Wa0010.
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@vetannajulia
Notas!
Olá!
Sou a Anna Júlia, médica veterinária, e preparei esta apostila com muito carinho
para tornar seus estudos mais leves, organizados e produtivos.
Sei que a rotina acadêmica pode ser desafiadora, por isso, minha ideia aqui é te
ajudar nesse processo com um material claro, dinâmico, cheio de ilustrações e
explicações didáticas.
Mas vale lembrar: esta apostila é um complemento aos seus estudos! Sempre
confira o conteúdo exigido pelos seus professores para garantir que você esteja
aprendendo da melhor forma possível. Espero que este material te ajude a
aprender com mais tranquilidade e confiança! Seu feedback é super bem-vindo,
fique à vontade para me mandar uma mensagem sempre que quiser.
Aviso importante:
As doses mencionadas neste material têm finalidade exclusivamente
educacional. Elas não devem ser interpretadas como indicação de
tratamento, prescrição médica ou substituição da orientação de um profissional
veterinário habilitado. A conduta clínica deve sempre ser individualizada, com
base na avaliação completa do paciente.
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Endocrinologia
A hipófise é dividida em:
Adeno-hipófise: glândula verdadeira, produz diversos hormônios.
Neuro-hipófise: é a continuação dos neurônios secretores vindo do hipotálamo.
Pars intermedia: localizada no meio da neuro e adeno hipófise.
Hipotálamo
Estrogênio
LH
Neuro-hipófise
FSH
Testosterona Ocitocina
ADH
Adeno-hipófise
Vasopressina
T3 e T4 TSH
ACTH
Cortisol Adeno-hipófise
Figura 1 – Ilustração do hipotálamo e sua função na produção hormonal em animais. Fonte: Vet Profissional (2025).
TSH - é direcionado à glândula tireoide, onde estimula a síntese e liberação dos hormônios
T3 e T4, os quais atuam de forma sistêmica na regulação do metabolismo celular. Quando
os níveis desses hormônios voltam à normalidade na circulação, o feedback negativo é
ativado, sinalizando ao hipotálamo para interromper a produção de TSH.
ACTH - atua sobre o córtex da glândula suprarrenal, estimulando a produção de cortisol,
hormônio que também participa da regulação do metabolismo celular em todo o
organismo. A liberação diária de cortisol segue um ritmo conhecido como ciclo circadiano,
cuja variação depende da espécie animal.
LH - no início de cada ciclo estral, a hipófise libera pequenas quantidades de FSH e LH
(hormônio luteinizante) que provocam o crescimento e amadurecimento dos folículos
ovarianos. O crescimento destes folículos induz ao aumento da produção de estrógeno que
estimula a ovulação, fazendo com que os animais alcancem o estro. Após a ovulação, os
elementos residuais do folículo rompido formam o corpo lúteo que secreta estrogênio e
grandes quantidades de progesterona com o objetivo de manter a gestação.
Ocitocina - atua sobre os ovários, o útero e as glândulas mamárias. No útero gestante, ela
promove a contração da musculatura uterina durante o trabalho de parto. Após o
nascimento do último filhote, ocorre um mecanismo de retroalimentação negativa que
sinaliza ao hipotálamo para interromper o estímulo responsável pelas contrações, cessando
a liberação de ocitocina pela neuro-hipófise.
ADH - também chamado de vasopressina (VP), é produzido pelo hipotálamo e exerce sua
ação sobre as células renais, hepatócitos e células vasculares. Sua função inclui a
promoção da antidiurese, o estímulo à gliconeogênese hepática e a atuação como potente
vasoconstritor.
Glândulas Hormônios
Tiroide T4 e T3
Paratireoide Paratormônio
Pineal Melatonina
Testículos Testosterona
somatostatina
GHRH
Hipófise
GH
Tec. Ósseo
Ghrelina
IGF-1
Pan-hipopituitarismo juvenil:
Comprometimento de toda a adeno-hipófise, deficiência de vários hormônios. Pouco
relatada, mais comum em pastor alemão e lulu da pomerânia. Ocorre devido a expansão
da estrutura da fenda de rathike devida atividade mitótica frenética, levando a compressão
da adeno-hipófise, causando atrofia, células atrofiadas possuem função diminuída ou
ausente. nesse quadro, acontece a diminuição do GH, avanço do quadro, maior destruição
celular e diminuição de outros hormônios hipofisários.
