Entomo
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Slide 1: Abertura e Título (Apresentador): "Bom dia/boa tarde a todos. Meu nome é [Seu
Nome], e é com grande entusiasmo que os convido hoje para uma imersão no espetacular e
complexo mundo dos Lepidoptera Linnaeus, 1758. Este seminário, estruturado com base em
informações aprofundadas, tem como objetivo desvendar os aspectos mais fascinantes desta
ordem, desde sua etimologia e morfologia intrincada, passando por seus estágios de vida,
comportamento, importância ecológica e médica, até as principais famílias encontradas em
nosso riquíssimo Brasil. As imagens em nosso slide de abertura já nos dão um vislumbre da
beleza e diversidade que exploraremos."
Slide 2: Introdução à Ordem Lepidoptera: Etimologia e Diversidade (Apresentador):
"Para começar, vamos entender o próprio nome da ordem: 'Lepidoptera'. Ele deriva do grego
antigo, onde 'lepis' ou 'lepidos' significa 'escama', e 'pteron' significa 'asa'. Essa etimologia é
um diagnóstico perfeito, pois a característica mais distintiva e visualmente notável dessa ordem
é, de fato, a presença de asas e corpo densamente cobertos por milhões de minúsculas escamas.
Os Lepidoptera abrangem todos os insetos que conhecemos como borboletas e mariposas, um
grupo que, embora familiar, esconde uma complexidade e diversidade que desafia a nossa
imaginação."
"Em termos de diversidade, os números são verdadeiramente impressionantes e ainda em
constante revisão. Embora mais de 165 mil espécies já tenham sido formalmente descritas em
todo o planeta, a comunidade científica estima que o número real de espécies de Lepidoptera
possa se aproximar ou até mesmo ultrapassar 500 mil. Isso nos indica que há um universo vasto
de espécies ainda esperando para serem descobertas, descritas e estudadas, especialmente em
regiões tropicais. No Brasil, somos particularmente abençoados: já conhecemos quase 26 mil
espécies, o que representa aproximadamente metade da diversidade de Lepidoptera da região
Neotropical. As projeções mais otimistas sugerem que poderíamos ter entre 40 mil e 60 mil
espécies em nosso território, evidenciando uma riqueza ainda inexplorada e a necessidade
contínua de inventários e pesquisa taxonômica. Das 124 famílias de Lepidoptera reconhecidas
globalmente, impressionantes 78 famílias ocorrem no território brasileiro, demonstrando a
vasta representatividade da ordem em nossos diversos ecossistemas e a grande variedade de
formas e adaptações presentes. Essa diversidade colossal não é apenas um número, mas um
indicativo do papel ecológico vital que esses insetos desempenham na manutenção do
equilíbrio dos nossos ecossistemas."
Slide 3: Diagnóstico e Características Gerais da Ordem (Apresentador): "Para diagnosticar
um Lepidoptera, precisamos observar algumas características fundamentais que os distinguem
de outros insetos. Primeiro, eles são insetos holometábolos ou endopterigotos, o que significa
que exibem uma metamorfose completa e bem definida. Ou seja, eles passam por quatro
estágios de vida distintos e morfologicamente diferentes – ovo, larva (ou lagarta), pupa e
adulto. Cada um desses estágios tem uma morfologia e função ecológica específica, otimizando
seu uso de recursos e permitindo-lhes explorar diferentes nichos ao longo de seu
desenvolvimento, o que é uma estratégia evolutiva de grande sucesso."
"O tamanho dos adultos é extremamente variável, abrangendo um espectro notável de
dimensões. Podemos encontrar espécies minúsculas, como alguns microlepidópteros, com
apenas 1 milímetro de comprimento corporal, até gigantes com corpos de 100 milímetros, como
algumas grandes mariposas. Da mesma forma, a envergadura alar, a distância entre as pontas
das asas abertas, pode ir de meros 2 milímetros a impressionantes 300 milímetros, abrangendo
desde pequenas mariposas até as maiores borboletas do mundo, como a rara Ornithoptera
alexandrae. Mas, independentemente do tamanho, a marca registrada e a característica mais
definidora dos Lepidoptera é a presença de dois pares de asas membranosas, e o corpo e todos
os seus apêndices densamente cobertos por escamas. Essas escamas, que são estruturas
quitinosas modificadas, não apenas conferem a esses insetos suas cores e padrões espetaculares
– seja por pigmentação ou por propriedades estruturais que geram iridescência – mas também
desempenham funções cruciais na termorregulação, ajudando a absorver ou refletir o calor, e
na hidrofobicidade, repelindo a água."
"No que diz respeito às peças bucais dos adultos, a grande maioria dos Lepidoptera possui
peças bucais do tipo sugador. Essa estrutura é caracterizada por uma probóscide, também
conhecida como espirotromba, que é bem desenvolvida. A probóscide é formada pela
modificação e união das gáleas das maxilas, criando um tubo oco e flexível que permite a
ingestão de néctar, seiva, água ou outros líquidos. Quando não está em uso, a probóscide é
elegantemente enrolada em espiral abaixo da cabeça. A ocorrência de peças bucais
mastigadoras na fase adulta é extremamente rara, restrita a grupos basais e mais primitivos da
ordem, como Micropterigidae, Agathiphagidae e Heterobathmiidae, que nos fornecem um
vislumbre da história evolutiva da ordem."
