Funções invertı́veis
MÓDULO 4 - AULA 27
Aula 27 – Funções invertı́veis
Objetivos
• Definir as funções invertı́veis e estabelecer a sua caracterização.
Conceitos:
• Relacionar o gráfico de uma função invertı́vel com o gráfico da sua Funções e operação de
inversa. composição.
Na Aula 26 vimos que, dadas duas funções f e g, tais que a imagem
de f está contida no domı́nio de g, podemos construir uma nova função
g ◦ f denominada a composta de g com f . Vimos que a composição não
possui todas as boas propriedades satisfeitas pelas operações de adição ou
multiplicação de funções. No entanto, vimos que a função identidade, I(x) =
x , x ∈ R , desempenha o papel de elemento neutro: f ◦ I = I ◦ f = f ,
qualquer que seja a função f . Nesse contexto surge a seguinte questão: quais
as propriedades que uma função f deve satisfazer para ter um inverso com
respeito à composição?
Nesta aula, vamos responder essa pergunta. Porém, precisamos esta-
belecer exatamente o que iremos entender por inversa de uma função.
Definição 27.1
Uma função f é chamada invertı́vel, quando existe uma função g, tal que: NOTA IMPORTANTE
Devemos ter muito cuidado
para não confundir a função
(g ◦ f )(x) = x e (f ◦ g)(y) = y (27.1) f −1 inversa de f definida ao
lado, com a função f1 ,
definida por
para todos x e y onde as composições estão definidas. A função g, quando 1 1
(x) = f (x) = (f (x))−1 .
f
existe, é chamada inversa de f e é designada por f −1 . Esta última função faz
corresponder a cada número
x ∈ Dom(f ), tal que
Exemplo 6 f (x) 6= 0, o número real que
é inverso multiplicativo do
a. A função identidade I(x) = x é o exemplo mais simples de uma função número f (x).
invertı́vel. De fato, como I ◦ I = I, vemos que I −1 = I.
1
b. No entanto, observe que a função f (x) = , x 6= 0, verifica, também,
x
a propriedade f ◦ f = I, e portanto f −1 = f .
√
c. As funções f (x) = x3 e g(x) = 3 x são inversas uma da outra.
Note que se f é invertı́vel, então apenas uma função é a sua inversa.
De fato, suponhamos que f é invertı́vel e que as funções g e h sejam
inversas de f . Isto é:
g◦f =I e f ◦g =I.
h◦f =I e f ◦h=I.
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Funções invertı́veis
Como a operação de composição é associativa, obtemos:
g = g ◦ I = g ◦ (f ◦ h) = (g ◦ f ) ◦ h = I ◦ h = h.
Das relações (27.1) vemos que se f é invertı́vel, então a sua inversa, f −1
é também invertı́vel e que a inversa de f −1 é a própria f :
(f −1 )−1 = f
Quando f é invertı́vel, vemos que a equação y = f (x) equivale a
f (y) = f −1 (f (x)) = x. Assim, quando f é invertı́vel e é definida por
−1
uma fórmula matemática, determinar a sua inversa equivale a resolver para
x a igualdade f (x) = y, para cada y na imagem de f .
Exemplo 7
A função f (x) = 3x + 1 é invertı́vel. Determinemos a sua inversa.
Fazendo y = 3x + 1 e resolvendo para x, obtemos x = 13 (y − 1).
Escrevendo g(y) = 13 (y − 1), temos que g = f −1 .
De fato, g(f (x)) = g(3x + 1) = 13 ((3x + 1) − 1) = 13 3x = x. Analoga-
Figura 27.1: Exemplo mente, verificamos que f (g(y)) = f ( 31 (y −1)) = 3( 31 (y −1))+1 = (y −1)+1 =
7. y. Logo, f −1 (y) = 31 (y − 1).
Observe, na Figura 27.1, que os gráficos de f (x) = 3x+1 e de f −1 (x) =
1
3
(x − 1) são simétricos, um ao outro, com respeito à diagonal.
