Transformação Linear
Transformação Linear
Transformações Lineares
Dados A e B conjuntos não vazios uma aplicação de A em B é uma relação biunívoca que a cada
elemento a em A associa um único elemento em B.
Uma transformação linear é uma aplicação entre dois espaços vetoriais que preserva linearidade, por
exemplo as rotações e as reflexões do plano no plano são lineares.
T: R2 −→ R2
.
(x, y) 7−→ T (x, y) = (x, −y)
T: R2 −→ R2
.
(x, y) 7−→ T (x, y) = (−x, −y)
T: R2 −→ R2
.
(x, y) 7−→ T (x, y) = (−x, y)
144 Capítulo 5. Transformações Lineares
Figura 5.1.1: Ponto X e as imagens das reflexões pelos eixos x e y e pela origem
Rθ : R2 −→ R2
cos θ −sen θ x
Rθ (x, y) = ·
sen θ cos θ y
(x, y) 7−→
= (x cos θ − y sen θ , x sen θ + y cos θ ).
π
(b2 ) Rotação de :
2
R π2 : R2 −→ R2
0 −1 x .
(x, y) 7−→ R π2 (x, y) = · = (−y, x)
1 0 y
(b3 ) Rotação de π:
Rπ : R2 −→ R2
−1 0 x .
(x, y) 7−→ Rπ (x, y) = · = (−x, −y)
0 −1 y
π
Figura 5.1.2: Ponto X e as imagens das rotações de θ , eπ
2
T: R2 −→ R2
, com a e b números reais são lineares.
(x, y) 7−→ T (x, y) = (ax, by)
De fato:
= T (x1 , y1 ) + T (x2 , y2 ).
Logo, as reflexões do exemplo (a) são lineares, no item (a1 ) a = 1 e b = −1; no item (a2 )
a = b = −1 e no item (a3 ) a = −1 e b = 1.
146 Capítulo 5. Transformações Lineares
De fato:
(i) Para quaisquer p(t) e q(t) em Pn (R) temos:
(1)
T p(t) + q(t) = T (p + q)(t) = (p + q)0 (t) = p0 (t) + q0 (t) = T p(t) + T q(t) .
d d d
g(t) = f 0 (t) + g0 (t), propriedade da derivada da soma de funções.
(1) f (t) + g(t) = f (t) +
dt dt dt
(ii) Para todo p(t) em Pn (R) e todo λ em R temos:
(2)
T λ p(t) = T (λ p)(t) = λ (p)0 (t) = λ T p(t) .
d d
f (t) = a · f 0 (t), propriedade da derivada do produto de uma função por uma
(2) a · f (t) = a ·
dt dt
constante.
a11 a12 · · · a1n
a21 a22 · · · a2n
(f) Seja Am×n = uma matriz m × n, a aplicação:
.. .. .. ..
. . . .
am1 am2 · · · amn
TA : Rn −→ Rm
x1
x2
(x1 , x2 , · · · , xn ) −
7 → TA (x1 , x2 , · · · , xn ) = Am×n · ,
..
.
xn
a11 a12 ··· a1n x1
a21 a22 ··· a2n x2
TA (x1 , x2 , · · · , xn ) = .. ·
.. .. .. ..
ou seja,
. . . . .
am1 am2 · · · amn xn
TA : R3 −→ R2
x
1 3 −1
(x, y, z) −
7 → TA (x, y, z) = · y
0 2 1
z
= (x + 3y − z, 2y + z).
Verificação:
Logo, − T (v) = T (−v) ⇐⇒ −T (v) = T (−v).
T L3 De fato,
(i) TL
T (v − u) = T v + (−u) = T (v) + T (−u) =2 T (v) − T (u).
Observação 5.1.3 Se T : V −→ V é uma transformação linear, com Dom(T ) = CD(T ), dizemos que
T é um operador linear.
Demonstração:
(i) Sejam u e v em V , então:
T é linear
S ◦ T (u + v) = S T (u + v) = S T (u) + T (v)
S é linear
= S T (u) + S T (v) = S ◦ T (u) + S ◦ T (v).
No último exemplo de transformações lineares vimos que toda matriz define uma transformação
linear. Reciprocamente, se V e W são espaços vetoriais sobre um corpo K, ambos de dimensão
finita, dada uma transformação linear T : V −→ W , considerando B = {v1 , v2 , · · · , vn } base de V e
B 0 = {w1 , w2 , · · · , wm } base de W podemos associar a T uma matriz em relação às bases B e B 0 .
