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Humanas Enem - Finalizado

O documento aborda a história do Brasil pré-colonial e colonial, destacando a chegada dos portugueses em 1500, a exploração do pau-brasil e a implementação do sistema de capitanias hereditárias. A colonização portuguesa se intensificou com a instalação do Governo-Geral e a exploração de riquezas como açúcar e ouro, utilizando mão de obra escravizada. O fim do Brasil Colônia está ligado à crise do Antigo Regime na Europa e à declaração de independência em 1822.

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Humanas Enem - Finalizado

O documento aborda a história do Brasil pré-colonial e colonial, destacando a chegada dos portugueses em 1500, a exploração do pau-brasil e a implementação do sistema de capitanias hereditárias. A colonização portuguesa se intensificou com a instalação do Governo-Geral e a exploração de riquezas como açúcar e ouro, utilizando mão de obra escravizada. O fim do Brasil Colônia está ligado à crise do Antigo Regime na Europa e à declaração de independência em 1822.

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Humanas- ENEM 2024

Brasil Pré-colonial
Introdução:
• Sua principal característica foi a quase ausência de políticas efetivas
de colonização de Portugal em relação ao Brasil e o programa de
ocupação populacional.
• O período se iniciou em 1500 com a chegada de Pedro Álvares
Cabral ao Brasil e foi até meados da década de 1530 com a criação
do sistema de capitanias hereditárias.
• A exploração econômica desse período foi baseada na extração do
pau-brasil e na instalação de feitorias na costa brasileira.
Antecedentes:
• A chegada dos portugueses ao Brasil relacionou-se primeiramente
com o processo de consolidação da monarquia portuguesa a partir
de sua autonomia em relação à Espanha. Além disso, ao longo do
século XV, destacou-se a ação do infante dom Henrique, que
incentivou a expansão marítima portuguesa por meio da Escola de
Sagres.
• Além disso, destacou-se a atuação da burguesia mercantil
portuguesa, que via nas navegações marítimas uma forma de
ampliar seus negócios e a perspectiva de novas rendas para a Coroa
portuguesa.
• Por fim, para os marinheiros, as expedições eram uma boa
perspectiva de enriquecimento.
• Antes de chegarem ao Brasil, as expedições portuguesas foram
pouco a pouco realizando grandes feitos e chegando a novos lugares
ao longo do século XV. Os destaques foram a chegada dos
portugueses à Ilha da Madeira e o descobrimento de uma rota
marítima na qual os navios portugueses poderiam contornar a costa
africana. Com isso, houve a instalação de entrepostos comerciais em
regiões do litoral africano e asiático.
Chegada dos portugueses ao Brasil:
• A chegada dos portugueses ao Brasil aconteceu oficialmente na
expedição liderada por Pedro Álvares Cabral, que partiu de Lisboa
com treze embarcações. O objetivo da expedição de Cabral era
alcançar a Índia e seu valioso comércio de especiarias (mercadorias
de luxo), que eram produtos valiosos na Europa em razão de sua
raridade.
• Existem historiadores que afirmam que a expedição de Cabral
chegou ao Brasil por obra do acaso, ao se desviar de sua rota
original após uma tempestade. Outros afirmam que a expedição de
Cabral desviou-se da rota de maneira intencional. O fato que
importa é que a expedição de Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil
no dia 22 de abril de 1500.
• O desinteresse português foi demonstrado pela política adotada em
relação ao Brasil: assim como na costa africana, os portugueses
incentivaram a construção de feitorias.
• Feitorias eram basicamente entrepostos comerciais portugueses
onde se concentravam as atividades mercantis de Portugal. Nos três
primeiros anos, essa função foi entregue a Fernão de Noronha,
porém, a partir de 1505, Portugal passou a controlar diretamente a
instalação de feitorias. Como o Brasil era uma terra de
possibilidades desconhecidas e como o comércio na Índia era
altamente lucrativo, Portugal optou por explorar a única mercadoria
que parecia ser lucrativa de início: o pau-brasil.
• A madeira do pau-brasil apresentava uma coloração vermelha, que
era utilizada na produção de tinta para tecidos. Além disso, a
madeira era considerada de boa qualidade e era utilizada na
construção de caravelas. Essa exploração foi realizada em parceria
com os nativos, que extraíam o pau-brasil e eram pagos pelos
portugueses com quinquilharias: tecido, facas, espelhos e outros
objetos que não possuíam valor para os portugueses, mas que eram
novidades para os indígenas.
• As feitorias instaladas na costa do Brasil tinham também como
função proteger o litoral brasileiro de invasões estrangeiras. O
continente americano havia sido dividido entre portugueses e
espanhóis a partir do Tratado de Tordesilhas, no entanto, alguns
países, como a França, não aceitavam ter sido excluídos da divisão
territorial e, assim, não respeitavam os domínios espanhóis e
portugueses.
Sistema de capitanias hereditárias:

• O declínio do comércio com a Índia e a ameaça francesa ao


território português levaram a Coroa portuguesa a partir de 1535 a
implantar uma nova política de colonização com a instalação do
sistema de capitanias hereditárias. O sistema consistia em dividir o
Brasil em quinze lotes de terra e ceder a exploração destes a
terceiros. O sistema de capitanias hereditárias também implantou
um novo ciclo econômico no Brasil e encerrou o período pré-
colonial.

Brasil colonial
Introdução:
• O Brasil Colônia correspondeu ao período em que Portugal
colonizou a porção leste da América do Sul, que hoje corresponde à
grande parte do território brasileiro.
• De 1500 até 1822, os portugueses colonizaram o Brasil, explorando
suas riquezas para atender às demandas do mercado europeu.
• Os portugueses instalaram o Governo-Geral na capital Salvador para
administrar a colônia e fazer cumprir as ordens e leis vindas de
Portugal, pois as capitanias hereditárias, instaladas inicialmente
para descentralizarem o poder, não deram certo.
• A economia colonial consistia na exploração de riquezas para
atender aos interesses do mercado externo por meio da mão de
obra escravizada.
• A partir de 1808, com a chegada da família real portuguesa ao
Brasil, deu-se início ao processo de independência, rompendo-se os
laços políticos entre colônia e metrópole.
Brasil antes da chegada dos portugueses:
• A origem dos ancestrais brasileiros deu-se com os primeiros seres
humanos que atravessaram o estreito de Bering, na fronteira entre
a Rússia e o Alasca (EUA).
• A arte rupestre, produção artística feita na Pré-História, permitiu-
nos acessar informações sobre os primeiros habitantes do
continente americano e reconhecermos as pinturas encontradas
nas paredes das cavernas em solo brasileiro.
• As tribos indígenas eram muitas e espalhadas por toda a América.
Vale destacar que cada uma delas tinha suas diferenciações. No
Brasil, os indígenas se organizaram de forma simples, trabalhando a
terra, cultuando os deuses da natureza, e, em muitos casos,
entrando em confronto com tribos inimigas.
• Em 1500, quando chegaram ao Brasil, o primeiro contato dos
portugueses com os indígenas foi feito de forma cordial. Porém, ao
exigirem o trabalho escravizado na exploração das riquezas
daquela terra, iniciaram-se os confrontos que exterminaram
milhares de indígenas e fizeram desaparecer várias tribos. Os
indígenas sobreviventes foram colonizados e tiveram de adequar
seu modo de vida ao dos colonizadores portugueses.
Início do Brasil Colônia:
• Com a crise do comércio das especiarias, em meados do século XVI,
os portugueses decidiram investir na ocupação e exploração do
Brasil. As tentativas de invasão vindas da França e da Inglaterra
também fizeram com que Portugal ocupasse em definitivo o
território brasileiro. Por três séculos, os portugueses dominaram o
Brasil, explorando suas riquezas, como a cana-de-açúcar e o ouro,
cobrando impostos e abafando revoltas coloniais.
Implantação das capitanias hereditárias:
• O território foi dividido em porções de terra para serem
distribuídas entre nobres aliados da Coroa portuguesa. Eram as
capitanias hereditárias.
• A ideia era descentralizar a administração colonial. Os donatários
tinham como função garantir a segurança, verificar se a região era
próspera para a exploração e garantir o pleno cumprimento das
ordens reais. O desinteresse dos donatários em investir no Brasil fez
com que as capitanias hereditárias não dessem certo. Apenas as
capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram.
Implantação do Governo-Geral:
• A Coroa portuguesa decidiu centralizar o governo. Iniciava-se o
Governo-Geral, com a colônia sendo governada pelo governador-
geral, uma pessoa de confiança do rei de Portugal para exercer o
domínio metropolitano.
• O primeiro governador foi Tomé de Souza, e uma de suas ações à
frente do governo foi a construção da cidade de Salvador, que se
tornou a primeira capital brasileira.
• O Governo-Geral investiu na construção de engenhos de cana-de-
açúcar. Ao longo do litoral nordestino, espalharam-se inúmeras
plantações, cujo principal objetivo era abastecer o mercado
europeu.
• Portugal fez um acordo com a Holanda: os portugueses enviariam a
cana-de-açúcar para a Europa, e os holandeses ficariam
responsáveis pelo refino e a comercialização do produto.
Estabeleceu-se, dessa forma, o Pacto Colonial, no qual Portugal
teria o monopólio do comércio brasileiro, fazendo que a economia
colonial girasse em torno dos interesses metropolitanos.
• Com os governadores-gerais, chegaram ao Brasil os primeiros
padres jesuítas. Esses religiosos vieram em missão para evangelizar
os indígenas. Os padres entraram em conflito com os portugueses
por conta do uso do trabalho indígena.
• Enquanto os colonos queriam escravizar os indígenas para o
trabalho na lavoura de açúcar, os jesuítas defendiam sua ação
missionária. Esse conflito foi apaziguado com os religiosos
conduzindo os indígenas para regiões distantes do litoral e
mantendo o trabalho de evangelização. Nas missões jesuíticas, os
indígenas trabalhavam na terra e dela se sustentavam.
• Com o fracasso na escravidão indígena e a necessidade urgente de
mão de obra para trabalhar no plantio e colheita da cana-de-
açúcar, os portugueses encontraram nos negros africanos a força
trabalhadora.
• A partir do século XVI até 1888, o Brasil se sustentou tendo como
base a mão de obra escravizada negra, primeiramente nos
engenhos de açúcar no Nordeste, e depois na mineração no centro-
sul colonial. Os negros africanos foram escravizados e o tráfico
negreiro se tornou uma das atividades mais rentáveis do Brasil
Colônia.
• O Governo-Geral ficou responsável pela defesa da colônia, para
isso, instalou em pontos estratégicos inúmeras fortificações
militares para garantir a posse portuguesa das terras povoadas e
expulsar as tribos indígenas mais avessas ao contato com o
colonizador.
• A ameaça dos franceses invadirem a Baía da Guanabara fez com
que o governador-geral Estácio de Sá construísse a cidade do Rio de
Janeiro, que, em meados do século XVIII, tornou-se capital da
colônia.
Economia no Brasil Colônia:
• Enquanto o Brasil esteve sob o domínio de Portugal, a economia foi
de exportação, para atender aos interesses do mercado externo. A
primeira atividade econômica foi a extração do pau-brasil. Mas a
Coroa portuguesa acreditava que encontraria metais preciosos.
• Percebendo que a terra colonial era fértil e o clima favorável, os
portugueses deram início à plantação de cana-de-açúcar. Engenhos
foram construídos no litoral nordestino para a produção açucareira.
Com o fracasso na escravização da mão de obra indígena, a solução
veio dos negros africanos. À medida que se produzia açúcar, maior
era o número de escravizados negros em solo brasileiro. O tráfico
negreiro se tornou uma atividade econômica altamente lucrativa.
• A crise do açúcar ocorreu quando os holandeses foram expulsos de
Pernambuco. Os invasores começaram a plantar cana-de-açúcar na
sua colônia na América Central, e logo se tornaram concorrentes do
açúcar brasileiro. Isso fez com que o preço da produção açucareira
feita no Brasil se desvalorizasse. A Coroa portuguesa decidiu então
investir em expedições para o interior brasileiro, no intuito de
descobrir metais preciosos e fazer a colônia voltar a dar lucro.
• Bandeirantes que saíram de São Paulo para o sertão do Brasil
encontraram na região de Minas Gerais as primeiras minas de ouro.
Logo que a notícia se espalhou, milhares de pessoas se deslocaram
para as regiões, dando origem às primeiras cidades no interior
brasileiro.
• Tal qual na produção açucareira, os metais preciosos foram levados
para Portugal. Em torno das minas de ouro, formou-se um
comércio que atendia às demandas dos exploradores. A mão de
obra usada nas minas era a negra escravizada. Para aumentar o
controle sobre a produção do ouro, a Coroa portuguesa decidiu
transferir a capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro.
Fim do Brasil Colônia
• O fim do Brasil Colônia esteve atrelado à crise do Antigo Regime na
Europa. A Revolução Francesa e a Era Napoleônica alteraram a
dinâmica política europeia, enfraquecendo diversas monarquias
absolutistas.
• Ao não atender ao pedido francês de romper os laços econômicos
com a Inglaterra, Portugal teve seu território invadido por tropas
napoleônicas. Isso motivou a fuga da família real portuguesa para
o Brasil, no ano de 1808. Essa transferência fez com que o centro
do poder saísse da metrópole e se instalasse na colônia.
• Enquanto Portugal enfrentava a invasão da França, o Brasil pôde
ampliar sua autonomia com as medidas tomadas pelo rei português
d. João VI, como a abertura dos portos às nações amigas e a
elevação a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A luta pela
independência brasileira se tornou ordem do dia e de muito
interesse para a elite colonial, que considerava o domínio
português como um entrave para o seu desenvolvimento
econômico.
• Com o retorno de d. João VI para Portugal logo após a Revolução do
Porto, o príncipe regente d. Pedro I permaneceu no Brasil e
descumpriu todas as ordens portuguesas. O apoio da elite fê-lo
liderar e declarar a independência do Brasil, que ocorreu em 7 de
setembro de 1822, em São Paulo.

Egito antigo
Introdução:
• O Egito Antigo foi uma das mais importantes civilizações da
Antiguidade.
• A vida egípcia estava regulada pelas cheias do rio Nilo. Quando as
águas voltavam ao leito normal deixavam o solo recoberto com um
limo que fertilizava a terra para a agricultura.
• Para melhor aproveitá-lo, os egípcios desenvolveram sistemas de
medida e escrita baseada nos hieroglifos.
• Quanto à religião eram politeístas e no seu panteão cultuavam o
deus do Sol, Rá e o deus dos Vivos, Hórus, entre vários outros.
História do Antigo Egito:
• O Egito Antigo foi formado a partir da mistura de diversos povos, a
população era dividida em vários clãs, que se organizavam em
comunidades chamadas nomos. Estes funcionavam como se fossem
pequenos Estados independentes.
• Por volta de 3500 a.C., os nomos se uniram formando dois reinos: o
Baixo Egito, ao Norte e o Alto Egito, ao Sul. Posteriormente os dois
reinos foram unificados por Menés, rei do alto Egito, que tornou-se
o primeiro faraó, criando a primeira dinastia que deu origem ao
Estado egípcio.
• Começava um longo período de esplendor da civilização egípcia,
também conhecida como a era dos grandes faraós.
Sociedade egípcia:
• A antiga sociedade egípcia estava dividida de maneira rígida e nela
praticamente não havia mobilidade social.
• No topo da sociedade encontrava-se o Faraó e sua imensidão de
parentes. O faraó era venerado como um verdadeiro deus, pois era
considerado como o intermediário entre os seres humanos e as
demais divindades. Por isso, era uma monarquia teocrática, ou seja,
um governo baseado nas ideias religiosas.
• Abaixo do faraó e de sua família vinham as camadas privilegiadas
como sacerdotes, nobres e funcionários. Na base da pirâmide social
egípcia estavam os não privilegiados que eram artesãos,
camponeses, escravos e soldados.
• Os sacerdotes formavam, junto com os nobres, a corte real. Tanto a
nobreza como o sacerdócio eram hereditários compondo a elite
militar e latifundiária.
• Os escribas estavam a serviço do Estado para planejar, fiscalizar e
controlar a economia. Por isso, sabiam ler e escrever e eram eles
que anotavam os feitos do faraó durante o seu reinado. Estes textos
seriam colocados nos seus túmulos quando morressem.
• Já o exército era constituído por jovens que eram convocados em
tempo de guerra e soldados mercenários estrangeiros contratados
pelo Estado.
• Por sua parte, os artesãos eram trabalhadores assalariados que
exerciam diferentes ofícios como cortadores de pedra, carpinteiros,
joalheiros, etc. Os camponeses formavam a maior parte da
população, trabalhavam na agricultura, na criação de animais e
deviam pagar altos impostos.
• Na sociedade egípcia, as mulheres tinham uma posição de prestígio.
Podiam exercer qualquer função política, econômica ou social em
igualdade com os homens de sua categoria social. Isto significava,
inclusive, que poderiam ser faraós, como foi o caso de Cleópatra.
Civilização egípcia:
• A civilização egípcia foi extremamente sofisticada e suas marcas
estão entre nós até a atualidade.
• Os egípcios eram ótimos astrônomos e observando a trajetória do
sol dividiram o calendário em 365 dias e um dia em 24 horas, que é
usado até hoje pela maioria dos povos ocidentais.
• Na medicina, os egípcios escreveram vários tratados sobre remédios
para cura das doenças, cirurgias e descrição do funcionamento dos
órgãos. Também existiam os médicos especialistas e seus ajudantes,
equivalentes aos atuais enfermeiros.
• Na escrita, a sociedade egípcia desenvolveu a escrita pelos
hieroglifos. Estes eram figuras de animais, partes do corpo ou
objetos do cotidiano que era utilizado para registrar a história, os
textos religiosos, a economia do reino, etc.
Cultura egípcia:
• A principal arte desenvolvida no Egito Antigo foi a arquitetura.
Profundamente marcada pela religiosidade, as construções
voltaram-se principalmente para a edificação de grandes templos
como os de Karnac, Luxor, Abu-Simbel e as célebres pirâmides de
Gizé, que serviam de túmulos aos faraós, entre as quais se destacam
Quéops, Quéfren e Miquerinos.
• A pintura egípcia era muito peculiar, pois representava o corpo de
frente, mas a cabeça estava sempre de perfil, caso o retratado
estivesse de pé. No entanto, se estivesse sentado, tanto o corpo
como a cabeça estariam de perfil. Pintavam-se as paredes dos
palácios, templos e especialmente, as tumbas destinadas aos faraós.
• A pintura representava cenas familiares e do cotidiano do reino,
como procissões, nascimento e morte, mas também, o cultivo e a
colheita. Hoje, as pinturas nos permitem reconstruir o dia a dia dos
egípcios.
• A escultura egípcia, de grande porte, retratava as esfinges, criaturas
fantásticas, deuses e faraós. Merece atenção as obras de pequeno
tamanho como os sarcófagos, de pedra ou madeira, nos quais os
artífices procuravam reproduzir as feições do morto, para ajudar a
alma a encontrar o corpo. Alguns, inclusive, chegavam a incrustar
pupilas de cristal nos olhos.
Economia egípcia:
• O rio Nilo era responsável por mover a economia, pois após as
cheias, quando a terra estava fértil, plantavam-se trigo, cevada,
frutas, legumes, linho, papiro e algodão. De igual maneira, o Nilo
servia para pesca e garantia a unidade política ao antigo Egito,
porque era uma via utilizada para comunicar os dois pontos do
território.
• Para melhor aproveitar o rendimento do terreno, os egípcios
desenvolveram sistemas de medida e contagem. Afinal, os impostos
eram pagos conforme o tamanho da área cultivada e era preciso
anotar com exatidão as quantidades cobradas.
• A terra pertencia ao faraó e os camponeses eram obrigados a dar
parte de seus produtos para o Estado em troca do direito de cultivar
o solo. No entanto, a construção de diques, reservatórios e canais
de irrigação era tarefa do Estado, que empregava tanto mão de obra
livre quanto escrava para fazê-lo.

Mesopotâmia
Introdução:
• Mesopotâmia é uma palavra de origem grega que significa “terra
entre rios”. Trata-se de uma região desértica localizada entre os rios
Tigre e Eufrates.
• Nos dias atuais, é território pertencente ao Iraque.
• Por ter sido uma região de passagem, a Mesopotâmia foi ocupada
por vários povos de diferentes origens, como os sumérios, acádios e
babilônicos. Esses eram povos guerreiros, que expandiam seus
domínios por toda a região.
• Os persas derrotaram as últimas populações que ocuparam a
Mesopotâmia em 539 a.C.
• Os legados culturais dos povos mesopotâmicos são a arquitetura de
seus palácios e templos e o estudo da astronomia e geometria.
História da Mesopotâmia:
• O Crescente Fértil, onde se localizava a Mesopotâmia, é uma região
que foi habitada por vários povos da Antiguidade oriental.
Geograficamente, o Crescente Fértil está localizado entre o Egito e a
Mesopotâmia e é caracterizado como uma região desértica (quente
e seca), mas com rios volumosos.
• Foi às margens desses rios que surgiram as primeiras civilizações do
Oriente. A civilização egípcia surgiu às margens do rio Nilo, e as
civilizações da Mesopotâmia, às margens do Tigre e do Eufrates.
• A proximidade desses últimos povos com os rios fez com que vários
autores denominassem-nos como sociedades hidráulicas.
• Tais rios saciavam a sede das pessoas mas também serviam de
meios de transporte. Além disso, e o mais importante, as águas dos
rios serviam para irrigar as plantações. Em suas vazantes, as
margens eram utilizadas para o plantio, pois o baixar das águas
tornava o solo fértil. Quando os rios subiam de volume, os povos da
Antiguidade oriental construíam diques e represas para que a água
não faltasse durante os seus períodos de seca.
• A religião teve um papel de destaque. Ao utilizarem a escrita, esses
povos registravam os ritos praticados em suas cerimônias religiosas.
Eram povos politeístas e não mediam esforços para construírem
belos templos religiosos por meio de refinadas técnicas
arquitetônicas.
Povos da Mesopotâmia:
• Sumérios:
Os sumérios foram os primeiros povos a chegarem à Mesopotâmia e
dominaram a região entre 3200 a.C. e 2800 a.C. Como estavam próximos
dos rios, eles buscaram utilizar a água da melhor forma, aperfeiçoando as
técnicas de irrigação.
Os templos religiosos foram construídos de forma sofisticada, o que
demonstra o apreço dos sumérios pelas técnicas arquitetônicas. Eles
também usaram a escrita cuneiforme (escrita em forma de cunha e feita
em tabletes de barro) para registrar os feitos dos seus soberanos e
também os ritos religiosos. O excedente da produção agrícola era
aproveitado no comércio com outros povos, como os egípcios e indianos.
• Acadianos:
Os acadianos derrotaram os sumérios e dominaram a Mesopotâmia por
pouco tempo. O rei Sargão I unificou os povos mesopotâmicos e ampliou o
domínio acadiano por meio de um exército ágil e preservando a cultura
dos dominados. Os acadianos foram derrotados pelos amoritas, mais
conhecidos como babilônicos.
• Império Babilônico:
O domínio babilônico iniciou-se por volta de 2000 a.C, e sua sede foi a
cidade de Babilônia. Em 1728 a.C., Hamurabi assumiu o poder do império
e criou um código de leis, o Código de Hamurabi, que era baseado na Lei
do Talião, que dizia: “olho por olho, dente por dente”. Em outras palavras,
as punições eram determinadas proporcionalmente aos crimes cometidos.
O domínio babilônico durou até 1513 a.C., quando os hititas dominaram a
região.
• Assírios:
Os assírios dominaram a região da Mesopotâmia até 1450 a.C. Esse
controle foi conquistado por meio da ação cruel do seu exército, que não
poupava recursos sanguinários contra os povos conquistados. Os assírios
foram derrotados pelos caldeus em 612 a.C.
• Segundo Império Babilônico:
Os caldeus fundaram o Segundo Império Babilônico. Foi no reinado de
Nabucodonosor que o império viveu seu apogeu. Sua principal
característica foi o desenvolvimento da arquitetura, o que propiciou a
construção de obras públicas até hoje recordadas pela sua suntuosidade e
beleza, como os Jardins Suspensos e a Torre de Babel. Nabucodonosor
expandiu seu domínio e conquistou a cidade de Jerusalém. Em 539 a.C., os
persas, liderados por Ciro II, derrotaram os babilônicos.
Economia da Mesopotâmia:
• A economia dos povos que habitaram na Mesopotâmia baseava-se
principalmente na agricultura por causa dos rios que banham a
região. As águas do Tigres e do Eufrates eram usadas para irrigar a
plantação bem como para transportar as colheitas. Os excedentes
da produção eram comercializados com outros povos. Além disso, o
agropastoreio era uma atividade econômica entre os povos
babilônicos.
Sociedade da Mesopotâmia:
• A sociedade mesopotâmica era dividida em castas, ou seja, não era
permitida a mobilidade social.
• O soberano era o chefe político, militar e religioso e estava no topo
da pirâmide social. Abaixo dele estavam os sacerdotes, aristocratas
e militares.
• A base piramidal, ou seja, quem sustentava as demais castas, era
composta de camponeses, que trabalhavam no plantio e na
colheita, e de escravos, que construíam as obras públicas e os
templos.
Cultura da Mesopotâmia:
• A atividade cultural na Mesopotâmia foi intensa.
• Os mesopotâmicos desenvolveram o conhecimento da astronomia
para prever enchentes e vazantes dos rios bem como para práticas
religiosas.
• Os babilônicos dividiram o tempo em 24 horas e a hora em 60
minutos.
• A arquitetura teve suas técnicas desenvolvidas por conta da
construção de palácios, templos e torres.
Em resumo:
• A Mesopotâmia era a região que fica entre os rios Tigres e Eufrates e
onde se desenvolveram importantes civilizações da Antiguidade
oriental.
• Os povos eram governados por um soberano, que acumulava as
funções de chefe político, militar e religioso.
• Economia agrícola, comercial e agropastoril.
• Sociedade era dividida em castas
• Cultura astronômica, dedicada ao tempo e arquitetônica.

Grécia Antiga
Berço da civilização ocidental:
• A Grécia Antiga foi uma civilização pertencente ao período da
Antiguidade Clássica que compreendeu desde o Período Pré-
Homérico terminando com o início da Idade Média.
• A Grécia Antiga era composta por um conjunto de cidades que
partilhavam a língua, os costumes e algumas leis.
• Originários dos povos aqueus, jônicos, eólios e dóricos que
migraram para a península Balcânica, os povos gregos ficaram
conhecidos como helênicos, pois sua organização de clãs se baseava
na crença de que descendiam do herói Heleno.
• A história da Grécia Antiga é dividida em quatro períodos: Pré-
Homérico, Homérico, Arcaico e Clássico.
Período Pré-Homérico:
• Iniciado com a chegada dos indo-europeus na Grécia, o período foi
de aproximadamente 2000 a.C. até 1200 a.C.
• Esse período abrigou duas grandes civilizações no território grego.
Uma delas era formada pelos cretenses, chamada civilização
minoica, e a outra era a civilização micênica, composta pelos
micênicos, também chamados aqueus.
• Durante o período Pré-Homérico, a Grécia Antiga presenciou a
chegada dos povos eólios, jônios e dórios. Esses povos migraram de
outras regiões para a Grécia e foram muito importantes para a
formação do povo grego.
Período Homérico:
• Com o fim da civilização micênica, teve início o período Homérico,
que durou de 1100 a. C. a 800 a.C. Durante esse período a Grécia
Antiga viveu um retrocesso nas relações sociais e comerciais entre
os gregos, causado pelas invasões dóricas.
• Esse período marcou a decadência civilizacional da Grécia Antiga,
com a diminuição da população grega, com a movimentação de
povos que abandonaram os povoados para se fixarem em locais
que ofereciam melhores condições de segurança.
• Além disso, houve a perda do conhecimento da escrita, que só foi
readquirida no século VIII a.C.
• No período Homérico ocorreu a formação dos genos – propriedades
em que grandes famílias, descendentes de um mesmo ancestral, se
mantinham unidas em torno da exploração econômica de uma
mesma parcela de terras.
Período Arcaico:
• Durante o Período Arcaico a Grécia Antiga experimentou o
desenvolvimento cultural, político e social. Foi nessa época que
houve os primeiros avanços expressivos para a ascensão da
democracia, além disso, houve a revitalização da linguagem escrita.
• O período Arcaico foi marcado pela construção dos primeiros
templos inspirados nas construções micênicas. Nesse período
houve a aglomeração dos genos em unidades políticas maiores,
que formaram polis ou cidades-Estados.
• Cada polis tinha suas leis específicas, sua forma de governo, seu
modelo econômico e sua sociedade própria e independente. As
cidades-Estados possuíam uma arquitetura semelhante, elas eram
formadas por uma praça, chamada ágora, onde aconteciam as
assembleias dos cidadãos e as transações comerciais.
• As ágoras eram também o local onde ficavam os juízes que julgavam
os criminosos, onde se praticavam jogos, competições e rituais em
homenagem aos deuses. Elas serviam ainda para a realização dos
festivais artísticos, como os que deram origem ao teatro grego.
• As cidades-Estados mais importantes da Grécia Antiga foram Atenas
e Esparta, que serviram de modelo para outras polis gregas. Atenas
representou o esplendor cultural da Grécia Antiga e por muito
tempo foi o centro de comércio entre gregos.
• Em sua evolução política, Atenas conheceu várias formas de
governo: monarquia, oligarquia, tirania e democracia. Já Esparta
era uma cidade aristocrática, agrária e fechada às influências
estrangeiras.
Período Clássico:
• O Período Clássico foi marcado pelo desenvolvimento dos modelos
políticos de Atenas e Esparta. Em Atenas se instalou a democracia
aristocrata, já Esparta implantou a oligarquia militarista.
• Outro aspecto marcante do período Clássico foram as Guerras
Médicas entre as cidades gregas e persas. Com o fim das guerras,
Atenas, vencedora, passou a liderar uma organização formada por
diversas cidades-Estados. Assim, a polis ateniense experimentou
um período de hegemonia e prosperidade econômica que coincidiu
com o esplendor cultural da Grécia.
• Esparta também teve um momento de apogeu durante o período
Clássico. Juntamente com outras cidades-Estados, Esparta constituiu
a organização chamada Liga do Peloponeso e declarou guerra a
Atenas em 431 a.C., vencendo Atenas depois de 27 anos de lutas.
• O período Clássico favoreceu o desenvolvimento da filosofia, do
teatro, da escultura e da arquitetura. Boa parte da política
moderna, pensamento artístico, pensamento científico, teatro,
literatura e filosofia tem origem nesse período da história antiga.
Política e Sociedade na Grécia Antiga:
• Desde o século VIII a.C., a Grécia Antiga era formada por diversas
cidades independentes, chamadas poleis. A sua organização política
se dava mediante condições geográficas e econômicas, pois a
divisão em cidades-Estados possibilitava a divisão da sociedade em
pequenas unidades econômicas.
• Cada polis grega definiu seu próprio sistema de governo, sua
legislação, seu calendário, sua moeda, sua própria forma político-
administrativa, sua organização social e seus deuses protetores.
• Algumas poleis, como Atenas, adotavam o regime de escravidão por
dívidas ou por guerras. Outras, como Esparta, possuía poucos
escravos, mas possuía servos estatais. Ambas cidades cultivavam a
oligarquia, no entanto, a Grécia Antiga experimentou outros
sistemas de governo como: monarquia, tirania e democracia.
Cultura na Grécia Antiga:
• A cultura grega antiga estava intimamente associada à religião e se
manifestava por meio da literatura, da música e do teatro. As
manifestações artísticas eram utilizadas para homenagear os feitos
dos heróis e de sua relação com os deuses gregos que viviam no
Olimpo.
• Embora tivessem conflitos e diferenças entre si, muitos elementos
culturais da Grécia Antiga eram comuns nas diversas poleis. Apesar
de desenvolver sotaques e dialetos diferentes, eles tinham o idioma
e a religião em comum.
• Adeptos de religião politeísta e sob a influência de vários povos, os
gregos adotaram diversos deuses, constituindo o panteão de
deuses, ninfas, seres humanos que ganhavam a imortalidade e
deuses que perdiam sua condição imortal.
Legado grego:
• Considerada o berço da civilização ocidental, a Grécia Antiga deixou
um legado cultural que foi a base da cultura do mundo moderno.
• A cultura grega influenciou na linguagem, na política, no sistema
educacional, na filosofia, na ciência, na tecnologia, na arte e na
arquitetura.
• Campo do desenvolvimento da democracia e da filosofia, a
civilização grega exerceu influência, sobretudo, durante o Período
Renascentista da Europa ocidental e durante o período neoclássico
dos séculos XVIII e XIX, na Europa e nas Américas.
• Dentre os principais artistas renascentistas, estão: Leonardo da
Vinci, Michelangelo, Rafael Sanzio, Donatello e Sandro Botticelli.

Roma Antiga
Introdução:
• Roma Antiga foi uma das maiores civilizações da Antiguidade,
centralizando-se na cidade de Roma. A fundação de Roma
aconteceu em 753 a.C., e, a partir daí, a cidade se expandiu
consideravelmente, formando um território de grandes dimensões
territoriais. Sua história é dividida em três fases: monarquia,
república e império.
• A sociedade romana ficou marcada pelos conflitos entre patrícios e
plebeus, e, ao longo da república, os plebeus foram conquistando
alguns direitos. A crise romana se iniciou no século III, e se deu pela
crise política e econômica que afetava o império, além das
migrações germânicas. O Império Romano, em sua porção
ocidental, deixou de existir em 476.
Em resumo:
• Roma Antiga foi uma civilização que se desenvolveu na Península
Itálica, entre 753 a.C. e 476 d.C.
• Desenvolveu-se a partir da cidade de Roma, fundada pelos latinos
no século VIII a.C.
• A história romana é dividida em três fases: monarquia (753-509
a.C.), república (509-27 a.C.) e império (27 a.C.-476 d.C.).
• A sociedade romana se dividia em três grupos: patrícios, plebeus,
clientes e escravos.
• A crise do Império Romano se iniciou no século III, levando a porção
ocidental a sua desagregação, no ano de 476.
Fundação de Roma:
• A cidade de Roma foi oficialmente fundada em 753 a.C. e diz-se que
o seu fundador foi Rômulo. A fundação aconteceu quando uma
série de pequenas aldeias latinas decidiram se unir para formar uma
nova cidade no Lácio, região central da Península Itálica.
• Com o passar do tempo, consolidou-se uma lenda que procurava
explicar a origem da cidade de Roma. Essa lenda estabelece que os
fundadores de Roma eram descendentes dos sobreviventes da
Guerra de Troia que fugiram e se fixaram na Península Itálica. Dois
desses sobreviventes eram Rômulo e Remo, netos do rei de Alba
Longa, Numitor.
• Os irmãos gêmeos foram lançados em um rio para morrerem por
ordem de Amúlio, usurpador do trono de Alba Longa. Eles foram
resgatados e amamentados por uma loba, cresceram em segurança
e, quando adultos, descobriram suas reais origens, vingando-se de
Amúlio e devolvendo o trono a Numitor. Depois disso, partiram para
fundar uma nova cidade, e daí nasceu Roma, fundada por Rômulo.
Pouco depois da fundação, Remo foi assassinado por seu irmão.
Fases da Roma Antiga:
• Monarquia Romana (753-509 a.C.)
Com a fundação de Roma, a cidade passou a ser governadas por reis,
estabelecendo-se, portanto, como uma monarquia. Nesse período, a
cidade foi governada por latinos, sabinos e etruscos, possuindo, ao todo,
sete reis. Existe uma série de lacunas acerca desse período histórico,
sendo que uma das mais importantes se refere ao domínio etrusco, pois os
historiadores não sabem quando e como os etruscos dominaram Roma. O
último rei desse período foi Tarquínio, o Soberbo, destituído do trono em
509 a.C. por meio de um golpe.
Foi nesse período que a sociedade romana se estruturou em torno de
quatro grandes grupos sociais:
• Patrícios: detinham as riquezas, as terras e o poder político.
• Clientes: trabalhavam diretamente para os patrícios, conquistando
proteção social e certo poderio econômico.
• Plebeus: mais numerosos e não possuíam terras, nenhuma riqueza e
não tinham poder político, sendo intensamente explorados pelos
patrícios. Os conflitos entre patrícios e plebeus eram constantes, uma
vez que os últimos sempre estavam exigindo condições de vida mais
dignas.
• Escravos: em geral, estrangeiros.
• República Romana (509-27 a.C.)
O Senado Romano era a instituição política mais poderosa em Roma
durante o período republicano.
A partir da república, Roma passou por transformações em seu sistema
político e a ser governada por dois cônsules eleitos anualmente. O
Senado, por sua vez, era a instituição política mais poderosa e controlava o
sistema político romano. No âmbito social, os embates entre plebeus e
patrícios aumentaram, e os plebeus conquistaram muitos direitos
importantes.
As revoltas plebeias aconteciam por meio das secessões da plebe
principalmente, com os plebeus abandonando Roma voluntariamente.
Por meio desses protestos, os plebeus conquistaram melhores condições
de vida com base em algumas leis, como as Leis Licínias e a Lei Canuleia.
Uma mudança significativa para os plebeus foi a conquista do direito de
participarem da política romana.
O período republicano foi de grande expansão territorial romana. A
cidade de Roma conquistou toda a Península Itálica, além de ter dado
início à expansão para outros locais, como a Europa Ocidental, a Península
Balcânica, a Ásia Menor, o norte da África, a Península Ibérica etc.
Uma das grandes conquistas de Roma nesse período se deu com as
Guerras Púnicas. Esses conflitos se estenderam de 264 a.C. a 146 a.C.,
sendo travados entre Roma e Cartago. Ocorreram três guerras, e o que
estava em disputa era o controle da Sicília e do comércio marítimo no
Mediterrâneo.
A República Romana enfrentou uma grave crise a partir do século II a.C.
Essa crise ficou marcada por agitação social, conflitos entre classes,
revoltas de escravizados, agitação política, disputa pelo poder, guerras
civis, entre outros graves problemas.
No último século da República Romana, foram estabelecidos os
triunviratos, governos de três homens, com o objetivo de trazer maior
estabilidade à política romana. O Primeiro Triunvirato foi formado por
Júlio César, Pompeu e Crasso, e encerrou-se com uma guerra civil.
O Segundo Triunvirato foi formado por Marco Antônio, Otávio e Lépido e
também levou Roma a uma nova guerra civil. Ao final desse conflito,
Otávio foi nomeado imperador romano em 27 a.C., encerrando a
república e dando início à fase imperial.
• Império Romano (27 a.C.-476 d.C.)
Na fase imperial, o poder era concentrado nas mãos do imperador, e, ao
longo desse período, foram formadas quatro dinastias de imperadores:
• Júlio-Claudiana (27 a.C.-68 d.C.);
• Flaviana (69-96);
• Nerva-Antonina (96-192);
• Severa (193-235);
São imperadores famosos do período:
• Tibério (14-37);
• Trajano (98-117);
• Marco Aurélio (161-180);
Nesse primeiro momento da fase imperial, destacou-se também a Pax
Romana, um período que se estendeu do reinado de Otávio Augusto até o
final do reinado de Marco Aurélio, portanto, entre 27 a.C. e 180 d.C. Esse é
entendido como um período de relativa paz e prosperidade na história
romana, permitindo que Roma ampliasse o seu controle sobre suas
províncias.
A partir do século III, o Império Romano deu início a um período de crise
que resultou na sua desagregação. Existem inúmeros fatores que explicam
a crise romana, mas entende-se que ela passou pelo colapso do sistema
escravista romano. Esse sistema era alimentado pelas guerras de
expansão, em declínio desde o século I d.C.
Com um menor número de escravizados, a economia romana passou a
produzir menos e o custo de vida disparou rapidamente. Além da crise
econômica, houve a crise política, com uma disputa intensa pelo poder
que resultou em conspirações e assassinatos de imperadores com grande
frequência.
Além disso, houve as invasões germânicas, que se tornaram comuns a
partir do século III e que colocaram em xeque a estabilidade do território
romano. Os germânicos eram formados por diferentes povos e passaram a
invadir as terras romanas por diversos fatores, entre eles, a procura por
melhores condições para sobreviver.
Toda essa crise fez o império ser dividido em duas porções: a ocidental e a
oriental, sediadas em Roma e Constantinopla respectivamente. A situação
não melhorou, e, em 476, Roma foi invadida pelos hérulos e o imperador
Rômulo Augusto foi deposto. Isso encerrou a porção ocidental do
império, mas a oriental manteve-se até 1453 sob o nome de Império
Bizantino.

