BFPGABARITO
BFPGABARITO
PERSONALIDADE (BFP)
MANUAL TÉCNICO
Lts btt LULILUGO UV 0D00D0000000000000000009000004
Apresentação
A BFP foi elaborada a partir da seleção dos itens com as melhores propriedades psicométricas
das escalas individuais para a avaliação dos cinco fatores, a saber: a Escala Fatorial de
Neuroticismo
(Hutz & Nunes, 2001), a de Extroversão (Nunes & Hutz, 2007a), a de Socialização (Nunes &
Hutz, 2007b), a de Abertura e a de Realização (pesquisas em andamento). Pesquisas
utilizando a
BFP estão sendo realizadas em vários contextos e seus resultados serão disponibilizados por
meio
de artigos em revistas científicas da área. Além disso, será mantida uma listagem atualizada de
trabalhos com a escala no site www.ufrgs.br/psico-laboratorio.
Encontram-se na literatura nacional e internacional (Jain, Blais, Otto, Hirshfeld & Sachs, 1999:
Trull & MecCras, 2002; Widiger & Frances, 2002; Widiger, Trull, Clarkin, Sanderson & Costa,
2002: Cassito, Fattorini, Gilioli, Rengo & Gonik, 2003; Ross, Rausch & Canada, 2003; Laak et
al., 2003; Bozionelos, 2004; Friborg, Barlaug, Martinussen, Rosenvinge & Hjemdal, 2005; Saito,
Nakamura & Endo, 2005; Ghorbani & Watson, 2005; Ávila & Stein, 2006; Yoshida, 2006; Maciel
& Yoshida, 2006; Nunes, Nunes & Hutz, 2006; Joly, Nunes & Istome, 2007) pesquisas que indi-
cam a utilidade de instrumentos para a avaliação da personalidade no modelo dos Cinco
Grandes
Fatores para:
1. Pesquisa
Orientação profissional
Psicologia forense
as AL
Avaliação neuropsicológica
Tais pesquisas serão oportunamente discutidas nas seções referentes à apresentação dos fato-
res ou na interpretação dos resultados da BFP. Este manual está organizado em seções:
Estudos de Validação da BFP: descrição dos estudos realizados até o momento para a
verificação de evidências de validade da bateria. Inclui estudos sobre sua estrutura inter-
na, sua relação com outros construtos e com variáveis externas.
Material
Caderno de Aplicação do teste: contém as instruções e 126 itens.
Protocolo de Respostas: onde são registradas as respostas aos 126 itens e informações sobre
as pessoas avaliadas.
Situação de Aplicação
A BFP pode ser aplicada individualmente ou em grupos de qualquer número de sujeitos, desde
que
haja acomodações suficientes e adequadas, além de pessoal de apoio, quando se tratar de
uma aplica-
ção com grandes grupos. O teste não tem limite de tempo e usualmente não ultrapassa 40
minutos.
Além das recomendações relativas aos procedimentos para aplicação do teste, é necessário
salientar a importância do ambiente na aplicação de um instrumento psicológico, que deve
possuir
as seguintes características:
1. Quanto ao espaço físico, uma sala de aplicação individual deve ter, no mínimo, 4 (quatro)
im”;
uma sala de aplicação coletiva deve possuir, no mínimo, 2 (dois) m? por candidato. Essas
2. Oambiente deve estar bem iluminado, por luz natural ou artificial, evitando-se sombras e/
ou ofuscação;
6. Oambiente deve ser neutro, isto é, paredes sem estímulos e com pintura clara.
Procedimentos
Distribuídos os lápis e os Protocolos de Respostas, pede-se aos examinandos que preencham
os dados do cabeçalho. O examinador ou observadores supervisionam para verificar que essa
tarefa seja completada corretamente. Procede-se, então, à distribuição dos cadernos,
solicitando-
se que não os abram até receberem a instrução.
102 Bateria Fatorial de Personalidade - BFP
É feita a leitura das instruções. Se o examinador preferir, pode pedir que sejam lidas indivi-
dualmente e em voz baixa, o que é recomendável somente quando os examinandos tiverem
nível
educacional elevado.
«“Pocê está recebendo um caderno que contém frases que descrevem sentimentos, opi-
niões e atitudes. Por favor, leia atentamente cada uma das sentenças e pense o quanto você
se identifica com elas. A seguir, marque no Protocolo de Respostas, no local apropriado, a
sua resposta a cada item.
Para cada item, você tem a opção de marcar de “1” a “7”. Se você acha que a
sentença absolutamente não o descreve adequadamente, marque “1”, Se você acha que
a frase o descreve muito bem, marque “3º no Protocolo de Respostas. Se você considerar
que a frase o descreve “mais ou menos”, marque “4”.
Considere que quanto mais você achar que à frase é apropriada para descrevê-lo, maior
será o valor a ser marcado na escala (respostas 5, 6 e 7); quanto menos você se identificar
com a descrição, menor será o valor a ser registrado na escala (respostas 1, 2 e 3). Note que
todos os valores da escala podem ser marcados.
Descreve-me o. Descreve-me
Não existem respostas certas ou erradas. E importante que suas respostas sejam sinceras.
Responda a todos os itens e, por favor, não risque ou escreva no caderno de aplicação ”
Finalizada a leitura das instruções, o examinador pergunta: “Alguém ainda tem alguma dhvi-
da de como responder ao questionário?”. Se persistirem dúvidas, o examinador dá as explica-
ções necessárias sem, contudo, insinuar respostas aos itens; nunca se deve utilizar um item do
próprio teste para exemplificar. Não havendo mais dúvidas, o examinador diz: “Agora, podem
abrir o caderno de aplicação e começar”.
Enquanto os examinandos respondem à bateria, O examinador ou os observadores devem
verificar se não são cometidos erros de transcrição para o Protocolo de Respostas ou se
alguma
questão foi saltada por engano. Nenhuma outra ajuda deve ser prestada aos examinando.
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 103
O levantamento dos escores brutos da Bateria Fatorial de Personalidade é iniciado pelo cál-
culo dos resultados de cada faceta e, a seguir, dos fatores. Esse levantamento envolve muitos
cálculos e, embora não seja difícil fazê-los manualmente, recomenda-se o uso do sistema
informatizado para levantamento da BFP, disponibilizado pela Editora Casa do Psicólogo. Esse
sistema de correção informatizada fornece ao psicólogo os resultados de cada indivíduo, apre-
sentando para cada faceta os escores brutos e pontos percentílicos, além de uma síntese de
interpretação de cada fator avaliado. Informações sobre esse sistema podem ser encontrados
no
site: www.casadopsicologo.com.br ou pelo e-mail: testes(Dcasadopsicologo.com.br.
Quando for realizada a correção manual da BFP, alguns cuidados são necessários, especial-
mente com as facetas que apresentam itens positivos e negativos. Itens positivos são aqueles
que
funcionam como indicadores diretos de um alto nível de um dado construto. Para Extroversão,
por exemplo, um item positivo seria “Costumo tomar a iniciativa e conversar com os outros” e
um negativo seria “Dificilmente falo de mim para os outros”, que aponta para um baixo nível
desse construto. Nesses casos, é fundamental inverter os itens negativos, como será explicado
mais adiante.
Esses itens podem ser facilmente identificados pois apresentam os numerais em cor PRETA
no Protocolo de Respostas e devem ter a pontuação invertida (1=7; 2=6; 3=5; 4=4; 5=3;
6=2; 7=1). Para facilitar a correção manual é disponibilizado o Protocolo de Apuração, no qual
não será necessário realizar as inversões dos itens c estes devem ser anotados conforme o
sujeito assinalou na Folha de Respostas.
Itens que Compõem Cada Faceta dos 5 Fatores da Escala Fatorial de Personalidade
Neuroticismo:
Extroversão:
Socialização:
Amabilidade (S1): 2. 4,12, 15, 20, 43, 46, 61,92.96, 104, 125
Pro-sociabilidade (82): 18%, 24%, 27*, 63*, 76, 87*,107*,109
Confiança nas pessoas (83): 7. 10%, 30%, 39%, 57*, 68, 98%, 119*
Realização:
Competência (R1): 28, 41, 58. 64, 67, 72, 83, 85,91, 122
Ponderação/prudência (R2): 9, 19%, 45, 101
Empenho/comprometimento (R3): 34, 54, 80, 103, 112, 114,116
Abertura:
Abertura a ideias (Al): 23*, 33*, 36, 42%, 53, 56*, 62%, 81*, 88, 115*
Liberalismo (42): 1*,31,59,69, 74, 123, 126
b. É feita a soma das respostas dadas aos itens negativos (EB cativos)»
PRETA no Protocolo de Respostas;
numerais em cor
e. Finalmente, é aplicada a seguinte fórmula para o cálculo do escore bruto final (EB):
EB + (INR — EB
EB é positivos cad
NTIR
Para a realização do cálculo do escore bruto de facetas sem itens negativos, basta fazer a
soma das respostas dadas aos itens indicados com numerais na cor BRANCA no Protocolo de
Respostas e dividir o resultado pelo número de itens respondidos (NTIR). Assim, o resultado
final serê:
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 105
SOMA postas
EB faceta =
NTIR
Emque:
EB aca Escore bruto na faceta;
Soma «o Resultado da soma das respostas indicadas no Protocolo de Respostas com
numerais na cor BRANCA;
Seu escore bruto no fator geral Extroversão será igual a (E1+E2+E3-+E4)/4, cujo resultado é
igual a 3,25.
