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Projeto Ponte

O documento apresenta o projeto estrutural de uma ponte rodoviária em concreto armado, com foco no cálculo e memorial descritivo, seguindo normas técnicas brasileiras. A estrutura é composta por duas vigas longarinas principais e inclui o pré-dimensionamento, cálculo das vigas, transversinas e laje do tabuleiro. O projeto atende à classe de carga TB-45 e considera aspectos como a agressividade ambiental e as dimensões estruturais.

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O documento apresenta o projeto estrutural de uma ponte rodoviária em concreto armado, com foco no cálculo e memorial descritivo, seguindo normas técnicas brasileiras. A estrutura é composta por duas vigas longarinas principais e inclui o pré-dimensionamento, cálculo das vigas, transversinas e laje do tabuleiro. O projeto atende à classe de carga TB-45 e considera aspectos como a agressividade ambiental e as dimensões estruturais.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO TECNOLÓGICO DE JOINVILLE


CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DE INFRAESTRUTURA

LUAH MARIA LIBANI SANTOS


JOÃO LUCAS KERTISCHKA HOFELMANN
VINICIUS VERDELLI FERNANDES

PROJETO E MEMORIAL DE CÁLCULO DE PONTE RODOVIÁRIA


HIPERESTÁTICA EM CONCRETO ARMADO COM SEÇÃO TRANSVERSAL
CONSTITUÍDA DE DUAS VIGAS LONGARINAS PRINCIPAIS

Joinville
2025
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Seção transversal típica da ponte ............................................................. 9


Figura 2 – Seção longitudinal da ponte ...................................................................... 9
Figura 3 – Barreira New Jersey ................................................................................ 11
Figura 4 – Tabela de Classe de Agressividade Ambiental (CAA) ............................ 13
Figura 5 – Correspondência entre a CAA e o cobrimento ........................................ 13
Figura 6 – Valores arbitrados para a pré-dimensionamento da longarina ................ 14
Figura 7 - Resultado dos espaçamentos ................................................................. 14
Figura 8 – Vista seção transversal das transversinas .............................................. 16
Figura 9 – Meia seção transversal no vão................................................................ 17
Figura 10 – Seção transversal da cortina ................................................................. 19
Figura 11 – Seção transversal da ala ....................................................................... 20
Figura 12 – Seção transversal da transversina de apoio ......................................... 21
Figura 13 - Seção transversal da transversina de apoio .......................................... 22
Figura 14 – Barreira New Jersey .............................................................................. 24
Figura 15 – Pavimento asfáltico da ponte ................................................................ 24
Figura 16 – Parâmetros para carga G5 .................................................................... 25
Figura 17 – Esforços de cortante devido à carga permanente (etapa 1).................. 26
Figura 18 – Esforços de momento devido à carga permanente (etapa 1)................ 26
Figura 19 – Esforços de cortante devido à carga permanente (etapa 2).................. 27
Figura 20 – Esforços de momento devido à carga permanente (etapa 2)................ 27
Figura 21 – Disposição das cargas móveis .............................................................. 28
Figura 22 – Linha de influência da carga do TB-45 e multidão interna .................... 29
Figura 23 – Linha de influência da carga de multidão externa ................................. 29
Figura 24 – Cargas móveis atuantes nas longarinas ............................................... 31
Figura 25 – Linha de influência do momento no meio da longarina ......................... 31
Figura 26 – Linha de influência da cortante no primeiro apoio da longarina ............ 31
Figura 27 - Linha de influência da cortante no primeiro apoio da longarina ............. 32
Figura 28 - Linha de influência da cortante no segundo apoio da longarina ............ 32
Figura 29 – Momento atuante devido à carga móvel na longarina........................... 33
Figura 30 – Cortante atuante devido à carga móvel na longarina ............................ 33
Figura 31 – Valores de cortante e momento solicitados por carga móvel ................ 33
Figura 32 – Envoltória de esforços de momento total na longarina (não majorados)
................................................................................................................................. 34
Figura 33 – Envoltória de esforços de cortante total na longarina (não majorados) 34
Figura 34 – Envelope de esforços final atuantes na longarina (majorados) ............. 34
Figura 35 – Detalhamento de armaduras das longarinas......................................... 37
Figura 36 – Combinação frequente de ações .......................................................... 38
Figura 37 – Parâmetros da equação ........................................................................ 38
Figura 38 – Parâmetros para as curvas S-N (Woeller) para os aços de concreto ... 41
Figura 39 – Verificação para o concreto em compressão ........................................ 42
Figura 40 – Cortante nas transversinas dos apoios ................................................. 44
Figura 41 – Momento fletor nas transversinas dos apoios ....................................... 45
Figura 42 – Cortante nas transversinas dos vãos .................................................... 45
Figura 43 – Momento fletor nas transversinas dos vãos .......................................... 45
Figura 44 – Detalhamento de armadura para transversinas nos apoios .................. 48
Figura 45 - Detalhamento de armadura para transversinas nos vãos ...................... 49
Figura : Dimensões da laje de cálculo...................................................................... 50
Figura : Cálculo do valor de t .................................................................................. 50
Figura : Representação da projeção sobre a laje ..................................................... 51
Figura : a,b: Espaçamento entre as rodas do eixo ................................................... 52
Figura : Parâmetros de entrada para os cálculos..................................................... 52
Figura : Valores de L, p e p’ para os momentos em x .............................................. 53
Figura : Valores de L, p e p’ para os momentos em y .............................................. 54
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Dados de entrada para pré-dimensionamento ........................................ 8


Quadro 2 – Dados da seção transversal .................................................................... 9
Quadro 3 – Dados da seção longitudinal ................................................................. 10
Quadro 4 – Peso da cortina ..................................................................................... 20
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Resultados para x .................................................................................... 54


Tabela 2: Resultados para y .................................................................................... 54
SUMÁRIO

1. MEMORIAL DESCRITIVO ..................................................................................... 8


2. PRÉ-DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS DA SUPERESTRUTURA ....... 10
2.1 DEFINIÇÃO DA ALTURA CONSTRUTIVA DISPONÍVEL.................................. 10
2.2 DETERMINAÇÃO DA SEÇÃO TRANSVERSAL ................................................ 11
2.3 DETERMINAÇÃO DAS DIMENSÕES ESTRUTURAIS ..................................... 12
2.3.1 Viga longarina................................................................................................ 12
2.3.2 Viga transversina .......................................................................................... 15
3. CÁLCULO DA VIGA LONGARINA PRINCIPAL ................................................. 17
3.1 CARGAS PERMANENTES NA SUPERESTRUTURA – 1° ETAPA ................... 17
3.1.1 Carga g1 – Longarina do vão e laje ............................................................ 18
3.1.2 Carga g2 – Longarina dos balanços ............................................................ 18
3.1.3 Carga g3 - Mísula horizontal......................................................................... 18
3.1.4 Carga g4 ......................................................................................................... 18
3.1.5 Carga G1 – Meia cortina ............................................................................... 19
3.1.6 Carga G2 ........................................................................................................ 21
3.1.7 Carga G3 ........................................................................................................ 22
3.2 CARGAS PERMANENTES NA SUPERESTRUTURA – 2° ETAPA ................... 23
3.2.1 Carga g5 – Barreira New Jersey................................................................... 23
3.2.2 Carga G5 ........................................................................................................ 25
3.3 ESFORÇOS SOLICITANTES DEVIDOS À CARGA PERMANENTE ................ 26
3.4 CARGAS MÓVEIS E ESFORÇOS SOLICITANTES NAS VIGAS PRINCIPAIS 27
3.5 ENVOLTÓRIA DE ESFORÇOS SOLICITANTES .............................................. 34
3.6 DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DAS ARMADURAS ...................... 35
3.6.1 Armadura principal ....................................................................................... 35
3.6.2 Armadura de estribo ..................................................................................... 36
3.6.3 Detalhamento da armadura .......................................................................... 37
3.6.4 Fadiga............................................................................................................. 37
3.4.6.1. Verificação da fadiga no aço ....................................................................... 38
3.4.6.2 Verificação da fadiga no concreto em compressão ...................................... 41
3.4.6.3 Verificação da fadiga no concreto tracionado .............................................. 43
4. CÁLCULO DE TRANSVERSINA......................................................................... 44
4.1 ESFORÇOS SOLICITANTES ............................................................................ 44
4.2 DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL DAS TRANVERSINAS .......................... 45
5. CÁLCULO DE UMA LAJE DO TABULEIRO ...................................................... 49
5.1. ESFORÇOS SOLICITANTES ........................................................................... 50
6. ELEMENTOS DA MESOESTRUTURA ............................................................... 57
6.1 ESFORÇOS SOLICITANTES VERTICAIS ........................................................ 57
6.2 AÇÕES HORIZONTAIS LONGITUDINAIS E TRANSVERSAIS......................... 57
6.3 DISTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES HORIZONTAIS LONGITUDINAIS ...................... 58
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 59
8

