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Páginas de A Vingança Dos Sith - Star Wars Vol. 3 - Pt2

O documento narra um momento entre Obi-Wan e Anakin, onde Anakin tem uma visão de uma batalha futura que pode mudar o curso da guerra. Conde Dookan, agora Darth Tyranus, observa a batalha e reflete sobre sua traição à Ordem Jedi, enquanto planeja manipular os eventos a seu favor. A narrativa explora a complexidade das emoções e motivações de Dookan, revelando sua visão distorcida sobre amizade e poder.

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Páginas de A Vingança Dos Sith - Star Wars Vol. 3 - Pt2

O documento narra um momento entre Obi-Wan e Anakin, onde Anakin tem uma visão de uma batalha futura que pode mudar o curso da guerra. Conde Dookan, agora Darth Tyranus, observa a batalha e reflete sobre sua traição à Ordem Jedi, enquanto planeja manipular os eventos a seu favor. A narrativa explora a complexidade das emoções e motivações de Dookan, revelando sua visão distorcida sobre amizade e poder.

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Esperando na escotilha aberta, Obi-Wan balançou a cabeça.

— Honestamente, a maneira como você fala com essa coisa...

Anakin começou a ir em sua direção.

— Cuidado, Mestre, você vai ofender os sentimentos dele… — Ele

parou no meio do caminho, um olhar curioso em seu rosto, como se ele

tentasse franzir o cenho e sorrir ao mesmo tempo.

— Anakin?

Ele não respondeu. Ele não conseguiu responder. Ele estava

olhando para uma imagem dentro de sua cabeça. Não é uma imagem. A

realidade.

Uma memória de algo que ainda não havia acontecido.

Ele viu o Conde Dookan de joelhos. Ele viu sabres de luz cruzados

sobre a garganta do Conde.

Nuvens saíram de seu coração: nuvens de Jabiim, de Aargonar, de

Kamino, e até mesmo do campo Tusken. Pela primeira vez em muitos

anos, ele se sentiu jovem: jovem que ele realmente era.

Jovem, e livre… e cheio de luz.

— Mestre… — sua voz parecia estar vindo de outra pessoa.

Alguém que não tinha visto o que ele tinha visto. Não tinha feito o que

ele tinha feito. — Mestre, aqui… e agora... você e eu…

— Sim?

Ele piscou.

— Eu acho que estamos prestes a ganhar a guerra.

Pela vasta semiesfera da parede de observação, florescia a batalha.

Sensores e algoritmos sofisticados comprimiam o combate que se

espalhava pela órbita da capital galáctica, que a uma visão a olho nu,

poderia ser bonito: cruzadores a centenas de quilômetros de distância,

trocando tiros quase na velocidade da luz, pareciam estar praticamente

casco a casco, unidos por cabos de fogo pulsante. Tiros de turbo lasers

se tornavam sutis hastes de luz que se estilhaçam em lascas prismáticas

contra os escudos, ou floresciam em mini supernovas que engoliam

naves por inteiro. Nuvens de caças, que mais lembravam nuvens de


mosquitos, começaram uma dança brilhante ao final da breve primavera

de Coruscant.

Com aquela imensa curvatura de carnificina filtrada pelo

computador, a única mobília era a cadeira solitária, centrada em uma

imensidão de piso vazio. Aquilo era chamado de A Cadeira do General,

assim como o apartamento no topo do cone espiralado da nave era

chamado de Os Aposentos do General.

Com suas costas voltadas para cadeira e para o homem acorrentado

a ela, mãos atadas por debaixo de sua capa de seda, tecida como uma

armadura, estava Conde Dookan.

Darth Lorde Tyranus, Lorde dos Sith.

Ele olhava para o trabalho de seu Mestre, e estava bom.

Melhor que bom. Aquilo era magnífico.

Mesmo com o ocasional tremor do deck abaixo de suas botas,

enquanto toda a nave tremia devido aos torpedos inimigos e tiros de

turbolaser, aquilo merecia aplausos.

Atrás dele, um comunicador começou a emitir um som, que

crepitou em uma voz eletrônica, mas ao mesmo tempo estranhamente

expressiva: como se um homem falasse por meio de um droide gerador

de voz eletro-sônico.

— Lorde Tyranus, Kenobi e Skywalker chegaram.

— Sim. — Dookan sentiu ambos pela Força. — Os dirija até mim.

— Meu lorde, eu tenho que expressar mais uma vez minhas

objeções…

Dookan se virou, de sua altura imponente ele encarava a imagem

holográfica azul do comandante da Mão Invisível.

— Suas objeções já foram notadas, General. Deixe os Jedi comigo.

— Mas dirigi-los até você também os envia direto para onde está o

próprio Chanceler! Por que ele permanece na nave? Ele deveria estar

escondido. Ele devia estar sendo guardado. Nós devíamos o ter

mandando para longe do sistema há horas!

— Isso pouco importa, — disse Conde Dookan. — Porque Lorde

Sidious os deseja; então se você deseja prestar reclamações, sinta-se

livre para resolvê-las com ele.

— Eu, ah, não acho que isso será necessário…


— Muito bem então. Dirija seus esforços para evitar as tropas de

apoio de embarcarem. Sem seus clones de estimação para lhes darem

cobertura, nenhum Jedi é um perigo para mim.

O deck tremeu de novo, mais intenso, seguido por uma súbita

mudança no vetor do campo gravitacional artificial, o que levaria um

homem mais fraco a tropeçar; com a Força para manter a dignidade e

sua postura sólida, o efeito em Dookan ficou restrito em apenas levantar

uma sobrancelha.

— E eu devo sugerir que você devote certa atenção para a proteção

dessa nave? Destruí-la comigo e com você a bordo talvez seja um certo

empecilho em nossos esforços na guerra, você não acha?

— Já está sendo feito, meu lorde. Meu lorde deseja observar o

progresso dos Jedi? Eu posso alimentar os monitores de segurança

nesse canal.

— Obrigado, General. Isso será bem-vindo.

— Gracioso como sempre, meu lorde. Grievous desligando.

Conde Dookan se permitiu dar um sorriso quase invisível. Sua

cortesia inviolável, a marca de um verdadeiro aristocrata, não tinha

esforço nenhum, mesmo assim, de algum jeito, parecia impressionar

qualquer multidão de plebeus. Assim como impressionava aqueles com

o intelecto de um plebeu, independente das conquistas e posição: como

por exemplo, o ciborgue repulsivo do Grievous.

Ele suspirou. Grievous tinha sua utilidade; ele não só era um

habilidoso comandante de campo, como também logo serviria de ótimo

bode expiatório, o qual levará a culpa de todas as atrocidades dessa

triste, porém necessária guerra. Alguém tinha que ser culpado e

Grievous era a criatura certa para o trabalho. E certamente não seria

Dookan.

Esse era, de fato, um dos objetivos da batalha cataclísmica lá fora.

Mas não o único.

A imagem escaneada em azul diante dele, agora se transformavam

em miniaturas de Kenobi e Skywalker, da mesma maneira que ele já

havia os visto tantas vezes antes: ombro a ombro, sabres de luz girando

enquanto, entusiasticamente, destruíam droide após droide após droide.

Sentindo como se estivessem ganhando, enquanto, na verdade, eles


estavam sendo levados exatamente para onde os Senhores dos Sith

queriam que eles fossem.

Eles eram crianças. Dookan balançou a cabeça.

Era quase fácil demais.

Assim é Dookan, Darth Tyranus, Conde de Serenno:

Uma vez um grande Mestre Jedi, agora um ainda mais grandioso

Lorde dos Sith. Dookan era como uma escuridão colossal transpondo a

galáxia. Nêmesis da corrupta República, auriflama dos princípios da

Confederação dos Sistemas Independentes, ele era a própria

personificação do choque e temor.

Ele era um dos mais respeitados e poderosos Jedi nos vinte cinco

mil anos de história da Ordem, mesmo assim, na idade dos setenta anos,

os princípios de Dookan não o permitiam mais servir à República, cujo

poder político estava à venda para quem fizesse a proposta mais alta. Ele

se despediu de seus amigos mais próximos no Conselho Jedi, Mace

Windu e o ancestral Mestre Yoda; ele se despediu da Ordem Jedi por si

só.

Ele é um dos Perdidos: os Jedi que renunciaram sua fidelidade à

Ordem e se aposentaram de seus compromissos com a Cavalaria Jedi,

em serviço de ideais ainda mais altos do que aqueles professados pela

Ordem. Os Vinte Perdidos, como eles vêm sendo chamados desde que

Dookan se juntou ao número, são lembrados com muita honra e lamento

entre os Jedi; suas imagens, esculpidas em bronze, estavam consagradas

nos arquivos do Templo.

Aquelas imagens de bronze serviam como melancólicos lembretes

de que alguns Jedi tinham necessidades que a Ordem não podia

satisfazer.

Dookan tinha se retirado para a residência de sua família, no

sistema planetário de Serenno. Assumindo seu título hereditário como

Conde, o que fez dele um dos seres mais ricos da galáxia. Entre a

corrupção endêmica daqueles sem titulação, sua imensa fortuna poderia

trazer uma aliança entre quaisquer Senadores; ele podia, talvez, ter

comprado todo o controle da própria República.


Mas um homem com uma linhagem daquelas, tantos princípios,

nunca poderia se rebaixar a ser o lorde da lata de lixo, chefe de uma

horda de sucateiros discutindo sobre as sobras, a República, para ele,

não passava disso.

Em vez disso, ele usou o grandioso poder da fortuna de sua família-

e o poder de sua integridade inquestionável- para começar a limpeza na

galáxia daquilo que eles chamavam de democracia.

Ele era o ícone do movimento dos Separatistas, sua cara pública.

Ele é para a Confederação dos Sistemas Independentes o que Palpatine

era para a República: um símbolo vivo de justiça para a causa.

Esta é a história pública.

Esta é a história em que até Dookan, em seus momentos de

fraqueza, quase acredita.

A verdade é mais complicada.

Dookan é... diferente.

Ele não se lembra ao certo de quando descobriu isso; talvez quando

ele era apenas um jovem Padawan, traído por outro aprendiz que disse

ser seu amigo. Lorian Nod havia dito isso na sua cara: “Você não sabe o

que é uma amizade”.

E ele não sabia.

Ele estava com raiva, certamente; furioso que sua reputação havia

sido colocada em risco. E ele tinha raiva de si mesmo, por seus erros de

julgamento: confiar em um aliado que era, na verdade, seu inimigo. A

parte mais perturbadora de toda a relação tinha sido que, mesmo depois

de entregá-lo para os Jedi, o outro garoto esperava participar na mentira,

em nome de sua “amizade”.

Tinha sido tudo tão absurdo que ele não sabia como reagir.

De fato, ele nunca teve total certeza do que os seres queriam dizer

quando falavam de amizade. Amor, ódio, alegria, raiva—mesmo quando

ele podia sentir a energia daquelas emoções nos outros, elas traduziam,

em sua percepção, para outros tipos de sentimentos.

Isso meio que fazia sentido.

Inveja ele entendia, possessividade: ele era feroz quando qualquer

um usurpava o que era legitimamente dele.

Intolerância, uma dificuldade do universo, e das vidas

indisciplinadas dos seus habitantes: isso era seu estado normal.


Desprezo era uma recreação: ele tinha um prazer considerável pelo

sofrimento do inimigo.

Orgulho é uma virtude em um aristocrata, e indignação seu

irrefutável direito: quando alguém tinha a audácia de impugnar sua

integridade, sua honra, ou seu lugar legítimo no topo da hierarquia

natural de autoridade.

E ultraje moral fazia perfeito sentido para ele: quando as relações

incorrigíveis e desleixadas dos seres recusavam a se conformar com a

bem óbvia estrutura de Como a Sociedade Deve Agir.

Ele era inteiramente incapaz de se importar com o que qualquer

criatura poderia sentir por ele. Ele só se interessava pelo o que a criatura

poderia fazer por ele. Ou para ele.

Muito possivelmente, ele era o que era porque os outros seres não

eram muito… interessantes.

Ou mesmo, em um certo sentido, inteiramente reais.

Para Dookan, outros seres eram, em sua maioria, simples rascunhos

esquemáticos que se dividiam em duas características essenciais. A

primeira categoria era os Ativos: seres que podiam ser usados para servir

a seus diversos interesses. Como – pela maior parte de sua vida, e de

alguma forma, até a atualidade – os Jedi, particularmente Mace Windu e

Mestre Yoda, ambos haviam considerado serem seus amigos por tanto

tempo que estavam cegos quanto à verdadeira natureza de suas

atividades. E claro, agora a Federação do Comércio, e o Clã do Banco

Intergaláctico, a União Tecnológica, a Aliança Corporativa, e os lordes

das armas de Genosis. E mesmo a plebe da galáxia, que existia de forma

ampla para prover audiência de tamanho suficiente para fazer justiça a

sua grandeza.

