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Areas Protegidas

O documento aborda a importância da proteção das áreas marinhas sensíveis no Brasil, destacando a criação do Monitor Oceano, uma ferramenta para monitorar os impactos da indústria petrolífera. A publicação é composta por cadernos técnicos que analisam variáveis socioambientais e propõe medidas de mitigação e conservação. A iniciativa visa fortalecer as salvaguardas socioambientais e promover uma transição energética justa, essencial para a preservação da biodiversidade e do patrimônio natural.

Enviado por

Gustavo Souza
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Areas Protegidas

O documento aborda a importância da proteção das áreas marinhas sensíveis no Brasil, destacando a criação do Monitor Oceano, uma ferramenta para monitorar os impactos da indústria petrolífera. A publicação é composta por cadernos técnicos que analisam variáveis socioambientais e propõe medidas de mitigação e conservação. A iniciativa visa fortalecer as salvaguardas socioambientais e promover uma transição energética justa, essencial para a preservação da biodiversidade e do patrimônio natural.

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Áreas

Protegidas
Ações fundamentais para
a proteção da natureza e
da biodiversidade

Foto: Estação Ecológica da Juréia-Itatins/Enrico Marone


Instituto Internacional Arayara EQUIPE TÉCNICA RESPONSÁVEL REALIZAÇÃO

Alisson Capelli Instituto Internacional Arayara


- Engenheiro Ambiental
Daniela Barros ORGANIZADORES
- Engenheira Ambiental
George Mendes George Mendes
- Engenheiro Ambiental Juliano Bueno de Araújo
Msc. Kerlem Carvalho Kerlem Carvalho
- Oceanógrafa Nicole Figueiredo de Oliveira
Luiza Machado Vinicius Nora
- Bióloga
Renata Prata DIRETORES EXECUTIVOS
- Advogada
Renato Santaritta Phd. Juliano Bueno de Araújo
- Advogado Diretor-presidente e Diretor-técnico e
Rui Ogawa Campanha
- Diretor de TI
Vinicius Nora Dra. Nicole Figueiredo de Oliveira
Áreas Prioritárias para Conservação - Biólogo Diretora-executiva
Protegendo as áreas mais sensíveis do nosso oceano Urias Neto
- Engenheiro Ambiental PRODUÇÃO E EDIÇÃO

Gabriela Santos
APOIO Gustavo Oliveira de Souza
Janaína Oliveira

área para ISBN Dr. Luiz Carlos Ormay Jr Naiara Chaves Azevedo
- Advogado Nivia Cerqueira
Esp. Mayte Echaniz Rayanne Portugal
- Economista e Administradora Renata Sembay
Dr. Rafael Lopes
- Advogado

GERÊNCIA

Dr. Anton Schwyter SEDE BRASÍLIA


- Economista e Gerente de Energia e Avenida Rabelo 26 D, Vila Planalto
Clima CEP: 70804-020, Brasília, DF
Msc. Vinicius Nora +55 61 999335152
- Biólogo e Gerente de Oceanos e Clima
Dr. Renato Santaritta SEDE CURITIBA
Advogado e Gerente de Compliance e Escritório Curitiba
Governança rua Gaspar Carrilho Jr., 01
CEP:80810-210, Curitiba, Paraná

SEDE URUGUAY
Blvr. Juan Benito Blanco 780, sala 10 11300
Montevideo, Dto. de Montevideo

[Link]
contato@[Link]
Brasília, 2024 +55 (41) 98445-0000
SUMÁRIO

1 Apresentação 6
2 Sobre a Arayara 7
3 Introdução 8
4 Metodologia 10
5 Unidades de Conservação (UC) 12
6 Resultados gerais da análise 23

