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02 - Infectologia - Parasitoses

O documento aborda diversas parasitoses, destacando os principais agentes causadores, como helmintos e protozoários, e suas características clínicas e epidemiológicas. São discutidos diagnósticos e tratamentos, com ênfase em infecções como ascaridíase, ancilostomíase, enterobíase e estrongiloidíase. O texto também menciona a importância do controle e prevenção dessas doenças em populações vulneráveis.

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02 - Infectologia - Parasitoses

O documento aborda diversas parasitoses, destacando os principais agentes causadores, como helmintos e protozoários, e suas características clínicas e epidemiológicas. São discutidos diagnósticos e tratamentos, com ênfase em infecções como ascaridíase, ancilostomíase, enterobíase e estrongiloidíase. O texto também menciona a importância do controle e prevenção dessas doenças em populações vulneráveis.

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PARASITOSES

Parasitoses: presentes em todo o mundo. Estima- • Tricuríase: Causa disenteria, colite e prolapso
se 1,2 bilhão de pessoas com Ascaris lumbricoides. retal. Tratamento com albendazol ou dose única.
Agentes: • Teníase: ingesta de carne mal cozida com
• Helmintos = macroscópicos. larvas, causando teníase que tem sintomas
• Platelmintos (mais achatados): Schistosoma gastrointestinais. Se ingere cisticerco causa
mansoni; Taenia solium; Taenia saginatta. cisticercose, principal acometimento é SNC.
• Nematelmintos: Ascaris lumbricoides; tratamento com Praziquantel dose única ou
Ancylostoma duodenale/ Necator americanus; albendazol 3 dias.
Enterobius vermicularis; Strongyloides • Esquistossomose: larva penetra pela pele em
stercoralis; Trichuris trichiura. lagoas de coceira com caramujo biomphalaria.
• Protozoários = unicelulares. Entamoeba Forma aguda é febre de Katayama, 3-7 semanas
hystolitica/dispar, Giardia lambia. após exposição. Forma crônica é após 6
Diagnóstico: Exame parasitológico de fezes. semanas, pode ser sistêmico. Tratamento de
Particularidades: escolha é o Praziquantel. Precisa de controle de
• Ascaridíase: transmissão fecal-oral. Pode cura mensal por 6 meses pelas formas crônicas.
causar obstrução intestinal por bolo de áscaris, • Amebíase: a mais patogênica é a hystolitica.
visível em RX seriado. Principal causador de Infectam mais de 10% da população. Tem
Síndrome de Loeffler. Tratamento Albendazol forma intestinal e extra-intestinal (abcessos
dose única. principalmente hepático). Formas graves
• Ancilostomíase: causado por Ancylostoma tratamento é com metronidazol.
duodenale e Necator americanus. Predomina • Giardíase: surtos em creches, dissemina
em áreas rurais. Larva filarióide penetra a pele. por água não potável. Maioria assintomático,
Causa enterite e anemia ferropriva (“amarelão” quando tem sintomas parece doença celíaca:
do jeca tatu). Tratamento Albendazol dose única. má absorção, esteatorreia, diarreia. Precisa de
Precisa de exame de fezes para controle de cura controle de cura com 7, 14 e 21d.
com 7, 14 e 21 dias. Síndrome de Loeffler:pelo ciclo de Loss o
• Enterobíase = oxiuríase: causa prurido anal, parasita atinge pulmões. Causadores: SANTA =
pode transmitir por roupa de cama e toalhas. Strongyloides stercoralis, Ancylostoma duodenale,
Tratamento com Pamoato de pirvínio ou de Necator americanos, Toxocara canis*, Ascaris
pirantel dose única. lumbricoides. *Toxocara não tem ciclo de Loss
• Estrongiloidíase: Risco de hiperinfecção obrigatoriamente.
em imunodeprimido, causa bacteremia por
ruptura da mucosa intestinal. Tratamento com
Albendazol ou Ivermectina dose única, nos
imunodeprimidos os 2 por tempo prolongado.

