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O documento aborda a logística de transporte, destacando a unimodalidade, intermodalidade e multimodalidade, além do papel do Operador de Transporte Multimodal (OTM) no Brasil. A multimodalidade é apresentada como uma opção eficiente que reduz custos e simplifica a documentação, enquanto a matriz de transporte no Brasil é dominada pelo modal rodoviário. O texto também discute a infraestrutura de transporte no país, incluindo ferrovias, hidrovias e dutovias, e suas respectivas vantagens e desvantagens.

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Impressao 23

O documento aborda a logística de transporte, destacando a unimodalidade, intermodalidade e multimodalidade, além do papel do Operador de Transporte Multimodal (OTM) no Brasil. A multimodalidade é apresentada como uma opção eficiente que reduz custos e simplifica a documentação, enquanto a matriz de transporte no Brasil é dominada pelo modal rodoviário. O texto também discute a infraestrutura de transporte no país, incluindo ferrovias, hidrovias e dutovias, e suas respectivas vantagens e desvantagens.

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AULA 2

PLATAFORMA LOGÍSTICA E
MULTIMODALIDADE

Prof. Cesar Alberto Sinnecker


INTRODUÇÃO

Este curso tem por objetivo apresentar ao aluno as possibilidades da


logística de transporte de forma a utilizar um modal ou a melhor combinação de
modais para o transporte de cargas. É irrelevante a quantidade, mas a forma
escolhida para percorrer o itinerário da mercadoria agiliza a entrega e proporciona
melhores resultados na operação empresarial.
Os temas se dividem nos seguintes tópicos:

• Tema 1 – Unimodalidade e Intermodalidade;


• Tema 2 – Multimodalidade;
• Tema 3 – Operador de transporte multimodal (OTM);
• Tema 4 – Matriz de transporte no Brasil;
• Tema 5 – Modais em outros países.

TEMA 1 – UNIMODALIDADE E INTERMODALIDADE

1.1 Transporte unimodal

No transporte unimodal, é utilizado apenas um modal, um único meio de


transporte para realizar o trajeto da carga. É o formato mais comum,
principalmente nos transportes terrestre e marítimo, dada a sua previsibilidade e
possibilidade de verificação de responsabilidades. Por exemplo, para realizar o
transporte de água entre Recife até Olinda, o modal mais viável é o rodoviário,
emitindo-se apenas um documento. Durante todo o trajeto, um meio de transporte
é usado. Exemplo: em muitas compras via internet a entrega é feita utilizando um
meio de transporte, o caminhão.

2
Figura 1 – Modais mais utilizados no mundo

Crédito: MNBB Studio/Shutterstock.

1.2 Transporte intermodal

O transporte intermodal utiliza mais de um meio de transporte para a


mesma expedição. Isso significa que é possível combinar, no mínimo, dois meios
de transporte diferentes, e para cada modal é utilizado um contrato diferente. É
uma opção extremamente versátil que poderá ser a mais adequada.
Exemplo: ao comprar por internet de um site internacional, vindo de
Portugal, é utilizado o envio aéreo e rodoviário, expedindo-se um documento
diferente para cada modal.

Figura 2 – Modais mais utilizados no mundo

Crédito: Travel Mania/Shutterstock.

3
A intermodalidade tem as seguintes características:

Quadro 1 – Características da intermodalidade

Emissão da documentação Para cada modal utilizado há a


emissão de um novo documento. É
um novo contrato
Divisão de responsabilidade Há divisão de responsabilidade. Cada
transportadora fica responsável pelo
seu trecho, com base no contrato
estipulado, no entanto há
responsabilidade solidária entre a
transportadora e a empresa
contratada pelo cliente. Ex.: Amazon
+ transportadora
Espécie de contrato Cada empresa tem seu contrato
próprio, havendo diferenças em
prazos, valores, exigências

TEMA 2 – MULTIMODALIDADE

É o deslocamento da carga pela integração de dois ou mais meios de


transporte. Pesquisas demonstram que se economizam 17% em relação ao
transporte intermodal. Há redução de custos, maior segurança e comodidade para
o contratante desde seu ponto de origem até sua entrega no seu destino final. Por
exemplo, utiliza-se para o transporte de determinada mercadoria o modal aéreo,
o aquaviário e o ferroviário. Durante décadas, o Brasil priorizou o modal rodoviário,
no entanto há uma preocupação do governo em criar alternativas
economicamente mais viáveis.

