Cópia de TUTORIAL 10
Cópia de TUTORIAL 10
Hematopoese é o processo contínuo e regulado de produção de células do sangue, que A proliferação das células-tronco pluripotentes origina células-filhas com potencialidade
envolve renovação, proliferação, diferenciação e maturação celular. As células do sangue menor. Essas células-filhas são as células progenitoras multipotentes que produzem as
têm vida curta e são constantemente renovadas nos órgãos hemocitopoéticos. células precursoras (BLASTOS). É nas células precursoras que as características
morfológicas diferenciais das linhagens aparecem pela primeira vez, pois as células-tronco
As primeiras células sanguíneas surgem no mesoderma do saco vitelino (fase
pluripotentes e as progenitoras são indistinguíveis morfologicamente. As células-tronco
mesoblástica) e são caracterizadas principalmente por eritroblastos primitivos. Entre a 4
pluripotentes se multiplicam apenas para manter sua população; já as mitoses
até a 6 semana de vida uterina inicia-se a hematocitopoese definitiva, com a migração das
aumentam muito nas progenitoras e precursoras, que produzem grande quantidade de
células originadas dos vasos em desenvolvimento, da porção alantoide da placenta e da
células diferenciadas maduras. As progenitoras podem originar progenitoras ou
porção anterior do eixo aorta-gônada-mesonefro para o fígado fetal (fase hepática). Essa
precursoras, mas as precursoras só originam células sanguíneas destinadas a amadurecer.
fase é caracterizada pelo desenvolvimento de eritroblastos, granulócitos e monócitos,
primeiras células linfoides e megacariócitos. Outros órgãos como baço, timo e linfonodos A hemocitopoese depende do microambiente adequado e de fatores de crescimento,
também contribuem para a hematocitopoese (produção de linfócitos). fornecidos pelo estroma dos órgãos hemocitopoéticos. Esses fatores de crescimento
hemocitopoéticos regulam a proliferação, diferenciação e a apoptose de células imaturas,
No segundo mês de vida, a clavícula começa a se ossificar e tem início a formação da
assim como a atividade funcional de células maduras (Ex: interleucinas, citocinas e fatores
medula óssea vermelha em seu interior, dando início a fase medular. Na vida pós-natal,
estimuladores de colônias). Embora um fator de crescimento possa mostrar
os eritrócitos, granulócitos, linfócitos, monócitos e plaquetas originam a partir de
especificidade para uma linhagem, ele é capaz de influenciar outras linhagens também,
células-tronco da medula óssea vermelha. Essas células passam por diversos estágios de
atuando sinergicamente com outros fatores. Esses fatores podem ser divididos em
diferenciação e maturação antes de irem para o sangue. Os órgãos nos quais o
multipotentes (atuam precocemente) e fatores que atuam tardiamente, mais específicos
desenvolvimento linfoide ocorre são classificados como primários (medula óssea e timo) e
para cada linhagem.
secundários (baço, linfonodos, agregados linfoides).
Na hemocitopoese, o potencial de diferenciação e a capacidade de autorrenovação
diminuem gradualmente. A resposta mitótica alcança seu máximo no meio do processo e
CÉLULAS TRONCO, FATORES DE CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO
daí em diante, acentuam-se as características morfológicas da célula e aumenta sua
As células tronco originam células-filhas que podem permanecer como células-tronco ou atividade funcional.
se diferenciar em tipos celulares específicos. Essa decisão inicial é aleatória e a
diferenciação posterior é determinada por agentes reguladores no microambiente
medular, de acordo com as necessidades do organismo. Essa regulação célula-célula ou MEDULA ÓSSEA
por fatores secretados (citocinas, fatores de crescimento) resulta na amplificação ou
É um órgão difuso, porém volumoso e muito ativo. No adulto saudável, produz por dia
repressão da expressão de determinados genes.
cerca de 2,5 bilhões de eritrócitos, 2,5 bilhões de plaquetas e 1,0 bilhão de granulócitos
As células tronco são caracterizadas por: capacidade de autorrenovação, capacidade de por kg de peso corporal. Esta produção é ajustada de acordo com as necessidades do
gerar amplos tipos celulares e pela capacidade de reconstituir o sistema organismo.
hematocitopoético.
É encontrada no canal medular dos ossos longos e nas cavidades dos ossos esponjosos.
Todas as células do sangue derivam de um único tipo celular da medula óssea (célula Distinguem-se a medula óssea vermelha (hematógena) e a medula óssea amarela (rica em
tronco pluripotente). Essas células proliferam e formam duas linhagens: a das células células adiposas e que não produz células sanguíneas). No recém-nascido, toda a medula
óssea é vermelha; com o avançar da idade, a maior parte de medula óssea transforma-se A liberação de células maduras da medula para o sangue ocorre por migração através do
na variedade amarela, sendo a medula vermelha no adulto apenas observada no endotélio, próximo das junções intercelulares.
esterno, nas vertebras, costelas e na díploe dos ossos do crânio; no adulto jovem é vista
De modo geral, o processo de maturação envolve a perda de receptores de adesão
nas epífises proximais do fêmur e do úmero. Nas medulas contêm nódulos linfáticos, que
célula-célula e célula-matriz, podendo ser controlada por fatores de liberação, moléculas
são acúmulos de linfócitos e não possuem vasos linfáticos.
produzidas em resposta às necessidades do organismo. Diferentes linhagens sanguíneas
A medula amarela ainda retém células-tronco que em certos casos pode transforma-se podem responder de maneira diferenciada a esses fatores.
em medula óssea vermelha e voltar a produzir células do sangue.
