundações.
4.5.2 Condições para o início do serviço
Projetos disponíveis e a obra deve estar totalmente locada.
4.5.3 Materiais e equipamentos
Tabela 5 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Armadura;
2 Cepo de madeira ou concreto;
3 Concreto;
4 EPI’s: (uniforme, capacete, óculos de proteção, botas, etc).
5 Espaçadores plásticos;
6 Esquadro metálico;
7 Estacas de madeira;
8 Formas de madeira;
9 Mangueira de nível ou aparelho de nível a laser;
10 Martelo, pregos e serrote;
11 Pás e enxadas;
12 Prumo de centro e de face;
13 Sarrafos de madeira;
14 Trena metálica;
23
4.5.4 Execução da sapata isolada
1. Abrir valas com largura de no mínimo 20cm maior do que a largura da sapata
e escavar até a cota de apoio da fundação
2. Escavar até a cota de apoio da fundação, dando atenção para o correto
nivelamento do fundo desta. Esse nivelamento pode se garantido por meio de
nível a laser ou mangueira, tomando por base o nível de referência, como por
exemplo o próprio gabarito.
3. Concluída a escavação, deve-se regularizar e compactar o fundo da vala, até
10cm abaixo da cota de apoio.
Antes de tudo, define-se o nível final do aterro, umedecendo o aterro
para receber a compactação
Passar o compactador até sentir que o terreno não sofre mais
compactação, atentando-se para as tubulações existentes.
Após compactação, caso o aterro fique acima da cota desejada, retira-
se o excesso.
4. Preparar um lastro de concreto simples (concreto magro) de 10 cm, para
regularizar a superfície da vala. O lastro pode ser substituído também por brita.
5. Analisar o encontro dos eixos das linhas já colocadas durante a locação de
obra, será o centro das sapatas.
6. Preparar formas de borda da base da sapata, apoiando-as em estacas
cravadas no fundo e nas laterais da vala, tomando cuidado no seu nivelamento
e alinhamento.
7. Analisar projeto de fundações para posicionar as armaduras da base e do pilar.
8. Lançar o concreto tomando o cuidado para não haver segregação, vibrando em
diversos pontos para que ocorra o adensamento, evitando a ferragem.
9. Deve-se iniciar a cura úmida do concreto assim que houver endurecimento,
umedecendo a peça ao longo de 3 dias
10. Verificar durante a desforma a ocorrência de “bicheiras”, efetuando o
preenchimento com argamassa adequada.
A Figura 11 mostra o passo-a-passo da execução de uma sapata isolada.
24
Figura 11 - Execução de sapata isolada
4.5.5 Execução da estaca escavada
1. Colocar as linhas de eixo do pilar e com prumos de centro reproduzir essas
linhas no terreno, onde o encontro das linhas é o eixo do pilar;
2. Demarcar pontos com piquetes para futura identificação;
3. Checar o diâmetro do trado a ser escavado e após a perfuração checar a altura
de acordo com o projeto;
4. Fazer compactação do fundo das estacas através de um sistema simples de
lata de concreto + roldanas no eixo da estaca, aplicando-se cerca de 10 golpes;
25
5. Colocar as armaduras, checando as bitolas e os espaçadores, amarrando com
arame 18 em várias dobras, nas primeiras linhas de estribo;
6. Analisar a altura da ancoragem da armadura da estaca e sua posição,
prendendo o arame que sustenta a estaca em barrotes para que ela fique
suspensa no trado;
7. Concretar a peça, de preferência começando pelo fundo, para evitar a queda
diretamente na armadura.
4.5.6 Execução de sapatas tipo “baldrame”
Também chamada de "sapata corrida", e um tipo de fundação de fácil execução
e de baixo custo, usada em construções baixas. Pode ser executada com concreto
ciclópico (concreto com seixo) ou com concreto armado lançado em valas rasas
escavadas manualmente no terreno (máx. 50cm de profundidade). A execução segue
o projeto arquitetônico, de acordo com a direção das paredes da edificação.
Figura 12 - Direções
As valas serão abertas 10 cm mais largas do que as vigas baldrames para
instalação das formas, sendo niveladas a partir das sapatas;
Utilize de preferência vigas baldrames com 30 cm de altura, para facilitar a
execução de acordo com o tamanho das tábuas;
A cada 50 cm, fixar pontaletes nas faces externas das tabuas para fazer o
travamento das vigas e travar a armadura para que a mesma não tenha contato
com o solo e mantenha um cobrimento;
Concretar a viga baldrame, respeitando o tempo de cura de 72 horas.
26
4.5.7 Execução de alvenaria de embasamento
Sobre as fundações e vigas baldrames é executado a alvenaria de
embasamento de modo a permitir os diferentes níveis de piso mantendo o baldrame
nivelado, também tem a função de possibilitar a passagem de tubulações sem prejuízo
de danificar o baldrame, contenção lateral para aterros dos pisos e receber a camada
impermeabilizante do alicerce. A alvenaria de embasamento pode ser de tijolo maciço
mas na região geralmente são feitas com tijolo deitado e argamassa de cimento e
areia no traço 1:4.
Também podemos afirmar que a Alvenaria de Embasamento, como o próprio
nome sugere é a alvenaria que fica na base da edificação exatamente em cima da
viga baldrame, é um tipo de alvenaria que entra muitas vezes em contato com o solo,
por isso deve ser especificado um tipo de tijolo que ajude no processo de retenção da
água que sobe por percolação, quando não se utiliza o tijolo correto na alvenaria da
base, o ideal é fazer a impermeabilização com manta ou hidrófugos até a terceira fiada
para impedir que a água suba pelas paredes pelo processo de percolação da água do
solo.
Figura 13 - Alvenaria de embasamento
27
4.5.8 Impermeabilização
A impermeabilização da viga baldrame é essencial para evitar o surgimento de
patologias que se evidenciam nas paredes como mofo, bolor, bolhas e
descascamento da pintura, descolamento de revestimento e até mesmo a
desagregação do reboco. O objetivo dessa impermeabilização é criar uma barreira
que bloqueie a ascensão (por capilaridade) da umidade presente no solo para as
paredes da edificação. Segundo Walid Yazigi, devem ser seguidos alguns passos
para que a impermeabilização seja adequada:
Desforma;
Lavagem para retirar sujeiras da superfície;
Chapisco;
Revestir com argamassa dosada com aditivo hidrófugo;
Aplicar emulsão asfáltica;
Assentar até a 3ª fiada de tijolos com argamassa impermeabilizante.
Figura 14 - Impermeabilização
Segundo Wilson Neves, gestor executivo do IBI (Instituto Brasileiro de
Impermeabilização) o custo do serviço de impermeabilização (quando este é
planejado em projeto para ocorrer durante a construção) é de 2% a 2,5% do custo
total da obra. Se esse serviço for realizado após a conclusão da obra, esse custo sobe
para 13% a 14% do custo total da obra. As vigas baldrames são os primeiros
elementos a serem impermeabilizados em uma edificação e sua correta execução
mediante um bom projeto é sinônimo de tranquilidade e vida longa a sua obra.
28
5 ESTRUTURA
5.1 CONCRETO
O concreto deverá ser dosado de modo a assegurar, após a cura, a resistência
indicada no projeto estrutural. A resistência-padrão terá de ser a de ruptura de corpos
de-prova de concreto simples aos 28 dias de idade. O cimento precisa ser sempre
indicado em peso. Não sendo permitido o seu emprego em frações de saco. A relação
água-cimento não poderá ser superior a 0,6.
O traço do concreto pode ser definido como a indicação de quantidade dos
materiais que constituem o concreto. Os traços são indicados da seguinte maneira:
1:3:3, onde o primeiro algarismo indica a quantidade de cimento, o segundo a
quantidade de areia e o terceiro a quantidade de brita. A quantidade de água a ser
adicionada depende da umidade da areia e, se não considerada, pode diminuir a
resistência final do concreto
29
Figura 15 - Traços do concreto
30
Se for decidida a misturado concreto na obra, o técnico responsável precisa
procurar a sua dosagem. Assim, conhecido o Fck que a estrutura precisa ter, o técnico
responsável necessita, como primeiro passo, calcular o Fc28, que é a resistência
média do concreto a compressão prevista para a idade de 28 dias e para a qual são
feitos os estudos de dosagem (determinação de traços). As equações que
correlacionam o Fck e o Fc28 são:
Fc28 = Fck + 66 (kg/cm²), para os casos de alto contrate da qualidade da
concretagem;
Fc28 + 90 (kg/cm²), para os casos de bom controle da qualidade da
concretagem;
Fc28 + 115 (kg/cm²), para os casos de controle da qualidade apenas razoável,
o que ocorre na maioria das obras.
Um simples teste, denominado Teste de Abatimento ou SlumpTest, é o
suficiente para verificar se o concreto está sendo preparado com trabalhabilidade
adequada. A trabalhabilidade depende da consistência, de características da obra e
dos métodos adotados para o transporte, lançamento e adensamento do concreto. É
uma propriedade do concreto que determina a facilidade e a homogeneidade com a
qual o material pode ser utilizado.
Procedimentos:
Coletar a amostra de concreto;
Colocar a fôrma tronco-cônica sobre uma placa metálica bem nivelada e apoiar
os pés sobre as abas inferiores do cone;
Preencher o cone com a primeira camada de concreto e aplicar 25 golpes com
a haste de socamento, atingindo a parte inferior do cone;
Preencher com mais duas camadas, cada uma golpeada 25 vezes e sem
penetrar a camada inferior;
Após a compactação da última camada, retirar o excesso de concreto, alisar a
superfície com uma régua metálica e em seguida retirar o cone;
Colocar a haste sobre o cone invertido e medir o abatimento (a distância entre
o topo do molde e o ponto médio da altura do tronco de concreto moldado.
31
Figura 16 - Slump Test
Uma betonada mais úmida em relação às restantes resultará em uma camada
de concreto mais fraca e menos durável. Por outro lado, uma betonada que se
apresente muito seca provocará dificuldades no lançamento do concreto, bem como
na obtenção do adensamento e do acabamento adequados. Logo após o início do
trabalho, o teste precisa ser feito para estabelecer o padrão e durante o dia,
particularmente quando se supuser que a mistura não estiver correta, o teste deverá
ser repetido.
A medida máxima e mínima do abatimento é definida pelo calculista, em função
das propriedades desejadas de trabalhabilidade. A Tabela 6 mostra as medidas de
abatimento para cada tipo que se deseja.
Tabela 6 - Abatimento
Abatimento (cm)
Tipo de obra
máximo mínimo
Paredes de fundação e sapatas armadas 8 2
Sapatas planas (corridas) e paredes de infra-estrutura 8 2
Lajes, vigas e paredes armadas 10 1
Pilares de edifícios 10 2
Pavimentos 8 2
32
Com relação aos materiais pra formação do concreto, o cimento é o produto
mais perecível e, portanto, precisa ter cuidado com sua conservação, pelo maior
tempo possível. É preciso evitar a todo custo que o cimento estocado entre em contato
com a água, por isso ele deve ficar em um local seco, coberto e fechado.
Recomenda-se iniciar a pilha de cimento sobre um tablado de madeira,
montando a, pelo menos, 30cm do chão e não formar pilhas maiores do que 10 sacos,
pois os grãos dos primeiros sacos podem ser comprimidos, tornando o cimento
endurecido. O cimento deve ser utilizado até no máximo 3 meses a partir da sua data
de fabricação.
O concreto pode ser misturado manualmente ou através de betoneira.
Manualmente temos a seguinte sequência:
Mistura-se a seco o agregado miúdo e o cimento;
A seguir o agregado graúdo é adicionado e quando obtiver uma mistura
homogênea, é deixado um espaço no meio da mistura;
Em seguida, a água é adicionada aos poucos até que seja formado o concreto.
Na betoneira, a sequência difere da mistura manual, onde o agregado graúdo
é o primeiro a ser adicionado, seguido por parte da água, cimento, areia e o restante
da água, deixando misturar por cerca de 1 minuto (20 rotações).
5.2 FÔRMAS PARA PEÇAS ESTRUTURAIS
São as estruturas provisórias, geralmente de madeira, destinadas a dar forma
e suporte aos elementos de concreto até a sua solidificação. Além da madeira, que
pode ser reutilizada várias vezes, tem sido difundido ultimamente o uso de fôrmas
metálicas e mistas, combinando elementos de madeira com peças metálicas,
plásticos, papelão e pré-moldados.
Na construção civil, sempre foi certo consenso deixar para que encarregados e
mestres ficassem responsáveis pela definição das fôrmas, acreditando-se no critério
adotado para dimensionamento prático fosse suficiente para garantir a estabilidade
das estruturas provisórias. Pouca atenção foi dispensada para os custos decorrentes
da falta de um rigor maior no trato das fôrmas. Atualmente, com o alto custo da
madeira, a necessidade de maior qualidade (controle tecnológico dos materiais), a
redução das perdas (materiais e produtividade da mão-de-obra), redução de prazos
33
de entrega (competitividade) etc., é imperioso que o engenheiro dê a devida
importância ao dimensionamento das fôrmas e escoramentos provisórios
considerando os planos de montagem e desmontagem e o reaproveitamento na
mesma obra.
O sistema de fôrmas se refletirá em vários aspectos da obra. Com relação ao
custo, as fôrmas participam com cerca de 40% da estrutura de concreto, a qual
representa em torno de 15% do custo total da obra. Elas são as responsáveis pela
geometria da estrutura de concreto, a qual influi fortemente na incidência de
desperdícios das atividades subsequentes (por exemplo, o prumo e alinhamento de
pilares afetam a espessura do revestimento dos painéis de vedação). Quanto ao
acabamento superficial do concreto, o estado das fôrmas é decisivo. Frequentemente,
observa-se marcas ou irregularidades oriundas de esfoliação dos painéis de madeira,
rugosidade excessiva proveniente da ausência de desmoldantes, ou o péssimo
aspecto deixado por emendas nas fôrmas.
Além disso, as seguintes medidas são recomendadas visando a qualidade da
estrutura de concreto:
Antes do lançamento do concreto, as fôrmas devem ser limpas internamente
através de aberturas (“janelas”) executadas próximas ao fundo de fôrmas de
pilares e vigas altas;
Após a limpeza da fôrma e antes do lançamento do concreto, as fôrmas devem
ser molhadas até a saturação, para que não absorvam a água necessária à
hidratação do cimento.
5.2.1 Tipos de fôrmas
Em geral as fôrmas são classificadas de acordo com o material e pela maneira
que são utilizadas, levando em conta o tipo de obra. Na Tabela 7 são mostradas as
possibilidades do uso das fôrmas.
34
Tabela 7 - Tipos de fôrmas
Indicação (Tipo de obra) Tipos de fôrmas Material
Pequenas obras particulares e
Convencional Madeira
detalhes específicos
Obras repetitivas e edifícios
Moduladas Madeira e mistas
altos
Madeira, metálicas e
Torres, barragens e silos Trepantes
mistas
Torres e pilares altos de Madeira, metálicas e
Deslizantes verticais
grande seção mistas
Barreiras, defensas e guias Deslizantes horizontais Metálicas
5.2.1.1 Fôrmas de madeira
Muitas são as razões para as fôrmas de madeira ter seu uso mais difundido na
construção civil. Entre elas estão: a utilização de mão-de-obra de treinamento
relativamente fácil (carpinteiro); o uso de equipamentos e complementos pouco
complexos e relativamente baratos (serras manuais e mecânicas, furadeiras, martelos
etc.); boa resistência a impactos e ao manuseio (transporte e armazenagem); ser de
material reciclável e possível de ser reutilizado e por apresentar características físicas
e químicas condizentes com o uso (mínima variação dimensional devido à
temperatura, não-tóxica etc.). As restrições ao uso de madeira como elemento de
sustentação e de molde para concreto armado se referem ao tipo de obra e condições
de uso, como por exemplo: pouca durabilidade; pouca resistência nas ligações e
emendas; grandes deformações quando submetida a variações bruscas de umidade;
e ser inflamável.
5.2.1.2 Fôrmas de metal
São chapas metálicas de diversas espessuras dependendo das dimensões dos
elementos a concretar e dos esforços que deverão resistir. Os painéis metálicos são
indicados para a fabricação de elementos de concreto pré-moldados, com as fôrmas
permanecendo fixas durante as fases de armação, lançamento, adensamento e cura.
35
Em geral possuem vibradores acoplados nas próprias fôrmas. Nas obras os
elementos metálicos mais usados são as escoras e travamentos. Embora exijam
maiores investimentos, as vantagens do uso de fôrmas metálicas dizem respeito a sua
durabilidade.
5.2.1.3 Fôrmas mistas
Geralmente são compostas de painéis de madeira com travamentos e
escoramentos metálicos. As partes metálicas têm durabilidade quase que infinita (se
bem cuidadas) e as peças de madeira tem sua durabilidade restrita a uma obra em
particular ou com algum aproveitamento para outras obras.
Figura 17 - Esquema geral das fôrmas numa edificação
guia
longarina Painel da
laje
garfo
gravata tensor
cunha
escora Mão-francesa
prumo
tirante
Sarrafo
nivelamento
cunha
gastalho
Fonte: Madeirit
5.2.2 Fôrmas dos pilares
As fôrmas dos pilares são formadas por tábuas (de 20 ou 30), guias ou
compensados, dispostos na posição vertical, constituindo então as faces dos pilares.
Esses elementos são ligados por gravatas. Na maioria das construções, as gravatas
ainda são feitas com travessas de caibros ou sarrafos, reforçadas na base da fôrma
para reduzir os momentos fletores a que estão sujeitas as travessas. Esses reforços
36
podem ser feitos através de montantes (caibros ou caibrinhos) dispostos na posição
vertical em faces opostas ou nas 4 faces do pilar.
A melhor maneira de fazer o travamento das formas é executar os fixadores
através de hastes rosqueadas (barras de aço com bitola 10mm). Para ser possível o
reaproveitamento desse material, usam-se tubos de PVC que protegem o fixador do
concreto, assim as barras de ferro não ficam imersos na estrutura.
Figura 18 - Fôrmas dos pilares
Figura 19 - Exemplo de fôrma dos pilares
Para evitar o desaprumo de fôrmas de pilares, deve-se usar elementos de
contraventamento. Deve-se prever o contraventamento segundo duas direções
perpendiculares entre si, o que geralmente não é feito nas obras. As tábuas, caibros
ou sarrafos utilizados no contraventamento devem ser bem apoiados no solo em
estavas firmemente cravadas (no caso de pavimento térreo) ou devem ser bem
fixados na forma do nível inferior.
37
Figura 20 - Exemplo de contraventamento
5.2.3 Fôrmas de lajes
As fôrmas para lajes comuns são formadas por tábuas (de 20 ou de 30), guias
(de 15) ou chapas de compensado (12 ou 14 mm), deitados e justapostos, e que se
apoiam nas peças de escoramento. A carga que essas fôrmas devem suportar é
constituída pela soma dos pesos do concreto, da armadura, da própria madeira e das
cargas acidentais (peso dos carrinhos, operários, etc.).
A nomenclatura usada para as diversas peças de fôrmas de lajes é ilustrada na
Figura 11. O soalho é o painel contínuo que sustenta diretamente o concreto da laje.
Os barrotes são as travessas que ligam as peças do soalho através de pregos. Os
barrotes são executados em caibros, caibrinhos ou guias de 10, e com afastamento
entre 35 e 45 centímetros. As madres (ou guias) são elementos colocados abaixo dos
barrotes, em direção perpendicular a estes. O afastamento entre madres é de
aproximadamente 1 metro, e são executadas a partir de caibros, caibrinhos e guias.
As talas são usadas para a ligação entre as madres e as escoras que as apoiam. As
escoras, também chamadas pés-direitos, geralmente são troncos de eucalipto com
38
diâmetro não inferior a 7 centímetros, sendo também usados caibros ou escoras
metálicas. O afastamento entre escoras de uma mesma madre deve variar entre 60 e
80 centímetros. Os calços são peças com dimensões aproximadas de 30 x 30
centímetros que servem de apoio às escoras no chão. Para o ajuste, são usadas
cunhas. Para cada escora, tem-se um calço.
Figura 21 - Fôrmas das lajes
Figura 22 - Exemplo de fôrma das lajes
39
5.2.4 Fôrmas de vigas
As formas de vigas podem ser iniciadas após a concretagem dos pilares,
lançando a partir das cabeças dos pilares com apoios intermediários, como escoras.
5.2.4.1 Materiais e equipamentos
Tabela 8 - Materiais utilizados
Materiais e equipamentos utilizados
1 Bocha ou pincel para aplicação de desmoldante;
2 Braçadeira de ferro;
3 Cunha de madeira;
4 Desmoldante;
5 EPI’s (Uniforme, bota, capacete, óculos, cinto de segurança, etc.).
6 Escoras metálicas;
7 Espaçador plástico e eletroduto, quando do uso da barra roscada ou mangueira;
8 Esquadro metálico;
9 Esticador ou chave de fenda;
10 Ferro 5mm, quando do uso do tensor;
11 Linha de náilon;
12 Martelo;
13 Nível de mangueira ou laser;
14 Painéis estruturados;
15 Pregos;
16 Prumo laser ou de peso;
17 Tensor ou barra roscada;
18 Trena com divisão de 1mm;
5.2.4.2 Execução do serviço
1. Nivelar os topos dos pilares colocando “pescoços” de madeira para fixar os fundos
das vigas;
2. Nivelar os fundos das vigas e colocar os painéis laterais das vigas;
3. Os painéis laterais externos serão colocados após a montagem da ferragem;
4. Distribuir as longarinas, apoiando-as nos escoramentos em forma de “T”, distribuir
as escoras sobre as longarinas, no sentido transversal e fixá-las;
5. Fazer arremates com madeirite para definir os maciços e bordas largas da laje;
6. Nivelar os panos de laje e apertar os painéis laterais das vigas;
7. Observar as contra-flexas indicadas no projeto estrutural quando houver;
40
8. No caso de lajes nervuradas, as cubetas devem ser alocadas de maneira que não
existam folgas entre elas, para não permitir vazamento de concreto.
Figura 23 - Fôrmas das vigas
Painel
da laje
Nível da laje
Escora
1”x3”
...
Chapuz
1”x4”
Painel Painel
de fundo lateral
1”x9”, 1”x12” 1”x9”, 1”x12”
... ... .. ... ... ... .. ...
.. ..
Travessa
Gravata
1”x2”, 1”x3”
1”x2”, 1”x3”
Tala .. Escora ..
1”x3” 1”x3”
Pontalete
3”x3”
Fôrma p/ viga intermediária Fôrma p/ viga periférica
Figura 24 - Exemplo de fôrma das vigas
41
5.2.5 Desforma
1. A desforma só deverá ser iniciada após no mínimo 7 dias, sendo iniciada pelos
pilares, soltando-se os tensores;
2. Retirar os painéis, desprendendo-os com o desformador ou cunhas;
3. Manusear as peças com cuidado para não danificar as formas;
4. Painéis de maiores dimensões e principalmente pilares de canto podem ser
preservados, amarrando-os com cordas para evitar eventuais choques ou quedas;
5. Posicionar as escoras remanescentes das vigas, se necessário, nos locais
recomendados pelo projetista;
6. Retirar os sarrafos-guia e remover as cunhas laterais e da base dos garfos, para
soltá-los;
7. Desformar as laterais das vigas;
8. Para separar a fôrma de viga da fôrma de laje, usar uma cunha entre o sarrafo de
pressão e o assoalho da laje, caso não seja possível a desforma da viga desse
modo, devido ao excesso de garfos, retirar as escoras do terço central do vão,
posicionar as re-escoras e, proceder à retirada das escoras e ao reescoramento
dos terços das extremidades;
9. Posicionar o reescoramento nas tiras do assoalho da laje, quando necessário,
conforme recomendações do projetista respeitando o mínimo de quatro jogos de
escoramento permanente;
10. Retirar as escoras e longarinas;
11. Desformar os painéis da laje ou cubetas;
12. Vigas e lajes em balanço, efetuar a desforma da borda livre em direção ao apoio,
segundo orientação do mestre ou engenheiro da obra;
13. Para evitar danos às longarinas, aos assoalhos e painéis de vigas devido a quedas,
pode-se usar uma rede, cordas ou cavaletes de apoio sob a laje, de maneira a
amortecer os impactos.
5.3 ARMADURAS
De acordo com as características mecânicas, as barras e fios são classificados
em: CA-25, CA-32, CA-40, CA-50 e CA-60, onde o algarismo representa a tensão de
escoamento (kN/cm² ou Kg/mm²). A superfície dos fios ou barras poderá ser lisa ou
conter saliências (chamados nervurados). Os tipos mais usuais são:
42
CA-25 A: liso ou nervurado;
CA-40 A ou B: liso (para diâmetro ≥10mm) ou nervurado;
CA-50 A ou B: nervurado;
CA-60 B: nervurado (somente fios).
As barras e fios são designados por sua bitola, que corresponde ao diâmetro
da seção transversal nominal daquelas peças.
Tabela 9 - Valores para cálculo
Bitola φ Valor nominal para cálculo
Massa Linear Perímetro
Fios Barras Área da seção (cm²)
(kg/m) (cm)
3,2 - 0,080 0,063 1,00
4 - 0,125 0,100 1,25
5 5 0,200 0,160 1,60
6,3 6,3 0,315 0,250 2,00
8 8 0,50 0,40 2,50
10 10 0,80 0,63 3,15
12,5 12,5 1,25 1,00 4,00
- 16 2,00 1,60 5,00
- 20 3,15 2,50 6,30
- 25 5,00 4,00 8,00
- 32 8,00 6,30 10,00
As telas ou malhas são confeccionadas com fios de aço CA-60 B,
eletrossoldados formando uma malha. São fornecidos em painéis ou em rolos, cujas
dimensões são padronizadas pelo fabricante. Podem ser obtidas com outras
dimensões sob encomenda. As telas também são fornecidas com vários
espaçamentos longitudinais e transversais (10x10cm, 10x20cm, 15x15cm, etc.) e com
fios de bitola igual ou diferente dos dois sentidos.
As barras de aço armazenadas em obra facilmente desenvolvem processos
corrosivos a partir da sua interação com o meio ambiente. Basicamente, são dois os
processos corrosivos: a oxidação e a corrosão propriamente dita. Na oxidação forma-
se uma película de óxidos de ferro não prejudiciais, conhecida como ferrugem. Já a
corrosão propriamente dita exige cuidados para sua prevenção, já que há formação
43
de placas na superfície da barra que podem prejudicar a aderência ao concreto, e há
também redução do diâmetro da barra ao longo do processo.
As barras devem ser estocadas próximo ao local de montagem das armaduras,
e devem ser separadas conforme a bitola. O posicionamento das barras uma com
relação à outra não deve ser alterado nas operações de transporte e concretagem.
Para garantir que as barras permaneçam na sua posição, realiza-se, na grande
maioria dos casos, a amarração nos pontos de interseção, através do uso de arame
recozido nº 16 (φ = 1 mm) ou 18 (φ = 0,75 mm). A amarração pode ser feita por laçada
simples ou por laçada dupla cruzada, sendo essa a mais indicada para barras grossas.
Quando é utilizado arame recozido nº 18, a laçada deve ser dupla. Para arame nº 16
pode ser dupla ou simples.
5.3.1 Montagem
Na montagem de armaduras, pode-se utilizar o aço já cortado e dobrado em
fábrica (procedimento mais racional e preciso) ou fazer este procedimento no canteiro
de obras. Segue a sequência utilizada para a montagem:
1) Estribos já cortados e devidamente dobrados;
2) Marcação do espaçamento dos estribos sobre as barras, com giz;
3) Posicionamento dos estribos já cortados e dobrados ao longo das barras,
fixando-se somente os das extremidades; Conferência do número e
espaçamento dos estribos e do número e posicionamento das barras
longitudinais;
4) Amarração firme com arame recozido de todos os elementos entre si, nas
quatro faces.
