Enzo Crispino Calheiros - Medicina UEPA 2017.2: Artérias
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SISTEMA VASCULAR
Funções do Sangue:
- Transporte: gases, nutriente, hormônios, calor e produtos residuais;
- Regulação: manutenção da homeostasia e regulação da temperatura corpórea;
- Proteção: coagulação, presença de leucócitos, de anticorpos e proteínas.
- Túnica Íntima
Forma o revestimento interno de um VS e está
em contato direto com o sangue, que flui pelo lume,
ou abertura interior, do vaso. Embora com múltiplas
partes, esses componentes teciduais contribuem muito pouco para a espessura da parede
do vaso.
Sua camada mais interna é o endotélio (epitélio pavimentoso simples), que é
contínuo com o revestimento endocárdico do coração. É uma fina lâmina de células
planas que reveste a face interna de todo o sistema circulatório. Secretam colágeno dos
tipos II, IV e V, lâmina, endotelina, óxido nítrico e fator de von Willebrand. Também
possui enzimas, como a enzima conversora de angiotensina, que cliva a AT I para a
ATII. Tais células são participantes ativos de várias atividades vasculares associadas,
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como influência física no fluxo sanguíneo, produção local de mediadores químicos que
influenciam o estado contrátil do músculo liso do vaso e dão assistência à
permeabilidade capilar.
Profunda ao endotélio encontra-se a membrana basal, que fornece uma base de
suporte para a camada epitelial. Suas fibras colágenas lhe configuram resistência
significativa à tensão, embora também tenha propriedades de distensão e retração. Ao
mesmo tempo, ancora o endotélio ao tecido conjuntivo subjacente e regula o movimento
molecular. Exerce um papel importante na conduçãoo dos movimentos celulares
durante o reparo tecidual das paredes do VS.
Formando o limite entre a túnica íntima e a média, encontra-se a lâmina elástica
interna, que é uma fina superfície de fibras elásticas com uma quantidade variável de
aberturas em forma de janela (queijo suíço), as quais facilitam a difusão de substâncias
entre as duas túnicas.
- Túnica Média
Lâmina de tecido conjuntivo e muscular que possui a maior variação entre os
diferentes tipos de vasos. É relativamente espessa na maioria dos vasos, com células
musculares lisas – que se estendem de forma circular em torno do lume (como um anel)
e regulam seu diâmetro – e quantidades consideráveis de fibras elásticas. É a mais
variável das três. Possui função de contração e facilitação da passagem do sangue.
É essa contração do músculo liso que regula a velocidade do fluxo sanguíneo,
sendo essa amplitude de contração fundamental na regulação da pressão arterial, em
tipos de vasos específicos. Esse músculo se contrai quando os vasos são danificados
para ajudar a cessar a perda de sangue pelo vaso danificado; e também ajuda a produzir
as fibras elásticas no interior da túnica média, permitindo a distensão e a retração dos
vasos sob a pressão sanguínea.
Está ausente nos capilares e vênulas pós-capilares, nos quais existem pericitos
(células com prolongamentos citoplasmáticos com funções de contratilidade).
- Túnica Externa
Consiste em fibras colágenas e elásticas. É o revestimento externo do vaso
sanguíneo. É separada da túnica média pela lâmina elástica externa, uma parte da
túnica média composta em uma rede de fibras elásticas.
Ajuda a ancorar os vasos nos tecidos adjacentes e a inervar a parede do vaso, além
dos próprios vasos. Protege os vasos. Contém numerosos nervos, possuindo até mesmo,
nos vasos maiores, minúsculos VS que suprem o tecido da parede do vaso, os vasos dos
vasos (vasa vasorum). Como a espessura e os músculos são de alta quantidade, é
inviável a nutrição por difusão. São mais comuns nas paredes das veias do que das
artérias, pelo fato do sangue venoso já estar pouco oxigenado e com poucos nutrientes.
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Artérias
Possuem os três revestimentos de um VS típico, mas com uma túnica média
espessa, variando de muscular à elástica. Em geral, possuem alta complacência, isto é,
suas paredes se distendem facilmente ou se expandem sem se romper, em resposta a
pequenos aumentos na pressão – tudo isso em virtude da profusão das fibras elásticas.
- Artérias Elásticas
São as maiores artérias no corpo. Têm os maiores diâmetros entre as artérias, mas
as paredes dos vasos são relativamente finas em relação ao tamanho total do vaso.