Conforme será detalhado mais adiante neste manual, as interpretações dos fatores gerais
usualmente são mais limitadas do que as das facetas, uma vez que é possível a obtenção de
um
escore em um fator geral a partir de combinações muito variadas de resultados de suas
facetas.
Assim, por exemplo, duas pessoas podem ter o mesmo escore bruto em Extroversão a partir
de perfis muito variados nas suas facetas:
Também é importante lembrar que o efeito dessas combinações é maior em escores médios
nos fatores gerais. Em escores extremamente altos ou baixos nos fatores gerais, usualmente
tam-
bém são verificados escores extremos nas facetas, Na seção que trata da interpretação da
BFP tal
discussão é aprofundada.
106 Bateria Fatortal de Personalidade - BFP
Os escores brutos calculados nas dimensões da BFP e suas facetas devem ser transformados
em escores percentílicos, para que possam ser adequadamente interpretados. Os pontos
percentílicos
representam a posição relativa da pessoa avaliada em relação a um grupo de referência.
Assim, por
exemplo, se uma pessoa apresenta um percentil 90 em Neuroticismo, significa que ela tem um
nível
desse fator superior a 90% das pessoas avaliadas e descritas na tabela usada. Se outra
pessoa
avaliada apresenta um percentil 50, ela tem um resultado superior a 50% das pessoas
consideradas
na tabela escolhida. Quando os resultados de um construto apresentam uma distribuição
normal, o
percentil 50 coincide com a média encontrada para o grupo avaliado. Uma descrição mais
detalha-
da de como devem ser usados os resultados em pontos percentílicos será apresentada na
seção
“Interpretação dos resultados”.
A tabela a ser usada deve ser escolhida de acordo com o perfil das pessoas avaliadas
(sexo, faixa etária, região geográfica e nível de escolaridade). É apresentada neste manual
uma
tabela geral, considerando toda a amostra descrita na seção das características da amostra,
bem como tabelas específicas por sexo. Foram colocadas no Anexo C as tabelas por estado
brasileiro onde a avaliação ocorreu. Os escores brutos para cada subescala estão expressos
nas colunas à direita da tabela e os escores percentílicos correspondentes estão localizados na
coluna à esquerda. Esses escores deverão ser anotados nos espaços reservados no Protocolo
de Respostas.
Quando o escore bruto identificado para uma dada subescala da BFP se localiza acima da
maior pontuação da tabela, sugere-se que o registro do resultado percentílico seja feito com a
indicação “> 95” (maior que 95). Quando o escore bruto encontrado for inferior ao menor valor
na
tabela, deve ser registrado “< 5” (menor que cinco). A mesma lógica pode ser utilizada quando
são
encontrados escores brutos localizados entre dois pontos percentílicos na tabela. Nesse caso,
por
exemplo, se o escore ficar entre os pontos percentílicos 15 e 20, pode-se fazer o registro “>
15”,
(maior que 15).
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade
107
Tabela 45
Máximo 7 7 7 7 6,78
;Percentis)
E)
108
Tabela 46
El E E3 F4 EXTROVERSÃO
Válidos 3193 296] 1884 3195 2959
Ausentes 3406 3638 4715 3404 3640
Média 428 3,67 479 4,82 4,34
Desvio Padrão 1,28 1,07 1,03 All 0,87
Minimo ] l 1 l 151
Máximo 7 7 7 7 7
Percentis
5 2.00 2,00 3,00 2,83 2,87
10 250 2,29 340 3,33 3,19
15 300 2,57 3,80 3,67 344
20 317 2,71 400 3,86 3,62
25 350 2,86 420 4,4 3,77
30 3,67 3,09 420 429 3,89
35 3,83 317 440 4,43 4,02
40 4,00 3,33 4,60 4,57 4,15
45 417 3,43 4,60 471 4,25
50 4,33 3,57 4,80 486 4,38
55 4,50 3,71 5,00 5,00 4,48
60 4,67 3,86 5,00 5.17 4,58
65. 4,83 4,00 520 5,33 4,68
TO 5,00 414 540 5,50 4,80
75 517 443 5,60 5,67 4,93
80 533 4,57 5,80 5,83 5,07
85 5.67 483 5,80 6,00 5.24
90 6,00 5,l4 620 6,29 5.44
95 6,33 5,57 640 6,57 5,72
109
Tabela 47
S1 S2 S3 SOCIALIZAÇÃO
10
Tabela 48
R1 R2 R3 REALIZAÇÃO
Válidos 2354 2315 2355 2353
Ausentes 4245 4284 4244 4246
Média 517 492 4,78 4,96
Desvio Padrão 0,93 120 1,07 0,82
Mínimo 100 1,00 1,00 1,50
Máximo 7,00 7,00 7,00 7,00
Percentis
5. 350 2,75 3,00 350
10 3,90 325 3,29 3,85
15 420 375 3,57 4,
20 443 4,00 3,86 4,30
25 4,60 4,00 4,00 4,46
30 480 425 417 4,58
35 4,90 450 4,43 4,70
40 5,00 475 4,57 4,83
45 5.14 475 47 4,94
50 5,29 500 4,86 5,03
55 5,40 5,25 5,00 5,13
60 5,50 525 5,4 5,24
65 5,60 5,550 5,29 5,33
70 5,70 5,50 5,43 5,43
75 5,86 5,715 5,57 5,54
80 6,00 600 5,71 5,65
85 6,10 625 5,86 5,78
90 6,29 6,50 6,14 5,95
95 6,50 6,75 6,43 6.18
Tabela 49
Estatistica Descritiva e Percentis de Abertura Para a Amostra Geral
Al AZ A3 ABERTURA
112
Tabela 50
113
Tabela 51
E1 E E3 F4 EXTROVERSÃO
lá
Tabela 52
S1 S2 S3 SOCIALIZAÇÃO
115
Tabela 53
R1 R2 R3 REALIZAÇÃO
116
Tabela 54
Al AZ A3 ABERTURA
117
Tabelas de Pontos Percentílicos Para o Sexo Feminino
Tabela 55
NI 0 NZ2 N3 Ná NEUROTICISMO
118
Tabela 56
El E E3 E4 EXTROVERSÃO
a!
of
|
119
Tabela 57
Estatística Descritiva e Percentis de Socialização Para o Sexo Feminino
Si S2 S3 SOCIALIZAÇÃO
120
Tabela 58
Ri R2 R3 REALIZAÇÃO
Percentis
e.
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade
121
Tabela 59
AL AZ A3 ABERTURA
A transformação dos escores brutos das escalas da BFP para escores Z permite verificar
como as pessoas avaliadas localizam-se em relação ao grupo normativo, em uma escala cuja
média
é zero e o desvio padrão é igual a um. Recomenda-se, para tanto, a utilização das informações
obtidas no grupo normativo considerando-se o sexo, apresentadas da Tabela 60 até a Tabela
64.
O resultado em escore Z deve ser interpretado como a distância que uma pessoa apresenta
em relação à média do grupo normativo. Assim, escores negativos, por exemplo, indicam que a
pessoa apresentou um resultado abaixo da média, considerando-se o seu sexo. Como o desvio
padrão dessa escala é igual a 1, os resultados mais frequentes estarão entre -1 e +1
(aproximada-
mente 68% das pessoas terão escores nessa faixa). Valores fora dessa faixa chamam atenção
por
representarem um grande distanciamento do grupo normativo.
7 BM,
ro dp,
Emque:
dp, = desvio padrão do grupo normativo no fator para o sexo da pessoa avaliada
Z=6,00-4,65= 1,8
0,75
O resultado de 1,8 significa que, quando comparada aos homens que fizeram parte do grupo
normativo, a pessoa avaliada apresentou 1,8 desvio padrão acima da média, o que é
considerado
bastante alto. Para uma melhor compreensão sobre o conceito estatístico da distribuição
normal e
o significado do escore Z, consultar Anastasi e Urbina (2000).
Tabela 60
Média e Desvio Padrão de Neuroticismo em Função do Sexo dos Participantes
Ni N2 N3 Ná NEUROTICISMO
Tabela 61
Média e Desvio Padrão de Extroversão em Função do Sexo dos Participantes
El E E3 E4 EXTROVERSÃO.
Tabela 62
Média e Desvio Padrão de Socialização em Função do Sexo dos Participantes
81 s2 S3 SOCIALIZAÇÃO
|
|
|
|
|
| Homens Média 5,32 5,23 4,57 5,04
|
|
|
|
|
|
Tabela 63
Média e Desvio Padrão de Realização em Função do Sexo dos Participantes
R1 R2 R3 REALIZAÇÃO
Tabela 64
Média e Desvio Padrão de Abertura em Função do Sexo dos Participantes
Al AZ A3 ABERTURA
Informações gerais
Os resultados gerais dos fatores da BFP podem ser úteis em contextos de pesquisa, nos
quais são verificadas suas associações com outras medidas. No entanto, em contextos clíni-
cos, de seleção de pessoal, escolar, em aplicações de triagem de grupo de risco, entre outros,
é recomendada a avaliação dos resultados das subescalas da BFP, junto aos dados levantados
por outras fontes no processo de avaliação psicológica. É importante lembrar que o resultado
de qualquer subescala da BFP não deve ser utilizado como fonte única de informações para a
realização de diagnósticos.
Para que o psicólogo tenha maior nível de detalhamento das informações para perar inter-
pretações dos resultados da BFP, são recomendadas a leitura das respostas dadas aos itens
do teste e a comparação delas às informações oriundas de entrevistas, observações, outros
testes psicológicos, conforme as orientações na literatura especializada sobre o processo de
avaliação psicológica (AERA, APA & NCME, 1999; Anastasi & Urbina, 2000; Cunha, 2000;
Pasquali, 2001; Urbina, 2007).
