Índice
Capitulo I: Introdução....................................................................................................3
[Link] Geral:....................................................................................................3
[Link] Específicos:.........................................................................................3
[Link].............................................................................................................4
Capitulo II: Revisão da Literatura.................................................................................5
[Link] em Moçambique..........................................................................................5
[Link] de Árvores para Produção de Carvão, seu Impacto Social, Económico e
Cultural Á Nível Social..................................................................................................5
Á Nível Cultural nas Comunidades Locais................................................................6
[Link]ão Florestal e Sustentabilidade................................................................7
2.2.1.A Importância da Cobertura Vegetal e a Exploração Florestal............................7
[Link].Cobertura Vegetal..............................................................................................7
[Link]ância Ecológica e Urbana da Vegetação....................................................8
[Link] de Árvores e Impacto Ambiental...............................................................8
2.2.5Causas do Abate das Árvores na ESAPOL...........................................................8
[Link]ção Florestal e Lenha como Produto Florestal............................................9
2.3.1Produção e Consumo de Combustíveis Lenhosos.................................................9
[Link] Combustíveis Lenhosos em Moçambique.......................................................9
[Link]ção Físico Geográfico e Sócio Económicos da Região em Estudo. .10
[Link]ível Lenhoso na Perspectiva da ESAPOL...............................................11
2.4.1.O Impacto do Abate Ilegal de Árvores na Perspectiva da ESAPOL..................13
Estratégias Governamentais e Desafios.......................................................................14
Conclusão.....................................................................................................................15
Referências bibliográfica.............................................................................................16
2
Capitulo I: Introdução
O presente trabalho aborda a problemática do abate de árvores para uso como
combustível lenhoso na Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL). Esta prática, embora
tradicional e economicamente acessível, levanta sérias preocupações ambientais, como
a degradação da cobertura vegetal, a perda de biodiversidade e os efeitos sobre o clima.
Na ESAPOL, a lenha é amplamente utilizada para cozinhar, o que torna urgente a
avaliação dos impactos ambientais associados, bem como a procura por soluções mais
sustentáveis.
Esta prática, embora necessária para garantir o funcionamento da escola, levanta
sérias preocupações ambientais, pois o abate sistemático e descontrolado de árvores
provoca a degradação dos ecossistemas locais, contribui para o desequilíbrio climático,
aumenta a erosão dos solos e reduz drasticamente a biodiversidade. Tal realidade impõe
a necessidade de se efectuar uma avaliação rigorosa e científica dos impactos
ambientais associados a essa prática.
[Link]:
Na senda de Marcon e Lakatos (2002) toda pesquisa deve ter um objectivo determinado
para saber o que se vai procurar e o que se pretende alcançar. P.24
O objectivo torna explicito o problema, aumentando o conhecimento sobre
determinado assunto. Neste trabalho o objectivo encontra-se subdividido em geral e
especifico.
[Link] Geral:
Avaliar os impactos ambientais causados pelo abate de árvores para produção de
lenha utilizada na ESAPOL.
[Link] Específicos:
Identificar as principais causas do abate de árvores para produção de lenha na
ESAPOL;
Analisar os impactos ambientais decorrentes da utilização de combustível
lenhoso na ESAPOL;
Propor alternativas sustentáveis para reduzir a dependência da lenha como fonte
de energia na instituição.
3
[Link]
“Metodologia é a ciência que estuda os métodos utilizados no processo de
conhecimento […] estuda e avalia os vários métodos disponíveis”. (MOGARRO,
2005:57)
Para a elaboração do trabalho a metodologia usada neste trabalho foi feita a partir
do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e
electrónicos, outros livros e artigos científicos, nesta perspectivas procurou-se conhecer
o que já se estudou sobre o assunto e, assim sendo conseguiu-se recolher informações
ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta.
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Capitulo II: Revisão da Literatura
[Link] em Moçambique
Segundo Lei de Florestas e Fauna Bravia n.º 10/99 de 7 de Julho define floresta
como "Cobertura vegetal capaz de fornecer madeira ou produtos vegetais, albergar a
fauna e exercer um efeito directo ou indirecto sobre o solo, clima ou regime hídrico".
Trata-se de uma definição funcional, considerando as funções que este recurso exerce
para a sociedade, natureza e ambiente (solo, água e clima). A vegetação sofre influência
directa das actividades humanas e das variações do clima (Colman, 1953).