Exemplo 8
2x − 1
Sabe-se que a função f (x) = é invertı́vel. Determinemos a sua inversa.
5x + 2
Procuramos por uma função g(x), tal que f (g(x)) = x para todo x ∈
Dom(g) e g(x) ∈ Dom(f ) = {x ∈ R | x 6= − 25 }.
2g(x) − 1
Assumindo que g(x) 6= − 25 , temos f (g(x)) = = x . Resolvendo
5g(x) + 2
para g(x), obtemos:
2g(x) − 1
x= ⇐⇒ x(5g(x) + 2) = 2g(x) − 1
5g(x) + 2
⇐⇒ 2x + 1 = (2 − 5x)g(x)
2x + 1 2
⇐⇒ g(x) = , x 6= .
Figura 27.2: Exemplo −5x + 2 5
8. Além disso, observe que Dom(g) = {x ∈ R | x 6= 25 }.
Verifiquemos! Se x ∈ Dom(f ), então x 6= − 25 e temos:
CEDERJ 150
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2f (x) + 1 2 2x−1 + 1 2(2x − 1) + (5x + 2)
g(f (x)) = = 5x+22x−1 =
2 − 5f (x) 2 − 5 5x+2 2(5x + 2) − 5(2x − 1)
4x − 2 + 5x + 2 9x
= = = x.
10x + 4 − 10x + 5 9
Similarmente, vemos que f (g(x)) = x. Portanto, f −1 (x) = g(x) =
2x + 1
.
2 − 5x
Observe, na Figura 27.2, que os gráficos de f e de f −1 são simétricos,
um ao outro, com respeito à diagonal.
Atenção! Nem toda função é invertı́vel !
Vejamos:
Exemplo 9
As funções mais simples que não são invertı́veis são as funções constantes.
De fato, consideremos a função constante Ca de valor a. Se f é uma
função qualquer, então f ◦ Ca = Cf (a) 6= I.
Para verificarmos essa igualdade, tomemos x ∈ R arbitrário, calcu-
lando:
(f ◦ Ca )(x) = f (Ca (x)) = f (a) = Cf (a) (x) .
Portanto, nenhuma função f pode ser inversa de Ca .
Exemplo 10
A função f (x) = x2 não é invertı́vel.
Raciocinando por absurdo, suponhamos que f seja invertı́vel, isto é,
suponhamos que existe uma função g tal que (g ◦ f )(x) = x e (f ◦ g)(y) = y.
Seja a > 0, então f (a) = a2 > 0. Como −a < 0 e f (−a) = (−a)2 =
a2 = f (a), temos −a = (g ◦ f )(−a) = g(f (−a)) = g(f (a)) = (g ◦ f )(a) = a,
o qual é impossı́vel. Dessa forma, concluı́mos que f não é invertı́vel.
Determinemos as condições que uma função f deve satisfazer para ser in-
vertı́vel
Sejam f e g funções, tais que f ◦ g = I e g ◦ f = I.
Note que, para podermos fazer as composições f ◦ g e g ◦ f , os domı́nios
de f e g devem satisfazer as seguintes condições:
g(Dom(g)) ⊂ Dom(f ) (27.2)
e f (Dom(f )) ⊂ Dom(g). (27.3)
Aplicando f em (27.2), obtemos:
151 CEDERJ
Funções invertı́veis
Lembre que f (g(Dom(g))) ⊂ f (Dom(f )) ,
Dois conjuntos X e Y são
iguais, quando eles possuem e como f ◦ g = I, temos:
os mesmos elementos. Isto é,
X = Y se, e somente se, as
Dom(g) = I(Dom(g)) = (f ◦ g)(Dom(g)) = f (g(Dom(g))) ⊂ f (Dom(f )) .
inclusões X ⊂ Y e Y ⊂ X Reunindo essa informação com (27.3), vemos que:
são satisfeitas
simultaneamente. Dom(g) ⊂ f (Dom(f )) ⊂ Dom(g) .
Portanto, f (Dom(f )) = Dom(g).
Analogamente, aplicando g em (27.3), obtemos:
g(f (Dom(f ))) ⊂ g(Dom(g)) .