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 125
Os resultados das subescalas da BFP devem ser entendidos como a intensidade dos traços
avaliados por elas. Para facilitar a explicação das possíveis interpretações das subescalas, são
indicados os significados de escores extremos, que raramente são encontrados na população
geral.
Assim, deve-se entender que quanto menor for o escore de uma pessoa em uma subescala,
maior
é a chance de ela apresentar os comportamentos, as crenças e atitudes descritos para
resultados
baixos. Em nenhuma situação, por mais alto ou baixo que seja o resultado encontrado, é
correto
afirmar que uma pessoa “tem” uma dada característica ou que “certamente” irá se comportar de
tal
forma. ABFP, como qualquer teste de personalidade, permite identificar tendências de
comporta-
mentos, bem como padrões mais prováveis de atitudes e crenças.
Para facilitar a interpretação dos resultados descritos, estes serão apresentados por faixas,
conforme a Tabela 65.
Tabela 65
Faixas de Classificação dos Percentis
Pontos Faixa
percentílicos
Até 14 Muito Baixo
15-29 Baixo
30-70 Médio
71-85 Alto
Maior que 85 Muito Alto
A interpretação dos resultados dos fatores da BFP deve ser feita com cuidado, uma vez que
um mesmo resultado pode ser obtido a partir de diferentes combinações dos subfatores. É
impor-
tante notar que escores gerais extremos frequentemente significam escores extremos e
coerentes
nos subfatores. Assim, é muito provável que uma pessoa que apresente um escore geral muito
alto
também tenha níveis elevados nos subfatores.
Quando é feita a análise dos resultados da BFP, escores baixos ou altos não representam,
necessariamente, um padrão desadaptado da personalidade. É necessário analisar o contexto
em
que a pessoa vive, quais são as suas atividades e, principalmente, se as suas características
as
impedem de realizar algum plano pessoal ou profissional, se geram algum prejuízo na
qualidade das
suas interações sociais ou se prejudicam outras pessoas.
McCrae (1994) argumenta a favor do uso de escalas para avaliação da personalidade, junto
com o relato de observadores externos, como uma forma de se obter mais informações sobre a
personalidade do cliente do que seria possível obter utilizando isoladamente apenas uma das
for-
mas de avaliação. O autor defende que as discrepâncias entre as duas formas de avaliação
não
devem ser consideradas como “erros” de avaliação, mas sim que as duas formas são válidas,
apesar de apresentarem informações distintas. O trabalho do psicólogo, nesses casos,
envolveria
descobrir porque essas diferenças se apresentam e não invalidar uma das fontes de
informação. A
investigação do psicólogo, nessas situações, deve se voltar para descobrir porque ocorre uma
discrepância entre a autopercepção e a percepção que outras pessoas têm desse indivíduo
que está
sendo avaliado. A possível diferença entre o autorrelato de traços de personalidade e o relato
de
terceiros pode existir devido às diferentes perspectivas sobre o indivíduo, quantidades e tipos
de
exposição, além de distintos vieses de observação.
126 Bateria Fatorial de Personalidade - BFP
Um bom exemplo disso é apontado em estudo recente de Reppold e Hutz (2008), que mos-
trou que o encaminhamento de crianças e adolescentes para atendimento psicológico é
geralmente
decorrente de problemas de externalização, enquanto que as queixas específicas dessas
pessoas
são mais frequentemente relacionadas a problemas de internalização. Os autores apontam que
isso
ocorre porque conflitos de interação social e problemas de externalização são percebidos mais
facilmente por pais, professores e colegas do que problemas de internalização. Portanto, é
impor-
tante a utilização de uma combinação de um ou mais instrumentos de autorrelato com as
observa-
ções de um ou mais observadores, para se obter uma descrição mais estável e confiável de
carac-
terísticas de personalidade. O uso de estratégias diversificadas para a avaliação da
personalidade é
altamente recomendado quando essa avaliação pode afetar a tomada de decisão sobre
questões
importantes para a vida do indivíduo. A seguir, serão apresentadas as possíveis interpretações
para
os fatores Neuroticismo, Extroversão, Socialização, Realização e Abertura, respectivamente,
além
da descrição de suas subescalas. Ao final desta seção, serão apresentados dois casos como
exem-
plos, de modo a auxiliar a interpretação de resultados na BFP.
Pessoas com altos níveis de Neuroticismo tendem a vivenciar de forma mais intensa sofrimen-
to psicológico, instabilidade emocional e vulnerabilidade, além de relatarem ter experiências
inten-
sas de eventos negativos, dando pouca ênfase aos aspectos positivos dos fatos. Altos níveis
estão
associados à ocorrência de sintomas de depressão e ansiedade, e pesquisas têm indicado a
utilida-
de dos instrumentos para avaliação desse fator para a identificação de indivíduos com maior
pro-
pensão a desenvolver esses quadros (Nunes, 2000; Nunes et al., 2001; Bienvenu etal., 2004).
Watson e Hubbard (1996) concluíram que Neuroticismo também desempenha um papel im-
portante no processo de coping. Argumentam que vários estudos mostraram que os escores de
Neuroticismo têm valor preditivo em relação à ocorrência de eventos de vida estressantes,
mesmo
quando esses eventos são objetivamente definidos. Resumindo, os autores afirmaram que
“coisas
ruins tendem a acontecer justamente com as pessoas que têm escores elevados de
Neuroticismo”
(p. 748). Uma possível explicação para isso é que, de alguma forma, pessoas com altos
escores
nesse fator criam ativamente problemas para elas mesmas. Eles indicaram ainda que
indivíduos com
altos escores em Neuroticismo tendem a fazer avaliações negativistas do ambiente, ou seja,
tendem
a interpretar estímulos ambíguos de uma forma negativa ou ameaçadora e, por isso,
normalmente
veem ameaças, problemas e crises onde não existem objetivamente.
=
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 127
Dentre os estudos que têm investigado as associações dos transtornos da personalidade des-
critos no DSM-IV e os CGF, os realizados por Widiger e Trull (1992; 2002), por exemplo, mos-
traram que Neuroticismo apresenta uma estreita relação com a maioria dos quadros descritos,
com
destaque para os transtornos de personalidade borderline, de esquiva e dependente. Os
autores
ressaltam ainda que, de acordo com as definições apresentadas no DSM-IV (American
Psychiatric
Association, 1994), o transtorno da personalidade esquizotípica é descrito como tendo, como
principal característica, um padrão invasivo de déficits sociais e interpessoais, marcado por
agudo
desconforto e reduzida capacidade para relacionamentos íntimos, além de distorções
cognitivas ou
perceptivas e comportamento excêntrico. Os indivíduos com esse transtorno são
frequentemente
desconfiados, podendo ter ideação paranoide. Geralmente, não são capazes de lidar com toda
a
faixa de afetos e indicadores interpessoais necessários para relacionamentos bem sucedidos,
de
modo que muitas vezes parecem interagir com os outros de maneira inadequada, rígida ou
constrita.
Os indivíduos com transtorno da personalidade esquizotípica vivenciam os relacionamentos
interpessoais como problemáticos e sentem desconforto na interação com outras pessoas.
Embora
possam expressar infelicidade acerca de sua falta de relacionamentos, seus comportamentos
suge-
rem pouco desejo de ter contatos íntimos. Como resultado, eles habitualmente têm poucos ou
nenhum amigo íntimo ou confidente, exceto algum parente em primeiro grau. Sentem-se
ansiosos
em situações sociais, particularmente as que envolvem estranhos. Esses indivíduos interagem
com
os outros quando precisam, mas preferem ficar sós, porque acham que são diferentes e que
sim-
plesmente não “se encaixam”. Sua ansiedade social não cede com facilidade, mesmo quando
pas-
sam mais tempo no contexto ou se familiarizam com as outras pessoas, porque a ansiedade
tende a
estar associada com suspeitas acerca das motivações dos outros. Widiger e Trull (1992)
sugeriram
que as aberrações cognitivas e perceptuais de pessoas com esse transtorno podem
representar
aspectos adicionais ou manifestações de Neuroticismo, no que tange à disposição para
apresentar
Widiger et al. (2002) indicam que casos prototípicos de transtorno esquizoide e esquizotípico
podem ser diferenciados pelos seus respectivos graus de Neuroticismo. Indivíduos com casos
claros de transtorno esquizotípico apresentam níveis muito altos de ansiedade diante de
situações
em que devem interagir com outras pessoas, enquanto alguns casos com transtorno
esquizoide
podem apresentar baixos níveis de Neuroticismo. Além disso, pessoas esquizotípicas tendem a
ser
mais claramente diferenciadas em relação ao domínio Abertura, particularmente fantasia,
ações e
ideias. As aberrações cognitivas dessas pessoas podem refletir, em parte, um nível excessivo e
mal
adaptativo de Abertura, levando a fantasias incomuns e ideação.
Interpretação de N1 Vulnerabilidade
Em relação às pesquisas realizadas com a BFP no Brasil, listadas na seção dos estudos de
validade do instrumento, destacam-se os resultados que indicam as correlações entre o fator
Vulnerabilidade e Insegurança e falta de informação (» = 0,63; p < 0,01) e Conflitos com
pessoas
significativas (» =-0,40; p < 0,01) do IDDP (Noronha, Nunes, Ambiel, Barros & Ottati, 2008),
indicando que pessoas com níveis mais elevados em Vulnerabilidade tendem a apresentar
dificulda-
de geral de tomada de decisão profissional, associada à falta de clareza sobre si mesmo
(identidade
difusa), à falta de informação sobre as profissões e à insegurança para escolher uma delas.
