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Gramatica Historica

O documento apresenta a 1ª edição da obra 'Gramática Histórica', escrita por Elaine Ferreira Dias e José Lúcio Ferreira Higino, publicada pela Universidade Estadual de Montes Claros em 2015. A obra aborda a formação e evolução da língua portuguesa, começando pelo latim vulgar e explorando a transição para as línguas românicas, com foco no português. O conteúdo é estruturado em unidades que discutem a história da língua, metaplasmos, constituição do léxico e a influência de elementos indígenas e africanos no português falado no Brasil.

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Gramatica Historica

O documento apresenta a 1ª edição da obra 'Gramática Histórica', escrita por Elaine Ferreira Dias e José Lúcio Ferreira Higino, publicada pela Universidade Estadual de Montes Claros em 2015. A obra aborda a formação e evolução da língua portuguesa, começando pelo latim vulgar e explorando a transição para as línguas românicas, com foco no português. O conteúdo é estruturado em unidades que discutem a história da língua, metaplasmos, constituição do léxico e a influência de elementos indígenas e africanos no português falado no Brasil.

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Elaine Ferreira Dias

José Lúcio Ferreira Higino

Gramática Histórica

1ª EDIÇÃO

Montes Claros/MG - 2015


Copyright ©: Universidade Estadual de Montes Claros
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS - UNIMONTES

REITOR César Henrique de Queiroz Porto


João dos Reis Canela Cláudia Regina Santos de Almeida
Fernando Guilherme Veloso Queiroz
VICE-REITORA Luciana Mendes Oliveira
Antônio Alvimar Souza Maria Ângela Lopes Dumont Macedo
Maria Aparecida Pereira Queiroz
DIRETOR DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÕES Maria Nadurce da Silva
Jânio Marques Dias Mariléia de Souza
Priscila Caires Santana Afonso
EDITORA UNIMONTES Zilmar Santos Cardoso
Conselho Consultivo
Antônio Alvimar Souza REVISÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA
César Henrique de Queiroz Porto Carla Roselma Athayde Moraes
Duarte Nuno Pessoa Vieira Waneuza Soares Eulálio
Fernando Lolas Stepke
Fernando Verdú Pascoal REVISÃO TÉCNICA
Hercílio Mertelli Júnior Karen Torres C. Lafetá de Almeida
Humberto Guido Káthia Silva Gomes
José Geraldo de Freitas Drumond Viviane Margareth Chaves Pereira Reis
Luis Jobim
Maisa Tavares de Souza Leite DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS
Manuel Sarmento Andréia Santos Dias
Maria Geralda Almeida Camilla Maria Silva Rodrigues
Rita de Cássia Silva Dionísio Sanzio Mendonça Henriques
Sílvio Fernando Guimarães Carvalho Wendell Brito Mineiro
Siomara Aparecida Silva
CONTROLE DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO
CONSELHO EDITORIAL Camila Pereira Guimarães
Ângela Cristina Borges Joeli Teixeira Antunes
Arlete Ribeiro Nepomuceno Magda Lima de Oliveira
Betânia Maria Araújo Passos Zilmar Santos Cardoso
Carmen Alberta Katayama de Gasperazzo

Catalogação: Biblioteca Central Professor Antônio Jorge - Unimontes


Ficha Catalográfica:

2015
Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.