A exploração desordenada dos recursos naturais e a devastação das florestas
naturais têm gerado inúmeros problemas ambientais, entre eles, a degradação dos
recursos hídricos. Uma agravante deste quadro é a situação de fragmentação das
florestas naturais, que aliada às perturbações antrópicas, compromete sua
sustentabilidade.
[Link] de Árvores para Produção de Carvão, seu Impacto Social, Económico
e Cultural Á Nível Social
Segundo BILA (2005), o sistema artesanal de produção de carvão vegetal, por não
se tratar de actividade permanente e possuir características nómadas, não segue a
legislação trabalhista e apresenta as seguintes características. Não há relação formal de
emprego o pagamento é sempre por produção, "empregador" fornece géneros
alimentícios e medicamentos com preços avultados, cujo valor é descontado quando do
acerto com o carvoeiro. Não existe hierarquização funcional, a relação é directa entre o
carvoeiro e o patrão, não há limites para jornada de trabalho, já que o pagamento é
efectuado por produção. Portanto, quanto mais se trabalha, mais se produz. (P.149)
O carvoeiro é responsável por todas as tarefas desde a corte, arrumação do forno,
passando pela carbonização e desenforna, pelo ensacamento e carregamento dos
caminhões. O carvoeiro vê neste ‘’emprego’’ como fabricador de carvão a oportunidade
de conseguir meios que lhe permitam manter a família.
Esta actividade ocorre em regiões distantes, o que obriga o carvoeiro a levar
consigo esposa e filhos, que passam a morar em casas precárias no próprio local de
trabalho. Corroborando com este facto CAMPOS (2000) diz que nesse contexto, pode-
se afirmar que a vida do carvoeiro e de sua família restringe-se ao trabalho, sem
5
qualquer Perspectivas de educação para os filhos ou mesmo de lazer. Esta forma de
trabalho em vez de melhorar a vida das comunidades loca que na sua maior parte
trabalham nessa actividade os torna ainda mais dependentes e a mercê dos patrões. A
falta duma política trabalhista clara para essa classe aliada a falta de fiscalização de
trabalho leva aos trabalhadores a condição de extrema pobreza.
Fig.01. Homens ensacando carvão, após a sua produção
Um cenário desolador das
condições de trabalho dos
carvoeiros nas áreas de
produção. Este cenário
mostra quão devastador esta
actividade traz ao ambiente
principalmente quando se
usam técnicas tradicionais
aliada a falta de maneio
florestal. Estes fornos são
abandonados e construídos
outros em outros locais o que torna essa população com uma vida nómada.
Fonte: Autor 2025
Á Nível Cultural nas Comunidades Locais
Em Moçambique os principais grupos de plantas úteis são as espécies
madeireiras, medicinais, alimentares e ornamentais. Apesar de nem todas as plantas
úteis constarem na Lista Vermelha, elas devem ser monitoradas uma vez que são
potenciais candidatas ao mesmo no futuro. A exportação de madeiras e o abate de
árvores para PCV é uma actividade que deve ser monitorada pois é muito importante
para a economia do País. ( DNFFB, 1999 ). Com este facto acrescenta BILA (2005),
que algumas espécies de madeiras tais como: Milicia excelsa (LR-nt) e Afzelia
quanzensis (LR-nt) constam na Lista Vermelha e essas deverão merecer um controle
efectivo quer pela Direcção Nacional de Floresta e Fauna Bravia na atribuição de quotas
quer pelas Alfândegas no controle do movimento fronteiriço. Outras espécies muito
utilizadas são as espécies medicinais nomeadamente a Waburgia salutaris que é
largamente usada na cura de complicações da garganta.
6
BANDEIRA et al. (2001), diz que cerca de 70% da população moçambicana
utiliza a medicina tradicional para os seus cuidados primários de saúde (World
Conservation Monitoring Centre 1992). Mercados urbanos em Maputo e Beira vendem
várias espécies medicinais que são colhidas em várias regiões do País. Espécies
ameaçadas tais como a Warburgia salutaris e Encephalartos espécies (espécie
ornamental) que já constam na Lista Vermelha são ilegalmente exportadas e vendidas
nos países vizinhos. As maiores ameaças às espécies em Moçambique são: Exploração
desenfreada dos recursos naturais para lenha e carvão, práticas tradicionais de
agricultura
Olhando a nossa comunidade que é composta por populações camponesas
maioritariamente a viver no campo onde os hospitais não existem ou se situam a
grandes distancias a medicina tradicional á a única alternativa certa desde os tempos
passados e se essas plantas não forem protegidas desenha-se num futuro um desastre em
termos de cura de doenças á nível das comunidades rurais.