7 Resultados específicos da análise 25


região Norte

8 Resultados específicos da análise 26


região Nordeste

9 Resultados específicos da análise 28


região Sudeste

10 Resultados específicos da análise 29


região Sul

11 Conclusão 29

12 Referências 31

Foto: Arquipélago de São Pedro and São Paulo / Enrico Marone 5


1 | Apresentação 2 | Sobre a Arayara
N os últimos anos, o Brasil tem assistido a uma crescente pressão
sobre as suas áreas marinhas mais sensíveis, à medida que o
setor de petróleo e gás avança sobre o mar territorial. O impacto dessa
Instituto Internacional Arayara é uma organização da sociedade civil (OSC) sem fins
lucrativos, que nasceu da parceria entre cientistas, gestores urbanos, engenheiros,
urbanistas e ambientalistas prezando pela qualidade da vida dos cidadãos brasileiros
expansão desenfreada levanta sérias preocupações ambientais, sociais e pela garantia de que todos os recursos sejam usados e distribuídos amplamente,
e econômicas, especialmente para as comunidades que dependem de forma justa e sustentável.
diretamente desses ecossistemas.
Ao longo de mais de 30 anos de existência, a Arayara desenvolveu uma nova geração
Foi com o intuito de lançar luz sobre essa questão urgente que de ativismo pela transição energética justa, possibilitando políticas públicas, criação
desenvolvemos o Monitor Oceano. Esta plataforma online inovadora e de de leis, litigância, produção de conhecimento, comunicação, campanhas e advocacy
livre acesso se propõe a monitorar e divulgar, de forma transparente, os que pavimentem o caminho da transição energética no Brasil e a redução das suas
impactos da indústria petrolífera nas áreas marinhas mais vulneráveis emissões de GEE.
do Brasil. Monitor Oceano é uma iniciativa do Instituto Internacional
Arayara e reflete nosso compromisso em fortalecer as salvaguardas Operando com tecnologia própria da terceira geração de ambientalismo, a Arayara
socioambientais e a democracia no país. produz análises técnicas profundas, defesa de direitos, litígio estratégico, mobilização
multissetorial, produção de conhecimento e ação em ambientes urbanos, rurais,
A publicação que ora apresento é composta por cinco cadernos técnicos oceânicos, florestais e tradicionais, atuando em todos os estados brasileiros e em
que examinam, em profundidade, as principais variáveis socioambientais alguns países da América Latina.
afetadas por essa expansão: PAN Corais, Áreas Protegidas, Áreas
Prioritárias para Conservação, Pesca Comercial, e as áreas do programa
Figura 1 - Povos Indígenas Fonte: Renata Sembay/ Instituto Internacional Arayara
de redução de impacto e mitigação para o petróleo e gás. Cada caderno Kaingang (PR), Xokleng (SC)
oferece uma análise detalhada e fundamentada, proporcionando uma visão e Comunidade Quilombola
clara dos desafios e das oportunidades para a preservação dessas áreas. Córrego de Ubaranas (ES)
em manifestação contrária ao
O lançamento desta publicação acontece em um momento particularmente leilão do Fim do Mundo
simbólico: o quinto aniversário do derramamento de óleo que devastou a
costa nordestina do Brasil, o maior desastre do tipo em nossa história.
Este evento trágico, cujas consequências ainda afetam milhares de
pessoas, nos lembra da urgência de adotar medidas concretas para evitar
que catástrofes similares voltem a ocorrer.

Convido todos a explorar o Monitor Oceano e a utilizar esta ferramenta


em defesa de nossos oceanos e das comunidades que neles vivem. Que
esta publicação sirva como um marco na luta pela proteção do nosso
patrimônio natural e pela justiça socioambiental.

Vinícius Nora
Gerente de Oceanos e Clima
6 Instituto Internacional Arayara 7
3 | Introdução A utilização de combustíveis fósseis é
uma das principais fontes de emissões
Dada a gravidade dos impactos das
mudanças climáticas, é urgente que a
de gases de efeito estufa, que contribuem sociedade faça uma transição para fontes
A crescente preocupação com
os impactos ambientais
das atividades de exploração e
sobrevivência de inúmeras espécies
e para a economia global, através
da pesca, turismo e outros recursos
significativamente para as mudanças
climáticas. A queima de petróleo e gás
de energia mais limpas e sustentáveis. A
nova ferramenta não apenas mapeia os
natural libera grandes quantidades projetos de exploração e produção de
produção de petróleo e gás natural marinhos. de dióxido de carbono e metano na petróleo e gás, mas também destaca a
tem impulsionado a criação de atmosfera, acelerando o aquecimento importância de proteger as áreas mais
soluções tecnológicas inovadoras O Monitor Oceano permite que global. As mudanças climáticas sensíveis do nosso planeta. Ela serve
para garantir a sustentabilidade tomadores de decisão e partes resultantes dessas emissões têm como um recurso valioso para promover
dos ecossistemas marinhos e interessadas visualizem a provocado eventos climáticos extremos, uma gestão ambiental mais responsável
costeiros. interação entre os projetos de como furacões, inundações, secas e para apoiar políticas que incentivem a
exploração e produção de petróleo severas e elevação do nível do mar, que transição energética, visando um futuro
Nesse contexto, temos o prazer de e gás e os ecossistemas sensíveis, ameaçam a biodiversidade, a segurança mais sustentável.
anunciar o lançamento de uma nova facilitando a implementação de alimentar e a saúde humana.
ferramenta destinada a mapear medidas de mitigação e adaptação
e analisar detalhadamente os e conservação. Fonte: Renata Romeo/ Ocean Image Bank
Figura 2 - Ambiente
projetos de exploração e produção Coralíneo com detalhe de
de petróleo e gás natural na zona tartaruga-de-pente.
costeira e marinha do Brasil.

O Monitor Oceano oferece uma


análise robusta ao integrar diversas
camadas de dados ambientais,
destacando as áreas mais sensíveis
que existem nos oceanos, mares
e áreas marinhas próximas do
continente brasileiro em contraste
com as áreas de exploração e
produção da indústria fóssil.