EDITORA UNIMONTES
Campus Universitário Professor Darcy Ribeiro, s/n - Vila Mauricéia - Montes Claros (MG) - Caixa Postal: 126 - CEP: 39.401-089
Correio eletrônico: [email protected] - Telefone: (38) 3229-8214
Ministro da Educação Diretora do centro de ciências Biológicas da Saúde - ccBS/
Cid Gomes Unimontes
Maria das Mercês Borem Correa Machado
Presidente Geral da cAPES
Jorge Almeida Guimarães Diretor do centro de ciências Humanas - ccH/Unimontes
Antônio Wagner Veloso Rocha
Diretor de Educação a Distância da cAPES
Jean Marc Georges Mutzig Diretor do centro de ciências Sociais Aplicadas - ccSA/Unimontes
Paulo Cesar Mendes Barbosa
Governador do Estado de Minas Gerais
Fernando Damata Pimentel chefe do Departamento de comunicação e Letras/Unimontes
Mariléia de Souza
Secretário de Estado de ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Vicente Gamarano chefe do Departamento de Educação/Unimontes
Maria Cristina Freire Barbosa
reitor da Universidade Estadual de Montes claros - Unimontes
João dos Reis Canela chefe do Departamento de Educação Física/Unimontes
Rogério Othon Teixeira Alves
Vice-reitor da Universidade Estadual de Montes claros -
Unimontes chefe do Departamento de Filosofia/Unimontes
Antônio Alvimar Souza Alex Fabiano Correia Jardim

Pró-reitor de Ensino/Unimontes chefe do Departamento de Geociências/Unimontes


João Felício Rodrigues Neto Anete Marília Pereira

Diretor do centro de Educação a Distância/Unimontes chefe do Departamento de História/Unimontes


Fernando Guilherme Veloso Queiroz Claudia de Jesus Maia

coordenadora da UAB/Unimontes chefe do Departamento de Estágios e Práticas Escolares


Maria Ângela lopes Dumont Macedo Cléa Márcia Pereira Câmara

coordenadora Adjunta da UAB/Unimontes chefe do Departamento de Métodos e Técnicas Educacionais


Betânia Maria Araújo Passos Helena Murta Moraes Souto

chefe do Departamento de Política e ciências Sociais/Unimontes


Carlos Caixeta de Queiroz
Autores
Elaine Ferreira Dias
Doutoranda em Letras – Linguística e Língua Portuguesa – pela PUC-MG, mestre em
Letras – Linguística e Língua Portuguesa – pela PUC-MG (2009), bacharel em Direito
pela Unimontes (2005) e licenciada em Letras Espanhol pela Unimontes (2004).
Atualmente, é professora do Departamento de Comunicação e Letras – Unimontes.
Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa, atuando,
principalmente, nos seguintes temas: história da língua portuguesa, português
arcaico e ensino da língua portuguesa.

José Lúcio Ferreira Higino


Formação: Professor pós-graduado em Ensino de Língua Inglesa, graduado em
Letras – Inglês, pela Universidade Estadual de Montes Claros. Professor de Língua
Inglesa, Latina, Filologia Românica e Gramática Histórica da Língua Portuguesa
na Universidade Estadual de Montes Claros. Professor conteudista e formador
da disciplina Língua Latina, Filologia Românica e Gramática Histórica da Língua
Portuguesa dos cursos de Letras Português e Inglês da Universidade Aberta do
Brasil – UAB. Coordenador e professor de Língua Inglesa, Literatura Inglesa e Norte-
americana do curso de Letras na Universidade Presidente Antônio Carlos – Unipac, na
cidade de Bocaiuva-MG.
Sumário
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

Unidade 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
História da Língua Portuguesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

1.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

1.2 Origem da Língua Portuguesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

1.3 Fatos Históricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

Unidade 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Metaplasmos e Analogia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

2.2 Metaplasmos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

2.3 Analogia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

Unidade 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Constituição do Léxico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

3.2 Formas Divergentes ou Alotrópicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

3.3 Arcaísmos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

3.4 Neologismos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

Unidade 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
O Português no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

4.2 O Elemento Indígena . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

4.3 Elemento Africano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

4.4 Outros Elementos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

4.5 Diferenciação Espacial e Temporal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Referências básicas, complementares e suplementares . . . . . 43

Atividades de Aprendizagem - AA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Letras Português - Gramática Histórica

Apresentação
“Assi como em todas cousas humanas ha continua mudança
& alteração, assi he tambem nas lingoages̃” (Duarte Nunes Leão).

