LIvro Milho
LIvro Milho
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ORGANIZADORES
MILHO
graduação, autor de mais de 70 livros e
4. Óleo O texto traz ainda informações abrangentes sobre todos os aspectos de capítulos e 70 artigos científicos em seus
química, tecnologia e usos do cereal mais produzido no mundo (em mais de 20 anos de carreira. Consultor em
5. Componentes menores e fitoquímicos toneladas métricas), e inclui extensa cobertura do desenvolvimento Pós-Colheita de Grãos.
recente científico e tecnológico sobre o tema. Química, tecnologia e usos
6. Operações e etapas pré-industrialização
Em 21 capítulos, o livro destaca a importância do milho como
GUSTAVO HEINRICH LANG
7. Moagem de milho
matéria-prima para a produção de alimentos e de bioetanol combustível, Engenheiro Agrícola (2015), Mestre (2018) e
C 8. Farinhas e produtos degerminados e o tema emergente de fitoquímicos ou compostos nutracêuticos Doutor (2022) em Ciência e Tecnologia de
associados a diferentes tipos de milhos e seu efeito na saúde humana; Alimentos pela UFPel. Classificador Oficial
9. Amidos modificados
M
Y
especialmente na prevenção de doenças crônicas e do câncer, além de de Grãos e Auditor Técnico do Sistema
seus aspectos sensoriais e genótipos especiais. Discute ainda sobre o uso Nacional de Certificação de Unidades
CM
10. Produtos sem glúten a base de milho do milho como fonte de fibra alimentar, cozimento por extrusão de Armazenadoras de Grãos e Fibras no Brasil,
MY
farinhas e amidos de milho, examina o efeito da composição e estrutura ambos pelo MAPA. Pesquisador da área de
11. Produtos extrusados de milho
MILHO
CY
do milho na utilização da farinha de milho, na panificação e nos produtos Pós-colheita e Industrialização de Grãos,
CMY
12. Milho doce de milho. Além de servir de base científica, essa obra apoia o atua na análise dos processos, operação e
K desenvolvimento tecnológico das indústrias de milho e derivados. manutenção das estruturas e equipamentos
13. Milho Pipoca utilizados desde o recebimento até a
Ancorado em centenas de referências bibliográficas nacionais e expedição de grãos nas unidades da
14. Bebidas fermentadas internacionais, o livro sintetiza o conhecimento direcionado para a Cooperativa Cotrijal.
difusão do saber focado em um cereal muito importante para
15. Milho germinado alimentação humana: o milho! A obra abrange amplos aspectos da
CRISTIANO DIETRICH FERREIRA
16. Etanol qualidade do grão, que vão da lavoura ao prato do consumidor. Quando
trata do processamento, concentra-se na demanda em cada um dos Engenheiro Agrônomo (2012) pela UFPel,
17. Filmes biodegradáveis a base de milho caminhos possíveis para os grãos de milho, direcionados a aspectos Mestre (2014) e Doutor (2017) em C&T de
fundamentais, como a saúde do consumidor. Alimentos pela UFPel. Classificador Oficial
18. Nixtamalização de Grãos pelo MAPA e Auditor Técnico do
Tomando temas do milho mais intenso em tecnologia, aqui são Sistema Nacional de Certificação de
19. Metodologias e qualidade sensorial de apresentadas as infinitas oportunidades de uso alimentício, de uso para Unidades Armazenadoras de Grãos e Fibras.
milho e seus produtos a produção de bebidas e para o etanol. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do
CNPq - Nível 2, com mais de 67 artigos em
20. Milho andino periódicos e 30 capítulos de livro na área de
pós-colheita de grãos. Professor de
21. Efeitos do processamento nas
graduação, pós-graduação no PPG em
propriedades químicas do milho
Nutrição e Alimentos e pesquisador no
Itt Nutrifor na UNISINOS.
Maurício de Oliveira
Gustavo Heinrich Lang
Cristiano Dietrich Ferreira
organizadores
MILHO
Química, tecnonologia e usos
Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4° andar Milho: química, tecnologia e usos / organizado por
Maurício de Oliveira, Gustavo Heinrich Lang, Cristiano
04531-934 – São Paulo – SP – Brasil
Dietrich Ferreira. – São Paulo : Blucher, 2022.
Tel.: 55 11 3078-5366 432 p.
[email protected]
www.blucher.com.br Bibliografia
ISBN 978-65-5506-439-1
Segundo Novo Acordo Ortográfico, conforme
5. ed. do Vocabulário Ortográfico da Língua
Portuguesa, Academia Brasileira de Letras,
1. Engenharia de alimentos 2. Milho II. Lang, Gustavo
março de 2009.
Heinrich III. Ferreira, Cristiano Dietrich
1.1 Introdução 13
Referências 25
2. CARBOIDRATOS 29
Resumo 29
2.1 Introdução 29
Referências 50
3. PROTEÍNA 55
Resumo 55
3.1 Introdução 55
3.2 Aminoácidos 56
3.6 Aplicações 66
Referências 66
4. ÓLEO DE MILHO 69
Resumo 69
4.1 Introdução 69
Referências 84
5.1 Introdução 87
Referências 102
Referências 119
Referências 132
Referências 148
Referências 167
10.2 Fatores que afetam as propriedades dos produtos à base de farinha de milho 172
Referências 182
Referências 206
Referências 223
e aceitação 240
Referências 245
Referências 264
Referências 276
Referências 287
Referências 320
Referências 353
Referências 379
Agradecimentos 400
Referências 400
Referências 425
RESUMO
O milho (Zea mays L.) é uma gramínea da família Poaceae, sendo cultivado e fazen-
do parte da dieta humana há milhares de anos. A origem é a região do México, sendo
uma espécie muito domesticada e altamente produtiva, com adaptações a praticamente
todos os continentes e atualmente é o cereal mais produzido no mundo. É importante
não somente para a alimentação humana, mas também na indústria e, principalmente,
para a alimentação animal. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial, precedido da
China e dos Estados Unidos. A maior parte do milho consumido no Brasil é destinada
para as cadeias de suínos, aves e outros animais; o uso pela indústria e para consumo
humano é de aproximadamente 15%. A produção do grão tem relevante importância
na agricultura familiar, estando presente em grande parte das propriedades. O país se
destaca entre os exportadores, estando em segundo lugar com representação superior
a 20% do volume total. O milho tem muitas aplicações na indústria, que vai desde a
produção de farinhas e canjicas até aplicações mais aprimoradas, como na indústria
química e farmacêutica. O grão de milho é composto por aproximadamente 72% de
amido, 10% proteínas e 5% de óleo, além de açúcares, minerais e fibras; e é dividido em
quatro principais estruturas físicas: endosperma, gérmen, pericarpo e ponta.
