Colégio arco-íris
Filosofia
O pensamento político de Thomás Hobbes
Professor: Fenias Chivamo
Aluna: Pietra Mevlo Guido da Silva
18•07•2025
Índice
1. Introdução
2. Vida e Contexto Histórico de Thomas Hobbes
3. Fundamentação do Pensamento Político Hobbesiano
• O Estado da Natureza
• O Contrato Social
• O Soberano e a Absolutismo Político
• A Liberdade e a Lei
• Críticas e Influências
4. Hobbes e a Modernidade: Atualidade do Pensamento
5. Conclusão
6. Referências Bibliográficas
7. Observação do autor
Introdução
Thomas Hobbes (1588–1679) foi um dos filósofos politico mais influentes
da modernidade, cuja obra “Leviatã” marcou profundamente a teoria
política ocidental. Seu pensamento emergiu num contexto de intensa
instabilidade política e violência, especialmente durante a Guerra Civil
Inglesa. Hobbes analisou a natureza humana, a origem das sociedades e o
papel do Estado, defendendo a necessidade de um poder forte e
centralizado para garantir a paz e a ordem. Neste trabalho, será
explorada a construção do seu pensamento, seus principais conceitos e as
críticas que recebeu. Serão discutidas também as influências recebidas e
exercidas por Hobbes e a relevância contemporânea das suas ideias. O
objetivo é oferecer uma análise abrangente, clara e crítica do legado
hobbesiano na filosofia política.
Vida e Contexto Histórico de Thomas Hobbes
Thomas Hobbes nasceu em 1588 na Inglaterra, em meio a uma Europa no
auge de profundas transformações políticas, religiosas e científicas. A sua
formação foi marcada pelo espírito renascentista e pelos conflitos
religiosos que assolavam a Inglaterra e o continente, sobretudo as
tensões entre o poder real e o Parlamento. Hobbes presenciou a Guerra
Civil Inglesa (1642–1651), evento crucial para a definição de seus
posicionamentos políticos, especialmente em relação à necessidade de
autoridade para evitar o caos e a guerra de todos contra todos.
Graduou-se em Oxford, onde estudou lógica, latim e filosofia clássica,
tendo posteriormente viajado pela França e Itália, ampliando seu contato
com outras correntes filosóficas e científicas. Em Paris, estabeleceu
relações intelectuais com René Descartes e Galileo Galilei. Sua principal
obra, “Leviatã”, foi publicada em 1651, durante um período de exílio
autoimposto. A experiência marcante desses anos de instabilidade política
impulsionou Hobbes a sistematizar um modelo racional para o Estado que
pudesse garantir a paz e a sobrevivência.
Fundamentação do Pensamento Político Hobbesiano
Estado da Natureza
Hobbes concebe o “estado de natureza” como uma condição hipotética
anterior à instituição da sociedade civil. Nesse estado, todos os indivíduos
são iguais quanto à capacidade de matar e de serem mortos. Dominados
pelo medo e pela busca incessante de sobrevivência, os humanos vivem
numa situação de permanente insegurança e conflito, descrita por Hobbes
como a “guerra de todos contra todos” (“bellum omnium contra omnes”).
Em suas palavras:
“No estado de natureza, a vida do homem é solitária, pobre,
desagradável, bruta e curta.”
Tal descrição destaca, segundo Hobbes, a necessidade de criação de
regras que limitem a liberdade selvagem em prol da segurança coletiva.
Contrato Social
Para escapar do estado de natureza, os indivíduos, movidos pelo medo da
morte violenta, decidem em comum acordo transferir seus direitos ao
Estado, formando assim o chamado contrato social. Este pacto não se dá
entre o povo e o soberano, mas entre os próprios indivíduos, concedendo
legitimidade ao governante para garantir a ordem e aplicar as leis. Este
processo, para Hobbes, funda a sociedade civil e dá origem ao Estado.
O contrato social hobbesiano é caracterizado pela sua racionalidade e
voluntariedade. Os participantes renunciam a parte de suas liberdades em
troca de proteção, aceitando as leis impostas pelo soberano. Caso
contrário, retornam à barbárie do estado de natureza.
Soberano e o Absolutismo Político
O Estado, representado pela figura do soberano, assume um poder
absoluto e indivisível, respeitado por todos aqueles que celebraram o
contrato. Para Hobbes, apenas uma autoridade central poderosa pode
impedir o retorno ao caos e à violência original. O soberano não está
submetido às leis que cria e não pode ser deposto pelos governados sem
que isso resulte novamente no estado de guerra.
