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Gestão de Base

O capítulo discute a importância da gestão das categorias de base no futebol, enfatizando que devem ser vistas como um investimento e não como um custo. A formação de atletas deve ser estruturada e profissionalizada, visando tanto o desenvolvimento esportivo quanto financeiro dos clubes. O texto também aborda a necessidade de um currículo de formação que integre aspectos técnicos e metodológicos para a identificação e desenvolvimento de talentos.

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Gestão de Base

O capítulo discute a importância da gestão das categorias de base no futebol, enfatizando que devem ser vistas como um investimento e não como um custo. A formação de atletas deve ser estruturada e profissionalizada, visando tanto o desenvolvimento esportivo quanto financeiro dos clubes. O texto também aborda a necessidade de um currículo de formação que integre aspectos técnicos e metodológicos para a identificação e desenvolvimento de talentos.

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CAPÍTULO 11

75

AUTORES

GUILHERME FIORAVANTI, LUCAS ALVES,


RICARDO SÁ E VICTOR AMORIM
TIME ACADÊMICO DO FUTEBOL INTERATIVO

GESTÃO DE BASE
CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA
E METODOLÓGICA
CAPÍTULO 7
GESTÃO DE BASE
CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E
METODOLÓGICA

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
76

O PAPEL DO GESTOR NA BASE


“O Futebol de Base precisa ser visto como investimento
em um clube de futebol e não como custo.”

Por muitos anos, as categorias expansão na concorrência das equi-


de base foram entendidas por par- pes com maior poder aquisitivo na
tes dos Gestores do Futebol como busca de bons jogadores jovens e
um custo. Essa realidade enfim está desconhecidos, fez com que nos úl-
mudando e a cada dia, os Gestores timos anos os investimentos na for-
têm visto as categorias de base mação do atleta de futebol ganhas-
como um investimento, que poderá sem maior importância na visão dos
a médio e longo prazo trazer não só Gestores de Futebol (FERREIRA;
um retorno esportivo, aproveitando PAIM, 2011).
os atletas oriundos da base em sua Assim, também é importante con-
equipe profissional, como também o siderar que a boa preparação de um
retorno financeiro, por meio de um equipe de futebol começa com uma
maior número de transferências de boa estrutura administrativa do clu-
atletas formados no clube. be que, estando preparado para for-
Nesse contexto, torna-se neces- mar os seus próprios atletas, poderá
sário refletir sobre a valorização obter melhores resultados técnicos
das categorias de base – etapas e financeiros. É preciso salientar,
fundamentais para a formação do ainda, que uma gestão profissional,
jovem atleta que futuramente, ao se com conhecimento em gestão, admi-
profissionalizar, trará ao clube que nistração e marketing nas catego-
o formou a possibilidade de “colher rias de base do futebol, pode ajudar
os frutos” do investimento feito (VE- a modificar o atual panorama admi-
RARDI; BURGOS, 2013). O alto pre- nistrativo e financeiro dos clubes
ço para contratação de atletas já brasileiros (JORGE, 2001).
consagrados, juntamente com uma Portanto, o principal objetivo do

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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trabalho no Futebol de base é a for- vender ou deixar os jogadores for-


mação de atletas para abastecer a marem-se sem um trabalho porme-
equipe profissional. Somado a isto, norizado e progressivo, tendo em
destaca-se a possibilidade de uma vista que é essa preparação que os
futura venda desses atletas, bem certifica para o acesso a uma equi-
como oportunizar aos atletas a prá- pe profissional e capacita-os para
tica do futebol e a formação do ci- enfrentar os problemas da forma de
dadão (VERARDI; BURGOS, 2013). A jogar do clube (VERARDI; BURGOS,
busca dentro da própria organização 2013). Destaca-se também a inevi-
por pessoas com as características tável contextualização dos treina-
de que se necessita, ou seja, atletas mentos, a partir de um plano e de
oriundos da base, apresenta van- um método de trabalho sistemáti-
tagens interessantes aos clubes. O co definidos (FREITAS; BALZANO,
recrutamento de atletas das catego- 2012). Sem essa interação entre os
rias de base para suprir as neces- processos organizacionais do Clube
sidades do grupo profissional apre- e os pressupostos metodológicos e
senta menor custo direto ao clube, científicos, dificulta-se muito a pro-
além de dispor do conhecimento moção de atletas da base para a
prévio do perfil de desempenho do equipe profissional, pois isso pode
atleta (FALK; PERREIRA, 2010). representar a ausência de uma
Esse contexto evidencia a impor- identidade da equipe quanto à for-
tância das categorias de base do ma de jogar nesse clube (HEINECK
Futebol, provocando reflexões so- et al. 2012).
bre a necessidade dos Gestores de Por exemplo, o São Paulo Futebol
Futebol preocuparem-se com a es- Clube é formador de atletas, pois
trutura organizacional do Futebol possui uma infraestrutura física e
de base dos Clubes, amparada em uma estratégia voltadas para esse
pressupostos metodológicos e cien- objetivo. O atleta é formado para
tíficos (VERARDI; BURGOS, 2013). atender à demanda do time profis-
É inaceitável formar apenas para sional e não para ser utilizado como

