No contexto da má distribuição e falta de água em determinados locais, aparece como
alternativa a racionalização e o reaproveitamento de água, bem como a utilização de economizadores
de consumo.
Uma forma de reduzir o consumo de água nas residências é a utilização de economizadores
nos aparelhos sanitários. Os aparelhos sanitários são, por exemplo, chuveiro, bacia sanitária e
lavatório, pia de cozinha, tanque e máquina de lavar. Um simples banho de 15 minutos em um
chuveiro elétrico chega a consumir 45 litros em casa e 144 litros em um apartamento.
Os economizadores tem a função de diminuir o consumo de melhorar o desempenho dos
aparelhos sanitários. Como exemplo destes equipamentos, pode-se citar a descarga dual (economia de
3-6 L); bacia sanitária econômica (economia de 2 L); descarga à vácuo (economia de 1,5 L); torneira
hidromecânica (economia de 30-70%); registro restritor de vazão (economia de 60%); arejador
(redução de até 50% do consumo de água).
A conservação da qualidade e quantidade da água do planeta, através de práticas de
economia, como o uso racional e as fontes alternativas, fazem parte dos princípios da sustentabilidade
e está atualmente em expansão sendo adotada em diversos países.
Os sistemas de aproveitamento da água pluvial são utilizados desde a história antiga, com
cisternas para armazenamento de água para o consumo humano. Atualmente, as águas utilizadas para
o consumo humano necessitam de tratamento adequado para garantir sua potabilidade, porém as
águas usufruídas para outros fins não alimentares, como limpezas, irrigações e lavagens de veículos
podem ser provindas de precipitações.
O aproveitamento da água da chuva é uma prática aplicada em várias partes do mundo. Em
algumas regiões, a água da chuva é a única forma de se ter acesso à água. Em outras, esta prática é
usada como forma de preservar os mananciais superficiais e as águas subterrâneas.
Na agricultura a água das chuvas pode ser aproveitada para a irrigação de plantações. Esse
sistema permite aumento da produtividade, reduz a sazonalidade da oferta de alimentos no decorrer do
ano e permite a produção de alimentos onde a falta de chuvas é um fator limitante.
A captação e utilização de águas pluviais para a irrigação, quando realizado um
dimensionamento criterioso do sistema de captação, coleta e armazenamento, proporciona uma
alternativa viável, proporcionando redução dos custos e diminuição do consumo de águas de outras
fontes de abastecimento.
Uma outra alternativa além do aproveitamento da água da chuva é a utilização da água cinza.
Esta, pode ser definida como qualquer efluente gerado por uma residência, excluíndo o esgoto
sanitário. O tratamento e reuso da água cinza pode ser realizado de diversas formas, o melhor método
pode variar de acordo com a aplicação. Um exemplo de tratamento é o reuso direto com filtro ou com
tratamento completo.
Diferente das propostas anteriores de alternativa para o consumo de água, tem - se a
dessalinização. O processo de dessalinização da água consiste na remoção de parte dos sais minerais
da água salgada ou salobra através de processos físicos e químicos. Alguns desses processos são
destilação, osmose reversa e eletrodiálise.
As estratégias aplicadas para o racionamento de água envolvem estratégias de interrupção
planeja - períodos com ou sem abastecimento público e períodos de suspensão total do abastecimento
- e redução de vazão, gerando diminuição no consumo de água.
Uma pesquisa foi desenvolvida no Estado de São Paulo, em 2014, para mapear como a água é
utilizada e entender como os estabelecimentos estão lidando com a crise hídrica. Foram entrevistados
137 representantes de empresas, indústrias, hospitais e hotéis que responderam um questionário sobre
o uso e o consumo de água em seus estabelecimentos.
Os resultados da pesquisa apontam que a maioria das empresas entrevistadas, indústrias,
hospitais e hotéis do Estado de São Paulo não tem um plano de contingência para enfrentar a crise
hídrica. O estudo evidenciou que os estabelecimentos são altamente dependentes de companhias de
abastecimento, já que pouco contam com outras fontes de abastecimento, apenas 12,4% reutilizam a
água de outra forma.
Um dos principais indicadores de eficiência da operação dos sistemas de abastecimento de
água é o índice de perdas. O cenário brasileiro de perdas de água no setor de saneamento é bastante
problemático. A média brasileira de perdas de água é de aproximadamente 40%.
As perdas de água no sistema de abastecimento está associada as tubulações se deterioram
com o tempo, os hidrômetros se desgastam com o tempo e as fraudes (ligações irregulares). Ao nível
técnico é possível intervir em duas vertentes principais: (i) em termos físicos, através de reparações
pontuais ou de reabilitação dos sistemas ou de parte destes; (ii) em termos de operação, minimizando
a ocorrência de contaminações exteriores e gerindo as pressões para que estas não sejam mais
elevadas do que o necessário à prestação de um bom serviço aos consumidores.