Primeiro Reinado
Introdução:
• Foi o período da história do Brasil iniciado a partir da independência
do país, em 1822.
• Essa fase estendeu-se até 1831, quando o imperador D. Pedro I
abdicou o trono brasileiro em favor de seu filho, Pedro de
Alcântara, futuro D. Pedro II.
Antecedentes históricos:
• O Primeiro Reinado foi resultado direto do processo de
independência do Brasil, que teve como ponto de partida a
transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro a partir de
1808. Quando isso aconteceu, uma série de transformações
aconteceu no Brasil: a cidade do Rio de Janeiro cresceu e
desenvolveu-se, os portos foram abertos e o comércio prosperou.
Dessa forma, o Brasil deixou de ser colônia, tornando-se parte do
Reino de Portugal.
• Os ânimos do Brasil estavam relativamente sob controle até 1820,
quando eclodiu a Revolução Liberal do Porto, em Portugal. Essa
revolução foi realizada pela burguesia portuguesa, que demandava
o retorno do rei português para Lisboa e a revogação das medidas
que haviam sido implantadas no Brasil.
• A Revolução Liberal do Porto foi muito mal recebida pelas elites
econômicas do Brasil, que encararam essa revolta como uma
tentativa de recolonizar o país. Assim, surgiu um movimento pela
independência do Brasil, o qual considerou Pedro, filho de D. João
VI, como a pessoa ideal para liderar esse processo.
• Após ser pressionado pelas Cortes portuguesas (espécie de
parlamento) a retornar a Portugal, Pedro percebeu que o único
caminho a ser tomado era declarar a independência do Brasil.
Assim, em 7 de setembro de 1822, aconteceu o grito do Ipiranga,
por meio do qual o regente declarou a independência do Brasil.
Pedro foi, então, coroado imperador, tornando-se D. Pedro I.
Guerras de independência:
• A independência do Brasil não foi pacífica. Houve províncias que
permaneceram leais aos portugueses, por isso, foi necessário travar
guerra a fim de garantir a unidade territorial do país. Um nome de
destaque nessa luta contra os portugueses e seus aliados no Brasil
foi lorde Cochrane, comandante contratado por D. Pedro I.
• Entre as regiões que se rebelaram contra a independência,
podemos citar as províncias do Pará, Maranhão, Bahia e Cisplatina.
Em meados de 1823, os conflitos contra a independência do país
estavam sob controle, e os apoiadores de Portugal já estavam
derrotados.
Por que o Brasil se tornou uma monarquia?
• Quando o Brasil declarou a sua independência, seus realizadores
optaram por instaurar a monarquia como forma de governo do país.
Era um caso único na América do Sul, já que as antigas colônias
espanholas nessa parte do continente tinham se tornado repúblicas.
• Os idealizadores da nossa independência temiam que o território
do Brasil fosse fragmentado caso instaurassem a república no país.
• A elite brasileira havia sido letrada nas tradições monarquistas de
Portugal.
• Essa forma de governo evitava que transformações no status
acontecessem.
Consolidação da independência:
• Após a declaração de independência, o Brasil tinha desafios
imediatos a serem superados. Primeiramente, era necessário cessar
a guerra travada contra as províncias rebeldes. Depois, era
fundamental garantir o reconhecimento internacional e, por fim,
era importante redigir uma Constituição para estruturar o país.
• A princípio, as nações vizinhas relutaram em reconhecer a
independência do Brasil pelo fato de o país ter se tornado uma
monarquia.
• Os ingleses foram responsáveis por mediar as negociações entre
Brasil e Portugal. O reconhecimento da independência do Brasil
pelos portugueses só ocorreu em 1825, mediante pagamento de
indenização e com o compromisso firmado pelo Brasil de não
incentivar a independência das colônias portuguesas na África.
Constituição de 1824:
• Após a independência, a nova nação precisava de uma Constituição.
Para essa tarefa, era necessário formar uma Assembleia
Constituinte, que deveria ser escolhida por meio de eleições. Os
trabalhos da Constituinte iniciaram-se em maio de 1823 e foram
marcados pelo atrito entre D. Pedro I e as elites econômicas e
políticas do Brasil.
• As discordâncias entre os parlamentares e D. Pedro I ocorreram em
decorrência da arbitrariedade e autoridade do imperador nas
tomadas de decisões. No caso da Constituição, os parlamentares
defendiam a existência de maiores liberdades individuais e a
limitação do poder real. Em contrapartida, D. Pedro I queria
poderes ilimitados para governar o Brasil.
• Como não concordava com os termos da Constituição elaborada
pelos parlamentares, D. Pedro I decidiu vetar o documento, que
ficou conhecido como Constituição da Mandioca. Essa ação
aconteceu em 12 de novembro de 1823 e foi acompanhada de um
evento chamado Noite da Agonia. Nessa ocasião, D. Pedro I
ordenou que tropas cercassem e dissolvessem a Assembleia
Nacional Constituinte. Nesse dia, vários parlamentares foram
presos.
• Após esse episódio, uma nova Constituição começou a ser
elaborada por uma comissão formada pelo imperador. Essa
Constituição ficou pronta em 1824 e foi outorgada por ordem do
imperador. O documento reafirmava que o Brasil seria uma
monarquia e instituía ao imperador poderes absolutos sobre a
nação. Para isso, foi criado o Poder Moderador, representado
exclusivamente por D. Pedro I. Foi determinada também nessa
Constituição a imposição do voto censitário. Assim, só poderiam
votar aqueles tivessem renda anual acima de 100 mil réis.
Como terminou o Primeiro Reinado?
• Os desgastes na relação de D. Pedro I com grande parte da
sociedade fizeram com que o imperador renunciasse o trono em
favor de seu filho, Pedro de Alcântara. Dessa forma, em 1831, o
Primeiro Reinado chegou ao fim.
• Entre os eventos que contribuíram para fragilizar a posição do
imperador, podemos citar como os de maior destaque: Dissolução
da Assembleia Constituinte; Confederação do Equador; Guerra da
Cisplatina; e Noite das Garrafadas;
• O governo de D. Pedro I não era muito popular no Nordeste
brasileiro, principalmente por causa do autoritarismo do
imperador. Por isso, a região tornou-se foco de críticas ao Império.
Nesse contexto, dois nomes destacaram-se: Cipriano Barata e
Joaquim do Amor Divino (frei Caneca), que veiculavam suas críticas
em jornais de circulação local.
• O principal foco de insatisfação era a província de Pernambuco, local
historicamente marcado por tensões. A insatisfação da região na
década de 1820 era herdada da Revolução Pernambucana,
movimento separatista de viés republicano que aconteceu em 1817.
Os ideais republicanos, associados com a insatisfação com o
imperador, levaram a uma nova rebelião: a Confederação do
Equador.
• Essa revolta teve como estopim a dissolução da Assembleia
Constituinte e a nomeação de um governador que não era
desejado pela elite local. Na época, havia também uma forte
especulação de que a região seria invadida pelos portugueses. A
junção de todos esses fatores, associados à memória viva da
Revolução Pernambucana, fizeram a província rebelar-se.
• A Confederação do Equador iniciou-se em 2 de julho de 1824 em
Recife, Pernambuco. Sob a liderança de frei Caneca e Manoel de
Carvalho Paes de Andrade, o movimento logo se espalhou pelo
Nordeste, alcançando o Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Piauí e
Maranhão. A reação do imperador foi violenta: foi ordenada uma
série de execuções em Pernambuco, Ceará e Rio de Janeiro. Em
setembro, os rebeldes já tinham sido derrotados.
• A crise do Primeiro Reinado também está associada com a Guerra
da Cisplatina, travada entre 1825 e 1828. Nesse conflito, o Brasil
lutou pela manutenção da província Cisplatina a fim de evitar que
ela fosse anexada pelas Províncias Unidas (atual Argentina). Essa
guerra foi extremamente impopular no Brasil.
• Tudo começou quando habitantes locais da Cisplatina iniciaram uma
rebelião, declarando a separação da província do Brasil e sua
vinculação com as Províncias Unidas. A reação brasileira ocorreu
com a declaração de guerra contra os rebeldes e contra as
Províncias Unidas. Ao longo dos três anos de conflito, o Brasil
amargou uma série de derrotas, que destruiu o moral do exército e
arruinou a economia do país.
• O fim da guerra ocorreu com a assinatura de um acordo entre o
Brasil e as Províncias Unidas. Ambas as partes concordaram em abrir
mão da Cisplatina, fato que levou à queda da popularidade do
imperador. Assim, em 1828, foi reconhecida a independência da
República Oriental do Uruguai.
• Além do autoritarismo, da violência e da economia arruinada, o
jogo político também contribuiu para minar a posição do imperador.
Durante o Primeiro Reinado, foram formados, gradativamente, dois
blocos entre os políticos: o partido brasileiro e o partido português.
Enquanto o primeiro representava a oposição ao imperador, o
segundo oferecia-lhe apoio.
• Esses desentendimentos entre brasileiros e portugueses fizeram
com que um confronto aberto acontecesse. Esse episódio ficou
conhecido como Noite das Garrafadas e durou dias nas ruas da
cidade do Rio de Janeiro. Como resultado, D. Pedro I renunciou ao
trono.
• Ao deixar sua posição, o imperador ofereceu o trono ao seu filho,
Pedro de Alcântara. Como o príncipe só poderia assumir o poder
quando tivesse 18 anos de idade, iniciou-se no país uma fase de
transição, conhecida como Período Regencial.

Período Regencial
O que foi o Período Regencial?
• O intervalo de nove anos entre o fim do Primeiro Império,
comandado por D. Pedro I, e o início do Segundo Império, com
subida ao trono de D. Pedro II.
• O Primeiro Império teve fim em 7 de abril de 1831, quando D. Pedro
I abdicou do trono em favor de seu filho, então com sete anos de
idade. Como o sucessor era ainda criança, a Constituição de 1824,
em seu Capítulo V, ordenava que o comando do Império fosse
delegado a uma Regência até que a maioridade fosse completada.
• A Constituição de 1824 também previa que, caso o imperador fosse
maior de idade, a Regência deveria ser ocupada por seu parente
mais próximo e maior de idade; caso contrário, deveria ser formada
uma Regência Provisória, constituída por ministros e conselheiros
de Estado. Como não havia nenhum parente próximo de Pedro II
apto a assumir a Regência à época, deu-se início à chamada
Regência Trina Provisória, que, por sua vez, tinha a missão de
eleger a Regência Trina Permanente.
Regências Trinas:
• A Regência Trina Provisória foi composta por Nicolau Pereira
Campos Vargueiro, José Joaquim Carneiro de Campos e Francisco
Lima da Silva e durou apenas dois meses. Foram os regentes
provisórios que cuidaram da parte formal da abdicação de D. Pedro
I, que saiu do país em 13 de abril, e declararam D. Pedro II
oficialmente imperador do Brasil em 9 de abril.
• Em 3 de maio, houve a eleição para a Regência Permanente, como
mandava a lei. Em 17 de julho, aconteceu a efetivação do governo,
composta por José da Costa Carvalho (Marquês de Monte Alegre),
Francisco Lima e Silva e João Bráulio Muniz.
• Nessa fase da Regência, o Brasil passou por importantes reformas
institucionais com vistas à consolidação da unidade política e
territorial do país. Um exemplo dessas reformas foi a criação da
Guarda Nacional, que substituiu as antigas milícias regionais e
passou a atuar pontualmente em cada província a fim de manter a
ordem nos municípios e, se fosse o caso, proteger fronteiras sob o
comando do Exército.
• O próprio Exército passou por uma reorganização geral, recebendo
maior apoio técnico e material. Houve também a criação do Código
de Processo Criminal, em 1832, que teve a função de dar
processualidade ao Código Criminal, aprovado em 1830.
Regências unas de Feijó e Araújo Lima:
• A Regência Trina Permanente só teve fim após a eleição que
determinou a confiabilidade do comando do Império a um só
regente, em 1835. Esse ato também possibilitou a descentralização
do poder, dando mais autonomia a algumas elites provinciais – fato
que desagradava a oposição de tendência conservadora e
centralizadora.
• O primeiro regente a ocupar o cargo sozinho foi o padre Diego
Antônio Feijó, que venceu seu principal rival, Holanda Cavalcanti.
Feijó ficou no poder até 1838, quando renunciou ao cargo. À
renúncia de Feijó seguiram novas eleições para o cargo da Regência,
cujo resultado foi favorável ao conservador Araújo Lima. Foi sob a
regência de Araújo Lima que estouraram as chamadas Revoltas
Provinciais, como a Balaiada, a Sabinada, a Cabanagem e a
Revolução Farroupilha.
Fim do Período Regencial com o Golpe da Maioridade:
• A Regência de Araújo Lima teve fim em 1840 com uma subversão
parlamentar da Constituição de 1824, conhecida como o Golpe da
maioridade, que possibilitou a D. Pedro II, então com 15 anos de
idade, assumir o trono imperial.

Segundo Reinado
Introdução:
• A coroação de D. Pedro II ocorreu por meio do Golpe da
Maioridade, em 1840.
• Os dois partidos que controlavam a política brasileira eram o Partido
Liberal e o Partido Conservador.
• O sistema político brasileiro ficou conhecido como
“parlamentarismo às avessas”.
• Na economia, o café estabeleceu-se como nosso principal produto,
e, entre 1840 e 1860, aconteceu um período de prosperidade
conhecido como Era Mauá.
• A abolição da escravatura foi resultado de uma intensa mobilização
popular e política aliada com a resistência realizada pelos escravos.
Concretizou-se com a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de
1888.
• A Guerra do Paraguai foi um divisor de águas na história do
Segundo Reinado. Nesse conflito, o Brasil envolveu-se em uma luta
contra o Paraguai entre 1864-1870.
• Os militares foram o grupo de maior envolvimento com a
Proclamação da República no Brasil. A proclamação de fato foi
realizada por José do Patrocínio em 15 de novembro de 1889.
Contexto e fases do Segundo Reinado:
• O Segundo Reinado iniciou-se em 1840 por meio do Golpe da
Maioridade. Por meio desse movimento, os políticos brasileiros,
pela via dos liberais, anteciparam a maioridade de D. Pedro II para
que ele pudesse assumir o trono. Isso aconteceu porque os liberais
queriam recuperar o poder que estava nas mãos dos conservadores
e porque acreditavam que a coroação do imperador colocaria fim
em todos os conflitos que se passavam no país.
• Assim foi iniciado o Segundo Reinado, período que se estendeu por
49 anos e que pode ser dividido da seguinte maneira:
• Consolidação (1840-1850): quando o imperador estava no poder e
estabeleceu-o, a seu modo, sobre o país, colocando políticos e
províncias rebeldes sob seu controle.
• Auge (1850-1865): quando o poder do imperador era amplo e sua
posição estava consolidada.
• Declínio (1865-1889): quando surgem contestações contra a posição de
D. Pedro II, e a economia do país não ia bem.
Política do Segundo Reinado:
• No caso da política durante o Segundo Reinado, o primeiro destaque
a ser feito se dá pela atuação dos partidos políticos existentes. Os
dois partidos que atuaram na política brasileira nesse período
formaram-se durante o Período Regencial e eram conhecidos como
Partido Conservador e Partido Liberal.
• A disputa pelo poder realizada por conservadores e liberais era
intensa e tinha impactos negativos para a política brasileira, pois
gerava muita instabilidade. A saída encontrada pelo imperador foi
promover uma política de revezamento em que conservadores e
liberais alternavam-se na liderança do gabinete ministerial. Isso
reduziu um pouco os conflitos.
• Ambos partidos tinham leves diferenças de posição ideológica e de
classe em que se apoiavam. Conservadores eram partidários de uma
grande centralização do poder nas mãos do imperador, enquanto
os liberais defendiam uma maior autonomia local para as
províncias. Conservadores sustentavam-se na “aliança da burocracia
com o grande comércio e a grande lavoura de exportação”, e os
liberais, em “profissionais liberais urbanos unidos à agricultura de
mercado interno”.
• Apesar disso, uma crítica muito forte à atuação dos dois partidos e
que já era realizada na época é a de que as divergências entre os
liberais e conservadores eram quase inexistentes. Também se dizia,
à época, que não havia nada mais parecido com um conservador do
que um liberal no poder.
• A distribuição do poder durante o Segundo Reinado acontecia de
forma que o imperador tivesse amplos poderes na política. O
imperador representava pessoalmente o Poder Moderador e estava
à frente do Executivo. No Executivo também constava o Conselho
de Estado. No caso do Legislativo, destacam-se os cargos de
senador e deputado.
• Por fim, da política brasileira, um último e importante destaque a
ser mencionado é o que ficou conhecido como parlamentarismo às
avessas. O Brasil funcionava como uma monarquia parlamentarista
na qual o imperador interferia na política sempre que fosse
necessário para garantir seus interesses. Assim, se fosse eleito um
primeiro-ministro que não lhe agradasse, ele o destituía, e se a
Câmara tomasse medidas que não lhe agradassem, ela era
dissolvida.
Economia do Segundo Reinado:
• Em termos econômicos, o grande destaque vai para a economia
cafeeira, que se consolidou durante o Segundo Reinado como o
principal meio de produção da economia brasileira. As zonas
produtoras de café do Brasil nesse período foram três: Vale do
Paraíba (RJ/SP), Oeste Paulista (SP) e Zona da Mata (MG).
• A produção do café aconteceu (primeiramente no Vale do Paraíba)
utilizando-se, principalmente, de trabalhadores escravizados.
Inclusive, à medida que o número de escravos foi sendo reduzido no
país, as regiões produtoras de café tornaram-se grandes
compradoras de escravos. O Oeste Paulista utilizou, a princípio, a
mão de obra escrava, mas, ao longo da década de 1880, essa foi
substituída pelos imigrantes que passaram a chegar em grande
volume no país.
• Outro momento importante da economia brasileira, durante o
Segundo Reinado, foi o de grande crescimento econômico marcado
por algum desenvolvimento industrial: a Era Mauá. Tal
prosperidade econômica aconteceu entre 1840-1860, e nela as
receitas do Brasil aumentaram quatro vezes.
• O crescimento econômico desse período é muito atribuído ao
reflexo do fim do tráfico negreiro no país por meio da Lei Eusébio
de Queirós, de 1850. Com essa lei, o tráfico negreiro foi proibido, e
todos os recursos, que antes eram utilizados na aquisição de
escravos, passaram a servir para outros investimentos. As
exportações do país aumentaram, e o investimento em estradas de
ferro, por exemplo, aumentou bastante.
Abolição da escravatura:
• Durante o Segundo Reinado, a abolição da escravatura foi um dos
temas centrais e alvo de debates acalorados nos meios políticos. O
ponto de partida para que a abolição fosse decretada no Brasil foi a
Lei Eusébio de Queirós, decretada em 1850 e que estipulava a
proibição do tráfico negreiro no país.
• Com essa lei, a abolição era questão de tempo, uma vez que era o
tráfico que mantinha o elevado número de escravos no Brasil.
Iniciou-se aqui uma transição lenta e gradual, na qual o objetivo da
elite econômica do país era postergar a abolição tanto quanto fosse
possível. Durante esse período de transição, foram decretadas
diversas leis, como a Lei de Terras, Lei do Ventre Livre e Lei dos
Sexagenários.
• A abolição da escravatura aconteceu em 13 de maio de 1888,
quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea. O fim da escravidão
foi resultado de uma intensa mobilização popular e da ação dos
escravos rebelando-se contra essa instituição.
Guerra do Paraguai:
• Um acontecimento marcante na história do Segundo Reinado foi a
Guerra do Paraguai, conflito travado entre 1864 e 1870. Nessa
guerra, Brasil, Argentina e Uruguai, por meio da Tríplice Aliança,
lutaram contra o Paraguai, governado nessa época por Francisco
Solano López. O Brasil venceu esse conflito, mas suas consequências
para a economia do país e para a monarquia foram ruins.
• O conflito foi resultado do choque de interesses territoriais,
econômicos e políticos entre as nações da Bacia Platina (Paraguai,
Uruguai, Argentina e Brasil). O combate iniciou-se quando os
paraguaios aprisionaram uma embarcação brasileira, no final de
1864, e encerrou-se em 1870, quando o ditador paraguaio foi morto
na Batalha de Cerro Corá.
Fim da monarquia:
• O marechal Deodoro da Fonseca liderou as tropas que derrubaram
o Gabinete Ministerial em 15 de novembro de 1889.
• O fim da monarquia no Brasil foi resultado do desgaste dessa forma
de governo com os interesses da elite política e econômica do país.
Sua queda ocorreu por meio de seu rompimento com três
importantes grupos do país: a Igreja (fator menos relevante), o
Exército e a elite escravocrata.
• O grupo que teve maior envolvimento com esse fim foi o Exército.
Insatisfeito com a monarquia desde o fim da Guerra do Paraguai, os
militares começaram a conspirar contra ela. Assim, em 15 de
novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, liderando
tropas militares, destituiu o Gabinete Ministerial, e, no decorrer
desse dia, José do Patrocínio proclamou a República no Brasil.

Idade Média
Introdução:
• A Idade Média é o nome do período da história localizado entre os
anos 476 e 1453. Ficou marcada na Europa.
• A Idade Média iniciou-se com a desagregação do Império Romano
do Ocidente, no século V. Isso deu início a um processo de mescla
da cultura latina, oriunda dos romanos, e da cultura germânica,
oriunda dos povos que invadiram e instalaram-se nas terras que
pertenciam a Roma, na Europa Ocidental.
• Desse período destacam-se o processo de ruralização que a Europa
viveu entre os séculos V e X; o fortalecimento da Igreja Católica; a
estruturação do sistema feudal, não apenas economicamente mas
também política e socialmente. A partir do século XI, o
renascimento urbano e comercial abre caminho para a crise do
século XIV, que determina o fim da Idade Média.
Quando começou e quando terminou a Idade Média?
• A Idade Média é assim chamada dentro de uma periodização,
estipulada pelos historiadores, que a determina entre os anos de
476 e 1453.
• O que estipula o início da Idade Média é a destituição de Rômulo
Augusto do trono romano, em 476, e o que estipula seu fim é a
conquista de Constantinopla pelos otomanos, em 1453.
• A Idade Média é dividida pelos historiadores em duas grandes fases,
que são:
• Alta Idade Média: século V ao século X;
• Baixa Idade Média: século XI ao século XV.
• Durante a Alta Idade Média, a Europa passava pelas transformações
derivadas da desagregação do Império Romano e o feudalismo
estava em formação. A Baixa Idade Média foi o período auge do
feudalismo e no qual a Europa começou a sofrer transformações
oriundas do renascimento urbano e comercial.
Por que o nome “Idade Média”?
• O nome Idade Média foi uma invenção dos renascentistas. Uma das
primeiras menções a essa época como “tempo médio”.
• O sentido por trás dessa nomenclatura era pejorativo, uma vez que,
na visão dos renascentistas, a Idade Média teria sido um tempo
marcado pela interrupção da tradição clássica, isto é, greco-
romana. Nessa perspectiva, tal tradição estava sendo retomada na
época deles, inclusive, por isso, eles chamaram seu próprio período
de “renascimento”.
• Eles acreditavam estar vivendo um momento de renascimento
intelectual, científico e artístico. Isso nos leva a concluir que, na
ótica renascentista, a Idade Média era um período ruim, de atraso
e de interrupção no progresso humano. Outros grupos, conforme
seus interesses, teciam suas críticas a essa Idade, sempre a taxando
como “ignorante”.
• Essa visão negativa fez com que muitos a chamassem de “Idade das
Trevas”, um termo negativo e rechaçado pelos historiadores.
Feudalismo:
• O feudalismo é o termo que usamos para toda organização social,
política, cultural, ideológica e econômica que existiu na Europa
durante a Idade Média. Esse conceito explica a estruturação da
sociedade da Europa Ocidental, e a organização que ele representa
existiu, na sua forma clássica, entre os séculos XI e XIII,
aproximadamente.
• Do século V ao século X, o feudalismo estava em processo de
estruturação, uma vez que as relações políticas características da
vassalagem estavam em formação, o poder da Igreja Católica
estabelecia-se aos poucos, e a ruralização e feudalização da Europa
desenvolviam-se.
• Do século XI ao século XIII, o feudalismo estava no seu auge,
sobretudo nas regiões que hoje correspondem à Alemanha, à
França, e ao norte da Itália e da Inglaterra. A partir do século XIV, o
sistema feudal entra em decadência, uma vez que a Europa
urbanizava-se e o comércio ganhava importância.
• No feudalismo, os castelos eram um importante centro de poder,
pois neles viviam os senhores feudais.
• No aspecto econômico, podemos dizer que o feudalismo era um
sistema baseado na produção agrícola e na exploração servil dos
camponeses. Com o fim do Império Romano, a Europa Ocidental
ruralizou-se e as pessoas empobrecidas passaram a estabelecer-se
nas cercanias de grandes propriedades rurais, à procura de comida
e proteção. Dessa situação criou-se a relação de dependência entre
o senhor feudal e o camponês.
• O senhor feudal, dono das terras, permitia que o camponês ficasse
nelas, desde que este cultivasse-as e entregasse parte do que tinha
sido produzido àquele. O camponês era sujeito a uma série de
tributos a serem pagos aos senhores feudais, tais como a corveia, a
talha e a banalidade. O senhor feudal, por sua vez, tinha como
obrigação proteger aqueles instalados em sua propriedade.
• No âmbito religioso, a Igreja Católica era dona de grande influência,
uma vez que seu poder chegava a atingir decisões do poder secular.
A Igreja também elaborava a construção ideológica que justificava
as desigualdades do mundo feudal. Na visão estipulada por ela, e
abraçada pela nobreza, os servos cumpriam seu papel por uma
designação divina.
• A relação de suserania e vassalagem existente entre reis e nobres
medievais era uma das principais formas de organização política na
Idade Média.
• A sociedade feudal era estamental, isto é, dividida em classes com
funções muito bem definidas, e na qual a ascensão social era
bastante difícil. Nela existiam três grandes classes sociais:
• Nobreza (bellatores): classe privilegiada, detentora de terras, que tinha
como função, dentro da ideologia medieval, proteger a sociedade;
• Clero (oratores): membros da Igreja Católica que cumpriam funções
religiosas. Também era uma classe privilegiada, uma vez que a Igreja
detinha riqueza, poder e terras;
• Camponeses (laboratores): grupo empobrecido que sustentava a
sociedade feudal por meio de seu trabalho e dos altos impostos que
pagava.
• No aspecto político, a vassalagem era uma das grandes
manifestações do feudalismo. Essa estrutura surgiu por volta do
século VIII e estabelecia as relações de poder entre rei e nobres de
cada reino.
• Por meio da vassalagem, o rei (suserano) e os nobres (vassalos)
realizam um acordo estabelecendo laços de fidelidade entre si. Os
vassalos recebiam um feudo (terra) e tinham como obrigação
auxiliar o seu suserano na execução da justiça, na administração do
reino e na guerra, se necessário.
Principais acontecimentos:
• A Idade Média foi muito longa e, logicamente, impactada por
diferentes acontecimentos importantes para a história humana. A
Idade Média, em si, é fruto do fim do Império Romano do Ocidente,
após o qual uma série de reinos germânicos estabeleceu-se na
Europa Ocidental.
• O caso mais simbólico foi o dos francos, povo germânico que se
estabeleceu na Gália e formou um reino governado, primeiro, pelos
merovíngios e, depois, pelos carolíngios. Estes foram a primeira
grande dinastia a governar um reino na Europa, e, por meio de
Carlos Magno, seu principal rei, formaram um império com um
território bastante vasto.
• O surgimento do islamismo no século VII marcou um rompimento
do Ocidente com o Oriente, sobretudo quando os muçulmanos
conquistaram a Península Ibérica. O avanço muçulmano na Europa
só foi interrompido por Carlos Martel, em 732. Séculos depois, a
Igreja Católica encontrou na guerra contra os muçulmanos uma
forma de estender sua riqueza até o Oriente.
• A Inquisição foi um dos eventos mais importantes da Idade Média.
Nela, todos aqueles que não seguiam a doutrina da Igreja eram
perseguidos e mortos.
• As Cruzadas ocorreram do século XI ao século XII e mobilizaram
tropas cristãs contra os muçulmanos, na Palestina e no norte da
África. Ao todo foram nove cruzadas, sendo a primeira delas
convocada pelo Papa Urbano II, em 1095. A nona Cruzada foi
encerrada em 1272, e o objetivo inicial dos cristãos (conquistar
Jerusalém) não foi alcançado.
• Outros destaques que podem ser feitos sobre a Idade Média são o
Império Bizantino e o estabelecimento da Inquisição.
Fim da Idade Média:
• O fim da Idade Média tem relação com o renascimento urbano e
comercial que a Europa experimentou a partir do século XI. Novas
técnicas agrícolas permitiram o aumento da produção de víveres,
gerando um excedente que pôde ser comercializado. O aumento na
produção de alimentos garantiu um aumento populacional, mas
também do comércio e, consequentemente, da circulação de
moeda.
• Com o aumento populacional, o número de pessoas mudando-se
para as cidades aumentou e a quantidade de comerciantes ao redor
delas também. O século XIII intensifica esse processo de êxodo
rural, pois as produções agrícolas ruins fizeram com que muitos
buscassem sobreviver nas cidades.
• A Peste Negra causou a morte de cerca de 1/3 da população
europeia ao longo do século XIV.
• O século XIV é quando os historiadores estipulam a fronteira final da
Idade Média. Trata-se de um século de crise, caracterizado por
guerras que causaram destruição e geraram mais fome, e isso
resultou na Peste. O século XIV é marcado pela famosa Peste Negra
— surto de peste bubônica responsável pela morte de 1/3 da
população europeia ao longo desse período.
• A fome gerou grandes revoltas de camponeses, sobretudo a partir
do século XIII, e o crescimento urbano colocou fim no isolamento
feudal. Revoltas também aconteceram nas grandes cidades,
principalmente pela falta de empregos. Novas estruturas de poder
começaram a surgir, a organização política dos reinos modificou-se
e, assim, surgiram os Estados nacionais.
• O enfraquecimento do feudalismo e o fortalecimento do comércio
resultaram no mercantilismo. Quando Constantinopla cai e o
comércio com o Oriente fecha-se, a Europa volta-se para o Oeste. A
exploração do Oceano Atlântico abriu novas fronteiras e consolidou
o fim da Idade Média.

Cartologia
Introdução:
• Cartografia é a área do conhecimento geográfico dedicada ao
estudo e desenvolvimento de técnicas para a confecção e leitura
de mapas.
• É descrita, também, como um tipo de arte.
• Além dos mapas, os produtos da cartografia são globos terrestres,
planisférios e croquis.
• Divide-se em duas grandes áreas: cartografia temática e cartografia
sistemática.
• Suas funções são a representação gráfica da superfície terrestre ou
de parte dela, servindo de instrumento para estudos e para a
gestão, além de auxiliar na orientação e na localização.
• Alguns conceitos básicos da cartografia são: mapa, projeção
cartográfica, escala cartográfica e coordenadas geográficas.
• A cartografia é importante porque nos permite ter maior
conhecimento sobre a superfície terrestre e o lugar onde vivemos,
além de ser útil na gestão territorial e na vida cotidiana.
• O primeiro mapa conhecido foi elaborado há milhares de anos.
Desde então, a cartografia passou por uma série de aprimoramentos
que acompanharam a modernização das técnicas de informação e
da comunicação.
• A cartografia contemporânea conta, hoje, com satélites, softwares
de geoprocessamento e equipamentos modernos que facilitam a
confecção de mapas e de outros produtos cartográficos.
O que é cartografia?
• A cartografia é uma área do conhecimento geográfico que se dedica
ao estudo e ao desenvolvimento de técnicas para a reprodução da
superfície terrestre e de diversos aspectos do espaço geográfico
em um plano reduzido, bem como para a leitura de mapas.
• É a disciplina que se ocupa com a arte, a ciência e a tecnologia da
produção de mapas.
Produtos cartográficos:
• Os produtos cartográficos, que são o resultado da aplicação das
técnicas da cartografia, são principalmente:
• Mapas;
• Globos terrestres;
• Planisférios;
• Croquis.
• Até algumas décadas atrás, esses produtos eram confeccionados
manualmente, motivo pelo qual a cartografia é descrita, também,
como uma arte. Com o desenvolvimento tecnológico dos meios de
comunicação, essa área do conhecimento passou a contar com
equipamentos modernos e recursos avançados como as
aerofotografias e as imagens de satélite, resultando em produtos
como mapas interativos e os aparelhos de GPS, que permitem a
localização e o acompanhamento de percursos em tempo real.
Tipos de cartografia:
• A cartografia é dividida em duas grandes áreas de acordo com o
enfoque e, principalmente, com tipo de informações representadas
nos seus respectivos produtos cartográficos.
• Cartografia temática
Esse tipo de cartografia ocupa-se da espacialização de diferentes
aspectos, fenômenos e dinâmicas que são próprias de determinado
recorte espacial, não se restringindo apenas às características físicas da
área. Através da cartografia temática é possível elaborar mapas contendo
informações sobre a população, a economia, a divisão administrativa, as
regiões, a cultura, a composição natural, os biomas, a infraestrutura e uma
miríade de outros assuntos passíveis de serem representados
espacialmente.
• Cartografia sistemática
As cartas topográficas são produto da cartografia sistemática.
Ocupa-se da representação de aspectos físicos de uma área por meio de
técnicas padronizadas. As características espacializadas por meio das
técnicas da cartografia sistemática se alteram em intervalos de tempo
muito extensos, demorando até mesmo eras geológicas para
apresentarem qualquer tipo de mudança. Por conta disso, os mapas da
cartografia sistemática têm alta durabilidade temporal.
Os produtos desse segmento da cartografia, como as cartas topográficas,
são utilizados em estudos e análises diversas a respeito da paisagem
natural e do espaço físico, além de apresentarem muitas finalidades
práticas para o planejamento e para a gestão territorial. Servem, também,
como base para a confecção de mapas temáticos por conterem
informações genéricas acerca de uma localidade.
Qual é a função da cartografia?
• A função principal da cartografia é a de representar graficamente a
superfície terrestre e de espacializar os diferentes fenômenos e
aspectos que lhe são característicos, servindo como um
instrumento importante para o estudo e para a melhor
compreensão do espaço geográfico. Atrelada a essa utilidade está a
aplicação da cartografia na gestão pública de territórios mediante o
uso de mapas tanto temáticos quanto topográficos.
• Tanto os mapas quanto os demais produtos cartográficos também
são empregados para a localização de referenciais e para os
deslocamentos na superfície terrestre, desempenhando a função de
ferramentas de localização.
Conceitos básicos da cartografia:
• Mapa – representação de toda a superfície terrestre (mapa-múndi)
ou de um recorte dela sobre uma superfície plana em escala
reduzida. Apresenta as características físicas da paisagem ou
diferentes aspectos do espaço geográfico.
• Projeção cartográfica – diferentes modelos de representação do
planeta Terra em uma superfície reduzida que pode ser plana,
cônica ou cilíndrica. É feita a partir das linhas imaginárias traçadas
sobre a superfície terrestre (paralelos e meridianos), podendo
apresentar algum tipo de distorção no produto final.
• Coordenadas geográficas – conjunto de linhas imaginárias traçadas
sobre a superfície terrestre e que nos indicam a latitude (paralelos)
e a longitude (meridianos) de qualquer ponto. Por meio delas é
possível saber a localização de um referencial no espaço.
• Escala cartográfica – proporção entre as dimensões de uma
superfície retratada em um mapa e as suas dimensões reais. Indica
o quanto uma área precisou ser reduzida para que ela pudesse ser
representada em um produto cartográfico.
Cartografia contemporânea:
• As imagens de satélite revolucionaram a cartografia e
modernizaram as técnicas de confecção de mapas.
• A cartografia contemporânea surgiu com a modernização das
técnicas de captação de imagens, que permitiram o
aperfeiçoamento da produção de mapas e da análise do espaço
através da cartografia. Essa inovação se deu a partir do século XX
com o surgimento da aerofotogrametria, que consistia na obtenção
de imagens aéreas da superfície com o uso de uma câmera
fotográfica acoplada a um balão.
• A técnica da aerofotogrametria foi incrementada mediante o
surgimento dos radares, dispositivos estes muito utilizados nos
grandes conflitos bélicos que aconteceram na primeira metade do
século em questão, em especial durante a Segunda Guerra Mundial.
Depois disso, o surgimento dos satélites capazes de realizar a
captação de imagens determinou uma nova etapa na cartografia
contemporânea, marcada pelo advento do Sensoriamento Remoto
e do geoprocessamento.
Qual é a importância da cartografia?
• A importância da cartografia reside no fato de essa área da ciência
geográfica nos proporcionar as ferramentas e as técnicas para o
melhor conhecimento da superfície da Terra e, mais precisamente,
do espaço em que estamos inseridos. Todas as dinâmicas que
individualizam o lugar onde vivemos e as suas características
naturais (clima, relevo, vegetação, geologia, biodiversidade), junto
dos aspectos socioeconômicos, podem ser representadas em um
mapa.
• Com o uso dos produtos cartográficos é possível que nos
desloquemos facilmente pela superfície, encontrando localidades,
pontos específicos e pessoas, o que reforça a importância da
cartografia, e mais precisamente dos produtos cartográficos, na vida
cotidiana dos indivíduos.
• A cartografia ajuda a entender as dinâmicas do clima de um
território.
• Mais do que isso, a cartografia prática é fundamental para a gestão
territorial e para o manejo de áreas, permitindo sua aplicação em
trabalhos como o planejamento e o zoneamento urbanos, análise
de uso e ocupação do solo, monitoramento de fenômenos naturais
no meio urbano, manejo de bacias hidrográficas, identificação de
problemas ambientais e outras formas de uso.
História da cartografia:
• A história da cartografia é tão antiga quanto o desenvolvimento
científico da humanidade. Saber a sua posição na superfície através
da observação dos astros foi um dos primeiros passos para o
surgimento de mapas, que datam de milhares de anos antes do
presente.
• O mais antigo deles é conhecido como Ga-Sur, encontrado na região
que era conhecida como Mesopotâmia na Antiguidade e onde,
hoje, se situa o Iraque. Confeccionado em argila por volta do ano de
2000 a.C., esse mapa mostra o mundo como era conhecido até
então pelos povos antigos, retratando a Assíria, a Babilônia e a
Armênia.
• Assim como o mapa de Ga-Sur, a maioria das cartas que mostram o
mundo antigo são originárias da Ásia. Esse continente deu enorme
contribuição para a cartografia e, principalmente, para a observação
e a navegação pela superfície terrestre com o auxílio de
instrumentos como o astrolábio e a bússola. A cartografia foi,
também, bastante aprimorada pelos gregos antigos, dos quais se
destacam Erastótenes (275-194 a.C.), que calculou com alto grau de
precisão a circunferência do planeta Terra, e Claudio Ptolomeu (90-
186 d.C.).
• Ptomoleu se debruçou sobre inúmeros temas que são, hoje, muito
relevantes na ciência geográfica, entre os quais está a orientação no
espaço. Por conta do uso de cálculos para o desenvolvimento de
projeções cartográficas e de mapas, diz que Ptolomeu foi um dos
pioneiros na sistematização da cartografia. Ele foi, aliás, o
responsável pela produção de um dos primeiros mapas-múndi,
conhecido como o Globo de Ptolomeu.
• Avançando na linha do tempo, o século XVI trouxe importantes
avanços na ciência cartográfica com a combinação de mapas, de
cartas de navegação e de bússolas para a exploração da superfície
terrestre. Esse período foi o das Grandes Navegações. Foi, também,
nesse mesmo intervalo de tempo que Ortelius (1527-1598)
confeccionou o primeiro atlas, que é chamado de Theatrum Orbis
Terrarum.
• De lá para cá, como vimos anteriormente na seção sobre o período
contemporâneo, a cartografia avançou lado a lado com as
tecnologias da informação e da comunicação, sendo hoje parte
essencial da nossa vida cotidiana.

Climatologia
Introdução:
• A climatologia geográfica é uma ciência voltada para o estudo do
tempo atmosférico no decorrer de longos intervalos temporais.
Sua principal função é prever e determinar o comportamento
climático de uma certa região e entender como isso interfere nas
interações sociais das variadas espécies vivas.
• O desenvolvimento desse ramo científico começou no Mundo
Antigo. Existem evidências, por exemplo, de que estudiosos gregos
como Aristóteles e Hipócrates já se dedicaram a estudar os
fenômenos climáticos.
• Posteriormente, com o aparecimento das teorias heliocêntricas, os
teóricos passaram a procurar a influência dos astros sobre os
modos de vida e sobrevivência nos diferentes ambientes que
conheciam. Por fim, os estudos evoluíram e são de grande
importância para a sociedade atual.
• De certa forma, por exemplo, a climatologia pode aparecer em
termos da influência no aperfeiçoamento da agricultura: as
estações do ano, os comportamentos do tempo atmosférico, o
local ideal para o plantio de determinadas espécies, entre outros
pontos importantes para a subsistência humana.
O que é clima?
• O clima é definido a partir da média das condições atmosféricas de
um local, em um intervalo longo de tempo, que fica por volta de 20
anos. Para determinar o tipo climático, utilizam-se elementos como
a temperatura, a umidade relativa do ar e a pressão atmosférica.
• Alguns fatores da localização determinam o desempenho do clima.
• Latitude
A latitude é a distância da região até a linha do Equador. Por meio dela, o
mapa é dividido em paralelos, os círculos que demarcam o globo terrestre.
Conforme a localização se afasta do marco equatorial, mais frio se torna o
clima, o que permite a criação de zonas climáticas.
Tudo isso se baseia no grau de inclinação dos raios solares em cada zona
representada. De forma que na linha do Equador, a incidência da luz é
perpendicular e permite maior uniformidade para o clima.
Por outro lado, nas regiões mais distantes da geosfera, ocorre uma maior
inclinação dos feixes luminosos solares e isso influencia na temperatura
mais gélida desses locais.
• Altitude
A altitude é uma medida utilizada para determinar a distância em altura
até o nível do mar. Ou seja, na praia a altitude é baixa, enquanto nas
grandes montanhas, como o Everest, ela atinge a casa dos milhares.
Assim como a latitude, a altitude interfere na temperatura da região.
Quanto mais alto é o lugar, mais frio ele é. Por isso, é muito comum ver
fotos e representações de grandes montanhas com neve acumulada no
cume — ideia que ilustra os baixos níveis termométricos do lugar.
• Maritimidade
A maritimidade é uma grandeza geográfica que determina a proximidade
da região de corpos d’água. Conforme as características físicas e químicas
do H2O, esse composto atua como um regulador térmico eficiente.
Isso é um fato porque quando uma área está próxima de rios, lagos e
mares, a amplitude térmica ao longo do ano é menor do que em zonas
secas. Por exemplo, na região amazônica, devido a presença da umidade
do rio, as temperaturas são pouco variáveis ao longo do ano.
• Continentalidade
Em oposição ao conceito de maritimidade, a continentalidade indica um
distanciamento relevante das regiões hídricas. A ausência da água como
regulador térmico influencia numa variação de temperatura maior ao
longo do tempo.
Por essa razão, nesses locais a amplitude térmica tende ser grande.
Imagine um deserto, por exemplo, a falta d’água determina um calor
acentuado nos períodos diurnos e uma noite extremamente fria — esse é
um grande modelo de localização e continentalidade.
• Correntes marítimas
As correntes marítimas são corpos d’água que se deslocam dentro do
mar. De uma maneira específica, cada corrente consegue se juntar em um
fluxo direcionado de água em meio ao ambiente marinho.
Uma analogia seria imaginar um rio de água salgada que corre sozinho no
meio do oceano. Nesse caso, conforme viajam de uma localidade para
outra, as correntes influenciam na umidade e temperatura das regiões
litorâneas.
Por exemplo, as correntes de água fria favorecem a condensação dos
vapores de água e promovem a queda de chuvas no meio do oceano — o
que dificulta a chegada de nuvens às praias. Por isso, os litorais de água
fria apresentam baixa umidade relativa do ar, como a região do Atacama,
no Chile.
Em outro cenário, as correntes marítimas de água quente influenciam na
formação e “transporte” de nuvens até os litorais. Por essa razão os litorais
de água quente são úmidos, como acontece no Brasil.
• Massas de Ar
São corpos de ar que se transportam ao redor do globo terrestre.
Conforme as leis da física, o ar em movimento (popularmente chamado
de vento) se desloca de regiões com alta pressão atmosférica para zonas
de menor pressão.
Desse modo, os pontos onde a pressão da atmosfera é alta são chamados
de anticiclonais, ou seja, repelem o vento e repelem o ciclone. De maneira
análoga, os locais em que a pressão é baixa atraem as massas de ar e são
denominadas zonas ciclonais.
A dinâmica desses corpos do ar pode influenciar na determinação de
regiões mais úmidas ou mais secas. Em outros casos, elas também
indicam as estações do ano.

República da espada
Introdução:
• A República da Espada corresponde ao período inicial da Primeira
República Brasileira. A fase da Primeira República como um todo
corresponde ao período que se iniciou com a Proclamação da
República, em 1889, até a Revolução de 1930, que deu início à Era
Vargas. Já o período da República da Espada corresponde a um
período específico que abrange os governos dos militares Deodoro
da Fonseca e Floriano Peixoto.
Antecedentes:
• A República da Espada foi resultado da Proclamação da República,
que aconteceu em 15 de novembro de 1889. Esse evento levou ao
fim da monarquia no Brasil e deu início à experiência republicana.
Foi resultado da crescente insatisfação de diferentes atores políticos
do Brasil com a forma de governo monárquica.
• Questão religiosa: marcou o afastamento da Igreja e o Estado
depois que dois clérigos foram presos por desobediência civil;
• Questão militar: marcou o afastamento do Exército e o Estado em
virtude das insatisfações do exército e suas solicitações não
atendidas de melhoria salarial e melhoria no sistema de promoção;
• Questão escravocrata: marcou o afastamento dos escravocratas do
Vale do Paraíba e do Estado. Isso aconteceu depois que a Lei Áurea
foi aprovada em 13 de maio de 1888.
• Na década de 1880, a política brasileira vivia um estado de crise
permanente na qual o Império não conseguia atender as demandas
das diferentes forças políticas existentes: abolicionistas,
escravocratas, republicanos, federalistas etc. Isso fez com que
grupos defensores do republicanismo se organizassem e
conspirassem contra a monarquia brasileira.
• Essa conspiração resultou no golpe que levou à Proclamação da
República. Os republicanos, a partir da influência de Quintino
Bocaiuva sobre Deodoro da Fonseca, convenceram-no a liderar o
golpe contra a monarquia. Apesar de Deodoro da Fonseca ser um
monarquista, a sua insatisfação com a monarquia brasileira
convenceu-o a derrubar o gabinete de D. Pedro II. Deodoro da
Fonseca destituiu o gabinete ministerial no dia 15 de novembro, e as
negociações políticas do dia levaram José do Patrocínio a declarar a
Proclamação da República no Brasil.
Primeiros anos da República da Espada:
• Após a Proclamação da República, o marechal Deodoro da Fonseca
foi escolhido pelos republicanos para conduzir o Governo
Provisório, que administrou o Brasil enquanto as mudanças nas
instituições políticas aconteciam. O exército, condutor do golpe,
tomou de início algumas medidas em seu benefício.
• A Proclamação da República teve como resultado uma aproximação
das relações com Argentina (essa aproximação com a Argentina foi
curta) e Estados Unidos – duas grandes nações republicanas no
continente americano – e gerou o efeito inverso na Inglaterra, que
era uma nação representante do monarquismo.
• Durante o Governo Provisório, Rui Barbosa foi nomeado como
Ministro da Fazenda e, portanto, era responsável pela economia
brasileira. Rui Barbosa tomou ações que permitiram a criação de
sociedades anônimas e incentivou a emissão de papel-moeda,
permitindo que bancos privados a fizessem. O resultado foi
desastroso e levou à especulação, falência de empresas,
desvalorização da moeda brasileira e alta da inflação.
• Essa crise econômica ficou conhecida como Encilhamento e
estendeu-se durante todo o período inicial da Primeira República,
sendo solucionada somente por volta de 1897 durante o governo de
Prudente de Morais (1894-1898). A crise econômica brasileira
esteve inserida dentro do quadro de crise econômica do
capitalismo, que se estendia desde 1873.
O governo de Deodoro da Fonseca e a Constituição de 1891:
• Durante o período em que esteve como presidente no Governo
Provisório, as medidas autoritárias de Deodoro da Fonseca
chamaram a atenção de determinados grupos políticos do Brasil,
que se mobilizaram para redigir uma nova Constituição para o país.
Para isso, uma Assembleia Constituinte foi formada.
• Essa Constituinte nomeou cinco pessoas responsáveis pela redação
do novo documento. Uma vez escrita, a nova Constituição foi
revisada por Rui Barbosa e encaminhada para apreciação dos
membros da Constituinte. A nova Constituição foi aprovada em 24
de fevereiro de 1891 e substituiu a Constituição (de 1824) do
período da Monarquia.
• A Constituição de 1891 tinha como principais pontos:
• Republicanismo: naturalmente foi decretado o republicanismo
como forma de governo do Brasil;
• Presidencialismo: o chefe máximo do Executivo seria o presidente
elegido em eleições livres e diretas. O presidente eleito cumpriria
um mandato de 4 anos;
• Foram estabelecidos os três poderes: Executivo, Legislativo e
Judiciário. Além disso, instituições do período monárquico, como o
Poder Moderador, foram abolidas;
• Para o sistema eleitoral brasileiro, foi determinado o sufrágio
universal masculino para maiores de 21 anos alfabetizados.
Mulheres, analfabetos e soldados rasos não tinham direito ao voto;
• Federalismo: foi estabelecido o federalismo como forma de
governo, o que concedia bastante autonomia para os estados
brasileiros. Permitia aos estados realizar empréstimos, organizar
força militar própria, arrecadar seus próprios impostos etc.
• Depois da promulgação da nova Constituição, foram realizadas
eleições indiretas, que ratificaram Deodoro da Fonseca como
presidente brasileiro e Floriano Peixoto como seu vice em fevereiro
de 1891. O marechal Deodoro da Fonseca manteve sua postura
autoritária, o que fez com que o presidente entrasse em choque
com o Congresso.
• A disputa levou o presidente a tomar mais medidas autoritárias
(como decretar o fechamento do Congresso) para reforçar o seu
poder. No entanto, grupos políticos da oposição reagiram e forçaram
o presidente a renunciar em 23 de novembro de 1889. Por lei, era
necessária a realização de novas eleições, uma vez que o presidente
não estava ocupando o cargo por dois anos (conta-se a partir das
eleições de fevereiro de 1891), no entanto, Floriano Peixoto
assumiu como presidente brasileiro.
Governo de Floriano Peixoto:
• A posse de Floriano Peixoto somente aconteceu porque o Partido
Republicano Paulista – principal força política do Brasil na época –
garantiu a sucessão para Floriano. Isso aconteceu porque os
paulistas queriam estabilizar o regime republicano e impedir que
os monarquistas tomassem o poder. A visão política de Floriano,
ainda que moderada, visava a uma nação centralizada em um
governo encabeçado pelos militares.
• Durante seu mandato, duas grandes rebeliões aconteceram no
Brasil e colocaram a ordem republicana em risco. As ações tomadas
por Floriano Peixoto na contenção de ambos os movimentos
renderam-lhe o apelido de “marechal de ferro”. Essas revoltas
foram a Revolução Federalista e a Revolta da Armada:
• Revolução Federalista (1893-1895): foi uma disputa entre grupos
políticos pelo poder no Rio Grande do Sul. O grupo que recebeu
oposição do governo foi o dos liberais, que defendiam a
implantação do parlamentarismo no Brasil. A Revolução Federalista
espalhou-se para Santa Catarina e Paraná e resultou na morte de 10
mil pessoas, com vitória do grupo apoiado pelo governo, os
federalistas.
• Revolta da Armada (1893-1894): a Revolta da Armada foi uma
rebelião de grupos monarquistas da Marinha, que tentavam
derrubar o governo de Floriano. Os rebeldes invadiram
embarcações de guerra e abriram fogo contra o Rio de Janeiro.
Posteriormente se uniram aos liberais da Revolução Federalista em
combates em Santa Catarina e Paraná. A derrota dos rebeldes
enfraqueceu definitivamente o monarquismo no Brasil.
• O governo de Floriano Peixoto estendeu-se até 1894, quando
ocorreu a transição para os governos civis. O político paulista
Prudente de Morais foi eleito presidente e deu início ao período
conhecido como República Oligárquica (1894-1930).