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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mercadoria para futuras transações. princípios. Assim, os grandes desa-


Atualmente, 16 dos 30 jogadores fios para os Gestores são entender
(53%) que compõem o elenco do clu- a relevância dos planejamentos, do
be Paulista são formados nas catego- desenvolvimento de suas estrutu-
rias de base do clube (LANCE, 2000). ras físicas, organizacionais e con-
Somados a essa alta participação de ceituais, principalmente nas cate-
atletas oriundos da base no elenco gorias de base (VERARDI; BURGOS,
profissional, 37% dos gols da equipe 2013). Assim, o Gestor de Futebol
na temporada 2020 foram marcados de base deve possuir competências
por jogadores formados na base do essenciais para realizar sua função:
clube (GLOBOESPORTE, 2020). Além habilidades básicas de comunica-
do retorno esportivo, o clube pau- ção, marketing e vendas, programa-
lista arrecadou R$ 105 milhões com ção de eventos, supervisão e gestão
transferência de jogadores em 2019 de recursos humanos, gerência de
(SPORTSVALUE, 2020). Esses dados instalações e gerência fiscal (VIEI-
demonstram que uma boa gestão do RA; STUCCHI, 2007).
Futebol de base pode trazer retor- As estruturas centralizadoras e
nos esportivos e financeiros. obsoletas precisam ser alteradas
Portanto, esse processo só é vi- para estruturas abertas, dinâmicas
ável quando os gestores do clube e modernas (VERARDI; BURGOS,
estão preparados para assumir tal 2013). Nesse sentido, percebe-se a
tarefa, com ênfase em uma gestão importância de uma reestruturação
profissionalizada para as catego- na formação dos jogadores de Fu-
rias de base do Futebol (ANCHIETA, tebol. A partir dessa iniciativa, as
2008). Os Gestores de Futebol, na categorias de base poderão efetiva-
atualidade, têm então a missão de mente contribuir com o desenvolvi-
fazer com que o futebol sobreviva a mento do clube, sendo uma alterna-
essa realidade, aproveitando-se de tiva à rentabilidade e à formação de
seus benefícios, mas sem perder a jogadores para a equipe profissio-
sua essência, seus valores e seus nal (MEYER, 2010).

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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CURRÍCULO DE FORMAÇÃO
DE ATLETAS
O sonho de muitas crianças e jo- riência, conhecimento e preferências
vens é um dia ser jogador de futebol, individuais de treinadores e olheiros
o que gera a necessidade, por parte (BERGKAMP et al., 2019), sendo es-
dos clubes, de detectar e selecionar ses últimos também chamados de
aqueles que possam se tornar um Scouters e/ou Analistas de Mercado.
futuro profissional destacado, a pon- Contudo, a competência de obter
to de representar as suas equipes informações, além de uma análise
(GONÇALVES, 2017). subjetiva, permite aos treinadores
Identificar Talentos em uma idade Identificar Jogadores que se encai-
precoce está longe de ser um pro- xem no estilo de jogo da equipe. As-
cesso estabelecido, sendo muito sim, alguns clubes podem buscar De-
mais complexo em esportes cole- tectar Atletas prospectos com base
tivos. Além disso, no Futebol, o su- em aspectos físicos, enquanto outros
cesso dependerá de uma série de clubes podem realizar essa busca
fatores externos, onde pode incluir- com maior ênfase na habilidade téc-
-se a possibilidade para praticar, a nica (UNNITHAN et al., 2012).
ocorrência ou não de lesões ao lon- Com isso, existem diferentes pro-
go do tempo, a qualidade dos treina- postas para a Identificação do Talento
mentos realizados que possibilitem no Futebol, visto que:
melhor desenvolvimento do jogador Reilly et al. (2000) propuseram uma
e, por último, mas não menos impor- bateria de testes com abordagem
tante, os fatores pessoais, sociais e multidisciplinar, onde foram abrangi-
culturais (REILLY et al., 2000). das medidas antropométricas, fisioló-
Historicamente, a Identificação de gicas, psicológicas e de desempenho.
Talentos no Futebol era feita de for- Unnithan et al. (2012), propuseram
ma subjetiva e se baseava na expe- um método mais holístico para Iden-