1. MEMORIAL DESCRITIVO

O presente trabalho tem como objetivo o desenvolvimento do projeto


estrutural de uma ponte rodoviária em concreto armado com seção transversal
composta por duas vigas longarinas principais. O projeto contempla a elaboração de
um memorial descritivo e de cálculo, atendendo aos requisitos normativos das normas
técnicas brasileiras, como a NBR 6118, NBR 7187, NBR 7188 e NBR 6123.
A estrutura projetada corresponde a uma ponte em nível e reta, pertencente
à classe de carga TB-45, com vigas principais em concreto armado e seção
transversal baseada em dados disponibilizados pela Dra. Anelize Borges Monteiro e
apresentados no Quadro 1. Serão desenvolvidos o pré-dimensionamento dos
elementos da superestrutura, os cálculos das vigas principais, transversinas e laje do
tabuleiro, bem como a verificação qualitativa da mesoestrutura.

Quadro 1 – Dados de entrada para pré-dimensionamento


Concreto com fck = 40MPa
Aço CA-50
Aparelho de apoio neoprene fretado
Pilares de seção circular supostamente engastado no topo de tubulões
Fonte: Borges (2025)

A seguir é apresentado os desenhos esquemáticos das seções transversal e


longitudinal da ponte de pista simples de estudo deste projeto.
9

Figura 1 – Seção transversal típica da ponte

Fonte: Borges (2025).

A partir da Figura 1, a Dra. Anelize Monteiro Borges também disponibilizou


algumas definições para esta seção, expostos no Quadro 2.

Quadro 2 – Dados da seção transversal

X = 630 cm
Y = 670 cm
Lv = 650 cm
Capeamento asfáltico = 7cm
Inclinação do capeamento = 1%
Fonte: Borges (2025).

As demais dimensões serão definidas ao longo do trabalho. De forma similar,


é apresentado o corte da seção longitudinal da ponte.

Figura 2 – Seção longitudinal da ponte

Fonte: Borges (20025).


10

O Quadro 3 apresenta as informações iniciais da ponte.

Quadro 3 – Dados da seção longitudinal

Elevação da ponte = 182,89 m


N.A máx = 180,13 m
Vão de cálculo = 2900 cm
Comp. Da viga = 2950 cm
Comp. Total = 6055 cm
Fonte: Borges (2025).

2. PRÉ-DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS DA SUPERESTRUTURA

Com a definição dos critérios iniciais da ponte pode-se definir as demais


dimensões dos elementos que a compõe. A metodologia utilizada foi baseada no
trabalho apresentado por Andrade (2010).

2.1 DEFINIÇÃO DA ALTURA CONSTRUTIVA DISPONÍVEL

A altura construtiva corresponde à distância entre o ponto mais alto da


superfície do tabuleiro e o ponto mais baixo da superestrutura da ponte. Esse
parâmetro é de fundamental importância no desenvolvimento do projeto, pois pode
influenciar diretamente na escolha do tipo estrutural mais adequado.
Para a definição da altura construtiva e, por consequência, da altura das vigas
principais é indispensável conhecer o gabarito da via ou do curso d’água a ser
transposto, neste caso avalia-se o curso d’água já definido anteriormente. Assim
calcula-se a altura construtiva através da Equação (1):

𝐻 = 𝐸𝑙𝑒𝑣𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑒 − 𝑁. 𝐴 á
(1)
𝐻 = 182,89 − 180,13 = 2,76 𝑚

Após a definição da altura construtiva, define-se a altura das vigas da ponte. Para
isso, utiliza-se a experiência anteriores de projetistas que utilizam a regra básica
proposta pela Equação (2):
11

𝐿 𝐿
<𝐻 < (2)
12 10

Onde:

 Lv = Comprimento do vão da ponte (entre apoios);


 Hv = Altura da viga.

Assim, calcula-se os limites e define-se a altura da viga que será utilizada no projeto.
2,42 < 𝐻 < 2,90

A partir da definição dos limites e da altura construtiva, visando utilizar ao


máximo a disponibilidade e facilitar a execução, define-se a altura da viga (Hv) sendo
igual a 2,75 metros.

2.2 DETERMINAÇÃO DA SEÇÃO TRANSVERSAL

Para a seção transversal é necessário avaliar os elementos que compõe, como já


exposto no Quadro 2. Destaca-se nesta seção as barreiras New Jersey apresentados
pelo DNIT representado pela Figura .

Figura 3 – Barreira New Jersey

Fonte: DNIT (2009).


12

Apresentado isso, pode-se definir a largura transversal total através da


Equação (3):

𝐿 = 0,4 + 6,30 + 6,70 = 13,40 𝑚


(3)

2.3 DETERMINAÇÃO DAS DIMENSÕES ESTRUTURAIS

Para a etapa de pré-dimensionamento da superestrutura da ponte é comum


se utilizar parâmetros empíricos obtidos a partir de experiências anteriores de projeto
e construção.

2.3.1 Viga longarina

Para as vigas longarinas de uma ponte em concreto armado é comum a


utilização de vigas seção T nos vãos e de seção retangular nos apoios. A
determinação da seção da longarina é feita da seguinte forma:

 Arbitrar uma armadura longitudinal, especificando a bitola (Ф) e


quantidade de barras;
 Define-se o cobrimento da armadura pela Classe de
Agressividade Ambiental (CAA);
 Arbitra-se uma bitola para o estribo;
 Define-se os espaçamentos verticais (av) e horizontais (ah)
entre as barras.

Para a determinação do CAA da ponte utiliza-se critérios estabelecidos pela


norma NBR 6118:2023, a Figura apresenta os critérios estabelecidos pela norma.
13

Figura 4 – Tabela de Classe de Agressividade Ambiental (CAA)

Fonte: ABNT (2023).

A partir da Figura , como a ponte está sobre um rio que pode chegar quase a
altura construtiva determinada, entende-se que a agressividade é forte, assim a CAA
é igual a III. A partir disso, a NBR 6118:2023 aponta qual deve ser o cobrimento em
função do elemento estrutural.

Figura 5 – Correspondência entre a CAA e o cobrimento

Fonte: ABNT (2023).

A partir da Figura , como trata-se de uma viga e CAA de classe III, o


cobrimento será de 4 cm. Feito isso, a Figura apresenta os valores arbitrários para
continuidade do pré-dimensionamento.
14

Figura 6 – Valores arbitrados para a pré-dimensionamento da longarina


Dados Arbitrados

φb(mm) 25

N° de barras p/camada 10

N° de camadas 4

φt(mm) 10

Cobrimento (cm) 4

Brita (cm) 2,5


Fonte: Autores (2025).

Feito isso, é necessário definir os espaçamentos verticais e horizontais das


camadas, os quais podem ser calculados a partir das Equações (4) e (5).

20 𝑚𝑚
𝑎 ≥ 𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟 ∅𝑏
(4)
1,2. ∅𝑎𝑔𝑟𝑒𝑔𝑎𝑑𝑜

20 𝑚𝑚
𝑎 ≥ 𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟 ∅𝑏 (5)
0,5. ∅𝑎𝑔𝑟𝑎𝑔𝑎𝑑𝑜

Apresentado isso, são calculados os espaçamentos e os resultados são


evidenciados na Figura 7Figura .

Figura 7 - Resultado dos espaçamentos


Espaçamentos
ah (cm) 3,00
av (cm) 3,00
Fonte: Autores (2025)

Após a definição de todos os parâmetros, é possível calcular a largura (bw)


da longarina através da Equação

𝐵𝑤 = 2. 𝑐 + 2. Ф𝑡 + 𝑛. Ф𝑏 + 𝑎ℎ. (𝑛 − 1) (6)
15

Onde:

 Bw = Largura da viga;
 c = Cobrimento;
 Ф𝑡 = Bitola do estribo;
 𝑛 = Número de barras;
 Ф𝑏 = Bitola da barra longitudinal;
 𝑎ℎ = Espaçamento horizontal.

