ARTIGO ORIGINAL
Desenho e Avaliação do Impacto
de uma Ação de Formação em
Suporte Básico de Vida nas Escolas
Design and Evaluation of the Impact of a Basic Life Support
Training in Schools
Ana Rafaela Marques Ribeiro1, Juliana Marília Pereira de Sá2, Ricardo Tjeng3
Autor Correspondente/Corresponding Author:
Ana Rafaela Marques Ribeiro [rafaelamarquesribeiro94@[Link]]
Rua das Águas Santas, 125, 6300-808 Guarda, Portugal
ORCID iD: 0000-0001-9659-6686
RESUMO
INTRODUÇÃO: O tempo entre o estabelecimento da paragem cardiorrespiratória e o início do suporte básico de vida
é fundamental; encurtar este tempo é a melhor forma de aumentar a probabilidade de sobrevivência da vítima. As
guidelines internacionais recomendam o ensino de reanimação cardiopulmonar nas escolas. Este trabalho pretende
contribuir para a construção de programas de educação sobre suporte básico de vida nas escolas.
MATERIAL E MÉTODOS: Foram incluídos no estudo cinquenta e cinco alunos do 8º ano. Um grupo de 24 alunos
participou numa formação teórico-prática de 60 minutos, enquanto que um segundo grupo de 28 alunos respondeu
apenas a inquéritos. Ambos os grupos responderam a um inquérito inicial antes da formação e a um inquérito de
acompanhamento um mês depois. O grupo que recebeu formação respondeu também imediatamente após esta. O
inquérito consistiu em perguntas de escolha múltipla sobre conhecimento teórico, autoavaliação da capacidade de
realização de suporte básico de vida e medo autopercebido de ser o primeiro a dar resposta perante uma paragem
cardiorrespiratória.
RESULTADOS: No grupo que recebeu formação, antes de esta decorrer, observa-se que a média de respostas cor-
retas, valorizadas entre 0 e 9, era de 4,29. Um mês depois a média foi 7,67 para este grupo e 4,43 no grupo que não
recebeu formação. No grupo que recebeu formação, a capacidade de agir aumentou significativamente e o medo
diminuiu significativamente.
CONCLUSÃO: Uma sessão de treino em suporte básico de vida tem impacto em capacitar os alunos a agir correta-
mente perante uma paragem cardiorrespiratória. O conhecimento parece manter-se ao longo do tempo.
PALAVRAS-CHAVE: Educação em Saúde; Escolas; Portugal; Ressuscitação cardiopulmonar/Ensino
1. Aluna do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal. 2. Mestrado Integrado em Me-
dicina, Interna de Formação Específica em Medicina Interna do Centro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã, Portugal. 3. Licenciatura em Medicina, Assistente Hospitalar
em Medicina Interna do Centro Hospitalar Cova da Beira, Covilhã, Portugal.
Recebido/Received: 03/06/2019 - Aceite/Accepted: 13/02/2020 - Publicado/Published: 31/03/2020
©
Autor (es) (ou seu (s) empregador (es)) 2019. Reutilização permitida de acordo com CC BY-NC. Nenhuma reutilização comercial. © Author(s) (or their employer(s))
2019. Re-use permitted under CC BY-NC. No commercial re-use
GAZETA MÉDICA Nº1 VOL. 7 · JANEIRO/MARÇO 2020 · 7
ARTIGO ORIGINAL
ABSTRACT
INTRODUCTION: The time between the establishment of the cardiorespiratory arrest and the beginning of basic life support
is fundamental; shortening this time is the best way to increase the probability of the victim’s survival. International guide-
lines recommend teaching cardiopulmonary resuscitation in schools. This work intends to contribute to the construction of
basic life support education programs in schools.