Os oceanos desempenham um
papel vital na manutenção da
vida na Terra, regulando o clima,
fornecendo oxigênio, absorvendo
dióxido de carbono e sustentando
uma vasta gama de biodiversidade.
Eles abrigam ecossistemas ricos e
variados, como recifes de corais,
manguezais e prados marinhos,
que são fundamentais para a
8 9
4 | Metodologia A origem das camadas de entrada pode
ser verificada na seção ‘Download’ do
Monitor, assim como a tabela com os
aquelas que estão inseridas dentro do
limite do Sistema Costeiro Marinho (fonte
e ano de referência: IBGE, 2019), visto
dados brutos resultantes da interseção que o intuito do monitor é de apresentar
ESTA ANÁLISE UTILIZOU AS BASES DE DADOS GEOESPACIAIS DISPONIBILIZADAS PELO GOVERNO FEDERAL entre as camadas da análise realizada as áreas sensíveis e mapear os projetos
pelo Instituto Arayara. da indústria fóssil que estão inseridos
OU PELAS AUTARQUIAS RESPONSÁVEIS POR CADA UM DOS TEMAS, COM INTUITO DE VERIFICAR A
dentro deste contexto dos oceanos,
SOBREPOSIÇÃO OU PROXIMIDADES DAS ÁREAS DE EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS COM Em especial para as camadas de mares e áreas marinhas próximas do
AS ÁREAS SENSÍVEIS E DE IMPORTÂNCIA NA ZONA COSTEIRO MARINHA BRASILEIRA: Unidades de Conservação (UC) e Zonas continente que estão expostas aos riscos
de Amortecimento (ZA) de Unidades de relacionados a estes empreendimentos.
• Áreas do Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos - Conservação, foram filtradas e utilizadas
PAN Corais (ICMBio, 2020);
• Áreas Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade - 2ª atualização (MMA, Figura 3 - Alerta do ICMBio Fonte: Pedro Pereira/ ICMBio
2020); sobre o Branqueamento da
• Plano de Redução de Impactos de Petróleo e Gás Natural sobre a Biodiversidade Millepora, São Paulo.
Marinha e Costeira - PRIM-PGMar (ICMBio, 2023);
• Dados do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por
Satélite - PREPS (MPA, 2024), processados pela organização Global Fishing Watch;
• Áreas Protegidas: Unidades de Conservação (UC) e Zonas de Amortecimento (ZA)
de Unidades de Conservação (MMA, 2024).

O s dados das áreas de exploração


e produção de petróleo e gás
foram baixados da página da Agência
Para a análise de sobreposição, utilizou-
se a função “Intersect” do software
ArcGIS Pro (ESRI, 2024). A função de
Nacional do Petróleo, Gás Natural e análise ‘Intersect’ calcula a interseção
Biocombustíveis (ANP) e tem como geométrica dos elementos de entrada.
data de referência 01/05/2024, portanto Elementos ou partes de elementos que
as análises foram desenvolvidas para se sobrepõem em todas as camadas ou
estes períodos de referência de todas as classes de elementos serão registrados
camadas descritas anteriormente. na classe de elementos de saída.

Após o download dos arquivos vetoriais Todos os cálculos de áreas foram


correspondentes a cada camada realizados utilizando a projeção
mencionada anteriormente, assegurou- cartográfica “Projeção Equivalente de
se que todos os arquivos estivessem no Albers”, conforme padronizado e adotado
mesmo sistema de referência geodésico: pelo IBGE na nota metodológica n. 01 de
SIRGAS 2000 - Sistema Geodésico de 2022 (IBGE, 2022).
Referência oficial do Brasil (IBGE, 2015).

10 11
5 | Unidades de ecossistemas naturais de grande
valor ecológico e beleza paisagística,
as condições necessárias para a
existência ou reprodução de espécies

Conservação (UC) permitindo a condução de pesquisas


científicas e o desenvolvimento de
atividades de educação ambiental,
ou comunidades de plantas locais e
animais residentes ou migratórios.

lazer em contato com a natureza e Unidades de Uso Sustentável (art. 14º Lei

N o âmbito jurídico-ambiental
brasileiro, o termo “Unidade de
Conservação” (UC) representa um
objetivo principal preservar a natureza
em seu estado mais intocado possível,
permitindo apenas o uso indireto dos
turismo ecológico.