Dessa maneira calcula-se a largura da viga longarina:

𝐵𝑤 = 2.4 + 2.1 + 10.2,5 + 3. (10 − 1) = 62 𝑐𝑚

Assim, determina-se a largura da viga longarina durante o vão igual a 65 cm


visando facilitar a execução em campo. Nos apoios será adotado um bw igual ao
diâmetro do pilar, ou seja, bw,apoio = 140 cm. Posto isso será necessário adotar
mísulas onde há essa transição, para isso, é comum a utilização da seguinte relação:

𝑙𝑣
𝑙, 𝑚í𝑠𝑢𝑙𝑎 = 2. (7)
10

29
𝑙, 𝑚í𝑠𝑢𝑙𝑎 = 2. = 5,8 𝑚
10

As demais dimensões das vigas como mísulas verticais são definidas a partir
de projetos anteriores. Nesse projeto serão adotadas mísulas de 10cm de altura por
100cm de comprimento para a seção transversal.

2.3.2 Viga transversina

As transversinas, ou vigas transversais, são normalmente projetadas de


forma a não se ligarem rigidamente à laje do tabuleiro, permitindo que a armadura da
laje seja contínua ao longo de toda sua extensão, sem interrupções. Além disso, é
comum que essas vigas apresentem altura inferior à das vigas longarinas, de modo
16

a evitar interferências entre as armaduras inferiores de ambos os elementos


estruturais, facilitando a disposição e o detalhamento do aço.
Com base em referências de projetos anteriores admite-se que a espessura
da alma das transversinas varie geralmente entre 20 e 25 cm, a depender das cargas
atuantes e do vão entre as vigas principais, neste projeto adota-se para o pré-
dimensionamento 25 cm. Para as distâncias entre transversinas, Leonhardt (1978)
menciona algumas diretrizes a serem seguidas, dentre elas:

 Ter uma transversina no meio do vão;


 Deve-se ter transversinas nos apoios;
 A distância entre transversinas não deve ser superior a um terço do
vão livre.

Posto isso, seguindo as recomendações mencionadas define-se o


espaçamento entre as transversinas igual à 7,25 m. Assim serão 3 transversinas ao
longo do vão de cada longarina, e uma em cada apoio, ou seja, 3 em toda a ponte. A
altura das transversinas de apoio será igual a altura da longarina, 275 cm. Para as
transversinas do vão diminui-se 30 cm com base em projetos anteriores, ou seja, 245
cm. Assim como na seção transversal, serão adotadas mísulas com 10 cm de altura
por 100 cm de comprimento, como mostra a Figura .

Figura 8 – Vista seção transversal das transversinas

Fonte: Andrade (2010).

Ademais, será considerado lajes de espessura igual 20 cm nos vãos da seção


transversal e 15 cm nos balanços desta seção.
17

3. CÁLCULO DA VIGA LONGARINA PRINCIPAL

As longarinas são consideradas os principais elementos estruturais das


pontes, responsáveis por suportar as ações permanentes, como o peso próprio da
superestrutura, e as cargas móveis provenientes do tráfego. Elas assumem os
maiores esforços de flexão e cisalhamento da estrutura, sendo projetadas para resistir
a momentos fletores elevados (Cavalcante, 2019).
A seguir é apresentado o dimensionamento das vigas longarinas da estrutura,
avaliando as cargas e esforços atuantes, com base nas combinações de ações
previstas pelas normas técnicas vigentes.

3.1 CARGAS PERMANENTES NA SUPERESTRUTURA – 1° ETAPA

As cargas permanentes calculadas são aplicadas diretamente sobre as vigas


longarinas, sendo distribuídas de forma que cada viga receba as ações
correspondentes à sua metade da ponte. Essa simplificação é possível devido à
simetria da estrutura e à presença de duas vigas principais, o que permite a análise
de apenas meia seção transversal da ponte para fins de cálculo estrutural. A Figura
9 representa a meia seção transversal no vão.

Figura 9 – Meia seção transversal no vão

Fonte: Autores (2025)


18

A partir da seção acima, pode-se partir para o cálculo dos pesos próprios das
estruturas em uma viga.

3.1.1 Carga g1 – Longarina do vão e laje

A carga g1 é referente à carga da seção transversal do viaduto da viga+laje


no vão. Para o cálculo preciso da área foi utilizado o software Civil 3D, desta forma a
área é igual a 3,22 m². Para determinar o peso por metro foi considerado peso
específico do concreto armado igual a 25 kN/m³, desta forma calcula-se a carga g1
através da equação:

𝑔1 = 2,77.25 = 69,20 𝑘𝑁/𝑚

3.1.2 Carga g2 – Longarina dos balanços

Para a ponte de estudo a carga g2 será igual a zero, uma vez que não há
regiões em balanço para as longarinas.

3.1.3 Carga g3 - Mísula horizontal

A carga g3 está relacionada com a transição de bw, neste caso a largura da


viga varia de 65 cm a 140 cm. Esta carga é adicionada ao longo da distância de 5,8
metros a partir dos apoios, sendo este valor o comprimento da mísula previamente
calculada. O peso desta região pode ser calculado a partir da Equação (8).

𝑔3 = 𝑙𝑎𝑟𝑔𝑢𝑟𝑎 𝑎𝑑𝑖𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙. ℎ −ℎ .𝛾 (8)

𝑔3 = (1,40 − 0,65). (2,75 − 0,20). 25 = 47,81 𝑘𝑁/𝑚

3.1.4 Carga g4

A carga g4 é referente a soma das cargas g1 e g3, portanto:


𝑔4 = 𝑔1 + 𝑔3 = 69,20 + 47,81 = 117,02 𝑘𝑁/𝑚
19

3.1.5 Carga G1 – Meia cortina

A carga concentrada G1 corresponde à reação de apoio devido ao peso de


meia cortina de extremidade que exerce uma ação na viga. Para o cálculo do peso
utilizou-se o software Civil 3D para se atingir maior precisão, a seguir é apresentado
a representação da cortina da ponte de estudo, bem como suas dimensões e a
separação de suas partes.

Figura 10 – Seção transversal da cortina

Fonte: Autores (2025)

Definido as dimensões da cortina, para o cálculo de seu peso definiu-se o


comprimento de cada região apresentada acima, a Equação (9) apresenta a forma
com que se calculou o peso de cada região da cortina.
20

𝐺1′ = 𝐴 . 𝐿. 𝛾 (9)

Onde:

 G1’ = Peso parcial de uma região da cortina;

 Atransversal = Área transversal da região;

 L: Comprimento de meia seção onde há o elemento

 𝛾 = Peso específico do concreto (kN/m³).

Apresentado isso, o quadro x apresenta o cálculo para o peso da cortina.

Quadro 4 – Peso da cortina


Cortina - Meia seção
Região da cortina Área (m²) Comprimento (m) үc (kN/m³) Peso (kN)
Alma 0,69 6,70 25,00 115,16
Vigueta inferior 0,13 6,70 25,00 20,94
Consolo 0,105 6,55 25,00 17,19
Mísula 0,25 2,55 25,00 15,94
Fonte: Autores (2025)

De maneira similar, ainda para a carga G1, apresenta-se as dimensões da


ala para a ponte deste trabalho através da Figura 11.

Figura 11 – Seção transversal da ala

Fonte: Autores (2025).


21

Através da Equação (10) calcula-se o peso da ala, para isso considerou


espessura igual a 15 cm. A área transversal foi calculada com o auxílio do software
Civil 3D.

𝐺1′ = 𝐴 . 𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑠𝑢𝑟𝑎. 𝛾 (10)

𝐺1 = 7,97.0,15.25 = 29,90 𝑘𝑁

Tendo calculado os pesos individuais das regiões da cortina e da ala basta


somá-las para se ter o peso total da carga G1.

𝐺1 = 29,90 + 115,16 + 20,94 + 17,94 + 15,94 = 199,13 𝑘𝑁

3.1.6 Carga G2

A carga G2 é referente ao peso de meia transversina de apoio, a Figura


apresenta a seção transversal.

Figura 12 – Seção transversal da transversina de apoio


22

Fonte: Autores (2025)

O comprimento das meias vigas transversinas é igual metade do vão de apoio


retirando metade do diâmetro do pilar. O cálculo da área transversal é feito de forma
igual as calculadas anteriormente. Assim se utiliza a Equação (9 )para cálculo de G2.

6,50 − 1,40
𝐺2 = 1,19 ∗ ∗ 25 = 75,70 𝑘𝑁
2

3.1.7 Carga G3

A carga G3 é referente ao peso de meia transversina disposta no vão, e pode


ser calcula de maneira similar a G2. As vigas transversinas do vão tem altura menor
em relação com as de apoio.