República oligárquica
Em resumo:
• Com a proclamação da República, em 1889, inaugurou-se um novo
período na história política do Brasil: o poder político passou a ser
controlado pelas oligarquias rurais, principalmente as oligarquias
cafeeiras. Entretanto, o controle político exercido pelas oligarquias
não aconteceu logo em seguida à proclamação da República – os
dois primeiros governos (1889-1894) corresponderam à chamada
República da Espada, ou seja, o Brasil esteve sob o comando do
exército. Marechal Deodoro da Fonseca liderou o país durante o
Governo Provisório (1889-1891). Após a saída de Deodoro, o
Marechal Floriano Peixoto esteve à frente do governo brasileiro até
1894.
• No ano de 1894, os grupos oligárquicos, principalmente a oligarquia
cafeeira paulista, estavam articulando para assumir o poder e
controlar a República. Os paulistas apoiaram Floriano Peixoto.
Dessa aliança surgiu o candidato eleito nas eleições de março de
1894, Prudente de Morais, filiado ao Partido Republicano Paulista
(PRP). A partir de então, o poder político brasileiro ficou restrito às
oligarquias agrárias paulista e mineira, de 1894 a 1930, período
conhecido como República Oligárquica. Assim, o domínio político
presidencial durante esse intervalo de tempo prevaleceu entre São
Paulo e Minas Gerais, efetivando a política do café-com-leite.
• Durante o governo do presidente Campo Sales (1898-1902), a
República Oligárquica efetivou o que marcou fundamentalmente a
Primeira República: a chamada política dos governadores, que se
baseava nos acordos e alianças entre o presidente da República e os
governadores de estado, que foram denominados Presidentes de
estado. Estes sempre apoiariam os candidatos fiéis ao governo
federal; em troca, o governo federal nunca interferiria nas eleições
locais (estaduais).
• Esse apoio ficou conhecido como coronelismo: o título de coronel
surgiu no período imperial, mas com a proclamação da República os
coronéis continuaram com o prestígio social, político e econômico
que exerciam nas vizinhanças das localidades de suas propriedades
rurais. Eles eram os chefes políticos locais e exerciam o
mandonismo sobre a população.
• Os coronéis sempre exerceram a política de troca de favores,
mantinham sob sua proteção uma enorme quantidade de afilhados
políticos, em troca de obediência rígida. Geralmente, sob a tutela
dos coronéis, os afilhados eram as principais articulações políticas.
Nas áreas próximas à sua propriedade rural, o coronel controlava
todos os votos eleitorais a seu favor (esses locais ficaram
conhecidos como “currais eleitorais”).
• Nos momentos de eleições, todos os afilhados (dependentes) dos
coronéis votavam no candidato que o seu padrinho (coronel)
apoiava. Esse controle dos votos políticos ficou conhecido como
voto de cabresto, presente durante toda a Primeira República, e foi
o que manteve as oligarquias rurais no poder.
• Durante a Primeira República, o mercado tinha o caráter
agroexportador e o principal produto da economia brasileira era o
café. No ano de 1929, com a queda da Bolsa de Valores de Nova
York, a economia cafeeira brasileira enfrentou uma enorme crise,
pois as grandes estocagens de café fizeram com que o preço do
produto sofresse uma redução acentuada, o que ocasionou a maior
crise financeira brasileira durante a Primeira República.
• Na Revolução de 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder após um
golpe político que liderou juntamente com os militares brasileiros.
Os motivos do golpe foram as eleições manipuladas para
presidência da República, as quais o candidato paulista Júlio Prestes
havia ganhado, de forma obscura, em relação ao outro candidato, o
gaúcho Getúlio Vargas, que, não aceitando a situação posta,
efetivou o golpe político, acabando de vez com a República
Oligárquica e com a supremacia política da oligarquia paulista e
mineira.

Idade moderna
Introdução:
• A Idade Moderna foi um dos cinco períodos da história de acordo
com a periodização clássica. Estendeu-se de 1453 a 1789. Os marcos
que iniciaram e encerraram esse período na historiografia foram a
Queda de Constantinopla para os otomanos e a tomada da Bastilha
pela população parisiense.
• Nesse período ocorreu a transição do feudalismo para o
capitalismo, além de ter sido o período da consolidação do
absolutismo, embora também o início de sua queda por meio da
propagação dos ideais iluministas. A Reforma religiosa também foi
um acontecimento marcante desse período, pois contribuiu para
enfraquecer o poderio da Igreja.
Em resumo:
• A Idade Moderna foi um dos cinco períodos da história segundo a
periodização clássica.
• Estendeu-se de 1453 a 1789.
• Teve como marco inicial a Queda de Constantinopla pelos
otomanos.
• Encerrou-se com a tomada da Bastilha pela população parisiense.
• Foi o período de transição do feudalismo para o capitalismo.
• Foram aspectos marcantes da Idade Moderna:
• Absolutismo;
• Iluminismo;
• Reforma Protestante;
• Mercantilismo;
• Chegada dos europeus à América;
• Guerra das Rosas;
• Revolução Inglesa;
• Revolução Francesa;
• Guerra dos Sete Anos;
• Independência dos Estados Unidos;
• Inquisição;
• Renascimento;
O que é a Idade Moderna?
• A Idade Moderna foi um dos períodos da história de acordo com a
periodização clássica utilizada na historiografia. Esse período se
estendeu de 1453 a 1789, havendo marcos na historiografia que
delimitam o seu início e o seu fim. Eles foram estabelecidos por
serem considerados eventos significativos que trouxeram
transformações relevantes no longo prazo.
• O que marcou o início da Idade Moderna foi a conquista da cidade
de Constantinopla pelos otomanos, em 1453; já o que encerrou
esse período foi a Queda da Bastilha, evento que deu início à
Revolução Francesa, em 1789. Esse período também teve como
acontecimentos relevantes a expansão marítima europeia, o
colonialismo, o desenvolvimento mercantil, o absolutismo, o
iluminismo etc.
Principais acontecimentos da Idade Moderna:
• A Idade Moderna foi a fase de transição do feudalismo ao
capitalismo que se iniciou com o desenvolvimento do comércio por
meio do mercantilismo, baseado na abertura de rotas comerciais e
no colonialismo, que possibilitou a exploração dos recursos e de
seres humanos por parte dos europeus.
• Os novos recursos e a exploração oceânica contribuíram para a
mundialização do comércio, permitindo que essa burguesia
mercantil pudesse acumular capitais e utilizar esses recursos para
investir no desenvolvimento tecnológico que daria origem ao
maquinário industrial, que daria origem à indústria e, por
conseguinte, ao capitalismo.
• Esse também foi o período de consolidação do poder dos monarcas.
O fortalecimento do poder real fez com que os monarcas se
tornassem figuras com poder absoluto em seus reinos, dando
origem ao absolutismo. Com o absolutismo se consolidou o Estado
nacional moderno e sua estrutura administrativa (burocracia).
• Nesse período também se estabeleceu uma sustentação ideológica
que buscava justificar a concentração de poder dos monarcas.
Nomes como Jacques Bossuet e Thomas Hobbes estiveram nesse
grupo de intelectuais que justificavam o poder real. O grande
modelo de monarca absolutista foi o rei francês, Luís XIV, que
governou de 1643 a 1715.
• Durante a Idade Moderna, a burguesia se estabeleceu enquanto o
grupo social predominante. Sua ascensão se deu economica e
politicamente, pois o grupo alcançou o poder em países como
Inglaterra e França. A burguesia prosperou por meio do
mercantilismo e usou de sua riqueza para conquistar poder político.
• As disputas da burguesia com os monarcas e a nobreza levaram a
eventos significativos, como a Revolução Inglesa e a Revolução
Francesa. Esse grupo se apoiou nos ideais iluministas, surgidos no
século XVIII, como contraponto à concentração do poder real e ao
predomínio da fé na mentalidade europeia.
• Era defensor da limitação do poder real e da razão como forma de
garantir o progresso da sociedade. Isso levou ao fim do Antigo
Regime e, consequentemente, do absolutismo no continente
europeu. Além disso, esse foi o período de um grande evento que
abalou o predomínio da Igreja Católica. Trata-se da Reforma
Religiosa, responsável pelo surgimento do luteranismo, calvinismo
e anglicanismo.
Linha do tempo da Idade Moderna:
Eventos importantes da Idade Moderna:
• Absolutismo;
• Iluminismo;
• Reforma Protestante;
• Mercantilismo;
• Chegada dos europeus à América;
• Chegada dos europeus ao Brasil;
• Colonização da América;
• Guerra das Rosas;
• Revolução Inglesa;
• Revolução Francesa;
• Guerra dos Sete Anos;
• Humanismo;
• Conquista do Império Inca;
• Conquista do Império Asteca;
• Independência dos Estados Unidos;
• Inquisição;
• Renascimento;
Idade Moderna na historiografia:
• Entendemos que a Idade Moderna foi um período estabelecido na
historiografia como parte de uma periodização clássica. Foi o
período de transição do feudalismo para o capitalismo, e os marcos
que o iniciaram são apenas aproximativos e estabelecem momentos
de grandes transformações.
• No entanto, eles não estabelecem que a realidade se alterou
radicalmente de um ano para o outro, mas sim que mudanças se
iniciaram a partir deles e que, no longo prazo, elas geraram
transformações significativas. Além de transformações, existem as
permanências, isto é, características do período histórico anterior
que sobrevivem nas sociedades.
• A ideia de Idade Moderna e todos os marcos que a delimitam são
bastante eurocêntricos porque levam em consideração eventos que
impactaram diretamente na Europa. A ideia de uma Idade Moderna
também é europeia e se estabeleceu como uma necessidade de
alguns intelectuais de diferenciar sua época o medievo.
• No moderno havia um desejo por resgatar a herança cultural,
filosófica e intelectual da Antiguidade clássica. Todo o medievo,
que se estendeu do declínio greco-romano, no século V, ao resgate
cultural clássico, no século XV, ficou entendido como um tempo
médio que separava a Antiguidade clássica daqueles dias. Esse
tempo médio ficou entendido na historiografia como Idade Média,
e o novo período, marcado pelo resgate da cultura greco-romana,
ficou entendido como uma era moderna, portanto, a Idade
Moderna. A renovação cultural na Europa, em especial na Itália,
deu forma a essa concepção.
Geologia
Em resumo:
• A Geologia é uma ciência da natureza que se dedica ao estudo da
superfície e da estrutura interna da Terra, abrangendo os materiais
que a integram e os diferentes processos e dinâmicas evolutivas do
nosso planeta.
• Divide-se em diferentes áreas de estudo que se dedicam a temas
específicos, como Geofísica, Geoquímica, Geologia Ambiental,
Hidrogeologia, Mineralogia e outras.
• As faculdades de Geologia formam os bacharéis nessa área do
conhecimento, chamados de geólogos.
• O geólogo pode atuar em diversas áreas, que vão desde a
mineração e a petroquímica até a pesquisa acadêmica. Órgãos e
empresas estatais e muitas agências reguladoras também absorvem
esses profissionais.
O que é a Geologia?
• A Geologia é uma ciência da natureza que se dedica ao estudo e
compreensão da superfície e da estrutura interna do planeta Terra,
abrangendo a composição e todas as dinâmicas e os processos que
condicionam a sua formação e transformação ao longo do tempo
geológico. A própria palavra “geologia” expressa o objeto de estudo
dessa importante área do conhecimento. O termo é derivado do
grego e significa “estudo da Terra” (geo = Terra; logos = ciência,
estudo).
O que a Geologia estuda?
• O principal objeto de estudo da Geologia é a estrutura do planeta
Terra, o que faz com que ela seja uma ciência muito abrangente.
Essa área do conhecimento se ocupa desde a composição
mineralógica das rochas que constituem a litosfera terrestre até os
processos evolutivos que condicionaram a atual configuração do
nosso planeta.
• É possível dizer que a Geologia estuda a história de formação e
evolução da Terra por meio das estruturas rochosas da superfície,
chamadas de estruturas geológicas, e dos diferentes tipos de
registros biológicos que são encontrados nessas formações e que
auxiliam a demarcar a passagem do tempo geológico e a
compreender as condições climáticas pretéritas (paleoclima) que
atuaram como fatores exógenos na sua constituição. Esses registros
biológicos são conhecidos como fósseis.
• Os processos endógenos e exógenos que condicionam a
transformação do planeta Terra são também objetos de estudo da
Geologia.
• Sismos e os movimentos das placas tectônicas, bem como suas
consequências na superfície, como falhamentos e fraturas nas
rochas;
• Atividade vulcânica;
• Deslizamentos de terra;
• Os fatores que condicionam a formação dos depósitos minerais, das
reservas de petróleo e a viabilidade prática e econômica de tais
recursos estão presentes nos estudos da Geologia.
• As propriedades dos materiais de que as rochas, os solos e outras
estruturas terrestres são compostos, como minerais, cristais e seus
respectivos elementos químicos, constituem, igualmente, objetos
de estudo da Geologia. É importante destacar ainda que essa área
do conhecimento aborda questões relacionadas ao substrato
oceânico e às águas subterrâneas, o que demonstra a amplitude da
ciência geológica.
Quais são as áreas de estudo da Geologia?
• A Geologia está subdividida em diversas áreas de estudo, que
contemplam desde o relevo da superfície até os fenômenos do
interior da Terra.
• A Geologia está dividida em diversas áreas de estudo que
compreendem temas e abordagens específicas, sendo tanto
disciplinas nos cursos superiores quanto em áreas de especialização
profissional.
• Geofísica: estudo das propriedades físicas do planeta Terra e dos
respectivos materiais e elementos que a constituem. Dentre essas
propriedades estão a radioatividade, magnetismo, calor interno e
propagação de ondas, por exemplo.
• Geoquímica: estudo da composição química dos diferentes
materiais que formam a Terra, o que é feito por meio da coleta de
material em campo e análise laboratorial.
• Geomorfologia: estudo das formas da superfície terrestre e dos
processos e agentes modeladores do relevo.
• Geotécnica: associada ao trabalho de engenharia e construção civil
mediante a aplicação dos conhecimentos dos demais campos na
Geologia para a análise da viabilidade dos terrenos para a execução
de obras e projetos. É chamada também de Geologia de
Engenharia.
• Geologia Ambiental: preocupa-se em solucionar problemas
ambientais decorrentes da ação antrópica.
• Geologia Urbana: é um dos ramos da Geologia Ambiental. É
voltada para a aplicação dos conhecimentos das demais áreas da
Geologia na solução de problemas decorrentes do crescimento das
cidades.
• Geologia Econômica: estudo das jazidas minerais — englobando
sua composição, formação e evolução —, da legislação associada à
sua exploração enquanto recurso mineral e seu potencial
econômico.
• Geologia Estrutural: estudo da estrutura das rochas e identificação
de problemas ou distorções como dobras e falhas.
• Geologia Marinha: estudo do assoalho oceânico e das estruturas
geológicas presentes no fundo dos oceanos, bem como das
variações do nível do mar.
• Hidrogeologia: estudo das águas subterrâneas, o que compreende
desde a análise da existência de reservas e aquíferos até a avaliação
da qualidade dessas águas, viabilidade de uso e de construção de
estruturas para a sua extração.
• Mineralogia: estudo das propriedades químicas e físicas dos
minerais.
• Paleontologia: estudo dos fósseis e dos animais e plantas pré-
históricos.
• Petrologia: estudo das rochas em sua origem, formação, estrutura,
propriedades físicas e químicas e desenvolvimento.
• Sedimentologia: estudo da formação e estrutura dos depósitos
sedimentares.
• Sismologia: estudo das ondas sísmicas (origem, como se
propagam) e dos movimentos das placas tectônicas.
Termos importantes da Geologia:
• Rocha: material sólido formado por um conjunto de minerais
consolidados.
• Mineral: estrutura homogênea, sólida, composta por um ou mais
elementos químicos. Surgem por meio de processos inorgânicos
que acontecem na natureza.
• Solo: camada de material inconsolidado que recobre a litosfera.
• Litosfera: camada mais externa do planeta Terra, chamada também
de crosta. Composta por rochas e minerais.
• Fóssil: restos de formas de vida pretéritas, animal ou vegetal, que
foram preservadas em material rochoso.
• Tempo geológico: escala de tempo utilizada na Geologia para
analisar a história e o processo evolutivo do nosso planeta. Tem
início com a formação da Terra, há 4,6 bilhões de anos.
• Era geológica: uma subdivisão da escala de tempo geológico.
• Depósito sedimentar: áreas rebaixadas onde os sedimentos
provenientes de processos intempéricos físicos são depositados na
etapa final da erosão.
• Jazida mineral: depósitos naturais de minerais que podem conter
valor econômico.
• Estrutura geológica: estruturas rochosas da litosfera sobre as quais
o relevo da superfície é esculpido, sendo elas os escudos cristalinos,
as bacias sedimentares e os dobramentos modernos.
• Vertente: encosta de um morro, serra ou montanha.
• Assoalho oceânico: parte da litosfera que constitui o fundo rochoso
dos mares e oceanos.
• Placa tectônica: grandes blocos rochosos em que se divide a
litosfera.
• Sismo: terremoto, tremor de terra.
• Falha geológica: rupturas ou cisões que acontecem em blocos de
rochas.
• Dobramento: deformações nas rochas provocadas pela ação de
forças endógenas.
• Metamorfismo: processo de transformação das rochas que afeta a
sua estrutura física sob condições específicas de pressão e
temperatura.
• Intemperismo: desagregação física e/ou decomposição química ou
biológica das rochas.
Por que a Geologia é importante?
• A Geologia é importante porque por meio dela podemos conhecer
em detalhes o nosso planeta. É mediante os estudos das diferentes
áreas dessa ciência que tomamos conhecimento de como
aconteceu a evolução da Terra até o estágio atual, tomando nota
dos fenômenos pretéritos que influenciaram na sua configuração e
também das diferentes formas de vida que viveram no planeta ao
longo do tempo geológico.
• A ciência geológica nos permite ainda conhecer a composição
química e física da superfície terrestre, informações essas que
possuem grande valor prático e econômico quando pensamos na
análise das jazidas minerais e reservas petrolíferas e ainda na
avaliação de áreas destinadas a projetos de infraestrutura. A
importância da Geologia está aliada também à necessidade de
preservação do meio ambiente e recuperação de áreas devastadas
mediante a análise e compreensão dos fenômenos responsáveis
pela sua degradação.

Hidrografia
Introdução:
• A hidrografia é uma área da Geografia física que se dedica ao
mapeamento e estudo dos corpos hídricos do planeta Terra,
compreendendo as águas superficiais (rios, mares e lagos) e de
subsuperfície (aquíferos). Trata-se de uma disciplina muito
importante para o conhecimento da distribuição e o funcionamento
dos sistemas hídricos em diferentes escalas territoriais, tomando
como principal unidade de análise as bacias hidrográficas.
Em resumo:
• A hidrografia é uma área da Geografia física que se dedica ao estudo
da água do planeta Terra, realizando o mapeamento e a
caracterização das diferentes reservas de água bem como a forma
como se dá a sua distribuição e o seu uso.
• As etapas do ciclo da água bem como a sua ocorrência fazem parte
dos estudos da hidrografia.
• As bacias hidrográficas são importantes unidades de análise para a
hidrografia. Elas são formadas por um rio principal e seus afluentes,
com regime de drenagem próprio de cada uma das áreas
correspondentes.
• É desigual a distribuição de água pelo mundo, tanto no que diz
respeito aos reservatórios de água doce e salgada quanto à sua
ocorrência em cada um dos continentes e países.
• Apenas 2,5% da água contida na hidrosfera são doces. Dessa água
doce, a maior parcela se encontra retida nas geleiras e superfícies
congeladas.
• O mesmo acontece no Brasil, país que abriga 12% da água doce do
mundo. A maior parcela desse recurso se encontra na região Norte,
enquanto os menores volumes se concentram na região Nordeste.
• A hidrografia brasileira é estudada com base em 12 regiões
hidrográficas.
• A bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do Brasil e do
mundo. Seu rio principal, o Rio Amazonas, é o mais longo do
planeta.
O que é hidrografia?
• A hidrografia é uma área do conhecimento geográfico que se dedica
ao estudo da água presente no planeta Terra. Sendo parte da
Geografia física, a hidrografia é responsável pelo mapeamento e
caracterização dos diferentes corpos hídricos de superfície e de
subsuperfície, que são: rios; lagos; mares; geleiras; oceanos;
aquíferos.
• Integram as análises desse ramo da ciência geográfica também o
comportamento da água nos seus mais diferentes estados físicos e
a forma como ela circula pelo meio ambiente e entre os seres
vivos, o que corresponde ao processo que chamamos de ciclo
hidrológico ou ciclo da água.
• Outro objeto de estudo da hidrografia são as bacias hidrográficas,
que são importantes unidades de gestão dos recursos hídricos de
determinada localidade.
Ciclo da água:
• O ciclo da água é um processo fundamental para a manutenção da
vida no planeta Terra. Trata-se de um dos ciclos biogeoquímicos
que acontecem na natureza, marcado pelo movimento constante
da água entre a atmosfera e a superfície e subsuperfície terrestres,
onde circula entre os seres vivos e o meio físico (solos, rochas).
• O ciclo hidrológico, como também é chamado, é caracterizado pela
mudança de estado físico da água, e tem como principal fonte de
energia o calor emanado do Sol.
• Evapotranspiração: consiste no processo de evaporação das águas
superficiais como resultado do aquecimento pela energia
proveniente do Sol em conjunto com o processo de transpiração
das plantas e vegetais. A água no estado gasoso é transferida,
então, para a atmosfera.
• Condensação: quando o vapor d’água atinge camadas mais
elevadas e a sua temperatura é reduzida, ele retorna para o estado
líquido, o que caracteriza a condensação. É nessa etapa em que
acontece a formação de nuvens.
• Precipitação: consiste no retorno da água em seu estado líquido
(chuvas) ou sólido (neve ou granizo) para a superfície terrestre,
recarregando assim os cursos d’água e retornando para os oceanos
e mares.
• Infiltração e escoamento superficial: ambos são processos que
acontecem com a água na superfície terrestre. No primeiro deles, a
infiltração, a água entra no solo ou na rocha, preenchendo os
espaços vazios. Mediante a infiltração, acontece a recarga dos
aquíferos, que são as reservas subterrâneas de água. No caso de
rochas ou solos impermeáveis ou com baixa permeabilidade, o
fenômeno que acontece é o do escoamento superficial.

O que é bacia hidrográfica?


• Também chamada de bacia de drenagem, bacia hidrográfica é uma
área drenada por um rio principal, que dá nome à bacia, e os seus
afluentes e subafluentes. Essa área é delimitada pelo divisor de
águas, porções mais elevadas do relevo que as separam de outras
unidades de drenagem. Toda a água que entra nesse sistema por
meio das chuvas, principalmente, é drenada em direção a um
mesmo canal, que consiste no rio principal, cujo leito se encontra
na porção mais rebaixada da bacia.
• Nem sempre o rio principal de uma bacia hidrográfica deságua no
oceano. Quando isso acontece, as bacias são classificadas como
exorreicas. As bacias que deságuam em outros corpos hídricos no
interior do continente, sem saída para o oceano, são classificadas
como endorreicas. Existem ainda as bacias arreicas, cujas águas
desaparecem, e as criptorreicas, direcionadas para reservas
subterrâneas ou cavernas.
• A região delimitada pelo divisor de águas é composta por
ecossistemas próprios e também por cidades que são abastecidas,
na maioria das vezes, pelos corpos hídricos que compõem a bacia
de drenagem. Dessa forma, as bacias hidrográficas constituem
importantes unidades de gestão hídrica de uma região.
Principais bacias hidrográficas do mundo:
• Bacia Amazônica: localizada na América do Sul, tem área de
aproximadamente 7 milhões de km². Estende-se por seis países e
um território ultramarino europeu, a Guiana Francesa, estando a
sua maior área inserida no Brasil. O rio principal da bacia Amazônia
é o Rio Amazonas, considerado o mais longo e caudaloso do
mundo, com 6992 km de extensão.
• Bacia do Congo: apresenta área aproximada de 4 milhões de km²,
estendendo-se pela região da África Central. A bacia do Congo
compreende um total de dez países africanos, como Congo,
República Democrática do Congo, Gabão e Angola. Seu rio principal
é o rio Congo, segundo maior do continente africano, com
extensão de 4700 km.
• Bacia do Nilo: também localizada no continente africano, possui
3400 km² e se estende pelas regiões da África Setentrional e África
Oriental. Abrange países como Egito, Chade, Etiopia, Uganda e
Burundi, totalizando 13 territórios. O rio principal dessa bacia é o rio
Nilo, segundo mais longo do mundo, com extensão de 6650 km.
• Bacia do Mississippi: localizada na América do Norte, é a maior
bacia hidrográfica dos Estados Unidos. Sua área é de
aproximadamente 3000 km² e tem como rio principal o rio
Mississippi, o segundo mais longo a banhar o território
estadunidense, com 3766 km de extensão e percorrendo o país, de
norte a sul, a partir do estado de Minnesota até a Louisiana.
• Bacia Platina: localizada na porção sul da América do Sul, tem área
aproximada de 3000 km² e abrange os territórios brasileiro,
argentino, boliviano, uruguaio e paraguaio. Seu rio principal é o rio
Paraná, com 4500 km de extensão. Outros importantes rios sul-
americanos compõem essa bacia, como é o caso do rio Paraguai e
do rio Uruguai.
Hidrografia do mundo:
• A Terra é formada por 1,4 bilhão de km³ de água, o que equivale a
70% da superfície do nosso planeta. Esse volume total de água não
se alterou desde a sua formação, há bilhões de anos.
• Embora seja um volume muito grande de água, nem todo ele se
encontra disponível para o consumo humano. Isso acontece porque
a distribuição de água pelos diferentes reservatórios se dá de
maneira desigual, e somente 2,5% desse montante correspondem à
água doce, e os demais 97,5% são formados por reservatórios de
água salgada.
• Considerando os reservatórios de água doce, as geleiras
armazenam 68% de todo o volume disponível no mundo.
Aproximadamente 30% ficam em subsuperfície, como nos
aquíferos, e somente 0,3% da água doce presente no planeta Terra
está armazenado em reservatórios de superfície como rios, lagos e
pântanos.
• Um aspecto importante da hidrografia mundial que cabe ser
destacado é o fato de que a água potável não está distribuída de
forma homogênea entre os continentes e países. As Américas
concentram a maior parcela da água potável do mundo, que
corresponde a 45% do total, ao passo que é na África em que se
encontra a menor fatia de toda a água doce do planeta, de apenas
9%.
• Destaca-se, ainda, que os países desenvolvidos destinam quase
60% de suas águas para o uso industrial, enquanto nos países
subdesenvolvidos e nos países emergentes é o setor agrícola que
utiliza a maior parcela desse recurso: aproximadamente 80%.
Hidrografia do Brasil:
• O Brasil abriga 12% de toda a água potável disponível do mundo e
pouco mais de metade das reservas da América do Sul. Assim
como acontece no mundo, a água se encontra distribuída de
maneira desigual pelo território brasileiro, havendo maior
concentração nos estados da região Norte do país e volume menor
nos estados que compõem a região Nordeste.
• Caracterizada pela predominância dos rios em detrimento de lagos
e outros reservatórios superficiais, a hidrografia brasileira pode ser
analisada e compreendida com base nas 12 diferentes regiões
hidrográficas em que o território nacional se divide.
• Bacia Amazônica;
• Bacia do Tocantins-Araguaia;
• Bacia do São Francisco;
• Bacia do Parnaíba;
• Bacia do Paraná;
• Bacia do Uruguai;
• Bacia do Paraguai;
• Bacia do Atlântico Nordeste Ocidental;
• Bacia do Atlântico Nordeste Oriental;
• Bacia do Atlântico Leste;
• Bacia do Atlântico Sudeste;
• Bacia do Atlântico Sul;
Importância da hidrografia:
• A hidrografia é uma área do conhecimento importante para que se
tenha o pleno conhecimento da ocorrência e distribuição das águas
em determinado território, bem como da maneira como esses
diferentes corpos hídricos se comportam e interagem entre si. Com
isso é possível elaborar estudos multi e interdisciplinares que serão
importantes para diversas outras ciências e, ainda, para a execução
de projetos de engenharia e infraestrutura.
• A hidrografia é igualmente importante para a elaboração de
políticas e estratégias de gestão de bacias hidrográficas e dos
recursos hídricos em um município, região, estado e até mesmo
em um país.

Geografia ambiental
Introdução:
• A Geografia ambiental é uma disciplina, inserida tanto no campo da
Geografia física quanto no campo da Geografia humana, que se
dedica ao estudo do meio ambiente e das relações estabelecidas
entre os seres humanos e a natureza. Essa área do conhecimento
geográfico analisa como a sociedade transforma o meio natural e
se utiliza dos recursos nele presentes, avaliando os impactos
provocados pelas atividades antrópicas no equilíbrio ambiental e
as suas consequências nos âmbitos socioeconômico e geopolítico.
Em resumo:
• A Geografia ambiental é uma área da ciência geográfica que estuda
o meio ambiente e as interações entre os seres humanos e a
natureza, bem como os problemas ambientais e suas implicações
socioeconômicas e geopolíticas.
• Está inserida tanto no campo da Geografia física quanto no campo
da Geografia humana.
• Utiliza conceitos importantes como desenvolvimento sustentável,
sustentabilidade, meio ambiente, ecossistema e biodiversidade.
• É importante para a compreensão de como as ações humanas
transformam a natureza e impactam o equilíbrio do meio
ambiente, gerando consequências em maior ou menor escala para
a sociedade e para a sua manutenção.
O que a Geografia ambiental estuda?
• A Geografia ambiental é uma subárea da ciência geográfica que se
dedica ao estudo e compreensão do meio ambiente e das
interações estabelecidas entre a sociedade e a natureza. Embora
esse seja o objeto de estudo da Geografia de modo geral, o enfoque
ambiental visa compreender como as ações humanas interferem
no equilíbrio ecossistêmico e alteram as diferentes esferas do
planeta Terra (atmosfera, hidrosfera, biosfera e litosfera), jogando
luz nos impactos causados por essa correlação ser humano-
natureza e nas suas consequências sociais, (geo)políticas e
econômicas.
• Não podemos nos esquecer de que os estudos da Geografia
ambiental abrangem, ainda, a organização da comunidade
internacional para debater temas de extrema importância para a
manutenção do nosso planeta e, principalmente, para a tomada de
decisões coordenadas acerca das mudanças climáticas e da
degradação ambiental, bem como das suas consequências para a
sociedade e o meio ambiente no médio e longo prazo.
• Na maioria das vezes, esses tópicos se conectam com temas
referentes à Geopolítica, à Geografia econômica e a outras
importantes áreas das ciências humanas e da natureza, como a
Ecologia, o que faz com que a Geografia ambiental adquira caráter
interdisciplinar, seja dentro do escopo da própria Geografia, seja
em contato com outras áreas do conhecimento.
Conceitos importantes da Geografia ambiental:
• Meio ambiente: conjunto de elementos naturais e dos processos
biológicos e físico-químicos que permitem a existência e a
manutenção da vida no planeta Terra. Do ponto de vista da ciência
geográfica, o conceito de meio ambiente é mais abrangente, e
compreende o espaço natural (inalterado pela ação dos seres
humanos) e o espaço geográfico (meio dinâmico que está sujeito à
ação constante dos seres humanos).
• Sustentabilidade: princípio que defende a utilização racional dos
recursos naturais, de modo que eles satisfaçam as necessidades do
presente sem causar danos ao meio ambiente e estejam
disponíveis, também, para as gerações futuras.
• Desenvolvimento sustentável: modelo de desenvolvimento
econômico, social e político que, ao mesmo tempo em que atende
as necessidades da sociedade e dos agentes econômicos do
presente, não compromete o equilíbrio ambiental e a
disponibilidade de recursos naturais para as gerações do futuro.
• Ecossistema: conjunto formado por fatores bióticos (plantas,
animais, fungos, bactérias etc.) e fatores abióticos (água, rochas,
radiação solar, solo, atmosfera) que interagem entre si em
determinado espaço físico e formam um sistema em que há a
trocas constantes de matéria e de energia.
• Biodiversidade: conjunto formado por todos os seres vivos (fauna e
flora) em uma localidade.
• Problemas ambientais: desequilíbrios causados em uma ou mais
esferas ambientais que causam prejuízos diretos para a
biodiversidade e para os seres humanos. Podem ter causas
naturais, mas os principais problemas ambientais têm origem nas
atividades antrópicas.
Importância da Geografia ambiental:
• A Geografia ambiental é uma disciplina de grande importância
prática e acadêmica. Por meio de seu estudo, é possível
conhecermos de maneira aprofundada a biodiversidade do planeta
Terra e os diferentes ecossistemas que nele estão presentes, além
de compreendermos as dinâmicas das esferas terrestres e a
maneira como elas interagem. Dessa forma, a Geografia ambiental
nos proporciona análises sobre o papel dos seres humanos na
transformação da natureza e sobre os impactos positivos e
negativos que a ação antrópica provoca, bem como seus efeitos na
sociedade.
• Os conhecimentos adquiridos com base na Geografia ambiental
permitem que tenhamos maior consciência sobre os problemas
ambientais que acometem o nosso planeta, sendo possível ampliar
o debate e, principalmente, a ação em direção a um modelo de
desenvolvimento mais sustentável.
Geografia ambiental no Brasil:
• O Brasil é detentor de uma das maiores biodiversidades do mundo,
proporcionada pela grande variedade climática e paisagística do
país. Ao todo, seis biomas, com aspectos de fauna e flora bastante
distintos, coexistem no território nacional, sendo eles:
• Amazônia;
• Caatinga;
• Cerrado;
• Pantanal;
• Mata Atlântica;
• Pampas.
• O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades do mundo,
detendo a maior parcela da Floresta Amazônica e da água doce da
América do Sul.
• Os recursos naturais são, também, encontrados em abundância no
território brasileiro. A água doce é o principal deles, sendo o Brasil
abrigo da maior parcela da água potável da América do Sul. Outros
importantes elementos naturais utilizados e/ou extraídos do meio
para fins econômicos no país são os solos, minério de ferro,
petróleo, gás natural, ouro, cobre e recursos biológicos, que
incluem elementos da fauna e da flora brasileiras.
• A intensificação das atividades industriais, a urbanização e a
expansão da fronteira agrícola no Brasil, principalmente a partir da
segunda metade do século XX, levaram a uma ampliação dos
problemas ambientais no país, em especial o desmatamento e a
perda de biodiversidade.
• A Mata Atlântica é hoje o bioma mais devastado do Brasil, tendo
somente 24% de sua cobertura original. Preocupa também as
elevadas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, as
quais têm impacto direto na dinâmica dos ecossistemas e do clima
local, além de afetar a população brasileira e até mesmo o
desenvolvimento das atividades econômicas.
História da Geografia ambiental:
• O meio ambiente e a ação dos seres humanos sobre ele,
transformando o espaço natural em espaço geográfico, sempre
foram a temática central dos estudos da Geografia. Entretanto, em
um primeiro momento, a abordagem que a ciência geográfica fazia
do meio ambiente era majoritariamente descritiva da natureza e de
seus fenômenos. O meio natural foi também incorporado nos
estudos geográficos como um objeto de reflexão filosófica acerca
da existência humana e do papel da natureza enquanto
fornecedora de recursos e de moradia.
• A Geografia ambiental como a conhecemos no presente se
desenvolveu a partir do século XX, especialmente com o surgimento
da corrente crítica do pensamento geográfico.
• A década de 1970 representou um marco nas discussões ambientais
em todo o mundo, provocando mudanças na maneira como o
pensamento geográfico se ocupava dessas questões. Foi durante
esse período que aconteceu a primeira conferência mundial sobre
o agravamento dos problemas ambientais ocasionados pela
intensificação da ação antrópica sobre o meio, em especial o
aquecimento global. Além disso, a década marcou o surgimento do
conceito de desenvolvimento sustentável, com base no qual uma
série de estratégias e políticas climáticas e ambientais foram
elaboradas em escala internacional.
• A Geografia ambiental está, hoje, incorporada nos ramos de estudo
da Geografia humana e da Geografia física, permeando a maior
parte dos temas pertinentes desse campo do conhecimento
científico.

Era Vargas
Introdução:
• Era Vargas foi um período iniciado em 1930, logo após a Revolução
de 1930, e finalizado em 1945 com a deposição de Getúlio Vargas.
• Nesse período da história brasileira, o poder esteve centralizado em
Getúlio Vargas, que assumiu como presidente do Brasil após o
movimento que depôs Washington Luís da presidência.
Em resumo:
• A Era Vargas foi o período de quinze anos da história brasileira que
se estendeu de 1930 a 1945 e no qual Getúlio Vargas era o
presidente do país. A ascensão de Vargas ao poder foi resultado
direto da Revolução de 1930, que destituiu Washington Luís e
impediu a posse de Júlio Prestes (presidente eleito que assumiria o
país).
• Ao longo desse período, Getúlio Vargas procurou centralizar o
poder. Muitos historiadores entendem o período 1930-1937 como a
“gestação” da ditadura de Vargas.
• Vargas também ficou marcado pela sua aproximação com as
massas, característica que se tornou muito marcante durante o
Estado Novo.
• Permaneceu no poder até 1945, quando foi forçado a renunciar à
presidência por causa de um ultimato dos militares. Com a saída de
Vargas do poder, foi organizada uma nova Constituição para o país e
iniciada outra fase da história: a Quarta República (1946-1964).
Características da Era Vargas:
• Centralização do poder
Ao longo de seus quinze anos no poder, Vargas tomou medidas para
enfraquecer o Legislativo e reforçar os poderes do Executivo. Essa
característica ficou evidente durante o Estado Novo.
• Política Trabalhista
Vargas atuou de maneira consistente no sentido de ampliar os benefícios
trabalhistas. Para isso, criou o Ministério do Trabalho e concedeu direitos
aos trabalhadores. Era uma forma de reforçar seu poder aproximando-se
das massas.
• Propaganda Política
O uso da propaganda como forma de ressaltar as qualidades de seu
governo foi uma marca forte de Vargas e que também ficou evidente
durante o Estado Novo a partir do Departamento de Imprensa e
Propaganda (DIP).
• Capacidade de negociação política
A capacidade política de Vargas não surgiu do nada, mas foi sendo
construída e aprimorada ao longo de sua vida política. Vargas tinha uma
grande capacidade de conciliar grupos opostos em seus governos, como
aconteceu em 1930, quando oligarquias dissidentes e tenentistas estavam
no mesmo grupo apoiando-lhe.
• Populismo
• Relação direta e não institucionalizada do líder com as massas;
• Defesa da união das massas;
• Liderança baseada no carisma;
• Sistema partidário frágil;
Transição de poder:
• A ascensão de Getúlio Dornelles Vargas à presidência aconteceu
pela implosão do modelo político que existia no Brasil durante a
Primeira República. Ao longo da década de 1920, inúmeras críticas
foram feitas ao sistema oligárquico que vigorava em nosso país,
sendo os tenentistas um dos movimentos de oposição de maior
destaque.
• A implosão da Primeira República concretizou-se de fato durante a
eleição de 1930. Nessa eleição, a oligarquia mineira rompeu
abertamente com a oligarquia paulista porque o presidente
Washington Luís recusou-se a indicar um candidato mineiro para
concorrer ao cargo. A indicação para presidente foi do paulista Júlio
Prestes.
• Isso desagradou profundamente à oligarquia mineira, uma vez que
a atitude do presidente rompia com o acordo existente entre as
duas oligarquias (Política do Café com Leite). Assim, os mineiros
passaram a conspirar contra o governo e, aliando-se às oligarquias
paraibana e gaúcha, optaram por lançar um candidato para
concorrer à presidência: Getúlio Vargas.
• A disputa eleitoral travada entre Júlio Prestes e Getúlio Vargas teve
como desfecho a vitória do primeiro. No entanto, mesmo
derrotados, membros da chapa eleitoral de Vargas (chamada
Aliança Liberal) começaram a conspirar para destituir Washington
Luís do poder (Vargas, porém, havia aceitado a derrota).
• Essa conspiração tornou-se rebelião de fato quando João Pessoa,
vice de Getúlio Vargas, foi assassinado em Recife por João Dantas.
O assassinato de João Pessoa não tinha nenhuma relação com a
eleição disputada, mas o acontecido foi utilizado como pretexto
para que um levante militar contra Washington Luís fosse iniciado.
• A revolta iniciou-se em 3 de outubro de 1930 e estendeu-se por três
semanas. No dia 24 de outubro de 1930, o presidente Washington
Luís foi deposto da presidência. Uma junta militar governou o Brasil
durante 10 dias e, em 3 de novembro de 1930, Getúlio Vargas, que
aderiu à rebelião quando ela estava em curso, assumiu a
presidência do Brasil.
Fases da Era Vargas:
• Os historiadores dividem a Era Vargas em três fases: Governo
Provisório (1930-34), Governo Constitucional (1934-37) e Estado
Novo (1937-1945).
• Governo Provisório (1930-34):
O governo provisório, como o próprio nome sugere, deveria ter sido uma
fase de transição em que Vargas rapidamente organizaria uma Assembleia
Constituinte para elaborar uma nova Constituição para o Brasil. Getúlio
Vargas, porém, nesse momento, já deu mostras da sua habilidade de se
sustentar no poder, pois adiou o quanto foi possível a realização da
Constituinte.
Nessa fase, Vargas já realizou as primeiras medidas de centralização do
poder e, assim, dissolveu o Congresso Nacional, por exemplo. A demora
de Vargas em realizar eleições e convocar uma Constituinte teve impactos
em alguns locais do país, como São Paulo, que se rebelou contra o
governo em 1932 no que ficou conhecido como Revolução
Constitucionalista de 1932.
O movimento foi um fracasso e, após a sua derrota, Getúlio Vargas
atendeu as demandas dos paulistas, nomeando para o estado um
interventor (governador) civil e nascido em São Paulo, além de garantir a
realização de uma eleição em 1933 para compor a Constituinte. Dessa
Constituinte, foi promulgada a Constituição de 1934.
A nova Constituição foi considerada bastante moderna para a época e
trouxe novidades, como o sufrágio universal feminino (confirmando o que
já havia sido estipulado pelo Código Eleitoral de 1932). Junto da
promulgação da nova Constituição, Vargas foi reeleito indiretamente para
ser presidente brasileiro entre 1934 e 1938. Após isso, um novo
presidente deveria ser eleito.
Nessa fase, a política econômica de Vargas concentrou-se em combater
os efeitos da Crise de 1929 no Brasil. Para isso, agiu comprando milhares
de sacas de café e incendiando-as como forma de valorizar o principal
produto da nossa economia. Nas questões trabalhistas, autorizou a
criação do Ministério do Trabalho em 1930 e começou a intervir
diretamente na atuação dos sindicatos.
• Governo Constitucional (1934-1937):
Na fase constitucional, o governo de Vargas, em teoria, estender-se-ia até
1938, pois o presidente não poderia concorrer à reeleição. No entanto, a
política brasileira como um todo – o próprio Vargas, inclusive – caminhava
para a radicalização. Assim, surgiram grupos que expressavam essa
radicalização do nosso país.
• Ação Integralista Brasileiro (AIB): grupo de extrema-direita que
surgiu em São Paulo em 1932. Esse grupo possuía inspiração no
fascismo italiano, expressando valores nacionalistas e até mesmo
antissemitas. Tinha como líder Plínio Salgado.
• Aliança Libertadora Nacional (ANL): grupo de orientação comunista
que surgiu como frente de luta antifascista no Brasil e converteu-se
em um movimento que buscava tomar o poder do país pela via
revolucionária. O grande líder desse grupo era Luís Carlos Prestes.
A ANL, inclusive, foi a responsável por uma tentativa de tomada do poder
aqui no Brasil em 1935. Esse movimento ficou conhecido como Intentona
Comunista e foi deflagrado em três cidades (Rio de Janeiro, Natal e Recife),
mas foi um fracasso completo. Após a Intentona Comunista, Getúlio
Vargas ampliou as medidas centralizadoras e autoritárias, o que resultou
no Estado Novo.
Essa fase constitucional da Era Vargas estendeu-se até novembro de 1937,
quando Getúlio Vargas realizou um autogolpe, cancelou a eleição de 1938
e instalou um regime ditatorial no país. O golpe do Estado Novo teve
como pretexto a divulgação de um documento falso conhecido como
Plano Cohen. Esse documento falava sobre uma conspiração comunista
que estava em curso no país.
• Estado Novo (1937-1945):
O Estado Novo foi a fase ditatorial da Era Vargas e estendeu-se por oito
anos. Nesse período, Vargas reforçou o seu poder, reduziu as liberdades
civis e implantou a censura. Também foi o período de intensa propaganda
política e um momento em que Vargas estabeleceu sua política de
aproximação das massas.
No campo político, Vargas governou a partir de decretos-leis, ou seja, as
determinações de Vargas não precisavam de aprovação do Legislativo,
pois já possuíam força de lei. O Legislativo, por sua vez, foi suprimido e,
assim, o Congresso e as Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais
foram fechadas. Todos os partidos políticos foram fechados e colocados
na ilegalidade.
A censura instituída ficou a cargo do Departamento de Imprensa e
Propaganda (DIP), responsável por censurar as opiniões contrárias ao
governo e produzir a propaganda que ressaltava o regime e o líder. Para
fazer a propaganda do governo, foi criado um jornal diário na rádio
chamado “A Hora do Brasil”.
Durante esse período, também se destacou a política trabalhista,
destacando-se a criação do salário-mínimo (1940) e Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT) em 1943. Os sindicatos passaram para o controle do
Estado.
A participação brasileira na Segunda Guerra e o desgaste desse projeto
político autoritário enfraqueceram o Estado Novo perante a sociedade.
Assim demandas por novas eleições começaram a acontecer. Pressionado,
Vargas decretou para o fim de 1945 a realização de eleição presidencial e,
em outubro desse mesmo ano, foi deposto do poder pelos militares.