Caros acadêmicos, a disciplina Gramática Histórica se volta para a compreensão da forma-


ção e evolução da nossa língua.
Tomaremos como ponto de partida o latim, em sua forma vulgar, a língua falada pelo povo.
Observaremos o seu desenvolvimento e transformação no que hoje chamamos línguas neolatinas
ou românicas, mais especificamente o português, nosso objeto de estudo. Para tanto, trilharemos
um longo caminho através da história da língua portuguesa, e destacaremos os aspectos externos
e internos mais relevantes que contribuíram para a sua formação. Traçaremos, desse modo, um
percurso histórico desde o latim até o português. Em outro momento, estudaremos o português
falado no Brasil, bem como os elementos que contribuíram para a sua diferenciação em relação ao
português europeu.
A seleção dos conteúdos segue a ementa do curso, a qual ora apresentamos:
• História externa e interna da língua portuguesa
• Metaplasmos
• Analogia
• Arcadismos
• Formas divergentes e convergentes Dica
• Constituição do léxico português Segundo Coutinho
• Língua Portuguesa no Brasil (1976), nem todas as lín-
guas têm um passado,
Ao pensar nos conteúdos elencados na ementa, propomos cumprir os seguintes objetivos: o que importa dizer que
• conhecer a história e a evolução da língua portuguesa; nem todas são susce-
• compreender os processos de evolução da língua; tíveis de possuir uma
• entender a formação e constituição do léxico português; gramática histórica.
• estudar o português falado no Brasil, em contraste com o português ultramar ou ultramarinho. Nesse caso, estão o
volapuque, o ido e o
Tendo isso em mente, este material foi produzido e dividido em quatro grandes unidades: esperanto.
• Na primeira unidade, intitulada “História da língua portuguesa”, descreveremos a história do
português, a partir da intervenção de fatores histórico-sociais e do contato com outras línguas.
• Na segunda unidade, “Metaplasmos e analogia”, apresentaremos as alterações sonoras que Glossário
ocorreram na passagem do latim vulgar para o português arcaico, bem como as criações
analógicas decorrentes do efeito uniformizador do princípio da analogia. Volapuque: língua
artificial criada em 1879,
• Na terceira unidade, “Constituição do léxico”, estudaremos a expansão do léxico, que, com a pelo padre alemão
evolução da sociedade portuguesa, teve que ser ampliado. Martin Schleyer, com
• Por fim, na quarta unidade, “A língua portuguesa no Brasil”, discutiremos as alterações e in- base, especialmente,
fluências sofridas pelo português com a sua transladação para o continente americano. no inglês e em alguns
De grande importância para o curso de Letras, esta disciplina se soma a outras, a citar as dis- elementos do alemão,
do francês e do latim.
ciplinas Língua e Literatura Latinas, Filologia Românica e Língua Portuguesa, proporcionando um Volapük significa: dis-
conhecimento mais acurado a respeito da história e da estrutura da nossa língua. curso do
O texto está estruturado a partir do desenvolvimento das unidades e subunidades e é en- mundo.
riquecido com notas que apontam peculiaridades e ilustrações, e são apresentadas dentro dos Ido: língua criada artifi-
ícones: BOX - ATIVIDADES - DICAS - GLOSSÁRIO cialmente, semelhante
ao esperanto.
Os ícones: “Atividades”, “Dicas”, “Glossário” devem ser lidos com atenção, pois são fundamen- Esperantido: filho do
tais ao nosso estudo. Cada box tem uma proposta diferente. O ícone “Atividade” busca inserir um esperanto.
exercício, a fim de proporcionar uma análise do conteúdo estudado, bem como facilitar o pro- Esperanto: língua artifi-
cesso de aprendizagem. O ícone “Dicas” apresenta sugestões para enriquecer o estudo. O ícone cial, criada por volta de
“glossário” visa esclarecer um termo técnico ou de difícil compreensão no texto, e, por fim, o box 1887, para ser língua de
comunicação interna-
“Para refletir” traz curiosidades e informação complementar ao estudo. cional.
Esperamos que, com essas ferramentas, assim como com a leitura do material e o uso de
exercícios frequentes, dispostos, ora no final do Caderno com as atividades (AA), ora no banco
de atividade on-line (AO), possam proporcioná-los um estudo enriquecedor que se some com as
disciplinas do curso e proporcione um maior entendimento sobre os fatos de nossa língua.