[Link]ão Florestal e Sustentabilidade
O modelo de concessão florestal, embora usado mais na indústria, é uma alternativa
legal e sustentável que poderia inspirar práticas na administração pública. Ele permite o
uso planificado dos recursos florestais, combatendo práticas ilegais e promovendo o
desenvolvimento sustentável. A concessão busca incentivar a cadeia de produtos
florestais nas comunidades locais” (Afonso, 2007).
2.2.1.A Importância da Cobertura Vegetal e a Exploração Florestal
[Link].Cobertura Vegetal
A cobertura vegetal é essencial para proteger o solo contra a erosão, conservar a
umidade, regular a temperatura e manter o equilíbrio da fauna e flora local. Em
instituições como a ESAPOL, localizadas em zonas com vegetação natural, a remoção
da cobertura vegetal para obtenção de lenha pode comprometer seriamente o equilíbrio
ambiental da área.
“A cobertura vegetal funciona como espécie de telhado, protegendo o solo contra erosão
para resguardar a fauna e flora” (Nucci, 2001).
7
[Link]ância Ecológica e Urbana da Vegetação
A vegetação também tem impacto directo na qualidade ambiental, reduzindo a
poluição atmosférica, controlando o clima e servindo como barreira acústica e visual.
Embora o foco da ESAPOL seja rural, o princípio de manutenção da vegetação para
qualidade de vida aplica-se igualmente. A manutenção do verde é imprescindível pelos
benefícios associados à qualidade ambiental” (Falcón, 2007).
[Link] de Árvores e Impacto Ambiental
O processo de abate (corte) de árvores envolve técnicas específicas e pode influenciar o
nível de impacto ambiental, dependendo da espécie, do equipamento utilizado e da
topografia. No caso da ESAPOL, a ausência de gestão técnica florestal pode aumentar o
risco de degradação florestal contínua
“O rendimento e o impacto do corte dependem do diâmetro das árvores, da densidade e
do tipo de equipamento” (Canto, 2006).
Conceito de biomassa lenhosa
A biomassa é uma das principais fontes para a geração de energia nos países em
vias de desenvolvimento (ANEEL, 2009). Em Moçambique, estima-se que cerca de
80% da população (urbana e rural) recorre à energia proveniente de biomassa lenhosa
como a principal fonte de energia (Afonso, 2012).
2.2.5Causas do Abate das Árvores na ESAPOL
No contexto da ESAPOL, localizada na província de Sofala do distrito de
Nhamatanda em Metuchira, o abate de árvores para combustível lenhoso apresenta
causas específicas que estão directamente relacionadas à limitação de recursos
energéticos para a preparação de alimentos. Uma das principais causas é a falta de
outros recursos energéticos alternativos, que faz com que a instituição dependa
exclusivamente do fornecimento de lenha para cozinhar, especialmente para a
preparação de matabicho, almoço e jantar, que são refeições essenciais para os alunos e
funcionários (Lavmo, cozinheiro na ESAPOL, comunicação pessoal, 2025).
Esta dependência do combustível lenhoso ocorre devido à irregularidade ou
insuficiência do fornecimento de energia eléctrica ou gás por parte do Ministério ou
Estado, o que torna inviável o uso de fontes alternativas e modernas de energia. Assim,
8
a ESAPOL recorre sistematicamente à lenha como principal fonte de energia para as
suas necessidades culinárias diárias.
Além disso, esta prática é intensificada pela pressão populacional interna da
instituição, com um número significativo de pessoas a requerer alimentação, o que
aumenta o consumo e, consequentemente, o abate das árvores circundantes.
[Link]ção Florestal e Lenha como Produto Florestal
A exploração florestal legal deve seguir normas técnicas e ser documentada. A lenha,
como produto florestal, integra o grupo dos chamados combustíveis lenhosos e deve ser
extraída com responsabilidade para evitar impactos como desflorestamento e
degradação do [Link]ção florestal é um conjunto de medidas ligadas à extração de
produtos florestais que deve cumprir normas técnicas e legais” (Lei n.º 10/1999).