Além
disso, tendem a apresentar, de forma mais frequente, conflito externo com pessoas
significativas
sobre a escolha, dúvida se a profissão gerará satisfação e certa rigidez para a escolha
relacionada
a crenças populares. A associação de N1 e o SDS (instrumento para avaliação dos interesses
profissionais) indicou uma correlação entre esse componente da personalidade e o tipo
Empreen-
dedor (r = -0,28; p < 0,01), sugerindo que pessoas com altos níveis de insegurança, medo de
serem rejeitadas, baixa autoestima e demais características englobadas em Vulnerabilidade
tendem
a apresentar pouco interesse por atividades que envolvam o tipo Empreendedor (vendas,
persua-
são, argumentação, entre outros).
Vale notar ainda a correlação negativa encontrada entre N2 e o resultado geral da BPR-5
(r=-0,20;p < 0,01), que, apesar de indicar uma fraca associação entre essas medidas, sugere
que
pessoas que vivenciam um sentimento negativista mais intenso, bem como maior irritabilidade
e
impulsividade, tendem a apresentar um desempenho ligeiramente prejudicado em avaliações
cognitivas
(Noronha et al., 2008). Nesse estudo, houve correlações significativas e negativas entre N2 e
os
raciocínios abstrato, espacial e numérico, sugerindo que há uma tendência geral de piora no
desem-
penho em pessoas que apresentaram escores elevados de Instabilidade emocional.
Interpretação de N4 — Depressão
Já quem apresenta escores baixos em Depressão pode ter dificuldade para reconhecer pro-
blemas e avaliar eventos negativos em sua vida, minimizando-os. Tendem a apresentar uma
expec-
tativa positiva em relação ao seu futuro, acreditando em sua capacidade para lidar com as
eventuais
dificuldades que podem ocorrer. Em níveis extremos, tal característica pode indicar uma
dificuldade
para perceber quando estão diante de problemas reais, e isso pode prejudicá-los, em
decorrência
de uma falta de atitudes que possam resolver efetivamente os problemas que precisam ser
enfren-
tados (o que está relacionado às estratégias de coping adotadas pelas pessoas).
Indivíduos que apresentam altos níveis de Extroversão tendem a ser falantes e buscam contato
com pessoas, mesmo que as conheçam pouco. Tendem a ter um senso de intimidade maior
que os
demais, contando fatos íntimos e confiando em pessoas que conhecem relativamente pouco.
Além
disso, geralmente são pessoas ativas e externalizam suas preferências e crenças para as
demais,
podendo apresentar certa dominância. Essa característica parece estar relacionada com uma
ten-
dência à liderança, indicada na literatura, apresentada por pessoas mais extrovertidas
(Schinka,
Dye & Curtiss, 1997; Luminet, Bagby, Wagner, Taylor & Parker, 1999).
Esses indivíduos também preferem realizar atividades em grupo, procurando ativamente por
companhia. Tal característica pode ser observada em vários contextos, como no trabalho, na
esco-
la e na organização de atividades lúdicas.
Waldman, Atwater e Davidson (2004) realizaram uma investigação sobre o papel do individua-
lismo e os CGF na predição de desempenho em grupos de discussão sem líder. Os autores
obser-
varam que, entre os CGF, Extroversão pode ser o fator mais relacionado com o desempenho
em
um contexto de grupo de discussão desse tipo. Isso ocorreria por dois motivos básicos,
segundo os
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 131
Alguns autores (Jain etal., 1999; Gurrera et al., 2005) têm indicado que pessoas altas em
Extroversão são mais responsivas, mais sensíveis aos eventos de vida que experienciam,
alegran-
do-se mais que as outras diante de eventos positivos e entristecendo-se diante de eventos
negati-
vos. Nessa linha de pesquisa, Diener e Seligman (2002) compararam estudantes universitários
que
apresentavam níveis muito altos de felicidade (com pontos percentílicos iguais ou acima de 90
na
escala de felicidade), com pessoas medianas e baixas nesse construto. As pessoas muito altas
em
felicidade eram mais altas em Extroversão e Socialização e mais baixas em Neuroticismo. O
grupo
de pessoas mais felizes apresentou sentimentos positivos na maior parte do tempo, mas não
de
êxtase, além de apresentarem mau humor apenas ocasional.
Cooper, Agocha e Sheldon (2000) propuseram um modelo motivacional, no qual foi testada a
hipótese de que a personalidade influencia nos comportamentos de risco indiretamente de uma
forma mediada, modelando a natureza e a qualidade das experiências emocionais, assim como
os
estilos característicos de coping relacionados a essas emoções. Esse modelo foi testado em
uma
amostra de 1.666 adultos jovens, com idades variando de 18 a 25 anos. Os resultados
indicaram
que os escores de Neuroticismo e Extroversão estão relacionados ao abuso de álcool e aos
com-
portamentos sexuais de risco, de formas distintas. Segundo os autores, indivíduos altos em
Neuroticismo apresentaram a tendência a se engajar em comportamentos de risco como uma
for-
ma de lidar com estados de humor aversivos, enquanto indivíduos extrovertidos tenderam a se
envolver em comportamentos de risco como uma forma de realçar as experiências afetivas
positi-
vas. As pesquisas nessa área têm apresentado resultados controversos; alguns autores
(Loukas,
Krull, Chassin & Carle, 2000; Mulder, 2002), embora concordem com a existência de uma
relação
entre esses fatores e abuso e dependência de substâncias, apresentam modelos variados para
a sua
explicação.
No Brasil, uma pesquisa realizada com 37 pessoas em tratamento para adicção a substâncias
psicoativas, que apresentavam um grande número de indicadores de transtorno da
personalidade
Antissocial, não indicou diferenças significativas nos resultados da EFEx entre os participantes
do
estudo e os da amostra normativa do teste (Nunes, 2005). No entanto, foi encontrada uma
corre-
lação estatisticamente significativa entre E4 (Interações sociais) e um indicador de transtorno
Antissocial oriundo da entrevista clínica realizada (» = 0,34: p < 0,05).
132 Bateria Fatorial de Personalidade - BFP
Com foco na avaliação de sintomas ou quadros psiquiátricos, Widiger, Trull, Clarkin, Sanderson
e Costa (2002) indicaram que indivíduos com diagnóstico de transtornos de personalidade
Histriônica,
Esquizoide e Esquizotípico, seguindo os critérios apresentados no DSM-IV (American
Psychiatric
Association, 1994), apresentam resultados muito diferenciados nas escalas de Extroversão no
modelo
dos CGF. Eles destacam que indivíduos com diagnóstico de transtorno da personalidade
Histriônica,
por exemplo, têm a tendência a expressar suas emoções de uma forma exagerada e teatral
(com
emoções excessivamente altas e positivas), são sexualmente provocativos e apresentam um
com-
portamento de busca por atenção; além disso, consideram as relações mais íntimas do que
real-
mente são e se esforçam para ser o centro das atenções. De acordo com esses autores, o
transtor-
no representa, em grande extensão, um caso extremo de Extroversão. Pessoas com altos
níveis de
Extroversão tendem a ser amigáveis e socialmente ousadas, falantes, afetuosas, festeiras, ater
muitos amigos, a procurar ativamente contatos sociais, a ser assertivas e dominantes,
enérgicas,
ativas, vigorosas, a procurar estímulos fortes, a se envolver em riscos, a ser otimistas e
divertidas.
Essas descrições de Extroversão indicam o caso de uma pessoa prototipicamente histriônica.
Pessoas com níveis baixos em Extroversão tendem a ser caladas e reservadas. Geralmente,
falam pouco sobre si e necessitam de um contato frequente e prolongado para desenvolver um
senso de intimidade com os demais. Costa e MeCrae (1992) indicam que é necessário ter
cuidado
para não compreender de forma equivocada pessoas introvertidas. Elas não podem ser
interpreta-
das como sendo o oposto das extrovertidas, mas pela pouca identificação com as suas
caracterís-
ticas. Assim, introvertidos tendem a ser reservados, mas não rudes e frios; independentes, mas
não
egoístas; tranquilos, mas não lentos. Podem dizer que são tímidos quando, na verdade,
simples-
mente preferem ficar sozinhos. Apesar de pessoas introvertidas preferirem atividades solitárias
e
não se sentirem especialmente animadas com atividades sociais, isso não significa que elas
sofram
de ansiedade social. Uma característica frequente em introvertidos é um nível mais moderado
na
intensidade das suas emoções, quando comparados com pessoas mais extrovertidas.
“Tipicamente são pessoas solitárias, isoladas e afastadas das demais. Podem viver como ere-
mitas, mas mais frequentemente elas estão inseridas na sociedade, embora vivam
emocionalmente
e socialmente à parte. Usualmente elas têm trabalhos que requerem pouca ou nenhuma
interação
social. Preferem ficar sozinhas, recusando muitas oportunidades para se socializar” (Widiger et
al.
2002, p. 91).