A outra categoria eram as Ameaças. Nesse segundo set, ele contava

todo ser vivo que não se encaixava na primeira categoria.

Não havia uma terceira categoria.

Algum dia talvez não haja nem mesmo uma segunda; ser

considerado uma ameaça para Conde Dookan era uma sentença de

morte. Uma sentença de morte que ele planejava cumprir, por exemplo,

com seus atuais aliados: os líderes da Federação do Comércio, do Clã do

Banco Intergaláctico, da União Tecnológica, da Aliança Corporativa e

da armada de Genosis.
A traição é o caminho dos Sith.

Conde Dookan observava com desgosto clínico enquanto as

imagens azuladas escaneadas de Kenobi e Skywalker engajavam em

uma falsa perseguição, seguidos por droides destroiers e pods

propulsores, que atiravam para cima para baixo, e até mesmo para os

lados.

— Será uma vergonha ser capturado por ele. — disse de forma

devagar, meditativa, como se estivesse falando apenas consigo mesmo.

A voz que o respondeu era tão familiar, que às vezes seus próprios

pensamentos falavam daquela forma, em vez de sua própria voz.

— Com uma vergonha você pode sobreviver, Lorde Tyranus. Além

do mais, ele é o maior Jedi que já viveu, não é? E nós não nos

certificamos de que toda a galáxia dividisse essa opinião?

— Exatamente, meu Mestre. Isso mesmo. — Novamente, Dookan

suspirou. Hoje ele sentiu cada hora de seus oitenta e três anos. — É...

cansativo bancar o vilão por tanto tempo, Mestre. Estou ansioso por um

cativeiro honroso.

Um cativeiro que lhe permitiria passar o resto da guerra com

conforto; um cativeiro que permitiria que ele renegasse suas lealdades

anteriores – quando ele convenientemente apareceria para finalmente

descobrir a verdadeira extensão dos crimes dos Separatistas contra a

civilização – e se vincular ao novo governo, com sua reputação de

integridade e idealismo totalmente intacta.

O novo governo...

Esta tinha sido a estrela do destino por muitos anos.

Um governo limpo, puro, direto: nenhum desses bagunçados

emaranhados a favor de uma escória ignorante de criaturas sub-humanas

que fizeram a República ser tão desprezada. O governo que ele serviria

seria a personificação de Autoridade.

Autoridade humana.

Não era acidental que os primeiros poderes da Confederação dos

Sistemas Independentes eram os Neimoidianos, Skakoanos, Quarrenos e

Aqualishes, Muunnos e Gossamos, Sy Myrthiam e Koorivar e


Genosiano. Ao final da guerra, os alienígenas seriam massacrados,

tirados todas as suas posses, seus sistemas e suas fortunas seriam

entregues nas mãos dos únicos seres que seriam confiáveis com elas.

Seres Humanos.

Dookan serviria ao Império do Homem.

E ele serviria como se apenas ele pudesse. Como ele nasceu para

fazer. Ele iria esmagar a Ordem Jedi para criar uma nova; não uma

desmantelada pelos corruptos, narcisistas, mesquinhos pequenos seres

que se chamavam de políticos, mas livre para trazer a verdadeira

autoridade e paz para a galáxia, que precisava terrivelmente.

Uma Ordem que não iria negociar. Não iria mediar.

Uma Ordem que iria impor.

Os sobreviventes da Ordem Jedi virariam o Exército Sith.

O Punho do Império.

E aquele Punho se tornaria um poder além dos sonhos mais

sombrios de qualquer Jedi. Os Jedi não eram os únicos utilizadores da

Força na galáxia; de Hapes até Haruun Kal, de Kiffu até Dathomir,

poderosos usuários da Força humanos, e quase não-humanos, há tempos

se recusavam a entregar suas crianças para uma vida longa ligada à

servidão da Ordem Jedi. Eles não recusariam o Exército Sith.

Eles não teriam escolha.

Dookan franziu o cenho ao olhar para a imagem do holograma.

Kenobi e Skywalker estavam passando por uma situação engraçada em

outro elevador, provavelmente Grievous estava se divertindo com os

controles, enquanto os infelizes droides de batalha os seguiam.

Realmente, aquilo era tudo tão…

Indigno.

— Eu posso sugerir, Mestre, que demos a Kenobi uma última

chance? O apoio de um Jedi e sua integridade seriam inestimáveis ao

estabelecer a legitimidade política do nosso Império.

— Ah, sim. Kenobi. — A voz de seu Mestre saiu como seda. —

Você está interessado em Kenobi há muito tempo, não está?

— Claro. Seu Mestre era meu Padawan; em certo sentido, ele é

quase meu neto…

— Ele é muito velho. Muito doutrinado. Irreversivelmente

envenenado por fábulas Jedi. Estabelecemos isso em Geonosis, não


estabelecemos? Em sua mente, ele serve à própria Força; a realidade não

é nada em face de tal convicção.

Dookan suspirou. Ele deveria, supôs, não ter dificuldade com isso,

já tendo ordenado a morte do Mestre Jedi uma vez.

— É verdade, eu suponho; como somos afortunados por nunca ter

trabalhado sob tais ilusões.

— Kenobi deve morrer. Hoje. E pelas suas mãos. Sua morte deve

ser o código chave para a última fechadura que irá selar Skywalker para

nós, para sempre.

Dookan entendeu: não apenas a morte de seu mentor derrubaria o

equilíbrio emocional já instável de Skywalker na mais escura das

encostas, mas também removeria o maior obstáculo para a conversão

bem-sucedida de Skywalker. Enquanto Kenobi estivesse vivo, Skywalker

nunca estaria seguro no campo dos Sith; A fé inabalável de Kenobi nos

valores dos Jedi manteria a venda nos olhos de Skywalker e os grilhões

dos Jedi no verdadeiro poder.

Ainda assim, Dookan tinha algumas reservas. Tudo isso aconteceu

rápido demais; Sidious havia pensado em todas as implicações dessa

operação?

— Mas devo perguntar, meu Mestre: Skywalker é realmente o

homem que queremos?

— Ele é poderoso. Potencialmente mais poderoso do que eu

mesmo.

— O que é, precisamente, — Dookan disse pensativo. — por que

seria melhor se eu o matasse, em vez disso.

— Você está tão certo de que pode?

— Por favor. Qual o uso de se ter poder desinstruído pela

disciplina? O garoto é muito perigoso tanto para si próprio, tanto para

seus inimigos. E aquele braço mecânico... — Os lábios de Dookan se

curvaram com nojo cultivado. — Revoltante.

— Então talvez, você devesse poupar o braço de verdade dele.

— Hmp. Um cavalheiro teria aprendido a lutar com uma mão. —

Dookan deu um aceno de desprezo. — Ele não é mais totalmente

humano. Com Grievous, o uso desses dispositivos bio-droides é quase

perdoável; ele já era uma criatura tão nojenta que suas partes mecânicas

são claramente uma melhoria. Mas uma mistura de androide e humano?


Terrível. As profundezas do mau gosto. Como devemos justificar a

associação com ele?

— Quão sortudo eu sou… — A seda na voz de seu Mestre suavizou

ainda mais. — por ter um aprendiz que sente que é apropriado me dar

um sermão.

Dookan levantou uma sobrancelha.

— Eu me precipitei, meu Mestre. — Ele disse com sua graça

costumeira. — Eu estou somente fazendo uma observação, não

discutindo. Nem um pouco.

— O braço de Skywalker o faz, para nosso propósito, ainda melhor.

É o símbolo permanente dos sacrifícios que ele fez em nome da paz e da

justiça. É a bandeira do heroísmo que nós vamos usar como publicidade

pelo resto da vida dele; ninguém iria olhar para ele e duvidar de sua

honra, sua coragem, sua integridade. Ele é perfeito. Perfeito. A única

questão que ainda permanece é se ele é capaz de transcender das

limitações artificiais que os Jedi doutrinaram. E isso, meu Lorde Conde,

é precisamente o que a operação de hoje está designada a descobrir.

Dookan não poderia discutir. Não quando o Lorde Sombrio

introduziu Dookan para os reinos de poder além das mais espetaculares

fantasias, mas Sidious também era um político manipulador, tão sutil

que consideravam que suas habilidades até mesmo encolhiam os poderes

do próprio Lado Sombrio. Era dito que onde a Força fechasse uma

rachadura, abria-se um porto de observação… e cada ponto de

observação que tivesse sequer trincado nos últimos treze anos, tinha

encontrado um Lorde Sombrio dos Sith já na beirada, espiando,

calculando qual seria a melhor maneira de entrar sorrateiramente.

Melhorar o plano de seu Mestre era quase impossível; sua própria

ideia de substituir Kenobi por Skywalker, ele tinha que admitir, era fruto

de sua certa sentimentalidade fora do lugar. Skywalker era quase

certamente, o homem para esse serviço.

Ele devia ser; Darth Sidious tinha passado um número considerável

de anos cuidando para que fosse.

Hoje era o teste que iria remover o quase.

Ele não tinha dúvidas de que Skywalker iria cair. Dookan entendia

que ele não era mais que um teste para Skywalker, no entanto, Sidious

nunca tinha falado tão diretamente, e Dookan estava certo de que ele
mesmo estava sendo testado também. O sucesso de hoje iria mostrar a

seu Mestre que ele era digno de usar o manto de Mestre ele próprio: até

o final eminente daquela batalha, ele já teria iniciado Skywalker nas

artes gloriosas do lado sombrio, como Sidious o havia ensinado.

Ele não pensou no fracasso. Por que ele deveria?

— Mas… perdoe-me mestre. Mas, com Kenobi caindo pela minha

lâmina, você está certo de que Skywalker aceitará minhas ordens? Você

deve admitir que a biografia dele oferece pouca confiança de que ele é

realmente capaz de obedecer.

— O poder de Skywalker traz com ele mais do que mera

obediência. Traz criatividade, e sorte; nós nunca devemos nos preocupar

com aquele tipo de instrução que Grievous, por exemplo, precisava.

Mesmo os cegos tolos do Conselho Jedi conseguiam enxergar o

suficiente para entender isso: até mesmo eles já não tentavam mais dizer

para ele como fazer, eles mal diziam para ele o que fazer. E ele achou

um jeito. Ele sempre achava.

Dookan concordou com a cabeça. Pela primeira vez desde que

Sideous tinha revelado a verdadeira sutileza de sua obra de arte, Dookan

se permitiu relaxar o suficiente para imaginar o desfecho.

Com sua heroica captura de Conde Dookan, Anakin Skywalker se

tornaria o herói máximo: o maior herói da história da República, talvez

da própria Ordem Jedi. A perda de seu amado parceiro vai adicionar o

tempero de tragédia exato para colocar um peso melancólico a todas as

suas palavras, e quando ele der suas entrevistas para o HoloNet,

denunciando a corrupção do Senado como um dos fatores da guerra, e

quando ele delicadamente… oh, tão delicadamente, sem mencionar

relutantemente, insinuar que a corrupção na Ordem Jedi prolongou a

guerra também.

Quando ele anunciar a criação de uma nova ordem de guerreiros

usuários da Força.

Ele será o perfeito general comandante do Exército Sith.

Dookan só poderia balançar sua cabeça em admiração. E pensar

que há apenas alguns dias os Jedi pareciam tão perto de descobrir a

operação, destruindo tudo em que ele e seu Mestre tinham trabalhado.

Mas ele nunca deveria ter temido isso. Seu Mestre nunca perdia. Ele

nunca iria perder. Ele era a definição de imbatível.


Como alguém poderia derrotar um inimigo que achava que era um

amigo?

E agora, com um único brilhante golpe, seu Mestre iria tornar a

Ordem Jedi uns contra os outros, como ouro boros devorando seus

próprios rabos.

Esse era o dia. A hora.

A morte de Obi-Wan Kenobi iria ser a morte da República.

Hoje seria o nascimento do Império.

— Tyranus? Você está bem?

— Eu estou… — Dookan percebeu que seus olhos estavam

marejados. — Sim, meu Mestre. Eu estou muito mais que bem. Hoje, o

clímax, o “grand finale”, a culminação de décadas de trabalho… eu me

encontro de certa forma, emocionado.

— Se recomponha, Tyranus. Kenobi e Skywalker estão quase na

porta. Faça sua performance, meu aprendiz, e a galáxia será sua.

Dookan ajeitou sua postura e pela primeira vez, olhou para seu

Mestre nos olhos.

Darth Sidious, O Lorde Sombrio dos Sith, sentado na Cadeira do

General, algemado nos punhos e nos tornozelos.