4
Figura 3 – Modais mais utilizados no mundo

Crédito: Kitty Vector/Shutterstock.

É uma forma de realizar a logística de transporte utilizando-se mais de um


modal de transporte de uma mercadoria desde seu ponto de origem, até sua
entrega no seu destino final. Por exemplo, utiliza-se para o transporte de
determinada mercadoria o modal aéreo, o aquaviário e o ferroviário. Existe a
emissão de apenas um documento fiscal de transporte cobrindo a carga durante
todo o trajeto. Esse documento se chama CTMC – Conhecimento de Transporte
Multimodal de Cargas, emitido pelo OTM – operador de transporte multimodal. O
OTM assume total responsabilidade pela operação. É importante considerar na
multimodalidade:

5
Quadro 2 – Elementos importantes a serem considerados em relação à
multimodalidade

Há vigência de um único contrato entre o OTM e o cliente, que permanece


durante toda a operação logística

Realiza toda a operação com base em um documento – CTMC – o


Conhecimento de Transporte Multimodal de cargas

A documentação é a mesma para todos os trechos, mesmo que se utilizem


vários tipos de modais de transporte

Caso haja algum problema, o OTM pode resolver com agilidade, pois conta com
um único documento, um único contrato

Simplifica a burocracia, agiliza-se o processo, levando-se em conta que tudo


está vinculado a um único contrato

TEMA 3 – OTM – OPERADOR DE TRANSPORTE MULTIMODAL

O Operador de Transporte Multimodal é a pessoa contratada para realizar


o Transporte Multimodal de Cargas da origem até o destino, por meios próprios
ou por intermédio de terceiros.

6
Figura 4 – Operador logístico

Crédito: Bannafarsai Stock/Shutterstock.

É importante entender que o operador de transporte multimodal realiza


todas as etapas do transporte da carga, aquisição da carga, armazenamento,
despacho, transporte até o destino final. Ele se responsabiliza até o final.

3.1 OTM e operador logístico

Qual é a diferença entre o OTM e o operador logístico? O OTM realiza


contrato com o cliente por todo o serviço, emitindo o Conhecimento de Transporte
Multimodal de Cargas. Posteriormente, contrata os transportadores de cada
modal. Assim, o OTM se responsabiliza pelo serviço perante o cliente até a
entrega ao destino (porta a porta). Por outro lado, o operador logístico não emite
conhecimento; ao contrário, somente promove o contato entre o cliente e cada
prestador de serviço. O foco principal do OTM é o transporte da carga, sendo os
demais serviços considerados acessórios, enquanto o foco do operador logístico
é gerenciar o abastecimento ou a distribuição para o contratante.

3.2 NVOCC

Essa sigla significa Non-Vessel Operating Common Carrier (transportador


comum não proprietário de navio). É um transportador sem navio e que se propõe
a realizar transporte marítimo em navios de armadores. O agente NVOCC é
responsável por alocar pequenos volumes de mercadorias em um contêiner e
7
desempenha papel importante no transporte de mercadorias, acompanhando a
carga desde o armazém do fornecedor até o porto de destino e também realiza
todo o processo de desembaraço marítimo perante os órgãos da Receita Federal.
O NVOCC surge quando algumas empresas controladoras de grandes volumes
de cargas (principalmente granéis sólidos), mas sem navios, afretam (de
armadores-proprietários), por tempo ou a casco nu, navios para transportarem as
cargas por eles controladas (Salgues, 2003)

3.3 Quais as leis disciplinam o transporte multimodal de cargas no Brasil?

Saiba mais
A legislação é esparsa, mas há uma compilação referente ao transporte
multimodal de cargas no endereço eletrônico da ANTT a seguir:
BRASIL. ANTT. Transporte multimodal de cargas. ANTT, S.d. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 18
dez. 2021.

