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Gercia Carolina Munguambe
Estela Fernando Boene
Janete
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA PEDAGOGIA
Licenciatura em Pedagogia
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Universidade Pedagógica de Maputo
Faculdade de Educação e Psicologia
Maputo, Abril de 2025
Gercia Carolina Munguambe
Estela Fernando Boene
Janete
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA PEDAGOGIA
Licenciatura em Pedagogia
Trabalho a ser Apresentado na
Faculdade de Educação e Psicologia,
na disciplina de Pedagogia Geral, 1º
ano, 1º Semestre com finalidade
avaliativa.
Docente: Bonifácio Langa
Universidade Pedagógica de Maputo
Faculdade de Educação e Psicologia
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Maputo, Abril de 2025
INDICE
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1. INTRODUÇÃO
A pedagogia, enquanto campo do saber, representa uma ciência voltada para a compreensão e
transformação dos processos educativos. Seu papel vai além do ensino escolarizado,
abrangendo uma reflexão crítica sobre os modos de ensinar, aprender, educar e formar
sujeitos sociais. De acordo com Libâneo (1994, p. 17), "a pedagogia se constitui como uma
ciência da educação cujo objetivo é fundamentar, orientar e sistematizar a prática educativa".
Portanto, compreender a pedagogia significa também compreender as transformações sociais,
históricas e culturais que influenciam a prática educativa.
Nas sociedades contemporâneas, a pedagogia assume um papel estratégico na promoção da
cidadania e no desenvolvimento de competências fundamentais para a vida em sociedade. A
prática pedagógica não se resume à transmissão de conteúdos, mas à formação de sujeitos
críticos e reflexivos. Assim, torna-se indispensável discutir os principais pilares que
sustentam a pedagogia, como sua epistemologia, os métodos de estudo e as vertentes
históricas, como a pedagogia tradicional, para então compreender seu alcance e desafios.
É neste contexto que este trabalho se propõe a investigar, de forma científica e sistemática, os
fundamentos epistemológicos da pedagogia, os métodos aplicados em sua investigação e a
contribuição da pedagogia tradicional como uma das principais referências na formação
educacional ao longo da história. Através da análise de diferentes autores e correntes teóricas,
busca-se uma abordagem abrangente e crítica, alinhada às exigências de uma educação
comprometida com a transformação social.
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2. OBJECTIVOS
2.1. Objetivo Geral:
● Investigar os fundamentos teóricos e metodológicos da pedagogia, com foco na sua
epistemologia, nos métodos de estudo aplicados e na pedagogia tradicional como
corrente fundadora do pensamento educacional moderno.
2.2. Objetivos Específicos:
● Compreender a origem e o significado epistemológico da palavra “pedagogia”;
● Analisar a evolução histórica da pedagogia tradicional e seu impacto na prática
educacional;
● Identificar os principais métodos utilizados nos estudos pedagógicos;
● Refletir sobre as implicações teóricas e práticas da pedagogia no contexto
contemporâneo;
● Apresentar uma síntese crítica dos principais autores e teorias que fundamentam a
ciência pedagógica.
3. METODOLOGIA
De acordo com Lakatos e Marconi (2003, p. 83), a metodologia de pesquisa é um conjunto de
procedimentos sistemáticos que orientam a investigação científica, permitindo a obtenção de
conhecimento confiável e bem fundamentado. Neste trabalho, utilizamos uma abordagem
qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e análise teórica sobre a organização da vida
de estudos na universidade. A pesquisa bibliográfica consiste na revisão de livros, artigos
científicos, dicionários especializados e outras fontes relevantes que abordam a temática.
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4. Revisão Teórica
4.1. Epistemologia da palavra Pedagogia
A palavra “pedagogia” tem origem grega: do termo paidagogós, composto por paidos
(criança) e agogé (condução, direção), referindo-se, inicialmente, ao escravo responsável por
conduzir as crianças até os mestres na Grécia Antiga. Com o tempo, a noção se transformou,
passando a denotar o saber que se ocupa da orientação do processo de ensino-aprendizagem.
A epistemologia da pedagogia, portanto, está centrada na busca de compreender o campo
científico que fundamenta as práticas educativas, bem como os critérios que qualificam a
pedagogia como ciência.
Segundo Saviani (2008, p. 19), “a pedagogia é uma forma de conhecimento que se constitui
a partir da prática educativa, tornando-se ciência à medida que reflete sistematicamente sobre
essa prática”. Essa perspectiva epistemológica rompe com a visão reducionista de que a
pedagogia seria apenas uma prática técnica ou intuitiva. Pelo contrário, a pedagogia se
apresenta como um saber teórico que busca compreender as finalidades da educação, os
meios pelos quais ela se realiza e as consequências sociais que dela decorrem.
