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Biotecnologia PARKIA

O estudo investiga o uso de biotecnologia microbiana, especialmente rizobactérias, para promover o crescimento da espécie Parkia multijuga Benth. Os resultados mostram que a inoculação com a rizobactéria MPEG-30 aumentou significativamente a altura e a biomassa das plantas, enquanto as cepas MPEG-53 e MPEG-56 apresentaram efeitos limitados. Conclui-se que a interação entre a planta e os microrganismos é crucial para os benefícios observados no crescimento.
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Biotecnologia PARKIA

O estudo investiga o uso de biotecnologia microbiana, especialmente rizobactérias, para promover o crescimento da espécie Parkia multijuga Benth. Os resultados mostram que a inoculação com a rizobactéria MPEG-30 aumentou significativamente a altura e a biomassa das plantas, enquanto as cepas MPEG-53 e MPEG-56 apresentaram efeitos limitados. Conclui-se que a interação entre a planta e os microrganismos é crucial para os benefícios observados no crescimento.
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1

BIOTECNOLOGIA MICROBIANA NO CRESCIMENTO DE Parkia multijuga Benth.

Ila Nayara Bezerra Da Silva¹, Beatriz Silva Santiago², Ely Simone Cajueiro Gurgel³, Monyck Jeane Dos Santos
Lopes4

¹Universidade Federal Rural da Amazônia, e-mail ilanayara10@[Link]


² Universidade Federal do Pará, e-mail beatrizsilvasantiago2@[Link]
³ Museu Paraense Emílio Goeldi, e-mail esgurgel@[Link]
4
Museu Paraense Emílio Goeldi, e-mail monycklopes@[Link]

Palavras-chave: faveira, microrganismos, PGPR, rizobactérias.

Introdução

O Brasil possui uma enorme área de florestas, que atualmente representa 58,5% do
território nacional [1]. Reconhecida pela sua extensão, a Amazônia é a maior floresta tropical
do mundo e de alta importância ecológica por conta da diversidade de espécies da fauna, flora
e suas interações [2]. Diante disso, é relevante a conservação da biodiversidade vegetal das
florestas nativas e seus ecossistemas, e, o uso sustentável é o indicado para preservação dos
recursos genéticos da flora brasileira [3]. Com finalidade de conservar o bioma amazônico é
fundamental estudar as espécies florestais nativas.

A Parkia multijuga Benth., conhecida como faveira, pertence à família Fabaceae.


Ocorre nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Possui elevada importância
ecológica em vegetação primária e secundária, por ser espécie pioneira que colabora
eficientemente no desenvolvimento florestal dessas áreas [4]. Como finalidade ambiental, a
espécie possui grande importância para recuperação de áreas degradadas, devido seu rápido
crescimento [4,5]. Além disso, seu principal uso econômico é na produção de celulose e papel,
além do ramo madeireiro, pois é muito utilizada para fabricação de compensados [4].

Uma das formas de melhorar seu desenvolvimento é a partir do uso de biotecnologias


microbianas. Sabemos que no solo há diversos microrganismos, como as rizobactérias,
micorrizas e fungos micorrizicos arbosculares (FMA), que são benéficos às plantas por serem
capazes de controlar fitopatógenos e paralelamente potencializar seus crescimentos [6,7,8]. Eles
agem como bioestimulantes e biofertilizantes, intensificam a sínteses de hormônios vegetais,
impulsionam as reações fisiológicas, alterando o metabolismo da planta, além de aumentar a
quantia de elementos essenciais disponíveis no solo, que auxiliam processos fisiológico [9].

A utilização de rizobactérias promotoras de crescimento em plantas (Plant Growth-


Promoting Rhizobacteria - PGPR) se tornou uma das biotecnologias que pode ser utilizada para
2

acelerar o crescimento e diminuir o custo da produção de plantas [7,8,10,11]. Portanto, essa


pesquisa tem por objetivo bioprospectar e avaliar o uso da biotecnologia microbiana no
crescimento inicial de Parkia multijuga Benth.