• Decreto n. 1.563/95 – dispõe sobre a execução do acordo de alcance


parcial para a facilitação do transporte multimodal de mercadorias, entre
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, de 30 de dezembro de 1994;
• Lei n. 9.611/98 – dispõe sobre o transporte multimodal de cargas;
• Decreto n. 5.276, de 2004 – altera os arts. 2º e 3º do decreto 3.411/00;
• Resolução n. 794, de 2004 – dispõe sobre a habilitação do operador de
transporte multimodal.

TEMA 4 – A MATRIZ DE TRANSPORTE NO BRASIL

Matriz de transporte é a forma que uma nação se utiliza para deslocar


pessoas, coisas e cargas através de seu território ou parte em seu território e parte
fora dele. A matriz ideal de deslocamento de carga busca diminuir tempo, fornecer
dados mais precisos de deslocamento, equacionar as distâncias analisando as
dificuldades de cada região do país. Tudo isso escolhendo o meio de transporte
que seja mais adequado a geografia das regiões de forma a exercitar direitos
básicos garantidos constitucionalmente.

8
4.1 Modal mais utilizado

Segundo dados do IBGE,

a distribuição espacial da logística de transportes no território brasileiro


apresenta predominância de rodovias, concentradas principalmente no
Centro-Sul do país, em especial no estado de São Paulo. Em 2009,
segundo a Confederação Nacional de Transportes (CNT), 61,1% de toda
a carga transportada no Brasil usou o sistema modal rodoviário; 21,0%
passaram por ferrovias, 14% pelas hidrovias e terminais portuários
fluviais e marítimos e apenas 0,4% por via aérea. (Scussel, 2014)

Figura 5 – Matriz de transporte brasileira

Fonte: IBGE, [S.d.].

4.2 Infraestrutura

Apesar de a grande totalidade dos 27 Estados brasileiros utilizarem o modal


rodoviário, São Paulo é o único estado que possui uma infraestrutura integrada
com aeroportos, rodovias e hidrovias, como a do Tietê. Possui o maior aeroporto,
com o maior volume de viajantes (Guarulhos) e possui em Santos o porto com
maior movimentação de carga do país.

4.3 Malha ferroviária brasileira

A malha ferroviária brasileira serviu muito tempo para transportar café e


hoje é utilizada para transportar commodities como minério de ferro e grãos
9
provenientes da agroindústria brasileira. Pouco se investiu em trilhos nos
governos da república pois dos 30 mil km de nossa malha, 10 mil km foram
construídos há 2 séculos atrás, no governo de Pedro II. Apesar de o Brasil ter
dimensões continentais, tem feito escolhas que não resolvem os verdadeiros
problemas de escoamento do país. Embora os investimentos iniciais em ferrovias
sejam maiores que rodovias, haverá uma série de consequências benéficas que
serão utilizadas durante décadas e diluir os investimentos iniciais. É o que de fato
o país precisa, mas dentre países de dimensões semelhantes, o que menos utiliza
o sistema ferroviário para o transporte de cargas. Dados da Associação Nacional
dos Transportadores Ferroviários (ANTF) apontam que, de cada 100 quilos de
cargas transportadas no País, só 15 trafegam em linhas de trem. Outros 65 quilos
são levados por rodovias, e 20, por outros modais de transporte. O índice é muito
inferior aos percentuais registrados em países como Rússia, Canadá, Austrália,
Estados Unidos e China.

Figura 6 – Logística de transporte em São Paulo – modal ferroviário

Crédito: Difgomez/Shutterstock.

10
Figura 7 – Comparação de matrizes de carga em países de mesmo porte territorial
do Brasil

Fonte: ANTF, [S.d.].

