A filosofia política na Antiguidade, com foco na Grécia Antiga, surgiu como uma reflexão sobre a vida
política, o governo e a sociedade, buscando entender o melhor modo de organizar a convivência
humana. Filósofos como Platão e Aristóteles, por exemplo, exploraram diferentes formas de governo e
os fundamentos da justiça, influenciando o pensamento político ocidental.
A Filosofia Política na Grécia Antiga:
Contexto:
A Grécia Antiga, com suas cidades-estado independentes (pólis), oferecia um terreno fértil para a
discussão sobre diferentes formas de governo, como a aristocracia, a democracia, a monarquia, a
oligarquia e a tirania.
Pensadores:
Platão: Em "A República", propôs um governo ideal, liderado por filósofos, com uma sociedade dividida
em classes sociais e um sistema de educação para criar cidadãos virtuosos.
Aristóteles: Analisou diferentes tipos de governo e defendeu a busca pela "política justa" e pelo bem
comum, buscando a combinação de diferentes formas de governo para alcançar o governo mais
adequado a cada sociedade.
Temas Principais:
Justiça: A busca por uma sociedade justa, com base em princípios de igualdade, equidade e respeito às
leis.
Governo Ideal: A discussão sobre a melhor forma de governo, com foco na participação dos cidadãos, na
virtude dos governantes e na busca pelo bem comum.
Cidadania: O estudo do papel do cidadão na sociedade, seus direitos e deveres, e sua participação na
vida política.
Influência:
A filosofia política grega influenciou o desenvolvimento do pensamento político ocidental, com suas
ideias sobre governo, justiça e cidadania sendo debatidas e adaptadas ao longo da história.
A Filosofia Política na Antiguidade: Outras Culturas:
Além da Grécia Antiga, outras culturas da Antiguidade também desenvolveram reflexões políticas,
como:
Roma:
Desenvolveu um sistema jurídico complexo e um sistema de governo republicano que influenciou o
pensamento político ocidental.
Oriente Médio:
Civilizações como o Egito, a Mesopotâmia e a Pérsia desenvolveram formas de governo e sistemas de
organização social que também contribuíram para o desenvolvimento da filosofia política.
Importância da Filosofia Política na Antiguidade:
A filosofia política na Antiguidade foi fundamental para o desenvolvimento do pensamento político
ocidental, ao introduzir conceitos como justiça, governo ideal, cidadania e a importância da participação
política. Esses conceitos continuam a ser debatidos e adaptados ao longo da história, influenciando a
forma como as sociedades são organizadas e como as pessoas interagem na vida política.
PLATÃO (427 a.C.)
Arístocles, mais conhecido como Platão, nasceu em Antenas no seio de uma família aristocrática de
políticos reconhecidos, é tido como o pai da filosofia política e sem dúvida um dos maiores pensadores
do mundo ocidental. Tornou-se aluno de Sócrates (470 a.C.) e posteriormente fundou a Academia, uma
escola de filosofia, e escreveu mais de vinte diálogos.
Suas principais contribuições para filosofia foram A Teoria das Ideias, A Teoria da Reminiscência, a
Teoria das Três Partes da Alma e os Graus do Conhecimento. Essas são basicamente as principais
formulações teóricas que fazem parte do sistema epistemológico platônico.
Um dos seus mais famosos escritos é A República (politeia), que significa “organização da cidade” que
foi escrito em 373 a.C. divido em dez capítulos. Neste diálogo Platão reflete sobre como deveria ser
constituída uma cidade justa.
Dentre as várias ideias tratadas nessa obra, para a filosofia política é interessante destacar os livros VIII e
IX, onde Platão analisa as diversas formas de governo, por exemplo, a Aristocracia (areté) ou virtude; é o
governo dos mais virtuosos, dos melhores, mais adequados, mais capazes.
Timocracia que seria um governo baseado no conhecimento, na honra, no prestígio, no status social.