1. INTRODUÇÃO
1.1 Epidemiologia: • Entamoeba hystolitica/dispar;
• Giardia lambia.
• Presentes em todo o mundo; 1.3 Diagnóstico:
• Estima-se:
• 1,2 bilhão de pessoas infectadas por Ascaris Exame parasitológico de fezes (EPF/PPF)
Lumbricoides • Identificação de ovos/larvas/oocistos/cistos/
• 800 milhões de pessoas infectadas pelo trofozoítos
Trichurius trichuria • Método de centrifugo-flutuação: Faust.
• Mais de 700 milhões de pessoas infectadas por • Ovos leves e larvas de helmintos
Ancilostoma e Necator • Cistos de protozoários
1.2 Agentes: • Método de Sedimentação Espontânea: Lutz/
• Helmintos: seres pluricelulares, macroscópicos. Hoffman, Pons e Janner
Ovo → Larva → Verme adulto
• Ovos pesados e larvas de helmintos
• Platelmintos (mais achatados): Schistosoma • Ovos inférteis de A. Lumbricoides e S. Mansoni
mansoni; Taenia solium; Taenia saginatta.
• Cistos ou trofozoítos de protozoários
• Nematelmintos: Ascaris lumbricoides; • Método de Rugai: sedimentação.
Ancylostoma duodenale/ Necator americanus;
• Larvas de Strongyloides e Ancilostomídeos.
Enterobius vermicularis; Strongyloides
• Os helmintos são os principais causadores de
eosinofilia, não é comum nos protozoários. Entre
stercoralis; Trichuris trichiura.
• Protozoários: seres unicelulares; fazem divisão
os helmintos, a enterobíase é mais incomum ter
eosinofilia.
binária. Ciclo de vida: cisto → trofozoíto → cisto …

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PARASITOSES 331

2. ASCARIDÍASE
• Agente: Ascaris lumbricoides. • Duração média de vida dos parasitas adultos é
• O reservatório é o homem. de 12 meses.
• Adquire pela ingestão de ovos infectantes • Ciclo de vida: nas fezes estão os ovos não
• Solo, água ou alimentos contaminados; fertilizados, inférteis, não infectantes. Fica no solo,
• Podem permanecer viáveis e infectantes em condições de calor e umidade o ovo se torna
durante anos; embrionado e infectante. O homem ingere esse
• Prevalentes em locais com condições de ovo infectado, que se dirige ao intestino delgado,
saneamento precárias. eclode e libera a larva. A larva ultrapassa a parede
• É a parasitose com MAIOR PREVALÊNCIA NO intestinal, vai para a circulação porta, sistêmica e
BRASIL E NO MUNDO. pulmonar. No pulmão rompe a parede dos alvéolos,
• Se localizam no intestino delgado (jejuno e íleo( cai na árvore traqueobronquica, vai para faringe, é
• Fêmeas fecundadas podem produzir cerca de deglutida e vai novamente para o intestino delgado
200 mil ovos por dia; onde se desenvolve e se torna uma larva adulta.
Ciclo Ascaris lumbricoides