Como g ◦ f = I, temos:
Dom(f ) = I(Dom(f )) = (g ◦ f )(Dom(f )) = g(f (Dom(f ))) ⊂ g(Dom(g)) .
Usando (27.2), concluı́mos g(Dom(g)) = Dom(f ).
Assim, uma condição necessária para satisfazer as identidades (27.1) é
que a imagem de f seja igual ao domı́nio de g e, a imagem de g igual ao
domı́nio de f .
Analisemos a questão graficamente.
Seja a ∈ Dom(f ) arbitrário. Localizemos os pontos (a, f (a)) do gráfico
de f e (f (a), f (a)) da diagonal. Como f (a) ∈ Dom(g) e g(f (a)) = a, o
ponto (f (a), a) pertence ao gráfico de g.
Observe que o ponto (a, f (a)), do gráfico
de f , é simétrico ao ponto (f (a), a), do gráfico
de g. De fato, (a, a) , (a, f (a)) , (f (a), f (a)) , e
(f (a), a) são os vértices de um quadrado de lados
paralelos aos eixos coordenados (Figura 27.3).
Figura 27.3: Obtendo
o ponto de coordenadas Como essa simetria acontece qualquer que
(a, (g ◦ f )(a)). seja o valor a ∈ Dom(f ) considerado, concluı́mos
que o gráfico de g é simétrico ao gráfico de f com Figura 27.4: Simetria dos
respeito à diagonal (Figura 27.4). gráficos.
Volte e revise os gráficos nos Exemplos 7 e 8, onde mostramos a sime-
tria dos gráficos de f e f −1 . Se você achou que se tratava apenas de uma
casualidade, acabamos de ver que a simetria é uma propriedade que é válida
sempre entre os gráficos de f e f −1 .
Note que, a reta vertical x = a é simétrica à reta horizontal y = a com
respeito à diagonal. Lembre, também, que as verticais intersectam o gráfico
de uma função em não mais de um ponto.
CEDERJ 152
Funções invertı́veis
MÓDULO 4 - AULA 27
Conseqüentemente, se f e g são funções que satisfazem as identidades
(27.1), então as retas verticais e horizontais intersectam seus gráficos em não
mais de um ponto. Isso significa, que se a1 , a2 ∈ Dom(f ) e a1 6= a2 , então
f (a1 ) 6= f (a2 ).
Essas considerações motivam o seguinte conceito:
Outras definições
Definição 27.2 Se A, B ⊂ R, uma função
f : A → B é chamada
Uma função f (x) é chamada injetora se para quaisquer dois números sobrejetora, quando
a1 , a2 ∈ Dom(f ), tais que a1 6= a2 , então os números f (a1 ) e f (a2 ) na f (A) = B.
Isto é, f é sobrejetora se
imagem de f são, também, distintos. todo elemento de B é
imagem por f de algum
Observação elemento de A.
Assim f : A → f (A) é
As seguintes condições são equivalentes: sempre sobrejetora.
Uma função f que é
• a função f é injetora. simultaneamente injetora e
sobrejetora, é chamada
• a1 , a2 ∈ Dom(f ), a1 6= a2 =⇒ f (a1 ) 6= f (a2 ).
bijetora. Dizemos, também,
• a1 , a2 ∈ Dom(f ), f (a1 ) = f (a2 ) =⇒ a1 = a2 . que f é uma bijeção.
Portanto, f : A → f (A) (que
• Critério da horizontal: Se r é uma reta horizontal que intersecta Graf(f ), já é sobrejetora) será uma
bijeção se, e somente se, for
então Graf(f ) ∩ r é um conjunto unitário. injetora.
Exemplo 11
a. A função afim f (x) = ax + b, com a 6= 0 é injetora.
De fato, se x1 , x2 ∈ R = Dom(f ) e f (x1 ) = f (x2 ), então ax1 + b =
ax2 + b. Como a 6= 0, concluı́mos que x1 = x2 . Pela observação acima, f é
injetora.
b. A função f (x) = x2 , x ≥ 0, é injetora.