A inervação consiste em fibras nervosas mielínicas e amielínicas na parede das artérias. De acordo com seu grau de maturação, as células são chamadas: proeritroblastos,
Algumas fibras amielínicas terminam em região de hemocitopoese e alguns eritroblastos basófilos, eritroblastos policromáticos, eritroblastos ortocromáticos,
neurotransmissores contribuem para a regulação do processo. reticulócitos, hemácias.
O endotélio dos capilares e as células reticulares são fonte de citocinas hemocitopoéticas. Proeritroblasto é uma célula grande que apresenta os elementos de células que
A hemocitopoese ocorre entre os capilares e células reticulares, sendo regulada por sintetizam proteínas. O núcleo é esférico, central, tem cromatina delicada e um ou dois
citocinas, contatos intercelulares e proteínas da matriz extracelular presente no estroma. nucléolos grandes. O citoplasma é basófilo, com região clara ao redor do núcleo. O halo
Nesse ambiente, células-tronco se proliferem e se diferenciam. Os adipócitos medulares perinuclear contém mitocôndrias, complexo de Golgi e um par de centríolos. O restante
se desenvolvem a partir de fibroblastoides de células reticulares; são resistentes à lipólise do citoplasma contém polirribossomos e reticulo endoplasmático pouco desenvolvido e
promovida pelo jejum prolongado. as proteínas sintetizadas por eles destinam-se a reconstituir o tamanho da célula que se
divide ativamente.
A matriz extracelular, além de colágeno tipos I e III, contém fibronectina, laminina,
tenascina, trombospondina, vitronectina, glicosaminoglicanos e proteoglicanos. Várias Há também síntese de hemoglobina. O ferro é levado para os proeritroblastos pela
destas moléculas e outra molécula com afinidade para células, a hemonectina, interagem transferrina. Após se combinarem, o complexo receptor-transferrina penetra o citoplasma
com receptores celulares, fixando temporariamente as células e interferindo por endocitose.
positivamente ou negativamente na função de diferentes citocinas. Essas interações
Eritroblasto basófilo é uma célula menor que tem cromatina condensada em grânulos
formam nichos (microrregiões) especializados que podem facilitar o desenvolvimento de
grosseiros e não há nucléolos visíveis.
linhagens sanguíneas específicas, favorecer a sobrevivência de células-tronco ou a
quiescência celular. A medula apresenta microrregiões nas quais predomina um mesmo Eritroblasto policromático é uma célula ainda menor com um núcleo contendo cromatina
tipo de glóbulo sanguíneo, em diversas fases de maturação. mais condensada. Contém hemoglobina em quantidade suficiente, que somada à
basofilia ainda existente confere uma coloração cinza ao citoplasma da célula.
Eritroblasto ortocromático tem núcleo com cromatina muito condensada (picnótico). mieloblasto, o citoplasma é mais basófilo e contém grânulos específicos (neutrófilos,
Devido a riqueza em hemoglobina o citoplasma é acidófilo, podendo apresentar traços eosinófilos e basófilos) ao lado das granulações azurófilas.
de basofilia, devido aos restos de RNA. Essa célula começa a emitir uma série de saliências
Mielócito pode ser esférico ou em forma de rim, e a cromatina é grosseira. Desaparece a
citoplasmáticas, uma delas contendo o núcleo, que é expelido, levando ao seu redor uma
basofilia e aumenta a quantidade de grânulos específicos, formando-se os mielócitos
delgada camada de citoplasma. A parte anucleada é chamada de reticulócito e apresenta
neutrófilo, basófilo e eosinófilo.
algumas mitocôndrias e muitos polirribossomos que ainda sintetizam hemoglobina. Uma
vez que os polirribossomos não podem ser renovados, devido à ausência do núcleo Metamielócito tem o núcleo com uma chanfradura profunda, que indica o início do
células, a síntese proteica cessa em pouco tempo. Os reticulócitos saem da medula óssea processo de formação dos lóbulos.
e vão para o sangue, onde permanecem por pouco mais de 1 dia antes de se tornarem
Antes de adquirir a forma nuclear lobulada típica da célula madura, o granulócito
eritrócitos maduros.
neutrófilo passa por uma fase intermediaria (neutrófilo com núcleo em bastonete) na qual
o núcleo tem a forma de um bastão. Uma vez que sua identificação é difícil, não se
GRANULOCITOPOESE descreve nem basófilo nem o eosinófilo com núcleo em bastão.
No processo de maturação dos granulócitos ocorrem modificações citoplasmáticas
caracterizadas pela síntese de muitas proteínas, que são divididas em 2 tipos de grânulos,
CINÉTICA DA PRODUÇÃO DE NEUTRÓFILOS
os azurófilos e os específicos. As proteínas desses grânulos são produzidas no retículo
endoplasmático granuloso e recebem o acabamento final e o endereçamento no O tempo total gasto desde o aparecimento do mieloblasto até o final de sua maturação é
complexo de Golgi, em dois estágios sucessivos. O primeiro resulta na produção de de aproximadamente 11 dias. Durante o processo, ocorrem cinco divisões mitóticas.
grânulos azurófilos que contêm enzimas lissosomais; e no segundo estágio ocorre Alguns fatores de crescimento hemocitopoéticos importantes são GM-CSF, SCF e G-CSF.
modificação na atividade sintética da célula, com a produção das proteínas dos grânulos
Durante a maturação, os neutrófilos passam por diversos compartimentos anatômicos e
específicos.