A defesa do absolutismo em Hobbes não decorre de um apego à tirania,
mas do entendimento de que apenas um poder forte é capaz de
assegurar a pacificação das relações humanas e garantir a defesa contra
inimigos internos e externos. Por isso, Hobbes fala do Estado como
“Leviatã”, uma criatura poderosa e temida que dá estabilidade à vida civil.
A Liberdade e a Lei
No modelo hobbesiano, a liberdade do súdito é compreendida como a
ausência de impedimentos externos, desde que não contradigam as leis
determinadas pelo soberano. Os cidadãos podem fazer tudo aquilo que
não for proibido por lei. Assim, a lei constitui condição da liberdade, e não
sua negação, uma vez que ela protege os homens dos perigos do estado
de natureza.
Hobbes distingue os direitos naturais, inalienáveis no estado de natureza,
dos direitos civis, definidos pelas normas do soberano. O indivíduo deve
obediência ao Estado, exceto quando sua própria vida estiver ameaçada.
Críticas e Influências
A teoria política de Hobbes gerou inúmeras críticas já em seu tempo e ao
longo da história. Alguns autores, como John Locke e Jean-Jacques
Rousseau, discordaram da ideia de um Estado absoluto, enfatizando
direitos naturais inalienáveis e legitimando a resistência à tirania.
Por outro lado, Hobbes influenciou fortemente o desenvolvimento do
liberalismo ao destacar a importância da razão, do contrato e da
legitimidade do poder político. Sua concepção negativa da natureza
humana ainda encontra eco em muitos debates sobre segurança, ordem
pública e limites das liberdades individuais.
Hobbes e a Modernidade: Atualidade do Pensamento
A atualidade do pensamento de Thomas Hobbes é percebida em vários
aspectos centrais da política e da sociedade moderna. Muitas ideias do
filósofo permanecem vivas nos debates contemporâneos, especialmente
quando discutimos a necessidade de equilíbrio entre ordem, liberdade e
segurança.
a) Instituições Fortes e o Papel do Estado
Hobbes foi um dos primeiros pensadores a defender que a existência de
instituições robustas é indispensável para garantir a paz social e o bem-
estar coletivo. Seu argumento de que a ordem só é possível com a
presença de um Estado forte ecoa nos sistemas políticos atuais, onde
governos e sociedades recorrem a mecanismos de controle e autoridade
para enfrentar crises, violência urbana e instabilidade política.
• Fundamento da Soberania: A ideia hobbesiana de um
soberano possuidor de autoridade máxima, que concentra o poder para
evitar o caos social, influenciou profundamente a estruturação dos
Estados modernos e de suas constituições, presente até hoje na
concepção dos poderes Executivo e Legislativo.
• Contratos Sociais Modernos: A noção de que o convívio
humano depende de pactos sociais livremente estabelecidos é a base de
várias democracias contemporâneas. O contrato social, para Hobbes,
antecede a existência do próprio Estado. Hoje, essa ideia aparece em
discussões sobre participação cidadã, confiança nas instituições e
reformas políticas.
b) Relevância frente a Crises e Estados de Exceção
A obra de Hobbes ganhou renovada atenção durante períodos recentes de
crise, como a pandemia de Covid-19, guerras e ameaças globais à
segurança:
• Poder das Autoridades em Tempos de Crise: Durante a crise
sanitária mundial, muitos países expandiram os poderes do Estado para
controlar a circulação de pessoas e impor medidas sanitárias duras. A
discussão sobre os limites aceitáveis desses poderes retoma o
pensamento hobbesiano: até onde o Estado pode intervir na vida dos
cidadãos para garantir o bem comum sem sacrificar liberdades
fundamentais?
• Estado de Exceção: O conceito, amplamente estudado por
autores contemporâneos, parte da ideia hobbesiana de que, diante do
perigo, o soberano pode suspender temporariamente certas regras para
preservar a segurança coletiva. Isso é visto hoje em decisões de governos
de restringir direitos durante catástrofes naturais, ataques terroristas ou
pandemias, suscitando debates éticos e jurídicos sobre a legitimidade e os
riscos dessas escolhas.
c) Segurança Internacional e Soberania
No cenário internacional, o realismo hobbesiano se faz atual:
• Relações entre Estados: Hobbes acreditava que, na ausência
de uma autoridade global, os países se comportam como indivíduos no
estado de natureza: competindo, desconfiando e buscando preservar seus
próprios interesses. Esse ponto de vista ainda orienta análises sobre
guerras, formação de alianças estratégicas e debates sobre a soberania
nacional frente a organismos internacionais.