Possuem lâminas externas e internas bem definidas (a interna é ligada por junções de
oclusão), com uma túnica média espessa, dominada por fibras elásticas (lamelas
elásticas).
Essas células endoteliais apresentam corpúsculos de Weibel-Palade, grânulos
possuidores de uma densa matriz e da glicoproteína fator de von Willebrand, o qual
facilita a agregação das plaquetas durante a formação do coágulo.
Têm a função de ajudar a impulsionar o sangue para frente, enquanto os
ventrículos estão relaxando. Para evitar uma acomodação do jato de sangue, as fibras
elásticas armazenam energia mecânica conforme se distendem, atuando como um
reservatório de pressão. Após isso, as fibras elásticas se retraem e convertem a energia
potencial armazenada no vaso em energia cinética do sangue, de modo que o sangue
continue a se movimentar pelas artérias.
São também chamadas de artérias condutoras, pelo fato de conduzirem o sangue
do coração para as artérias mais musculares. Incluem os dois principais troncos que
saem do coração: a aorta e o tronco-pulmonar; junto com os principais ramos iniciais da
aorta.
- Artérias Musculares
São as de tamanho médio. Suas túnicas contém mais músculo liso (3/4)
e menos fibras elásticas do que as artérias elásticas, tendo paredes
relativamente espessas. Por conta disso, são capazes de vasoconstrição e
vasodilatação mais acentuadas para ajustar a intensidade do fluxo sanguíneo.
Possuem uma lâmina elástica interna bem definida, mas uma lâmina
elástica externa fina. Ambas formam os limites internos e externos da túnica
média muscular, com camadas circulares variáveis. Abrangem uma
amplitude de tamanhos. A parede do vaso das artérias corresponde à 25% do
diâmetro total do vaso, mais que nas elásticas.
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Nas artérias musculares, a túnica externa é, em geral, mais espessa que a média,
pelo fato da primeira conter, com orientação longitudinal, fibroblastos, fibras colágenas
e fibras elásticas. A estrutura frouxa dessa camada permite que ocorram alterações no
diâmetro do vaso, mas também evitam o encurtamento ou a retração do vaso quando
cortado.
Não contém a capacidade de retração e de ajudar a impulsionar o sangue pelo fato
de terem quantidade reduzida de tecido elástico. Ao contrário, a túnica média espessa é
responsável pelo tônus vascular: capacidade de contração e de manutenção do estado
de contraçõ parcial do músculo. Fortalece a parede do vaso e é importante na
manutenção da pressão vascular e do fluxo sanguíneo eficiente.
São também chamadas de artérias distribuidoras, pelo fato de continuarem a se
ramificar, distribuindo sangue para cada um dos diversos órgãos.
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É a união de duas ou mais artérias que suprem a mesma região corporal. Fornece
trajetos alternativos para que o sangue chegue a um tecido ou órgão. A rota alternativa
do fluxo sanguíneo para uma parte do corpo, por uma anastomose, é conhecida como
circulação colateral. Artérias terminais são as artérias que não se anastomosam.
Arteríolas
São artérias pequenas que regulam o fluxo de sangue nas redes capilares dos
tecidos do corpo. A espessura da parede das arteríolas é metade do diâmetro total do
vaso.
Têm uma túnica íntima fina com uma lâmina elástica interna fenestrada que
desaparece na extremidade terminal. A túnica média consiste em uma ou duas camadas
de células musculares lisas, que possuem uma orientação circular na parede do vaso.
A extremidade terminal da arteríola é chamada de metarteríola, que afila-se em
direção à junção capilar. Nessa junção metarteríola-capilar, a célula muscular mais
distal forma o esfíncter pré-capilar, que monitora o FS para o capilar. As demais células
musculares na arteríola regulam a resistência ao FS.
A túnica externa da arteríola consiste em t. conj colágeno frouxo, contendo muitos
nervos simpáticos amielínicos. Esse suprimento nervoso une-se às ações dos
mediadores químicos locais para alterar o diâmetro da ateríolas e, assim, variar a
velocidade do fluxo sanguíneo e a resistência por esses vasos.
As arteríolas exercem um papel-chave na regulação do FS das artérias para os
capilares, regulando a resistência/oposição aos vasos, sendo conhecidas também como
vasos de resistência. Alterações no diâmetro da arteríola também afetam a pressão
arterial.
A contração do músculo liso de uma arteríola provoca a vasoconstrição, que
aumenta mais a resistência (menor diâmetro, maior atrito, mais resistência) e diminui o
FS para os capilares irrigados por aquela arteríola. Aumenta a PA.