funcionais: compartimento medular de formação, que pode ser subdividido em
Os grânulos específicos contêm diferentes proteínas, conforme o tipo de granulócito.
compartimento mitótico e compartimento de amadurecimento; o compartimento
medular de reserva, que contém neutrófilos maduros mantidos por período variável antes
MATURAÇÃO DOS GRANULÓCITOS
de penetrarem o sangue; o compartimento circulante, constituídos pelos neutrófilos
O mieloblasto é a célula mais imatura já determinada para formar os 3 tipos de suspensos no plasma e circulando nos vasos sanguíneos e, por fim, o compartimento de
granulócitos. Quando nela surgem granulações citoplasmáticas especificas, essa célula marginação, formado por neutrófilos que estão nos vasos sanguíneos mas não circulam
passa a ser chamada de promielócito neutrófilo, eosinófilo ou basófilo, conforme o tipo de (vasoconstrição nas arteríolas/ligados fracamente a integrinas do endotélio dos vasos).
granulação.
Há uma troca constante de células entre o compartimento circulante e o de marginação;
Os estágios seguintes de maturação são mielócito, o metamielócito, o granulócito com eles têm aproximadamente a mesma quantidade de neutrófilos.
núcleo em bastão e o granulócito maduro (neutrófilo, eosinófilo e basófilo).
Os neutrófilos e os outros granulócitos entram no tecido conjuntivo, passando entre as
Mieloblasto é uma célula com citoplasma basófilo e com grânulos azurófilos. O núcleo é células endoteliais dos capilares e vênulas pós-capilares (diapedese). O tecido conjuntivo
grande, esférico, com cromatina delicada e um ou dois nucléolos. constitui um quinto compartimento, onde eles permanecem cerca de 4 dias e morrem
por apoptose, quer tenham exercido sua função de fagocitose ou não.
Promielócito é menor que o anterior. Núcleo esférico, às vezes com uma reentrância. A
cromatina é mais grosseira e os nucléolos mais visíveis. Quando comparado ao
CINÉTICA DA PRODUÇÃO DE OUTROS GRANULÓCITOS
Os eosinófilos permanecem menos de 1 semana no sangue, mas existe um grande pool se transformam em monócitos que passam para o sangue, no qual permanecem cerca de
armazenado na medula que pode ser mobilizado rapidamente quando necessário. 8 horas. Depois, migram para o tecido conjuntivo, atravessando a parede das vênulas e
Fatores importantes para a formação de eosinófilos são GM-CSF, SCF e IL-5. capilares, e se diferenciam em macrófagos.
A formação de basófilos é bem menos conhecida, principalmente em virtude de sua Alguns fatores relevantes para o desenvolvimento dos monócitos na medula óssea são
quantidade muito reduzida no sangue. Sabe-se que alguns fatores importantes para a GM-CSF, M-CSF e SCF.
formação dessas células são GM-CSF e SCF.
Dois grupos de linfomas são reconhecidos: linfomas de Hodgkin e linfomas não Hodgkin. • Todas as neoplasias linfoides derivam de uma única célula transformada e são, portanto,
Apesar de ambos se originarem, na maioria dos casos, de tecidos linfoides, o linfoma de monoclonais. Durante a diferenciação de células precursoras B e T ocorre um rearranjo
Hodgkin se diferencia pela presença de distintas células gigantes de Reed-Sternberg, que somático de seus genes dos receptores de antígenos, desse modo assegurando que cada
linfócito produza apenas um único e singular receptor antigênico. Esse rearranjo gênico A classificação da OMS para as neoplasias linfoides engloba numerosas entidades de
dos receptores de antígeno quase sempre precede a transformação, logo, as células diagnóstico e considera a morfologia, a célula de origem (determinada por
filhas derivadas de um dado progenitor maligno compartilham a mesma configuração imunofenotipagem), aspectos clínicos e genótipo (ex: cariótipo, presença de genomas
genética do receptor de antígeno e sintetizam proteínas receptoras de antígeno virais) de cada entidade. Ela abrange todas as neoplasias linfoides, incluindo as leucemias
idênticas (imunoglobulinas ou receptores de células T). Por essa razão, a análise dos genes e o mieloma múltiplo, e as separa através da origem em três categorias principais: (1)
do receptor antigênico e seus produtos proteicos pode ser utilizada para diferenciar tumores de células B, (2) tumores de células T e células NK e (3) linfoma de Hodgkin.
neoplasias monoclonais de processos reativos policlonais.
Os subgrupos de neoplasias mais comuns são:
• As neoplasias linfoides frequentemente interrompem a função imune normal. Tanto a
• Linfoma/leucemia linfoblástica de células B e T precursoras — comumente chamada de
imunodeficiência quanto a autoimunidade pode ser observadas, às vezes no mesmo
leucemia linfoblástica aguda (LLA)
paciente. Do mesmo modo, pacientes com imunodeficiência herdada ou adquirida
• Leucemia linfocítica crônica/linfoma de pequenos linfócitos
apresentam alto risco de desenvolvimento de certas neoplasias linfoides, particularmente
• Linfoma folicular
aquelas associadas à infecção pelo EBV.
• Linfoma de células do manto
• Os LNHs frequentemente se encontram em um sítio tecidual específico, porém ensaios • Linfoma difuso de grandes células B
moleculares sensíveis geralmente mostram ampla disseminação do tumor no momento • Linfoma de Burkitt
do diagnóstico. Como resultado, com poucas exceções, somente as terapias sistêmicas são • Mieloma múltiplo e tumores relacionados com os plasmócitos
curativas. Por outro lado, o linfoma de Hodgkin frequentemente surge em um único local • Linfoma de Hodgkin
e se espalha de maneira previsível para os grupos de linfonodos contíguos. Por essa razão,
LEUCEMIA LINFOBLÁSTICA AGUDA (LLA) e LINFOMA LINFOBLÁSTICO
no início do seu curso, este é tratado às vezes apenas por terapia local.