d) Liberdade e Limites da Autoridade
O grande desafio contemporâneo é manter o equilíbrio entre garantir a
ordem (por meio da autoridade estatal) e respeitar as liberdades
individuais:
• Debate Atual: A tensão entre segurança e liberdade atravessa
discussões modernas sobre vigilância, privacidade de dados, controle
policial e direitos humanos. Hobbes já afirmava que a liberdade existe
apenas na medida em que as leis a permitem ― sua defesa do “direito à
segurança” segue central na formulação das políticas públicas dos
Estados modernos.
e) Influência no Direito e na Democracia
A filosofia política de Hobbes também marca presença na teoria do direito
e no modo como se concebe a legitimidade dos governos democráticos:
• Representação e Regra da Maioria: Hobbes foi um dos
primeiros a dar à representação política um sentido moderno, ao separar
questões morais pessoais do funcionamento coletivo das instituições,
base para sistemas eleitorais contemporâneos.
• Pilares do Direito: Muitos princípios jurídicos atuais, como a
legitimidade do poder estatal e a necessidade de leis para a convivência
pacífica, encontram raízes nas obras de Hobbes.
Portanto, o pensamento hobbesiano permanece surpreendentemente
atual: ele fornece ferramentas teóricas para pensar desde a necessidade
de governos fortes até os dilemas éticos das emergências sociais e
políticas. Questões sobre autoridade, liberdade, segurança e contrato
social continuam sendo discutidas nas salas de aula, nos parlamentos e
nas ruas, confirmando a relevância e o vigor da filosofia política de
Thomas Hobbes.
Conclusão
O pensamento político de Thomas Hobbes apresenta fundamentos
inovadores para a análise do Estado e das relações sociais. Com enfoque
na preservação da vida e na necessidade de um poder centralizado,
Hobbes sistematizou o conceito de contrato social e os mecanismos de
legitimação da autoridade. Apesar de críticas e controvérsias, sua teoria
permanece influente e relevante, estimulando reflexões sobre liberdade,
segurança e a convivência em sociedade na contemporaneidade.
Referências Bibliográficas
1. PUCRS Online – A Filosofia Política de Hobbes: Compreendendo
o Direito e a Posição do Indivíduohttps://online.pucrs.br/blog/filosofia-
politica-hobbes
2. Brasil Escola – Thomas Hobbes: biografia, obras e ideias,
resumohttps://brasilescola.uol.com.br/filosofia/thomas-hobbes.htm
3. Portal da História – Thomas Hobbes e o pensamento político
http://www.portaldahistoria.com.br/filosofia/hobbes.html
4. Revista Espaço Acadêmico – Do poder à liberdade civil:
elementos fundacionais do pensamento político de Thomas Hobbes no
Leviatãhttps://espacoacademico.com.br/025/25jader.htm
5. UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) – O Estado
segundo a visão de Thomas Hobbes
https://www.monografiasonline.com.br/filosofia/o-estado-segundo-a-visao-
de-thomas-hobbes
Citações
“O fim último dos homens, ao se unirem em sociedades,
submetendo-se a um soberano, é a sua própria preservação; e toda a
autoridade do soberano, cada um dos súditos deve tê-la por incluída
nessa preservação…” (Hobbes, Leviatã)
“Quando todos os homens são inimigos, vivendo sem outro
código senão a sua vontade própria, é impossível existir segurança,
cultura ou indústria…” (Hobbes, Leviatã)
“Dado que os homens pela natureza desejam aquilo que
julgam ser bom para si, isto leva inevitavelmente ao conflito, se não
houver poder comum que mantenha todos em respeito.” (Cotta, 1994)
“A saída que Hobbes propõe só é possível pela constituição de
um pacto racional, em que todos abrem mão de seus direitos naturais em
troca de segurança e paz.” (Bittar, 2011)
“A política hobbesiana torna-se ainda mais atual à medida que
a ordem civil e a segurança continuam sendo questões centrais da vida
social contemporânea.” (Bobbio, 2000)
Uma pequena observação:
Ao estudar Hobbes, percebo como o poder precisa servir ao povo e não se
fechar só num grupo pequeno, pois isso fragiliza a sociedade. As greves
recentes mostraram que, quando não se dá ouvidos à maioria, o povo
busca outras formas de ser ouvido. Sinceramente, há casos em que
parece que alguns têm medo de largar o lugar, mesmo quando o
resultado real mostra claramente que já passou da hora de mudar.
Governar devia ser um serviço ao povo – quem insiste em ficar para
sempre acaba por esquecer que o país não pertence a uns poucos, mas
sim a todos nós.
Resumindo:
PODEMOS fazer a diferença se trabalharmos juntos. :p