Oligarquia, um governo de poucos, tendo a riqueza como bem supremo (também conhecido como
plutocracia), em outras palavras, aqueles que possuem mais bens, os que são mais ricos deveriam
governar.
Democracia que também é entendida como demagogia, ou uma liberdade excessiva, feito para agradar
o povo com decisões que levam ao desgoverno e também tratou da tirania que ocorreria quando a
excessiva liberdade poderia fazer com que algum indivíduo ganancioso tomasse o governo legislasse
apenas em benefício próprio.
Para esse filósofo das formas de governos supracitadas a melhor é a aristocracia (porque imita a forma
do bem) e a pior é a tirania (que é injusto porque as pessoas não estão nos seus lugares adequados).
ARISTÓTELES (384 a.C.)
Filho do médico Nicômaco, Aristóteles foi aluno de Platão. Depois da morte de seu mestre, fundou a
escola de filosofia o Liceu, onde seus alunos se chamam peripatético (aqueles que aprendem enquanto
caminham). Aristóteles é também conhecido como o pai da biologia, da lógica, da pedagogia e de tantas
outras ciências. Aristóteles também foi professor de Alexandre o Grande (356 a 323 a.C.).
Sua reflexão política desenvolveu-se quando questionou os motivos para os seres humanos se
organizarem em comunidades. De acordo com o pensador, a necessidade de reprodução e proteção fez
com que surgissem os primeiros modelos de família. Com o tempo as famílias necessitaram se juntar,
surgiram então as Vilas, comunidades, cidades etc. Para esse filósofo, não bastava nascer na cidade ou
ser filho de um cidadão para ser um cidadão, para ser considerado assim o indivíduo deveria participar
da vida política da cidade.
Aristóteles fez uma divisão entre os diversos tipos de governos, por exemplo, Monarquia: um homem só
(busca de um bem comum) ou Tirania (busca de interesses próprios); Aristocracia: poucos homens
governando (um grupo de pessoas virtuosas) ou Oligarquia, poucos homens governam, mas em
benefício de seus próprios interesses. Politia ou Politéia: muitos homens governam visando sempre o
bem comum, onde cidadão se alteram no governo e a Democracia: a maioria da população participa da
política. Para ele existem os governos que buscam o bem da comunidade e aqueles que são
degenerados, que só buscam seus próprios interesses.
Temos, portanto, a divisão aristotélica de formas de governo:
Quando virtuosa
Quando corrompidas
Monarquia
Tirania
Aristocracia
Oligarquia
Politia
Democracia
Para Aristóteles a forma de governo ideal é a monarquia:
“A monarquia é, na nossa opinião, um dos melhores regimes. Contudo, é preciso examinar se é
preferível, para um país e para um povo que queiram ser bem governados, ter ou não um rei, se não há
um sistema mais interessante ou se a monarquia, sendo boa para uns, não seria má para outros. O
governo é o exercício do poder supremo do Estado. Este poder só poderia estar ou nas mãos de um só,
ou da minoria, ou da maioria das pessoas. Quando o monarca, a minoria ou a maioria não buscam, uns
aos outros, senão a felicidade geral, o governo é necessariamente justo. Mas, se ele visa ao interesse
particular do príncipe ou dos outros chefes, há um desvio. O interesse deve ser comum a todos ou, se
não o for, não são mais cidadãos. ” (ARISTÓTELES, 1998, p. 151).
Como se pode notar Aristóteles é realista, pois tem uma visão menos idealizada que a de Platão.
Defende que qualquer governo deveria pensar no bem comum, colocando os interesses particulares de
lado.
A filosofia política na Idade Média, caracterizada pela influência da Igreja Católica, concentrava-se nas
relações entre o poder temporal (governos) e o poder espiritual (igreja). Pensadores como Santo
Agostinho e São Tomás de Aquino exploraram conceitos como a existência de Deus, a fé e a razão, a
salvação e a justiça. A filosofia política medieval também se preocupava com a natureza do governo, a
justiça social e a relação entre o indivíduo e o Estado.
