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1950 OrigensIndiosCariris

O documento discute as origens dos índios Cariris, destacando cinco correntes migratórias que contribuíram para o povoamento da América, com ênfase nas características étnicas e culturais dos Cariris. A pesquisa sugere que os Cariris têm raízes na quarta corrente migratória, com influências das primeiras correntes e uma cultura evoluída. O texto também aborda a classificação linguística dos Cariris e suas relações com outras famílias linguísticas sul-americanas.
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O documento discute as origens dos índios Cariris, destacando cinco correntes migratórias que contribuíram para o povoamento da América, com ênfase nas características étnicas e culturais dos Cariris. A pesquisa sugere que os Cariris têm raízes na quarta corrente migratória, com influências das primeiras correntes e uma cultura evoluída. O texto também aborda a classificação linguística dos Cariris e suas relações com outras famílias linguísticas sul-americanas.
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| | , As origens dos Indios Cariris TH. POMPEU SOBRINHO Sabe-se que © povoamento. precolombiano do Continente Americano, processado no decurso de muitos milénios, fez-se com a contribuigio de povos primérios de origens étnicas dife- rentes, oriundos de pontos diyersos do Velho Mundo. Cinco correntes migratérias, cada uma composta de mume- rosas levas mais ou menos volumosas, chegaram & América em épocas diversas, sucessivamente, no curso secular da preistéria deste Continente. As duas primeiras correntes compunham-se de paleoliticos, dolicdides do tipo australiano. Aleangaram o Novo Mundo, vin- dos da Sibéria pelo caminho do NW., o actual estreito de Be- ring, que atravessaram a pé enxuto, imediatamente antes e logo depois da culminagéo glacial do mancato, sub-periodo Wiscon- siano. A terceira corrente chegara também da Sibéria pelo estreito de Bering ou pela cadeia das ilhas Aleutinas, em pequenas em- barcagdes de peles armadas sobre uma estrutura rudimentar de madeira. Estes imigrantes eram mesoliticos que comegavam a polir ‘a, pedra, confeccionar uma grosseira ceramica, usar com mais desenvolvimento os utensilios de osso e exercitar uma ru- dimentar agriculiua; mas as suas principais actividades esta- vam voltadas ainda para a caga e a pesca maritima. ‘Aquaria corrente migratéria, muito numerosa, compa- nha-se dé uma infinidade de levas de um povo formado no SE. da Asia, protomalaios, braquicéfalos ou braquidides, de cul- tura média ou neolitica. Foi enorme a duragio desta migracio, REVISTA DO INSTITUTO DO CEARA 315 cujas levas chegavam 4s costas intertropicais da América, em embarcagées relativamente rudimentares, navegando pelo Paci- fico. Discute-se_o itinerdrio maritimo seguido por estes povos dotados de extraordinério dinamismo. Querem alguns estu- diosos tenham vindo através do oceano; outros acham que teriam perlongado as costas asidsticas de sul a inorte e, assim, hajam alcangado as do ocidente da América, pelas quais desceram, premidos por vérias circunstncias. Chegaram 4 regio inter- tropical, donde se internaram pelo Continente, ora buscando as zonas meridionais dos Estados Unidos da América do Norte, ao longo da faixa litordnea e sublitoraneas do golfo do México, ora procurando a cordilheira setentrional dos Andes. Inade- quada 4s suas actividades prosseguiram e, transpondo-a, expan Ciram-se pelas terras quentes e hiimidas das bacias do Orenoco e do Amazonas, onde encontravam as condigdes especiais aos seus precipuos movimentos culturais: a agricultura, a nave- gacio fluvial, a caca na floresta, a pesca abundante nos lagos e nos rios. Nessa vastissima regio concentravam-se as levas que chegavain do NW. colombiano e, provavelmente, outras da mesma origem étnica que, depois de perlustrarem as costas do golfo de México e a peninsula da Flérida, passavam através das Antilhas para a metade meridional do continente. A terra fir- me alcangada nas proximidades do largo delta do rio Orenoco facilitava o internamento pela navegagao fluvial que levava Squelas privilegiadas zonas do ocidente da amazénia. A quinia e tiltima corrente de povoadores exéticos procedia da Oceania; compunha-se de protopolinésios, braquidides, de estatura baixa, com notavel dinamismo. Fora, porém, muito reduzida em ntimero de elementos’ Chegara em época relativamente recente As costas istmicas e colombianas, depois de atravessarem 9 Pacifico, em levas pouco numerosas e de pequeno'volume. Por isto a sua in- fluéncia étnica parece insignificante, mas, em compensagéo, mer- cé da alta cultura de que era portadora, a sua influéncia civi- lizadora fora consideravel- 316 REVISTA DO INSTITUTO DO CEARA Cada uma destas correntes deu tipos raciais diferentes, for- mados sob o