Uma pesquisa foi realizada para verificar a associação entre Extroversão e volume do
giro fusiforme, que é uma das regiões do sistema nervoso mais importantes para o reconheci-
mento de faces (Onitsuka et al., 2005). Foram avaliados dois grupos: um deles formado por
24 pessoas com diagnóstico de esquizofrenia crônica e idade média de 41,8 anos (DP = 8,1),
com diagnóstico identificado, em média, há 23,2 anos (DP = 9,0), e o outro formado por
26 pessoas com idades e nível socioeconômico pareados com o grupo clínico. Os resultados
indicaram que, comparadas com o grupo controle, as pessoas com diagnóstico de
esquizofrenia
apresentavam níveis mais altos de Neuroticismo e mais reduzidos de Extroversão e Realiza-
ção, com diferenças estatisticamente significativas. Também apresentaram uma redução signi-
ficativa do giro fusiforme quando comparadas ao grupo controle. Foi verificada a correlação
de Spearman entre escores de Extroversão e o volume do giro fusiforme para ambos os gru-
pos, e foi encontrado um resultado estatisticamente significativo entre o volume do giro poste-
rior fusiforme direito e as pessoas com esquizofrenia (rho = 0,52; p < 0,01), mas não o grupo
controle, o que foi entendido pelos autores como uma indicação de que o volume reduzido do
giro posterior fusiforme pode contribuir para os distúrbios sociais relacionados à esquizofrenia,
caracterizados pelos níveis muito baixos de Extroversão e pela reduzida capacidade de reco-
nhecimento de faces humanas.
Interpretação de Ei — Comunicação
Este fator é composto por itens que descrevem o quão comunicativas e expansivas as pessoas
acreditam que são. Pessoas com escores altos nessa escala usualmente apresentam
facilidade para
falar em público e para conhecer novas pessoas. Tendem a falar mais sobre si mesmas, a
iniciar
conversas com os outros, a expressar suas opiniões e interesses quando estão em grupo.
Além
disso, indicam que dificilmente se sentem constrangidas em situações sociais. Níveis baixos no
subfator Comunicação sugerem pessoas que preferem não se expressar em público, que
podem se
constranger em situações de maior exposição e que falam pouco sobre si mesmas.
Na pesquisa realizada por Noronha et al. (2008), a faceta apresentou correlações modera-
das e estatisticamente significativas com o escore do tipo Empreendedor (r = 0,34: p <0,01) do
SDS, indicando que pessoas com níveis mais elevados de Comunicação geralmente preferem
atividades que envolvam convencimento e liderança de pessoas, pouco interesse por tarefas
complexas ou que exijam muita concentração. Em direção semelhante, houve associação
signifi-
cativa entre o nível de Comunicação e a autoeficácia para atividades ocupacionais Empreende-
doras (r = 0,20, p < 0,01) (Nunes, 2009).
Widiger et al. (2002) e O*Comnor e Dyce (2002) relatam que pessoas com o transtorno da
personalidade Histriônica tendem a apresentar um nível de Comunicação bastante elevado, en-
quanto pessoas com os transtornos Esquizoide e Esquizotípico apresentam tendência oposta,
Já
sobre a relação entre Bem-estar Subjetivo e o nível de Comunicação, escores mais altos nesse
subfator de personalidade foram acompanhados por maior Satisfação de vida (r=0,21,p <0,01)
e maior frequência de Afetos Positivos (» = 0,33, p <0,01).
Interpretação de E2 — Altivez
Este fator é composto por itens que descrevem pessoas com uma percepção grandiosa sobre
a sua capacidade e o seu valor. Indivíduos com escores altos nessa escala relatam a
necessidade de
receber atenção das pessoas, a crença de que os demais os invejam e apresentam uma
predispo-
sição para falar sobre si. Pessoas com níveis baixos geralmente são mais humildes, não se
vanglo-
riam pelos bens e capacidades pessoais, e apresentam pouca necessidade de receber atenção
das
pessoas. Podem inclusive ter dificuldade para reconhecer as suas capacidades e atributos
favorá-
veis, mesmo que sejam evidentes.
No Brasil, uma pesquisa realizada por Noronha et al. (2008) correlacionou a BFP com o
IDDP. Dentre as correlações encontradas com Extroversão, a maior foi entre Altivez e Ênfase
na
busca de prestígio e retorno financeiro (r = 0,30; p < 0,01); ou seja, as pessoas que tendem a
escolher as profissões em função do que imaginam que terão de retorno financeiro ou de reco-
nhecimento social tendem a ter escores mais elevados em Altivez. Verificou-se também que
Alti-
vez esteve associada a níveis elevados de interesse por profissões das áreas de Artes e
Comuni-
cação (r = 0,26; p < 0,01) e de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (+ = 0.25: p<0,01). Isto
é, pessoas que se valorizam bastante tenderam a se interessar por profissões em que o uso da
Comunicação para a expressão de ideias é constante ou em que há interesse por conhecer as
causas e O funcionamento do comportamento humano. Adicionalmente, o estudo de Nunes
(2009)
com adolescentes revelou que níveis mais altos de Altivez estão acompanhados por maior
confian-
ça na capacidade pessoal para realizar atividades do tipo Empreendedor ("= 0,33, p <0,01), ou
seja, para atividades de liderança, de persuasão e de uso constante das habilidades verbais.
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 135
Widiger et al. (2002) e O"Connor e Dyce (2002) relatam que pessoas que apresentam trans-
tornos da personalidade Antissocial ou Narcisista tendem a se identificar muito com esses
itens,
enquanto que pessoas com o transtorno Dependente apresentam tendência oposta. Além
disso,
esses itens descrevem relatos comuns de pessoas com certos episódios de humor e
transtornos da
personalidade Histriônica e de Evitação (American Psychiatric Association, 1994). Esses
quadros
apresentam configurações bem específicas, principalmente nos fatores Extroversão e
Socialização
(O"Connor & Dyce, 2002; Widiger et al., 2002); portanto, é importante considerar ambos os
fatores para uma avaliação mais adequada e precisa.
Uma hipótese a ser explorada é a de que os conteúdos relacionados à Altivez podem surgir
por duas vias diferentes: (a) pessoas muito extrovertidas, além de iniciarem e manterem um
nível de
Comunicação intenso com muitas pessoas, podem ter a percepção de que são especiais por
co-
nhecerem muitas pessoas, circularem em muitos meios e apresentarem um nível elevado de
intimi-
dade com os demais; (b) pessoas com baixos níveis de Socialização, além de apresentarem
pouca
empatia pelos outros, também tendem a se descrever como especiais, acima das regras e leis
sociais etc.
Costa e McCrae (1992) indicam que pessoas com altos escores em Modéstia, no NEO-PI,
tendem a ser humildes, o que não significa, necessariamente, que tenham baixa autoconfiança
ou
autoestima. Afirmam também que pessoas baixas em Modéstia acreditam ser superiores às
demais
e podem ser consideradas convencidas ou arrogantes pelos outros. Indicam que uma falta
patoló-
gica de Modéstia é parte de um conceito clínico de Narcisismo. Vale destacar novamente que a
escala de Modéstia do NEO-PI-R relaciona-se à escala de Altivez, porém no sentido oposto,
tanto
que no estudo que buscou verificar validade convergente entre a BFP e o NEO-PI-R, descrito
neste manual, foi encontrada uma correlação de -0,44 (p < 0,01).
Interpretação de E3 — Dinamismo
Esta faceta é composta por itens que indicam o quanto as pessoas tomam iniciativa em situa-
ções variadas, o quão facilmente julgam que colocam suas ideias em prática e o seu nível de
ativi-
dade. Pessoas com altos escores nessa escala usualmente são mais dinâmicas, envolvem-se
em
várias atividades simultaneamente e preferem, mesmo quando estão em folga ou férias,
manter-se
ocupadas com atividades variadas. Pessoas com escores baixos em E3 tendem a se
concentrar em
uma única atividade por vez e não precisam estar sempre em movimento ou em atividade para
se
sentirem bem. Além disso, podem demorar mais para colocar suas ideias em prática e tomar
iniciativa para realizar certas ações.
Assim como El, Dinamismo apresenta correlação positiva com o tipo Empreendedor
(r=0,27;p <0,01), avaliado pelo SDS (Noronha et al., 2008). Esse resultado parece corro-
borar os encontrados por Schinka et al. (1997), Luminet et al. (1999), Ferreira e Souza (2006),
que indicam que os traços cobertos por esse fator englobam parte das características as-
sociadas com Empreendedorismo e, portanto, podem ser de especial interesse para avalia-
ções no contexto organizacional e de orientação profissional. Níveis elevados de Dinamismo
foram acompanhados por maior autoeficácia Empreendedora (7 = 0,45, p < 0,01), indicando
que a confiança de que é capaz de realizar atividades de vendas, argumentação e liderança
tende a ser acompanhada por atitudes de colocar em prática as ideias, fazer muitas coisas ao
mesmo tempo e se manter sempre ocupado (Nunes, 2009).
136 Bei Eno di donald
No contexto clínico, Bienvenu et al. (2004) realizaram uma pesquisa com uma amostra com-
posta por 731 pessoas nos EUA, Indicaram que pessoas com transtorno Depressivo Maior
apre-
sentavam níveis bastante reduzidos de assertividade, avaliada pela escala de Extroversão, e
níveis
bastante elevados de Abertura aos sentimentos, na escala de Abertura.
Este fator descreve pessoas que buscam ativamente situações que permitam interações
sociais,
como festas, atividades em grupo etc. Indivíduos com altos escores nessa escala tendem a ser
gregários e se esforçam para manter contato com seus conhecidos. Relatam preferir atividades
em
grupo e se envolvem rapidamente com as pessoas. Por outro lado, escores baixos tendem a
estar
presentes em pessoas que preferem ficar sozinhas ou em grupos pequenos, e que tendem a
demo-
tar mais para desenvolver novas relações sociais. Pessoas com níveis baixos tendem a
apresentar
uma necessidade reduzida de viver situações mais intensas, de frequentar lugares mais ricos
em
termos de estímulos e possibilidades de contatos sociais.