Ocorre de forma precoce, até 3 meses, a partir desta idade, os sinais tornam-se mais
evidentes, não possui predisposição sexual.
GH humano na fase inicial possui resposta satisfatória, depois a resposta cai, por se tratar
de um hormônio humano o corpo do animal consegue criar anticorpos.
Administrar o GH canino a 0,1 UI a cada 2 dias, SC, tratamento vitalício.
Medroxiprogesterona na dose 2,5 - 5,0 mg/kg; a cada 3 semanas, até o fechamento da
placa de crescimento ósseo. É um Progestágenos, que estimulam a expressão de genes
relacionados a produção de GH pela glândula mamaria, porem existe efeitos colaterais:
piodermites pruriginosas, hiperglicemia, diabetes melitus. Considerar OSH antes do
tratamento
Até os 4 meses de idade, o animal apresenta boa resposta e adquire normalidade. 7-8
meses de idade, o animal não se recupera normalmente, é geralmente nessa idade que o
tutor percebe que há alguma coisa errada com o crescimento do animal.
Se existir hipotireoidismo secundário: L-tiroxina 10ug/kg/SID
Se existir hipoadrenocorticismo secundário: cortisol 1mg/kg/SID/ Prednisona
0,2mg/kg/SID. Ambos os casos o tratamento é vitalício
Feito por
Excesso de hormônio GH. pode acontecer em diferentes fases da vida. pode ocorrer devido a
injeções anticio ou diestro prolongados em cadelas. Ocorre com mais frequência em animais
de 4-11 anos, Geralmente secundário ao tratamento progestacional, e vacinas anticio. Pode
ocorrer em cães e gatos.
Animal adulto
Acromegalia (quadro comum)
Animal jovem
Gigantismo
Níveis altos de progesterona pode levar a hipersecreção do hormônio do crescimento, que
ocorre em casos de diestro prolongados e aplicação de progestágenos exógenos (anticio),
o GH compete com a insulina pelo efeito catabólico direto, dificultando a ação da insulina,
causando hiperglicemia, hiperinsulinemia, que geram a exaustão do pâncreas, que
caracteriza o inicio do diabetes mellitus
Figura 3- Fêmea canina da raça Pastoralemão Figura 4- Aumento de mandíbula Figura 5- Alargamento dos espaços interdentais
com retardo de crescimento, retenção de pelos resultando em prognatismo em gato com em um cão com acromegalia. Fonte: BSAVA-
secundários. Fonte: BSAVA- Manual de acromegalia. Fonte: BSAVA- Manual de Manual de endocrinologia em cães e gatos.
endocrinologia em cães e gatos. endocrinologia em cães e gatos.
ADH
Central nefrogênica
Deficiência parcial ou completa na Incapacidade tubular renal na
secreção do hormônio ADH resposta ao ADH. Geralmente por
(antidiurético) pela neuro-hipófise. doença renal crônica
Feito por
Os sinais são os mesmos tanto para diabetes insípidus central e nefrogênica, a nefrogênica
acontecerá ao mesmo tempo que os sinais de insuficiência renal.
Intensa poliúria, não ocorre a reabsorção de agua, ou seja, o animal vai apresentar baixa
densidade urinária: completa: < 1,006; parcial: até 1,015.
Polidipsia reflexa a poliúria, esse animal está sempre desidratado.
Glicosúria pode acontecer.
Enfermidades da
Glândula Tireoide
Secreção de T3 e T4
O estimulo pra liberação de T3 e T4 é o TSH. O hipotálamo e a hipófise trabalham juntos a fim de
controlar a secreção dos hormônios tireoidianos. O hipotálamo secreta o hormônio liberador de
tireotrofina (TRH), que vai até a hipófise anterior e estimula a liberação de tireotrofina (TSH).
O TSH, encontra os seus receptores nas células foliculares da tireoide. Quando isso acontece, a
tireoglobulina ligada às moléculas de T3 e T4 precisa ser transportada pro meio intracelular e então ser
clivada; para isso, ela penetra na célula formando uma vesícula e então essa vesícula se junta com
lisossomos onde existem enzimas que clivam a molécula, liberando o T3, T4 e as outras moléculas.