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) e o linfoma linfoblástico são tumores agressivos,
constituídos de linfócitos imaturos (linfoblastos), observados predominantemente em
crianças e jovens adultos.
Aproximadamente 90% dos pacientes com LLA apresentam anormalidades cariotípicas LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÔNICA e LINFOMA LINFOCÍTICO DE PEQUENAS CÉLULAS
aleatórias. Mais comuns na infância, os tumores de células pré-B são hiperdiploides (mais
A leucemia linfocítica crônica (LLC) e o linfoma linfocítico de pequenas células (LLPC) são
de 50 cromossomos/célula) e apresentam translocação críptica (12;21) envolvendo os
essencialmente idênticos, diferindo apenas no grau de extensão do acometimento do
genes TEL1 e AML1, enquanto cerca de 25% dos tumores de células pré-B em adultos
sangue periférico. Se a contagem de linfócitos do sangue periférico exceder 4.000
contêm a translocação (9;22) envolvendo os genes ABL e BCR.
células/mL, o paciente é diagnosticado com LLC; se isso não acontecer, ele é diagnosticado
Os tumores de células pré-T encontram-se associados a diversas aberrações com LLPC.
cromossômicas, incluindo frequentes translocações que envolvem os loci do receptor da
A maioria dos pacientes com neoplasias linfoides preenche os critérios de diagnóstico da
célula T e os genes de fatores de transcrição como o TAL1.
LLC, que é a leucemia mais comum em adultos no mundo ocidental. Em contrapartida, a
IMUNOFENÓTIPO LLPC constitui apenas 4% dos LNHs.
Além dos linfonodos, a medula óssea, o baço e o fígado encontram-se afetados em No momento do diagnóstico, os LLC/LLPC são frequentemente sintomáticos. Os sinais e
praticamente todos os casos. sintomas clínicos mais comuns não são específicos e incluem fatigabilidade fácil, perda de
peso e anorexia. Verifica-se a presença de linfadenopatia e hepatoesplenomegalia
Na maioria dos pacientes, observa-se linfocitose absoluta caracterizada por linfócitos
generalizadas em 50-60% dos pacientes. A contagem de leucócitos pode estar levemente
pequenos, aparentemente maduros.
elevada (no LLPC) ou exceder 200.000 células/mL. A hipogamaglobulinemia se desenvolve
As células tumorais circulantes são frágeis e, durante a preparação dos esfregaços, em mais de 50% dos pacientes, usualmente em um momento tardio do seu curso clínico.
frequentemente são rompidas, produzindo células em borrão características.
Observa-se, de modo menos comum, anemia autoimune hemolítica e trombocitopenia.
Normalmente, número variado de linfócitos grandes ativados encontra-se também
presente nos esfregaços sanguíneos. A evolução e o prognóstico são extremamente variáveis. Muitos pacientes vivem mais de
10 anos após o diagnóstico e morrem de causas não relacionadas com a neoplasia. A
sobrevida mediana é de 4-6 anos, contudo, e ao longo do tempo LLC/LLPC apresentam a
Linfoma linfocítico de células pequenas/leucemia linfocítica tendência de se transformar em tumores mais agressivos que se assemelham à leucemia
crônica — linfonodo. A, Pequeno aumento mostrando o prolinfocítica ou ao linfoma difuso de células B grandes. Uma vez que a transformação
apagamento difuso da arquitetura do linfonodo. B, Em grande ocorre, a sobrevida mediana é inferior a um ano.
aumento, as células tumorais possuem, em sua maioria, o aspecto
de pequenos linfócitos redondos. Nesse campo, verifica-se LINFOMA DE HODGKIN E LINFOMA NÃO HODGKIN
também a presença de um “prolinfócito”, uma célula maior com
nucléolo de localização central (seta). O linfoma de Hodgkin engloba um grupo distinto de neoplasias caracterizadas pela
presença de uma célula gigante tumoral, a célula de Reed-Sternberg. Em oposição à
maioria dos LNHs, os linfomas de Hodgkin surgem em um único linfonodo ou em uma
IMUNOFENÓTIPO E GENÉTICA cadeia de linfonodos e tipicamente se disseminam de modo característico a linfonodos
contíguos anatomicamente. Apesar de os linfomas de Hodgkin serem atualmente
considerados tumores incomuns originados de células B, eles são diferenciados dos LNHs frequentemente é rompido, deixando o núcleo em um espaço vazio (lacuna). O
através da identificação das suas características patológicas e clínicas incomuns. imunofenótipo das variantes lacunares é idêntico àquele das outras células RS
encontradas nos subtipos clássicos.