MATERIAL AND METHODS: Fifty-five students from 8th grade were included in the study. A group of 24 students participated
in a 60-minute theoretical-practical training, while a second group of 28 students answered only to the surveys. Both groups
responded to an initial survey prior to training and to a follow-up survey one month later. The group that received training also
responded immediately after this. The survey consisted of multiple-choice questions about theoretical knowledge, self-as-
sessment of the ability to perform basic life support and self-perceived fear of being the first to respond to a cardiorespiratory
arrest.
RESULTS: In the group that received training, before this happens, it was observed that the average of correct answers, valued
between 0 and 9, was 4.29. One month later the mean was 7.67 for this group and 4.43 for the non-trained group. In the
training group, the ability to act increased significantly and the fear decreased significantly.
CONCLUSION: A training session in basic life support has an impact on enabling students to act correctly before a cardiores-
piratory arrest. Knowledge seems to keep up over time.
KEYWORDS: Cardiopulmonary Resuscitation/education; Health Education; Portugal; Schools
INTRODUÇÃO MÉTODOS
O tempo entre o início de uma paragem cardiorrespi- Este estudo é de tipo coorte prospetivo e foi desenvol-
ratória (PCR) e a prestação de cuidados é fundamental; vido na Escola Secundária Quinta das Palmeiras/3, na
encurtar esse tempo aumenta a probabilidade de sobre- Covilhã, no ano de 2018. Procurou-se que os participan-
vivência da vítima.1 Os níveis de conhecimento de SBV tes tivessem entre 13-15 anos, pois o condicionamento
da população portuguesa são baixos.2 Em Portugal, a físico já é suficiente para fornecer SBV.7 Os alunos in-
taxa de sobrevivência perante uma paragem cardiorres- cluídos no projeto pertenciam às turmas do 8º ano se-
piratória extra-hospitalar (PCREH) é de 3%, o que pode lecionadas pela escola. Foram divididos em dois grupos,
estar associado à falta de preparação da sociedade civil um de 25 alunos que viria a receber formação em SBV
para atuar.3 e outro de 30 alunos que não viria a receber formação.
A American Heart Association (AHA) e a Organização O protocolo de investigação foi aprovado pelo Conselho
Mundial da Saúde (OMS) recomendam o ensino de rea- Diretivo da escola e pela Comissão de Ética da Univer-
nimação cardiopulmonar (RCP) nas escolas.4,5 Os alunos sidade da Beira Interior. Apenas participaram no estudo
são o grupo de atuação preferencial, de fácil acesso e alunos com consentimento informado assinado pelos
motivação. A implementação de um programa de forma- encarregados de educação.
ção em suporte básico de vida (SBV) nas escolas permi-
Para colheita de dados foi aplicado um inquérito com
tirá: a aprendizagem de um grande número de crianças,
perguntas de escolha múltipla desenvolvido pelos in-
que, com o tempo, aumentará a proporção de adultos
vestigadores. O inquérito continha 9 perguntas sobre
treinados; aumentar a consciencialização da importân-
conhecimentos teóricos de SBV. Às respostas certas
cia de agir perante uma PCR; treino quando a aprendi-
foi atribuída a classificação de um ponto. A retenção do
zagem é a principal atividade; exposição da informação a
conhecimento teórico foi analisada através da soma dos
um segundo nível de aprendizes em casa.6
pontos. As questões 10 e 11 abordavam a autoavaliação
Os objetivos deste estudo foram desenvolver uma ação da capacidade de realização de SBV e o medo autoper-
de formação sobre SBV, avaliar o seu impacto em alunos cebido de ser o primeiro a dar resposta perante uma