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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tificação do Talento com a utilização gador da seleção brasileira Garrincha,


dos jogos reduzidos, associado com que nasceu com uma das pernas 6 cen-
outras ferramentas, como um mode- tímetros menor que a outra e, assim
lo para a Identificação de Jogadores mesmo, é considerado um dos grandes
prospectos. jogadores do futebol brasileiro.
Costa et al. (2010) propuseram uma 3) Idade Relativa – geralmente, se
ferramenta para avaliar os comporta- dá prioridade para jogadores nasci-
mentos táticos desempenhados pelos dos nos primeiros meses do ano, por
jogadores em situação de jogo chama- apresentarem um processo de matu-
do FUT-SAT (Sistema de Avaliação Tá- ração mais avançado quando compa-
tica no Futebol), que pode servir como rados com aqueles nascidos no mes-
uma importante ferramenta para mo ano, porém nos últimos meses. A
Identificar Talentos sob o ponto de vis- autora utiliza como exemplo jogado-
ta tático, algo que é considerado tão res como Ronaldo Nazário nascido
importante por alguns treinadores. em setembro, Zlatan, Rooney e Pelé
Porém, independente da proposta nascidos em outubro, Xabi Alonso
escolhida para a Identificação do Talen- nascido em novembro e Alexis Sán-
to no Futebol, Gonçalves (2017) chama chez nascido em dezembro.
a atenção para alguns pontos que não Com base em tudo que foi mencio-
podem ser desconsiderados na hora de nado anteriormente, é possível afirmar
Identificar Talentos, que são: que existem diferentes propostas para
1) Focar somente no desempenho a Identificação do Talento no Futebol,
atual do Jovem Talento – com certe- porém para determinar qual propos-
za é um indicador de potencial, mas ta se adapta melhor à necessidade de
nem sempre esse grande desempe- cada equipe, é preciso saber quais fa-
nho atual do jovem jogador significa tores o seu clube entende como sen-
que futuramente será também um do os primordiais para a Detecção de
grande jogador. Jovens Talentos, levando em conside-
2) Talento sem estereótipo definido ração a sua Filosofia, o seu Contexto
– a autora utiliza o exemplo do ex-jo- Social e o seu Modelo de Jogo.

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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Uma vez que o talento seja identifi- Conduzido o Processo, sendo neces-
cado e selecionado, é hora de passar sário respeitar o período de desen-
ao processo formativo, começando volvimento dos atletas (faixa etária e
pela Iniciação Esportiva. o princípio da individualidade biológi-
De acordo com Prestes (2020), “o ca), bem como adaptar a metodolo-
processo de Iniciação Esportiva deve gia de treinamento as necessidades
ser qualificado e condizente, com a e possibilidades dos alunos/atletas,
exposição das crianças a boas prá- proporcionando que essa metodolo-
ticas e a contextos qualificantes que gia facilite o desenvolvimento dos jo-
potencialize o desenvolvimento dos vens, realizando-se para tal, as adap-
jovens Talentos e possa auxiliar no tações que sejam necessárias como:
crescimento da base de praticantes tamanho do campo, tamanho e núme-
da modalidade”. ro de bolas, estruturação do espaço,
Prestes (2020) ainda afirma que o tamanho e número de traves, número
ponto principal é a forma como será de jogadores, etc. (ver figura 1).

Figura 1. Processo Formativo no Futebol (Marcelo Prestes, 2020)

Partindo dessa ideia de que é neces- na imprescindível para estabelecer as di-


sário entender como se dará o processo retrizes desse processo.
desde a iniciação, passando pela forma- Nesse mesmo sentido, Oliveira et al.
ção, até chegar à especialização, enten- (2017) afirmam que o Currículo de For-
demos que o desenvolvimento de um mação ressalta o projeto político peda-
Currículo de Formação de Atletas se tor- gógico, que permite direcionar a inte-