• Síndrome de Loeffler: pode ser causado pelos


parasitas representados pelo mnemónico SANTA:
Strongyloides stercoralis, Ancylostoma duodenale,
Necator americanos, Toxocara canis*, Ascaris
lumbricoides.
• * Algumas referências não consideram o
Toxocara canis como causador pois não
tem ciclo pulmonar obrigatório, sem ele o
mnemônico é NASA.
(A) Ovo infértil / (B) Ovo fértil / (C) Ovo embrionado - larva em seu
interior / (D) Verme adulto. Fonte: Foto a, b e c: Arquivo pessoal Dr.
• A causa mais comum é o Ascaris lumbricoides.
Helder Cavalcanti Fortes – Grupo Análises Clinicas Brasil (ACB); Foto Diagnóstico:
d: Arquivo pessoal Professor Stefan Geiger - UFMG
Quadro clínico: • Ovos no PPF
• Raio-x contrastado para avaliar “bolo de áscaris”.
• Assintomático Tratamento:
• Dor abdominal, diarreia, náuseas e anorexia
• Na infestação pode ocorrer obstrução intestinal, • Albendazol 400 mg dose única
de via biliar e ducto pancreático. • Mebendazol 100 mg 2x/d por 3 dias - repete pois
Em virtude do ciclo pulmonar da larva, podem não é larvicida.
ocorrer manifestações pulmonares = ciclo de Loss • Alternativa: levamizol.
• Quadro pulmonar: broncoespasmo, hemoptise, • Obstrução intestinal: jejum, passagem de SNG e
pneumonite = Síndrome de Loeffler. Com eosinofilia deixar aberta, óleo mineral, hidratação. Piperazina
importante, manifesta-se com Pneumonite deixa o parasita imóvel e permite sua eliminação,
eosinofílica. hoje em dia não é mais utilizado.

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332 INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA

3. ANCILOSTOMÍASE
• Causada por nematóides da família • Se localiza no intestino delgado (duodenos e
Ancylostomidae: jejuno)
• Ancylostoma dudenalis • Ciclo de vida: ovo é liberado nas fezes do
• Necator americanus ser humano, fica no solo úmido e quente, se
• Predomina nas áreas rurais desenvolve e libera larva filarióide que penetra na
• Associada a áreas sem saneamento e às pele do ser humano, cai na circulação linfática,
populações que têm o hábito de andar descalças. então sanguínea e pulmonar fazendo ciclo de loss,
• Representado pelo personagem “Jeca Tatu”. ascende na árvore traqueobrônquica até a faringe
• O reservatório é o homem. quando é deglutida e vai para intestino delgado
onde vai se desenvolver.

Adaptado de “the Centers for Disease Control and Prevention, Global Health, Division of Parasitic Diseases and Malaria.”

(a e b) Ovos não embrionados; (C) ovo embrionado (observar larva em seu interior), vistos ao microscópio.
Foto a & b: Arquivo pessoal, Professor Stefan Geiger – UFMG; Foto c: Arquivo pessoal, professor Cristiano Lara Massara – IRR/Fiocruz.

Quadro Clínico Diagnóstico:


• Assintomatico • PPF - ovos de baixo peso.
• Sintomaticos: • Flutuação.
• Dermatite pruriginosa, no local de infiltração da Tratamento:
larva;
• Pneumonite/hemorragia; • Albendazol 400 mg dose única
• Dor epigástrica, diarréia, anorexia, náuseas e • Mebendazol 100 mg 2x/d por 3 dias
vômitos. • Necessidade de controle de cura: PPF sucessivos
• Aderem à mucosa intestinal causando enterite: após tratamento: 7, 14 e 21 dias após tratamento.
gera anemia ferropriva em crianças principalmente,
que causa aspecto de “amarelão”.

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PARASITOSES 333

4. ENTEROBÍASE
• Agente: Enterobius vermiculares. • Ciclo de vida: o ser humano ingere um ovo
• Conhecido por oxiuríase. embrionado, que cai no sistema gastrointestinal e
• Helmintíase mais comum na infância. se desenvolve como larva que no intestino se torna
• Afeta vários membros da mesma família. um verme adulto no ceco. Durante a noite a fêmea
• Independe de condições socioeconômicas. cheia de ovos vai até região perianal, libera ovos
• O reservatório é o homem. que causa prurido intensos e causa auto-infecção,
• Se localiza no intestino grosso (ceco e reto): causa os ovos. Ficam na mão da criança que pode levar
prurido anal. até a boca e também contamina lençóis, roupas de
cama, podendo também causar infecção de outros
membros da família.

Adaptado de “the Centers for Disease Control and Prevention, Global Health, Division of Parasitic Diseases and Malaria.”