A epistemologia da pedagogia envolve ainda a discussão sobre sua autonomia como campo
de conhecimento. Para Gauthier et al. (1998, p. 35), “a pedagogia não pode ser vista como
simples aplicação de conhecimentos oriundos de outras ciências, como a psicologia ou a
sociologia. Ela se constrói a partir de problemas que lhe são próprios, enraizados na prática
educativa”. Nesse sentido, a pedagogia é uma ciência normativa, pois além de descrever e
analisar os fenômenos educativos, propõe modelos de ação, de intervenção e de
transformação.
Portanto, compreender a epistemologia da pedagogia é reconhecer que ela possui um estatuto
científico próprio, com objeto de estudo (a educação), método (a análise crítica da prática
pedagógica), e finalidade (a formação humana e a transformação social). A reflexão
epistemológica permite, assim, superar práticas descontextualizadas e promover uma
pedagogia crítica e transformadora, como defende Paulo Freire (1996, p. 25), ao afirmar que
“a educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o
mundo”.
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4.2. Conceito de Pedagogia
Segundo Libâneo (1994), essa abordagem busca adaptar a educação às necessidades do
mercado de trabalho, reduzindo o processo educativo a técnicas de ensino mensuráveis. O
professor assume o papel de técnico executor de programas, e o aluno é preparado para
responder a estímulos e avaliações objetivas.
Para Aranha (2006, p. 24), “a pedagogia é a ciência que se ocupa dos processos de ensino e
aprendizagem, analisando os objetivos, os conteúdos, os métodos e os contextos
educacionais”. Essa definição destaca o papel da pedagogia como ciência aplicada, voltada
para a organização e melhoria da prática educativa.
A pedagogia também é um campo de formação profissional. O curso de pedagogia tem como
finalidade preparar profissionais para atuarem na educação infantil, nos anos iniciais do
ensino fundamental, na gestão escolar, na coordenação pedagógica e na elaboração de
materiais didáticos e políticas educacionais.
Logo, o conceito de pedagogia não se limita à sala de aula, mas abrange a totalidade do
processo educativo, sendo uma ciência fundamental para a construção de uma sociedade
democrática, justa e inclusiva.
4.3. Percursores e Obras
A história da pedagogia é marcada por grandes pensadores que influenciaram profundamente
a maneira como se compreende e pratica a educação. Assim sendo, os principais percursores
da pedagogia e suas obras são:
4.3.1. Sócrates (469–399 a.C.)
Considerado um dos fundadores do pensamento ocidental, Sócrates desenvolveu a maiêutica,
método baseado no diálogo e na reflexão. Ele acreditava que o conhecimento já está presente
no indivíduo e que o papel do educador é ajudar o educando a descobri-lo. Sua pedagogia é
centrada na formação moral e ética do sujeito.
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4.3.2. Platão (427–347 a.C.)
Discípulo de Sócrates, Platão defendeu a educação como instrumento de aperfeiçoamento da
alma e da organização da cidade ideal. Em sua obra “A República”, propôs um sistema
educacional que visava formar governantes sábios. Para ele, a educação deveria promover a
justiça, a verdade e o bem comum.
4.3.3. Aristóteles (384–322 a.C.)
Discípulo de Platão, Aristóteles sistematizou o conhecimento e destacou a importância da
experiência e da observação no processo de aprendizagem. Para ele, a educação deveria
desenvolver todas as dimensões do ser humano: física, moral e intelectual. Sua obra
“Política” trata da função educativa do Estado.
4.3.4. Comenius (1592–1670)
Considerado o “pai da didática moderna”, Comenius escreveu Didactica Magna, onde
defende uma educação acessível a todos, baseada na observação e na experiência. Afirmava
que o ensino deve respeitar o desenvolvimento natural da criança e ser organizado de forma
sistemática.
4.3.5. Rousseau (1712–1778)
Em sua obra “Emílio ou da Educação”, Rousseau propõe uma educação natural, centrada no
interesse e nas necessidades da criança. Para ele, “o homem é bom por natureza” e deve ser
educado em contato com a natureza, livre de influências sociais corruptoras.
4.3.6. Pestalozzi (1746–1827)
Influenciado por Rousseau, Pestalozzi valorizava o afeto, o cuidado e a formação integral da
criança. Defendia uma pedagogia centrada na experiência concreta, nos sentimentos e no
desenvolvimento da autonomia. Sua obra mais conhecida é “Como Gertrudes ensina seus
filhos”.