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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ração e inter-relação dos componentes tação no âmbito esportivo, sociocultural,


curriculares (disciplinas, orientações e histórico e temporal. Quanto ao Futebol
conteúdos) com os sujeitos e contextos em si, os mesmos autores referem que
da aprendizagem, prevendo um plane- “o que ensinar”, “quando ensinar”, “como
jamento para o ensino do esporte. Onde, ensinar” e o “como e quando avaliar” se-
através da elaboração do currículo bus- rão diretrizes que pautarão o trabalho e
ca-se organizar o processo, definindo o a construção de um Currículo de Forma-
perfil da formação, seus conteúdos, eta- ção de Atletas.
pas, objetivos, metodologias, calendário Com isso, a formação de jovens jo-
e avaliação. gadores de Futebol, deve ser um ca-
Mas o que deverá ser desenvolvido em minho de ações continuadas que res-
um Currículo de Formação de Atletas, pondam a sistematização operacional
uma vez entendida a sua importância? do currículo, adaptando-se à realida-
Parece não haver uma receita pronta, de onde a prática do futebol se inse-
para Oliveira et al. (2017) o Currículo de re. O currículo é a peça fundamental
Formação aparece como o eixo organi- para que a formação alcance o perfil
zador do processo, obedecendo a uma desejado, se faça sistemática e confi-
intervenção pedagógica clara para todos, gure um trajeto potencializador para o
levando em conta o contexto do clube desenvolvimento positivo dos jovens
(condição e necessidades), além da orien- através da prática esportiva.

COORDENAÇÃO TÉCNICA E
METODOLÓGICA NA BASE
A coordenação técnica e metodo- partir disso, os coordenadores de-
lógica são funções que visam geren- vem dominar duas habilidades es-
ciar todo o processo de formação de senciais para a função: conhecimen-
jogadores de Futebol na base, in- tos técnicos e gestão de recursos
cluindo a identificação e seleção. A humanos (CARRAVETTA, 2012).

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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Técnica é compreendida como o tanto, pode existir um projeto dife-


conjunto de procedimentos que per- rente para com os atletas em forma-
mitem a resolução de problemas e a ção. Caso o clube tenha como meta
efetividade de determinado proces- a negociação de jogadores da base
so (TANI, 2016). Desta maneira, os na primeira oportunidade de negó-
coordenadores técnicos e metodo- cio que aparecer (dentro da legisla-
lógicos devem estudar, de maneira ção esportiva vigente), a abordagem
detalhada e profunda, para conhecer e conduta dos coordenadores deve-
a cultura de jogo e objetivos com a rá ser diferente nesse processo. Ou
formação de atletas dentro do clu- seja, a postura dos coordenadores,
be em que estejam inseridos. Para tanto técnicos quanto metodológi-
seguir neste ponto, é importante en- cos, depende do contexto em que o
tender a definição de cultura de jogo. profissional está inserido no clube,
Segundo Reis e Almeida (2019), a seja o processo histórico e cultural
cultura de jogo consiste no conjunto ou a missão, visão e valores do clube
de valores e conquistas de determi- em questão.
nado clube de futebol produzidos ao Sobre a gestão de recursos hu-
longo do seu processo histórico até manos, a mesma consiste na habili-
a contemporaneidade. dade de lidar com diferentes perfis
Baseado nestas informações, se profissionais (comissão técnica e jo-
o objetivo do clube é formar joga- gadores), retirando o melhor de cada
dores para a equipe profissional, os indivíduo (CARRAVETTA, 2012). Este
coordenadores devem adaptar todo cenário também envolve o processo
o processo para este propósito, seja de recrutamento de profissionais que
com o perfil de profissionais contra- irão trabalhar diretamente na forma-
tados, a metodologia de treinamen- ção dos jogadores (treinadores, auxi-
to, os conteúdos dos treinos por ca- liares técnicos, preparadores físicos,
tegorias/idades, a estruturação de etc.). Dependendo do clube e de seu
áreas auxiliares (psicologia, serviço organograma, os coordenadores não
social), entre outros tópicos. Entre- são os únicos a participarem destas

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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escolhas. Em alguns casos, o dire- do coordenador técnico/metodológi-


tor ou o gerente de futebol de base co no futebol de base. Existem duas
podem estar em um nível hierárqui- abordagens, que são Tarefa e Moti-
co acima e fazem algumas definições vação, e quatro mecanismos para
nesse processo. Contudo, os coorde- cada abordagem: Comportamentos
nadores devem ter seus mecanismos do Coordenador, Processos, Condu-
de seleção de profissionais, pois isso tas da Comissão Técnica e dos Joga-
implicará diretamente na eficácia dos dores e os Resultados Obtidos (Figu-
seus trabalhos. ra 2; adaptado de KATTUMAN; LOCH;
O quadro 1 apresenta as funções KURCHIAN, 2019).