do 8º ano, estudar o seu efeito ao longo do tempo e com- PCR, respetivamente, e foram tratadas como variáveis
parar alunos que receberam formação com alunos que em escala de Likert. Um teste piloto foi aplicado a cinco
não receberam. Ainda não existe um programa estrutu- adolescentes, sendo efetuadas as adaptações necessá-
rado para o ensino desta técnica em Portugal, pelo que rias. O grupo que participou na formação respondeu ao
este trabalho pretende contribuir para esse efeito. inquérito em três momentos: antes da sessão de treino
8 · GAZETA MÉDICA Nº1 VOL. 7 · JANEIRO/MARÇO 2020
ARTIGO ORIGINAL
(Qi), imediatamente após (Q2i), e um mês depois (Q2t). EVOLUÇÃO DO GRUPO QUE RECEBEU
O grupo que não recebeu formação respondeu aquando FORMAÇÃO
de Qi e Q2t. Na distribuição do total de respostas corretas entre
O conteúdo da formação foi baseado nas guidelines in- cada par de momentos, observa-se que a média do to-
ternacionais para esta matéria.8,9 A formadora foi uma tal de respostas corretas aumenta de Qi (M=4,29) para
estudante de medicina do 5º ano, autora do estudo. Q2i (M=7,63) de forma estatisticamente significativa
Cada sessão foi dividida numa componente expositiva (U=18,0; p<0,001), aumentando depois ligeiramen-
teórica de 20 minutos e numa componente prática de te para Q2t (M=7,67) mas de forma não significativa
40 minutos. Os alunos treinaram o pedido de socorro, (U=275,5; p=0,790).
simulando uma chamada para o 112. Todos os alunos A média das respostas a P10, aumenta de Qi (M=2,38)
realizaram manobras de SBV num manequim. Procurou- para Q2i (M=3,83) de forma estatisticamente signifi-
-se dar feedback acerca do desempenho da RCP de cada cativa (U=67,5; p<0,001), diminuindo depois para Q2t
um, nomeadamente ao nível da frequência e profundi- (M=3,46) de forma também significativa (U=198,5;
dade das compressões torácicas e retorno do tórax. Sa- p=0,035).
lientou-se o facto de as compressões serem decisivas,
A média das respostas a P11 diminui de Qi (M=2,70)
mesmo na ausência de ventilações.10,11
para Q2i (M=2,08) de forma estatisticamente significa-
ANÁLISE ESTATÍSTICA tiva (U=165,0; p=0,011), diminuindo depois ligeiramen-
Os dados foram analisados usando o software Statistical te para Q2t (M=1,96), mas de forma não significativa
Package for Social Sciences (SPSS) versão 25.0. A signifi- (U=249,0; p=0,523).
cância estatística foi fixada em 5%.
COMPARAÇÃO ENTRE O GRUPO QUE
Foi atribuído zero pontos aos itens de 1-9 não respon- RECEBEU FORMAÇÃO E O GRUPO QUE
didos. NÃO RECEBEU UM MÊS APÓS A SESSÃO
Para analisar as variáveis nominais optou-se pelo teste DE TREINO
do qui-quadrado. Para estudar a evolução do grupo que A média do total de respostas corretas é superior para
recebeu formação e comparar os grupos foi utilizado o o grupo que recebeu formação (M=7,67) face ao grupo
teste não paramétrico de Mann-Whitney. Para relacio- que não recebeu (M=4,43) (Tabela 1), sendo as diferen-
nar a autoavaliação da capacidade de realização de SBV ças estatisticamente significativas (U=36,0; p<0,001).
e o medo autopercebido de ser o primeiro a dar respos- Perante a questão 10, 58% dos alunos do grupo que re-
ta perante uma PCR com a retenção dos conhecimentos cebeu formação afirmaram estar preparados para agir,
foi aplicado o coeficiente de correlação de Pearson. enquanto que apenas 14% do grupo que não recebeu
formação deu a mesma resposta. A média das respos-
tas nesta pergunta é superior para o grupo que recebeu
RESULTADOS formação (M=3,46) e inferior para o grupo que não re-
O inquérito foi respondido por 24 alunos que recebe- cebeu (M=2,64), sendo as diferenças estatisticamente
ram formação, 54% dos quais eram do sexo feminino, significativas (U=159,5; p=0,001).
92% tinham 14 anos e os restantes 8% tinham 15 anos.
Perante a questão 11, 26% dos alunos do grupo que
No grupo que não recebeu formação, o inquérito foi res-
recebeu formação afirmaram não ter medo de agir, en-
pondido por 28 alunos, dos quais também 54% eram do
quanto que apenas 11% do grupo que não recebeu for-
sexo feminino, 96% tinham 14 anos e os restantes 4%
mação deu a mesma resposta. A média das respostas é
tinham 15 anos.
inferior para o grupo que recebeu formação (M=1,96) e
Verificou-se que, no início do estudo os dois grupos não superior para o grupo que não recebeu (M=2,57), sendo
apresentaram diferenças estatisticamente significati- as diferenças estatisticamente significativas (U=197,5;
vas entre si, relativamente ao sexo, à idade, ao conheci- p=0,012).
mento teórico sobre SBV (com exceção da questão 6), à
autoavaliação da capacidade de realização de SBV e ao CONFIANÇA E RETENÇÃO DOS
medo autopercebido de ser o primeiro a dar resposta CONHECIMENTOS
perante uma PCR. Na totalidade dos dados recolhidos, verifica-se que uma
maior retenção dos conhecimentos está associada a
uma melhor autoavaliação da capacidade de realizar
GAZETA MÉDICA Nº1 VOL. 7 · JANEIRO/MARÇO 2020 · 9
ARTIGO ORIGINAL
TABELA 1 . Estatística descritiva: Relações entre as questões P1 a não recebeu, salvo no reconhecimento do primeiro elo
P9 nos três momentos (Qi, Q2i e Q2t), para o Grupo que recebeu
Formação. da cadeia de sobrevivência, não podendo este facto ser
% Desvio
fundamentado pelas características da investigação.
Momento N
corretas padrão “Como ligar 112” teve uma taxa de acertados elevada,
Qi 24 87,5% 33,8% possivelmente devido ao nível de dificuldade de a per-
P1. Cadeia de
Q2i 24 16,7% 38,1% gunta ser baixo. Um mês depois, os alunos mantinham
sobrevivência
Q2t 24 50,0% 51,1% um bom nível de conhecimento em quase todos os itens
Qi 23 17,4% 38,8% analisados e conhecimento superior ao do grupo que
P2. Avaliar as condições não recebeu formação. Não houve alterações signifi-
Q2i 24 87,5% 33,8%
de segurança
Q2t 24 83,3% 38,1% cativas nos itens analisados no grupo que não recebeu
Qi 24 62,5% 49,5% formação.
P3. Avaliar o estado
Q2i 24 91,7% 28,2%
de consciência CONFIANÇA PARA AGIR PERANTE UMA
Q2t 23 73,9% 44,9%
PCR
Qi 24 25,0% 44,2%
P4. Permeabilizar a via Apesar de o medo e a autoconfiança não terem sido di-
Q2i 24 54,2% 50,9%
aérea retamente abordados na formação, os alunos relataram
Q2t 24 66,7% 48,2%
sentir-se melhor preparados para poder agir. Um mês
Qi 23 69,6% 47,0%
depois, verifica-se que a capacidade de realizar SBV do
P5. Avaliar respiração Q2i 24 95,8% 20,4%
grupo que recebeu formação aumentou e o medo dimi-
Q2t 24 83,3% 38,1%
nuiu. A resposta mais prevalente foi “Estou bem prepa-
Qi 24 20,8% 41,5%
rado para poder agir”, embora a maioria assuma medo
P6. Quando ligar 112 Q2i 24 87,5% 33,8%
leve.
Q2t 24 91,7% 28,2%
Qi 23 4,3% 20,9% Bonh et al,12 numa revisão de literatura, identificaram
P7. Realizar manobras como principais motivos para que os cidadãos não ini-
Q2i 24 87,5% 33,8%
de SBV
Q2t 24 54,2% 50,9% ciem manobras de SBV: a falha no reconhecimento da
Qi 24 41,7% 50,4% PCR, a falta de conhecimentos sobre SBV, o medo de fa-
P8. Manter SBV Q2i 23 78,3% 42,2%
zer algo errado e o medo de infeção. A possibilidade de
Q2t 23 78,3% 42,2%
treino em ambiente de simulação permite a diminuição
Qi 24 83,3% 38,1%
da ansiedade face a uma situação real. Em idade esco-
P9. Como ligar 112 Q2i 24 100,0% 0,0%
lar, as habilidades psicomotoras são adquiridas de ma-
Q2t 24 95,8% 20,4%
neira mais natural e fácil, o que permite reduzir o medo
de cometer erros. Crianças em idade escolar têm uma
SBV (r=0,504; p<0,001), sendo esta uma relação mode- abordagem menos inibida para o treino de RCP, neste
rada positiva, e a um menor medo autopercebido de ser sentido, o ensino de SBV permite-lhes aprender a ter
o primeiro a dar resposta perante uma PCR (r=-0,324; sentido de responsabilidade social, assim como, adquirir
p<0,001), sendo esta uma relação baixa negativa. competências sociais5. Por outro lado, a não obrigato-
riedade de fazer ventilações tem um papel de relevo, na
medida em que diminui a relutância em iniciar manobras
DISCUSSÃO de SBV em desconhecidos.
CONHECIMENTO TEÓRICO IMPACTO DE UM PROGRAMA DE
O conhecimento de SBV dos estudantes do ensino bási- FORMAÇÃO EM SBV NAS ESCOLAS
co é baixo, o que reflete a incipiente cultura de emergên- Considerando o impacto da formação iniciada em crian-
cia médica da população portuguesa em geral. Antes da ças nos futuros adultos, podemos perspetivar uma
sessão de treino, em 9 perguntas, a média de respostas sociedade repleta de cidadãos que dominam as habili-
corretas no inquérito do grupo que recebeu formação dades relacionadas com RCP. Tal possibilitaria grandes
foi 4,29 e a média do grupo que não recebeu foi 4,61. ganhos em saúde ao nível da prevenção da morte súbita
Uma sessão de treino de 60 minutos teve impacto em cardíaca. Em Portugal ocorrem cerca de 10 000 casos
capacitar os alunos para agir corretamente perante uma de PCR por ano,13 27 por dia. Entre 2013 e 2014 fo-
PCR. O conhecimento dos alunos aumentou em todos ram registadas 23 347 PCREH associadas a uma taxa
os itens, tanto logo após a formação, como um mês de- de sobrevivência de 4,43%, enquanto que para o mes-
pois, sendo superior comparativamente ao grupo que mo período, esta taxa foi de 21% na Holanda e 25% na
10 · GAZETA MÉDICA Nº1 VOL. 7 · JANEIRO/MARÇO 2020
ARTIGO ORIGINAL
Noruega.14 Esta elevada discrepância denuncia a neces- CONFLITOS DE INTERESSE: Os autores declaram não
sidade de criação de programas de formação em SBV ter qualquer conflito de interesse na realização do pre-
que sejam efetivos e acessíveis ao maior número de pes- sente trabalho.
soas possível. FONTES DE FINANCIAMENTO: Não houve qualquer fon-
IMPLEMENTAÇÃO DO ENSINO DE SBV te de financiamento na realização do presente trabalho.
NAS ESCOLAS CONFIDENCIALIDADE DOS DADOS: Os autores decla-
Uma curta sessão de treino de uma hora, como a que de- ram ter seguido os protocolos da sua instituição acerca
correu neste estudo, é suficiente para alcançar bons re- da publicação dos dados de doentes.
sultados ao nível da aquisição das habilidades e conhe-
PROTEÇÃO DE PESSOAS E ANIMAIS: Os autores de-
cimentos, sendo um período de tempo de fácil inclusão
claram que os procedimentos seguidos na elaboração
nos currículos escolares.
do presente trabalho estão em conformidade com as
López et al15 consideram que formar os professores normas das comissões de investigação clínica e de ética,
pode ser o primeiro passo para implementar o ensino bem como da declaração de Helsínquia e da Associação
de SBV nas escolas. Dotar as escolas de um corpo peda- Médica Mundial.
gógico capaz de ensinar SBV, tem sido considerado tão
PROVENIÊNCIA E REVISÃO POR PARES: Não comissio-
eficaz como o treino fornecido por profissionais de saú-
nado; revisão externa por pares.
de.16 Outros estudos sugerem que os professores sejam
treinados por estudantes de medicina.17 CONFLICTS OF INTEREST: The authors declare that they
have no conflicts of interest.
Neste estudo, a formação dada por uma estudante de
medicina foi bem-sucedida. O ensino por estudantes de FINANCIAL SUPPORT: This work has not received any
medicina poderia ser sustentável, mas seriam necessá- contribution, grant or scholarship.
rios estudos sobre a motivação destes.
CONFIDENTIALITY OF DATA: The authors declare that
LIMITAÇÕES DO ESTUDO they have followed the protocols of their work center on
A comparação deste estudo com outros semelhantes é the publication of data from patients.
dificultada pelo número reduzido de participantes e o PROTECTION OF HUMAN AND ANIMAL SUBJECTS: The
pouco tempo para medir os outcomes. Existe algum risco authors declare that the procedures followed were in
de viés de seleção, porque apenas foi estudada uma es- accordance with the regulations of the relevant clinical
cola e um ano escolar. research ethics committee and with those of the Code
O efeito a longo prazo de uma sessão de treino não foi of Ethics of the World Medical Association (Declaration
avaliado. Também o tempo disponibilizado para a forma- of Helsinki).
ção pode condicionar os resultados, pois 60 minutos re- PROVENANCE AND PEER REVIEW: Not commissioned;
presentam metade do tempo recomendado pela OMS.6 externally peer reviewed.
O estudo apresenta falta de precisão para comparar se
houve melhorias no domínio das habilidades práticas, REFERÊNCIAS
nomeadamente da realização de compressões torácicas, 1. Shinozaki K, Nonogi H, Nagao K, Becker L. Strategies to im-
prove cardiac arrest survival: a time to act. Acute Med Surg.
uma vez que a valorização da aprendizagem se levou a 2016;3:61-4. doi: 10.1002/ams2.192.
cabo mediante um inquérito e não mediante um exercí- 2. Dixe MA, Gomes J. Conhecimento da população portuguesa
cio prático. Não foi avaliada a fiabilidade e consistência sobre suporte básico de vida e disponibilidade para realizar
formação. Rev Esc Enf USP. 2015;49:640-9.
do inquérito.
3. Noronha N. Apenas 3% das paragens cardiorrespiratórias so-
brevivem. Radio Regional. 2018 Feb 20 [cited 27 November
2018]. Available from: [Link]
CONCLUSÃO -paragens-cardiorrespiratoria-sobrevivem.
Os resultados deste estudo reforçam que a inclusão de 4. Tavares A, Pedro N, Urbano J. Ausência de formação em su-
ações de formação teórico-práticas de SBV nos currícu- porte básico de vida pelo cidadão: um problema de saúde pú-
blica? Qual a idade certa para iniciar? Rev Port Saúde Pública.
los escolares pode ser uma mais-valia na capacitação da 2016;34:101-4.
população leiga na resposta perante uma PCR.
5. Cave D, Aufderheide T, Beeson J, Ellison A, Gregory A, Hazins-
ki M et al. Importance and implementation of training in car-
diopulmonary resuscitation and automated external defibrilla-
tion in schools. Circulation. 2011;123:691-706. doi: 10.1161/
CIR.0b013e31820b5328.
