Funções Executivas e TDAH
TDAH: O TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma
síndrome (conjunto de sintomas) caracterizada por distração, agitação /
hiperatividade, impulsividade, esquecimento, desorganização, adiamento crônico,
entre outras. O TDAH é um transtorno de "base orgânica", associado a uma
disfunção em áreas do córtex cerebral, conhecida como Lobo Pré-Frontal.
Quando seu funcionamento está comprometido, ocorrem dificuldades com
concentração, memória, hiperatividade e impulsividade, originando os sintomas do
TDAH - déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, está relacionado a
anomalias no funcionamento de diversas áreas cerebrais, em especial as áreas
corticais pré-frontais, que trazem prejuízos nas funções executivas do cérebro.
Segundo Gathercole, há evidências de que no transtorno do déficit de
atenção e hiperatividade (TDAH) a principal alteração esteja relacionada ao
controle inibitório, o que pode ser observado nos comportamentos usualmente
apresentados no transtorno, tais como baixa tolerância à espera, necessidade de
recompensa imediata, déficits na autorregulação, entre outros. Ainda, relacionados
ao TDAH e ao controle inibitório, figuram conceitos como regulação do estado e
aversão à demora.
Para Sergeant, a regulação do estado pode ser compreendida como a
capacidade de regulação da motivação e do esforço para conseguir alcançar um
determinado objetivo, ou seja, a capacidade em mobilizar a atividade mental para
adequar suas capacidades à demanda e assim alcançar objetivos.
Crianças com aversão à demora preferem escolher tarefas nas
quais a recompensa é mais rápida do que escolher tarefas cujas
recompensas são mais demoradas. Quando não há a opção de
escolha e há uma imposição de espera, crianças com aversão à
demora podem demonstrar inatenção, frustração e aumento de
tempo para realizar a tarefa. (SERGEANT, 2013, P.3).
Existem três categorias de funções executivas
O autocontrole, ou seja, a capacidade de resistir contra fazer algo tentador
para privilegiar a ação desejada. Ele ajuda as crianças a permanecer atentas, a
agir de forma menos impulsiva e a ficar concentrada em seu trabalho.
A memória de trabalho, ou seja, a capacidade de conservar as informações
na mente, o que permite utilizá-las para fazer o vínculo entre as ideias, calcular
mentalmente e estabelecer prioridades.
A flexibilidade cognitiva, ou seja, a capacidade de pensar de forma criativa
e de se adaptar às demandas inconstantes. Ela permite utilizar a imaginação e a
criatividade para resolver problemas.
Disfunções executivas é uma marca central do TDAH, tanto que muitos
especialistas da área consideram ser esta a origem principal do transtorno.
Segundo esta concepção, a essência do TDAH estaria em falhas no controle
inibitório.
O déficit de atenção é visto como um déficit na modulação da atenção,
pessoas com TDAH - distração e desatenção conseguem prestar atenção, muitas
vezes de extrema intensidade, chegando a um hiperfoco. Entretanto, enfrentam
problemas com controle voluntário e auto-direcionado do foco. Já a hiperatividade
representa um déficit em inibição motora, assim como a impulsividade está
relacionada a uma inibição pobre dos impulsos.
Há consenso que as Funções Executivas incluem a capacidade de Inibição,
Flexibilidade Mental, Controle Emocional, Volição (capacidade de iniciar
atividades), Memória de Trabalho, Planejamento, Auto-monitoramento e
Organização.
Cérebro TDAH em descanso Cérebro TDAH em descanso
Cérebro TDAH em atividade
A primeira imagem mostra um cérebro normal em descanso, a segunda
imagem, o cérebro de um portador de TDAH também em descanso. As áreas de
menor ativação com a aparência de “buracos" indicam menor consumo de energia
(menor metabolismo de glicose). Em descanso, há maior similaridade entre o
cérebro TDAH e normal - em descanso, as diferenças são poucas. O problema
aparece mais claramente é exigida concentração, controle da hiperatividade e
esforço mental, pela necessidade de maior ativação cognitiva. Isto pode ser visto
na figura terceira figura, indicando que portadores de TDAH enfrentam as maiores
dificuldades justamente no momento em que precisam se concentrar.
Comorbidade e TDAH ocorrência de mais de um problema ao mesmo
tempo, além da distração, hiperatividade, impulsividade e outros sintomas mais
característicos, como esquecimentos, desorganização, pouca percepção da
passagem do tempo. Especialmente em adultos, a comorbidade “ocorrência
simultânea”, de mais de um transtorno acompanhando o TDAH é comum, certas
alterações na estruturação e desenvolvimento cerebral que inicialmente estão
relacionadas à manifestação do TDAH e seus sintomas facilitariam a ocorrência de
outros transtornos. A não identificação de comorbidades está entre os principais
fatores que levam a tratamentos com resultados insatisfatórios - ou até mesmo sem
resultados.
A presença de comorbidade modifica de modo significativo o prognóstico do
TDAH, e o planejamento das estratégias terapêuticas, são comuns algumas
comorbidades como: Transtornos Ansiosos, Depressão, Transtorno Opositivo-
Desafiador, Transtorno de Conduta, Transtornos Disruptivos ( transgressões de
regras), Transtorno Bipolar entre outros. A presença de comorbidade parece ser
significativa no TDAH e pode sugerir a necessidade de entre- vistas diagnósticas
que abordem outros sintomas psíquicos e comportamentais do que aqueles
unicamente relacionados àquele transtorno, o abuso de álcool e drogas aumenta o
comprometimento observado em uma significativa parcela destes indivíduos.
Tratamento e Objetivos da Terapia Comportamental-Cognitiva para TDAH
O objetivo mais amplo da psicoterapia comportamental-cognitiva é auxiliar o
cliente a desenvolver novos padrões de comportamentos e de pensamentos e a
motivação para construir uma nova estória de vida, com mais autonomia,
satisfação e qualidade de vida.
Os objetivos e as técnicas específicas variam de acordo com a faixa etária
(crianças, adolescentes ou adultos) e com as demandas de cada caso. Ainda
assim, há aspectos comuns a todos os casos.
Os componentes mais diretamente ligados à base neurobiológica e funções
cognitivas - atenção, memória, velocidade mental, controle de impulsos -
respondem tanto a tratamentos medicamentosos quanto abordagens não
medicamentosas como ginástica e estimulação cerebral. Já na dimensão
emocional e comportamental, as intervenções psicoterapêuticas.
Tratamento com medicação para TDAH
Psicoestimulantes são a categoria de medicamentos mais comuns no
tratamento do TDAH, os psicoestimulantes têm por função potencializar o
funcionamento cerebral, aumentando a concentração, a memória operacional e a
velocidade mental; também a capacidade de sustentar o esforço mental por tempo
mais longo; iniciar e realizar atividades até o final. Também tem efeito sobre a
hiperatividade, por estimular as áreas cerebrais que comandam a inibição da
motricidade (melhoram os freios comportamentais). Os pensamentos se tornam
mais claros, pela melhor organização das idéias e redução das distrações. São os
remédios mais utilizados para Déficit de Atenção e Hiperatividade no Brasil:
Ritalina, Concerta e Venvanse são seus nomes comerciais.
Referências
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Cacilda Amorim. Psicoterapia e Coaching Comportamental. Diretora do IPDA -
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PEREIRA, Heloisa S.; ARAÚJO, Alexandra PQ; MATTOS, Paulo. Transtorno do
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