À pesquisa realizada por Nunes, Hutz e Giacomoni (2009) para verificar a associação entre
Bem-estar Subjetivo e personalidade indicou que Interações sociais foi o componente de
Extroversão
que mais fortemente se correlacionou com Afeto Positivo (= 0,47; p <0,01) e Satisfação de vida
(r=35;p<0,01), indicando que pessoas com níveis mais elevados em Interações sociais tendem
ater avaliações mais favoráveis sobre as suas vidas e experíenciam afetos positivos mais
intensa-
mente. O resultado dessa pesquisa indica a importância desse componente de Extroversão
para
avaliações no contexto clínico e na perspectiva da psicologia positiva.
Níveis altos de Interação social tendem a ser acompanhados por confiança na capacidade
para realizar atividades ocupacionais Sociais e Empreendedoras (r = 0,30 € 0,37, p < 0,01,
respectivamente). Assim, é provável que o gosto por estar em grupo se estenda ao ambiente
O*Comnor e Dyce (2002) e Widiger et al. (2002) indicaram que pessoas com o transtorno da
personalidade Histriônica geralmente apresentam os traços de personalidade agrupados em
EA,
enquanto indivíduos com o transtorno Antissocial tendem a se identificar especificamente com
os
itens de Busca por diversão. Casos com os transtornos de personalidade Esquizotípica,
Esquizoide
e de Evitação tendem a apresentar um nível muito baixo de aderência a esses itens.
Essa escala, quando comparada com o NEO-PI-R (Costa & McCrae, 1992), apresenta itens
que são classificados na última como fazendo parte dos subfatores Acolhimento e Emoções
positi-
vas, o que foi corroborado com o cálculo das associações dessas escalas, cujas correlações
foram
altas, de r = 0,75 (p < 0,01) er = 0,71 (p < 0,01), respectivamente. Tais resultados são apresen-
tados detalhadamente na seção que descreve o estudo que buscou evidências de validade
conver-
gente da BFP. Costa e McCrae (1992) descrevem pessoas altas em Acolhimento como
afetuosas,
amistosas e que desenvolvem rapidamente vínculos com os demais. Já indivíduos com altos
escores
em Emoções positivas apresentam a tendência para experienciar emoções positivas como
ânimo,
FX
alegria, amor e excitação. Tendem a rir bastante e, frequentemente, são animados e otimistas.
Indivíduos com níveis baixos nessa escala, segundo os autores, não são necessariamente
infelizes,
mas tendem a ser menos vivazes e animados.
Pessoas altas em Socialização tendem a confiar nos demais, acreditando no seu lado positivo
e raramente suspeitando das suas intenções. Esse aspecto é importante, pois influencia o
desenvol-
vimento psicossocial das pessoas, se associando à formação da sua identidade e a capacidade
de
intimidade com os demais. Essas pessoas tendem a ser leais com as demais e têm como
caracteris-
tica marcante a franqueza. Apresentam preocupação e desejo de ajudar os demais, tendo um
alto
nível de altruísmo. Tendem a ser submissas e atendem mais facilmente às necessidades dos
outros
que lutam ativamente pelos seus interesses (MeCrae & Paul T. Costa, 2003).
É importante notar que, ao contrário do senso comum, não há um motivo específico para se
considerar que escores altos em Socialização possam ser mais adaptativos do que escores
baixos,
uma vez que pessoas nessa condição podem agir de forma excessivamente ingênua com
relação
aos demais, o que pode colocá-las em situações variadas de risco. Da mesma forma, no
ímpeto de
ajudar aos demais, pessoas altas em Socialização podem despender mais tempo ou recursos
do
que deveriam e se prejudicar com isso (Nunes, 2005).
Interpretação de S1 — Amabilidade
Este fator agrupa itens que descrevem o quão atenciosas, compreensivas e empáticas as pes-
soas procuram ser com as demais. Indica o quão agradáveis as pessoas buscam ser com as
outras,
observando suas opiniões, sendo educadas com elas e se importando com as suas
necessidades.
Pessoas baixas em Amabilidade tendem a apresentar pouca disponibilidade para com as de-
mais, sendo autocentradas e indiferentes para com as necessidades alheias. Apresentam
pouca
preocupação em promover o bem-estar dos outros, podendo se dirigir a eles de forma pouco
cuidadosa, tratando de assuntos delicados de forma insensível, chegando a ser hostis.
138 Bateria Fatorial de Personalidade - BFP
Widiger, Trull, Clarkin, Sanderson e Costa (2002) e O"Connor e Dyce (2002) indicam que
casos com transtornos de personalidade Antissocial e Narcisista, usualmente, apresentam
baixos
níveis nos traços associados à Amabilidade. Em contrapartida, pessoas com o transtorno
Depen-
dente têm essas características de forma marcante, apresentando altos escores em
Amabilidade.
Também no contexto clínico, maiores níveis de Amabilidade foram acompanhados por maior
Satisfação de vida (r= 0,30, p < 0,01) e maior frequência de Afeto Positivo ("= 0,30,p < 0,01),
conforme exposto na seção de evidências de validade da BFP neste manual, Ainda, um grupo
de pacientes em tratamento para dependência química apresentou escores significativamente
mais baixos nesse fator, ao ser comparado com a amostra normativa da BFP, indicando que
pessoas com quadro de dependência química relataram ser menos amáveis e preocupadas
com o bem-estar dos outros.
Pessoas mais amáveis apresentaram maior confiança na sua capacidade para realizar ativi-
dades do tipo Social (r = 0,45, p < 0,01), que dizem respeito às atividades de ensino e ajuda
(Nunes, 2009). Assim, é possível que a maior frequência com que demonstram gentileza e
preo-
cupação com o bem-estar favoreça uma autoavaliação positiva quanto ao desempenho de
ações
profissionais assistenciais.
Interpretação de S2 — Pró-sociabilidade
Este fator agrupa itens que descrevem comportamentos de risco, concordância ou confronto
com leis e regras sociais, moralidade, auto e hetero-agressividade, e padrões de consumo de
bebi-
das alcoólicas. Pessoas com altos resultados em Pró-sociabilidade tendem a evitar situações
de
risco, bem como transgressões a leis ou regras sociais. Tendem a apresentar uma postura
franca
com os demais, evitando pressioná-los ou induzi-los a fazerem algo que não queiram.
Indivíduos com baixos escores tendem a se envolver em situações que podem colocá-los, ou
as demais pessoas, em perigo. Apresentam pouca preocupação em seguir regras, podendo
apre-
sentar uma visão que minimiza, ignora ou desqualifica a sua importância. Podem ser
manipuladores,
agindo ativamente para que as demais pessoas façam o que eles desejam. Podem apresentar
um
padrão hostil de interação com os demais, tratando-os de forma desrespeitosa ou opositora.
Widiger et al. (2002) e O'Connor e Dyce (2002) indicam que casos com os transtornos de
personalidade Antissocial e Narcisista apresentam uma grande identificação com essas
caracterís-
ticas (baixos níveis de Pró-sociabilidade). McCormick e Smith (1995) observaram que adictos a
variadas substâncias (lícitas ou não) apresentam um nível muito baixo nos traços de
personalidade
avaliados nessa escala. Loukas, Krull, Chassin e Carle (2000) apontaram para a relação entre
altas
frequências desses comportamentos em adictos ao álcool.
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 139
Esta escala agrupa itens que descrevem o quanto as pessoas confiam nos outros e acreditam
que eles não as prejudicarão. Pessoas com altos escores em Confiança tendem a acreditar
que os
outros são honestos e bem intencionados. Casos com baixos escores tendem a ser céticos e
assu-
mem que os outros podem ser desonestos ou perigosos (Costa & McCrae, 1992).
Pessoas com escores muito altos em Confiança podem apresentar uma postura ingênua com
os demais, chegando a se colocar em situações nas quais facilmente podem ser prejudicadas
ou
enganadas por indivíduos mal intencionados. Por sua vez, pessoas com escores muito baixos
nessa
escala frequentemente relatam a constante percepção de que as pessoas podem estar
tentando
prejudicá-las em variados contextos. Tendem a ser muito ciumentas nas suas relações
amorosas e
têm grande dificuldade de desenvolver intimidade com os outros.
Widiger et al. (2002) e O'Connor e Dyce (2002) verificaram que casos com os transtornos de
personalidade Paranoide, Esquizotípico e Borderline apresentam um padrão de baixos níveis
nos
traços de personalidade agrupados nessa escala. Em contrapartida, pessoas com transtorno
da
personalidade Histriônica e Dependente tendem a apresentar um nível muito acentuado de
confian-
ça nas demais pessoas.
Realização envolve traços de personalidade que se relacionam com motivação para o suces-
so, perseverança, capacidade de planejamento de ações em função de uma meta, bem como
nível
de organização e pontualidade. Pessoas que apresentam altos níveis em Realização tendem a
bus-
car formas de alcançar seus objetivos, mesmo que isso envolva algum sacrifício ou conflite com
algum desejo imediato. Tendem a ser ambiciosas, esforçadas e muito dedicadas ao trabalho
(quan-
do adultas). Indivíduos com níveis baixos de Realização, em contrapartida, tendem a ter pouca
motivação para lidar com tarefas complexas, desistindo diante de dificuldades. Tendem a ter
um
interesse muito difuso em relação ao planejamento geral de suas vidas e a se envolver em
atividades
sem uma noção clara de como estas as levarão aos seus objetivos. Além disso, usualmente
são
descomprometidos e pouco pontuais; têm dificuldade para se manter envolvidos em tarefas,
mes-
mo que isso gere prejuízos para eles e para outras pessoas.