O relaxamento do músculo liso de uma arteríola provoca vasodilatação, que
diminui a resistência e aumenta o FS para os capilares. Diminui a PA.
Capilares
São os menores vasos sanguíneos. Formam as
“curvas em U” que ligam o efluxo arterial ao retorno
venoso. Formam uma extensa rede que segue entre as
células individuais do corpo, que forma uma enorme área de superfície para fazer
contato com as células do corpo.
Por serem vasos nos quais o fluxo é lento, permitem a realizçaão de trocas
materiais com sangue. São também os menores vasos sanguíneos, compostos de apenas
uma camada pavimentosa em forma de tubo de célula endotelial. Apresentam funções
de favorecer as trocas metabólicas do sangue com os tecidos e são importantes na
fisiopatologia dos processos inflamatórios.
Possuem um grande número de vesículas revestidas por membrana associadas a
todas MP. A superfície externa das células endoteliais está envolvida por uma lâmina
basal, as quais estão unidas por faixas de oclusão (menos extensos que as zonas de
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- Fluidez do Sangue
Na maioria do corpo, o sangue flui pela rede capilar de uma arteríola para uma
vênula, pelo seguinte caminho:
O sangue flui de uma arteríola para os capilares e, em seguida, para as vênulas.
Nas junções entre a metarteríola e os capilares encontram-se anéis fibrosos que
controlam o fluxo de sangue pelos capilares (esfíncteres pré-capilares). Quando esses
estão relaxados, o sangue flui para os capilares; o contrário ocorre quando estão
contraídos. Normalmente, o sangue flui intermitentemente pelos capilares com a
alternância de contração e relaxamento do músculo liso das metarteríolas e dos
esfíncteres pré-capilares. Tal relaxamento-contração intermitente é a vasomotricidade,
que é decorrente de substâncias químicas liberadas pelas células endoteliais.
A extremidade proximal da metarteríola é circundada por fibras musculares lisas
dispersas, cuja
contração e relaxamento
ajudam a regular o
fluxo sanguíneo. A
extremidade distal do
vaso não possui
músculo liso, parecendo
com um capilar e sendo
chamada de canal de
passagem/de
escoamento.
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Tipos de Capilares:
- Capilares Contínuos ou Somáticos: nos quais a MP das
células endoteliais formam um tubo contínuo que é interrompido
apenas pelas fendas intercelulares (espaços entre as células
endoteliais adjacentes). Não possuem poros na sua parede. As
junções entre as suas células endoteliais são do tipo faixas de
oclusão. O transporte de substâncias ocorre pelo cruzamento da parede do capilar e é
mediado por carregadores. São responsáveis por irrigar tecido nervoso, pulmonar,
muscular liso e esquelético, conjuntivo e até o cerebral.
- Capilares Fenestrados ou Viscerais: as MP das células
endoteliais desses capilares apresentam muitas fenestrações
(pequenos poros). Tais orifícios são cobertos por um diafragma,
o qual contém 8 fibrilas que se irradiam de uma área central e
formam canais e formato de cunha, ou seja, ele controla a troca
de materiais. São responsáveis por irrigar glândulas endócrinas,
pâncreas e intestinos.
- Capilares Sinusóides ou Descontínuos: são maiores e mais
sinuosos. Suas células endoteliais podem ter grandes fenestrações
(mas sem diafragma), com membrana basal incompleta ou ausente.
Têm fendas intercelulares muito grandes, que permitem a passagem
de proteínas e, em casos rasos, até de hemácias de um tecido para o
sangue. São responsáveis por irrigar o fígado, baço, linfonodo e
medula óssea.
Geralmente, o sangue passa pelo coração e, em sequência, pelas artérias,
arteríolas, capilares, vênulas e veias, antes de retornar ao coração. Em algumas partes do
corpo, contudo, o sangue pode passar de uma rede capilar para outra, pela veia porta.
Sistema porta é tal circulação do sangue.
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Vênulas
Assim como as veias, não têm paredes finas que mantêm facilmente sua forma.
Elas drenam o sangue capital e começam a retornar o fluxo de sangue para o coração.
As vênulas que recebem inicialmente sangue dos capilares são as vênulas pós-
capilares. São as menores e possuem junções intercelulares organizadas livremente,
sendo muito porosas.
