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Apostila 1

A Psicologia Transpessoal é uma ciência que estuda o ser humano em sua totalidade, incluindo aspectos biográficos, ecológicos e cósmicos, e busca a conexão do Ser com estados alterados de consciência. Ela visa transcender os limites do ego e promover o autoconhecimento e a espiritualidade, utilizando teorias de diversas áreas do conhecimento. A abordagem não se limita ao aspecto transpessoal, mas considera o estágio de desenvolvimento do cliente e sua história de vida.

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A Psicologia Transpessoal é uma ciência que estuda o ser humano em sua totalidade, incluindo aspectos biográficos, ecológicos e cósmicos, e busca a conexão do Ser com estados alterados de consciência. Ela visa transcender os limites do ego e promover o autoconhecimento e a espiritualidade, utilizando teorias de diversas áreas do conhecimento. A abordagem não se limita ao aspecto transpessoal, mas considera o estágio de desenvolvimento do cliente e sua história de vida.

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O que é Psicologia Transpessoal?


Suzana Helou

Leo Matos define a Psicologia Transpessoal como sendo uma ciência que estuda o ser humano
em sua totalidade, dando o devido valor não apenas à sua história biográfica, mas também às suas
relações ecológicas e cósmicas. A personalidade, que aqui - ao contrário do que acontece nas
psicologias tradicionais - trata-se tão somente de um dos aspectos do ser, tem tanta importância quanto
os aspectos religioso, somático, antropológico, metafísico, etc.. Isso faz da Transpessoal uma ciência
inter-cultural que necessita buscar outras ciências, outras culturas de todos os tempos e outras escolas
de Psicologia.
Para Ribeiro e Paschoali, que dividem a autoria de um estudo sobre este tema, publicado em
1994, "a terapia transpessoal diz respeito às inter-relações entre o corpo, a mente, as emoções e aquilo
que podemos chamar de espírito". Ela compartilha com a Psicossíntese na busca de uma prática que dá
acesso a todas as áreas do ser, lembrando que as necessidades que se tem de um significado de vida, de
valores universais e de vigência espiritual são tão reais quanto às necessidades biológicas ou sociais.
Não há humanização completa do homem, sem o crescimento espiritual.
A visão do homem como um todo em relação ao Universo sempre esteve presente nas culturas
antigas, até o advento da revolução newtoniano-cartesiana, quando se dá inicio ao que Rose Marie
Muraro chamou de "império da razão", agora já na sua derrocada final. Evidentemente, não se trata de
perder de vista a razão, mas de não tomá-la como referência única ou verdade absoluta.
Afinal, como o próprio nome indica, transpessoal significa, literalmente, estender-se além do
pessoal, ou seja, transcender os limites do ego, do espaço tridimensional e de tempo linear, que tanto
"restringem nossa percepção do mundo no estado ordinário de consciência", como define Stanislav
Grof. No estado "normal" da consciência experienciamos a nós mesmos como "objetos newtonianos
existindo dentro dos limites de nossa pele", o que Alan Watts, escritor e filósofo americano, chama de
o "ego encapsulado na pele". Nessa condição, nossa percepção do meio ambiente fica restrita às
limitações fisiológicas dos nossos órgãos sensoriais e às características físicas do meio ambiente.
A Psicologia Transpessoal, reaproveitando teorias e práticas de várias áreas do conhecimento,
visa à conexão do Ser com seus Estados Alterados de Consciência, que podem ser entendidos como
"estágios com potencialidades adormecidas e não utilizadas pela consciência". A finalidade última é a
iniciação no caminho que conduz ao conhecimento máximo de si mesmo, ao relacionamento mais
intimo com algo maior do que o self individual, "o desenvolvimento da autonomia, da
autodeterminação, da auto-realização, libertação de processos neuróticos e saúde mental".
Faz-se necessário esclarecer que à luz da Transpessoal o conceito de consciência vai muito
além da clássica cartografia de Freud (ego, superego e id). Stanislav Grof, em citação de Vera Saldanha
a define como a "expressão e reflexo de uma inteligência cósmica que permeia todo o universo e toda
existência". Charles Tart foi o primeiro a classificar os diferentes níveis ou estados de consciência,
referindo-se a cada qual como sendo "um padrão generalizado de funcionamento psicológico",
constituído de subsistemas e subestruturas.
Atualmente são várias as classificações dos estados de consciência, dentre as quais optamos
pela de Kenneth Ring, baseada em pesquisas de Grof, Timothy Leary, Robert More e outros:
1) Consciência de vigília, formada de conteúdos usuais do cotidiano, regidos pelo tempo linear
(passado, presente e futuro, incluindo entidades e guias, fenômenos de percepção extra-sensorial e
mediúnicos). É ai que a maioria das pessoas mantém seu funcionamento, a maior parte do tempo.