3. Monumento Natural (MONA): estas


Federal nº 9.985/2000): Buscam conciliar
a conservação da natureza com o uso
sustentável de parte dos seus recursos
conceito fundamental para a proteção recursos naturais. O uso indireto abrange áreas visam proteger locais naturais naturais. O uso sustentável envolve
da natureza e da biodiversidade. atividades como pesquisa científica, raros, únicos ou de grande beleza atividades que garantam a perenidade dos
As UCs são espaços territoriais, educação ambiental e turismo ecológico, paisagística. recursos naturais, como o extrativismo
incluindo seus recursos ambientais que não envolvem consumo, coleta, dano de baixo impacto, a agricultura familiar e
e águas jurisdicionais, que possuem ou destruição dos recursos naturais. 4. Refúgio de Vida Silvestre (RVS): o o turismo de base comunitária.
características naturais relevantes e Categorias de Proteção Integral: objetivo destas áreas é proteger
são legalmente instituídos pelo Poder ambientes naturais que garantem
Público com o objetivo de garantir a Estação Ecológica (EE): sob domínio
conservação da natureza a longo prazo. público, estas áreas são destinadas Figura 4 - Parque Estadual
à preservação da natureza e ao Ilha do Cardoso, São Paulo.
A Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que desenvolvimento de pesquisas
institui o Sistema Nacional de Unidades de científicas. A visitação pública é restrita,
Conservação da Natureza (SNUC), fornece a permitida apenas para fins educacionais.
base legal para a criação e gestão das UCs no Pesquisas científicas estão condicionadas
Brasil. O SNUC define UC como: à autorização prévia do órgão gestor
responsável.
“espaço territorial e seus recursos
ambientais, incluindo as águas 1. Reserva Biológica (REBIO): estas
jurisdicionais, com características áreas têm como objetivo a proteção
naturais relevantes, legalmente instituído completa da vida e de todas as
pelo Poder Público, com objetivos de características naturais presentes
conservação e limites definidos, sob em seus limites, sem a intervenção
regime especial de administração, ao humana direta ou alterações no
qual se aplicam garantias adequadas de ambiente. As únicas exceções são
proteção” medidas para recuperar ecossistemas
já danificados e ações de manejo
O SNUC estabelece dois grupos principais necessárias para restaurar e manter
de UCs, cada uma com suas próprias o equilíbrio natural, a variedade de
características e objetivos: espécies e os processos ecológicos.

Unidades de Proteção Integral (art. 8º 2. Parque (PN, PE e PM): essas áreas


Lei Federal nº 9.985/2000): têm como visam essencialmente proteger

12 Fonte: Enrico Marone 13


É importante ressaltar que a gestão As UCs desempenham um papel crucial
das UCs é responsabilidade dos órgãos na proteção da biodiversidade, na
CATEGORIAS DE USO SUSTENTÁVEL: ambientais competentes, em esfera manutenção dos serviços ecossistêmicos,
federal, estadual ou municipal. A na mitigação das mudanças climáticas
• Área de Proteção Ambiental (APA): são áreas tipicamente vastas, participação da sociedade na gestão e na promoção do desenvolvimento
com alguma ocupação humana, que possuem características físicas, das UCs é fundamental para garantir sustentável. A criação e gestão eficaz
biológicas, estéticas ou culturais de grande importância para a qualidade a efetividade da conservação e o uso de UCs são essenciais para garantir um
de vida e o bem-estar das pessoas. Seus principais objetivos são sustentável dos recursos naturais. futuro mais verde e próspero para as
proteger a variedade de seres vivos, organizar o processo de ocupação futuras gerações.
e garantir o uso sustentável dos recursos naturais.

• Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE): normalmente pequenas, Figura 5 - APA das Ilhas Fonte: Enrico Marone
essas áreas com pouca ou nenhuma ocupação humana apresentam de Tinharé e Boipeba
características naturais únicas ou abrigam espécies raras da região.
Seu objetivo é preservar ecossistemas naturais de importância regional
ou local, regulando o uso permitido para garantir a compatibilidade com
a conservação da natureza.

• Floresta Nacional (FLONA): trata-se de uma área com predominância de


espécies de árvores nativas, cujo principal objetivo é o uso sustentável
e diversificado dos recursos florestais, juntamente com a pesquisa
científica, com foco no desenvolvimento de métodos para a exploração
sustentável de florestas nativas.

• Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS): são áreas naturais


habitadas por comunidades tradicionais, que dependem de sistemas
de uso sustentável dos recursos naturais desenvolvidos ao longo
de gerações e adaptados às condições ecológicas locais. Essas
comunidades desempenham um papel crucial na proteção da natureza
e na manutenção da diversidade biológica.

• Reserva Extrativista (RESEX): habitadas por populações locais que


dependem do extrativismo para sua subsistência, complementado pela
agricultura de subsistência e criação de pequenos animais, essas áreas
têm como principais objetivos proteger o modo de vida e a cultura dessas
populações, além de garantir o uso sustentável dos recursos naturais
presentes na região.

• Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN): sob propriedade


particular, com caráter perpétuo, visando à conservação da diversidade
biológica.