1.1 INTRODUÇÃO
O milho (Zea mays L.) é uma monocotiledônea da família Poaceae, muito domesticada
e com ciclo que depende do genótipo e do clima da região, podendo variar de 90 a mais
de 180 dias. É uma espécie C4 sendo extremamente eficiente na assimilação de CO2, com
alta taxa de atividade fotossintética. As variedades melhoradas estão entre as espécies
alimentares mais produtivas mundialmente. A taxa de multiplicação é uma das mais
1.2.1.1 Mundo
Os cereais mais produzidos no mundo são milho, trigo e arroz e contribuem com
50-60% das necessidades diárias de energia humana (BATHLA et al., 2019).
Segundo dados da Food and Agriculture Organization (FAO, 2020), o trigo possui
a maior área cultivada, no entanto o milho possui maior produtividade por hectare,
o que o torna o cereal com maior produção mundial (Tabela 1.1). São semeados 194
milhões de hectares com produção superior a 1 bilhão de toneladas em 2018.
Segundo López-Pereira e Garcia (1997), o arroz e o trigo são os principais cereais usa-
dos na alimentação humana, enquanto o milho é a mais importante fonte de energia para
alimentação animal. O milho ganha destaque na produção de combustível (etanol) princi-
palmente nos Estados Unidos, segundo United States Department of Agriculture, Foreign
Agricultural Service (USDA/FAS, 2020), além de ser utilizado para fabricação dos mais
diversos produtos na indústria química (AI; JANE, 2016; RIOS et al., 2011; PAES, 2006).
Tabela 1.1 Produção, área colhida e produtividade das quatro mais importantes espécies de grãos
produzidos no mundo, safra 2018.
Produção Área Colhida Produtividade
Cultura
x 1000 ton x 1000 ha kg. ha-1
Milho 1.147.621 193.734 5.924
Arroz em casca 782.000 167.133 4.679
Trigo 734.045 214.292 3.425
Soja 348.712 124.922 2.791
Fonte: FAOSTAT (2018).
De acordo com os dados das organizações USDA, FAS e FAO (2020), os principais
produtores de milho no mundo atualmente são os Estados Unidos, China e Brasil, que
em conjunto respondem por 63% da produção de milho no mundo (Tabela 1.2), sendo
estes também os principais consumidores.
Tabela 1.2 Principais países produtores e consumidores de milho no mundo, safra 2019/20.
Produção Consumo Produção Consumo
Países
milhões/toneladas %
Estados Unidos 347.782 312.308 31 28
China 260.770 279.000 23 25
Brasil 101.000 66.000 9 6
União Europeia 65.000 82.500 6 7
Argentina 50.000 15.000 5 1
Índia 29.000 29.000 3 3
México 25.000 44.500 2 4
Ucrânia 35.500 6.400 3 1
Outros 196.783 300.484 18 26
Mundo 1.110.835 1.135.192 100 100
Fonte: Elaborado de USDA/FAS (2020).
1200
1000
Milhões de toneladas
800
600
400
200
0
2009/10 2010/11 2011/12 2012/13 2013/14 2014/15 2015/16 2016/17 2017/18 2018/19 2019/20*
Figura 1.1 Produção, consumo, exportação e estoques de milho de 2009 a 2020 em milhões de
toneladas.
Fonte: USDA/FAS (2020).
1.2.1.2 Brasil
Devido a suas características fisiológicas, o milho apresenta alto potencial produ-
tivo. A média nacional de produtividade é baixa (Tabela 1.3), cerca de 5700 kg.ha-1
(CONAB, 2020). No entanto segundo dados de pesquisa foram encontradas produti-
vidades superiores a 15 ton.ha-1 (ARGENTA et al., 2003).
Dentre os grãos cultivados no Brasil, o milho é um dos mais expressivos, com
cerca de mais de 100 milhões de toneladas de grãos produzidas, em uma área de
aproximadamente 17,5 milhões de hectares, considerando a três safras que ocorrem
por ano agrícola, dentre as quais a safrinha (semeada de abril a junho), a mais ex-
pressiva quanto à produção (CONAB, 2020).
O milho é o segundo colocado entre os grãos produzidos no Brasil, ficando atrás
apenas da cultura da soja, que na mesma safra produziu cerca de 115 milhões de tone-
ladas (15% a mais), porém utilizando o dobro da área ocupada pelo milho.
Tabela 1.3 Produção, área colhida e produtividade das quatro mais importantes espécies de grãos
mais produzidos no Brasil, safra 2018/19
Produção Área Colhida Produtividade
Cultura
x 1000 ton x 1000 ha kg.ha-1
Milho 100.043 17.493 5.719
Arroz em casca 10.484 1.703 6.158
Trigo 5.155 2.041 2.526
Soja 115.030 35.874 3.206
Fonte: Conab (2020).
