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Farmacologia Dos Antiulcerosos

Os antiulcerosos são medicamentos que tratam e previnem úlceras, reduzindo a produção de ácido gástrico e promovendo a cicatrização da mucosa. A regulação da secreção gástrica ocorre em três fases: cefálica, gástrica e intestinal, mediadas por fatores neurais e hormonais. Os principais tipos de antiulcerosos incluem inibidores da bomba de prótons, antagonistas dos receptores H₂, antiácidos e protetores da mucosa, cada um com suas indicações e efeitos adversos.

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Farmacologia Dos Antiulcerosos

Os antiulcerosos são medicamentos que tratam e previnem úlceras, reduzindo a produção de ácido gástrico e promovendo a cicatrização da mucosa. A regulação da secreção gástrica ocorre em três fases: cefálica, gástrica e intestinal, mediadas por fatores neurais e hormonais. Os principais tipos de antiulcerosos incluem inibidores da bomba de prótons, antagonistas dos receptores H₂, antiácidos e protetores da mucosa, cada um com suas indicações e efeitos adversos.

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FARMACOLOGIA DOS

ANTIULCEROSOS
CURSO DE FARMÁCIA
FARMACOLOGIA APLICADA
ANTIULCEROSOS

• Os medicamentos antiulcerosos, ou agentes anti-secretores, são uma classe


farmacológica utilizada para tratar e prevenir úlceras no estômago e
intestino delgado, além de outras condições relacionadas à acidez
estomacal.
• Esses medicamentos atuam diminuindo a produção de ácido gástrico,
promovendo a cicatrização da mucosa afetada e reduzindo os sintomas
associados, como dor e azia.
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO GÁSTRICA

•Fase cefálica – Antes mesmo da comida chegar ao estômago, o sistema nervoso inicia a
produção de sucos gástricos ao sentir o cheiro, sabor ou até pensar na comida. Esse
estímulo é mediado pelo nervo vago, que ativa as células secretoras no estômago.

•Fase gástrica – Quando o alimento chega ao estômago, a distensão das paredes e a


presença de proteínas estimulam a liberação do hormônio gastrina, que intensifica a
produção de ácido clorídrico e pepsina, essenciais para a digestão.

•Fase intestinal – O conteúdo do estômago passa para o intestino delgado e, para evitar
uma acidez excessiva, o intestino libera hormônios como a secretina e o peptídeo inibitório
gástrico (GIP), que reduzem a secreção gástrica e promovem a liberação de bicarbonato pelo
pâncreas.
NERVO VAGO
Na fase cefálica, a ativação do nervo vago estimular
as células G liberar gastrina, preparando o estômago
para a digestão.
Acetilcolina é liberada pelo nervo vago e estimula
diretamente as células parietais a produzirem ácido
gástrico e também ativa células enterocromafins
(ECL), que liberam histamina, outro estimulador da
secreção ácida.
Como mencionado, a gastrina é liberada pelas
células G e age estimulando as células parietais a
produzirem ácido clorídrico. Além disso, ela também
promove a liberação de pepsinogênio pelas células
principais, que será convertido em pepsina para
ajudar na digestão de proteínas.
O estômago se expande com a chegada do alimento,
ativando receptores que estimulam a liberação de ácido
clorídrico (HCl).
As células G do estômago liberam gastrina, um hormônio
que intensifica a secreção de HCl e pepsinogênio, essencial
para a digestão de proteínas.
As células enterocromafins (ECL) liberam histamina, que
potencializa a ação das células parietais na produção de
ácido.
Se o pH do estômago ficar muito baixo, as células D
liberam somatostatina, que inibe a produção de gastrina e
reduz a secreção ácida.
A fase intestinal da regulação da secreção gástrica
ocorre quando o quimo (alimento parcialmente
digerido) chega ao intestino delgado. Nessa fase, o
corpo ajusta a produção de ácido gástrico para evitar
uma acidez excessiva e garantir uma digestão
equilibrada.
O intestino libera hormônios como secretina e peptídeo
inibitório gástrico (GIP), que reduzem a produção de
ácido clorídrico no estômago.
O pâncreas é estimulado a liberar bicarbonato para
neutralizar a acidez do quimo, protegendo a mucosa
intestinal.
O intestino regula a velocidade com que o estômago
libera o quimo, garantindo que a digestão ocorra de
forma eficiente.
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO GÁSTRICA

•Regulação neural – O sistema nervoso autônomo, especialmente o nervo vago, estimula


a secreção de suco gástrico em resposta à presença de alimentos e até mesmo à
antecipação da refeição. Esse controle é rápido e ajustável conforme necessário.

•Regulação hormonal – O hormônio gastrina, produzido pelas células G no estômago,


promove a liberação de ácido clorídrico pelas células parietais. Quando o pH do
estômago fica muito baixo, a produção de gastrina é inibida para evitar uma acidez
excessiva.