14 15
ZONAS DE AMORTECIMENTO (ZA) restrição e o dever de todas UCs, com geram impactos para a UC ou sua empreendimentos de significativo
exceção de RPPNs e APAs, terem zonas ZA estabelecida, a legislação federal impacto ambiental que afetem as UCs ou
As zonas de amortecimento, definidas de amortecimento, conforme o art. 25º estabelece que a concessão da licença suas respectivas ZAs.
no art. 2º da Lei Federal nº 9.985/2000, da Lei Federal 9.985/2000. ambiental somente será possível
desempenham um papel crucial na mediante a prévia autorização do órgão Fica disposto nesta resolução que
proteção e preservação das unidades Tratando-se dos usos, dentro dessas responsável por sua administração, nos casos em que a ZA não esteja
de conservação no Brasil, regidas áreas, as atividades econômicas podem bem como a unidade afetada deverá estabelecida no Plano de Manejo da UC,
pelo Sistema Nacional de Unidades de ser restritas ou regulamentadas para obrigatoriamente ser uma das com exceção das RPPNs e APAs, estipula-
Conservação (SNUC). garantir a integridade das unidades de beneficiárias da compensação ambiental. se uma faixa de 3 km, a partir do limite
conservação. Isso inclui limitações para da UC, como limite para a instalação
Estas áreas adjacentes às Unidades a exploração de recursos naturais, como Outro aspecto legal que abrange o de empreendimentos, decorrentes do
de Conservação, funcionam como uma a extração de petróleo e gás, a mineração entorno das UCs é a resolução CONAMA licenciamento ambiental.
zona de transição entre a área protegida e outros, que podem comprometer nº 428/2010 (alterada pela resolução
e outras áreas, sendo fundamentais seriamente a integridade das UCs. CONAMA nº 473/2015). Essa resolução
para minimizar impactos externos e regulamenta os procedimentos
oferecer suporte às funções ecológicas Projetos de petróleo, em particular, do licenciamento ambiental de
das unidades, bem como para proteger podem ser submetidos a rigorosas
os ecossistemas e a biodiversidade que análises de impacto ambiental e podem Figura 6 - Coral (Mussismilia
residem dentro delas. ser condicionados a medidas de mitigação harttii). Abrolhos foi a primeira UC Fonte: Enrico Marone
e compensação para minimizar seu marinha a ser criada no Brasil.
As zonas de amortecimento atuam impacto nas unidades de conservação e
como um cinturão de transição entre suas zonas de amortecimento.
as atividades humanas e as áreas de
preservação, por exemplo, no caso A Lei Federal nº 9.985/2000, implementa
de florestas estas servem como uma ao SNUC no inciso XVIII do artigo 2º a
barreira para atenuar o efeito de borda definição de Zonas de Amortecimento
na UC propriamente dita. Em suma, como:
essas áreas são fundamentais para “o entorno de uma UC, onde as atividade
aliviar as tensões externas para com humanas estão sujeitas a normas e
a UCs, ajudando a reduzir as ameaças restrições específicas, com o propósito
provenientes de atividades com potencial de minimizar os impactos negativos
impacto ambiental como agricultura, sobre a unidade” (BRASIL, 2000).
pecuária e mineração.
Também nesta legislação o SNUC exclui
A legislação brasileira, conforme APAs e RPPNs da obrigatoriedade de
estabelecida pelo SNUC, prevê regras possuírem ZA, entretanto, para as demais
e regulamentações específicas para UCs, o Plano de Manejo da unidade deve
as zonas de amortecimento, visando abranger a ZA.
equilibrar a conservação com o
desenvolvimento sustentável. Destaca- Referente a instalações de
se dessas regras o uso com a devida empreendimentos cujas atividades

16 Fonte: Enrico Marone 17


Mapa 1 - Limite do Sistema
Costeiro-Marinho ÁREA PROTEGIDAS NO SISTEMA COSTEIRO zona costeira marinha, que utilizou
E MARINHO (SCM) como critério características físicas e
biológicas para sua definição, tais como
Compreende-se como Zona Costeira e geologia, geomorfologia e vegetação
Marinha a unidade territorial de transição (MMA). Os limites do Sistema Costeiro-
entre o ambiente terrestre e marinho. Marinho (SCM) são apresentados pelo
A definição legal de zona costeira IBGE no mapa 1.
brasileira está no Decreto Federal nº
5.300/2004, que em seu art. 3º define O sistema costeiro marinho, possui uma
que a faixa marítima está compreendida amplitude colossal, que vai desde a foz
até 12 milhas náuticas no oceano, já do rio Oiapoque (estado do Amapá) até
de forma subjetiva a área terrestre é o extremo sul do Rio Grande do Sul,
definida como a porção de continente especificamente na foz do rio Chuí. Tal
que é diretamente influenciada por amplitude confere ao sistema uma grande
fenômenos na zona marítima. No referido diversidade de ambientes (Gráfico 1), de
decreto, foi delegado ao IBGE definir clima, biomas (Amazônia, Mata Atlântica,
quais municípios estão englobados na Cerrado, Caatinga e Pampa), vegetação

Fonte: Elaborado a partir de MMA. Gráfico 1 - Composição de Ecossistemas do Sistema Costeiro.


Fonte: IBGE (2019).