Figura 25 - Procedimentos 1 e 2
44
Figura 26 - Procedimentos 3 e 4
5.4 CONCRETAGEM
5.4.1 Documentos necessários
Projeto arquitetônico, estrutural, hidrossanitário e elétrico
NBR 6118 - Projeto de Estruturas de Concreto
NBR 14931 - Execução de Estruturas de Concreto
5.4.2 Materiais e equipamentos
Tabela 10 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Concreto
2 Enxada
3 EPI's
4 Equipamento para Slump Test
5 Jerica e carrinho de mão, quando não houver bombeamento
6 Lona
7 Mangueira
8 Pá
9 Régua de alumínio
10 Rodo de madeira
11 Vassourão
12 Vibrador de imersão
5.4.3 Condições para a execução do serviço
As formas devem estar executadas e limpas, com o desmoldante aplicado e
conferido;
45
As armaduras precisam estar posicionadas e conferidas, com os espaçadores
locados;
As instalações elétricas e hidráulicas devem estar posicionadas, deixando uma
passagem na viga conforme projeto;
5.4.4 Execução do serviço
1. Molhar as formas abundantemente e checar as mesmas para verificar se não
há vazamentos;
2. Lançar o concreto espalhando-o com o auxílio de pá ou enxada para evitar
acúmulo em pequenas áreas, deixando próxima a nível desejado e vibrando o
concreto em várias áreas, tendo o cuidado para não vibrar as armaduras e
formas. No caso de pilares, concretar em camadas para permitir a vibração de
todo o volume;
3. Realizar a rastreabilidade do concreto através da planta do pavimento,
destacando áreas onde cada caminhão despejou o concreto, pois caso haja
problema no mesmo, a facilidade de localizar o local é maior;
4. Molhar o concreto por um período de três dias, deixando-o sempre úmido para
que a cura seja atingida com sucesso.
Figura 27 - Concretagem
5.4.5 Cura do concreto
A cura do concreto, é nome dado ao processo técnico utilizado para, dentre
outros, desacelerar a evaporação (pela ação do sol e dos ventos) da água de
46
amassamento utilizada na fabricação do concreto e permitir a completa hidratação do
cimento. A cura do concreto, quando bem feita, aumenta a resistência do concreto em
cerca de 30% além de diminuir a incidência de trincas e fissuras que podem
comprometer a estrutura da edificação, além de deixar a peça com um aspecto feio.
A cura do concreto resume-se em manter a superfície do concreto úmida,
sombreada e protegida, durante um período que a norma brasileira recomenda como
sendo de pelo menos 7 dias, podendo ser estendido a até 14 dias, dependendo
das condições locais.
Para isso são utilizados os seguintes procedimentos:
Molhar periodicamente a superfície da peça concretada com água;
Cobrir a superfície com areia molhada, serragem molhada, estopas ou mantas
úmidas;
Recobrir a superfície com papéis ou lonas plásticas impermeáveis,
que impedem a evaporação.
5.4.5.1 Tipos de cura
Cura úmida: consiste em manter a superfície do concreto úmida por meio de
aplicação de água;
Cura química: neste caso, utiliza-se um produto que forma uma película que
impede a evaporação da água;
Cura térmica: este processo é considerado o mais eficiente por utilizar
câmaras aquecidas e otimizar o ganho de resistência do concreto.
5.4.5.2 Tempo de cura
O tempo de cura do concreto varia muito e depende exclusivamente de
diversos fatores e condições ambientais (ventos, umidade do ar temperatura e etc). A
Tabela 11 fornece uma base para o tempo de cura do concreto com relação aos
cimentos utilizados.
47
Tabela 11 - Tempo de cura
Fator Água / Cimento
Tipo de Cimento
0,35 0,55 0,65 0,7
CP I e II-32 2 Dias 3 Dias 7 Dias 10 Dias
CP IV-32 2 Dias 3 Dias 7 Dias 10 Dias
CP III-32 2 Dias 5 Dias 7 Dias 10 Dias
CP I e II 40 2 Dias 3 Dias 5 Dias 5 Dias
CP V-ARI 2 Dias 3 Dias 5 Dias 5 Dias
5.4.5.3 Segurança
Segue na Tabela 12 informações de cuidados gerais com as peças após ser
feita a concretagem.
Tabela 12 - Itens para uma concretagem segura
Checklist - Concretagem Segura
>> A cura do concreto deve ser feita logo após o endurecimento
superficial da peça;
>> No caso de superfícies horizontais (vigas, lajes, chão e etc), o
processo de cura deve ser feito de duas a quatro horas depois de
aplicado o concreto;
>> No caso das superfícies verticais (pilares, colunas, muros e
etc) é necessário saturar as formas com água antes do lançamento
do concreto, após a concretagem é importante manter as formas
umedecidas por pelo menos 7 dias
48
5.5 EXECUÇÃO DE LAJE PRÉ-FABRICADA COM USO DE VIGOTAS
TRELIÇADAS
5.5.1 Condições para execução do serviço
Os níveis de referência do pavimento devem estar transferidos e verificados
A proteção da laje contra a queda de material e pessoas deve estar instalada.
5.5.2 Materiais e equipamentos
Tabela 13 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Alicate de corte
2 Alicate
3 Arame recozido
4 Concreto usinado ou de obra
5 EPI’s (Uniforme, capacete, botas adequadas, luva, óculos, cinto de segurança, etc.)
6 Escoramento metálico ou de madeira
7 Espaçadores
8 Jerica e carrinho de mão
9 Lajotas
10 Linha de nyolon
11 Pá, enxada, desempenadeira e colher de pedreiro
12 Rolo de Pintura (para aplicação de desmol)
13 Serra de corte manual
14 Vibrador de imersão com mangote e Baco de alimentação, providenciar um vibrador-
reserva para evitar interrupção na concretagem
15 Vigotas
5.5.3 Execução do serviço
Distribuir as vigotas de cada vão de acordo com o tamanho e o sentido indicado
na planta de montagem. As lajes pré-moldadas escoradas transversalmente a
cada 1,5m;
Observar na ponta das vigotas a existem dos aços salientes com comprimento
de aproximadamente 5cm que servem para auxiliar na união entre as vigotas e
o apoio quando a laje for concretada;
Sobre cinta de amarração apoiar as vigotas, no mínimo 2cm. Sendo sobre
alvenarias e vigas, apoiar no mínimo 5cm;
49
As lajotas devem ser encaixadas sobre as vigotas. Iniciar a colocação da laje
por um par de blocos (lajotas) colocados em cada extremidade, intercalados
com as vigotas para servirem de gabarito de montagem;
A primeira e a últimas carreiras de lajotas podem ser apoiadas na própria cinta
de amarração ou colocar as vigas pré-moldadas ao lado da parede ou da viga
de apoio, deixando uma pequena folga entre a vigota e as lajotas, quando
houver;
A primeira linha de lajotas deve ser apoiada de um lado sobre a alvenaria e de
outro lado sobre a primeira vigota;
Executar os escoramentos;
Após a montagem demarcar os pontos elétricos;
É necessária a execução de nervuras transversais sempre que haja cargas
concentradas (paredes) a distribuir ou quando o vão for superior a 4,0m,
exigindo-se duas nervuras se o vão ultrapassar a 6,0 m.
Figura 28 - Execução
50
6 ALVENARIA
Alvenaria é um conceito da construção civil que designa o conjunto de pedras,
tijolos ou blocos que reunidos formam paredes, muros ou alicerces de uma edificação.
A alvenaria é dividida entre alvenaria estrutural e alvenaria de vedação (convencional).
A principal diferença entre elas é que a alvenaria estrutural, como o nome mesmo diz,
tem função estrutural, dispensando o uso de vigas e pilares. Já a alvenaria
convencional tem somente a função de vedar os vãos das paredes.
6.1 ALVENARIA ESTRUTURAL
A alvenaria estrutural é um sistema construtivo que une a estrutura e a vedação
da edificação. Pode ser feita com blocos cerâmicos, de concreto, sílico-calcário ou
concreto celular autoclavado, todos específicos para este fim.
O projeto de alvenaria estrutural deve ser bem detalhado, já compatibilizado
com os projetos adicionais como os de instalações hidráulicas e elétricas. Deve
também, determinar os vãos das janelas, elevadores e garagens, de acordo com a
medida modular do bloco, objetivando uma obra mais barata, rápida, limpa e
sustentável.
Na alvenaria estrutural, os blocos mais utilizados são os blocos cerâmicos ou
os blocos de concreto. A escolha dependerá do que se encaixar melhor em cada
projeto, analisando os preços, o orçamento da obra, as propriedades físicas e térmicas
dos materiais, velocidade de execução, etc.
As principais vantagens da alvenaria estrutural são:
Rapidez e facilidade de construção;
Redução da mão de obra;
Maior economia;
Maior qualidade na execução;
Menor desperdício.
Por outro lado, as desvantagens são:
As paredes não podem ser removidas sem recolocar um elemento estrutural
para suprir as cargas;
Limitações estéticas nos projetos arquitetônicos;
51
Vãos livres limitados.
Figura 29 - Alvenaria estrutural
6.2 ALVENARIA DE VEDAÇÃO
A alvenaria de vedação ou convencional tem função somente de vedar e
separar ambientes. Neste caso, é necessário o uso de estruturas como vigas e pilares
de concreto armado ou estrutura metálica para a sustentação da edificação.
Os blocos mais utilizados para alvenaria de vedação são os de dimensões
9x19x19, ou seja, 9 cm de largura, 19 cm de comprimento e 19 cm de altura, vale
salientar que existem outros tipos e cada um possui uma finalidade própria. A Figura
19 mostra alguns tipos de blocos de vedação.
52
Figura 30 - Tipos de blocos
6.3 DOCUMENTOS REFERENCIAIS
Para dar-se início a execução da alvenaria, é necessário estar com o projeto
arquitetônico em mãos, recomenda-se ainda utilizar o projeto estrutural,
hidrossanitário e o elétrico, para que haja maior compatibilização e evite percas de
material. É importante salientar que no projeto arquitetônico, deve conter dimensões
de portas e janelas.
53
6.4 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS
Tabela 14 - Materiais utilizados
Materiais e equipamentos utilizados
1 Argamassa de assentamento
2 Caixotes de madeira
3 Colher de pedreiro
4 EPIs
5 Escantilhão (opcional)
6 Linha de náilon
7 Nível de bolha
8 Nivel de mangueira ou a laser
9 Prumo de face
10 Telas galvanizadas
11 Tijolos cerâmicos
12 Vergas e contra-vergas pré-fabricadas
6.5 CONDIÇÕES PARA O INÍCIO DA EXECUÇÃO
A laje deve estar concretada, curada e liberada para serviços;
A laje precisa estar limpa, sem nenhum tipo de material solto;
O chapisco nas áreas das estruturas que receberão alvenaria deve estar
aplicado com pelo menos 3 dias de antecedência;
Os eixos principais devem ter sido locados no pavimento que será realizado
serviço, definindo também o nível de referência.
6.6 EXECUÇÃO DO SERVIÇO
O projeto arquitetônico determinará se cada parede será de ½ vez ou de 1 vez,
ou seja, se a alvenaria será em pé ou deitada, respectivamente;
Antes de iniciar a execução, verificar possíveis desníveis acentuados da base
da alvenaria, para que ela não seja executada de forma irregular;
O primeiro passo é realizar a marcação da alvenaria através das medidas dos
eixos de referência para execução da primeira fiada, começando pela periferia
da laje e partindo para a definição dos ambientes internos;
Validar a alvenaria após inspeção do supervisor, onde será verificado
nivelamento e alinhamento da fiada de marcação e do prumo da alvenaria;
54
Marcar onde terão possíveis peitoris diferenciados, como janelas, bancadas,
bem como também fazer a marcação para passagens de tubulações elétricas,
hidráulicas, etc.;
As juntas de assentamento não devem ultrapassar 2cm e devem ser
executadas tanto na horizontal como entre os blocos;
Iniciar a elevação da alvenaria a partir das fiadas marcadas. Para as alvenarias
externas, a argamassa deve ser executada tanto na horizontal como na vertical.
Já na alvenaria interna, é necessário apenas na horizontal;
Utilizar uma linha de náilon esticada entre as extremidades de cada fiada para
garantir o alinhamento e nivelamento. Esta linha pode ser esticada entre dois
escantilhões nos tijolos de periferia;
A cada fiada, deve-se conferir o alinhamento da mesma através de prumo de
face;
Executar a junção da alvenaria com os pilares através de tela galvanizada
fixada ao concreto por meio de resina ou pino de aço, sendo posicionada a
cada duas fiadas de bloco;
Assentar as contra-vergas em cada lado da esquadria ultrapassando no
mínimo 30cm do vão, assentando as vergas da mesma forma;
Deixar espaço entre viga/laje de até 2,5cm, onde deverá ser preenchido
posteriormente com argamassa expansiva, esse processo é chamado de
encunhamento (aperto de alvenaria). Esse serviço deve ser realizado após a
conclusão da alvenaria de todos os pavimentos (ou três pavimentos acima),
executando de cima para baixo;
Atentar para a amarração da alvenaria em mudanças de direção.
7 INSTALAÇÕES PREDIAIS HIDROSSANITÁRIAS
Essas instalações correspondem à execução de água fria, agua quente,
esgoto, incêndio e aguas pluviais. As atividades relacionadas a instalações
hidrossanitárias dentro de uma obra são:
Ligação provisória de água e esgoto para a obra - requerimento a empresa
pública de fornecimento de agua tratada e coleta de esgoto (ou abertura de
poço, se houver essa possibilidade, e execução de fossa);
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Execução de reservatórios inferior e superior de água para abastecimento da
edificação, feitos de concreto armado de acordo com projeto estrutural ou
simplesmente instalação de caixas d'agua de fibrocimento;
Execução das tubulações e conexões embutidas nas paredes e no solo ou
aparentes;
Instalação de metais e pecas sanitárias.
7.1 ÁGUA FRIA
As instalações de água fria são conjuntos de tubulações, conexões, peças,
aparelhos sanitários e acessórios existentes a partir do ramal predial, que permitem
levar a água da rede pública até os pontos de consumo dentro da edificação.
O projeto de instalação predial de água fria é composto por elementos gráficos,
memoriais, desenhos e especificações técnicas que definem a instalação do sistema
de recebimento, alimentação, reservação e distribuição de água fria nas edificações.
As instalações prediais de água fria deverão ser projetadas de forma que sejam
compatíveis com o projeto arquitetônico e demais projetos complementares, visando
a máxima economia de energia, o menor desperdício e o máximo reaproveitamento
da água.
O projeto deve ser apresentado de forma clara e legível, obedecendo às
normas construtivas da ABNT, Prefeitura Municipal, Casam, Corpo de Bombeiros,
Vigilância Sanitária e demais órgãos competentes, quando for necessário,
principalmente quando se tratar de projetos especiais como clínicas veterinárias,
hospitais, laboratórios, etc.
Deve garantir o fornecimento de água de forma contínua, em quantidade
suficiente, com pressões e velocidades adequadas ao perfeito funcionamento das
peças de utilização e dos sistemas de tubulações, além de preservar rigorosamente a
qualidade da água no sistema de abastecimento.
Basicamente, podem-se considerar três etapas na realização de um projeto de
instalações prediais de água fria: concepção do projeto, determinação de vazões
e dimensionamento.
56
A concepção é a etapa mais importante do projeto e é nesta fase que devem
ser definidos: o tipo do prédio e sua utilização, sua capacidade atual e futura, o tipo
de sistema de abastecimento, os pontos de utilização, o sistema de distribuição, a
localização dos reservatórios, canalizações e aparelhos.
A determinação das vazões das canalizações constituintes do sistema é feita
através de dados e tabelas da Norma, assim como na determinação das necessidades
de reservação e capacidade dos equipamentos.
No projeto das instalações prediais de água fria devem ser consideradas as
necessidades do projeto de instalação de água para proteção e combate a incêndios.
O dimensionamento das canalizações é realizado utilizando-se dos
fundamentos básicos da Hidráulica.
7.1.1 Sistemas de distribuição de água na edificação
Os sistemas mais comuns para distribuição de água na edificação são:
7.1.1.1 Sistema direto de distribuição
A canalização de alimentação vai direto do ponto de entrada (cavalete) até os
pontos de consumo utilizando a própria pressão da rede distribuidora, quando esta é
suficientemente forte. Ocorre uma distribuição interna ascendente. Não prevê
reservatório.
Figura 31 - Sistema de distribuição direto
57
Vantagens:
Água de melhor qualidade devido a presença de cloro residual na rede de
distribuição;
Maior pressão disponível devido a pressão mínima de projeto em redes de
distribuição pública ser da ordem de 15m.c.a.;
Menor custo da instalação, não havendo necessidade de reservatórios,
bombas, registros de bóia, etc.
Desvantagens:
Falta de água no caso de interrupção no sistema de abastecimento ou de
distribuição;
Grandes variações de pressão ao longo do dia devido aos picos de maior ou
de menor consumo na rede pública;
Pressões elevadas em prédios situados nos pontos baixos da cidade;
Limitação da vazão, não havendo a possibilidade de instalação de válvulas de
descarga devido ao pequeno diâmetro das ligações domiciliares empregadas
pelos serviços de abastecimento público;
Possíveis golpes de aríete;
Maior consumo (maior pressão);
7.1.1.2 Sistema indireto de distribuição sem bombeamento
Liga-se a entrada d’água diretamente a um reservatório localizado na parte
superior da edificação. A distribuição interna será descendente- por gravidade.
Figura 32 - Sistema de distribuição indireto sem bombeamento
58
7.1.1.3 Sistema indireto de distribuição com bombeamento
Quando a pressão da rede de distribuição for insuficiente ou o número de
andares da edificação for maior que 2 andares, faz-se necessário dois reservatórios,
um inferior e outro superior, que será abastecido através de bombeamento (bombas
de recalque). A distribuição interna será descendente.
Figura 33 - Sistema de distribuição indireto com bombeamento
Esse Sistema Indireto apresenta:
Vantagens:
Fornecimento de água de forma contínua, pois em caso de interrupções no
fornecimento, tem-se um volume de água assegurado no reservatório;
Pequenas variações de pressão nos aparelhos ao longo do dia;
Permite a instalação de válvula de descarga;
Golpe de aríete desprezível;
Menor consumo.
Desvantagens:
Possível contaminação da água reservada;
Menores pressões, no caso da impossibilidade da elevação do reservatório;
Maior custo da instalação.
59
7.1.1.4 Sistema misto de distribuição
Parte dos pontos de consumo são abastecidos diretamente pela rede pública e
outros pontos são abastecidos de forma descendente pelo reservatório superior.
Figura 34 - Sistema misto
Vantagens:
Água de melhor qualidade devido ao abastecimento direto em torneiras para
filtro, pia de cozinha e bebedouros;
Fornecimento de água de forma contínua no caso de interrupções no sistema
de abastecimento;
Permite a instalação de válvula de descarga.
7.2 ÁGUA QUENTE
O sistema de água quente tem por finalidade conduzir a água aquecida, através
de condutos até os pontos de utilização. É primordial que o profissional execute o
projeto considerando as situações que promovam a correta condução deste fluido até
o ponto de utilização, garantindo o conforto térmico do usuário.
A escolha do sistema de aquecimento é de suma importância para as soluções
que serão tomadas para garantir o conforto térmico do usuário. É possível destacar
os seguintes sistemas utilizados em larga escala em edificações: aquecimento solar
ou aquecedores de passagem.
A escolha do sistema de aquecimento da água a ser adotado no projeto deve levar
em conta os seguintes fatores:
60
1. Definição do usuário: em geral, o usuário pode inicialmente optar pelo tipo de
aquecimento que mais lhe agrada. Fica a cargo do projetista avaliar se a
escolha de fato corresponde à melhor solução para o sistema predial de água
quente;
2. Disponibilidade de investimento inicial com o projeto e custos de instalação do
usuário;
3. Necessidade de aliar economia na conta de energia a longo prazo com uma
solução cuja energia é retirada de uma fonte considerada limpa;
4. Análise da existência do espaço necessário para utilização do sistema de
aquecimento.
A seguir é apresentado um checklist de medidas de segurança para uma
instalação de água quente nos conformes da norma NBR 7198/93.
Checklist
>> Todas as tubulações de água quente serão dimensionadas definindo-se, para cada trecho
diâmetro, vazão e perda de carga. A pressão de projeto deverá estar situada dentro dos limites
estabelecidos pela NBR 7198/93.
>> No cálculo das vazões máximas para dimensionamento dos diversos trechos da rede de
água quente, considerar o uso simultâneo dos pontos de consumo (chuveiros, lavatórios,
equipamentos, etc), principalmente no caso de moradias destinadas a internatos.
>> Deve ser previsto a instalação de registros para bloqueio de fluxo de água junto a aparelhos
e dispositivos sujeitos a manutenção, como é o caso de aquecedores, na saída dos
reservatórios de água quente, nas colunas de distribuição, nos ramais de grupos e pontos de
consumo, ou em casos especiais.
>> O projeto deverá levar e consideração as dilatações térmicas para as tubulações em trechos
retilíneos longos, prevendo elementos que a absorvam.
>> Os suportes para as tubulações suspensas serão posicionados de modo a não permitir a
sua deformação física. Para as tubulações de cobre deverão ser previstos isolamentos entre a
tubulação e os suportes para se evitar a corrosão galvânica.
>> Prever sistemas de acionamento automático, a fim de obter economia no consumo de água.
>> A tubulação de alimentação de água quente deverá ser feita com material resistente à
temperatura máxima admissível do aquecedor.
>> Prever o isolamento térmico adequado para as canalizações e equipamentos, e proteção
contra infiltração.
61
7.2.1 Condições gerais
Utilização de fonte de energia compatível com a região;
Utilização de soluções de custos e manutenção e operação compatíveis com o
custo de instalação do sistema;
O sistema de distribuição de água quente poderá ser sem ou com recirculação,
devendo levar em consideração a opção mais econômica e de maior
sustentabilidade;
Preservação da qualidade da água fornecida pela concessionária;
Adequação do sistema ao desempenho dos equipamentos.
7.2.2 Aquecimento elétrico
Devem ser observadas as seguintes condições:
- A alimentação de água fria do aquecedor de acumulação será feita por canalização
de material de material resistente à temperatura;
- O ramal de alimentação de água do aquecedor de acumulação será derivado da
coluna de distribuição, devendo ser colocado registro de gaveta e válvula de
segurança.
- Instalar o aquecedor de acumulação em local de fácil acesso, o mais próximo
possível dos locais de consumo de água quente, de forma que haja espaço livre
mínimo para manutenção;
- Prever canalização de drenagem do aquecedor provida de registro próximo do
aparelho, despejando em local visível;
- Aquecedores individuais não deverão alimentar um número maior de pontos de
consumo que o indicado pelo fabricante do aparelho.
Um exemplo de como funciona o aquecimento elétrico para sistema de água
quente pode-se ver na figura seguinte:
62
Figura 35 - Aquecimento elétrico
7.2.3 Aquecimento a gás
Devem ser observadas as seguintes condições:
- Devem ser observadas as indicações, normas e recomendações da concessionária
local de distribuição de gás (para aquecedores desse tipo) e também dos fabricantes
dos equipamentos.
- A ligação da rede de gás ao aquecedor será feita através de um registro de modelo
aprovado pela concessionária local;
- A alimentação de água fria do aquecedor de acumulação será feita por canalização
de material resistente à temperatura;
- O local previsto para o aquecedor será devidamente ventilado e terá condições para
a instalação de chaminé, que conduzirá os gases de combustão ao exterior da
edificação diretamente ou por meio de poço ou coluna de ventilação;
- As chaminés e demais instalações complementares serão executadas de acordo
com a Norma NBR 8132/70 – Chaminés para tiragem dos gases de combustão de
aquecedores a gás;
- Um sifão deverá ser instalado na entrada de água fria do aquecedor de acumulação,
conforme indicação do fabricante, sendo obrigatório o uso de válvula de retenção;
63
- Prover o aquecedor de passagem de termostato de segurança, para fechamento da
alimentação de gás dos queimadores principais.
Figura 36 - Aquecimento a gás
7.2.4 Aquecimento solar
Quando se faz uso de aquecimento solar é necessário prever sistema de
aquecimento auxiliar com capacidade para suprir integralmente as necessidades
normais requeridas sempre que o reservatório possuir capacidade volumétrica igual
ou inferior à demanda de um dia. Quando o reservatório possuir capacidade
volumétrica superior a um dia, o sistema auxiliar de aquecimento deverá ser previsto
para suprir parcialmente as necessidades normais requeridas.
Para uso de aquecimento solar devem ser observadas as seguintes condições:
- O local de instalação dos coletores disporá de acesso direto dos raios solares
durante a maior parte do dia;
- Situar os coletores em local o mais próximo possível do reservatório de água quente;
- Prever em local de fácil acesso, comando do sistema auxiliar de aquecimento, para
impedir o seu funcionamento em períodos de não utilização de água quente;
64
- Caso haja necessidade de bombeamento, instalar sensores térmicos e termostatos
para controle da bomba de circulação, a fim de evitar que esta funcione quando não
houver ganho de calor previsto.
Figura 37 - Aquecimento solar
7.2.5 Execução das instalações hidrossanitárias
a) Prumadas e ramais
Descer as prumadas de água nos pontos indicados nos projetos específicos;
Executar os ramais de cada ambiente, inserindo a tubulação nos cortes das
alvenarias previamente executados;
Atentar para o comprimento sobressalente do ponto de alimentação de água,
de acordo com a espessura do acabamento a ser utilizado;
Executar as conexões atentando para o correto lixamento e limpeza das peças,
vedando cada uma de acordo com o tipo de conexão (soldável ou rosqueável);
Executar todos os pontos de tubulação, registros e conexões de acordo com o
projeto hidráulico;
Deixar a água correr por alguns minutos pela tubulação, fazendo a limpeza da
mesma e a seguir fechar os pontos finais com plug rosqueável;
Tomar cuidado para que não caia nenhum material que impossibilite a total
vazão do tubo.
65
b) Barrilete
Montar o barrilete de acordo com o projeto, executando as conexões com os
mesmos cuidados tomados quando da ligação dos ramais de água fria;
Fazer a conexão da caixa d’água com flange, calafetando com massa;
Para caixas d’água de PVC ou fibra, realizar os furos na caixa, utilizando
furadeira com serra copo, nas medidas exatas de cada flange. Para caixas
d’água de concreto, fazer a ligação com o barrilete antes da impermeabilização
da caixa.
Obs.: Antes de se iniciar o revestimento final, realizar o teste de vazamentos,
enchendo toda a tubulação com água na pressão de trabalho.
7.3 ÁGUA CONTRA INCÊNDIO
7.3.1 Generalidades
A prevenção e combate a incêndio expressa tanto a educação pública como as
medidas de segurança contra incêndio em um edifício. A implantação se faz por meio
das atividades que visam evitar o surgimento do mesmo, possibilitando sua extinção
e reduzindo seus efeitos antes da chegada do Corpo de Bombeiros.
Esta implantação engloba o conhecimento das Normas e Leis vigentes e na
concepção dos projetos executivos técnicos de Prevenção de Incêndio.
Serão abordados 2 tipos de instalações usuais nos tipos de obra que
enfocamos:
Sistema sob comando de hidrantes;
Sistema automático de sprinklers;
7.3.2 Classificação de incêndios
Classe A - Fogo em materiais comuns de fácil combustão com a propriedade
de queimarem em sua superfície e profundidade, deixando resíduos. É o caso da
madeira, tecidos, lixo comum, papel, fibras, ferragens, etc.
66
Classe B - Fogo em inflamáveis que queimam somente em sua superfície, não
deixando resíduos, como óleos, graxas, vernizes, tintas, gasolina, querosene, diesel,
solventes, borrachas, etc.
Classe C - Fogo em equipamentos elétricos energizados, como
transformadores, quadros elétricos, grupo gerador, reatores, ar condicionado, etc.
Classe D - Fogo em materiais piróforos e suas ligas (magnésio, sódio, potássio,
alumínio, zircônio, titânio e outros).
Existem dois tipos de sistemas de proteção contra incêndios em edificações
denominados: Sistema passivo e sistema ativo.
O sistema passivo é um sistema de proteção necessário nas edificações para
que se tenha meios adequados de fuga, que permitam aos ocupantes se deslocarem
com segurança para um local livre da ação do fogo a partir de qualquer ponto da
edificação, independentemente do local de origem do incêndio, como exemplo
paredes corta-fogo, isolamento por pinturas, isolamento por distância, escadas de
proteção, elevadores de emergência, entre outros.
