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Endereçamento IP

O documento aborda o endereçamento IP, explicando suas classes (A, B, C, D e E) e a transição do IPv4 para o IPv6 devido à limitação de endereços. Ele detalha a estrutura dos endereços IP, suas funções e a importância das máscaras de sub-rede para a organização das redes. Além disso, discute a atribuição de endereços IP, diferenciando entre endereçamento dinâmico e estático.
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Endereçamento IP

O documento aborda o endereçamento IP, explicando suas classes (A, B, C, D e E) e a transição do IPv4 para o IPv6 devido à limitação de endereços. Ele detalha a estrutura dos endereços IP, suas funções e a importância das máscaras de sub-rede para a organização das redes. Além disso, discute a atribuição de endereços IP, diferenciando entre endereçamento dinâmico e estático.
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FUNDAMENTOS

DE REDES DE
COMPUTADORES
Endereçamento IP
Juliane Soares

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

> Conceituar endereçamento IP e respectivas classes.


> Identificar o papel do endereçamento IPv4 e alternativas a suas limitações.
> Reconhecer a estrutura de endereçamento do IPv6 e suas possibilidades.

Introdução
À medida que as redes e a internet continuam a se expandir a uma taxa sem pre-
cedentes, um número cada vez maior de dispositivos exige comunicação entre si e
com a internet. Um único pacote pode atravessar várias redes locais (LANs, na sigla
em inglês) ou redes de longa distância (WANs, na sigla em inglês) antes de chegar
ao seu destino final. Para habilitar esse nível de comunicação, é necessário um
sistema de endereçamento universal, o Protocolo de Internet (IP, na sigla em inglês).
A versão atual do IP, IPv4, emprega 32 bits, permitindo um total de 232 endereços
únicos. No entanto, a intensificação do uso da internet aumentou a demanda por
endereços, tornando esse sistema inadequado. Como solução, surgiu o projeto IPv6,
que busca atender à necessidade de mais endereços e solucionar outras questões
relacionadas à camada IP. O IPv6 utiliza endereços de 128 bits, proporcionando
flexibilidade significativamente maior na alocação de endereços IP.
Neste capítulo, você vai obter uma compreensão aprofundada do endereça-
mento IP, com foco particular nas classes A, B e C. Você também vai explorar a
importância do endereçamento IPv4, verificando suas limitações e as alternativas
que buscam contorná-las, como sub-redes, redes e NAT. Por fim, vai conhecer
a estrutura do endereçamento IPv6, inclusive sua representação hexadecimal
exclusiva e várias formas de abreviações. O capítulo ainda incluirá um exame
2 Endereçamento IP

dos tipos de prefixos, bem como apontará para outras diferenças notáveis entre
o IPv6 e o IPv4.

Conceituação e classes
O papel crucial do IP é iniciar a comunicação entre o computador que transmite
os dados e o computador que os recebe, garantindo que nenhuma informa-
ção seja perdida na rede. Elias e Lobato (2013) afirmam que o IP esboça três
conceitos fundamentais. Veja a seguir.

„ A estrutura exata do componente fundamental da troca de informações


utilizada nas redes Protocolo de Controle de Transmissão/Protocolo
de Internet (TCP/IP, na sigla em inglês) é chamada de “datagrama IP”.
„ A função de roteamento é responsável por selecionar as rotas que os
datagramas seguirão do ponto inicial ao ponto final.
„ O conjunto de regulamentos para a entrega de datagramas descreve
os procedimentos específicos que estações e roteadores devem seguir
para processar datagramas. Isso inclui a geração de mensagens de
erro e os termos sob os quais os datagramas podem ser descartados.

O IP transporta dados em pacotes chamados “datagramas”, cada


um dos quais transportado separadamente. Os datagramas podem
trafegar por diferentes rotas e podem chegar fora de sequência ou estar dupli-
cados. O IP não acompanha as rotas e não tem nenhum recurso para reordenar
datagramas uma vez que eles cheguem aos seus destinos (Comer, 2016).