De fato, para todo v ∈ V podemos escrever
v = α1 · v1 + α2 · v2 + · · · + αn · vn , com α1 , α2 , · · · , αn ∈ K.
Por outro lado, como T (v1 ), T (v2 ), · · · , T (vn ) ∈ W também podemos escrever:
Logo,
T (v) = T α1 · v1 + α2 · v2 + · · · + αn · vn
Solução:
3 é B = (1, 0, 0), (0, 1, 0), (0, 0, 1) , enquanto que a de R2 é
A base canônica de R
B 0 = (1, 0), (0, 1) .
Logo,
T (1, 0, 0) = (1, 3) = 1(1, 0) + 3(0, 1)
Assim temos:
1 0
T = (1, 0, 0) = 1(1, 0, 0) + 0(0, 1, 0) + 0(0, 0, 1),
0 0
0 1
T = (1, 1, 0) = 1(1, 0, 0) + 1(0, 1, 0) + 0(0, 0, 1),
0 0
0 0
T = (1, −1, 2) = 1(1, 0, 0) − 1(0, 1, 0) + 2(0, 0, 1),
1 0
0 0
T = (0, 0, −1) = 0(1, 0, 0) + 0(0, 1, 0) − 1(0, 0, 1).
0 1
Logo,
T (1, 0) = 2 − t 3 e T (0, 1) = t + 3t 2 .
Portanto, a matriz de T em relação às bases canônicas é:
T (e1 ) T (e2 )
↓ ↓
2 0 ← coeficiente de grau 0
[T ] = .
0 1 ← coeficiente de grau 1
0 3 ← coeficiente de grau 2
−1 0 ← coeficiente de grau 3
Teorema 5.2.3 Sejam V e W espaços vetoriais sobre um corpo K, ambos de dimensão finita e
T : V −→ W uma transformação linear. Se B = {v1 , v2 , · · · , vn } é base de V e B 0 = {w1 , w2 , · · · , wm }
é base de W , então
T (v) B0 = [T ]B
B 0 · [v]B para todo v ∈ V.
v = α1 · v1 + α2 · v2 + · · · + αn · vn .
T (v) B0 = [T ]B
B 0 · [v]B para todo v ∈ V.
Teorema 5.2.5 Sejam V , W e U espaços vetoriais sobre um corpo K, com dim V = n, dim W = k
e dim U = m, B, B 0 e B 00 bases de V , W e U, respectivamente. Se
[S ◦ T ]B B B
0
B 00 = [S] 00 · [T ] 0 .
| {zB} | {zB}
m×k k×n
S ◦ T (v) B00 = [S ◦ T ]B
B 00 · [v]B .
[S]B [S]B B
Teo. 5.2.3 0 Teo. 5.2.3 0
S ◦ T (v) B00 = S T (v) B00 = B 00 · T (v) B0
= B 00 · [T ]B 0 · [v]B .
[S ◦ T ]B B B
0
B 00 · [v]B = [S]B 00 · [T ]B 0 · [v]B .
5.2 Matriz de uma Transformação Linear 153
[S ◦ T ]B B B
0
B 00 = [S]B 00 · [T ]B 0 .
B0
B e M 1 as matrizes mudanças de base de B para B e de B 0 para B 0 , respectivamente.
com MB1 B0 1 1
B 0 · T (v)
(ii) T (v) B0 = MB 0 B0
1 1
(iii) T (v) B0 = [T ]B
B 0 · [v]B
(iv) T (v) B0 = [T ]B
1
B0
· [v]B1 .
1 1
para todo v ∈ V .
B0
B é invertível com inversa M 1 , multiplicando, à esquerda, a igualdade acima por
0
Como a matriz MB 0 B0
1
B0
MB01 temos:
B0B1
[T ]B B
B 0 · [v]B = MB 0 · [T ]B 0 · MB1 · [v]B ,
1
1
para todo v ∈ V .
B0
B1
Consequentemente, [T ]B B
B 0 = MB 0 · [T ]B 0 · MB1 .
1
1
Corolário 5.2.7 Sejam V um espaço vetorial sobre um corpo K de dimensão finita, B e B1 bases
de V e T : V −→ V um operador linear, então:
B1 B
[T ]B = MB · [T ]B1 · MB1
,
B1 B
[T ]B = MB · [T ]B1 · MB1
.