Quadro clinico: Diagnóstico:


• Assintomático • Clínico
• Prurido retal noturno: • Método de Graham - fita tomada.
• Irritabilidade, sono intranquilo • Método de Hall - swab anal.
• Infecção secundária e pontos hemorrágicos Tratamento:
perianal.
• Distensão e dor abdominal (cólicas) • Pamoato de pirvínio ou de pirantel - dose única.
• Tenesmo • Mebendazol 3 dias.
• Na menina = vulvovaginite. • Albendazol dose única.

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334 INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA

5. ESTRONGILOIDÍASE
• Agente: Strongyloides stercoralis. • Ciclo de vida: os seres liberam pelas fezes a larva
• É endêmica em regiões tropicais e subtropicais. rabidiforme que se torna filarióide, que penetra a
• Os hospedeiros naturais incluem homens, primatas pele, cai na circulação, faz o ciclo de loss e chega
e cães. até o intestino.
• Se localizam no intestino delgado (duodeno e • Pode ocorrer autoinfestaçao que causa formas
jejuno) crônicas e hiperinfecção em imunossuprimidos.
• Em pacientes que farão uso de
imunossupressores ou infectados por HTLV
deve-se realizar tratamento empírico para
evitar hiperinfecção.

Adaptado de “the Centers for Disease Control and Prevention, Global Health, Division of Parasitic Diseases and Malaria.”

Outra formas de transmissão: Diagnóstico:


• Fecal-oral; • Encontro das larvas em fezes ou fluído duodenal -
• Alimentos e água contaminados; método de Baermann.
• Fezes; Tratamento:
• Atividade sexual (relação anal).
• Albendazol e tiabendazol;
Quadro clínico • Ivermectina 200mcg/kg dose única (algumas
• Assintomático; literaturas como droga de escolha).
• Pode evoluir com quadros graves e disseminados; • Imunodeprimidos: Ivermectina + Albendazol,
• Dermatite no local da penetração da larva; tempo prolongado, de preferência antes da
• Diarréia, dor epigástrica, náuseas, perda de peso; imunossupressão.
• Envolvimento pulmonar;
• Hiperinfecção: disseminação para vários órgãos,
bacteremia por ruptura da mucosa intestinal.

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PARASITOSES 335

6. TRICURÍASE
• Agente: Trichuris trichuria • Ciclo de vida: ovos não embrionados são
• Ocorre em regiões tropicais. eliminados nas fezes, no ambiente se tornam
• Infecção por ingestão de ovos embrionados embrionados nas condições ideias, são novamente
encontrados no solo, alimentos e mãos ingeridos, vão até ceco e cólon onde larvas
contaminados. eclodem e se tornam vermes adultos. São capazes
• Se localiza em intestino delgado, cólon e ceco. de causar túneis na mucosa do cólon e causam
enterite.

Adaptado de “the Centers for Disease Control and Prevention, Global Health, Division of Parasitic Diseases and Malaria.

Quadro clínico:
• Duas síndromes clínicas principais:
• Disenteria: verme adulto adere e lesa a mucosa,
mudando de posição diversas vezes ao dia
gerando perda de sangue - diarreia grave com
sangue e muco, anemia, retardo de crescimento
e desenvolvimento.
• Colite: manifestação crônica, DII like, causa
Foto a: Arquivo pessoal Professor Stefan Geiger – UFMG; desnutrição e baixa estatura.
• Prolapso retal
Foto b: Arquivo pessoal, Professor Cristiano Lara Massara – IRR/Fiocruz.

Diagnóstico:
• ovos no PPF
Tratamento:
• Albendazol 400mg dose unica
• Se moderado/grave: 3 dias.
• Alternativa: Mebendazol.