— Obrigado, Chanceler. — Dookan fez uma reverência.

Palpatine de Naboo, Supremo Chanceler da República, respondeu:

— Retire-se. Eles estão aqui.


3: o Caminho dos Sith

O CAMINHO DOS SITH

A porta do elevador turbo se abriu. Anakin se pressionou contra a

parede, diversas partes de droides cortados pelo sabre cercando seus pés.

Em frente estava o que parecia ser um lobby de elevadores comum: pálido,

descoberto, vazio.

Conseguimos. Finalmente.

Todo o corpo de Anakin zumbiu em sintonia com sua lâmina

quente azul.

— Anakin.

Obi-Wan ficou contra a parede oposta. Ele parecia calmo de uma

maneira que Anakin mal conseguia compreender. Ele encarou de maneira

significativa o sabre de luz na mão de Anakin.

— Anakin, resgate, — ele disse suavemente. — Sem confusão.

Anakin manteve a arma exatamente onde estava.

— E Dookan?

— Quando o Chanceler estiver seguro, — Obi-Wan disse com um

sorriso discreto. — Poderemos explodir a nave.

Os dedos mecânicos de Anakin apertaram até o punho de seu sabre

de luz ranger.

— Eu prefiro usar minhas mãos.

Obi-Wan escorregou cautelosamente pela porta do turbo-elevador.

Ninguém atirou nele. Ele acenou.

— Eu sei que isso é difícil, Anakin. Sei que isso é pessoal para

você em vários níveis. Precisa tomar muito cuidado para se atentar ao seu

treinamento, e não apenas seu treinamento de combate.

Calor subiu às bochechas de Anakin.

— Eu não... — sou mais seu padawan, rosnou em sua mente, mas

era a adrenalina falando; engoliu as palavras e disse em vez disso. —... irei
decepcioná-lo, Mestre. Nem ao Chanceler.

— Não tenho dúvidas disso. Apenas lembre-se que Dookan não é

um mero Jedi Sombrio como aquela mulher Ventress; ele é um Lorde Sith.

Essa armadilha está prestes a se fechar, e pode haver mais perigo aqui do

que o meramente físico.

— Sim. — Anakin deixou que sua lâmina encolhesse e passou à

frente de Obi-Wan, entrando no lobby de elevadores turbo. Baques

distantes ressoaram pela nave e o chão balançou como uma balsa em um

rio caudaloso; ele mal percebeu. — Eu só... foram tantas coisas... não só o

que ele fez aos Jedi, mas à galáxia...

— Anakin... — Obi-Wan começou um aviso.

— Não se preocupe. Não estou com raiva, não quero vingança. —

Ele ergueu o sabre de luz. — Estou apenas ansioso para terminar isto.

— Antecipação...

— É uma distração. Eu sei. E sei que a esperança é tão vazia quanto

o medo. — Anakin se permitiu sorrir, apenas um pouco. — E eu sei todas

as outras coisas que você está morrendo de vontade de me dizer agora.

A reverência de reconhecimento levemente triste de Obi-Wan era

tão afetuosa quanto um abraço.

— Suponho que em algum momento eu eventualmente terei que

parar de tentar treinar você.

O sorriso de Anakin se alargou em uma risada suave.

— Acho que essa é a primeira vez que você admite isso.

Eles pararam em frente aos Aposentos do General: um gigantesco

pedaço oval de iridiite opalescente ornamentada com ouro. Anakin

encarou seu quase-reflexo fantasmagórico enquanto alcançava o interior da

sala com a Força, e permitia que a Força alcançasse dentro de si.

— Estou pronto, Mestre.

— Eu sei que está.

Eles pararam por um momento, lado a lado.

Anakin não olhou para ele; encarou pela porta, através dela,

buscando em suas profundidades cintilantes por qualquer sinal de um

futuro impossível de ser previsto.

Ele não conseguia imaginar não estar em guerra.

— Anakin. — a voz de Obi-Wan se tornou suave, e sua mão era

calorosa sobre o braço de Anakin. — Eu não preferiria ter nenhum outro


Jedi ao meu lado neste momento. Nenhum outro homem.

— Eu... também não gostaria que fosse de outro jeito, Mestre.

— Eu acredito — disse seu outrora mestre, com um gentil e

humorístico olhar de espanto pelas palavras que saíam de sua boca. — Que

você deveria se acostumar a me chamar de Obi-Wan.

— Obi-Wan, — Anakin disse. — Vamos buscar o Chanceler.

— Sim. — Obi-Wan respondeu. — Vamos.

Dentro de um elevador, Dookan assistia imagens holográficas de

Kenobi e Skywalker cautelosamente descendo as escadas curvas na sacada

de entrada do andar principal dos Aposentos do General, se movendo

lentamente para se manterem preparados contra os movimentos do

cruzador. A nave estremeceu e pulou com múltiplas explosões de torpedo,

e as luzes apagaram novamente; iluminação era sempre a primeira a falhar

quando a energia era desviada do suporte de vida para o controle de danos.

— Meu senhor — no comunicador interno da nave, Grievous soava

ativamente preocupado — Os danos a esta nave estão se tornando severos.

Trinta por cento dos sistemas de armas automatizadas estão inoperantes, e

logo não poderemos mais saltar para o hiperespaço.

Dookan meneou criteriosamente para si mesmo, franzindo a testa

para os espectros azuis translúcidos se aproximando de Palpatine.

— Anuncie a retirada para toda a força de ataque, General, e

prepare a nave para saltar. Quando os Jedi estiverem mortos, me juntarei a

você na ponte.

— Como meu senhor desejar. Grievous desligando.

— Isso mesmo, sua criatura vil. — Dookan murmurou para o

comunicador desligado — Sem sorte, e sem tempo.

Ele jogou o comunicador para o lado e ignorou seu tinido. Não via

mais utilidade para aquilo. Que fosse destruído junto à Grievous, aqueles

seus guarda-costas repulsivos, e o resto do cruzador, assim que ele tivesse

sido capturado com segurança e levado para longe.

Ele acenou para os dois enormes super droides de batalha ao seu

lado. Um abriu a porta do elevador e eles marcharam para fora, girando

para se posicionarem um de cada lado.


Dookan endireitou sua capa reforçada e caminhou a passos largos

adentrando o lobby de elevadores meio escuro. Na pálida luz de

emergência, a porta para os Aposentos do General ainda ardia onde os

dois idiotas campônios haviam cortado com sabres de luz; abrir caminho

pelo buraco arriscaria queimar suas calças. Dookan suspirou e gesticulou,

e os destroços opalescentes da porta silenciosamente deslizaram para fora

de seu caminho.

Ele certamente não pretendia enfrentar dois Jedi com suas calças

pegando fogo.

Anakin deslizou ao longo do amontoado de cadeiras de um lado da

imensa mesa de reuniões que dominava o centro da sala principal dos

Aposentos do General; Obi-Wan o imitou do lado oposto. Luzes

silenciosas brilharam e queimaram, a única iluminação provinha de um

janelão curvo do outro lado da sala, uma tempestade de tiros de turbolaser

e explosões antiaéreas e as supernovas em miniatura que eram as mortes

de naves inteiras.

Uma sombra rígida se destacava contra a carnificina ao fundo: a

silhueta de uma cadeira alta.

Anakin chamou a atenção de Obi-Wan do outro lado da mesa e

sinalizou em direção à figura escura à frente. Obi-Wan respondeu com o

sinal de mão Jedi que significava aproximar-se com cautela, e adicionou o

sinal para esteja pronto para ação.

A boca de Anakin se contraiu. Como se ele precisasse dessa ordem.

Depois de todo o problema que tiveram com os turbo elevadores, qualquer

coisa poderia estar aqui em cima agora. O lugar poderia estar cheio de

droidekas, pelo que sabiam.

As luzes voltaram.

Anakin congelou.

A figura escura na cadeira — era o Chanceler Palpatine, era sim, e

não haviam droides à vista, e seu coração deveria ter pulado dentro do

peito, mas...

Palpatine parecia mal.


O Chanceler parecia estar além de velho, parecia idoso da forma

como Yoda era idoso: possuidor de uma idade incompreensível. E parecia

cansado, e com dor. E pior...

Anakin viu na face do Chanceler algo que nunca sonhara encontrar

ali, e isso espremeu o ar de seus pulmões e apagou as palavras em seu

cérebro.

Palpatine parecia aterrorizado.

Anakin não sabia o que dizer. Não conseguia imaginar o que dizer.

Tudo que conseguia imaginar era o que Grievous e Dookan deveriam ter

feito para colocar medo no rosto desse homem corajoso e bondoso...

E essa imaginação acendeu um chiado em seu sangue que apertou

sua face e recomeçou o baixo trovoar em seu ouvido: o trovão de Aargonar.

De Jabiim.

Trovão do acampamento Tusken.

Se Obi-Wan foi atingido por alguma angústia similar, era invisível.

Com sua costumeira cortesia grave, o Mestre Jedi inclinou a cabeça.

— Chanceler, — ele disse, um cumprimento calmo e respeitoso

como se tivessem se encontrado por acidente no Grande Pátio do Senado

Galáctico.

A única resposta de Palpatine foi um curto murmúrio.

— Anakin, atrás de você...!

Anakin não se virou. Ele não precisava. Não era apenas a claque

dos saltos de bota e o tinido dos magnapods atravessando o limite da

sacada de entrada; a Força se reuniu dentro e ao redor dele em um aperto

firme como os punhos de um homem sobressaltado.

Na Força, ele podia sentir o foco dos olhos de Palpatine: a fonte do

medo que escorria dele como vapor sobre um bloco de ar congelado. E

podia sentir a onda de poder ainda mais fria, mais do que o gelo na boca

de um mynock, que deslizava pela sala atrás dele como uma adaga de gelo

em suas costas.

Engraçado, ele pensou. Depois de Ventress, de alguma forma eu

sempre espero que o lado sombrio seja quente...

Algo se destrancou em seu peito. O trovão em seus ouvidos

dissolveu em uma fumaça escura que se enrolou na base de sua espinha. O

sabre de luz encontrou sua mão, e seus lábios descobriram seus dentes em

um sorriso que até um dragão krayt teria reconhecido.


Aquele problema na fala que ele estava tendo desapareceu.

— Isso, — ele murmurou para Palpatine, e para si mesmo. — Não

é um problema.

A voz que falou da sacada de entrada era um baixo sublinhado com

uma ressonância oleosa, como um cavernhorn de carvalho kriin.

A voz do Conde Dookan.

— General Kenobi. Anakin Skywalker. Cavalheiros... um termo

que uso em seu sentido menos preciso... vocês são meus prisioneiros.

Agora Anakin não tinha mais nenhum problema.

A sacada proporcionava um ângulo apropriado- bem acima dos

Jedi, vendo-os de cima- para Dookan realizar suas últimas avaliações e

começar a farsa.

Como toda verdadeira farsa, o desfecho próximo seguiria com a

lógica sem remorso de sua premissa ridícula: a de que Dookan poderia ser

superado por meros Jedi. Qualquer Jedi. Era uma pena que seu velho

amigo Mace não pôde juntar-se a eles hoje; não tinha dúvidas de que o

mestre nativo de Korun apreciaria o show que estava por vir.

Dookan sempre preferiu uma plateia educada.

Pelo menos Palpatine estava presente, algemado à cadeira do outro

lado da sala, a batalha espacial preenchendo o janelão atrás dele como se

sua silhueta marcante abrisse grandes asas de guerra. Mas Palpatine era

mais autor do que plateia.

Coisas definitivamente distintas.

Skywalker mostrou a Dookan apenas as costas, mas sua lâmina já

estava exposta, sua figura alta e magra congelada com antecipação: tão

imóvel que ele quase parecia tremer. Patético. É um insulto chamar este

garoto de Jedi.

Agora, Kenobi- ele era algo completamente diferente: um clássico

de sua espécie obsoleta. Ele simplesmente ficou olhando calmamente para

Dookan e para os super droides de batalha que o flanqueavam, mãos

abertas, totalmente relaxado, apenas uma expressão de leve interesse em

sua face.
Dookan sentia uma certa satisfação melancólica – uma prazerosa

contemplação solitária de sua grandeza não reconhecida – pela breve

reflexão de que Skywalker jamais entenderia quanto pensamento e

planejamento, quanto trabalho, Lorde Sidious havia investido em

orquestrar precipitadamente sua falsa vitória. Tampouco entenderia a arte,

a verdadeira maestria que Dookan usaria em sua própria derrota.

Mas assim era a vida. Sacrifícios deveriam ser feitos, pelo bem

maior.

Afinal, havia uma guerra acontecendo.