[T ]B · [T ]B
−1 0
B1 = Q B0 · P .
1
B temos [T ] −1 · [T ]
2. No Corolário 5.2.7, fazendo P = MB1 B = P B1 · P .
ker(T ) = {v ∈ V ; T (v) = 0W }.
Solução:
(a) (c, d) ∈ Im(T ) ⇐⇒ existe (x, y) ∈ R2 ; T (x, y) = (c, d) ⇐⇒ (ax, by) = (c, d).
1º Caso: a = 0 e b 6= 0: Neste caso teremos:
(
c=0
(c, d) ∈ Im(T ) ⇐⇒ (0, by) = (c, d) ⇐⇒ b6=0 d
y =
b
d
Logo, tomando x, , com x ∈ R qualquer, temos
b
d d
T x, = 0 · x, b · = (0, d) = (c, d).
b b
Portanto, Im(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; x = 0}.
Por outro lado,
b6=0
(x, y) ∈ ker(T ) ⇐⇒ T (x, y) = (0, 0) ⇐⇒ (0, by) = (0, 0) ⇐⇒ y = 0.
Logo, ker(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0}.
2º Caso: a 6= 0 e b = 0: Analogamente ao caso anterior, temos:
Im(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0} e ker(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; x = 0}.
3º Caso: a 6= 0 e b 6= 0: Neste caso teremos:
a6=0 c
x = a
(c, d) ∈ Im(T ) ⇐⇒ (ax, by) = (c, d) ⇐⇒
=0 d
y b6=
b
c d c d c d
Logo, tomando , temos T , = a· ,b· = (c, d).
a b a b a b
Portanto, Im(T ) = R2 .
Por outro lado,
(x, y) ∈ ker(T ) ⇐⇒ T (x, y) = (0, 0) ⇐⇒ (ax, by) = (0, 0)
ax = 0 a6=0 e b6=0 x = 0
⇐⇒ ⇐⇒
by = 0 y=0
Logo, ker(T ) = {(0, 0)}.
(b) q(t) ∈ Im(T ) ⇐⇒ existe p(t) ∈ Pn (R) tal que T p(t) = q(t) ⇐⇒ p0 (t) = q(t)
Z Z Z
0
⇐⇒ p (t) dt = q(t) dt ⇐⇒ p(t) = q(t) dt.
Portanto, Im(T ) = R3 .
Por outro lado,
x y x y
∈ ker(T ) ⇐⇒ T = (0, 0, 0)
z t z t
x + y + z = 0 t = 2z
⇐⇒ y − z + t = 0 ⇐⇒ y = −z .
2z − t = 0 x = 0
x y
Logo, ker(T ) = ; x = 0, y = −z e t = 2z }.
z t
(e) a0 + a1t + a2t 2 + a3t 3 ∈ Im(T ) ⇐⇒ existe (x, y) ∈ R2 tal que
T (x, y) = a0 + a1t + a2t 2 + a3t 3 ⇐⇒ 2x + yt + 3yt 2 − xt 3 = a0 + a1t + a2t 2 + a3t 3
a0
2x = a 0
x = a
2
0 = −a3
y = a1 y = a1 a0 = −2a3
⇐⇒ ⇐⇒ a =⇒ 2 a ⇐⇒ .
3y = a 2 2 a2 = 3a1
2 y = a1 =
3 3
−x = a3
−x = a3
5.3 Núcleo e Imagem de uma Transformação Linear 157
Portanto,
Teorema 5.3.2 Sejam V e W são espaços vetoriais sobre um corpo K e T : V −→ W uma transfor-
mação linear, então:
(i) ker(T ) é um subespaço de V .
(ii) Im(T ) é um subespaço de W .
Demonstração:
(i) Sabemos que T (0V ) = 0W , portanto ker(T ) 6= 0.
/
Dados u, v ∈ ker(T ), temos:
T (u + v) = T (u) + T (v) = 0W + 0W = 0W .
Portanto, u + v ∈ ker(T ).
Agora, se v ∈ ker(T ) e λ ∈ K, então
T (λ · v) = λ · T (v) = λ · 0W = 0W .
Assim, λ · v ∈ ker(T ).
Logo, ker(T ) é um subespaço de V .