Revolução de Avis
Introdução:
• A Revolução de Avis ou Crise de 1383-1385 foi uma crise sucessória
ocorrida após a morte do monarca português Dom Fernando I.
Após seu falecimento dois grupos passaram a disputar o poder, o
grupo que defendia o reinado de Leonor Teles, viúva do rei
Fernando I, e as tropas que apoiaram João, conhecido como Mestre
de Avis, irmão bastardo de Fernando I.
• Na época da Revolução de Avis a Europa enfrentava a Guerra dos
Cem Anos, e as duas potências beligerantes, Inglaterra e França,
tomaram partido na Revolução de Avis. Os ingleses apoiaram
militarmente as tropas de João, Mestre de Avis. Já os franceses
apoiaram as tropas de Leonor, que, de fato, eram lideradas pelo
monarca castelhano.
• A Revolução de Avis terminou com a vitória das tropas de João de
Avis, garantindo a independência de Portugal em relação à Espanha
e selando os laços políticos entre Portugal e Inglaterra.
Em resumo:
• A Revolução de Avis ou Crise de 1383-1385 foi uma crise sucessória
ocorrida após a morte do monarca português Dom Fernando I.
• A Revolução de Avis marcou o fim da dinastia afonsina, também
chamada de dinastia de Borgonha, e a ascensão da dinastia de Avis.
• Com a morte de Fernando I, Leonor Teles passou a ser a regente de
Portugal.
• Leonor recebeu o apoio da nobreza portuguesa, dos castelhanos e
da França.
• Dom João I de Castela forneceu a maior parte das tropas que
lutaram contra o Mestre de Avis.
• A burguesia portuguesa, as camadas populares de Portugal e a
Inglaterra defenderam o reinado de João, Mestre de Avis.
• A Batalha de Aljubarrota marcou o fim da Revolução de Avis. Ela
terminou com a derrota castelhana e com a coroação de João como
João I de Portugal.
• A Revolução de Avis aproximou o monarca da burguesia comercial
portuguesa, criando as bases para a Expansão Marítima.
• A revolução também consolidou a aliança entre portugueses e
ingleses que perdura ainda hoje.
Antecedentes históricos da Revolução de Avis:
• O processo de formação de Portugal ocorreu de forma
concomitante com a Reconquista da Península Ibérica e também
está atrelado aos acontecimentos da Espanha no período. Em 1096,
Henrique de Borgonha recebeu terras do chamado “Condado
Portucalense” do rei Afonso VI, de Leão e Castela.
• Henrique recebeu o condado como prêmio por sua participação na
Guerra De Reconquista e se casou com uma das filhas do rei Afonso
VI. Sendo conde do Condado Portucalense, Henrique devia
obediência ao rei espanhol.
• Em 1112, Henrique de Borgonha faleceu, gerando uma disputa pelo
trono entre sua esposa, a rainha Teresa de Leão, e seu filho, Dom
Afonso Henriques. A rainha recebeu apoio de tropas de Leão e
Afonso Henriques de tropas portuguesas.
• Em 1127, tropas do rei de Leão invadiram Portugal, cercando
Afonso Henriques e suas tropas no castelo de Guimarães. Afonso
Henriques havia se recusado a prestar homenagem ao rei de Leão,
Afonso VII. Após um longo cerco os espanhóis deixaram Portugal
sem conseguir capturar Afonso Henriques.
• As tropas espanholas que apoiavam a rainha Teresa de Leão foram
finalmente derrotadas na Batalha de Mamede, ocorrida em 1128.
• Logo após a vitória, Afonso Henriques passou a negociar com a
Igreja Católica, que arbitrava as disputas internacionais na época, a
autonomia de Portugal em relação a Leão. Afonso Henriques e as
tropas eram importantes para a Igreja Católica, pois eram
fundamentais na luta contra os muçulmanos na Península Ibérica.
Em 1139 os portugueses comandados por Afonso Henriques
venceram os muçulmanos na Batalha de Ourique e, em seguida,
Afonso se declarou Rex Portugallensis, ou rei dos portugueses.
• Em 5 de outubro de 1143 foi assinado o Tratado de Zamora, em que
o rei Afonso VII de Leão reconheceu a independência de Portugal e
a autoridade do seu primo, Afonso Henriques, como rei de
Portugal. Em 1179, através de uma bula papal, o Vaticano
reconheceu Portugal como um reino independente em relação a
Leão. Afonso Henriques é considerado o primeiro rei de Portugal e
deu origem à dinastia afonsina.
Quais são as causas da Revolução de Avis?
• A Revolução de Avis ocorreu em consequência de uma crise
sucessória após a morte de Dom Fernando I, em 1383, que iniciou
em Portugal um período chamado de “interregno”, ou seja, período
no qual Portugal não teve um monarca reconhecido em todo
território.
Como aconteceu a Revolução de Avis?
• Crise da Dinastia
Dom Fernando I se casou com Leonor Teles e com ela teve uma filha,
chamada Beatriz, única herdeira do trono. Quando Dom Fernando I
faleceu, em 1383, sua filha Beatriz tinha apenas 11 anos, e pela lei do
período Beatriz só poderia assumir o trono aos 14 anos. Até lá, Leonor
Teles, sua mãe, deveria governar como regente.
A rainha Leonor Teles era apoiada pelo Reino de Castela, do qual recebeu
apoio militar para governar Portugal. Ela também tinha o apoio de grande
parte da nobreza portuguesa. A proximidade da rainha regente com os
espanhóis incomodou a burguesia lusitana e as camadas populares que
viram a autonomia política de Portugal ameaçada. Assim, com a
aproximação da rainha Leonor com o reino de Castela, parte da população
portuguesa passou a apoiar a coroação de João, Mestre de Avis, como rei
de Portugal. João era filho ilegítimo do rei Dom Pedro I de Portugal e de
sua amante, Teresa Lourenço. Dessa forma ele era meio-irmão de
Fernando I. A Inglaterra, adversária de Castela, apoiou esse grupo durante
a Revolução de Avis.
Em 1384 a cidade de Lisboa foi cercada por terra e mar por tropas
castelhanas. Lisboa era cercada por uma grande muralha que possuía
dezenas de torres. Após quase seis meses de cerco as tropas castelhanas
deixaram a região de Lisboa depois que uma doença matou parte dos
seus soldados.
Em agosto de 1385 ocorreu uma batalha decisiva na Revolução de Avis, a
Batalha de Aljubarrota, vencida pelos portugueses. Derrotados, os
espanhóis deixaram as terras portuguesas. Em abril de 1385, João,
Mestre de Avis, foi coroado como João I de Portugal. Sua ascensão
marcou o início da dinastia de Avis, que perdurou até 1580, sendo a
dinastia reinante em Portugal na época da chegada dos portugueses ao
Brasil.
• Batalha de Aljubarrota
A Batalha de Aljubarrota é considerada uma das batalhas mais
importantes da história de Portugal, ocorrendo em 14 de agosto de 1385.
Ela foi travada entre tropas de João, Mestre de Avis, que teve como
comandante militar Dom Nuno Álvares Pereira e que recebeu apoio de
tropas inglesas, e tropas de João I de Castela, que recebeu apoio da
França e de Aragão.
Na batalha, os portugueses, em menor número, ocuparam uma posição
defensiva no alto de uma colina. Fossos, paliçadas e zonas de estrepes
foram construídos para a defesa lusitana. Os castelhanos chegaram ao
local da batalha de manhã e iniciaram o ataque no final da tarde contra a
cavalaria francesa. Parte da cavalaria francesa foi barrada pelo sistema
defensivo criado pelos portugueses, e poucos cavaleiros entraram em
combate com a linha de frente portuguesa, sendo todos eles mortos ou
capturados pelos lusitanos.
Os castelhanos então passaram a atacar com sua força principal, subindo a
colina em direção às tropas portuguesas e recebendo uma chuva de
flechas dos arqueiros ingleses. As flechas desorganizaram as tropas
castelhanas, e os portugueses partiram para o ataque, derrotando os
castelhanos, que se retiraram do campo de batalha.
Qual a importância da Revolução de Avis?
• A Revolução de Avis garantiu a independência de Portugal em
relação à Espanha. Essa independência durou durante toda a
dinastia de Avis, que se encerrou em 1580, com a União Ibérica.
• A revolução também deu poderes para a burguesia comercial
portuguesa, que passou a receber apoio do monarca. A chegada da
dinastia de Avis ao poder também marcou uma mudança na política
expansionista, voltando-se para o ultramar, iniciando oficialmente a
Expansão Marítima portuguesa em 1415, com a Conquista de
Ceuta.
• João I de Portugal, o Mestre de Avis, governou por 48 anos, sendo
ainda hoje o monarca que por mais tempo governou Portugal.
Quais foram as consequências da Revolução de Avis?
• A primeira consequência da Revolução de Avis foi a aliança formada
entre portugueses e ingleses, aliança que perdurou por todo o
Período Moderno e Contemporâneo. Em 1386, portugueses e
ingleses assinaram o Tratado de Windsor, que estabeleceu uma
aliança política e militar entre os dois países, sendo considerado o
tratado internacional em vigor mais antigo do mundo.
• Outra consequência da Revolução de Avis foi a expansão marítima
portuguesa. Desde o governo de João I a dinastia de Avis passou a
financiar a expansão marítima, investindo na construção de
portos, estaleiros e na conquista de novos territórios na África. Foi
no governo de João I que Ceuta foi conquistada, além de Portugal
ter descoberto as ilhas da Madeira, Açores e Canárias. Foi durante a
dinastia de Avis que Vasco da Gama chegou à Índia, em 1498, e que
a expedição de Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, em 1500.

Biosfera
Introdução:
• A biosfera é a camada da Terra que reúne todos os ecossistemas
existentes. Ela corresponde ao local onde são encontrados os seres
vivos.
• O termo biosfera deriva do grego bíos, vida e sfaira, esfera, ou seja,
é a esfera da vida.
• A ecosfera é sinônimo de biosfera, ambos os termos referem-se à
camada da Terra habitada pelos seres vivos. Entretanto, ecosfera é
mais utilizado para dar ênfase nas inter-relações entre os seres
vivos e o ambiente e suas condições.
Características:
• Acredita-se que a espessura da biosfera não seja superior a 19 km.
É dentro desse limite que são encontradas as condições ambientais
favoráveis para a sobrevivência dos seres vivos.
• Assim, a biosfera abrange desde a mais profunda região dos
oceanos até a mais elevada altitude onde possa existir vida.
• A biosfera se relaciona com as outras camadas do planeta Terra.
Todas as camadas estão relacionadas entre si:
• Litosfera: é a camada sólida, formada pelo solo e rochas;
• Hidrosfera: é a camada líquida, formada pelos rios, lagos e
oceanos;
• Atmosfera: é a camada gasosa;
• Biosfera: é a camada habitada pelos seres vivos que integra os
ambientes terrestre, aéreo e aquático.
Divisão da biosfera:
• A biosfera é o conjunto de todos os ecossistemas. Ela pode ser
dividida em categorias menores, chamadas biociclos. Cada biociclo
é composto por diferentes biomas.
• Epinociclo: é a porção terrestre da biosfera. Formado pelos biomas
terrestres como as florestas, savanas, campos e desertos, além dos
seres vivos que habitam esses ambientes;
• Talassociclo: é a porção aquática marinha da biosfera. É formado
pelos oceanos e seres vivos que o habitam.
• Limnociclo: é a porção constituída por água doce. É formado pelos
rios, riachos, córregos e lagos, como pelos seres vivos encontrados
nesses ambientes.
Relação entre o homem e a biosfera:
• As atividades humanas são as que mais afetam o equilíbrio da
biosfera. Com isso, todas as relações existentes são prejudicadas,
dando origem aos desequilíbrios ambientais.
• Visando diminuir os efeitos da degradação ambiental, foi criado o
programa "O Homem e a Biosfera", da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
• Esse programa atua internacionalmente, e, objetiva a criação de
áreas protegidas, denominadas de Reservas da Biosfera.
• Nessas áreas são realizadas pesquisas científicas e experimentação
de atividades voltadas à sustentabilidade dos recursos naturais.
• Atualmente, existem 669 Reservas da Biosfera em todo o mundo.
No Brasil, são sete: da Mata Atlântica, do Cinturão Verde de SP, do
Cerrado, do Pantanal, da Caatinga, da Amazônia Central e da Serra
do Espinhaço (MG).

República liberal
Em resumo:
• Governo Dutra (1946-1951): Foi marcado pela adoção de uma nova
constituição em 1946 e pela política econômica de valorização do
café, mas também pelas restrições ao desenvolvimento industrial e
ao sindicalismo. Compreende a transição do Brasil da ditadura
Vargas para a democracia e as tensões iniciais da República
Populista.
• Governo Vargas (1951-1954): Este foi o segundo mandato de
Getúlio Vargas como presidente e ficou marcado pelo nacionalismo,
pela criação da Petrobras e pelo desenvolvimento industrial, mas
também pelas crises políticas que culminaram em seu suicídio.
Vargas tentou adaptar suas políticas trabalhistas e nacionalistas a
um contexto democrático.
• Governo JK (1956-1961): O mandato de Juscelino Kubitschek é
conhecido pelo plano "50 anos em 5", com grande impulso à
industrialização e à modernização infraestrutural, incluindo a
construção de Brasília. Esse período é crucial para o crescimento
econômico do Brasil, a urbanização acelerada e o desenvolvimento
da indústria automobilística.
• Quadros e Goulart (1961-1964): Estes dois presidentes, cada um
com um estilo próprio de governança, tentaram reformas
substanciais e seguiram uma política externa independente, mas
enfrentaram forte resistência política, culminando na renúncia de
Quadros e no golpe militar contra Goulart. Caracteriza a crescente
polarização política e social que levou ao fim da República
Populista.
• Antecedentes do Golpe de 1964: As tensões políticas, sociais e
econômicas que culminaram no golpe militar de 1964, incluindo o
papel dos Estados Unidos na política latino-americana durante a
Guerra Fria. O fim da democracia e o início de uma ditadura militar
de duas décadas no Brasil.
República Liberal Populista:
• A República Populista é geralmente considerada a fase da história
brasileira que vai do fim do Estado Novo em 1945 até o golpe
militar em 1964. Este período é caracterizado por uma série de
governos que se esforçavam para estabelecer uma relação mais
direta com as massas populares, utilizando-se de estratégias de
comunicação e políticas que visavam atender às demandas
populares para ganhar e manter o apoio político.
• Dentro da República Populista, podemos distinguir o período
conhecido como República Liberal, que vai de 1945 até 1961.
Durante este período, o Brasil foi governado por presidentes eleitos
democraticamente, e a Constituição de 1946 estabeleceu um
sistema político liberal democrático. Este período também foi
marcado por um crescente urbanismo, industrialização e
diversificação da economia brasileira.
• Contudo, apesar das aparências de uma democracia liberal, este
período também foi caracterizado por um alto grau de instabilidade
política, com várias crises presidenciais e disputas políticas. Além
disso, embora a população brasileira tivesse ganhado o direito ao
voto, a realidade política era dominada por elites poderosas, e o
sistema político ainda excluía grande parte da população.

O Governo Dutra (1946-1951):


• Introdução:
Eurico Gaspar Dutra foi o 16º presidente do Brasil, governando o país de
1946 a 1951. Ele foi o primeiro presidente eleito por voto direto após o
Estado Novo de Getúlio Vargas, marcando uma breve transição
democrática antes do retorno de Vargas ao poder em 1951.
• Características:
Dutra era um militar de carreira e membro da Ação Integralista Brasileira
antes de se tornar presidente. Ele era conhecido por suas opiniões
conservadoras e por um governo que buscou estabilidade econômica e
política, em contraste com a era de Vargas. O governo Dutra foi marcado
por uma política econômica que buscava o equilíbrio orçamentário e a
atração de investimentos estrangeiros.
• Contexto histórico:
O período de Dutra foi marcado por uma forte influência dos Estados
Unidos, que era o principal parceiro econômico do Brasil na época. Foi
um período de Guerra Fria, com o mundo dividido entre o bloco soviético
e o bloco ocidental, liderado pelos Estados Unidos. Dutra adotou uma
postura anti-comunista, que culminou com a ilegalização do Partido
Comunista em 1947.
• Principais acontecimentos e realizações:
Dutra implementou uma série de reformas econômicas, incluindo a
redução do déficit público e o estímulo à industrialização. Seu governo foi
marcado por uma política de restrição ao consumo para aumentar as
reservas monetárias. A austeridade econômica levou a um crescimento
mais lento, mas conseguiu estabilizar a economia.
No campo da infraestrutura, Dutra é conhecido pela construção da
rodovia Presidente Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo, e é uma
das principais vias de transporte do país.
Em relação à educação, Dutra sancionou a Lei Orgânica do Ensino
Industrial e a Lei Orgânica do Ensino Secundário, que buscavam reformar
e expandir o sistema educacional brasileiro.
O governo Dutra também foi marcado pelo rompimento de relações
diplomáticas com a União Soviética e pela participação do Brasil na
Organização das Nações Unidas (ONU) e na criação da Organização dos
Estados Americanos (OEA).
Apesar desses avanços, o governo Dutra é muitas vezes visto como um
período de atraso social e político, especialmente em comparação com o
governo Vargas que o precedeu e o sucedeu. A postura conservadora de
Dutra e sua adesão à política dos Estados Unidos durante a Guerra Fria
tornaram seu governo impopular entre muitos brasileiros. Apesar disso,
sua gestão proporcionou uma estabilidade econômica importante para o
país após a turbulência da Segunda Guerra Mundial.
O Governo Vargas (1951-1954):
• Introdução:
Getúlio Vargas, que já havia sido presidente do Brasil durante a Era Vargas
(1930-1945), foi eleito novamente em 1950 e assumiu o cargo em 1951.
Seu segundo mandato, muitas vezes chamado de "Segundo Governo
Vargas" ou "República Nova", durou até 1954. Esse foi um período de
grandes mudanças econômicas e sociais no Brasil, embora tenha
terminado de forma trágica com o suicídio de Vargas.
• Características:
Vargas era conhecido por sua habilidade política e pela adoção de
políticas voltadas ao bem-estar social e ao desenvolvimento econômico.
Seu segundo governo, embora menos autoritário do que o Estado Novo,
ainda era marcado por um forte intervencionismo estatal na economia.
Vargas buscou fortalecer a indústria brasileira e melhorar as condições de
vida dos trabalhadores urbanos, levando a medidas que tiveram um
impacto significativo na economia e na sociedade brasileira.
• Contexto histórico:
O segundo governo Vargas ocorreu durante o período da Guerra Fria. No
entanto, ao contrário do seu antecessor, Dutra, que tinha uma forte
orientação pró-EUA, Vargas buscou uma política externa mais
independente. Ele se esforçou para manter o Brasil fora da influência
direta tanto dos EUA quanto da URSS.
• Principais acontecimentos e realizações:
Vargas é mais lembrado por sua política de industrialização e por suas
reformas trabalhistas. Durante seu segundo governo, ele promoveu o
crescimento da indústria brasileira através da criação da Petrobras em
1953, uma empresa estatal encarregada da exploração de petróleo e gás
no Brasil. A criação da Petrobras foi um marco importante na história
econômica do Brasil e gerou grande controvérsia na época, levando à
campanha "O Petróleo é Nosso".
Vargas também promoveu reformas trabalhistas significativas. Ele
estendeu muitos dos direitos que havia concedido aos trabalhadores
durante a Era Vargas, incluindo salário mínimo, legislação de trabalho e
outros benefícios sociais.
No entanto, o governo de Vargas também foi marcado por crises políticas.
Vargas enfrentou forte oposição tanto de conservadores quanto de
comunistas, e sua gestão foi marcada por acusações de corrupção e
autoritarismo. A crise política culminou em 1954 com o suicídio de
Vargas, um evento que chocou o Brasil e levou a grandes mudanças na
política brasileira.
Em conclusão, o segundo governo Vargas foi um período de importantes
transformações econômicas e sociais no Brasil. Embora Vargas seja uma
figura controversa devido a seus métodos políticos e ao trágico fim de seu
governo, suas políticas tiveram um impacto duradouro no Brasil,
particularmente em termos de desenvolvimento industrial e direitos dos
trabalhadores.
Café, Luz e Ramos (1954-1956):
• Introdução:
A transição presidencial após o suicídio de Getúlio Vargas em 1954 foi um
período de grande tensão política no Brasil. No entanto, a posse de Café
Filho, até então vice-presidente, ajudou a manter a estabilidade
institucional do país. Devido às circunstâncias de sua ascensão ao cargo e
à sua saída prematura por motivos de saúde, o governo de Café Filho foi
breve, durando de 1954 a 1955. Ele foi sucedido por Carlos Luz,
presidente da Câmara dos Deputados, por um breve período de 3 dias, e
em seguida por Nereu Ramos, vice-presidente do Senado, que governou
até a posse de Juscelino Kubitschek em 1956. Este período é conhecido
como "governo café, luz e ramos".
• Características:
O governo Café, Luz e Ramos foi marcado pela instabilidade política e pela
crise institucional. Café Filho enfrentou resistência de setores da
sociedade e das Forças Armadas, que se opunham à posse do presidente
eleito Juscelino Kubitschek. Carlos Luz e Nereu Ramos, embora tenham
governado por períodos breves, também tiveram que lidar com a crise
política.
• Contexto histórico:
O Brasil estava em um período de grande instabilidade política após o
suicídio de Vargas. A eleição de Juscelino Kubitschek e João Goulart, vista
por muitos como uma continuação do trabalhismo de Vargas, provocou
resistência de setores conservadores da sociedade e das Forças Armadas.
A crise culminou no levante militar conhecido como "Novembrada", que
resultou na declaração de estado de sítio e na remoção de Carlos Luz do
cargo de presidente.
• Principais acontecimentos e realizações:
Durante o governo de Café Filho, ocorreram importantes avanços na
política econômica, como a implementação do Plano de Metas, que
visava a estabilização econômica e a promoção do desenvolvimento
industrial.
Após o afastamento de Café Filho por motivos de saúde, Carlos Luz
assumiu a presidência, mas foi deposto pelo movimento militar da
"Contragolpe" após tentar impedir a posse de Juscelino Kubitschek.
Nereu Ramos, então, assumiu a presidência interina e governou sob
estado de sítio, mantendo a ordem e a estabilidade institucional até a
posse de Kubitschek.
A principal realização desse período foi a manutenção da democracia e a
transição pacífica para o governo de Kubitschek, apesar das intensas
tensões políticas e das tentativas de impedir sua posse.
Em suma, o governo Café, Luz e Ramos foi um período breve, porém
crucial, de transição política no Brasil. Foi marcado por crises e conflitos,
mas também pela manutenção da democracia e da ordem institucional
em um momento de grande tensão e instabilidade.
O Governo Kubitschek (1956-1961):
• Introdução:
Juscelino Kubitschek, conhecido comumente pelas iniciais JK, foi o 21º
presidente do Brasil, governando de 1956 a 1961. Seu governo é
conhecido pelo slogan "50 anos em 5" e pelo foco no desenvolvimento
econômico e infraestrutural.
• Características:
Kubitschek, um político do PSD (Partido Social Democrático), era
conhecido por sua visão de modernização e progresso. Durante seu
mandato, ele adotou políticas voltadas para o desenvolvimento
econômico acelerado, particularmente em áreas como indústria e
infraestrutura.
• Contexto histórico:
O governo de Kubitschek ocorreu durante o período da Guerra Fria, mas o
presidente buscou uma política externa independente, evitando alinhar-
se explicitamente com os Estados Unidos ou a União Soviética. No Brasil,
após a instabilidade do período "café, luz e ramos", seu governo
representou um período de estabilidade relativa e otimismo econômico.
• Principais acontecimentos e realizações:
O maior destaque do governo Kubitschek foi o Plano de Metas, que
buscava acelerar o desenvolvimento econômico e industrial do Brasil. O
plano focava em cinco áreas: energia, transporte, alimentação, indústria
de base e educação. Foi durante este plano que se construiu grande parte
da infraestrutura rodoviária do país e se incentivou a indústria
automobilística.
Uma das realizações mais emblemáticas de seu mandato foi a construção
da nova capital, Brasília. Projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo
urbanista Lúcio Costa, Brasília representou a visão de modernidade e
progresso de Kubitschek e visava promover o desenvolvimento do
interior do país.
No entanto, as políticas de desenvolvimento de Kubitschek também
levaram a um aumento significativo da dívida externa e da inflação, que
viriam a causar problemas econômicos para os governos seguintes.
Em termos de política externa, Kubitschek é conhecido pela proposta da
Operação Pan-Americana, que buscava promover a cooperação
econômica e o desenvolvimento na América Latina.
Em resumo, o governo Kubitschek foi marcado pelo otimismo e pelo foco
no desenvolvimento econômico e infraestrutural. Embora suas políticas
tenham levado a problemas econômicos a longo prazo, ele também é
lembrado pelas realizações importantes, como a construção de Brasília e
a expansão da indústria e da infraestrutura do país.
O Governo Quadros (1961):
• Introdução:
Jânio Quadros foi o 22º presidente do Brasil, governando por um curto
período em 1961. Seu mandato foi marcado por um estilo de governo
peculiar e por uma política externa independente, mas terminou
abruptamente com sua renúncia inesperada.
• Características:
Quadros era conhecido por sua retórica anticorrupção e por sua
abordagem idiossincrática da política. Ele adotou uma série de medidas
populistas e de austeridade, conhecidas como "janismo", que incluíam
uma campanha contra os "pequenos vícios e corrupções" e a
implementação de cortes de gastos.
• Contexto histórico:
Quadros assumiu a presidência em um período de tensão política e
econômica, com altos níveis de inflação e instabilidade política após o
período otimista do governo de Juscelino Kubitschek. A Guerra Fria
continuava a ser uma influência significativa na política mundial, e a
política externa de Quadros foi notável por sua tentativa de navegar entre
as duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética.
• Principais acontecimentos e realizações:
Quadros tomou várias medidas de austeridade econômica, buscando
estabilizar a economia brasileira. Ele também tentou combater a
corrupção e promoveu uma série de reformas administrativas e fiscais.
No campo da política externa, Quadros se distinguiu por sua política de
"independência ativa", buscando estabelecer relações com todas as
nações, independentemente de sua orientação política. Isto levou ao
restabelecimento de relações com a União Soviética e ao
reconhecimento do governo revolucionário de Fidel Castro em Cuba,
movimentos que foram controversos na época.
No entanto, a presidência de Quadros é mais lembrada por seu desfecho
abrupto: após apenas sete meses no cargo, Quadros renunciou, alegando
que "forças terríveis" se levantaram contra ele. Sua renúncia levou a uma
grave crise política, já que os setores militares e conservadores do país se
opunham à posse do vice-presidente João Goulart.
Em resumo, o governo Quadros foi um período breve, mas marcante, na
história política do Brasil. Embora sua presidência seja lembrada
principalmente por sua renúncia inesperada, Quadros também deixou sua
marca na política externa brasileira e em suas tentativas de reforma
econômica e combate à corrupção.
O Governo Goulart (1961-1964):
João Goulart, também conhecido como Jango, foi o 24º presidente do
Brasil e governou de 1961 a 1964. Ele assumiu a presidência após a
renúncia inesperada de Jânio Quadros, mas seu governo terminou com
um golpe militar que marcou o início de um regime militar de duas
décadas no Brasil.
• Características:
Goulart era conhecido por seu compromisso com a reforma social e
econômica e por sua afinidade com o trabalhismo, seguindo os passos de
Getúlio Vargas. Durante seu mandato, ele procurou implementar uma
série de reformas, conhecidas como "reformas de base", que incluíam
medidas nas áreas de educação, impostos, eleições, terra e habitação.
• Contexto histórico:
O governo de Goulart ocorreu durante um período de grande tensão
política e social no Brasil e na época da Guerra Fria. Goulart assumiu a
presidência após uma crise constitucional provocada pela renúncia de
Quadros e a resistência dos setores militares e conservadores à sua
posse. A presidência de Goulart foi marcada por instabilidade política,
agitação social e resistência das elites políticas e econômicas às suas
reformas.
• Principais acontecimentos e realizações:
Goulart buscou implementar um programa ambicioso de reformas sociais
e econômicas, incluindo a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma
tributária e a reforma educacional. No entanto, ele enfrentou forte
oposição de setores conservadores da sociedade, das elites políticas e
econômicas e das Forças Armadas.
No campo da política externa, Goulart, como Quadros, procurou seguir
uma política de não-alinhamento. Ele buscou estabelecer relações
diplomáticas com todos os países, independentemente de sua
orientação ideológica, incluindo nações socialistas.
O governo de Goulart, no entanto, é mais lembrado por seu final abrupto:
em 1964, ele foi deposto por um golpe militar que marcou o início de uma
ditadura militar de duas décadas no Brasil.
Em resumo, o governo Goulart foi um período de tentativas ambiciosas de
reforma e de intensa agitação política e social. Embora o golpe militar de
1964 tenha interrompido seu mandato e suas tentativas de reforma,
Goulart é lembrado por seu compromisso com a justiça social e
econômica e por sua resistência à pressão política e militar.
Antecedentes do Golpe:
• Introdução:
O golpe militar de 1964 no Brasil foi resultado de uma série de fatores
políticos, sociais e econômicos que culminaram na deposição do
presidente João Goulart por parte das Forças Armadas. Além disso, o
contexto internacional e, particularmente, a postura dos Estados Unidos
desempenharam um papel fundamental neste episódio.
• Antecedentes e motivos:
Os anos que antecederam o golpe foram marcados por intensa
instabilidade política e social no Brasil. O governo Goulart, embora
democrático, foi acusado por setores conservadores da sociedade de
tentar implementar um governo comunista no país. O plano de Goulart
de realizar "reformas de base", que buscavam implementar mudanças
profundas na estrutura social e econômica do Brasil, foi particularmente
controverso.
A polarização política no Brasil foi acentuada por um clima de tensão
internacional devido à Guerra Fria. O medo do comunismo, fomentado
pelo conflito entre os Estados Unidos e a União Soviética, intensificou as
suspeitas sobre as intenções de Goulart e sua administração.
Economicamente, o Brasil estava sofrendo com alta inflação e
dificuldades financeiras, o que agravou a instabilidade social e política. As
elites econômicas e políticas temiam que as reformas de Goulart
pudessem ameaçar seus interesses.
• Influência dos EUA:
Os Estados Unidos tiveram um papel importante no golpe de 1964. Em
meio à Guerra Fria, eles estavam preocupados com a possibilidade de
uma "virada à esquerda" na América Latina, que poderia fortalecer a
posição da União Soviética na região. O governo dos EUA, sob a liderança
do presidente Lyndon B. Johnson, viu o governo de Goulart com suspeita
devido à sua política de neutralidade e suas tentativas de reforma.
O apoio dos EUA ao golpe se materializou na forma de ajuda financeira,
apoio logístico e político aos militares brasileiros. Este apoio foi
orquestrado por meio da Operação Brother Sam, que incluiu o envio de
um porta-aviões e suprimentos para apoiar os militares no caso de
resistência ao golpe.
Em resumo, o golpe de 1964 foi o resultado de uma série de fatores
internos e externos, incluindo a instabilidade política e econômica no
Brasil, o medo do comunismo durante a Guerra Fria e o apoio dos
Estados Unidos aos militares brasileiros. Ele marcou o início de um
regime militar que durou duas décadas e teve impactos duradouros na
sociedade e na política brasileiras.

Ditadura militar
Introdução:
• A Ditadura Militar no Brasil foi um regime autoritário que teve início
com o golpe militar em 31 de março de 1964, com a deposição do
presidente João Goulart.
• O regime militar durou 21 anos (1964-1985), estabeleceu a censura
à imprensa, restrição aos direitos políticos e perseguição policial
aos opositores do regime.
O Golpe de 31 de Março de 1964:
• O golpe militar de 31 de março de 1964 tinha como objetivo evitar o
avanço das organizações populares do Governo de João Goulart,
acusado de comunista.
• O ponto de partida foi a renúncia do presidente Jânio Quadros, em
25 de agosto de 1961. O Congresso Nacional empossou
temporariamente o presidente da Câmara, o deputado Ranieri
Mazzilli, pois o vice-presidente encontrava-se em viagem à China.
• Enquanto João Goulart iniciava sua viagem de volta, os ministros
militares expediram um veto à posse de Jango, pois sustentavam
que ele defendia ideias de esquerda.
• O impedimento violava a Constituição, e não foi aceito por vários
seguimentos da nação, que passou a se mobilizar. Manifestações e
greves se espalharam pelo país.
• Diante da ameaça de guerra civil, foi feita no Congresso, composto
por maioria oposicionista a Jango, a proposta de Emenda
Constitucional nº 4, estabelecendo o regime parlamentarista no
Brasil.
• Dessa forma, Goulart seria presidente, mas com poderes limitados.
Jango aceitou a redução de seus poderes, esperando recuperá-lo
em momento oportuno.
• O acordo com Jango previa ainda que em 1965, no fim de seu
mandato, haveria um plebiscito para consultar a população sobre o
retorno ou não ao presidencialismo.
• O Congresso votou a favor da medida e Goulart tomou posse no dia
7 de setembro de 1961. Para ocupar o cargo de primeiro-ministro
foi indicado o deputado Tancredo Neves.
• O parlamentarismo durou até janeiro de 1963. Nesse ano, João
Goulart conseguiu adiantar o plebiscito. A população brasileira
decidiu assim pelo fim do parlamentarismo e o retorno ao
presidencialismo.
Governo João Goulart:
• Em 1964, agora com mais poderes em suas mãos, Jango resolve
lançar as "Reformas de Base" a fim de mudar o país. Assim, o
presidente anunciou: desapropriações de terras, nacionalização das
refinarias de petróleo, reforma eleitoral garantindo o voto para
analfabetos, reforma universitária, entre outras.
• A inflação chegou a atingir em 1963, o índice de 73,5%. O
presidente exigia uma nova constituição que acabasse com as
"estruturas arcaicas" da sociedade brasileira.
• Jango era apoiado por universitários que atuavam por meio de suas
organizações e uma das principais era a União Nacional dos
Estudantes (UNE).
• Igualmente, os comunistas de várias tendências, desenvolviam
intenso trabalho de organização e mobilização popular, apesar de
atuarem na ilegalidade.
• Goulart era visto com insatisfação por ambos os lados: enquanto
liberais e conservadores o criticavam por afirmar ser ele um
presidente que poderia trazer o comunismo para o Brasil, à
esquerda, a visão era que ações importantes para atacar a
desigualdade social do país, como a reforma agrária, aconteciam
em um processo muito lento.
• Diante do quadro de crescente agitação, os adversários do governo
aceleraram a realização do golpe.
• No dia 31 de março de 1964, o presidente João Goulart foi deposto
pelos militares e Jango refugiou-se no Uruguai. Aqueles que
tentaram resistir ao golpe sofreram dura repressão.
• Para cobrir o vazio de poder, uma junta militar assumiu o controle
do país. No dia 9 de abril foi decretado o Ato Institucional nº 1,
dando poderes ao Congresso para eleger o novo presidente.
• O escolhido foi o general Humberto de Alencar Castelo Branco, que
havia sido chefe do estado-maior do Exército. Isto era apenas o
início da interferência militar na gestão política da sociedade
brasileira.
A concentração de poder:
• Depois do golpe de 1964, o modelo político instaurado visava
fortalecer o poder executivo. Dezessete atos institucionais foram
impostos à sociedade brasileira.
• Com o Ato Institucional nº 2, os antigos partidos políticos foram
fechados e foi adotado o bipartidarismo. Desta forma surgiram: a
Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava o governo e o
Movimento Democrático Brasileiro (MDB), representando os
opositores, mas cercado por estreitos limites de atuação.
• O governo, através da criação do Serviço Nacional de Informação
(SNI), montou um forte sistema de controle que dificultava a
resistência ao regime. Chefiado pelo general Golbery do Couto e
Silva, este órgão investigou todos aqueles suspeitos de conspirar
contra o regime, desde empresários até estudantes.
• Em termos econômicos, os militares trataram de recuperar a
credibilidade do país junto ao capital estrangeiro. Assim foram
tomadas as seguintes medidas: contenção dos salários e dos
direitos trabalhistas, aumento das tarifas dos serviços públicos,
restrição ao crédito, corte das despesa do governo e diminuição da
inflação, que estava em torno de 90% ao ano.
• Entre os militares, porém, havia discordância. O grupo mais radical,
conhecido como "linha dura", pressionava o grupo de Castelo
Branco, para que não admitisse atitudes de insatisfação e afastasse
os civis do núcleo de decisões políticas.
• As divergências internas entre os militares influenciaram na escolha
do novo general presidente.
• No dia 15 de março de 1967, assumiu o poder o general Arthur da
Costa e Silva, ligado aos radicais. A nova Constituição de 1967 já
havia sido aprovada pelo Congresso Nacional.
• Os atos institucionais promulgados durante os governos dos
generais Castelo Branco (1964-1967) e Arthur da Costa e Silva
(1967-1969), na prática, acabaram com o Estado de direito e as
instituições democráticas do país.
• Apesar de toda repressão, o novo presidente enfrentou
dificuldades. Formou-se a Frente Ampla para fazer oposição ao
governo, tendo como líderes o jornalista Carlos Lacerda e o ex-
presidente Juscelino Kubitschek.
A resistência da sociedade:
• A sociedade reagia às arbitrariedades do governo. No mundo das
artes, em 1965, foi encenada a peça "Liberdade, Liberdade", de
Millôr Fernandes e Flávio Rangel, que criticava o governo militar.
• Os festivais de música brasileira foram cenários importantes para
atuação dos compositores, que escreviam canções de protesto.
• A Igreja Católica estava dividida: os grupos mais tradicionais
apoiavam o governo, porém os mais progressistas criticavam a
Doutrina de Segurança Nacional.
• As greves operárias reivindicavam o fim do arrocho salarial e
queriam liberdade para estruturar seus sindicatos. Os estudantes
realizavam passeatas denunciando a falta de liberdade política.
• Com o aumento da repressão e a dificuldade de mobilizar a
população, alguns líderes de esquerda organizaram grupos
armados para lutar contra a ditadura. Entre as diversas
organizações de esquerda, estavam a Ação Libertadora Nacional
(ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8).
• O forte clima de tensão foi agravado com o discurso do deputado
Márcio Moreira Alves, que pediu ao povo que não comparecesse às
comemorações do dia 7 de setembro, como forma de protesto
contra o Regime.
• Para conter as manifestações de oposição, o general Costa e Silva
decretou em dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5. Este
suspendia as atividades do Congresso e autorizava à perseguição
de opositores.
• Em agosto de 1969, o presidente Costa e Silva sofreu um derrame
cerebral e quem assumiu foi o vice-presidente Pedro Aleixo,
político civil mineiro.
• Em outubro de 1969, 240 oficiais generais indicam para presidente
o general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), ex-chefe do
Serviço Nacional de Informações (SNI). Em janeiro de 1970, um
decreto-lei tornou mais rígida a censura prévia à imprensa.
• Para lutar contra os grupos de esquerda, o Exército criou o
Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações
de Defesa Interna (DOI-CODI).
• A atividade dos órgãos repressivos desarticularam as organizações
de guerrilhas urbana e rural, que levaram à morte dezenas de
militantes de esquerda.
O crescimento econômico:
• Com um forte esquema repressivo montado, Médici governou
procurando passar a imagem de que o país encontrara o caminho
do desenvolvimento econômico. Somado à conquista do tri na
Copa do Mundo de 1970, isso acabou criando um clima de euforia
no país.
• A perda das liberdades políticas era compensada pela
modernização crescente. O petróleo, o trigo e os fertilizantes, que
o Brasil importava em grandes quantidades, estavam baratos. Eles
eram incorporados à pauta da exportação, soja, minérios e frutas.
• O setor que mais cresceu foi o de bens duráveis, eletrodomésticos,
carros, caminhões e ônibus. A indústria da construção cresceu.
• Mais de 1 milhão de novas moradias, financiadas pelo Banco
Nacional de Habitação (BNH), foram construídas em dez anos de
governo militar. Falava-se em "milagre brasileiro" ou "milagre
econômico".
• Em 1973, o "milagre" sofreu seu primeiro grande baque, pois a crise
internacional elevou abruptamente o preço do petróleo,
encarecendo as exportações.
• O aumento do juros no sistema financeiro internacional, elevou o
juros da dívida externa brasileira. Isto obrigou o governo a tomar
novos empréstimos aumentando ainda mais a dívida.
• Além disso, esse crescimento econômico não alcançou as camadas
mais pobres da sociedade, levando ao aumento das desigualdades
sociais no país.
A Redemocratização:
• No dia 15 de março de 1974, Médici foi substituído na Presidência
pelo general Ernesto Geisel (1974-1979). Ele assumiu prometendo
retomar o crescimento econômico e restabelecer a democracia.
• Mesmo lenta e controlada, a abertura política começava, o que
permitiu o crescimento das oposições.
• O governo Geisel aumentou a participação do Estado na economia.
Vários projetos de infraestrutura tiveram continuidade, entre elas, a
Ferrovia do Aço, em Minas Gerais, a construção da hidrelétrica de
Tucuruí, no Rio Tocantins e o Projeto Carajás.
• Diversificou as relações diplomáticas comerciais do Brasil,
procurando atrair novos investimentos.
• Nas eleições de 1974, a oposição que até então estava aglutinada
no MDB, obteve ampla vitória. Como resposta, Geisel procurou
conter este o avanço, limitando a propaganda eleitoral durante as
eleições de 1976, através da criação da Lei Falcão, que restringia o
tempo de tela dos candidatos nas propagandas políticas.
• No ano seguinte, diante da recusa do MDB em aprovar a reforma
da Constituição, o Congresso foi fechado e o mandato do
presidente foi aumentado para seis anos.
• A oposição começou a pressionar o governo, junto com a sociedade
civil. Com a crescente pressão, o Congresso já reaberto aprovou,
em 1979, a revogação do AI-5. O Congresso não podia mais ser
fechado, nem cassados os direitos políticos dos cidadãos.
• Geisel escolheu como seu sucessor o general João Baptista
Figueiredo, eleito de forma indireta. Figueiredo assumiu o cargo em
15 março de 1979, com o compromisso de aprofundar o processo
de abertura política.
• No entanto, a crise econômica seguia adiante, com a dívida externa
atingindo mais de 100 bilhões de dólares, e a inflação batendo
200% ao ano.
• As reformas políticas continuaram sendo realizadas, mas a linha
dura lançou mão do terrorismo como o ocorrido no Riocentro, em
1981. Com o fim do bipartidarismo, surgiram vários partidos, entre
eles o Partido Democrático Social (PDS) e o Partido dos
Trabalhadores (PT). Foi fundada a Central Única dos Trabalhadores
(CUT).
• Os espaços de luta pelo fim da presença dos militares no poder
central foram se multiplicando.
Campanha pelas eleições diretas:
• Nos últimos meses de 1983, teve início em todo o país uma
campanha pelas eleições diretas para presidente, as "Diretas Já",
que uniram várias lideranças políticas como Fernando Henrique
Cardoso, Lula, Ulysses Guimarães, entre outros.
• O movimento que chegou ao auge em 1984, quando foi votada a
Emenda Dante de Oliveira, que pretendia restabelecer as eleições
diretas para presidente.
• No dia 25 de abril, a emenda apesar de obter a maioria dos votos,
não conseguiu os 2/3 necessários para sua aprovação, frustrando a
população, que havia ido as ruas em favor do voto direto.
• Logo depois, grande parte das forças de oposição resolveu
participar das eleições indiretas para presidente. O PMDB lançou
Tancredo Neves, para presidente e José Sarney, para vice.
• Reunido o Colégio Eleitoral, a maioria dos votos foi para Tancredo
Neves, que derrotou Paulo Maluf, candidato do PDS. Desse modo
encerrou-se os dias da ditadura militar.
Presidentes durante a Ditadura Militar no Brasil:
• Castelo Branco:
Mandato: 15/04/1964 a 15/03/1967;
Política interna: Criação do Serviço Nacional de Informação;
Economia: Criação do Cruzeiro e do Banco Nacional de Habitação (BNH);
Política externa: Rompimento de relações diplomáticas com Cuba e
aproximação com os EUA;
• Arthur da Costa e Silva:
Mandato: 15/3/1967 a 31/8/1969;
Política Interna: Entrou em vigor a Constituição de 1967 e promulgação do
AI-5 e a criação da Embraer;
Economia: Expansão do crédito e da industrialização pesada;
Política Externa: Aproximação aos países africanos e asiáticos nos fóruns
internacionais, visita da rainha Elizabeth II ao Brasil;
• Junta Governativa Provisória:
Aurélio de Lira Tavares, ministro do Exército, Augusto Rademaker,
ministro da Marinha, e Márcio de Souza e Melo, ministro da Aeronáutica;
Mandato: 31/08/1969 a 30 de outubro de 1969;
Política Interna: A Junta Governativa apenas ocupou a presidência em
decorrência da morte de Costa e Silva. Assim, apenas prepararam a
eleição quando seria escolhido Médici como presidente;
• Emílio Garrastazu Médici:
Mandato: 30/10/1969 a 15/3/1974;
Política Interna: Derrotou a Guerrilha do Araguaia e criou o
Departamentos de Operação de Informação;
Economia: Criação da Embrapa, e início da construção de grandes obras
como a Hidrelétrica de Itaipu;
Política Externa: Acordo com o Paraguai e Argentina para a construção da
usina, visita aos Estados Unidos;
• Ernesto Geisel:
Mandato: 15/03/1974 a 15/03/1979;
Política Interna: Criação do estado do Mato-Grosso do Sul, fusão do
estado da Guanabara ao Rio de Janeiro e fim do AI-5;
Economia: Aumento da dívida externa e estímulo ao capital estrangeiro;
Política Externa: Reconhecimento da independência da Angola, acordos
sobre energia nuclear com a Alemanha Ocidental e reatadas as relações
diplomáticas com a China;
• João Baptista Figueiredo:
Mandato: 15/03/1979 a 15/03/1985;
Política Interna: Criação do estado de Rondônia e reabertura política com
a lei da Anistia;
Economia: Modernização da agricultura, aumento da inflação e
empréstimo do FMI;
Política Externa: Visita aos Estados Unidos;