O sistema ativo também é um sistema formado por um conjunto de elementos
que tem o objetivo de combater imediatamente um incêndio já iniciado, evitando que
se propague por toda a edificação, até que o Corpo de Bombeiros chegue ao local.
São elementos já conhecidos no nosso dia-a-dia nos edifícios. São os hidrantes,
mangotinhos, sprinklers, detecção de fumaça e fogo, alarme de incêndio, sinalização
de emergência, iluminação de emergência, etc.
7.3.3 Sistemas de aplicação de água no combate aos incêndios
7.3.3.1 Sistema sob comando de hidrantes
O sistema de hidrantes é um sistema fixo de combate a incêndio que funciona
sob comando e libera água de um reservatório para o combate ao incêndio com uma
vazão compatível ao risco do local que visa proteger, de forma a extingui-lo ou
controlá-lo em seu estágio inicial.
67
Dessa maneira, esse sistema possibilita o início do combate ao incêndio pelos
usuários antes da chegada do Corpo de Bombeiros, além de facilitar os serviços
destes quanto ao recalque de água e, em especial, em edificações altas.
Para melhor desempenho desse sistema é essencial que os usuários do
edifício estejam familiarizados com o sistema, confiantes e motivados a utilizá-lo na
ocorrência de um incêndio. Uma das características básicas do sistema de hidrante é
a facilidade de operação pelos usuários em função das pequenas vazões e diâmetros
das mangueiras, propiciando mais agilidade e facilidade às ações de combate ao fogo
na fase inicial.
Figura 38 - Sistema sob comando de hidrantes
Os componentes desse sistema são:
Reservatório: A capacidade do reservatório deve ser suficiente para garantir o
suprimento de água, no mínimo durante meia hora, para alimentação de dois hidrantes
trabalhando simultaneamente na zona de menor pressão. Podem existir reservatórios
superiores e inferiores, onde as exigências de reservacão podem ser alteradas de
acordo com o tipo de reservatório, se ele for elevado ou abaixo.
68
Figura 39 - Reservatórios
Hidrante: Terá as dimensões em função do comprimento e diâmetro da
mangueira, que será de dois tipos:
a) Diâmetro nominal 38mm;
b) Diâmetro nominal 63mm.
Os comprimentos e diâmetros das mangueiras a serem adaptadas nos
hidrantes devem obedecer a classe de risco do incêndio, sendo que quanto mais
perigoso for o incêndio e necessitar de uma quantidade maior de água para superá-
lo, a mangueira deve ser de maior diâmetro para suprir as necessidades de água,
assim como o hidrante.
Tubulações: Devem ter a capacidade de alimentar, nas condições expostas,
no mínimo dois hidrantes funcionando simultaneamente.
Bombas: Os conjuntos motor-bomba para serviço de incêndio serão elétricos
ou de explosão, conforme exigências do Corpo de Bombeiros. No caso de motores
elétricos, deverá ser instalado grupo gerador de emergência, ou as instalações
elétricas devem ser feitas de maneira a possibilitar o desligamento de energia do
prédio sem afetar o funcionamento das bombas, sendo proibido o uso de fusíveis para
alimentação das mesmas. A partida das bombas deve ser sinalizada por sistema de
alarme. A bomba deve ser dimensionada para ter capacidade mínima suficiente de
alimentar o sistema sob comando.
69
Canalização preventiva e rede preventiva: A canalização preventiva é a que
corresponde a instalação hidráulica predial de combate a incêndio, para ser operada
pelos ocupantes das edificações, até a chegada do Corpo de Bombeiros.
A rede preventiva é o sistema de canalizações e equipamentos destinados a
atender as descargas e pressões exigidas pelo Corpo de Bombeiras da região, em
edificações sujeitas a riscos.
7.3.3.2 Sistema automático de sprinklers
O sistema de sprinklers (chuveiros automáticos) é um sistema fixo de combate
a incêndio caracterizado por entrar em ação automaticamente, quando ativado por um
foco de incêndio, liberando água em uma densidade adequada ao risco do local que
visa proteger e de forma rápida para extingui-lo ou controlá-lo em seu estágio inicial.
A sua eficácia é reconhecida em função do menor tempo decorrido entre a
detecção e o combate ao incêndio, pois essa característica pode evitar a propagação
do incêndio para o restante da edificação. Outra característica importante desse
sistema é o acionamento do alarme simultaneamente com o início de operação, o que
propicia a fuga dos usuários com segurança.
Figura 40 - Sistema de sprinklers
Conforme a NBR 10897/90, os sistemas dos sprinklers classificam-se em:
sistema de tubo molhado, sistema de tubo seco, sistema de ação prévia, sistema
dilúvio e sistema combinado de tubo seco e ação prévia.
70
Sistema de tubo molhado: Emprega chuveiros automáticos ligados aos
ramais de uma rede de tubulação fixa contendo água sob pressão. É controlado em
sua entrada, por uma válvula de alarme cuja função é fazer soar automaticamente um
alarme quando da abertura de um ou mais chuveiros acionados pelo incêndio. Os
sprinklers realizam de forma simultânea a detecção, alarme e combate ao fogo. Nesse
sistema o agente extintor, a água, somente é descarregada pelos chuveiros ativados
pela ação do fogo. É recomendado para locais nos quais não há risco de
congelamento da água na tubulação.
Sistema de tubo seco: Consiste em uma rede de tubulação fixa contendo ar
comprimido ou nitrogênio sob pressão, na qual estão instalados sprinklers em seus
ramais. O sistema possui uma válvula, denominada válvula de tubo seco, que é aberta
quando há liberação do gás contido na tubulação pelo acionamento dos sprinklers e,
dessa forma, permite a admissão da água na rede da tubulação. Esse tipo de sistema
é destinado em locais de baixas temperaturas, podendo ocasionar o congelamento da
água na tubulação.
Uma característica deste sistema é o intervalo de tempo relativamente
prolongado entre a abertura do sprinkler e a descarga de água, o que propicia a
propagação do incêndio e, consequentemente, aumentando o número de sprinklers a
serem abertos.
Sistema de ação prévia: Consiste em uma rede de tubo seco contendo ar que
pode estar ou não sob pressão, em cujos ramais são instalados os sprinklers. Na
mesma área protegida pelo sistema de sprinkler é instalado um sistema de detecção
de incêndio muito mais sensível, interligado a uma válvula especial, instalada na
entrada da rede de tubulação. A atuação de quaisquer dos detectores, motivada por
princípio de incêndio, faz com que a válvula especial seja aberta automaticamente.
Uma vez aberta a válvula especial, ela permite a entrada de água na rede, que
descarregará nos sprinklers ativados pelo fogo. A ação prévia do sistema de detecção
faz soar simultânea e automaticamente um alarme de incêndio, antes da abertura de
qualquer chuveiro automático.
A principal diferença entre os sistemas de ação prévia e de tubo seco é que no
sistema de ação prévia a válvula especial atua independentemente da abertura dos
71
sprinklers, ou seja, ela é acionada pela operação automática de um sistema de
detecção de incêndio e não pela abertura de um chuveiro.
Sistema dilúvio: Consiste de uma rede de tubulação seca em cujos ramais
estão instalados os sprinklers abertos, ou seja, não possuem elementos termos-
sensíveis como também nenhum tipo de obstrução. É acrescido de um sistema de
detecção de incêndio, na mesma área de proteção e interligado a uma válvula,
denominada válvula-dilúvio e instalada na entrada da rede de tubulação, a qual entra
em ação quando há atuação de qualquer detector, motivado pelo princípio de incêndio
ou mesmo pela ação manual de um controle remoto. Após a abertura da válvula-
dilúvio, a água entra na rede e é descarregada por todos sprinklers. Nesse instante,
de forma automática e simultânea, soa um alarme de incêndio.
Sistema combinado de tubo seco e ação prévia: Apresenta as
características essenciais desses dois tipos de sistema. Consiste de uma rede de tubo
seco contendo ar comprimido, em cujos ramais estão instalados os sprinklers, e de
um sistema suplementar de detecção de incêndio de operação muito mais sensível
que os chuveiros automáticos, instalado na mesma área dos chuveiros. O sistema de
detecção é ligado a uma válvula de tubo seco instalada na entrada da rede de
tubulação. Com a atuação de quaisquer dos detectores a válvula de tubo seco é aberta
sem que ocorra a perda da pressão do ar comprimido contido na rede dos chuveiros
automáticos. As válvulas de alívio de ar também são abertas pela atuação do sistema
de detecção. Essas são instaladas nos extremos das tubulações gerais da rede de
chuveiros automáticos, facilitando o enchimento com água de toda a tubulação do
sistema, procedendo geralmente, a abertura de quaisquer dos chuveiros automáticos.
O volume de água necessário ao sistema de sprinklers está relacionado com o
número de chuveiros esperados para entrar em ação que, por sua vez, depende da
capacidade de resfriamento da descarga de água ser maior que a liberação de calor
gerado pelo fogo. A exceção é feita para os casos em que o sistema é projetado para
abrir todos os chuveiros na área de incêndio como, por exemplo, no sistema dilúvio.
Todo sistema de sprinklers deve possuir pelo menos um sistema de
abastecimento de água exclusivo e de operação automática, com capacidade
suficiente para atender adequadamente a vazão do sistema.
72
Conforme a NBR 10897/90, o abastecimento de água necessário para um
sistema de sprinklers pode ser suprido pelas seguintes fontes:
Reservatório elevado;
Reservatório no nível do solo, semi-enterrado ou enterrado; piscina; açude;
represa; rio; lago e lagoa com uma ou mais bombas de incêndio;
Tanque de pressão.
O sistema de abastecimento de água pode ser simples ou duplo, dependendo
do tipo de risco e em atendimento aos requisitos de volume, vazão e pressão
requeridos para cada caso.
O sistema de sprinklers pode ser dimensionado hidraulicamente ou por meio
de tabelas. O método por tabelas permite somente a disposição da tubulação na forma
ramificada, enquanto o cálculo hidráulico permite uma maior flexibilidade quanto à
escolha da configuração da tubulação podendo ser na forma de malha ou em anel.
O posicionamento dos chuveiros em relação ao teto deve ser definido em
função do tipo de teto: horizontal, inclinado ou curvo. Além disso, devem ser
considerados o tipo e o material do teto, ou seja: teto liso, teto constituído por vigas e
nervuras, teto de madeira, teto em forma de colmeia ou teto com estrutura metálica.
Para saber mais sobre esse assunto acesse nosso material de apoio online na
parte do Livro Técnica de Edificar, que será disponibilizado pra vocês no final.
7.4 ESGOTOS SANTÁRIOS
As instalações prediais de esgotos sanitários destinam-se a coletar, conduzir e
afastar da edificação todos os despejos provenientes do uso adequado dos aparelhos
sanitários, dando-lhe um rumo apropriado, normalmente, indicado pelo poder público
competente.
7.4.1 Terminologia, definições, simbologia
- CAIXA COLETORA - Abaixo do nível do coletor público necessita bomba para o
seu esgotamento
- CAIXA DE GORDURA (CG) - Caixa detentora de gorduras;
73
- CAIXA DE INSPEÇÃO (CI) - Destinada a inspeção e desobstrução das
canalizações;
- CANALIZAÇÃO PRIMÁRIA - Com acesso a gases do coletor público;
- CANALIZAÇÃO SECUNDÁRIA - Protegida de gases por desconector (sifão);
- COLETOR PREDIAL - Liga o sub-coletor à rede pública;
- COLUNA DE VENTILAÇÃO (CV) - Tubulação vertical de equilíbrio atmosférico e
retirada de gases;
- FECHO HÍDRICO (CS)- Coluna líquida que, em sifão veda a passagem de gases
e animais;
- RALO (R) - Recebe água de chuveiro e lavagem de piso;
- RALO SIFONADO (RS) - Dotado de grelha, recebe os mesmos acima mais
efluentes de aparelhos sanitários, exeto vaso sanitário;
- RAMAL DE DESCARGA - Canalização que recebe diretamente os efluentes dos
aparelhos sanitários;
- RAMAL DE ESGOTO - Recebe os efluentes dos ramais de descarga;
- SUB-COLETOR - Recebe tubos de queda ou ramais de esgoto;
- TUBO DE QUEDA (TQ) - Canalização vertical que recebe os efluentes dos ramais
de esgoto;
- TUBO OPERCULADO (TO) - Tubo com tampa removível com função semelhante
a (CI);
- TUBO VENTILADOR (TV) - Impedir ruptura do fecho hídrico;
- VENTILADOR PRIMÁRIO (VP) - Ventilação do esgoto primário;
- VENTILADOR SECUNDÁRIO (VS) - Ventilador do esgoto secundário.
74
Figura 41 - Terminologia esgoto sanitário
7.4.2 Condições gerais
Projetos de uma Instalação Predial de Esgoto Sanitário devem atender as
exigências e recomendações estabelecidas pela norma NBR 8160/99:
Permitir rápido escoamento dos esgotos e facilitar desobstruções.
Vedar a passagem de gases e animais das tubulações para o interior das
edificações.
Não permitir vazamentos, escape de gases e formação de depósitos no interior
das tubulações.
Impedir a poluição de água potável.
O desenvolvimento das tubulações deve ser preferencialmente retilíneo
Os esgotos sanitários são formados basicamente por matéria orgânica
biodegradável. A decomposição desta matéria orgânica gera gases que devem
ser impedidos de entrar para o interior dos prédios.
A instalação de esgotos primários compreende o conjunto de tubulações e
dispositivos onde tem acesso gases provenientes do coletor público.
A instalação de esgotos secundários compreende o conjunto de tubulações e
dispositivos onde não tem acesso gases provenientes do coletor público.
Todos os aparelhos sanitários devem ser ligados a tubulações de esgotos
primários com a interposição de desconectores.
75
Figura 42 - Condições gerais
7.4.3 Etapas do projeto
Na elaboração de um projeto de esgoto doméstico seguem-se três etapas,
sendo concepção, dimensionamento e comunicação do projeto.
7.4.3.1 Concepção
É sem dúvida a etapa mais importante, onde ocorrem a maioria das análises e
decisões do projetista. Aqui é realmente importante os conhecimentos, a experiência
e os critérios adotados pelo engenheiro. Nesta etapa deve-se:
Identificar os pontos geradores de águas servidas (águas usadas para fins
higiênicos, que não contém dejetos), águas negras (águas que contém dejetos,
proveniente de vasos sanitários) e águas com gorduras (proveniente de pias
de cozinha);
Definir e posicionar os desconectores (sifões, caixas sifonadas, ralos sifonados,
caixas de retenção, entre outros);
Definir o sistema de ventilação;
Posicionar os tubos de queda (do esgoto primário e de gordura);
Definir o acesso à tubulação (caixas de inspeção, poços de visita, caixas de
gordura);
Definir o destino do esgoto (se vai pra o coletor público ou tratamento
particular).
76
7.4.3.2 Dimensionamento
Esta etapa consiste em determinar os diâmetros capazes de proporcionar a
vazão necessária requerida segundo a norma da NBR 8160/99.
7.4.3.3 Comunicação
Consiste na elaboração de instruções técnicas escritas e desenhadas
necessárias para a execução do projeto.
7.4.4 Materiais e equipamentos
Tabela 15 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Aparelhos sanitários
2 Caixa de gordura
3 Caixa de inspeção
4 Caixa de passagem
5 Caixa múltipla
6 Caixa sifonada
7 Coletor predial
8 Conexões (Joelhos, tês, curvas de 90°, etc.)
9 Desconector
10 EPI’s
11 Ralos
12 Sifão
13 Subcoletor
14 Tubo de queda
15 Tudo de ventilação
7.4.5 Execução
7.4.5.1 Manuseio de materiais
Todas as tubulações, componentes e materiais empregados nas instalações
devem atender às disposições contidas nas normas brasileiras relativas ao manuseio
dos mesmos.
Além das normas, e no caso de não existir norma específica, devem ser
observadas as instruções dos fabricantes, no tocante ao manuseio (carregamento,
transporte e armazenamento), dos produtos por eles fabricados.
77
7.4.5.2 Junção das peças
Todas as juntas executadas nas tubulações, e entre as tubulações e os
aparelhos sanitários devem ser estanques ao ar e à água devendo assim permanecer
durante a vida útil, observando todas as instruções dos fabricantes para se obter uma
junta eficaz.
Nenhum material utilizado na execução de juntas deve adentrar nas tubulações
de forma a diminuir a seção de passagem destas tubulações.
As juntas e as tubulações devem estar de tal forma arranjadas que permitam
acomodar os movimentos decorrentes de efeitos de dilatação térmica, tanto da
estrutura do prédio como do próprio material da instalação.
7.4.5.3 Assentamento
O fundo das valas deve ser cuidadosamente preparado de forma a criar uma
superfície firme para suporte das tubulações.
A largura da vala deve ser tal que permita a execução das atividades de
montagem das tubulações, seu assento e rejuntamento.
Durante o reaterro das valas, a tubulação deve estar cercada de material
adequado, compactado de forma a resistir a movimentos ocasionados durante o
reaterro.
7.4.5.4 Fixação
O método de fixação das instalações considera os movimentos causados por
variação de temperatura, principalmente quando se utiliza tubos ou peças de material
plástico, fibra de vidro e de cobre.
As tubulações devem ser fixadas de forma que não sofram danos causados
pela movimentação da estrutura do prédio ou por outras solicitações mecânicas.
78
7.4.5.5 Proteção
Todo cuidado deve ser tomado para proteger as tubulações e aparelhos
sanitários durante execução da obra e prevenir a entrada de materiais estranhos para
o interior das mesmas.
Todas as tampas dos acessos para inspeção e limpeza devem estar colocadas
e fixadas nos respectivos dispositivos de inspeção.
Todas as aberturas devem ser devidamente protegidas por peças ou meios
adequados e assim permanecerem durante toda a execução da obra.
Partes ou componentes da instalação que permane çam externamente
(instalação aparente) e requeiram proteção contra corrosão atmosférica devem ser
fixadas de tal maneira que o acesso seja livre em volta das mesmas, de forma a se
poder aplicar tinta ou outro tipo de revestimento protetor.
7.5 ÁGUAS PLUVIAIS
7.5.1 Documentos necessários
O projeto entregue deverá conter os seguintes documentos:
1) Pranchas com desenhos: planta, detalhamentos, etc.;
2) Memorial descritivo;
3) Memorial de Cálculo (Roteiro de cálculo);
4) ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) e demais documentos
comprobatórios que venham a ser solicitados.
7.5.2 Condições gerais
Garantir de forma homogênea, a coleta de águas pluviais, acumuladas ou não,
de todas as áreas atingidas pelas chuvas;
Conduzir as águas pluviais coletadas para fora dos limites da propriedade até
um sistema público ou sistema de captação para reaproveitamento da mesma,
nos pontos onde não haja exigência de uso de água potável;
79
Não interligar o sistema de drenagem de águas pluviais com outros sistemas
como: esgoto sanitário, água, etc;
Permitir a limpeza e desobstrução de qualquer trecho da instalação através de
caixas de ligação e poços de visita, sem que seja necessário danificar ou
destruir parte das instalações.
A instalação predial de águas pluviais se destina exclusivamente ao
recolhimento e condução das águas pluviais, não se admitindo quaisquer interligações
com outras instalações prediais. O destino das águas pluviais pode ser:
1) Escoamento superficial;
2) Infiltração no solo por meio de poço absorvente;
3) Disposição na sarjeta da rua ou por tubulação enterrada no passeio; pelo
sistema público, as águas pluviais chegam a um córrego ou rio;
4) Cisterna (reservatório inferior) de acumulação de água, para uso posterior.
7.5.3 Dimensionamento
O dimensionamento do sistema de águas pluviais é divido em três fatores
primordiais:
Considerar os fatores meteorológicos da região, determinando a intensidade
pluviométrica para fins de projeto, e fixando também a duração da precipitação e do
período de retorno adequado, com base em dados pluviométricos locais.
Deve-se considerar também a área de contribuição, analisando os
incrementos devidos à inclinação da cobertura e às paredes que interceptem água da
chuva que também deva ser drenada pela cobertura.
E por último a determinar vazão de projeto através de cálculos matemáticos
simples, para poder assim dimensionar a espessura correta das calhas, os diâmetros
corretos dos condutores verticais e horizontais e o tamanho dos ralos e caixas de areia
e inspeção.
7.5.4 Materiais e equipamentos
Os materiais e equipamentos usados são explanados na Tabela 16.
80
Tabela 16 - Materiais e equipamentos utilizados
Materiais e equipamentos utilizados
1 Braçadeira
2 Caixa de areia
3 Caixa de passagem
4 Calha de beiral
5 Calha de piso
6 Calha de piso
7 Condutor horizontal
8 Condutor vertical
9 EPI’s
10 Tubo de drenagem
11 Válvula de retenção
Figura 43 - Demonstração de alguns materiais
7.5.5 Execução
Como existem diversos destinos que se pode dar as águas pluviais, foca-se
nesse exemplo uma residência que utiliza um sistema de cisterna para
reaproveitamento da água. Lembrando que alguns processos são bem parecidos, mas
que deve-se total atenção na hora do dimensionamento para o destino requerido que
se deseja ter.
81
Um sistema de aproveitamento de água de chuva, em geral, deve seguir os
seguintes passos:
7.5.5.1 Área de coleta
Local onde a chuva precipita a fim de ser captada. É importante no
dimensionamento do volume de reservação, pois quanto maior for à área de captação,
maior será o volume de água da chuva capturado e armazenado. A área de captação
deve suprir a demanda de consumo de água.
7.5.5.2 Emprego de calhas e condutores
Condutos que levam a água captada até o reservatório. As calhas são
dispostas na horizontal e os condutos na vertical. Os dimensionamentos desses
componentes devem seguir a NBR 10844.
7.5.5.3 Descarte as “primeiras águas”
Componente utilizado para descartar a água que lava a área de captação, local
onde se acumula poeira, fuligem e outros contaminantes atmosféricos que podem
alterar a qualidade da água. Para este descarte pode-se dispor de desvio manual da
água ou dispositivos instalados em boias de tanques intermediários.
7.5.5.4 Uso de um separador de materiais grosseiros
Empregar esse dispositivo para a separação de galhos, folhas e outros
materiais que podem ser depositados na área de captação. Existem no mercado filtros
produzidos para esta função, podendo também ser fabricados.
7.5.5.5 Armazenamento
O sistema de armazenamento fica por conta da criação de um reservatório para
acumular essa água da chuva, que posteriormente servirá para utilização na descarga
de vasos sanitários, lavagem de roupas, irrigação de jardins, na lavagem de carros,
entre outros.
Em alguns casos criam-se dois reservatórios, sendo um inferior, enterrado com
o objetivo armazenar a água coletada e compensar a variação da precipitação de
82
chuva, e um reservatório superior para distribuição por gravidade até os pontos de
utilização. Mas para esses casos deve-se haver um sistema de recalque composto
por bomba, tubulações e conexões, sendo responsável pelo transporte da água do
reservatório inferior para o reservatório superior.
Figura 44 - Exemplo de uso de águas pluviais numa residência
8 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS PREDIAIS
Etapa de instalação de eletrodutos, condutores, chaves, caixas, luminárias e
demais meios necessários ao suprimento de energia elétrica no interior das
edificações, todos dimensionados e especificados em projeto por engenheiro
eletricista.
É uma etapa da edificação que se inicia com a ligação provisória de energia
para o canteiro de obras, passa pela instalação de tubos e caixas embutidas durante
as concretagens, continua após a alvenaria com trechos embutidos nas paredes e
termina com a passagem dos fios pelos eletrodutos e suas ligações em tomadas e
interruptores, bem como também em caixas de redes e comando.
83
8.1 ELÉTRICA E ILUMINAÇÃO
Em todos os projetos de instalação elétrica de baixa tensão, é de fundamental
importância a especificação técnica dos diversos componentes. É a partir das
especificações que os componentes serão adquiridos para a obra, devendo garantir,
quando montados, o adequado funcionamento da instalação, a segurança dos seus
usuários e a conservação do patrimônio. Porém, frequentemente ocorre que nos
projetos, a especificação técnica é muito falha, como, por exemplo, os componentes
são mal descritos, as características nominais são omitidas, as normas técnicas
competentes não são mencionadas e, comumente, são indicados a marca comercial
e o tipo do material de um certo fabricante (em geral, um líder de mercado) seguidos
da expressão "ou similar”.
8.1.1 Definições
Carga: Conjunto dos valores das grandezas físicas que caracterizam as
solicitações impostas em dado instante a um sistema ou equipamento elétrico, ou a
um componente, por um sistema ou equipamento, elétrico ou não, a ele ligado. A
carga pode ser expressa em termos de impedância, de corrente, de potência ativa,
reativa ou aparente, ou de uma característica não elétrica, conforme as circunstâncias
peculiares a cada caso.
Entrada: É o conjunto de condutores que se estende desde a linha de
distribuição da concessionária de energia elétrica até o dispositivo de seccionamento
do sistema, ou até o equipamento de medição, ou até o centro de distribuição principal
do sistema.
Ponto de Entrega: É o ponto de junção entre as linhas da concessionária e do
consumidor.
Carga Instalada: Somatório das potências nominais de todos os equipamentos
elétricos e dos pontos de luz instalados na unidade consumidora.
Seccionador: Chave cuja finalidade é interromper um circuito pelo qual não
circula corrente de carga.
84
Disjuntor: Dispositivo que tem a capacidade de interromper circuitos pelos
quais pode circular uma corrente cujo valor pode elevar-se até o da corrente de curto
circuito.
8.1.2 Especificações técnicas
Nas instalações residenciais, os condutores dos circuitos terminais deverão ter
seções iguais ou superiores aos valores abaixo:
Tabela 17 - Especificações técnicas
Item Fiação
Aparelhos de iluminação 1,5 mm²
Tomadas de corrente em quartos, salas e similares 1,5 mm²
Tomadas de corrente em cozinhas, áreas de
2,5 mm²
serviço, garagens e similares
Aquecedores de acumulação de água 2,5 mm²
Aparelhos de ar-condicionado 2,5 mm²
Torneias elétricas 4 mm²
Aquecedores de Passagem de água 4 mm²
Fogões elétricos 6 mm²
Chuveiros elétricos 6 mm²
8.1.2.1 Tomadas
As tomadas específicas são aquelas destinadas ao suprimento de aparelhos
determinados, geralmente não portáteis, tais como: chuveiros, geladeiras,
condicionadores de ar, etc. As tomadas de uso geral são as demais tomadas,
destinadas à ligação dos demais aparelhos.
85
8.1.2.2 Interruptores
A alocação dos interruptores, bem como seu tipo, deve levar em conta a
posição das portas, a circulação das pessoas e deve ser analisada previamente com
o cliente.
Fundamentalmente há três tipos de interruptores:
Simples: Apresenta dois estados (aberto/fechado) e 2 terminais. São utilizados
para promover a descontinuidade ou a continuidade de um circuito elétrico,
conforme esteja na posição aberto ou fechado;
Paralelo: Apresenta duas posições e três terminais, um central e dois auxiliares.
Quando acionado, conecta o terminal central ao outro terminal auxiliar ao qual
não estava conectado. Este interruptor é utilizado em circuitos, ditos
“paralelos”, onde se comanda uma carga (usualmente de iluminação) de 2
pontos, como por exemplo nas extremidades de uma escada;
Intermediário: Apresenta duas posições e quatro terminais, que se ligam 2 a 2,
alternando-se essa ligação ao comando do usuário. Esse interruptor é utilizado
para acionar uma carga comandada por um circuito “paralelo”, de um local
diferente daqueles onde os interruptores paralelos se situam.
8.1.2.3 Quadro de distribuição
O Quadro de Distribuição deve ser instalado o mais próximo possível do
centro de carga da instalação de forma consistente com o projeto civil, considerando
aspectos estéticos e de acesso.