Nas últimas dez safras ocorreu um aumento de mais de 40% da produção do mi-
lho, provavelmente estimulado pelo maior consumo e pela exportação, que dobrou no
período (Figura 1.2).
A exportação do Brasil é significativa e importante para a economia. O volume foi
próximo a 10 milhões de toneladas em 2010/11 e praticamente quadruplicou em dez
anos. O estoque representa em torno de 13% do consumo, o que possibilita um supri-
mento inferior a dois meses.
O consumo interno de milho está numa ascendente, estimulado principalmente pelo
aumento da produção de proteína animal para consumo interno e exportação. Entre os
anos 2000 e 2018, o volume produzido de carne de frangos cresceu 2,2 vezes, o da carne
suína 1,4 vezes e o da carne bovina 1,5 vezes no país (TALAMINI et al., 2018).
Figura 1.2 Produção, consumo, exportação e estoques de milho no Brasil de 2010/11 a 2019/20
(estimativa de julho de 2020) em 1.000 toneladas.
Fonte: Conab (2020).
Existe uma disparidade muito grande entre as regiões brasileiras tanto em área,
quanto em produção e produtividade, segundo dados da Conab (2020) o centro-oeste
atualmente é a principal região produtora de milho do Brasil e junto com o sul e su-
deste são responsáveis por mais de 90% da produção nacional. O norte e nordeste têm
importância menor em área, produção e produtividade (Tabela 1.4).
Segundo dados do IBGE, cerca de 90% dos estabelecimentos cultivam até cinco
hectares de milho somando quase 1,5 milhões de propriedades. Este dado mostra a
importância principalmente do milho na agricultura familiar, apesar de não represen-
tar muito na área cultivada e produção.
Tabela 1.4 Área, produtividade e produção de milho por região do Brasil, safra 2018/19
Produção Produtividade (kg.
REGIÃO Área (x 1000 ha)
(x 1000 tons) ha-1)
Norte 3.076 4.161 739
Nordeste 6.677 2.664 2.507
Centro-Oeste 52.826 6.197 8.524
Sudeste 12.153 5.995 2.027
Sul 25.310 6.849 3.696
Norte/Nordeste 9.753 3.005 3.246
Centro-Sul 90.290 6.337 14.247
Brasil 100.043 5.719 17.493
Fonte: Conab (2020).
Tabela 1.5 Número de estabelecimentos, área colhida e produção de milho em grão, por grupo de
área colhida - Brasil - 2017
Estabelecimentos Área colhida Produção
Variáveis selecionadas Hectares Toneladas
Número % % %
(x1000) (x1000)
De 0 a menos 5 1.497.630 90,5 3.455 3,9 1.442 9,1
De 5 a menos 20 99.154 6,0 4.658 5,3 900 5,7
De 20 a menos 50 25.452 1,5 4.512 5,1 777 4,9
De 50 a menos 100 11.637 0,7 4.744 5,4 815 5,2
De 100 a menos 500 15.460 0,9 20.158 22,9 3.376 21,4
De 500 e mais 6.117 0,4 50.573 57,4 8.474 53,7
Total 1.655.450 100 88.100 100 15.784 100
Fonte: Adaptado de IBGE (2017).
Tabela 1.6 Principais usos do milho em mil toneladas e participação percentual do consumo total
no Brasil, safra 2018/19
Milho Participação (%)
Itens
(x 1000 tons) Demanda Total
Consumo animal 49.703 75 46,5
Suinocultura 13.384 20 12,5
Aves de corte 24.230 37 22,7
Aves de postura 4.309 7 4,0
Bovinocultura 4.250 10 4,0
Outros animais 3.530 5 3,3
Consumo humano 1.061 2 1,0
Consumo industrial 8.760 13 8,2
Outros usos 3.862 6 3,6
Sementes 459 1 0,4
Perdas 2.009 3 1,9
Total da demanda 65.854 100 62
Exportações 41.000 38
TOTAL 106.854 100
Fonte: Adaptado de CELERES®/SECEX (2020).
humano direto e outros 8 milhões processados pela indústria, que também podem ter
uso para alimentação humana. O etanol já responde por 2 milhões de toneladas de mi-
lho (Figura 1.3). No Brasil este uso é mais recente, mas países como os Estados Unidos
etanol produzido a partir do milho tem importância global e é a principal fonte de
bioenergia do país (USDA/FAS, 2020)
A transformação do milho em diversos derivados possibilita o uso desse cereal como
excelente fonte de matéria-prima para a indústria de alimentos. Do milho obtêm-se em
torno de noventa derivados diferentes; dentre eles, os principais são grits, fubá, canjica,
óleo, amido, amilose, amilopectina, zeína e fibras (GONÇALVES et al., 2003).
Alem da aplicação em produtos alimentícios, o uso estende-se às indústrias quími-
ca, farmacêutica, de papéis, têxtil, entre outras de aplicação ainda mais nobres (PAES,
2006; STRAZZI, 2015).
4000
3500
3000
Milhões de toneladas
2500
2000
1500
1000
500
0
Humano In natura Moagem a Seco Moagem a Etanol
Úmido
Consumo Indústria
São basicamente dois processos que dão origem aos derivados do milho na indús-
tria, a moagem seca e a moagem úmida (PAES, 2006; STRAZZI, 2015). Na Tabela 1.7
foram listados os principais derivados e aplicações do milho, desde os menos proces-
sados até a indústria especializada.
Cabe lembrar que na formulação de rações muitos subprodutos da indústria tam-
bém são utilizados como os flocos e farinhas de milho pré-cozidas, farelos de milho e
de gérmen desengordurado, fibras entre outros (PAES, 2006; STRAZZI, 2015).
Tabela 1.7 Produtos derivados do milho e principais aplicações ou que contêm seus componentes
isolados ou transformados industrialmente
Produtos Principais aplicações
Pipoca doce, alimentos matinais (corn flakes), farinha biju e
Canjicas
bebidas alcoólicas.