Bom estudo!
Elaine Ferreira Dias e José Lúcio Ferreira Higino

9
Letras Português - Gramática Histórica

Unidade 1
História da Língua Portuguesa
Elaine Ferreira Dias

1.1 Introdução
Esta unidade tem por objetivo descrever a pré-história do português, a partir dos principais Dica
acontecimentos históricos que permearam a sua formação. Destacaremos a contribuição das lín-
guas pré-romanas, da romanização e das línguas posteriores à romanização como fatores de di- O escritor brasileiro
Olavo Bilac, em seu
ferenciação. Acompanharemos, também, o desenvolvimento territorial do Estado português e a famoso poema “Língua
evolução da língua portuguesa, conforme o esquema abaixo apresentado: portuguesa”, logo no
primeiro verso, empre-
ga a expressão a última
flor do Lácio para carac-
terizar o nosso idioma,
considerando a língua
portuguesa a última das
filhas do latim, língua
falada inicialmente na
região do Lácio, daí o
nome latim. O poeta a
caracteriza como inculta
pelas vezes em que foi
Entretanto, antes de começarmos a falar sobre a história da nossa língua, faremos uma pau- alterada pela boca do
sa para entendermos, em linhas gerais, a sua origem. povo, embora continue
a ser bela. Acesse o site
http://www.citador.pt/
poemas/lingua-portu-

1.2 Origem da Língua Portuguesa guesa-olavo-bilac e leia


o poema na íntegra.

“Última flor do Lácio, inculta e bela” (Olavo Bilac).

A língua portuguesa tem origem no latim vulgar, a língua falada pelo povo romano. Assim
como o português, muitas outras línguas possuem essa mesma origem e são chamadas de lín-
guas românicas, novilatinas ou neolatinas, tais como o castelhano, o francês, o italiano, o rome-
no, entre outras. O mapa abaixo mostra a distribuição das principais línguas românicas. O estudo
da história da língua portuguesa deve ressaltar, portanto, o seu antepassado linguístico: o latim
vulgar.

Legenda: ◄ Figura 1: Mapa das


línguas latinas
██ castelhano Fonte: Disponível em
██ português <http://pt.wikipedia.org/
██ francês wiki/L%C3%ADnguas_
██ italiano rom%C3%A2nicas>.
██ romeno Acesso em 20 fev. 2015.

11
UAB/Unimontes - 4º Período

1.3 Fatos Históricos


O espaço geográfico da Península Ibérica sempre facilitou a chegada de povos invasores.
Entre os principais povos que nele adentraram, podemos destacar os gregos, os fenícios, os cel-
tas, os cartagineses, os romanos, os germânicos e os árabes. Contudo, apenas os três últimos e,
em especial os romanos, influenciaram de maneira mais marcante a formação da língua e dos
costumes da península.

1.3.1 Antes dos Romanos

Não é fácil afirmar com segurança quais os povos que habitavam primitivamente o território
peninsular. De todo modo, podemos apontar, segundo Coutinho (1976), dois grupos étnicos: o
basco e o ibero. No mapa da figura 2, a palavra “basco” aparece como termo espanhol: Vascones.
A rica região peninsular foi palco de grandes disputas entre gregos e fenícios, terminando
com a expulsão dos gregos, no ano de 1100 a.C. O contato dessas duas civilizações na península
proporcionou a fundação de algumas cidades, como Gadir, hoje Cádiz, na Espanha, além de um
notável florescimento na arte.
Posteriormente (séc. V a.C.), fixaram-se, principalmente na Galécia e em outras regiões de
Portugal, os celtas. Da combinação entre celtas e iberos, surgem os celtiberos.