Classificação: Cinco subtipos de linfoma de Hodgkin são reconhecidos: (1) esclerose
nodular, (2) celularidade mista, (3) rico em linfócitos, (4) depleção de linfócitos e (5) • Presença de faixas de colágeno divide o tecido linfoide em nódulos circunscritos. A
predominância linfocítica. Nos quatro primeiros subtipos, as células de Reed-Sternberg fibrose pode ser escassa ou abundante, e o infiltrado celular apresenta várias proporções
compartilham aspectos morfológicos e imunofenotípicos, conduzindo ao agrupamento de linfócitos, eosinófilos, histiócitos e células lacunares.
dessas entidades em “linfoma de Hodgkin clássico”. O tipo predominância de linfócitos é
O linfoma de Hodgkin do tipo celularidade mista constitui a forma mais comum de
separado devido à expressão de marcadores de células B dos centros germinativos pelas
linfoma de Hodgkin em pacientes com idade superior a 50 anos, e abrange cerca de 25%
células de Reed-Sternberg.
dos casos totais. As células RS clássicas são numerosas em meio a um infiltrado
MORFOLOGIA inflamatório heterogêneo contendo linfócitos pequenos, eosinófilos, plasmócitos e
macrófagos. Esse subtipo apresenta maior tendência de disseminação e também de
O elemento constituinte essencial do linfoma de Hodgkin é a célula de Reed-Sternberg
associação a manifestações sistêmicas quando comparado ao subtipo da esclerose
(RS), uma célula muito grande (15-45 mm de diâmetro) apresentando núcleo
nodular.
multilobulado enorme, nucléolos excepcionalmente proeminentes e abundantes e
citoplasma levemente eosinofílico. Linfoma de Hodgkin do tipo predominância de linfócitos. Essa variante, responsável por
cerca de 5% dos linfomas de Hodgkin, caracteriza-se pela presença da variante
As células são bastante características e apresentam membrana nuclear distinta, lóbulos
linfo-histiocítica (L&H) das células RS, as quais apresentam núcleo delicado e
nucleares ou núcleos com as suas metades/outros núcleos parecendo imagens
multilobulado (“célula em pipoca”). As variantes celulares L&H geralmente são
especulares uns dos outros, cada uma contendo nucléolos grandes acidófilos
encontradas em grandes nódulos contendo principalmente células B pequenas em
(semelhantes a inclusões) circundados por uma zona clara -> aspectos que em conjunto se
repouso misturadas a variado número de macrófagos. Outros tipos de células reativas,
assemelham a olhos de coruja.
como eosinófilos, neutrófilos e plasmócitos, encontram-se escassos ou ausentes, e células
Células RS típicas e suas variantes apresentam inunofenótipo característico, já que RS típicas são raras. Diferentemente das variantes das células de Reed-Sternberg nas
expressam CD15 e CD30, e deixam de expressar CD45 (antígeno leucocitário comum), formas “clássicas” do linfoma de Hodgkin, as variantes L&H expressam marcadores de
antígenos de células B e de células T. células B (ex: CD20) e geralmente são negativas para CD15 e CD30. A maioria dos
pacientes com esse subtipo desenvolve linfadenopatia cervical isolada ou axilar e, de
As células RS “clássicas” são comuns no subtipo celularidade mista, incomuns no subtipo
modo geral, o prognóstico é excelente.
esclerose nodular e raras no subtipo predominância linfocítica; nestes dois últimos
subtipos, outras variantes características das células RS predominam. Outras Considerações no Diagnóstico Histológico. Torna-se evidente que o linfoma de
Hodgkin apresenta vasta gama de padrões histológicos e que certas formas, com sua
O linfoma de Hodgkin do tipo esclerose nodular é a forma mais comum. É igualmente
fibrose característica, eosinófilos, neutrófilos e plasmócitos, assemelham-se de modo
frequente em homens e mulheres, e apresenta grande propensão de envolver os
traiçoeiro a um processo reativo inflamatório. O diagnóstico histológico definitivo do
linfonodos da cervical inferior, supraclaviculares e do mediastino. A maioria dos
linfoma de Hodgkin baseia-se na identificação definitiva das células RS ou de suas
pacientes são adolescentes ou jovens adultos, e o prognóstico geral é excelente.
variantes em meio às células reativas. A imunofenotipagem apresenta um importante
Caracteriza-se morfologicamente pela:
papel coadjuvante na distinção entre o linfoma de Hodgkin, as condições reativas e outras
• Presença de uma variante particular da célula RS, a célula lacunar. Essa célula grande formas de linfoma. Em todos os subtipos, o envolvimento do baço, fígado, medula óssea
apresenta um único núcleo multilobulado, nucléolos pequenos múltiplos e citoplasma e outros órgãos pode aparecer no momento oportuno e apresentar-se como nódulos
abundante de coloração pálida. Em secções de tecido fixado por formol, o citoplasma
irregulares compostos de uma miscelânea de células RS e células reativas, similar ao Devido a complicações de longo prazo causadas pela radioterapia, mesmo pacientes no
padrão observado nos linfonodos. estágio I da doença são tratados com quimioterapia sistêmica. A doença mais avançada
geralmente é tratada também com quimioterapia e, em alguns casos, complementada
PATOGENIA
com radioterapia de campo restrito nos locais onde é acentuada. Verificou-se que, entre
Cada célula RS apresenta os mesmos rearranjos no gene da imunoglobulina e os sobreviventes tratados com radioterapia, o risco de desenvolvimento de certas
demonstrou-se que os genes da imunoglobulina rearranjados sofreram também malignidades, como câncer de pulmão, melanoma e câncer de mama, é maior.
hipermutação somática. Como resultado, chegou-se ao consenso de que o linfoma de
As perspectivas para os pacientes com linfoma de Hodgkin, mesmo aqueles em estágio
Hodgkin é uma neoplasia derivada de células B do centro germinativo.