O T3 e o T4 passam livremente através da membrana basal e vão pra corrente sanguínea; já a di-
iodotirosina e a monoiodotirosina são desionizadas e todos os componentes são reciclados pra formar
novos T3 e T4.
Ocorre por dois motivos, ou por tireoidite linfocítica, que é um processo inflamatório envolvendo a
tiroide, ou por atrofia da glândula, não se sabe se a atrofia seria em decorrência linfocitária ou se são
afecções sem associação, em ambas ocorre a perda de massa funcional da tireoide, causando a
deficiência de hormônios tiroidianos. Pode ocorrer por outras condições, mas 90% das vezes o
hipotireoidismo em cães é primário.
O hipotireoidismo secundário é raro e quando ocorre é em decorrência da ausência dos hormônios
que estimulam a tireoide o TSH e TRH produzidos na hipófise e hipotálamo, essa ausência ou diminuição
é muito rara, pouco documentado na medicina veterinária.
Alterações percebidas pelos tutores: “o animal está ficando mais apático com o tempo”;
“Animal que antes brincavam muito, agora está calmo”; “Ganho de peso”; “Animal que sente frio
até em dias quentes”.
Alterações clínicas: os pacientes com hipotireoidismo vão apresentar dermatopatias, como:
Alopecia de tronco bilateral em geral sem inflamação, a menos que ocorra a piodermite
secundaria oportunista, e prurido.
Animais com piodermite recorrentes podem ter hipotireoidismo.
“Cauda de rato” cauda alopecia, pigmentada. Nem todo animal obeso
pelagem quebradiça, seca, presença de seborreia. tem hipotireoidismo
Em casos avançados o mixedema, “cara depressiva”, enrugamento da face.
Bradicardia
Bradipneia
Alterações menos frequentes:
Alterações neurológicas são raras, porém, está descrita na literatura.
Cerotopatias relacionadas a deposição de gordura na córnea também está descrita na literatura
Figura 8-Cauda de rato - Fonte: CEPAV 2009 Figura 9- Face commixedema - Fonte: desconhecida
Feito por
Levotiroxina sódica 0,011 - 0,044mg/kg SID, dar em jejum, a melhora é imediata, o animal volta a
estar disposto, a brincar com o tutor.
A arquitetura folicular normal da tireoide é substituída por um ou mais focos de tecido hiperplásico
facilmente perceptíveis na forma de nódulos, a hiperplasia adenomatosa de caráter benigno, não se
sabe a causa exata do crescimento desses nódulos, mas considerasse os fatores ambientais como
envelhecimento, baixo teor de iodo na dieta, desreguladores endócrinos na dieta, contaminantes
globais, entre outros.
Figura 10-Aspecto físico de felino com hipertireoidismo avançado, apresentando ventroflexão Figura 11- Pelos arrepiados e
cervical - Fonte: desconhecida bagunçados - Fonte: desconhecida
Em todos os casos, sugere-se avaliação cuidadosa dos sinais clínicos, dos parâmetros
hematológicos e bioquímico séricos previamente. A escolha do tratamento deve se individualizada.
O hipertireoidismo apresenta duas modalidades de tratamento:
Terapia definitiva:
tireoidectomia é considerado um procedimento simples e que pode conferir cura permanente
para o felino (retirada total da glândula tireoide), deve ser realizado reimplantação da
paratireóide, sua ausência aumenta o risco de hipocalcemia.
Terapia reversível:
Administração continua de drogas antitireoidianas, dieta pobre em iodo e iodo radioativo.
Tratamento medicamentoso: Metimazol 1,25-2,5mg/gato, VO, BID. gatos difíceis de serem
medicados podem receber a dose de 5mg/gato, VO, SID. Oferecer a medicação por 2-3 semanas
e reavaliar o paciente quanto aos sinais clínicos e presença de reações adversas, principalmente
doença renal crônica. Caso o paciente apresente níveis de T4 total superiores ao valor de
referencias, acréscimo de 1,25-2,5mg/gato/dia devem ser considerados, a dosagem deve ser
ajustada a cada 2-3 semanas ate atingir a normalidade ou apareça efeitos adversos. Após a
normalidade, acompanhar o paciente a cada 3-6 meses. e iniciar a terapia novamente se for
preciso.