"É importante também saber como diferenciar os Lepidoptera de outros insetos que podem
parecer superficialmente semelhantes, como os Trichoptera (tricópteros ou 'moscas-caddis'). A
distinção mais clara reside em duas características principais: primeiro, as antenas dos
Lepidoptera são geralmente mais curtas e com formato mais variado, incluindo as clavadas das
borboletas e as pectinadas das mariposas, enquanto as de Trichoptera são tipicamente longas e
filiformes. Segundo, e mais crucial, é a densa cobertura de escamas que reveste o corpo e as
asas, uma característica exclusiva dos Lepidoptera e ausente nos Trichoptera, que em vez disso
possuem pelos nas asas."
Slide 4: Morfologia do Adulto: Cabeça e Apêndices Sensoriais (Apresentador): "Vamos
agora aprofundar na intrincada morfologia do adulto, começando pela cabeça. A cabeça dos
Lepidoptera é geralmente subglobular e hipognata, o que significa que as peças bucais estão
voltadas para baixo. Ela é coberta por uma densa camada de escamas, que não só contribuem
para a coloração geral do inseto, mas também oferecem proteção, sendo apenas a área dos olhos
compostos livre dessas estruturas. Internamente, embora muitos escleritos da cabeça sejam
fundidos, podemos identificar suturas como a epicranial, em formato de 'Y' invertido no vértice,
que delimita as regiões da cápsula cefálica."
"Os olhos compostos são grandes, subglobulares e proeminentes. Eles podem ser glabros, ou
seja, lisos, ou cerdosos, apresentando pequenas cerdas entre os omatídios, as unidades visuais
individuais. Compostos por milhares, ou mesmo dezenas de milhares, de omatídios, esses olhos
fornecem uma visão em mosaico que é crucial para a detecção de movimento, navegação
precisa durante o voo, e o reconhecimento de padrões florais para alimentação. Em alguns
grupos de Lepidoptera, também possuímos ocelos, que são olhos simples, geralmente um par,
localizados na parte posterior das antenas. Embora em muitas espécies sejam vestigiais ou
internos, sua função está ligada à percepção da intensidade luminosa e à estabilização do voo,
auxiliando na orientação em diferentes condições de luz. Outras estruturas sensoriais
importantes são os Órgãos de Jordan, ou quetosemas, que são pequenos tufos de cerdas eretas
localizados no topo da cabeça ou na região frontal. Acredita-se que atuem como órgãos
proprioceptivos, fornecendo informações sobre a posição do corpo, ou como quimiorreceptores
para detectar substâncias voláteis no ambiente."
"As antenas são, sem dúvida, um dos apêndices mais fascinantes e informativos dos
Lepidoptera. Elas podem ser relativamente curtas ou longas, mas raramente excedem o
comprimento do corpo. Sua forma é incrivelmente diversa e é um caráter fundamental para a
identificação taxonômica. Podem ser filiformes, ou seja, em formato de fio e uniformes em
espessura, o que é comum em muitas mariposas. Podem ser clavadas, com uma clava ou porção
apical engrossada, uma característica marcante das borboletas diurnas, como Papilionidae e
Nymphalidae. Ou podem ser pectinadas, em forma de pente, com projeções em um ou ambos
os lados, o que é comum em mariposas noturnas, especialmente machos de Saturniidae e
Lasiocampidae, que utilizam essa estrutura para maximizar a captação de feromônios
femininos a grandes distâncias. Outras formas incluem bipectinadas, serreadas e fusiformes,
entre outras. Frequentemente, há dimorfismo sexual no tamanho e formato das antenas, sendo
mais desenvolvidas nos machos. As antenas são verdadeiras estações sensoriais, abrigando uma
vasta gama de quimiorreceptores para detectar odores como feromônios de atração sexual,
néctar de flores e substâncias químicas de plantas hospedeiras. Além disso, possuem
mecanorreceptores para sentir vibrações e correntes de ar, auxiliando na navegação e
termorreceptores para perceber variações de temperatura do ambiente."
Slide 5: Morfologia do Adulto: Peças Bucais e Palpos (Apresentador): "A probóscide, ou
espirotromba, é a estrutura mais icônica das peças bucais dos Lepidoptera. Ela é formada pela
notável modificação e alongamento das maxilas, especificamente das gáleas, que se unem
medialmente para formar um tubo oco, semi-aberto ou completamente fechado. Esse tubo
sugador é perfeito para a sucção de líquidos como néctar, seiva ou água, sendo crucial para a
alimentação da maioria dos adultos. Quando não está em uso, a probóscide é elegantemente
enrolada em espiral sob a cabeça, e é estendida pela pressão da hemolinfa. O interessante é que
essa estrutura sugadora evoluiu de ancestrais que possuíam peças bucais mastigadoras, um
vestígio observado apenas em poucos grupos basais e primitivos, como Micropterigidae,
Agathiphagidae e Heterobathmiidae, o que nos fornece insights sobre a história evolutiva da
ordem."