Ele convocou a Força, reunindo-a para si e envolvendo-se nela. Ele

tomou fôlego e a manteve girando dentro de seu coração, apertando até

poder sentir a rotação da galáxia ao seu redor.

Até ele se tornar o eixo do Universo.

Esse era o verdadeiro poder do lado sombrio, o poder do qual havia

suspeitado desde que era menino, que havia buscado ao longo de sua vida

até que Darth Sidious mostrasse que o poder estava dentro dele esse tempo

todo. O lado sombrio não o levava ao centro do universo. Transformava-o

no centro do universo.

Ele atraiu poder ao seu mais ínfimo de seu ser, até que a Força

existisse apenas para servi-lo.

Agora a cena abaixo se alterou levemente, embora não houvesse

mudança ao olho físico. Empoderado pelo lado sombrio, a percepção de

Dookan tomou medida daqueles abaixo dele com precisão emocionante.

Kenobi era luminoso, um ser transparente, uma janela para uma

campina ensolarada da Força.

Skywalker era uma nuvem de tempestade, tremeluzindo com

relâmpagos perigosos, construindo a rotação que ameaça um tornado.

E então havia Palpatine, é claro: ele estava além do poder. Ele não

mostrava nada do que poderia ser por dentro. Embora fosse visto através

dos olhos do próprio lado sombrio, Palpatine era um horizonte de eventos.

Abaixo de sua superfície completamente comum, havia um perfeito e

absoluto nada. Escuridão além da escuridão.

Um buraco negro da Força.

E ele interpretou seu papel de refém indefeso com perfeição.

— Chamem ajuda! — o meio sussurro rouco beirando o pânico

pareceu real até mesmo para Dookan. — Precisam chamar ajuda. Nenhum
de vocês é páreo para um lorde Sith!

Anakin se virou, encontrando o olhar direto de Dookan pela

primeira vez desde o hangar abandonado em Geonosis. Sua resposta foi

claramente direcionada tanto a Dookan quanto a Palpatine.

— Diga isso ao Sith que Obi-Wan deixou em pedaços em Naboo.

Hm. Provocação vazia. Maul havia sido um animal. Um animal

habilidoso, mas ainda assim uma fera.

— Anakin... — através da Força, Dookan podia sentir a

desaprovação de Obi-Wan pela vanglória de Anakin; também podia sentir

como Obi-Wan se restringia sem esforço para se concentrar no problema

em questão. — Dessa vez, faremos isso juntos.

Os olhos afiados de Dookan perceberam a mão droide de Anakin

apertar com mais força o sabre de luz.

— Eu estava prestes a dizer exatamente isso.

Tudo bem, então. Hora de seguir em frente com esta pequena

comédia.

Dookan se inclinou para frente, sua capa revestida abrindo-se como

asas. Ele flutuou gentilmente pelo ar e desceu ao nível principal, usando a

Força para deslizar lenta e dignamente. Aterrissando na cabeceira da mesa

de reuniões, ele se dirigiu aos Jedi com uma sobrancelha levantada.

— Suas armas, por gentileza, cavalheiros. Não façamos disso uma

bagunça na frente do Chanceler.

Obi-Wan ergueu o sabre de luz na equilibrada guarda de duas mãos

de Ataro: o estilo de Qui-Gon, e de Yoda. Sua lâmina estalou ao surgir, e o

ar cheirava a relâmpago.

— Você não vai escapar de nós dessa vez, Dookan.

— Escapar? Por favor. — Dookan permitiu que seu leve sorriso

costumeiro se mostrasse. — Você acha que eu orquestrei toda essa

operação com a intenção de escapar? Eu poderia ter levado o Chanceler

para fora do sistema horas atrás. Mas tenho coisas melhores a fazer com

minha vida do que do que vigiá-lo enquanto espero sua tentativa de

resgate.

Skywalker aprontou o sabre de luz na postura Shien: a mão

metálica enluvada erguida próxima ao ombro, a lâmina apontando para

cima.

— Isso é um pouco mais do que uma tentativa.


— E um pouco menos do que um resgate.

Com um floreio, Dookan jogou sua capa por cima do ombro direito,

deixando livre o braço que manejava a espada, o qual usou para gesticular

ociosamente ao par de super droides de batalha que permaneciam na

sacada acima.

— Por favor, cavalheiros. Devo ordenar aos droides que abram

fogo? Tiros de blaster voando aleatoriamente sempre deixam uma bagunça.

Não representam perigo para nós três, é claro, mas eu certamente

detestaria que o Chanceler se machucasse.

Kenobi se moveu em direção a ele com uma graça lenta e hipnótica,

como se estivesse flutuando sobre uma placa repulsaria invisível.

— Porque é que eu acho difícil acreditar nisso?

Skywalker o imitou, aproximando-se de Dookan pelo lado.

— Você não pareceu se incomodar com derramamento de sangue

em Geonosis.

— Ah. — o sorriso de Dookan cresceu ainda mais. — E como está

a senadora Amidala?

— Não... — a tempestade que Skywalker era na Força ferveu com

poder repentino. — Nem mesmo diga o nome dela.

Dookan o ignorou. Os problemas pessoais do rapaz eram cansativos

demais para se acompanhar; ele já sabia até demais sobre a vida privada de

Skywalker.

— Não tenho más intenções contra o chanceler, garoto tolo. Ele não

é nem soldado nem espião, enquanto você e seu amigo são ambos. Não

passa de um infeliz acidente na história o fato de que ele tenha sido

escolhido para defender uma República corrupta contra meus esforços de

reforma-la.

— Você quer dizer destruí-la.

— O chanceler é um civil. Você e o general Kenobi, por outro lado,

são legítimos alvos militares. Depende de vocês se irão me acompanhar

como prisioneiros... — uma contração na Força trouxe o sabre de luz para

sua mão numa velocidade invisível, sua brilhante lâmina escarlate

apontando para baixo ao seu lado. — Ou como cadáveres.

— Ora, que coincidência. — Kenobi respondeu secamente

enquanto ia e vinha ao redor de Dookan para posicionar o conde

exatamente entre Skywalker e ele próprio. — Suas opções são as mesmas.


Dookan considerou um de cada vez com uma calma inexpugnável.

Levantou sua lâmina na postura Makashi e a abaixou novamente para uma

guarda baixa.

— Não assumam que têm alguma vantagem por haver dois de

vocês.

— Oh, nós sabemos. — disse Skywalker. — Porque há dois de

vocês.

Dookan mal conseguiu conter sua surpresa.

— Ou devo dizer que havia dois de vocês. — O jovem Jedi

continuou. — Sabemos sobre seu parceiro Sidious; nós o rastreamos por

toda a galáxia. Ele provavelmente está sob custódia dos Jedi nesse exato

momento.

— Está? — Dookan relaxou. Ele estava terrivelmente, terrivelmente

tentado a piscar para Palpatine, mas é claro que jamais faria isso. — Que

sorte a sua.

Bem simples, no fim das contas, ele pensou. Isolar Skywalker,

matar Kenobi. Depois disso, seria meramente uma questão de enfurecer

Skywalker o bastante para quebrar suas restrições Jedi e revelar perspectiva

infinita do poder Sith.

Lorde Sidious assumiria a partir daí.

— Renda-se. — a voz de Kenobi se tornou profunda com

finalidade. — Não terá outra chance.

Dookan levantou uma sobrancelha.

— A não ser que um de vocês esteja carregando Yoda no bolso,

penso que dificilmente precisarei.

A Força estalou entre eles e a nave chacoalhou e se desestabilizou

ao ser atingida por uma nova barragem de lasers turbo, e Dookan decidiu

que era chegada a hora. Ele lançou um falso olhar sob o ombro, uma

pequena distração para atrair o ataque...

E todos os três se moveram ao mesmo tempo.

A nave estremeceu e a fumaça vermelha se espalhou da espinha de

Anakin até seus braços e pernas e cabeça. Quando Dookan exibiu um leve

olhar de preocupação por cima do ombro, distraído por um meio segundo,

Anakin não conseguiu mais esperar.

Ele saltou, sabre de luz alinhado para matar.


Obi-Wan pulou do lado mais distante de Dookan em perfeita

coordenação... e os dois se encontraram no ar, pois o Lorde Sith já não

estava mais entre eles.

Anakin olhou para cima bem a tempo de ver o fundo da bota feita

de couro de rancor que Dookan usava quando ela o atingiu no rosto e o

deixou cambaleando em direção ao chão; ele usou a Força para se

endireitar sem esforço e aterrissar perfeitamente equilibrado para

novamente saltar em direção às chamas relampejantes, escarlate contra

azul-celeste, que surgiam no cruzar de sabres de luz conforme Dookan

afastava Obi-Wan numa sucessão de estocadas tecidas e florescentes que

desviavam a lâmina do Jedi quando ela tentava alcançar seu coração.

Anakin se lançou para a traseira de Dookan, e o Conde, meio

virado, gesticulou casualmente enquanto mantinha Obi-Wan sob controle

com um elegante aperto de uma mão só. Cadeiras pularam da mesa de

reuniões e rodopiaram em direção à cabeça de Anakin. Ele cortou a

primeira ao meio com desdém, mas a segunda pegou seus joelhos e a

terceira bateu em seu ombro e o derrubou.

Ele rosnou para si mesmo e usou a Força para puxar suas próprias

cadeiras... e então a própria mesa o atingiu e o empurrou em direção à

parede para esmagá-lo contra ela. O sabre de luz soltou-se de seus dedos

afrouxados e tiniu pela mesa até cair no chão do outro lado.

E Dookan mal parecia estar prestando atenção nele.

Preso, sem fôlego, meio atordoado, Anakin pensou: Se continuar

assim, eu vou me irritar.

Enquanto defletia sem esforço nenhum uma chuva de cortes

listrados de azul de Kenobi, Dookan sentiu a Força arremessando a mesa

para longe da parede e lançando-a violentamente em direção às suas costas

com velocidade surpreendente; ele quase não conseguiu pular alto o

bastante para girar por cima dela e evitar que sua coluna fosse esmagada.

— Ora, ora, — ele disse, rindo. — O garoto tem mesmo algum

poder, afinal.

Ao fim do giro ele caiu de pé em frente ao rapaz, que investia

precipitadamente, desarmado, logo atrás da mesa que havia jogado, já com

a face avermelhada.

— Eu sou o dobro do Jedi que eu era da última vez!


Ah, Dookan pensou. Um ego tão frágil. Sidious terá que ajudá-lo

quanto a isso. Mas até lá...

O punho da lâmina de Skywalker passou assobiando pelo ar até

encontrar sua mão em perfeita sincronia com um golpe em arco.

— Meus poderes duplicaram desde a última vez que nos

encontramos...

— Quão adorável para você. — Dookan desviou cuidadosamente,

golpeando a perna do garoto, mas a lâmina de Skywalker o cortou e ele

conseguiu trazê-la para trás de sua cabeça e impedir o golpe que Dookan

havia mirado na traseira de seu pescoço... mas sua investida desastrada o

colocou no caminho de Kenobi, então o mestre Jedi teve que saltar com a

Força por cima da cabeça de seu parceiro.

Diretamente na lâmina de Dookan, apontada para cima.

Kenobi golpeou a lâmina escarlate enquanto girava no ar e

novamente Dookan desviou, agora estando Kenobi no caminho de

Skywalker.

— Sinceramente, — Dookan disse. — Isso é patético.

Oh, mas eles certamente eram enérgicos, no entanto, pulando e

rodopiando, chovendo com golpes quase aleatórios, cortando cadeiras em

pedaços e as arremessando com a Força em todas as direções imagináveis,

enquanto Dookan continuou, com seu modo graciosamente metódico, a

desviar deles com tanta perfeição que era a única coisa que podia fazer

para se conter e não rir em voz alta.

Era uma simples questão de contrariar suas táticas, que eram

deprimentemente diretas; Skywalker era o veloz, sibilando aqui e lá como

um morcego-falcão sofrendo um espasmo- tentando uma variante Jedi do

jogo de bobinho para que pudessem atacá-lo dos dois lados- enquanto

Kenobi vinha com uma postura Shii-Cho calculada, cauteloso como um

droide lenhador, se movendo um passo de cada vez, cortando ângulos,

desajeitado, mas implacavelmente obstinado ao tentar forçar Dookan em

direção a um canto.

Ao passo que tudo que Dookan precisava fazer era deslizar de um

lado para o outro, e ocasionalmente saltar por cima de uma cabeça aqui e

ali, para poder lutar com um de cada vez ao invés de enfrentar os dois ao

mesmo tempo. Ele supôs que, se estivessem sem seu próprio ambiente,

poderiam se provar razoavelmente efetivos; estava claro que seu estilo fora
desenvolvido para lutar como uma equipe contra um grande número de

oponentes. Eles não estavam preparados para lutar juntos contra um único

usuário da Força, certamente não alguém poderoso como Dookan; ele, por

outro lado, sempre lutara sozinho. Era risivelmente fácil manter os Jedi

tropeçando e cambaleando e entrando na frente um do outro.

