RELATÓRIO CRÍTICO – AUDIÊNCIA 1
1ª Vara do Trabalho de Boa Vista/RR
Processo nº 0000915-88.2025.5.11.0051
No dia 12 de junho de 2025, participei, como acadêmica de Direito, de uma audiência
de instrução realizada por videoconferência no âmbito da 1ª Vara do Trabalho de Boa
Vista/RR, sob a condução do juiz do trabalho Dr. Gleydson Ney Silva da Rocha.
O Magistrado se demonstrou bem pontual e iniciou dentro do horário com as devidas
formalidades.
As partes presentes foram: Rithiele Vieira (reclamante) representada por seu advogado Dr.
Ricardo Gomes de Moraes, e Assis & Borges Ltda (reclamada), representada por preposta e
pelo advogado Dr. Ykaro Bezerra Lima.
O advogado da parte reclamante verificou que a mesma estava ausente e, após o
Magistrado esperar um tempo de tolerância, requereu a desistência da ação, com
anuência da parte reclamada, o que levou ao arquivamento da ação, nos termos do art.
844 da CLT, inclusive com a imposição de pagamento das custas processuais.
O juiz, ao analisar o requerimento, homologou a desistência, decretando a extinção do
processo sem resolução de mérito, nos termos do art. 485, VIII, do CPC, aplicado
subsidiariamente conforme o art. 769 da CLT. Também foi deferido o benefício da
justiça gratuita à reclamante, com isenção do pagamento de custas processuais.
Essa atitude revela um ponto relevante: a importância da presença da parte autora à
primeira audiência, sob pena de arquivamento imediato, demonstrando a rigidez da
norma em relação à iniciativa processual no processo do trabalho.
Apesar de breve, a audiência foi relevante para a formação prática, pois permitiu
observar procedimentos formais como a homologação de desistência, a atuação do juiz
e o comportamento dos advogados no ambiente da Justiça do Trabalho.
RELATÓRIO CRÍTICO – AUDIÊNCIA 2
2ª Vara do Trabalho de Boa Vista/RR
Processo nº 0000477-59.2025.5.11.0052
Compareci, como acadêmica de Direito, à audiência de instrução realizada no dia 05 de
junho de 2025, no âmbito da 2ª Vara do Trabalho de Boa Vista/RR, conduzida pela
Juíza do Trabalho Dra. Samira Márcia Zamagna Akel.
A audiência foi realizada por videoconferência e teve como partes a reclamante Ireuda
Araujo Silva, representada pelo advogado Dr. Felipe Kaliu Cezario Davila, e a
reclamada Federação das Unimeds da Amazônia (em recuperação judicial),
representada por seu preposto e advogado.
No início da sessão, a juíza validou a contestação e os documentos apresentados pela
parte reclamada, concedendo vista à parte autora. Não houve produção de provas
testemunhais e as partes dispensaram tanto a gravação quanto os depoimentos pessoais,
o que foi aceito pelo Juízo. As razões finais foram apresentadas de forma remissiva e
não houve acordo em nenhuma das propostas conciliatórias.
A instrução foi encerrada e a sentença será publicada em 30/06/2025, conforme
informado em audiência.
A audiência foi breve e marcada pela formalidade e objetividade. Embora não tenha
havido instrução propriamente dita (por ausência de depoimentos e testemunhas), foi
possível observar a condução técnica da magistrada e o andamento processual dentro
dos parâmetros do rito sumaríssimo. Também foi relevante acompanhar como, em
certos casos, a instrução pode ser simplificada em razão dos elementos constantes nos
autos.
RELATÓRIO CRÍTICO - PETIÇÃO INICIAL
A petição inicial está tecnicamente estruturada conforme exigido pelos artigos 319 do
CPC e 840 da CLT. Apresenta causa de pedir bem definida, pedidos certos e valor da
causa, com fundamentação jurídica coerente e respaldo na legislação vigente.
A peça aborda violação de diversos direitos trabalhistas, como a ausência de anotação
da CTPS (art. 29 da CLT), inadimplemento das verbas rescisórias (art. 477 da CLT),
ausência de recolhimento do FGTS (Lei 8.036/90), e salário inferior ao mínimo legal
(art. 7º, IV, da CF). Também fundamenta pedidos com base em súmulas do TST, como
a Súmula 146 (pagamento em dobro de feriados trabalhados) e Súmula 147 (descanso
semanal remunerado).
A estratégia jurídica adotada demonstra atenção ao princípio da proteção do trabalhador
e à primazia da realidade. O pedido de reconhecimento do vínculo empregatício está
apoiado no art. 9º da CLT, que invalida atos que visem à fraude. A solicitação de
anotação retroativa da CTPS e indenização substitutiva do seguro-desemprego segue
orientação consolidada na jurisprudência trabalhista.
A inclusão de requerimentos de audiência telepresencial e citação por WhatsApp está
juridicamente amparada na decisão do CNJ de 06/10/2020 e nos arts. 246, V, do CPC e
5º da Lei 11.419/06. Tais pedidos reforçam a busca por um processo mais célere e
eficaz.
Apesar da boa estrutura, há pontos a melhorar: a peça apresenta trechos com linguagem
excessivamente informal e redundâncias. Também seria recomendável explicitar os
critérios adotados nos cálculos apresentados em anexo, para dar mais clareza e
transparência aos valores pleiteados.
RELATÓRIO CRÍTICO - CONTESTAÇÃO
A contestação está bem alinhada com os artigos 847 da CLT e 336 e seguintes do CPC.
A peça apresenta preliminares e defesas de mérito adequadamente, com argumentação
jurídica coerente.
No mérito, nega a existência de vínculo empregatício com base nos requisitos do art. 3º
da CLT, e impugna todos os pedidos da inicial. A defesa também busca o benefício da
justiça gratuita, corretamente fundamentado no art. 5º, inciso LXXIV, da CF e no art. 98
do CPC.
Apesar disso, a peça peca por não apresentar contracálculo, o que enfraquece a
impugnação aos valores apresentados pela parte autora, conforme previsão do art. 341
do CPC. Além disso, não formula pedidos subsidiários, o que limita sua atuação
estratégica diante de eventual procedência parcial da ação.
A ausência de produção de prova testemunhal ou pericial também pode comprometer a
defesa, já que o ônus da prova, nos termos dos artigos 818 da CLT e 373, II, do CPC,
recai sobre quem alega fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.