De fato, observe que estamos declarando explicitamente o domı́nio de
f como sendo o intervalo [0, +∞). Assim, se x1 , x2 ∈ [0, +∞), temos:
f (x1 ) = f (x2 ) ⇐⇒ x21 = x22 ⇐⇒ |x1 | = |x2 | ⇐⇒ x1 = x2 .
Logo, pela observação acima, f é injetora.
c. A função f (x) = x2 não é injetora.
De fato, observe que, neste caso, Dom(f ) = R . Logo, se a > 0, temos
−a < 0 e f (a) = a2 = (−a)2 = f (−a). Assim a 6= −a, mas f (a) = f (−a).
Portanto, f (x) = x2 não é injetora.
d. A função constante Ca de valor a, não é injetora.
De fato, 0, 1 ∈ Dom(Ca ) = R e 0 6= 1, mas Ca (0) = a = Ca (1).
153 CEDERJ
Funções invertı́veis
Já vimos que f tem inversa quando as horizontais que intersectam o
seu gráfico, o fazem apenas em um ponto. Isto é, se f é invertı́vel, então f
é injetora. Além disso, vimos que quando f é invertı́vel, o domı́nio de f −1
é a imagem de f e a imagem de f −1 é o domı́nio de f . Podemos, então,
caracterizar as funções invertı́veis.
Proposição 27.1
Uma função f : Dom(f ) −→ f (Dom(f )) tem inversa se, e somente se, é
injetora.
Demonstração: Vimos já que se f tem inversa, então f deve ser injetora.
Para terminar de demonstrar a Proposição 27.1, basta verificar que se f é
injetora, então f é invertı́vel.
Seja f : Dom(f ) −→ f (Dom(f )) uma função injetora. Então f leva
Figura 27.5: Exemplo
valores distintos do seu domı́nio em valores distintos na sua imagem.
12. Definimos a função g : f (Dom(f )) −→ Dom(f ) da seguinte maneira:
Terminologia Seja y ∈ f (Dom(f )). Como f é injetora, há apenas um valor
Deve-se prestar muita
x ∈ Dom(f ), tal que y = f (x). Defina então g(y) = x.
atenção na terminologia
usada em alguns livros que Pela própria definição de g, vemos que, g(f (x)) = x para cada valor
tratam sobre funções. As
funções crescentes são, x ∈ Dom(f ). Isto é, g ◦ f = I. Similarmente, f (g(y)) = f (x) = y, para cada
também, referidas como y ∈ f (Dom(f )), ou seja f ◦ g = I. Portanto g = f −1 .
estritamente crescentes e as
funções decrescentes são
denominadas estritamente Exemplo 12
decrescentes. Nesse
contexto, as funções que A função f (x) = x3 é invertı́vel. Pois as horizontais y = a, a ∈ R, cortam
chamamos não-crescentes,
o seu gráfico exatamente uma vez. A sua inversa é a função f −1 : R −→ R
são referidas nos textos como √
decrescentes e as que aqui dada por f −1 (y) = 3 y. Veja a Figura 27.5.
chamamos não-decrescentes,
são referidas como
Há uma classe muito importante de funções que são injetoras. Para
crescentes. Portanto, tome
muito cuidado para não apresentá-las, estabelecemos a seguinte definição.
confundir os conceitos.
Definição 27.3
Uma função f (x) é dita:
• crescente, se x1 , x2 ∈ Dom(f ), x1 < x2 =⇒ f (x1 ) < f (x2 ) .
• decrescente, se x1 , x2 ∈ Dom(f ), x1 < x2 =⇒ f (x1 ) > f (x2 ) .
• não-crescente, se x1 , x2 ∈ Dom(f ), x1 < x2 =⇒ f (x1 ) ≥ f (x2 ) .
• não-decrescente, se x1 , x2 ∈ Dom(f ), x1 < x2 =⇒ f (x1 ) ≤ f (x2 ) .