Figura 2: Abordagens e mecanismos inerentes à função do coordenador técnico no futebol

A abordagem da Tarefa consiste diferentes partes que compõem) man-


naquilo que quer ser alcançado no tendo-os determinados a alcançar o
futebol de base a partir da atuação e objetivo estabelecido. Para cada abor-
intervenção dos coordenadores técni- dagem, quatro mecanismos devem
cos e metodológicos. Pode ser tratada ser controlados pelos profissionais da
como o objetivo a ser alcançado. Já coordenação.
a abordagem da Motivação é o quan- Por exemplo, quanto ao mecanismo
to o profissional consegue otimizar a que aborda o comportamento do coor-
energia do sistema (interação entre as denador, o profissional deve criar e/

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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compõem) mantendo-os determinados a alcançar o objetivo estabelecido. Para cada
abordagem, quatro mecanismos devem ser controlados pelos profissionais da coordenação.
ou desenvolver a filosofia de jogo da do feito) aos treinadores, se o trabalho
Por exemplo, quanto ao mecanismo que aborda o comportamento do coordenador, o
equipe (abordagem da tarefa/obje- deles está de acordo com os estilos de
profissional deve criar e/ou desenvolver a filosofia de jogo da equipe (abordagem da
tivo). Já tarefa/objetivo).
em relaçãoJáa em abordagem da da
relação a abordagem jogo que oo clube
motivação, deseja
fornecimento implementar
de feedback

motivação, o fornecimento
(informações desendo
sobre o que está feedba- na sua se
feito) aos treinadores, categoria competitiva
o trabalho deles está de acordoé umas
com os estilos de jogo que o clube deseja implementar na sua categoria competitiva é umas
ck (informações sobre o que está sen- das demandas dos coordenadores.
das demandas dos coordenadores.

Quadro 1: Quadro
Funções1:doFunções
coordenador técnico no futebol
do coordenador de no
técnico base (adaptado
futebol de KATTUMAN;
de base
(adaptado
LOCH; KURCHIAN, 2019). de KATTUMAN; LOCH; KURCHIAN, 2019).

ABORDAGEM COMPORTAMENTO PROCESSO CONDUTA RESULTADO


DA
COMISSÃO
TÉCNICA E
JOGADORES

TAREFA Estilo de jogo Planejamento Aspectos Objetivos


coletivos específicos
por categoria
competitiva

Filosofia de trabalho Avaliação Aspectos Eficácia e


individuais eficiência nos
jogos

Identificação e seleção Formação Gestão e Eficácia e


dos jogadores continuada e recursos eficiência em
permanente humanos dos competições
dos treinadores
profissionais

MOTIVAÇÃO Estilo de interação Coesão Afetividade Metas


(comissão traçadas
técnica e (curto, médio
jogadores e longo prazo

Feedback do Comunicação Suporte


desempenho social

Estados Avaliação
emergentes individual
(estresse,
nível de
competição,
foco, etc.)

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O quadro 1 apresenta muitas funções que os coordenadores devem executar,
trazendo como planejar e conduzir essas ações e quais objetivos e resultados acarretariam
13
desses movimentos. Este modelo de quadro é de muita qualidade para ser utilizado nas
funções de coordenação, seja para elaborar uma análise ao chegar em um clube ou para
GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
86

O quadro 1 apresenta muitas fun- Um tópico muito importante para


ções que os coordenadores devem o desenvolvimento da função de co-
executar, trazendo como planejar e ordenador, é a análise da interação
conduzir essas ações e quais objeti- entre as diferentes funções e áreas
vos e resultados acarretariam des- que compõem o Futebol de base do
ses movimentos. Este modelo de clube. Durante muito tempo, o futebol
quadro é de muita qualidade para ficou restrito ao conceito de multidis-
ser utilizado nas funções de coor- ciplinaridade, ou seja, cada profissio-
denação, seja para elaborar uma nal realiza a sua função e não ocor-
análise ao chegar em um clube ou re uma cooperação e ligação entre
para planejar as ações e tarefas das os profissionais de diferentes áreas.
próximas temporadas, meses ou se- Esse conceito e sua aplicabilidade
manas. Planejamento é fundamen- prática vem sendo substituído pela
tal para as funções de coordenador interdisciplinaridade e, até mesmo,
técnico ou metodológico. pela transdisciplinaridade (Figura 3).

Figura 3: Conceitos e aplicações de comportamentos de interação que o coordenador técnico pode esti-
mular entre os diferentes profissionais que gerenciam o futebol de base.