Eles nem mesmo compreendiam quão completamente ele dominava

o combate. Porque eles lutavam da forma como haviam sido treinados,

deixando para trás todo desejo e deixando que a Força fluísse através deles,

eles não tinham como contra-atacar a maestria das técnicas Sith de

Dookan. Não aprenderam nada desde que ele os derrotara em Geonosis.

Eles deixavam que a Força os direcionasse; Dookan direcionava a

Força.

Ele atraía seus ataques e os aparava, e direcionava suas réplicas

com impulsos do lado sombrio que sutilmente alteravam o equilíbrio dos

Jedi e atrapalhava sua sincronia. Ele poderia ter matado ambos tão

facilmente quanto aquela criatura, Maul, havia destruído os Vigos do Sol

Negro.

No entanto, havia apenas uma morte em seus planos, e essa

exibição de estupidez estava se tornando tediosa. E também cansativa. O

poder sombrio que o servia só iria até certo ponto, e ele não era um

homem jovem, afinal.

Ele se inclinou em um ataque dirigido ao estômago de Kenobi, que

o mestre Jedi defletiu com um bloqueio para cima, trazendo-os peito a

peito, lâminas cintilando, travadas juntas a um palmo das gargantas um do

outro.

— Seus movimentos são lentos demais, Kenobi. Previsíveis demais.

Terá que fazer melhor do que isso.

A resposta de Kenobi às palavras amigáveis foi olhar para ele com

um brilho de diversão gentil nos olhos.

— Muito bem, então. — o Jedi disse, e se lançou por cima da

cabeça de Dookan tão rápido que parecia ter desaparecido.

E no espaço onde o peito de Kenobi estivera havia agora apenas o

relâmpago azul da lâmina de Skywalker avançando diretamente ao coração

de Dookan.

Apenas um movimento de giro para o lado fez com o que seria um

buraco fumegante em seu peito se tornasse uma linha queimada através de


sua capa revestida.

Dookan pensou, O que?

Ele se jogou rodopiando para cima e para longe dos dois Jedi,

pousando na mesa de reuniões, deixando-os de lado por um instante para

recuperar sua compostura- eles estavam perto até demais- mas quando suas

botas tocaram a mesa, Kenobi estava lá para recebê-lo, tecendo a lâmina

numa velocidade defensiva tão desconcertantemente rápida que Dookan

nem sequer ousou tentar um ataque; ele fingiu um ataque na direção do

rosto de Kenobi, então se abaixou e girou numa rasteira...

Mas Kenobi não apenas pulou facilmente sobre seu ataque, como

Dookan também quase perdeu seu próprio pé para um golpe de Skywalker

que mais uma vez surgiu do nada e agora cortava pela mesa, fazendo-a

ceder com o peso de Dookan e abruptamente derrubando o Lorde Sith no

chão.

Isso não fazia parte do plano.

O golpe seguinte de Skywalker foi tão forte que o choque de se

defender lesionou os cotovelos de Dookan. O Lorde Sith se jogou rolando

para trás, ficando de pé- e a lâmina de Kenobi estava lá para encontrar seu

pescoço. Apenas um golpe-bloqueio giratório em um turbilhão

desesperado, combinado com um chute rodado que atingiu Kenobi na

coxa, ganhou para ele tempo o bastante para saltar para longe de novo, e

quando pousou...

Skywalker já estava lá.

O primeiro golpe direto da lâmina de Skywalker abaixou a guarda

instintiva de Dookan. O segundo dobrou o punho de Dookan. O terceiro

clarão azulado forçou a lâmina escarlate de Dookan para dentro a ponto de

queimar seu ombro com o próprio sabre de Luz, e Dookan foi forçado a

ceder território.

Dookan sentiu-se empalidecendo. De onde veio isso?

Skywalker veio, mecanicamente inexorável, impossivelmente

poderoso, um droide destroier com um sabre de luz: um golpe a cada passo

e um passo a cada golpe. Dookan recuou tão rápido quanto pôde;

Skywalker o acompanhou. A respiração de Dookan era curta e difícil. Ele

já não tentava mais bloquear os ataques de Skywalker, apenas guiá-los

para longe; ele não podia competir com Skywalker por força- o garoto não
apenas possuía reservas enormes de energia da Força, como seu poder

físico também era impressionante...

E só então Dookan percebeu que havia sido enganado.

A postura Shien pronta de Skywalker havia sido um engodo, assim

como suas acrobacias de Ataro; o estilo do rapaz era Djem So, e era um

dos melhores que Dookan já vira. Seu próprio elegante Makashi

simplesmente não gerava energia cinética o bastante para combater Djem

So cara a cara. Especialmente quando também precisa se defender de um

segundo atacante.

Era hora de alterar suas próprias táticas.

Ele se abaixou e girou em outra rasteira- a fraqueza do Djem So era

sua falta de mobilidade- que atingiu a bota de Skywalker bruscamente o

bastante para desequilibrar o jovem Jedi, dando a Dookan a oportunidade

de saltar para longe...

Apenas para encontrar-se novamente encarando a roda de

relâmpago azul que era a lâmina de Kenobi.

Dookan decidiu que a encenação havia acabado.

Agora era hora de matar.

O mestre de Obi-Wan havia sido Qui-Gon Jinn, o padawan do

próprio Dookan. Ele havia duelado com Qui-Gon inúmeras vezes, e

conhecia cada fraqueza da postura Ataro, com suas acrobacias ridículas.

Ele dirigiu uma série de ataques rápidos contra as pernas de Kenobi para

levar o mestre Jedi a pular por cima de sua cabeça para que Dookan

pudesse queimar sua espinha desde os rins até as omoplatas- e essa

imagem, esse plano, estava tão claro na mente de Dookan que ele quase

não percebeu Kenobi encontrando cada um de seus golpes sem sequer

mover seus pés, permanecendo perfeitamente centrado, perfeitamente

equilibrado, a lâmina jamais se movendo um milímetro além do

necessário, defletindo sem esforço, revidando com ataques cintilantes e

punhaladas mais suaves do que a língua de uma víbora fantasma garoliana,

e quando Dookan sentiu Skywalker se levantar e avançar mais uma vez

atrás de si, ele finalmente compreendeu de onde viera aquela cegante

velocidade defensiva que Kenobi usara um momento antes, e apenas então,

já tardio, ele percebeu que o Ataro e Shii-Cho de Kenobi também foram

enganações.

Kenobi havia se tornado um mestre do Serasu.


Dookan se encontrou tendo um súbito, inesperado, opressor e

completamente angustiante, mau pressentimento sobre isso...

Sua farsa havia subitamente, inexplicavelmente, mudado de

engraçada para mortalmente séria e estava prestes a se tornar assustadora.

A percepção de que os dois Jedi idiotas de alguma forma se tornaram

completamente perigosos cruzou a consciência de Dookan como as bolas

de fogo florescentes das naves perecendo do lado de fora.

Esses palhaços poderiam- apenas possivelmente- realmente

derrotá-lo.

Não fazia sentido se arriscar; até mesmo seu mestre concordaria

com isso. Seria mais fácil para Lorde Sidious criar um novo plano do que

um novo aprendiz.

Ele reuniu a Força uma vez mais em uma única inspiração que

invocou poder de todo o universo; a menor chicotada desse poder, tão

negligente quanto um agito de seu punho, mandou Kenobi voando para

trás para bater forte contra a parede, mas Dookan não teve tempo de

aproveitar.

Skywalker estava sobre ele.

O sabre de luz azul brilhante rodopiou e cuspiu e cada corte por

cima atingiu a defesa de Dookan com a força imparável da queda de um

meteoro; o Lorde Sith gastou generosamente suas reservas da Força apenas

para ir de encontro aos ataques sem ser cortado ao meio, e Skywalker...

Skywalker estava ficando mais forte.

Cada esquiva custava mais poder de Dookan do que ele havia usado

para arremessar Kenobi pela sala; cada bloqueio o envelhecia uma década.

Ele decidiu revisar sua estratégia mais uma vez.

Ele já nem mesmo tentava contra-atacar. A exaustão da Força

começou a fechar suas percepções, trazendo sua consciência de volta para

sua forma física, deixando-o preso em seu próprio crânio, até que ele mal

podia sentir os contornos da sala ao redor de si; ele sentia de forma turva

as escadas atrás dele, escadas que levavam à sacada da entrada. Ele recuou

por elas, usando o terreno mais alto como vantagem, mas Skywalker

continuava avançando, incansavelmente feroz.

Aquela lâmina azul estava em todo lugar, brilhando e girando cada

vez mais rápido até Dookan enxergar a sala por uma neblina de

eletricidade, e agora Kenobi estava de volta: com um grito da Força, ele


subiu as escadas como um torpedo atrás de Skywalker, e Dookan decidiu

que sob circunstâncias tão extremas, era permissível que um cavalheiro

trapaceasse.

— Guardas! — ele chamou o par de super droides de batalha que

estavam atentos de cada lado da entrada — Atirem.

Instantaneamente os dois droides avançaram e levantaram suas

mãos. Energia saiu dos blasters pesados acoplados a seus braços;

Skywalker rodopiou e sua lâmina refletiu cada tiro de voltar aos droides,

cuja carapaça polida como um espelho defletiu os raios novamente. Feixes

de partículas galvenadas chiaram pela sala em ricochetes cegantes.

Kenobi chegou ao topo das escadas e um único golpe de seu sabre

de luz desmontou ambos os droides. Antes que seus pedaços pudessem

sequer chegar ao chão, Dookan já estava em movimento, pousando com

um golpe giratório que dobrou Skywalker ao meio; ele usou seu último

impulso de poder sombrio para continuar o giro em um chute rodado

ofuscantemente rápido que trouxe seu calcanhar de encontro ao queixo de

Kenobi com um crack semelhante ao coice de uma grande arma de

projétil, enviando o Jedi a descer novamente as escadas. Parecia ter

quebrado seu pescoço.

Isso não seria adorável?

Não fazia sentido se arriscar, de qualquer forma.

Enquanto o corpo de Kenobi continuava caindo em direção ao chão

abaixo, Dookan enviou um surto de energia através da Força. A queda de

Kenobi foi subitamente acelerada como um míssil queimando seus últimos

drives antes do impacto. O mestre Jedi atingiu o chão num ângulo

inclinado, escorregou por ele e bateu na parede com tanta força que o

permacreto diluído em espuma dobrou e caiu sobre ele.

Isso Dookan achou extremamente gratificante.

Agora, quanto a Skywalker...

E isso foi o máximo que Dookan conseguiu, porque quando sua

atenção retornou ao Jedi mais novo, sua visão foi completamente obstruída

pela sola de uma bota aproximando-se de sua face com algo semelhante a

velocidade terminal.

O impacto foi como uma explosão de fogo branco, e houve um

segundo impacto contra suas costas que era o corrimão da sacada, e então

a sala virou de cabeça pra baixo e ele caiu em direção ao teto, mas não de
verdade, claro: apenas pareceu desse jeito porque ele caiu sobre o

corrimão, direto de cabeça no chão, e nem seus braços ou pernas

prestavam atenção ao que ele lhes mandava fazer. A Força parecia estar

ocupada em todo lugar, e realmente, todo o processo era totalmente

mortificante.

Ele mal conseguiu invocar um último surto de poder sombrio antes

do que seria um impacto incapacitante. A Força o embalou, amortecendo

sua queda e o deixando de pé.

Ele se espanou e cravou um olhar desdenhoso em Skywalker, que

agora olhava para ele de cima da sacada – e Dookan não conseguiu

continuar o encarando; ele achava essa reversão de suas posições originais

estranhamente desconcertante.

Havia algo perturbadoramente apropriado sobre isso.

Ver Skywalker no lugar onde o próprio Dookan havia estado apenas

alguns momentos atrás... era como se estivesse tentando lembrar de um

sonho que na verdade nunca teve...

Ele deixou isso de lado, repousando mais uma vez no conhecimento

certo de sua invencibilidade pessoal para abrir um canal para a Força.

Poder fluiu por ele, e o peso de sua idade desapareceu.

Ele ergueu sua lâmina, e acenou.

Skywalker pulou da sacada. Enquanto o garoto se precipitava para

baixo, Dookan sentiu uma nova mudança nos cursos da Força entre eles, e

finalmente entendeu.

Ele entendeu como Skywalker estava se tornando mais forte. O

motivo de ele ter parado de falar. Como havia se tornado uma máquina de

batalha. Ele entendeu porque Sidious se interessou nele por tanto tempo.

Skywalker era um natural.