Atuam como locais significativos de troca de nutrientes e resíduos e de emigração
de leucócitos, formando parte da unidade de troca microcirculatória, junto com os
capilares. À medida que as vênulas pós-capilares continuam a crescer, adquirem uma ou
duas camadas de células musculares lisas, dispostas de forma circular. Essas vênunas
musculares têm paredes mais espessas, impedindo trocas com o líquido intersticial.
Veias
São vasos que levam sangue de volta para o coração. São formadas peor várias
pequenas vênulas que vão se unindo e se tornando cada vez maiores (transformando-se
em veias) durante o retorno do sangue ao coração. As veias são muito mais numerosas
do que as artérias e, em geral, o diâmetro das veias também é bem maior que o das
artérias, o que faz com que quase 70% do volume total de sangue fique nestes vasos.
Possuem uma uniformidade maior que as artérias, das pequenas para as grandes.
Em geral, possuem paredes muito finas em relação ao seu diâmetro total (espessura é
menos que 1/10 do diâmetro total). Possuem parededs mais finas e menos elásticas.
A túnica íntima das veias é mais espessa do que nas artérias; a túnica média é
muito mais fina, com relativamente poucas fibras musculares e elásticas; a túnica
externa é a camada mais espessa e evidente, além de consistir em fibras colágenas e
elásticas. Não possuem lâminas elásticas interna e externa encontradas nas artérias.
São suficientemente distensíveis para resistir à pressão alta. O lume de uma veia é
maior que aquele de uma artéria correspondente. As veias parecem achatadas quando
são seccionadas.
É a ação de bombeamento do próprio coração o principal fator da movimentação
de volta ao coração do sangue venoso. A contração do músculo equelético também
ajuda. A diferença de pressão venosa e arterial é considerável, sendo a venosa menor, de
modo que flui em um fluxo lento e regular – diferentemente de jorrar rapidamente
quando é seccionada uma artéria. Essa diferença de pressão reflete a maioria das
diferenças estruturais entre os dois tipos de vasos.
Também possuem, muitas vezes, válvulas, em especial as dos membros. São
pregas finas de túnica interna que formam estruturas como abas. Elas se projetam no
lume apontando para o coração. A baixa pressão do sangue nas veias provoca um
retorno do sangue para o coração lentamente, podendo até mesmo retroceder. As
válvulas auxiliam no retorno venoso, impedindo o fluxo retrógrado do sangue.
Cada valva venosa é composta por 2 válvulas, cada uma contendo uma delgada
prega de túnica íntima se projetando da parede para o lúmen. Quando o sangue flui para
o coração, as duas cúspides dessa valva curvam-se na direção do fluxo sanguíneo; já
quando há a tentativa de um refluxo sanguíneo, essas cúspides se fecham e bloqueiam o
fluxo retrógrado.
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Um seio vascular/venoso é uma veia com uma parede endotelial fina, sem
músculo liso para alterar seu diâmetro. Em um seio vascular, o tecido conjuntivo denso
adjacente substitui as túnicas média e externa, conferindo sustentação.
São mais numerosas do que as artérias. Algumas delas são pareadas e
acompanham as artérias musculares de pequenas a médias. Esse duplo conjunto
acompanham as artérias, conectando-se uma a outra por canais venosos, compondo as
chamadas veias anastomóticas. Essas cruzam a artéria acompanhante para formar
travessas escalonadas entre as veias pareadas, especialmente no interior dos membros.
A tela subcutânea profunda à pele é outra origem de veias, as chamadas veias
superficiais, que seguem pela tela subcutânea desacompanhadas das artérias paralelas.
Ao longo do trajeto, essas superificiais formam anastomoses com as veias
profundas, que seguem entre os músculos esqueléticos. Tais conexões permitem a
comnicação entre o fluxo superficial e profundo de sangue.
A quantidade de fluxo nas veias superficiais varia de local para local. No membro
superior, maiores são as veias superficiais que as profundas. No inferior, são as
profundas as principais vias de retorno. Valvas uniderecionnais nos pequenos vasos
anastomosantes permitem a passagem o sangue das superficiais para as profundas.
As Veias de Grande Calibre possuem TI normal (endotélio com lâmina basal e
fibras reticulares), exceto pelo fato de possuirem uma espessa camada subendotelial
com fibroblastos e uma rede de fibras elásticas. A TA dessas veias apresenta fibras
elásticas, abundantes fibras de colágeno e vasa vasorum. Ex: Veias cavas, pulmonares,
porta, renal, jugular interna, ilíaca e ázigo.