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336 INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA

7. TENÍASE
Agentes: • Ciclo de vida: o humano ingere a carne de boi/
• Taenia solium - forma adulta. porco mal cozida com larva em sua musculatura,
• Hospedeiro intermediário = porco. que amadurece no intestino em forma adulta,
• Taenia saginata - forma adulta. que tem a cabeça conhecida como escólex que
• Hospedeiro intermediário = boi. se liga na parede intestinal, cresce pela formação
• Homem é o hospedeiro definitivo. de proglótides e ao longo do ciclo vai liberando
• Relacionada a falta de saneamento básico e estas proglotes e ovos, que ambos saem nas fezes
consumo de carne mal cozida (larva). do ser humano. Os ovos nas fezes caem no solo
• Se localizam no intestino delgado. e são consumidos pelo boi e porco, que neles
• A larva é conhecida como cisticerco, quando ingerida se desenvolvem e ficam na musculatura e viram
pelo homem causa a teníase. Quando ingere o ovo larvas que serão consumidas pelo ser humano e
há a cisticercose, o homem deixa de ser hospedeiro perpetuando o ciclo de vida.
definitivo e se torna hospedeiro intermediário.

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PARASITOSES 337

Quadro clínico: Tratamento:


• Sintomas gastrointestinais e sistêmicos inespecíficos • Escolha: Praziquantel 5 a 10 mg/kg, dose única;
• Cisticercose depende do órgão envolvido, sendo • Albendazol 400 Mg dia por 3 dias;
mais grave em SNC = convulsões, hidrocefalia, • Alternativa: Niclosamida;
hipertensão intracraniana, AVC. • Cisticercose: Praziquantel 21 dias + dexametasona,
para reduzir a resposta inflamatória consequente à
Diagnóstico:
morte dos cisticercos.
• Em geral clínico, eliminação de proglotes nas fezes,
visíveis a olho nu.
• Neurocisticercose é necessário TC e/ou RNM de
crânio
• LCR com pleocitose e eosinofilorraquia.
• Positividade da reação clássica de Weinberg (reação
de fixação do complemento) ou métodos ELISA e de
imunofluorescência no liquor e no soro.

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338 INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA

8. ESQUISTOSSOMOSE

• Agente: Schistosoma mansoni • Ciclo de vida: nas fezes humana são liberados os
• Presente em diversos países, sendo endêmica no ovos, que liberam a larva miracídio, que ficam em
Brasil. lagoas e infectam os caramujos. Nestes caramujos
• Homem é o reservatório principal, mas pode se desenvolvem e liberam a forma larval conhecida
acometer marsupiais, roedores e primatas. como cercária, que penetra a pele. Do ser humano
• O hospedeiro intermediário principal no Brasil é que toma banho nas lagoas com os caramujos.
o caramujo - gênero Biomphalaria: B. Glabrata, B. infectados, conhecidas como “lagoas de coceira”,
tengophila e B. Straminea. pois quando a larva penetra a pele causa prurido.
• Parasitam vasos sanguíneos, especialmente Ela vai para circulação sanguínea e vai para o
mesentéricos. sistema porta onde vira adulta e migra para vasos
mesentéricos onde se desenvolve e rompe a região
do plexo venoso retal, caindo no lume intestinal e
libera ovos que saem nas fezes do ser humano.

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Quadro clínico: Diagnóstico:


• Assintomática • Exame parasitológico de fezes, método de Kato-Katz.
• Dermatite urticariforme, erupção papular, prurido até • Biópsia mucosa retas.
5 dias após exposição. • Sorologia - fase aguda.
• Forma aguda após 3-6 semanas da infecção: Febre Tratamento:
de Katayama
• Febre, anorexia, dor abdominal e cefaléia; • Escolha: Praziquantel.
• Pode ter diarreia, tosse seca e hepatomegalia. • Outra opção: Oxamniquina.
• forma crônica: até 6 meses após a infecção;; • Recomenda-se controle de cura pelo parasitológico
• Intestinal: diarreia de repetição, com dor ou de fezes com contagem de ovos mensalmente nos
desconforto abdominal. primeiros seis meses.
• Hepatoesplênica: hepatoesplenomegalia,
hipertensão portal com formação de varizes
esofagianas
• Pulmonar: endarterite granulomatosa que
pode levar a hipertensão pulmonar e ao cor
pulmonale.
• SNC: grande alvo é a medula espinhal, causando
mielite transversa.
• Glomerulonefrite: imunocomplexos nos vasos
renais.