4.4 Hidrovias

As hidrovias brasileiras revelam importância muito diferente em cada região


do país. Na região norte, é histórica a importância de pequenas embarcações para
o transporte de passageiros, como Solimões/Amazonas e Rio Madeira, além de
outros rios, para a circulação de pessoas e coisas. Em alguns lugares, inclusive,
é o único meio de acesso. As hidrovias são utilizadas no país basicamente para
transportar commodities, grãos, minérios, insumos agrícolas.
Outra hidrovia importante para o país é a do Tietê-Paraná e do Paraguai,
que são cursos importantes que transportam produtos agrícolas no estado de São
Paulo e Região Centro-Oeste. A maior quantidade de carga é movimentada pelo
porto de Santos em São Paulo. Os Portos promovem exportação de soja, petróleo
e derivados e minério de ferro Os portos servem primariamente como vias de
saída de commodities, principalmente de soja, minério de ferro, petróleo e seus
derivados, que estão entre os principais produtos da exportação brasileira. Em
relação à soja, destacam-se os portos de Itacoatiara (AM), Paranaguá (PR), Rio

11
Grande (RS), Salvador (BA), Santarém (PA), São Francisco do Sul (SC) e o Porto
de Itaqui (MA).

4.5 Transporte aéreo

O sistema aeroportuário brasileiro se compõe de 2.498 aeródromos, sendo


1.759 privados e o restante (739) públicos, segundo dados da Agência Nacional
de Aviação Civil (ANAC). A Infraero é a empresa pública responsável pela
administração dos diversos aeroportos do país, sendo que estes concentram
aproximadamente 95% do movimento do transporte aéreo regular do Brasil,
segundo a própria Infraero (2009).

Figura 8 – Dados do modal aéreo no Brasil

Fonte: ANAC, S.d. Crédito: VoodooDot/Shutterstock; Aleksandrs Bondars/Shutterstock

Figura 9 – Aeroporto

Crédito: Joyfull/Shutterstock

12
Em 2019, era esperado o crescimento do transporte aéreo nacional,
seguindo padrões do ano anterior. Em 2018, foram 470,9 mil toneladas
movimentadas dentro do país. Isso representou um crescimento de 10,5% em
comparação com 2017, sendo o melhor índice dos últimos anos. Ocorre que em
2020 tudo parou devido à pandemia de Covid-19, e o setor amargou grandes
prejuízos. Operou restritivamente e a cena que se viu em todos os aeroportos do
mundo foi uma enorme quantidade de aeronaves nos pátios, paradas, esperando
o retorno a ativa.

4.6 Dutovias

A malha dutoviária brasileira tem 40 mil km de extensão, aproximadamente,


entre gasodutos e oleodutos. Países como o Canadá, Rússia e Estados Unidos
têm, respectivamente, 200, 330 e 440 mil km de dutos construídos.

Figura 10 – Espécies de dutos

Crédito: Vismar UK/Shutterstock; SSuaphotos/Shutterstock; Maksim Safaniuk/Shutterstock.

O Gasoduto Brasil-Bolívia (3150 km de extensão) é um


dos maiores do mundo. Nesse modal, temos os oleodutos, gasodutos,
minerodutos ou polidutos.

Quadro 3 – Dutovias

Oleodutos
Gasodutos
Dutovias Minerodutos
Polidutos

13
4.6.1 Oleodutos

São dutos que conduzem o petróleo e seus derivados dos terminais


portuários até as refinarias.

4.6.2 Gasodutos

São dutos que transportam gás natural dos centros fornecedores até
centros consumidores.

4.6.3 Minerodutos

São dutos que transportam minérios, como bauxita e minério de ferro,


através de suspensão e utilizado para grandes distâncias.

4.6.4 Polidutos

Podem transportar uma variedade de produtos, em geral, da mesma consistência,


como líquidos ou gases.

4.7 Vantagens e desvantagens

As principais vantagens desse modal é que diminuem a circulação de


caminhões nas estradas, evitando acidentes. Permite que grandes quantidades
de produtos circulem nos dutos, e o produto chega rapidamente, não tendo
contato com transportadoras, carregamentos e descarregamentos. Além disso,
não utilizam embalagens, nem precisam ficar armazenados.
As grandes desvantagens dos dutos é a necessidade de grandes
investimentos, tubulações e escavações até em terras particulares. Com isso, há
necessidade de se pedir concessão, pagamento de royalties e servidões, além de
outros documentos burocráticos.
Há também a possibilidade de impacto ambiental com o rompimento de
dutos, o que pode ocasionar grandes danos, pincipalmente, em casos de
rompimento de dutos de gás natural e petróleo, com possibilidade de gerar perdas
humanas, desastres ambientais e consequentemente indenizações milionárias
por danos.