A NBR 5410 exige, desde 1997, a utilização de proteção diferencial residual
(disjuntor ou interruptor) de alta sensibilidade em circuitos terminais que sirvam a:
Tomadas de corrente em cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de
serviço, garagens e, no geral, a todo local interno molhado em uso normal ou
sujeito a lavagens;
Tomadas de corrente em áreas externas;
Tomadas de corrente que, embora instaladas em áreas internas, possam
alimentar equipamentos de uso em áreas externas;
Pontos situados em locais contendo banheira ou chuveiro.
86
No caso de instalação de interruptor DR na proteção geral, a proteção de todos
os circuitos terminais pode ser feita com disjuntor termomagnético. A sua instalação é
necessariamente no quadro de distribuição e deve ser precedida de proteção geral
contra sobrecorrente e curto-circuito no quadro do medidor.
O padrão de entrada varia de acordo com as regras da concessionária do
município, mas geralmente é um poste com isolador de roldana, bengala, caixa de
medição e haste de terra, que devem estar instalados atendendo às especificações
da norma técnica da concessionária para o tipo de fornecimento.
Uma vez pronto o padrão de entrada, compete à concessionária fazer sua
inspeção. Estando tudo certo, a concessionária instala e liga o medidor e o ramal de
serviço. A partir daí, a energia elétrica entregue pela concessionária estará disponível
para ser utilizada.
8.1.3 Leitura de projetos
São dados alguns exemplos abaixo de como são feitas as leituras num projeto
elétrico, mostrando desde os quadros de medição e distribuição, até o projeto em si
elaborado, com suas respectivas legendas de cada componente utilizado no projeto.
87
Figura 45 - Quadro de medição e distribuição
88
Figura 46 - Projeto elétrico
89
Figura 47 - Legendas
90
8.1.4 Materiais e equipamentos
Tabela 18 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Alicate;
2 Caixa PVC 4x2” e 4x4”;
3 Carga curta;
4 Curva eletroduto nas dimensões indicadas no projeto;
5 Eletroduto flexível corrugado nas dimensões indicadas no projeto;
6 EPI’s (Uniforme, capacete, bota, luva, óculos, etc.)
7 Fios e cabos;
8 Fita isolante;
9 Fita perfurada;
10 Furadeira;
11 Pino de rosca com porca;
12 Pistola para fixação de pino;
13 Quadros de distribuição;
14 Serra manual;
15 Tubo eletroduto nas dimensões indicadas no projeto;
8.1.5 Execução
Para dar início a execução é preciso estar em posse do projeto arquitetônico,
elétrico e de rede.
Para as tubulações verticais a marcação da primeira fiada deve estar concluída;
Para as tubulações horizontais a alvenaria deve estar concluída.
8.1.5.1 Tubulação em laje
Posicionar as caixas de passagem de acordo com o projeto elétrico, com auxílio
de furadeira;
Posicionar e fixar os eletrodutos e/ou os conduites na laje utilizando
braçadeiras metálicas a no máximo cada 2m de espaçamento, passando-os
pelas caixas já fixadas;
Com a instalação das peças concluída, executar a fiação do ambiente;
91
Caso haja alguma peça estrutural sacando, fazer o desvio da mesma com
conduite.
8.1.5.2 Tubulações em parede
Marcar os pontos de tomadas e interruptores e outros que estejam definidos
em projeto;
Fazer corte na parede para instalação da tubulação;
Para a fixação das caixas de passagem, prever a espessura do revestimento
que será utilizada na parede, e mantê-las niveladas entre si;
Observar as alturas em relação ao piso acabado das caixas embutidas em
paredes, sendo 1,10 a 1,40 m para interruptores e campainhas; 0,30 m para
tomadas baixas e 1,90 a 2,10 m para arandelas e chuveiros.
Após o chumbamento das caixas de passagem, proceder à colocação da
tubulação, fixando-a com argamassa e iniciando a fiação;
As caixas de passagem devem ser preenchidas com serragem molhada para
evitar que fiquem cheias de argamassa de reboco.
8.1.5.3 Fiação
Verificar se os eletrodutos não estão entupidos;
Iniciar a enfiação, seguindo o caminhamento dos circuitos de acordo com
projeto específico;
Instalar os interruptores e tomadas, colocando os acabamentos somente após
o assentamento de azulejo, onde especificado, ou após a pintura das paredes;
Montar o quadro de distribuição e instalação dos disjuntores de acordo com
projeto.
8.1.5.4 Acabamento
Antes da última demão de tinta colocar as tampas dos acabamentos;
Após a conclusão dos serviços, testar os pontos com teste neon ou de lâmpada.
92
Figura 48 - Instalação elétrica
9 COBERTURA
9.1 METÁLICA
A cobertura de estrutura metálica é feita por meio de peças de aço como barras,
chapas, tubos entre outros, que quando postas em conjunto passam a formar o projeto
das dimensões feito pelo arquiteto. É justamente essa particularidade de construção
por base de montagem que permite que a cobertura de estrutura metálica seja flexível
em relação aos projetos, visto que são criados a partir das dimensões e condições da
obra.
93
Obras residenciais com a estrutura metálica aparente podem se destacar pela
beleza da construção. Quando bem trabalhadas são verdadeiras obras de arte e
podem garantir muita sofisticação à sua residência.
Figura 49 - Cobertura metálica
9.1.1 Terminologia
- Pontos de solda: segmentos de solda, aplicados na montagem de oficina, para
manter na posição adequada as peças a serem unidas.
- Cordão de solda: metal de solda depositado ao longo de uma junta formando um
elemento contínuo.
- Cratera: depressão no cordão de solda, formado pelo arco voltaico no momento de
sua extinção.
- Solda de filete (solda de ângulo): solda de seção transversal aproximadamente
triangular, unindo duas superfícies aproximadamente ortogonais.
- Garganta de um filete (altura de um filete): altura relativa à hipotenusa do maior
triângulo retângulo que puder ser inscrito na seção transversal do filete.
- Lados de um filete (pernas de um filete): são os catetos do maior triângulo que
puder ser inscrito na seção transversal de um filete.
- Sobreposto: metal de solda escorrido sobre o metal base, sem fusão local.
94
- Mordedura: depressão causada por fusão no metal base, ao pé da solda.
- Raiz da junta: zona da junta em que é menor o afastamento das peças a unir.
- Abertura da raiz: distância entre as peças a unir, na raiz da junta.
- Junta de topo: junta entre duas peças, topo a topo, dispostas aproximadamente no
mesmo plano.
- Chapa auxiliar de espera (cobre-junta): material usado como apoio, atrás da junta,
durante a soldagem, que evita o vazamento da solda através da fresta. Após a solda
poderá ser retirada ou não.
9.1.2 Generalidades
A estrutura metálica fornece várias vantagens sobre outros materiais de
construção, tais como madeira, pois por ser totalmente composta por aço, a estrutura
metálica é um produto com menor impacto ambiental, além disso, uma obra com
estrutura metálica residencial reduz a produção de entulhos, o consumo de água e a
utilização da madeira.
É uma obra com menor produção de ruídos e menor produção de poeira, sendo
que qualquer excesso de material é 100% reciclável.
É estruturalmente sólido e fabricado seguindo especificações e tolerâncias
rígidas. Também é eficiente em termos energéticos, sendo excelente isolante térmico.
O aço da estrutura não é deformado, torcido ou dobrado facilmente e é portanto
fácil de modificar e oferece flexibilidade de design, além de ser também fácil de
instalar.
Entretanto, a estrutura metálica exige um maior desembolso de recursos
financeiros durante a fabricação da mesma se comparada a outros tipos de sistema,
como por exemplo o concreto armado, que tem o custo da estrutura melhor distribuído
ao logo do tempo. Isso pode inviabilizar a utilização da cobertura metálica para o
construtor que não tem os recursos financeiros à disposição.
A estrutura metálica é um sistema que deve ser bem avaliado e projetado
quanto à segurança contra incêndios, pois o aço perde força quando aquecido
suficientemente. A temperatura crítica de um elemento de aço não suporta com
95
segurança a sua carga e é nessas circunstâncias que quando comparada com as
edificações convencionais de alvenaria e concreto a estrutura metálica possui
condições de segurança inferiores à construção convencional.
Uma das dificuldades da utilização do aço em alguns ambientes é a
necessidade de uma boa proteção corrosiva. A sua utilização em regiões litorâneas
pode ser inviabilizada devido a maresia.
9.1.3 Execução
9.1.3.1 Cortes das peças
Todos os cortes obtidos por tesoura ou maçarico deverão receber acabamento
retirando-se rebarbas e entalhes. Os cantos reentrantes deverão ser arredondados
com o maior raio possível, de forma a evitar o aparecimento de fissuras.
9.1.3.2 Ligações com parafusos
Os diâmetros dos furos para parafusos não ajustados deverão ter uma folga
máxima de 1,6mm em relação ao diâmetro do parafuso. No caso de parafusos
ajustados, este valor da folga será de 0,5mm
As peças a serem furadas em conjunto deverão ser rigorosamente apertadas,
para evitar a penetração de rebarbas entre as superfícies de contato.
9.1.3.3 Ligações com solda
As ligações com solda serão executadas conforme definições em projeto,
considerando-se sua posição, seu tipo e o tipo de entalhe nas peças a serem unidas.
9.1.3.4 Disposições gerais
Nenhuma solda deverá ser executada sem que previamente hajam sido
adequadamente determinados o tipo e diâmetro dos eletrodos, o tipo e regulagem do
equipamento, o número de passes, a direção e a sequência de solda a empregar,
tendo em consideração o metal base, o tipo de junta, a dimensão, a posição da solda
e outros fatores relativos ao trabalho a ser executado.
96
Preparação das juntas: As superfícies a serem soldadas deverão estar isentas
de umidade, óxido, escória, graxa, tinta e outros materiais estranhos. Deverão
também apresentar-se lisas e uniformes, sem rebarbas, entalhes ou outros defeitos
que possam prejudicar a solda e não deverão, preferivelmente, receber pintura de
oficina.
Montagem provisória das peças para soldagem: Peças que devam receber
solda de filete deverão ser montadas de forma a assegurar o melhor contato possível.
Se a separação entre as peças ultrapassar 1,5mm, a dimensão da solda deverá sofrer
acréscimo igual a separação correspondente.
A montagem das peças para a execução da solda deverá ser feita por meio de
pontos de solda, parafusos, grampos, cunhas, posicionadores ou outros dispositivos
especiais, de forma que sejam mantidas firmemente e em posição correta. As peças
deverão ser posicionadas de modo a compensar empenos e retrações previsíveis.
A aplicação da solda definitiva deverá ser precedida dos cuidados normais de
limpeza e garantir a fusão completa com os pontos de solda existentes na junta.
Execução da solda: O metal depositado deverá apresentar-se limpo, uniforme
e sem falhas. Para tal, deverão ser adotadas precauções adequadas na soldagem
como sejam: utilização de eletrodos revestidos, arco protegido por fluxo ou gás inerte
ou outros meios que impeçam a combinação do metal em fusão com os gases de
atmosfera.
As soldas deverão ser executadas, sempre que praticável, na posição plana. O
calor da solda depositada deverá se dissipar naturalmente, tão lento quanto possível,
tanto do metal de soldas como do metal base. Em nenhum caso poderão ser adotadas
medidas para acelerar o resfriamento.
9.1.3.4 Pintura da estrutura
O preparo das superfícies, o tipo de tinta e o número de demãos dependerão
da agressividade do meio ambiente a que as peças estruturais serão submetidas.
Preliminarmente, deverão ser removidos óleos, graxas e gorduras, através da
aplicação de solventes emulsificantes, seguida de lavagem com água abundante.
97
Posteriormente é aplicada a pintura, a qual dependendo do tipo de ambiente onde se
encontra pode levar duas demãos ou até mesmo três.
Também é nessa parte que são aplicado os anticorrosivos e
impermeabilizantes com o intuito de preservar a estrutura por mais tempo contra a
agressividade do ambiente.
9.2 MADEIRAMENTO
A estrutura de madeira é composta por uma armação principal e outra
secundária, também conhecida por trama. A estrutura principal poderá ser constituída
por tesouras ou por pontaletes e vigas principais, sendo a trama constituída pelas
ripas, pelos caibros e pelas terças.
Figura 50 - Estrutura de madeira
9.2.1 Terminologia
- Ripas: peças de madeira colocadas horizontalmente e pregadas sobre os caibros,
atuando como apoio das telhas cerâmicas.
98
- Caibros: peças de madeira dispostas com a inclinação da cobertura de telhas
cerâmicas e apoiadas sobre as terças, atuando por sua vez como suporte das ripas.
- Terças: peças de madeira colocadas horizontalmente e apoiadas sobre tesouras,
sobre pontaletes ou anda sobre paredes, funcionando como sustentação dos caibros
em telhados cerâmicos ou diretamente de telhas de fibrocimento.
- Frechal: viga de madeira colocada no respaldo de paredes, com a função de
distribuir as cargas concentradas provenientes de tesouras, de vigas principais ou de
outras peças de madeira da estrutura; costuma-se chamar também de frechal a terça
da extremidade inferior do telhado.
- Terça de Cumeeira: terça posicionada na parte mais alta do telhado.
- Pontaletes: peças de madeira dispostas verticalmente, constituindo pilaretes
apoiados na laje de cobertura, sobre os quais se apoiam as vigas principais ou as
terças.
- Tesoura: treliça de madeira que serve de apoio para a trama. As barras da tesoura
recebem designações próprias, quais sejam: empena ou banzo superior (com a
inclinação da cobertura); linha, tirante ou banzo inferior (horizontal); montante (vertical,
não central); montante principal ou pendural (vertical central); diagonal ou escora
(inclinada interna).
- Chapuz: calço de madeira, geralmente de forma triangular, que serve de apoio
lateral para a terça.
- Mão-francesa: peça disposta de forma inclinada, com a finalidade de travar
(contraventar) a estrutura.
- Água: superfície plana e inclinada do telhado.
- Beiral: projeção do telhado para fora do alinhamento da parede da fachada.
- Cumeeira: aresta horizontal delimitada pelo encontro entre duas águas (painéis do
telhado), geralmente localizada na parte mais alta do telhado.
Espigão: aresta inclinada delimitada pelo encontro entre duas águas que formam um
ângulo saliente, sendo consequentemente um divisor de águas.
99
- Rincão: aresta inclinada delimitada pelo encontro entre duas águas que formam um
ângulo reentrante, sendo consequentemente um captador de águas (também
chamado de água-furtada).
- Rufo: peça complementar de arremate entre o telhado e uma parede.
- Fiada: sequência de telhas na direção horizontal.
9.2.2 Generalidades
Não poderão ser empregadas, na estrutura, peças de madeira serrada que
apresentem defeitos sistemáticos, como que:
Sofreram esmagamento ou outros danos que possam comprometer a
resistência da estrutura;
Apresentarem alto teor de umidade (madeira verde);
Mostrarem defeitos como nós soltos, nós que abranjam grande parte da seção
transversal da peça, rachaduras, fendas ou falhas exageradas, arqueamento,
encurvamento ou encanoamento acentuado etc.;
Não se ajustarem perfeitamente nas ligações;
Apresentarem desvios dimensionais (desbitolamento);
Mostrarem sinais de deterioração, por ataque de fungos, cupins ou outros
insetos.
9.2.2.1 Espécies de madeira para estrutura de coberta
- Canafistula (guarucaia, ibirapitá): madeira pesada; cerne vermelho, com tons de
bege-rosado, do claro ao escuro; textura média: superfície lustrosa: cheiro e gosto
indistintos.
- Cambará (quarubarana, candeia, cedrinho, cedrilho): madeira de peso médio: cerne
vermelho, róseo-acastanhado; textura grossa; superfície pouco lustrosa; cheiro e
gosto indistintos.
- Cupiúba (peroba-do-norte): madeira pesada; cerne castanho, às vezes
avermelhado: textura média; superfície sem brilho, medianamente áspera; cheiro
intenso e desagradável quando a madeira está verde; gosto indistinto.
100
- Peroba-rosa: madeira pesada; cerne vermelho, com tons do róseo-amarelado ao
amarelo-queimado-rosado e vermelho-rosado, manchas e veios escuros; textura fina;
superfície sem brilho e lisa; cheiro imperceptível e gosto ligeiramente amargo.
- Peroba-branca (ipê-peroba, peroba-de-campos, peroba-clara): madeira de peso
médio; cerne vermelho, com tons do bege-rosado ao bege-amarelado; textura média;
superfície lustrosa e medianamente lisa; cheiro e gosto indistintos.
- Maçaranduba (paraju): madeira pesada: cerne vermelho, com tons de vermeIho-
chocolate, às vezes levemente arroxeados; textura média; superfície pouco lustrosa;
cheiro imperceptível e gosto ligeiramente adstringente.
- Angelins-vermelho (angelim-pedra verdadeiro, faveira-grande): madeira pesada;
cerne vermelho, com tons de castanho a rosado, às vez.es com manchas castanho-
escuro; textura média; superfície sem brilho e lisa; cheiro característico na madeira
verde e gosto imperceptível.
- Angico-preto (angico, angico-rajado, guarapiraca): madeira pesada; cerne
vermelho, variando do castanho avermelhado quando recém-cortado ao vermelho-
queimado, com abundantes veios ou manchas arroxeadas; textura média, áspera;
gosto ligeiramente adstringente e cheio indistinto.
- Jatobá (jataí, jataúba): madeira pesada; cerne vermelho, com tons do castanho-claro
rosado ao castanho avermelhado: textura média; superfície pouco lustrosa e
ligeiramente áspera; cheiro e gosto imperceptíveis.
9.2.2.2 Parafusos
Eles podem ser de ferro fundido preto ou galvanizados. Podem ser com porca
(parafusos franceses) ou de fenda, com cabeça chata ou cabeça redonda. Os
parafusos de fenda para madeira têm a ponta cónica (de rosca soberba), sendo que,
para metal, têm o mesmo diâmetro em toda a extensão.
Existem parafusos e ganchos galvanizados apropriados para as telhas de
fibrocimento, que são fabricados com 10 mm, 11 mm e 20 mm de comprimento, sendo
estes últimos para as cumeeiras e espigões.
101
9.2.3 Documentos necessários
Projetos de arquitetura e de telhado (estrutura, cobertura de telhas e calhas).
9.2.4 Materiais e equipamentos
Tabela 19 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 EPCs e EPIs (capacete, botas de couro e cinto trava-quedas tipo paraquedista)
2 Guincho
3 Lápis de carpinteiro
4 Linha de náilon
5 Mangueira de nível ou aparelho de nível a laser
6 Martelo
7 Nível de bolha de 30 cm
8 Serrote
9 Trenas de aço de 5 m e 30 m
Mais os seguintes (os que forem necessários para a obra):
10 Bancada de carpinteiro
11 Cunhas de madeira dura
12 Esquadro metálico de carpinteiro
13 Imunizante â base de pentaclorofenol ou similar
14 Madeira serrada de espécie e dimensões apropriadas
15 Parafusos e ferragem
16 Pincelote
17 Pregos
18 Serra circular elétrica portátil
19 Tinta a óleo
9.2.5 Execução
9.2.5.1 Condições iniciais
A laje a ser coberta deve estar desobstruída e limpa. A caixa d'água (se houver),
o barrilete e as calhas têm de estar instalados. A alvenaria (que existir) de platibanda,
de oitão e de pilarete (de apoio de terça) precisa estar concluída. A madeira a ser
utilizada na estrutura necessita ser tratada com imunizante à base de pentaclorofenol
ou similar (contra cupins, brocas e outros insetos destrutivos) e ter resistência mínima
102
apropriada à compressão paralela às fibras. Essa madeira tem de estar seca e isenta
de rachaduras, nós, empenamentos ou outros defeitos.
9.2.5.2 Disposições construtivas
As terças devem ser posicionadas de maneira a transmitir as cargas
diretamente sobre os nós das tesouras (estruturais) ou sobre os pontaletes (das
estruturas pontaletadas).
Figura 51 - Posicionamento das peças de madeira
O madeiramento tem de ser montado de modo que o alinhamento das peças
seja rigoroso, formando painéis planos de telhado, sem concavidades nem
convexidades. As emendas de terças precisam ser feitas sobre os apoios ou deles
afastadas aproximadamente um quarto do vão, com chanfros a 45° no sentido do
diagrama de momentos fletores, ou seja, os esforços na emenda devem ser de
compressão e nunca de tração.
Figura 52 - Esforços na tesoura
103
Recomenda-se que as emendas sejam feitas com talas de madeira,
posicionadas nas duas faces laterais da terça. A estrutura principal da cobertura, isto
é, as tesouras, os pontaletes e/ou vigas principais, precisa ser ancorada ao corpo da
edificação. Os entalhes e os cortes das emendas, as ligações e as articulações devem
apresentar superfície plana e com angulação apropriada, de modo que o ajuste das
peças seja o mais exato possível, sem folgas, frestas ou falhas.
9.2.5.3 Estrutura com tesouras
Figura 53 - Estrutura com tesouras
Recomenda-se montagem de kits contendo o madeiramento necessário para a
cobertura de cada ala ou bloco da edificação, os quais precisam ser devidamente
identificados (lado, posição etc.) com o uso de um lápis de carpinteiro ou tinta.
Depois da montagem e do posicionamento das tesouras, inicia-se a
complementação da estrutura pela colocação das terças laterais da laje de cobertura
(junto das calhas). É importante manter o alinhamento dessas terças em relação à
alvenaria da lateral da edificação e também o alinhamento entre as duas terças de
extremidade, o que significa que essas duas terças de extremidade têm de correr
paralelas. Em seguida, os topos dessas terças necessitam ser nivelados com
mangueira de nível ou nível a laser, fazendo-se os ajustes com o uso de cunhas, se
necessário, e depois fixar as duas terças das laterais da edificação.
104
Após fixar as terças de baixo é preciso posicionar e nivelar as terças de
cumeeira, definindo a cota de nível da terça, e colocando-se cunhas caso a altura do
apoio seja inferior à determinada em projeto. As terças de cumeeira devem estar
paralelas e centralizadas em relação às terças das extremidades laterais.
Uma vez fixadas as terças das laterais do edifício e as de cumeeira, é preciso
iniciar o posicionamento e a fixação das terças intermediárias (quando houver).
Recomenda-se esticar uma linha de náilon entre o topo da terça da lateral e o topo da
terça de cumeeira e em seguida posicionar a(s) terça(s) intermediária(s), encostando
o topo desta(s) na linha, podendo utilizar-se de cunhas de madeira para ajustes. A(s)
terça(s) intermediária(s) também têm de estar paralela(s) e centralizada(s) em relação
às terças de extremidade lateral e as de cumeeira.
Recomenda-se que os arremates das extremidades dos caibros, na parte
superior (cumeeira), sejam feitos antes da fixação destes, enquanto na extremidade
inferior sugere-se que sejam executados somente após a fixação de todos os caibros,
atentando para o comprimento do eventual beiral, conforme projeto. O alinhamento
destes arremates pode ser dado por meio de uma linha de náilon.
Antes da fixação das ripas, é necessário identificar a galga (distância entre os
apoios) das telhas. Um método prático é a montagem de uma fiada de telhas para
depois determinar o comprimento médio que será utilizado como galga. Após a
definição da galga, é preciso confeccionar guias para o ripamento.
Colocam-se as ripas a partir dos beirais ou calhas no sentido das cumeeiras,
com o auxílio da guia, cuidando para o alinhamento delas durante a colocação. As
emendas de ripas devem ser feitas de topo, sempre sobre os caibros. O apoio inferior
da primeira fiada de telhas (junto da calha) pode ser constituído por duas ripas
sobrepostas ou por uma testeira, de forma a compensar a espessura da telha de apoio
ali inexistente e assim garantir a planeza do telhado. Analogamente, precisam ser
pregadas ripas duplas na última fiada (junto da cumeeira).
9.2.5.4 Estrutura com pontaletes
As vigas principais da estrutura, a terça de cumeeira e as demais terças são
apoiadas sobre pontaletes (e estes apoiados sobre a laje), devendo ser
contraventadas com mãos-francesas e/ou diagonais. As mãos francesas e/ou as
105
diagonais têm de ser colocadas dos dois lados dos pontaleles, sendo recomendável
que a estrutura seja contraventada em duas direções ortogonais, isto é, na direção do
alinhamento dos pontaletes e na direção perpendicular a esta.
Recomenda-se que o apoio da peça de madeira (cumeeira, terça ou viga
principal) sobre o pontalete seja feito por encaixe: pode-se empregar, ainda, talas
laterais de madeira, fitas ou chapas de aço. Os pontaletes não podem se apoiar
diretamente sobre a laje de cobertura, mas sim sobre sapatas de base, constituídas
por pedaços de viga de madeira. Da mesma forma, as vigas principais precisam
apoiar-se sobre coxins, cintas de amarração ou frechais, e não diretamente sobre as
paredes. As terças podem ser apoiadas nos oitões de alvenaria, desde que sejam
adotados reforços na região do apoio. Eventualmente, as vigas de madeira da
estrutura podem ser apoiadas em pilaretes de alvenaria devidamente amarrados.
Figura 54 - Estrutura com pontaletes
Para exemplicar melhor as duas estrututas, tem-se uma imagem ilustrando cada
uma delas logo abaixo, onde a imagem superior representa a estrutura de cobertura
com tesoura e a inferior representa a estrutua com pontaletes.
106
Figura 55 - Exemplo das estruturas
9.3 TELHAS
Conhecer os tipos de telhas e suas características é fundamental para fazer-se
a melhor escolha para o um projeto, seja de uma reforma, uma construção do zero ou
uma obra industrial.
Um telhado que foi pensado junto com toda a arquitetura da edificação, com a
escolha correta do tipo de telha e executado de acordo com o projeto, além da beleza,
proporciona o conforto térmico, iluminação adequada e sofisticação.
Aqui serão citados alguns tipos de telha comumente conhecidos no mercado e
suas respectivas características.
9.3.1 Telha ondulada de CRFS (cimento reforçado com fios sintéticos)
A telha ondulada de CRFS é um produto de grande versatilidade para
coberturas e fechamentos laterais em obras de qualquer porte. Vence grandes áreas
de telhado com rapidez de montagem e fixação, exigindo, ainda, estrutura de apoio
simplificada. É econômica, resistente e durável, oferecendo uma variada gama de
peças complementares que preenchem as exigências de arquitetos, projetistas e
construtores.
Muito eficiente, indicada para coberturas residenciais, galpões, depósitos e
obras em geral. Pode ser utilizado para fechamentos laterais.
107
Figura 56 - Telha ondulada de CRFS
Trata-se de produto fabricado com mistura homogênea de cimento portland,
agregados naturais e celulose, reforçada com fios sintéticos de polipropileno. Suas
dimensões padronizadas são;
Espessura: 6 mm e 8 mm;
Comprimento: 1,22m; 1,53m; 1,83m; 2,13m; 2,44m; 3,05m; 3,66m;
Largura: 1,10m (útil: 0,885m ou 1,05m conforme recobrimenlo).
A tabela a seguir mostra o peso de cada peça de acordo com o seu
comprimento e o número de apoios necessários para fixá-la de acordo com o
tamanho, peso e comprimento da peça:
Tabela 20 - Dimensões das peças
Pesos nominais (kg) Número de
Comprimentos (m)
6 mm 8 mm apoios
1,22 16,3 21,7
1,53 20,4 27,2
2
1,83 24,4 32,5
2,13 28,4 37,9
2,44 32,5 43,4
3,05 40,7 54 3
3,66 48,8 65
A telha ondulada de CRFS pode ser empregada tanto em coberturas como em
fechamentos laterais. Considera-se fechamento lateral a telha colocada com
108
inclinação acima de 75°. Podem ser aplicadas em qualquer tipo de estrutura (metálica,
madeira, concreto) desde que atendam as características necessárias para cada tipo.
9.3.1.1 Fixação
Parafusos ou ganchos com rosca e vedação com arruelas e buchas na segunda
e na quinta onda.
9.3.1.2 Forma das superfícies (coberturas e fechamentos laterais)
Toda cobertura ou fechamento lateral com telha ondulada de CRFS deve ter
uma superfície plana ou poliédrica. Deverá ser composta unicamente de partes
planas, sem formar superfícies reversas (torcidas) ou curvas, tanto longitudinal quanto
transversalmente.