Revoluções na Europa
O contexto da Europa no século XIX:
• Com a derrota definitiva de Napoleão Bonaparte na batalha de
Waterloo pela Sétima Coligação, os governantes acreditavam que
os resquícios da Revolução Francesa precisavam ser combatidos e
as fronteiras das nações redefinidas.
• O Conde de Cavour, da França, defendia que as fronteiras de todos
os países deveriam retornar tal qual eram antes da revolução de
1789. Assim, também a linhagem dos reis deveria retornar àquele
período.
Congresso de Viena e Santa Aliança:
• Luís XVIII assumiu o trono da França. Todas essas questões e
medidas foram definidas no Congresso de Viena. Na ocasião, os
representantes das diferentes monarquias europeias se
encontraram para negociar e redefinir as fronteiras de cada nação,
assim como a forma que os afetados seriam ressarcidos.
• No ocorrido, o Czar Alexandre, da Rússia, propôs a criação de um
exército mútuo, pronto para invadir qualquer nação que
apresentasse algum processo revolucionário. Sua intenção era
manter as monarquias cristãs europeias a salvo das ideias
iluministas. Tal iniciativa ganharia o nome de Santa Aliança.
Juntamente com o Congresso de Viena, ela representa um
antecedente das revoluções na Europa do século XIX.
França e a Revolução de 1830:
• Luís XVIII governou até o fim de sua vida sob uma monarquia
constitucional (onde há voto censitário e repartição dos poderes),
sem buscar recuperar toda a autoridade do período absolutista.
• No entanto, não foi da mesma maneira que seu sucessor, Carlos X,
conduziu o governo. Ele sofreu tantas pressões da oposição ao
tentar recuperar o prestígio absolutista que acabou abandonando
o trono e fugindo do país em 1830. A alta burguesia, a classe média
e setores populares removiam outro rei francês de seu trono. A
queda de Carlos X foi aproveitada como crítica nos jornais
brasileiros em relação ao governo centralista de D. Pedro I.
• Nas disputas que se sucederam pelo novo governo, o projeto liberal
da alta burguesia conseguiu esmagar, num primeiro momento, os
grupos que lutavam por projetos que beneficiassem os mais
pobres. Luís Filipe é quem assumiu o trono após a queda de Carlos
X.
• Apesar de ser um monarca membro da aristocracia, ele era um
grande representante da burguesia. Por isso, ficou conhecido como
o Rei Burguês. Luís Filipe favoreceu os investimentos na indústria e
promoveu invasões no norte da África (Argélia) a fim de obter
recursos e mercado de consumo para a economia francesa.
• Mas se de um lado a alta burguesia ganhou com a lucratividade, do
outro os operários franceses e argelinos sofreram com a exploração
do trabalho e com as duras repreensões contra suas revoltas.
• O cenário de profunda desigualdade social na França faz as tensões
aumentarem entre grupos populares e governo. Socialistas e
anarquistas tornam-se lideranças entre trabalhadores e passaram,
assim, a promover greves e revoltas.
• A impopularidade crescente do governo foi ao encontro de uma
crise econômica provocada pelo desastroso resultado no setor
agrícola entre 1846 e 1847. Tal crise provocou uma forte inflação
que, consequentemente, diminuiu o número de postos de trabalho
e reduziu o consumo. A partir de então, a alta burguesia, o único
setor que havia sido beneficiado até então, também se voltou
contra o governo de Luís Filipe, que acabou largando o trono em
1848.
• A revolução de 1848 é central não só na história da França como em
toda a Europa Continental, pois ela iria alimentar do espírito
nacionalista que defendeu independências e unificações de outras
nações.
Segunda República Francesa:
• Naquele mesmo ano foi instaurada a Segunda República Francesa.
Necessitava-se, então, realizar eleições para uma assembleia
constituinte e, posteriormente, para a eleição de magistrados.
Esses momentos foram marcados pelas intensas disputas entre
liberais e socialistas.
• Enquanto os primeiros queriam manter seus privilégios como o
voto censitário e suas extensas propriedades, os últimos clamavam
pela reforma agrária e pelo sufrágio universal, que foi garantido na
Constituição. Ainda assim, os liberais saíram vitoriosos após
esmagarem violentamente a resistência socialista nas ruas de Paris.
O saldo final foi de cerca de 4.500 mortos – em sua maioria
trabalhadores – além dos milhares de outros presos e exilados.
Fim do período revolucionário:
• O fim do período revolucionário francês durante o século XIX
ocorreu com a eleição para presidente de Carlos Luís Napoleão
Bonaparte, sobrinho do antigo imperador. Ancorado na imagem de
seu tio, ele ganhou as eleições com larga vantagem e buscou
ampliar os domínios franceses, desta vez nos continentes africanos
e asiáticos.
• No ano de 1852, com o apoio da burguesia, religiosos e militares,
ele tornou-se imperador da França. Seu governo se encerrou em
1870 por consequência da guerra franco-prussiana, conflito que
fazia parte dos planos de Otto Von Bismark para a expansão alemã.
Primavera dos Povos:
• A revolução que começou na França em 1848 reverberou por todo o
continente europeu. Para além disso, seus impactos foram maiores
ainda, sobretudo nos continentes africanos e asiáticos. No centro
desses acontecimentos estava o nacionalismo, fator fundamental
para entender as revoluções na Europa do século XIX.
• Esse termo dá significado a ideias, sentimentos e a movimentos
políticos centralizados no sentido de que há povos que possuem
histórias e identidades culturais em comum. A partir dessa ideia, o
nacionalismo enquanto movimento prega a união, defesa e
fortalecimento dos povos em torno de governos centralizados.
• Com o movimento nacionalista, para além da manutenção do seu
poder, os governantes irão se dedicar mais a formar cidadãos para
defender seu governo, aumentar seus exércitos e fortalecer sua
economia.
• O nacionalismo trouxe ganhos para os povos, como a educação
pública (ainda que extremamente controlada) e a preocupação com
a saúde e longevidade da população (ainda que para fins
estratégicos). Por outro lado, é o nacionalismo que irá iniciar
guerras (entre elas as duas guerras mundiais), suprimir greves e
instaurar governos ditatoriais ao redor do globo. Os nacionalismos
também motivaram a colonização da África e da Ásia, afundando a
qualidade de vida e instituindo o racismo para com aquelas
populações.
• Pode-se dizer, então, que o principal impacto dos acontecimentos
de 1848 foi a difusão de revoluções nacionalistas pela Europa,
momento que ficou conhecido como Primavera dos Povos. Foi
neste momento, após diversas guerras, que a Alemanha e a Itália
surgem enquanto Estados unificados. Justamente por conta desses
conflitos que muitos refugiados alemães e italianos imigraram no
Brasil no século XIX.
• A Bélgica conseguiu sua emancipação em relação a Holanda, mas o
Império Austro-Húngaro e o Império Russo ainda eram os maiores
da Europa. Não era menor o poder do Império Turco-Otomano,
também próximo ao continente europeu. É nesta “era dos Impérios”
em disputa que a Europa adentrou o século XX, provocando de
início a Primeira Guerra Mundial.

Demografia
Introdução:
• A demografia estuda o perfil e a evolução das populações humanas
no tempo e no espaço. Para isso, faz uso de conceitos e indicadores
demográficos expressos quantitativamente, ou seja, na forma de
dados estatísticos.
• No Brasil, é o IBGE o principal responsável pela elaboração e
divulgação de pesquisas de população, como o Censo Demográfico.
• O conhecimento mais aprofundado de uma população e do seu
comportamento nos auxilia na compreensão da sua relação com o
espaço bem como na elaboração de políticas públicas voltadas ao
atendimento de suas necessidades e demandas.
O que é demografia?
• A demografia é a área do conhecimento responsável pelo estudo
das populações humanas. Esse estudo abrange a formação e
evolução dos grupos populacionais em seus mais variados
aspectos, que são o seu tamanho, distribuição espacial e
composição (por idade, sexo, cor ou raça etc.), os quais são
analisados dentro de um intervalo de tempo.
• A análise das populações realizada no âmbito da demografia se
apoia principalmente em dados quantitativos (ou seja, dados
estatísticos), coletados de tempos em tempos para o
acompanhamento da evolução de uma determinada população.
• No Brasil, por exemplo, temos o Censo Demográfico feito pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada 10
anos, e, em um intervalo menor variável (mensal, trimestral,
anual), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD)
Contínua, realizada pela mesma instituição. Ambas possuem
abrangência nacional, compreendendo, assim, a população de todo
o território brasileiro.
Conceitos e indicadores demográficos:
• População absoluta: número total de habitantes em um
determinado local (país, cidade, estado, continente).
• População relativa ou densidade demográfica: distribuição da
população sobre o espaço. É calculada com base na divisão da
população total pela área do local considerado.
• Crescimento populacional: aumento do número total de indivíduos
em uma população em um determinado intervalo de tempo. Pode
se dar somente pelo maior número de nascimentos com relação às
mortes (crescimento vegetativo) ou pela diferença entre
nascimentos e mortes somada ao saldo migratório (crescimento
absoluto).
• Taxa de fecundidade: número médio de filhos que uma mulher
teria em todo o seu período de vida.
• Taxa de natalidade: número de nascidos vivos em uma população
expresso por mil habitantes.
• Taxa de mortalidade: número de óbitos que ocorrem a cada mil
habitantes.
• Taxa de mortalidade infantil: expressa o número de indivíduos que
morrem antes de completarem um ano de idade a cada mil
nascidos vivos.
• Expectativa de vida ou esperança de vida ao nascer: diz respeito à
quantidade total de anos que se espera que um indivíduo viva a
partir do seu nascimento, levando em consideração alguns fatores
relacionados à condição de vida local, como os serviços de saúde,
saneamento, assistência social, acesso à educação, indicadores de
violência, entre outros.
• Migração: é o deslocamento de pessoas pelo espaço de forma
temporária ou permanente. O processo de chegada a um lugar é
denominado imigração, enquanto a saída caracteriza a emigração.
• Saldo migratório: diz respeito à diferença entre o número de
pessoas que chega a um território (imigrantes) e que deixam
aquele mesmo local (emigrantes).
• Êxodo rural: é a migração da zona rural para a zona urbana.
Importância da demografia:
• A demografia nos auxilia na compreensão das dinâmicas
populacionais, da sua composição e da forma como um
determinado conjunto de indivíduos evolui tanto no tempo quanto
no espaço. Com isso, a sua importância reside, entre outros, no fato
de os indicadores demográficos servirem como elementos
fundamentais para a política e gestão de territórios.
• Somente com o conhecimento do perfil de uma população e a
interpretação dos dados estatísticos a ela relacionados é possível
entender as suas necessidades e atuar de forma a atendê-las,
elaborando políticas voltadas a diversos setores, como de
educação, saúde, saneamento e até mesmo de infraestrutura
urbana.
• Por meio da demografia, aliada a outras ciências, como a própria
geografia, é possível compreender ainda as relações entre a
população e o espaço, e de que forma a evolução dessa população
pode interferir no uso de recursos naturais, por exemplo, e como
decorrerão as transformações no meio ambiente com base em
determinados padrões observados, possibilitando assim a
elaboração de planos de ação e medidas adequadas para um
melhor manejo ambiental.
Demografia do Brasil:
• Os principais dados demográficos do Brasil são levantados e
divulgados pelo IBGE. O instituto contabiliza uma população
absoluta de 213.317.639 habitantes (2021), os quais se distribuem
por uma área de 8.510.345,538 km². Assim, sabe-se que a
densidade demográfica do território brasileiro é de 22,43 hab./km².
Diante desses dados, podemos concluir que o Brasil é um país
populoso, ficando entre os maiores do mundo, mas pouco
povoado, visto que a sua população relativa é consideravelmente
baixa.
• A população brasileira se encontra distribuída de forma irregular
pelo território. O Sudeste é a região mais populosa, com
89.632.912 habitantes e cerca de metade deles vivendo no estado
de São Paulo. A menos populosa é a região Centro-Oeste, que
reúne 16.707.336 habitantes. Em nível de unidade federativa,
temos que Roraima é a menos populosa. De acordo com dados de
2021, o estado tem uma população estimada de 652.713
habitantes.
• Nos últimos anos, o crescimento da população do país tem passado
por um processo de desaceleração, o que se deve à redução
gradual das taxas de fecundidade e natalidade e,
consequentemente, à diminuição do crescimento vegetativo. A
fecundidade já foi de mais de dois filhos por mulher na metade do
século XX, mas esse valor foi caindo, e, desde pelo menos 2000, ela
vem se mantendo estável em valores próximos de 1,76. A
mortalidade infantil também decresceu nas últimas décadas,
chegando ao atual patamar de 11,56 por mil nascidos vivos.
• Outro fenômeno em curso e mais recente é o de envelhecimento da
população brasileira. Isso decorre de diversos fatores, como a
diminuição do número de nascimentos, a melhoria na saúde, os
melhores índices de desenvolvimento econômico e outros aspectos
da vida cotidiana que aumentam a expectativa de vida. A esperança
de vida ao nascer atualmente no Brasil é de 76,6 anos (IBGE, 2020).
Demografia do mundo:
• Existem diversas fontes que podem ser consultadas a fim de se
conhecer um pouco melhor o perfil da população mundial. Entre as
principais estão a Divisão de População da Organização das Nações
Unidas (ONU) e o Banco Mundial.
• A população mundial chegou a 7.794.799 pessoas no ano de 2020,
conforme as informações da ONU. A taxa anual de crescimento da
população decresceu consideravelmente nos últimos anos,
chegando a 1,1%, que é o valor atual. Isso significa que a população
mundial cresce em um ritmo mais lento e vem diminuindo com o
passar do tempo.
• O que explica essa variação é a queda da fertilidade, e,
consequentemente da natalidade, e também da mortalidade. A
taxa de fecundidade mundial é de 2,47, enquanto os nascimentos
ficam na casa de 18,2 por mil habitantes. A mortalidade hoje é de
7,6 a cada mil habitantes, mas a ONU indica uma tendência de
crescimento desse indicador nas próximas décadas. Outro indicador
que variou positivamente foi a expectativa de vida, que chega hoje
a 72,6 anos.
• Diante desse cenário, temos que a população mundial vive um
processo de envelhecimento. Nas últimas duas décadas, a idade
mediana saltou de 26,3 anos para 30,9 anos. Estima-se que esse
valor chegará a 41,9 anos até 2100.
• Entretanto, da mesma forma como a população se encontra
distribuída de forma irregular pelo planeta, sendo maior a
concentração na Ásia e na África principalmente, esses indicadores
se comportam de forma distinta, sobretudo quando a comparação
ocorre entre as nações desenvolvidas e subdesenvolvidas.
Origem da demografia:
• O processo de contabilização da população é bastante antigo e
estava presente em diversas épocas de nossa história. A
sistematização do que viria a ser conhecido como a demografia, no
entanto, apareceu entre os séculos XVII e XVIII na Europa, por meio
de diversas publicações, de profissionais das mais variadas áreas e
nacionalidades, versando a respeito das dinâmicas das populações
humanas com base em estatísticas aliadas a questões políticas.
• A nomeação dessa área do conhecimento que estava se
desenvolvendo e, portanto, a primeira menção ao termo
demografia de fato ocorreram somente no século XIX, mais
especificamente em 1855. Foi nesse ano que o estatístico e botânico
francês Achille Guillard (1799-1876) lançou a sua obra Elementos
de estatística humana ou demografia comparada, inaugurando
assim uma nova fase nos estudos de população.

Urbanização
Introdução:
• Urbanização é o crescimento das cidades, tanto em população
quanto em extensão territorial. É o processo em que o espaço rural
transforma-se em espaço urbano, com a consequente migração
populacional do tipo campo–cidade que, quando ocorre de forma
intensa e acelerada, é chamada de êxodo rural.
Espaço urbano e espaço rural:
• Em termos de área territorial, no mundo atual, o espaço rural é
bem mais amplo do que o espaço urbano. Isso ocorre porque o
primeiro exige um maior espaço para as práticas nele
desenvolvidas, como a agropecuária, o extrativismo mineral e
vegetal, além da delimitação de áreas de preservação ambiental e
florestas em geral.
• No entanto, em termos populacionais e em atividades produtivas
no contexto econômico e capitalista, a cidade, atualmente, vem
sobrepondo-se ao campo.
Processo de urbanização:
• O processo de formação das cidades ocorre desde os tempos do
período neolítico. No entanto, sob o ponto de vista estrutural, elas
sempre estiveram vinculadas ao campo, pois dependiam deste para
sobreviver.
• O que muda no atual processo de urbanização capitalista, que se
intensificou a partir do século XVIII, é que agora é o campo quem
passa a ser dependente da cidade, pois é nela que as lógicas
econômico-sociais que estruturam o meio rural são definidas.
• O processo de urbanização no contexto do período industrial
estrutura-se com base em dois tipos de causas:
Fatores atrativos: como o próprio nome sugere, são aqueles em que a
urbanização ocorre devido às condições estruturais oferecidas pelo
espaço das cidades, o maior deles é a industrialização. Esse processo é
característico dos países desenvolvidos, onde o processo de urbanização
ocorreu primeiramente. Cidades como Londres e Nova York tornaram-se
predominantemente urbanas a partir da década de 1900, em razão da
quantidade de empregos e das condições de moradias oferecidas
(embora, em um primeiro momento, a maior parte dessas moradias fosse
precária em comparação aos padrões de desenvolvimento atual dessas
cidades).
Fatores repulsivos: são aqueles em que a urbanização ocorre não em
função das vantagens produtivas das cidades, mas graças a essa espécie
de expulsão da população do campo para os centros urbanos. Esse
processo ocorre, em geral, pela modernização do campo, que propiciou a
substituição do homem pela máquina, e pelo processo de concentração
fundiária, que deixou a maior parte das quantidades de terras nas mãos
de poucos latifundiários. Esse fenômeno é característico dos países
subdesenvolvidos e é marcado pela elevada velocidade em que o êxodo
rural aconteceu, bem como pela concentração da população nas
metrópoles (metropolização). Tais cidades não conseguem absorver esse
quantitativo populacional, propiciando a formação de favelas e
habitações irregulares, geralmente precarizadas e sem infraestrutura.
• Resumidamente, o processo de urbanização ocorre em quatro
principais etapas, sofrendo algumas poucas variações nos
diferentes pontos do planeta:

Em geral, o que se observa é a industrialização funcionando como um


motor para a urbanização das sociedades. Em seguida, ampliam-se as
divisões econômicas e produtivas, com o campo produzindo matérias-
primas e as cidades produzindo mercadorias industrializadas e realizando
atividades características do setor terciário.
Esse processo é acompanhado por um elevado êxodo rural, com a
formação de grandes metrópoles e, em alguns casos, até de
megacidades, com populações que superam os 10 milhões de habitantes.
Por fim, estrutura-se a chamada hierarquia urbana, que vai desde as
pequenas e médias cidades às grandes metrópoles.
Muitas vezes os fenômenos citados acontecem ao mesmo tempo. Além
disso, tal sequência não acontece de forma igualitária em todo o mundo.
Nos países pioneiros no processo de urbanização, ela ocorre de forma
mais lenta e gradativa, enquanto nos países de industrialização tardia, tal
processo manifesta-se de forma mais acelerada, o que gera maiores
problemas estruturais.
Urbanização mundial:
• Ao longo dos anos, a sociedade tem sofrido diversas modificações,
especialmente no que tange à apropriação do espaço geográfico.
Em meados de 1800, a população mundial era praticamente rural,
apenas cerca de 3% viviam em áreas urbanas. Contudo, um fato
marcou toda uma transformação social, modificando por completo
a estrutura populacional no mundo todo.
• O aumento das indústrias, vinculado a um expressivo
desenvolvimento tecnológico, fez com que as pessoas migrassem
para as cidades à procura de trabalho. Portanto, as oportunidades
de emprego nesse período são consideradas fatores atrativos, ao
passo que a intensa mecanização do campo era considerada um
fator repulsivo.
• Por volta de 1950, a população urbana era de, aproximadamente,
746 milhões de pessoas. Em 1950 houve um aumento bastante
expressivo, passando-se a 3 bilhões e 900 milhões de habitantes na
zona urbana.
• Atualmente, segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de
54% da população mundial vive na zona urbana, e há projeções da
organização de que essa porcentagem aumente, em 2050, para
66%, correspondendo a quase 2,5 milhões de pessoas deslocando-
se para essas áreas. O crescimento esperado concentra-se
especialmente nos continentes africano e asiático.
• Assim, segundo a ONU, o crescimento da população urbana
mundial, por ser elevado, especialmente nos países em
desenvolvimento ou subdesenvolvidos, não ocorreu de maneira
sustentável, acarretando diversos problemas sociais, ambientais e
até climáticos.
• Aproximadamente, 900 milhões de pessoas que foram para as
cidades vivem hoje em favelas no mundo todo, inseridas em um
contexto de miséria, fome e diversos problemas de saúde.
Urbanização brasileira:
• O processo de industrialização, propiciado pela Revolução
Industrial iniciada na Europa, foi o fator propulsor da urbanização
no Brasil, que teve seu início no século XX. A modernização do
campo vivida no período da industrialização provocou um
expressivo êxodo rural. Vale ressaltar que, até por volta de 1950, a
população brasileira vivia, em sua maioria, nas zonas rurais.
• Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
houve um grande aumento da população urbana brasileira entre os
anos de 1940 (31,24) e 2010 (84,36).
• Assim, segundo o órgão, atualmente mais de 80% da população no
país vivem nas áreas urbanas. E desse total populacional, 28%
concentra-se na região Sudeste, mais especificamente em São
Paulo (13%), Rio de Janeiro (10%) e Belo Horizonte (5%). Sendo
assim, é possível afirmar que o processo de urbanização ocorre de
maneira desigual no país.
• A Região Sudeste é, portanto, a que mais concentra população,
cerca de 92% dessa vivem em áreas urbanas. E isso se deve aos
inúmeros fatores atrativos, como a presença de indústrias e a
consequente oferta de emprego. A região Centro-Oeste vem em
segundo lugar, com cerca de 88,8% da população vivendo nas zonas
urbanas. A região Sul concentra, aproximadamente, 92% dos
habitantes nas cidades. As regiões Norte e Nordeste apresentam as
menores taxas de urbanização, 73,53% e 73,13%, respectivamente.
• Projeções da ONU apontam que, no ano de 2050, a população
urbana brasileira pode chegar a 93,6%, o que corresponde a,
aproximadamente, 237 milhões de habitantes vivendo nas cidades
em todo o país.
Consequências da urbanização:
• Favelização: A falta de planejamento e de políticas públicas faz
com que muitas pessoas (ao dirigirem-se às cidades e não encontrar
locais para abrigarem-se) ocupem áreas terrenas, muitas vezes em
áreas de risco. A favelização é uma consequência do inchaço
urbano e da ocupação desordenada das cidades.
• Excesso de lixo: Visivelmente, onde há maior concentração de
pessoas, há também maior produção de lixo. O aumento do
número de habitantes nas grandes cidades fez com que houvesse
maior produção de lixo, que, por vezes, é descartado de maneira
incorreta, provocando outros problemas urbanos e também
problemas ambientais. Segundo o IBGE, no Brasil, cerca de 50% do
lixo gerado é depositado em locais incorretos, a céu aberto.
• Poluição: A questão da poluição pode ter diversas naturezas. As
grandes cidades concentram, além de um elevado número de
habitantes, também um grande número de indústrias e
automóveis, que, diariamente, emitem diversos gases poluentes à
atmosfera, causando poluição do ar. A poluição sonora e visual
também é um grande problema vivido nos centros urbanos,
comprometendo o bem-estar da população.
• Violência: Processos como a marginalização da população por meio
da favelização ou da ocupação desordenada contribuem para o
aumento da violência. O inchaço das cidades associado à
incapacidade de abrigar toda a população, às condições insalubres
de moradia e à falta de políticas públicas que atendam essa parcela
da população tem como consequência direta o aumento da
criminalidade.
• Inundações: O processo de urbanização está atrelado a diversas
questões, como o aumento da produção de lixo associado à
impermeabilização do solo. O asfaltamento das cidades e o mau
planejamento prejudicam o escoamento das águas, provocando
inundações.
Cidades mais populosas do mundo:
• As cidades mais populosas do munto atualmente são:
Tóquio (aproximadamente 36 milhões de habitantes); Cidade do
México (com um pouco mais de 20 milhões de habitantes); Mumbai
(com cerca de 20 milhões de habitantes); Pequim (com 19,6 milhões
de habitantes); São Paulo (aproximadamente 19,5 milhões de
habitantes);
• Contudo, um estudo elaborado por pesquisadores canadenses,
Daniel Hoornweg e Kevin Pope, aponta que essas cidades deixarão
de configurar-se no topo do ranking em 2100, dando lugar a
cidades localizadas no continente africano.
• A nova lista projetada, com base nos estudos dos pesquisadores,
aponta que Lagos, na Nigéria, alcançará o primeiro lugar com,
aproximadamente, 88 milhões de habitantes; Kinshasa, no Congo,
com 83 milhões de habitantes, em segundo lugar; Dar es Salaam,
na Tanzânia, com 73 milhões de habitantes, em terceiro lugar; em
quarto lugar, Mumbai, na Índia, com 67 milhões de habitantes; e,
em quinto, outra cidade indiana, Nova Déli, com 57 milhões de
habitantes. A previsão aponta que São Paulo cairá para a 44ª
posição.

Idade contemporânea
Introdução:
• A Idade Contemporânea é um tempo histórico que foi inaugurado
na Revolução Francesa (século XVIII-1789) e dura até os dias atuais.
• O mundo passou por profundas transformações sociais, culturais,
políticas e econômicas: o Estado passou a ser definitivamente
separado da Igreja e demais religiões; muitas revoluções
aconteceram, entre elas a industrial, que garantiu a ascensão da
burguesia tanto economicamente como politicamente, o que gerou
uma nova ordem mundial, o sistema capitalista, e, com ela,
começou a luta de classes, que no século XX veio a se concretizar na
Guerra Fria que representava a disputa entre capitalistas e
socialistas; o desenvolvimento tecnológico; e a quantidade de
guerras (em especial, a I e II).
• O Brasil entrou nessa era ainda como colônia e, desde lá, tornou-se
uma monarquia e depois uma república. Em todos esses regimes,
vemos um forte caráter autoritário nas formas de gerir o país, o que
foi quebrado com a Constituição de 1988, pós-Ditadura Militar e
redemocratização.
Características da Idade Contemporânea
• A Idade Contemporânea iniciou no ano de 1789, com a Revolução
Francesa, e abarca muitos anos, perdurando por séculos, sendo
caracterizada por grandes mudanças, revoluções e guerras.
• No entanto, o que se pode atribuir como sua maior característica é
a consolidação do capitalismo em nível global enquanto sistema
econômico e político.
• Também existiram mudanças em diversas áreas do conhecimento e
regiões geográficas.
• Historicamente, apontamos que as principais mudanças na Idade
Contemporânea foram:
I. A estabilização do capitalismo como sistema econômico;
II. A revolução e posterior desenvolvimento industrial, dando à
burguesia acesso e domínio político;
III. A luta de classes, após a primeira metade do século XIX;
IV. A solidificação de regimes democráticos;
V. As disputas por territórios, matérias-primas e consumidores que
deram origem ao neocolonialismo e imperialismo;
VI. O vasto desenvolvimento tecnológico, sobretudo no século XX;
VII. A consolidação dos EUA como maior potência mundial após
o fim da Guerra Fria, quando disputavam capitalistas e socialistas;
VIII. A globalização;
Brasil na Idade Contemporânea:
• Quando esse período começou, ainda estávamos no regime
colonial, ou seja, éramos uma colônia portuguesa de exploração, e
sequer havia nos brasileiros um sentimento de território-nação.
Posteriormente, muitos anos e fatos depois, passamos pela
independência e nos tornamos uma monarquia.
• Governaram D. Pedro I e II, que conseguiram consolidar o país,
minando os movimentos separatistas. No final do século XIX, o
Brasil se tornou uma república, porém com democracia bastante
limitada, visto que a política permaneceu dominada apenas pelos
ricos. Atualmente, o domínio é exercido por latifundiários, que
mantiveram, durante muito tempo na história, pessoas
escravizadas. A abolição da escravidão no Brasil foi a mais tardia e
aconteceu até quase o século XX.
• Percebemos também uma característica autoritária forte em nosso
país, desde D. Pedro I, passando pelo coronelismo e ditaduras. Um
marco para tentar dar fim a esse histórico político, após a
redemocratização com o fim da Ditadura Militar, foi a Constituição
de 1988, chamada Constituição Cidadã, vigente até hoje.
Linha do tempo da Idade Contemporânea:

Periodização histótica:
• Para o historiador Jacques Le Goff, na obra “A História deve ser
dividida em pedaços?”, essas divisões apontadas na história
enquanto matéria (instituída no século XIX) são necessárias para a
apreensão de sentido nos fatos, auxiliando-nos a compreender as
mudanças e dinâmicas ao longo do tempo. Antes, existiram outros
modelos de divisões, e essa é uma discussão ainda em voga na
historiografia. Entretanto, a que seguimos é a que divide a história
em: Pré-História; Idade Antiga; Idade Média; Idade Moderna; e
Idade Contemporânea;
Acontecimentos importantes na Idade Contemporânea:
• No Mundo:
Revolução Francesa (1789) e o Iluminismo (a partir do século XVIII na
Europa);
Era Napoleônica e o domínio francês na Europa;
Rebeliões liberais, nacionalismo e unificação de países da Europa (Itália e
Alemanha);
Neocolonialismo imperialista na África, Ásia e Oceania;
Expansão e desenvolvimento dos Estados Unidos e Guerra de Secessão
(1861 e 1865);
Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX);
Independência das colônias da América Espanhola e do Haiti (século XIX);
Movimentos vanguardistas na arte (cubismo, dadaísmo, surrealismo,
futurismo, expressionismo);
Crise de 1929: quebra da bolsa de valores de Nova York;
Primeira Guerra Mundial (1914-1918);
Revolução Russa (1917);
Crise do capitalismo e surgimento dos regimes totalitários como
nazismo, fascismo, stalinismo, franquismo, salazarismo;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
Criação da Organização das Nações Unidas - ONU (1945);
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) pela ONU;
Guerra Fria (1945-1991) entre os Estados Unidos e a URSS;
Guerra da Coreia (1950-1953);
Corrida Espacial e Corrida Armamentista;
Guerra do Vietnã (1964-1975);
Desenvolvimento e Consolidação do Capitalismo;
Queda do Muro de Berlim (1989) e a reunificação alemã;
Expansão da Globalização, Imperialismo, Terrorismo e Neoliberalismo;
Desenvolvimento industrial e tecnológico;
Crescimento da urbanização e população;
Crise ambiental (aumento do aquecimento global, efeito estufa, etc.);
Aumento das desigualdades socioeconômicas e preconceitos (racismo,
xenofobia, etc.);
Indústria Cultural e Cultura de Massa;
• No Brasil:
Inconfidência ou Conjuração Mineira (1789) em Minas Gerais;
Conjuração Baiana (1798) na Bahia;
Chegada da família real no Brasil (1808);
Revolução Pernambucana (1817) em Pernambuco;
Independência política do Brasil (1822);
Primeiro Reinado (1822-1831) governado por D. Pedro I;
Criação da Primeira Constituição do país (1824) por Dom Pedro I;
Confederação do Equador (1824);
Guerra da Cisplatina (1825-1828);
Crise Econômica do Império e a Abdicação de Dom Pedro I (1831);
Período Regencial (1831-1840);
Problemas socioeconômicos, crise na política e economia;
Cabanagem (1835-1840) na região norte do país;
Revolução Farroupilha (1835-1845) na região sul do país;
Revolta dos Malês (1835) e Sabinada (1837-1838) em Salvador, Bahia;
Balaiada (1838-1941) no Maranhão;
Segundo Reinado (1840-1889) e o governo de Dom Pedro II;
Revolução Praieira (1848-1850) em Pernambuco;
Fim do Tráfico Negreiro Internacional e a Lei Eusébio de Queirós (1850);
Abolicionismo: Luta pelo fim da escravidão no Brasil;
Leis Abolicionistas: Lei do Ventre Livre (1871), Lei dos Sexagenários
(1885) e Lei Áurea (1889);
Guerra do Paraguai (1864 e 1870) e o aumento da dívida externa
brasileira;
Crise do Segundo Reinado;
Modernização e Industrialização no Brasil;
Proclamação da República (1889) e o fim da monarquia constitucional
parlamentar;
Governo Provisório (1889 a 1891) governado por Marechal Deodoro da
Fonseca;
O Encilhamento (1890) e a reforma financeira;
Primeira Constituição da República (1891) que instituiu o direito de voto
para maiores de 21 anos;
República da Espada (1891-1894) e os Governos Militares: Deodoro da
Fonseca (1891) e Floriano Peixoto (1891-1894);
República das Oligarquias (1894-1930) e eleição do primeiro presidente
civil: Prudente de Morais (1894);
Coronelismo, clientelismo, voto de cabresto e fraudes eleitorais;
Política dos Governadores durante o governo de Campos Sales (1898-
1902);
Política do Café com Leite e a alternância no poder (Minas gerais e São
Paulo);
Imigração e Industrialização: mudanças sociais e econômicas no país;
Guerra de Canudos (1893-1897) no sertão nordestino;
Guerra do Contestado (1912-1916) no sul do país;
Cangaço no nordeste do país (séculos XIX e XX);
Revolta da Vacina (1904) e a Revolta da Chibata (1910) no Rio de Janeiro;
Tenentismo (1922-1926) e a derrubada das oligarquias rurais;
Movimento Tenentista: Revolta do Forte de Copacabana (1922), Revolta
paulista de 1924 e a Coluna Prestes (1925 a 1927);
Movimento Modernista e a Semana de Arte Moderna (1922);
Revolução de 30 e a deposição de Washington Luís;
Era Vargas (1930-1945) e o governo de Getúlio Vargas;
Revolução Constitucionalista de 1932;
Constituição de 1934: os direitos trabalhistas e o voto secreto e feminino;
Intentona Comunista (1935) e o Plano Cohen;
O Estado Novo (1937 a 1945) e o governo autoritário de Getúlio Vargas;
Período Democrático (1946-1964) e a Constituição de 1946;
Era JK (Juscelino Kubitschek): desenvolvimentismo e otimismo entre 1956
e 1960;
Construção de Brasília, em 1960;
Governos Militares (1964-1985);
Ato Instrucional número 5 (AI-5), em 1968;
Processo de redemocratização do país: movimento sindicalista, Lei da
Anistia, Fim do bipartidarismo;
Diretas Já (1983-1984);
Plano Cruzado (1986), criado durante o governo de José Sarney;
Constituição Federal de 1988;
Governo Collor (1990-1992), as denúncias de corrupção e o
Impeachment;
Plano Real (1993) durante o governo de Itamar Franco;
Governo FHC (Fernando Henrique Cardoso): reformas econômicas e
avanços sociais;
Governo Lula (2003-2010) e as denúncias de corrupção;
Governo Dilma (2011-2016);
Governo Temer;
Globalização
Introdução:
• Globalização é o nome dado ao fenômeno de integração do espaço
mundial mediante os avanços técnicos nos setores da comunicação
e dos transportes.
• Esse processo se intensificou com o advento da Terceira Revolução
Industrial, em que se observou um aumento nos fluxos
internacionais de capitais, mercadorias, pessoas e informações.
• Esse processo é marcado pela proliferação das empresas
transnacionais e pela consolidação do capitalismo financeiro,
promovendo profundas transformações no sistema econômico
internacional e na organização do trabalho.
• Na sua atual fase, foram criadas novas redes geográficas, e houve
uma expansão sem precedentes das escalas de propagação de
informações e também do consumo. Apesar disso, a globalização
não se expandiu de maneira homogênea pelos territórios,
colocando uma parte da população mundial à margem desse
processo.
O que é globalização?
• Também conhecido como mundialização, a globalização é o nome
atribuído ao fenômeno de integração do espaço mundial por meio
das tecnologias da informação e da comunicação e também dos
meios de transporte, que se modernizaram rapidamente e
proporcionaram, além de maior dinamização dos territórios,
aceleração e intensificação dos fluxos de capitais, mercadorias,
informações e pessoas em todo o planeta.
Características da globalização:
• Suprimiu as barreiras entre os territórios e criou um espaço global
unificado, o que significa dizer que os fluxos acontecem agora em
uma escala internacional;
• Aceleração diretamente associada ao advento do meio técnico-
científico-informacional, que é marcado pela modernização das
tecnologias da informação e da comunicação já existentes e
surgimento de novas, bem como pela maior relação com a ciência,
criando assim condições para, dentre outros fatores, maior difusão
do capital e das empresas pelo espaço mundial;
• Responsável pelo avanço do capitalismo monopolista (ou
financeiro) e maior protagonismo do mercado no cenário
internacional;
• Internacionalização da produção, caracterizada pela desarticulação
vertical das empresas e consequente dispersão das etapas das
cadeias produtivas por diversos países e cidades, que são
selecionados de acordo com as vantagens locacionais que
oferecem;
• Surgimento e ampla atuação das empresas transnacionais por todo
o globo, incluindo países até então com baixo nível de
industrialização;
• Aumento dos fluxos de mercadorias e de capital (dinheiro) pelo
mundo;
• Padronização técnica da produção e também do consumo, o que é
fruto do papel dominante das empresas transnacionais;
• Intensificação do uso da tecnologia nos processos produtivos,
tanto na indústria quanto no campo. No meio rural, o processo de
modernização ficou conhecido como Revolução Verde;
• Advento de novos blocos econômicos e maior atuação das
organizações internacionais;
• Ampliação do fluxo de informações e difusão de maneira ágil e em
tempo real em quase todos os locais do planeta;
• Modernização das telecomunicações e surgimento de novos
meios, como a internet;
• Maior circulação de pessoas em escala global, com o crescimento
das migrações internacionais e das atividades turísticas;
• Criação de novos vínculos territoriais e adensamento das redes
geográficas;
• Difusão de forma desigual pelos territórios;
Tipos de globalização:
• A expansão do capitalismo moderno pelo mundo deu início à
globalização, mas esse fenômeno não ficou restrito somente a essa
esfera.
• O aperfeiçoamento técnico da comunicação e dos transportes
propiciou novos vínculos territoriais, permitindo-nos distinguir,
para fins metodológicos, ao menos dois diferentes tipos de
globalização.
I. Globalização econômica:
Refere-se ao processo de internacionalização da economia, que é
marcado pela consolidação do capitalismo monopolista (ou financeiro)
como novo modelo de acumulação, com grande importância do mercado
no âmbito da tomada de decisões.
Caracterizada pela massiva presença das empresas transnacionais pelo
globo, pela padronização da produção e sobretudo pela fragmentação
das cadeias produtivas, derivada da modernização tecnológica das
comunicações.
Está inserida também no seu escopo a reestruturação produtiva dos
territórios em escala global, que tem como resultado a instalação de uma
nova divisão internacional do trabalho (DIT).
I. Globalização cultural:
Chamada também de globalização social, corresponde à difusão de
elementos culturais em escala planetária, da mesma forma como pode ser
relacionada ao aumento da circulação de pessoas pelo espaço mundial e
nas trocas socioculturais e relações que são estabelecidas nesses
deslocamentos.
Está intimamente ligada aos meios de comunicação e ao desenvolvimento
de novas tecnologias, como a internet, que ampliam a escala das
conexões e da difusão de informações.
Origem e história da globalização:
• Existem aqueles que determinam como marco inicial desse
processo o advento do sistema de acumulação capitalista no
mundo, enquanto uma das teses mais aceitas é a de que a
globalização se iniciou com as Grandes Navegações dos séculos XV
e XVI.
• As Grandes Navegações representaram um momento de
consolidação do comércio internacional e expansão dos domínios
territoriais dos países europeus à época considerados centrais, que
estavam em busca de novas áreas fornecedoras de matéria-prima e
mão de obra. Esse período foi marcado pelo estabelecimento de
novas rotas comerciais no espaço mundial e intensa circulação de
mercadorias e pessoas entre países de diferentes continentes. As
descobertas cartográficas e o desenvolvimento de novas técnicas
de navegação estão nas origens desse acontecimento.
• Gradativamente, as transformações no sistema econômico
internacional e o aperfeiçoamento das comunicações e dos
transportes viabilizaram a evolução desse processo, o qual pode ser
compreendido por meio da sua divisão em diferentes fases.
Fases da globalização:
• Primeira fase da globalização:
Corresponde ao período das Grandes Navegações, com o início do
processo de integração do espaço econômico internacional. Faz parte
também dessa fase a Primeira Revolução Industrial, que data do século
XVIII. Além dos avanços tecnológicos no setor produtivo e dos
transportes e da ampliação da escala de produção, ela consolidou o
capitalismo enquanto sistema econômico internacional. Outro aspecto
importante que se destacou na Primeira Revolução Industrial foi a
invenção do telégrafo, que revolucionou a forma de comunicação no
período.
• Segunda fase da globalização:
Compreende o período que vai da segunda metade do século XIX até o
final da Segunda Guerra Mundial. Durante essa fase, os países europeus
expandiram seus domínios coloniais para o continente africano e para o
continente asiático motivados também pela busca por matérias-primas
mais baratas. Ocorreu um substancial avanço dos meios de comunicação
e de transportes, assim como dos processos de urbanização e
industrialização.
• Terceira fase da globalização:
Abrange o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e estende-se até o
encerramento da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim, que data de
1989. Um dos principais acontecimentos dessa fase, que deu respaldo
para a atual fase da globalização, foi a Terceira Revolução Industrial,
responsável pelas inovações tecnológicas e científicas que surgiram a
partir da década de 1970 e que são características do meio técnico-
científico-informacional. Foi durante essa fase também que se consolidou
o capitalismo financeiro e cresceu a presença de empresas
transnacionais pelo mundo, dois dos principais signos da globalização
contemporânea. Além de ser o período que usou o termo "globalização"
pela primeira vez.
• Quarta fase da globalização:
Teve início a partir da década de 1990 e corresponde ao atual estágio da
globalização. É marcada pela consolidação do processo de
industrialização em países emergentes, com destaque para a região do
Sudeste Asiático, e também da nova divisão internacional do trabalho. Os
ideais neoliberalistas avançaram para os países emergentes e
subdesenvolvidos, especialmente na América Latina. Novas redes
geográficas surgiram nesse período, facilitadas pelo desenvolvimento de
novas tecnologias da informação das quais se destacam a internet e as
redes sociais.
Vantagens e desvantagens da globalização:
• Vantagens:
A propagação das informações e do conhecimento atingiu, no atual
período técnico, uma escala sem precedentes na história, o que pode ser
considerado um dos aspectos positivos da globalização. Com a ideia de
superação das barreiras físicas alcançada pelos novos meios de
comunicação e de transporte, é possível ter conhecimento em tempo real
do que acontece em outros territórios localizados a centenas de milhares
de quilômetros, bem como estabelecer canais de contato com pessoas
em todos os lugares do mundo.
O contato com novas tradições culturais foi ampliado, o que foi facilitado
também pela difusão de elementos por meio de músicas, filmes, séries,
livros e outras produções audiovisuais de várias regiões distintas do
globo.
As próprias inovações no campo das ciências e da tecnologia podem ser
apontadas como vantagens do processo de globalização, assim como a
circulação de mercadorias com a ampliação do alcance dos mercados
internacionais, o que significa maior variedade de produtos aos
consumidores finais. Ainda no campo econômico, a intensificação dos
fluxos de capital na forma de investimentos estrangeiros auxiliaram o
processo de industrialização de determinados países.
• Desvantagens:
Apesar dos pontos positivos, a globalização apresenta também uma série
de aspectos negativos, o que levou autores como Milton Santos a falarem
em uma faceta perversa da globalização.
Um dos seus pontos negativos é a padronização do consumo, resultante
da dispersão das transnacionais por todas ou quase todas as áreas do
planeta, bem como da formação de grandes conglomerados (oligopólios)
que acabam por se tornar dominantes na produção de um bem
(alimento, produto de beleza, aparelho eletrônico, carro) ou na prestação
de serviços (bancários, comunicações etc.).
Nota-se ainda que a globalização não é um processo homogêneo e não
incorpora todos os territórios da mesma forma e intensidade em suas
mais diferentes dimensões — econômica, cultural ou informacional.
Nesse sentido, há um reforço das desigualdades socieconômicas e o
aprofundamento de problemas como a concentração de renda, a pobreza
e o desemprego, por exemplo.
Além disso, culturas já antes em uma posição hegemônica, que são
aquelas dos países desenvolvidos, obtêm maior alcance, o que conduz a
um processo de homogeneização cultural e menor protagonismo de
costumes e tradições locais.
Efeitos da globalização:
• Difusão das empresas transnacionais pelo espaço global;
• Reconfiguração da divisão internacional do trabalho, caracterizada
agora pela presença de países desenvolvidos ou países centrais e
de países emergentes e subdesenvolvidos, que constituem a
periferia econômica;
• Surgimento de novos organismos internacionais, principalmente
após o fim da Segunda Guerra Mundial, e de blocos econômicos
que atuam na regulamentação política e econômica em escala
internacional e na intermediação de conflitos. São exemplos dessas
uniões o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a
Organização Mundial do Comércio (OMC), o Mercosul e muitas
outras;
• Ampliação da competitividade entre lugares e também entre
empresas;
• Transformações no papel do Estado diante da maior atuação do
mercado;
• Intensificação dos fluxos de investimentos estrangeiros entre
empresas e territórios;
• Maior integração entre os lugares e criação de novas redes
geográficas;
Globalização e meio ambiente:
• O processo de globalização resultou em impactos diretos ao meio
ambiente. Embora tenha havido um grande desenvolvimento dos
transportes nesse período, o uso indiscriminado de combustíveis
fósseis ainda é realizado para a geração de energia nos motores à
combustão, lançando volumes expressivos de gases poluentes na
atmosfera. Mais recentemente, veículos elétricos têm sido
desenvolvidos como uma alternativa, mas o seu uso ainda é
bastante restrito e de elevado custo.
• A escala de produção e a crescente demanda por produtos dos
mais variados tipos intensificou a busca por recursos naturais e
matérias-primas, sem contar, é claro, com o aumento na produção
de alimentos e commodities agrícolas que são responsáveis pela
abertura de novas áreas de cultivo e pastagem. Como
consequência desses processos, podemos citar: desmatamento,
poluição de mananciais, escassez de recursos, contaminação do
solo e muitos outros efeitos negativos para o ecossistema.
• Além disso, o aumento da produtividade e do consumo gerou
ampliação da produção de lixo em escala global na mesma
proporção, o que gera uma série de problemas para os ambientes,
tanto terrestres quanto marítimos, como é o caso das toneladas de
plástico que são descartadas anualmente nos oceanos.
Globalização no Brasil:
• Os efeitos da globalização foram sentidos no Brasil de maneira mais
intensa a partir da segunda metade do século XX, quando se
registrou um maior ingresso de empresas multinacionais no
território brasileiro. Esse período foi marcado ainda pela
modernização do campo, com a absorção dos signos produzidos no
âmbito da Revolução Verde e com o crescimento dos grandes
centros urbanos, decorrentes tanto da mecanização do trabalho
rural quanto da industrialização, que se intensificou.
• A década de 1990 marcou a internacionalização da produção
agrícola brasileira, o grande ingresso de produtos estrangeiros no
território e a adoção das medidas neoliberais conforme as
proposições do Consenso de Washington, com maior abertura da
economia nacional aos investimentos estrangeiros e um amplo
processo de privatização de empresas até então de administração
estatal.
• Dessa forma, podemos dizer que a integração do Brasil ao espaço
econômico mundial aconteceu de maneira mais robusta a partir do
final do século XX. Internamente, entretanto, a globalização
produziu e reforçou uma série de contradições socioespaciais e
econômicas no território brasileiro.