(ii) Observemos que Im(T ) = T (V ), como V é subespaço de V , segue da propriedade TL4 que Im(T )
é um subespaço de W .
Observação 5.3.3 Segue da Definição 5.2.1 que Im(T ) é o subespaço correspondente ao espaço
coluna da matriz [T ]B
B 0 , como B e B bases de V e de W , respectivamente.
0
Observação 5.3.5 Nos exemplos acima podemos ver que em todos os casos
dim ker(T ) + dim Im(T ) = dim D(T ), isto não foi uma coincidência, como veremos no teorema a
seguir.
Dado w ∈ Im(T ), existe v ∈ V tal que T (v) = w, como B é uma base de V existem escalares
a1 , · · · , ak , ak+1 , · · · , an ∈ K tais que v = a1 · v1 + · · · + ak · vk + ak+1 · vk+1 + · · · + an · vn .
Logo,
λk+1 · vk+1 + · · · + λn · vn = α1 · v1 + · · · + αk · vk
⇐⇒ α1 · v1 + · · · + αk · vk − λk+1 · vk+1 − · · · − λn · vn = 0V .
Mas B = {v1 , · · · , vk , vk+1 , · · · , vn } é uma base de V , portanto devemos ter
Proposição 5.3.7 Sejam V e W espaços vetoriais sobre um corpo K, com dim V = n e dim W = m.
Se T : V −→ W e S : V −→ W são transformações lineares definidas por A e B matrizes em Mm×n (K),
tais que B = Q · A · P, com Q ∈ Mm (K) e P ∈ Mn (K) matrizes invertíveis, então
dim ker(T ) = dim ker(S) .
160 Capítulo 5. Transformações Lineares
Consequentemente,
B · [ui ] = [0W ], para todo i ∈ {1, · · · , r}.
Portanto,
Q · A · P · [ui ] = [0W ], para todo i ∈ {1, · · · , r}.
P é linear
a1 · P · [u1 ] + · · · + ar · P · [ur ] = [0V ] =⇒ P · a1 · [u1 ] + · · · + ar · [u1 ] = [0V ].
Agora observemos que dada T : V −→ W uma transformação linear, pelo Teorema 5.3.6 (do Núcleo
e da Imagem), tomando B = {v1 , · · · , vk , vk+1 , · · · , vn } base de V obtida pelo completamento de
{v1 , · · · , vk } uma base do ker(T ), considerando B 0 uma base de W , então a matriz de T em relação
às bases B e B 0 é dada por:
Observe que, pelo Corolário 5.2.7 e pela Proposição 5.3.7 acima, a nulidade de [T ]B
B 0 independe das
bases consideradas em V e em W , consequentemente o mesmo ocorre com o posto de [T ]B B0 .
Assim, temos o seguinte resultado:
Exemplos 5.3.9 Determine o núcleo e a imagem de T utilizando uma matriz da transformação linear.
(a) T : R3 −→ R2 dada por T (x, y, z) = (x + 3y − z, 2y + z).
(b) T : M2 (R) −→ P2 (R), dada por
a11 a12
T = (a11 + a12 + a21 ) + (a12 − a21 + a22 )t + (2a21 − a22 )t 2 .
a21 a22
Solução:
1 3 −1
(a) A matriz de T em relação às bases canônicas de e deR3 R2
é [T ] = , logo:
0 2 1
0
C2 −→ C20 − 2C30
1 3 −1 C2 −→ C2 − 3C1 1 0 0 1 0 0
∼ ∼ .
0 2 1 C3 −→ C3 +C1 0 2 1 0 0 1
Logo, Im(T ) = 1 + t + 4t 2 , t + t 2
e dim ker(T ) = 2.
Observemos que T (E22 ) = 0P2 (R) e que
0P2 (R) = C20 + 2C30 = (C2 −C1 ) + 2(C3 −C1 ) = C2 − 3C1 + 2C3
−1 0
3 2
as colunas desta matriz são L. I. segue que Im(T ) = 2 − t , t + 3t e dim ker(T ) = 0,
portanto ker(T ) = {0V }.
1 0 1
(d) A matriz de T em relação às bases canônicas de P2 (R) e de R3 é [T ] = 1 0 1 , logo:
0 2 2
1 0 1 1 0 0
1 0 1 C3 −→ C3 −C2 −C1 ∼ 1 0 0 .