Ao transformar uma superfície curva em poliédrica, os planos que a compõem
não devem formar entre si ângulos superiores a 6°com cordão de vedação.
Figura 57 - Superfície curva
9.3.1.3 Limpeza das telhas
A limpeza das telhas é feita sempre com água corrente. Pode-se utilizar
mangueira ou máquinas de jateamento com baixa pressão. Para eliminar manchas e
facilitar a limpeza, pode-se utilizar água sanitária na proporção de 2%. Utilize esponja
ou pano macio. Nunca usar escova de aço para a limpeza.
9.3.2 Telha cerâmica
A telha cerâmica, uma das mais antigas e acessíveis opções de telha
disponíveis, ainda é uma opção muito popular nos dias de hoje, pois adequa-se muito
109
bem ao clima tropical predominante brasileiro e oferece uma ótima relação de custo-
benefício.
A fabricação das telhas cerâmicas é feita quase que pelo mesmo processo
empregado pira os tijolos comuns, com algumas modificações apenas, como o barro
que deve ser mais fino e homogéneo, nem muito gordo item muito magro, a fim de ser
mais impermeável sem grande deformação no cozimento. A moldagem varia; pode
ser feita por extrusão seguida da prensagem, ou diretamente por prensagem. O
cozimento é feito nos mesmos tipos de forno, entretanto a secagem tem de ser mais
lenta que para os tijolos, para diminuir a deformação.
9.3.2.1 Tipos de telhas cerâmicas
Telha Americana: Necessitam inclinação mínima de 30%, tamanho aproximado de
43cm, consumo médio de 16un/m², peso de 36 kg/m². Geralmente são encontradas
nas cores vermelha, branca e mesclada (vermelha e branca). Capa e bica são
separadas.
Telha Colonial: Necessitam de inclinação mínima de 30%, tamanho aproximado de
48cm, consumo médio de 24un/m², peso de 57,6kg/m². A capa e bica são separadas.
São encontradas nas cores vermelha, branca e mesclada (vermelha e branca).
Telha Italiana: Necessitam de inclinação mínima de 30%, tamanho aproximado de
41cm, consumo médio de 14un/m², peso de 38,50kg/m². É uma única folha de capa e
bica.
Telha Romana: Necessitam de inclinação mínima de 30%, tamanho aproximado de
40cm, consumo médio de 16un/m², peso de 38,40kg/m². É uma única folha de capa e
bica.
Telha Portuguesa: Necessitam inclinação mínima de 30%, tamanho aproximado de
41cm, consumo médio de 17un/m², peso de 40,8kg/m². É uma única folha de capa e
bica.
Telha Francesa: São telhas praticamente planas, sem a formatação capa e bica, por
isso exigem inclinação maior (por volta de 36%), tem tamanho aproximado de 41cm,
consumo médio de 16un/m², peso de 43,2kg/m².
110
Figura 58 - Tipos de telhas cerâmicas
9.3.2.2 Exigências a serem atendidas
Ausência de fissuras, esfoliações, quebras ou rebarbas que prejudiquem o
perfeito acoplamento entre as telhas;
Queima adequada e uniforme;
Peso reduzido;
Fraca absorção de água e impermeabilidade;
Regularidade de forma, dimensões e coloração;
Superfície sem rugosidade;
Arestas finas;
Baixa porosidade;
Resistência a flexão.
As telhas não devem apresentar:
Esfoliação, defeito em forma de escamação ou desagregação da massa
cerâmica em partes da telha;
111
Fissura, abertura estreita que atravessa total ou parcialmente o corpo da telha
na direção de sua espessura;
Rebarba, não pode apresentar, sobra de material presente nas bordas de uma
telha prejudicando o encaixe ou as condições especificadas;
Quebrado, se faltar alguma parte que prejudique seu encaixe ou as condições
especificadas.
9.3.2.3 Características
– Isolamento Térmico: a argila queimada ou cozida tem bom comportamento
térmico, atuando como isolante tanto para o frio como para o calor.
– Isolamento Acústico: Inibe a propagação externa de sons aéreos.
– Difusão do Vapor: Graças à sua porosidade, a argila cozida absorve a umidade
interior das coberturas nos dias úmidos e chuvosos, eliminando-a em condições mais
adequadas sob a ação do calor ou vento.
– Variação de Volume: A expansão por umidade e a expansão térmica são reduzidas
ao mínimo quando se usa argilas convenientemente processadas e submetidas à
queima em condições controladas.
– Resistência ao Fogo: Produtos concebidos da argila, por sua natureza, não são
inflamáveis.
9.3.2.4 Estocagem
Devem ser empilhadas na vertical com a parte inferior para baixo e em terreno
firme e plano, o mais próximo possível do local onde serão empregadas.
As pilhas devem ter, no máximo, três fiadas. As telhas cerâmicas são produtos
quebráveis, deve-se portanto acompanhar a descarga, evitando perdas de material.
É recomendável que as pilhas de todos tipos de telhas sejam cobertas com
lonas. Recomenda-se, também, que seja adquirida uma quantidade de telhas
aproximadamente 5% superior à calculada para o trabalho, com a margem de folga
para compensar eventuais quebras no transporte e manuseio.
112
9.3.2.4 Execução do serviço
Durante a execução do telhamento é necessário dispor pilhas de telhas sobre
a trama, nos cruzamentos dos caibros com as ripas, evitando que o montador caminhe
com telhas na mão sobre parte já coberta. É preciso iniciar a colocação da primeira
fiada sempre pelos cantos e tendo como referência a ripa (dupla) e/ou tabeira do
madeiramento.
O alinhamento inclinado pode ser obtido por meio de uma régua de alumínio
que deverá ser utilizada como guia. É recomendável que as telhas sejam amarradas
nas ripas, paia prevenir o deslocamento e mesmo até o destelhamento devido a ação
do vento.
Durante a colocação, é recomendável que as telhas sejam posicionadas
simultaneamente em todas as águas do telhado, para que o seu peso seja distribuído
uniformemente sobre a estrutura de madeira. É necessário executar o emboçamento,
com argamassa industrializada para assentamento, das peças complementares
(cumeeiras, espigão, arremates etc).
Recomenda-se utilizar uma linha de náilon esticada para obter um alinhamento
perfeito das telhas da cumeeira. Para os arremates de beirais laterais, pode ser
utilizado um sarrafo pregado a tabeira para facilitar o assentamento e melhorar o
alinhamento, o qual deverá ser retirado apôs amarração das telhas de arremate das
extremidades. Após o cobrimento com telhas, têm de ser colocados os rufos.
9.3.3 Telha ondulada de poliéster
Trata-se de chapa ondulada de poliéster reforçado com filamentos de vidro,
apresentada em diversos perfis adaptáveis a telhas de outros materiais, como as de
fibrocimento. Suas dimensões são:
Espessura: (1 ± 0.2) mm;
Comprimento: de 1,22m a 12,0m;
Largura: de 0,50m a 1,10m.
O peso varia de 1,4kg/m² a 1,8kg/m². São incolores, translúcidas, flexíveis,
resistentes a gases industriais, óleos, gasolina e agentes químicos.
113
Sua utilização básica é em coberturas, alternando-se muitas vezes com telhas
de outros materiais, com o objetivo de aumentar a luminosidade (iluminação zenital)
do ambiente que está sendo coberto.
São fixadas sobre estruturas metálica ou de madeira. Os elementos de fixação
são pregos, parafusos e ganchos com rosca, sempre colocados na crista da onda das
chapas. Alguns fabricantes fornecem calços adaptáveis ao perfil da chapa para
auxiliar sua fixação. A colocação se inicia do beirai para a cumeeira, no sentido oposto
ao dos ventos dominantes na região.
Figura 59 - Telha ondulada de poliéster
9.3.4 Telha ondulada de madeira revestida com alumínio
Trata-se de chapa de madeira compensada, quimicamente tratada, de difícil
combustão e imunizada, com revestimento de folha de alumínio em uma das faces.
Suas dimensões são:
Comprimento: 2,20m;
Largura total 1,00m; útil: 0,86m
Espessura: 6mm.
A declividade mínima é de 10%, o peso é de 4,5 kg/m² e o número de ondas
por telha é de 6,5. Sua utilização básica é na cobertura de construções provisórias
como escritórios de obra e alojamentos, onde se deseja obter melhor conforto
ambiental, graças à aplicação do revestimento de alumínio sobre a telha, e maior
segurança, graças à resistência a impactos provocados por queda acidental de
material de construção sobre a cobertura.
114
As telhas podem ser fixadas sobre estrutura de madeira ou metálica. Quando
utilizada estrutura de madeira, elas são fixadas com pregos de ferro galvanizado, com
cabeça de alumínio e arruela plástica de vedação, sempre na crista da onda da telha.
Quando utilizada estrutura metálica, as telhas são fixadas por ganchos de alumínio,
com rosca na sua parte superior e porca.
Figura 60 - Telha ondulada de madeira revestida com alumínio
Existem alguns outros tipos de telhas que tem características específicas
para quaisquer determinadas situações que se deseja, como telhas de metais,
fotovoltaicas, ecológicas, entre outros. Segue abaixo uma lista de mais exemplos
de telhas que podem ser encontrados no cotidiano.
Telha de Concreto;
Telha de Vidro;
Telha Metálica Galvanizada;
Telha Metálica Galvalume;
Telha Termoacústica (sanduíche);
Telha Ecológica;
Telhas de Policarbonato;
Telha Calhetão;
Telhas Translúcidas de Polipropileno;
Telha Cerâmica Fotovoltaica;
Telha Gravilhada.
115
10 ACABAMENTOS
A parte final da obra e a que apresenta o maior número de detalhes. Nessa
etapa, deve-se tomar o maior cuidado possível, pois é ela que irá vender o
empreendimento, pois será a parte visível da obra e o que o cliente irá reparar na
verdade.
Para essa etapa, é imprescindível que o gestor conheça os diversos tipos de
argamassas disponíveis no mercado e qual a melhor para cada situação. Outro
detalhe bastante relevante é o traço de cada argamassa, pois para cada finalidade,
deve ser utilizado um diferente.
A Tabela 21 nos mostra cada tipo de argamassa junto com as determinadas
aplicações das mesmas.
Tabela 21 - Tipos de argamassas
Tipo de Argamassa Aplicação
Indicada para ambientes internos. Pode ser utilizada em
Argamassa AC-I áreas secas ou molhadas protegidas do sol, como banheiros
e cozinhas.
Pode ser utilizada em ambientes internos e externos. Ela é
capaz de absorver as variações de temperatura, umidade e
Argamassa AC-II
ação do vento. Por isso é recomendada para fachadas, pisos
em áreas externas e revestimento de piscinas de água fria.
É a mais aderente de todas e é indicada para peças maiores
do que 60x60cm. Pode ser utilizada em ambientes internos e
Argamassa AC-III
externos e é indicada para aplicação de revestimentos em
fachadas, piscinas de água quente e sauna.
A Tabela 22 mostra os determinados traços das argamassas para tipo de uso
que se pretende.
116
Tabela 22 - Traços da argamassa
Tipo de Uso Traços (cim/cal/areia)
01:00:06
Regularização (Contrapiso)
01:00:12
Assentamento tijolo cerâmico 01:04:16
Assentamento bloco de concreto 01:01:12
Chapisco 01:00:08
Reboco 01:04:18
Emboço 01:01:12
Colante 01:02:08
10.1 ESQUADRIAS
Esquadria é o nome que se dá, em um projeto ou obra, às janelas, portas,
portões, venezianas e demais aberturas dessa natureza. Esse é um dos itens mais
importantes de uma obra, e muitas vezes figura entre os mais custosos, geralmente
variando de 9 a 18% do total de uma construção de alto padrão.
Existe uma infinidade de tipos de esquadrias para sua obra. É um passo muito
importante escolher corretamente, não apenas por questões estéticas, mas também
por desempenho. Podemos pensar nas esquadrias divididas em dois grandes grupos:
as esquadrias prontas, que são adquiridas em lojas de varejo, em medidas padrão
pré-determinadas e as esquadrias feitas sob medida para a obra, realizadas sob
encomenda, conforme o projeto.
São muitos os tipos de esquadrias e eles variam não somente em relação ao
material, mas também a natureza da abertura. Vamos vislumbrar as esquadrias mais
comuns, para que seja possível entender quais as principais diferenças entre elas.
10.1.1 Janelas
Janela é um conjunto composto por batente (marco) e folhas, que controlam o
fechamento de um vão à iluminação e a ventilação.
117
10.1.1.1 Tipos
De correr: uma ou mais folhas móveis por translação horizontal no seu plano;
De guilhotina: uma ou mais folhas móveis por translação vertical no seu plano;
De abrir: uma ou duas folhas giratórias de eixo vertical ao longo de uma
extremidade da folha;
Pivotante: folha móvel por rotação em torno de um eixo vertical, não situado
nas bordas da folha;
Basculante: uma ou mais Tolhas móveis por rotação em torno de um eixo
horizontal qualquer, não situado nas hordas da folha;
Projetante e de tombar: folha móvel por projeção para o exterior ou o interior
do ambiente.
Figura 61 - Tipos de janelas
10.1.1.2 Condições específicas
Os materiais e acessórios utilizados nos caixilhos de janela precisam estar de
acordo com as normas a eles pertinentes. Cabe ao responsável pelo projeto das
118
janelas atender às exigências do usuário, selecionando e recomendando a janela
adequada ao local de uso. As condições principais são:
Estanqueidade ao ar: características da janela em proteger os ambientes
interiores da edificação das infiltrações de ar que possam causar prejuízo ao
conforto dos usuários e/ou gastos adicionais de energia para a climatização do
ambiente, tanto no calor como no frio. O projetista precisa tomar as cautelas
necessárias para a escolha da janela apropriada ao local de uso de acordo com
critério estabelecido nas normas técnicas;
Estanqueidade à água: característica da janela em proteger o ambiente
interior da edificação das infiltrações de água provenientes de chuva,
acompanhada ou não de vento. O projetista, quando da escolha da janela, deve
levar em consideração o estabelecido também nas normas técnicas;
Resistência a cargas uniformemente distribuídas: característica da janela
em suportar pressões de vento estabelecidas e que têm de ser
compatibilizadas pelo projetista, segundo o seu local de uso;
Resistência a operações de manuseio: característica da janela em suportar
os esforços provenientes de operações de manuseio prescrita nas normas. O
projetista precisa atender ás exigências da especificação;
Comportamento acústico: característica da janela em atenuar, quando
fechada, os sons provenientes de ambientes externos. O projetista deverá
encontrar a compatibilização entre o caixilho escolhido e as condições de uso
necessárias.
Inspeção: é feita no local de fabricação, onde se confere se as características
da janela estão de acordo com a especificação à luz das exigências definidas
pelo projetista.
10.1.2 Portas
Conjunto funcional formado por batente (ou marco), alisar (guarnição) e folha
(na qual são fixadas as ferragens).
10.1.2.1 Componentes
O batente é o elemento fixo que guarnece o vão da parede onde se prende a
folha de porta, e que tem um rebaixo contra o qual a folha de porta se fecha. Ele não
119
deve apresentar defeitos visuais sistemáticos, tais como desvios dimensionais além
dos limites tolerados, rachaduras, nós, bolsas de resina, encurvamento superior a
3mm, arqueamento superior a 5mm, lascamento de cantos ou alteração da espécie
da madeira especificada. Pode ser confeccionado com madeira ou com chapa
dobrada de aço galvanizado.
A folha é a parte móvel da porta (que se abre e se fecha), ela não pode
apresentar defeitos sistemáticos relativos a dimensões, formato das folhas (esquadro
e planeza) e aspecto superficial (presença de nós, bolsas de resina, manchas,
irregularidades de superfície, etc.). Nas portas que terão acabamento encerado ou
envernizado, observar o número máximo de duas emendas por folha. Elas devem
dispor de reforço para fixação da fechadura e dobradiças
O alisar (ou guarnição) é a peça fixada ao batente e destinada a emoldurá-lo
(para arremate junto da parede).
Figura 62 - Componentes de uma porta
10.1.2.2 Instalação
A alvenaria deve estar concluída, com vãos prontos para o recebimento dos
batentes. Este pode ser fixado por meio de grapas ou por parafusos com bucha de
náilon.
120
Em se tratando de fixação do batente por parafusos em blocos cerâmicos
vazados, os que estiverem posicionados na altura em que será parafusado o batente
têm de estar preenchidos com argamassa.
Os níveis finais do piso acabado necessitam estar definidos. Os batentes de
madeira, quando for o caso, devem estar montados no esquadro, travados com
sarrafos e com os furos abertos para os parafusos de sua fixação.
Pode-se fixar as ombreiras com cunhas de madeira pressionadas contra as
faces da alvenaria do vão para travar o conjunto, afastadas cerca de 10cm dos pontos
de fixação (por parafusos ou espuma).
Figura 63 - Instalação da porta
No caso de batente lixado com parafusos, assentá-lo na alvenaria utilizando
furadeira, broca, parafusos e buchas. No caso de batente de madeira, colar, após a
fixação as cavilhas nos furos de parafuso de fixação com cola branca, cortando-as
rentes à face do batente com utilização de formão.
121
Figura 64 - Esquadrias de madeira
É importante lembrar que para a utilização adequada de esquadrias deve-se
fazer o uso de vergas e contra-vergas para janelas e uso de vergas para as portas,
pois desta maneira irá evitar trincas e rachaduras nas mesmas, não gerando
problemas posteriores na construção e prolongando assim o seu tempo de
funcionamento.
10.1.3 Esquadrias de ferro
A instalação das peças de serralheria deverá ser feita com o rigor necessário
ao perfeito funcionamento de todos os seus componentes, com alinhamento, nível e
prumo exatos, e com os cuidados necessários para que não sofram tipo algum de
avaria ou torção quando parafusadas aos elementos de fixação.
Todos os perfis laminados (cantoneiras) e chapas dobradas a serem utilizados
nos serviços de serralheria terão de apresentar dimensões compatíveis com o vão e
com a função da esquadria, de modo a constituírem peças suficientemente rígidas,
não sendo permitida a execução de emendas intermediárias para a obtenção de perfis
com maior comprimento.
10.1.3.1 Documentos de referência
Projetos de arquitetura, de esquadrias, de fachadas e de alvenaria (quando
houver), especificações técnicas do fabricante de caixilhos (se existir).
122
10.1.3.2 Materiais e equipamentos
Além daqueles existentes obrigatoriamente no canteiro de obras, quais sejam,
dentre outros:
Tabela 23 - Materiais e equipamentos utilizados
Materiais e equipamentos utilizados
1 Água limpa
2 Areia média lavada
3 Cimento portland CP-II
4 Colher de pedreiro
5 Desempenadeira de madeira
6 EPCs e EPIs (capacete, botas de couro e luvas de borracha)
7 Furadeira elétrica portátil com brocas
8 Guincho
9 Lápis de carpinteiro
10 Linha de náilon
11 Mangueira de nível ou aparelho de nível a laser
12 Marreta de 1 kg
13 Martelo de pedreiro
14 Níve! de bolha com 35cm
15 Prumo de face de cordel
16 Régua de alumínio
17 Talhadeira de 12"
18 Trena de aço de 30m
Mais os seguintes:
19 Cunha de madeira
20 Esquadrias de ferro (portas e janelas, marcos e folhas)
21 Esquadro de alumínio
22 Grapas
23 Parafusos com buchas de náilon
24 Sarrafos de madeira
123
10.1.3.3 Execução
O método executivo é bem parecido com as esquadrias de madeira, pois
alvenaria necessita estar concluída e fixada, precisando os vãos estar com folga para
a colocação dos marcos. Próximo aos vãos de janela, devem estar indicados os
pontos de nível em relação ao piso acabado e no caso de fixação por parafusos e
buchas, os blocos vazados da alvenaria têm de estar preenchidos com argamassa.
A fixação de esquadrias em alvenaria será feita com grapas de ferro chato
bipartido tipo cauda de andorinha ou com parafusos apropriados fixados com buchas
plásticas expansíveis.
Os vidros podem ser fixados por meio de baguetes, guarnições ou com massa
de vidraceiro. A folga entre vidro e baguete deve ser preenchida com massa plástica.
Desta maneira, tem-se os seguintes pontos na fase de execução das janelas
de ferro:
O dimensionamento dos perfis, cantoneiras e chapas devem ser feitos por
profissional habilitado e experiente, pois estarão sujeitas as tensões de uso;
A esquadria deve ter rigidez e estabilidade suficientes com chumbadores
(grapas) colocados distantes uns dos outros não mais do que 60 cm e
solidarizadas com argamassa de cimento e areia no traço 1:3;
No caso de peças de grande vão e peso, verificar se os reforços (tirantes,
mãos-francesas) são suficientes para garantir a segurança do conjunto,
lembrando sempre que haverá movimentação de folhas;
No caso de uso de buchas plásticas expansíveis, garantir que as mesmas
estejam bem solidarizadas na alvenaria ou no concreto;
Após a consolidação do chumbamento, testar o funcionamento dos
basculantes, janelas de correr, máximos-ares, venezianas etc. e proceder os
ajuste se necessário;
Conferir a limpeza e execução da proteção contra ferrugem e pintura final;
Obs: Uma das limitações do ferro é a sua manutenção. É aconselhável que
sejam efetuadas 2 (duas) demãos de esmalte sintético nas esquadrias de ferro
(grelhas, portões, gradis, etc) a cada 12 (doze) meses para se ter uma boa
conservação.
124
Figura 65 - Esquema instalação de esquadrias de ferro
125
10.1.4 Esquadrias de alumínio
A maioria dos metais, quando expostos ao meio ambiente, sofre um processo
de oxidação. Esse processo, vulgarmente denominado de corrosão, que pode atingir
diversos graus de severidade, transforma a superfície do metal, modificando o seu
aspecto e as suas propriedades mecânicas.
A anodização é um excelente meio de proteger o alumínio pois assegura uma
proteção eficiente desse metal contra as intempéries, conferindo-lhe paralelamente
aspecto uniforme e mais estético.
126
Importantes razões justificam o uso de esquadrias de alumínio anodizado:
Economia: dispensam lixamento, pintura, conservação periódica e outros
custos (as esquadrias padronizadas de baixo custo, possibilitam que um
material nobre como o alumínio seja utilizável em obras populares);
Leveza: as ligas metálicas de alumínio são resistentes e de baixo peso
específico, proporcionando que a esquadria confeccionada com alumínio seja
duas vezes mais leve que a com aço. As esquadrias feitas com alumínio são
fáceis de assentar, transportáveis a baixo custo e aliviam a carga permanente
da edificação (o que possibilita economia na sua estrutura);
Durabilidade: as esquadrias de alumínio anodizado são imunes à ação do
tempo, tendo durabilidade quase ilimitada. Essa propriedade é particularmente
importante nas regiões litorâneas, nas regiões industriais e grandes centros
urbanos, onde o ar atmosférico é mais agressivo;
Perfeição de acabamento: a maleabilidade do alumínio permite que todos os
detalhes que valorizam a obra possam ser executados com perfeição. O
alumínio também é indeformável, de modo que as esquadrias não ficam
sujeitas a rachaduras, empenamentos e variações de volume;
Estética: o alumínio permite a produção de perfis com formas capazes de
assegurar excelentes efeitos visuais.
10.1.4.1 Condições específicas
As esquadrias de alumínio devem apresentar:
Estanqueidade ao ar (resistência à penetração do ar): é importante do ponto
de vista do conforto térmico e acústico. Porém, em caso de utilização de
sistemas de condicionamento de ar, o não atendimento às condições das
normas técnicas representa perda significativa de energia;
Estanqueidade a água: está intimamente relacionada com a durabilidade da
edificação. O não atendimento às condições das normas leva frequentemente
a custos de manutenção que afetam pisos e paredes;
Resistência ao vento: danos às esquadrias com necessidade de substituição
são frequentes, em casos de não atendimento ás condições técnicas que dizem
respeito à resistência ao vento;
127
Anodização: a camada de anodização tem de ser especificada em função das
condições de exposição. Por exemplo, em regiões litorâneas e sujeitas a
grande concentração de poluentes no ar devem ter proteção anódica
adequada, conforme previsto nas normas técnicas.
A espessura da camada anódica é em função da agressividade da atmosfera
da região. Desta forma, a escolha da classe de espessura terá de obedecer aos
seguintes critérios:
- Classe de 25 micrometros: para combinação de atmosferas marítima e industrial
severa;
- Classe de 15 micrometros: para atmosfera marítima ou industrial bastante severa ou
ainda atmosfera de regiões medianamente industriais (urbanas) não muito próximas
do mar;
- Classe de 10 micrometros: para atmosfera de região rural, praticamente sem
poluição industrial ou marítima, ou atmosfera urbana moderada longe do mar;
- Classe de 8 micrometros: para atmosfera rural, em clima seco e quente, ou
ambientes interiores ligeiramente úmidos.
Nas esquadrias de alumínio em geral, encontram utilização três tipos de
guarnição (molduras):
Guarnições para vidros: colocadas entre o perfil de alumínio e o vidro,
asseguram a hermeticidade (qualidade daquilo que está fechado) ao ar e à água.
Mantém o vidro isolado do metal, impedindo dessa forma a transmissão de ruídos e
vibrações e preenchem o espaço vazio entre alumínio e vidro, possibilitando a
utilização de diferentes espessuras de vidros nas cavidades-padrão de perfis de
alumínio;
Guarnições de encosto: aplicadas entre o quadro fixo e o quadro móvel
(folha), asseguram a hermeticidade ao ar e à água, proporcionando ainda atenuação
acústica; essas guarnições corrigem e melhoram os acoplamentos que os perfis, pelas
próprias características construtivas e dos mesmos materiais, não poderiam garantir;
128
Guarnições de estanqueidade: aplicadas entre quadros fixos e concreto, são
inseridas para evitar passagem do ar e da água, e cobrir ou vedar espaços (de
tolerâncias de fabricação) entre esquadrias, o contramarco e o vão de concreto.
10.1.4.2 Materiais e equipamentos
Tabela 24 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Alicate
2 Andaime
3 Arame recozido
4 Argamassa de cimento e areia traço 1:3 em volume
5 Caixa pláslica para acondicionar argamassa
6 Colher de pedreiro
7 Eletrodos
8 EPC's e EPI's (capacete, botas, cinto de segurança para trabalhos externos)
9 Esquadrias (inclusive contramarcos)
10 Esquadro metálico
11 Furadeira elétrica
12 Gabaritos
13 Máquina de solda
14 Marreta de 0,5kg
15 Martelo
16 Nível de bolha de 30cm
17 Prumo de face
18 Régua de alumínio
19 Trenas metálicas de 5m e 30m
10.1.4.3 Execução
Medição de vão: É a primeira etapa do processo. A medição do vão confirmará
e determinará as dimensões, quantidades e os tipos de esquadrias necessários à
obra.
Nesta etapa deve-se ter a definição dos tipos de esquadria, de
revestimento/acabamento da alvenaria, do fechamento da esquadria (faceamento
129
interno, central ou externo) e região de execução do serviço limpa e em condições de
segurança.
Deve-se medir o vão na horizontal (superior, centro e inferior), na vertical
(esquerda, centro e direita) e as diagonais (para verificação do esquadro), conferir a
folga para o chumbamento e conferir a existência de alguma interferência na alvenaria
que possa prejudicar a instalação da esquadria.
Chumbamento do contramarco: O contramarco é o acessório construtivo de
metal ou de madeira, que é colocado em contato direto com a parede, servindo de
base e auxílio à instalação da estrutura de portas e janelas.
A correta execução do chumbamento do contramarco está intimamente ligada
ao desempenho final do produto em relação à sua funcionalidade. Quando mal
executado pode até impossibilitar a instalação da própria esquadria no vão, através
do afunilamento ou empenamento da requadração, além de influir no desempenho da
estanqueidade à água e da permeabilidade ao vento.
