Resumo: Filosofia 11º Ano
Descartes: Racionalismo
Método Cartesiano
Inspirado na matemática, visa garantir um conhecimento seguro e indubitável.
Baseia-se na ideia de que o conhecimento deve ter origem exclusivamente
racional (a priori), afastando as incertezas dos sentidos.
Regras do Método:
1. Evidência: Aceitar apenas o que é claro e distinto, ou seja, evidente para
a razão.
2. Análise: Dividir os problemas em partes menores para facilitar sua
compreensão.
3. Síntese: Reconstruir o todo a partir das partes, avançando do mais
simples ao mais complexo.
4. Enumeração: Fazer revisões completas para garantir que nada foi
omitido.
Dúvida Cartesiana
Dúvida Metódica: Ferramenta para alcançar um conhecimento absolutamente
seguro, eliminando tudo o que pode ser questionado.
Coloca tudo em causa (incluindo os sentidos e o mundo exterior) para encontrar
princípios sólidos.
Razões para Duvidar:
1. Os sentidos podem enganar (ilusão sensorial).
2. Podemos estar a sonhar e confundir o sonho com a realidade.
3. Um Génio Maligno pode estar a enganar-nos constantemente.
Características da dúvida:
1. Metódica: É um meio para atingir a verdade.
2. Hiperbólica: Exagerada, duvida de tudo.
3. Provisória: Usada temporariamente até encontrar algo indubitável.
Dúvida Voluntária
Descartes fala de uma dúvida que é escolhida deliberadamente, como parte do
processo de questionamento.
A dúvida voluntária permite que o sujeito escolha duvidar de algo com o
propósito de testar suas crenças e alcançar uma base segura e fundamentada de
conhecimento.
A dúvida não é forçada, mas sim uma ação consciente para realizar uma busca
mais rigorosa e lógica.
Do Cogito ao Fundamento do Conhecimento
Cogito, ergo sum (Penso, logo existo):
o A única verdade indubitável; mesmo que duvide, não posso duvidar de
que estou a pensar.
Base para estabelecer um fundamento sólido para o conhecimento.
Critérios da verdade: clareza e distinção das ideias.
Tipos de Ideias
1. Ideias Inatas: Originam-se na razão; são ideias naturais (ex.: Deus, infinito).
2. Ideias Adventícias: Vêm da experiência sensorial (ex.: o som de um pássaro).
3. Ideias Factícias: Criadas pela imaginação (ex.: um unicórnio).
Provas para a Existência de Deus
1. Prova Ontológica:
o Deus é perfeito, e a perfeição implica existência. Logo, Deus existe.
2. Prova da Causa Infinita:
o Tenho a ideia de um ser perfeito (Deus), mas um ser imperfeito (eu) não
poderia tê-la criado. Logo, Deus existe.
Tipos de Substâncias
1. Substância Pensante (Res Cogitans): Alma; pensamento.
2. Substância Extensa (Res Extensa): Corpo; matéria.
3. Substância Divina: Deus, infinito, garante a ordem do universo.
Dualismo Cartesiano
Dualismo: Descartes defende que existem duas substâncias distintas:
1. Alma (ou Mente): Substância pensante, imaterial, que está relacionada
com o pensamento, a razão e a consciência.
2. Corpo: Substância extensa, material, regida por leis físicas.
Descartes sustenta que a mente (alma) e o corpo são entidades separadas, mas
interagem entre si (por exemplo, a mente controla as ações do corpo).
A interação entre a alma e o corpo acontece na glândula pineal, segundo
Descartes.
Fundacionalismo de Descartes
Busca construir o conhecimento sobre bases sólidas, começando com uma
verdade indubitável (o cogito).
Críticas a Descartes
Excesso de confiança na razão e desprezo pelos sentidos.
Dúvida absoluta pode ser paralisante.
Provas da existência de Deus são vistas como insuficientes por filósofos
posteriores.
Hume: Empirismo
Conhecimento e Experiência
A experiência é a única fonte de conhecimento (a posteriori).
O entendimento humano é limitado e dependente dos sentidos.
Não existem ideias inatas; todas as ideias devem derivar de impressões
sensoriais.
Percepções em Hume
1. Impressões:
o Percepções imediatas e vívidas (ex.: dor, som).
2. Ideias:
o Cópias menos vivas das impressões (ex.: lembrança de um som).
o Se uma ideia não tem origem numa impressão, deve ser descartada.
Relação Causa e Efeito e o Problema da Indução
A relação causa-efeito não é lógica, mas fruto do hábito e da experiência.
Problema da Indução:
o Não podemos garantir que o futuro será como o passado.
o Exemplo: O facto de o sol ter nascido todos os dias não garante que
nascerá amanhã.
Princípio da Uniformidade da Natureza:
o Baseamos a indução na ideia de que a natureza é regular, mas isso não é
logicamente necessário.
Ceticismo Moderado
Hume não rejeita o conhecimento, mas aceita que ele é limitado e incerto.
Fundacionalismo de Hume
Baseia o conhecimento nas impressões, mas reconhece que não há fundamentos
absolutos.
Críticas a Hume
O ceticismo pode levar à inação, já que rejeita certezas absolutas.
Depender apenas da experiência ignora a possibilidade de conhecimento a priori.
Comparação: Descartes vs. Hume
Descartes (Racionalismo) Hume (Empirismo)
A experiência é a fonte do
A razão é a base do conhecimento.
conhecimento.
Conhecimento a priori. Conhecimento a posteriori.
Ideias inatas existem (ex.: Deus). Todas as ideias derivam de impressões.
Descartes (Racionalismo) Hume (Empirismo)
A verdade é garantida pela razão. O conhecimento é limitado pelo hábito.
Fundacionalismo racional: busca uma base Fundacionalismo empírico: baseado nas
sólida no cogito. impressões.
Teoria do Conhecimento
Relação entre Sujeito e Objeto
O conhecimento resulta da relação entre sujeito (quem conhece) e objeto (o que
é conhecido).
Tipos de Conhecimento
1. Proposicional: Saber que algo é verdadeiro.
2. Prático: Saber como fazer algo.
3. Por Familiaridade: Reconhecer algo diretamente.
Definição Clássica do Conhecimento
Conhecimento = Crença Verdadeira Justificada.
Problema de Gettier
Questiona se a justificação é suficiente para garantir o conhecimento.