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BIOTECNOLOGIA MICROBIANA NO CRESCIMENTO DE Parkia multijuga Benth.
Ila Nayara Bezerra Da Silva¹, Beatriz Silva Santiago², Ely Simone Cajueiro Gurgel³, Monyck Jeane Dos Santos
Lopes4
¹Universidade Federal Rural da Amazônia, e-mail ilanayara10@[Link]
² Universidade Federal do Pará, e-mail beatrizsilvasantiago2@[Link]
³ Museu Paraense Emílio Goeldi, e-mail esgurgel@[Link]
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Museu Paraense Emílio Goeldi, e-mail monycklopes@[Link]
Palavras-chave: faveira, microrganismos, PGPR, rizobactérias.
Introdução
O Brasil possui uma enorme área de florestas, que atualmente representa 58,5% do
território nacional [1]. Reconhecida pela sua extensão, a Amazônia é a maior floresta tropical
do mundo e de alta importância ecológica por conta da diversidade de espécies da fauna, flora
e suas interações [2]. Diante disso, é relevante a conservação da biodiversidade vegetal das
florestas nativas e seus ecossistemas, e, o uso sustentável é o indicado para preservação dos
recursos genéticos da flora brasileira [3]. Com finalidade de conservar o bioma amazônico é
fundamental estudar as espécies florestais nativas.
A Parkia multijuga Benth., conhecida como faveira, pertence à família Fabaceae.
Ocorre nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Possui elevada importância
ecológica em vegetação primária e secundária, por ser espécie pioneira que colabora
eficientemente no desenvolvimento florestal dessas áreas [4]. Como finalidade ambiental, a
espécie possui grande importância para recuperação de áreas degradadas, devido seu rápido
crescimento [4,5]. Além disso, seu principal uso econômico é na produção de celulose e papel,
além do ramo madeireiro, pois é muito utilizada para fabricação de compensados [4].
Uma das formas de melhorar seu desenvolvimento é a partir do uso de biotecnologias
microbianas. Sabemos que no solo há diversos microrganismos, como as rizobactérias,
micorrizas e fungos micorrizicos arbosculares (FMA), que são benéficos às plantas por serem
capazes de controlar fitopatógenos e paralelamente potencializar seus crescimentos [6,7,8]. Eles
agem como bioestimulantes e biofertilizantes, intensificam a sínteses de hormônios vegetais,
impulsionam as reações fisiológicas, alterando o metabolismo da planta, além de aumentar a
quantia de elementos essenciais disponíveis no solo, que auxiliam processos fisiológico [9].
A utilização de rizobactérias promotoras de crescimento em plantas (Plant Growth-
Promoting Rhizobacteria - PGPR) se tornou uma das biotecnologias que pode ser utilizada para
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acelerar o crescimento e diminuir o custo da produção de plantas [7,8,10,11]. Portanto, essa
pesquisa tem por objetivo bioprospectar e avaliar o uso da biotecnologia microbiana no
crescimento inicial de Parkia multijuga Benth.
Material e Métodos
A purificação de microrganismos ocorreu no Laboratório de Biotecnologia de
Propágulos e Mudas (LBPM) e no Laboratório de Biomolecular (LBM) do Museu Paraense
Emílio Goeldi (MPEG) (S 1º27'3.98" W 48º26'44.74"), Belém-PA, Brasil. Foram utilizadas
sementes de Parkia multijuga Benth., coletadas de matriz nativa da região. Os inóculos MPEG-
30, MPEG-53 e MPEG-56 foram preparados no LBM/MPEG. Todo material foi esterilizado
em autoclave, estufa a 180 oC e luz UV. Os isolados bacterianos foram cultivados em meio
sólido Kado 523 por 48h a 28∘C [12]. As sementes de P. multijuga foram inoculadas e semeadas
em vasos. Após 28 dias da germinação os seguintes parâmetros foram avaliados: diâmetro do
caule (D), altura da parte aérea (A), índice de robustez (IR), o qual foi realizado a partir da razão
dos valores de altura e diâmetro; e produção de biomassa.
O delineamento experimental empregado foi inteiramente casualizado com 4
tratamentos, sendo 1 controle e 3 rizobactérias (MPEG-30, MPEG-53 e MPEG-56) e 6
repetições por tratamento. Os dados foram submetidos à análise de variância. As médias, com
diferença estatística, foram comparadas pelo teste de Duncan a 5%.
Resultados e Discussão
A inoculação das rizobactérias modificou os parâmetros altura, diâmetro e índice de
robustez de P. multijuga (Figura 1). Nas análises de altura as mudas tratadas com a bactéria
MPEG-30 foram superiores em média de 33,6 cm, em relação ao controle com 14,5 cm (Figura
1). Plantas tratadas com as cepas MPEG-53 e MPEG-56 apresentaram altura maior em média
de 52% quando comparadas ao controle. Brito e colaboradores (2017) [13] ao inocular
Rhizophagus clarus em Schizolobium parahyba constataram que houve aumento significativo
no crescimento em altura, assim também em teores de nutrientes como P, K, Mg e Ca.
Nos estudos de Santos e colaboradores [14] consideram que muda com diâmetro
superior a 5mm, possuem índice de sobrevivência superior 80% depois de 2 meses em campo.
Com 28 dias de análises constatamos que as mudas dos tratamentos MPEG-38 e MPEG-56
possuíram desenvolvimento positivo, apresentando 4 mm.
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Figura 1. Influência do uso da biotecnologia microbiana na altura e na biomassa seca de mudas de Pakia
multijulga (teste de Ducan 5%).
O índice de robustez é um parâmetro utilizado para indicar a resistência das mudas em
campo. Verifica o quanto a muda está delgada, e se é capaz se resistir ao campo. Sendo
considerados como valores ideais de 5,5 a 8,1. Assim, verifica-se que as plantas inoculadas com
MPEG-30 e MPEG-53 estão dentro do padrão de qualidade, com valores de 8,42 e 7,78
respectivamente [14].
Na Figura 1 constata-se o efeito benéfico da rizobactéria MPEG-30, que incrementou
em 252% a biomassa total de P. multijuga em relação ao controle. Costa e Meloni [15] ao
inocular Pseudomonas sp. e Paenibacillus em Olea europaea observaram incremento de 4,9 e
2,5 g planta-1 significativo na biomassa em relação ao controle com 0,9 g planta-1.
A inoculação de microrganismo benéficos nas plantas apresentam resultados positivos,
tanto no crescimento quanto incremento de massa seca das plantas [9], como visto nas mudas
do tratamento MPEG-30, porém, também observamos o efeito nulo MPEG-53 e MPEG-56,
assim possuindo crescimento semelhante do tratamento sem o inoculante.
Conclusões
O uso da biotecnologia microbiana melhorou o crescimento de Parkia multijuga.
Nossos melhores resultados foram encontrados quando usada a rizobactéria MPEG-30. A
inoculação com a rizobactéria MPEG-30 resultou em maior altura e biomassa nas plantas., A
plantas tratadas com MPEG-53 e MPEG-56 quando comparadas ao controle, apresentaram
maior altura, mas não diferenciaram a produção de biomassa na planta. Assim, concluímos que
os efeitos benéficos da biotecnologia microbiana variam de acordo com a interação entre a
planta e o microrganismo.
Agradecimentos
Agradeço ao Museu Paraense Emílio Goeldi, ao PIBIC(n°160041/2021-0), a minha
orientadora Dr. Monyck Lopes, e ao Dr. Eniel Cruz.
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CITAÇÕES E LISTA DE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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