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Aula 04 - Micro

Os fungos pertencem ao Reino Fungi, são organismos eucariotos e heterotróficos que se reproduzem por esporos. Eles podem causar diversas micoses, que variam de superficiais a sistêmicas, afetando a pele, cabelos e órgãos internos, com manifestações clínicas específicas. A presença de quitina em sua parede celular é uma característica importante, e a compreensão de suas morfologias e modos de transmissão é crucial para o diagnóstico e tratamento das infecções fúngicas.

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Os fungos pertencem ao Reino Fungi, são organismos eucariotos e heterotróficos que se reproduzem por esporos. Eles podem causar diversas micoses, que variam de superficiais a sistêmicas, afetando a pele, cabelos e órgãos internos, com manifestações clínicas específicas. A presença de quitina em sua parede celular é uma característica importante, e a compreensão de suas morfologias e modos de transmissão é crucial para o diagnóstico e tratamento das infecções fúngicas.

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FUNGOS

Paula Roberta de Lima


O que são fungos?
• Os fungos são organismos pertencentes ao Reino Fungi

• Eles são organismos eucariotos

• O que significa que suas células possuem núcleo definido, ao contrário das

bactérias, que são procariontes e não possuem núcleo organizado.


O que são fungos?
• Os fungos são organismos heterotróficos

• Não produzem seu próprio alimento pela fotossíntese, como as plantas, e sim

obtêm energia e nutrientes absorvendo-os do meio em que vivem

• Para isso, secretam enzimas que degradam matéria orgânica, facilitando a

absorção.
O que são fungos?
• Uma característica importante dos fungos é a presença da parede

celular composta principalmente por quitina

• Um polissacarídeo resistente que lhes confere rigidez e proteção

• A quitina também é um importante alvo para algumas medicações

antifúngicas.
O que são fungos?
• Os fungos se reproduzem por meio de esporos

• Que podem ser gerados sexual ou assexuadamente

• Esses esporos são estruturas leves, muitas vezes aerossolizadas, facilitando a

dispersão e a colonização de novos ambientes

• Isso tem grande importância epidemiológica nas micoses.


Morfologia dos fungos
• Leveduras:

- São fungos unicelulares, geralmente arredondados ou ovais, que se

reproduzem por brotamento

- As leveduras são comuns em infecções superficiais e sistêmicas

- Um exemplo clássico é a Candida albicans, que pode causar candidíase

em diversas partes do corpo.


Morfologia dos fungos
• Bolores ou fungos filamentosos:

- Formam estruturas multicelulares compostas por filamentos chamados hifas

- Esses filamentos se entrelaçam formando o micélio, que pode ser visível a olho

nu em superfícies onde o fungo cresce, como alimentos ou ambientes úmidos

- Um exemplo comum é o gênero Aspergillus, responsável por aspergilose,

especialmente em pessoas imunocomprometidas.


Morfologia dos fungos
• Fungos dimórficos:

- Esses fungos apresentam a capacidade de crescer em duas formas


distintas, dependendo da temperatura do ambiente

- Por exemplo, a Histoplasma capsulatum cresce como bolor (filamentosos)


em temperaturas ambientais (cerca de 25ºC)

- Mas no organismo humano (37ºC) cresce na forma de levedura

- Esse dimorfismo é um fator importante para a patogenicidade desses


fungos, que causam micoses sistêmicas.
MICOSES DE INTERESSE CLÍNICO
MICOSES SUPERFICIAIS
Micoses superficiais
• As micoses superficiais são infecções fúngicas que acometem as camadas mais
externas da pele e seus anexos, como cabelos e unhas

• Nesses casos, os fungos se limitam ao estrato córneo da epiderme ou à parte


externa dos fios capilares, sem causar resposta inflamatória intensa ou danos
profundos aos tecidos.

• Essas micoses são geralmente benignas, crônicas e pouco sintomáticas, mas


podem causar desconforto estético ou social ao paciente

• A maioria é transmitida por contato direto ou por fômites (objetos contaminados),


especialmente em ambientes úmidos e quentes.
Pitiríase versicolor
• Agente etiológico:

- Malassezia furfur

• Transmissão:

- Autoinoculação – o fungo faz parte da microbiota normal da pele, mas pode crescer

excessivamente em determinadas condições.

• Localização mais comum:

- Tórax, costas, pescoço e parte superior dos braços.


Pitiríase versicolor
• Fisiopatologia:

• Malassezia furfur é uma levedura lipofílica, ou seja, utiliza lipídios como fonte de

energia, o que explica sua preferência por regiões ricas em glândulas sebáceas

• Em condições normais, permanece em equilíbrio com a microbiota da pele

• No entanto, fatores como calor, umidade, oleosidade da pele, uso de cremes

gordurosos, sudorese intensa ou imunossupressão leve podem estimular a

transição da forma leveduriforme (comensal) para a forma micelial (patogênica).


Pitiríase versicolor
• Manifestações clínicas:

• Manchas arredondadas ou irregulares de coloração variável (branca, rosada ou


amarronzada).

• Leve descamação superficial.

• Pode haver coceira leve, especialmente após exposição solar.

• As lesões não são dolorosas nem inflamadas.

• Complicações:

• Recorrência frequente, especialmente em climas quentes e úmidos.

• Impacto estético significativo, principalmente em pacientes de pele escura.


Piedra preta
• Agente etiológico:

- Piedraia hortae

• Transmissão:

- Contato com objetos contaminados (pentes, escovas, toalhas) ou má higiene capilar.

• Localização mais comum:

- Cabelos do couro cabeludo.


Piedra preta
• Fisiopatologia:

• Piedraia hortae forma estruturas chamadas nódulos fúngicos, compostos por hifas
pigmentadas e células fúngicas aderidas à haste capilar.

• O fungo não penetra na pele nem nos folículos pilosos, permanecendo aderido
externamente aos fios.

• Os nódulos se desenvolvem lentamente ao redor dos fios, tornando-se visíveis e


perceptíveis ao tato

• Podem enfraquecer o fio capilar e causar quebra, principalmente se houver muitos


nódulos próximos uns dos outros.
Piedra preta
• Manifestações clínicas:

• Nódulos pretos ou escuros, firmes, ao longo dos fios de cabelo.

• Superfície granulosa ou rugosa ao toque.

• Cabelos podem quebrar com facilidade.

• Ausência de sintomas como dor ou prurido.

• Complicações:

• Quebra do fio de cabelo.

• Estigmatização social devido à aparência dos fios.

• Raramente pode haver infecção secundária se houver tração ou manipulação.


Piedra branca
• Agente etiológico:

- Trichosporon spp.

• Transmissão:

- Contato com áreas úmidas, roupas íntimas contaminadas, práticas de


higiene inadequadas.

• Localização mais comum:

- Pêlos das regiões pubiana, axilar e, ocasionalmente, barba.


Piedra branca
• Fisiopatologia:

• Ao contrário da piedra preta, os nódulos da piedra branca são formados


por massas de hifas não pigmentadas e esporos do fungo Trichosporon spp., que
se aderem frouxamente aos pelos

• A colonização ocorre superficialmente, com formação de aglomerados brancos ou


amarelados ao redor dos fios

• A umidade constante e o ambiente quente favorecem esse crescimento.


Piedra branca
• Manifestações clínicas:

• Nódulos macios, brancos ou amarelados, aderidos aos pelos.

• Presença de granulações visíveis ao toque.

• Podem causar desconforto estético, mas geralmente são assintomáticos.

• Complicações:

• Constrangimento estético.

• Em casos raros, pode ocorrer irritação ou infecção bacteriana secundária se houver


fricção ou manipulação excessiva.
MICOSES CUTÂNEAS
Micoses cutâneas (dermatofitoses)

• As dermatofitoses são infecções fúngicas restritas à epiderme, pelos e

unhas, causadas por fungos chamados dermatófitos, que têm a capacidade

de degradar queratina — principal proteína dessas estruturas.

• Infecção ocorre por contato direto com pessoas, animais ou objetos

contaminados
Tínea Corporis (ou Tinha do Corpo)

• Transmissão:

- Contato direto com pessoas ou animais infectados, ou por fômites

(roupas, toalhas, lençóis).

• Localização mais comum:

- Tronco, membros, pescoço.


Tínea Corporis (ou Tinha do Corpo)
• Fisiopatologia:

• Os dermatófitos penetram na pele por pequenos traumas ou abrasões, aderem ao estrato


córneo e começam a produzir enzimas queratinolíticas (como queratinases, proteases e
lipases), que permitem a invasão e utilização da queratina como substrato.

• A multiplicação fúngica gera produtos metabólicos que ativam a resposta imune local,
resultando em processos inflamatórios variáveis, com formação de lesões eritematosas,
descamativas e pruriginosas

• O crescimento é geralmente centrífugo, formando lesões anulares com bordas ativas.


Tínea Corporis (ou Tinha do Corpo)
• Manifestações clínicas:

• Placas anulares eritematosas, com centro mais claro e bordas elevadas.

• Descamação fina nas bordas.

• Prurido de intensidade variável.

• Evolução lenta e persistente se não tratada.

• Complicações:

• Infecções bacterianas secundárias por coçadura excessiva.

• Extensão para outras áreas do corpo.

• Reações inflamatórias mais intensas em pessoas sensibilizadas (tinha incógnita).


Tínea pedis (ou pé de atleta)
• Transmissão:

- Ambientes úmidos e coletivos (piscinas, chuveiros), uso prolongado de calçados

fechados.

• Localização:

- Pés, especialmente entre os dedos.


Tínea pedis (ou pé de atleta)
• Fisiopatologia:

• O uso contínuo de calçados fechados cria um ambiente úmido e quente, ideal para o crescimento

de dermatófitos

• O fungo adere ao estrato córneo, coloniza o espaço interdigital e se prolifera, favorecido pela

maceração da pele.

• A infecção pode se espalhar para as plantas dos pés e calcanhares, tornando-se crônica

• Há estímulo inflamatório com prurido, fissuras e mau odor devido à colonização secundária por

bactérias.
Tínea pedis (ou pé de atleta)
• Manifestações clínicas:

• Descamação interdigital, fissuras e eritema.

• Coceira intensa, sensação de queimação.

• Formações bolhosas nas formas inflamatórias.

• Odor desagradável.

• Complicações:

• Infecção bacteriana secundária (impetigo, celulite).

• Disseminação para as unhas (onicomicose).

• Forma crônica recorrente.


Tínea capitis (ou tinha do couro cabeludo)
• Transmissão:

- Contato com pessoas ou animais infectados (especialmente gatos e

cães), objetos contaminados como pentes ou bonés.

• Localização:

- Couro cabeludo, especialmente em crianças.


Tínea capitis (ou tinha do couro cabeludo)
• Fisiopatologia:

• Após a adesão dos fungos ao couro cabeludo, ocorre invasão do fuste capilar, podendo ser:

• Ectotrix: fungo cresce ao redor do fio.

• Endotrix: fungo cresce dentro do fio, enfraquecendo-o.

• A resposta inflamatória varia conforme o agente e a sensibilidade do hospedeiro.

• As lesões podem ser inflamatórias ou não inflamatórias

• O enfraquecimento do fio capilar leva à sua quebra, gerando áreas de alopecia (falhas de cabelo).
Tínea capitis (ou tinha do couro cabeludo)
• Manifestações clínicas:

• Placas de alopecia com descamação.

• Quebra dos fios rente ao couro cabeludo.

• Pode haver inflamação, formação de crostas e pus.

• Prurido e dor ao toque em casos inflamatórios.

• Complicações:

• Alopecia definitiva (em casos inflamatórios graves).

• Formação de abscessos e linfadenomegalia regional.

• Estigmatização social, especialmente em crianças.


MICOSES SISTÊMICAS
Micoses sistêmicas
• As micoses sistêmicas são causadas por fungos capazes de provocar infecção em órgãos internos,

muitas vezes após inalação de esporos

• São causadas por fungos dimórficos, que vivem no ambiente na forma micelial e se convertem em

leveduras no organismo

• Algumas delas podem afetar indivíduos saudáveis, mas se tornam mais graves

em imunossuprimidos.
Histoplasmose
• Agente etiológico:

- Histoplasma capsulatum (dimórfico).

• Reservatórios:

- Solo rico em matéria orgânica com fezes de aves ou morcegos (ex:


galinheiros, cavernas).

• Transmissão:

- Inalação de microconídios dispersos no ar.


Histoplasmose
• Fisiopatologia:

[Link]ção e instalação pulmonar:


Os fungos são inalados, alcançando os alvéolos pulmonares. Ali, são fagocitados
por macrófagos, onde se convertem em leveduras intracelulares.

[Link]ência intracelular:
O fungo tem mecanismos que inibem a fagocitose, permitindo replicação dentro
dos macrófagos.

[Link]ção:
Com o deslocamento dos macrófagos, as leveduras podem atingir linfonodos,
fígado, baço e medula óssea via circulação linfática e sanguínea.
Histoplasmose
• Manifestações clínicas:

• Forma pulmonar aguda: Quadro gripal, febre, tosse seca, dor torácica, mal-estar.

• Forma pulmonar crônica: Semelhante à tuberculose (tosse crônica, perda de peso, hemoptise).

• Forma disseminada: Acomete múltiplos órgãos; comum em imunossuprimidos (febre alta,


hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, alterações hematológicas, lesões cutâneas e orais).

• Complicações:

• Insuficiência respiratória.

• Insuficiência hepática ou adrenal em formas disseminadas.

• Choque séptico.

• Alta letalidade em pacientes imunossuprimidos se não tratada.


Paracoccidioidomicose
• Agente etiológico:

- Paracoccidioides brasiliensis e Paracoccidioides lutzii (dimórficos).

• Reservatórios:

- Solo úmido de áreas rurais, principalmente na América Latina.

• Transmissão:

- Inalação de propágulos fúngicos presentes no solo.


Paracoccidioidomicose
• Fisiopatologia:

[Link]ção e infecção pulmonar primária:

Os esporos inalados atingem os pulmões e se convertem em leveduras

Inicia-se um foco inflamatório com possível formação de granulomas.

[Link]ção linfática e hematogênica:

O fungo pode se espalhar para mucosas, linfonodos, pele, fígado, baço, adrenais e

SNC.
Paracoccidioidomicose
• Formas clínicas:
• Forma pulmonar: Tosse crônica, escarro com sangue, perda de peso, febre.
• Forma mucocutânea: Lesões ulceradas, dolorosas, principalmente em mucosa oral, nariz e
lábios (aspecto em "grão de amora").
• Forma disseminada: Envolvimento de linfonodos, pele, fígado, baço, adrenais e SNC.
• Complicações:
• Insuficiência adrenal (se acometimento das suprarrenais).
• Fibrose pulmonar.
• Disfagia e disfonia por lesões orofaríngeas.
• Sequelas respiratórias permanentes.
• Alta morbidade se não tratada.

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