Atualmente, duas iterações do IP estão sendo utilizadas: a amplamente


utilizada versão 4, conhecida por sua sigla IPv4, e a versão 6, conhecida
como IPv6, que está sendo considerada a substituta do IPv4. Depois de
oferecer uma compreensão abrangente do que o IP implica, esta seção
aprofundará o tópico do endereçamento IP, com foco particular nas es-
pecificidades do IPv4.
O endereçamento de IP é uma base essencial da rede de computadores e
da rede mundial de computadores. Ele refere-se ao processo de atribuir desig-
nações numéricas únicas a todos os dispositivos que estão interconectados
em uma rede de computadores. Essas designações numéricas são referidas
Endereçamento IP 3

como “endereços IP” e desempenham um papel crucial ao permitir que os


dispositivos de uma rede se localizem e se comuniquem perfeitamente, o
que facilita a troca e a transmissão de dados entre eles.
A finalidade de um endereço IPv4 é distinguir cada dispositivo na rede
TCP/IP, também conhecido como “endereço de internet”. Segundo Kurose e
Ross (2021), um endereço IPv4 é composto por 32 bits, que são organizados
em quatro campos de 8 bits, chamados de octetos em notação binária (ou
4 bytes em notação decimal). Isso resulta em um total de 2^32 endereços
IP possíveis, aproximadamente 4 bilhões quando aproximado de 2^10 por
10^3. Esses endereços são apresentados em notação decimal com pontos;
cada byte do endereço é escrito em sua forma decimal e separado por um
ponto dos demais bytes do endereço. Para ilustrar, o endereço IP 192.168.10.1
é composto pelos equivalentes de números decimais de cada conjunto de 8
bits no endereço, sendo o primeiro conjunto 192, o segundo conjunto 168 e
assim por diante. O endereço 192.168.10.1, representado em notação decimal,
é mostrado na Figura 1.

Figura 1. Notação decimal pontuada do endereço IPv4.


Fonte: Elias e Lobato (2013, p. 78).

Uma interface é tecnicamente vinculada a um endereço IP. Normalmente,


um host possui apenas uma conexão com a rede; quando o IP do host deseja
enviar um datagrama, ele é transmitido por essa conexão. O link físico que
separa um host e sua rede é chamado de “interface”. Consequentemente, sites
e roteadores não recebem endereços IPv4 diretamente, mas esses endereços
são atribuídos às interfaces de rede dos respectivos dispositivos. Portanto,
cada roteador e interface de estação deve ter um endereço IPv4 exclusivo.
É razoável supor que estações e roteadores multihomed tenham múltiplos
endereços IPv4.
4 Endereçamento IP

Quando um dispositivo qualquer tem várias conexões físicas dis-


poníveis, ele passa a ser denominado multihomed. Estações com
várias conexões também podem assumir o papel de roteamento, desde que
possuam mais conexões físicas, premissa desse tipo de definição. Essa prática
é usada normalmente para acompanhar a confiabilidade da rede e/ou o seu
desempenho, já que, em caso de falha, há uma opção para o encaminhamento
dos pacotes de rede, não sendo necessária uma parada total.

A atribuição de um endereço IP a uma interface pode ser categorizada em


dois métodos distintos: endereçamento dinâmico e endereçamento estático,
comumente chamados de IP dinâmico e IP estático, respectivamente. O IP
estático é atribuído manualmente e permanece fixo, tornando-se ideal para
pequenas redes. Por outro lado, o IP dinâmico é usado principalmente por
meio do modelo de configuração dinâmica de protocolo (DHCP, na sigla em
inglês), no qual um servidor central é responsável por atribuir um endereço
IP a qualquer dispositivo que se conecte à rede. O servidor também é capaz
de gerenciar mudanças de IP para esses dispositivos periodicamente.

Classes de endereços IP
A composição de um endereço IP compreende duas partes distintas, uma
das quais corresponde à rede e a outra, ao host. O endereço IP de todos
os dispositivos em uma rede compartilha o mesmo endereço de rede, e o
endereço que identifica cada dispositivo na rede é chamado de endereço IP.
Considere, por exemplo, que o endereço fornecido é 192.168.0.1. O elemento
192.168.0 representa o endereço de rede, enquanto o endereço completo,
192.168.0.1, denota o endereço do dispositivo/host específico.
Sempre que um pacote é transmitido, ele tem um cabeçalho anexado, o
qual inclui essas duas informações. O endereço IP completo é utilizado para
permitir o roteamento por meio das tabelas de roteamento da rede. Nesse
cabeçalho, encontram-se um endereço IP de origem e um endereço IP de
destino, um identificador de protocolo e um valor calculado para verificação
de erro. Um tempo de vida (TTL, na sigla em inglês), que representa o período
que o pacote permanece na rede antes de ser descartado, é utilizado caso o
pacote não seja processado.
Para melhorar a distribuição e a organização do IPv4, os endereços foram
separados em diferentes classes. A diferença entre elas está no número de
bits usados para identificar a rede e no número de bits usados para identificar
Endereçamento IP 5