Principais Caractersticas:
Preocupação com as relações entre poder temporal e espiritual:
A filosofia política medieval lidava com a questão da relação entre o poder dos governantes e o poder da
Igreja, especialmente no contexto do feudalismo e da forte influência religiosa da época.
Influência da religião:
A fé cristã era um elemento central na filosofia política medieval, com pensadores como Santo
Agostinho e São Tomás de Aquino buscando integrar a razão e a fé na compreensão da política e da
sociedade.
Importância da lei natural:
A lei natural, que se refere aos princípios morais e de justiça inerentes à natureza humana, era um
conceito fundamental na filosofia política medieval, com pensadores como São Tomás de Aquino
buscando a lei natural como base para a justiça e a ordem social.
Busca pela justiça social:
A justiça social era uma preocupação central na filosofia política medieval, com pensadores como Santo
Agostinho e São Tomás de Aquino buscando formas de promover a justiça e a ordem social.
Análise do governo:
Os filósofos medievais também analisavam as diferentes formas de governo, como a monarquia, a
aristocracia e a democracia, buscando identificar as formas de governo mais justas e eficazes.
Principais Pensadores:
Santo Agostinho:
Defendeu a importância da fé e da razão na compreensão do mundo, e a necessidade de uma ordem
social baseada no amor e na justiça.
São Tomás de Aquino:
Conciliou a fé cristã com a filosofia aristotélica, defendendo a importância da lei natural e da razão na
política.
Outros pensadores:
A filosofia política medieval também incluiu outros pensadores que abordaram diferentes aspectos da
política e da sociedade, como a relação entre o indivíduo e o Estado, a natureza do poder político e a
importância da justiça social. Santo Agostinho (354-430 d.C.):
Influências:
Santo Agostinho, um dos principais pensadores da Patrística, desenvolveu uma filosofia política que
combinava elementos da filosofia grega (especialmente Platão) com a teologia cristã.
Ideias Principais:
A Cidade de Deus: Agostinho descreve a Cidade de Deus (a comunidade dos crentes) como oposta à
Cidade Humana (o estado, as instituições políticas), defendendo que o estado deve ser usado para o
bem comum, mas sempre sob a influência da fé.
A Natureza Humana: Agostinho acreditava que a natureza humana, afetada pelo pecado, necessitava da
graça divina para alcançar a justiça e a verdade.
A Autoridade Política: Segundo Agostinho, a autoridade política deve ser exercida com justiça, buscando
o bem-estar da sociedade e obedecendo às leis divinas.
São Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.):
Influências:
Santo Tomás, um dos principais pensadores da Escolástica, influenciado por Aristóteles e pela tradição
teológica, desenvolveu uma filosofia política que combinava a razão com a fé, procurando estabelecer
uma base teológica e filosófica para a governança.
Ideias Principais:
A Lei Natural: São Tomás propôs a ideia de uma lei natural, que se baseia na razão e na natureza
humana, e que deve ser a base para a criação das leis humanas.
O Bem Comum: Acreditava que o objetivo principal do governo era buscar o bem comum, garantindo a
justiça, a ordem e o desenvolvimento da sociedade.
A Natureza do Estado: Tomás defendia que o estado deve ter a função de organizar e proteger a
sociedade, mas também deve estar sujeito à lei divina e à justiça.
Outros Pensadores:
Outros Autores: A filosofia política da Idade Média também envolveu outros pensadores, como João de
Salisbury, Marsílio de Pádua e Guilherme de Ockham, que abordaram questões como a relação entre
Igreja e Estado, a origem do poder e a natureza da sociedade.
Importância da Filosofia Política Medieval:
Influência na Teologia:
A filosofia política medieval influenciou a teologia, ao tentar encontrar um equilíbrio entre a fé e a razão,
estabelecendo as bases para a compreensão da relação entre o homem, Deus e a sociedade.
Influência no Pensamento Político Ocidental:
As ideias de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, entre outros, continuaram a influenciar o
pensamento político ocidental por séculos, estabelecendo um diálogo entre a filosofia, a teologia e a
política.
