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Nome: Belchior Fernando Nicane Napaua
Índice
Introdução ............................................................................................................................... 3
Objectivos ............................................................................................................................... 3
Metodologia do Estudo ........................................................................................................... 3
Conceitos básicos ................................................................................................................... 4
Práticas etnográficas em Moçambique Colonial .................................................................... 4
Práticas etnográficas em Moçambique pós-colonial .............................................................. 5
Conclusão ............................................................................................................................... 8
Bibliografia ............................................................................................................................. 9
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Introdução
O trabalho em apreço, visa abordagem de aspectos relacionados com as práticas etnográficas
em Moçambique colonial foram caracterizadas pela imersão dos pesquisadores europeus nas
comunidades locais, com o objectivo de registar e documentar as diferentes culturas e
tradições existentes no país por eles colonizado.
Apesar de tudo, uma das principais contribuições das práticas etnográficas durante o período
colonial foi a documentação da diversidade cultural de Moçambique. As comunidades
moçambicanas são caracterizadas por uma rica variedade de grupos étnicos, cada um com
suas próprias tradições, línguas e práticas culturais.
Objectivos
Geral
Analisar as Práticas Etnográficas no Moçambique Colonial e Pós-Colonial.
Específicos
Identificar as Práticas Etnográficas no Moçambique Pós-Colonial;
Descrever as Práticas Etnográficas no Moçambique no Sistema de Ensino.
Metodologia do Estudo
Metodologicamente o ponto de partida para a realização e sustentação do estudo em apreço,
foi do tipo bibliográfico, classificou – se desta forma visto que o estudo limitou – se na
consulta de algum material pré-existente como livros, artigos, dissertações em fim, e as obras
consultadas foram devidamente citadas dentro do trabalho, e apresentadas na bibliografia no
final do mesmo trabalho.
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Conceitos básicos
As práticas etnográficas constituem métodos de investigação empregados por antropólogos e
outros estudiosos das ciências sociais para examinar e compreender as diferentes culturas
humanas.
Essas práticas visam aproximar o pesquisador do universo social do “Outro”, tornando-o mais
compreensível e familiar, ou, por outro lado, provocando uma estranheza em relação ao que é
conhecido, levando o pesquisador a superar suas visões simplistas e a adoptar uma abordagem
mais relacional no estudo do contexto investigado (Rocha & Eckert, 2008, p. 6).
Uma das técnicas essenciais nas práticas etnográficas é a observação participante, na qual o
pesquisador se insere na comunidade em estudo, participando activamente das actividades
quotidianas, interagindo com os membros do grupo e analisando seus comportamentos em
diversos contextos (Magnani, 2009, p. 138).
Esta abordagem, ressaltada por Malinowski (1978), possibilita ao pesquisador acessar
informações que não seriam obtidas apenas por meio de entrevistas formais ou questionários.
Conforme diz Malinowki: “na etnografia, o autor é, ao mesmo tempo, o seu próprio cronista e
historiador; suas fontes de informação são, indubitavelmente, bastante acessíveis, mas
também extremamente enganosas e complexas”. (Malinowski, 1978, p. 18).
Essas fontes não estão registadas em documentos materiais estáticos, mas sim nos
comportamentos e memórias das pessoas envolvidas.
Práticas etnográficas em Moçambique Colonial
Segundo Mattos (2020), a fundação da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL) em 1875 foi
um marco significativo no processo dos estudos etnográficos, pois estabeleceu a Comissão de
África e possibilitou a organização de expedições lideradas por figuras como Hermenegildo
Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto, entre os anos de 1877 e 1885.
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Conforme atesta Pinho (2022), enuncia que:
no período colonial, as práticas etnográficas possuíam
um carácter dialéctico, pois os pesquisadores europeus,
especialmente os portugueses, estudavam os
moçambicanos sob uma perspectiva colonizadora,
procurando enaltecer o carácter dos portugueses como
bondosos, com a missão de “civilizar” os nativos.
A chamada expansão ultramarina portuguesa tem, portanto, um significado de alta
transcendência para a história da humanidade.
Segundo Dias (2005) cit. em Mattos, (2020) a acção dos portugueses não se pode confundir
com os movimentos colonizadores das nações capitalistas, que instituíram um tipo de relações
humanas com base na diferenciação racial.
Fica evidente que, a princípio, e em maior número, os estudos etnográficos eram realizados
com o objectivo de justificar e legitimar o domínio colonial, retratando as comunidades locais
como “primitivas” ou “selvagens” e enfatizando a suposta superioridade da cultura europeia
(Mondlane, 1975).
Através da etnografia, essas diferentes culturas foram documentadas e registradas, garantindo
que não se perdessem com o avanço do colonialismo e da modernização (Pinho, 2022).
Os pesquisadores locais, conforme Mondlane (1975, pp. 67-71), assumiram um papel mais
proeminente no estudo e documentação das culturas moçambicanas, buscando representar de
forma mais autêntica as experiências e perspectivas das comunidades locais. Na mesma
medida, as práticas etnográficas passaram a ser utilizadas como ferramentas para promover a
justiça social e os direitos humanos, destacando as vozes e as lutas das comunidades
marginalizadas.