Canjiquinhas Salgadinhos (snacks).
Cervejarias, salgadinhos (snacks), mineração e extrusados para
Grits
a substituição de isopor.
Alimentos infantis, colorífico, panificação, misturas preparadas
Farinhas e fubás para bolo, biscoitos e massas alimentícias, tecelagem,
explosivos e indústrias de ração animal.
Alimentos instantâneos, fertilizantes, perfuração de poços de
Farinha de milho pré-gelatinizada
petróleo, fundição e indústria de ração animal.
Pós para sobremesas, panificação, misturas preparadas para
bolos e outras, fermento em pó, alimentos infantis, produtos
cárneos, mostardas, sopas, massas alimentícias, produtos
Amido de milho farmacêuticos, processos de fermentação, papel, papelão
ondulado, tecelagem, mineração, explosivos, adesivos, giz,
cosméticos, produtos de limpeza e de recuperação industrial
da água.
Balas de goma, bebidas, alimentos instantâneos, alimentos
infantis, alimentos pré-cozidos congelados, veículos para
Amidos modificados
aromas e corantes, molhos, papel, papelão ondulado, fitas
gomadas, tecelagem e perfuração de poços de petróleo.
Adesivos, lixas, papéis abrasivos, estampagem de tecidos,
Dextrina
sacos de papel multifoliado, cartonagem e mineração.
Praticamente todo amido (98%) e a maior parte da proteína (74%) estão localizados
no endosperma, que representa aproximadamente 82% do grão. Esta fração também
possui lipídios (15%), açúcares (29%) e minerais (18%) (Tabela 1.9).
Já no gérmen está concentrada quase a totalidade dos lipídeos (83%) e dos mi-
nerais (78%) do grão, além de conter quantidades importantes de proteínas (26%)
e açúcares (70%).
Tabela 1.9 Percentagem do constituinte total indicado nas estruturas físicas específicas do grão de
milho.
Amido Proteína Lipídeos Açúcares Minerais Fibras
Fração Grão (%)
% da parte (base seca)
Endosperma 82 98,0 74,0 15,4 28,9 17,9
Gérmen 11 1,3 26,0 82,6 69,3 78,4 12,0
Pericarpo 5 0,6 2,6 1,3 1,2 2,9 54,0
Ponta 2 0,1 0,9 0,8 0,8 1,0 7,0
Fonte: Adaptado de Paes (2006).
Tabela 1.10. Formato e proporções do endosperma farináceo e vítreo em grãos de milho. Preto –
endosperma vítreo; Branco – endosperma farináceo e Riscado – gérmen
REFERÊNCIAS
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WILSON, C. M. Zein composition in hard and soft endosperm of maize. Cereal Chem,
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RESUMO
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, cujos grãos apresentam ele-
vado valor comercial, seja para alimentação animal, consumo humano ou uso indus-
trial, com destaque na utilização dos grãos para extração de amido, fonte responsável
por 80% do total consumido no mundo. Assim, dentre os constituintes dos grãos de
milho, os carboidratos apresentam grande importância para o consumo e utilização
nas diferentes esferas da sociedade. No decorrer deste capítulo discutiremos detalhes
e etapas dos processos de produção de milho e mais especificamente de carboidratos,
abordando assuntos desde o processo de formação, estrutura, propriedades destes, até
a produção a campo, colheita, limpeza, secagem, armazenagem e processamento de
grãos. Neste capítulo serão discutidos assuntos sobre: composição dos carboidratos
de milho (1), amido de milho (2), estrutura do amido (3), processo de formação de
carboidratos e suas estruturas (4), manejo de lavouras na formação e qualidade dos
carboidratos (5), processos de secagem na estrutura de carboidratos (6), processos de
armazenamento na estrutura de carboidratos (7), propriedades do amido (8), processo
de obtenção do amido de milho (9) e fibras (10).
2.1 INTRODUÇÃO
Os grãos de milho são valorizados comercialmente e utilizados na alimentação ani-
mal para fabricação de rações e na alimentação humana, consumidos na forma “in na-
tura”, ou a partir da industrialização para extração de amido, óleo vegetal, dextroses e
produtos extrusados. Dentre os constituintes dos grãos de milho, os carboidratos pos-
suem elevada importância nos processos produtivos, onde o amido se destaca devido
Figura 2.2 Estrutura dos grânulos de amidos extraídos do endosperma vítreo (A) e endosperma
farináceo (B) de grãos de milho.
Fonte: Delcour; Hoseney (2010).
com teor de amilose acima de 50% (high-amilose), que gelificam e formam filmes com
maior facilidade devido ao alto conteúdo de amilose (PARKER; RING, 2001).
Figura 2.3 A) Estrutura da amilose [polímero linear composto por unidade de D-glicose unidas em
ligações α-(1-4)]. B) Estrutura da amilopectina [polímero ramificado composto por unidades de
D-glicose unidas em ligações α-(1-4) e α-(1-6)].
Fontes: Adaptado de Corradini et al. (2005) e Lajolo; Menezes (2006).
2.2.1.2 Amilose
A amilose é um polímero essencialmente linear, composto quase completa-
mente de ligações α-1,4 nas unidades de D-glicose, entretanto algumas evidências
sugerem a presença de algumas ramificações nesse polímero (XIE et al., 2005).
Embora ilustrada tipicamente por uma estrutura linear de cadeia, a amilose é fre-
quentemente helicoidal. O interior da hélice contém átomos de hidrogênio (que
lhe confere característica de hidrofobicidade), permitindo que a amilose forme
complexos com ácidos graxos livres com componentes glicerídios dos ácidos gra-
xos, com alguns alcoóis e com o iodo, formando com este, um complexo de co-
loração azul (THOMAS; ATWELL, 1999). De acordo com Franco et al. (2001) a
massa molecular da amilose é dependente da fonte e das condições de processamento
empregadas na extração do amido, mas geralmente varia de 1,5.105-106,com tamanho
médio de 103 unidades de glicose.