Figura 13 - Seção transversal da transversina de apoio


23

Fonte: Autores (2025)

O comprimento é calculado sendo metade do vão menos a metade da largura


Bw da viga longarina no vão. O cálculo da área transversal for realizado no civil 3D e
se utiliza a Equação (9 para cálculo de G3.

6,50 − 0,65
𝐺3 = 1,11 ∗ ∗ 25 = 81,35 𝑘𝑁
2

3.2 CARGAS PERMANENTES NA SUPERESTRUTURA – 2° ETAPA

Para a segunda etapa considera-se os elementos que não fazem parte da


estrutura da ponte de fato, ou seja, não são consideradas peso próprio.

3.2.1 Carga g5 – Barreira New Jersey

A carga g5 é referente a carga distribuída devido ao peso do guarda-roda


New Jersey somado ao peso do pavimento por metro de comprimento da longarina.
Assim a Figura apresenta o esquema da barreira a ser calculada.
24

Figura 14 – Barreira New Jersey

Fonte: Autores (2025)


A carga por metro que o guarda-rodas aplica na longarina pode ser calculada
através da Equação (11). Sua área foi calculada utilizando-se o Civil 3D.

𝑔5, 𝑏 = 𝐴 .𝛾 (11)

𝑔5, 𝑏 = 0,22.25 = 5,45 𝑘𝑁/𝑚

Calculada a carga da barreira, g5 também é composta pelo peso do


pavimento, para isso tem-se que a espessura no centro do tabuleiro igual a 7cm, e
queda de 1% para as laterais, como se observa na

Figura 15 – Pavimento asfáltico da ponte


25

Fonte: Autores (2025)

O pavimento inicia com 7 cm de altura e termina no encontro com a barreira


com elevação de 0,7 cm. Admitiu-se peso específico para pavimento asfáltico de 24
kN/m³. Assim, calculou-se a área de forma análoga as anteriores, o peso é dado
através da Equação (12).

𝑔5, 𝑝 = 𝐴 .𝛾 (12)

𝑔5, 𝑝 = 0,25.24 = 6,11 𝑘𝑁/𝑚³

Assim, para o cálculo de g5 basta somar as duas parcelas.

𝑔5 = 𝑔5, 𝑏 + 𝑔5, 𝑝 = 5,45 + 6,11 = 11,56 𝑘𝑁/𝑚

3.2.2 Carga G5

A carga G5 está localizada nas extremidades da viga por se tratar da reação


de apoio do conjunto composto por laje de transição, aterro e pavimento sobre a laje,
que por sua vez causa uma ação na viga. Também nesse caso é válida a simetria da
ponte, portanto calcula-se apenas meia seção. Para isso, a Figura 16 traz alguns
parâmetros necessários.

Figura 16 – Parâmetros para carga G5


Parâmetro Descrição Valor
elaje (m) Espessura da laje 0,2
eaterro (m) Espessura média do aterro 0,25
үa (kN/m³) Peso específico aterro 18
26

epav (m) Espessura média do pavimento 0,04


үp (kN/m³) Peso específico pavimento 24
llaje,transição
(m) Comprimento laje de transição 4,29
ltransversal Largura de meia seção 6,5
Fonte: Autores (2025)

Apresentado isso, a carga G5 pode ser determinada através da Equação (13):

𝑙 𝑙
𝐺5 =
, çã
. 𝑒 . 𝛾 + (𝑒 .𝛾 ) + 𝑒 .𝛾 . (13)
2 2

4,29 6,5
𝐺5 = . [(0,2.25) + (0,25.18) + (0,04.24)]. = 72,66 𝑘𝑁
2 2

3.3 ESFORÇOS SOLICITANTES DEVIDOS À CARGA PERMANENTE

A partir das cargas atuantes na estrutura, são gerados esforços de momento


fletor e cortante. Dessa forma, abaixo podem ser observados os esforços resultantes
nas longarinas devidos à carga permanente, separando etapas 1 e 2 de cálculo.

Figura 17 – Esforços de cortante devido à carga permanente (etapa 1)

Fonte: Autores (2025)

Figura 18 – Esforços de momento devido à carga permanente (etapa 1)

Fonte: Autores (2025)


27

Figura 19 – Esforços de cortante devido à carga permanente (etapa 2)

Fonte: Autores (2025)

Figura 20 – Esforços de momento devido à carga permanente (etapa 2)

Fonte: Autores (2025)

3.4 CARGAS MÓVEIS E ESFORÇOS SOLICITANTES NAS VIGAS PRINCIPAIS

Para a determinação da carga móvel atuante sobre a longarina, considerou-se


o trem-tipo TB-45, conforme recomendado pela NBR 7188:2024, que representa um
conjunto de veículos pesados destinado ao dimensionamento de pontes rodoviárias
em vias com tráfego intenso. O TB-45 é composto por três eixos, com cargas e
espaçamentos padronizados, totalizando uma carga de 450 kN (45 tf). Este modelo
simula as solicitações geradas por veículos comerciais típicos em rodovias brasileiras,
permitindo a obtenção de esforços solicitantes de maneira realista.
28

Figura 21 – Disposição das cargas móveis

Fonte: ABNT NBR 7188:2024

A partir da definição do modelo de carga móvel, é possível determinar as


cargas que atuam longitudinalmente sobre a estrutura por meio do traçado das linhas
de influência. Essas linhas representam a variação dos esforços internos (como
momento fletor ou esforço cortante) ao longo da estrutura, em função da posição da
carga móvel.
A primeira linha de influência apresentada a seguir considera a ação
combinada do trem-tipo TB-45 com a carga de multidão interna. Esta situação simula
o posicionamento do trem-tipo que gera maiores esforços na estrutura. Já a segunda
linha de influência representa a situação com carga de multidão externa, aplicada nas
extremidades da seção (frontal e traseira).
29

Figura 22 – Linha de influência da carga do TB-45 e multidão interna

Fonte: Autores (2025)

Figura 23 – Linha de influência da carga de multidão externa

Fonte: Autores (2025)

A partir da semelhança de triângulos, foram calculados os seguintes valores


de y e áreas para as linhas de influência:

 Y1 = 1,39;
30

 Y2 = 1,08;
 Y3 = 1;
 Y4 = 1,47;
 A1 = 3,28 m;
 A2 = 7,02 m.

Assim, a partir desses valore pode-se calcular as cargas do trem-tipo e de


multidão pela seguinte equação:

𝑄 = 75 ∙ 𝑌1 + 75 ∙ 𝑌2 = 185,25 𝑘𝑁
𝑞 = 𝐴1 ∙ 5 = 16,4 𝑘𝑁/𝑚
𝑞 = 𝐴2 ∙ 5 = 35,1 𝑘𝑁/𝑚

Sendo, Q a carga por eixo do trem-tipo, q a carga de multidão lateral ao trem-


tipo e q’ a carga de multidão frontal e traseira ao trem-tipo.
Para encontrar o valor definitivo das cargas é necessário multiplicá-las pelo
coeficiente de ponderação de carga dinâmica ɸ. O coeficiente ɸ estipulado pela ABNT
NBR 7188 é igual ao produto de outros coeficientes, mostrados na equação abaixo.

𝜑 = 𝐶𝐼𝑉 ∙ 𝐶𝑁𝐹 ∙ 𝐶𝐼𝐴

Sendo, CIV o coeficiente de impacto vertical, CNF o coeficiente de número de


faixas e CIA o coeficiente de impacto adicional. A partir das características da ponte
projetada, determinou-se os valores dos coeficientes, resultando em um valor de ɸ
igual a 1,27. Sendo assim, os novos valores de carga serão:

𝑄 = 185,25 ∙ 1,27 = 235,27 𝑘𝑁


𝑞 = 16,4 ∙ 1,27 = 20,83 𝑘𝑁/𝑚
𝑞′ = 35,1 ∙ 1,27 = 44,58 𝑘𝑁/𝑚

Dessa forma, utilizando o software Ftool, foram encontradas as linhas de


influência e os valores máximos e mínimos para os esforços atuantes na longarina. A
distribuição de cargas móveis pode ser vista na Figura . Foram analisados os pontos
31

dos apoios e o ponto do meio da estrutura, pois estes apresentam os valores máximos
e mínimos para os esforços.