Geopolítica
Introdução:
• Geopolítica é um termo utilizado para designar tanto a prática
quanto os estudos das relações e disputas de poder entre Estados
e territórios. Esse campo do conhecimento se dedica aos estudos
dos conflitos diplomáticos, políticos e territoriais, das crises, da
evolução histórica do ordenamento político do espaço mundial, da
articulação entre os Estados nacionais e da atuação das
organizações internacionais e blocos econômicos.
• De grande importância para a análise das relações internacionais e
do ordenamento territorial em diversas escalas, a geopolítica
permite desenvolver uma visão crítica acerca do passado histórico
e principalmente dos acontecimentos atuais.
O que é geopolítica?
• Entende-se por geopolítica todas as relações de poder que são
estabelecidas entre diferentes países e territórios e as dinâmicas
espaciais, políticas e econômicas diretamente associadas a elas.
Assim, podemos dizer que a prática da geopolítica acontece
principalmente mediante as ações e as estratégias engendradas
pelo Estado, que corresponde ao organismo político de um
determinado país, mas não se limita somente a esse nível de
organização territorial. Além disso, frequentemente estudamos a
geopolítica pela ótica dos organismos internacionais e
supranacionais, dos blocos econômicos e das alianças regionais,
por exemplo.
O que a geopolítica estuda?
• A geopolítica está diretamente associada à Geografia Política,
utilizando muito dos conceitos dessa área da ciência geográfica para
construir as suas principais vertentes de estudo. Em linhas gerais, a
geopolítica analisa as relações internacionais e as estratégias
políticas adotadas pelos diferentes territórios e Estados nacionais
na sua atuação diante de situações específicas, como conflitos,
crises políticas, econômicas e diplomáticas, ameaças à
manutenção de sua soberania interna, questões separatistas e
outros temas correlatos.
• A conjuntura política do sistema-mundo e a maneira como se dá a
articulação dos Estados em períodos históricos distintos são
também objetos de estudo da geopolítica. Dentre esses elementos
está ainda a atuação dos organismos supranacionais, como a
Organização das Nações Unidas (ONU), os blocos econômicos
regionais, as organizações políticas e financeiras internacionais e as
alianças locais e regionais que se formaram ao longo da nossa
história.
Origem e história da geopolítica:
• O interesse pela organização territorial do mundo e pela
compreensão das disputas de poder se tornou crescente à medida
que os Estados nacionais se estabeleciam pelo mundo. Durante
principalmente o século XIX surgiram muitos estudos de caráter
estratégico que visavam a analisar a geografia política do
continente europeu.
• Foi nesse contexto que surgiram importantes contribuições à
Geografia Política, como as do geógrafo Friedrich Ratzel (1844-
1904), que se tornou uma das principais referências quando se fala
em uma definição de território e na compreensão do que é o
Estado.
• A origem da geopolítica enquanto parte da ciência geográfica e
principalmente enquanto conceito estabelecido aconteceu entre o
final do século XIX e o início do século XX, quando a palavra foi
utilizada pela primeira vez em um estudo publicado pelo cientista
político sueco Johan Rudolf Kjellén (1864-1922).
• A geopolítica de Kjellén destaca o Estado como principal agente
político e articulador, dando a ele uma dimensão espacial. Foram
publicadas novas obras e estudos em que Kjellén forneceu
explicações detalhadas a respeito do que é e como se delineava a
geopolítica sueca, assim como do período em que se inseria. A
disciplina foi ganhando cada vez mais importância no campo
prático, em especial na Europa em um contexto de disputas por
fronteiras territoriais e da Primeira Guerra Mundial.
• A geopolítica se tornou mais abrangente e sólida após a Segunda
Guerra Mundial, quando o mundo se viu diante da Guerra Fria, que
colocou os países em polos ideológicos opostos, havendo uma
intensa disputa pela hegemonia política e econômica
internacional.
Importância da geopolítica:
• Enquanto parte do conhecimento geográfico, a geopolítica é de
fundamental importância para o entendimento do que é poder e
qual a sua relação com os territórios em diversas escalas.
• Essa disciplina possibilita também a melhor compreensão acerca da
atuação dos Estados nacionais no sistema-mundo e de que forma
ocorrem as relações e articulações entre eles. Dessa forma, a
importância da geopolítica se estende para a apreensão da
conjuntura política internacional e análise crítica de como se
organizavam os territórios no passado histórico.
• A geopolítica facilita, assim, a interpretação dos dilemas atuais,
como conflitos territoriais, étnicos e políticos, guerras comerciais,
disputas por hegemonia, tensões diplomáticas entre dois ou mais
Estados nacionais, atuação das organizações internacionais em
meio a essas questões e diversos outros acontecimentos que se
desenrolam em tempo real e o desenvolvimento de uma visão
analítica e crítica a respeito do mundo e da atualidade em que
estamos inseridos.
Geopolítica no Brasil:
• O Brasil se insere na geopolítica internacional como um país em
desenvolvimento com grande potencialidade para crescimento no
cenário político e econômico mundial.
• Atualmente, o país apresenta fortes alianças estabelecidas com
outras nações pertencentes ao Sul Global, que compreende os
países emergentes, como os demais membros do grupo dos Brics e
os seus parceiros regionais do Mercosul, bloco constituído pelas
economias nacionais sul-americanas. Assim, o país desempenha
um importante papel político e econômico na região do Atlântico
Sul.
• Com relação à constituição de um corpo acadêmico nacional
dedicado aos estudos da geopolítica, o professor Wanderley
Messias da Costa explica que a sua concretização aconteceu a partir
da segunda metade do século XX, mais precisamente a partir da
década de 1980.
• Antes disso, em sua maioria, a geopolítica brasileira era
desempenhada no campo prático e reservada aos meios militares,
pensando então em questões de estratégia de proteção das
fronteiras e integração do território nacional.
• O reordenamento interno do território brasileiro a partir dos anos
1950, com a urbanização acelerada, a industrialização e a
modernização da agricultura, levou ao reposicionamento do Brasil
na conjuntura política e econômica internacional.
• Durante a década de 1980, as transformações na estrutura política
interna, com a redemocratização e o fim da ditadura, direcionaram
a centralidade da geopolítica para a academia, que se desenvolveu
ainda sob a influência de pensadores franceses e alemães.
Geopolítica mundial:
• A geopolítica mundial passou por transformações muito
significativas no decorrer do tempo, em especial se consideramos
todos os eventos que decorreram após o final da Segunda Guerra
Mundial.
• Em meados do século XIX, a geopolítica mundial era desenhada por
duas potências principais que disputavam a hegemonia política dos
demais Estados nacionais, sendo elas os Estados Unidos, que
representava o mundo capitalista, e a União Soviética, que
representava as nações socialistas. Esse período é mais conhecido
como o da Guerra Fria. Nesse ínterim surgiram importantes
organismos internacionais, como a ONU, o Banco Mundial e o
Fundo Monetário Internacional (FMI).
• Ao final da década de 1980 aconteceu a queda do Muro de Berlim,
na Alemanha, que simbolizou o fim da divisão do mundo em dois
polos e a reconfiguração da geopolítica mundial, agora com os
Estados Unidos se consolidando na posição de país hegemônico
logo no início dos anos 1990. Desenhava-se o que ficou conhecido
como a Nova Ordem Mundial, em contraponto à Velha Ordem
Mundial.
• Outro fenômeno que caracterizou a nova configuração global diz
respeito ao desenvolvimento do capitalismo monopolista (ou
financeiro), à expansão das multinacionais e ao advento de uma
divisão internacional do trabalho.
• A dinamicidade dos processos políticos e econômicos globais
condicionaram o surgimento de um contexto geopolítico
internacional no período recente. Chegamos em um cenário em
que, apenas para citarmos alguns exemplos, os Estados Unidos e a
China disputam a hegemonia econômica internacional, ao mesmo
tempo em que se intensificam os conflitos territoriais e étnicos na
Europa e no Oriente Médio, com destaque para a guerra entre a
Rússia e a Ucrânia e os confrontos recorrentes entre Israel e os
territórios da Palestina e da Faixa de Gaza.
Geopolítica e Geografia Política:
• Geografia Política: inserida no escopo da Geografia Humana,
corresponde a uma área do conhecimento que se ocupa do estudo
dos Estados e de sua dimensão espacial, isto é, dos territórios.
• Geopolítica: coloca o Estado no centro da ação e se volta à
compreensão das relações de poder entre os diferentes Estados, às
estratégias e articulações que permeiam essa dinâmica e aos seus
desdobramentos em diferentes períodos e conjunturas.

Geografia Agrária
Introdução:
 Geografia Agrária é a ciência que estuda a terra e as suas formas de
exploração e cultivo, ou seja, o desenvolvimento da agricultura.
 O nascimento dessa atividade se deu na Pré-História, quando o
homem entendeu que criar plantas e domesticar animais eram
meios fundamentais de sobrevivência.
 A agricultura é a base para o desenvolvimento humano, econômico
e urbanístico das sociedades. Todos os sistemas políticos e sociais
(feudalismo, capitalismo, socialismo, entre outros.) em algum
momento apoiaram-se nessa prática para expandir seus territórios
e comércio.
Sistemas agrícolas:
 A geografia agrária usa duas classificações bem distintas para definir
os tipos de produção agrícola:
Modelo Intensivo: sistema de produção em larga escala, tecnologia de
ponta com mão de obra especializada, uso de substâncias químicas no
controle de pragas e integração com a indústria.
Modelo Extensivo: uso de técnicas rudimentares que visam o mínimo de
danos ao solo, produção voltada para agricultura familiar ou mercado
interno, e dispensa do uso de agrotóxicos.
Tipos de agricultura:
 Plantation:
Método usado pelas metrópoles europeias nas colônias de exploração,
especialmente a América do século XVI. É configurado pelo cultivo de
matérias-primas em grandes latifúndios (extensões de terra) e uso de
mão de obra escrava, principalmente negra.
Outro aspecto é a produção voltada para o comércio externo,
fortalecendo assim a dependência econômica das terras colonizadas.
 Agricultura de Subsistência (Familiar):
Esse tipo de agricultura é baseada no cultivo de várias plantas no mesmo
terreno (policultura), na tentativa de preservar o solo. A produção é para
o consumo familiar, sendo uma pequena parte destinada para o
comércio.
A qualidade dos produtos é superior aos demais da indústria. Sem auxílio
de grandes máquinas, o plantio geralmente é feito em pequenos hectares
de terra.
Na geografia agrária, a agricultura de subsistência contribui de forma
significativa na geração de renda e empregos no campo. As grandes
propriedades, por exemplo, conseguem empregar grande quantidade de
mão de obra, pois todas as atividades são manufatureiras (agricultura
tradicional).
 Agricultura Biológica (Orgânica):
É a forma de plantio sustentável, utilizando técnicas que dispensam o uso
de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos. Esse método utiliza apenas
adubos de origem orgânica e diferencia os tipos de produtos a serem
plantados.
As práticas biológicas tiveram origem na década de 20 e até então
ressaltam a necessidade de se produzir alimentos saudáveis, sem danos
para a saúde daqueles que os consomem.
Por não explorar o uso de máquinas e substâncias químicas, os produtos
acabam sendo mais caros que os industrializados, dificultando a compra
das populações de baixa renda.
 Agricultura Comercial:
Também conhecida como agricultura moderna, nesse tipo de plantio
pratica-se o cultivo de somente um alimento (monocultura) e uso intenso
das tecnologias de ponta.
Além disso, utilizam grandes quantidades de fertilizantes, agrotóxicos,
pesticidas e sementes geneticamente alteradas. Como é voltada para
comercialização em massa, a produção é em larga escala e com base em
mão de obra especializada, como técnicos e agrônomo.
 Agricultura de jardinagem:
Atividade típica do continente asiático, nas áreas de atuação dos ventos
de monção, é praticada com o auxílio de técnicas tradicionais e tem como
objetivo a subsistência. Desenvolvida em terraços e planícies alagadas.
 Permacultura:
Desenvolvimento de cultivos permanentes e sustentáveis aliando as
tecnologias modernas e as técnicas tradicionais da agricultura."
Agronegócio:
 Dentro da geografia agrária, é o modelo de fabricação agrícola que
também apoia-se no uso de maquinário, entretanto, o seu foco está
na biotecnologia e criação de sementes transgênicas (código
genético modificado), visando à expansão dos investimentos
financeiros.
 Os aparatos científicos e tecnológicos são intensamente
requisitados, como as consultas meteorológicas e a bolsa de
valores. A agroindústria, por exemplo, é uma das vertentes mais
importantes do agronegócio, pois alimenta três setores da
economia: agricultura (primário), indústria (secundário), comércio
e serviços (terciário).
Agricultura e agronegócio no Brasil:
 Com o passar dos anos, a agricultura no Brasil passou por diversas
fases e modificações, indo desde a economia pautada na produção
de cana-de-açúcar, no período colonial, até a expansão do plantio
de soja e café.
 A partir do século XX, as políticas econômicas contribuíram para o
controle da inflação e das taxas de câmbio, proporcionando o
desenvolvimento do setor agrícola brasileiro, que passou a ser a
principal base de equilíbrio da balança comercial do país.
 Os avanços na agricultura estão relacionados ao processo de
industrialização ocorrido no Brasil logo após a Revolução Industrial
europeia, fator que contribuiu com uma nova divisão e estrutura
do território nacional. O surgimento e fortalecimento das
indústrias, o crescimento do comércio e a urbanização deixaram o
campo dependente das técnicas de produção, como máquinas e
substâncias químicas de fertilização ou controle de pragas.
 Já o agronegócio favorece grande parte do Produto Interno Bruto
(PIB) do país. É uma atividade intensiva que exige o uso de
máquinas, tecnologias de ponta e variedades na mão de obra, além
de insumos com alta qualidade.
 O Brasil vem investindo bilhões no processo de modernização da
agricultura e do agronegócio. Por isso, atualmente, ocupa o
primeiro lugar na produção mundial de café, açúcar e laranja, e na
exportação de carne bovina e de aves.

Sociologia política
Introdução:
 A Sociologia Política busca analisar o papel dos atores e instituições
sociais diante do poder e, ao mesmo tempo, refletir sofre as
confluências entre a esfera política e o campo social.
Organização:
 De forma sintética, podemos dizer que a Sociologia Política é uma
área do conhecimento científico que estuda os fenômenos políticos
utilizando as teorias e metodologias típicas da pesquisa
sociológica. Isso significa que ela é um ramo específico da
Sociologia que tem por objeto a política.
 Para alguns teóricos, a política se resume a disputa de indivíduos e
grupos pelo controle do Estado. Para outros, a política se relaciona
com as possibilidades de livre participação que todos os cidadãos
deveriam ter nas decisões coletivas. Dependendo a noção que se
tenha sobre o que é política, altera-se a ideia de onde começa e
termina o campo de pesquisa da Sociologia Política. A questão é
complexa, mas diremos apenas que entende-se por política tudo
aquilo que diz respeito a gestão do que é público, isso é, daquilo
que pertence a um coletivo de pessoas – incluindo recursos e
instituições.
 Tendo em mente esse conceito, podemos dizer que a Sociologia
Política irá tratar de relacionar política e sociedade, tratando de
entender as relações de poder que se configuram entre essas duas
esferas. Um exemplo: quando uma associação de empresas
pressiona o governo para aprovar novas leis trabalhistas que
permitam uma jornada mais longa de trabalho, estamos tratando de
um possível objeto de análise para o pesquisador da Sociologia
Política. Isso porque, nessa situação, observamos o exercício do
poder político dentro de um contexto social onde há interesses
conflituosos entre dois grupos sociais (empresários e empregados).
As possibilidades que diferentes grupos têm de pressionar o Estado
e garantir benefícios próprios é um tema recorrente na Sociologia
Política.
 Logicamente, a Sociologia Política em si só surgiu após a criação da
própria Sociologia. Entretanto, as reflexões acerca das relações
entre política e sociedade são bastante antigas, remontando a
Aristóteles (na Antiguidade Clássica) e Maquiavel (no
Renascimento). Ao lado de Toqueville e Montesquieu, estes
autores podem ser considerados como os grandes precursores da
Sociologia Política. Porém, é apenas com Karl Marx, Émile
Durkheim e Marx Weber que essa disciplina ganha seu status
científico. Esses são os três grandes fundadores da Sociologia e,
pela grande atenção que dedicaram as relações entre as esferas
sociais e políticas, podem também ser considerados como os pais
da Sociologia Política. Marx dedicou boa parte de seus escritos a
elucidar as relações entre a luta de classes e o Estado. Weber
escreveu sobre os diferentes tipos de dominação política,
destacando o papel da burocracia no Estado moderno. Por sua vez,
Durkheim debateu o papel do Estado para a manutenção da
unidade entre os indivíduos na sociedade industrial nascente.
 Em meados do século XIX são publicadas no Brasil obras que podem
ser consideradas como grandes precursoras da Sociologia Política
nacional. Nesse período, alguns autores já se ocupavam em estudar
a consolidação da estrutura política brasileira e suas relações com
as características da sociedade local, suas particularidades
históricas e regionais. No final deste século, Joaquim Nabuco
publica O Abolicionismo, que foi, para alguns intelectuais, a
primeira grande obra de Sociologia Política genuinamente
brasileira. Nela, Nabuco defendia que a escravidão havia cumprido
um papel fundamental na formação social, política e econômica do
país, sendo a instituição central que determinaria o funcionamento
de todas as esferas sociais brasileiras. A partir da década de 1930
vivemos um período super fértil da Sociologia Política no Brasil,
consagrando as obras de Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior e Sérgio
Buarque de Holanda como grandes clássicos dos estudos sociais
sobre a formação da sociedade brasileira.

Filosofia clássica
Introdução:
 Filosofia, do grego antigo philosophia, significa “amor à sabedoria”.
Surgida na Grécia Antiga, serviu aos pensadores da época para
explicar e desvendar os mitos até então dados como verdades
imutáveis.
 A Filosofia Clássica é o período em que se iniciou o pensamento
filosófico, e manteve-se ativa entre os séculos VII a.C e VI d.C.
 Podemos ainda, dividir este período entre os períodos Pré-
Socrático, Clássico e Pós-Socrático, exatamente pelo trabalho do
maior filósofo desta época: Sócrates.
O Período Pré-Socrático:
 Este período é marcado pelo pensamento voltado principalmente a
explicar a natureza, o Universo, suas leis e fundamentos através da
razão e da lógica.
 A geometria, aritmética, física e química tem várias de suas
primeiras ideias registradas nessa época.
 Tales de Mileto desenvolve seu famoso Teorema de Tales durante o
período, indicando o princípio da geometria. Entre outras
discussões, ele começa o pensamento voltado à matéria e do que
somos feitos, indicando erroneamente que toda a matéria deriva
da água.
 Heráclito, Pitágoras, entre outros também se encaixam nesta época,
contribuindo cada um com seu trabalho. Heráclito com sua
Dialética e Pitágoras com suas Leis da Geometria.
 Demócrito e Leucipo continuam os estudos de Tales de Mileto sobre
a formação da matéria. Recusando as proposições de Tales de
Mileto, eles sugerem pela primeira vez a existência do átomo.
O Período Clássico:
 Marcado pela glória da Grécia, nesta época o desenvolvimento
cultural, urbano e filosófico foi o de maior intensidade na região.
 É neste período que viveram Sócrates, Platão, Aristóteles e os
sofistas.
 Sócrates, diferentemente de seus predecessores, iniciou a corrente
filosófica de estudo do Homem, sua moral, suas ações e aquilo que
ele chamava de “Mundo da Realidade”: o mundo sem mitos,
histórias e fantasias, com a realidade baseada na lógica e razão. A
fim de resolver cada uma destas questões ligadas ao homem, ele
desenvolveu o Método Socrático, definido como a quebra de uma
grande pergunta entre diversas outras menores. Assim,
respondendo todas as pequenas, é possível entender e responder
a maior. Este método, difundido e utilizado largamente, foi a base
do pensamento filosófico que se estende até hoje. Entre os estudos
socráticos destacam-se a Política, a Virtude, a Teologia e o próprio
Conhecimento em si, este exemplificado pela famosa frase “sei que
nada sei”, já que, a cada pergunta respondida, diversas outras
surgiam. Nada dos estudos de Sócrates foi escrito por ele, todas
suas ideias e teorias são relatadas nos escritos de seu discípulo,
Platão.
 O famoso discípulo de Sócrates prezava pelo estudo do
Conhecimento, defendendo que deveríamos separar o “Mundo da
Realidade” do “Mundo das Aparências”, como exemplificado em
seu “Mito da Caverna”. No mito, ele explica que devemos nos
separar das imagens que acreditamos ser a realidade e buscar a
fonte de luz, ou de conhecimento verdadeiro, que causam estas
falsas impressões da realidade. Entretanto, é difícil que o homem
aceite a ideia de que sua realidade é falsa. Ele vê aquele que
contraria sua realidade como um inimigo, atacando-o e fechando
os olhos para a verdade, permanecendo nas sombras.
 Os sofistas, filósofos contemporâneos de Sócrates e Platão, eram
de uma escola filosófica que pregava que a verdade não era única e
imutável, mas que podia ser moldada de acordo com o momento.
Eles eram mestres em oratória e retórica. Por estes motivos, tinham
conflitos diretos com as ideias de Sócrates sobre a verdade
imutável baseada na razão.
 Aristóteles também foi contra os sofistas. Ele defendia as ideias de
Sócrates, mas possuía as suas próprias. No vasto campo de estudo
de Aristóteles, ele se destacou na Lógica, Política, Ética, Retórica,
Metafísica, Astronomia e as Ciências da Natureza. A partir da
Lógica de Aristóteles, foi possível a Revolução Científica do século
XVI d.C.
Período Pós-Socrático:
 Período que se estende do século III a.C até o início da Era Cristã, o
período pós-socrático mostra o fim da hegemonia grega e queda
do império.
 As inconstâncias da vida cotidiana pela guerra deram início à
correntes filosóficas como o Ceticismo, em que o homem é cercado
pela dúvida e não deve manter-se fixado numa única verdade, mas
sim procurar sempre outras alternativas. O Epicurismo, do filósofo
Epicuro, buscava o prazer imediato, tanto intelectual quanto
corpóreo, pois não se sabia o resultado de amanhã. Os seguidores
do Estoicismo mantinham a razão como pedra fundamental de
seus pensamentos, pregando que o sofrimento, perdas e emoções
deveriam ser mantidas de lado para o pensamento claro e lógico.
Principais escolas filosóficas:
 Escola Jônica: reuniu os primeiros filósofos na cidade grega de
Mileto, localizada na região da Jônia, no litoral ocidental da Ásia
menor (atual Turquia). Além de Mileto, temos a cidade de Héfeso,
com Heráclito como seu principal representante e Samos, com
Pitágoras. Na cidade grega de Mileto destacam-se Tales de Mileto,
Anaximandro e Anaxímenes.
 Escola Itálica: foi desenvolvida na atual região do sul da Itália (na
cidade de Elei) e da Sicília (nas cidades de Aeragas e Lentini).
Destacam-se os filósofos Parmênides, Zenão, Empédocles e
Górgias.

Transporte
Introdução:
 Foi a partir das revoluções industriais que o transporte ganhou
importância. Hoje, num mundo cada vez mais globalizado, o
funcionamento adequado da rede de transportes é fundamental
para o bom desempenho da economia de um país. Afinal, num
mundo sem fronteiras, ligado pela web e viciado em velocidade,
entregar o produto certo na hora certa com o menor custo é vital
para a competitividade, e para isso, a logística precisa ser eficiente.
 Logística é um ramo da gestão cujas atividades estão voltadas para
o planejamento da armazenagem, circulação (terra, ar e mar) e
distribuição de produtos. Um dos objetivos mais importantes da
logística é conseguir criar mecanismos para entregar os produtos
ao destino final num tempo mais curto possível, reduzindo os
custos. Para isso, os especialistas em logística estudam rotas de
circulação, meios de transportes, locais de armazenagem
(depósitos) entre outros fatores que influenciam na área.
 Com o desenvolvimento do capitalismo mundial, sobretudo a partir
da Revolução Industrial, a logística tornou-se cada vez mais
importante para as empresas num mercado competitivo. Afinal, a
quantidade de mercadorias produzidas e consumidas aumentou
muito, assim como o comércio mundial. Portanto, a globalização da
economia tornou a eficiência logística imprescindível para as
empresas.
 No Brasil, os serviços logísticos sofrem com os gargalos históricos
que impedem que o país cresça num ritmo maior. Rodovias
precárias, malha ferroviária ultrapassada, aeroportos insuficientes
e portos defasados são obstáculos ao crescimento. Como exemplo,
em 2016 quase 12% da receita das empresas foi consumida com
despesas de transportes e armazenagem. Nesse sentido, cabe
entender que, de acordo com a situação, o tipo de mercadoria e o
local, haverá um meio de transporte mais ou menos adequado a
ser utilizado. Além disso, muitas são as situações onde o ideal é
fazer o uso conjugado de diferentes modais de transporte (através
da intermodalidade ou multimodalidade), aproveitando o que de
melhor cada um deles oferece.
Meios de transporte:

 Transporte fluvial:
É um dos mais antigos meios de transporte que se conhece, tendo
desempenhado importante papel na penetração, povoamento e
ocupação do interior dos continentes. Nesses casos, os rios funcionaram
como verdadeiros caminhos naturais. Além do transporte fluvial, o
transporte marítimo (mares) e o lacustre (lagos) formam o conjunto dos
transportes aquaviários (que utilizam a água como espaço para
locomoção). Suas principais características são: custo operacional baixo,
pois depende basicamente das operações de carga e descarga; grande
capacidade de carga; muito econômico para grandes distâncias; e baixo
consumo de energia.
A navegação fluvial é utilizada, com maior ou menor intensidade, em
praticamente todo o mundo. No entanto, destaca-se mais na Europa,
onde grandes e importantes obras (canais artificiais, instalações
portuárias e barragens) foram construídas para permitir melhor
aproveitamento no transporte de mercadorias diversas. Existem muitos
rios navegáveis importantes no mundo.

É importante saber que a navegação fluvial não pode ser realizada


adequadamente em determinadas condições. Portanto, dentre os
diversos fatores que influenciam esta modalidade de transporte,
destacam-se o relevo – enquanto os rios de planície são ótimos para a
navegação, os de planalto costumam apresentar cachoeiras, entretanto,
com a evolução da engenharia, esse entrave já é superável com a
construção de comportas (eclusas), ainda que isso exija grande
investimento financeiro; e o clima – nas áreas muito frias, os rios são
utilizados para navegação somente na primavera e no verão, no outono e
inverno, devido ao congelamento, a navegação fica paralisada, nas áreas
com seca prolongada, a navegação também é prejudicada por causa da
grande variação do nível das águas. Nesse caso, a solução para uma
navegação permanente está na construção de represas ou barragens para
regularizar o nível das águas.
 Transporte marítimo:
Esse tipo de transporte sofreu grande evolução ao longo do tempo. De
embarcações movidas a remo e a vela, passou a usar a carvão, petróleo e
já está entrando na fase da energia atômica. Quanto à capacidade de
carga, a evolução foi também espetacular: de 1.000 toneladas no século
XVIII, hoje já existem navios com capacidade de transporte de 500 mil
toneladas. Apesar de ter sido substituído pelo avião como forma principal
de transporte de passageiros, continua sendo o principal meio de
transporte de mercadorias a longas distâncias, cada vez mais deslocadas
dentro de contêineres, que facilitam o transporte e o armazenamento
das mercadorias, além de aumentarem a segurança e evitarem desvios de
carga.
O transporte marítimo depende principalmente de fatores como
disponibilidade e qualidade das embarcações bem como de instalações e
eficiência portuárias. Poucos são os portos marítimos em condições de
receber navios de 300 mil toneladas ou mais. No Brasil, um dos principais
problemas que afetam o transporte marítimo é a ineficiência portuária,
responsável pelos grandes congestionamentos e pela deterioração de
muitos produtos, acarretando enormes prejuízos. Os navios permanecem
cerca de 70% do tempo útil parados, seja por problemas portuários, seja
por reparos técnicos.
O transporte marítimo divide-se em dois tipos: internacional ou de longo
curso (de grandes distâncias) e navegação costeira ou de cabotagem (ao
longo do litoral).
 Transporte ferroviário:
O trem foi o principal meio de transporte do século XIX, tendo sofrido
grande expansão mundial entre a segunda metade do século XIX e a
primeira metade do século XX, principalmente na Europa e na América do
Norte, áreas que concentram cerca de 70% do total mundial. Grande
número de ferrovias foi construído na Europa, ligando as áreas portuárias
ao interior, bem como as capitais às diversas regiões, promovendo a
integração nacional, estimulando o comércio e facilitando a circulação de
pessoas e mercadorias.
Suas principais características são: grande capacidade no transporte de
cargas e passageiros; mais econômico que o rodoviário; possui diversas
opções energéticas (vapor, diesel, eletricidade); material rodante e de
longa duração; trens modernos podem atingir grandes velocidades;
estimula o desenvolvimento das indústrias de base; e utilizado
principalmente no deslocamento de cargas nos países desenvolvidos.
Em países de grande extensão territorial, como os EUA e o Canadá, foram
construídas grandes ferrovias (transcontinentais), algumas delas cruzando
o território de leste a oeste, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico. Na
União Soviética foi construída a Transiberiana (a maior ferrovia do
mundo), ligando Moscou a Vladivostok, no litoral do Pacífico. Essas
ferrovias foram de grande importância na ocupação territorial de áreas
distantes, na dinamização econômica e comercial, no maior controle
governamental e na própria unidade e integração nacional.
Entre 1940 e 1960, verificou-se certa estagnação e até mesmo declínio
das ferrovias, com muitas delas sendo desativadas. A causa dessa
estagnação foi a expansão das rodovias em consequência do uso de
novas fontes energéticas, como o petróleo. Entretanto, a partir da década
de 70, deu-se uma reativação do transporte sobre trilhos, em razão de
fatores como a crise do petróleo, o desenvolvimento tecnológico no setor
de transportes (trens modernos e velozes, metrô), a expansão
populacional e urbana – exigindo transportes de massa. Na verdade, com
o aparecimento de trens ultravelozes, que já atingem velocidade de até
400 km/h, o transporte ferroviário começa a concorrer com o aéreo em
determinados trechos.
De qualquer modo, o transporte ferroviário mundial apresentou grande
expansão nos últimos 150 anos, passando de 8.000 km em 1840 para
1.245.000 km em 1988. Atualmente, os EUA dispõem da maior rede
ferroviária do mundo (296 mil km). No caso do Brasil, tivemos uma
expansão com sobressaltos: em 1854, tínhamos uma malha de apenas
14,5 km; em 1920, já eram 28.000 km de ferrovias; quase setenta anos
depois, em 1989, havíamos avançado pouco: 30.350 km. E desde então, a
expansão foi praticamente nula, pois em 2015 o Brasil atingiu 30.576 km
de ferrovias.
 Transporte aéreo:
Na Primeira Guerra Mundial, o avião começou a ser utilizado para fins
bélicos e, no final da década de 1920, a aviação comercial já estava
definitivamente estabelecida, apresentando daí até os dias atuais grande
desenvolvimento.
Tanto a multiplicação dos aeroportos, em todo o mundo, quanto o
desenvolvimento e aperfeiçoamento da aviação (em termos de
segurança, capacidade e rapidez) fizeram do transporte aéreo um sério
concorrente aos demais meios de transporte. Nos EUA, por exemplo, cerca
de 85% das viagens externas e 60% das internas são feitas por transporte
aéreo. Como principais características desse modal, podemos citar:
grande velocidade e segurança; alto custo de construção e manutenção
de aeroportos e aviões; usado principalmente no deslocamento de
passageiros a grandes distâncias e cargas de alto custo.
 Transporte rodoviário:
A utilização do automóvel como meio de transporte data do início do
século XX (modelo Peugeot de 1901). Sua produção em maior escala
iniciou-se em 1902, na Alemanha, e em 1903, nos EUA. Com a Primeira
Guerra Mundial, tanto a produção quanto a diversificação dos tipos de
veículo (carros de passeio, caminhões, ônibus, tratores etc.) sofreram
enorme aumento. No início, o transporte rodoviário funcionou
basicamente como complemento do transporte ferroviário. Entretanto,
com o decorrer do tempo, tornou-se concorrente das ferrovias,
acarretando inclusive a desativação de inúmeras delas, por se tornarem
deficitárias. Do início do século XX até os dias atuais, a expansão do
transporte rodoviário foi espetacular. No Brasil, que até a Segunda Guerra
Mundial só possuía uma rodovia pavimentada (a Rio-São Paulo) e menos
de 300 mil km de estradas, os números atuais mostram o quanto esse
meio de transporte se expandiu entre nós.
As causas principais que explicam a maior preferência do transporte
rodoviário em relação ao ferroviário no caso de médias e pequenas
distâncias em alguns países são: caminhões possuem maior flexibilidade e
facilidade de acesso aos diversos lugares; caminhões podem entregar a
mercadoria porta a porta; as operações de despacho (papéis), de carga e
descarga das mercadorias são mais simplificadas em relação à ferrovia;
maior rapidez na entrega das mercadorias; e as rodovias são construídas
mais rapidamente e a um menor custo do que as ferrovias.
Matriz de transportes no Brasil:

 O rodoviarismo no Brasil:
A industrialização brasileira, fortalecida a partir da década de 1930, trouxe
a necessidade de maior integração do mercado interno e de maiores
investimentos no transporte rodoviário. Aos poucos, foi sendo
implantada uma malha rodoviária nacional, conectando os estados
brasileiros às áreas industriais da região Sudeste. Mas o rodoviarismo se
consolidou mundialmente (e no Brasil) com a expansão da indústria
automobilística, numa época (meados dos anos 1950) em que os preços
dos combustíveis derivados do petróleo eram baixos.
No Brasil, esta fase correspondeu ao governo Juscelino Kubitschek, que
implantou a indústria automobilística, transferiu a capital para Brasília e
acelerou a construção de rodovias. A partir do governo Juscelino as
rodovias passaram a ser quase exclusividade dos investimentos em
transportes terrestres no país. Na década de 70, foi criado o de Plano
Integração Nacional (PIN) direcionado à implantação de grandes
rodovias, como parte de um projeto mais amplo dos governos militares
de ocupação do Centro-Oeste e de colonização da Amazônia. Fizeram
parte do plano a construção de grandes estradas como a Transamazônica,
Perimetral Norte, Cuiabá–Santarém, Cuiabá–Porto Velho e outras, além da
concessão de incentivos e financiamentos governamentais para projetos
agrominerais.
Pretendia-se que ao longo das rodovias fossem criados diversos
assentamentos de trabalhadores rurais (as agrovilas) oriundos do
Nordeste e de outras regiões do país. A população do Estado de Rondônia
durante a década de 1970, por exemplo, chegou a quadruplicar, mas a
maior parte dos projetos agropecuários resultou em completo fracasso. A
Amazônia não é apropriada à agricultura, já que a fertilidade de suas
terras é mantida pela própria floresta. Muitos assentamentos não
resistiram ao rápido empobrecimento do solo, logo nas primeiras safras.
Além disso, muitas empresas subsidiadas para implantar projetos
agropecuários na região limitaram-se apenas a explorar a madeira
disponível das terras concedidas pelo governo ou aplicar o dinheiro
destes subsídios em outras atividades, inclusive em especulação
financeira. De qualquer forma, a malha rodoviária teve grande
desenvolvimento e atendeu em parte a necessidade de integração
nacional no seu primeiro período de expansão. Contava com fonte
financeira própria para a ampliação e manutenção das rodovias, através
do Fundo Rodoviário Nacional (FRN).
Com a crise do petróleo na década de 1970 e a extinção do FRN em 1988,
a política rodoviarista ficou profundamente abalada. Com efeito, a
elevação do preço mundial do petróleo foi um duro golpe neste modal.
Afinal, o petróleo não é apenas a matéria-prima dos derivados como a
gasolina e óleo diesel, é também a matéria-prima para a fabricação de
asfalto que pavimenta as estradas. Com isso, as rodovias estão há
décadas sem receber investimentos significativos e boa parte está em
mau estado de conservação. Outro problema é que a crise do sistema
rodoviário não veio acompanhada do desenvolvimento expressivo de
outros meios de transportes.
A partir de 1990, diversas estradas passaram a ser administradas por
empresas particulares, através do sistema de concessões. Em troca de
promoverem melhorias nas estradas (manutenção da pavimentação,
sinalização, socorro médico e mecânico), as concessionárias passam a
cobrar pedágio. Os pedágios tornaram-se cada vez mais elevados e os
postos de arrecadação multiplicaram-se pelos trechos das estradas
entregues à concessão privada.
Aqueles que defendem o processo de privatização das rodovias justificam
que o governo não tem condições financeiras para ampliar a rede de
transporte rodoviário ou para manter certo nível de qualidade. Alegam
ainda que o sistema é democrático, pois através da cobrança de pedágios,
só pagam pelas rodovias as pessoas que as utilizam e nos momentos em
que estão de fato circulando por elas. Já os críticos alegam que a
privatização através de concessões é parte do receituário neoliberal do
Consenso de Washington, que boa parte da reestruturação da malha
rodoviária privatizada veio de financiamentos a juros generosos de
dinheiro público do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) e que o pedágio cobrado ao transporte de carga
atinge indiretamente o consumidor, pois o seu custo também faz parte da
composição final dos preços das mercadorias.
 O transporte hidroviário do Brasil:
Entre os meios de transporte internacional de carga do Brasil, o marítimo
tem grande relevância com cerca de 75% do total, o que torna ele o mais
importante nesse contexto. Além disso, o extenso litoral do território
brasileiro, torna a cabotagem uma opção na maioria das vezes, mais
barata e mais rápida para o transporte interno de mercadorias.
O transporte fluvial, apesar de ser uma opção econômica, entre os
diversos modais utilizados no Brasil, é pouco aproveitado. A presença de
um relevo composto por diversas irregularidades devido a presença de
extensas áreas de planaltos torna a opção por eclusas em hidrovias uma
saída para o escoamento de produtos como a soja. Já na porção norte do
território onde se encontra o estado do Amazonas, a extensa área da
planície Amazônica possibilita um grande aproveitamento da região
hidrográfica para o transporte de mercadorias e pessoas entre as
localidades próximas.
 O transporte ferroviário no Brasil:
No Brasil a opção por ferrovias apresentou uma grande expansão até a
década de 1920. Em momentos posteriores esse meio de transporte
passou por uma grande estagnação e abandono devido a pequenos
investimentos.
No território as ferrovias estão presentes principalmente ao longo da
extensa faixa litorânea do Brasil e apresentam uma pequena extensão.
Os atuais 30.576 km, se comparados com a extensão territorial do país,
resultam em uma densidade ferroviária extremamente baixa (0,3 km de
trilhos para cada 100 km² de área), inferior à de países como Argentina
(1,0), Índia (1,5), Bélgica (17,0) e Estados Unidos (3,5).