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2) Pré-consciente, cujos conteúdos, parcialmente ligados à vigília, são facilmente acessados a


partir de uma simples evocação direta.
3) Inconsciente psicodinâmico, correspondente ao inconsciente freudiano, formado de
conteúdos que transportam carga afetiva das circunstancias, sentimentos e pulsões experienciados
desde o nascimento até a atualidade.
4) Inconsciente ontogenético, constituído das vigências intra-uterinas que Grof classificou em
quatro diferentes padrões a que deu o nome de Matrizes Perinatais Básicas. Representa uma zona de
transição do nível pessoal para o transpessoal, incluindo as experiências de morte-nascimento.
5) Inconsciente transindividual, que envolve: I) experiências ancestrais correspondentes às
explorações da própria linhagem genética (revivendo episódios das vidas de seus ancestrais); II)
experiências de encarnações passadas, de outro tempo e lugar; III) experiências coletivas e raciais
(episódios de várias culturas), subentendendo a existência de um inconsciente que contém toda a
história da humanidade; IV) experiências com arquétipos correlacionadas ao inconsciente coletivo de
Jung (símbolos universais, arquétipos ou imagens primordiais).
6) Inconsciente filogenético, que envolve experiências além das formas humanas, da própria
seqüência evolutiva do planeta. Grof as considera consciência de órgão, tecido, célula; consciência
animal ou vegetal; matéria inorgânica; consciência planetária.
7) Inconsciente extraterreno, que se estende para além do nosso planeta: experiência de estar
fora do corpo, encontro com entidades e guias espirituais.
8) Supraconsciente, também denominado "eu superior", onde ocorre profundo êxtase
existencial, com uma percepção ampla da realidade, apreensão intuitiva do fenômeno de unidade e de
relação homem-cosmo, além de compaixão e equanimidade.
9) Vácuo, um estado de puro ser que vai além de qualquer conteúdo, experiência de como
subjacente a toda a criação. A consciência funde-se com a mente universal. Na filosofia budista
corresponde ao nirvana.
Convém esclarecer, até para desmistificar os fenômenos de interesse da Transpessoal, que nem
todas as experiências que se dão em estados alterados de consciência são necessariamente
transpessoais. Uma experiência cósmica, por exemplo, realmente favorece o crescimento interior e a
reformulação de valores, ampliando a auto percepção. Porém, isso não implica numa "santificação" ou
ausência de conflitos, mas sim num amadurecimento que possibilita a utilização de instrumentos para
elaborar e lidar com esses mesmos conflitos. No entanto, o desbloqueio e resolução das negatividades,
por sua vez, colocará o indivíduo em contato com sua essência e, conseqüentemente, com sua
espiritualidade.
Pierre Weill afirma que ver e luz ainda não é uma experiência transpessoal, mas o será quando
o indivíduo se tornar a própria luz. Da mesma forma, também não é transpessoal uma regressão a uma
vida passada, que acontece ainda ao nível do ego, por incluir outras pessoas. Para se dizer transpessoal
não pode estar presente o eu ou o outro, mas tão somente uma fusão com o todo.
Também vale lembrar que esta abordagem terapêutica não enfoca exclusivamente o aspecto
transpessoal, mesmo porque isso está diretamente condicionado ao estágio de desenvolvimento em que
o cliente se encontra, da qualidade de seus conflitos e de toda sua história de vida.
Grof relaciona algumas das áreas mais importantes estudadas pela Psicologia Transpessoal, que
aqui apenas enumeramos, sem maiores detalhes:
1) os variados sistemas espirituais e práticas religiosas em culturas antigas e préindustriais;
2) o trabalho clínico e laboratorial moderno com estados não-ordinários de consciência;
3) a tanatologia;
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4) as crises psicoespirituais, que são estados não-ordinários de consciência passíveis de