A filosofia política da Idade Moderna foi marcada por uma mudança radical de abordagem em relação à
organização social e política, com um foco na razão, no individualismo e na ideia de contrato social.
Pensadores como Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau
revolucionaram a compreensão da política, questionando a legitimidade do poder monárquico e
defendendo a importância da liberdade e do governo popular.
Principais Características:
Racionalismo:
A razão passou a ser a principal ferramenta para entender a política e a sociedade, em contraste com a
tradição medieval, que enfatizava a fé e a tradição.
Individualismo:
A importância do indivíduo e seus direitos passou a ser reconhecida, em oposição ao foco na
coletividade e na hierarquia social.
Contrato Social:
A ideia de que a sociedade e o governo são o resultado de um contrato entre os indivíduos para garantir
seus direitos e a ordem social tornou-se central na filosofia política moderna.
Estado Moderno:
A formação e consolidação do Estado moderno, com suas características de soberania, territorialidade e
poder centralizado, foi um tema central da reflexão política.
Libertarismo:
A defesa da liberdade individual e da limitação do poder estatal, influenciada por filósofos como John
Locke, tornou-se um elemento importante do pensamento político moderno.
Principais Pensadores e suas Ideias:
Nicolau Maquiavel:
Considerado o pai da filosofia política moderna, Maquiavel analisou a política de forma pragmática e
realista, buscando a eficácia do poder e a estabilidade do Estado.
Thomas Hobbes:
Defendeu a necessidade de um poder absoluto para garantir a ordem social e evitar a guerra civil,
baseando-se na ideia de um estado de natureza conflituoso.
John Locke:
Contrapôs a Hobbes, defendendo a liberdade individual e a importância do governo limitado, com base
na ideia de direitos naturais e de um contrato social que protege esses direitos.
Jean-Jacques Rousseau:
Questionou a natureza da sociedade e a necessidade de um governo que represente a vontade geral,
defendendo a democracia direta e a importância da educação cívica.
Em resumo, a filosofia política da Idade Moderna representou uma mudança fundamental na forma
como se pensa a política, com a valorização da razão, do individualismo, do contrato social e da
liberdade, influenciando o desenvolvimento da democracia moderna e dos direitos humanos.
A filosofia política da idade contemporânea, também conhecida como filosofia política moderna, é
caracterizada pela profunda preocupação com questões políticas que perpassam as teorias dos filósofos
da época, como o nascimento do Estado Moderno. A filosofia moderna busca legitimar o Estado perante
os súditos, questionando suas bases e fundamentos.
Principais características e desenvolvimentos:
Estado e Soberania:
A filosofia moderna se concentra no desenvolvimento da ideia de Estado e na discussão sobre a
soberania, ou seja, o poder político supremo.
Contratos Sociais:
Filósofos como Hobbes, Locke e Rousseau desenvolvem teorias sobre contratos sociais, que visam
explicar a origem e legitimação do poder político.
Direitos Naturais:
A filosofia moderna defende a existência de direitos naturais, que são direitos inerentes ao ser humano,
independentemente do Estado.
Liberalismo:
O liberalismo surge como uma corrente política e filosófica que defende a liberdade individual, a
limitação do poder do Estado e a importância da propriedade privada.
Crítica ao Absolutismo:
A filosofia moderna critica o absolutismo e busca estabelecer sistemas políticos que garantam a
participação popular e a liberdade.
Desenvolvimento da Racionalidade:
A filosofia moderna busca utilizar a razão como ferramenta de emancipação intelectual e de
compreensão do mundo político.
Legitimidade do Poder:
A filosofia moderna questiona a legitimidade do poder e busca estabelecer critérios para que o poder
político seja considerado justo e legítimo.
Influência de Maquiavel:
Nicolau Maquiavel é considerado um dos fundadores da filosofia política moderna, com suas análises
sobre a natureza do poder e a importância da pragmática política.