dispositivos ou hosts. Portanto, é possível determinar a classe IP com base


apenas no primeiro octeto, sendo as classes categorizadas como A, B, C, D e E.
Os endereços IP de classe A começam em 0 e têm um intervalo que se
estende até um máximo de 126. Isso permite até 126 redes e 16.777.214 hosts
possíveis. Os primeiros 8 bits do endereço são reservados para a identificação
da rede, enquanto os 24 bits restantes são alocados para a identificação do
dispositivo. Os endereços IP de classe B variam de 128 a um máximo de 191,
oferecendo um intervalo de até 16.384 redes e 65.534 hosts. Os primeiros 16
bits indicam o prefixo da rede, enquanto os 16 bits restantes identificam o
dispositivo específico.
As redes de classe C têm endereços IP que começam em 192 e podem ir
até 223. Isso significa que pode haver no máximo 2.095.152 redes distintas,
cada uma com até 254 hosts. Os 24 bits iniciais de um endereço de classe C
são usados para identificar a rede, enquanto os 8 bits finais identificam o
dispositivo individual.
Conforme Elias e Lobato (2013), a classe D encontra sua aplicação no ende-
reçamento multicast. Cada endereço multicast corresponde a um subconjunto
distinto de estações. Portanto, quando os pacotes são direcionados a um
endereço multicast, eles são entregues apenas aos dispositivos que pertencem
a esse grupo específico. Uma sequência de 28 bits é usada para identificar
o grupo multicast. A classe E é uma categoria estritamente destinada a fins
experimentais e não tem uso prático.
O endereço IP 127.x.x.x não é um endereço disponível para uso, pois é
reservado para diagnósticos de rede. Além disso, os números 0 e 255 também
são reservados para endereços de rede e host. O número 0 é considerado
a própria rede, enquanto o 255 é usado como um broadcast para transmitir
um pacote que todos os dispositivos da rede irão receber. Isso significa que
192.168.0.0 é o endereço de rede e 255.255.255.255 é designado como endereço
de broadcast. A seguir, veja uma síntese.

„ Classe A: 10.0.0.1 — em que 10 é o prefixo de rede e 10.0.0.0 é o endereço


da rede.
„ Classe B: 172.16.0.30 — em que 172.16 é o prefixo da rede e 172.16.0.0 é
o endereço da rede.
„ Classe C: 192.168.0.40 — em que 192.168.10 é o prefixo da rede e
192.168.10.0 é o endereço da rede.

O Quadro 1 mostra o espaço de endereços para cada classe, permitindo


a identificação das faixas de endereços IPv4 para cada classe individual.
6 Endereçamento IP

Quadro 1. Espaço de endereçamento IPv4

Classe Intervalo de endereços

A 0.0.0.0 – 127.255.255.255

B 128.0.0.0 – 191.255.255.255

C 192.0.0.0 – 223.255.255.255

D 224.0.0.0 – 239.255.255.255

E 240.0.0.0 – 255.255.255.255

Fonte: Elias e Lobato (2013, p. 81).