Havia uma fornalha termonuclear onde seu coração deveria estar, e

ela queimava através das barreiras de seu treinamento Jedi. Ele segurava a

Força no aperto de um punho ardente e brilhante. Ele já era metade Sith, e

nem mesmo sabia disso.

Esse garoto tinha o dom da fúria.

E mesmo agora, ele estava se segurando; mesmo agora, pousando

ao lado de Dookan e chovendo golpes contra as defesas do Lorde Sith,

mesmo ao empurrar Dookan para trás um passo após o outro, Dookan

podia sentir como Skywalker mantinha sua fúria guardada atrás de muros
de força de vontade: muros que eram endurecidos por um pavor

incontrolável.

Pavor, Dookan presumiu, de si mesmo. Ou do que poderia

acontecer se ele permitisse que aquela fornalha que ele usava no lugar do

coração chegasse a condições críticas.

Dookan desviou de um golpe vindo de cima e se afastou.

— Eu sinto grande medo em você. Consumindo-te. Herói Sem

Medo, de fato. Você é uma fraude, Skywalker. Não passa de uma criança

querendo impressionar.

Ele apontou seu sabre de luz para o jovem Jedi como um dedo

acusador.

— Não está um pouco velho demais para ter medo do escuro?

Skywalker saltou na direção dele novamente, e essa vez Dookan

conteve o avanço do rapaz com facilidade. Eles estavam quase cara a cara,

lâminas cintilando mais rápido do que os olhos podiam ver, mas

Skywalker havia perdido sua vantagem: uma simples provocação bastou

para mudar o foco de sua atenção, antes em ganhar a luta e agora em

controlar suas emoções. Quanto mais irritado ficava, mais medo tinha, e o

medo alimentava sua raiva em retribuição; como o multípede proverbial

coreliano, agora que tinha começado a pensar sobre o que estava fazendo,

não conseguia mais andar.

Dookan se permitiu relaxar; ele sentiu aquele espírito brincalhão

retornando a ele mais uma vez enquanto ele e Skywalker giravam ao redor

um do outro em uma dança letal.

Então Sidious, por algum motivo, decidiu interferir.

— Não tema o que está sentindo, Anakin, use isso! — ele vociferou

na voz de Palpatine. — Invoque sua fúria. Concentre-a, ele não conseguirá

se opor a você. Raiva é a sua arma. Ataque agora! Ataque! Mate-o!

Dookan pensou, sem expressão, me matar?

Ele e Skywalker pausaram por um único instante final, lâminas

travadas juntas, encarando um ao outro através do cruzamento escaldante

de escarlate contra azul, e naquele momento Dookan se perguntava,

espantado e perplexo, se Sidious de repente havia enlouquecido. Será que

ele não entendia o conselho que acabara de dar?

De que lado ele estava, afinal?


E através das lâminas cruzadas ele viu nos olhos de Skywalker a

promessa do inferno, e sentiu um pressentimento doentio de que já sabia a

resposta para essa pergunta.

Traição era o caminho dos Sith.


4: Armadilha Jedi

ARMADILHA JEDI

Esta é a morte do Conde Dookan.

Uma explosão estelar de clareza floresce na mente de Anakin

Skywalker quando ele diz para si mesmo: Oh. Agora eu entendo, e

descobre que o medo em seu coração pode ser uma arma também.

É simples assim, e complexo assim.

E é o final.

Dookan já está morto. O resto é mero detalhe.

A encenação continua; a comédia dos sabres de luz brilhando e

colidindo e sibilando. Dookan & Skywalker, uma performance única,

para uma audiência de apenas uma pessoa. Jedi e Sith e Sith e Jedi,

girando, rodopiando, caindo juntos, cortando e fatiando, esquivando,

prendendo, escorregando e chicoteando e rasgando o ar ao redor deles

com rosnados de poder.

E tudo por nada, porque uma chama nuclear consumiu as restrições

Jedi de Anakin Skywalker, e o medo se torna fúria sem esforço, e fúria é

a lâmina que transforma seu sabre de luz em um brinquedo.

A encenação continua, mas o suspense já se foi. Tornou-se uma

mera pantomima, tão complexa e insignificante quanto as curvas do

espaço-tempo que guiam aglomerados galácticos através de um cosmos

imensurável.

As décadas de experiência em combate de Dookan são irrelevantes.

Sua maestria na esgrima é inútil. Sua vasta fortuna, sua influência

política, criação impecável, conduta impecável, gosto extraordinário –

todas as buscas e pontos de orgulho aos quais devotou tanto de seu

tempo e atenção ao longo dos muitos e muitos anos de sua vida – são
agora correntes pendendo de seu espírito, curvando seu pescoço perante

o machado.

Até mesmo seu conhecimento sobre a Força se tornou uma piada.

É esse conhecimento que mostra a ele sua morte, faz com que ele

lide com ela, manipule-a de vários modos em sua mente, examine-a

minuciosamente como uma pedra preciosa negra tão fria que queima. A

farsa elegante de Dookan se degenerou até se tornar um melodrama

anticlimático, e nenhuma lágrima derramada irá marcar a morte de seu

herói.

Mas para Anakin, na luta há apenas terror, e raiva.

Somente ele se colocaria entre a morte e os dois homens que mais

ama em todo o mundo, e ele não podia mais se dar ao luxo de se conter.

Aquele dragão de uma estrela morta dá seu melhor para tentar congelar

suas forças, sussurrando para ele que Dookan já o derrotou antes, que

Dookan possui todo o poder da escuridão, para lembrá-lo de que

Dookan lhe tirou sua mão, como Dookan conseguiu derrubar até mesmo

o próprio Obi-Wan aparentemente sem esforço e agora Anakin está

completamente sozinho e nunca será páreo para nenhum Lorde Sith...

Mas as palavras de Palpatine, raiva é a sua arma, deram a Anakin

permissão para abrir a proteção ao redor do seu coração de fornalha, e

todos os seus medos e dúvidas encolhem em sua chama.

Quando o Conde Dookan voa até ele, a lâmina cintilando, o punho

de Watto saindo diretamente da infância de Anakin para acertar o Lorde

Sith e o mandar cambaleando para trás.

Quando com todo o poder que o lado sombrio consegue extrair do

universo, Dookan arremessa um fragmento da mesa metálica, o

murmúrio gentil de Shmi Skywalker dizendo Eu sabia que você viria

por mim, Anakin quebra-a de lado.

Sua cabeça esteve cheia da fumaça de seu coração sufocado por

tempo demais; isso tem sido o trovão que escurece sua mente. Em

Aargonar, em Jabiim, no assentamento Tusken em Tatooine, aquela

fumaça havia obscurecido sua mente, deixando-o cego e debatendo-se

na escuridão, uma máquina mortífera irracional; mas aqui, agora, dentro

desta nave, essa célula microscópica de vida no infinito deserto estéril do

espaço, suas paredes guarda-fogo se abriram para que o terror e a raiva


ficassem do lado de fora, na batalha ao invés de na sua cabeça, e a

mente de Anakin está tão clara quanto um sino de cristal.

Nessa clareza pura, há apenas uma coisa que ele deve fazer.

Decidir.

Então ele decide.

Ele decide vencer.

Ele decide que Dookan deve perder a mesma mão que ele tomou.

Decisão é realidade, aqui: sua lâmina se move simultaneamente com sua

vontade e a chama azul vaporiza a nano-seda preta coreliana e

desintegra carne e corta osso, e lá se vai a mão de sabre de luz do Lorde

Sith, uma trilha de fumaça cheirando a carne carbonizada e cabelo

queimado. A mão cai com uma barra de chamas escarlate ainda se

estendendo de seu aperto mortal espástico, e o coração de Anakin canta

pela queda da lâmina vermelha.

Ele alcança e a Força o pega para ele.

E então Anakin toma a outra mão de Dookan também.

Dookan se dobra de joelhos, rosto sem expressão, boquiaberto, e

sua arma rodopia pelo ar para a mão do vencedor, e Anakin vê sua visão

do futuro se concretizando diante de seus olhos: duas lâminas na

garganta de Dookan.

Mas aqui, agora, a verdade desmente o sonho. Ambos os sabres de

luz estão em suas mãos, e o sabre em sua mão de carne queima com o

brilho sangrento sintético da lâmina.

Dookan, aninhado, encolhendo aterrorizado, ainda encontra alguma

esperança em seu coração de que ele se enganou, de que Palpatine não o

traiu, que tudo está acontecendo de acordo com o plano...

Até que ele escuta:

— Ótimo, Anakin! Ótimo! Eu sabia que você conseguiria! — e

compreende que essa é a voz de Palpatine e sente na mais escura

profundidade de seu ser as palavras que virão em seguida.

— Mate-o. — Palpatine diz — Mate-o agora.

Nos olhos de Skywalker ele vê apenas chamas.

— Chanceler, por favor! — ele arqueja, desesperado e indefeso, sua

postura aristocrática invisível, sua coragem apenas uma memória

amarga. Ele é reduzido a implorar por sua vida, como muitas de suas

vítimas já fizeram.
— Por favor, você me prometeu imunidade! Nós tínhamos um

acordo! Ajude-me!

E sua súplica dá a ele a mesma misericórdia que ele já concedeu.

— O acordo aconteceria se você me libertasse, — Palpatine

respondeu, frio como o espaço intergaláctico — Não se me usasse como

isca para matar meus amigos.

E ele sabe, então, que tudo realmente está acontecendo de acordo

com o plano. O plano de Sidious, não o seu. Era de fato uma armadilha

Jedi, mas os Jedi não eram a presa.

Eles eram a isca.

— Anakin, — Palpatine diz com calma — Acabe com ele.

Anos de treinamento Jedi fazem Anakin hesitar; ele olha para

baixo, vendo Dookan não como um Lorde Sith, mas como um homem

velho, derrotado, quebrado, encolhido.

— Eu não deveria...

Mas quando Palpatine ladra:

— Faça! Agora!

Anakin percebe que na verdade isso não é uma ordem. Na verdade,

é justamente aquilo pelo qual ele esperou durante sua vida inteira.

Permissão.

E Dookan...

Enquanto ele olha nos olhos de Anakin Skywalker pela última vez,

o Conde Dookan sabe que vinha sendo enganado não apenas hoje, mas

por muitos, muitos anos. Que ele nunca foi o verdadeiro aprendiz. Que

ele nunca foi o herdeiro do poder dos Sith. Ele era apenas uma

ferramenta.

Sua vida inteira – todas as suas vitórias, todos os seus conflitos,

toda a sua herança, todos os seus princípios e sacrifícios, tudo que ele

fez, tudo que ele possui, tudo que ele tem sido, todos os seus sonhos e

sua grandiosa visão para o futuro Império e Exército dos Sith – foram

apenas uma farsa patética, porque todos eles, todo ele, levam apenas a

isso.

Ele existiu apenas para isso.

Isso.

Para ser a vítima do primeiro assassinato a sangue frio de Anakin

Skywalker.
O primeiro, mas ele sabe que não será o último.

Então as lâminas se cruzam em sua garganta como uma tesoura.

Snip.

E tudo dele se torna absolutamente nada.

Assassino e vítima se encaram cegamente.

Mas apenas o assassino piscou.

Eu fiz isso.

O olhar da cabeça decepada estava fixado em algo além da visão

dos vivos. O apelo desesperado, congelado em seus lábios ecoou em

silêncio.

O torso sem cabeça cedeu com um suspiro lentamente

desaparecendo do buraco cauterizado em sua traqueia, dobrando-se para

frente pela cintura como se fizesse uma reverência ao poder que lhe

arrancara sua vida.

O assassino piscou mais uma vez.

Quem sou eu?

Era ele o menino escravo num planeta deserto, valorizado por seu

dom fantástico com máquinas? Era ele o lendário corredor de pods, o

único humano a sobreviver àquele esporte fatal? Era ele estudante

indisciplinado, espirituoso, propenso a causar problemas, de um grande

mestre Jedi? O piloto estelar? O herói? O amante? O Jedi?

Poderia ele ser todas essas coisas — qualquer uma delas — e ainda

ter feito o que fez?

Ele já descobria a resposta ao mesmo tempo em que finalmente

percebia que ele precisava fazer a pergunta.

O convés chacoalhou quando a nave absorveu mais fogo pesado dos

torpedos e turbolasers. A cabeça decepada de Dookan o encarava

enquanto balançava pela sala e rolava para longe, e Anakin acordou.

— O que...?

Ele estivera sonhando. Estivera voando, e lutando, e lutando

novamente, e de alguma forma, no sonho, ele podia fazer o que quisesse.

No sonho, tudo que ele fazia era o correto simplesmente porque ele

queria. No sonho não havia regras, apenas poder.

E esse poder era dele.