As Veias de Médio Calibre drenam a maior parte das regiões do corpo, com TI
normal sem a formação de lâminas elásticas e com TA espessa com fibras elásticas
dispostas longitudinalmente e colágeno em feixes. As Veias de Pequeno Calibre
apresenta o endotélio fino, com túnica adventícia bem desenvolvida e rica em colágeno.
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FLUXO SANGUÍNEO
É o volume de sangue que flui por qualquer tecido em um determinado período de
tempo em ml/min. FStotal = DC (volume de sangue que circular pelos VS sistêmicos a
cada minuto). Sendo que DC = FC x VS (volume sistólico). O débito cardíaco depende
da diferença de pressão que impulsiona o fluxo sanguíneo e da resistência ao FS em
vasos sanguíneos específicos. É diretamente proporcional à diferença de pressão.
Pressão Arterial
A contração dos ventrículos gera pressão arterial (PA): a pressão hidrostática
exercida pelo sangue nas paredes de um vaso sanguíneo. É determinada pelo Débito
Cardíaco, pelo volume de sangue e pela resistência vascular. É, em média, de 110
mmHg durante a sístole e de 70 mmHg na diástole, sendo a pressão arterial sistólica a
mais alta obtida nas artérias e a pressão arterial diastólica a mais baixa.
A pressão arterial também depende do volume total de sangue no corpo,
aumentando com mais volume e diminuindo com diminuição maior de que 10% do
volume total (acima dos mecanismos homeostáticos).
À medida que o sangue deixa a aorta e flui pela circulação
sistêmica, sua pressão diminui progressivamente, conforme
aumenta a distância do ventrículo esquerdo. A PA diminui para 35
mmHg quando o sangue passa das artérias sistêmicas, pelas
arteríolas sistêmicas, para os capilares, nos quais as flutuações de
pressão desaparecem. A PA chega a 16 mmHg na parte venosa
dos capilares e continua diminuindo conforme o sangue entra nas
vênulas sistêmicas e nas veias, pelo fato de estar cada vez mais
afastado do ventrículo esquerdo o sangue. Quando o sangue flui
para o VD, a PA chega a 0 mmHg.
Pressão Arterial Média – PAM é a pressão média nas
artérias, aproximadamente 1/3 das pressões sistólica e diastólica: PAM = PA diastólica
+ 1/3 (PA sistólica – PA diastólica). Também podemos calculá-la pela fórmula: PAM =
DC x R, possibilitando análises matemáticas.
Resistência Vascular
É a oposição ao fluxo sanguíneo, decorrente do atrito entre o sangue e as paredes
dos VS. Depende do diâmetro do lume do VS, da viscosidade do sangue e do
comprimento total do vaso sanguíneo.
- Diâmetro do Lume: menor o lume/ o diâmetro de um VS, maior a resistência
contra o fluxo sanguíneo. R é inversamente proporcional à d4. A vasoconstrição reduz o
lume e aumenta a RV. Conforme as arteríolas de contraem, a resistência aumenta e a PA
sobe.
- Viscosidade do Sangue: a espessura do sangue depende da proporção entre
eritrócitos e volume do plasma, além de, em menor grau, da concentração de proteínas
no plasma. Maior a viscosidade, maior a resistência. Desidratação ou policitemia (+
eritrócitos) aumentam a viscosidade, logo a PA. Hemorragias e anemias diminuem as
proteínas plasmáticas, diminuindo a viscosidade.
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Velocidade do Fluxo
A velocidade do fluxo sanguíneo (em cm/s) é inversamente relacionada com a
área de secção transversa, sendo menor nos locais em que a área for maior. O fluxo
sanguíneo é mais lento nos capilares, pois ao mesmo tempo em que ele se afasta do
coração, há uma maior ramificação da área total de secção transversa. Quando as
vênulas unem-se para formar as veias, a área total de secção transversa fica menor e o
fluxo, mais rápido.
Assim, a velocidade do fluxo sanguíneo diminui conforme o sangue flui da aorta
para as artérias, para as arteríolas e para os capilares, e aumenta à medida que sai dos
capilares e retorna ao coração. A velocidade relativamente pequena do fluxo, pelos
capilares, facilita as trocas de substâncias entre o sangue e o líquido intersticial.
Tempo de Circulação é o tempo necessário para que uma gota de sangue passe
do AD para a circulação pulmonar, voltando ao AE e seguindo pela circulação sistêmica
até o pé e voltando novamente para o AD. Em repouso, é normalmente de 1 minuto.