18 19
e oceanográfica (MMA). Outras áreas de estar humano e erradicação da pobreza Outro aspecto importante das UCs (Ministério do Turismo, 2023). Ressalta-
extrema importância são os terrenos de (MMA, 2021). é a sustentabilidade dos recursos se que além do grande aporte financeiro
marinha, que compreendem a uma faixa pesqueiros. As unidades de conservação advindo do turismo, a Fundação Grupo
de 33 metros a partir da influência das Portanto, as unidades de conservação podem atuar como áreas de refúgio para Boticário e Conexão Oceano (pg. 9-11)
marés, sendo assim ao longo da costa os (UCs) na região costeira e marinha espécies marinhas, permitindo que as estimam que a proteção da zona costeira
terrenos de marinha consequentemente desempenham um papel fundamental na populações de peixes se recuperem e (em relação aos corais) na região
se sobrepõem às áreas do sistema preservação da biodiversidade, no manejo mantenham a sustentabilidade da pesca. nordeste é equivalente a US$ 31 bilhões
marinho costeiro, tais como praias, sustentável dos recursos naturais e na Isso é fundamental para as comunidades ou 161 bilhões de reais, levando em
mangues e outros. Atualmente, uma proteção de ecossistemas sensíveis. costeiras que dependem da pesca como consideração os aspectos de proteção
parcela considerável dessas áreas está Essas áreas protegidas são essenciais meio de subsistência. das infraestruturas urbana e o turismo
sendo ameaçada pela PEC 03/2022, que para a manutenção dos serviços nos corais.
pretende ceder em casos específicos, por ecossistêmicos, como a proteção contra Além disso, as áreas protegidas atraem
cessão onerosa, os terrenos de marinha a erosão costeira, a regulação do clima, turistas, promovendo o ecoturismo e As UCs também servem como laboratórios
para interessados em desenvolver a manutenção das cadeias alimentares gerando renda para as comunidades naturais para pesquisas científicas e
atividades neste locais. marinhas e a proteção de habitats locais. A beleza cênica e a biodiversidade como espaços para a educação ambiental,
críticos para espécies ameaçadas, além das UCs são grandes atrativos para promovendo a conscientização sobre
Sabendo da grande diversidade dos de ser uma fonte de renda e fornecer visitantes de todo o mundo (Mora & Sale, a importância da conservação. No
ambientes, as Unidades de Conservação alimentos para a sociedade (no caso das 2011). Cita-se como exemplo a Ilha do entanto, essas áreas enfrentam diversos
do sistema costeiro marinho possuem UCs de uso sustentável). Mel localizada no estado do Paraná e o desafios que comprometem sua eficácia
suas particularidades. Devido às Parque Nacional Marinho de Fernando e sustentabilidade, até mesmo de se
especificidades das unidades de A preservação da biodiversidade é uma de Noronha. Destaca-se que o setor de conhecer a verdadeira magnitude da
conservação em terra e mar, o Programa das principais funções das UCs costeiras turismo possui um importante papel biodiversidade inserida nas UCs, de
de Trabalho de Áreas Protegidas da e marinhas. Essas áreas abrigam uma na economia brasileira, projeta-se a 8 acordo com Oliveira et al. (2017) as
Convenção de Diversidade Biológica grande diversidade de espécies, muitas milhões de empregos e a 7,8% do PIB informações sobre o que de fato as UCs
(que corresponde a um tratado da das quais são endêmicas ou estão
Organização das Nações Unidas ameaçadas de extinção. A proteção Mapa 2 - Parque Estadual da Fonte: Neotropical Biology and Conservation
estabelecida na ECO-92) e da Agenda 2030 dessas áreas garante a sobrevivência Costa do Sol no Centro de
para o Desenvolvimento Sustentável, dessas espécies e a manutenção da Diversidade Vegetal de Cabo
estabeleceu metas específicas para diversidade genética. Além disso, os Frio, Rio de Janeiro, Brasil.
unidades conservação em terra e mar ecossistemas marinhos e costeiros
(MMA, 2020; MMA, 2021). Tais metas fornecem serviços vitais, como a
foram oficialmente incorporadas no produção de alimentos, a regulação do
Decreto Federal nº 5.758/2006 (BRASIL, clima e a proteção contra desastres
2006). As metas foram definidas no naturais. As UCs ajudam a preservar
Plano Estratégico de Biodiversidade esses serviços, que são essenciais para
que ocorreu entre 2011 a 2020, tendo o bem-estar humano, além de contribuir
como intuito desenvolver medidas diretamente para a minimização dos
eficazes e urgentes para frear a perda efeitos das mudanças climáticas, com o
de diversidade e que os ecossistemas armazenamento e sequestro de milhões
continuassem a fornecer seus serviços de toneladas de carbono (Halpern et al.,
para a sociedade, buscando contribuir 2008; Duncanson, et al., 2023).
para a diversidade de espécies, bem-

20 21
6 | Resultados gerais
brasileiras possuem ainda são escassas, impactados e as ameaças podem ser
a exemplo 71% das UCs brasileira fortemente amplificadas pela exploração
possuem menos de 0,01 registro por m2. de óleo e gás na costa brasileira,