0 2 2 0 2 0
0R2 = C30 −C20 = C4 − (C2 − 2C1 ) = T (ie2 ) − T (e2 ) − 2T (e1 ) = T (2e1 − e2 + ie2 ).
Portanto, ker(T ) = 2e1 − e2 + ie2 , ie1 = (2, 1 + i), (i, 0) .
Teorema 5.4.1 Sejam V e W são espaços vetoriais sobre um corpo K e T : V −→ W uma transfor-
mação linear, T é injetora se, e somente se, ker(T ) = {0V }.
T (u) − T (v) = 0W ⇐⇒ T (u − v) = 0W ,
isto implica que u − v ∈ ker(T ), mas como ker(T ) = {0V }, segue que u − v = 0V ⇐⇒ u = v.
Portanto, T é injetora.
Exemplos 5.4.2 Determine quais transformações lineares, dos Exemplos 5.3.4, são injetoras e sobre-
jetoras.
Solução:
(a) T (x, y) = (ax, by), com a e b números reais.
164 Capítulo 5. Transformações Lineares
1º Caso: a = 0 e b 6= 0
Como Im(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; x = 0} = 6 R2 , então T não é sobrejetora e
ker(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0} 6= {(0, 0)}, então T não é injetora.
2º Caso: a 6= 0 e b = 0
Como Im(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; y = 0} = 6 R2 , então T não é sobrejetora e
ker(T ) = {(x, y) ∈ R2 ; x = 0} 6= {(0, 0)}, então T não é injetora.
3º Caso: a 6= 0 e b 6= 0
Como Im(T ) = R2 , então T é sobrejetora e ker(T ) = {(0, 0)}, então é injetora.
(b) T p(t) = p0 (t), a derivada de polinômios de grau ≤ n.
Im(T ) = Pn−1 (R), então T é sobrejetora e ker(T ) = P0 (R) = R 6= {0}, portanto T não é
injetora.
(c) T (x, y, z) = (x + 3y − z, 2y + z)
Im(T ) = R2 , então T é sobrejetora e
Demonstração:
(i) Suponhamos que n = m, sabemos que:
T é injetora se, e somente se,
Teo. 5.3.6
ker(T ) = {0V } ⇐⇒ dim ker(T ) = 0 =⇒ dim V = dim Im(T )
Dado w ∈ W elemento arbitrário, como T é sobrejetora, existe um único v ∈ V tal que w = T (v),
como B é base de V existem escalares a1 , a2 , · · · , an em K tais que
v = a1 · v1 + a2 · v2 + · · · + an · vn , consequentemente:
w = T (v) = T (a1 · v1 + a2 · v2 + · · · + an · v2 )
.
T é linear
= a1 · T (v1 ) + a2 · T (v2 ) + · · · + an · T (vn )
Portanto, W = T (v1 ), T (v2 ), · · · , T (vn ) , como dim W = n, então
B 0 = T (v1 ), T (v2 ), · · · , T (vn ) é base de W .
S : W −→ V
, tal que T (v) = w.
w 7−→ S(w) = v
T −1 ◦ T = IdV e T ◦ T −1 = IdW .
(b) Na definição de inversa de uma transformação linear é essencial a condição de que a transforma-
ção seja bijetora.
De fato, a condição de T é injetora é necessária, pois se existissem v1 e v2 elementos distintos
em V tais que T (v1 ) = T (v2 ) = w1 não teríamos como estabelecer T −1 (w1 ).
Já a condição de T é sobrejetora é necessária para que T −1 possa ser aplicada a cada elemento
/ Im(T ), então T −1 (w) não estaria
de W , que é o seu domínio, pois se existisse w ∈ W tal que w ∈
definida.
5.5 Inversa de uma Transformação Linear 167
T −1 (λ w) = λ u = λ T −1 (w).
Definição 5.5.3 Seja T : V −→ W uma transformação linear invertível, ou seja, possui inversa,
dizemos que T é um isomorfismo linear, ou simplesmente um isomorfismo.
A transformação linear T −1 : W −→ V é chamada o isomorfismo inverso de T .
Logo,
(x, y, z) = x(1, −1, 0) + (x + y)(0, 1, −1) + (x + y + z)(0, 0, 1).