2.3.1Produção e Consumo de Combustíveis Lenhosos
Nas regiões em desenvolvimento, onde as famílias dependem fortemente da
biomassa, mulheres e crianças são frequentemente responsáveis pela colecta de lenha,
actividade exaustiva e perigosa. Em áreas urbanas, o uso crescente de carvão vegetal e
lenha para cozinhar leva à desmatação local. Mesmo em zonas rurais, o uso de carvão
vegetal tem aumentado devido à acessibilidade e aumento do poder de compra (FAO,
2010).
Apesar de muitos países africanos possuírem fontes energéticas como petróleo, gás
e hidroeléctrica, a falta de infra-estrutura adequada faz com que mais de 80% da energia
consumida venha de fontes tradicionais, como a lenha e o carvão vegetal (GTZ, 2009b).
O crescimento urbano, associado ao aumento da procura por carvão vegetal, acentua
ainda mais essa dependência (Belward, 2011).
[Link] Combustíveis Lenhosos em Moçambique
Estudos indicam que a maioria da população moçambicana depende da biomassa
lenhosa como principal fonte de energia (Fraser & Karkari, 1987). A produção deste
combustível ocorre muitas vezes fora dos circuitos formais, dificultando o seu controlo
estatístico. Embora Moçambique tenha reservas florestais significativas, o uso intensivo
tem provocado pressões significativas, com 80% da energia consumida no país a provir
das florestas (Manso & Dimande, 1996).
9
Cerca de 98% dos produtos florestais obtidos são transformados em lenha ou
carvão (CHAPOSA, 2000). Este consumo excessivo é agravado nas grandes cidades
como Maputo, Beira e Nampula, onde a procura supera o incremento médio anual das
florestas (Kir, 1984).
Entre os factores que ameaçam os recursos florestais incluem-se a agricultura
itinerante, a produção de carvão, as queimadas descontroladas e os incêndios florestais
estes últimos afectando anualmente cerca de 40% do território (FAO, 2003c).
[Link]ção Físico Geográfico e Sócio Económicos da Região em Estudo
O tema em estudo circunscreve-se sobre a localidade de Metuchira, que se situa no
posto Administrativo de Metuchira na parte Norte do Distrito de Nhamatanda, província
de Sofala, a cerca 13 km da Vila Sede e ou da estrada número 6.
Distrito de Nhamatanda, localiza se entre as coordenadas 17º 00´ a 18º 30´ de
latitude Sul e 34º 30´ a 35º 30´ de longitude Este, é limitado ao Norte e Nordeste pelo
Rio Metuchira, Noroeste pelo Distrito de Gondola, Sul Chibabava, Sudeste Dondo e
Sudoeste/Oeste Búzi e ocupa uma superfície de cerca de 3.477 Km2.
O Distrito de Nhamatanda é constituído por 2 Postos Administrativos, 10
Localidades e 23 Regulados.
Aspectos pedológicos
Os solos no Distrito de Nhamatanda são caracterizados pela ocorrência das duas
unidades distintas nomeadamente a bacia sedimentar e Complexo Gnaisso Granitico do
Moçambique Belt. Posto Administrativo de Metuchira, Distrito de Nhamatanda,
Província de Sofala, encontra - se quase toda ela numa zona de planície (0 – 200
metros), com os seus solos predominantes arenosos, resultantes da conjugação de vários
factores físicos naturais nomeadamente: tipo de clima, rocha mãe, temperatura,
precipitação, entre outros. É um solo com baixa capacidade de retenção de nutrientes e
água ligeiramente ácida. (PESOD - Nhamatanda: 2023).
Aspectos climáticos
Segundo a classificação climática de Koppen, ocorre no Distrito de Nhamatanda
dois tipos distintos de clima nomeadamente: o clima tropical chuvoso de savana a este,
e de tipo tropical seco a oeste, ambos com duas estações chuvosa e seca” Na zona em
estudo possui um clima tropical quente e húmido com duas estações ao longo do ano,
10
quente chuvosa que inicia de Outubro à Março e a estação seca e fria que inicia de Abril
à Setembro. A estação seca e fresca é a mais longa que a estação quente e chuvosa. Os
meses mais frios compreendem aos meses de Abril a Julho, onde apresentam
temperaturas mais baixas do ano que rondam nos 15ºC e 18ºC. O resto dos meses de
Setembro a Abril correspondem a estação quente e chuvosa, com a precipitação a
ocorrer nos meses de Outubro à Março. (PESOD - Nhamatanda: 2023)
Aspectos florestais
Em conjugação com diversos factores, ligados ao clima e a configuração do relevo
a vegetação da área em estudo, de um modo geral pertence a floresta aberta de miombo,
como é presente nas outras regiões do centro do país. Desta feita na localidade de
Chiadeia podemos encontrar seguintes espécies florestais conforme o quadro abaixo.