"Os palpos maxilares, quando presentes, são geralmente pequenos e vestigiais na maioria dos
Lepidoptera, sendo ausentes em cerca de 90% das espécies, o que representa uma característica
de redução evolutiva. Quando presentes, podem ter função sensorial auxiliar na detecção de
alimentos ou na manipulação de pequenas partículas. Já os palpos labiais são quase sempre
bem desenvolvidos, sendo visíveis e proeminentes, especialmente em borboletas e muitas
mariposas. São compostos por três segmentos, ou palpômeros, que variam em tamanho e
forma, muitas vezes densamente cobertos por escamas que podem contribuir para a
camuflagem facial do inseto. Eles possuem cerdas sensoriais, incluindo quimiorreceptores para
gustação e olfação, e mecanorreceptores para tato, que auxiliam na detecção de néctar e na
manipulação do alimento durante a alimentação. O labro, um pequeno esclerito de formato
subtriangular, localizado acima da base da probóscide, com seus lobos pilíferos cerdosos,
completa essa estrutura bucal complexa, podendo ter uma função sensorial auxiliar ou de
estabilização da probóscide."
Slide 6: Morfologia do Adulto: Tórax e Pernas (Apresentador): "O tórax dos Lepidoptera,
a região média do corpo, é crucial para a locomoção e sustentação das asas e pernas, sendo
dividido em três segmentos. O protórax é o segmento mais anterior e geralmente o menor dos
três. Possui estruturas laterais membranosas ou esclerotizadas chamadas patágios, que podem
ter um papel na aerodinâmica ou na proteção da base da cabeça. O mesotórax é o segmento
maior e mais robusto do tórax, pois abriga os poderosos músculos de voo das asas anteriores,
que são os principais motores do voo. Nele, encontramos as tégulas, escleritos móveis cobertos
por escamas, localizadas na base das asas anteriores. As tégulas desempenham um papel na
proteção da articulação da asa e podem ter funções sensoriais. O metatórax, o segundo maior
segmento, é onde se inserem as asas posteriores e os músculos de voo associados. Em algumas
famílias de mariposas, como os Noctuoidea, o metatórax pode abrigar órgãos timpânicos, que
são estruturas auditivas especializadas na detecção de sons de alta frequência, especialmente
ultrassons emitidos por morcegos predadores, funcionando como um 'ouvido' para evitar a
predação."
"As pernas, em número de três pares, são importantes caracteres taxonômicos e exibem
diversas adaptações. A coxa é o segmento basal da perna, geralmente cônico e firmemente
fundido à pleura, a parede lateral do tórax. O fêmur é o segmento mais robusto e alongado da
perna, contendo os músculos extensores e flexores que permitem o movimento. A tíbia,
geralmente mais fina que o fêmur, frequentemente possui esporões, que são projeções
cuticulares importantes para a taxonomia, e cuja contagem e arranjo (ex: 0-2-4, 0-2-2,
indicando o número de esporões na tíbia anterior, média e posterior) são usados na identificação
de grupos. Em algumas espécies, os esporões podem estar ausentes ou reduzidos. A tíbia
anterior de muitas borboletas e mariposas possui uma estrutura especializada, a epífise, uma
lâmina cerdosa utilizada para a limpeza das antenas e da probóscide, essencial para manter a
sensibilidade desses órgãos vitais para o inseto. O tarso, a parte final da perna, é geralmente
composto por até cinco tarsômeros, ou subsegmentos. O último tarsômero termina em um par
de garras tarsais, que auxiliam na aderência a superfícies. Entre as garras, podem estar presentes
estruturas como o empódio, uma projeção mediana cerdosa ou laminar, e o pulvilo, almofadas
adesivas com pelos glandulares, que aumentam a capacidade de fixação em superfícies lisas."
Slide 7: Morfologia do Adulto: Asas e Venação Alar (Apresentador): "As asas são o cartão
de visitas dos Lepidoptera e sua característica mais marcante. São dois pares, membranosas,
localizadas no mesotórax (asas anteriores) e metatórax (asas posteriores). Elas exibem uma
diversidade notável em formas, desde asas amplas e arredondadas a estreitas e alongadas, como
em Sphingidae, e tamanhos, variando consideravelmente entre as espécies e refletindo
diferentes estratégias de voo e nichos ecológicos. O dimorfismo sexual no tamanho e formato
das asas é comum. Em algumas espécies, as fêmeas podem ser ápteras, ou seja, sem asas, ou
braquípteras, com asas reduzidas, como em certas famílias de Geometridae e Psychidae, o que
afeta diretamente sua capacidade de dispersão."
"A característica mais distintiva da ordem é que a membrana alar é densamente revestida por
milhões de escamas imbricadas, que se sobrepõem como telhas em um telhado. Essas escamas
são responsáveis pela coloração, seja por pigmentos ou por propriedades estruturais que
difratam a luz, gerando iridescência. Além da cor, elas desempenham funções hidrofóbicas,
repelindo a água, e de termorregulação, ajudando na absorção ou reflexão da radiação solar
para manter a temperatura corporal ideal. Em alguns grupos, como os Sesiidae, que mimetizam
vespas, as escamas podem estar parcial ou totalmente ausentes, conferindo às asas uma
aparência mais transparente ou vítrea. Em grupos mais basais, além das escamas, podem ser
encontradas cerdas em forma de espinhos, denominadas acúleos ou microtríquias, que são
remanescentes de estruturas mais primitivas, indicando uma transição evolutiva de asas pilosas
para escamosas."