Máscaras e sub-redes
Quando os domínios de broadcast são particionados em redes divergentes por
um roteador, eles operam sob os mesmos princípios que regem as sub-redes.
No entanto, os pacotes de transmissão estão confinados à sua rede designada
e não podem ser transmitidos entre sub-redes. As sub-redes, que empregam
roteadores e protocolos de comunicação, podem se comunicar entre si por
meio desse processo de roteamento intermediário, caso haja necessidade.
Elias e Lobato (2013) afirmam que uma sub-rede é uma divisão de um
endereço de rede de classe A, B ou C em endereços de sub-rede menores.
Isso significa que um endereço de rede que ocupa a totalidade de 192.168.0.0
pode acomodar até 254 hosts, com o intervalo de IP variando de 192.168.0.1
a 192.168.0.254. No entanto, essa mesma rede pode ser segmentada em sub-
-redes menores para simplificar o desempenho, a organização e até a segu-
rança, pois essas sub-redes podem ser isoladas.
O processo de divisão de uma rede em sub-redes menores é facilitado pela
aplicação de máscaras de rede. Essa divisão permite que um roteador construa
uma tabela de roteamento que orienta a transmissão dos pacotes de dados,
direcionando-os aos seus destinos apropriados. Consequentemente, hosts
que compartilham a mesma máscara pertencerão à mesma rede, enquanto
aqueles com máscaras diferentes pertencerão a redes separadas.
Por padrão, cada classe IP recebe uma máscara específica. Por exemplo,
endereços de classe A recebem 8 bits para seu prefixo de rede, enquanto
endereços de classe B recebem 16 bits e endereços de classe C recebem 24
bits. Como resultado, podemos estabelecer as máscaras-padrão a seguir.
Endereçamento IP 7

„ Classe A: 255.0.0.0 (/8).


„ Classe B: 255.255.0.0 (/16).
„ Classe C: 255.255.255.0 (/24).

Para determinar o endereço de rede e o endereço do host de um IP,


deve-se aplicar uma máscara. No caso da porção 255 da máscara, ela cor-
responde ao endereço de rede, que então deixa o endereço do host para ser
identificado. O Quadro 2 mostra como diferentes máscaras são aplicadas
ao mesmo endereço IP. É importante você observar que um endereço IP só
pode ter uma máscara.

Quadro 2. Porção 255 da máscara aplicada sobre o IP

IP Máscara Endereço de rede Endereço de dispositivo

192.168.0.10 255.255.255.0 192.168.0 10

192.168.0.10 255.255.0.0 192.168 0.10

192.168.0.10 255.0.0.0 192 168.0.10

Fonte: Adaptado de Farias (2006).

Quando uma rede é dividida em sub-redes, são utilizadas máscaras não


padronizadas com base nos requisitos do ambiente. No entanto, é importante
lembrar que as máscaras decimais são empregadas apenas para facilitar a
compreensão e por praticidade, pois a rede é essencialmente uma sequência
de 0s e 1s. Por exemplo, uma máscara decimal de 255.255.255.0 em binário é
expressa como 11111111 11111111 11111111 00000000. Como essa é uma máscara
de classe C, os 24 bits iniciais pertencem à parte da rede, enquanto os últimos
8 bits pertencem à parte do host.
Para estabelecer uma sub-rede alterando a máscara, é necessário pegar
emprestado um bit da parte do host e alocá-lo à parte da rede. Com isso,
a nova máscara de 255.255.255.128 pode ser obtida. Uma vez que o bit foi
emprestado, é atribuído a ele um valor de 1 em vez de 0.
Segundo Farias (2006), a conversão de números decimais em números
binários requer oito posições de 1s e 0s. Para transformar um valor decimal
em binário, deve-se começar preenchendo as posições da esquerda para a
direita com o bit 1 até que a soma seja igual ao valor decimal. As posições
restantes são então preenchidas com zeros. Como mostra o Quadro 3, esse
processo resulta na representação binária de 128.
8 Endereçamento IP

Quadro 3. Porção 255 da máscara aplicada sobre o IP

Bit 8 Bit 7 Bit 6 Bit 5 Bit 4 Bit 3 Bit 2 Bit 1

27 26 25 24 23 22 21 20

128 64 32 16 8 4 2 1

1 0 0 0 0 0 0 0

Fonte: Adaptado de Farias (2006).

Um exemplo que demonstra esse conceito pode ser encontrado no trabalho


de Elias e Lobato (2013). Eles exploram o processo de criação de sub-redes
usando o endereço IP 192.168.1.0, que pertence à classe C e possui 3 bits em
seu identificador de sub-rede. Ao utilizar esse IP específico, é possível gerar
oito (23) endereços de sub-rede, representados na Figura 2. É importante
ter em mente que esses endereços são derivados da combinação de valores
possíveis dentro do identificador de sub-rede. A máscara é composta por
27 bits, sendo 24 deles designados para o identificador de rede e os três
restantes destinados ao identificador de sub-rede.

Figura 2. Exemplo de sub-redes.