Práticas etnográficas em Moçambique pós-colonial
Após a independência em 1975, Moçambique enfrentou uma série de desafios e
transformações em sua jornada pós-colonial. As práticas etnográficas desempenharam um
papel crucial na documentação dessas mudanças e na compreensão de seu impacto nas
comunidades locais.
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Os etnógrafos continuaram a trabalhar em estreita colaboração com as comunidades
moçambicanas, buscando registar e documentar suas práticas culturais, tradições, crenças e
rituais, agora, numa perspectiva pós-colonial.
A abordagem pós-colonial questiona as hierarquias discursivas entre centro e periferia,
rejeitando as oposições binárias entre desenvolvimento e subdesenvolvimento. Destaca-se a
multiplicação de fissuras e hierarquias tanto internas quanto externas ao espaço, que
atravessam o imaginário das comunidades nacionais, levando a uma descentralização ou
abertura.
Dentro dessa perspectiva pós-estrutural, a diferença desempenha um papel central, pois é ela
que produz as desconexões críticas que demandam a multiplicação de perspectivas com uma
focalização temporal, resultando em uma inversão das temporalidades modernas e
hegemônicas (Pinho, 2011, p. 35).
Na pós-colonialidade, os aspectos culturais estavam “modernizados”. Por isso, como
consequência disso, “as condições de representação de sua particularidade também deveriam
modernizar-se” (Pinho, 2011, p. 35).
Assim, o foco principal das práticas etnográficas passou a ser, mais do que a preservação da
diversidade cultural do país, a reconstrução cultural e identitária do mesmo.
O imperativo da reconstrução cultural nas práticas etnográficas pós-coloniais emerge como
uma reacção ao bombardeio de ideias ocidentais contra os hábitos e costumes locais nacionais
durante o período colonial.
O colonialismo para se impôr teve que primeiro destruir a identidade cultural do
moçambicano, rejeitar-lhe uma cultura, para depois substituí-la pela europeia. Por isso se
justifica a reconstrução.
Inegavelmente, após a independência, o país passou por mudanças significativas em várias
áreas da vida, incluindo a agricultura (com a introdução de máquinas na produção), a
educação (com a necessidade de reformular o currículo português), a saúde (precisava-se de
formados em medicina) e o desenvolvimento urbano (distribuição de terras para residir).
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Os etnógrafos documentaram essas mudanças, analisando como elas afectaram as
comunidades locais em diferentes regiões do país (Pinho, 2011).
Um aspecto importante das práticas etnográficas em Moçambique pós-colonial foi a
necessidade de reconhecer e enfrentar as influências persistentes do colonialismo.
Embora o país tenha alcançado a independência política, muitos aspectos do colonialismo
continuaram a afectar as comunidades moçambicanas, incluindo desigualdades económicas,
discriminação racial e marginalização social. Os etnógrafos trabalharam para documentar
essas formas de opressão e para promover a conscientização sobre elas.
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Conclusão
Chegando a essa parte do trabalho, pode – se concluir que, a evolução das práticas
etnográficas em Moçambique, desde o período colonial até a era pós-colonial. Durante o
domínio colonial, essas práticas muitas vezes serviram como instrumentos de legitimação do
poder colonial, retratando as comunidades locais de acordo com a perspectiva dos
colonizadores. No entanto, mesmo nesse contexto, as práticas etnográficas desempenharam
um papel importante na documentação da rica diversidade cultural de Moçambique.
Actualmente, as práticas etnográficas em Moçambique continuam a desempenhar um papel
vital na compreensão das dinâmicas culturais e sociais do país. Ao documentar as mudanças e
desafios enfrentados pelas comunidades locais, os etnógrafos contribuem para a promoção da
justiça social, dos direitos humanos e para a construção de uma sociedade mais inclusiva e
equitativa. Assim, a prática etnográfica permanece uma ferramenta essencial para a
preservação e a celebração da rica diversidade cultural de Moçambique.
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Bibliografia
1. Magnani, J. G. (2009). Etnografia como prática e experiência. Revista Horizontes
Antropológicos, Porto Alegre.
2. Malinowski, B. (1978). Argonautas do pacífico ocidental: Um relato do
empreendimento e da aventura dos nativos nos arquipélagos da Nova Guiné
Melanésia. Anton P. Carr & Lígia A. Mendonça (Trads.). 2ª ed., São Paulo.
3. Mattos, P. F. (2020). Modos de fazer da «antropologia colonial»: a missão científica
de Mendes Correia à Guiné Portuguesa (1945-1946). Estudos em homenagem a Jorge
Dias.
4. Mondlane, E. (1975). Lutar por Moçambique. Maria da Graça Forjaz (Trad.). Lisboa:
Livraria Sá da Costa Editora.
5. Pinho, O. (2011). A antropologia na áfrica e o lobolo no sul de moçambique. Afro-
Ásia,
6. Pinho, O. (2022). Sobre a mentalidade africana: A Antropologia colonial na África
portuguesa (1950-1960) e a antropologia do negro no Brasil.
7. Rocha & Eckert, 2008). Etnografia: Saberes e práticas. In: “Ciências humanas:
pesquisa e método”. Célia R. Pinto & César A. Guazzelli (Orgs.). Porto Alegre:
Universidade de Porto Alegre.