O tratamento com propiltiouracila não e mais recomendado e o carbimazol não esta disponível no
brasil, ate o momento.
Iodo radioterapia: Baixo indíce de efeitos colaterais, não tem alterações da paratireóide, boa
sobrevida e possui alta eficácia em tumores da tireoide. Porem possui limitações como alto custo e
poucos locais licenciados para realizar o procedimento.
Feito por
O hiperparatireoidismo secundário renal (HPTr) é uma síndrome multifatorial que pode ser
caracterizada por elevados níveis séricos de paratormônio e hiperplasia das glândulas paratireoides,
que também envolve mudanças nos níveis de cálcio, fósforo e calcitriol. É uma das consequências
observadas em cães portadores da Doença Renal Crônica (DRC), devido ao comprometimento do
metabolismo de cálcio e fósforo que acompanha essa afecção.
Na DRC, os rins perdem a capacidade de excretar fósforo e ativar a vitamina D (calcitriol), o que
leva ao acúmulo de fósforo no sangue (hiperfosfatemia) e à redução da absorção de cálcio no
intestino, resultando em hipocalcemia.
Essa queda no cálcio, somada ao aumento do fósforo e à elevação de substâncias como o FGF-
23, estimula as glândulas paratireoides a produzirem mais hormônio paratireoideo (PTH). O excesso
de PTH tenta corrigir o desequilíbrio ao remover cálcio dos ossos, aumentar sua reabsorção nos rins
e reduzir o fósforo circulante.
Com o tempo, esse processo afeta negativamente o metabolismo ósseo e mineral, causando
complicações como fragilidade óssea, deformidades, calcificações em vasos e outros tecidos.
O animal primeiro começa a apresentar sinais da doença renal crônica, como poliúria, polidipsia,
letargia, êmese, emagrecimento progressivo, alteração na qualidade da pelagem, baixo escore
corporal, mucosas hipocoradas, ulcerações em cavidade oral e halitose.
Em seguida o animal começa a apresentar os sinais clínicos decorrentes da osteodistrofia, como:
Deformação da face, maleabilidade óssea("mandíbula de borracha") e dos dentes também,
caracterizando o animal com a boca entreaberta e dando impressão de que o animal possuí uma
fratura em mandíbula.
Fraturas: Devido à fragilidade óssea.
Osteodistrofia: A desmineralização óssea, que leva à fraqueza e deformação dos ossos.
Figura 12- diminuição da radiopacidade e aumento da radiolucencia Figura 13- comprometimento de inserção dentária e
em região de maxila e mandíbula, caracterizando desmineralização diminuição da radiopacidade e aumento da
óssea - Fonte: Salles et al. (2023) radiolucencia em região de maxila e mandíbula -
Fonte: Salles et al. (2023)
Feito por
Enfermidades da
Glândula Adrenal
As glândulas adrenais, também conhecidas como suprarrenais, são órgãos endócrinos localizados
acima dos rins. Cada glândula é composta por duas partes distintas:
Córtex Adrenal: Parte externa responsável pela produção de hormônios esteroides, é dividido em três
zonas, cada uma com funções específicas:
Zona Glomerulosa: Hormônio: Aldosterona (principal mineralocorticoide). Possui a função de
Regular o equilíbrio de sódio e potássio, influenciando a pressão arterial.
Zona Fasciculada: Hormônio: Cortisol (principal glicocorticoide). Possui as funções de Estimular a
gliconeogênese hepática, aumentando os níveis de glicose no sangue; Promove a lipólise e
redistribuição de gordura; Inibe a síntese proteica e aumenta o catabolismo proteico; Aumenta a
taxa de filtração glomerular e inibe a secreção de ADH, promovendo maior excreção de água
pelos rins; Possui efeito imunossupressor e estimula a secreção gástrica.
Zona Reticular: Hormônios: Andrógenos e estrogênios (hormônios sexuais). Possui a função de
Contribuir para o desenvolvimento das características sexuais secundárias e influencia o
metabolismo.