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VIAS CIRCULATÓRIAS
Os vasos sanguíneos são organizados em vias circulatórias que levam sangue para
órgãos específicos no corpo. São paralelas as vias, geralmente com uma parte do débito
cardíaco fluindo separadamente para cada tecido do corpo, de modo que cada órgão
recebe seu próprio suprimento de sangue oxigenado.
São duas principais: circulação sistêmica e circulação pulmonar.
O sangue na circulação pulmonar não precisa ser bombeado tão longe quanto o
sangue na circulação sistêmica. Comparadas às artérias sistêmicas, as artérias
pulmonares têm diâmetros maiores, paredes mais delgadas e menos tecido elástico, ou
seja, possuem uma resistência menor, sendo necessária uma menor pressão para
deslocar o sangue pelos pulmões. A pressão sistólica de pico no VD é 0,2VE.
Circulação Sistêmica
Inclui todas as artérias e arteríolas que levam sangue oxigenado do VE para os
capilares sistêmicos, além das veias e vênulas que retornam o sangue desoxigenado para
o AD. O sangue que sai da aorta, fluindo pelas artérias sistêmicas, é vermelho-vivo.
Conforme o fluxo passa pelos capilares, perde parte de seu O2, captando CO2,
virando vermelho-escuro. Cabe ressaltar que todas as artérias sistêmicas ramificam-se a
partir da aorta.
Completando o circuito, todas as veias da circulação sistêmica drenam para: a
veia cava superior, a veia cava inferior
ou o seio coronário; todos desembocam no
AD. As artérias bronquiais (levam
nutrientes para os pulmões) também fazem
parte da C. Sistêmica.
Circulação Pulmonar
Leva sangue desoxigenado do VD
para os alvéolos, no pulmão, e retorna
sangue oxigenado dos alvéolos para o átrio
esquerdo. O tronco pulmonar emerge do
VD e segue, superior e posteriormente para
a esquerda. Depois, divide-se em dois
ramos: a artéria pulmonar direita, para o
pulmão direito, e a artéria pulmonar
esquerda, para o pulmão esquerdo.
Após o nascimento, as artérias pulmonares são as únicas artérias que conduzem
sangue desoxigenado. Ao entrar nos pulmões, os ramos dividem-se e se subdividem até
formarem capilares em torno dos alvéolos nos pulmões. O CO2 passa do sangue para os
alvéolos e é exalado. O O2 inalado passa do ar, no interior dos pulmões para o sangue.
Os capilares pulmonares unem-se para formar as vênulas e, por fim, as veias
pulmonares, que deixam os pulmões transportando o sangue oxigenado para o AE.
Duas veias pulmonares esquerdas e duas direitas desembocam no AE. Após o
nascimento, as veias pulmonares são as únicas que transportam sangue oxigenado.
As contrações do VE, então, ejetam o sangue oxigenado na circulação sistêmica.
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Retorno Venoso é o volume de sangue que flui de volta ao coração pelas veias
sistêmicas em consequência da pressão gerada pelas contrações do VE do coração. A
diferença de pressão entre as vênulas e o VD é pequenas, mas suficiente para o retorno
venoso para o coração. Um vazamento da valva atrioventricular direita reduz o fluxo
venoso e motiva o acúmulo de sangue no lado venoso da circulação sistêmica.
A pressão necessária para empurrar o sangue até as veias mal é suficiente para
superar a gravidade que empurra o sangue de volta para baixo.
Além do coração, bombeiam o sangue da parte inferior do corpo de volta para o
coração: a bomba musculoesquelética e a bomba respiratória, que dependem das
válvulas nas veias.
- Bomba Musculoesquelética: em pé, em repouso, a
válvula venosa mais próxima do coração (válvula
proximal) e a outra mais distante do coração (válvula
distal) estão abertas na perna, fazendo o sangue fluir para
cima, em direção ao coração.
Na contração dos músculos da perna, as veias são
comprimidas. A compressão empurra o sangue pela
válvula proximal, ação chamada ordenha. Ao mesmo
tempo, a válvula distal no segmento não comprimido da
veia se fecha quando um pouco de sangue é forçado contra
ela. Após o relaxamento muscular, a pressão diminui na
parte antes comprimida da veia, fazendo que a válvula
proximal se feche. A válvula distal, então, abre-se , pelo
fato da pressão do sangue no pé ser maior que na perna, e a
veia se enche com o sangue vindo do pé.