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Funções invertı́veis
MÓDULO 4 - AULA 27
Sobre a Definição 27.3
As funções descritas na
Definição 27.3 serão
analisadas com detalhe no
Cálculo I, fazendo uso do
conceito de derivada.
Figura 27.7: Figura 27.8: Figura 27.9: Figura 27.10:
f crescente. f decrescente. f não-decrescente. f não-crescente.
Observação IMPORTANTE
• Uma função f é crescente, quando os seus valores f (x) vão aumentando a
medida que x ∈ Dom(f ) aumenta e, é decrescente, quando os seus valores Figura 27.6: Função
f (x) diminuem conforme x ∈ Dom(f ) aumenta. que não é crescente, nem
decrescente, nem não-
• Uma função f é não-decrescente, se os seus valores f (x) não diminuem
decrescente e nem não-
conforme x ∈ Dom(f ) aumenta e, f é não-crescente, se os seus valores f (x) crescente.
não aumentam conforme x aumenta.
• Uma função que é crescente ou decrescente é injetora e, portanto, tem
inversa.
• Funções não-crescentes ou não-decrescentes podem não ser injetoras. Veja
as Figuras 27.7 a 27.10.
• Toda função crescente é não-decrescente e toda função decrescente é não-
crescente.
• Dizer que uma função não é crescente não significa que ela seja decrescente.
Na Figura 27.6 mostramos uma função que não satisfaz nenhuma das
condições da Definição 27.3, isto é, não é crescente, nem decrescente, nem
não-crescente e nem não-decrescente. No entanto, observe que dessa função
podem ser obtidas duas funções, uma crescente e uma decrescente “cortando
o gráfico em dois pedaços”. No exemplo, a seguir, veremos como isso é feito.
Exemplo 13
A função f (x) = (x + 1)(x − 2) não é invertı́vel. De fato, o seu gráfico (veja
a Figura 27.11) é uma parábola que intersecta o eixo x nos pontos cujas
abscissas são as raı́zes da equação (x+ 1)(x−2) = 0, isto é, x = −1 ou x = 2.
Logo, f não é injetora, pois f (−1) = f (2) = 0.
1
O menor valor de f (x) é atingido quando x = 2
e, em qualquer intervalo
contendo 21 , f não é injetora.
No entanto, a função f (x) = (x + 1)(x − 2), x ≥ 21 , é crescente (veja a
Figura 27.11), logo invertı́vel.
Figura 27.11: Exemplo
Resolvamos, para x ≥ 21 , a equação y = (x + 1)(x − 2):
13.
155 CEDERJ
Funções invertı́veis
y = (x + 1)(x − 2) ⇐⇒ y = x2 − x − 2 ⇐⇒ y = (x − 12 )2 − 41 − 2
⇐⇒ y = (x − 21 )2 − 49 ⇐⇒ y + 9
4
= (x − 12 )2
q
⇐⇒ 4y+44
= |x − 12 | = x − 21
√
Ao resolver a equação ⇐⇒ x = 12 (1 + 9 + 4y) .
y = f (x) com a restrição
x ≤ 21 , observe que
√
˛x − 1 ˛ = − x − 1 .
˛ ˛ ` ´ Portanto, f −1 (y) = x = 12 (1 + 9 + 4y) .
2 2
Veja, na Figura 27.12, os gráficos de
f (x) e de f −1 (x).
Similarmente, a função:
1
f (x) = (x + 1)(x − 2), x ≤ 2
,
é decrescente (veja a Figura 27.11), logo
injetora e, portanto, invertı́vel. Resolvendo
para x a equação y = f (x) com a restrição
x ≤ 12 , obtemos:
√ Figura 27.12: y = f (x) , x ≥
f −1 (y) = 21 (1 − 9 + 4y). 1
. 2
Desenhe você mesmo o gráfico para este
caso.
Resumo
Nessa aula definimos o conceito de função inversa de uma função in-
vertı́vel. Estabelecemos também condições analı́ticas e gráficas sob as quais
uma função possui inversa. Apresentamos as funções crescentes e decrescen-
tes, e vimos que elas são invertı́veis.