Figura 24 – Cargas móveis atuantes nas longarinas

Fonte: Autores (2025)

Figura 25 – Linha de influência do momento no meio da longarina

Fonte: Autores (2025)

Figura 26 – Linha de influência da cortante no primeiro apoio da longarina

Fonte: Autores (2025)


32

Figura 27 - Linha de influência da cortante no primeiro apoio da longarina

Fonte: Autores (2025)

Figura 28 - Linha de influência da cortante no segundo apoio da longarina

Fonte: Autores (2025)


33

Figura 29 – Momento atuante devido à carga móvel na longarina

Fonte: Autores (2025)

Figura 30 – Cortante atuante devido à carga móvel na longarina

Fonte: Autores (2025)

Por fim, os valores dos esforços devem ser majorados pelo fator 𝛾, o qual é
igual a 1,5 para o caso de cargas móveis. Assim, os valores de esforços encontrados
no Ftool e majorados são apresentados na

Figura 31 – Valores de cortante e momento solicitados por carga móvel


Coef.
Momento Cortante Momento Cortante
Ponderação
A 0 1228,8 1,5 0 1843,2
B 8758,2 436,2 -436,2 1,5 13137,3 654,3 -654,3
C 0 -1228,8 1,5 0 -1843,2
Fonte: Autores (2025)
34

3.5 ENVOLTÓRIA DE ESFORÇOS SOLICITANTES

As seguir apresenta-se as envoltórias de esforço cortante, momento fletor e o


envelope final de esforços majorados. Para esses esforços são consideradas as
cargas permanentes e móveis, adotando coeficientes de majoração de 1,3 e 1,5,
respectivamente.

Figura 32 – Envoltória de esforços de momento total na longarina (não majorados)

Fonte: Autores (2025)

Figura 33 – Envoltória de esforços de cortante total na longarina (não majorados)

Fonte: Autores (2025)

Figura 34 – Envelope de esforços final atuantes na longarina (majorados)


ENVELOPE FINAL

Momento (kN.m) Cortante (kN)

A 0 3776,13
B 26554,005 709,245 -709,245
C 0 -3776,13
Fonte: Autores (2025)
35

3.6 DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DAS ARMADURAS

3.6.1 Armadura principal

As longarinas da ponte possuem seção transversal do tipo T, devido à


presença da laje moldada sobre a viga. O dimensionamento da armadura longitudinal
de flexão foi realizado com base nos momentos fletores máximos obtidos na
envoltória de esforços solicitantes, conforme os critérios da NBR 6118.
Inicialmente, considerando a presença de viga vizinha e balanço, calculou-se
a largura bf da mesa, a qual resultou em 6,5 m.
Agora, calcula-se o momento de referência para identificar a posição da linha
neutra. Considerou-se o valor de d a partir do pré-dimensionamento realizado, sendo
igual a 2,62 m.
ℎ𝑓
𝑀 , = 0,85 ⋅ 𝑓𝑐𝑑 ⋅ 𝑏𝑓 ⋅ ℎ𝑓 ⋅ 𝑑 − = 79,56 𝑀𝑁. 𝑚 < 26,554 𝑀𝑁. 𝑚
2
∴ 𝑆𝑒çã𝑜 𝑟𝑒𝑡. 𝑑𝑒 𝑙𝑎𝑟𝑔𝑢𝑟𝑎 𝑏𝑓

Dessa forma, calcula-se a armadura principal.

𝑀
𝑘= = 0,025 < 𝑘 (𝑎𝑟𝑚. 𝑠𝑖𝑚𝑝𝑙𝑒𝑠)
𝑓 ∙ 𝑏 ∙ 𝑑²
𝑓 ∙𝑏 ∙𝑑
𝐴𝑠 = ∙ 1 − √1 − 2 ∙ 𝑘 = 240,86 𝑐𝑚
𝑓

Considerando a área de armadura calculada, o novo número de barras de


25mm será:

240,86
𝑛= ≅ 50 𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎𝑠
4,91

Logo, deverá haver acréscimo de mais uma camada na armadura principal,


resultando em 5 camadas de 10 barras de 25mm.
Para essa nova configuração de armadura, é necessário verificar se o novo
valor de d tem diferença de até 2 cm do d anterior.
36

𝑑′′ = 𝑐 + ∅𝑒 + 2,5 ∙ ∅𝑏 + 2 ∙ 𝑎𝑣 = 16,25


𝑑 = 2,75 − 0,1625 = 2,60 ∴ ∆𝑑 ≅ 2𝑐𝑚 (𝑂𝐾)

3.6.2 Armadura de estribo

Considerando as cortantes máximas nos apoios das longarinas, é necessário


dimensionar os estribos. Adotando-se o modelo de cálculo 1, sendo 𝜃=45° e α=90°,
deve-se inicialmente verificar a biela de compressão.

𝑉
𝜎 = = 3,51 𝑀𝑃𝑎
𝑏𝑤 ∙ 0,9 ∙ 𝑑 ∙ (𝑐𝑜𝑡𝑔𝜃 + 𝑐𝑜𝑡𝑔𝛼) ∙ 𝑠𝑒𝑛𝜃
𝑓𝑐𝑘
𝑓 , = 0,6 ∙ 1 − ∙ 𝑓 = 14,4 𝑀𝑃𝑎 > 𝜎 (𝑛ã𝑜 𝑟𝑜𝑚𝑝𝑒)
250

Feita a verificação, calcula-se a área de armadura dos estribos.

0,6 ∙ 0,7 ∙ (0,3 ∙ 𝑓𝑐𝑘 )


𝜏𝑐𝑜 = = 1,05 𝑀𝑃𝑎
𝛾
𝑉
𝑡𝑤𝑑 = = 2,23 𝑀𝑃𝑎
𝑏𝑤 ∙ 𝑑

100 ∙ 𝑏𝑤 ∙ 1,11 ∙ (𝜏𝑤𝑑 − 𝜏𝑐𝑜)


𝐴𝑠𝑤 = = 19,58 𝑐𝑚 /𝑚
𝑓 ∙ (𝑐𝑜𝑡𝑔 𝜃 + 𝑐𝑜𝑡𝑔𝛼) ∙ 𝑠𝑒𝑛𝛼

Considerando 2 ramos, a área de armadura deve ser igual a 9,79 cm²/m.

𝐴𝑠𝑤 = 9,79 ∙ 29,5 = 288,81 cm²


288,81
𝑛= = 368 𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎𝑠
0,785
Dessa forma, a armadura de estribo será:
 368 Ø10mm.
Para determinar o espaçamento máximo, calcula-se 𝜏𝑤𝑑2 a fim de comparar o
valor com 𝜏𝑤𝑑.
37

𝑓𝑐𝑘
𝜏𝑤𝑑2 = 0,27 ∙ 1 − ∙ 𝑓𝑐𝑑 = 6,48 𝑀𝑃𝑎
250
𝜏𝑤𝑑 > 𝜏𝑤𝑑2 ∙ 0,67 → 2,23 > 4,34 (𝑛ã𝑜 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒)

Assim, o espaçamento máximo será igual a 20 cm. O espaçamento real é


calculado abaixo.

2950
𝑠= = 8 𝑐𝑚
368

3.6.3 Detalhamento da armadura

A seguir, apresenta-se o detalhe de armadura principal e estribo das


longarinas.

Figura 35 – Detalhamento de armaduras das longarinas

Fonte: Autores (2025)

3.6.4 Fadiga

A ponte por estar sujeita a passagem de veículos é necessário considerar o


efeito causado pela fadiga dos materiais de sua estrutura. Segundo a NBR
38

6118:2003, para pontes, são tratadas ações de fadiga de baixa e média intensidade,
com número de ciclos limitado a 2000000.
A verificação da fadiga pode ser feita considerando uma única intensidade de
solicitação, expresso pela combinação frequente de ações, a Figura 36 apresenta a
equação para esta situação.

Figura 36 – Combinação frequente de ações

Fonte: ABNT (2023)

A NBR 6118:2023 ainda traz as definições dos parâmetros da equação


mostrada acima.

Figura 37 – Parâmetros da equação

Fonte: ABNT (2023)

Onde:
 Fg: Carga permanente;
 Fq: Carga variável;
 Ψ1= Fator de redução.

Para a ponte de estudo, o valor de Ψ1 é igual a 0,5.