- Bomba Respiratória: baseia-se na alternância de
compressão e descompressão das veias. Na inspiraçõ, o diafragma se desloca para
baixo, provocando reduçõ da pressão na cavidade torácica e aumento na cavidade
abdominal. As veias abdominais são comprimidas e um maior volume de sangue se
desloca dessas veias abdominais comprimidas para as veias torácicas descomprimidas e,
em seguida, para o átrio direito. Quando há a invertam das pressões durante a expiração,
as válvulas nas veias impedem o fluxo retrógrado do sangue das veias torácias para as
veias abdominais.
Circulação Porta-Hepática
Leva o sangue venoso dos órgãos gastrointestinais e do baço para o fígado. A veia porta do fígado
recebe o sangue dos capilares dos órgãos gastrointestinais e do baço, levnaod o sangue até os sinusóides
do fígado. Após uma refeição, o sangue porta-hepático é rico em nutrientes absorvidos pelo trato
gastrointestinal.
As veias mesentéricas unem-se para formar a veia porta do fígado. A veia mesentérica superior
drena o sangue do intestino delgado e de partes do intestino grosso, estômago e pâncreas por várias veias.
A veia mesentérica esplênica drena o sangue do estômago, pâncreas e parte do intestino grosso por outras
veias. A veia mesentérica inferior, que deságua na veia esplênica, drena partes do intestino grosso. As
veias gástricas direita e esquerda e a veia cística também participam. O sangue oxigenado vindo via
artéria hepática própria se mistura com o desoxigenado nos sinusóides, deiando-nos pelas veias hepáticas,
que drenam para a v.cava inferior.
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ESCLARECER TERMOS
Angioplastia: A angioplastia é um
procedimento cirúrgico pouco invasivo,
empregado mais frequentemente para combater a
obstrução de artérias que conduzem o fluxo
sanguíneo até o coração. Em geral, é indicada
para portadores de angina, que apresentam essa
obstrução por conta do acúmulo de placas de
gordura.
Por meio deste procedimento, um cateter
com um balão é introduzido, geralmente pela
artéria femoral, através de uma pequena incisão
na virilha, e guiado até o local obstruído. Lá, o
balão é inflado, rompendo as placas e expandindo
o diâmetro da artéria.
Implante de Stent:
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OBS: Grande parte dos vasodilatadores e vasoconstritores exerce pouco efeito a longo
prazo no fluxo sanguíneo, a menos que alterem a intensidade metabólica dos tecidos,
pelo fato de cada tecido ter capacidade de autorregular seu próprio fluxo.
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Agentes Vasoconstritores
- Norepinefrina e Epinefrina: a norepinefrina é hormônio vasoconstritor
especialmente potente; a epinefrina é menos potente, podendo causar até, em alguns
tecidos, vasodilatação leve. Eles aumentam o débito cardíaco, aumentando a frequência
e a força de contração cardíacas. Durante o estresse ou exercício, as terminações
nervosas simpáticas liberam norepinefrina, que excita o coração e contrai as veias e
arteríolas. Os nervos simpáticos que suprem as medulas adrenais fazem com que essas
glândulas secretem tanto norepinefrina quanto epinefrina no sangue. Ambos provocam
estimulação nervosa direta e efeitos indiretos pelo sangue circulante.
- Angiotensina II: contrai de forma muito intensa as pequenas arteríolas. Se isso
ocorrer em área tecidual isolada, o FS pode ser intensamente reduzido. Ela, em
condições normais, age ao mesmo tempo em muitas arteríolas do corpo, aumentando a
resistência periférica total, elevando a PA, ou seja, também regula a PA.
- Vasopressina: ou ADH, tem efeito ainda mais intenso que a angiotensina II,
sendo uma das mais potentes do organismo. Ela é secretada, principalmente, após
quadros de hemorragias graves, na tentativa de restabelecer a pressão arterial perdida
devido à hipovolemia. É capaz de normalizar a pressão arterial com um aumento
isolado, especialmente após hemorragias graves. Aumenta muito a reabsorção de água
pelos túbulos renais de volta para o sangue, auxiliando no controle do volume de líquido
corporal.
- Endotelina: é outra substância de elevado poder constritor. Após graves lesões
do vaso sanguíneo, é, provavelmente, a subsequente liberação local de endotelina e a
vasoconstricão que impede a ocorrência de sangramento extenso em determinadas
artérias de pequeno calibre.