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PARASITOSES 339

9. AMEBÍASE

• Causada pela Entamoeba hystolitica → virulenta e • Ciclo de vida: ingestão de água ou alimentos
invasiva. contaminados com cistos da ameba, tem capa que
• Entamoeda Dispar ( baixa patogenicidade) faz sobreviver ao suco gástrico. No íleo o cisto se
• Entamoeba coli desenvolve para trofozoíto e no intestino grosso
• Entamoeba hartmanni adere na mucosa, libera cistos mononucleados que
• Entamoeba moshkoskii vão para as fezes perpetuar o ciclo. O trofozoíto
• Endolix nana (não patogênica) também pode sair nas fezes, mas se ingere ele
• Mais de 10% população infectada por alguma não há quadro de amebíase pois ele não sobrevive
forma de ameba. ao suco gástrico como o cisto. O trofozoíto pode
• O reservatório é o homem. adentrar a mucosa, cair na circulação e formar
• Se localiza no cólon abscessos hepáticos amebianos.

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Quadro clínico: Diagnóstico:


• Assintomática • Identificação dos trofozoítas e/ou cistos nas fezes,
• Formas clínicas variáveis aspirados, raspados ou biópsias.
• Amebiase intestinal: • USG e TC são úteis para diagnóstico de abscesso
• Disenteria: febre, distensão abdominal, amebiano.
flatulência, cólica, disenteria com mais de • Anticorpos séricos podem ajudar.
10 vacinações mucosanguinolentas por dia,
Tratamento:
tenesmo.
• Ameboma: formação de granuloma na mucosa • Secnidazol, metronidazol, tinida ou Nitazoxanida.
no ceco, cólon ascendente ou anorretal, com • Nas formas graves: amebíase intestinal intensa e
edema e estreitamento do lúmen. Alternam extraintestinal, primeira escolha é o metronidazol.
momentos de diarreia e constipação intestinal.
• Amebíase extra-intestinal:
• Abscesso hepático, em geral lobo direito.
• Pode ocorrer abscessos em pulmão, pericárdio,
SNC.

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340 INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA

10. GIARDÍASE
• Agentes: Giárdia lambia e Giárdia duodenale • Ciclo de vida: consome água ou alimentos
• Dissemina por água não potável. contaminados com cistos, que entram no
• Surtos são comuns (creches). trato gastrointestinal e se desenvolvem pelos
• Endêmica em muitos países, com prevalência em trofozoítas que fazem divisão binária e aderem à
crianças ao redor de 30%. mucosa intestinal, causando sucção da parede. Os
• Homem é seu principal reservatório. Animais de trofozoítas formam novos cistos que são liberados
estimação são fontes potenciais. nas fezes para perpetuar o ciclo.
• Fecal-oral: água contaminada.
• Atinge duodeno e jejuno.

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Quadro Clínico: Tratamento:


• Maioria assintomática. • Principal indicação se sintomáticos, especialmente
• Faz atapetamento da mucosa duodenal - atrofia se imunodeprimidos
vilos, má absorção de açúcares e gorduras. • Secnidazol, metronidazol, tinidazol, nitazoxanida e
• Diarreia gruda ou crônica, leve e grave. furazolidina.
• Assemelha-se a doença celíaca (esteatorréia ou • Exames de controle de cura: PPF com 7, 14 e 21 dias
constipação) após tratamento.
Diagnóstico:
• identificação de cistos ou trofozoítos no exame
direto das fezes ou identificação de trofozoítos
em fluidos ou biópsia duodenal. É intermitente nas
fezes, coletar 3 amostras de fezes em 1 semana.

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