"A venação alar, o arranjo das veias que dão suporte à asa, é um caráter taxonômico
fundamental. As veias são estruturas tubulares que fornecem suporte estrutural à membrana
alar e contêm nervos e hemolinfa. A venação dos Lepidoptera é geralmente relativamente
simples, composta principalmente por veias longitudinais, mas com padrões específicos. Na
venação homoneura, considerada a condição plesiomórfica, ou seja, primitiva, encontrada em
grupos basais, as asas anterior e posterior apresentam praticamente a mesma configuração e
número de veias. Este padrão é observado em grupos mais antigos da ordem, como as famílias
Micropterigidae e Hepialidae. Já na venação heteroneura, que é a condição apomórfica, ou seja,
derivada, e mais comum, ocorrendo na maioria das superfamílias de Lepidoptera, a asa
posterior possui um número significativamente menor de veias do que a asa anterior. Essa
diferença na venação reflete uma especialização aerodinâmica e maior eficiência de voo. É
comum a presença de uma célula discal ampla no centro da asa, uma área delimitada por veias
que pode variar em formato e tamanho e é importante para a identificação taxonômica."
Slide 8: Morfologia do Adulto: Mecanismos de Acoplamento das Asas (Apresentador):
"Para um voo eficiente, as asas anterior e posterior dos Lepidoptera precisam funcionar em
conjunto como uma única unidade aerodinâmica, sincronizando seus movimentos para gerar
sustentação e propulsão. Para isso, os Lepidoptera desenvolveram diferentes mecanismos de
acoplamento das asas durante o voo, que são importantes caracteres para a classificação e
filogenia da ordem. O primeiro é o acoplamento por lobo jugal ou simplesmente jugo. Este é
o mecanismo de acoplamento mais primitivo, considerado plesiomórfico, e é encontrado em
grupos basais como Micropterigoidea e Hepialoidea. Consiste em um prolongamento basal na
margem interna da asa anterior, que se projeta ventralmente e se encaixa na porção costal da
asa posterior. Em Micropterigoidea, esse acoplamento é frequentemente reforçado por cerdas
curtas na asa posterior, que se prendem ao jugo, garantindo uma união mais firme."
"O segundo mecanismo, e o mais difundido entre a maioria dos lepidópteros heteroneuros,
principalmente as mariposas (Heterocera), é o sistema de frênulo e retináculo. O frênulo é
uma cerda ou um conjunto de cerdas fortes e rígidas localizadas no ângulo umeral, na base
anterior, da asa posterior. Em machos, geralmente é uma única cerda robusta e esclerotizada;
em fêmeas, pode ser composta por várias cerdas mais finas. O retináculo é uma estrutura
especializada localizada na asa anterior. Em machos, é uma estrutura em forma de gancho ou
tufo de cerdas que prende o frênulo. Em fêmeas, pode ser um tufo de cerdas ou uma dobra
membranosa na asa, muitas vezes na veia cubital. Durante o voo, o frênulo se encaixa no
retináculo, travando as duas asas juntas para que se movam de forma sincronizada,
maximizando a eficiência aerodinâmica."
"O terceiro tipo é o acoplamento por superposição, que é o mecanismo predominante em todas
as borboletas (Rhopalocera) e em algumas famílias de mariposas diurnas. Neste método, não
há estruturas especializadas como o jugo ou o sistema frênulo-retináculo. Em vez disso, a asa
anterior simplesmente se sobrepõe à asa posterior em repouso e durante o voo, de modo que
suas margens se tocam ou se sobrepõem o suficiente para que funcionem como uma única
superfície aerodinâmica. A extensão da superposição pode variar, mas a ausência de estruturas
de travamento mecânico é a característica definidora deste método."
Slide 9: Morfologia do Abdome (Larva e Adulto) (Apresentador): "O abdome dos
Lepidoptera, tanto na fase larval quanto na adulta, é uma região crucial para funções vitais,
embora muitas vezes menos vistosa que as asas. Comecemos pelo abdome larval, ou seja, o
abdome das lagartas. Ele é tipicamente composto por dez segmentos distintos, numerados de
A1 a A10, que são claramente visíveis e geralmente cilíndricos ou ligeiramente achatados. Uma
característica fundamental são os espiráculos: os oito primeiros segmentos abdominais, de A1
a A8, possuem um par dessas pequenas aberturas laterais, que são as portas de entrada e saída
de ar para o sistema traqueal do inseto, permitindo a respiração. A localização e forma dos
espiráculos podem ser, inclusive, caracteres taxonômicos."
"Outra peculiaridade do abdome larval são os larvópodes, também conhecidos como
pseudopernas ou falsas pernas. Diferente das pernas torácicas verdadeiras, que são articuladas
e esclerotizadas, os larvópodes são estruturas musculosas, cilíndricas e retráteis, não
segmentadas. Eles são encontrados tipicamente nos segmentos A3, A4, A5, A6 e, por vezes,
também no último segmento, o A10. Embora o número possa variar em grupos mais basais ou
especializados, como as larvas 'medidoras' de Geometridae que têm menos pares. Ainda mais
detalhado, na extremidade de cada larvópode, encontramos os crochets, que são pequenos
ganchos quitinosos. A disposição desses ganchos, seu número e formato – se estão em uma
única fileira (uniordinal), em duas (biordinal), ou em várias (multiordinal), e se formam um
círculo completo ou uma semi-elipse – são caracteres taxonômicos de extrema importância
para os entomólogos, permitindo a identificação precisa de famílias e até gêneros de lagartas,
pois são muito específicos para cada grupo. A função primordial dos larvópodes e seus crochets
é a locomoção, proporcionando uma aderência firme às superfícies das plantas, e auxiliando na
manipulação de alimentos enquanto a lagarta se alimenta."