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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Em tempo, é muito importante ci- para a construção dos conteúdos que


tar e apresentar as competências e serão desenvolvidos ao longo da ini-
habilidades que um profissional deve ciação esportiva até as últimas cate-
ter para poder assumir tal função no gorias competitivas da base. A lógica
futebol de base: dos conteúdos deve buscar desenvol-
a) Conhecimento aprofundado so- ver a coordenação intra e interpes-
bre a natureza do jogo de futebol; soal (SANTOS et al., 2018; DAVIDS et
b) Conhecimento aprofundado so- al., 2013; PASSOS; BARREIROS, 2013;
bre as diferentes habilidades com e NEWELL, 1985).
sem bola do futebol; Dessa forma, nota-se que a fun-
c) Conhecimento aprofundado so- ção de coordenação, tanto metodo-
bre aspectos estratégicos-táticos re- lógica quanto técnica, é essencial no
lacionados aos aspectos coletivos do processo de formação de jogadores,
futebol; dada a quantidade de atributos, ca-
d) Conhecimento aprofundado so- racterísticas, competências e habi-
bre os diferentes tipos de métodos de lidades necessárias. Estas funções
ensino e treinamento aplicados no fu- são emergentes no futebol brasilei-
tebol, suas qualidades e limitações; ro, mas já apresentam protagonis-
e) Conhecimento aprofundado so- mo, pois estes profissionais devem
bre diferentes instrumentos de ava- alinhar todo o complexo processo
liação individual e coletiva aplicados de formação de jogadores, seguindo
ao futebol; pelos diferentes contextos e finali-
f) Conhecimento sobre tecnologia dades com os objetivos da institui-
aplicada ao futebol; ção, a partir da interação com pro-
g) Conhecimento aprofundado so- fissionais com distintas formações
bre a cultura de jogo da equipe que e expertises. Deve-se ressaltar que
irá trabalhar; esta função de coordenação pode
h) Criatividade e inovação. gerar oportunidades únicas para
Todas as competências e habili- profissionais que almejam traba-
dades apresentadas acima servem lhar com futebol.

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
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GESTÃO DO TALENTO
DO FUTEBOL
O que é Talento? Para iniciarmos deravelmente complexo e que tem
o diálogo sobre esta temática, é sido realizado por meio dos cha-
preciso definir o que é talento. No mados “olheiros” ou observadores,
estudo de Paoli (2007), apresenta- que são profissionais encarregados
-se a ideia de que não há um mode- de acompanhar jogos das mais va-
lo definido para o perfil de craque riadas categorias, em diversas lo-
ou talento no futebol. Já Carraveta, calidades, para identificar jogado-
afirma que talento é um dom divi- res com potencial para se tornarem
no, que alguns indivíduos podem profissionais (MONTEIRO, 2001).
nascer com potencial desenvoltu- Por outro lado, o desenvolvimen-
ra para determinadas atividades, to do talento depende das condições
como por exemplo músicas, artes, oferecidas pelo ambiente, sendo o
matemáticas (CARRAVETA, 2012). resultado obtido pelo acompanha-
Dessa forma, o processo para iden- mento de um treinamento sistemá-
tificação dos jovens atletas deve ser tico, orientação intencional, ativa e
realizado com o objetivo de encontrar pedagógica (PAOLI et al., 2008). A se-
indivíduos que possam se tornar jo- leção envolve um processo contínuo
gadores de futebol profissional. Ob- de identificação de jogadores que de-
viamente que dentro desse processo, monstraram níveis iniciais elevados
encontra-se atletas que atingirão um para a inclusão em um determina-
nível muito elevado e acima da média. do clube e uma respectiva posição.
A seleção de talentos esportivos, Durante a identificação e seleção de
no caso específico do futebol, é, em talentos esportivos convém atentar
parte, pautada na experiência, e para as várias condições e fatores
também na intuição, um processo que podem caracterizar um bom de-
que, muitas vezes, pode ser consi- sempenho (PAOLI, 2007).

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GESTÃO DE BASE CURRÍCULO DE FORMAÇÃO,
COORDENAÇÃO TÉCNICA E METODOLÓGICA
89

