Ascaris lumbricoides
Prof. Dr. Daniel Lira
✴Conhecidos popularmente por lombriga
✴Encontrado em quase todos os países
➔Ocorre com frequência variada:
• Condições climáticas;
• Condições ambientais;
• Grau de desenvolvimento socioeconômico da população.
✴Prevalência
➔Dados antigos, normalmente baseado em estimativas
• 1 bilhão de pessoas parasitadas (OMS, 1984)
• Brasil
- 71,4% da população parasitada (Pellon & Teixeira, 1950)
✴Panorama atual da ascaridíase no Brasil
➔Decréscimo do parasitismo
• Crianças menores de 12 anos
- Região Sul e Sudeste
+ Melhores condições de saneamento - água tratada
➔Região Norte e Nordeste
• Não apresentam diminuição significativa
- Precárias condições de saneamento básico
- Deficiência de políticas públicas de saúde
✴Formas evolutivas: Macho
Fêmea
➔Vermes adultos
• Longos
• Robustos
• Cilíndricos
• Extremidades afiladas
• Cor leitosa
• Macho
- 20 a 30 cm x 2 a 4 mm
- Extremidade posterior fortemente encurvada
• Fêmea
- 30 a 40 cm x 3 a 6 mm
- Extremidade posterior retilínea
✴Formas evolutivas:
➔Ovos
• Brancos
- Adquirem a cor castanha devido ao contato com as fezes
• Ovais
• Membrana externa mamilonada
- Facilita a aderência dos ovos
• Membrana média
• Membrana interna
- impermeável à água
✴Hábitat
➔Intestino delgado
• Jejuno e íleo
➔Em infecções intensas, podem ser encontrados por
todo o intestino delgado.
➔Podem ficar fixados à mucosa ou migrar pela luz
intestinal
✴Ciclo Monoxênico
➔Fêmea coloca cerca de 200.000 ovos não embrionados
que chegam ao ambiente com as fezes.
➔Ovos férteis tornam-se embrionados em 15 dias
• temperatura de 25℃ a 30℃
• umidade de 70%
• oxigênio em abundância
➔Larva L1 (rabditoide) formada dentro do ovo que
sofre muda e se transforma em larva L2, e após nova
muda, transforma-se em larva L3 infectante (filarioide)
➔Ovo contendo larva L3 vive no solo por vários meses
podendo ser ingerido por hospedeiros
➔Após ingestão, ovos passam por todo o trato digestivo e as
larvas eclodem no intestino delgado
• agentes redutores
• pH
• temperatura
• CO2
➔Larvas atravessam parede intestinal (ceco)
➔Caem nos vasos linfáticos ➝ veia mesentérica superior ➝
Fígado
• 18 a 24 horas após a infecção
➔Veia cava inferior ➝ átrio direito ➝ pulmões
• CICLO DE LOSS
➔ Larvas L3 sofrem muda para L4
• Cerca de 8 dias após a infecção
➔Larvas L4 rompem capilares e caem nos alvéolos ➝
mudam para larvas L5
➔Sobem pela árvore brônquica e traqueia chegando à
faringe.
➔Podem ser expelidas ou deglutidas
• atravessam o estômago e chegam ao intestino.
➔Larvas L5 transformam-se em adultos entre 20 e 30
dias após a infecção.
➔Vermes adultos alcançam maturidade sexual em 60
dias, copulam e fêmea começa a ovipostura.
➔Vermes adultos têm longevidade de 1 a 2 anos.
✴Ingestão de água ou alimentos contaminados com
ovos contendo larvas L3.
✴Larvas
➔Nenhuma alteração em baixa intensidade de infecção
➔Lesões hepáticas e pulmonares
• infecções maciças
• Fígado
- numerosas formas larvares migrando pelo parênquima
+ Focos hemorrágicos e de necrose
+ Focos fibrosados
• Pulmões
- Pontos hemorrágicos na passagem das larvas para os
alvéolos
+ Edemaciação dos alvéolos ➝ infiltrado inflamatório
+ Eosinofilia
✴Larvas
➔Lesões hepáticas e pulmonares
• Pulmões
- Pneumonia
+ Febre, tosse, dispneia, manifestações alérgicas, bronquite e
eosinofilia
+ SÍNDROME DE LÖEFFLER
- Tosse produtiva
+ Catarro sanguinolento
+ pode conter larvas do parasito
✴Vermes adultos
➔Infecções com poucos vermes são assintomáticas
➔Infecções médias a maciças
• Ação espoliadora
- Vermes consumindo grande quantidade de proteínas,
carboidratos, lipídeos, vitaminas (A e C)
+ Subnutrição
+ Depauperamento físico e mental
• Ação tóxica
- Reação entre antígenos parasitários e anticorpos
alergizantes
+ Edema
+ urticária
+ convulsões
✴Vermes adultos
➔Infecções médias a maciças
• Ação mecânica
- vermes causam irritação na parede intestinal e podem se
enovelar, levando ao enovelamento.
✴Vermes adultos
➔Infecções médias a maciças
• Localização ectópica
- vermes migram do intestino para locais que não são seu
hábitat
+ áscaris errático
- apêndice cecal
+ apendicite aguda
- duto colédoco
+ obstrução
- duto pancreático
+ pancreatite aguda
- eliminação do verme pela boca e narinas
✴Vermes adultos
➔Infecções médias a maciças
• Alterações cutâneas
- manchas circulares disseminadas no rosto, tronco e braços
+ “pano branco”
+ Relacionadas à infecção por Ascaris lumbricoides
- Não existe nenhuma comprovação científica!
- Seriam causadas pois os parasitos consomem grande
quantidade de vitaminas A e C
+ Provocando a despigmentação circunscrita
✴Diagnóstico Clínico
➔Difícil de ser realizado
✴Diagnóstico Laboratorial
➔Identificação de ovos nas fezes
• Sedimentação espontânea (qualitativo)
• Kato-Katz (quantitativo)
- recomendado pela OMS para inquéritos epidemiológicos
Sedimentação Kato-Katz
espontânea
✴OMS recomenda Albendazol e Mebendazol
➔Albendazol
• Dose única de 400 mg é altamente eficaz contra A.
lumbricoides
- Pouco absorvido pelo hospedeiro
- Ação anti-helmíntica ocorre diretamente no TGI
- Mecanismo de ação
+ Ligação seletiva nas tubulinas impedindo a ação da enzima
tubulina-polimerase, prevenindo a formação de
microtúbulos e impedindo a divisão celular
+ Impede a captação de glicose, inibindo a formação de ATP,
que é usado como fonte de energia pelo verme.
✴OMS recomenda Albendazol e Mebendazol
➔Mebendazol
• A dose única de 500 mg mostra alta efetividade contra A.
lumbricoides.
- Absorção pequena, mas pode ser aumentada por ingestão
de alimentos gordurosos.
- Metabolizada predominantemente no fígado
➔Ivermectina
• Dose única de 0,1 a 0,2 mg/kg.
- Induz o fluxo de íons cloro que atravessam a membrana,
impedindo a transmissão de sinais, resultando em paralisia
do verme e posterior eliminação.
- Absorvido pelo sangue
- Inteiramente excretado com as fezes.
✴Estima-se 25% da população mundial
➔Prevalência elevada
➔Regiões tropicais e subtropicais
➔Áreas de saneamento inadequado
✴Educação sanitária
✴Boa higiene pessoal
✴Saneamento básico
✴Proteção dos alimentos
Pacientes ainda morrem devido a obstrução
intestinal causada por
Ascaris lumbricoides