3.6.4.1 Verificação da fadiga no aço


39

Posto isso o método de cálculo utilizado será considerado o estádio II, ou


seja, concreto fissurado, onde se despreza a resistência à tração do concreto.
Inicialmente calcula-se um parâmetro xii, através da seguinte equação:

−𝑏 + √∆
𝑥 =
2𝑎
𝑏
𝑎=
2
𝑏 = ℎ𝑓. (𝑏𝑓 + 𝑏𝑤) + (𝛼 − 1). 𝐴𝑠 + 𝛼 . 𝐴𝑠
ℎ𝑓
𝑐 = −𝑑 . ( 𝛼 − 1). 𝐴𝑠 − 𝑑. (𝛼 . 𝐴𝑠) − . 𝑏 − 𝑏𝑤
2

O parâmetro αe refere-se à relação entre os módulos de elasticidade do aço


e do concreto, e foi considerado igual a 10. Por se tratar de uma seção retangular
considera-se hf = 0 e bw =bf, assim efetuando os cálculos chegou-se em um valor de
xii igual a 0,40m. Definido o valor de xii observa-se que ele é maior que o valor de hf
(20 cm) assim calcula-se o momento de inércia Iii através da seguinte equação:

(𝑏𝑓 − 𝑏𝑤). ℎ𝑓³ 𝑏𝑤. 𝑥 ³ ℎ𝑓


𝐼 = + + (𝑏𝑓 − 𝑏𝑤). ℎ𝑓. 𝑥 − + 𝛼 . 𝐴𝑠. (𝑥 − 𝑑)
2 3 2
+ (𝛼 − 1). 𝐴𝑠 . (𝑥 − 𝑑)

A partir da equação acima calculou se o momento de inércia Iii chegando ao


valor de 1,28 m^4. Feito isso, é possível calcular os momentos de serviço máximo e
mínimo, através das seguintes equações.

𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 á = 𝑀𝑔 + Ψ1𝑀𝑞 á

𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 = 𝑀𝑔 + Ψ1𝑀𝑞

Dessa forma obtêm-se os seguintes valores:

𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 á = 13416, ,71 + 0,5.13137,3 = 19985,36 𝑘𝑁\𝑚


40

𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 = 13416,71 𝑘𝑁/𝑚

Calculado os momentos, é possível calcular as tensões máximas e mínimas


do aço através da equação:

𝛼 . 𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 á . (𝑑 − 𝑥 )
𝜎 á , ç =
𝐼

𝛼 . 𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 . (𝑑 − 𝑥 )
𝜎 , ç =
𝐼

Calculando:

10.19985,36. (2,60 − 0,40)


𝜎 á , ç = = 343,5 𝑀𝑃𝑎
1,28
10.13416,71. (2,60 − 0,40)
𝜎 , ç = = 230,60 𝑀𝑃𝑎
1,28

Com as tensões calculadas faz se a variação delas para prosseguir com a


verificação.

𝛥𝜎 = 343,5 − 230,6 = 82,9 𝑀𝑃𝑎

Com a variação da tensão calculada é necessário comparar com a tensão


resistente do aço para 2000000 de ciclos, para isso se apresenta a Figura 38
41

Figura 38 – Parâmetros para as curvas S-N (Woeller) para os aços de concreto

Fonte: ABNT (2023)

Como as barras longitudinais apresentam bitola de 25 mm, a tensão


resistente do aço máxima é de 175 Mpa, dessa forma, por ser maior que a variação
calculada não irá romper por fadiga.

3.6.4.2 Verificação da fadiga no concreto em compressão

Utilizando o momento máximo de serviço e o momento de inércia calculados


no item anterior, calcula-se as tensões no concreto da seguinte forma:

𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 á .𝑥
𝜎 =
𝐼
42

. 𝑀𝑑, 𝑠𝑒𝑟 . (𝑥 − 0,3)


𝜎 =
𝐼

Calculando:

19985,36.0,40
𝜎 = = 6,25 𝑀𝑃𝑎
1,28

19985,36. (0,40 − 0,30)


𝜎 = = 1,56 𝑀𝑃𝑎
1,28

Calculada as tensões, para verificar se a compressão no concreto por fadiga


é satisfeita a norma NBR 6118:2023 propõe o seguinte cálculo e nomenclaturas
apresentados pela Figura 39.

Figura 39 – Verificação para o concreto em compressão

Fonte: ABNT (2023)


43

Dessa maneira, efetua-se a sequência de cálculo proposta pela norma NBR


6118:2023.

𝑓 40
𝑓 , = 0,45. = 0,45. = 12,86 𝑀𝑃𝑎
1,4 1,4

1
𝜂 , = = 0,72
1,56
1,5 − 0,5. ( )
6,25

𝜂 , . 1. 𝜎 , á ≤𝑓 ,

0,72.6,25 ≤ 12,86
4,54 𝑀𝑃𝑎 ≤ 12,86 𝑀𝑃 → 𝑉á𝑙𝑖𝑑𝑜

Como apresentado, o concreto em compressão não irá romper por fadiga.

3.6.4.3 Verificação da fadiga no concreto tracionado

A parcela do concreto resistente a esforços de tração pode ser considerada


desprezível, assim esse tópico não será desenvolvido.
44

4. CÁLCULO DE TRANSVERSINA

Para o projeto serão adotadas 9 transversinas na ponte toda, sendo 3 nos


apoios e 3 em cada um dos vãos. As transversinas não serão ligadas ao tabuleiro, o
que dispensa a análise da carga permanente da laje e carga dinâmica na avaliação
de esforços solicitantes.

4.1 ESFORÇOS SOLICITANTES

Considerando que haverá solicitação apenas de carga devido ao peso próprio,


os esforços atuantes devem ser calculados para transversinas de apoio e vão, as
quais possuem geometria diferente.
O peso próprio de cada tipo de transversina será:

𝑃𝑃 = 𝑉𝑜𝑙 ∙ 𝛾 = (2,75 𝑚 ∙ 0,25 𝑚) ∙ 25 𝑘𝑁⁄𝑚 = 17,19 𝑘𝑁


𝑃𝑃 ã = 𝑉𝑜𝑙 ã ∙ 𝛾 = (2,45 𝑚 ∙ 0,25 𝑚) ∙ 25 𝑘𝑁⁄𝑚 = 15,31 𝑘𝑁/𝑚

Sendo 𝛾 o peso específico do concreto armado.


Aplicando as cargas distribuídas de peso próprio nas transversinas, podem ser
obtidos os esforços de momento fletor e cortante, apresentados a seguir.

Figura 40 – Cortante nas transversinas dos apoios

Fonte: Autores (2025)


45

Figura 41 – Momento fletor nas transversinas dos apoios

Fonte: Autores (2025)

Figura 42 – Cortante nas transversinas dos vãos

Fonte: Autores (2025)

Figura 43 – Momento fletor nas transversinas dos vãos

Fonte: Autores (2025)

Por fim, deve-se calcular os valores de momento e cortante de cálculo,


aplicando o fator de majoração de carga permanente de 1,35. Assim, os momentos
máximos das transversinas dos apoios e vãos são 99,23 kN.m e 67,23 kN.m,
respectivamente. Já as cortantes serão 67,91 kN para apoios e 52,65 kN para vãos.

4.2 DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL DAS TRANVERSINAS

Inicialmente define-se estribos de 6,3mm, barras de armadura principal de


16mm e cobrimento de 3 cm. A partir desses parâmetros encontra-se um valor inicial
46

de d igual a 2,71 m para transversinas de apoio e 2,41 m de vãos. Considerando que


a seção de resistência das transversinas será retangular, por conta de não estarem
ligadas ao tabuleiro, a área de armadura pode ser definida por meio da equação
abaixo.

𝑀
𝑘 = = 0,0019 < 𝑘 (𝑎𝑟𝑚. 𝑠𝑖𝑚𝑝𝑙𝑒𝑠)
𝑓 ∙ 𝑏 ∙ 𝑑²
𝑓 ∙𝑏 ∙𝑑
𝐴𝑠 = ∙ 1 − √1 − 2 ∙ 𝑘 = 0,85 𝑐𝑚
𝑓

𝑘 ã = 0,0016 < 𝑘 (𝑎𝑟𝑚. 𝑠𝑖𝑚𝑝𝑙𝑒𝑠)


𝐴𝑠 ã = 0,63 𝑐𝑚²

Como as áreas de armadura são pequenas, a nova bitola da armadura principal


será 6,3 mm. Assim, as armaduras principais das transversinas serão:
 Em apoio: 3 Ø6,3mm;
 Em vão: 2 Ø6,3mm.
Por fim, é necessário prever estribos para haver resistência à cortante nos apoios
das transversinas. Adotando-se o modelo de cálculo 1, sendo 𝜃=45° e α=90°, deve-
se inicialmente verificar a biela de compressão.