O amido de milho não ceroso contém entre 25% e 28% de amilose, e esta possui
habilidade de formar pasta depois da gelatinização dos grânulos de amido, e este
comportamento é evidente em certos amidos que contêm maiores teores de amilose.
O amido de milho com alto teor de amilose é considerado formador de pasta, e con-
forme Thomas e Atwell (1999), a formação da pasta decorre principalmente da reasso-
ciação, denominado processo de retrogradação dos polímeros de amido solubilizados
depois da gelatinização.
2.2.1.3 Amilopectina
A amilopectina é uma macromolécula altamente ramificada e consiste em cadeias
lineares mais curtas de ligações α-1,4, que contêm de 10 a 60 unidades de glicose e
cadeias laterais com 15 a 45 unidades de glicose com uma média de 5% de ligações α
1,6 nos pontos de ramificação (VAN DER MAAREL et al., 2002).
As cadeias de amilopectina estão organizadas de maneiras diferentes, sugerindo
uma classificação de cadeias A, B e C (Figura 2.3B). O tipo A é composto por uma
cadeia não-redutora de glicoses unidas por ligações α -(1,4) sem ramificações, sendo
unida a uma cadeia tipo B por meio de ligações α -(1,6), já as cadeias do tipo B são
compostas por glicoses ligadas em α -(1,4) e α -(1,6), contendo uma ou várias cadeias
tipo A e podem conter cadeias tipo B que são unidas por meio de um grupamento hi-
droxila primário, e a cadeia C é única em uma molécula de amilopectina, sendo com-
posta por ligações α -(1,4) e α -(1,6), com grupamento terminal redutor (ELIASSON,
2004; VANDEPUTTE; DELCOUR, 2004; LAJOLO; MENEZES, 2006).
O peso molecular da amilopectina é cerca de 1000 vezes o peso molecular da ami-
lose e varia de 1x107 a 5x108 g.mol-1 (YOU et al., 2002). Segundo Vandeputte e Delcour
(2004), a amilopectina apresenta um grau de polimerização de 4.700 a 12.800 unida-
des de resíduos de glicose com comprimento médio de 17 a 24 e limite de β-amilose
de 55% a 60%. As cadeias individuais podem variar entre 10 e 100 unidades de glicose
(DENARDIN; SILVA, 2009).
A amilopectina é estrutural e funcionalmente a mais importante das duas frações,
pois sozinha é suficiente para formar o grânulo, como ocorre em mutantes que são
desprovidos de amilose. Quanto à amilose, a sua localização exata dentro do grânulo
ainda é uma tarefa difícil, acreditando-se que ela esteja localizada entre as cadeias da
amilopectina e aleatoriamente entremeada entre as regiões amorfas e cristalinas. As
moléculas de amilose maiores estão concentradas no centro do grânulo e, provavel-
mente, participam das duplas hélices com a amilopectina, enquanto as moléculas me-
nores, presentes na periferia, podem ser lixiviadas para fora do grânulo. Apesar de seu
limitado papel na formação de cristais, a amilose pode influenciar a organização das
duplas hélices, interferindo na densidade de empacotamento das cadeias de amilopec-
tina (OATES, 1997; TESTER et al., 2004). Além disso, estudos de Kuakpetoon e Wang
(2007) sugerem que parte da amilose pode cristalizar juntamente com a amilopectina,
formando lamelas cristalinas, porém a organização exata desses componentes dentro
do grânulo ainda não está totalmente esclarecida.
2.2.2.1 Cristalinidade
Os grânulos de amido nativos contêm entre 15% e 45% de material cristalino com
modelos de difração de raios X, que correspondem a duas poliformas (A ou B) ou a uma
forma intermediária (C), as quais têm a sua classificação baseada em variações no con-
teúdo de água e na configuração de empacotamento de duplas hélices (IMBERTY et al.,
1991). Os padrões de cristalinidade (Figura 2.5A) são definidos com base nos espaços
interplanares e intensidade relativa das linhas de difração de raio X (CEREDA, 2001).
De acordo com Zobel (1988), o padrão de cristalinidade tipo A é aquele que apresenta
picos fortes nos espaços interplanares de 5,8; 5,2 e 3,8 Å (angstrons), o tipo B apresenta
um pico de intensidade forte a 5,2 Å e vários picos de intensidade média de 15,8; 6,2; 4,0 e
3,7 Å, e o tipo C apresenta semelhança com o padrão A, tendo um pico adicional a 15,4 Å
de intensidade fraca. A amilose quando estiver complexada com compostos orgânicos,
água ou iodo, pode aparecer no padrão tipo V. O padrão V apresenta picos em 12,0; 6,8
e 4,4 Å, sendo que o pico de 4,4 Å é normalmente usado como a primeira indicação de
que o complexo V está sendo formado (ZOBEL, 1988; BILIADERIS, 1991).
Figura 2.5. Microscopia Eletrônica de Varredura (SEM) de amido isolado de diferentes defeitos
de grãos de milho: sem defeitos (A), quebrados (B), fermentados (C), ardidos (D), mofados (E),
germinados (F), carunchados (G) e chochos e imaturos (H).
Fonte: Adaptado de Paraginski et al. (2019).
Figura 2.6. Difratogramas de raio –X padrões (A), de amido de milho normal e ceroso (B) e de amido
extraído de grãos de milho armazenados nas temperaturas de 5 oC, 15 oC, 25 oC e 35 oC com 14% de
umidade durante doze meses (C).
Fontes: Adaptado de Zobel (1988); Xie et al. (2005); Corradini et al. (2005); Paraginski et al. (2014).
com vapor a 150 ºC, e após a secagem, o produto é embalado, estando pronto para a
comercialização.
Tabela 2.1 Produtividade (P), produtividade de carboidratos (PC), peso de mil grãos (PMG), núme-
ro de fileiras por espiga (NFE) e peso de grãos por espiga (PGE) de diferentes cultivares milho na
safra 2019/2020
P PC PGE
Cultivar (kg.ha-1) PMG (gramas) NFE
(kg. ha-1) (g)
NS 45 VIP3 12.960,00 11.352,96 253,58 15,73 183,33
NS 50 PRO 2 9.307,20 8.152,11 355,67 13,33 211,00
NS 73 VIP 13.267,80 11.622,59 393,66 14,80 235,40
NS 90 PRO 2 9.157,20 8.021,71 290,00 17,33 200,40
MORGAN MG 300 12.403,2 10.867,83 358,56 15,06 214,66
MORGAN 30A57 14.973,00 13.116,35 358,02 14,66 253,86
MORGAN MG545 11.950,20 10.468,36 344,36 14,80 212,53
B2688 PWU 12.861,00 11.266,24 363,54 18,53 232,73
B2433 PWU 15.219,60 13.332,37 337,44 17,73 251,13
B2401 PWU 11.442,00 10.023,19 361,87 15,60 210,33
B2418 VYHR 13.655,40 11.962,13 377,78 14,80 234,53
B2612 PWU 13.710,00 12.009.96 347,67 15,46 230,66
BREVANT 7318 VYH 13.481,40 11.809,71 355,95 15,06 242,93
LG 36300 VIP3 8.098,80 7.094,55 331,99 13,73 194,10
LG 6033 PRO2 11.324,40 9.920,17 320,16 14,80 217,73
LG 3040 VIP3 13.338,60 11.684,61 294,14 16,93 224,46
LG 36790 PRO3 11.968,20 10.484,14 366,66 15,86 260,86
AGROESTE 1757 15.411,60 13.500,56 329,26 15,60 261,26
AGROESTE 1666 14.184,00 12.425,18 413,30 16,26 260,00
AGROESTE 1677 PRO 3 12.484,20 10.936,16 379,94 13,73 209,26
AGROCERES 9025 PRO3 12.791,40 11.205,27 473,00 14,06 320,11
AGROMEN JMEN 3M51 8166,00 7.153,42 387,88 15,73 283,95
DKB 230 11.354,40 9.946,45 383,67 14,26 196,86
SHS 5050 3.798,60 3.327,57 345,53 14,75 204,87
BIOMATRIX 3061 6.270,00 5.492,52 375,93 13,40 179,40
PIONNER 1225 12.671,40 11.100,15 234,55 32,53 135,00
*Considerando que o grão possui 87,6% de amido.
Fonte: Grupo Pós-Col do IFFar (2020).
Tabela 2.2 Rendimento de extração (%), valor b*, valor L* e teor residual de proteína (%) e lipídios (%)
do amido isolado de grãos de milho armazenados durante doze meses nas temperaturas de 5 oC, 15 oC,
25 oC e 35 oC com 14% de umidade
e ativadas no processo de extração, devido à temperatura elevada (50 ºC), assim, pro-
voca as alterações na estrutura.
Figura 2.8 Microscopia Eletrônica de Varredura (SEM) de amido isolado de grãos de milho
armazenados durante 12 meses nas temperaturas: inicial (a e b), 5 oC (c e d), 15 oC (e e f), 25 oC (g e h)
e 35 oC (i e j)
Fonte: Adaptado de Paraginski et al. (2014).
O amido isolado dos grãos armazenados em temperatura alta (35 oC) apresentou
um maior teor residual de proteínas, o que pode ser observado onde a superfície dos
grânulos é recoberta por corpos proteicos, indicando que cuidados com temperaturas
de armazenamento devem ser tomados durante o processo.
As pragas podem afetar a qualidade dos grãos e do amido de milho durante o arma-
zenamento, ou mesmo antes da industrialização. Dentre as principais pragas, tem-se
insetos, fungos, ácaros, pássaros e roedores. Assim, para garantir um produto de boa
qualidade deve-se adotar um Manejo Integrado de Pragas (MIP), de forma a garantir
um produto de boa qualidade aos consumidores. O armazenamento incorreto, além
do ataque de pragas, está sujeito ao desenvolvimento de grãos com diferentes defeitos,
como fermentados, ardidos, mofados, germinados, carunchados, e de acordo com os
padrões de comercialização nacional, determinados pela Instrução Normativa n. 60,
de 22 de dezembro de 2011, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
a presença de defeitos reduz o valor comercial do produto, deixando muitas vezes de
ser utilizados, devido à baixa qualidade (BRASIL, 2011).
Devido à grande importância dos grãos de milho para produção de amido, estes
precisam ser limpos, secos e armazenados ao longo do ano para permitirem a utiliza-
ção industrial. Vários fatores podem resultar na formação de grãos com defeitos, que
muitas vezes são impossibilitados de serem comercializados, ou os valores pagos por
esses grãos são muitos baixos, necessitando assim uma alternativa para comercialização,
que pode ser a extração de amido. Em trabalho realizado por Glória et al. (2002), os
autores avaliaram a qualidade de amido extraído de grãos de milho Tipo 1, Tipo 2 e
Tipo 3 de acordo com Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento de 1976, e encontraram diferenças na pureza e propriedades do amido
isolado, porém não avaliaram as alterações provocadas pelos defeitos isoladamente, de
acordo com a nova Instrução Normativa, de 2011.
Neste contexto, a elevada utilização de amido de milho na indústria alimentícia,
e a busca de alternativas para grãos de milho com defeitos, em trabalho realizado fo-
ram avaliadas propriedades físico-químicas, de cristalinidade, de pasta, térmicas e
morfológicas do amido extraído dos grãos de milho sem defeitos, e com os diferentes
defeitos determinados pela IN MAPA n. 60/2011 (quebrados, fermentados, ardidos,
mofados, carunchados, germinados, e chochos e imaturos).
Na Figura 2.9 é apresentado um comparativo das propriedades viscoamilográficas
dos grãos moídos (Figura 2.9 A) e do amido extraído (Figura 2.9 B), onde observa-se
que existe uma grande variação nas propriedades, principalmente nos grãos, e estas
reduzem após a extração do amido, indicando sim que durante o processo de armaze-
namento inadequado existe complexação de compostos que podem afetar a qualidade
final dos carboidratos presentes nos grãos.
Figura 2.9 Parâmetros viscoamilográficos dos grãos (A) e do amido extraído (B) de grãos sem defeitos
(1), e de grãos quebrados (2), fermentados (3), ardidos (4), mofados (5), germinados (6), carunchados
(7) e chochos e imaturos (8).
Fonte: Adaptado de Paraginski et al. (2019).
2.7.1 HEMICELULOSE
As hemiceluloses compõem um grupo de polissacarídeos que, diferentemente da
celulose, são compostos por grupos heterogêneos de açúcares pentose e hexose, que
incluem xilose, manose, glicose e galactose na cadeia principal e arabinose, galactose,
glicose e ácido glucurônico nas cadeias laterais. Este grupo inclui ainda xilanos, glu-
curonoxilanos, arabinoxilanos, glucomananos, xiloglucanos e β-glucanas. Compostos
que possuem por característica comum uma espinha dorsal composta por ligações
β-(1-4) contínuas e várias unidades ramificadas, sendo as β-glucanas a exceção de
cadeias lineares com ligações β-(1-4) e β-(1-3). No milho as hemiceluloses mais abun-
dantes são as arabinoxilanas e as β-glucanas.
2.7.1.1 Arabinoxilanas
As arabinoxilanas correspondem de 90% a 95% do total das hemiceluloses encon-
tradas nos grãos de milho, e são também conhecidas por heteroxilanos (OOMIYA;
IMAZOTO, 1982). Possuem uma estrutura β-(1-4) xilana, e em sua forma mais
simples as unidades β xilopiranosil da estrutura são ramificadas com unidades
α-arabinofuranose em suas posições O-2 e/ou O-3.
Como em outros cereais as arabinoxilanas do milho são encontradas em duas fra-
ções diferentes: 1) na parede celular do endosperma e 2) no farelo. De acordo com a
origem (localização no grão) estas hemiceluloses apresentam variações nas estruturas
químicas e composição, especialmente na razão arabinose/xilose e da ramificação. Em
estudos realizados por Yadav et al. (2007a, 2007b) verifica-se que a arabinoxilana do
endosperma contém menos ácido ferúlico que o encontrado no farelo de milho.
Devido à capacidade de reticulação por pontes de ácido di- e/ou triferúlico
(SAULNIER; THIBAULT, 1999), além de associações com proteínas (SAULNIER et
al., 1995) e possivelmente com lignina (LAPIERRE et al., 2001) as arabinoxilanas em
grãos de milho possuem limitada solubilidade em água. Porém, após uma extração
alcalina os arabinoxilanos de milho são solúveis em água (HOOPER, 1942; WOLF et
al., 1953; ANTRIM; HARRIS, 1977; SUGAWARA et al., 1994; SAULNIER et al., 1995).
A fim de deslignificar e facilitar a extração alcalina de arabinoxilano o peróxido de hi-
drogênio (H2O2) tem sido usado ((HROMA 'DKOVA'; EBRINGEROVA', 1995; ROSE
et al., 2010; DONER; HICKS, 1997).
Mesmo após a extração alcalina, alguns ácidos ferúlicos ainda permanecem esteri-
ficados aos arabinoxilanos de milho solubilizados (CARVAJAL-MILLAN et al., 2007;
YADAV et al., 2007a, 2007b). Estes arabinoxilanos de milho contendo ácidos ferúlicos
podem formar géis por meio de peroxidase ou lacase que catalisam a reticulação oxi-
dativa (NG et al., 1997a, 1997b; CARVAJAL-MILLAN et al., 2007), impactando nas
propriedades de gelificação. Além disso os arabinoxilanos do milho têm bom poten-
cial para ser utilizado como agente de encapsulamento e carreador para as indústrias
de alimentos e medicamentos (CARVAJAL-MILLAN et al., 2007).
2.7.1.2 β-glucanas
Outra importante hemicelulose encontrada no milho e seus derivados é a
β-glucana. As b-glucanas do milho são homopolissacarídeos lineares de unidades
D-glucopiranosil conectadas por meio de uma mistura de ligações β-(1-4) e β-(1-3),
2.7.2 CELULOSE
A celulose é o principal polissacarídeo estrutural encontrado nas plantas. Os teores
encontrados em milho amarelo, segundo Jaworski et al. (2015), ficam em torno de
1,7% em grãos, 5,8% em DDGS de milho e 10,1% no farelo de milho. Como em outros
cereais, a celulose está principalmente presente na porção do farelo.
Este polissacarídeo é constituído por cadeias lineares de D-glicose unidas por li-
gações β-(1-4). O grau de polimerização pode chegar a 10 mil unidades de glicose
(ASPINALL, 1982). As ligações β-(1-4) entre as unidades de glicose mantêm a cadeia
em um arranjo de fita plana que é mantida por ligações de hidrogênio intramoleculares.
Esta conformação permite que as cadeias de celulose se alinhem próximas umas das
outras e formem numerosas ligações de hidrogênio intermoleculares entre os grupos
hidroxila nas posições C3 dos resíduos de glicose vizinhos. Devido a essas interações
únicas, as cadeias podem se empilhar para formar microfibrilas maiores (WANG et al.,
2012), que em grãos de cereais foram postuladas como associadas a outras frações de
carboidratos (NSP) e não carboidratos (lignina) que permitem a formação da estrutura
rígida e forte da parede celular, conforme discutido abaixo. Este agrupamento único e
parcialmente cristalino devido às ligações intermoleculares e intramoleculares prejudi-
ca a funcionalidade da celulose e restringe seu uso na indústria alimentícia (HARRIS;
SMITH, 2006).
A estrutura natiba da celulose pode ser física ou quimicamente modificada, produ-
zindo ingredientes funcionais como géis celulósicos com alta capacidade de hidrata-
ção e alta viscosidade.
2.7.3 LIGNINA
A lignina é um composto polifenólico complexo originado de três precursores de
monolignol: álcoois p-cumaril, coniferil e sinopilico, e que, junto com as arabinxilanas,
ß-glucanas, celulose e pectina, está entre os principais componentes das paredes celu-
lares secundárias das plantas vasculares (KNUDSEN, 1997; MOTTIAR et al., 2016).
Está fortemente reticulada com outros componentes da parede celular, conferindo re-
sistência mecânica aos tecidos vegetais e rigidez às paredes celulares (RUBIN, 2008).
O grão de milho integral contém 1,1% de lignina (peso base), o que é inferior ao ob-
servado em outros cereais (KNUDSEN, 1997).
Além de conferir resistência mecânica, a lignina do milho desempenha papel fun-
damental na organização de redes de polissacarídeos, impactando significativamente
as propriedades funcionais de farelo de milho (LAPIERRE et al., 2001).
úteis de fermentabilidade lenta no cólon para fornecer uma fibra dietética tolerável
que estende a fermentação até o intestino distal.
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amidos obtidos de diferentes fontes botânicas. Orientadora: Célia Maria Landi Franco.
2003. 118 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Ciência de Alimentos) – Instituto
de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, São José do
Rio Preto, 2003. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/88414.
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from different botanical sources. Food Chemistry, v. 81, n. 2, p. 219-231, 2003.
ORGANIZADORES
MILHO
graduação, autor de mais de 70 livros e
4. Óleo O texto traz ainda informações abrangentes sobre todos os aspectos de capítulos e 70 artigos científicos em seus
química, tecnologia e usos do cereal mais produzido no mundo (em mais de 20 anos de carreira. Consultor em
5. Componentes menores e fitoquímicos toneladas métricas), e inclui extensa cobertura do desenvolvimento Pós-Colheita de Grãos.
recente científico e tecnológico sobre o tema. Química, tecnologia e usos
6. Operações e etapas pré-industrialização
Em 21 capítulos, o livro destaca a importância do milho como
GUSTAVO HEINRICH LANG
7. Moagem de milho
matéria-prima para a produção de alimentos e de bioetanol combustível, Engenheiro Agrícola (2015), Mestre (2018) e
C 8. Farinhas e produtos degerminados e o tema emergente de fitoquímicos ou compostos nutracêuticos Doutor (2022) em Ciência e Tecnologia de
associados a diferentes tipos de milhos e seu efeito na saúde humana; Alimentos pela UFPel. Classificador Oficial
9. Amidos modificados
M
Y
especialmente na prevenção de doenças crônicas e do câncer, além de de Grãos e Auditor Técnico do Sistema
seus aspectos sensoriais e genótipos especiais. Discute ainda sobre o uso Nacional de Certificação de Unidades
CM
10. Produtos sem glúten a base de milho do milho como fonte de fibra alimentar, cozimento por extrusão de Armazenadoras de Grãos e Fibras no Brasil,
MY
farinhas e amidos de milho, examina o efeito da composição e estrutura ambos pelo MAPA. Pesquisador da área de
11. Produtos extrusados de milho
MILHO
CY
do milho na utilização da farinha de milho, na panificação e nos produtos Pós-colheita e Industrialização de Grãos,
CMY
12. Milho doce de milho. Além de servir de base científica, essa obra apoia o atua na análise dos processos, operação e
K desenvolvimento tecnológico das indústrias de milho e derivados. manutenção das estruturas e equipamentos
13. Milho Pipoca utilizados desde o recebimento até a
Ancorado em centenas de referências bibliográficas nacionais e expedição de grãos nas unidades da
14. Bebidas fermentadas internacionais, o livro sintetiza o conhecimento direcionado para a Cooperativa Cotrijal.
difusão do saber focado em um cereal muito importante para
15. Milho germinado alimentação humana: o milho! A obra abrange amplos aspectos da
CRISTIANO DIETRICH FERREIRA
16. Etanol qualidade do grão, que vão da lavoura ao prato do consumidor. Quando
trata do processamento, concentra-se na demanda em cada um dos Engenheiro Agrônomo (2012) pela UFPel,
17. Filmes biodegradáveis a base de milho caminhos possíveis para os grãos de milho, direcionados a aspectos Mestre (2014) e Doutor (2017) em C&T de
fundamentais, como a saúde do consumidor. Alimentos pela UFPel. Classificador Oficial
18. Nixtamalização de Grãos pelo MAPA e Auditor Técnico do
Tomando temas do milho mais intenso em tecnologia, aqui são Sistema Nacional de Certificação de
19. Metodologias e qualidade sensorial de apresentadas as infinitas oportunidades de uso alimentício, de uso para Unidades Armazenadoras de Grãos e Fibras.
milho e seus produtos a produção de bebidas e para o etanol. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do
CNPq - Nível 2, com mais de 67 artigos em
20. Milho andino periódicos e 30 capítulos de livro na área de
pós-colheita de grãos. Professor de
21. Efeitos do processamento nas
graduação, pós-graduação no PPG em
propriedades químicas do milho
Nutrição e Alimentos e pesquisador no
Itt Nutrifor na UNISINOS.
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