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- Histamina: liberado quando os tecidos são lesados, passam por reação alérgica
ou estão inflamados, derivando de mastócitos e basófilos. Exerce potente efeito
vasodilatador nas arteríolas e tem a capacidade, assim como a bradicina. De aumentar
muito a porosidade capilar, permitindo o extravasamento de líquido e de proteínas
plasmáticas para os tecidos. Em muitas condições patológicas, a intensa dilatação pode
causar edema.
- Peptídeo natriurético atrial (PNA): liberado pelas células nos átrios do
coração, o PNA diminui a PA, provocando vasodilatação e promovendo a perda de sal e
água na urina, reduzindo o volume sanguíneo.
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O CCV também envia impulsos para o músculo liso, nas paredes dos VS via
nervos vasomotores. São neurônios simpáticos que deixam a medula espinal através de
todos os nervos espinais torácicos e pelo primeiro/dois primeiros nervos espinais
lombares e, em seguida, passam para os gânglios do tronco simpático. Desse último
local, os impulsos propagam-se ao longo dos neurônios simpáticos que inervam os VS
nas vísceras e nas áreas periféricas.
A região vasomotora do CCV envia continuamente impulsos por essas vias para
arteríolas, provocando um estado moderado de contração tônica ou vasoconstrição,
chamado de tônus vasomotor, definidor do nível de repouso da resistência vascular
sistêmica.
A estimulação simpática, da maioria das veias, resulta em constrição, que desloca
o sangue dos reservatórios venosos e aumenta a PA.
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b) Reflexos Quimiorreceptores
São receptores sensoriais que monitoram a composição química do sangue,
estando localizados próximo aos barorreceptores do seio e da aorca, em pequenas
estruturas, as chamadas glomos caróticos e glomos para-aórticos, respectivamente.
Esses QR detectam variações nas concentrações sanguíneas de O2, de CO2 e de
H+. Hipóxia (-O2), acidose (+H+) e hipercapnia (+ CO2) estimulam os QR a enviar
impulsos para o CCV, que aumenta a estimulação simpática para as arteríolas e veias,
produzindo vasoconstrição e aumento da PA. Os QR também originam influxos para o
centro respiratório, no tronco encefálico, para ajustar a frequência respiratória.
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- Sistema Renina-angiotensina-aldosterona
O sistema é mediado por mecanismos hormonais, não neurais (como os
barorreceptores e os quimiorreceptores), por isso regula a pressão de forma mais lenta,
principalmente por seus efeitos no volume sanguíneo.
O sistema renina-angiotensina-aldosterona é ativado em resposta a diminuição da
pressão arterial. A ativação por sua vez produz uma série de respostas para reinstaurar a
normalidade pressórica, sendo elas:
1. A diminuição da pressão arterial causa diminuição da pressão de perfusão renal,
o que é detectado pelos mecanorreceptores nas arteríolas aferentes renais. A
diminuição da P faz a pró- renina ser convertida em renina nas células
justaglomerulares. A secreção de renina é aumentada por estímulo dos nervos
simpáticos renais e pelos agonistas beta;
2. A renina é uma enzima que no plasma catalisa a conversão de angiotensinogênio
em angiotensina I;
3. Nos pulmões e nos rins, a angiotensina I é convertida em angiotensina II (reação
catalizada pela enzima conversora de angiotensina);
4. A angiotensina II age no córtex supra-renal, no musculo liso vascular e nos rins;
5. A Angiotensina II atua na zona gromerular do córtex-supra renal estimulando a
síntese secreção de aldosterona. A aldosterona por sua vez atual no túbulo distal
e coletores do rim, aumentando a reabsorção de Na+, e assim aumentando o
volume do liquido extracelular e de sangue;
6. A angiotensina II também atua diretamente nas arteríolas, causando
vasoconstrição e portanto produzindo aumento do RPT e aumento da Pressão
aórtica;
7. A Angiotensina II também tem sua ação direta no rim independente das ações da
aldosterona. A angiotensina II estimula a troca de Na+ - H no túbulo proximal
do rim, e aumenta a reabsorção de Na+ e de HCO3-;
8. A angiotensina II atua no hipotálamo aumentando a sede e a ingestão de água.
Também estimula a secreção de hormônio antidiurético, o que aumenta a
reabsorção de água nos ductos coletores. Esse hormônio também realiza a
vasoconstrição, sendo, por isso chamado de vasopressina e, além disso, aumenta
a água corporal total, aumentando a pressão arterial.