GAZETA MÉDICA Nº1 VOL. 7 · JANEIRO/MARÇO 2020 · 11
ARTIGO ORIGINAL
6. Böttiger BW, Van Aken H. Kids save lives: training school
children in cardiopulmonary resuscitation worldwide is
now endorsed by the World Health Organization (WHO).
Resuscitation. 2015;94:A5-A7. doi: 10.1016/[Link]-
tion.2015.07.005.
7. Jones I, Whitfield R, Colquhoun M, Chamberlain D, Vetter N,
Newcombe R. At what age can schoolchildren provide effective
chest compressions? An observational study from the Hearts-
tart UK Schools Training Programme. BMJ. 2007;334:1201.
8. Travers A, Rea T, Bobrow B, Edelson D, Berg R, Sayre M, et al.
Part 4: CPR Overview: 2010 American Heart Association Gui-
delines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency
Cardiovascular Care. Circulation. 2010;122(18_suppl_3):S-
676-S684.
9. Monsieurs KG, Nolan JP, Bossaert LL, Greif R, Maconochie IK,
Nikolaou NI, et al. ERC Guidelines 2015 Writing Group. Euro-
pean Resuscitation Council Guidelines for Resuscitation 2015:
Section 1. Executive summary. Resuscitation. 2015;95:1-80.
doi: 10.1016/[Link].2015.07.038.
10. Nolan J, Soar J, Zideman D, Biarent D, Bossaert L, Deakin C,
et al. European Resuscitation Council Guidelines for Resus-
citation 2010 Section 1. Executive summary. Resuscitation.
2010;81:1219-76. doi: 10.1016/[Link].2010.08.021.
11. Svensson L, Bohm K, Castrèn M, Pettersson H, Engerström L,
Herlitz J, et al. Compression-Only CPR or Standard CPR in Ou-
t-of-Hospital Cardiac Arrest. New Engl J Med. 2010;363:434-
42. doi: 10.1056/NEJMoa0908991.
12. Bohn A, Van Aken H, Möllhoff T, Wienzek H, Kimmeyer P, Wild
E, et al. Teaching resuscitation in schools: annual tuition by
trained teachers is effective starting at age 10. A four-year
prospective cohort study. Resuscitation. 2012;83:619-25.
doi: 10.1016/[Link].2012.01.020.
13. Dados estatísticos - Fundação Portuguesa Cardiologia [In-
ternet]. Fundação Portuguesa Cardiologia. [cited 3 January
2019]. Available from: [Link]
des/projeto-salva-vidas/dados-estatisticos/.
14. Caldeira P. A sobrevivência da paragem cardiorespiratória
e o investimento em iniciativas de intervenção na população
[Mestrado em Gestão]. Atlântica: University Higher Institu-
tion; 2016.
15. Pichel López M, Martínez-Isasi S, Barcala-Furelos R, Fernán-
dez-Méndez F, Vázquez Santamariña D, Sánchez-Santos L,
et al. Un primer paso en la enseñanza del soporte vital bási-
co en las escuelas: la formación de los profesores. An Pediatr.
2018;89:265-71. doi: 10.1016/[Link].2017.11.002.
16. Schroeder D, Ecker H, Wingen S, Semeraro F, Böttiger B.
“Kids Save Lives” – Wiederbelebungstrainings für Schulkinder.
Anaesthesist. 2017;66:589-97. doi: 10.1007/s00101-017-
0319-z.
17. Toner P, Connolly M, Laverty L, McGrath P, Connolly D, Mc-
Cluskey D. Teaching basic life support to school children
using medical students and teachers in a ‘peer-training’ mo-
del—Results of the ‘ABC for life’ programme. Resuscitation.
2007;75:169-75.
12 · GAZETA MÉDICA Nº1 VOL. 7 · JANEIRO/MARÇO 2020