Figura 2: Mapa dos 


povos pré-românicos
Fonte: Disponível em
<http://enigmasda-
cris.blogspot.com.
br/2011_05_01_archive.
html>. Acesso em 23 fev.
2015.

Dica Na continuação de uma série de disputas territoriais, a Península Ibérica testemunhou a in-
vasão de mais um povo, os cartagineses, oriundos do norte da África.
Para entender a dinâ-
mica do imperialismo A expansão dos cartagineses na região do mediterrâneo ameaçava o poder de outra po-
romano, assista aos fil- tência, Roma, que, naquela ocasião, também se expandia. O confronto foi inevitável, resultan-
mes: “Gladiador” (Ridley do, após três grandes guerras, as chamadas guerras púnicas, na vitória das legiões romanas,
Scott) e/ou “Spartacus” em 146 a.C.
(Kirk Douglas).

1.3.2 Os Romanos

A romanização da península vai desde as guerras púnicas até o estabelecimento do Império.


Os romanos, após vencerem os cartagineses, empreendem seu projeto de expansão e conquis-
tam a península.
A primeira fase se caracteriza, portanto, por frequentes guerras; e a segunda, pela manuten-
ção do poder e pela consequente paz e assimilação.

12
Letras Português - Gramática Histórica

◄ Figura 3: Templo
romano de Évora, sec.
I d.C.
Fonte: Disponível em
<http://pt.wikipedia.org/
wiki/Ficheiro:Evora-Ro-
manTemple_edit.jpg>.
Acesso em 20 fev. 2015.

DicA
Segundo Coutinho
(1976, p. 49), o latim, le-
vado pelos legionários,
colonos, comerciantes
e funcionários públi-
cos, não se impôs pela
força, mas, antes, pelas
próprias circunstâncias,
pois tinha o prestígio
de ser a língua oficial,
de cultura, ensinada nas
Apesar de Roma ter encontrado uma região fragmentada e dispersa, conseguiu, de forma escolas.
eficaz, implantar a sua língua e seus costumes nas terras conquistadas. Com exceção dos povos Pesquise um pouco
mais sobre o assunto na
do norte, os bascos, todos adotaram o latim como língua e, mais tarde, o cristianismo como re- obra: COUTINHO, Ismael
ligião. Roma levou às suas províncias sua infraestrutura e administração: escolas, edifícios públi- de Lima. Pontos de
cos, além de um excelente sistema rodoviário. Gramática Histórica.
Para governar a península, os romanos começaram por dividi-la em duas províncias, a His- 7. ed. Rio de Janeiro: Ao
pania Citerior e a Hispania Ulterior. Mais tarde, no ano 27 a.C., Augusto divide a Hispania Ulterior Livro Técnico, 1976.
em duas regiões heterogêneas: a Bética, mais desenvolvida; e a Lusitânea, menos desenvolvida.
Posteriormente, entre 7 a. C. e 2 a.C., a parte norte da Lusitânia, chamada Gallaecia, é anexada à
província tarraconense. Cada província subdivide-se em circunscrições judiciárias denominadas
conventus.

◄ Figura 4: Divisão
provincial
Fonte: Disponível em
<http://pt.wikipedia.
org/wiki/Ficheiro:Hispa-
nia_3a_division_provin-
cial.PNG>. Acesso em 20
fev. 2015.

Em toda a península, a romanização se fez mais rápida e completa no sul do que no norte.
A Gallaecia, situada na região norte, por exemplo, se manteve mais conservadora, sem falar nos
povos bascos, que não assimilaram a língua românica, e ainda hoje mantêm uma postura separa-
tista, usando, inclusive, sua língua original.
O latim falado pelo povo era o sermo vulgaris, plebeius ou rusticus; já a outra modalidade,
o sermo urbanus, eruditus ou perpolitus veiculava apenas nas obras imortais dos grandes escri-

13
UAB/Unimontes - 4º Período

tores latinos, como Cícero e Ovídio, nas escolas e, de forma dispersa, pela classe alta. Assim, o
grande candidato a ser nosso antepassado linguístico foi o sermo vulgaris, o latim transplan-
tado, regionalizado e falado pelo povo. Dele irão surgir inúmeros romances e, finalmente, as
línguas românicas.