Indústria
Introdução:
 A indústria corresponde ao conjunto de empresas que realizam a
transformação de matérias-primas em bens acabados ou
intermediários.
 Pode ser dividida em indústria de base, de bens intermediários ou
de bens de consumo, os quais, por sua vez, dividem-se entre bens
duráveis e não duráveis.
 Embora sua presença seja hoje global, a localização da indústria no
espaço depende da análise de um conjunto de elementos
denominados fatores locacionais.
Em resumo:
 Indústria é o conjunto de fábricas responsáveis pela transformação
de matérias-primas em mercadorias finais ou intermediárias.
 O conjunto de atividades da indústria forma o setor secundário da
economia.
 As indústrias podem ser categorizadas conforme a sua produção,
sendo assim divididas entre indústrias de base, intermediárias ou
de bens de consumo (finais).
 A instalação da indústria em um local determinado depende de um
conjunto de elementos socioespaciais denominados fatores
locacionais.
 Surgiu no século XVIII na Inglaterra. A evolução da indústria
ocorreu ao longo de três séculos, em quatro fases distintas. Nesse
intervalo, espalhou-se rapidamente para diversos países, ganhou
uma grande variedade de novos ramos produtivos e deu um salto
tecnológico em termos operacionais.
O que é indústria?
 A indústria corresponde às atividades de processamento e
transformação de matérias-primas em bens destinados a um
mercado consumidor determinado, que pode ser tanto um
intermediário, como outra fábrica ou empresa, quanto um
consumidor final, que fará a sua aquisição.
 O conjunto de atividades da indústria forma o setor secundário da
economia.
Quais são os tipos de indústria?
 Existem inúmeras maneiras de se classificar e categorizar os diversos
tipos de indústria existentes. A mais utilizada delas é feita conforme
os bens produzidos, isto é, de acordo com o tipo de produto que
aquele conjunto de empresas fabrica. Nesse sentido, elas podem
ser agrupadas em três grandes grupos:
1. Indústria de base ou de bens de produção:
Pode ser chamada também de indústria pesada. As fábricas desse grupo
são aquelas responsáveis pela extração e processamento de matérias-
primas em seu estado bruto, oriundas comumente do setor primário da
economia, e produção de matérias-primas processadas ou
intermediárias, destinadas a outras indústrias.
Exemplos: siderúrgica, metalúrgica, petroquímica, madeireira, produtora
de cimento e mineradora.
2. Indústria de bens intermediários:
Reúne as fábricas que produzem maquinários e equipamentos de
produção para outras fábricas, sendo, portanto, essencial para o
abastecimento das demais cadeias produtivas.
Exemplos: mecânicas destinadas à produção de peças automotivas, pneus
e outros componentes de veículos; e produtoras de ferramentas, peças e
equipamentos eletrônicos, tratores, máquinas, concreto, vidro etc.
3. Indústria de bens de consumo ou finais:
Esse grupo incorpora indústrias que produzem bens destinados
diretamente ao consumidor final, sendo produtos acabados que estarão
disponíveis para a aquisição direta por parte da população. Eles podem
ser divididos em dois outros grupos: bens duráveis e bens não duráveis.
Os bens duráveis são aqueles que possuem longa duração e não perdem
a sua utilidade rapidamente, como eletrodomésticos, automóveis,
materiais eletrônicos e móveis. Os bens não duráveis são perecíveis, e
seu uso deve ser feito em um espaço de tempo determinado, como
alimentos, medicamentos e bebidas.
Exemplos: produzem bens duráveis as indústrias moveleira (produção de
móveis, como guarda-roupas, estantes, mesas, cadeias etc.), automotiva,
de eletrodomésticos e produtos eletrônicos, por exemplo. Já as indústrias
alimentícia, farmacêutica, têxtil e de cosméticos produzem bens não
duráveis.
Fatores locacionais da indústria:
 Os fatores locacionais da indústria são elementos de ordem
estrutural e socioespacial que são levados em consideração para a
instalação de uma indústria ou parque industrial em um
determinado local. O peso de cada um desses fatores varia
conforme o tipo de indústria, e a localização é escolhida com base
na análise das vantagens oferecidas pela área.
 São considerados fatores locacionais: oferta de mão de obra ampla
e qualificada; presença de redes de infraestrutura ou de suporte,
como rodovias, ferrovias, hidrovias, de energia elétrica e
comunicação; proximidade da fonte de matérias-primas ou fácil
acesso a elas; amplo mercado consumidor; oferta de incentivos
fiscais; presença de parques tecnológicos e universidades; e
proximidade a indústrias do mesmo segmento produtivo.
Evolução da indústria:
 A indústria, com o aporte tecnológico e o alcance espacial como
hoje conhecemos, passou por um processo de evolução que
perdurou três séculos. Esse longo período pode ser dividido em, ao
menos, quatro ciclos distintos, os quais foram ocorrendo em
intervalos de tempo cada vez menores, em decorrência do avanço
tecnológico e operacional que acompanhou o desenvolvimento do
processo produtivo.
 A história da indústria começou na Inglaterra, no século XVIII. O
ramo têxtil foi o primeiro a se desenvolver, e nessa época as
máquinas eram movidas pela energia gerada a vapor. Antes
centrada no Reino Unido, a indústria passou a se expandir,
primeiro, para outros países da Europa, como França e Alemanha,
e, depois, para a América do Norte, nos Estados Unidos, e a Ásia,
no Japão.
 O final do século XIX marca o advento da Segunda Revolução
Industrial, com uma maior diversidade produtiva e, principalmente,
de fontes energéticas, com destaque para o petróleo e para a
expansão do uso da eletricidade. Entre as invenções do período,
estão o telégrafo, a televisão, a lâmpada incandescente e os
derivados de petróleo. Houve ainda um grande avanço nos
transportes, com os primeiros navios de aço e ferrovias.
 Pouco tempo depois, em meados do século XX, após o fim da
Segunda Guerra Mundial, houve um verdadeiro salto tecnológico e
científico aliado ao setor produtivo, inaugurando uma nova fase da
industrialização. Surgiram, nesse período, novos meios de
comunicação, que revolucionaram tanto a forma de se produzir
quanto as relações entre a sociedade e o espaço, dando origem ao
que se chama de meio técnico-científico-informacional.
 Os novos meios de informação e comunicação, além das
transformações no sistema econômico derivadas dessas inovações
técnicas, proporcionaram a expansão da indústria para uma maior
variedade de territórios, em busca, principalmente, de vantagens
locacionais, com destaque para os países em desenvolvimento. É
quando se observa o aumento das empresas multinacionais.
Sobressaem-se os ramos da robótica, genética e informática.
 Fala-se hoje na Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial,
caracterizada pela automação dos processos de produção e pelo
avanço obtido nos ambientes digitais, com a evolução da
inteligência artificial, da nano e da biotecnologia.
Indústria no Brasil:
 Considera-se o Brasil como sendo um país de industrialização
tardia, uma vez que esse processo começou quando a segunda fase
da Revolução Industrial já estava em curso em outras nações. A
indústria brasileira cresceu por meio dos capitais derivados da
economia cafeeira, expandindo-se a partir da década de 1930 como
consequência da crise econômica e da necessidade de se
redirecionar os investimentos para outros setores produtivos.
 A Companhia Siderúrgica Nacional, inaugurada no ano de 1941, foi
uma das primeiras grandes indústrias brasileiras. Outras indústrias
de base surgiram nesse mesmo período, com destaque para a Vale,
que, à época, chamava-se Vale do Rio Doce, e a Petrobras, fundada
em 1953. A década de 1950 marcou a chegada de capitais
estrangeiros e o incremento da indústria de bens de consumo, com
destaque para o automóvel e os eletrodomésticos. Nesse período, a
indústria nacional se concentrava na região Sudeste.
 As décadas seguintes foram marcadas pela interiorização da
indústria, com a construção de polos como a Zona Franca de
Manaus, na década de 1970, e de redes de infraestrutura, que
proporcionaram, no período seguinte, o processo conhecido como
desconcentração industrial, que se consolidou na década de 1990.
 O Brasil possui atualmente um parque industrial diverso, com a
presença de empresas nacionais e multinacionais, com nomes
como Johnson & Johnson, IBM, Nestlé, Bungue e muitas outras. O
segmento industrial responde atualmente por 20,4% do PIB do
país, e sua participação na produção mundial é da ordem de 2,1%.
No ano de 2018, a indústria brasileira ficava na 10ª posição entre as
maiores produtoras mundiais.
Indústria no mundo:
 A indústria mundial, até meados do século XX, concentrava-se em
alguns poucos países, como Inglaterra, Estados Unidos, França,
Alemanha, Japão e Suíça.
 As décadas de 1950 e 1960 representaram um intenso período de
substituição das importações em países latino-americanos e a
expansão do processo de industrialização para outras regiões,
como é o caso da Ásia, abrangendo a China, Hong Kong, Taiwan e
Coreia do Sul, além de países africanos, como a África do Sul. Trata-
se do início da formação do grupo de países conhecidos como novos
países industrializados, que passa a ser integrado por outras nações
asiáticas nas décadas seguintes.
 A indústria como um todo responde por pouco menos de um
quarto do PIB mundial, chegando a 24,7% do seu valor total, de
acordo com dados do Banco Mundial para 2019. A mão de obra
empregada nesse setor é de aproximadamente 23,5%, conforme
informações de 2014. Entre as principais companhias, estão aquelas
do setor tecnológico e da informática, como a Apple, Microsoft e
Samsung. Destacam-se também empresas como a Volkswagem,
L’Oreal, Nestlé, Toyota, BHP e Unilever, por exemplo.

Economia
Noções básicas:
 A Economia é também uma ciência social, uma vez que seu objeto
de estudo é fruto da vida social. Mais especificamente, seu foco
está em compreender como ocorrem as relações entre os
indivíduos e as organizações na sociedade do ponto de vista da
produção, da troca e do consumo de mercadorias, de serviços e de
bens em geral.
 Assim, a Economia vai tratar do estudo da alocação dos recursos
disponíveis pelos homens coparticipantes de uma vida em
sociedade, analisando como essa última administra esses mesmos
recursos escassos.
 Desemprego, inflação, déficit público, alterações nas taxas de
juros, aportes financeiros dos Estados em tempos de crise,
aumento de impostos, desvalorização da taxa de câmbio, entre
tantas outras expressões, já fazem parte do cotidiano e são de
interesse da Economia enquanto ciência.
 Os grandes problemas sociais (a exclusão social de alguns países, a
questão do meio ambiente, o atraso tecnológico, os índices de
desemprego, a crise financeira) dessa época estão atrelados a
problemas de ordem econômica e, dessa forma, também são
estudados por ela.
 Os professores Carlos Roberto Martins Passos e Otto Nogami, na
obra “Os Princípios de Economia” (2005), ensinam que essa ciência
está dividida em duas áreas mais gerais, o que significa dizer que
existem estudos de caráter macroeconômico e microeconômico.
 Segundo eles, “a teoria Microeconômica, ou microeconomia,
preocupa-se em explicar o comportamento econômico das
unidades individuais de decisão representadas pelos
consumidores, firmas [empresas] e pelos proprietários de recursos
produtivos [fatores de produção, insumos de forma geral]. Ela
estuda a interação entre as firmas e consumidores e a maneira pela
qual produção e preço são determinados em mercados
específicos”. Ela se debruça sobre o estudo mais pormenorizado da
ação e da relação econômica entre os chamados agentes
econômicos: empresas, consumidores ou unidades familiares e o
Estado. As empresas seriam responsáveis pela oferta dos produtos
e serviços e objetivariam o lucro máximo. Dos consumidores ou das
unidades familiares partiria a demanda pelos produtos e serviços,
objetivando-se o melhor padrão para atendimento segundo seus
desejos, isto é, a própria demanda. Já o Estado, responsável pela
organização e regularização da sociedade – logo também da
economia, em certos aspectos – poderia agir ao mesmo tempo
como empresário e consumidor. Dessa interação entre tais agentes
tem-se o mercado, sendo este o local ou o contexto em que
compradores (que compõem o lado da procura) e vendedores (que
compõem o lado da oferta) de bens, serviços ou recursos
estabelecem contatos e realizam transações. Assim, é preciso
considerar que o sistema econômico oferece limites para que tais
agentes se realizem, isto é, alcancem seus objetivos. Esses limites
consistem na escassez da oferta diante da demanda. Assim, a
escassez significa que a sociedade tem recursos limitados e,
portanto, não pode produzir todos os bens e serviços que as
pessoas desejam ter. Nesse sentido, haja vista essa escassez, as
decisões tomadas por cada indivíduo dentro da interação
econômica vão determinar o preço de determinado produto. Logo,
o conhecimento da Microeconomia é fundamental para entender e
prever comportamentos, decisões e estratégias dos agentes. Cabe
à microeconomia estudar como os agentes econômicos dentro do
mercado (interagindo com este), sob determinado sistema de
preços, diante das limitações (da escassez) de recursos para
produção, tomam decisões.
 Já a teoria Macroeconômica, ou macroeconomia, ainda segundo
tais professores, “estuda o comportamento da economia como um
todo”. Assim, tem como objeto de estudo o que determina e o que
modifica o comportamento de variáveis agregadas, tais como a
produção total de bens e serviços, taxa de crescimento econômico,
as taxas de inflação e de desemprego, de criação de emprego, as
despesas totais de consumo, as despesas totais de investimento, o
volume total de poupança, as despesas totais do governo, os níveis
do PIB (Produto interno Bruto), etc. Dessa forma, as questões
ligadas à economia internacional, do ponto de vista das relações e
transações comerciais e financeiras entre países e blocos
econômicos, também se inserem ao âmbito da macroeconomia,
pois muitos dos eventos e conjunturas internas às economias
nacionais são reflexo dos acontecimentos externos, fato que
comprova o nível de globalização econômica a que se chegou nos
dias atuais.
 Contudo, apesar dessa divisão entre micro e macroeconomia, esses
limites e zonas fronteiriças entre essas áreas tornam-se cada vez
mais difíceis de serem definidos com precisão. É o que aponta
Robert S. Pindyck e Daniel L. Rubinfeld no livro “Microeconomia”
(2010), quando afirmam que essa dificuldade da definição das
especificidades se dá porque a “macroeconomia também envolve
análise de mercados (o que seria até certo ponto objeto apenas da
microeconomia) – por exemplo, mercados agregados de bens e
serviços, mão de obra e títulos de empresas. Para entender como
operam tais mercados agregados, é necessário compreender o
comportamento das empresas, dos consumidores, dos
trabalhadores e dos investidores que os compõem. Dessa maneira,
os macroeconomistas têm se preocupado cada vez mais com os
fundamentos microeconômicos dos fenômenos econômicos
agregados, e grande parte da macroeconomia é, na realidade, uma
extensão da análise microeconômica”.
 Assim, é papel do economista aplicar e elaborar modelos ou
hipóteses para analisar e esclarecer conjunturas, além, é claro, de
esboçar previsões sobre os rumos do mercado e da economia,
nacional ou internacional, considerando os ferramentais e
instrumentos fornecidos tanto pela microeconomia quanto pela
macroeconomia.

Geografia econômica
Introdução:
 Geografia econômica é um ramo do conhecimento geográfico que
estuda as atividades econômicas e a sua interação com o espaço
geográfico. Parte da Geografia humana, os estudos da vertente
econômica da Geografia analisam a distribuição da produção
econômica pelo mundo, a localização dessa produção e a maneira
como um aspecto se relaciona com o outro.
 Aborda temas de grande importância para a compreensão do
funcionamento da economia em diversas escalas territoriais, como
os setores produtivos, o desenvolvimento do sistema econômico e
a globalização.
O que é a Geografia econômica?
 É um ramo da ciência geográfica que estuda as atividades
econômicas e a maneira como elas interagem com o espaço. É
parte da Geografia humana.
 O espaço geográfico, principal objeto de estudo da Geografia, é
produzido e transformado por meio das ações humanas, que, na
maioria das vezes, estão atreladas às atividades produtivas e às
dinâmicas próprias do sistema econômico.
 Nesse sentido, são três os principais pontos abordados pela
Geografia econômica: localização das atividades econômicas, isto é,
onde elas se realizam; distribuição dessas atividades, associada aos
fatores locacionais e aos aspectos do território; e inter-relação
entre as atividades econômicas e a forma como essa relação se
reproduz no espaço geográfico.
 São exemplos de importantes temas abordados pela Geografia
econômica: a industrialização e a urbanização; a dinâmica de redes
e fluxos; a modernização do campo; a globalização e a formação
das cadeias globais de produção.
Divisões da Geografia econômica:
 Geografia das indústrias: analisa o desenvolvimento das indústrias
e a maneira como elas se distribuem pelo espaço geográfico,
levando em conta também as transformações e impactos causados
por essa atividade econômica, como a urbanização.
 Geografia agrária: analisa as atividades agropecuárias em suas
diferentes modalidades de produção e a dinâmica do meio rural.
 Geografia do comércio e do consumo: analisa a circulação de
mercadorias pelo espaço e os diferentes padrões de consumo que
se estabelecem diante das transformações no sistema econômico
mundial.
 Geografia dos transportes: analisa a distribuição das redes de
infraestrutura e das redes de serviços pelo espaço, assim como a
dinâmica dos diferentes tipos de fluxo (mercadorias, pessoas,
informações e capitais) que dependem delas.
Conceitos importantes da Geografia econômica:
 Sistema econômico: conjunto de normas e instituições que
determinam o funcionamento da economia. No mundo atual, o
sistema econômico dominante é o capitalismo.
 Setores da economia: segmentos em que são agrupadas as
diferentes atividades econômicas e produtivas. São três: primário
— referente à agropecuária e ao extrativismo; secundário —
referente à indústria; e terciário — referente ao comércio e aos
serviços.
 Infraestrutura: conjunto de equipamentos físicos, serviços e as
normas presentes em um território e fundamentais para o
desenvolvimento da economia.
 Redes: é a estrutura física (concreta) e abstrata que promove a
conexão entre lugares, territórios e pessoas. Por meio das redes é
que os fluxos se realizam.
 Fluxos: movimentos de pessoas, mercadorias, capitais e
informações que se realizam por meio das redes entre diferentes
lugares e partes do globo.
 Globalização: processo de integração do espaço mundial que se
deu com base nas inovações na tecnologia, na ciência e nas
comunicações.
 Mercado: representa todas as trocas e negociações de mercadorias
físicas e ações que acontecem entre diferentes agentes. O termo é
mais comumente associado ao mercado de ações, ou financeiro.
Por que a Geografia econômica é importante?
 A Geografia econômica é uma área do conhecimento importante
porque nos permite analisar com maior profundidade os aspectos
econômicos de determinado recorte espacial e compreender a
maneira como os elementos do espaço geográfico daquela região
interferem na sua estrutura econômica, e vice-versa.
 Os estudos proporcionam, ainda, a compreensão da evolução dos
sistemas econômicos em conjunto com os avanços na técnica e na
ciência, o que inclui a sua abrangência pelo espaço mundial e a
distribuição das atividades econômicas pelos diferentes territórios.
Muitos desses territórios acabam realizando acordos entre si que
garantem maior dinamismo à economia local e regional, além de
formarem blocos econômicos que trabalham em conjunto para o
desenvolvimento em comum.
Geografia econômica do território brasileiro:
 A formação do território brasileiro aconteceu em concomitância
com o ordenamento e transformação do espaço econômico do
país. Desde o princípio do Período Colonial até as primeiras décadas
do século XX, a dinâmica da economia do Brasil foi dividida em
ciclos que evidenciavam o principal produto desenvolvido em
determinado momento e as áreas nas quais eles eram
predominantes. Nota-se que, do ciclo do pau-brasil, passando pelo
ciclo do ouro até chegar ao derradeiro ciclo da borracha, a
economia brasileira se desenvolvia essencialmente no meio rural.
 Com o impulso proporcionado pela economia cafeeira e pelos
incentivos governamentais, entre as décadas de 1930 e 1940, as
primeiras indústrias surgiram no território nacional ao mesmo
tempo em que crescia a rede de infraestrutura dos transportes em
áreas estratégicas, facilitando a circulação de bens e mercadorias.
O meio rural deixou de ser o principal núcleo da economia
brasileira, tendo em vista que a industrialização acelerou o
processo de urbanização no Brasil.
 A urbanização brasileira, a modernização do campo e a
consequente expansão da fronteira agrícola, que teve início entre
as décadas de 1970 e 1980, conduziram o processo que ficou
conhecido como reestruturação produtiva do território nacional,
provocando alterações significativas no espaço econômico do Brasil.
Soma-se a isso a liberalização e internacionalização da economia
brasileira, que aconteceu no final do século XX e promoveu a maior
inserção do país nas cadeias globais de produção.
 Diante desse contexto, o Brasil se tornou um dos maiores
produtores e exportadores mundiais de produtos primários, em
especial de commodities agrícolas como a soja, contando com
grandes parceiros comerciais. O país se consolidou, ainda, como
uma das principais economias emergentes do mundo, ao lado de
outras importantes nações, como China, Rússia, Índia e África do
Sul (os países do Brics).
 Apesar disso, o Brasil apresenta um espaço econômico pautado
pelas desigualdades sociais, por uma rede de infraestrutura
deficitária e pela concentração tanto de renda quanto de terras,
quando consideramos a atividade primária. À medida que a
economia brasileira se desenvolve, o setor terciário vai ganhando
cada vez mais importância na composição do PIB nacional, ao
passo em que se observa um movimento de desindustrialização.
Como surgiu a Geografia econômica?
 A Geografia econômica é uma área do conhecimento que surgiu a
partir do momento em que o componente espacial passou a fazer
parte das análises a respeito do funcionamento da economia e da
distribuição das atividades produtivas.
 Não obstante a ciência econômica sempre tenha se ocupado da
compreensão de temas como o acúmulo e geração de riquezas e a
industrialização, o geógrafo francês Paul Claval destaca que a
economia espacial e, posteriormente, a Geografia econômica
surgiram a partir da segunda metade do século XIX. Abordava-se,
nesse contexto, a lógica do ordenamento espacial e de localização
das atividades econômicas, tema central da Geografia econômica.
 Na medida em que o conhecimento geográfico se transformou, o
mesmo aconteceu com a Geografia econômica. Esse importante
segmento da Geografia passou a incorporar temas como as
desigualdades socioeconômicas entre territórios, a globalização, os
padrões de consumo da sociedade e diversos outros de grande
interesse acadêmico, cada vez mais alinhado com os principais
assuntos abordados pela ciência geográfica.

Tripé da Sociologia
Introdução:
 Os pensadores clássicos da sociologia são o filósofo e economista
alemão Karl Marx, o sociólogo francês Émile Durkheim e o
sociólogo, teórico político alemão Max Weber.
 Apesar disso, não podemos deixar de mencionar a participação
honrosa do filósofo francês Auguste Comte, considerado o “pai” da
sociologia, por enunciar, pela primeira vez, a necessidade de uma
ciência capaz de entender as bases da sociedade e criar propostas
de intervenção para que ela possa desenvolver-se plenamente.
 Com distintas visões sobre o método sociológico e sobre o curso da
sociedade, os autores do chamado tripé da sociologia (Marx,
Durkheim e Weber) contribuíram imensamente com o
desenvolvimento basilar dessa ciência.
Nascimento da sociologia (contexto histórico):
 Antecedentes históricos:
Desde o século XIV, a Europa presenciava uma ascensão cada vez maior
de uma nova classe social: a burguesia. A Reforma Protestante, ocorrida
no século XV, e uma nova visão de mundo, menos dominada pela lógica
católica medieval, permitiram o crescimento ainda maior dessa nova
classe social. Os séculos XVI e XVII presenciaram diversas mudanças
sociais, como as revoluções científicas e a Revolução Inglesa.

No século XVIII, a independência das Treze Colônias, que resultou na


fixação do antigo território inglês como os Estados Unidos da América,
um país republicano democrático, e a Revolução Francesa deram os
indícios práticos da falência do Antigo Regime (o absolutismo). O
iluminismo francês — movimento filosófico e político representado por
Montesquieu e Voltaire, por exemplo — também deu sinais de que o povo
europeu não aceitava mais o absolutismo como um regime político
legítimo.
Na passagem do século XVIII para o XIX, a Europa viu-se diante de uma
crise política e social: a França estava sob instabilidade e caos político
deixados pela revolução, além do que a Revolução Industrial causou uma
intensa mudança na configuração espacial da Europa, em especial da
Inglaterra, que saiu à frente na industrialização. Houve um intenso e
repentino êxodo rural em cidades agora industrializadas, o que causou
caos social por conta da onda de miséria, do alastramento de doenças e
da consequente violência crescente nos centros urbanos.
 Surgimento da sociologia:
Diante dessa situação, o filósofo francês Auguste Comte colocou-se a falar
sobre a necessidade de mudar-se radicalmente os rumos que a sociedade
estava tomando. Para o filósofo, era necessário reestabelecer a ordem
para que a França retomasse seu crescimento. Essa ordem somente
poderia ser atingida por uma rígida organização da sociedade (tão rígida
quanto requerem os padrões militares) e pela valorização do
cientificismo.
A ciência, para Comte, é a principal chave de crescimento intelectual e
moral da sociedade. Para intervir de forma eficaz nesta, seria necessário
entender como ela se estrutura, o que seria possível por meio de uma
ciência que se colocasse a analisá-la. Primeiramente, o nome dessa
ciência, na teoria de Comte, seria física social. Era necessário que ela
tomasse um rigor metodológico para si assim como as ciências da
natureza. Mais tarde, Comte nomeou a sua ciência de sociologia. Todo
esse conjunto teórico do filósofo tornou-se uma espécie de movimento
político e social que ficou conhecido como positivismo.
 Sucessores de Auguste Comte:
Apesar de ter enunciado pela primeira vez a necessidade de construir-se
uma ciência que estudasse a sociedade, Comte não desenvolveu um
método para que ela funcionasse, tampouco conseguiu galgar as
abstrações filosóficas as quais ele dizia ter de superar em seus trabalhos.
Quem identificou isso foi o sociólogo francês Émile Durkheim,
considerado o primeiro especialista dessa área por ser o primeiro a
desenvolver um método e ir a campo para compreender as estruturas
sociais. Durkheim também introduziu a sociologia nos currículos
acadêmicos de cursos superiores.
Antes dele, Marx já despontava com seu método materialista histórico
dialético de análise social. Apesar da validade do método para a
compreensão das estruturas sociais e econômicas como um todo, ele não
desenvolveu um trabalho de campo que permitisse a profunda
compreensão de todos os aspectos da sociedade de maneira rigorosa e
complexa, o que fez com que Durkheim tomasse o posto de primeiro
sociólogo.
Por último na formação da tríade da sociologia clássica, temos o
sociólogo, jurista e político alemão Max Weber. Weber propôs um método
e um olhar sociológico bastante diferentes do que foi proposto por
Durkheim e por Marx. A sua importância histórica dá-se, justamente, pela
visão inovadora que ele trouxe à sociologia.
Para resumir o posicionamento dos autores clássicos, podemos dizer que
Durkheim e Weber são conservadores, defensores do capitalismo,
enquanto Marx é favorável a uma revolução para derrubar de vez esse
sistema.
Como os autores clássicos da sociologia definem as divisões sociais:
 Cada autor clássico da sociologia entendia a sociedade com base
em uma visão diferente e peculiar. Auguste Comte via-a como uma
complexidade que deveria ser abordada pelo positivismo, tendo
em mente sempre o progresso e o cientificismo. As classes sociais
resultantes do capitalismo seriam menos desiguais com o
progresso e o ordenamento geral da sociedade.
 Para Karl Marx, a sociedade tinha herdado do capitalismo a divisão
em classes sociais, o que resultou numa profunda desigualdade
social. Para ele existem duas classes sociais: burguesia e
proletariado. A burguesia seria a classe detentora dos meios de
produção (fábricas), enquanto o proletariado seria detentor apenas
de sua força de trabalho, usurpada pela burguesia via trabalho
assalariado.
 Para Émile Durkheim, a sociedade é um todo organizado com base
em suas funções. O método proposto por ele, o funcionalismo, visa
entender as funções de cada indivíduo na sociedade a fim de
compreendê-la como um todo.
 Max Weber, por sua vez, visou compreender a sociedade como um
todo complexo de várias ações sociais diferentes. Cada indivíduo
agiria de uma forma diferente, e, para saber como essas ações
ordenam-se, seria necessário estabelecer-se um parâmetro. Os
parâmetros seriam os tipos ideais.
Principais sociólogos clássicos e suas teorias:
 Karl Marx:
O materialismo histórico dialético de Marx compreende que a história da
humanidade é baseada numa relação dialética entre classes sociais. No
caso do capitalismo, a divisão dá-se entre burguesia e proletariado. A
produção material, resultado do trabalho, é o principal elemento
constitutivo da sociedade.
Para Marx, a relação entre as duas classes é injusta, e é necessário, em
sua visão, que haja uma revolução da classe proletária para dominar os
meios de produção por meio do estabelecimento de uma ditadura do
proletariado. Essa ditadura, de cunho socialista, tenderia a eliminar de
vez a diferenciação de classes sociais, resultando no comunismo.
 Émile Durkheim:
A sociedade é um todo complexo ordenado por fatos e regido por
funções que são os motes para entendê-la. Segundo Durkheim, além da
compreensão das funções, deveria haver, por parte do sociólogo, uma
compreensão dos fatos que regem as diferentes sociedades, pois eles são
fixos. Nas suas palavras, tais fatos são externos ao indivíduo, coercitivos e
generalizantes, o que faz com que sejam a única opção de entendimento
concreto e científico da sociedade.
 Max Weber:
O sociólogo alemão Max Weber discordou de maneira veemente da teoria
sociológica de Durkheim. Para aquele, não existem fatos sociais, mas
ações sociais que são individuais. O papel do sociólogo é compreender o
funcionamento da sociedade pelo entendimento das ações sociais
individuais via método compreensivo.
Para que não houvesse uma falta de rigor científico na análise, seria
necessário compreender uma espécie de padrão esperado de
comportamento social. A esses padrões, Weber chamou de tipos ideais,
que são o padrão de entendimento social.

Filosofia Medieval
Introdução:
 A filosofia medieval foi desenvolvida na Europa durante o período
da Idade Média (séculos V-XV). Trata-se de um período de
expansão e consolidação do Cristianismo na Europa Ocidental.
 A filosofia medieval tentou conciliar a religião com a filosofia, ou
seja, a consciência cristã com a razão filosófica e científica.
Características principais:
 Inspiração na filosofia clássica (Greco-romana).
 União da fé cristã e da razão.
 Utilização dos conceitos da filosofia grega ao cristianismo.
 Busca da verdade divina.
 Muitos filósofos dessa época faziam parte do clero ou eram
religiosos.
 Os grandes pontos de reflexão para os estudiosos eram: a
existência de Deus; a fé e a razão; a imortalidade da alma humana;
a salvação; o pecado; a encarnação divina; o livre-arbítrio, dentre
outras questões.
 Reflexões desenvolvidas no medievo, ainda que pudessem
contemplar os estudos científicos, não podiam se contrapor à
verdade divina relatada pela Bíblia.
Períodos da Filosofia Medieval e principais filósofos:
 O objeto de estudo da filosofia medieval começou antes deste
período cronológico da história. Afinal, após a morte de Jesus
Cristo, os primeiros cristãos tiveram que conciliar a filosofia grega
com os ensinamentos cristãos.
 Uma vez que a Idade Média foi um longo período da história
ocidental, dividimos a filosofia medieval em quatro fases: Filosofia
dos Padres Apostólicos; Filosofia dos Padres Apologistas; Patrística;
e a Escolástica.
 A filosofia patrística e escolástica, que correspondem aos dois
últimos períodos, foram os mais importantes da filosofia medieval.
Filosofia dos Padres Apostólicos
 Nos séculos I e II, a filosofia desenvolvida esteve relacionada com o
início do Cristianismo e, portanto, os filósofos desse período
estavam preocupados em explicar os ensinamentos de Jesus Cristo
num meio pagão.
 Recebe esse nome, uma vez que esse cristianismo primitivo esteve
baseado nos escritos de diversos apóstolos.
 O maior representante desse período foi Paulo de Tarso, o Apóstolo
Paulo, que escreveu muitas epístolas incluídas no Novo
Testamento.
Filosofia dos Padres Apologistas:
 Nos séculos III e IV a filosofia medieval passa para uma nova fase
relacionada com a apologia. Esta era uma figura da retórica que
consistia na defesa de algum ideal, nesse caso, a fé cristã.
 Os "Padres Apologistas" utilizaram as mesmas figuras de linguagem
e argumentos para dialogar com os helenistas.
 Assim, defendiam o cristianismo como uma filosofia natural que
seria superior ao pensamento greco-romano.
 Dessa maneira, eles aproximaram o pensamento greco-romano aos
conceitos cristãos que estavam se disseminando pelo Império
Romano.
 Nesse período destacam-se os apologistas cristãos: Justino Mártir,
Orígenes de Alexandria e Tertuliano.
Filosofia Patrística:
 A filosofia patrística foi desenvolvida a partir do século IV e
permaneceu até o século VIII. Recebe esse nome porque os textos
desenvolvidos no período foram escritos pelos chamados "Padres
da Igreja" (Pater, "pai", em latim).
 A patrística se preocupava em adaptar os ensinamentos da filosofia
grega aos princípios cristãos. Baseava-se nas obras de Platão e
identificava a Palavra de Deus com o mundo das ideias platônicas.
 Partiam do princípio de que o homem seria capaz de entender a
Deus através da sua revelação.
 Esta é uma fase inicial de desenvolvimento da filosofia medieval,
quando o Cristianismo está concentrado no Oriente e vai se
expandindo pela Europa.
 Por isso, a maioria dos filósofos era também teólogos e o tema
principal era a relação da razão e da fé.
 Os Padres da Igreja precisavam explicar conceitos como
imortalidade da alma, existência de um só Deus, e dogmas como a
Santíssima Trindade, a partir da filosofia grega.
 Dentre os Padres da Igreja, destacam-se Irineu de Lyon, Inácio de
Antioquia, João Crisóstomo, Ambrósio de Milão, entre muitos
outros.
 O filósofo mais destacado do período, porém, foi Agostinho de
Hipona.
Filosofia Escolástica:
 Baseada na filosofia de Aristóteles, a Escolástica foi um movimento
filosófico medieval que se desenvolveu durante os séculos IX e XVI.
 Ela surge com o intuito de refletir sobre a existência de Deus, da
alma humana, da imortalidade. Em suma, desejam justificar a fé a
partir da razão.
 Por isso, os escolásticos defendiam ser possível conhecer a Deus
através do empirismo, da lógica e da razão.
 Igualmente, a Escolástica pretende defender a doutrina cristã das
heresias que apareciam e que ameaçavam romper com a unidade
da cristandade.
 Grandes filósofos da escolástica são Bernardo de Claraval, Pedro
Abelardo, Guilherme de Ockham, o beato João Duns Escoto, entre
outros.
 Nesse período, o filósofo mais importante foi Tomás de Aquino e
sua obra "Summa Teológica", onde estabelece os cinco princípios
para provar a existência de Deus.
 A Escolástica permaneceu em vigor até a época do Renascimento,
quando começa a Idade Moderna.
Filosofia Moderna
Introdução:
 A filosofia moderna começa no século XV quando tem início a Idade
Moderna. Ela permanece até o século XVIII, com a chegada da
Idade Contemporânea.
 Ela marca uma transição do pensamento medieval, fundamentado
na fé e nas relações entre os homens e Deus, para o pensamento
antropocêntrico, marca da modernidade, que eleva a humanidade
a um novo status como o grande objeto de estudo.
 O racionalismo e o empirismo, correntes de pensamento
construídas no período, demostram essa mudança. Ambos visam
dar respostas sobre a origem do conhecimento humano. O
primeiro associando à razão humana e o segundo, baseado-se na
experiência.
Contexto histórico:
 O final de Idade Média esteve relacionado com conceito de
teocentrismo (Deus no centro do mundo) e no sistema feudal,
terminou com o advento da Idade Moderna.
 Essa fase reúne diversas descobertas científicas (nos campos da
astronomia, ciências naturais, matemática, física, etc.) o que deu
lugar ao pensamento antropocêntrico (homem no centro do
mundo).
 Assim, esse período esteve marcado pela revolução do pensamento
filosófico e científico. Isso porque deixou de lado as explicações
religiosas do medievo e criou novos métodos de investigação
científica. Foi dessa maneira que o poder da Igreja Católica foi
enfraquecendo cada vez mais.
 Nesse momento, o humanismo tem um papel centralizador
oferecendo uma posição mais ativa do ser humano na sociedade.
Ou seja, como um ser pensante e com maior liberdade de escolha.
 Diversas transformações ocorreram no pensamento europeu da
época dos quais se destacam: a passagem do feudalismo para o
capitalismo; o surgimento da burguesia; a formação dos estados
nacionais modernos; o absolutismo; o mercantilismo; a reforma
protestante; as grandes navegações; a invenção da imprensa; a
descoberta do novo mundo; e o início do movimento
renascentista.
Principais características:
 Antropocentrismo e Humanismo.
 Cientificismo.
 Valorização da natureza.
 Racionalismo (razão).
 Empirismo (experiências).
 Liberdade e idealismo.
 Renascimento e iluminismo.
 Filosofia laica (não religiosa).
Principais filósofos modernos:
 Michel de Montaigne (1523-1592):
Inspirado no epicurismo, estoicismo, humanismo e ceticismo, Montaigne
foi um filósofo, escritor e humanista francês. Trabalhou com temas da
essência humana, moral e política.
Foi o criador do gênero textual ensaio pessoal quando publicou sua obra
“Ensaios”, em 1580.
 Nicolau Maquiavel (1469-1527):
Considerado “Pai do Pensamento Político Moderno”, Maquiavel foi
filósofo e político italiano do período do Renascimento.
Ele introduziu princípios morais e éticos para a Política. Separou a política
da ética, teoria analisada em sua obra mais emblemática “O Príncipe”,
publicada postumamente em 1532.
 Jean Bodin (1530-1596):
Filósofo e jurista francês, Bodin contribuiu para a evolução do
pensamento político moderno. Sua "teoria do direito divino dos reis", foi
analisada em sua obra “A República”.
Segundo ele, o poder político estava concentrado numa só figura que
representa a imagem de Deus na Terra, baseada nos preceitos da
monarquia.
 Francis Bacon (1561-1626):
Filósofo e político britânico, Bacon colaborou com a criação de um novo
método científico. Assim, é considerado um dos fundadores do "método
indutivo de investigação científica", baseado nas observações dos
fenômenos naturais.
Além disso, apresentou a “teoria dos ídolos” em sua obra “Novum
Organum”, que, segundo ele, alteravam o pensamento humano bem
como prejudicava o avanço da ciência.
 Galileu Galilei (1564-1642):
“Pai da Física e da Ciência Moderna”, Galileu foi um astrônomo, físico e
matemático italiano.
Colaborou com diversas descobertas científicas na sua época. Grande
parte esteve baseada na teoria heliocêntrica de Nicolau Copérnico (a
Terra gira em torno do sol), contrariando assim, os dogmas expostos pela
Igreja Católica.
Ademais, foi criador do “método matemático experimental”, o qual está
baseado na observação dos fenômenos naturais, experimentações e
valorização da matemática.
 René Descartes (1596-1650):
Filósofo e matemático francês, Descartes é reconhecido por uma de suas
célebres frases: “Penso, logo existo”.
Foi criador do pensamento cartesiano, sistema filosófico que deu origem
à Filosofia Moderna. Esse tema foi analisado em sua obra “O Discurso
sobre o Método”, um tratado filosófico e matemático, publicado em
1637.
 Baruch Espinosa (1632-1677):
Filósofo holandês, Espinosa baseou suas teorias num racionalismo radical.
Criticou e combateu as superstições (religiosa, política e filosófica) que,
segundo ele, estariam pautadas na imaginação.
A partir disso, o filósofo acreditava na racionalidade de um Deus
transcendental e imanente identificado com a natureza, o qual fora
analisado em sua obra “Ética”.
 Blaise Pascal (1623-1662):
Filósofo e matemático francês, Pascal contribuiu com estudos pautados na
busca da verdade, refletidos na tragédia humana.
Segundo ele, a razão não seria o fim ideal para provar a existência de
Deus, uma vez que o ser humano é impotente e está limitado às
aparências.
Em sua obra “Pensamentos”, apresenta suas principais indagações acerca
da existência de um Deus baseado no racionalismo.
 Thomas Hobbes (1588-1679):
Filósofo e teórico político inglês, Hobbes buscou analisar as causas e
propriedades das coisas, deixando de lado a metafísica (essência do ser).
Baseado nos conceitos do materialismo, mecanicismo e empirismo,
desenvolveu sua teoria. Nela, a realidade é explicada pelo corpo
(matéria) e por seus movimentos (aliados à matemática).
Sua obra mais emblemática é um tratado político denominado de
“Leviatã” (1651), mencionando a teoria do “contrato social” (existência
de um soberano).
 John Locke (1632-1704):
Filósofo inglês empirista, Locke foi precursor de muitas ideias liberais
criticando assim, o absolutismo monárquico.
Segundo ele, todo o conhecimento era proveniente da experiência. Com
isso, o pensamento humano estaria pautado nas ideias de sensações e
reflexão onde a mente seria uma "tábula rasa" no momento do
nascimento.
Assim, as ideias são adquiridas ao longo da vida a partir de nossas
experiências.
 David Hume (1711-1776):
Filósofo e diplomata escocês, Hume seguia a linha empirista e do
ceticismo. Criticou o racionalismo dogmático e o raciocínio indutivo,
analisados em sua obra “Investigação Acerca do Entendimento Humano”.
Nessa obra, ele defende a ideia do desenvolvimento do conhecimento a
partir da experiência sensível, donde as percepções estariam divididas
em: impressões (associadas aos sentidos); e ideias (representações
mentais resultantes das impressões).
 Montesquieu (1689-1755):
Filósofo e jurista francês do iluminismo, Montesquieu foi um defensor da
democracia e crítico do absolutismo e do catolicismo.
Sua maior contribuição teórica foi a separação dos poderes estatais em
três poderes (poder executivo, poder legislativo e poder judiciário). Essa
teoria foi formulada em sua obra “O Espírito das Leis” (1748).
Segundo ele, essa caracterização protegeria as liberdades individuais, ao
mesmo tempo que evitaria abusos dos governantes.
 Voltaire (1694-1778):
Filósofo, poeta, dramaturgo e historiador francês foi um dos mais
importantes pensadores do Iluminismo, movimento baseado na razão.
Defendeu a monarquia governada por um soberano esclarecido e a
liberdade individual e de pensamento, ao mesmo tempo que criticou a
intolerância religiosa e o clero.
Segundo ele, a existência de Deus seria uma necessidade social e,
portanto, se não fosse possível confirmar sua existência, teríamos de
inventá-lo.
 Denis Diderot (1713-1784):
Filósofo e enciclopedista do iluminismo francês, ao lado de Jean le Rond
D’Alembert (1717-1783), ele organizou a “Enciclopédia”. Essa obra de 33
volumes reunia os conhecimentos de diversas áreas.
Contou com a colaboração de diversos pensadores, tal qual Montesquieu,
Voltaire e Rousseau. Essa publicação foi primordial para a expansão do
pensamento moderno burguês da época e dos ideais iluministas.
 Rousseau (1712-1778):
Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo social e escritor suíço e uma das
mais importantes figuras do movimento iluminista. Foi um defensor da
liberdade e crítico do racionalismo.
Na área da filosofia investigou temas acerca das instituições sociais e
políticas. Afirmou a bondade do ser humano em estado de natureza e o
fator de corrupção originado pela sociedade.
Suas obras mais destacadas são: “Discurso sobre a origem e os
fundamentos das desigualdades entre os homens” (1755) e “Contrato
Social” (1762).
 Adam Smith (1723-1790):
Filósofo e economista escocês, Smith foi o principal teórico do liberalismo
econômico, criticando assim o sistema mercantilista.
Sua obra mais emblemática é o “Ensaio sobre a riqueza das nações”. Aqui,
ele defende uma economia baseada na lei da oferta e procura, o que
resultaria na autorregulação do mercado e consequentemente, supriria as
necessidades sociais.
 Immanuel Kant (1724-1804):
Filósofo alemão com influência iluminista, Kant buscou explicar os tipos
de juízos e conhecimento desenvolvendo um “exame crítico da razão”.
Em sua obra “Crítica da razão pura” (1781) ele apresenta duas formas que
levam ao conhecimento: o conhecimento empírico (a posteriori) e o
conhecimento puro (a priori).
Além dessa obra, merecem destaque a "Fundamentação da Metafísica
dos Costumes" (1785) e a “Crítica da razão prática” (1788).
Em resumo, a filosofia kantiana, buscou criar uma ética cujos princípios
não se baseassem na religião e, sim, em um conhecimento
fundamentado na sensibilidade e no entendimento.