"Passando agora para o abdome do adulto, ele também é geralmente composto por dez
segmentos, embora os segmentos mais posteriores, especialmente aqueles associados aos
órgãos reprodutores (A8-A10), possam estar modificados, reduzidos ou fusionados, tornando
sua segmentação menos óbvia externamente. Assim como o restante do corpo, o abdome do
adulto é densamente coberto por escamas e cerdas, que contribuem para a coloração geral do
inseto, auxiliam na termorregulação e oferecem uma camada de proteção. A densidade e o
padrão das escamas abdominais podem variar entre as espécies."
"A parte mais distintiva e complexa do abdome adulto, especialmente para fins taxonômicos e
reprodutivos, é a genitália, ou os órgãos reprodutores externos. Essas estruturas são
incrivelmente complexas e altamente variáveis entre as espécies, sendo um dos caracteres mais
confiáveis e utilizados na taxonomia de Lepidoptera para diferenciar espécies próximas. Nos
machos, a genitália é composta por um conjunto de escleritos e membranas, como as valvas
(ou claspers), que seguram a fêmea durante a cópula; o uncus e o gnathos, que são apêndices
dorsais e ventrais, respectivamente, com funções de suporte; e o aedeagus, que é o órgão
copulatório, muitas vezes com formatos específicos para o acasalamento. Nas fêmeas, a
genitália inclui estruturas como o oviscapto ou ovipositor, que pode ser curto ou longo para a
deposição dos ovos; as papilas anais, que são lobos sensoriais; e estruturas internas como o
ducto da bursa e a bursa copulatrix, onde o esperma é armazenado após o acasalamento. A
morfologia dessas estruturas também é vital para a identificação."
"Em termos de aberturas, os Lepidoptera adultos se dividem em dois grandes grupos: os
Monotrysia, que são grupos mais basais e possuem apenas uma abertura comum para o ânus e
os órgãos reprodutores; e os Ditrysia, que compreendem a vasta maioria das espécies e possuem
duas aberturas separadas, uma para o ânus e outra para os órgãos reprodutores. Essa
característica é fundamental na filogenia da ordem. Além das funções reprodutivas, o abdome
pode abrigar outras estruturas importantes. Em algumas famílias de mariposas, órgãos
timpânicos adicionais podem ser encontrados na base do abdome, funcionando como órgãos
auditivos complementares para detectar ultrassons de morcegos. Também é no abdome que
muitas glândulas de feromônios estão localizadas, especialmente nas fêmeas, que liberam essas
substâncias químicas voláteis para atrair parceiros sexuais a longas distâncias. Machos, por sua
vez, podem possuir tuftos de cerdas ou escamas especializadas no abdome, também liberadoras
de feromônios para a atração sexual ou para cortejo."
Slide 10: Estágios de Vida: Ovo, Larva e Pupa - Uma Jornada de Transformação
(Apresentador): "A vida de um Lepidoptera é uma verdadeira jornada de transformação,
mediada pela metamorfose completa, que é uma das estratégias evolutivas mais bem-sucedidas
no reino dos insetos. Tudo começa com o ovo, o primeiro estágio do ciclo de vida. O ovo é
posto pela fêmea em uma planta hospedeira específica ou em outros substratos, dependendo da
espécie e de suas adaptações, garantindo que a futura larva tenha alimento disponível ao
eclodir. A morfologia dos ovos é surpreendentemente diversa: a forma (esférica, ovoide,
cilíndrica), cor e textura (lisos, estriados, reticulados com padrões intrincados na coroa) variam
enormemente entre as espécies, sendo muitas vezes esculpidos com padrões que são
diagnósticos para o grupo."
"Do ovo emerge a larva, conhecida popularmente como lagarta. Este é o estágio de intensa
alimentação e crescimento. As lagartas passam por uma série de mudas, chamadas ecdises,
para aumentar de tamanho, pois seu exoesqueleto rígido não se expande. O número de ecdises
varia, mas é comumente de cinco a sete, resultando em cinco a oito ínstares, ou seja, períodos
entre as mudas, cada um com um aumento significativo de tamanho. A vasta maioria das
lagartas de borboletas e mariposas são fitófagas, ou seja, se alimentam de plantas – consumindo
folhas, caules, raízes, flores ou frutos. Sua atividade de herbivoria desempenha um papel
ecológico fundamental, atuando como elos na cadeia alimentar, transferindo energia das
plantas para outros níveis tróficos, e influenciando a dinâmica das populações vegetais.
Algumas, no entanto, são predadoras, detritívoras ou vivem em associação com formigas
(mirmecófilas)."
"A morfologia larval é altamente adaptada para a alimentação e locomoção. O corpo é
geralmente cilíndrico e segmentado, podendo ser coberto por uma variedade de estruturas
protetoras, como espinhos, tubérculos, cerdas simples ou ramificadas, ou ser liso. Algumas
dessas cerdas, como as da notória Lonomia obliqua, são urticantes e podem causar sérias
reações em humanos, inclusive a síndrome hemorrágica, um grave problema de saúde pública.