da análise
como por exemplo, Nunes et al. (2023)
A pressão antrópica é uma das maiores avaliaram que ao menos 81 áreas
ameaças às UCs. A expansão urbana, marinhas protegidas foram impactadas
o turismo descontrolado, a pesca diretamente e indiretamente pelo maior
predatória e a poluição são fatores que vazamento de óleo em extensão ocorrido Os dados sobre a interseção entre as
podem levar à degradação de habitats na região Sul do oceano Atlântico; os Unidades de Conservação (UCs), Zonas
críticos e à perda de biodiversidade. impactos afetam desde o meio biótico até de Amortecimento (ZAs) e as áreas de
Além disso, as mudanças climáticas o socioeconômico. exploração e produção de petróleo e Mapa 3 - Áreas de E&P
representam uma ameaça significativa, gás revelam que 37 UCs estão direta de petróleo e gás natural
afetando diretamente os ecossistemas Particularmente para as Unidades ou indiretamente sobrepostas a essas sobrepostas a Áreas
marinhos e costeiros. O aumento do de Conservação (UC) e Zonas de atividades (Mapa 3) Protegidas
nível do mar, a acidificação dos oceanos Amortecimento (ZA) de Unidades de
e o aquecimento global podem alterar a Conservação, foram selecionadas e
distribuição das espécies e a saúde dos avaliadas aquelas localizadas dentro dos
ecossistemas (Agardy, Notarbartolo di limites do Sistema Costeiro Marinho. Isso
Sciara & Christie, 2011). se deve ao objetivo do monitoramento, que
é destacar as áreas sensíveis e mapear
A falta de recursos financeiros e as intersecções dos projetos da indústria
humanos para uma gestão eficaz fóssil situados neste contexto. Assim, são
também é um desafio. Muitas UCs sofrem incluídas as regiões dos oceanos, mares
com a insuficiência de investimentos em e áreas marinhas próximas ao continente
monitoramento, fiscalização e manejo que estão sujeitas aos riscos associados
adaptativo. Além disso, existem conflitos a esses empreendimentos.
de interesses entre a conservação e o
uso econômico dos recursos naturais, Ao todo foram selecionadas 465 Unidades
como a pesca, a agricultura e o turismo, de Conservação (UCs) e 180 Zonas de
que podem entrar em conflito com os Amortecimento (ZAs) localizadas nos
objetivos de preservação das UCs. A limites do Sistema Costeiro Marinho para
falta de conscientização pública sobre a esta análise.
importância das unidades de conservação
também pode dificultar os esforços de
conservação. É essencial promover
a educação ambiental e engajar as
comunidades locais na proteção dessas
áreas.

Acrescenta-se que todos os benefícios


supracitados podem ser duramente
Fonte: Instituto Internacional Arayara (2024).

22 23
Entre as Unidades de Conservação 6 Parques, 4 Reservas Biológicas
afetadas, há 11 pertencentes ao grupo (REBIOs), 1 Reserva de Desenvolvimento
de manejo de proteção integral e 26 de Sustentável (RDS), 1 Reserva Ecológica
uso sustentável. As categorias dessas (RESEC), 2 Reservas Extrativistas
UCs são distribuídas da seguinte forma: (RESEXs) e 3 Reservas Particulares do
18 Áreas de Proteção Ambiental (APAs), Patrimônio Natural (RPPNs).
1 Área de Relevante Interesse Ecológico
(ARIE), 1 Floresta Nacional (FLONA),

7 | Resultados específicos
da análise na região Norte
Mesmo que não haja precisamente a de infraestrutura necessária para
sobreposição com blocos exploratórios, o transporte de petróleo e gás. O
Fonte: Instituto Internacional Arayara (2024). eventualmente algumas UCs na região Decreto Federal nº 11.959/2024, Decreto
Gráfico 2 - Sobreposição das áreas
de E&P de PeG às Áreas Protegidas Norte, podem estar ameaçadas pela Federal nº 11.958/2024, Decreto Federal
exploração de Petróleo e Gás. Uma nº 9.339/2018 e o Decreto Federal nº
grande preocupação com novas unidades 9.333/2018, apresentam ou uma faixa de
de conservação que estão sendo criadas exclusão das RESEXs ou de sua zona de
próximas às áreas com possibilidade amortecimento para que sejam possíveis
EM TODO O SISTEMA COSTEIRO E MARINHO, 167 BLOCOS EXPLORATÓRIOS OU CAMPOS
de exploração de hidrocarbonetos é as instalações de dutos de escoamento
DE PRODUÇÃO SE SOBREPÕEM ÀS UCS OU SUAS ZAS, DE ACORDO COM O GRÁFICO 2 a disposição legal para a exclusão de de hidrocarbonetos.
ESTÃO DISTRIBUÍDOS ENTRE AS SEGUINTES FASES E REGIMES: determinadas faixas para a implantação
Fonte: Enrico Marone

• 67 campos de produção;
• 51 blocos da Oferta Permanente de Concessão em estudo;
• 30 blocos da Oferta Permanente de Concessão em oferta;
• 16 blocos sob contrato;
• 3 blocos arrematados no 4° ciclo da Oferta Permanente de Concessão, em fase
de assinatura de contratos.

Figura 7 - Peixe recifal do Parque


Nacional Marinho Dos Abrolhos.