Cultura
Introdução:
 Cultura é um termo bastante explorado pela Antropologia, ciência
que surgiu na mesma época em que a Sociologia e visa a analisar as
sociedades humanas a partir de sua produção cultural, indo das
mais elementares formas de organização social até as mais
complexas.
 O sentido de cultura é amplo. O que nos interessa aqui é saber que
a cultura corresponde a um conjunto de hábitos, crenças e
conhecimentos de um povo ou um determinado grupo artístico
(literário, dramatúrgico, musical, derivado das artes plásticas etc.)
que cultiva, de algum modo, um padrão estético semelhante.
Significado de cultura:
 Em virtude da variedade de significados dessa palavra derivada do
latim que deu origem tanto a expressões de cuidado e cultivo
quanto a expressões que designam conjuntos de conhecimentos e
hábitos de determinadas sociedades, é difícil realizar o seu
esgotamento conceitual.
 Podemos designar, com a palavra cultura, o cultivo de vegetais (a
cultura de tomates ou o cultivo de tomates), o cultivo do
conhecimento humano alcançado pela racionalidade e pelo senso
estético (quando nos referimos a uma pessoa culta, justificando que
ela é letrada, erudita, que conhece vários idiomas ou é
conhecedora de arte) e a cultura de um povo, de uma região, de
uma nação, que se apresenta em suas diversas facetas: religião,
arte, culinária, costumes, conhecimento etc.
 De todas essas formas a que a palavra cultura pode remeter, a
última se encaixa no espectro de assuntos estudados pela
Antropologia, uma disciplina que surgiu no século XIX, em meio ao
surgimento da Sociologia. As duas áreas compõem, junto à Ciência
Política e à Economia, o conjunto que forma as chamadas Ciências
Sociais.
Conceito de cultura para a Sociologia:
 “É por meio da cultura que buscamos soluções para nossos
problemas cotidianos, interpretamos a realidade e produzimos
novas formas de interação social”.
 No século XIX, os estudos antropológicos surgiram na Europa,
principalmente sob o espectro do darwinismo social do biólogo e
sociólogo britânico Herbert Spencer. O termo “evolucionismo”
estava em voga nos meios intelectuais, devido à disseminação da
teoria darwinista. O darwinismo social surgiu a partir da conexão
entre os estudos de Darwin e a Antropologia, ligação efetuada por
Spencer.
 Em sua teoria, Spencer defende que existem estágios diferentes de
evolução humana no mundo e eles que se apresentam por meio
dos diferentes tipos de cultura desenvolvidos pelos seres humanos
em cada local.
 Essa teoria, obviamente, leva em consideração as noções não
somente geográficas, mas também étnicas para separar os
diferentes povos, o que permite a percepção, nos dias de hoje, de
que o darwinismo social era uma ótica eurocêntrica e racista
apoiada em um método científico.
 Outro grande nome a integrar o espectro do darwinismo ou
evolucionismo social foi o também britânico, considerado o
primeiro antropólogo da Inglaterra, Edward Burnett Tylor. O “pai”
da Antropologia britânica revolucionou o conceito de cultura para
aplicá-lo em amplo aspecto em sociedades, porém ele estava ligado
a uma visão que mais tarde seria descartada do estudo social
científico, por estabelecer hierarquias sociais a partir da produção
cultural.
 Outro nome importante apareceu no século XIX, o do geógrafo,
físico e antropólogo alemão, naturalizado nos Estados Unidos, Franz
Boas. Boas divergiu das teorias antropológicas de sua época e
passou a mergulhar na cultura indígena de tribos estadunidenses,
com uma ótica menos eurocêntrica, diferente dos evolucionistas,
que consideravam a cultura europeia superior a qualquer cultura
desenvolvida por nativos das Américas, da África e da Ásia.
 O culturalismo de Boas inaugurou um modo de pensar baseado na
relativização do termo cultura e de parâmetros para se entender a
cultura, pois não é possível medir uma escala de desenvolvimento
cultural a partir de sociedades diferentes.
 A visão antropológica de Boas influenciou um novo modo de pensar
a Sociologia e a Antropologia no século XX, denominado
estruturalismo. Os estruturalistas enxergam que há uma lógica que
liga a cultura com a língua, a cultura com o povo e a cultura com o
meio.
 Seguindo essa visão, a cultura influencia a caracterização de um
povo, mas o oposto também acontece. Também há uma noção de
influência do meio, mas uma influência não determinante. Tudo
isso constitui uma estrutura social importante que deve ser
analisada.
 Um nome importante da Antropologia estruturalista é o do
etnólogo belga Claude Lévi-Strauss, o qual teve sua obra fortemente
influenciada por sua estadia no Brasil, o que lhe rendeu o contato
com alguns povos indígenas.
 A jornalista Véronique Mortaigne afirma, em introdução a uma
entrevista feita com Lévi-Strauss sobre sua relação com o Brasil,
que: em 1935, o jovem professor de 27 anos chega a São Paulo e
depois se embrenha no Mato Grosso, nas terras dos índios,
inaugurando sua carreira de americanista. Esse período de trabalho
de campo, que se seguirá até 1939, servirá de base para a
construção teórica de sua Antropologia Estrutural.
 Para Claude Lévi-Strauss, não é possível estabelecer uma
hierarquização das culturas, ou seja, em termos de cultura, não
existe melhor ou pior, mais desenvolvido ou menos desenvolvido,
mas sim culturas distintas, que florescem junto a outros elementos
das diversas estruturas sociais.
Tipos e exemplos de cultura:
 Cultura erudita:
A cultura erudita, muitas vezes utilizada como sinônimo de uma cultura
muito desenvolvida esteticamente e de alto valor, é um termo que,
quando empregado, pode resultar em uma visão etnocêntrica. Cultura
erudita é a cultura criada por uma elite, econômica, social ou intelectual,
que tenta se sobrepor aos outros tipos de cultura por meio de sua própria
classificação.
Muitos elementos culturais criados pelas elites foram amplamente
difundidos, sobretudo das elites europeias, muitas vezes de grande
desenvolvimento técnico, como a música erudita barroca e clássica, a
ópera, a pintura e a escultura renascentista etc. Dessa forma, podemos
elencar como exemplos mais específicos as óperas do compositor alemão
Richard Wagner, como Tristão e Isolda ou O Anel dos Nibelungos; as
pinturas de Caravaggio; as peças musicais de Bach, de Vivaldi ou a ópera
de Bizet.
 Cultura popular:
É a expressão cultural geral de um povo que, em muitos casos, em
especial em países como o Brasil, está fora do eixo erudito, por ser uma
manifestação popular criada por povos marginais, ou seja, que estão à
margem da sociedade, fora das elites. Um exemplo é o grafite.
Se pensarmos no Brasil, temos uma vasta e rica cultura nordestina,
nortista, sertaneja e indígena e, nos centros urbanos, das periferias e
favelas, as quais não se enquadram ao padrão erudito, pois a nossa
“erudição cultural” importou padrões essencialmente europeus.
Tomemos, como exemplos, a cultura indígena; o cordel nordestino; a
literatura de Ariano Suassuna (de uma estética linguística erudita, no
sentido de rebuscada, mas partindo de elementos da cultura nordestina);
a música sertaneja de raiz; o samba, que foi rechaçado pela cultura
erudita por muito tempo por ter surgido como expressão cultural dos
negros, descendentes de escravos e favelados; o rap brasileiro e o funk
carioca autêntico (o funk carioca de origem, sem a interferência da
indústria cultural), que hoje passam pela mesma discriminação que o
samba sofreu no início do século XX.
Essas mudanças de visão demostram que os padrões culturais e estéticos
mudam ao longo do tempo. O mesmo aconteceu com o jazz, nos Estados
Unidos, que era visto como uma cultura inferior por ter suas raízes
fincadas nos negros escravizados, mas hoje possui o status de cultura
erudita.
Teodor Adorno, por exemplo, que, além de filósofo, era músico,
considerava o jazz uma degeneração musical dançante, fruto da cultura
de massa, pois fugia do padrão estético da cultura erudita europeia da
qual Adorno utilizava como padrão de medida.
 Cultura de massa:
A cultura de massa é diferente da cultura popular e da cultura erudita,
mas pode mesclar elementos de ambas. A cultura de massa não é uma
manifestação cultural autêntica criada por um povo ou por uma elite
intelectual, mas é um produto da indústria cultural, que visa a atender as
normas do mercado e fazer da cultura e da arte um negócio lucrativo,
produzindo e vendendo elementos culturais como se fossem objetos que
as pessoas desejam comprar.
O principal eixo produtor e disseminador dos padrões culturais
massificados hoje é os Estados Unidos, que importa os seus produtos
culturais para vários países globalizados, que assimilam aqueles produtos
como uma cultura autêntica.

Estratificação social
Introdução:
 A estratificação social é um processo histórico que distribui
sistematicamente vantagens e recursos como riqueza, poder e
prestígio entre os membros de uma sociedade, categorizando-os
em diferentes status e estratos. Esse fenômeno é universal,
presente em todas as sociedades, embora suas formas e critérios
possam variar, como em castas, classes sociais, raças e minorias.
 A estratificação social difere da simples desigualdade por ser
sistemática e influenciar profundamente a mobilidade social e o
acesso a recursos. Diferentes teorias, como as de Durkheim, Marx e
Weber, oferecem perspectivas sobre a estratificação, abordando
desde a coesão social até as lutas de classe e a distribuição de
poder.
 No Brasil, a estratificação social é fortemente influenciada pela
origem socioeconômica, mais do que pelo mérito educacional, e
pode ser identificada em cinco estratos socioeconômicos, variando
desde trabalhadores rurais informais até funcionários públicos e
pequenos empregadores, com diferenças significativas nas
condições de vida e acesso a recursos. A estratificação social pode
dificultar a mobilidade social, perpetuar desigualdades e
influenciar o acesso a serviços essenciais, como educação e saúde.
O que é estratificação social?
 A estratificação social é o processo histórico por meio do qual
vantagens e recursos, tais como riqueza, poder e prestígio, são
distribuídos sistematicamente nas sociedades. Essa distribuição
categoriza os indivíduos em diferentes status e estratos da
sociedade. Isso ocorre porque a sociedade tem necessidade de
situar e motivar os indivíduos na estrutura social, e a base para isso
é constituída pela oferta de diferentes status e de diversas posições
na sociedade.
 Segundo a perspectiva funcionalista, a disputa por essas
oportunidades de vida selecionaria as pessoas que ocupam
diferentes posições. Como essa distribuição é desigual, o processo
de estratificação social categoriza os seus membros em diferentes
níveis hierárquicos, com base em critérios como classe, casta, raça
ou sexo. Esses níveis, ou estratos sociais, determinam o acesso a
recursos e oportunidades, influenciando profundamente a
mobilidade social e o aproveitamento de bens e serviços.
 A estratificação social difere da simples desigualdade porque é
sistemática. Teoricamente, uma sociedade pode ter desigualdades
sem ser estratificada, por exemplo, concedendo oportunidades
iguais a todos, mas distribuindo as recompensas na base do
desempenho. De modo geral, as categorias que constituem os
sistemas de estratificação assumem uma das seguintes formas:
casta, classe social e elite.
Características da estratificação social:
 A estratificação social caracteriza-se por ser um fenômeno
universal, presente em todas as sociedades conhecidas, embora
suas formas e critérios possam variar significativamente entre
sistemas de castas, estamentos, classes, raças e minorias. Outra
característica da estratificação social é a organização dos indivíduos
em diferentes camadas ou estratos, em que cada camada tem um
nível distinto de acesso a poder, prestígio e recursos.
 Essa hierarquia é visível em todas as sociedades complexas. A
estratificação social também é caracterizada por critérios
econômicos, sociais e culturais que influenciam a posição de um
indivíduo na hierarquia social.
 A mobilidade social é uma característica muito importante da
estratificação social. Em sistemas abertos, como as sociedades
modernas, há maior possibilidade de mobilidade social, permitindo
que indivíduos mudem de estrato ao longo da vida. Essa mudança é
chamada de mobilidade vertical, referindo-se à capacidade de um
indivíduo mover-se para cima ou para baixo na hierarquia social.
 Sistemas com alta mobilidade vertical permitem maior mudança de
status social. Por outro lado, em sistemas fechados, como o sistema
de castas na Índia ou de ordens do feudalismo, a mobilidade
vertical é extremamente limitada.
Tipos de estratificação social:
 Os tipos de estratificação social, a rigor, dependem dos estudos de
sociólogos que criam tipologias baseadas em desigualdades (ricos e
pobres, povo e elite), em nacionalidades (nacionais, imigrantes e
estrangeiros), em religiões e em raças. Os estudos sobre a
estratificação também podem observar categorias
socioprofissionais, comunidades étnicas e estilos de vida. Os tipos
de estratificação mais comuns são castas ou ordens, classes sociais,
etárias, de sexo e gênero.
1. Castas ou ordens:
Castas são categorias rígidas nas quais pessoas nascem sem possibilidade
de mudança. Em alguns sistemas de estratificação social, a distribuição de
recompensas e recursos é organizada em torno de castas. Na Índia, o
sistema de castas tem consistido, ao longo da história, em quatro
categorias básicas — brahmin, kshatriya, vaisya e sudra —, todas elas
com localização específica e rígida no sistema de estratificação.
Além dessas castas, há os “párias”, o grupo composto de “intocáveis”,
situados abaixo da casta mais baixa. De acordo com o sistema indiano de
castas, codificado na religião hinduísta, pessoas podem passar de uma
casta a outra em várias vidas via reencarnação. Essa movimentação
depende de desempenho bem-sucedido na atual posição na casta, o que
significa que o sistema proporciona um forte incentivo para obrigar a
aceitação do próprio sistema e de suas desigualdades.
Nas sociedades históricas em que existiram fortes diferenciações sociais,
além das castas, apareceram também ordens sociais. Na Europa
Medieval, existiram três ordens fundamentais: os que oravam (clero), os
que batalhavam (nobreza) e os que trabalhavam (camponeses).
A essa grande divisão em três grupos se sobrepõe uma outra divisão
segundo as profissões. Algumas ordens profissionais formam grupos
fechados, endogâmicos, e acabam por reter certos privilégios dentro dos
limites do seu grupo social.
2. Classes:
A classe social é uma categoria histórica. As classes sociais estão ligadas à
evolução e ao desenvolvimento da sociedade, elas são encontradas nas
próprias estruturas sociais que as caracterizam. As classes formam-se,
desenvolvem-se, modificam-se à medida que a sociedade vai se
transformando, são o resultado dessas contradições e, ao mesmo tempo,
contribuem para o seu desenvolvimento.
Entre as classes e a sociedade, e entre as próprias classes, existe um
movimento dialético constante. As classes atuam como forças motrizes
na transformação das estruturas sociais, elas constituem parte integrante
da dinâmica da sociedade, e são movidas, ao mesmo tempo, por sua
própria dinâmica interna.
A classe social é um dos conceitos mais importantes no estudo da
estratificação, e consiste em uma distinção e uma divisão social que
resultam da distribuição desigual de vantagens e recursos, tais como
riqueza, poder e prestígio.
3. Sexo e classes etárias:
Sempre existiu uma estratificação sexual devido a critérios relacionados
ao sexo. Desde as mais antigas sociedades de caçadores-coletores,
homens e mulheres têm papéis, atribuições e privilégios muito
diferentes. Entre os inuítes, os pigmeus, os papuas, os aborígenes e os
ameríndios, encontra-se uma estreita repartição sexual do trabalho.
Somente os homens têm direito de caçar e manipular as armas. Do
mesmo modo, eles são os únicos que podem assistir a certas cerimônias
sagradas. Desse modo, as mulheres estão sujeitas ao poder dos homens.
As classes etárias também servem para dividir a estratificação sexual.
Nessas mesmas sociedades, para se tornar homem, caçador, é necessário
transpor etapas sucessivas marcadas por rituais de passagem.
Relação entre estratificação social e desigualdade social:
 A relação entre estratificação social e desigualdade social é muito
estreita. As desigualdades sociais assumem diversas aparências.
Em nossa sociedade, as mais visíveis são as diferenças referentes à
distribuição de renda. Além dessas diferenças, existem
desigualdades de status, de poder e de prestígio entre homens e
mulheres, entre pais e crianças, entre os mais velhos e mais jovens.
 Todas essas diferenças são influenciadas pela estratificação social,
que cria uma hierarquia em que os recursos são distribuídos de
forma desigual. Grupos nos estratos superiores têm acesso
privilegiado a recursos econômicos, educacionais e de saúde,
enquanto os estratos inferiores enfrentam limitações significativas.
 A estratificação social não apenas cria desigualdades como
também as reproduz ao longo do tempo. Por exemplo, indivíduos
nascidos em famílias de estratos superiores têm mais chances de
receber uma boa educação e, consequentemente, melhores
oportunidades de emprego, perpetuando sua posição privilegiada.
Teorias sobre estratificação social:
 Estratificação social, segundo Durkheim:
Émile Durkheim, além de outros sociólogos, representa a perspectiva
funcionalista, que argumenta que a estratificação social é necessária para
o funcionamento da sociedade. Durkheim vê a divisão social do trabalho
como um fator que promove a coesão social. Ele distingue entre
solidariedade mecânica (em sociedades menos complexas, nas quais a
coesão é baseada na similaridade) e solidariedade orgânica (em
sociedades mais complexas, em que a coesão é baseada na
interdependência funcional).
Nos dois casos, a estratificação social é um fato social que se impõe aos
indivíduos e é necessário para a estabilidade e a integração social. A
especialização do trabalho cria laços de dependência mútua, o que
fortalece a coesão social. Durkheim argumenta que os princípios da
divisão do trabalho são mais morais do que econômicos, pois geram
solidariedade e união entre os indivíduos.
Segundo essa visão, a estratificação assegura que as posições mais
importantes e complexas na estrutura social sejam preenchidas pelos
indivíduos mais qualificados. Por outro lado, a desigualdade de
recompensas e prestígio motiva os indivíduos a se esforçarem e se
qualificarem para essas posições, garantindo, assim, a eficiência e a
estabilidade social.
 Estratificação social, segundo Karl Marx:
Por outro lado, a perspectiva de conflito, associada a Karl Marx, vê a
estratificação como uma consequência das relações de poder e
exploração entre diferentes classes sociais. Para Marx, a sociedade
capitalista é dividida principalmente entre a burguesia (detentora dos
meios de produção) e o proletariado (que vende sua força de trabalho). A
estratificação, nesse contexto, é um reflexo das desigualdades
econômicas e das lutas de classe que surgem dessas relações de
produção.
Para Karl Marx, portanto, a estratificação social é essencialmente
econômica. A história da sociedade é vista como uma história de lutas de
classes. A burguesia explora o proletariado, gerando desigualdade e
conflito. Marx acreditava que essa exploração levaria eventualmente a
uma revolução proletária e à criação de uma sociedade sem classes.
 Estratificação social, segundo Max Weber:
Max Weber, um dos fundadores da sociologia, desenvolveu uma teoria da
estratificação social que se distingue por considerar não apenas fatores
econômicos mas também sociais e políticos. Weber propõe uma
abordagem mais complexa da estratificação, identificando três ordens
principais: econômica (classes), social (status) e política (partidos). Essas
esferas são inter-relacionadas, mas cada uma tem critérios específicos
que influenciam a posição dos indivíduos na hierarquia social.
A classe refere-se à posição econômica dos indivíduos no mercado,
baseada na posse de bens e oportunidades de vida. O status relaciona-se
ao prestígio social e à honra que um indivíduo ou grupo tem,
independentemente de sua posição econômica. Já o partido envolve a
capacidade de um grupo de exercer poder político e influenciar a
legislação e a administração pública.
Cada uma dessas formas representa diferentes maneiras pelas quais o
poder e as oportunidades de vida são distribuídos e mantidos dentro de
uma sociedade. A “oportunidade de vida” é um termo usado por Weber
para descrever diferenças de classe social.
Weber definiu classe social quanto ao acesso de pessoas a oportunidades
de vida — bens e serviços que são distribuídos desigualmente e incluem:
bens materiais, como alimento e habitação; serviços, como tratamento
médico, proteção policial e contra incêndios, e educação pública; e
produtos culturais, como arte, música e conhecimento.
Max Weber reconhece que a mobilidade social pode ocorrer entre essas
diferentes ordens, e que a estratificação social é mais fluida e complexa
do que a visão dicotômica de Marx.
Diferenças entre estratificação social e classe social:
 As contradições entre estratificação social e classe social são muito
importantes. Enquanto as classes são incompatíveis umas com as
outras, isto é, excluem-se mutuamente, não acontece o mesmo
com os estratos dos diversos sistemas de estratificação.
 Isso significa que um indivíduo pode ter diversos status na
sociedade, participar em diversas estratificações, mas apenas pode
pertencer a uma classe. A estratificação social exerce uma função
eminentemente conservadora na sociedade, enquanto as oposições
e os conflitos de classes constituem, por excelência, um fenômeno
de ordem dinâmica.
 A estratificação social, ao mesmo tempo que divide a sociedade em
grupos, tem por função integrar a sociedade e consolidar uma
estrutura socioeconômica determinada. Essa estrutura é dividida,
não pela estratificação, mas sim pelas oposições de classes sociais.
Estratificação social no mundo:
 Diferentes sociedades ao redor do mundo adotam sistemas
variados de estratificação social, cada um com suas características
específicas.
 O sistema de castas é profundamente enraizado na sociedade
indiana, com divisões como os brahmins (sacerdotes), kshatriyas
(guerreiros), vaishyas (comerciantes) e shudras (trabalhadores),
além dos dalits (intocáveis), que estão fora do sistema tradicional
de castas. No Nepal, embora oficialmente abolido, o sistema de
castas ainda influencia a vida social e econômica da população.
 Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a sociedade é dividida em
classes como alta, média e baixa, com uma ênfase significativa na
meritocracia e na mobilidade social por meio da educação e do
trabalho. No caso dos Estados Unidos, até 1863, existiu um sistema
de escravidão racial que dividia a sociedade entre proprietários de
escravizados e escravizados, baseando-se na cor da pele. O Reino
Unido, por outro lado, é tradicionalmente dividido em classes alta,
média e trabalhadora, com uma história de aristocracia e nobreza
que ainda influencia a estrutura social.
 O sistema de apartheid é um modelo de estratificação
fundamentado pela segregação racial. No apartheid, existem leis
que formalizam a separação entre diferentes grupos raciais, e a
mobilidade social é severamente restrita para os grupos raciais
desfavorecidos. Os grupos raciais são segregados em todos os
aspectos da vida, incluindo moradia, educação e emprego.
 Na África do Sul, entre 1948 e 1994, vigorou um sistema de
apartheid que segregava a população em brancos, negros, indianos
e mestiços, com privilégios exclusivos para os brancos.
 Cada um desses sistemas de estratificação social reflete as
particularidades históricas, culturais e econômicas das sociedades
onde se desenvolvem, influenciando, por toda história, a vida dos
indivíduos e a estrutura social como um todo.
Estratificação social no Brasil:
 Os estudos mais recentes sobre a estratificação social no Brasil
sugerem que a mobilidade social é fortemente influenciada pela
origem socioeconômica, mais do que pelo mérito educacional. No
Brasil, embora a educação seja importante, as desigualdades
históricas e patrimoniais entre as famílias desempenham um papel
mais significativo na estratificação social.
 Em outras palavras, a transferência direta de bem-estar e
oportunidades de vida, entre gerações de uma família, é um fator
crucial na reprodução das desigualdades sociais no país. Isso
desafia a visão meritocrática de sociedade e destaca a necessidade
de políticas que considerem a herança socioeconômica para
promover uma maior equidade social.
 Na estratificação social no Brasil, levando em consideração variáveis
individuais (ocupação profissional, posição na ocupação, sexo e
idade) e domiciliares (acesso ao saneamento básico, à internet, e
posse de bens duráveis), além de dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (PNAD), podemos identificar cinco estratos
socioeconômicos:
1. O estrato 1 é composto majoritariamente por trabalhadores rurais
informais, com péssimas condições de domicílio, especialmente em
relação ao acesso à internet e aos serviços de saneamento básico,
além de pouca posse de bens duráveis.
2. O estrato 2 é formado principalmente por indivíduos com ocupações
de supervisão e técnicas de rotina, ocupações semi e não qualificadas,
e ocupações inferiores dos serviços, vendas e escritório. O estrato 2
apresenta maior heterogeneidade do que o estrato 1 e melhor
equilíbrio entre trabalhadores formais e informais.
3. O estrato 3 é composto por ocupações de rotina, semi e não
qualificadas, e ocupações inferiores dos serviços, vendas e comércio.
É mais informal que o estrato 2, com condições de afluência domiciliar
semelhantes ao estrato 2, mas superior ao estrato 1 e inferior aos
estratos 4 e 5.
4. O estrato 4 é mais homogêneo, formado em grande parte por
trabalhadores formais, principalmente assalariados com carteira, nas
ocupações inferiores de serviços, vendas e escritório, ocupações de
supervisão e técnicas, e ocupações intermediárias. Tem boas
condições de afluência domiciliar.
5. O estrato 5, majoritariamente formal, formado sobretudo por
funcionários públicos estatutários e pequenos empregadores, com as
melhores condições de afluência domiciliar.
 A estratificação social no Brasil, portanto, é muito influenciada por
dois grupos de desigualdades: as desigualdades de mercado,
relacionadas à ocupação, renda e educação, e, principalmente, as
desigualdades familiares, que se relacionam às oportunidades de
vida, ao bem-estar e ao patrimônio familiar.
 Na estratificação social brasileira, para alcançar uma mobilidade
vertical, a herança socioeconômica tem um impacto maior no bem-
estar dos indivíduos do que a educação formal.
Quais são as consequências da estratificação social?
 A estratificação pode ter consequências para os indivíduos como
dificultar a mobilidade social, mantendo indivíduos e grupos em
posições fixas dentro da hierarquia social e perpetuando as
desigualdades. Outra consequência é que as camadas superiores da
estratificação têm acesso privilegiado a recursos como educação,
saúde e segurança, enquanto as camadas inferiores enfrentam
limitações significativas.
 A estratificação também se manifesta geografica e materialmente,
com grupos mais ricos vivendo em áreas com melhores serviços e
infraestrutura, enquanto os mais pobres residem em regiões
menos favorecidas e não conseguem possuir quase nada de bens
duráveis.
 A estratificação social, portanto, tem consequências devido à
distribuição dos recursos, tais como renda e riqueza (herdada,
conquistada ou obtida por algum outro meio), qualificações
ocupacionais, e educação. Dependendo da sociedade, ela é afetada
também por características atribuídas, como sexo, raça e
etnicidade. Tudo isso interfere no desfrute das oportunidades de
vida e nas desigualdades sociais.

Filosofia contemporânea
Introdução:
 A Filosofia Contemporânea se desenvolveu a partir do final do
século XVIII e tem como marco a Revolução Francesa, em 1789.
 Note que a chamada "filosofia pós-moderna", ainda que para
alguns pensadores seja autônoma, foi incorporada a filosofia
contemporânea, reunindo os pensadores das últimas décadas.
Contexto Histórico:
 Esse período é marcado pela consolidação do capitalismo gerado
pela Revolução Industrial Inglesa, que tem início em meados do
século XVIII.
 Com isso, torna-se visível a exploração do trabalho humano, ao
mesmo tempo que se vislumbra o avanço tecnológico e científico.
 Nesse momento são realizadas diversas descobertas. Destacam-se:
a eletricidade; o uso de petróleo e do carvão; as invenções da
locomotiva; o automóvel; o avião; o telefone; o telégrafo; a
fotografia; o cinema; o rádio, entre outros.
 As máquinas substituem a força humana e a ideia de progresso é
disseminada em todas as sociedades do mundo.
 Por conseguinte, o século XIX reflete a consolidação desses
processos e as convicções ancoradas no progresso tecnocientífico.
 Já no século XX, o panorama começa a mudar, refletido numa era
de incertezas, contradições e dúvidas geradas pelos resultados
inesperados.
 Os acontecimentos desse século foram essenciais para formular
essa nova visão do ser humano. Merecem destaque as guerras
mundiais, o nazismo, a bomba atômica, a guerra fria, a corrida
armamentista, o aumento das desigualdades sociais e a
degradação do meio ambiente.
 Assim, a filosofia contemporânea reflete sobre muitas questões
sendo que a mais relevante é a "crise do homem contemporâneo".
 Nesse caso, as incertezas e as contradições tornam-se os motes
dessa nova era: a era contemporânea.
O que foi a Escola de Frankfurt?
 Surgida no século XX, em 1920, a Escola de Frankfurt foi formada
por pensadores do “Instituto para Pesquisa Social da Universidade
de Frankfurt”.
 Pautada nas ideias marxistas e freudianas, essa corrente de
pensamento formulou uma teoria crítica social interdisciplinar.
 Ela aprofundou em temas diversos da vida social nas áreas da
antropologia, psicologia, história, economia e política.
 Sobre seus pensadores, merecem destaque os filósofos: Theodor
Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin e Jürgen Habermas.
Indústria Cultural:
 A Indústria Cultural foi um termo criado pelos filósofos da Escola de
Frankfurt Theodor Adorno e Max Horkheimer. O intuito era
analisar a indústria de massa veiculada e reforçada pelos meios de
comunicação.
 Segundo eles, essa “indústria do divertimento” massificaria a
sociedade, ao mesmo tempo que homogeneizaria os
comportamentos humanos.
Principais características da filosofia contemporânea:
 Marxismo: essa corrente de pensamento surge no contexto das
revoluções industriais, tendo Karl Marx e Friedrich Engels como
seus grandes expoentes.
 Positivismo: Auguste Comte e Émile Durkheim desenvolveram seus
métodos científicos baseados em uma tentativa de neutralidade
apresentada por essa corrente.
 Racionalismo: a valorização do uso da razão passou por um
momento importante, tendo como pano de fundo o processo de
industrialização. A produção industrial valorizou e necessitou da
ciência na busca pelo lucro.
 Utilitarismo: corrente de pensamento que avalia a moralidade de
determinadas ações baseado nas consequências que ela produz
para a sociedade de forma quantitativa.
 Pragmatismo.
 Cientificismo: valorização do pensamento científico na tomada de
decisões, em detrimento do pensamento religioso ou do uso de
emoções.
 Niilismo: concepção filosófica baseada na impossibilidade da
certeza de algo concreto na construção do conhecimento.
 Idealismo: corrente filosófica que defende o embate de ideias na
construção de pensamento filosóficos.
 Liberdade: essa ideia ganhou força com as ideias iluministas, no
que tangia questões relacionadas ao pensamento, as crenças
religiosas e também a economia.
 Existencialismo: corrente filosófica que tem como foco a reflexão
sobre questões inerentes a existência humana, como a angústia e a
autoimagem.
 Fenomenologia: corrente filosófica que analisa os fenômenos como
formas de compreender o mundo.
 Subjetividade: em contraponto ao Positivismo, que prega uma
busca científica pela neutralidade, a subjetividade valoriza o eu
dentro do processo racional.
 Sistema Hegeliano: método filosófico do idealista Hegel, muito
questionado por pensadores posteriores, como Marx.
 Materialismo dialético: método de análise social utilizado por Marx
e Engels, que defende a existência de um conflito de classes
gerando tensões e mudanças nas sociedades ao longo da história.
Principais filósofos contemporâneos:
 Friedrich Hegel (1770-1831):
Filósofo alemão, Hegel foi um dos maiores expoentes do idealismo
cultural alemão, e sua teoria ficou conhecida como “hegeliana”.
Baseou seus estudos na dialética, no saber, na consciência, no espírito, na
filosofia e na história.
Esses temas estão reunidos em suas principais obras: Lições sobre História
da Filosofia (1805), Fenomenologia do Espírito (1807) e Princípios da
Filosofia do Direito (1820).
Dividiu o espírito (ideia, razão) em três instâncias: espírito subjetivo,
objetivo e absoluto.
Já a dialética, segundo ele, seria o movimento real da realidade que teria
de ser aplicada no pensamento.
 Ludwig Feuerbach (1804-1872):
Filósofo materialista alemão, Feuerbach foi discípulo de Hegel, embora
mais tarde, tenha adotado uma postura contrária de seu mestre.
Além de criticar a teoria de Hegel em sua obra “Crítica da Filosofia
Hegeliana” (1839), o filósofo criticou a religião e o conceito de Deus.
Segundo ele, o conceito de Deus é expresso pela alienação religiosa.
Seu ateísmo filosófico influenciou diversos pensadores dentre eles Karl
Marx.
 Arthur Schopenhauer (1788-1860):
Filósofo alemão e crítico do pensamento hegeliano, Schopenhauer
apresenta sua teoria filosófica baseada na teoria de Kant. Nela, a essência
do mundo seria resultado da vontade de viver de cada um.
Para ele, o mundo estaria repleto de representações criadas pelos
sujeitos. A partir disso, as essências das coisas seriam encontradas por
meio do que ele chamou de “insight intuitivo” (iluminação).
Sua teoria foi marcada também pelos temas do sofrimento e do tédio.
 Søren Kierkegaard (1813-1855):
Filósofo dinamarquês, Kierkegaard foi um dos precursores da corrente
filosófica do existencialismo.
Dessa maneira, sua teoria esteve pautada nas questões da existência
humana, destacando a relação dos homens com o mundo e ainda, com
Deus.
Nessa relação, a vida humana, segundo o filósofo, estaria marcada pela
angústia de viver, por diversas inquietações e desesperos.
Isso somente poderia ser superado com a presença de Deus. No entanto,
está assinalada por um paradoxo entre a fé e a razão e, portanto, não
pode ser explicada.
 Auguste Comte (1798-1857):
Na “Lei dos Três Estados” o filósofo francês Comte aponta para a evolução
histórica e cultural da humanidade.
Ela está dividida em três estados históricos diferentes: estado teológico,
estado metafísico e estado científico ou positivo.
O positivismo, baseado no empirismo, foi uma doutrina filosófica
inspirada na confiança do progresso científico e seu lema era “ver para
prever”.
Essa teoria se opôs aos preceitos da metafísica citada na obra “Discurso
sobre o Espírito Positivo”.
 Karl Marx (1818-1883):
Filósofo alemão e crítico do idealismo hegeliano, Marx é um dos
principais pensadores da filosofia contemporânea.
Sua teoria é denominada de "marxista". Ela abrange diversos conceitos
como o materialismo histórico e dialético, a luta de classes, os modos de
produção, o capital, o trabalho e a alienação.
Ao lado do teórico revolucionário Friedrich Engels, publicaram o
“Manifesto Comunista”, em 1948.
Segundo Marx, o modo de produção material da vida condiciona a vida
social, política e espiritual dos homens, analisada em sua obra mais
emblemática, “O Capital”.
 Georg Lukács (1885-1971):
Filósofo húngaro, Lukács baseou seus estudos no tema das ideologias.
Segundo ele, elas têm a finalidade operacional de orientar a vida prática
dos homens, que por sua vez, possuem grande importância na resolução
dos problemas desenvolvidos pelas sociedades.
Suas ideias foram influenciadas pela corrente marxista e ainda, pelo
pensamento kantiano e hegeliano.
 Friedrich Nietzsche (1844-1900):
Filósofo alemão, o niilismo de Nietzsche está expresso em suas obras em
forma de aforismos (sentenças curtas que expressam um conceito).
Seu pensamento passou por diversos temas, desde religião, artes, ciências
e moral, criticando fortemente a civilização ocidental.
O mais importante conceito apresentado por Nietzsche foi o de “vontade
de potência”, impulso transcendental que levaria a plenitude existencial.
Além disso, analisou os conceitos de “apolíneo e dionisíaco” baseado nos
deuses gregos da ordem (Apolo) e da desordem (Dionísio).
 Edmund Husserl (1859-1938):
Filósofo alemão que propôs a corrente filosófica da fenomenologia (ou
ciência dos fenômenos) no início do século XX. essa teoria está baseada
na observação e descrição minuciosa dos fenômenos.
Segundo ele, para que a realidade fosse vislumbrada a relação entre
sujeito e objeto deveria ser purificada. Assim, a consciência é
manifestada na intencionalidade, ou seja, é a intenção do sujeito que
desvendaria tudo.
 Martin Heidegger (1889-1976):
Heidegger foi filósofo alemão e discípulo de Husserl. Suas contribuições
filosóficas estiveram apoiadas nas ideias da corrente existencialista. Nela,
a existência humana e a ontologia são suas principais fontes de estudo,
desde a aventura e o drama de existir.
Para ele, a grande questão filosófica estaria voltada para a existência dos
seres e das coisas, definindo assim, os conceitos de ente (existência) e ser
(essência).
 Jean Paul Sartre (1905-1980):
Filósofo e escritor francês existencialista e marxista, Sartre focou nos
problemas relacionados com o “existir”.
Sua obra mais emblemática é o “Ser e o Nada”, publicada em 1943. Nela, o
“nada”, uma característica humana, seria um espaço aberto, no entanto,
baseada na ideia da negação do ser (não-ser).
O “nada” proposto por Sartre faz referência a uma caraterística humana
associada ao movimento e as mudanças do ser. Em resumo, o “vazio do
ser” revela a liberdade e a consciência da condição humana.
 Bertrand Russel (1872-1970):
Bertrand Russel foi filósofo e matemático britânico. Diante da análise
lógica da linguagem, buscou nos estudos da linguística a precisão dos
discursos, do sentido das palavras e das expressões.
Essa vertente ficou conhecida como "Filosofia Analítica" desenvolvida
pelo positivismo lógico e a filosofia da linguagem.
Para Russel, os problemas filosóficos eram considerados
"pseudoproblemas", analisados à luz da filosofia analítica. Isso porque
não passariam de equívocos, imprecisões e mal-entendidos
desenvolvidos pela ambiguidade da linguagem.
 Ludwig Wittgenstein (1889-1951):
Filósofo austríaco, Wittgenstein colaborou com o desenvolvimento da
filosofia de Russel, de forma que aprofundou seus estudos na lógica, na
matemática e na linguística.
De sua teoria filosófica analítica, sem dúvida, os “jogos de linguagem”
merecem destaque, donde a linguagem seria o “jogo” aprofundado no
uso social.
Em resumo, a concepção da realidade é determinada pelo uso da língua
cujos jogos da linguagem são produzidos socialmente.
 Theodor Adorno (1903-1969):
Filósofo alemão e um dos principais pensadores da Escola de Frankfurt.
Ao lado de Max Horkheimer (1895-1973), Adorno criou o conceito de
Indústria Cultural, que está refletido na massificação da sociedade e em
sua homogeneização.
Na “Crítica da Razão”, os filósofos apontam que o progresso social,
reforçado pelos ideais iluministas, resultou na dominação do ser humano.
Juntos, publicaram a obra “Dialética do Esclarecimento”, em 1947. Nela,
eles denunciaram a morte da razão crítica que levou a deturpação das
consciências pautadas num sistema social dominante da produção
capitalista.
 Walter Benjamin (1892-1940):
Filósofo alemão, Benjamin demostra uma postura positiva em relação aos
temas desenvolvidos por Adorno e Horkheimer, sobretudo da Indústria
Cultural.
Sua obra mais emblemática é “A obra de arte na era da sua
reprodutibilidade técnica”. Nela, o filósofo aponta que a cultura de
massa, disseminada pela Indústria Cultural, poderia trazer benefícios e
servir como um instrumento de politização. Isso porque ela permitiria o
acesso da arte à todos os cidadãos.
Ainda assim, foi crítico em outros pontos, principalmente no que diz
respeito a repetibilidade das imagens.
 Jürgen Habermas (1929-):
Filósofo e sociólogo alemão, Habermas propôs uma teoria baseada na
razão dialógica e na ação comunicativa. Segundo ele, seria uma maneira
de emancipação da sociedade contemporânea.
Essa razão dialógica surgiria dos diálogos e dos processos argumentativos
em determinadas situações.
Nesse sentido, o conceito de verdade apresentado pelo filósofo é fruto
das relações dialógicas e, portanto, é denominado de verdade
intersubjetiva (entre sujeitos).
 Michel Foucault (1926-1984):
Filósofo francês, Foucault buscou analisar as instituições sociais, a cultura,
a sexualidade e o poder.
Segundo ele, as sociedades modernas e contemporâneas são
disciplinares. Assim, elas apresentam uma nova organização do poder,
que, por sua vez, foi fragmentado em “micropoderes”, estruturas veladas
do poder.
Para o filósofo, o poder na atualidade engloba os diversos âmbitos da
vida social e não somente o poder concentrado no Estado. Essa teoria foi
esclarecida em sua obra “Microfísica do Poder”.
 Jacques Derrida (1930-2004):
Filósofo francês nascido na Argélia, Derrida foi um crítico do racionalismo,
propondo a desconstrução do conceito de “logos” (razão).
Assim, ele cunhou o conceito de “logocentrismo” baseado na ideia de
centro e que inclui diversas noções filosóficas como o homem, a verdade
e Deus.
A partir dessa lógica de oposições, Derrida apresenta sua teoria filosófica
destruindo o “logos”, que, por sua vez, auxiliou nas construções de
“verdades” indiscutíveis.
 Karl Popper (1902-1994):
Filósofo austríaco, naturalizado britânico, dedicou seu pensamento ao
racionalismo crítico. Crítico do princípio indutivo do método científico,
Popper formulou o Método Hipotético Dedutivo.
Nesse método, o processo de pesquisa considera o princípio da
Falseabilidade a essência da natureza científica. A Sociedade Aberta e
Seus Inimigos e A Lógica da Pesquisa Científica são as suas obras mais
conhecidas.

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