𝑉
𝜎 , = = 0,157 𝑀𝑃𝑎
𝑏𝑤 ∙ 0,9 ∙ 𝑑 ∙ (𝑐𝑜𝑡𝑔𝜃 + 𝑐𝑜𝑡𝑔𝛼) ∙ 𝑠𝑒𝑛𝜃
𝑓𝑐𝑘
𝑓 , = 0,6 ∙ 1 − ∙𝑓 = 14,4 𝑀𝑃𝑎 > 𝜎 , (𝑛ã𝑜 𝑟𝑜𝑚𝑝𝑒)
250

𝜎 , ã = 0,14 𝑀𝑝𝑎
𝑓 , ã = 14,4 > 𝜎 , ã (𝑛ã𝑜 𝑟𝑜𝑚𝑝𝑒)

Feita a verificação, calcula-se a área de armadura dos estribos.

0,6 ∙ 0,7 ∙ (0,3 ∙ 𝑓𝑐𝑘 )


𝜏𝑐𝑜 = = 1,05 𝑀𝑃𝑎
𝛾
47

𝑉
𝜏𝑤𝑑 = = 0,1 𝑀𝑃𝑎
𝑏𝑤 ∙ 𝑑
𝜏𝑤𝑑 ã = 0,087 𝑀𝑃𝑎

100 ∙ 𝑏𝑤 ∙ 1,11 ∙ (𝜏𝑤𝑑)


𝐴𝑠𝑤 = = 0,64 𝑐𝑚 /𝑚
𝑓 ∙ (𝑐𝑜𝑡𝑔 𝜃 + 𝑐𝑜𝑡𝑔𝛼) ∙ 𝑠𝑒𝑛𝛼
𝐴𝑠𝑤 ã = 0,56 𝑐𝑚 /𝑚
É necessário comparar o valor encontrado com o valor de Asw mínima, a qual
é calculada abaixo.

0,2 ∙ 𝑓𝑐𝑡𝑘 ∙ 𝑏𝑤
𝐴𝑠𝑤 í = = 2,6 𝑐𝑚 /𝑚
𝑓𝑦𝑘
Dessa forma, será utilizada a área de armadura mínima encontrada. Assim,
considerando 2 ramos, a área de armadura será de 1,3 cm²/m e a área total é
determinada abaixo.

𝐴𝑠𝑤 , = 1,3 ∙ 5,1 = 6,63 cm²


𝐴𝑠𝑤 , ã = 1,3 ∙ 5,85 = 7,61 cm²
Serão utilizados estribos de 6,3mm, tendo como número de barras necessário:

6,63
𝑛 = = 22 𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎𝑠
0,312
7,61
𝑛 ã = = 25 𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎𝑠
0,312

Dessa forma, a armadura de estribo será:


 Nos apoios: 22 Ø6,3mm;
 Nos vãos: 25 Ø6,3mm.

Para determinar o espaçamento máximo, calcula-se 𝜏𝑤𝑑2 a fim de comparar o


valor com 𝜏𝑤𝑑.

𝑓𝑐𝑘
𝜏𝑤𝑑2 = 0,27 ∙ 1 − ∙ 𝑓𝑐𝑑 = 6,48 𝑀𝑃𝑎
250
𝜏𝑤𝑑 > 𝜏𝑤𝑑2 ∙ 0,67 → 𝜏𝑤𝑑 > 4,34 (𝑛ã𝑜 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑛𝑑𝑒)
48

Assim, o espaçamento máximo será igual a 20 cm. Os espaçamentos reais são


calculados abaixo.

510
𝑠 = = 23 𝑐𝑚 > 20𝑐𝑚
22
(𝑠𝑒𝑟á 𝑎𝑑𝑜𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑛 = 26 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑡𝑒𝑟 𝑒𝑠𝑝𝑎ç𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑚á𝑥𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑒 20 𝑐𝑚)

585
𝑠 ã = = 23 𝑐𝑚 > 20𝑐𝑚
25
(𝑠𝑒𝑟á 𝑎𝑑𝑜𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑛 = 26 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑡𝑒𝑟 𝑒𝑠𝑝𝑎ç𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑚á𝑥𝑖𝑚𝑜 𝑑𝑒 20 𝑐𝑚)

Por fim, apresenta-se o detalhamento da armadura das transversinas de apoio


e vão abaixo.

Figura 44 – Detalhamento de armadura para transversinas nos apoios

Fonte: Autores (2025)


49

Figura 45 - Detalhamento de armadura para transversinas nos vãos

Fonte: Autores (2025)

5. CÁLCULO DE UMA LAJE DO TABULEIRO

Para o cálculo será utilizado o método de Rusch para a determinação das


solicitações no tabuleiro da ponte. Esse método se baseia em tabelas que permitem
calcular os esforços nas lajes considerando diferentes tipos de apoios, como simples,
engastados ou bordas livres. Para cada condição, as tabelas fornecem diagramas
que mostram a distribuição dos momentos fletores ao longo da superfície da laje,
destacando os valores máximos. Dessa forma, o método facilita a análise estrutural
e o dimensionamento preciso da laje.
Na análise a laje do tabuleiro, com espessura de 20cm, foi dividida em seções,
conforme sua configuração e dimensões. No sentido longitudinal, correspondente à
direção do tráfego, a delimitação foi feita pelo espaçamento entre as transversinas,
de 7,25 m. No sentido transversal, a delimitação considerou o comprimento do vão
central, medido do eixo de um pilar até o eixo do pilar seguinte, totalizando 6,50 m. A
Figura 46 apresenta a configuração adotada.
50

Figura 46: Dimensões da laje de cálculo

Fonte: Autores (2025)

5.1. ESFORÇOS SOLICITANTES

Rusch adotou uma simplificação no modelo de aplicação das cargas dos


veículos-tipo, substituindo o formato retangular da área de contato dos pneus por uma
área quadrada equivalente. Essa simplificação tem como objetivo tornar mais práticos
os cálculos estruturais, mantendo a área de carregamento, porém com uma forma
geométrica mais fácil de manipular. Com base nessa abordagem, utiliza-se uma
representação geométrica conforme a Figura , que permite determinar o valor de t'.

Figura 47 : Cálculo do valor de t

O t’ é um parâmetro inicial usado no cálculo de t, este representa a dimensão


lateral do quadrado que possui a mesma área que a projeção do pneu sobre a
superfície média da laje, como mostrado na Figura 48
.
51

Figura 48: Representação da projeção sobre a laje

O cálculo de t é feito com base na Equação (14) , a qual leva em consideração


a propagação da carga desde o ponto de contato até a linha média da laje,
considerando o ângulo de dispersão dos esforços.

𝑡 =𝑡 +2⋅𝑒 +ℎ (14)

𝑡 = 31,6 + 2 ⋅ 7 + 20 = 65,6 cm (15)

Em que:

𝑡 : carga concentrada do veículo tipo


𝑒𝑝𝑎𝑣: espessura do pavimento
ℎ: espessura da laje

Além desses valores já obtidos, precisamos do valor de a, que corresponde ao


espaçamento entre os centros das rodas de um mesmo eixo. Segundo a ABNT NBR
7188:2024, o valor de a é de 2 metros, conforme ilustrado na Figura 49: a,b:
Espaçamento entre as rodas do eixo que apresenta a configuração geral do trem-tipo.
Já a Figura 48b mostra um esquema ampliado desse espaçamento, permitindo
visualizar com mais clareza a distribuição das cargas entre as rodas e sua projeção
na laje.
52

Figura 49: a,b: Espaçamento entre as rodas do eixo

Fonte: ABNT NBR 7188:2024

Para a definição das condições de contorno da laje, considerou-se que as


bordas superior e inferior estão engastadas, uma vez que há continuidade da laje
nesses trechos. Já nas bordas laterais, adotou-se a condição de apoio simples sobre
as vigas longarinas. Agrupando essas informações, obtém-se os parâmetros de
entrada para o cálculo, foi utilizada a calculadora do TQS T-Rüsch.

Figura 50: Parâmetros de entrada para os cálculos

Fonte: TQS
53

A tabela escolhida do método de Rusch foi a tabela 90, pois apresenta o valor

de = 1,20, mais próximo do obtido na equação (16). Essa tabela fornece

parâmetros diferentes para os momentos em x e em y, o que permite uma análise


mais detalhada dos esforços na laje. Os parâmetros de entrada para a tabela foram
calculados por meio das equações (17) e (18). A imagem apresentada foi gerada a
partir da simulação no software TQS e a tabela completa encontra-se disponível em
anexo para referência.