Nesta etapa deve-se:
Colocar as gripas no contramarco (100 mm das extremidades e passo de 450
mm a 500 mm);
Prender os gabaritos no contramarco;
Furar a viga, as laterais e a verga para fixar as barras de aço nos locais
correspondentes ás grapas do contramarco;
Soldar as grapas:
Chumbar o contramarco logo após soldar as grapas (não permitir
empenamentos e torções):
Verificar se o chumbamento preencheu por completo o corpo do contramarco
e se não houve deslocamento de prumo, nível e esquadro;
Instalação de esquadria: A instalação deve-se sempre verificar as condições
gerais do produto e do vão antes do início da atividade, atendo-se aos detalhes que
interferem no desempenho final. De qualquer forma, durante a instalação, as
superfícies expostas de alumínio devem ser protegidas com material plástico, que
pode ser de espessura fina e transparente.
130
Preencha a área das grapas com argamassa. Durante a cura, mantenha as
folhas móveis totalmente fechadas e imóveis. Se estiverem lacradas, retire a proteção
apenas depois da cura da argamassa, pois é necessário evitar o contato do alumínio
com produtos alcalinos, tais como argamassas, cimentos, entre outros.
Instalação de vidros: O envidraçamento de esquadrias determina sua
característica de estanqueidade à água e de permeabilidade ao ar, além de
segurança, pois, a previsão incorreta de folgas e calços pode facilitar a quebra do
vidro. Portanto, a colocação de vidros deve ser realizada com atenção, sempre
verificando sua precisão e cuidado no manuseio.
10.1.4.4 Cuidados e limpeza
A fim de evitar contato com produtos alcalinos e ácidos, as peças anodizadas
devem ser protegidas temporariamente com produtos adequados, que são removidos
após eliminadas as causas que poderiam vir a danificar a anodização.
Para limpeza normal, poderá ser utilizado detergente neutro com esponja
macia, álcool diluído ou sabão neutro diluído em água morna. É preciso evitar o uso
de sabão em pó devido à sua composição química além do que os grânulos, quando
não bem diluídos, poderão resultar em abrasivos, atacando a superfície anodizada.
Figura 66 - Esquema instalação de esquadrias de alumínio
131
132
10.2 REVESTIMENTO
Todas as superfícies destinadas a receber revestimento de argamassa de areia
serão chapiscadas com argamassa de cimento e areia, com aditivo adesivo.
O revestimento de argamassa de areia será constituído por camada única de
argamassa industrializada ou pelas seguintes camadas contínuas, superpostas e
uniformes:
- Emboço (massa grossa), aplicado sobre a superfície chapiscada;
- Reboco (massa fina), aplicado sobre o emboço.
Figura 67 - Camadas da argamassa
A alvenaria deve estar concluída e fixada, e os peitoris, marcos (batentes) e
contramarcos têm de estar chumbados. As superfícies das paredes e dos tetos
precisam ser limpas e abundantemente molhadas antes do início da operação.
O fechamento dos vãos destinados ao embutimento da tubulação de prumadas
terá de ser feito com o emprego de tela deployé ou galvanizada tipo galinheiro.
É preciso ser previamente executadas faixas-mestras, de forma a garantir o
desempeno perfeito do emboço (aprumado e plano). A espessura do revestimento de
argamassa tem de ser de acordo com as normas técnicas:
Nas paredes internas: 5 mm ≤ e ≤ 20 mm;
Nas paredes externas: 20 mm ≤ e ≤ 30 mm;
Nos tetos: e ≤ 20 mm.
133
De acordo com a NBR 7200, quando se fizer uso de argamassas preparadas
em obra, as bases de revestimento devem ter as seguintes idades mínimas:
a) 28 dias de idade para as estruturas de concreto e alvenarias armadas estruturais;
b) 14 dias de idade para alvenarias não armadas estruturais e alvenarias sem função
estrutural de tijolos, blocos cerâmicos, blocos de concreto e concreto celular,
admitindo-se que os blocos de concreto tenham sido curados durante pelo menos 28
dias antes da sua utilização;
c) 03 dias de idade do chapisco para aplicação do emboço ou camada única; para
climas quentes e secos. (Com temperatura acima de 30°C, este prazo pode ser
reduzido para dois dias);
d) 21 dias de idade para o emboço de argamassa de cal, para início dos serviços de
reboco;
e) 07 dias de idade do emboço de argamassas mistas ou hidráulicas, para início dos
serviços de reboco;
f) 21 dias de idade do revestimento de reboco ou camada única, para execução de
acabamento decorativo.
Um detalhe importante e que chama atenção é que a cal virgem para
construção deve ser imediatamente extinta.
O revestimento de argamassa pode ser de camada única (argamassa única)
ou de duas camadas (emboço e reboco).
10.2.1 Chapisco
O substrato precisa ser abundantemente molhado antes de receber o chapisco,
para que não ocorra absorção, principalmente pelos blocos, da água necessária à
cura da argamassa do chapisco.
Pode ser industrializado ou preparado na obra. Neste caso, o chapisco precisa
ser feito com argamassa fluida de cimento e areia no traço 1:3 em volume, com adição
de aditivo adesivo (aplicado sobre a alvenaria e a estrutura).
134
A argamassa tem de ser projetada energicamente, de baixo para cima contra a
alvenaria a ser revestida, e aplicada com desempenadeira dentada sobre a estrutura
de concreto.
O revestimento em chapisco se fará tanto nas superfícies verticais ou
horizontais de concreto como também nas superfícies verticais de alvenaria, para
posterior revestimento (emboço ou massa única). A espessura máxima do chapisco
será de 5mm.
10.2.2 Emboço
O emboço somente poderá ser aplicado após a pega completa do chapisco. É
constituído por uma camada de argamassa, nos traços a serem escolhidos, de acordo
com as seguintes finalidades:
- Emboço externo: traço 1:1:4 de cimento, cal em pasta e areia grossa, em volume;
- Emboço interno: traço 1:1:6 de cimento, cal em pasta e areia grossa, em volume.
Uma dica importante é que nunca poderá ser utilizada areia salitrada.
A aplicação terá de ser feita sobre superfície previamente umedecida. A
espessura não poderá exceder a 2cm e deverá resultar em superfície áspera, a fim
de possibilitar e facilitar a aderência do reboco.
A argamassa contendo cimento deverá ser aplicada dentro de duas horas e
meia a contar do primeiro contato do cimento com a água.
10.2.3 Argamassa industrializada para assentamento e revestimento
As principais propriedades exigíveis para a argamassa industrializada (para
revestimento único e assentamento) cumprir adequadamente suas funções são as
seguintes: trabalhabilidade, capacidade de aderência, capacidade de absorção de
deformações, restrição ao aparecimento de fissuras, resistência mecânica e
durabilidade.
As demais propriedades (resistência superficial, resistência à compressão,
capacidade de retenção de água, teor de ar incorporado e durabilidade) também
precisam ser verificadas ao longo do processo de seleção do fornecedor.
135
Revestimento com espessura superior a 2,5 cm deve ser executado em duas
camadas.
10.2.4 Revestimento interno em argamassa única
Recomenda-se utilizar argamassa industrializada (pronta para uso), que é
fabricada com cimento Portland, calcário e aditivos (não contém cal), preparada em
estado seco e homogêneo, necessitando adicionar apenas água na quantidade
requerida.
A espessura do revestimento deve ser entre 1,5cm e 2,5cm. Acima de 2,5cm a
aplicação tem de ser feita em duas camadas.
Deve-se aguardar o puxamento (momento em que, pressionando os dedos,
estes não conseguem penetrar na argamassa, permanecendo limpos) para sarrafear
a argamassa com régua de alumínio apoiada sobre as mestras, de baixo para cima,
recobrindo todas as falhas.
A textura acabada da argamassa única é a do reboco. Podem ser usados os
seguintes tipos de acabamento superficial da argamassa:
- Grosso: para revestimentos em que a espessura global seja maior que 5cm (com
cerâmica, por exemplo);
- Fino: acabamento de base para pintura aplicada diretamente sobre a argamassa;
- Feltrado ou acamurçado: acabamento de base para massa corrida acrílica e posterior
pintura.
10.2.5 Revestimento externo em argamassa única
É aconselhável montar os andaimes sem apoiá-los nas paredes (afastados
cerca de 20cm delas) ou usar balancins (andaimes suspensos).
As juntas de trabalho (juntas de dilatação) têm de ser executadas logo após o
desempeno da superfície.
É importante obedecer à dosagem de água. O seu excesso ou a sua falta altera
a resistência da argamassa.
136
10.2.5.1 Preparo
Para o preparo manual da argamassa, recomenda-se:
Molhar o masseiro onde será virada a argamassa;
Adicionar cerca de 8 L de água limpa para cada saco de 40 kg de massa
industrializada (ou outra proporção, atendendo às recomendações do
fabricante); é importante obedecerá dosagem de água pois o seu excesso ou
a sua insuficiência altera a resistência da argamassa;
Misturar bem até conseguir uma argamassa homogênea e pastosa;
Deixar a argamassa em repouso por 10 min;
Remisturar a argamassa sem adicionar água.
Recomenda-se que sejam feitos, no início da aplicação, os seguintes testes no
revestimento:
- Resistência de aderência a tração: por meio de ensaio de arrancamento, no qual o
limite de resistência de aderência a tração deve ser no mínimo 0,3 MPa;
- Permeabilidade: utilizando-se como equipamento uma câmara aspersora de água
sob pressão (ensaio do cachimbo) na face revestida da fachada, que até 8 h não pode
produzir umidade no lado interno da alvenaria.
10.2.6 Reboco
O reboco só poderá ser aplicado 24h após a pega completa do emboço, e
depois do assentamento dos peitoris e marcos.
Nos locais expostos à ação direta e intensa do sol ou do vento, o reboco terá
de ser protegido de forma a impedir que a sua secagem se processe demasiadamente
rápida.
10.2.6.1 Tipos
Os tipos de reboco são:
Argamassa fina industrializada para interiores: Trata-se de material
industrializado para reboco, à base de cal hidratada e areia classificada, fornecida de
modo a necessitar apenas a adição de água para a sua aplicação.
137
As principais propriedades exigíveis para a argamassa industrializada para
revestimento fino cumprir adequadamente suas funções são as seguintes:
trabalhabilidade, capacidade de aderência, capacidade de absorver deformações,
restrição ao aparecimento de fissuras, resistência mecânica e durabilidade. As demais
propriedades (resistência superficial, resistência à compressão, capacidade de
retenção de água, teor de ar incorporado e durabilidade) também devem ser
verificadas ao longo do processo de seleção do fornecedor.
Argamassa fina industrializada para fachadas: Trata-se de material para
reboco hidrófugo, impermeabilizado, que protege as fachadas das construções contra
a penetração de água de chuva. A argamassa é composta de areia classificada, cal
hidratada, cimento Portland e aditivo impermeabilizante que dá qualidades hidrófugas
ao material. Sua cor é clara, quase branca.
Somente 30 dias após a sua aplicação, a argamassa fina poderá ser pintada
com tinta PVA ou acrílica.
Reboco rústico: O reboco rústico é executado com argamassa no traço 1:4 de
cimento e areia, adicionando corante, quando especificado. É aplicado com a mesma
técnica do chapisco. A aplicação, para obter uniformidade no acabamento, poderá ser
feita projetando a argamassa através de uma peneira.
10.2.7 Pasta de gesso
É aplicada diretamente como revestimento em paredes internas executadas
com blocos, seja utilizado simplesmente como pasta obtida pelo amassamento do
gesso com água, seja em mistura com areia, sob a forma de argamassa. O material
normalmente não se presta para aplicações exteriores por se deteriorar em
consequência da solubilização na água.
O gesso para revestimento não poderá conter menos de 60% de gesso
calcinado. É fornecido sob a forma de pó branco, de elevada finura, cuja densidade
aparente varia de 0,7 a 1,0. A pega do gesso é acompanhada de elevação de
temperatura, por ser a hidratação uma reação exotérmica.
138
Figura 68 - Pasta de gesso
O tempo de pega é:
- Início: de 3min 45s a 16min 40s
- Fim: de 5min 25s a 24min 45s.
Apresenta como propriedades: endurecimento rápido, bom isolante térmico e
acústico, plasticidade da pasta fresca e lisura da superfície endurecida.
As pastas e argamassas de gesso aderem muito bem ao tijolo e aderem mal
às superfícies de madeira. Pode-se executar gesso armado como se faz argamassa
armada de cimento, porém a armadura deve ser de ferro galvanizado. O gesso confere
aos revestimentos considerável resistência ao fogo.
Dispensa chapisco, emboço ou reboco. A espessura mediado revestimento em
gesso é de até 5mm. Mais espessa, torna-se antieconômica e tende a trincar-se.
10.2.8 Revestimento cerâmico de paredes internas
Uma parede revestida com placas cerâmicas é formada basicamente por 6
camadas de materiais diferentes: base, chapisco, emboço, argamassa colante,
rejunte, revestimento cerâmico.
139
Figura 69 - Camadas para o revestimento cerâmico
A argamassa para chapisco deve ter o traço em volumes aparentes de 1:3 de
cimento e areia média úmida.
A argamassa para o emboço deve ter o traço em volumes aparentes variando
de 1:1:6 a 1:2:9 de cimento, cal hidratada e areia média úmida.
Argamassa colante, também conhecida como cimento colante, cimento cola ou
argamassa adesiva, é um produto industrializado, utilizado no assentamento
de placas cerâmicas, tanto de paredes como de pisos.
O tipo de adesivo a ser utilizado depende do ambiente em que a cerâmica está
sendo assentado. A norma brasileira NBR 14081 especifica para paredes
internas a argamassa colante industrializada do tipo AC-I.
A argamassa para rejuntamento, ou simplesmente rejunte, é utilizada no
preenchimento das juntas entre duas placas cerâmicas consecutivas, e tem por
função apoiar e proteger as arestas das placas cerâmicas. Da mesma forma
que para a argamassa colante, o tipo de rejunte a ser usado depende do
ambiente onde será aplicado. Em paredes expostas a ação da umidade, como
por exemplo box de banheiro, deve ser usado rejunte impermeável, para evitar
que a água penetre para o interior da parede, aumentando, com isto, a
durabilidade do revestimento e evitando a eflorescência.
140
Revestimentos cerâmicos para paredes, conhecidos popularmente por
azulejos, são placas cerâmicas fabricadas a partir de uma mistura de argila. As
costas das placas possuem garras, para auxiliar na aderência com a superfície
onde serão assentadas, e são denominadas de tardoz.
Figura 70 - Revestimento cerâmico de paredes internas
10.2.9 Pastilhas
As pastilhas são mosaicos que têm, normalmente, 2.55cm x 2,55cm e
espessura variando entre 4mm e 5mm. São vendidas coladas a folha de papel kraft
para facilitar a colocação. Esse papel deverá ser retirado posteriormente por lavagem
com água levemente cáustica.
Figura 71 - Pastilhas
141
Há pastilhas de porcelana, de faiança, vidradas bem como pastilhas de vidro.
A base para aplicação é o emboço sarrafeado, com acabamento rústico de
argamassa rica em cimento Portland comum, isenta de impermeabilizantes,
devidamente curado (para evitar tensões de retração da argamassa sobre o
revestimento).
A execução do emboço precisa estar concluída no mínimo 10 dias antes do
assentamento do mosaico e não apresentar fissuras, partes ocas ou soltas.
Assentamento de grandes dimensões tem de ser interrompido por juntas de
movimentação (de dilatação) longitudinais e/ou transversais.
Em áreas externas, recomendam-se juntas de dilatação de 12mm em área igual
ou maior a 24m² ou sempre que a extensão do lado for maior que 4m;
Em áreas internas, de 15mm, em área igual ou maior a 32m² ou sempre que a
extensão do lado for maior que 7m.
Nunca usar pastilhas de vidro em pisos e piscinas.
10.2.9 Forros
10.2.9.1 Tipos
Forro de gesso
O acabamento em gesso é um dos mais usuais e é muito característico de
projetos com rebaixamento de gesso, já que adiciona mais estilo e valoriza o
ambiente. O acabamento em gesso se divide em dois tipos:
Tradicional: esse é o tipo mais usado entre os modelos em gesso. O
acabamento é feito através de placas moldadas de gesso que são encaixadas lado a
lado e presas por uma estrutura de arames. O processo de instalação e finalização
geram bastante sujeira, mas o custo-benefício é uma das principais características
desse modelo.
Drywall / Gesso acartonado: para quem não quer sujeiras e busca um
processo de instalação rápida, a melhor opção é o Drywall como aposta para o
142
acabamento. O resultado é semelhante ao do gesso tradicional, e a instalação é feita
em uma estrutura de metal, onde as placas de gesso acartonado são fixadas.
Vantagens:
Iluminação embutida: uma das vantagens no uso de gesso como acabamento,
é a possibilidade de fazer a iluminação embutida através de spots de lâmpadas,
o que garante um resultado muito mais charmoso ao ambiente.
Isolamento acústico e térmico: a capacidade do gesso de isolar barulhos
externos e manter a temperatura agradável é um ponto positivo. E para quem
busca o máximo de conforto contra ruídos, ainda pode usar o gesso acartonado
com lã mineral, aumentando a capacidade de barrar ruídos.
Manutenção fácil: o processo de manutenção também é um ponto forte desse
tipo de material, já que dispensa manutenções frequentes, e em caso de
necessidade é simples de fazer reparos e adequações.
Desvantagens:
Umidade: infelizmente o gesso ainda enfrenta problemas com a absorção de
umidade, e isso é um ponto negativo para o uso do material no acabamento de
áreas úmidas, como banheiro.
Trincas e rachaduras: ao longo do tempo é possível que apareçam trincas e
rachaduras nas placas tradicionais de gesso. Para evitar este tipo de problema,
contrate uma empresa especializada na colocação do acabamento em gesso.
Figura 72 - Forro de gesso
143
Forro de PVC
Este é um dos modelos mais atuais para o acabamento e tem sido muito
utilizado em diferentes tipos de projetos, uma vez que tem muitos fatores positivos.
Figura 73 - Forro de PVC
Vantagens:
Durabilidade: a durabilidade desse tipo de material é muito boa, já que o PVC
pode durar até 40 anos, o que torna a opção muito atrativa.
Rapidez na instalação: a praticidade e rapidez no processo de instalação são
características marcantes desse material. As placas são encaixadas entre si e
dispensam qualquer outro tipo de acabamento, como pintura.
Resistente a umidade: por ser um material industrializado e que se assemelha
a um plástico, o PVC é resistente a áreas úmidas e pode ser usado até mesmo
no banheiro.
Fácil de limpar: a limpeza do PVC é bem simples e com um pano úmido é
possível limpar todo o acabamento com rapidez e praticidade.
Facilidade de fazer furos: essa é uma característica importante, principalmente
pelo fato de instalação de lâmpadas, já que é preciso realizar furos no material
para passar a instalação.
Variedade de estilos: apesar do modelo branquinho ser o mais conhecido, a
verdade é que existem outras variações de cores, e até mesmo modelos que
simulam madeira.
144
Preço: é claro que o preço também influência na escolha, e nesse caso o preço
é bem atrativo e por isso torna-se uma ótima opção com excelente custo-
benefício.
Desvantagens:
Estética: o visual estético não é um ponto favorável, já que o acabamento
remete a uma superfície plástica.
Isolamento térmico e acústico: o uso das placas de PVC são práticas, mas o
material tem baixa capacidade de isolamento acústico e térmico. Para driblar
esse problema, uma solução é usar lã mineral entre o forro e o telhado.
Não resistente a fogo: o material industrializado tem baixíssima resistência a
fogo, e por isso não é indicado para ambientes com altas temperaturas (pode
deformar) e com risco de faíscas.
Forro de madeira
A madeira é um clássico nesse tipo de acabamento, e a instalação pode ser
feita de diversas maneiras, como Lambri (tábuas são fixadas internamente nas vigas);
posicionadas sobre madeiras externas que ficam aparente, entre outras
possibilidades.
Figura 74 - Forro de madeira
145
Vantagens:
Estética: a beleza que a madeira traz para o ambiente é sem dúvida linda. O
material é capaz de valorizar ainda mais o projeto e ainda trazer sensação de
aconchego.
Uso em ambientes internos e externos: a madeira pode ser usada em diferentes
propostas e ambientes que podem ser no interno ou exterior da residência, mas
nesse último caso é preciso que a madeira passe por tratamento para ficar mais
resistente à exposição ao tempo.
Atemporal: como é um clássico, a madeira é uma excelente proposta para
quem busca um projeto atemporal e que fique em harmonia com diferentes
propostas decorativas.
Desvantagens:
Preço: o material nobre precisa ser certificado e tudo isso influência no seu
preço, que tende a ser mais elevado em comparação a outros tipos de
acabamento. Para quem quer o acabamento em madeira, mas não pretende
gastar muito, uma solução é usar o acabamento com rispas de pinus, que tem
preço bem mais barato que madeiras nobres.
Baixa resistência a umidade: a madeira não tratada tem baixíssima resistência
a umidade, e para não enfrentar problemas com bolor na instalação no
banheiro ou áreas úmidas, é imprescindível o tratamento do material.
Possibilidade de pragas: a madeira está exposta a possibilidade de infestações
de pragas, como cupim, e para evitar o transtorno, a dica é fazer verificações
frequentes para combater a proliferação ainda no início.
Forro metálico
Esse tipo de acabamento foi mais usual na década de 1960 e marca projetos
de botequins e padarias antigas. No entanto, ainda é uma possibilidade para quem
quer trazer ao projeto um estilo mais marcante.
146
Figura 75 - Forro metálico
Vantagens:
Resistente a umidade: o material metálico tem alta resistência a umidade, o
que permite a instalação em áreas úmidas e molhadas, como banheiro e área
da piscina.
Variedade de formas e cores: há uma gama de estilos para o acabamento, que
pode ser de chapas lisas ou com detalhes que formam desenhos. Além do
estilo, ainda há possibilidade e variação das cores, já que o material pode ser
pintado.
Não sofre com pragas: ao contrário de outros tipos de acabamento que estão
expostos a proliferação de bactérias, fungos e insetos, o material metálico não
enfrenta tais problemas e depende de pouca manutenção.
Removível: a instalação pode ser removida com facilidade e caso haja
interesse em trocar o acabamento, esse processo não é complicado.
Desvantagens:
Baixo isolamento térmico e acústico: o metal não funciona como bom isolante,
e por isso pode haver a necessidade de uso de outros materiais, como lã
mineral, para driblar o problema.
Não indicado para regiões com maresia: para as cidades litorâneas e que
sofrem com o desgaste causado pela maresia esse tipo de revestimento não é
indicado.
147
Ainda existem outros tipos de forro no mercado, pois essa área inova a cada
dia trazendo muitas novidades com relação a beleza, estética, materiais novos, etc.,
aqui está mais exemplos de tipos de forros:
Forro de bambu;
Forro de cimento;
Forro de fibra mineral;
Forro de isopor;
Forro de pallet;
Entre outros.
10.3 PISOS
10.3.1 Contrapiso
O contrapiso é uma camada de argamassa lançada sobre uma base (laje
estrutural ou lastro de concreto) para regularização. A espessura de 2 a 6cm,
dependendo da função. Para contrapisos internos de edifícios habitacionais e
comerciais, utilizam-se 200 a 250kg/m³ de argamassa. Os traços de areia úmida são
de 1:5 a 1:7 (em média), mas o traço 1:6 é bastante usual.
Os seguintes serviços são necessários serem executados anteriormente:
Tubulações elétricas, hidráulicas e de gás devem estar executadas e guiadas
quando a fiação não estiver executada;
A base deve estar limpa e livre de restos de argamassa, entulho ou qualquer
outro material aderido;
Pavimento desescorado a no mínimo 60 dias;
Alvenaria de marcação concluída.
Os materiais e equipamentos necessários para a instalação do contrapiso são
descritos na Tabela 23:
148
Tabela 25 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Argamassa para contrapiso
2 Carrinho de mão
3 Cimento
4 Colher de pedreiro
5 Desempenadeira de madeira ou aço
6 Enxada
7 EPI’S (Uniforme, botas, capacete, luva, etc.)
8 Mangueira de nível ou aparelho de nível laser
9 Nível de mão
10 Pá
11 Régua de alumínio
12 Soquete de madeira com até 8kg
13 Vassoura de piaçaba ou vassourão
10.3.1.1 Execução do serviço
Laje:
Executar a limpeza da laje antes da execução do contrapiso, removendo
completamente restos de argamassa, entulhos e partículas finas;
Transferir o nível a partir do nível de referência (NR), segundo o projeto e
utilizando nível de mangueira ou nível laser.
Colocar taliscas na base, de preferência, dois dias antes da execução do
contrapiso prevendo espessura mínima, caimentos e desníveis especificados
no projeto arquitetônico
Após a colocação das taliscas, executar a preparação da base, polvilhando
cimento à superfície molhada a fim de criar uma fina camada de ligação entre
a base de concreto e a argamassa “farofa” que será aplicada;
Aguardar o ponto de sarrafeamento e sarrafear o piso com movimentos de vai
e vem apoiando a régua de alumínio nas mestras, “cortando” a sobra até que
a superfície alcance o nível das mestras;
Para o acabamento final, deve-se alisar a superfície com uma desempenadeira
de madeira;
149
Esperar a cura do contrapiso, molhando-o com água para que ele fique bem
curado, evitando esfarelamento da superfície;
Lançar a argamassa “farofa” entre as taliscas para a execução das mestras de
modo que esta fique um pouco mais alta que o nível das taliscas
Preencher os intervalos entre as mestras, espalhando a argamassa com
enxada e compactando a “farofa” com um soquete.
Figura 76 - Execução do contrapiso
Terreno natural:
Compactação do solo, conforme princípios do PES 05 – Compactação de
Aterro.
Em caso de regularização do solo superior a 70cm de altura, o piso grosso se
faz necessário a armação de vergalhões;
Sobre a regularização, estica-se uma lona impermeabilizante para evitar a
saída da nata do concreto;
Emestra-se o piso, revendo os nivelamentos relatos de cada pavimento,
atentando para os caimentos descritos em projeto;
Regularizar toda área com concreto de 15Mpa e com tempo mínimo de cura do
concreto em 28 dias.
150
10.3.2 Piso cerâmico
Desenvolvido na Itália, o porcelanato é um produto cerâmico denso e vitrificado
de alta resistência à abrasão. O contrapiso deve estar alinhado, nivelado, seco, curado
e limpo (livre de poeira e graxa).
Os pisos cerâmicos são constituídos por placas extrudadas ou prensadas
destinadas ao revestimento de pisos, fabricadas com argila e outras matérias-primas
inorgânicas, com a face exposta vidrada ou não.
É aconselhado a aplicação de placas de um mesmo lote de fabricação, para
evitar diferenças na tonalidade das peças, não devendo esquecer de posicionar as
placas num único alinhamento de desenho.
Antes de iniciar a aplicação, verifique a modulação de assentamento e faça a
demarcação das placas. Quando as placas tiverem mais de 0,30 x 0,30m a aplicação
da argamassa de assentamento deve ser feita nas costas da placa e no piso, com
auxílio da desempenadeira metálica dentada. O rejunte tem de ser da mesma cor do
porcelanato para evitar contrastes.
É necessário a realização dos serviços anteriores:
O contrapiso deve estar pronto, assim como o sistema de impermeabilização
testado e liberado;
Os ralos devem estar fechados, preenchido com papel amassado ou
semelhante;
Execução da impermeabilizão;
Instalação de tubulações embutidas nos pisos;
A base deve estar limpa e livre de qualquer outro material aderido;
No caso de parede, o emboço deve estar pronto e liberado.
Os materiais e equipamentos necessários para a instalação piso cerâmico são
determinados na Tabela 26:
151
Tabela 26 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Argamassa colante
2 Desempenadeira de aço com lado dentado
EPI’s: uniforme, botas, capacete, óculos, protetores auriculares, máscaras,
3 luvas, etc
4 Espaçadores plásticos em X
5 Lápis de carpinteiro
6 Linha de náilon
7 Mangueira de nível e nível de bolha
8 Martelo
9 Martelo de borracha
10 Masseira
11 Panos ou bucha de sisal
12 Piso cerâmico
13 Prego
14 Rejunte
15 Riscador manual com broca
16 Rodo sem cabo
17 Serra mármore com disco de corte diamantado
18 Trena metálica
19 Vassoura
10.3.2.1 Execução do serviço
Assentamento:
Marcar os níveis do piso final junto às paredes, com o auxílio de mangueira de
nível e trena metálica;
Esticar uma linha de náilon nos dois sentidos do piso e assentar a primeira fiada
de cada sentido considerando o mínimo possível de recortes nas peças, as
demais fiadas deverão obedecer ao alinhamento das primeiras;
Os cortes das peças devem ser executados antes da aplicação da argamassa
de assentamento, devendo ser feitos por meio de serra elétrica com disco
adiamantado e/ou riscador manual provido de broca de vídea;
152
Aplicar a argamassa no contrapiso com o lado dentado da desempenadeira
formando os cordões e aplicar na peça cerâmica uma camada de argamassa
com o lado liso da desempenadeira, fazendo a colagem dupla da peça.