A cabeça da lagarta possui uma cápsula cefálica esclerotizada e uma característica sutura
epicranial em formato de 'Y' invertido. Diferente dos adultos, as peças bucais das larvas são do
tipo mastigador, com mandíbulas robustas e bem desenvolvidas, perfeitas para raspar, cortar e
triturar tecido vegetal. Além disso, a fiandeira, localizada na região bucal entre as maxilas, é
uma estrutura especializada que secreta seda líquida, que endurece em contato com o ar. A seda
é utilizada para diversas finalidades, como marcar trilhas para orientação, construir abrigos
protetores entre as folhas ou no solo, e, crucialmente, para os casulos onde ocorrerá a pupação,
como no caso do bicho-da-seda."
"O tórax larval é composto por três segmentos (T1, T2, T3), cada um equipado com um par de
pernas torácicas articuladas e com garras, que são utilizadas para a locomoção. O abdômen,
com dez segmentos (A1-A10), possui espiráculos para respiração nos oito primeiros
segmentos. Nos segmentos A3 a A6 e no A10, encontramos os larvópodes, ou falsas pernas.
Essas estruturas musculares, não segmentadas, possuem ganchos quitinosos chamados crochets
em suas extremidades. A disposição, número e arranjo desses crochets (uniordinal, biordinal,
multiordinal; em forma de penelipse, mesoserial, etc.) são caracteres taxonômicos de extrema
importância para a identificação de diferentes grupos de lepidópteros, auxiliando na aderência
ao substrato e na movimentação da lagarta. Após o crescimento larval, a lagarta se transforma
em pupa, um estágio de quiescência aparente onde ocorre a profunda reorganização do corpo
para a formação do adulto. A pupa pode estar protegida em um casulo de seda (tecido pela
larva antes da pupação), enterrada no solo, ou estar exposta como uma crisálida (em
borboletas), suspensa por um cremáster e, em alguns casos, por um cinto de seda, muitas vezes
mimetizando galhos ou folhas."
Slide 11: Comportamento: Voo e Estratégias Antipredatórias (Apresentador): "O voo dos
Lepidoptera é tão diverso quanto suas formas, e reflete suas adaptações ecológicas. Desde o
voo suave e flutuante de algumas borboletas, como as Ithomiini (família Nymphalidae), que
frequentemente está associado à sua toxicidade e aposematismo, tornando-as um alvo menos
atraente para predadores. Até o voo rápido e potente das mariposas-esfinge (Sphingidae), que
são mestras em pairar no ar de forma estacionária para se alimentar de néctar em flores
tubulares, assemelhando-se a beija-flores. Muitas espécies desenvolveram manobras aéreas
complexas para escapar de predadores, como o voo errático e imprevisível de alguns
Papilionidae (borboletas rabo-de-andorinha), que torna a captura por aves predadoras muito
mais difícil."
"Além do voo, os Lepidoptera empregam uma gama impressionante de estratégias de defesa
para evitar a predação, que são exemplos fascinantes de adaptação evolutiva. A camuflagem,
ou criptismo, é comum, com padrões e cores que se mimetizam perfeitamente com o ambiente,
como folhas secas, casca de árvore ou líquens, tornando o inseto difícil de ser detectado
visualmente. O aposematismo, com cores vivas e contrastantes (vermelho, amarelo, preto),
serve como um aviso de toxicidade ou impalatabilidade para predadores que já tiveram
experiências negativas. O mimetismo, onde uma espécie inofensiva imita uma tóxica
(mimetismo batesiano), ou onde várias espécies tóxicas se assemelham, reforçando o sinal de
advertência (mimetismo mulleriano), é uma prova da complexidade de suas interações. Os
falsos olhos, ou ocelos, em forma de círculos nas asas, podem assustar predadores ou direcionar
o ataque para partes não vitais do corpo do inseto. Algumas larvas e adultos podem liberar
substâncias químicas irritantes, como odores desagradáveis ou toxinas, como defesa ativa.
Além disso, a coloração disruptiva e posturas de defesa, onde o inseto adota poses que o fazem
parecer maior ou mais ameaçador, também são táticas comuns. No entanto, mesmo com todas
essas defesas, os Lepidoptera são uma fonte vital de alimento para inúmeros predadores, de
aves a morcegos e outros insetos, evidenciando uma contínua corrida armamentista evolutiva
no ecossistema."
Slide 12: Importância Econômica, Ecológica e Médica dos Lepidoptera (Apresentador):
"A importância dos Lepidoptera transcende sua beleza. Eles são, primeiramente, polinizadores
essenciais. Muitas borboletas e mariposas, com suas probóscides adaptadas, são responsáveis
pela polinização de inúmeras plantas, contribuindo diretamente para a produção de alimentos,
a formação de frutos e sementes, e a manutenção da biodiversidade em diversos ecossistemas.
Um exemplo clássico dessa coevolução é a co-dependência entre a mariposa Tegeticula
yuccasella e as plantas do gênero Yucca, onde a reprodução de ambas é intrinsecamente ligada:
a mariposa é o único polinizador da Yucca, e a larva da mariposa depende das sementes da
Yucca para se desenvolver."
"A produção de seda é outro legado histórico e econômico. As lagartas do bicho-da-seda,
Bombyx mori, da família Bombycidae, produzem casulos de seda que são explorados pelo
homem há milênios, originários da China. A sericicultura, ou a criação de bichos-da-seda, ainda
é uma atividade agrícola e industrial importante em muitas regiões do mundo, incluindo o
Brasil, e a seda natural ainda é um produto de alto valor, utilizado na indústria têxtil, na
medicina (fios de sutura) e em outras aplicações especializadas."
"No controle biológico, algumas espécies de lagartas, por serem herbívoras altamente
especializadas em plantas específicas, podem ser usadas para controlar plantas daninhas
invasoras que causam problemas ecológicos ou agrícolas. A introdução controlada de
lepidópteros cujas larvas se alimentam exclusivamente dessa planta pode ser uma estratégia
eficaz para reduzir sua população, sem o uso de produtos químicos."
"No entanto, também enfrentamos o lado negativo: muitas lagartas são consideradas pragas
agrícolas primárias, causando danos significativos ou a perda total de diversas culturas. Os
danos podem variar desde a desfolhação, perfuração de frutos ou caules, até a destruição total
da colheita, resultando em perdas econômicas substanciais para os agricultores. Exemplos
incluem a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) e as
brocas do milho."
"Por outro lado, sua sensibilidade a mudanças ambientais os torna excelentes bioindicadores.
Devido à sua alta diversidade, especificidade de hospedeiros e à sua resposta a alterações
climáticas, poluição, desmatamento e fragmentação de habitats, os Lepidoptera são
amplamente utilizados em estudos de monitoramento ambiental para diagnosticar a saúde e a
integridade de diversos ecossistemas – sejam agrícolas, florestais ou urbanos –, fornecendo
informações valiosas para a conservação e o manejo sustentável."
"Por fim, a importância médica é crucial. O erucismo ou lepidopterismo refere-se às reações
cutâneas ou sistêmicas causadas pelo contato com cerdas urticantes de lagartas ou, mais
raramente, escamas de adultos. A lagarta do gênero Lonomia, em particular a Lonomia obliqua,
é notória no sul do Brasil por causar uma síndrome hemorrágica grave, podendo levar à morte
em casos de múltiplos contatos. O contato com suas cerdas injeta uma toxina que afeta o
sistema de coagulação do sangue, resultando em sangramentos internos, o que representa um
sério risco de saúde pública."
Slide 13: Métodos de Coleta, Fixação e Conservação para Estudos (Apresentador): "Para
estudar esses insetos em profundidade e de forma ética, são necessários métodos específicos
de coleta, fixação e conservação, que variam de acordo com o estágio de desenvolvimento e os
hábitos de vida da espécie. Uma das formas mais eficazes de obter adultos recém-emergidos
em perfeitas condições é coletar ovos, larvas ou pupas no campo e criá-los em condições
controladas de laboratório, observando todo o ciclo de vida e garantindo espécimes íntegros
para estudo. Após a emergência do adulto e o completo estiramento e secagem das asas, os
indivíduos são cuidadosamente sacrificados para conservação."
"Para a coleta de adultos no campo, as estratégias variam. Para borboletas diurnas, a rede
entomológica é o método padrão, aproveitando sua visibilidade em repouso na vegetação,
visitando flores ou em voo. Iscas atrativas como frutas fermentadas ou fezes também podem
ser usadas para atrair espécies frugívoras ou saprófagas. Para mariposas noturnas, a atração
pela luz é o método mais produtivo, pois são fortemente atraídas pela luz em faixas específicas
do espectro. Armadilhas luminosas com lâmpadas de vapor de mercúrio, luz negra ou LEDs
UV, ou simplesmente um pano branco iluminado, atraem os insetos, facilitando a coleta
manual. As lâmpadas podem ser alimentadas por geradores ou baterias de 12 volts, permitindo
a pesquisa em locais remotos. As armadilhas são instaladas em locais estratégicos, como
clareiras ou bordas de floresta, para maximizar a atração."
"Após a coleta, a conservação é crucial para a integridade dos exemplares. O sacrifício deve
ser rápido e eficiente para preservar a morfologia do inseto: por compressão torácica,
congelamento em freezer, ou em câmara mortífera com acetato de etila, que relaxa o inseto.
Após o sacrifício, os adultos são cuidadosamente posicionados em extensores, que são placas
de madeira com uma fenda central, e suas asas são esticadas simetricamente e fixadas até
secarem completamente, o que pode levar dias ou semanas. Em seguida, os exemplares são
transpassados por alfinetes entomológicos de aço inoxidável e meticulosamente etiquetados
com informações detalhadas de coleta: local (país, estado, município, coordenadas
geográficas), data, nome do coletor e dados adicionais de habitat. Finalmente, são
acondicionados em caixas entomológicas herméticas, protegidas com naftalina ou outro
repelente para evitar infestações por pragas de museu, garantindo sua preservação a longo prazo
para estudos científicos. Para transporte ou armazenamento temporário de grandes volumes de
material não montado, os exemplares podem ser acondicionados em envelopes entomológicos
triangulares, o que evita danos antes da montagem definitiva."
Slide 14: Principais Famílias de Lepidoptera no Brasil (Apresentador): "O Brasil, com sua
vasta biodiversidade, abriga uma grande proporção das famílias de Lepidoptera do mundo.
Dentre as 78 famílias que ocorrem no país, algumas se destacam pela sua diversidade,
importância ecológica ou representatividade. Aqui estão quatro famílias notáveis, com
exemplos de espécies que as representam bem em nosso território:"
"Primeiro, temos as Nymphalidae, ou as 'borboletas-verdadeiras'. Esta é uma das maiores e
mais diversas famílias de borboletas, com espécies de cores variadas e que apresentam a maior
porcentagem de ocorrência em muitos biomas brasileiros. Exemplos de espécies incluem a
icônica Morpho helenor, a 'borboleta-azul' brasileira, famosa por suas asas iridescentes; a
Caligo eurilochus, conhecida como 'borboleta-coruja', pelos grandes ocelos que mimetizam
olhos de coruja em suas asas; e a Danaus erippus, a 'monarca neotropical', uma borboleta
migratória de cores vibrantes, muito adaptada a diversos ambientes."
"Em seguida, as Noctuidae, um grupo vasto de mariposas conhecidas como 'mariposas-coruja'
ou 'mariposas-rato'. Esta é a maior família de Lepidoptera em número de espécies conhecidas
globalmente, e muitas delas são encontradas no Brasil. Elas possuem uma grande quantidade
de espécies consideradas pragas agrícolas importantes, embora sua diversidade de formas e
cores seja imensa. Exemplos de espécies com grande impacto incluem a Spodoptera
frugiperda, a famosa 'lagarta-do-cartucho', uma das pragas agrícolas mais importantes do
milho e de outras culturas; a Helicoverpa armigera, uma praga polífaga que causa danos
significativos à soja, algodão e tomate; e a Agrotis ipsilon, a 'lagarta-rosca', cujas larvas cortam
plântulas jovens na base, causando grandes perdas agrícolas."
"A terceira família é a Erebidae. Considerada a família mais rica em espécies de Lepidoptera,
com aproximadamente 24.600 espécies. Inclui uma vasta gama de mariposas, e análises
filogenéticas recentes expandiram seus limites, englobando antigas famílias como Arctiidae (as
mariposas-tigre) e Lymantriidae. Exemplos de espécies notáveis no Brasil são a Thysania
agrippina, a 'bruxa-branca' ou 'mariposa-imperador', que detém o recorde da maior
envergadura alar entre os insetos, podendo ultrapassar 30 cm, tornando-a uma espécie
verdadeiramente espetacular. Além disso, muitas espécies da subfamília Arctiinae, as
'mariposas-tigre', com seus padrões de cores chamativos (como amarelo, laranja e preto), que
indicam toxicidade a predadores, são comuns no Brasil."
"Por fim, temos as Papilionidae, conhecidas como 'borboletas-cauda-de-andorinha'. São
borboletas frequentemente grandes e coloridas, muitas vezes com extensões em forma de cauda
nas asas posteriores, que se assemelham às caudas de andorinhas, conferindo-lhes um charme
único. São amplamente reconhecidas por sua beleza e presença marcante em diversos habitats
brasileiros. Exemplos de espécies incluem a Heraclides thoas, ou Papilio thoas, uma
borboleta grande e vistosa, com padrões marcantes nas asas e prolongamentos caudais. A
Battus polydamas é outra borboleta de asas escuras com iridescência verde ou azul e manchas
vermelhas, que se alimenta de plantas do gênero Aristolochia em sua fase larval. E a Parides
anchises, uma borboleta preta com grandes manchas vermelhas nas asas posteriores, comum
em áreas florestais do Brasil e também associada a plantas Aristolochia."
Slide 15: Conclusão e Perspectivas Futuras (Apresentador): "Em suma, os Lepidoptera
representam uma ordem de insetos de beleza inigualável e complexidade biológica
extraordinária. Percorremos sua morfologia detalhada, desde as escamas nas asas até as
complexas peças bucais, os apêndices torácicos e o abdome especializado, bem como seus
estágios de vida fascinantes e seus diversos comportamentos adaptativos. Reafirmamos seu
papel vital nos ecossistemas, atuando como polinizadores essenciais, elos cruciais na cadeia
alimentar e bioindicadores sensíveis da saúde de nossos ecossistemas."
"Apesar dos avanços na pesquisa, uma vasta quantidade de espécies de Lepidoptera ainda
aguarda descoberta e estudo, especialmente em regiões de alta biodiversidade como o Brasil,
demandando contínuos esforços de inventário e descrição. A pesquisa continua fundamental
para aprofundar nosso entendimento sobre sua evolução, classificação e as intrincadas
interações ecológicas que eles mantêm com o ambiente – com plantas hospedeiras, predadores
e parasitas. Compreender essas interações é crucial para a ecologia, a conservação e o
desenvolvimento de estratégias de manejo de pragas."
"Por fim, é imperativo destacar a urgência da conservação. A vulnerabilidade dos Lepidoptera
às mudanças ambientais antropogênicas, como a perda de habitat devido ao desmatamento, o
uso indiscriminado de pesticidas e as mudanças climáticas, sublinha a necessidade crítica de
esforços de conservação. Precisamos proteger essa ordem tão significativa e as funções
ecológicas insubstituíveis que ela desempenha, garantindo que as futuras gerações possam
continuar a apreciar e estudar essas criaturas incríveis e essenciais para a saúde planetária.
Muito obrigado pela atenção!"