Dessa forma, Hahn (1989) apud Pa- Portanto, a obtenção de um alto


oli (2007) sugere algumas condições nível de desempenho de um de-
e fatores que podem influenciar o de- terminado jogador não depende
sempenho esportivo: apenas do tempo e das condições
1. Requisitos antropométricos (ta- oferecidas, mas também de meto-
manho do corpo, peso, proporções); dologias de treinamentos que per-
2. Características físicas (resistên- mitam a identificação, a detecção e
cia aeróbia e anaeróbia, força máxima a seleção dos atletas, possibilitando
e rápida, velocidade de ação e reação, determinar e desenvolver o seu ver-
flexibilidade); dadeiro potencial esportivo. Neste
3. Requisitos técnicos motores (ca- processo, não é suficiente apenas
pacidades coordenativas e os funda- reconhecer o talento, mas torna-se
mentos técnicos específicos); imprescindível que o técnico saiba
4. Capacidade de aprendizagem (ca- como aproveitá-lo na equipe, pro-
pacidade de compreensão, observa- curando explorar suas virtudes e
ção e análise); trabalhar no sentido de minimizar
5. Prontidão para o desempenho suas limitações (PAOLI et al., 2008).
(prontidão para o esforço, discipli- Para tanto, é interessante a elabo-
na, aplicação ao treinamento, tole- ração de um plano de ação para au-
rância a frustrações); Capacidades xiliar no processo de identificação do
cognitivas (concentração, inteligên- talento:
cia motora, criatividade, tática); 1. Entender o clube/empresa para
6. Fatores afetivos (prontidão para o qual você trabalha, qual é a sua re-
competições, severidade e capacida- alidade?;
de de controle do estresse durante 2. Identificar se o perfil do atleta se
as competições); encaixa com o do seu clube/empresa;
7. Fatores sociais (capacidade de 3. Elaborar um banco de dados;
assumir um papel/função dentro de 4. Mapear o seu bairro, a sua re-
um trabalho em equipe, capacidade gião, a sua cidade, o seu Estado;
de trabalho em equipe). 5. Identificar quais são os locais de

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jogos e competições.
Além de todos estes pontos, os pre- Ainda, devem ser considerados al-
ditores são aspectos relevantes que guns critérios técnicos: Passe curto;
devemos levar em consideração no Passe longo; Domínio de bola; Con-
momento em que estamos avaliando dução; Finalização. Deve-se, ainda,
um jogador. Vamos montar e imagi- considerar alguns critérios compor-
nar um documento simples para a tamentais: Parte cognitiva; Seu per-
nossa primeira observação: fil extra campo; Tomada de decisão;
1. Qual o local do jogo; Agressividade; Competitividade.
2. Qual o nível da competição; Sintetizando, além de todo o proces-
3. Qual o nível da partida observada; so de identificação do talento, o mesmo
Aprofundando a análise individu- exige um planejamento para que este
al, deve-se ficar atento para alguns talento chegue ao seu maior nível de
aspectos: Qual é a posição do atleta; desenvolvimento técnico, tático e cog-
Qual é a sua perna dominante; Qual é nitivo. Para sucesso deste processo,
a sua estatura. além de toda a área de captação en-
Alguns aspectos físicos devem ser volvida no descobrimento do talento,
analisados: Velocidade; Agilidade; Po- a área técnica está diretamente ligada
tência. à sua evolução, assim como as áreas
Alguns aspectos táticos: de acompanhamento social e psicoló-
1. Como o atleta atua na organiza- gico, pois sem estes acompanhamen-
ção defensiva; tos, apenas o talento não basta.
2. Como o atleta atua na transição
ofensiva;
3. Como o atleta atua na organiza-
ção ofensiva;
4. Como o atleta atua na transição
defensiva;
5. Como o atleta atua nas bolas pa-
radas.

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O IMPACTO DA GESTÃO
DA BASE NA EQUIPE
PROFISSIONAL
As categorias de base dos clubes de longo prazo. O efeito da idade relati-
futebol podem impactar de diferen- va se dá na preferência por jogadores
tes maneiras a equipe profissional do que nasceram no início do ano em de-
clube. Uma das maneiras mais claras trimento de atletas que nasceram ao
que podemos demonstrar esses im- final do ano em uma mesma catego-
pactos seriam do retorno esportivo. ria. Nos estágios iniciais de desenvol-
A totalidade dos atletas que estão vimento dos atletas, focando nas ca-
em categorias de base de clubes bra- tegorias de base (9-16 anos), devido à
sileiros tem como objetivo chegar na maturação dos indivíduos, jogadores
equipe profissional e acreditam que que nasceram no início do ano aparen-
passar por esse período de treina- tam maior desenvolvimento físico em
mento auxiliam nesse objetivo (FER- relação aos atletas que nasceram ao
REIRA; PAIM, 2011). Além disso, os final do ano. Essa diferença, traz im-
atletas que já se encontram no nível pactos na seleção de atletas, na qual
profissional também destacam que as comissões técnicas preferem se-
boa preparação nas categorias de lecionar atletas fisicamente mais de-
base auxiliam no seu desenvolvimen- senvolvidos e muitas vezes, acabam
to profissional, tanto em aspectos deturpando análises relacionadas ao
técnicos quanto em aspectos emocio- talento esportivo. Esse efeito já foi ob-
nais (CORRÊA et al., 2012). servado em estudos científicos, com
Um ponto importante que deve ser uma maior frequência de atletas que
analisado na seleção de talentos es- nasceram no início do ano em catego-
portivos seria o efeito da idade rela- rias sub-15 até o profissional (RABELO
tiva, que pode impactar os clubes no et al., 2016). Mas uma pergunta inte-