Medula Adrenal: Parte interna que secreta catecolaminas, principalmente: adrenalina (Epinefrina)
e noradrenalina (Norepinefrina). Possui as funções de Aumentar a frequência cardíaca e a pressão
arterial; Dilatação das vias aéreas; Preparam o corpo para a resposta de "luta ou fuga" em
situações de estresse.
CRH Cortisol
Feedback Cortisol
negativo
Figura 14- eixo hipotálamo-hipófise-adrenal - Fonte: Vetannajulia 2025
A secreção dos glicocorticoides é controlada pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal:
O hipotálamo libera o hormônio liberador de corticotropina (CRH).
O CRH estimula a hipófise anterior a secretar o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH).
O ACTH, por sua vez, estimula o córtex adrenal a produzir e liberar glicocorticoides, principalmente
o cortisol.
Feedback negativo: Quando o cortisol está alto no sangue, ele inibe o hipotálamo e a hipófise.
Resultado: diminui a liberação de CRH e ACTH e consequentemente menor produção de cortisol.
Feito por
Os sinais clínicos podem ser bem inespecíficos como: Poliúria e polidpsia; Polifagia; Taquipneia e
taquipneia, aumento do apetite, ganho de peso e perda da massa muscular.
Abdômen distendido, “abdômen pendular” similar a ascite
Alterações cutâneas também são observados: Telangiectasia (pequenos vasos sanguíneos
dilatados que ficam visíveis) presença de comedões, áreas de alopecia, a pele pode ficar mais
fina, com hiperpigmentação (escurecimento) em algumas áreas, além de maior suscetibilidade a
feridas e infecções.
Atrofia testicular
Anestro prolongado
Sinais neurológicos (macroadenoma hipofisário)
SARDS - Síndrome de Degeneração Retinal Súbita Adquirida
Hipertensão arterial
Em todos os casos, sugere-se avaliação cuidadosa dos sinais clínicos e dos parâmetros previamente a
escolha de qualquer tratamento.
1- HC adrenal- dependente (HAD)
Adrenalectomia cirurgica: é o tratamento de escolha, a menos que a avaliação pré-operatória
evidencie lesões metastáticas. Nesses casos recomenda-se a adrenalectomia medicamentosa,
para intencionalmente causar a destruição completa do córtex das adrenais, para posteriormente
tratar o paciente para hipoadrenocorticismo.
Mitotano 75-100 mg/kg/dia VO, dividida em 3-4 doses diárias por 25 dias consecutivos, associado
a prednisona 0,25-0,5 mg/kg VO, BID e ao pivalato de desoxicorticosterona 2,2 mg/kg, SC a cada
25 dias. após os 25 dias, as doses de prednisona e pivalato de desoxicorticosterona devem ser
ajustadas.
Os caes com tumores adrenais metastáticos possuem um mau prognóstico as indicações devem ser
cuidadosamente avaliada, use o tratamento convencional (HC pituitário-dependente) nesses casos.
2- HC iatrogênico
Identificar a causa base da terapia com glicocorticoide. Avaliar a necessidade de manutenção da
terapia com corticoides. Pesquisar a possibilidade da troca da medicação ou redução gradual da
dose. Realizar teste de estimulação com ACTH para atestar o retorno da produção de cortisol
pelas adrenais, caso necessário.
3- HC pituitário-dependente (HPD)
Controle medicamentoso inclui dois principais fármacos: mitotano (ação adrenocoticolitica) e
trilostano (ação adrenocoricostática) e outros três medicamentos alternativos, cloridrato de
selegilina, cabergolina e ácido retinoico. O cetaconazol apesar de citado em algumas literaturas
possui altos riscos de toxicidade e baixa eficácia no tratamento, não sendo recomendado o uso.
Embora o mitotano seja recomendado, seu uso deve ser muito cauteloso, sugere-se leitura
aprofundada da terapia com mitotano.
O trilostano é a droga de primeira escolha e possui resposta semelhante à do mitotano, com
menos efeitos adversos e maior sobrevida. Dose de 0,5-2mg/kg/VO/BID, deve ser feito o
monitoramento do paciente em 10, 30 e 90 dias após o inicio da terapia, para ajustes de dosagem.