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4.3.7. Paulo Freire (1921–1997)
Principal referência da pedagogia crítica latino-americana, Freire propôs uma educação
libertadora, dialógica e problematizadora. Em Pedagogia do Oprimido, defende a superação
da educação bancária por uma pedagogia que reconheça o aluno como sujeito ativo da
aprendizagem. Segundo ele, “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens
se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1996, p. 79).
4.4. Tendências Pedagógicas
As tendências pedagógicas representam diferentes formas de conceber e praticar a educação,
variando conforme os contextos históricos, sociais e políticos. Elas traduzem concepções de
homem, sociedade, conhecimento e escola, sendo fundamentais para compreender as práticas
educativas.
Segundo Libâneo (1994), as tendências pedagógicas podem ser divididas em dois grandes
grupos: as pedagogias tradicionais e não-críticas, e as pedagogias progressistas ou
críticas. Assim sendo, analisam-se as principais tendências:
4.4.1. Pedagogia Tradicional
A pedagogia tradicional surgiu no século XVII e predominou até o início do século XX. Tem
como base uma concepção transmissiva de ensino, centrada na figura do professor,
considerado detentor do saber. O aluno é visto como um receptor passivo, cuja função é
memorizar e reproduzir o conteúdo transmitido.
De acordo com Saviani (2008), essa tendência está relacionada ao ideal de formação
intelectual e moral do indivíduo, promovendo uma educação elitista e voltada à manutenção
da ordem social. Os métodos utilizados baseiam-se na repetição, no controle disciplinar e na
autoridade docente.
Para Libâneo (1994, p. 19), “o ensino tradicional se caracteriza por dar ênfase à exposição
verbal do professor e ao treino da memória do aluno, desconsiderando o seu papel ativo no
processo de aprendizagem”.
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Apesar das críticas, a pedagogia tradicional ainda está presente em muitas práticas escolares
contemporâneas, principalmente em contextos onde prevalece a lógica da reprodução de
conteúdos e da avaliação quantitativa.
4.4.2. Pedagogia Tecnicista
A pedagogia tecnicista emergiu nos anos 1960, em um contexto de industrialização e
expansão do sistema educacional. Inspirada no modelo da administração científica de Taylor
e nas teorias behavioristas, essa tendência concebe a educação como um processo técnico e
eficiente de transmissão de comportamentos desejados.
Segundo Libâneo (1994), o tecnicismo considera a educação como instrumento de
desenvolvimento econômico, sendo planejada com base em objetivos operacionais, controle
de resultados e uso de tecnologias instrucionais. O professor é um executor de técnicas, e o
aluno, um sujeito a ser moldado conforme os fins estabelecidos.
Saviani (2008, p. 41) ressalta que “a pedagogia tecnicista reduz a educação a um conjunto de
métodos e procedimentos, desconsiderando os aspectos humanos, culturais e sociais do
processo educativo”.
Essa tendência foi bastante criticada por ignorar a autonomia do sujeito e a dimensão crítica
da educação, contribuindo para o surgimento de propostas mais humanistas e dialógicas.
4.4.3. Escola Nova
A Escola Nova, também conhecida como pedagogia renovada, surgiu como reação à
pedagogia tradicional, especialmente a partir das ideias de John Dewey (1859–1952).
Defende uma educação centrada no aluno, na experiência e na atividade, valorizando a
liberdade, a criatividade e a individualidade.
Para Dewey (1971), “a educação deve partir dos interesses e das necessidades da criança,
promovendo a aprendizagem por meio da experiência ativa e da resolução de problemas
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reais”. O professor, nesse modelo, é um orientador do processo educativo, e não mais uma
autoridade que transmite conhecimentos prontos.
Libâneo (1994) destaca que a Escola Nova introduziu a ideia de método ativo, propondo a
integração entre escola e vida, e contribuindo para o desenvolvimento da pedagogia como
ciência da educação.
4.4.4. Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos
Proposta por Dermeval Saviani a partir da década de 1970, essa tendência busca superar tanto
os limites da pedagogia tradicional quanto os da pedagogia tecnicista e da Escola Nova. Parte
da ideia de que o conhecimento é uma construção social e deve ser ensinado de forma
sistemática e crítica, visando à transformação da realidade.