Fonte: Elias e Lobato (2013, p. 100).
Endereçamento IP 9

Elias e Lobato (2013) explicam que, na arquitetura classful, endereços


de sub-rede com todos os bits de identificador de sub-rede iguais a 0 ou
1 são proibidos. Isso significa que os endereços de sub-rede 192.168.1.0/27
e 192.168.1.224/27, como mostrado na Figura 2, não podem ser utilizados.
Essa medida visa a evitar que os roteadores confundam o endereço de rede
192.168.1.0 com o endereço da primeira sub-rede, e que confundam o endereço
de broadcast da rede 192.168.1.255 com o endereço de broadcast da última
sub-rede, que, nesse caso, é 192.168.1.255/27. Além disso, Elias e Lobato (2013)
esclarecem que apenas endereços de sub-rede 2n – 2 podem ser criados na
prática se o identificador de sub-rede tiver n bits.
As limitações da arquitetura classful impedem a existência de um identifi-
cador de sub-rede com apenas 1 bit. Isso ocorre porque a primeira e a última
sub-redes devem ser descartadas, tornando obsoleta a possibilidade de um
identificador de sub-rede de 1 bit. Consequentemente, os endereços de rede
das classes A, B e C não podem empregar sub-redes com máscaras de 9, 17
e 25 bits, respectivamente.

Endereçamento IPv4
O sistema de endereçamento do IPv4 é um componente crítico da comuni-
cação moderna na internet. O IPv4 utiliza um sistema de 32 bits para gerar
endereços IP exclusivos para cada dispositivo conectado à internet. Esses
endereços são divididos em quatro octetos, cada um deles separado por um
ponto. O objetivo desse sistema de endereçamento é criar um meio universal
de identificação e comunicação com dispositivos na internet.
Apesar do amplo uso do IPv4, seu sistema de endereçamento tem sido
criticado por seu potencial de esgotar o espaço de endereçamento disponível.
Pode-se dizer que as classes IPv4 têm um esquema de endereçamento que
está longe do ideal, principalmente pela quantidade significativa de ende-
reços IP que são desperdiçados, levando a um esgotamento mais rápido dos
endereços IPv4 disponíveis. Ressalta-se que sem IPs disponíveis para uso
da internet seria impossível estabelecer novas conexões, o que tornaria a
expansão da internet inviável.
Para evitar o desperdício de endereçamento de 32 bits e estender sua
longevidade, métodos alternativos foram desenvolvidos. Um desses métodos
consistia na utilização de um único endereço de rede para várias redes físicas.
Como resultado, o esquema de sub-rede tornou-se um padrão estabelecido
na arquitetura TCP/IP, servindo como uma solução temporária, a ser usada
até que uma solução permanente pudesse ser desenvolvida. Apesar das ten-
10 Endereçamento IP

tativas de conservar os endereços IPv4, as sub-redes não foram totalmente


bem-sucedidas em resolver o problema, pois a classe B continuou a consumir
um número considerável de endereços.
Para suprir a escassez de endereços IPv4, foi introduzida uma alternativa
chamada de “endereços privados” (ou “classless IP”, segundo algumas fontes).
Isso envolvia reservar um grupo específico de endereços que poderiam ser
utilizados por organizações sem a necessidade de qualquer tipo de autori-
zação. Usando os IPs designados, a internet não é acessível, pois eles são
reservados exclusivamente para a intranet das organizações. Como resultado,
quando os roteadores identificam esses endereços, eles são impedidos de
sair da rede. A seguir, veja quais são os IPs privados.

„ Na classe A: 10.0.0.1 até 10.255.255.255.


„ Na classe B: 172.16.0.0 até 172.31.255.255.
„ Na classe C: 192.168.0.0 até 192.168.255.255.