•Regulação local – Substâncias como histamina e somatostatina também influenciam a


secreção gástrica. A histamina amplifica a produção de ácido, enquanto a somatostatina
atua como um freio, reduzindo a secreção quando necessário.
EFEITOS DA DESREGULAÇÃO GÁSTRICA

•Hipersecreção ácida – Quando há produção excessiva de ácido gástrico, pode ocorrer irritação
da mucosa do estômago, aumentando o risco de úlcera péptica e doença do refluxo
gastroesofágico (DRGE).

•Hipossecreção ácida – A baixa produção de ácido pode comprometer a digestão de proteínas e


a absorção de nutrientes essenciais, como ferro, cálcio e vitamina B12, podendo levar a anemia
e osteoporose.

•Alterações na microbiota intestinal – O ácido gástrico ajuda a controlar o crescimento de


bactérias no trato digestivo. Quando há desequilíbrio na secreção, pode ocorrer
supercrescimento bacteriano, aumentando o risco de infecções.

•Impacto na motilidade gástrica – A secreção inadequada pode afetar o esvaziamento do


estômago, causando sintomas como náusea, inchaço e desconforto abdominal.
Inibidores da bomba de prótons (IBPs)

A bomba de prótons é uma estrutura essencial na regulação da secreção


gástrica. Ela está localizada nas células parietais do estômago e tem a função
de liberar íons hidrogênio (H⁺) para o lúmen gástrico, combinando-se com
íons cloreto (Cl⁻) para formar ácido clorídrico (HCl).

Os IBPs atuam bloqueando irreversivelmente a bomba de prótons H⁺/K⁺-


ATPase nas células parietais do estômago, impedindo a liberação de íons
hidrogênio e, consequentemente, reduzindo a acidez gástrica.
Inibidores da bomba de prótons (IBPs)

Indicações Principais fármacos

 Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) Omeprazol


 Úlceras gástricas e duodenais Pantoprazol
 Gastrite erosiva
Lansoprazol
 Síndrome de Zollinger-Ellison
 Erradicação do Helicobacter pylori (em associação com Esomeprazol
antibióticos)
Rabeprazol
 Prevenção de úlceras induzidas por anti-inflamatórios não
esteroides (AINEs). Dexlansoprazol
Inibidores da bomba de prótons (IBPs)

Toxicidade Efeitos adversos


• Hipergastrinemia (aumento da • Náusea e dor abdominal
gastrina) • Diarreia ou constipação
• Risco de neoplasias gástricas em • Deficiência de vitamina B12 e magnésio em
casos raros uso prolongado
• Supressão excessiva da acidez • Risco aumentado de fraturas ósseas
gástrica, afetando a digestão.
• Alterações na microbiota intestinal.
Inibidores da bomba de prótons (IBPs)

Interação medicamentosa Principais diferenças


• Clopidogrel (reduzindo sua eficácia) • Metabolismo: Omeprazol e esomeprazol
• Antifúngicos como cetoconazol são metabolizados principalmente pelo
(diminuindo sua absorção) CYP2C19, o que pode afetar sua eficácia em
metabolizadores rápidos.
• Digoxina (aumentando sua
concentração) • Potência: Esomeprazol e pantoprazol são
considerados mais potentes na inibição da
• Anticoagulantes como varfarina secreção ácida.
(potencializando seus efeitos)
• Duração do efeito: Apesar da meia-vida
curta, os IBPs têm efeito prolongado devido
à inibição irreversível da bomba de prótons.
Antagonistas dos receptores H₂

Mecanismo de ação • Principais fármacos


• Esses fármacos atuam como bloqueadores competitivos
dos receptores H₂ da histamina, reduzindo a estimulação
da bomba de prótons e, consequentemente, a secreção de Cimetidina
ácido gástrico. Ranitidina
Famotidina
Indicações Nizatidina.
 Úlceras gástricas e duodenais
 Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)
 Dispepsia funcional
 Prevenção de úlceras induzidas por estresse hospitalar
 Controle da hipersecreção gástrica em condições como
síndrome de Zollinger-Ellison.
Antagonistas dos receptores H₂
Efeitos adversos
 Náusea e dor abdominal Interação medicamentosa
 Diarreia ou constipação  Varfarina (potencializando seus efeitos
anticoagulantes)
 Alterações neurológicas (confusão, tontura, alucinações em
idosos)  Fenitoína e teofilina (alterando sua
metabolização)
 Cimetidina pode causar ginecomastia e galactorreia devido
à interferência nos receptores hormonais.  Cimetidina tem interações mais amplas,
pois inibe enzimas hepáticas do citocromo
Toxicidade P450.
 Supressão excessiva da acidez gástrica, afetando a digestão
e absorção de nutrientes
 Risco de infecções gastrointestinais devido à redução da
barreira ácida.
Antiácidos

Mecanismo de ação
Os antiácidos atuam neutralizando o Principais fármacos
ácido clorídrico (HCl) presente no Hidróxido de alumínio (exemplo: Alumal)
estômago, aumentando o pH gástrico e Hidróxido de magnésio (exemplo: Leite de
reduzindo a irritação da mucosa. Magnésia)
Carbonato de cálcio (exemplo: Tums)
Indicações Bicarbonato de sódio (exemplo: Eno)
Azia e refluxo gastroesofágico Combinação de hidróxido de alumínio e
Gastrite magnésio.
Úlceras gástricas e duodenais
Dispepsia funcional.
Antiácidos