Consequentemente,
T (x, y, z) = T x (1, −1, 0) + (x + y) (0, 1, −1) + (x + y + z) (0, 0, 1)
T é linear
= x T (1, −1, 0) + (x + y) T (0, 1, −1) + (x + y + z) T (0, 0, 1)
= x (2 + t) + (x + y) (−1 + t 2 ) + (x + y + z) (t + t 2 )
= (x − y) + (2x + y + z) t + (2x + 2y + z) t 2 .
5.5 Inversa de uma Transformação Linear 169
Sabemos que T é isomorfismo se, e somente se, T é bijetora, mas como dim R3 = dim P2 (R)
basta verificar que T é injetora, para isso vamos mostrar que ker(T ) = {(0, 0, 0)}.
⇐⇒ (x − y) + (2x + y + z) t + (2x + 2y + z) t 2 = 0
x − y = 0 x = 0
⇐⇒ 2x + y + z = 0 ⇐⇒ y = 0 .
2x − 2y + z = 0 z = 0
(c) Considere o operador linear T : P2 (R) −→ P2 (R) dado por: T p(t) = (3+t)· p0 (t) + 2· p(t)
Portanto,
= (2a0 + 3a1 ) + (3a1 + 6a2 ), 4a2 , (2a0 + 3a1 ) − (3a1 + 6a2 )
Determinando Im(T ◦ S): (x, y, z) ∈ Im(T ◦ S)) se, e somente se, existe (a, b, c) ∈ R3 tal
que
Por outro lado, como Im(T ◦ S) 6= R3 segue que T ◦ S não é sobrejetora, portanto não é um
automorfismo, consequentemente, não existe inversa do operador T ◦ S.
(e) Mostre que C2 como um espaço vetorial sobre R é isomorfo ao espaço vetorial real M2 (R).
Solução:
Devemos apresentar um isomorfismo de C2 em M2 (R).
Consideremos, por exemplo, a transformação T : C2 −→ M2 (R), definida por:
x1 y1
T (x1 + iy1 , x2 + iy2 ) = .
x2 y2
172 Capítulo 5. Transformações Lineares
(ii) Observemos que (x1 + iy1 , x2 + iy2 ) ∈ ker T se, e somente se,
0 0
T (x1 + iy1 , x2 + iy2 ) = 0M2 (R) ⇐⇒ T (x1 + iy1 , x2 + iy2 ) =
0 0
x1 = 0
x1 y1 0 0 y1 = 0
⇐⇒ = ⇐⇒ ⇐⇒ (x1 + iy1 , x2 + iy2 ) = 0C2 .
x2 y2 0 0
x2 = 0
y2 = 0
Logo, ker T = 0C2 , portanto T é injetora, como dimR C2 = dim M2 (R), segue que T é
bijetora.
De (i) e (ii) segue que T é um isomorfismo, consequentemente C2 como um espaço vetorial
sobre R e M2 (R) são isomorfos.
Teorema 5.5.5 Sejam V e W são espaços vetoriais sobre um corpo K, espaços vetoriais de dimensão
finita e T : V −→ W uma transformação linear. Se dim V = dim W = n, então
T (v) B0 = [T ]B
B 0 · [v]B para todo v ∈ V,
ou seja,
T (v) B0 = [T ]B
−1
B0 · T ◦ T (v) B para todo v ∈ V
T (v)=w
=⇒ [w]B0 = [T ]B
−1
B 0 · T (w) B para todo w ∈ W
=⇒ In · [w]B0 = [T ]B −1 B
Teo. 5.2.3 0
B 0 · [T ]B · [w]B0 para todo w ∈ W.
5.5 Inversa de uma Transformação Linear 173
Reciprocamente, se [T ]B
B 0 é invertível para B e B bases quaisquer de V e de W , respectivamente,
0
então dadas B1 e B10 outras bases de V e de W , respectivamente, pelo Teorema 5.2.6 sabemos que
B0 B1 B0 B1
[T ]B B B
B 0 = MB 0 · [T ]B10 · MB1 , com MB 0 e MB1 matrizes invertíveis, portanto [T ]B10 também é
1 1
invertível.
Além disso, como [T ]B B
B 0 é invertível, então posto [T ]B 0 = n = dim V , consequentemente T é
sobrejetora e como dim V = dim W , segue T é bijetora, portanto isomorfismo.