Para permitir a comunicação externa de estações privadas dentro de


uma rede interna sem expor o IP interno, tornou-se necessária uma solução
conhecida como “conversor de endereços”, executado por meio de soluções
de tradução do endereço de rede (NAT, na sigla em inglês).
De acordo com Forouzan (2010), o uso de uma solução NAT permite que um
usuário tenha um número substancial de endereços dentro de sua rede interna,
exigindo apenas um único ou um limitado número de endereços externamente.
Como resultado, a rede interna pode utilizar sua ampla infraestrutura de
endereços ao enviar tráfego internamente, mas, ao se comunicar fora da
rede por meio da solução NAT, precisará apenas de um pequeno número de
endereços IP. Isso efetivamente reduz a dependência de números IPv4 públicos.
Ao utilizar endereços IP privados, cujo tráfego não é transmitido para a
rede externa por nenhum roteador, uma única conexão com a internet global
é tudo o que o site exige. Para conseguir isso, um roteador com uma solução
NAT deve estar instalado. Forouzan (2010) fornece uma explicação concisa
de uma implementação NAT na qual uma rede privada utiliza endereços
privados, enquanto o roteador que possui a solução NAT, e interliga a rede
ao endereço global, faz uso de um endereço privado e um endereço global.
A rede privada permanece invisível para o resto da internet, apenas com o
roteador NAT visível.
Sempre que um pacote de saída é transmitido, é imperativo que ele passe
pelo roteador NAT. O roteador então substitui o endereço de origem do pacote
pelo endereço NAT, para garantir que o endereço seja reconhecido global-
Endereçamento IP 11

mente. Quando se trata de pacotes recebidos, o roteador NAT também deve


ser atravessado. Nesse cenário, o roteador substitui o endereço de destino
pelo endereço privado correspondente. A Figura 3 fornece uma representação
visual desse processo, oferecendo um exemplo de tradução de endereço.

Figura 3. Tradução de endereços NAT.


Fonte: Forouzan (2010, p. 564).

Quando se trata de traduzir endereços de origem para pacotes de saída


de um local específico, o processo é bastante descomplicado. O roteador
NAT identifica o endereço de destino de um pacote originário da internet
referindo-se a uma tabela de tradução acessível ao roteador. Essa tabela
de tradução normalmente consiste em apenas duas colunas: uma para o
endereço privado e outra para o endereço externo, que indica para onde o
pacote deve ser enviado.
À medida que um pacote é transmitido para a internet, ele passa por um
roteador com uma solução NAT que traduz o endereço de origem do pacote
de saída e documenta o endereço de destino (para onde o pacote está sendo
enviado). Em seguida, quando uma resposta vem do endereço de destino
externo, o roteador com a solução NAT utiliza o endereço de origem do pacote
para localizar o endereço privado que está aguardando a resposta.
Iniciar a comunicação por meio da rede privada é um pré-requisito para
uma comunicação eficaz. O mecanismo NAT mencionado anteriormente re-
quer o estabelecimento de uma rede dedicada para iniciar a comunicação.
Provedores de serviços de internet (ISPs, na sigla em inglês) usam NAT para
alocar endereços individuais para seus clientes. No entanto, um único cliente
pode pertencer a uma rede privada com vários endereços privados. Nesse
cenário, o cliente emprega um programa cliente como HTTP, Telnet ou FTP
para iniciar a comunicação com a internet acessando o programa servidor
correspondente.
Apesar das inúmeras tentativas de resolver o problema por meio de me-
didas temporárias, como criação de sub-redes, utilização de IPs privados e
12 Endereçamento IP

NAT, a escassez de endereços IPv4 continua sendo uma preocupação ambígua


quando se contempla o futuro da internet. Além disso, outras complicações,
como a ausência de protocolos dedicados à transmissão de áudio e vídeo
em tempo real e a criptografia e a autenticação de dados para aplicações
específicas, continuam a persistir. Esses desafios têm sido a força motriz por
trás da crescente necessidade de adoção do IPv6.

Estrutura do endereçamento IPv6


A estrutura de endereçamento do IPv6 é distinta em seu formato e sua com-
posição. Ele é composto por oito grupos de quatro dígitos hexadecimais
separados por dois-pontos. Esse formato é diferente da estrutura de ende-
reçamento IPv4, que usa octetos de dígitos binários separados por pontos.
Assim, existem dois tipos principais de endereçamento IP: IPv4 e IPv6. No
Quadro 4, você pode ver as principais distinções entre essas duas formas
de endereçamento.

Quadro 4. Comparativo entre IPv4 e IPv6

IPv4 IPv6

Ano de implementação 1981 1999

Tamanho do endereço 32 bits 128 bits

192.149.252.76 3FFE:F200:0234:AB00:01
Formato do endereço (notação decimal) 23:4567:8901:ABCD
(notação hexadecimal)

Notação de prefixo 192.149.0.0/24 3FFE:F200:0234::/48

Número de endereços 232 2.128

Fonte: Adaptado de Ribeiro (2016).