Exercı́cios
1. Complete a tabela abaixo.
x −4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4
f (x) 4 0 2 3 −2 −3 −4 1 −1
f −1 (x)
2. Em cada item, determine se as funções dadas são inversas uma da outra.
a. f (x) = 3x + 1 e g(x) = 3x − 1 .
√
b. f (x) = 5 x − 1 e g(x) = x5 + 1 .
√
c. f (x) = x4 − 4 e g(x) = 4 x + 4 .
CEDERJ 156
Funções invertı́veis
MÓDULO 4 - AULA 27
3. Em cada item, determine se a função dada é injetora, traçando o seu
gráfico e usando o critério da horizontal.
a. f (x) = |x − 1| .
b. f (x) = x2 − 2x + 2 .
√
c. f (x) = x − 3 − 2 .
4. Determine a inversa da função f (x) = x2 − x, x ≥ 12 .
5. Verifique que a função f (x) = x2 − x, x ∈ R não é invertı́vel. Por que,
então, a função do exercı́cio anterior tem inversa?
6. Determine f −1 , onde:
a. f (x) = 3x3 − 1 .
5
b. f (x) = x2 +1
, x ≥ 0.
√
5
c. f (x) = 4x + 2 .
(x − 1)2 + 1 , x ≥ 1
d. f (x) =
2x − 3 , x < 1.
5
x ,
x≥0
e. f (x) = x3 , −1 < x < 0
1 1
x − , x < −1.
2 2
2
f. f (x) = x−2
.
x
g. f (x) = x+1
.
1
h. f (x) = x5
.
1
i. f (x) = √
3
x−2
.
7. Trace os gráficos das funções de cada um dos itens do Exercicio 6. Use
o critério da horizontal para explicar o porquê das funções consideradas
serem invertı́veis ou não-invertı́veis.
8. Determine o menor valor possı́vel para a ∈ R, de modo que a função
f (x) = x2 − 4x + 3, x ≥ a, seja invertı́vel.
9. (Generalização do Exemplo 8) Sejam a, b, c, e d números reais, tais que
ax + b
ad − bc 6= 0. Seja f (x) = .
cx + d
a. Verifique que, f (x1 ) = f (x2 ) =⇒ x1 = x2 .
b. Pelo item anterior, f é invertı́vel. Determine f −1 .
157 CEDERJ
Funções invertı́veis
c. Determine condições sobre a , b , c , d para que f −1 = f .
ax + b
10. Seja f (x) = , com c, d 6= 0.
cx + d
x−1
a. Usando o exercı́cio anterior, determine a inversa de f (x) = x+1
.
b. Tome a = 0, b = 1, c = −1, e d = 1. Mostre que f ◦ f ◦ f = I. Qual
a inversa de f ◦ f ?
c. Tome a = 1, b = −3, c = 1, d = 1. Determine (f ◦ f )−1 .
d. Tome a = 4, b = 2, c = 2, d = 1. Determine f e verifique se é
invertı́vel.
11. Considere a função f (x) = x(x − 1)(x + 1), x ∈ [− 23 , 32 ], cujo gráfico é
mostrado na Figura 27.13.
a. Explique por que f (x) não é invertı́vel.
b. Divida o domı́nio de f em três intervalos de modo que em cada um
deles f seja invertı́vel. E desenhe, em cada caso, a inversa.
Figura 27.13: Exercı́cio
11.
12. Explique a propriedade gráfica que uma função deve satisfazer para ser
a sua própria inversa.
13. Determine quais dos seguintes enunciados são verdadeiros e quais são
falsos, argumentando as suas respostas.
a. nenhuma função par é invertı́vel.
b. toda função ı́mpar é invertı́vel.
c. existem funções ı́mpares que não são crescentes.
d. as funções pares não são crescentes e nem decrescentes.
14. Mostre que, se f e g são injetoras, então f ◦ g é injetora e
(f ◦ g)−1 = g −1 ◦ f −1 .
15. Se f e g são invertı́veis então:
a. f + g é invertı́vel?
b. f · g é invertı́vel?
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