14
Saiba mais
A CNT – Confederação Nacional dos Transportes menciona um exemplo
de benefício quando se usa o transporte dutoviário: a vazão média de gás
liquefeito de petróleo (GLP) em um bombeio recebido nos dutos da Liquigás é de
150 toneladas por hora. Aproximadamente 144 caminhões a mais estariam em
circulação nas rodovias para transportar a mesma quantidade de gás. Isso
acarreta em mais chances de congestionamento e maior risco de acidentes.

TEMA 5 – MODAIS EM OUTROS PAÍSES

O Brasil resolveu adotar o modal rodoviário na contramão da evolução


dos modais no mundo. Outros países, principalmente os mais ricos e
desenvolvidos, resolveram investir em outros meios de transportes.

5.1 Estados Unidos

Os Estados Unidos, um país que também tem dimensões continentais,


optou pelas ferrovias e hoje 50% do escoamento da produção é feito pelos trilhos,
por exemplo. A matriz de transportes americana utiliza o aéreo para grandes
distâncias e alto valor agregado. A ferrovia, que registra distância média de 982
quilômetros, é utilizada para produtos de grande tonelagem. Por outro lado, a
hidrovia fluvial no Rio Mississipi e seus afluentes, com 723 quilômetros de
distância média de transporte, é utilizada no deslocamento de minerais e grãos
agrícolas.
O caminhão, por sua vez, tem uma função de mera distribuição, fazendo a
ponte rodoviária do transporte porta a porta. As ferrovias americanas circulam com
um trem médio de 3.096 toneladas com 68 vagões, cada um com ocupação média
de 46 toneladas. Os números mostram o bom aproveitamento do material rodante.
Completando o sistema de transporte, a rodovia, com uma ocupação média
de cinco toneladas.

15
5.2 Outros países

Os transportes do continente europeu são considerados os melhores do


mundo. As hidrovias possuem total prioridade e são as mais utilizadas. Em 1993
finalmente foi concluída uma obra projetada no final do século passado e que
levou 30 anos para ser executada: a ligação Reno-Meno-Ródano, criando
inúmeras alternativas de transporte, destacando-se as ramificações para os rios
Sena e Danúbio. Além das hidrovias, utilizam-se em demasia ferrovias, e o
exemplo importante que beneficia franceses e ingleses é o Eurotúnel, cuja obra
foi concluída no ano de 1994 e projetada no começo do século e que possibilitou
a ligação ferroviária subaquática entre a Inglaterra e a França, sob as águas do
Canal da Mancha.

Figura 11 – Eurotúnel

Crédito: Milan Sommer/Shutterstock.

Das grandes ferrovias mundiais, mais de 30% estão localizadas na Europa.


Lá existem ferrovias transcontinentais e transiberianas. O transporte hidroviário é
extremamente valorizado e o mais utilizado para o transporte de cargas
anualmente. Na Rússia, 81% das cargas são transportadas em linhas férreas,
muito à frente do índice canadense, de 46%. Na sequência, aparecem Austrália e
EUA (ambos com 43%), e China (37%). As rodovias só representam o principal
meio de transporte no Brasil e na China – lá, com 50% do total.

16
Figura 12 – Infraestrutura de transporte

MIL KM DE VIA BRASIL CHINA ÍNDIA RÚSSIA EUA


Rodovias
212 4.696 3.502 1.054 4.416
pavimentadas
Ferrovias 29 124 68 86 225
Dutovias 19 113 35 249 2.840
Hidrovias 14 127 15 102 41

Crédito: O. D./Shutterstock. Fonte: elaborado com base em ILOS/números de 2016 e 2017.