Em termos de arquitetura, um endereço IPv6 é composto por 16 bytes,


também chamados de “octetos”. Esses bytes são separados por dois-pontos
(:), resultando em um endereço que abrange um total de 128 bits.
O IPv6 utiliza uma notação hexadecimal para melhorar a legibilidade dos
endereços IP. Os 128 bits são distribuídos em oito seções, cada uma composta
Endereçamento IP 13

por 2 bytes, que, em notação hexadecimal, equivalem a quatro dígitos. Con-


sequentemente, um endereço IPv6 é composto por 32 dígitos hexadecimais,
com cada conjunto de quatro dígitos separados por dois-pontos (:), como
você pode ver na Figura 4.

Figura 4. Endereço IPv6 em notação binária e notação hexadecimal.


Fonte: Forouzan (2010, p. 567).

Segundo Forouzan (2010), o endereço IPv6 pode parecer longo devido


ao seu formato hexadecimal; no entanto, um número considerável de seus
dígitos são, na verdade, zeros. Consequentemente, é possível abreviar o
endereço omitindo os zeros não essenciais dentro de uma seção, ou seja,
os quatro dígitos entre os dois-pontos podem ser omitidos se todos forem
zeros. É essencial ter em mente que apenas os zeros não essenciais podem
ser omitidos, enquanto os significativos não o podem. A Figura 5 fornece uma
ilustração desse conceito.

Figura 5. Abreviações do endereço IPv6.


Fonte: Forouzan (2010, p. 567).

O uso da abreviação hexadecimal envolve a condensação de valores, por


exemplo:
14 Endereçamento IP

„ 0074 → 74
„ 000F → F
„ 0000 → 0

É possível usar abreviações adicionais se há seções contínuas com zeros,


que podem ser substituídas por dois-pontos duplos (::). No entanto, essa
abreviação de zeros só pode ser usada uma vez por endereço. Para restaurar
o endereço original, as partes não abreviadas precisam ser alinhadas, com
zeros adicionados para completar o endereço.
Assim como no IPv4, a hierarquia do IPv6 segue o prefixo da rede e o
identificador da estação. No entanto, ao contrário de seu antecessor, o IPv6
não usa classes de endereços que limitam o número de octetos para redes
e dispositivos. Além disso, a máscara de rede e a máscara de sub-rede são
apresentadas em um formato de contagem de bits.
Como mencionado por Forouzan (2010), o IPv6 possui um espaço de en-
dereços muito maior do que o do IPv4, com impressionantes 2.128 endereços
disponíveis. Para organizar esse vasto conjunto de endereços, os projetistas do
IPv6 os dividiram em várias categorias com base no tipo de prefixo, indicado
por alguns bits à esquerda. O tipo de prefixo, segundo Forouzan (2010), é
variável em comprimento, mas é projetado para garantir que nenhum código
se sobreponha à parte inicial de qualquer outro código. O Quadro 5 fornece
uma representação visual mais clara dessas informações. A coluna de fração
indica sua posição relativa ao espaço de endereço.

Quadro 5. Prefixos de tipos de endereços IPv6

Tipo de prefixo Fração Tipo

0000 0000 1/256 Reservado

0000 0001 1/256 Não atribuído

0000 001 1/128 Endereços NSAP

0000 010 1/128 Endereços IPX

0000 011 1/128 Não atribuído

0000 1 1/32 Não atribuído

0001 1/16 Reservado

001 1/8 Reservado

(Continua)
Endereçamento IP 15

(Continuação)

Tipo de prefixo Fração Tipo

010 1/8 Endereços unicast


baseados em provedor

011 1/8 Não atribuído

100 1/8 Endereços


unicast baseados
geograficamente

101 1/8 Não atribuído

110 1/8 Não atribuído

1110 1/16 Não atribuído

1111 0 1/32 Não atribuído

1111 10 1/64 Não atribuído

1111 110 1/128 Não atribuído

1111 1110 0 1/512 Não atribuído

1111 1110 10 1/1024 Endereços locais de


links

1111 1110 11 1/1024 Endereços locais de


links

1111 1111 1/256 Endereços multicast

Fonte: Adaptado de Forouzan (2010).

Elias e Lobato (2013) afirmam que a alocação de blocos IPv6 segue um


padrão de distribuição hierárquico.