As placas cerâmicas devem ser colocadas, ligeiramente fora de posição, sobre
os cordões de cola.
O posicionamento da placa é então ajustado e o revestimento cerâmico é fixado
através de ligeiro movimento de rotação;
Ajustando-se o posicionamento das peças com o auxílio de espaçadores
plásticos em X;
Verificar constantemente o caimento com o auxílio de um nível de bolha;
Remover possíveis excessos de argamassa;
Aguardar, no mínimo, 1 dia para iniciar o rejuntamento.
Rejuntamento:
Limpar e umedecer as juntas exceto quando não recomendado pelo fabricante;
Espalhar o rejunte com um rodo de borracha ou espátula de plastic ou borracha;
Aguardar cerca de 15 minutos e efetuar uma limpeza com pano úmido, esponja
ou estopa;
Aguardar aproximadamente mais 15 minutos e efetuar mais uma limpeza com
um pano seco.
Figura 77 - Execução do piso cerâmico
10.3.3 Piso intertravado de concreto
São necessários os seguintes documentos de referência:
Projeto arquitetônico;
153
ABNT NBR 13753 - Revestimento de piso interno ou externo com placas
cerâmicas e com utilização de argamassa colante.
Os serviços anteriores executados anteriormente são:
Compactação do solo (quando houver) deve estar pronto e liberado;
As instalações embutidas devem estar prontas e liberadas (quando houver).
Os materiais e equipamentos usados para a instalação do piso intertravado de
concreto são:
Tabela 27 - Materiais e equipamentos
Materiais e equipamentos utilizados
1 Argamassa de cimento-areia
2 Caixote plástico
3 Cimento
4 Colher de pedreiro
5 Concreto
6 Desempenadeira de madeira ou aço
7 Enxada
EPI’s: uniforme, botas, capacete, óculos, protetores auriculares, máscaras,
8 luvas, etc
9 Mangueira de nível, ou aparelho de nível a laser
10 Politriz
11 Régua de alumínio/vibratória
12 Vassoura
10.3.3.1 Execução do serviço
A base (terreno) deve estar nivelada e compactada. As instalações
hidrossanitárias e de drenagem devem estar todas posicionadas, respeitando
o caimento para águas pluviais;
Dependendo das condições do terreno e quando especificado em projeto,
lançar camada de bica corrida e espalhar manualmente ou mecanicamente, a
fim de aumentar a resistência da base;
Iniciar a instalação do piso pelas peças de contenção lateral (guias, sarjetas e
outras). Estas peças deverão ser posicionadas conforme projeto,
esquadrejadas e niveladas. A fixação é feita com concreto magro aplicado na
base das peças;
154
Sobre a base, lançar a camada de areia ou pó de pedra. Esta camada deve ser
nivelada com auxílio de régua de alumínio ou rodo nivelador;
Posicionar as peças uma a uma, seguindo a paginação definida em projeto. As
peças não devem ser arrastadas para não haver acumulo de areia entre as
peças. Pequenos ajustes devem ser feitos com martelo de borracha;
Nas guias e nas caixas de inspeção, quando necessário, as peças deverão ser
cortadas, de preferência com serra de disco;
Após a instalação de todas as peças, compactar todo o piso com placa
vibratória para garantir o nivelamento;
Após a compactação e com o auxílio de vassoura, espalhar areia fina sobre o
piso para preenchimento das juntas;
Compactação final com placa vibratória.
10.3.4 Outros tipos
Existem uma variedade muito grande de pisos existentes na atualidade, vamos
dar uma pequena explanação de alguns e mais informações a respeito pode-se
conferir no nosso material de apoio online.
10.3.4.1 Pisos de pedra de revestimento
As peças de granito, mármore, arenito etc., aparelhadas na forma de laje com
espessura de 2cm a 4cm, terão de ser assentadas sobre lastro de concreto, com
argamassa de cimento e areia no traço 1:4, em volume, segundo os mesmos métodos
e critérios estabelecidos para o assentamento de pisos cerâmicos. Não será permitida
a execução de pisos de pedra natural com peças que apresentem espessura inferior
a 3cm.
10.3.4.2 Pisos de madeira
Os pisos de madeira são divididos em uma série de produtos diferentes. Em
comum, eles possuem o fato de serem de madeira natural, em toda sua composição,
ainda que de diversas espécies diferentes. Existem pisos de cumaru, peroba, ipê,
amêndola, tauari, carvalho, entre muitos outros. Há diferenças sobre a resistência e
dureza dessas espécies, que podem ser averiguadas em lojas especializadas.
155
10.3.4.3 Pisos de granilite
O granilite, também chamado de marmorite, trata-se de um piso rígido e
geralmente polido, com juntas de dilatação, moldado in loco, à base de cimento com
agregado de mármore triturado e areia. A textura do piso de granilite, além de polida,
poderá ser simplesmente lisa ou ainda antiderrapante. O granilite tem elevada
resistência a abrasão, é impermeável, não é absorvente e é imune à ação de óleos e
à maioria dos componentes orgânicos.
10.3.4.4 Carpete
A forração têxtil agulhada é confeccionada em mantas compostas por
uma camada de fibras de náilon e polipropileno, fixadas a um suporte constituído
de feltro de poliéster ou de fibras sintéticas, sendo a ligação do conjunto
reforçada por impregnação de resinas orgânicas, compactadas por agulhamento
de ambos os lados.
Figura 78 - Outros tipos de pisos
156
10.4 VIDROS
O vidro é muito usado nas construções e na decoração, por sua grande
versatilidade. Eles não devem apresentar defeitos, como ondulações, manchas,
bolhas, riscos, lascas, incrustações na superfície ou no interior da chapa, irisação
(defeito que provoca decomposição da luz branca nas cores fundamentais),
superfícies irregulares, não-uniformidade de cor, deformações ou dimensões
incompatíveis.
O armazenamento dos vidros tem de ser feito em local adequado, ao abrigo de
poeira, de umidade que possa provocar condensações e de contatos que venham
deteriorar as superfícies das chapas.
Mas são tantos tipos de vidro diferentes, com tantos nomes, que às vezes
podemos nos confundir. Segue então uma lista explicando o que significa cada um
desses nomes:
10.4.1 Tipos
10.4.1.1 Laminado
Segurança, conforto, proteção e controle acústico são alguns dos benefícios
dos vidros laminados. O aspecto da segurança provavelmente é o mais conhecido de
todos por sua característica de, em caso de quebra, se romper em fragmentos que
ficam colados ao PVB (polivinilburial) intercalado entre as lâminas. Isto reduz o risco
de lesões corporais e danos materiais. E o vão da janela se mantém fechado. Razão
mais do que suficiente para seu uso em cobertura, piso, guarda-corpos e fachadas.
A poluição sonora típica das grandes cidades pode ser evitada nos ambientes
com a instalação de janelas dotadas de vidros laminados. Quanto maior a espessura
do conjunto e a quantidade de chapas de vidros intercaladas por PVB de diferentes
espessuras, melhor o resultado. Opção interessante é combinar o vidro laminado com
o duplo insulado que, assim, cumprirá a função de isolante térmico nas coberturas,
fachadas e esquadrias.
157
10.4.1.2 Temperado
Antes da laminação com três ou quatro camadas de PVB, o vidro pode ser
temperado, o que vai assegurar elevada resistência à peça, além de conforto acústico
e excelente proteção contra os raios UV. Neste caso, o uso ideal fica com as fachadas
autoportantes, térreos de edifícios comerciais, shopping centers, lojas e
restaurantes. É bom lembrar que os vidros termoendurecidos são duas vezes mais
resistentes que os vidros comuns da mesma espessura, tipo e tamanho. E vidros
temperados são cinco vezes mais resistentes que os vidros comuns e duas vezes e
meia mais resistentes que vidros termoendurecidos com a mesma espessura, tipo e
tamanho.
10.4.1.3 Aramado
É um vidro impresso translúcido com uma grelha metálica que segura o vidro
em caso de quebra, por isso é considerado também um vidro de segurança. Além
disso, o aramado possui excepcionais índices de resistência ao fogo, e o quadriculado
de metal em seu interior possui efeito decorativo, podendo ser usado com resultado
interessante e eficiente em móveis, coberturas, guarda-corpos, divisórias, etc.
Figura 79 - Exemplos de vidro
10.4.1.4 Blindado
Cada vez mais exigido nas edificações, o vidro blindado é o laminado mais
espesso. Sua fabricação envolve múltiplas lâminas de vidro intercaladas com
camadas de PVB ou policarbonato, o que aumenta sua resistência e o torna ideal para
aplicação em fachadas e guaritas.
158
Figura 80 - Vidro blindado
10.4.1.5 Serigrafado
Houve um tempo em que a arquitetura só empregava o vidro serigrafado como
elemento decorativo. Hoje, tem indicações também técnicas, como sua instalação no
vão em frente à viga e a alvenaria das fachadas. Para que responda bem à questão
do conforto, deve-se escolher o tipo de vidro em que a serigrafia será aplicada de
acordo com os níveis de controle solar e transmissão luminosa especificados. O
envidraçamento com o serigrafado exige que os vidros do vão cego (spandrel) se
harmonizem com os vidros das áreas de visão do edifício.
Figura 81 - Vidro serigrafado
10.4.1.6 Diversos
Refletivos: A obtenção de maior eficiência energética para o edifício passa,
necessariamente, pelo uso da luz natural. Nesse caso, é recomendável lançar mão
159
de vidros de controle solar. Os mais utilizados são os refletivos e o low-e, que
permitem a entrada da iluminação natural, sem comprometer o conforto térmico dos
ambientes.
O vidro refletivo reduz os ganhos indesejáveis de calor através de sua alta
capacidade de reflexão e absorção da luz solar. Essa tecnologia traz conforto térmico
ao ambiente, com uma transmissão luminosa menos intensa. O revestimento low-e
reflete a radiação infravermelha de ondas longas, reduzindo os ganhos ou perdas de
calor do edifício. Isso significa que os ambientes terão um equilíbrio perfeito entre a
transmissão da luz natural e a transferência de calor, com grande economia de
energia.
Para-chamas: Esse vidro possui a classificação E (Integridade), conferida
internacionalmente ao vidro que impede a passagem de chamas e gases tóxicos.
Resistente e durável, o para-chamas reproduz as cores de modo fiel, tem alta
transmissão luminosa e atende aos requisitos dos vidros de segurança, apresentando
um padrão de quebra em fragmentos muito pequenos. A tecnologia aplicada a esse
produto permite que ele se mantenha transparente em caso de incêndio, facilitando a
retirada das pessoas em segurança. É indicado para aplicação em fachadas,
divisórias, portas, janelas e coberturas.
Corta-fogo: O vidro corta-fogo é um multilaminado altamente resistente,
fabricado com tecnologia capaz de isolar o calor, além de impedir a passagem de
chamas e gases tóxicos. O produto atende às exigências do Corpo de Bombeiros e
possui a classificação internacional EI (Integridade e Isolamento), com especificação
para uso em fachadas, divisórias, portas, janelas e cobertura.
Autolimpante: O vidro possui tecnologia capaz de aproveitar a energia dos
raios UV e a força da água da chuva para dispersar, com eficiência, a sujeira que se
acumula sobre a superfície externa do vidro. O produto diminui os custos com limpeza
e manutenção e pode ser processado em vidro laminado, temperado, duplo insulado,
de controle solar e serigrafado, de acordo com a necessidade de aplicação. Como as
propriedades autolimpantes do produto são ativadas pela luz solar, seu uso é
amplamente indicado para fachadas e coberturas. Sua aplicação principal são as
coberturas.
160
Extra Clear (Low Iron): Esse é um vidro versátil e moderno, para aplicações
que exigem a máxima transparência. O extra clear pode passar por processos de
laminação, têmpera ou serigrafia, ou entrar na composição do vidro duplo insulado.
Indicado especialmente para serigrafia e aplicações em que os vidros ficam com as
bordas aparentes, pois a transparência assegura a fidelidade do tom da tinta aplicada.
10.5 PINTURA
As superfícies rebocadas (a receberem pintura) deverão ser examinadas e
corrigidas de todos e quaisquer defeitos de revestimento, antes do início dos serviços
de pintura.
Todas as superfícies a pintar serão cuidadosamente limpas, isentas de poeira,
gorduras e outras impurezas. As superfícies poderão receber pintura somente quando
estiverem completamente secas.
Nas paredes com reboco, têm de ser aplicadas as seguintes demãos:
Selador: composição líquida que visa reduzir e uniformizar a absorção inútil e
excessiva da superfície;
Emassado: para fechar fissuras e pequenos buracos que ficarem na superfície
e que só aparecem após a primeira demão de selador;
Aparelhamento (da base): para mudar as condições da superfície, alisando-a
ou dando-lhe uma textura especial.
A segunda demão e as subsequentes só poderão ser aplicadas quando a
anterior estiver inteiramente seca, sendo observado, em geral, o intervalo mínimo de
24h entre as diferentes aplicações. Após o emassamento, esse intervalo será de 48h.
Serão dadas quantas demãos quantas forem necessárias, até que sejam obtidas a
coloração uniforme desejada e a tonalidade equivalente, partindo dos tons mais claros
para os tons mais escuros.
Nas esquadrias de ferro, após a limpeza da peça, serão aplicadas as seguintes
demãos:
Fundo antióxido de ancoragem (zarcão ou cromato de zinco);
Selador;
Emassado;
161
Fundo malte (sem brilho).
Em resumo, temos as tintas de fundo (seladores, primers anticorrosivos,
fundos preparadores de superfície), massas de nivelamento (massa corrida, massa
à óleo, massa para madeira) e tintas e vernizes para acabamento.
A tinta de fundo (ou primer) trata-se de substância líquida, constituída por
resinas, solventes (ou água), pigmentos e aditivos, aplicado inicialmente (primeira
demão) sobre um substrato, com a função de preparar a base para receber a massa
e ou a tinta de acabamento, além das seguintes funções:
Diminuir e uniformizar a absorção;
Isolar quimicamente a tinta do substrato;
Melhorar a aderência;
Diminuir o consumo da tinta de acabamento;
Proteger quimicamente contra corrosão dos metais.
A massa de nivelamento é uma substância pastosa, constituída por resinas
solventes (ou água) e cargas inertes, aplicado sobre a superfície já preparada com o
fundo, com a função de corrigir irregularidades e proporcionar superfície com textura
lisa.
A tinta de acabamento é um substância líquida, constituída de resinas,
solventes (ou água), pigmentos e aditivos que, após ser aplicada e secar (ou curar),
converte-se em película sólida, aderente e flexível, com a função de acabamento final
da pintura.
O verniz é uma substância líquida, constituída por resinas, solventes e aditivos,
que, após aplicação, sofre um processo de cura e se converte em uma película
transparente, aderente e flexível.
Os principais sistemas de pintura empregados na construção imobiliária são os
baseados nas resinas PVA, acrílicas e alquídicas
10.5.1 Pintura à latex (PVA)
A tinta látex tem sua composição à base de copolímeros de PVA (acetato de
polivinila) emulsionados em água, pigmentada, de secagem ao ar.
162
O tempo de secagem é de ½ h à 2h ao toque; de 3h à 6h entre demãos; de 24h
para secagem final em ambientes internos; e de 72h de secagem final para ambientes
externos.
Utilização básica: superfícies de quaisquer inclinações, externas ou internas,
mas de preferência internas, onde se quer resistência aos raios solares, às
intempéries e que estejam sujeitas à limpeza frequente. Não se poderá utilizar
diretamente sobre superfícies metálicas.
10.5.2 Pintura com tinta acrílica
Á base de água, com consistência de massa, boa cobertura, fácil aplicação e
secagem rápida. Proporciona acabamentos com efeitos especiais ou desenhos em
alto e baixo relevo.
Pode ser usada em superfícies quaisquer, externas ou internas, mas de
preferência externas, e também em reboco e concreto. Pode ser aplicada também em
madeiras e metais previamente preparados. Apresenta a vantagem de disfarçar as
irregularidades e as imperfeições das superfícies em que é aplicada.
10.5.3 Pintura a esmalte
Os esmaltes são obtidos adicionando pigmentos aos vernizes ou às lacas,
resultando daí uma tinta caracterizada pela capacidade de formar um filme
excepcionalmente liso. O esmalte sintético é fabricado à base de resinas alquídicas
obtidas pela reação de poliésteres e óleos secativos.
Destinam-se à pintura de portas de madeira e ferro, janelas de madeira ou ferro,
chapas de ferro ou aço, portões de ferro, mesa de ferro, compensados de madeira
etc.
É preciso aplicar a primeira demão de selador (primer) de acordo com o tipo de
base (madeira ou ferro), em uma ou duas camadas, espaçadas de 18h a 24h,
conforme o caso. Em seguida, o esmalte sintético será aplicado com pincel, rolo,
revólver ou por imersão, diluído com solvente, se necessário, em função do tipo de
base. Serão suficientes duas a três demãos.
163
10.5.4 Pintura a óleo
As tintas a óleo são constituídas de veículos, solventes, secantes e pigmentos.
Apresenta boa resistência às intempéries, de fácil aplicação, boa cobertura e
flexibilidade. Excelente aderência em vários tipos de superfícies.
Pode ser aplicada em superfícies externas e internas de metais, madeira e
alvenaria (desde que previamente preparadas com as tintas de fundo indicadas).
10.5.5 Pintura à base de cal
Tintas para caiação são muito econômicas. Seu componente principal é a cal
extinta, produzida a partir de rochas calcárias e dolomíticas. A caiação exige duas
demãos, aplicadas com broxa ou, excepcionalmente, com pincel, porém nunca com
rolo.
É adequada para as internas de ambientes com pouca ventilação, como
banheiros, cozinhas e garagens, pois permite a transpiração de paredes, dificultando
o aparecimento de manchas de mofo sobre as superfícies pintadas. Quando usada
para tetos, é útil a adição de gesso.
10.5.6 Pintura com hidrofugante
Trata-se de solução à base de cristais de silicone, incolor, para tratamento de
superfícies, com a finalidade de torná-las repelentes à água.
Sua aplicação não modifica a cor nem a aparência (brilho ou textura) das
superfícies tratadas e evita a formação de manchas devido à umidade. Não é afetada
pelo sol.
As superfícies a serem pintadas com hidrofugante (tijolos à vista, concreto
aparente e reboco) deverão receber os estocamentos e lixamentos necessários antes
de sua aplicação.
10.5.7 Pintura com verniz
Os vernizes são soluções de gomas ou resinas, naturais ou sintéticas, em um
veículo (óleo secativo, solvente volátil), soluções essas que são convertidas em uma
película útil, transparente ou translúcida, após a aplicação em camadas finas.
164
Serve para proteger e impermeabilizar alvenaria, concreto aparente, cerâmica
porosa, telhas de barro, tijolos, cimento-amianto, etc.
Verniz que possua alta resistência à água poderá ser muito quebradiço para
ser utilizado em soalhos. Verniz utilizado para interiores poderá ser inadequado para
uso externo.
10.5.8 Pintura de madeira com verniz poliuretânico
Trata-se de verniz incolor para madeira, à base de resinas poliuretanas e
aditivos que filtram os raios solares, protegendo a superfície. O produto é fabricado
com acabamento brilhante (mais durável para exteriores) e fosco.
A utilização básica é em envernizamento de superfícies de madeira em geral,
tanto em exteriores como interiores.
Pode ser aplicado em superfícies internas e externas de madeira, tais como:
embarcações em geral, portas, portões, esquadrias, balcões, móveis de bares,
armários embutidos, artigos de vime etc.
10.5.9 Pintura com tinta epóxi
A tinta epóxi é uma tinta industrial a base de epóxi utilizada por pintores na
construção civil e indústria. Muito usada para pintar diversos tipos de superfícies como
por exemplo pisos de quadras esportivos, chapas de aço ou ferro e garagem; azulejos
de banheiros; salas cirúrgicas de hospitais e clínicas e outras superfícies.
A tinta epóxi pode ser comprada em diversos tipos de acabamento sendo
acetinado, fosco e brilhante. Em superfícies lisas o rendimento da tinta é maior, porém,
em superfícies porosas o rendimento é menor. A tinta epóxi normalmente a tinta já
vem pronta para uso.
Para aplicar é tinta epóxi é simples. Dá para fazer a pintura tanto com rolo,
pincel ou pistola e a diluição da tinta dependerá do método de aplicação escolhido.
Abaixo encontra-se uma tabela mostrando onde as determinadas tintas podem
ser aplicadas:
165
Tabela 28 - Aplicação das tintas
Tipos de tinta
Alvenaria /
Reboco Oléo Látex (PVA) Acrílica Verniz Esmalte
Cerâmica
porosa X X
(piso)
Cimentados
X
(piso)
Cerâmica /
X X
Azulejo
Ferro / Aço X X
Fibra de
X
vidro
Gesso X X X
Madeira
X
(piso)
X
Madeira X X X
(Poliuretano)
Papel
Reboco
X X
com cal
Tijolos /
Concreto X
(aparente)
10.5.10 Patologias em pinturas
Desagregamento: é o descascamento da pintura da superfície juntamente com
partes do reboco, tornando-se esfarelado. Ocorre quando a tinta é aplicada sobre
superfície de reboco novo não curado ou quando há infiltração de umidade.
Descascamento: pode ocorrer quando a pintura for executada diretamente
sobre superfícies pulverulentas, tais como: caiação, partes soltas, reboco novo não
selado ou gesso.
Eflorescência: manifestam-se como machas esbranquiçadas na superfície
pintada. Ocorre quando a tinta foi aplicada sobre reboco úmido ou devido a infiltração.
Isso ocorre devido a migração de umidade do interior para o exterior em paredes de
166
reboco novo ou velho, cimento, fibrocimento, tijolos etc., carregando consigo sais
solúveis.
Mofo, bolor ou fungos: constituem-se em um grupo de seres vivos, que se
proliferam em condições favoráveis, em especial climas quentes, úmidos, mal
ventilados ou mal iluminados.
Produzem o escurecimento da película decompondo-a.
Deve-se lavar a superfície com uma solução de água com água sanitária na
proporção 1:1, molhando constantemente a superfície durante um período de 6 horas.
Lavar a superfície somente com água em abundância. Deixar secar e repintar.
Figura 82 - Patologias em pinturas
167
11 PAISAGISMO
Paisagismo é a técnica de projetar, planejar, fazer a gestão e a preservação de
espaços livres, sendo eles públicos ou privados, urbanos e não-urbanos. Essa área é
relacionada diretamente com a arquitetura e o urbanismo e visa, em suma, organizar
a paisagem.
O paisagismo vai muito além da criação de jardins, trata-se de uma técnica
bastante específica voltada também para a elaboração de projetos de criação ou
substituição de espaços afetados por construções desordenadas. Sua missão inclui
recompor espaços geográficos e organizar a paisagem para criar condições de uso
pelo público, utilizando não apenas conhecimentos de botânica e ecologia, mas
também de arquitetura e dos costumes da região, formatos para gerar um resultado
harmonioso e agradável de convivência.
Segundo recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU), é
necessário que as cidades contem com pelo menos 16 m² de área verde por habitante
para diminuir o estresse urbano. Levando isso em conta, a arquitetura paisagística se
mostra uma atividade extremamente valorizada, com um amplo campo de atuação.
11.1 EM SUPERFICIES COMO TELHADOS, LAJES E TÉRREOS
Os jardins de terraço tem algumas vantagens importantes outras áreas. Mas
eles envolvem custos mais elevados, maior manutenção e alguns problemas
potenciais que devem ser levados em conta. Do ponto de vista do dono da casa, as
áreas verdes são uma forma de reduzir o uso de ar-condicionado (que proporcionam
excelente isolamento e temperaturas mais frias no interior). Algumas observações que
podemos fazer sobre essas áreas verdes:
Redução do efeito ilha de calor nas cidades;
Cria um micro clima para a região, com condições mais satisfatórias,
propiciando o retorno da fauna (pássaros) a estes locais;
Mantêm os ambientes mais frescos durante o dia, e consequentemente
reduzem o consumo de energia elétrica utilizada em sistemas de refrigeração,
reduzindo em até 90% o fluxo de calor nos ambientes internos;
Funciona como um isolante acústico reduzindo os ruídos e atenuando os sons
do local;
168
O paisagismo utilizado sequestra carbono do meio ambiente, absorvendo cerca
de 5kg de CO² por m² de cobertura verde;
Retém partículas em suspensão, funcionando como um grande filtro natural da
água escoada, possibilitando o aproveitamento desta água para uso em
funções não potáveis;
Absorve cerca de 30% do volume de água pluvial e diminui a velocidade de
escoamentos destas águas nas galerias públicas, retardando a formação de
enchentes;
Sobre valorizam o imóvel e aumentam sua área útil, com a criação de áreas de
lazer e descanso nestas coberturas;
Proporcionam a redução dos custos operacionais devido à redução do
consumo de energia e o reaproveitamento da água de chuva;
O peso pode variar de 50kg/m² para telhados sem trânsito a 190kg/m² para
lajes com transito, dependendo do tipo de telhado verde e paisagismo a ser
utilizado;
Tem baixa manutenção devido às plantas serem apropriadas para o uso e
adequadas ao local, com alta resistência ao calor, não precisando de podas e
regas constantemente;
O custo pode variar de R$150,00 a R$230,00/m², que poderá ser rapidamente
pago com a redução das despesas operacionais.
Figura 83 - Execução de áreas verdes
169
11.2 VERTICAL
A técnica de colocar plantas na posição vertical tornou-se regra para alguns
espaços livres ou não, invadindo também casas e até apartamentos. O resultado fica
bonito, elegante e cria proximidade com a natureza, mesmo quando a restrições de
área de solo que pode ser coberta pela vegetação.
Projetos em residências são os mais comuns para receber um jardim vertical,
mas eles podem ficar muito bem em outros ambientes.
A técnica de implementação do jardim vertical envolve o conhecimento do local
que irá receber esse conceito. É fundamental que o paisagista escolha quais os tipos
de plantas que mais se adéquam a este espaço, levando em conta detalhes como
necessidade de rega, substrato adequado e o desenvolvimento das raízes das
plantas.
Figura 84 - Jardim vertical
170
12 MANUAL DO EMPREENDIMENTO
O Manual do empreendimento deve ser elaborado de acordo com a nova ABNT
NBR 14037/2011 – Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e
manutenção das edificações.
Esta norma estabelece os requisitos mínimos para elaboração e apresentação
dos conteúdos a serem incluídos nos manuais que devem ser elaborados e entregue
pelo construtor e /ou incorporador, conforme legislação vigente, devendo
obrigatoriamente:
Informar aos proprietários e ao condomínio as características técnicas da
edificação como construída;
Descrever procedimentos recomendáveis e obrigatórios para a conservação,
uso e manutenção da edificação, bem como para a operação dos
equipamentos;
Informar e orientar os proprietários e o condomínio, em linguagem adequada e
de forma didática, com relação às suas obrigações no tocante à realização de
atividades de manutenção e conservação, e de considerações de utilização da
edificação;
Recomendar ações para prevenir a ocorrência de falhas ou acidentes
decorrentes de uso inadequado;
Recomendar ações para contribuir para que a edificação atinja a vida útil de
projeto.
A norma ABNT NBR 14037 recomenda a estrutura de disposição dos
conteúdos sugerido os temas e capítulos, e as subdivisões dos itens básicos que
devem estar contidos no manual, devendo ser complementada e adaptada conforme
a necessidade específica do empreendimento.