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ressante que deve ser feita é: será que o clube. Um dos jogadores revelados
a gestão da base está atenta a esses pelo clube e que é um dos destaques
aspectos? Logicamente, atletas mais no campeonato, seria o Brenner, com
desenvolvidos fisicamente apresen- 9 gols no campeonato. Caso o clube
tam maiores chances de desempe- investisse em outros jogadores com
nhar melhor rendimento esportivo no números semelhantes e potencial
curto prazo. Mas será que muitos ta- pela idade, como o do atacante Pepê
lentos para a equipe profissional não (7 gols), do Grêmio, o clube teria de-
poderiam ter sido dispensados antes sembolsado cerca de 9 milhões de
mesmo de atingirem o seu ápice físi- euros, demonstrando também uma
co, que traria o nivelamento com os economia quando se desenvolve
outros atletas? Será que muitos clu- atletas na própria instituição.
bes abrem mão de resultados na base, Ainda sobre a equipe do São Paulo,
que realmente servem de vitrine para cerca de 50% da equipe é composta
negócios, para um desenvolvimento de jogadores formados nas escolas
a longo prazo de talentos para a sua de formação do clube, em um elenco
equipe profissional? avaliado em cerca de 57.9 milhões de
Passando agora para o impac- euros pelo transfermarkt. Levando
to esportivo na prática, um recente pelo lado numérico, desconsideran-
caso vem se destacando no futebol do aspectos de transações e valor
nacional que seria do São Paulo Fu- de cada atleta, pelo menos 28.95 mi-
tebol Clube. Como dito anteriormen- lhões de euros foram economizados
te, cerca de 37% dos gols da equi- na busca de uma equipe competiti-
pe no ano de 2020 foram feitos por va. Vale destacar que o jogador com
jogadores que passaram nas divi- maior valor de mercado, Igor Gomes,
sões de base do clube e garantiram 5 milhões de euros, é um jogador for-
a primeira colocação do time até o mado na categoria de base.
presente momento (25ª rodada do Outro clube que apresentou impac-
Brasileirão 2020). Esses resultados to esportivo da base na equipe profis-
demonstram também economia para sional na composição de seu elenco

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foi a equipe do Palmeiras. Em recen- lhões de euros. Valor que contribui


te jogo da principal competição con- para a aquisição de jogadores chave
tinental para um clube brasileiro, a para o clube, como Gabriel Barbosa
Copa Libertadores da América, o clu- e De Arrascaeta. Fora diversas ou-
be apresentou um banco de reservas tras contratações que refletiram em
composto de 100% de jogadores da sucesso esportivo na conquista do
base. Outro ponto importante de des- Campeonato Brasileiro e da Liberta-
taque na equipe do Palmeiras seria dores da América no ano de 2019.
o grande valor de mercado de suas Outros clubes também tiveram
promessas, como Gabriel Verón e o transferências com valores milioná-
Gabriel Menino, que juntos equivalem rios e que contribuíram para a saú-
a 35 milhões de euros, mais 35% do de financeira e montagem de elen-
valor de mercado de toda a equipe cos, como no caso da venda do atleta
(96,7 milhões de euros). Éverton Cebolinha do Grêmio para o
Além do retorno esportivo, outro Benfica por 20 milhões de euros. Ou-
ponto que foi brevemente abordado tro caso, foi da transferência do jo-
foi o retorno financeiro para os clubes. gador Pedrinho, do Corinthians para
Um dos clubes que vem se destacan- o Benfica no valor de 18 milhões de
do nesse quesito seria o Flamengo euros. O mesmo valor foi pago pela
que obteve lucros em diversas trans- equipe do Ajax-HOL por Antony que
ferências nos últimos anos e que per- passou pelas equipes de base e pro-
mitiram o reinvestimento desse di- fissional do São Paulo Futebol Clube.
nheiro na equipe profissional. Por fim, é interessante notar que
Destaques para as vendas dos jo- a base apresenta potencial ilimitado
gadores Vinícius Júnior (Real Madrid para os clubes, seja no seu desem-
- 45 milhões de euros), Lucas Paquetá penho esportivo quanto no potencial
(Milan - 38,4 milhões de euros) e mais financeiro, que se investido de forma
recentemente, Reinier (Real Madrid - estratégica, contribui para o desen-
30 milhões de euros), que trouxeram volvimento de novos jogadores e de
aos cofres do clube cerca de 113 mi- um grupo competitivo.

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