O nível de Realização das pessoas parece ser um componente importante para seu nível de
desempenho em atividades em contextos variados, como no acadêmico, profissional e na
forma
como as pessoas organizam as suas ações em médio e longo prazo, em função das suas
aspirações.
140 Bateria Fatorial de Personalidade - BEP
Halfhill, Sundstrom, Lahner, Calderone e Nielsen (2005) realizaram uma revisão de 31 estudos
sobre a influência da personalidade na composição de equipes de trabalho que dividem a
respon-
sabilidade sobre objetivos comuns. Destacou-se a importância de traços como os de
Realização
(usados como preditores em 12 dos 31 artigos analisados), que favorecem o foco nas tarefas
do
trabalho e no alcance das metas, e o fator Abertura para Experiências, usado em 6 dos 31
traba-
lhos, também como fator que ajuda no cumprimento das tarefas.
Outra pesquisa (Jensen-Campbell & Malcom, 2007) indicou que crianças e adolescentes
com níveis mais altos de Realização, ou seja, que são mais confiáveis e que planejam mais o
que
fazem, tendem a ter relações mais positivas com colegas, de uma forma geral, do que as que
têm
níveis menores de Realização. Maiores níveis de Realização foram acompanhados por maior
acei-
tação pelos colegas, maior quantidade de amigos e melhor qualidade das amizades. Ainda,
crianças
com escores mais baixos em Realização tendem a ser vítimas mais frequentes de agressões
perante
colegas e professores. Por fim, a maior frequência de problemas de atenção esteve presente
em
crianças com menores níveis nesse fator. Os autores sugerem que esses resultados
provavelmente
ocorrem por Realização ser importante para o autocontrole, o que deve favorecer melhor
compor-
tamento nas interações sociais e, por sua vez, uma melhoria na qualidade dos
relacionamentos.
Sobre a relação entre Realização e atenção, os autores indicam que esse traço de
personalidade
revela uma das formas de expressão do controle voluntário, ou seja, o direcionamento da
atenção
para certas ações, a inibição de certos comportamentos e o início e a manutenção em outros
comportamentos, controlados de maneira voluntária.
A faceta Competência é composta por itens que descrevem uma atitude ativa na busca dos
objetivos e a consciência de que é preciso fazer alguns sacrifícios pessoais para se obter os
resul-
tados esperados. Também são descritas situações em que as pessoas possuem uma
percepção
favorável de si mesmas, acreditando na sua capacidade para realizar ações consideradas
difíceis e
importantes. Desse modo, escores altos referem-se a pessoas que tendem a acreditar no seu
po-
tencial para realizar várias tarefas ao mesmo tempo, a gostar de atividades complexas e
desafiantes
e a possuir clareza sobre quais objetivos de vida possui. Por outro lado, escores baixos
sugerem
pouca disposição para atingir objetivos; pessoas com esse perfil facilmente desistem diante de
obstáculos ou da necessidade de fazer sacrifícios. Além disso, escores baixos tendem a estar
pre-
sentes em pessoas com uma percepção desfavorável sobre sua capacidade, que evitam
atividades
complexas e desafiantes e que não possuem objetivos bem definidos.
Nas pesquisas realizadas com a BFP e outros instrumentos psicológicos, Competência apre-
sentou correlações com Insegurança e falta de informação (» =-0,48;p <0,01), Imaturidade para
a escolha (»=-0,35;p<0,01) e Conflitos com pessoas significativas (» =-0,24: p< 0,05), o que
indica que escores baixos na faceta Competência estão associados a um alto nível de
indecisão
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 141
para a escolha profissional. Pessoas que possuem menos conhecimento sobre si e sobre o
mercado
de trabalho, que tendem a adiar a escolha e a assumir uma postura passiva, que possuem
impasses
sobre a escolha da profissão com pessoas significativas, apresentaram pouca clareza de seus
obje-
tivos e pouca disposição a se sacrificar para atingir os objetivos (Noronha et al., 2008).
Foi encontrada ainda uma correlação baixa, mas significativa, entre R1 e o tipo Empreende-
dor do SDS (r = 0,28; p < 0,05), enquanto a correlação com os fatores da EAP destacou os
interesses por profissões da área de Ciências Exatas, que envolvem o uso de tecnologia e o
gosto por atividades intelectuais mais complexas (r = 0,22; p <0,05), e pelas Ciências Biológi-
cas e da Saúde (r = 0,26; p <0,05), que englobam interesses por atividades em que há o
cuidado
físico direto de outras pessoas (Noronha et al., 2008). A percepção de competência e a clareza
dos
objetivos também esteve acompanhada de confiança na capacidade pessoal para realizar
ativida-
des ocupacionais Investigativas, Empreendedoras e Convencionais (» = 0,25, 0,42 e 0,30,
respec-
tivamente), sugerindo que esse perfil de automotivação para o trabalho é mais destacado em
pes-
soas com autoeficácia elevada nesses tipos (Nunes, 2009).
A escala de Ponderação é composta por itens que descrevem situações que envolvem o
cuidado com a forma para expressar opiniões ou defender interesses, bem como a avaliação
das
possíveis consequências de ações. Pessoas que se identificam com esses itens tendem a ser
mais
ponderadas quanto ao que dizem e fazem, tentando controlar sua impulsividade ao resolver
proble-
mas. Por outro lado, pessoas com escores baixos tendem a falar sem pensar antes, a agir
antes de
fazer algum planejamento e a ser impulsivas, de modo geral. A impulsividade, nesse caso, não
se
relaciona necessariamente com a baixa tolerância à frustração ou com uma reação emocional
nega-
tiva intensificada (como é o caso de N2 — Instabilidade emocional), mas sim com a falta de
plane-
Jjamento e organização de modo geral.
obter reconhecimento por seu esforço e podem ser perfeccionistas. Também descrevem uma
ten-
dência a querer planejar detalhadamente os passos para a realização de alguma tarefa e
sentem a
necessidade de realizar revisões cuidadosas dos trabalhos antes de expô-los a terceiros.
Escores
baixos tendem a ser verificados em pessoas que não costumam se dedicar a atividades
acadêmicas
e profissionais e que são mais descuidadas com a forma de realização e conclusão de tarefas.
Pessoas com níveis baixos de Empenho tendem a colocar pouca energia nas tarefas em que
se
envolvem e podem, com alguma frequência, fazê-las de tal forma que a qualidade de seu
trabalho
seja insuficiente ou, ainda, podem não completá-las.
suas preferências, dogmáticas e rígidas. Além disso, tendem a ser menos responsivas
emocional-
mente (Costa & Widiger, 2002).
Esse fator confunde-se, às vezes, com inteligência. Porém, é importante salientar que são
domínios diferentes. Embora haja evidência de que há uma correlação entre Abertura à
experiência
e inteligência cristalizada, praticamente esse fator não apresenta uma relação significativa com
es-
cores gerais de inteligência (Harris, 2004; Geary, 2005), mas há correlação com a capacidade
de
inovar (Kwang & Rodrigues, 2002).
Outros estudos trataram da relação entre Abertura e Criatividade, e podem auxiliar na com-
preensão desse traço de personalidade. Como exemplo, a correlação entre pensamento
divergente
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 143
Murray (1998) encontrou que Abertura à fantasia e a ações está associada com a atividade
criativa, enquanto Abertura para ideias e estética predizem os escores de interesses criativos.
Abertura à fantasia se mostrou relacionada com interesse e participação ativa em artes
literárias
e dramáticas, enquanto Abertura à estética foi preditiva tanto de interesse como do
envolvimento
ativo com artes visuais. Por fim, o envolvimento com artes “domésticas” esteve associado com
Abertura a ações.
Além da relação entre Abertura e Criatividade, é possível mencionar sua relação com interes-
ses profissionais. Em uma meta-análise com 24 amostras distintas que responderam a
inventários
de interesse e de personalidade, com público adolescente e adulto (N = 4.929),
relacionaram-se os
seis tipos de interesse (Realista, Investigativo, Artístico, Social, Empreendedor e Convencional
—
RIASEC), baseados no modelo de Holland, com os cinco traços de personalidade medidos
pelos
CGF. Abertura correlacionou-se, de forma estável entre os estudos, com os tipos de interesse
Investigativo (r = 0,28) e Artístico (7 = 0,48), destacando o interesse por pesquisa, curiosidade,
abstração e trabalho com elementos emocionais (Larson, Rottinghaus & Borgen, 2002). No
Brasil,
a BFP foi utilizada junto com o SDS, e foram encontradas correlações entre o escore geral de
Abertura e os tipos Artístico (» = 0,52; p<0,01) e Social (» = 0,20; p <0,01), replicando parcial-
mente os resultados documentados em estudos internacionais (Noronha et al., 2008).
Os itens de Abertura a ideias descrevem abertura para novos conceitos ou novas ideias,
que podem incluir postura aberta para posições filosóficas, arte, fotografia, estilos musicais,
diferentes expressões culturais e uso da imaginação e da fantasia. Pessoas com altos níveis
em
Abertura a ideias gostam de participar de atividades que exijam imaginação ou fantasia, têm
interesse por ideias abstratas, discussões filosóficas e arte. Além disso, têm curiosidade sobre
novas tendências musicais e por áreas afins. Pessoas com baixos escores são pouco curiosas
para conhecer novos temas, são mais conservadoras e fiéis a seus gostos artísticos e possuem
postura rígida quanto a conceitos.
pessoas significativas (r = -0,24; p < 0,01) e Imaturidade para escolha (r = -0,20; p < 0,01),
avaliados pelo IDDP. Isso sugere que quanto mais abertos a novas ideias, menor a frequência/
intensidade de conflitos com pessoas significativas e maior a possibilidade de assumir uma
postura
ativa diante da escolha profissional.