T, S ∈ L (V,W )
= T (u) + α · T (v) + S(u) + α · S(v)
,
= T (u) + S(u) + α · T (v) + S(v)
= (T + S)(u) + α · (T + S)(v)
T ∈ L (V,W )
= λ · T (u) + α · T (v)
= λ · T (u) + λ · α · T (v)
.
= λ · T (u) + α · λ · T (v)
= (λ · T )(u) + α · (λ · T )(v)
Consequentemente λ · T também é transformação linear.
5.6 O Espaço Vetorial L (V,W ) 175
Demonstração:
(i) Devemos mostrar que a adição e a multiplicação por escalar em L (V,W ) satisfazem as seguintes
propriedades:
A1 T + S = S + T para quaisquer T, S ∈ L (V,W ) (comutatividade).
A2 (T + S) + R = T + (S + R) para quaisquer T, S, R ∈ L (V,W ) (associatividade).
A3 A transformação linear nula T0 : V −→ W , definida por
T0 (v) = 0W para todo v ∈ V , é tal que
L (V,W ).
n m
• Se ∑ ∑ ai j · Ti j = T0, transformação linear nula, segue da definição das transformações
i=1 j=1
lineares Ti j que:
176 Capítulo 5. Transformações Lineares
n m m n
0W = ∑ ∑ ai j · Ti j (vk ) = ∑ ∑ ai j · Ti j (vk )
i=1 j=1 j=1 i=1
m
= ∑ a1 j · T1 j (vk ) + · · · + ak j · Tk j (vk ) + · · · + an j · Tn j (vk ) .
j=1
m m
= ∑ ak j · Tk j (vk ) = ∑ ak j · w j
j=1 j=1
Como os vetores w1 , w2 , · · · , wm são L. I., segue que ak1 = · · · = akm = 0 para todo
k ∈ {1, · · · , n}.
Portanto, Ti, j ∈ L (V,W ); com 1 ≤ i ≤ n e 1 ≤ j ≤ m é um subconjunto L. I. de
L (V,W ).
• Seja T ∈ L (V,W ) uma transformação linear qualquer de V em W , observemos que dado
v ∈ V , como B = {v1 , v2 , · · · , vn } é base de V , existem únicos escalares α1 , α2 , · · · , αn
tais que v = α1 · v1 + α2 · v2 + · · · + αn · vn .
Logo,
T é linear
T (v) = T (α1 · v1 + α2 · v2 + · · · + αn · vn ) = α1 · T (v1 ) + α2 · T (v2 ) + · · · + αn · T (vn ).
Por outro lado, como B 0 = {w1 , w2 , · · · , wm } é base de W , para cada k ∈ {1, · · · , n},
existem únicos escalares λ1k , · · · , λmk tais que T (vk ) = λ1k · w1 + λ2k · w2 + · · · + λmk · wm .
Consequentemente,
T (v) = α1 · T (v1 ) + α2 · T (v2 ) + · · · + αn · T (vn )
Logo,
T11 , T21 , · · · , Tn1 , T12 , T22 , · · · , Tn2 (v), · · · , T1m , T2m , · · · , Tnm = L (V,W ).
dim L (V,W ) = n · m.
Observação 5.6.6 Pela demonstração do Teorema 5.6.2 (ii) segue que se B = {v1 , v2 , · · · , vn } é
uma base de V , então a família de transformações lineares T1 , · · · , Tn : V −→ K dadas por
é tal que T1 , · · · , Tn é base de L (V, K), espaço dual de V , esta base é chamada base dual de B.
178 Capítulo 5. Transformações Lineares
1 −1 0 −1 0 0 0 0
Exemplo 5.6.7 Determine a base dual de B = , , , ,
0 1 1 0 1 −1 0 1
base de M2 (R).
Solução:
a11 a12
Dada A = ∈ M2 (R), podemos escrever:
a21 a22
a11 a12 1 −1 0 −1
A = = a11 · − (a11 + a12 ) ·
a21 a22 0 1 1 0
.
0 0 0 0
+ (a11 + a12 + a21 ) · + (a12 + a21 + a22 ) ·
1 −1 0 1
Logo, T1 , T2 , T3 , T4 }, com
a11 a12 a11 a12
T1 = a11 , T2 = −a11 − a12 ,
a21 a22 a21 a22
a11 a12 a11 a12
T3 = a11 + a12 + a21 , T4 = a12 + a21 + a22
a21 a22 a21 a22
é base dual da base B.