„ A Autoridade para Atribuição de Números da Internet (Iana, na sigla


em inglês) atribui um bloco /12 a cada registro regional da internet
(RIR, na sigla em inglês).
„ Os RIRs fornecem aos provedores blocos de /32.
„ Os clientes que assinam serviços de internet de provedores recebem
blocos /48 ou /56.
„ O cliente doméstico recebe um bloco /64, o que significa que ele recebe
apenas uma única rede.
16 Endereçamento IP

Se um cliente requer apenas uma rede, como um usuário doméstico,


será atribuído a ele um bloco /64. Sendo assim, não devem existir sub-redes
IPv6 com prefixos de rede maiores que /64. Os provedores de serviços, por
outro lado, devem alocar blocos que variam de /48 a /56 para seus clientes
com base em seus requisitos. Um bloco /48 pode ser dividido em até 65.536
sub-redes, enquanto um bloco /56 pode ser dividido em até 256 sub-redes
(Elias; Lobato, 2013).
Segundo Elias e Lobato (2013), a definição de IPv6 envolve a classificação
de três tipos distintos de endereços.

„ O conceito de unicast refere-se a uma identificação de interface


singular.
„ No conceito de multicast, um conjunto de interfaces é especificado e,
subsequentemente, o pacote é disseminado para todas as interfaces
desse conjunto específico.
„ O conceito de anycast refere-se a uma coleção de interfaces agrupadas.
Embora o pacote seja destinado a todas as interfaces do grupo, na
verdade ele só é entregue à interface mais próxima do nó de origem.

Para garantir o sucesso da implementação do IPv6, ela deve ser abordada


gradualmente e com transparência para a maioria dos usuários. Isso requer
uma fase de coexistência entre os dois protocolos durante a transição inicial,
na qual redes IPv4 podem se comunicar com redes IPv6 e vice-versa. Para sim-
plificar esse processo, foram criados métodos para manter a compatibilidade
de toda a infraestrutura de rede, instalada sobre IPv4, com o novo protocolo
IPv6. A seguir, veja como essas tecnologias de transição são categorizadas.

„ Pilha dupla: esse dispositivo oferece suporte para ambos os protocolos


no mesmo dispositivo.
„ Tunelamento: permite o transporte de pacotes IPv6 em arquiteturas
de rede IPv4 ou vice-versa.
„ Tradução: é o processo que facilita a comunicação entre os nós que
usam IPv4 e os que usam IPv6, e permite a comunicação em ambas
as direções.

Existem alguns aspectos do IPv6 que precisam ser esclarecidos. Um des-


ses aspectos é que os endereços IP privados não são necessários no IPv6,
ao contrário do que acontece no IPv4. O principal objetivo por trás disso é
eliminar qualquer escassez de IPs, tornando desnecessária a adoção do NAT.
Endereçamento IP 17

Consequentemente, se necessário, os endereços IPv6 podem ser utilizados


como endereços públicos. O princípio fundamental do IPv6 é evitar a falta
de prefixos de rede, o que ele consegue utilizando 64 bits de identificação,
que serão adequados para redes de qualquer tamanho físico.
Em termos de medidas de segurança no IPv6, Ribeiro (2016) explica que as
restrições de segurança no IPv4 foram abordadas e corrigidas. A implementa-
ção do IP Security (IPSec) é uma das principais medidas tomadas. Ela garante
a criptografia dos pacotes de dados e mantém três aspectos fundamentais
da segurança: autenticidade, confidencialidade e integridade.

Referências
COMER, D. E. Redes de computadores e internet. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016.
ELIAS, G.; LOBATO, L. C. Arquitetura e protocolo de rede TCP-IP. Rio de Janeiro: ESR, 2013.
FARIAS, P. C. B. Curso essencial de redes. São Paulo: Digerati, 2006.
FOROUZAN, B. A. Comunicação de dados e redes de computadores. 4. ed. Porto Alegre:
AMGH, 2010.
KUROSE, J. F.; ROSS, K. W. Redes de computadores e a internet: uma abordagem top-
-down. 8. ed. São Paulo: Pearson, 2021.
RIBEIRO, T. C. S. C. Fundamentos de redes de computadores. Londrina: Educacional, 2016.

Leitura recomendada
WHITE, C. M. Redes de computadores e comunicação de dados. São Paulo: Cengage
Learning, 2012.

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