Material e Métodos
A purificação de microrganismos ocorreu no Laboratório de Biotecnologia de
Propágulos e Mudas (LBPM) e no Laboratório de Biomolecular (LBM) do Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG) (S 1º27'3.98" W 48º26'44.74"), Belém-PA, Brasil. Foram utilizadas
sementes de Parkia multijuga Benth., coletadas de matriz nativa da região. Os inóculos MPEG-
30, MPEG-53 e MPEG-56 foram preparados no LBM/MPEG. Todo material foi esterilizado
em autoclave, estufa a 180 oC e luz UV. Os isolados bacterianos foram cultivados em meio
sólido Kado 523 por 48h a 28∘C [12]. As sementes de P. multijuga foram inoculadas e semeadas
em vasos. Após 28 dias da germinação os seguintes parâmetros foram avaliados: diâmetro do
caule (D), altura da parte aérea (A), índice de robustez (IR), o qual foi realizado a partir da razão
dos valores de altura e diâmetro; e produção de biomassa.

O delineamento experimental empregado foi inteiramente casualizado com 4


tratamentos, sendo 1 controle e 3 rizobactérias (MPEG-30, MPEG-53 e MPEG-56) e 6
repetições por tratamento. Os dados foram submetidos à análise de variância. As médias, com
diferença estatística, foram comparadas pelo teste de Duncan a 5%.

Resultados e Discussão
A inoculação das rizobactérias modificou os parâmetros altura, diâmetro e índice de
robustez de P. multijuga (Figura 1). Nas análises de altura as mudas tratadas com a bactéria
MPEG-30 foram superiores em média de 33,6 cm, em relação ao controle com 14,5 cm (Figura
1). Plantas tratadas com as cepas MPEG-53 e MPEG-56 apresentaram altura maior em média
de 52% quando comparadas ao controle. Brito e colaboradores (2017) [13] ao inocular
Rhizophagus clarus em Schizolobium parahyba constataram que houve aumento significativo
no crescimento em altura, assim também em teores de nutrientes como P, K, Mg e Ca.
Nos estudos de Santos e colaboradores [14] consideram que muda com diâmetro
superior a 5mm, possuem índice de sobrevivência superior 80% depois de 2 meses em campo.
Com 28 dias de análises constatamos que as mudas dos tratamentos MPEG-38 e MPEG-56
possuíram desenvolvimento positivo, apresentando 4 mm.
3

Figura 1. Influência do uso da biotecnologia microbiana na altura e na biomassa seca de mudas de Pakia
multijulga (teste de Ducan 5%).

O índice de robustez é um parâmetro utilizado para indicar a resistência das mudas em


campo. Verifica o quanto a muda está delgada, e se é capaz se resistir ao campo. Sendo
considerados como valores ideais de 5,5 a 8,1. Assim, verifica-se que as plantas inoculadas com
MPEG-30 e MPEG-53 estão dentro do padrão de qualidade, com valores de 8,42 e 7,78
respectivamente [14].
Na Figura 1 constata-se o efeito benéfico da rizobactéria MPEG-30, que incrementou
em 252% a biomassa total de P. multijuga em relação ao controle. Costa e Meloni [15] ao
inocular Pseudomonas sp. e Paenibacillus em Olea europaea observaram incremento de 4,9 e
2,5 g planta-1 significativo na biomassa em relação ao controle com 0,9 g planta-1.
A inoculação de microrganismo benéficos nas plantas apresentam resultados positivos,
tanto no crescimento quanto incremento de massa seca das plantas [9], como visto nas mudas
do tratamento MPEG-30, porém, também observamos o efeito nulo MPEG-53 e MPEG-56,
assim possuindo crescimento semelhante do tratamento sem o inoculante.
Conclusões
O uso da biotecnologia microbiana melhorou o crescimento de Parkia multijuga.
Nossos melhores resultados foram encontrados quando usada a rizobactéria MPEG-30. A
inoculação com a rizobactéria MPEG-30 resultou em maior altura e biomassa nas plantas., A
plantas tratadas com MPEG-53 e MPEG-56 quando comparadas ao controle, apresentaram
maior altura, mas não diferenciaram a produção de biomassa na planta. Assim, concluímos que
os efeitos benéficos da biotecnologia microbiana variam de acordo com a interação entre a
planta e o microrganismo.