avançado, são muito boas. A taxa de sobrevida de cinco anos para pacientes nos estágios
Os eventos que transformam essas células e alteram sua aparência e expressões gênicas I-A ou II-A é de quase 100%. Mesmo em casos avançados (estágios IV-A ou IV-B), a taxa de
permanecem obscuros. Uma das hipóteses indica o envolvimento do EBV. O EBV sobrevida geral de cinco anos livre da doença é em torno de 50%. Os anticorpos
encontra-se presente nas células RS em até 70% dos casos do subtipo celularidade mista anti-CD30 produziram respostas excelentes em pacientes portadores da doença onde a
e em uma fração menor das outras formas “clássicas” do linfoma de Hodgkin. Ainda mais terapia convencional não foi eficiente, sendo considerada uma terapia-“alvo” promissora.
importante, a integração do genoma do EBV é idêntica em todas as células RS de um
mesmo caso, indicando que a infecção precede a transformação e expansão clonal (e,
portanto, pode estar relacionada a elas). Por conseguinte, a infecção pelo EBV
provavelmente consiste em uma das várias etapas que contribuem para o
desenvolvimento do tumor, particularmente no subtipo celularidade mista.
Os pacientes mais jovens com subtipos mais favoráveis tendem a apresentar a doença no
estágio I ou II, com ausência de manifestações sistêmicas. Os pacientes que se encontram
em estágios avançados da doença (estágios III e IV) apresentam maior propensão às
manifestações sistêmicas como febre, perda de peso, prurido e anemia.
distúrbios mieloproliferativos estão associados ao aumento de um ou mais de um dos
elementos constituintes (eritrócitos, plaquetas e/ou granulócitos) do sangue periférico.
Nas síndromes mielodisplásicas, a diferenciação terminal ocorre, mas de modo
desordenado e ineficiente, levando ao aparecimento de precursores medulares displásicos
e citopenias no sangue periférico.
Apesar de essas três categorias fornecerem um ponto inicial útil, as divisões entre as
neoplasias mieloides às vezes se misturam. As síndromes mielodisplásicas e os distúrbios
mieloproliferativos frequentemente se transformam em LMA, e algumas neoplasias
apresentam características tanto da mielodisplasia quanto dos distúrbios
mieloproliferativos. Como todas as neoplasias mieloides surgem de progenitores precoces
multipotentes, a relação entre elas é próxima.
A LMA afeta primariamente adultos mais velhos; a idade média é de 50 anos. É bem
heterogênea. Os sinais e sintomas clínicos assemelham-se àqueles produzidos pela LLA e
geralmente se relacionam à substituição dos elementos medulares normais por blastos
leucêmicos. Fadiga, palidez, sangramento anormal e infecções são comuns em pacientes
recentemente diagnosticados, tipicamente dentro de poucas semanas após o início dos
sintomas. A esplenomegalia e a linfadenopatia geralmente são menos proeminentes que
na LLA. Em raros casos a LMA se assemelha ao linfoma, devido ao aparecimento de
distinta massa tecidual (sarcoma granulocítico).
As neoplasias mieloides se originam de células progenitoras hematopoéticas e A maioria das LMAs apresenta mutações em genes que codificam fatores de transcrição
tipicamente resultam em proliferações clonais que substituem as células normais da necessários para a diferenciação mieloide normal. Essas mutações interferem na
medula óssea. diferenciação dos precursores das células mieloides, levando ao acúmulo de precursores
mieloides (blastos) na medula.
Existem três grandes categorias da neoplasia mieloide. Nas leucemias mieloides agudas
(LMAs), as células neoplásicas são bloqueadas em uma fase precoce do desenvolvimento A translocação (15;17) na leucemia promielocítica aguda desperta interesse especial,
da célula mieloide. As células mieloides imaturas (blastos) se acumulam na medula, resultando na fusão do gene do receptor a do ácido retinoico (RARA) no cromossomo 17
substituem os elementos normais e frequentemente circulam no sangue periférico. Nos com o gene PML no cromossomo 15. O gene quimérico produz a proteína de fusão
distúrbios mieloproliferativos, o clone neoplásico continua o processo de diferenciação PML/RARA que bloqueia a diferenciação mieloide no estágio promielocítico pela inibição
terminal, entretanto exibe crescimento aumentado ou desregulado. Comumente, os da função dos receptores normais do ácido retinoico. Notavelmente, doses
farmacológicas do ácido all-trans retinoic (ATRA), um análogo da vitamina A, supera várias células com núcleo bilobulado e uma célula no centro do campo contendo múltiplos
esse bloqueio e induz os promielócitos neoplásicos a se diferenciarem rapidamente em bastonetes de Auer em forma de agulha.
neutrófilos. Como os neutrófilos morrem após uma vida útil média de seis horas, o
tratamento com ATRA rapidamente extingue o tumor. O efeito é muito específico; as LMAs
sem translocações envolvendo o RARA não respondem ao tratamento com ATRA. Mais CLASSIFICAÇÃO
recentemente, demonstrou-se que a combinação do ATRA com o trióxido de arsênio, um As LMAs são diversas em termos de genética, linhagem celular e grau de maturação. A
sal que induz a degradação da proteína de fusão PML/RARA, é ainda mais eficaz que a classificação da OMS baseia-se em todos esses aspectos para a divisão da LMA em quatro
administração somente do ATRA, levando à cura mais de 80% dos pacientes. Esse é um categorias: (1) LMAs associadas a aberrações genéticas específicas, que são importantes
importante exemplo de terapia altamente eficiente dirigida a um defeito molecular porque predizem o resultado (prognóstico) e guiam a terapia; (2) LMAs com displasia,
tumoral específico. muitas das quais surgem de síndromes mielodisplásicas; (3) LMAs que se desenvolvem
Outro estudo demonstrou que mutações em fatores de transcrição encontradas na LMA após quimioterapia genotóxica; e (4) LMAs que não apresentam nenhuma das
não são suficientes para causar a doença. Algumas das outras mutações implicadas na características anteriores e são subclassificadas de acordo com a linhagem de
LMA não apresentam efeitos na diferenciação, entretanto aumentam a proliferação e a diferenciação predominante que o tumor exibe.