Agora ele estava diante de um cadáver sem cabeça que ele não

suportava mais ver, mas não conseguia desviar o olhar, e ele sabia que
não havia sido sonho nenhum, que ele realmente havia feito isso, as

lâminas ainda estavam em suas mãos e o mar de erros no qual ele havia

mergulhado se fechou sobre sua cabeça.

E ele estava se afogando.

O sabre de luz do morto despencou de seus dedos agora frouxos.

— Eu... eu não consegui me conter...

E antes que as palavras deixassem seus lábios ele percebeu quão

óbvia e vazia era a mentira.

— Você fez bem, Anakin. — a voz de Palpatine era calorosa como

um braço ao redor dos ombros de Anakin — Não apenas fez bem, mas

fez o certo. Ele era perigoso demais para sair daqui vivo.

Vindo do Chanceler parecia ser verdade, mas quando Anakin

repetiu em sua mente ele soube que a verdade de Palpatine era uma que

ele jamais poderia se fazer acreditar. Um tremor começou entre suas

omoplatas e ameaçava se expandir até se tornar um caso completo de

tremedeiras.

— Ele era um prisioneiro desarmado...

Agora isso — esse simples fato insuportável — isso era verdade.

Embora o queimasse como seu próprio sabre de luz, a verdade era algo a

que ele podia se apegar. E de alguma forma isso fez com que ele se

sentisse um pouco melhor. Um pouco mais forte. Ele tentou outra

verdade: não que ele não conseguiu se conter, mas que...

— Eu não deveria ter feito isso, — ele disse, e agora sua voz era

sólida, simples e derradeira. Agora ele conseguia olhar para o cadáver a

seus pés. Conseguia olhar para a cabeça decepada.

Conseguia vê-los pelo que realmente eram.

Um crime.

Ele havia se tornado um criminoso de guerra.

A culpa o atingiu como um punho. Ele sentiu — um soco em seu

coração que arrancou o fôlego de seus pulmões e dobrou seus joelhos.

Pendia sobre seus ombros como um jugo feito de collapsium: um peso

invisível que superava sua força de mortal, esmagando sua vida.

Ele não tinha palavras para isso. Tudo que ele conseguiu dizer foi:

— Foi errado.

E isso foi o resumo de tudo, bem ali.

Foi errado.
— Absurdo. Desarmá-lo não adiantaria nada; ele tinha poderes

além da sua imaginação.

Anakin balançou a cabeça.

— Isso não importa. O caminho Jedi não é assim.

A nave chacoalhou de novo, e as luzes apagaram.

— Você já percebeu que o caminho Jedi, — Palpatine disse, agora

invisível sob a sombra distinta da cadeira do General — nem sempre é o

caminho certo?

Anakin encarou a sombra.

— Você não entende. Não é um Jedi. Não consegue entender.

— Anakin, me escute. Quantas vidas você acabou de salvar com

esse golpe de sabre de luz? Consegue contá-las?

— Mas...

— Não foi errado, Anakin. Pode não ser o caminho Jedi, mas foi o

correto. Perfeitamente natural: ele tomou sua mão; você quis vingança.

E através da vingança você fez justiça.

— Vingança nunca é justa. Não pode ser...

— Não seja infantil, Anakin. Vingança é a base da justiça. Justiça

começou como vingança, e vingança ainda é a única justiça que muitos

podem esperar. Afinal, essa dificilmente é a sua primeira vez. Por acaso

Dookan merecia mais misericórdia do que o Povo da Areia que torturou

sua mãe até a morte?

— Aquilo foi diferente.

No assentamento Tusken ele tinha perdido a cabeça; havia se

tornado uma força da natureza, imparcial, matando com tanta intenção

ou reflexão quanto um vendaval de areia. Os Tuskens foram mortos,

aniquilados, massacrados...

Mas aquilo tinha estado além de seu controle, e para ele agora era

como se outra pessoa tivesse feito tudo aquilo: como se tivesse ouvido

uma história sem relação alguma com ele.

Mas Dookan...

Dookan foi assassinado.

Por ele.

De propósito.

Aqui nos aposentos do General, ele havia olhado nos olhos de um

ser vivo e friamente decidido acabar com aquela vida. Ele poderia ter
escolhido o caminho certo. Poderia ter escolhido o caminho Jedi.

Mas ao invés disso...

Ele encarou a cabeça decepada de Dookan.

Ele jamais poderia desfazer essa escolha. Jamais poderia tomá-la de

volta. Como mestre Windu costumava dizer, não existe segunda chance.

E ele nem mesmo tinha certeza de que queria uma.

Ele não podia se permitir pensar nisso. Assim como não se permitiu

pensar sobre os mortos em Tatooine. Ele esfregou os olhos, tentando se

livrar da lembrança.

— Você prometeu que nunca mais falaríamos disso.

— E não iremos. Assim como jamais falaremos sobre o que

aconteceu aqui hoje. — era como se a própria sombra falasse,

gentilmente — Eu sempre guardei seus segredos, não é mesmo?

— Sim... sim, é claro, Chanceler, mas... — Anakin queria rastejar

para um canto qualquer; estava certo de que se as coisas pudessem parar

por um tempo, uma hora ou um minuto que fosse, então ele conseguiria

se recompor e achar uma maneira de continuar seguindo em frente. Ele

precisava seguir em frente. Seguir em frente é a única coisa que ele pode

fazer.

Principalmente quando não suportava olhar para trás.

O janelão atrás da cadeira do General floresceu com espirais iônicas

de mísseis se aproximando. O chacoalhar da nave se tornou um tremor

contínuo, reunindo magnitude a cada golpe.

— Anakin, minhas algemas, por favor, — disse a sombra — Temo

que esta nave esteja desabando. Acho que não devemos estar a bordo

quando acontecer.

Na Força, as assinaturas de campo das travas magnéticas nas

algemas do Chanceler eram tão claras quanto um texto dizendo ME

DESTRAVE DESSE JEITO; uma simples torção na mente de Anakin as

abriu. A sombra ganhou uma cabeça, e ombros, e então sofreu uma

mitose repentina que deixou a cadeira do General para trás e

transformou sua outra metade no Supremo Chanceler.

Palpatine traçou seu caminho por entre os destroços que enchiam o

chão da sala escurecida, movendo-se surpreendentemente rápido em

direção às escadas.

— Venha comigo, Anakin. Não temos muito tempo.


O janelão brilhou na cor branca com o impacto dos mísseis, e um

deles parecia ter danificado os geradores de gravidade: a nave pareceu se

curvar, forçando Palpatine a se agarrar desesperadamente ao corrimão e

mandando Anakin escorregando por um chão que subitamente se

transformou numa rampa inclinada a 45 graus.

Ele caiu com força numa pilha de escombros: permacreto quebrado,

que havia sido diluído em espuma para reduzir o peso.

— Obi-Wan...!

Ele ficou de pé num salto e levitou os destroços que haviam

enterrado o corpo de seu amigo. Obi-Wan estava caído completamente

imóvel, olhos fechados, sangue e poeira emaranhados em seu cabelo no

lugar onde um corte abrira seu escalpo.

Mesmo que Obi-Wan parecesse terrível, Anakin já havia visto

corpos de amigos demais, em campos de batalha demais, para entrar em

pânico por um pouco de sangue. Um toque na garganta de Obi-Wan

confirmou que ainda tinha pulso forte, e esse toque também permitiu

que a percepção de Anakin através da Força fluísse pelo corpo do amigo.

Sua respiração forte e regular, e não haviam ossos quebrados: não

passava de uma concussão.

Aparentemente, a cabeça de Obi-Wan era mais dura do que as

paredes internas do cruzador.

— Deixe-o, Anakin. Não há tempo. — Palpatine estava meio

dependurado no corrimão, ambos os brados envolvendo um pilar —

Esse pináculo inteiro deve estar prestes a ceder...

— Então ficaremos todos à deriva juntos. — Anakin olhou de

relance para o Supremo Chanceler e por um instante não gostou nem um

pouco daquele homem... mas então lembrou a si mesmo que por mais

que Palpatine fosse corajoso, sua coragem vinha da convicção; ele não

era nenhum soldado. Não tinha como realmente compreender o que

estava pedindo que Anakin fizesse.

— O destino dele — disse, caso Palpatine não tivesse entendido —

será o mesmo que o nosso.

Com Obi-Wan inconsciente e Palpatine esperando acima, com a

responsabilidade pelas vidas de seus dois amigos mais próximos sobre

seus ombros, Anakin descobriu que havia recuperado seu equilíbrio


interior. Sob pressão, em crise, sem poder pedir ajuda a ninguém, ele

conseguiria se concentrar novamente. Ele precisava.

Foi para isso que ele nasceu: salvar pessoas.

A Força trouxe o sabre de luz de Obi-Wan para sua mão e ele o

prendeu ao cinto do amigo, então içou o corpo mole sobre o ombro e

deixou que a Força o ajudasse a correr subindo pelo chão abruptamente

inclinado para se juntar a Palpatine.

— Impressionante. — Palpatine disse, mas então lançou um olhar

significativo em direção à escadaria, que fora transformada em um

penhasco vertical pelo vetor da gravidade artificial — Mas e agora?

Antes que Anakin pudesse responder, a gravidade errática balançou

como um pêndulo; enquanto eles se agarravam ao corrimão, a sala

pareceu girar ao redor deles. Todas as cadeiras quebradas e fragmentos

da mesa e pedaços de escombro escorregaram para o lado oposto, e

agora ao invés de um penhasco a escadaria havia se tornado um mero

trecho ondulado do chão.

— As pessoas dizem — Anakin acenou com a cabeça em direção à

porta do lobby de turbo-elevadores — Quando a Força fecha uma

escotilha, ela abre uma janela. Depois de você?


5: Grievous

GRIEVOUS

Os ARC-170 do Esquadrão Sete juntaram-se ao Esquadrão Quatro

de V-wings para atacar os lutadores abutres restantes que haviam

rastreado a imensa nave da Federação de Comércio, Invisible Hand.

Pilotos clones destruiam droide após droide com precisão de máquina

própria. Quando o último dos abutres foi convertido em um globo de gás

superaquecido, os clones se afastaram, deixando a Invisible Hand

exposta ao fogo total do Grupo Cinco de Ataque da Frota Doméstica:

três cruzadores leves classe Carrack – Integrity, Indomitable e

Perseverance – em apoio ao Dreadnaught Mas Ramdar.

O Grupo de Ataque Cinco havia se posicionado em um triângulo ao

redor de Mas Ramdar, mantendo uma órbita mais alta para fixar a

Invisible Hand no poço gravitacional de Coruscant. Turbolasers

explodiram contra os escudos vacilantes da nave, mas a ponte de

comando estava dando o melhor de si: Mas Ramdar já havia sofrido

tantos danos que era pouco mais do que um alvo para absorver o contra

ataque da Invisible Hand, e Indomitable era apenas um projétil, a

maioria de sua tripulação morta ou evacuada, sendo comandada

remotamente por seu comandante e tripulação de ponte; ele balançou de

forma instável através dos cones de sinalização da nave, que bloqueavam

rotas de fuga para evitar qualquer tentativa de escape.

Quando seus escudos finalmente falharam, a Invisible Hand

começou a rolar, girando como uma bala de um rifle slugthrower,

projetando jatos espirais de gás cristalizante que jorraram de múltiplas

rupturas no casco. A nave ganhou velocidade, quebrando as travas de

mira dos adversários da República. Incapazes de rebater no mesmo

ponto repetidas vezes, seus turbolasers não eram poderosos o suficiente


para romper a armadura pesada da nave, não diretamente; seus pontos de

rastreamento tornaram-se anéis que circundam o navio, mastigando

gradualmente o casco em estreitos garrotes de fogo.

Na ponte de comando da Invisible Hand, neimoidianos

superaquecidos foram amarrados em suas estações de batalha em pleno

acidente. O ar cheirava a metal queimado e hormônios reptilianos de

estresse, e a mudança errática da gravidade ameaçava adicionar um odor

mais forte: os rostos de vários oficiais da ponte já havia empalidecido do

verde-acinzentado saudável ao rosa nauseado.

O único na ponte que não estava amarrado a uma cadeira andava de

um lado para o outro, a capa até o chão, colocada sobre os ombros

angulares como osso exposto. Ele ignorou os solavancos do impacto e

não foi afetado pelo redemoinho de gravidade imprevisível enquanto

caminhava pelo convés com tinidos de metal contra metal; ele andou

sobre criações com garras de durânio magnetizado, articuladas para

agarrar e esmagar como os pés de uma águia de sangue Vratixan.

Sua expressão não podia ser lida – seu rosto era uma máscara de

blindagem de cerâmica alvejada estilizada para evocar um crânio

humanoide - mas o puro veneno na voz, que sibilou através do

vocabulador eletrossônico da máscara, compensou isso.