estimulo diferenciador do meio fisico, de varios cruzamentos com elementos dos diversos contingentes e princi- palmente, como consequéncia de algumas mutagées que se fi- xavam de geragdo em gerag&o, generalizando-se dentro de cer- to Ambito territorial, mais ou menos isolado, ou drea de forma cdo racial. O mimero de tipos étnieos conhecidos anda por cerca de uma diizia. Os imigrantes da quarta corrente, ao que parece, sémente deram origem a dois tipos raciais: 0 dos SUDESTIDOS, na América do Norte, e o dos BRAS{LIDOS na América do Sul. Os tipos étnicos subdividem-se em familias linguisticas ou linguo-culturais que, como o nome estd indicando, obede- cem a um critério discriminativo cultural, especialmente ba- seado nos caracteres linguisticos. 0 tipo BRAS{LIDO abrange, de acordo com 08 actuais co- nbecimentos da linguistica sul americana, as trés grandes fa- milias. I — Amaque IE — Tupi TI — Caraiba e mais a sseguintes de muito menor importancia: IV — Tocana V — Pano VI — Uitoto . VII — Peba . s 1X — Zaparo X — Yuracare XI — Techapacura XII — Tchecobo : . Esta relagio de familias nao é definitive. Os estudos mais REVISTA DO [Link] CEARA 31? acurados da linguistica sul americana podem imprimir modi- ficagdes importantes, sobretudo fazendo crescer 0 seu nimero. * © objecto deste trabalho visa a uma cireunstincia desta natureza; propée-se a demonstrar que a familia CARIRI, de indios nordestinos, nado pode ser mais considerada como de ori- gem australéide, isto é, constituida por elementos oriundos das duas primieras correntes imigratérias. © Também nio se deve filiar y terceira, que teve localizagéo muito especial e restrita na América do Sul. Os cariris séo oriundos da quarta corrente, malgrado o en- sinamento de todos os antropologistas e historiadores nacionais. A demonstragéo parece cabal, embora nao absolutamente com- pleta, pela caréncia de elementos antropolégicos e etnalégivos. Todavia, esta deficiéncia nao prejudica o rigor das dedugées. Para ser completa, a demonstragio exigiria, além do as: pecto linguistico ou linguo-culiural, o aspecto antropolégico. Pouco conhecemos das particularidades somaticas dos extintos Indios dessa nacio. Sabemos, entretanto, que eram de baixa estatura, braqui- céfalos e relativamente camecrénios (cabega chata), pois a tra- digdo destes caracteres se conserva ainda, e é confirmada por que tais qualidades antropolégicas se vem perpetuando uas po- pulagdes do sul de Ceara e de outras zonas do nordeste brasi- Jeiro que receberam o influxo da hereditariedade caviri. Mas, quanto ao aspecto cultural, nao resia diivida que apre- senta modalidades caracteristicas, e afasia positivamente 1 ori- gem assenle nas trés primeiras correntes de imigrantes sihe- rianos de cultura paleolitica ou mesolitica, Os achados de pecas da sua cerdmica e dos utensilios li- ficos, objectos de osso, tecidos, etc. e outros elementos usuatis revelados pela sua linguagem e conservados pela tradigao local, mostram uma ber, evoluida cultura média ou neolftica, imeon- 318 REVISTA DO INSTITUTO DO CEARA fundivel com a dos povos mais primitivos, disseminados no nor- deste do Brasil. Para von Martius, os cariris pertenciam a sua divisio dos Gucks ou Cocos, a0 lado dos sabujés e outras tribos que ayora fazem parte das familias Caraiba e Aruaque, como os macusis, paravilhanhanas, as manaus, maraiids, wirinas e varias outras. vivendo nos mais longinquos rincées da amazénia ocidental. Nao 6, pois de admirar que o velho Tinguista abade Lou- iengo Hervas, no seu tempo, tenha aparentado a lingua cariri com a dos moxos, legitimos nu-aruaques holivianos. Antes de Martius, Aleides d’Orbigny incluira os caritis na sna inexpressiva divisdo dos Brasilio-guaranis. Os veJhos cro- nistas, que registaram informes relatives aos indigenas. olere- ciam melhor classificagao, colocando este grupo nordestino na classe dos Tapuias, ou indios de lingua travada, que abarcava todos os indigenas que ndo falavam a lingua tupi ou qualquer dos seus dialectos. Martius pensava que os cariris: “indios do sextio du rio Sio Francisco”, estendiam o seu dominio até os rios Curd ¢ Acarati, no Ceara, o que estava bastante longe da verdade. Ape- sar de jd ter sido satisfatériamente demonstrado que estes ame- rincolas, no Ceara, nao habitarem as regides centrais. limitando « seu dominio ao sul do Estado, especialmente 20 vale do sie Salgado ¢ a zona fresca do vale que tomou a denominacao tzi- hal, conspicuos divulgadores da historia do Brasil continuam propugando nogées erradas a respeito do habitat deste povo. O etndlogo alem&o somente conseguiu contacto com restos degralados da nagio carizi, colhendo impressdes muito desfa- vordveis, como era natural a um tal estado de aculturagio. Con- cluiu que os Gucks, raga inferior, aproximam-

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