acontecer durante uma prática espiritual poderosa ou espontaneamente;
5) a parapsicologia;
6) as experiências de encontro com extraterrestres;
7) as múltiplas personalidades, vistas não da forma tradicional, como resultado da dissociação e
separação em variados aspectos da mesma personalidade, mas como possibilidade de várias unidades
separadas da consciência de um mesmo corpo;
8) a crise global que ameaça destruir a vida neste planeta.
Historicamente, a Transpessoal surgiu em meio àquele momento de maior movimentação
revolucionária de todos os tempos, já considerada pela Antropologia como a maior guinada cultural
ocorrida no Planeta nesses últimos dois mil anos: a virada da década de sessenta para a de setenta. A
geração jovem (que até então acreditava no seu dever de mudar o mundo a qualquer custo) estava
virando a cultura de ponta cabeça, a começar pelo seu visual andrógeno e slogans do tipo "faça amor,
não faça guerra". Aldous Huxley surgia com o seu Maravilhoso Mundo Novo, Carlos Castaneda com a
sua Erva do Diabo e Ronald Laing com a Antipsiquiatria.
E Stanislav Grof, correspondendo à egrégora de transformação que pairava sobre o mundo,
induzia experimentalmente estados alterados de consciência em seus pacientes, ministrando-lhes doses
de LSD. A ele juntaram-se outros igualmente antenados com o movimento revolucionário (no caso, da
consciência), como Maslow, Sutich, Fadiman e Frankl, e numa reunião, em 1969, nos Estados Unidos,
criaram a primeira associação e o primeiro jornal de Transpessoal, ainda hoje existentes.
Não se pode pretender montar a história da Psicologia Transpessoal (o que está muito longe de
nossas intenções) sem mencionar Reich e Jung, ambos tão à frente do tempo em que viveram
antecedendo a virada no curso da história. Reich, por recusar e rebater a idéia de que o psíquico e o
somático são dois processos independentes. A sua afirmativa de que o inconsciente "está imerso no
campo biofisiológico", contrariando o preceito freudiano de que ele jamais poderia ser alcançado, abriu
os horizontes, primeiro para as terapias corporais e, posteriormente, para as holísticas (6). Jung, com
seu inconsciente coletivo e sua teoria dos arquetípicos, retirou o homem de seu espaço tridimensional e
o inseriu na imensidão do espaço atemporal, da memória ancestral, ontológica, planetária e cósmica,
lembrando que ela sempre lá esteve e sempre lá estará, por toda a eternidade.
Aliás, Nilton Ferreira se refere ao inconsciente freudiano como sendo monumental enquanto
descoberta, porém muito pequeno em relação à dimensão do ser humano em seus vários níveis. Ele
lembrou Grof dizendo, em uma palestra, que Freud passou toda sua existência pescando sardinhas sem
perceber que estava sobre uma baleia.
Também seria injusto não admitir a grande contribuição de Moreno à Transpessoal, tendo sido
ele um dos primeiros a reconhecer a necessidade da psicoterapia adentrar no campo da espiritualidade,
valorizando, além dos aspectos social e grupal, o encontro com o deus interior e individualizado do
Ser.

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