O Japão sempre utilizou a água como transporte até por uma imposição
geográfica, pois é um arquipélago. No entanto o transporte mais utilizado no Japão
é o trem. Possuem o maior e o mais caro sistema de interligação de trens,
atendendo à quase totalidade dos lugares. Atendem até áreas rurais para as
crianças irem para a escola. O sistema interliga as 4 maiores ilhas do Japão
Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku.
As companhias de trem no Japão são completamente privadas, e a Japan
Railways (JR) é responsável por quase 70 por cento de toda essa rede.
Interessante é que não se pode usar o telefone dentro dos trens para chamadas,
apenas para mensagens de texto e pesquisas na internet, uma vez que há o
respeito de pelo silêncio e pela privacidade. Paraguai, Uruguai, Argentina e
principalmente o Brasil desperdiçam a energia e gastam divisas escassas com a
compra de petróleo porque privilegiam o modal rodoviário em detrimento da
ferrovia e da hidrovia.

5.3 Conclusão

O Brasil historicamente teve governantes descompromissados com o futuro


a longo prazo. Os políticos tentam fazer obras que não demandem grandes
investimentos, mas que retornem grande visibilidade, rendendo muitos votos nas
urnas. Ganhar eleição prometendo fazer ferrovias, que demandam muito tempo e
dinheiro, não é de interesse da esmagadora maioria. No entanto, colocar todos os
investimentos de um país, com dimensões continentais, em apenas um modal é
ir de contramão ao progresso e não pensar no futuro, pois se houver algum
problema com esse modal, como greve, por exemplo, o país para. O país
necessita de investimentos na infraestrutura de transportes em todos os modais

17
para facilitar o acesso de mercadorias, facilitar a circulação de grãos, produtos,
insumos, que retornarão futuramente em melhor qualidade de vida e acesso aos
bens de primeira necessidade.
Percebendo que a melhoria da infraestrutura logística é fator determinante
para o crescimento desses modais de transporte, as principais empresas,
detentoras de concessões ferroviárias e rodoviárias, bem como os governos
federal e estadual estão mais interessadas em investir no crescimento dessa área
para que os setores tenham melhores condições em um futuro próximo.
Em 2019, foi aprovado um plano orçamentário do governo que estipulou
quase R$ 8 bilhões destinados ao Ministério da Infraestrutura, responsável pela
execução de obras de infraestrutura no país, incluindo a infraestrutura logística
dos setores de transportes, cerca de 8% a mais que o estipulado no ano anterior.
A previsão do governo é que o setor ferroviário receba mais de R$ 25 bilhões nos
próximos cinco anos, número bastante expressivo que mostra a tentativa de
aumentar os investimentos no setor.
Essa expansão e crescimento dos valores destinados à infraestrutura
logística do transporte de cargas brasileiro podem ser utilizados em diversas
áreas, como a criação de novas rodovias ou ferrovias, melhoria ou ampliação de
linhas existentes, modernização de veículos de transporte, aplicação de
tecnologias no setores e muito mais. Sem esse investimento, o país não cresce,
fica estagnado, deixa de gerar empregos e melhorar a qualidade de vida dos
cidadãos nacionais e estrangeiros residentes no país.

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REFERÊNCIAS

ANAC. Agência Nacional de Aviação Civil. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 18 dez. 2021.

ANTF – Agência Nacional de Transportes Ferroviários. Informações gerais. ANTF,


S.d. Disponível em: <[Link] Acesso em: 18
dez. 2021.

ANTT. Agência Nacional de Transportes Terrestres. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 18 dez. 2021.

BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial. São Paulo: Atlas, 2009.

CAIXETA FILHO, J. V.; MARTINS, R. S. Gestão logística do transporte de


cargas. São Paulo: Atlas, 2001.

CASTRO, J. A. de. Exportação: aspectos práticos e operacionais. 3. ed. São


Paulo: Aduaneiras, 2000.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 18 dez. 2021.

KEEDI, S.; MENDONÇA, P. C.C. Transportes e seguros no comércio exterior.


2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2000.

LOPES C. T. G. Planejamento, Estado e crescimento. São Paulo: Livraria


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PORTES, M. E. Vantagem competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1992.

RODRIGUES, P. R. A. Introdução aos sistemas de transporte no Brasil e à


logística internacional. 3. ed. São Paulo: Edições Aduaneiras Ltda., 2004.

SCUSSEL, A. IBGE mapeia a infraestrutura dos transportes no Brasil.


MundoGeo, 27 nov. 2014. Disponível em:
<[Link]
transportes-no-brasil/>. Acesso em: 18 dez. 2021.

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