𝑙 7,25
= = 1,12
𝑙 6,5 (16)

𝑡 0,656
= = 0,328 (17)
𝑎 2

𝑙 6,5
= = 3,25 (18)
𝑎 2

Figura 51: Valores de L, p e p’ para os momentos em x

Fonte: TQS
54

Tabela 1: Resultados para x


Cargas Móveis: Cargas Permanentes:
 L=0,395  kxm=0,035
 p=0,007
 p'=0,203
Fonte: Autores (2025)

Figura 52: Valores de L, p e p’ para os momentos em y

Fonte: TQS

Tabela 2: Resultados para y


Cargas Móveis: Cargas Permanentes:
 ML=0,366  kxm=0,036
 Mp=0,005
 Mp'=0,577

Fonte: TQS

Posteriormente, para o cálculo dos momentos decorrentes da carga


permanente, foi considerado o peso próprio da laje do tabuleiro. Esse valor foi obtido
com base na espessura da laje e no peso específico do concreto, sendo fundamental
para a determinação dos esforços atuantes sob ação permanente.

𝑉 = 𝑙 ∙ 𝑙 ∙ ℎ = 7,2 ∙ 6,5 ∙ 0,20 = 9,36 𝑚


55

𝑃 = 25 ∙ 9,36 = 234 𝑘𝑁

𝑃 234
𝐺 = = = 4,96 𝑘𝑁/𝑚
𝑙 ∙𝑙 47,125

A partir dessa carga distribuída, foi possível calcular o momento fletor em x e


y gerado por essas ações, o qual foi incorporado à análise estrutural para verificar o
desempenho da laje sob as combinações de carregamento previstas.

𝑀 =𝑘 ∙𝐺 ∙ 𝑙

𝑀 = 0,035 ∙ 4,96 ∙ 6,5 = 7,33 𝐾𝑁𝑚/𝑚

𝑀 =𝑘 ∙𝐺 ∙ 𝑙

𝑀 = 0,036 ∙ 4,96 ∙ 6,5 = 7,54 𝐾𝑁𝑚/𝑚

Em seguida, foi calculado o momento fletor referente às cargas móveis,


associadas à ação do trem-tipo TB-450, conforme definido pela ABNT NBR
7188:2024.

𝑀 = ᴓ ∙ 𝑄 ∙ 𝐿 + ᴓ ∙ 𝑞 ∙ 𝑝 + ᴓ ∙ 𝑞′ ∙ 𝑝′

𝑀 = 1,27 ∙ 75 ∙ 𝐿 + 1,27 ∙ 3 ∙ 𝑝 + ᴓ ∙ 𝑞′ ∙ 0′

𝑀 = 1,27 ∙ 75 ∙ 0,395 + 1,27 ∙ 3 ∙ 0,007 = 37,65 𝑘𝑁𝑚/𝑚

𝑀 = ᴓ ∙ 𝑄 ∙ 𝐿 + ᴓ ∙ 𝑞 ∙ 𝑝 + ᴓ ∙ 𝑞′ ∙ 𝑝′

𝑀 = 1,27 ∙ 75 ∙ 𝐿 + 1,27 ∙ 3 ∙ 𝑝

𝑀 = 1,27 ∙ 75 ∙ 0,366 + 1,27 ∙ 3 ∙ 0,005 = 34,89 𝑘𝑁𝑚/𝑚

Após o cálculo dos momentos fletores correspondentes às cargas


permanentes e móveis, foi realizada a majoração dos valores. O momento referente
à carga permanente foi majorado com o fator 1,35, enquanto o momento devido à
carga móvel foi majorado com o fator 1,50. Essa etapa garante que a estrutura seja
dimensionada com segurança frente às solicitações máximas previstas em projeto.
56

𝑀 , = 1,35 ∙ 𝑀 + 1,5 ∙ 𝑀

𝑀 , = 1,35 ∙ 7,33 + 1,5 ∙ 37,65 = 66,37 𝑘𝑁𝑚/𝑚

𝑀 , = 1,35 ∙ 𝑀 + 1,5 ∙ 𝑀

𝑀 , = 1,35 ∙ 7,54 + 1,5 ∙ 34,89 = 63,65 𝑘𝑁𝑚/𝑚

Por fim, obteve-se um valor de momento fletor total igual a 66,37 kNm/m na
direção x e 63,65 kNm/m na direção y, considerando a combinação das ações
permanentes e móveis devidamente majoradas. Esses valores representam os
esforços máximos atuantes na laje e servem de base para o dimensionamento das
armaduras necessárias ao atendimento dos estados limites de resistência.
57

6. ELEMENTOS DA MESOESTRUTURA

A mesoestrutura corresponde à parte intermediária da ponte, sendo o elo entre


a superestrutura (como as vigas longarinas e tabuleiro) e a infraestrutura (fundação).
Sendo composta pelos pilares e eventuais aparelhos de apoio, desempenhando
papel fundamental na transferência dos esforços verticais e horizontais da
superestrutura para a fundação.

6.1 ESFORÇOS SOLICITANTES VERTICAIS

Os esforços verticais atuantes sobre a superestrutura são provenientes das


seguintes ações:

 Reações das cargas permanentes: correspondem à carga distribuída do peso


próprio da laje do tabuleiro, vigas, revestimento e demais elementos estruturais
fixos.
 Reações das cargas móveis: incluem os esforços verticais oriundos da
passagem do veículo-tipo, no nosso caso o TB-450, conforme especificado na
ABNT NBR 7188:2024.
 Peso próprio dos pilares e transversinas: representa uma parcela da carga
permanente atuando diretamente sobre o pilar, contribuindo para os esforços
verticais que ele deve resistir.

6.2 AÇÕES HORIZONTAIS LONGITUDINAIS E TRANSVERSAIS

As ações horizontais são classificadas conforme a direção em relação às


vigas longarinas:

 Ações longitudinais: aplicadas no topo dos pilares, no sentido longitudinal da


ponte (mesmo sentido das longarinas):
o Aceleração, frenagem e vento longitudinal
58

 Ações transversais: aplicadas no topo dos pilares no sentido transversal à


longarina:
o Vento transversal

6.3 DISTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES HORIZONTAIS LONGITUDINAIS

As ações horizontais no sentido longitudinal são distribuídas conforme critérios


técnicos e normativos:

 Aceleração: considerada como 5% da carga móvel de multidão aplicada sobre


o tabuleiro. Essa ação simula a força exercida durante o aumento de
velocidade dos veículos sobre a ponte.
 Frenagem: representada por 30% do peso total do veículo-tipo. Essa carga
horizontal simula o esforço exercido durante a desaceleração ou parada do
veículo.
 Vento longitudinal: pode ser avaliado por duas metodologias, conforme
recomendações da norma americana da Associação Americana de
Autoridades de Rodovias e Transportes Estaduais - AASHTO, Adotando-se,
para o dimensionamento, o maior valor entre as duas situações:
o No caso da ponte carregada: considera-se 25% da força do vento
transversal atuando sobre a superestrutura, somado a 40% da força do
vento incidente sobre o veículo, com pressão de vento de referência de
p=1 𝑘𝑁/𝑚 .
o No caso da ponte descarregada, considera 25% da força do vento
transversal atuando apenas sobre a superestrutura, com pressão de
vento de referência de p=1,5 𝑘𝑁/𝑚 .

6.4 Distribuição das ações horizontais transversais


 Ventos transversais: considerado atuando apenas sobre a superestrutura. A
carga é aplicada sobre a mesma área da superestrutura do vento longitudinal,
porém aplicada no dimensionamento na outra direção. Calcula-se nas duas
situações, carregada p=1 𝑘𝑁/𝑚 e descarregada p=1,5 𝑘𝑁/𝑚 e adota-se o
maior valor entre as duas situações.
59

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.


NBR 6118:2023 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro,
2023.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.


NBR 7187:2022 – Projeto e execução de pontes de concreto armado e protendido –
Procedimento. Rio de Janeiro, 2022.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.


NBR 7188:2013 – Cargas móveis rodoviárias em pontes, viadutos e passarelas de
concreto armado e protendido – Procedimento. Rio de Janeiro, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.


NBR 6123:1988 – Forças devidas ao vento em edificações. Rio de Janeiro, 1988.

DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (DNIT).


Barreira New Jersey. Rio de Janeiro: DNIT, 2009.

ANDRADE, J. R. Metodologia para pré-dimensionamento de elementos


estruturais em pontes. 2010.

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