Para Saviani (2008), a educação é um ato político, e o ensino deve possibilitar o acesso aos
conteúdos científicos e culturais produzidos historicamente pela humanidade. A
aprendizagem não ocorre espontaneamente, mas exige a mediação pedagógica intencional e
organizada.
Segundo Libâneo (1994), a pedagogia crítico-social dos conteúdos integra teoria e prática,
conhecimento e ação, formando sujeitos capazes de compreender e intervir na realidade
social de forma crítica e consciente.
Essa proposta considera que a escola deve garantir a todos os alunos o direito ao saber
sistematizado, contribuindo para a superação das desigualdades sociais e para a construção da
cidadania.
4.5. Métodos de Estudo da Pedagogia
O estudo da pedagogia, enquanto ciência da educação, requer o uso de métodos científicos
que permitam compreender, analisar e intervir nas realidades educativas. Esses métodos
orientam a produção de conhecimento sistemático, contribuindo para a melhoria das práticas
pedagógicas.
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Segundo Gauthier (2006), os métodos de estudo na pedagogia se estruturam em torno de três
grandes eixos: a observação, a análise e a intervenção. Cada um desses eixos envolve
diferentes abordagens metodológicas.
4.5.1. Método Científico
O método científico é um processo sistemático que visa investigar fenômenos, formular
hipóteses e construir teorias. Na pedagogia, esse método é adaptado às particularidades das
práticas educativas.
Para Severino (2007, p. 39), “a investigação científica em educação deve considerar a
complexidade do fenômeno educativo, que envolve múltiplas dimensões — sociais, culturais,
políticas e psicológicas”.
As principais etapas do método científico aplicado à pedagogia incluem:
● Observação do fenômeno educativo;
● Formulação de problemas e hipóteses;
● Coleta e análise de dados;
● Interpretação dos resultados;
● Elaboração de conclusões e proposições de intervenção.
4.5.2. Métodos Qualitativo e Quantitativo
A pedagogia recorre a métodos qualitativos e quantitativos, dependendo do objeto de estudo e
dos objetivos da pesquisa.
● Método Qualitativo: valoriza a compreensão dos significados, das relações e dos
contextos educativos. Utiliza técnicas como entrevistas, grupos focais, análise documental
e observação participante.
● Método Quantitativo: busca mensurar e quantificar aspectos da realidade educacional,
por meio de estatísticas, questionários estruturados e análise de dados objetivos.
Segundo Minayo (2001), “as abordagens qualitativa e quantitativa não são excludentes, mas
complementares, e podem ser combinadas em estudos interdisciplinares”.
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4.5.3. Pesquisa-Ação
A pesquisa-ação é uma metodologia bastante valorizada na pedagogia, por articular teoria e
prática. Nela, o pesquisador atua diretamente no campo de estudo, com o objetivo de
promover transformações.
Thiollent (1996, p. 14) afirma que “a pesquisa-ação é uma forma de investigação social com
base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a
resolução de um problema coletivo”.
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5. CONCLUSÃO
Após a Concluir o presente trabalho foi possível compreender a complexidade e a relevância
desse campo de conhecimento. Sendo assim, a pedagogia, desde seus primórdios, representa
mais do que uma prática: constitui-se como um saber reflexivo e crítico, voltado à formação
humana e à transformação social. As diferentes correntes e tendências analisadas revelam que
a educação não é neutra ela reflete visões de mundo, ideologias e projetos de sociedade.
Além disso, foram discutidos os métodos de estudo utilizados pela pedagogia, ressaltando a
importância da pesquisa científica na construção de saberes pedagógicos. Também se
abordou a epistemologia da palavra pedagogia, demonstrando sua evolução de prática social
para campo científico reconhecido.
Conclui-se, portanto, que o estudo da pedagogia exige compromisso ético, epistemológico e
prático com a educação como um direito de todos. Cabe aos pedagogos e educadores
desenvolver uma prática crítica, consciente e transformadora, capaz de responder aos desafios
contemporâneos e promover uma sociedade mais justa e inclusiva.
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6. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
● LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do Trabalho
Científico: Procedimentos Básicos, Pesquisa Bibliográfica, Projeto e Relatório,
Publicação e Trabalhos Científicos.6. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
● DEWEY, John. Democracia e Educação. São Paulo: Nacional, 1971.
● GAUTHIER, C. et al. Por uma teoria da pedagogia. Ijuí: Unijuí, 2006.
● LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
● MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em
saúde. São Paulo: Hucitec, 2001.
● NÓVOA, António (Org.). Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992.
● SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. Campinas: Autores Associados, 2008.
● SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez,
2007.
● THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1996.