Tabela 1: Espécies de madeiras preciosas
Nº de ordem Especie Nome cientifico Nome local Classe
01 Umbaua Khaya nyasica Mbawa 1ª
02 Mecrusse Androstachys Cimbire 1ª
03 Monzo Cambetum Imberbe Munangari 1ª
04 Umbila Pterocarpus falcatus Mbila 1ª
05 Panga-Panga Millettia stuhlmannii Panga-panga 1ª
06 Mepepe Albizia adianthifolia Banga-Wanga 2ª
07 Chacate Guibortia conjugate Chacate encarnado 3ª
08 Mucequece Piliostigma thoningii Mucequece 3ª
09 Muanga Periscopsis angolensis Chuanga 3ª
10 Mongoro Uapa Kirkiana Nahunkwo 3ª
Fonte: SDAE- Nhamatanda
[Link]ível Lenhoso na Perspectiva da ESAPOL
De acordo com Marzoli (2007), estimativas recentes mostram que cerca de 80%
dos moçambicanos dependem de lenha e carvão para satisfazer as suas necessidades
energéticas. O consumo anual destes combustíveis totaliza cerca de 16 milhões de
metros cúbicos. Roland e Falcão (2004) concluíram que o consumo doméstico de
combustíveis lenhosos nas grandes cidades como Maputo é estimado em cerca de 1,0
m³ per capita, sendo o sector familiar o maior consumidor.
11
A lenha provém principalmente das florestas. Conforme o Ministério da
Agricultura et al. (2009), os recursos florestais servem de fonte de subsistência para
cerca de 90% dos 1,2 biliões de pessoas que vivem em extrema pobreza, fornecendo
combustível, alimentos, medicamentos e abrigo. Apesar de Moçambique possuir uma
cobertura florestal estimada em 40,1 milhões de hectares (51,4%), o país enfrenta
enormes desafios na gestão destes recursos (Ministério da Agricultura, 2007 citado por
Mourana e Serra, 2010). Cerca de 85% das necessidades energéticas da população
moçambicana são satisfeitas pela energia da biomassa (Zolho, 2010).
Segundo o Inventário Florestal Nacional (2007), perde-se anualmente cerca de
219 mil hectares de florestas, o que corresponde a uma taxa de desflorestamento de
0,58% ao ano. Embora essa percentagem possa parecer reduzida, Mourana e Serra
(2010) alertam que a situação é preocupante, devendo ser encarada com
responsabilidade pelas autoridades e pela sociedade.
A contínua procura de lenha tem provocado desmatamento, mesmo que o PNUD
(2000) afirme que, raramente, o consumo de lenha seja a causa principal do
desmatamento. As causas mais importantes são a expansão da agricultura, o
desmatamento comercial e a construção de infra-estruturas.
A ESAPOL, depende em grande medida do combustível lenhoso para as suas
necessidades energéticas diárias, principalmente para as cozinhas da instituição.
Segundo relatos internos, como o do cozinheiro Lavmo, a lenha é utilizada em grande
escala diariamente para o preparo de refeições para os sargentos em formação. Este
facto coloca uma pressão significativa sobre os recursos florestais locais e exige uma
reflexão sobre práticas mais sustentáveis.
Actualmente, as actividades florestais em Moçambique são reguladas pela Lei de
Florestas e Fauna Bravia (Lei n.º 10/99, de 7 de Junho) e pelo seu respectivo
Regulamento aprovado pelo Decreto n.º 12/2002 de 6 de Junho (Sitoe & Bila, 2003).
Neste contexto, de salientar que desde sempre o Homem necessitou dos recursos
florestais para a satisfação de diversas necessidades, fazendo surgir o imperativo de se
fixarem regras e mecanismos para permitir o seu uso regrado." (Mourana & Serra,
2010).
12
2.4.1.O Impacto do Abate Ilegal de Árvores na Perspectiva da ESAPOL
A Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL), como instituição de formação
profissional em Moçambique, tem desempenhado um papel central na capacitação de
quadros da ordem pública. No entanto, como muitas outras instituições públicas
localizadas em áreas com cobertura vegetal significativa, enfrenta desafios energéticos
que a levam a recorrer ao uso de combustível lenhoso, especialmente para o preparo das
refeições diárias (Lavmo, comunicação pessoal, 2025).