171
Tabela 29 - Disposição dos conteúdos
Capítulo Subdivisões
Índice
Apresentação Introdução
Definições
Garantias e assistência técnica Garantias e assistência técnica
Memorial descritivo
Relação de fornecedores
Fornecedores Relação de projetistas
Serviços de utilidade pública
Sistemas hidrossanitários
Sistemas eletroeletrônicos
Sistemas de proteção contra descargas
atmosféricas
Sistemas de ar condicionado, ventilação e
calefação
Sistemas de automação
Sistemas de comunicação
Operação, uso e limpeza Fundações e estruturas
Vedações
Revestimentos internos e externos
Pisos
Coberturas
Jardins, paisagismo e áreas de lazer
Esquadrias e vidros
Pedidos de ligações públicas
Programa de manutenção preventiva
Manutenção Registros
Inspeções
Meio ambiente e sustentabilidade
Segurança
Operação dos equipamentos e suas ligações
Informações complementares
Documentação técnica e legal
Elaboração e entrega do manual
Atualização do manual
172
12.1 TERMOS DE GARANTIA
O Termo de Garantia Definitivo, no qual serão considerados os materiais e os
sistemas construtivos efetivamente empregados e onde constarão os prazos de
garantia a partir da conclusão do imóvel (Auto de Conclusão ou documento similar),
deverá ser entregue no ato do recebimento da edificação. O Termo de Garantia
Definitivo deve contemplar os principais itens das unidades autônomas e das áreas
comuns, variando com a característica individual de cada empreendimento, com base
no seu Memorial Descritivo.
Os prazos constantes do Termo de Garantia – Aquisição e do Termo de
Garantia Definitivo foram indicados em conformidade com a norma técnica ABNT NBR
15575. Assim sendo, os prazos referidos em tais documentos correspondem aos
prazos totais de garantia, não implicando soma aos prazos de garantias legal. Os
prazos de garantia de materiais, equipamentos e serviços dos sistemas têm validade
a partir da data do Auto de Conclusão do Imóvel.
No material de apoio didático online, apresentamos a TABELA A com
recomendações de prazos de garantia contratual, para empreendimentos que tiveram
seus projetos de construção protocolados nos órgãos competentes posteriormente à
validade da norma ABNT NBR 15575 - (19/07/2013). Para empreendimentos cujos
projetos foram protocolados anteriormente à validade da norma ABNT NBR 15575,
deve ser elaborada uma Tabela de Garantias considerando os prazos informados na
venda, nas práticas da Construtora e Incorporadora e em referências de mercado. No
mesmo material de apoio online é apresentada uma sugestão de Tabelas de
Garantias: TABELA B - Prazos de Garantia Contratual sugeridos para edifícios em
construção ou que tiveram seus projetos de construção protocolados para aprovação
nos órgãos competentes anteriormente à vigência da norma ABNT NBR 15575 –
(19/07/2013).
12.2 PERDAS DE GARANTIA
Pode haver a perda de garantia do empreendimento nas seguintes situações:
Caso haja reforma ou alteração que comprometa o desempenho de algum
sistema das áreas comuns, ou que altere o resultado previsto em projeto para
o edifício, áreas comuns e autônomas;
173
Caso haja mau uso ou não forem tomados os cuidados de uso;
Caso seja realizada limpeza inadequada;
Caso não seja implantado e executado de forma eficiente o Programa de
Manutenção de acordo com a ABNT NBR 5674 – Manutenção de edificações
– Requisitos para o sistema de gestão de manutenção, ou apresentada a
efetiva realização das ações descritas no plano;
Caso seja realizada substituição de qualquer parte do sistema com uso de
peças, componentes que não possuam característica de desempenho
equivalente ao original entregue pela incorporadora/construtora;
Caso os proprietários não permitam o acesso do profissional destacado pela
construtora e/ou incorporadora às dependências de suas unidades ou às áreas
comuns, quando for o caso de proceder à vistoria técnica ou os serviços de
assistência técnica;
Caso seja executada reforma, alteração ou descaracterizações dos sistemas
na unidade autônoma ou nas áreas comuns.
12.3 MEMORIAIS DESCRITIVOS
O manual deve apresentar uma descrição escrita e ilustrativa da edificação em
“As Built” (como construída), tanto para as áreas de uso privativo, quanto para as
áreas de uso comum.
As informações devem se ater, no mínimo, à abrangência dessas respectivas
áreas e contemplar:
Cargas estruturais máximas admissíveis nas estruturas e vedações;
Cargas máximas nos circuitos elétricos admissíveis;
Sistemas equipotencializados, seu detalhamento e componentes;
Descrição dos sistemas e, quando aplicável, dos elementos e equipamentos;
Desenhos esquemáticos, com dimensões cotadas, que representem a posição
das instalações e dos quadros elétricos;
Informações sobre aspectos relevantes ao proprietário e ao condomínio, como
propriedades especiais previstas em projeto e sistema construtivo empregado;
174
Relação dos componentes utilizados para acabamentos (por exemplo,
revestimentos cerâmicos, tintas, metais, ferragens, esquadrias, vidros etc.) com
as suas especificações;
Sugestão ou modelo do programa de manutenção;
Vazões máximas e mínimas, potência ou outros parâmetros previstos em
projetos para os sistemas que receberão componentes instalados por conta do
cliente, por exemplo, sistemas hidráulicos de água fria e água quente,
aquecedores, iluminação etc.;
A abordagem e extensão das informações vão depender da complexidade da
edificação ou dos seus equipamentos.
12.4 MANUTENÇÃO
Um imóvel é planejado e construído para atender a seus usuários por muitos
anos. Isso exige realizar a manutenção do imóvel e de seus vários componentes,
considerando que estes, conforme suas naturezas, possuem características
diferenciadas e exigem diferentes tipos, prazos e formas de manutenção. A
manutenção, no entanto, não deve ser realizada de modo improvisado e casual: deve
ser entendida como um serviço técnico e realizada por empresas capacitadas ou
especializadas ou, ainda, equipe de manutenção local, conforme a complexidade.
O manual definitivo da incorporadora/construtora deve apresentar o modelo de
programa de manutenção, cuja elaboração e implementação atenda à ABNT NBR
5674. Para que a manutenção obtenha os resultados esperados de conservação e
crie condições para que seja atingida a vida útil do imóvel, é necessária a implantação
de um sistema de gestão de manutenção que contemple o planejamento de atividades
e recursos, bem como a execução de cada um deles de acordo com as
especificidades de cada empreendimento. A manutenção deve ser iniciada tão logo
inicie o uso da edificação, no caso de unidades privativas mesmo que estejam
desocupadas deve ser implantado o Programa de Manutenção.
Os critérios para elaboração do sistema de gestão de manutenção devem estar
baseados nas normas ABNT NBR 5674 e ABNT NBR 14037. Constitui condição da
garantia do imóvel a correta manutenção da unidade e das áreas comuns do
condomínio. Nos termos da ABNT NBR 5674 e ABNT NBR 15575, o proprietário é
responsável pela manutenção de sua unidade e corresponsável pela realização e
175
custeio da manutenção das áreas comuns. O programa consiste na determinação das
atividades essenciais de manutenção, sua periodicidade, os responsáveis pela
execução e os recursos necessários. Cabe ao proprietário (para as unidades) e ao
síndico (para as áreas comuns) atualizar o respectivo programa, podendo contratar
uma empresa ou profissional especializado para auxiliar na elaboração e
gerenciamento do projeto, conforme ABNT NBR 14037 e ABNT NBR 5674.
O programa de manutenção vem atender também ao artigo 1348 inciso V do
Código Civil, que define a competência do síndico em diligenciar a conservação e a
guarda das partes comuns e zelar pela prestação dos serviços que interessam aos
condôminos.
A contratação de empresas especializadas, de profissionais qualificados e o
treinamento adequado da equipe de manutenção para a execução dos serviços são
de extrema importância. Recomenda-se também a utilização de materiais de boa
qualidade na construção, preferencialmente seguindo suas especificações. No caso
de peças de reposição de equipamentos, utilizar artigos originais.
13 SEGURANÇA NO TRABALHO
O cotidiano no ramo da construção civil é marcado por uma série de perigos e,
portanto, uma série de providências e cuidados que devem ser tomados por gestores
e encarregados de obras. Afinal, a indústria de construção civil é um dos setores com
maiores índices de acidentes de trabalho no Brasil.
A média brasileira é de 700 mil acidentes registrados todos os anos. Com
isso, o Brasil fica atrás apenas da China, Índia e Indonésia.
De acordo com os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o
risco de um trabalhador sofrer um acidente fatal na construção civil é mais que
o dobro da média se comparada aos trabalhadores de modo geral.
13.1 PRINCIPAIS RISCOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
13.1.1 Queda de materiais
Um dos riscos mais comuns na construção civil e que infelizmente ocorrem com
frequência, são os acidentes causados por quedas de materiais. E isso pode ter
176
consequências graves, podendo levar até a morte do trabalhador, se não estiver
atento e com os equipamentos necessários.
13.1.2 Queda de altura
São vários os colaboradores na construção civil que exercem suas atividades
em altura. Nesses casos há o risco de queda. Quando o trabalho é efetuado acima de
2 metros, é imprescindível o uso de equipamentos específicos para prevenir os
acidentes, como sistemas de ancoragem.
13.1.3 Choques elétricos
Em cargos que envolvam energia elétrica, deve-se utilizar profissional com a
capacitação necessária para a atividade. Além disso, a utilização de equipamentos de
segurança é fundamental. Isso previne vários acidentes e garante que a saúde e
integridade física do trabalhador seja preservada.
13.1.4 Falta de sinalização
Um dos pontos principais para evitar riscos na construção civil é a sinalização
adequada. É importante que se marque corretamente os pontos principais do canteiro
de obras, informando os riscos em cada área. Deve-se utilizar placas, barreiras, fitas
e sinalizações luminosas. Assim os trabalhadores saberão os riscos de cada local, e
como se prevenir de acidentes.
13.2 PRINCIPAIS DOCUMENTOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO
13.2.1 Programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA)
O PPRA é uma normatização referente aos riscos biológicos, químicos ou
físicos de determinado local de trabalho. Ele tem validade federal e é uma forma de
demonstrar a prevenção de perigos à saúde e integridade física do trabalhador. Ele é
obrigatório para todas as empresas do território nacional, mesmo que o risco
apresentado seja mínimo e para a sua formulação é necessária a contratação de um
profissional da área.
177
13.2.2 Programa de condições e meio ambiente do trabalho (PCMAT)
O PCMAT é obrigatório para empreendimentos com 20 trabalhadores ou mais.
Ele serve para estabelecer procedimentos de planejamento e organização, para a
implantação de medidas de segurança do trabalho na construção civil. Ele tem uma
natureza preventiva, formulando estratégias para evitar acidentes e doenças
ocupacionais.
13.2.3 Permissão de trabalho (PT)
O PT é uma autorização que deve ser entregue pelo trabalhador ao supervisor
ou administrador do empreendimento antes de iniciar uma atividade que ofereça risco
à saúde ou integridade física. Ele funciona como um alvará que permite a realização
de trabalhos em ambientes de risco, com um tempo determinado.
13.2.4 Diálogo diário de segurança (DDS)
O DDS não é um documento, mas sim uma prática que deve ser realizada
diariamente, antes do início da jornada de trabalho. Ele tem como objetivo gerar a
conscientização entre os colaboradores em relação à saúde e segurança no local de
trabalho. Ele é feito como um diálogo para expor instruções a respeito da prevenção
de acidentes.
13.2.5 Programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO)
Já o PCMSO é uma iniciativa do próprio Ministério do Trabalho e do Emprego,
promovendo a prevenção de acidentes e fatores prejudiciais à saúde. Ele é obrigatório
a todas as empresas que tenham empregados regidos pela CLT, e devem realizar
consultas e exames periódicos admissionais e de realização profissional.
13.3 PRINCIPAIS NORMAS REGULAMENTADORAS (NRS)
NR 5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA)
NR 7 – Programa de Controle Medico de Saúde Ocupacional (PCMSO)
NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços de Eletricidade
178
NR 12 – Segurança no Trabalho em Maquinas e Equipamentos
NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção
NR 33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados
NR 35 – Trabalho em Altura
14 GESTÃO DA QUALIDADE
O sistema de gestão da qualidade na construção civil possui o poder de abrir
novos mercados e ampliar aqueles já existentes, expandindo os negócios das
empresas. Além disso, compreendem uma série de outras vantagens, dentre as quais
o aumento da produtividade de funcionários e colaboradores, a redução de custos e
desperdícios, o controle eficiente de processos e uma melhor organização interna.
14.1 FERRAMENTAS DE QUALIDADE
Para realizar a Gestão da Qualidade Total, é importante contar com
ferramentas e métodos de análise. Na década de 60, o teórico e engenheiro Kaoru
Ishikawa desenvolveu as 7 ferramentas da qualidade, com as quais é possível propor
soluções para problemas que afetem os processos produtivos de uma empresa. Estes
métodos devem ser conhecidos por todos os colaboradores e funcionários, fazendo
parte também dos programas de treinamento.
As 7 ferramentas de qualidade são:
1. Fluxograma: Representação gráfica dos passos de um processo. Permite uma
visão global e a análise de limites e fronteiras.
2. Diagrama Ishikawa (Espinha de Peixe): Expressa de modo simples e fácil a série
de possíveis causas para um problema.
3. Folha de Verificação: Tabelas utilizadas para coleta e análise de dados referentes
a um problema.
4. Diagrama de Pareto: Prioriza os problemas que possuem o maior impacto no
resultado.
5.Histograma: Diagrama de barras que representa a frequência dos dados. É um
caminho fácil para avaliar a distribuição dos mesmos.
179
6. Diagrama de Dispersão: Verificar a correlação entre duas variáveis.
7. Cartas de controle: Gráfico utilizado para determinar se um processo irá produzir
serviços com propriedades mensuráveis e consistentes.
Além delas, podemos incluir outras três importantes ferramentas que facilitam
a gestão da qualidade dentro de uma obra:
14.1.1 Ciclo PDCA
O ciclo PDCA é assim chamado devido ao nome em inglês de cada uma das
etapas que o compõem:
P: do verbo “Plan”, ou planejar.
D: do verbo “Do”, fazer ou executar.
C: do verbo “Check”, checar, analisar ou verificar.
A: do verbo “Action”, agir de forma a corrigir eventuais erros ou falhas.
14.1.2 5W2H
A 5W2H é uma ferramenta de gestão empregada no planejamento estratégico
de empresas. Ela parte de uma meta para organizar as ações e determinar o que será
feito para alcançá-la, por qual razão, por quem, como, quando e onde será feito, além
de estimar quanto isso custará.
14.1.3 5S
A junção no número “5” com a letra “S” vem de cinco palavras japonesas que
começam com S:
Seiri – Senso de utilização
Seiton – Senso de organização
Seiso – Senso de limpeza
Seiketsu – Senso de padronização
Shitsuke – Senso de disciplina.
180
14.2 SELO DE QUALIDADE DA CONSTRUÇÃO CIVIL
O PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat), é
um instrumento do governo federal que tem como objetivo organizar o setor da
construção civil em torno da melhoria da qualidade do habitat e da modernização
produtiva, através da qualificação de construtoras, mão de obra, fornecedores de
materiais e serviços, entre outros. A adesão ao PBQP-H tem como um dos grandes
benefícios a possibilidade de conquista de financiamento em instituições de crédito
públicas (como Caixa e Banco do Brasil) e privadas (como Santander, Bradesco etc.)
e a participação no programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal. Esses
órgãos têm o PBQP-H como pré-requisito para concessão de benefícios.
A busca por esses objetivos envolve um conjunto de ações, entre as quais se
destacam: avaliação da conformidade de empresas de serviços e obras, melhoria da
qualidade de materiais, formação e requalificação de mão-de-obra, normalização
técnica, capacitação de laboratórios, avaliação de tecnologias inovadoras, informação
ao consumidor e promoção da comunicação entre os setores envolvidos. Dessa
forma, espera-se o aumento da competitividade no setor, a melhoria da qualidade de
produtos e serviços, a redução de custos e a otimização do uso dos recursos públicos.
O objetivo, a longo prazo, é criar um ambiente de isonomia competitiva, que propicie
soluções mais baratas e de melhor qualidade para a redução do déficit habitacional
no país, atendendo, em especial, a produção habitacional de interesse social
181
15 ANEXO
PROCESSO DE EXECUÇÃO DE
SERVIÇO
INSTALAÇÃO DE ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO
PES – 01/01 182
DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA
1 Projeto arquitetônico;
2 Projeto de esquadrias (se houver).
MATERIAIS E EQUIPAMENTOS
1 Silicone; 7 Pano;
2 Esquadria de alumínio; 8 Pincel;
3 Parafuso; 9 Tinta spray na cor do alumínio;
4 Broca de aço rápido; 10 Trena metálica;
5 Furadeira elétrica; 11 EPI’s (Bota, Luva,
6 Espátula; capacete,óculos, etc).
CONDIÇÕES PARA O INÍCIO DOS SERVIÇOS
1 O revestimento das paredes deve estar concluído;
2 Os contra marcos devem estar assentados.
MÉTODO EXECUTIVO
As atividades relacionadas ao processo de execução do serviço de Instalação de Esquadrias de
Alumínio estão definidas conforme o fluxograma abaixo:
183
ITEM ATIVIDADES (O QUE) FOTO DESCRIÇÃO (COMO)
4.1.1 Limpar a área do
INÍCIO contramarco, removendo as
4.1 incrustações e sujeiras com a
espátula.
4.1.2 Remover o pó com pincel e
LIMPAR A ÁREA pano.
4.2.1 Marcar os furos para o
assentamento da esquadria,
colocando-a no local.
4.2 MARCAR OS FUROS 4.2.2 Furar os buracos com
furadeira e broca compatível
com o tamanho e espessura da
bucha e parafuso.
4.3.1 Pintar os cantos dos cortes
PINTAR OS CANTOS no alumínio com a tinta spray.
4.3 DOS CORTES 4.3.2 Verificar se foram feitos
rasgos na esquadria que
permitam o escoamento da água
NÃO da chuva.
RASGOS NA
ESQUADRIAS ?
SIM
4.4.1 Aplicar silicone em toda
4.4 área de contato do contramarco
com a esquadria pra evitar
APLICAR infiltrações.
SILICONE 4.4.2 Colocar silicone onde se
observar brechas que possam
causar infiltrações.
4.5 4.5.1 Colocar a esquadria no
COLOCAR A local e fixá-la.
ESQUADRIA 4.5.2 Limpar a esquadria com
pano úmido.
4.5.3 Em seguida, deve-se iniciar
o processo de instalação dos
ESQUADRIA vidros, caso seja necessário,
POSSUI VIDRO? conforme o projeto.
4.5.4 Caso a esquadria não
receba vidro, finalizar.
FIM
A
184
4.6 A 4.6.1 Retirar o baguete e limpar
as esquadrias nos locais de
colocação do vidro.
RETIRAR O
BAGUETE
4.7 4.7.1 Colocar o vidro, cortando
COLOCAR O os excessos.
VIDRO NOTA: Caso a colocação não
fique conforme, realizar
NÃO correções necessárias.
VIDRO OK ?
FAZER
CORREÇÕES
SIM
4.8 4.8.1 Recolocar o baguete e
vedar com a massa,
RECOLOCAR comprimindo levemente com a
O BAGUETE espátula. Retirar o excesso.
E VEDAR
4.9 4.9.1 Limpar a esquadria e o
vidro com um pano.
LIMPAR A
ESQUADRIA
E O VIDRO
FIM
CUIDADOS NECESSÁRIOS
1 Qualquer condição insegura no ambiente de trabalho, bem como máquinas e equipamentos
defeituosos, comunicar imediatamente aos responsáveis (mestre, engenheiro);
2 Observar se o local de trabalho encontra-se limpo e desobstruído de qualquer material e/ou
entulho que prejudique sua locomoção ou traga algum risco de acidente e que venha dificultar
a fuga para alguma emergência.
FORMULÁRIOS E MODELOS CORRELATOS
1 FVS 01-001 - Instalação de esquadrias de alumínio
2 FVS 01-002 - Colocação de vidro em esquadrias de alumínio
185
FVS - Instalação de Obra: Equipe: Código: Versão:
Nº:
FVS-01-001 01
Esquadria de Alumínio
Condições de uso dos
Trena [ ]C [ ]NC Régua [ ]C [ ]NC Esquadro de mão [ ]C [ ]NC Prumo [ ]C [ ]NC Ferramentas [ ]C [ ]NC Nível de Bolha [ ]C [ ]NC
equipamentos/ferramentas:
Unidade (por lote)
Item Método de verificação Tolerância Nível
Verificar visualmente se não há pontos sem vedação
Vedação Visual CT
(borrachas, escovas e silicone).
Rasgos para Verificar visualmente se há rasgos para o escoamento Máx.
CT
escoamento de água da água. 0,2 cm
Verificar visualmente se os perfis estão pintados e sem
Acabamento presença de manchas, bolhas, escorrimentos, Visual MR
amassamentos e arranhões.
Quando aplicável, verificar abertura e fechamento da
Funcionamento Visual MN
esquadria (janelas e portas de varandas)
Anomalia Encontrada Medição Solução proposta (Ação Corretiva) Retrabalho Reinspeção
___/___/___ ___/___/___
___/___/___ ___/___/___
___/___/___ ___/___/___
Decisão de acordo com os defeitos registrados Nº Defeitos Resultado Índice de não qualidade
Avaliação CT - Crítico MR- Maior MN - Menor Defeitos (Nº defeitos/ (%) Resultado
(Nº áreas inspecionados x [ ] Aprovado [ ] Reprovado [ ] Aprovado sob concessão
Aceitação 0 1 2
Nº itens de verificação)) (Apenas pelo Engenheiro)
Rejeição 1 2 3
Legenda da Inspeção Aprovado Reprovado Aprovado após Reinspeção Ñ inspecionado
Legenda Equipamentos
C = Conforme
Em branco NC = Não conforme
Local: Personalização? Inspecionado por: Aprovado por: Abertura Fechamento
_____/_____/_____ _____/_____/_____
186
PROCESSO DE EXECUÇÃO DE
SERVIÇO
LOCAÇÃO DE OBRA
PES – 02/01 187
DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA
1 Planta de locação de obra;
2 ABNT NBR 1367 - Áreas de vivencia em canteiros de obra;
3 Ministério do Trabalho NR 18 - Condições e meio ambiente do trabalho na indústria
da construção.
MATERIAIS E EQUIPAMENTOS
1 Pontaletes, sarrafos e estroncas; 7 Pá, Enxada e Cavadeira;
2 Arame recozido e pregos; 8 Prumo de centro;
3 Linha de nylon; 9 Tábua;
de
4 Mangueira de nível, nível de bolha ou Aparelho 10 nível
Trenaametálica;
laser;
5 Esmalte sintético; 11 Martelo;
6 Pincel fino para letreiro 12 EPI’s (bota, luva, capacete,
etc)Pano;
CONDIÇÕES PARA O INÍCIO DOS SERVIÇOS
1 O terreno deve estar limpo e escavado até a proximidade das cotas definidas para
execução ou apoio das fundações.
MÉTODO EXECUTIVO
As atividades relacionadas ao processo de execução do serviço de Locação de Obra
estão definidas conforme o fluxograma abaixo:
188
ITEM ATIVIDADES (O QUE) FOTO DESCRIÇÃO (COMO)
4.1.1 Definir a referência de nível e a
INÍCIO referência pela qual será feita a
4.1 locação da obra, conferindo as
medidas do terreno.
DEFINIR A 4.1.2 Definir a referência para o
REFERÊNCIA DE esquadro de locação da edificação e do
NÍVEL E gabarito.
ESQUADRO
4.2.1 A partir da referência escolhida
no terreno, marcar os pontos do
gabarito, deixando aproximadamente
4.2 1 metro da face da fundação mais
MARCAR OS externa, podendo aumentar o
PONTOS DO afastamento dependendo da
GABARITO profundidade da fundação e
classificação do solo.
NOTA: Esta marcação será feita com
trena metálica a partir da referência
escolhida. Assim, se define todos os
pontos do gabarito.
4.3.1 Executar o gabarito por meio da
cravação dos pontaletes, que devem
4.3 EXECUTAR O estar aprumados e alinhados, faceando
GABARITO sempre o mesmo lado da linha de
naylon, procurando manter uma
distância de aproximadamente 2
metros um do outro.
4.4.1 Após a cravação dos pontaletes,
4.4 a altura média do solo de cerca de 1m
a 1,5m, na face interna dos pontaletes,
FÔRMAR O pregar sarrafos de madeira com altura
GABARITO de 15cm também nivelados, formando
o chamado “gabarito”.
4.4.2 Pintar o gabarito de branco pra
facilitar a marcação.
4.5 DEFINIR AS 4.5.1 A partir do projeto de arquitetura
LINHAS DOS ou estrutura, marcar no gabarito as
EIXOS PARA faces externas da edificação,
LOCAÇÃO DOS observando os recuos.
189
PILARES 4.5.2 Definir as linhas dos eixos
principais (X e Y), a partir deles marcar
as distâncias dos eixos dos pilares,
A através de trena, colocando a
A numeração com lápis e fixando-se
prego no topo do sarrafo.
NÃO 4.5.3 Após marcar todos os eixos,
conferir toda a distância entre os eixos
DISTÂNCIA vizinhos. As faces paralelas terão
DOS EIXOS marcações semelhantes entre si.
OK ?
SIM
4.6 4.6.1 Pintar com esmalte sintético, nas
faces das tábuas do gabarito, o número
de cada pilar, bem como os eixos de
referência, indicando o prego
PINTAR O correspondente.
GABARITO
FIM
CUIDADOS NECESSÁRIOS
1 Qualquer condição insegura no ambiente de trabalho, bem como máquinas e equipamentos
defeituosos, comunicar imediatamente aos responsáveis (mestre, engenheiro);
FORMULÁRIOS E MODELOS CORRELATOS
1 FVS 02-001 - Locação de obra
190
Obra: Equipe: Código: Versão: Nº:
FVS - Locação de Obra FVS-02-001 01
Condições de uso dos
Trena [ ]C [ ]NC Régua [ ]C [ ]NC Esquadro de mão [ ]C [ ]NC Prumo [ ]C [ ]NC Ferramentas [ ]C [ ]NC Nível de Bolha [ ]C [ ]NC
equipamentos/ferramentas:
Unidade (por lote)
Item Método de verificação Tolerância Nível
Medir com trena a distância entre o nível de
Posicionamento referência e a marca feita. Verificar a distância do
2 cm CT
do gabarito terreno do pilar mais próximo
Conferir os eixos X e Y
Fixação, Por meio de linha e nível de mangueira ou laser após 1 cm em
travamento, a sua conclusão 5 metros
CT
Locação dos eixos
das peças no Por meio de trena metálica 0,5 cm CT
gabarito
Alinhamento e Por meio de linha e nível de mangueira ou laser após 1 cm em
nível do gabarito a sua conclusão 5 metros
MR
Anomalia Encontrada Medição Solução proposta (Ação Corretiva) Retrabalho Reinspeção
___/___/___ ___/___/___
___/___/___ ___/___/___
Decisão de acordo com os defeitos registrados Nº Defeitos Resultado Índice de não qualidade
Avaliação CT - Crítico MR- Maior MN - Menor Defeitos (Nº defeitos/ (%) Resultado
(Nº áreas inspecionados x [ ] Aprovado [ ] Reprovado [ ] Aprovado sob concessão
Aceitação 0 1 2
Nº itens de verificação)) (Apenas pelo Engenheiro)
Rejeição 1 2 3
Legenda da Inspeção Aprovado Reprovado Aprovado após Reinspeção Ñ inspecionado
Legenda Equipamentos
C = Conforme
Em branco NC = Não conforme
191
16 REFERÊNCIAS
YAZIGI, W. A técnica de edificar. 10. ed. rev. e atual. - São Paulo : Pini : SindusCon,
2009.
PINI, EDITORA. Construção passo a passo. São Paulo: Pini, 2009.
BORGES, A. C. PRATICA DAS PEQUENAS CONSTRUÇÕES. 9ed. Revisada.
Editora Blucher. São Paulo, 2009.
192