Agradecimentos
Agradeço ao Museu Paraense Emílio Goeldi, ao PIBIC(n°160041/2021-0), a minha
orientadora Dr. Monyck Lopes, e ao Dr. Eniel Cruz.
4

CITAÇÕES E LISTA DE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] SNIF. Sistema Nacional de Informações Florestais. Disponível em:


[Link] Acesso em: 09/05/2022.

[2] REIS, P. C. M. R; et al. Agrupamentos de espécies da Amazônia com base em propriedades


físicas e mecânicas. Ciência florestal, v. 29, n. 1, p. 336-346, 2019

[3] RIBEIRO, N. P. et al. Biodiversidade e conversação de recursos genéticos de espécies


arbóreas. Multitemas, v. 21, n. 50, p. 31-49, 2016.

[4] CARVALHO, P. E. R. Espécies arbóreas brasileiras. Brasília, DF: Embrapa Informação


Tecnológica; Colombo: Embrapa Florestas, v. 3, 2008.

[5] SANTANA, B. J. G. et al. Morfologia externa de sementes e plântulas de Parkia pendula


Benth. ex Walp. Revista Arrudea-A revista do Jardim Botânico do Recife, v. 4, n. 1-2, p. 3-
10, 2018.

[6] GOSWAMI, D. et al. Portraying mechanics of plant growth-promoting rhizobacteria


(PGPR). A review, Cogent food & agriculture, v. 2, n. 1, 2016.

[7] BASU, A. et al. Plant Growth Promoting Rhizobacteria (PGPR) as GreenBioinoculants:


Recent Developments, Constraints, and Prospects. Sustainability, v. 13, n. 3, p. 1140, 2021.

[8] LOPES, M. J. S. et al. Crescimento e alocação de carbono em mudas de Parkia gigantocarpa


cultivadas sob sombreamento. In: Leonardo Pereira Fraga; Patricia Köster e Silva. (Org.).
Pesquisa e aplicação em ciências biológicas. 1ed.São Paulo: Bookerfield, v. 1, p. 47-55, 2021a.

[9] LOPES, M. J. S.; DIAS-FILHO, M. B.; GURGEL, E. S. C. Successful Plant Growth-


Promoting Microbes: Inoculation Methods and Abiotic Factors. Frontiers in Sustainable Food
Systems, v.5, p.606450, 2021b.

[10] PEREIRA, R.M. et al. Avaliação de populações de possíveis rizobactérias em solos sob
espécies florestais, Revista brasileira de ciências do solo, v. 32, p. 1921-1927, 2008.

[11] MARCUZZO, L. L. Efeito de Rizobactérias sobre o Biocontrole e Promoção de


Crescimento de Plantas. Ágora: revista de divulgação científica, v. 17, n. 1, p. 1-11, 2010.

[12] LOPES, M. J. S. et al. Effect of Pseudomonas fluorescens and Burkholderia pyrrocinia on


the growth improvement and physiological responses in Brachiaria brizantha. American
Journal of Plant Sciences, v. 9, p. 250-265, 2018.

[13] BRITO, V. N. Et al. Fungos micorrízicos arbusculares e adubação fosfatada na produção


de mudas de paricá. Ciência Florestal, v. 27, n. 2, p. 485-497, 2017.

[14] SANTOS, K. A. et al. Seleção de bactérias promotoras de crescimento em eucalipto em


condições de casa de vegetação. Agropecuária Científica no Semiárido, v. 15, n 3, p. 224-
227, 2019.

[15] COSTA, S. M. L.; MELLONI, R. Relação de fungos micorrízicos arbusculares e


rizobactérias no crescimento de mudas de oliveira (Olea europaea). Ciência Florestal, v. 29, p.
169-180, 2019.

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