sobrevida celular. Um exemplo envolve a FLT3, um receptor da tirosina quinase que é IMUNOFENÓTIPO
ativado por mutações em alguns subtipos da LMA. Supostas mutações colaboradoras em
muitos outros genes da tirosina quinase e no RAS, um oncogene que é mutado em A expressão dos marcadores imunológicos é heterogênea na LMA. A maioria dos tumores
diversas formas de câncer, também foram detectadas. expressa alguma combinação de antígenos associados à linhagem mieloide, como CD13,
CD14, CD15, CD64 ou CD117 (cKIT). O CD33 é expresso pelas células primordiais
MORFOLOGIA pluripotentes, porém é mantido nas células progenitoras mieloides. Tais marcadores são
Por definição, na LMA os blastos mieloides ou os promielócitos constituem mais de 20% úteis na distinção entre LMA e LLA e na identificação das LMAs com diferenciação mínima.
do componente celular da medula óssea. PROGNÓSTICO
Os mieloblastos (precursores dos granulócitos) possuem a cromatina nuclear delicada, 3-4 A LMA é uma doença devastadora. Os tumores com anormalidades de “bom risco” no
nucléolos e finos grânulos citoplasmáticos azurofílicos. cariótipo (t[8,21], inv[16]) são associados a 50% de chance de sobrevida a longo prazo
Bastonetes de Auer são estruturas distintas em forma de bastonete e de coloração livre da doença, entretanto a sobrevida global em todos os pacientes varia de 15-30%
vermelha e podem estar presentes nos mieloblastos ou em células mais diferenciadas; são com a quimioterapia convencional. Um ponto brilhante consiste na melhoria dos
particularmente numerosos na leucemia promielocítica aguda. Esses bastonetes são resultados terapêuticos da leucemia promielocítica aguda, provocada pelo tratamento
específicos de mieloblastos neoplásicos, tornando-se um achado diagnóstico útil. direcionado com a administração de ATRA e sais de arsênico.
Nos outros subtipos da LMA, monoblastos, eritroblastos ou megacarioblastos O número crescente de pacientes com LMA está sendo tratado com abordagens mais
predominam. agressivas, como o transplante de células progenitoras hematopoéticas alogênicas.
SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS O Mielograma é o exame que analisa e quantifica os componentes da medula óssea. É
realizado através de uma punção feita no esterno, ossos do quadril e na tíbia. Em crianças,
O diagnóstico da LLA é estabelecido pelos sinais e sintomas apresentados pelo paciente
a punção geralmente é realizada em osso da bacia (crista ilíaca posterior). O procedimento
em conjunto com os achados laboratoriais. Os sinais e sintomas apresentados em
é doloroso e pode ser realizado com anestesia local ou sob sedação. O diagnóstico de LLA
decorrência da baixa produção de células sanguíneas são:
é estabelecido quando 25% ou mais das células nucleadas da medula óssea são
● Anemia, palidez progressiva, cansaço a mínimos esforços e sonolência ocorrem pela linfoblastos.
diminuição de hemoglobina no sangue.
Em quase todos os pacientes com LLA, as descrições do mielograma incluem medula
● Hematomas, petéquias e sangramentos prolongados das mucosas, ocorrem pela
óssea hipercelular com intensa infiltração por linfoblastos com substituição dos espaços
diminuição das plaquetas.
adiposos e elementos medulares normais por células leucêmicas, com precursores
● Infecções e hipertermia frequentes ocorrem pela diminuição dos leucócitos
mielóides e eritróides residuais de aspecto normal e megacariócitos diminuídos ou
funcionais.
ausentes.
● Aumento dos gânglios linfáticos pelo acúmulo de linfoblastos leucêmicos no sistema
linfático. Para “medulas secas”, em que a aspiração de sangue medular durante o mielograma não é
● Cefaléia e vômitos, causados pelo acúmulo de células leucêmicas no líquido céfalo produtiva (dry tap), a infiltração deve ser confirmada por análise histológica do tecido
raquidiano. (biópsia de medula óssea).
CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA populações celulares malignas e a presença ou não de clonalidade (apenas nas células da
linhagem linfóide B).
A classificação morfológica foi desenvolvida para as leucemias agudas, com base no
diâmetro das células, protuberância dos nucléolos e quantidade de citoplasma. O grupo A técnica da imunofenotipagem possibilita a classificação das LLAs fazendo a análise das
dividiu a LLA em três subtipos morfológicos (L1, L2 e L3): características imunofenotípicas dos linfoblastos, além da detecção da leucemia através
deste método é possível classificar o grau de diferenciação das células leucêmicas
L1: o mais comum em crianças. Nesse subtipo, os linfoblastos apresentam-se pequenos,
possibilitando um diagnóstico com maior especificidade.
com contorno nuclear regular, sem nucléolos, com pouco citoplasma, sem basofilia.
A imunofenotipagem, realizada com a técnica de citometria de fluxo (CMF), é útil tanto no
L2: os blastos (10% dos casos) apresentam células de tamanhos diversos cujo citoplasma
diagnóstico, classificação, prognóstico, estadiamento, monitoramento, como na
varia de tamanho e basofilia, podendo apresentar nucléolos e irregularidades de
caracterização fenotípica das células hematopoiéticas patológicas.
contorno.