1.3.3 Depois dos Romanos

Com a queda do Império Romano do


Figura 5: Invasão dos 
povos germanos ocidente, no século V, inicia-se uma nova fase
Fonte: Disponível em <ht- de invasões e de guerras. Esse período é con-
tps://www.google.com.br/ siderado como um dos mais obscuros da his-
search?q=mapa+da+inva- tória peninsular. Os primeiros invasores foram
s%C3%A3o+dos+povos+-
germanicos+no+impe- os germânicos, em 409 – vândalos, suevos e
rio+romano&es_sm=93&- visigodos, conforme se observa no seguinte
tbm=isch&tbo=u&sour- mapa:
ce=univ&sa=X&ei=EiHn-
VOyUG_D8sAT7wYK4A- No que diz respeito à língua e à cultura, a
g&ved=0CB4QsAQ&- contribuição dos germanos foi pequena, pois
biw=1600&bih=799>. esses povos, embora vencedores, absorve-
Acesso em 20 fev. 2015.
ram a civilização romana e, com ela, o latim,
influenciando ainda mais a sua diversificação.
De sua dominação, restam vestígios de mais
de duzentas palavras, vocábulos, muitas ve-
zes, referentes à arte militar, usos e costumes
e objetos e utensílios do povo germânico. São
Dica exemplos de palavras de origem germânica:
É importante salientar acha, arreio, dardo, espeto, estaca, elmo, feudo, grupo, guerra, sopa, trégua. São da mesma pro-
que os vândalos, ao in- veniência os nomes dos pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste.
vadirem a Hispania e o Uma particularidade fonética, em relação às palavras de origem germânica incorporadas no
norte da África, agiram nosso léxico, está na transformação do <w> em <g>: guerra (werra), guardar (wardon), guante
de maneira agressiva,
promovendo grande (want), Guilherme (Wilhelm). Na antroponímia portuguesa, igualmente se observam muitos no-
devastação, sobretudo mes germânicos: Ataulfo, Adolfo, Afonso, Frederico, Rodrigo, Rodolfo. Na toponímia portuguesa,
dos bens públicos. figuram os nomes: Gouveia, Guadramil, Guimarães, Resende. E, também, devemos acrescentar
Esse fato fez com que o os sufixos -engo ou - engue, -arde, -ardo e –aldo, os quais figuram em vocábulos como realengo,
termo vândalo atra- covarde, felizardo, Eduardo e Ricardo.
vessasse os milênios e
chegasse até nós com Em 711, os árabes invadem a Península Ibérica. Adeptos do islamismo, os árabes e berberes
o sentido atual, isto é, do Maghreb foram chamados pelos povos ibéricos de mouros. Eles atravessaram o estreito de Gi-
aquele que destrói bens braltar e venceram o último rei godo, Rodrigo, tornando-se senhores daquelas terras. Os árabes
públicos, coisas belas, eram povos desenvolvidos e difundiram na península a arte, as ciências, a agricultura, o comércio
valiosas, históricas etc. e a indústria.

Figura 6: Mesquita de 
Córdoba
Fonte: Disponível em <ht-
tps://www.google.com.
br/search?q=Mesquita+-
de+C%C3%B3rdoba&es_
sm=93&tbm=isch&-
tbo=u&source=univ&-
sa=X&ei=YSTnVMyDLZK-
1sASbnYKADQ&ved=0C-
C8QsAQ&biw=1600&-
bih=799>. Acesso em 20
fev. 2015.