Após estabilização (cortisol entre 2-5ug/dl), a estimulação com ACTH deve ser feita a cada 3-4
meses para controle.
Feito por
Enfermidades do
Pâncreas
É uma glândula anexa do sistema digestório, localizada próxima ao intestino delgado, com dupla
função no organismo animal.
Função Exócrina:
Produz o suco pancreático, rico em enzimas digestivas. Esse suco é liberado no intestino delgado e
ajuda na digestão dos alimentos.
Função Endócrina:
Realizada pelas Ilhotas de Langerhans, que possuem três tipos de células:
Células Alpha → produzem glucagon
Células Beta → produzem insulina
Células Delta → produzem somatostatina
Os hormônios são lançados na corrente sanguínea e atuam no corpo todo.
Corrente sanguínea
Glucagon
Somatostatina
Insulina
Intestino delgado
Pâncreas
suco pancreático
A Diabetes Mellitus É uma enfermidade que pode se desenvolver tanto em cães como em gatos, mas,
especialmente, em fêmeas não castradas, de meia idade a idosas. É uma das principais doenças
endócrinas da atualidade e seu desenvolvimento é multifatorial, tendo como alguns dos principais
fatores: obesidade, pancreatite, fármacos, infecções, hiperlipidemia e predisposição genética
Sinais clínicos clássicos associados: Poliúria; Polidpsia; Perda de peso; Polifagia podendo ocorrer perda
de massa muscular, pelame oleoso e catarata. Hiperglicemia
Gatos - Neuropatia diabética: Andar plantígrado: com toda a superfície do pé apoiada no chão,
incluindo os metatarsos.
CETOACIDOSE DIABÉTICA
Hiperglicemia
É uma emergência médica veterinária de cuidado
Acidose metabólica
intensivo. A abordagem envolve corrigir a
Cetonemia
desidratação, os distúrbios eletrolíticos, a acidose e
Desidratação
a hiperglicemia
Perda de metabólitos
A curva glicêmica precisa ser feita para controle da dosagem de insulina. É realizada com coletas
de sangue a cada duas horas, iniciando antes da aplicação da insulina, mantendo a alimentação
habitual do animal.
Para insulinas de ação intermediária, a curva dura 12h; para insulinas de longa duração, 24h.
A curva ideal apresenta formato de sino invertido, com o nadir (menor valor de glicose) entre 8 e 10
horas após a aplicação. Se o nadir for maior que 150 mg/dL, a dose de insulina deve ser
aumentada; se for menor que 80 mg/dL, a dose deve ser reduzida.
Administração de uma dosagem muito alta de insulina combinada a não ingestão da quantidade
calórica necessária pode levar a hipoglicemia, que deve ser corrigida rapidamente com glicose. Em
casa, pode ser corrigida com mel. Se não tratada, pode levar a convulsão e óbito.
Recadinho
Se você chegou até aqui, já deu um passo importante: está buscando
aprender mais para se tornar um(a) médico(a) veterinário(a) excelente, e isso,
por si só, já mostra o quanto você se importa com o seu futuro e com a
profissão que escolheu. Continue assim: estude o máximo que puder,
busque sempre entender além da teoria e nunca pare de se dedicar. A
Medicina Veterinária exige conhecimento, responsabilidade e sensibilidade.
Mas lembre-se: relaxar também é essencial. A faculdade é uma fase
única, cheia de momentos incríveis para viver com amigos, rir das situações
mais inusitadas e construir memórias que vão te acompanhar para sempre. O
segredo é o equilíbrio, entre os estudos e o lazer, entre o esforço e o
descanso. Acredite: isso fará toda a diferença na sua trajetória.
Desejo muito sucesso no seu caminho e, principalmente, que você se
sinta realizado(a) com a profissão que escolheu.
Referências
Algumas informações presentes nesta apostila foram baseadas em
anotações pessoais feitas durante as aulas da graduação em
Medicina Veterinária, além de experiências práticas adquiridas na
rotina clínica ao longo da minha formação e atuação profissional.
Crivellenti, LZ e Borin-Crivellenti, S. Casos de Rotina em Medicina Veterinária
de Pequenos Animais (3ª ed.). MedVet, 2023.