Efeitos adversos
Interação medicamentosa
• Constipação (hidróxido de alumínio) • Antibióticos (como tetraciclinas)
• Diarreia (hidróxido de magnésio) • Digoxina
• Alcalose metabólica (bicarbonato de sódio) • Varfarina
• Hipercalcemia (carbonato de cálcio)

Toxicidade
• Desequilíbrios eletrolíticos
• Problemas renais
Antiácidos – associações comuns

 Antiácidos + Antiespasmódicos – Exemplo: Maalox Plus (hidróxido de alumínio + hidróxido de magnésio +


simeticona). Ajuda a reduzir a acidez e aliviar gases e cólicas.

 Antiácidos + Inibidores da bomba de prótons (IBPs) – Exemplo: Omeprazol + bicarbonato de sódio. O bicarbonato
protege o omeprazol da degradação no estômago, melhorando sua eficácia.

 Antiácidos + Antagonistas H₂ – Exemplo: Ranitidina + carbonato de cálcio. A ranitidina reduz a produção de ácido,
enquanto o carbonato de cálcio neutraliza a acidez já presente.

 Antiácidos + Protetores da mucosa – Exemplo: Sucralfato + hidróxido de alumínio. O sucralfato forma uma barreira
protetora sobre a mucosa gástrica, enquanto o hidróxido de alumínio reduz a acidez.

 Antiácidos + Antiflatulentos – Exemplo: Hidróxido de magnésio + simeticona. A simeticona ajuda a reduzir a


formação de gases, proporcionando alívio adicional.
Protetores da musosa

Mecanismo de ação Principais fármacos


 Criam uma barreira física sobre a mucosa gástrica,  Sucralfato – Forma uma barreira
impedindo o contato direto com o ácido. protetora sobre a úlcera e estimula a
 Estimulam a produção de muco e bicarbonato, produção de muco.
fortalecendo os mecanismos naturais de defesa do
estômago.  Bismuto coloidal – Tem ação
 Inibem a ação da pepsina, reduzindo a degradação da
antimicrobiana contra o H. pylori e
mucosa. protege a mucosa gástrica.
 Misoprostol – Análogo das
prostaglandinas, aumenta a produção
Indicações de muco e bicarbonato.
 Úlceras gástricas e duodenais
 Gastrite erosiva
 Prevenção de lesões gástricas induzidas por anti-
inflamatórios não esteroides (AINEs)
 Erradicação do Helicobacter pylori (em associação com
antibióticos).
Protetores da musosa

Efeitos adversos Interação medicamentosa


Constipação (sucralfato) Antibióticos (como tetraciclinas e
Náusea e vômito (bismuto coloidal) fluoroquinolonas)
Diarreia e cólicas (misoprostol). Digoxina
Toxicidade Varfarina.
Alterações eletrolíticas
Risco de encefalopatia por
acúmulo de bismuto em pacientes
com insuficiência renal.
Análogos de prostaglandinas

Mecanismo de ação Efeitos adversos


Os análogos de prostaglandinas, como o Diarreia e cólicas abdominais
misoprostol, atuam estimulando a produção de Náusea e vômito
muco e bicarbonato, que ajudam a proteger a
mucosa gástrica contra o ácido clorídrico. Além Contrações uterinas, podendo
disso, reduzem a secreção ácida ao inibir a ação das levar a aborto em gestantes.
células parietais do estômago.
Indicações
Prevenção de úlceras gástricas induzidas por anti-
inflamatórios não esteroides (AINEs)
Tratamento de úlceras gástricas e duodenais
Proteção da mucosa gástrica em pacientes de risco.
Para casa: resolvam os casos clínicos:

Questão 1 –Um paciente de 45 anos, com histórico de gastrite crônica, relata uso frequente de
antiácidos à base de bicarbonato de sódio para aliviar sintomas de azia. Após alguns meses, ele começa
a apresentar fraqueza muscular, tontura e alcalose metabólica. Pergunta: Qual o mecanismo de ação do
bicarbonato de sódio e por que seu uso prolongado pode levar a alcalose metabólica?

Questão 2 –Uma paciente de 60 anos, em uso contínuo de omeprazol há mais de 5 anos para tratamento
de refluxo gastroesofágico, começa a apresentar fadiga, palidez e neuropatia periférica. Exames
laboratoriais indicam deficiência de vitamina B12. Pergunta: Como os inibidores da bomba de prótons
podem interferir na absorção de vitamina B12 e quais estratégias podem ser adotadas para minimizar
esse efeito?

Questão 3 –Uma mulher de 30 anos, com histórico de artrite reumatoide, faz uso contínuo de anti-
inflamatórios não esteroides (AINEs) e recebe prescrição de misoprostol para prevenção de úlceras
gástricas. No entanto, ela descobre que está grávida de 8 semanas. Pergunta: Por que o misoprostol é
contraindicado na gravidez e quais alternativas podem ser utilizadas para proteção gástrica nesse caso?

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