FONTE: Instituto Nacional do Câncer - DIAGNÓSTICO PRECOCE DO CÂNCER NA CRIANÇA E
L3: os pacientes apresentam células grandes com nucléolos, basofilia citoplasmática e
NO ADOLESCENTE, 2009.
vacúolos, com o imunofenótipo B, com blastos mais raros, compreendendo de 1 a 2% das
LLA. A leucemia aguda é a principal neoplasia que acomete as crianças e adolescentes. Possui
um período de latência curto com história de surgimento dos sintomas de poucas
CITOGENÉTICA
semanas.
A análise cromossômica (cariótipo) das doenças hematológicas é de extrema relevância
Na presença de um ou mais dos sinais e sintomas abaixo, faz-se necessária a investigação
para que seja feito um diagnóstico mais refinado da malignidade das LLAs e do mecanismo
por hemograma com diferencial realizado manualmente por profissional capacitado e que
de ação da patologia assim como a importância biológica.
libere o resultado do exame para avaliação do médico solicitante em um período curto de
VANTAGEM: ela é capaz de detectar alterações clonais, estruturais e numéricas e poderá tempo (24 horas):
detectar alterações clonais novas, ou seja, evoluções clonais.
● Palidez cutâneo-mucosa.
DESVANTAGEM: A desvantagem principal do método, como ferramenta para a detecção ● Fadiga.
de doença residual mínima (DRM), é sua baixa sensibilidade, em torno de 1 a 5%, e a ● Irritabilidade.
necessidade de um preparado citogenético adequado (qualidade das metáfases), o que ● Sangramentos anormais sem causa definida.
nem sempre é fácil de se obter. ● Febre.
● Dor óssea, articular, generalizada.
IMUNOFENOTIPAGEM
● Hepatoesplenomegalia.
A imunofenotipagem das doenças malignas do sistema hematopoiético fundamenta-se na ● Linfadenomegalia generalizada.
investigação da presença ou ausência de antígenos encontrados na superfície ou no
Com o resultado do hemograma em mãos, sendo observadas alterações em duas ou mais
citoplasma celular. Cabe ressaltar que o diagnóstico de uma doença maligna
séries (anemia e/ou leucopenia/leucocitose e/ou plaquetopenia), o paciente deve ser
hematopoiética não se baseia em um único marcador específico, mas essa análise deve
encaminhado para um serviço especializado em onco-hematologia pediátrica, em caráter
ser realizada utilizando-se um painel de Anticorpos Monoclonais, adequadamente
de urgência, para ser submetido a exames diagnósticos, como o mielograma, e outros
selecionado para a determinação das linhagens celulares B, T, NK e de células
complementares, como a radiografia de tórax e ultrassonografia de abdômen. É desejável
mielomonocíticas. Ainda, a imunofenotipagem visa à determinação do grau de
que o serviço de referência seja o mesmo que vai iniciar o tratamento, a fim de que não
diferenciação celular (imatura ou madura), a expressão antigênica aberrante nas
ocorra atraso entre o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
O diagnóstico diferencial deve considerar a possibilidade de doenças infectocontagiosas, um cromossomo extra 4, 10 ou 17. Hiperdiploidia também pode ser expressa como índice
particularmente considerando-se a situação endêmica da dengue no país, além de outras de DNA maior que 1,16. Crianças cujas células leucêmicas têm menos do que 46
endemias regionais, a partir da situação epidemiológica das diferentes localidades. São cromossomos têm um prognóstico menos favorável.
situações de risco de morte para o paciente que indicam um encaminhamento rápido, em
Translocações Cromossômicas. As crianças cujas células de leucemia têm uma
poucas horas, para tratamento emergencial:
translocação entre os cromossomos 12 e 21 são mais susceptíveis de serem curadas.
● Sinais de sangramento ativo: petéquias, epistaxe. Aqueles com uma translocação entre os cromossomos 9 e 22 (cromossomo Filadélfia), 1 e
● Plaquetopenia: contagem de plaquetas menor do que 20.000/ mm3. 19, ou 4 e 11 tendem a ter um prognóstico menos favorável. Alguns desses fatores
● Leucocitose: leucócitos totais em quantidade maior que 50.000/ mm3. prognósticos ruins se tornaram menos importantes nos últimos anos com as melhorias no
● Anemia grave: hemoglobina menor do que 6,0 g/dL. tratamento.
O princípio ético mais adequado para atender esses pacientes requer a adoção de
medidas que não visam mais curar, mas aliviar o sofrimento. Neste sentido, os cuidados
paliativos representam a melhor opção para esse grupo de pacientes. Uma das principais
razões da necessidade de cuidados paliativos é ter como prioridade o valor moral da
dignidade da pessoa. Isso implica considerar a pessoa integralmente, não somente do
ponto de vista do diagnóstico, mas também sob o tratamento da doença
As repercussões causadas pelo câncer ao paciente e a sua família já são bem conhecidas,
havendo, na atualidade, uma tendência para que seja transferida para a família a
responsabilidade com os cuidados do paciente, mesmo diante do aumento da sobrecarga
de cuidados, especialmente quando a doença está em seu curso avançado. Neste
contexto, surge o cuidador principal, pessoa responsável por auxiliar o paciente
dependente no seu dia-a-dia, entre outras tarefas, e, em geral, o cuidador é proveniente
do próprio núcleo familiar
O médico deve agir cuidadosamente para evitar complicações de ordem física e emocional
para pacientes e equipe. As suas ações devem ser baseadas em: