FUNGOS
Paula Roberta de Lima
O que são fungos?
• Os fungos são organismos pertencentes ao Reino Fungi
• Eles são organismos eucariotos
• O que significa que suas células possuem núcleo definido, ao contrário das
bactérias, que são procariontes e não possuem núcleo organizado.
O que são fungos?
• Os fungos são organismos heterotróficos
• Não produzem seu próprio alimento pela fotossíntese, como as plantas, e sim
obtêm energia e nutrientes absorvendo-os do meio em que vivem
• Para isso, secretam enzimas que degradam matéria orgânica, facilitando a
absorção.
O que são fungos?
• Uma característica importante dos fungos é a presença da parede
celular composta principalmente por quitina
• Um polissacarídeo resistente que lhes confere rigidez e proteção
• A quitina também é um importante alvo para algumas medicações
antifúngicas.
O que são fungos?
• Os fungos se reproduzem por meio de esporos
• Que podem ser gerados sexual ou assexuadamente
• Esses esporos são estruturas leves, muitas vezes aerossolizadas, facilitando a
dispersão e a colonização de novos ambientes
• Isso tem grande importância epidemiológica nas micoses.
Morfologia dos fungos
• Leveduras:
- São fungos unicelulares, geralmente arredondados ou ovais, que se
reproduzem por brotamento
- As leveduras são comuns em infecções superficiais e sistêmicas
- Um exemplo clássico é a Candida albicans, que pode causar candidíase
em diversas partes do corpo.
Morfologia dos fungos
• Bolores ou fungos filamentosos:
- Formam estruturas multicelulares compostas por filamentos chamados hifas
- Esses filamentos se entrelaçam formando o micélio, que pode ser visível a olho
nu em superfícies onde o fungo cresce, como alimentos ou ambientes úmidos
- Um exemplo comum é o gênero Aspergillus, responsável por aspergilose,
especialmente em pessoas imunocomprometidas.
Morfologia dos fungos
• Fungos dimórficos:
- Esses fungos apresentam a capacidade de crescer em duas formas
distintas, dependendo da temperatura do ambiente
- Por exemplo, a Histoplasma capsulatum cresce como bolor (filamentosos)
em temperaturas ambientais (cerca de 25ºC)
- Mas no organismo humano (37ºC) cresce na forma de levedura
- Esse dimorfismo é um fator importante para a patogenicidade desses
fungos, que causam micoses sistêmicas.
MICOSES DE INTERESSE CLÍNICO
MICOSES SUPERFICIAIS
Micoses superficiais
• As micoses superficiais são infecções fúngicas que acometem as camadas mais
externas da pele e seus anexos, como cabelos e unhas
• Nesses casos, os fungos se limitam ao estrato córneo da epiderme ou à parte
externa dos fios capilares, sem causar resposta inflamatória intensa ou danos
profundos aos tecidos.
• Essas micoses são geralmente benignas, crônicas e pouco sintomáticas, mas
podem causar desconforto estético ou social ao paciente
• A maioria é transmitida por contato direto ou por fômites (objetos contaminados),
especialmente em ambientes úmidos e quentes.
Pitiríase versicolor
• Agente etiológico:
- Malassezia furfur
• Transmissão:
- Autoinoculação – o fungo faz parte da microbiota normal da pele, mas pode crescer
excessivamente em determinadas condições.
• Localização mais comum:
- Tórax, costas, pescoço e parte superior dos braços.
Pitiríase versicolor
• Fisiopatologia:
• Malassezia furfur é uma levedura lipofílica, ou seja, utiliza lipídios como fonte de
energia, o que explica sua preferência por regiões ricas em glândulas sebáceas
• Em condições normais, permanece em equilíbrio com a microbiota da pele
• No entanto, fatores como calor, umidade, oleosidade da pele, uso de cremes
gordurosos, sudorese intensa ou imunossupressão leve podem estimular a
transição da forma leveduriforme (comensal) para a forma micelial (patogênica).
Pitiríase versicolor
• Manifestações clínicas:
• Manchas arredondadas ou irregulares de coloração variável (branca, rosada ou
amarronzada).
• Leve descamação superficial.
• Pode haver coceira leve, especialmente após exposição solar.
• As lesões não são dolorosas nem inflamadas.
• Complicações:
• Recorrência frequente, especialmente em climas quentes e úmidos.
• Impacto estético significativo, principalmente em pacientes de pele escura.
Piedra preta
• Agente etiológico:
- Piedraia hortae
• Transmissão:
- Contato com objetos contaminados (pentes, escovas, toalhas) ou má higiene capilar.
• Localização mais comum:
- Cabelos do couro cabeludo.
Piedra preta
• Fisiopatologia:
• Piedraia hortae forma estruturas chamadas nódulos fúngicos, compostos por hifas
pigmentadas e células fúngicas aderidas à haste capilar.
• O fungo não penetra na pele nem nos folículos pilosos, permanecendo aderido
externamente aos fios.
• Os nódulos se desenvolvem lentamente ao redor dos fios, tornando-se visíveis e
perceptíveis ao tato
• Podem enfraquecer o fio capilar e causar quebra, principalmente se houver muitos
nódulos próximos uns dos outros.
Piedra preta
• Manifestações clínicas:
• Nódulos pretos ou escuros, firmes, ao longo dos fios de cabelo.
• Superfície granulosa ou rugosa ao toque.
• Cabelos podem quebrar com facilidade.
• Ausência de sintomas como dor ou prurido.
• Complicações:
• Quebra do fio de cabelo.
• Estigmatização social devido à aparência dos fios.
• Raramente pode haver infecção secundária se houver tração ou manipulação.
Piedra branca
• Agente etiológico:
- Trichosporon spp.
• Transmissão:
- Contato com áreas úmidas, roupas íntimas contaminadas, práticas de
higiene inadequadas.
• Localização mais comum:
- Pêlos das regiões pubiana, axilar e, ocasionalmente, barba.
Piedra branca
• Fisiopatologia:
• Ao contrário da piedra preta, os nódulos da piedra branca são formados
por massas de hifas não pigmentadas e esporos do fungo Trichosporon spp., que
se aderem frouxamente aos pelos
• A colonização ocorre superficialmente, com formação de aglomerados brancos ou
amarelados ao redor dos fios
• A umidade constante e o ambiente quente favorecem esse crescimento.
Piedra branca
• Manifestações clínicas:
• Nódulos macios, brancos ou amarelados, aderidos aos pelos.
• Presença de granulações visíveis ao toque.
• Podem causar desconforto estético, mas geralmente são assintomáticos.
• Complicações:
• Constrangimento estético.
• Em casos raros, pode ocorrer irritação ou infecção bacteriana secundária se houver
fricção ou manipulação excessiva.
MICOSES CUTÂNEAS
Micoses cutâneas (dermatofitoses)
• As dermatofitoses são infecções fúngicas restritas à epiderme, pelos e
unhas, causadas por fungos chamados dermatófitos, que têm a capacidade
de degradar queratina — principal proteína dessas estruturas.
• Infecção ocorre por contato direto com pessoas, animais ou objetos
contaminados
Tínea Corporis (ou Tinha do Corpo)
• Transmissão:
- Contato direto com pessoas ou animais infectados, ou por fômites
(roupas, toalhas, lençóis).
• Localização mais comum:
- Tronco, membros, pescoço.
Tínea Corporis (ou Tinha do Corpo)
• Fisiopatologia:
• Os dermatófitos penetram na pele por pequenos traumas ou abrasões, aderem ao estrato
córneo e começam a produzir enzimas queratinolíticas (como queratinases, proteases e
lipases), que permitem a invasão e utilização da queratina como substrato.
• A multiplicação fúngica gera produtos metabólicos que ativam a resposta imune local,
resultando em processos inflamatórios variáveis, com formação de lesões eritematosas,
descamativas e pruriginosas
• O crescimento é geralmente centrífugo, formando lesões anulares com bordas ativas.
Tínea Corporis (ou Tinha do Corpo)
• Manifestações clínicas:
• Placas anulares eritematosas, com centro mais claro e bordas elevadas.
• Descamação fina nas bordas.
• Prurido de intensidade variável.
• Evolução lenta e persistente se não tratada.
• Complicações:
• Infecções bacterianas secundárias por coçadura excessiva.
• Extensão para outras áreas do corpo.
• Reações inflamatórias mais intensas em pessoas sensibilizadas (tinha incógnita).
Tínea pedis (ou pé de atleta)
• Transmissão:
- Ambientes úmidos e coletivos (piscinas, chuveiros), uso prolongado de calçados
fechados.
• Localização:
- Pés, especialmente entre os dedos.
Tínea pedis (ou pé de atleta)
• Fisiopatologia:
• O uso contínuo de calçados fechados cria um ambiente úmido e quente, ideal para o crescimento
de dermatófitos
• O fungo adere ao estrato córneo, coloniza o espaço interdigital e se prolifera, favorecido pela
maceração da pele.
• A infecção pode se espalhar para as plantas dos pés e calcanhares, tornando-se crônica
• Há estímulo inflamatório com prurido, fissuras e mau odor devido à colonização secundária por
bactérias.
Tínea pedis (ou pé de atleta)
• Manifestações clínicas:
• Descamação interdigital, fissuras e eritema.
• Coceira intensa, sensação de queimação.
• Formações bolhosas nas formas inflamatórias.
• Odor desagradável.
• Complicações:
• Infecção bacteriana secundária (impetigo, celulite).
• Disseminação para as unhas (onicomicose).
• Forma crônica recorrente.
Tínea capitis (ou tinha do couro cabeludo)
• Transmissão:
- Contato com pessoas ou animais infectados (especialmente gatos e
cães), objetos contaminados como pentes ou bonés.
• Localização:
- Couro cabeludo, especialmente em crianças.
Tínea capitis (ou tinha do couro cabeludo)
• Fisiopatologia:
• Após a adesão dos fungos ao couro cabeludo, ocorre invasão do fuste capilar, podendo ser:
• Ectotrix: fungo cresce ao redor do fio.
• Endotrix: fungo cresce dentro do fio, enfraquecendo-o.
• A resposta inflamatória varia conforme o agente e a sensibilidade do hospedeiro.
• As lesões podem ser inflamatórias ou não inflamatórias
• O enfraquecimento do fio capilar leva à sua quebra, gerando áreas de alopecia (falhas de cabelo).
Tínea capitis (ou tinha do couro cabeludo)
• Manifestações clínicas:
• Placas de alopecia com descamação.
• Quebra dos fios rente ao couro cabeludo.
• Pode haver inflamação, formação de crostas e pus.
• Prurido e dor ao toque em casos inflamatórios.
• Complicações:
• Alopecia definitiva (em casos inflamatórios graves).
• Formação de abscessos e linfadenomegalia regional.
• Estigmatização social, especialmente em crianças.
MICOSES SISTÊMICAS
Micoses sistêmicas
• As micoses sistêmicas são causadas por fungos capazes de provocar infecção em órgãos internos,
muitas vezes após inalação de esporos
• São causadas por fungos dimórficos, que vivem no ambiente na forma micelial e se convertem em
leveduras no organismo
• Algumas delas podem afetar indivíduos saudáveis, mas se tornam mais graves
em imunossuprimidos.
Histoplasmose
• Agente etiológico:
- Histoplasma capsulatum (dimórfico).
• Reservatórios:
- Solo rico em matéria orgânica com fezes de aves ou morcegos (ex:
galinheiros, cavernas).
• Transmissão:
- Inalação de microconídios dispersos no ar.
Histoplasmose
• Fisiopatologia:
[Link]ção e instalação pulmonar:
Os fungos são inalados, alcançando os alvéolos pulmonares. Ali, são fagocitados
por macrófagos, onde se convertem em leveduras intracelulares.
[Link]ência intracelular:
O fungo tem mecanismos que inibem a fagocitose, permitindo replicação dentro
dos macrófagos.
[Link]ção:
Com o deslocamento dos macrófagos, as leveduras podem atingir linfonodos,
fígado, baço e medula óssea via circulação linfática e sanguínea.
Histoplasmose
• Manifestações clínicas:
• Forma pulmonar aguda: Quadro gripal, febre, tosse seca, dor torácica, mal-estar.
• Forma pulmonar crônica: Semelhante à tuberculose (tosse crônica, perda de peso, hemoptise).
• Forma disseminada: Acomete múltiplos órgãos; comum em imunossuprimidos (febre alta,
hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, alterações hematológicas, lesões cutâneas e orais).
• Complicações:
• Insuficiência respiratória.
• Insuficiência hepática ou adrenal em formas disseminadas.
• Choque séptico.
• Alta letalidade em pacientes imunossuprimidos se não tratada.
Paracoccidioidomicose
• Agente etiológico:
- Paracoccidioides brasiliensis e Paracoccidioides lutzii (dimórficos).
• Reservatórios:
- Solo úmido de áreas rurais, principalmente na América Latina.
• Transmissão:
- Inalação de propágulos fúngicos presentes no solo.
Paracoccidioidomicose
• Fisiopatologia:
[Link]ção e infecção pulmonar primária:
Os esporos inalados atingem os pulmões e se convertem em leveduras
Inicia-se um foco inflamatório com possível formação de granulomas.
[Link]ção linfática e hematogênica:
O fungo pode se espalhar para mucosas, linfonodos, pele, fígado, baço, adrenais e
SNC.
Paracoccidioidomicose
• Formas clínicas:
• Forma pulmonar: Tosse crônica, escarro com sangue, perda de peso, febre.
• Forma mucocutânea: Lesões ulceradas, dolorosas, principalmente em mucosa oral, nariz e
lábios (aspecto em "grão de amora").
• Forma disseminada: Envolvimento de linfonodos, pele, fígado, baço, adrenais e SNC.
• Complicações:
• Insuficiência adrenal (se acometimento das suprarrenais).
• Fibrose pulmonar.
• Disfagia e disfonia por lesões orofaríngeas.
• Sequelas respiratórias permanentes.
• Alta morbidade se não tratada.