— Calibre os geradores de gravidade ou desative todos — ele

rosnou para uma imagem em azul de um engenheiro Neimoidiano

encolhido. — Se isso continuar, você não viverá o suficiente para ser

morto pela República.

— Mas, mas, senhor… depende realmente dos droides de reparo…

— E porque eles são droides, é inútil ameaçá-los. Então, estou

ameaçando você. Compreendido?

Ele se virou antes que o gago engenheiro pudesse dar uma resposta.

A mão que ele estendeu em direção à tela frontal usava uma manopla

articulada de plástico-armadura fundida aos ossos de liga de durânio.

— Concentre fogo em Indomitable — disse ele ao oficial de

artilharia. — Todas as baterias no máximo. Fogo para efeito. Exploda

esse vulto para fora do espaço, e nós faremos um salto para o

hiperespaço através de seus destroços.

— Mas- as torres dianteiras já estão sobrecarregadas, senhor. — A

voz do oficial tremeu à beira do pânico. — Eles terão uma falha crítica
em menos de um minuto…

— Queime-os.

— Mas, senhor, uma vez que eles falharem…

O resto da objeção do oficial sênior de artilharia se perdeu no som

úmido de trituração final que seu rosto fez sob o impacto de um punho.

Esse mesmo punho se abriu, agarrou a gola do uniforme do oficial e

puxou seu cadáver para fora da cadeira, rasgando seu cinto de segurança

junto dele.

Uma cara de caveira sem expressão voltada para o jovem oficial de

artilharia.

— Parabéns pela sua promoção. Vá para o seu novo posto.

— S-s-sim, senhor. — As mãos do recém-promovido oficial de

artilharia tremiam tanto que ele mal conseguia desafivelar seu cinto, e

seu rosto ficou mortalmente rosa.

— Você entende suas ordens?

— S-s-si-

— Você tem alguma objeção?

— N-n-nã-

— Muito bem, então — disse o general Grievous com monotonia,

uma calma inabalável. — Continue.

Este é o General Grievous:

Durasteel. Duro, blindado de cerâmica, Electrodrivers e circuitos de

cristal.

Dentro deles: os restos de um ser vivo.

Ele não respira. Ele não come. Ele não consegue rir e não chora.

Há muito tempo ele era um ser orgânico senciente. Há muito tempo

ele tinha amigos, família, uma ocupação; Há muito tempo ele tinha

coisas para amar e coisas para temer. Agora ele não tem nada disso.

Em vez disso, ele tem um propósito.

Está embutido nele.

Ele foi feito para intimidar. A semelhança com um esqueleto

humano fundido com membros estilizados após os lendários droides de

guerra Krath é inteiramente intencional. É um rosto e uma forma

nascidos dos pesadelos infinitos da infância.


Ele foi feito para dominar. As placas de blindagem de cerâmica

protegendo membros, tronco e rosto podem impedir uma explosão do

canhão de laser de um caça estelar. Esses braços indestrutíveis são dez

vezes mais fortes que os humanos e se movem com a velocidade turva

dos reflexos eletrônicos.

Ele foi feito para erradicar. Essas mãos de tamanho humano têm

dedos de tamanho humano por exatamente um motivo: para segurar um

sabre de luz.

Quatro deles estão pendurados dentro de sua capa.

Ele nunca construiu um sabre de luz. Ele nunca comprou um, nem

recuperou um que estava perdido. Todos e cada um deles, ele tirou das

mãos mortas de Jedi que ele matou.

Pessoalmente.

Ele tem muitos, muitos desses troféus; os quatro que ele carrega são

seus favoritos particulares. Um pertencia ao interminável K'Kruhk, a

quem ele havia derrotado em Hypori; outro para o Viraanntesse Jedi

Jmmaar, que havia caído em Vandos; os outros dois foram criados por

Puroth e Nystammall, que Grievous massacrou juntos nas planícies de

grama flamejante de Tovarskl para que cada um soubesse a morte do

outro, tão bem quanto as deles; esses são assassinatos de que ele se

lembra com tanto prazer que tocar nessas lembranças com as mãos de

couraça e durasteel lhe traz algo que lembra alegria.

Mas apenas lembra.

Ele se lembra da alegria. Ele se lembra da raiva e da frustração. Ele

se lembra da dor e da tristeza.

Ele realmente não sente nenhum deles. Não mais.

Ele não foi feito para isso.

Fagulhas incandescentes zuniram e estalaram através da fumaça que

ondulava pelo saguão do turbo-elevador. Sobre o ombro de Anakin, o

inconsciente Mestre Jedi ofegou levemente. Ao lado do outro ombro,

Palpatine tossiu asperamente na manga de sua túnica, protegendo o rosto

contra produtos de combustão cáustica do circuito de sobrecarga.


— R2? — Anakin balançou seu comunicador com força. A maldita

coisa estava piscando desde que Obi-Wan pisou nela durante uma das

lutas do turbo-elevador.

— R2, está ouvindo? Preciso que você ative... — A fumaça era tão

densa que ele mal conseguia distinguir os números na placa de código.

— elevador três-dois-dois-quatro. Três-dois-dois-quatro, você copia?

O comunicador emitiu um fraco fwheep que poderia ter sido uma

confirmação, e as portas se abriram, mas antes que Anakin pudesse

carregar Obi-Wan, a cápsula do turbo-elevador disparou para cima e o

vetor de gravidade artificial mudou novamente, jogando-o junto com seu

parceiro em uma pilha. próximo a Palpatine no canto oposto do saguão.

Palpatine lutava para se levantar, ainda tossindo, parecendo fraco.

Anakin deixou a Força erguer Obi-Wan de volta ao ombro, então se

levantou.

— Talvez você deva ficar abaixado, senhor — disse ele ao

chanceler. — As oscilações da gravidade estão piorando.

Palpatine acenou com a cabeça.

— Mas, Anakin…

Anakin ergueu os olhos. As portas do turbo-elevador ainda estavam

abertas.

— Espere aqui, senhor.

Ele se abriu mais completamente para a Força e em sua mente

posicionou-se com Obi-Wan equilibrado na borda da porta aberta acima.

Segurando esta imagem, ele saltou, e a Força fez sua intenção em

realidade: seu salto levou ele e o Mestre Jedi inconsciente precisamente

para a borda.

O vetor gravítico alterado transformara o eixo do turbo-elevador em

um corredor horizontal de durasteel apagado, reto como um laser,

encolhendo-se na escuridão. Anakin estava familiarizado com as

especificações dos cruzadores de comando da Federação do Comércio; a

torre angular tinha cerca de trezentos metros de comprimento. Do jeito

que estava, eles podiam andar em dois ou três minutos. Mas se a

mudança errada de gravidade os alcançasse no túnel...

Ele balançou a cabeça, calculando as probabilidades com seriedade.

— Teremos que ser rápidos.


Ele olhou por cima do ombro, para Palpatine, que ainda estava

encolhido abaixo.

— Você está bem, Chanceler? Você está bem o suficiente para

correr?

O Chanceler Supremo finalmente se levantou, dando tapinhas em

suas vestes em uma tentativa inútil de limpá-las.

— Eu não corro desde que era um menino em Naboo.

— Nunca é tarde para começar a entrar em forma. — Anakin

alcançou através da Força para dar a Palpatine uma pequena ajuda em

escalar até a porta aberta. — Há transportadores no convés do hangar.

Podemos chegar lá em cinco minutos.

Assim que Palpatine estava em segurança dentro do corredor,

Anakin disse:

— Siga-me — e se virou para ir embora, mas o Chanceler o deteve

com uma mão em seu braço.

— Anakin, espere. Precisamos chegar à ponte.

Através de uma nave cheia de droides de combate? Não é provável.

— O deck do hangar fica logo abaixo- bem, ao nosso lado, agora. É

a nossa melhor chance.

— Mas a ponte… Grievous está lá.

Agora Anakin parou. Grievous. O mais esforçado matador de Jedi

desde Durge. Com toda a empolgação, Anakin havia esquecido

completamente que o general biodroide estava a bordo.

— Você derrotou Dookan — disse Palpatine. — Capture Grievous

e você fará um ferimento do qual os Separatistas podem nunca se

recuperar.

Anakin pensou inexpressivamente: Eu poderia fazer isso.

Ele sonhava em capturar Grievous desde Muunilinst – e agora o

general estava perto. Tão perto que Anakin podia praticamente sentir o

cheiro dele – e Anakin nunca se sentiu tão poderoso. A Força estava

com ele hoje de maneiras mais potentes do que ele jamais experimentou.

— Pense nisso, Anakin. — Palpatine estava perto de seu ombro, em

frente a Obi-Wan, tão perto que ele só precisava sussurrar. — Você

destruiu a cabeça política deles. Pegue o comandante militar deles e

você terá praticamente vencido a guerra. Sozinho. Quem mais poderia

fazer isso, Anakin? Yoda? Mace Windu? Eles não conseguiram nem
capturar Dookan. Quem teria chance contra Grievous, senão Anakin

Skywalker? Os Jedi nunca enfrentaram uma crise como a Guerra dos

Clones - mas também nunca tiveram um herói como você. Você pode

salvá-los. Você pode salvar a todos.

Anakin estremeceu, assustado. Ele lançou um olhar penetrante para

Palpatine. A maneira como ele disse isso...

Como uma voz de seus sonhos.

— Isso é… — Anakin tentou rir; mas saiu um pouco instável. —

Não é isso que Obi-Wan vive me dizendo.

— Esqueça Obi-Wan — disse Palpatine. — Ele não tem ideia de

quão poderoso você realmente é. Use seu poder, Anakin. Salve a

República.

Anakin podia ver isso, tão vívido como um HoloNet: chegar ao

Senado com Grievous em eletrobonds, ficando modestamente ao lado,

enquanto Palpatine anunciava o fim da guerra, retornando ao Templo, à

Câmara do Conselho, onde finalmente, depois

de todo esse tempo, haveria uma cadeira esperando, só para ele.

Eles dificilmente poderiam recusar-lhe o título de Mestre agora,

depois que ele havia vencido a guerra por eles...

Mas então Obi-Wan se mexeu no ombro, gemendo levemente, e

Anakin voltou à realidade.

— Não — ele disse. — Desculpe, Chanceler. Minhas ordens são

claras. Esta é uma missão de resgate; sua segurança é minha única

prioridade.

— Eu nunca estarei seguro enquanto Grievous viver — Palpatine

rebateu.

— Mestre Kenobi vai se recuperar a qualquer momento. Deixe-o

aqui comigo; ele pode me acompanhar com segurança até o convés do

hangar. Vá para o geral.

— Eu... eu gostaria, senhor, mas...

— Eu posso fazer um pedido, Anakin.

— Com todo o respeito, senhor: não. Você não pode. Minhas

ordens vêm do Conselho Jedi, e as ordens do Conselho vêm do Senado.

Você não tem autoridade direta. — O rosto do chanceler escureceu.

— Isso pode mudar. — Anakin assentiu.


— E talvez devesse, senhor. Mas até que isso aconteça, faremos as

coisas do meu jeito. Vamos lá.

— Senhor? — A voz fina do oficial de comunicação interrompeu o

ritmo de Grievous. — Estamos sendo saudados pela Integrity, senhor.

Eles propõem um cessar-fogo.

Os olhos amarelo-escuros se estreitaram através do crânio para a

tela de exibição tática. Uma pausa no combate permitiria que as baterias

do turbolaser da Invisible Hand esfriassem e daria aos engenheiros a

chance de colocar os geradores de gravidade sob controle.

— Confirme o recebimento da transmissão. Prepare-se para cessar

fogo.

— Aguardando, senhor. — O oficial da artilharia ainda tremia.

— Cessar fogo.

As lanças de energia que uniram a The Hand à força de Ataque da

Frota Doméstica desapareceram.

— Mais uma transmissão, senhor. É o comandante da Integrity.

Grievous assentiu.

— Iniciar.

Uma imagem fantasmagórica se construiu acima do holograma da

ponte: um jovem homem de estatura e biotipo médios, vestindo o

uniforme de tenente-comandante. A única coisa distintiva sobre seus

traços bastante suaves era a confiança calma em seus olhos.

— General Grievous — disse o jovem energicamente — sou o

Tenente Comandante Lorth Needa do RSS Integrity. A meu pedido, meus

superiores consentiram em lhe oferecer a chance de entregar seu navio,

senhor.

— Entregar? — O vocabulador de Grievous produziu uma

reprodução muito parecida à de bufar. — Absurdo.

— Por favor, pense de forma cuidadosa nessa oferta, general, pois

ela não será repetida. Considere a vida de sua tripulação.

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