Embora a recolha da lenha para consumo institucional na ESAPOL siga práticas
operacionais internas, é importante reconhecer que, à semelhança do que ocorre noutras
zonas do país, o risco de abate não autorizado ou descontrolado de árvores pode existir
nas cadeias informais de abastecimento.
Segundo o Explicador (s.d.), “o abate ilegal de árvores é uma prática devastadora
que tem consequências graves e duradouras para o meio ambiente”, contribuindo para a
perda de biodiversidade, degradação dos ecossistemas e alterações climáticas.
As florestas circundantes à ESAPOL, ao serem pressionadas para responder à
procura por lenha, podem estar vulneráveis à exploração acima da capacidade de
regeneração natural, o que, a médio prazo, compromete o equilíbrio ecológico da região.
Tal como referido por Colman (1953), a vegetação tem função directa na protecção do
solo, e a sua remoção descontrolada pode intensificar os processos de erosão e
empobrecimento do terreno.
Além disso, o Explicador (s.d.) sublinha que o abate ilegal impacta também as
comunidades locais, que dependem dos recursos florestais para sua sobrevivência,
podendo ocorrer conflitos de uso e perda de acesso a produtos essenciais, como lenha,
frutos, e plantas medicinais.
Neste contexto, é fundamental que a ESAPOL continue a desempenhar o seu
papel de liderança, incorporando princípios de sustentabilidade na sua gestão de
recursos. Medidas como o uso de fogões melhorados, a adopção gradual de energias
alternativas e o reforço da consciência ambiental entre os formandos e funcionários são
estratégias alinhadas com os objectivos do desenvolvimento sustentável e com os
compromissos ambientais nacionais.
13
Como reforça Mourana & Serra (2010), “desde sempre o Homem necessitou dos
recursos florestais para a satisfação de diversas necessidades, fazendo surgir o
imperativo de se fixarem regras e mecanismos para permitir o seu uso regrado”. Assim,
a acção consciente da ESAPOL pode servir de exemplo positivo para outras instituições
do sector público.
Estratégias Governamentais e Desafios
O governo moçambicano implementou plantações florestais próximas de centros
urbanos como forma de mitigar a escassez de combustíveis lenhosos (BTG, 1990). No
entanto, o crescimento populacional, estimado em 2,4% entre 1997 e 2020 (INE, 1997),
continua a exercer pressão sobre as florestas, especialmente nas zonas periurbanas e ao
longo das vias principais.
A pressão demográfica e a procura crescente por produtos florestais têm levado à
fragmentação e perda de biodiversidade nas florestas moçambicanas (FAO, 2003c).
14
Conclusão
A presente investigação permitiu compreender de forma clara e fundamentada os
impactos ambientais decorrentes do abate de árvores para a produção de lenha utilizada
como combustível na Escola de Sargentos da Polícia (ESAPOL). Embora esta prática se
revele essencial para garantir o funcionamento diário da instituição, nomeadamente na
preparação de refeições, verificou-se que acarreta sérias consequências ecológicas, tais
como a degradação da cobertura vegetal, a perda da biodiversidade, o aumento da
erosão do solo e o desequilíbrio climático local.
Conforme salientam Mourana e Serra (2010), “desde sempre o Homem necessitou
dos recursos florestais para a satisfação de diversas necessidades, fazendo surgir o
imperativo de se fixarem regras e mecanismos para permitir o seu uso regrado”. Neste
contexto, torna-se evidente a urgência de implementar medidas sustentáveis que
permitam conciliar as necessidades energéticas da ESAPOL com a preservação
ambiental. A adopção de fontes de energia alternativas, como os fogões melhorados ou
o uso de biogás, bem como o reforço da educação ambiental dentro da instituição, são
caminhos viáveis e desejáveis.
Assim, conclui-se que uma gestão consciente e sustentável dos recursos florestais é
imprescindível não só para garantir a continuidade das actividades da ESAPOL, mas
também para assegurar a protecção dos ecossistemas locais e o bem-estar das gerações
futuras. A experiência da ESAPOL pode, inclusive, servir de exemplo para outras
instituições públicas em Moçambique, promovendo uma cultura de responsabilidade
ambiental alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
15
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