24 25
8 | Resultados específicos
da análise na região Nordeste
Na região Nordeste, foram observados em cada estado que estão em conflitos
os maiores números de intersecção com blocos ou campos exploratórios,
entre as camadas analisadas, com seguido por Bahia (5 UCs), Ceará (4
29 Unidades de Conservação (UCs) UCs), Maranhão (3 UCs), Rio Grande do
sobrepostas direta ou indiretamente Norte (3 UCs) e Pernambuco (1 UC), como
por 143 blocos exploratórios ou campos mostrado na Tabela 1.
de produção. Os estados mais afetado
pelas áreas de exploração de P&G, foram Tabela 1 - Sobreposições para blocos
Alagoas e Sergipe, totalizando 7 UCs e campos E&P de P&G às UCs e ZAs no
Nordeste
Fonte: Instituto Internacional Arayara (2024).

Figura 8 - Parque Nacional


dos Lençóis Maranhenses.

26 Fonte: ICMBio 27
10 | Resultados específicos
da análise na região Sul
9 | Resultados específicos
da análise na região Sudeste P or fim, a região Sul tem uma Zona
de Amortecimento (ZA) de Unidade
de Conservação afetada por um bloco
da oferta permanente de concessão.

A região Sudeste apresenta o segundo Sendo a UC Reserva Biológica Marinha


Figura 9 - Reserva
maior número de UCs afetadas, Biológica Marinha do do Arvoredo, localizada no município de
totalizando 7, que são sobrepostas por 31 Arvoredo Bombinhas-SC.
áreas de exploração e produção (E&P). O
estado do Espírito Santo foi o mais afetado, Fonte: ICMBio
totalizando 5 UCs sobrepostas, sendo 3
pertencentes ao grupo de proteção integral
e duas de uso sustentável. Já o estado de
São Paulo teve uma de proteção integral e
uma de uso sustentável (Tabela 2).

11 | Conclusão

A proximidade entre os projetos


de exploração e produção e as
áreas sensíveis ao longo do ambiente
A ambição da expansão petrolífera, com
um número alarmante de blocos em
estudo e oferta, conforme detalhado nas
marinho-costeiro no Brasil é evidente seções, configura uma grave ameaça
e alarmante. Devido à conectividade à integridade dos recifes de coral,
do oceano e dos ambientes costeiros, dos manguezais, da cadeia produtiva
essas áreas também estão expostas aos da pesca e da rica biodiversidade
riscos desses empreendimentos, como distribuída ao longo da zona costeira e
derramamentos de óleo. marinha brasileira, colocando em risco
Essa proximidade aumenta a ecossistemas vitais para o equilíbrio
vulnerabilidade das áreas não ambiental e o bem-estar de comunidades
Tabela 2 - Sobreposições para blocos e campos Fonte: Instituto Internacional Arayara (2024). sobrepostas e reforça a necessidade de inteiras.
E&P de P&G às UCs e ZAs no Sudeste. rigorosas medidas de proteção ambiental
para minimizar os impactos negativos. Nossas análises indicam que o setor

28 29
de petróleo e gás tem se expandido direta ou indiretamente sobrepostas a
para camadas das salvaguardas
socioambientais, em especial: (i) as
essas atividades. Identificamos que 167
blocos exploratórios se sobrepõem às 11 | Referências
áreas sensíveis para biodiversidade, (ii) UCs ou suas ZAs, sendo 81 desses ainda
áreas prioritárias para a conservação, em estudo ou oferta, indicando franca
(iii) áreas prioritárias para os ambientes expansão. Essa proximidade aumenta o Agardy, T., Notarbartolo di Sciara, G., & Christie, P. (2011). “Mind the gap: Addressing
coralíneos, (iv) áreas pesqueiras de risco de impactos ambientais adversos, the shortcomings of marine protected areas through large scale marine spatial
importância econômica e (v) unidades de como derramamentos de óleo, poluição, planning.” Marine Policy, 35(2), 226-232. DOI: 10.1016/[Link].2010.10.006.
conservação. degradação de habitats naturais,
distúrbios do ambiente marinho costeiro, BRASIL. (2000). Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art.
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO a mortalidade da biota marinha e entre 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de
outros. Portanto, a delimitação e a gestão Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Diário Oficial da
Ainda, vale destacar a relação observada adequada das zonas de amortecimento União.
entre unidades de conservação e projetos desempenham um papel fundamental
de petróleo em nossa análise. Essa camada na conciliação entre a conservação da BRASIL. Resolução nº 428, de 17 de dezembro de 2010. Dispõe, no âmbito do licenciamento
da salvaguardas socioambientais são de biodiversidade e o desenvolvimento ambiental, sobre a autorização do órgão responsável pela administração da Unidade
extrema importância, uma vez que essas econômico, garantindo que as unidades de Conservação (UC), de que trata o § 3º do artigo 36 da Lei nº 9.985, de 18 de julho
são as áreas que devem ser protegidas. de conservação e seus ecossistemas de 2000, bem como sobre a ciência do órgão responsável pela administração da UC
Os dados sobre a interseção entre as permaneçam protegidos a longo prazo. no caso de licenciamento ambiental de empreendimentos não sujeitos a EIA-RIMA
Unidades de Conservação e suas Zonas de e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 dez. 2010. Seção 1
Amortecimento revelam que 37 UCs estão
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30 31
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[Link] contato@[Link] @arayaraoficial

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