Em outra pesquisa, verificou-se que quanto maior a Abertura a ideias, maior a confiança
na capacidade para realizar atividades Investigativas, com destaque para atividades intelectu-
ais, que utilizam a razão e a curiosidade, com tendência à maior introspecção e abstração de
conceitos (r = 0,22, p < 0,01). A confiança mais elevada nesse tipo sugere também o gosto
pelo estudo de temas complexos, pela leitura e redação de temas científicos (Nunes, 2009).
Widiger et al. (2002), em seus estudos que visavam à identificação do perfil de pessoas com
transtornos da personalidade em medidas baseadas nos CGF, indicam que uma alta ocorrência
das
características associadas à faceta Abertura a ideias pode ser identificada em casos de
transtorno
da personalidade Esquizotípica. Os componentes específicos relacionados à fantasia também
po-
dem ser evidenciados em casos de transtorno da personalidade Histriônica.
Interpretação de A2 — Liberalismo
Liberalismo descreve uma tendência à abertura para novos valores morais e sociais. As pes-
soas que se identificam com esses itens tendem a relativizar valores morais e regras sociais,
tendo
consciência de que estes evoluem ao longo do tempo e que podem ser diferentes a depender
da
cultura local em questão. Os itens indicam a consciência de que os aspectos tidos como
“verdades”
tendem a mudar ao longo do tempo, do mesmo modo que as regras e os costumes sociais.
Escores
baixos envolvem pouco interesse por questões referentes à relativização de valores e conceitos
sociais, dogmatismo e entendimento de que os valores adotados não devem ser mudados com
o
passar do tempo.
Nos estudos que envolveram a escala de Liberalismo, foi encontrada correlação baixa
mas significativa com o tipo Artístico do SDS (r = 0,27;p < 0,01), com Artes e comunicação
(r =0,21;p < 0,01) e Atividades burocráticas (r = -0,20; p < 0,01), da EAP. Esses dados
sugerem que quanto mais as pessoas relativizam valores e entendem que certas concepções
mudam ao longo do tempo, maior o interesse por profissões que envolvem o uso da
criatividade
(tipo Artístico e dimensão Artes e Comunicação), e menor o interesse por atividades que
envolvem o cumprimento de normas e o gosto por atividades repetitivas (dimensão Atividades
Burocráticas). Escores altos em Liberalismo foram acompanhados por alta autoeficácia para
atividades Empreendedoras (7 = 0,25, p < 0,01), ou seja, a postura de relativização de valo-
Busca por novidades é composto por itens que descrevem preferência por vivenciar novos
eventos e ações. Pessoas que apresentam altos níveis nessa faceta relatam não gostar de
rotinas em
contextos variados; têm pouca motivação para realizar tarefas repetitivas e ficam facilmente
entediados
quando não podem vivenciar eventos novos. Pessoas com níveis baixos de A3 relatam se
sentir
desconfortáveis com a quebra de rotina, bem como pouco interesse para fazer coisas que
nunca
fizeram antes e conhecer lugares e objetos novos.
Essa faceta apresentou correlação com os tipos Artístico do SDS (r = 0,26; p <0,01) e Artes
e comunicação da EAP (r = 0,18; p < 0,01). Correlações significativas, porém baixas, foram
vetificadas com as dimensões Ciências agrárias e ambientais (+= 0,15; pp <0,05) e Ciências
Huma-
nas e Sociais Aplicadas (» = 0,15: p < 0,05). Os dados sugerem, por um lado, o interesse por
profissões em que há uso direto e intenso da criatividade e, por outro, profissões que
aparentemen-
te não são tão vinculadas ao gosto por novidades (Ciências agrárias e ambientais e Ciências
Huma-
nas e Sociais Aplicadas), estão associados aos traços de Abertura no sentido da busca ativa
por
soluções para problemas encontrados no dia a dia do trabalho (Noronha et al., 2008). Por fim, a
busca por novidades esteve acompanhada de elevada autoeficácia para atividades
Empreendedo-
ras (r=0,20,p <0,01), sugerindo que a confiança nas habilidades de liderança, convencimento e
comunicação são acompanhadas por busca ativa por novidades (Nunes, 2009).
Caso Exemplo I
Sexo: Feminino
Idade: 17 anos
Motivo para ter procurado consulta psicológica: relatou desejo de ampliar o autoconhecimento,
de
modo a ter mais informações sobre si mesma, para ter melhores condições de escolher uma
profissão.
Resultados na BFP
O ad ao a Sa
Aplicação e Levantamento da Bateria Fatorial de Personalidade 147
Abertura
E2.Altivez
E3. Dinamismo -
Neuroticismo
E1.Nível de comunicação
Extroversão
$1. Amabilidade
Socialização
S2. Pró-sociabilidade
N4, Depressão
R2. Ponderação
AZ. Liberalismo
N3. Passividade
Ri. Competência
A3. Busca pornovidades
Ni. Vulnerabilidade
N2. Instabilidade
Em parte das escalas, a jovem apresentou escores médios (percentil entre 30 e 70), com
exceção de El, E2, E3, Extroversão, S1, 83, Socialização, R3 e Realização. A seguir, serão
deta-
lhados os aspectos em que a jovem se afastou da média, com escores baixos ou altos.
Quanto aos resultados de Extroversão e suas facetas, a jovem teve escores altos ou muito
altos na maioria dos casos. Na análise geral do escore em Extroversão, este enquadrou-se na
faixa
“muito alto”, o que sugere gosto por estar em grupo, dinamismo, tendência à autovalorização e
facilidade para comunicação. O escore elevado nesse fator tende a se associar ao interesse
por
profissões que usam convencimento, argumentação e atitudes dinâmicas e de liderança. A
observa-
ção dos escores nas facetas mostra que apenas o escore em Interações Sociais (E4) esteve
próxi-
mo da média, enquanto os demais foram altos ou muito altos. Sobre a faceta Comunicação (E
1), o
resultado sugere que se trata de uma pessoa que gosta de se comunicar, que possui facilidade
para
falar em público ou com desconhecidos e que tende a ser assertiva, conseguindo expressar
suas
opiniões. Por sua vez, o resultado na faceta Altivez (E2) sugere que se trata de alguém que se
valoriza bastante, seja nos aspectos pessoais como sobre as coisas que possui, do mesmo
modo
que gosta de receber atenção e de falar sobre si. Sobre o escore em Dinamismo (E3), os
resultados
indicam ser uma pessoa que toma iniciativa para resolver situações, que consegue colocar as
ideias
em prática, que, em geral, gosta de se manter ocupada com mais de uma atividade ao mesmo
tempo e que está preparada para assumir posições de liderança ou coordenação.
148 Bateria Fatorial de Personalidade - BFP
Em relação aos resultados em Socialização, a jovem apresentou escore baixo, o que indica
desconfiança das intenções dos outros, pouca disposição e interesse em ajudar os demais, e
pouca
empatia e preocupação com possíveis consequências negativas do seu comportamento na
vida dos
outros. A análise mais detalhada das facetas de Socialização revela que os escores que se
destaca-
ram foram S1 (Amabilidade) e $3 (Confiança nas pessoas). A jovem apresentou baixo nível de
Amabilidade, indicando ser uma pessoa pouco atenciosa e compreensiva e que não busca ser
agradável ou ajudar os outros. O resultado pode indicar uma pessoa autocentrada, que prioriza
O
seu bem-estar em detrimento dos outros. Por sua vez, o escore baixo em Confiança nas
pessoas
sugere desconfiança das intenções dos outros, ciúmes nas relações pessoais e dificuldades
em
desenvolver intimidade com os outros.
O resultado em Neuroticismo e suas facetas esteve na faixa média, indicando ser uma pessoa
que não possui padrões de intenso sofrimento psicológico, de vulnerabilidade, de instabilidade
emocional ou de passividade diante das situações da vida. Provavelmente, trata-se de uma
pessoa
que com pouca frequência apresenta níveis elevados de ansiedade, sintomas depressivos e
que não
enfatiza os aspectos negativos dos eventos que vivencia.
Por fim, no fator Abertura e em suas facetas, a jovem teve escores médios, o que sugere a
presença de alguns comportamentos exploratórios, porém não com grande frequência ou
intensi-
dade, alguma flexibilidade e abertura a novas ideias ou costumes, mas com preferência a
executar
as tarefas diárias de maneira já conhecida,
O padrão apresentado pela jovem, com alta Extroversão, baixo nível de Socialização e eleva-
do nível de Comprometimento, deve ser acompanhado com cautela, pois apresenta
características
com comportamentos competitivos ou até hipercompetitividade, o que tem sido elencado como
um
dos comportamentos mal adaptativos e contraproducentes em organizações (Ross et al.,
2003).
Quanto aos fatores Abertura e Neuroticismo, os escores estiveram próximos da média,
sugerindo
comportamentos e padrões de reações emocionais e de pensamento similares aos da
população
geral. Por fim, esse tipo de interpretação ganha solidez ao se considerar que a combinação
harmô-
nica entre traços de personalidade e as características do ambiente de trabalho são defendidas
por
autores como Holland e colaboradores (Holland, 1959: 1963; Holland etal., 1994a; Holland et
al..
1994b; Holland, 1997), do mesmo modo que a relação entre a personalidade e a satisfação
com o
curso de Ensino Superior escolhido (Logue, Lounsbury, Gupta & Leong, 2007).