14
Letras Português - Gramática Histórica

A língua oficial era o árabe, mas o povo vencido continuou a falar o latim vulgar modifi- Glossário
cado, o romance ou, em alguns casos, uma mistura entre o romance e o árabe, conhecido por Antroponímia: Designa
moçárabe. o estudo dos nomes
Apesar da grande tolerância dos muçulmanos, uma parte da população cristã se rebelou. A próprios. Cunhado pelo
reconquista, nome dado a esse movimento, partiu das montanhas das Astúrias, região norte, ao etnólogo e filólogo
sul da península. Os rebeldes, liderados por Pelágio, foram pouco a pouco expulsando os árabes português José Leite
de Vasconcelos. Fonte:
e, em 1492, apoderam-se de Granada, último reduto mouro, finalizando a dominação árabe na (HOUAISS, 2001)
península. O mapa abaixo mostra a cronologia da reconquista; o tom verde marca os territórios Toponímia: estudo de
sob domínio muçulmano; o amarelo, a formação do território português; os outros tons, os rei- nomes de lugares.
nos cristãos da península (Leão, Aragão, Castela, Navarra).

◄ Figura 7: Cronologia
da reconquista cristã
da Península Ibérica
Fonte: Disponível em
<https://www.google.
com.br/search?q=Cro-
nologia+da+reconquis-
ta+cristã+da+Penínsu-
la+Ibérica&es_sm=93&-
tbm=isch&tbo=u&sour-
ce=univ&sa=X&ei=USXn-
VIT8JIy_sQTN6YDoD-
g&ved=0CB4QsAQ&b>.
Acesso em 20 fev. 2015.

Dica
A mesquita de Cór-
doba, durante muito
tempo, foi o símbolo do
Islamismo na Península,
mas, com a expulsão
dos árabes, foi desca-
racterizada e consa-
grada catedral cristã
A influência do idioma árabe foi pequena, limitando-se ao léxico. Os nomes mais frequentes no mesmo ano em que
Córdoba foi reconquis-
designam plantas, frutas, flores e substâncias aromáticas: algodão, alecrim, alface, alfafa, alfaze- tada, em 1236. Hoje, ela
ma, açafrão. Na toponímia, há vestígios da dominação árabe: Algarve, Alcobaça, Guadiana, Gua- representa a fusão entre
dalquivir, Gibraltar. De mesma origem, é a interjeição árabe oxalá (in+sha+Allah) que significa “Se as duas culturas. Para
Deus quiser”. Uma particularidade fonética é a transformação da letra –h em –f, como nos atesta melhor conhecer sobre
a palavra: rehen (refém). o assunto acesse o site:
http://www.islambr.
O sucesso das cruzadas transferiu o poder das mãos dos árabes para os reis católicos de com.br/index.php?op-
Leão, Castela e Aragão. tion=com_content&vie-
Coutinho (1976) atenta para um fato curioso. Entre os fidalgos que lutaram nas cruzadas, w=article&id=958:a-es-
ressalta-se a figura de D.Henrique, conde de Borgonha, que tão bem serviu à coroa que o rei D. panha-muculmana&
Afonso VI, em sinal de agradecimento, deu-lhe em casamento a sua filha D. Tareja, juntamente catid=151:o-legado-isla-
mico&Itemid=111.
com o Condado Portucalense, território desmembrado da Galiza. A constituição do estado na-
cional português começa, contudo, com seu filho D. Afonso Henriques que, depois de vencer a
batalha de Ourique, proclamou-se rei de Portugal, em 1143.
O principal dialeto falado nessa região era o galaico-português que veio, com a indepen- Dica
dência de Portugal, a se desmembrar em galego e português. Os primeiros textos redigidos in-
Sobre a batalha entre
teiramente em português, segundo Costa (1979), foram a Noticia de Torto e o Testamento de cristãos e muçulmanos,
Afonso II. assista ao filme “Cruza-
Em relação à literatura, a primeira forma literária é a poesia. Nesse período, surgiram obras das”, de Ridley Scott.
de grande valor literário, os cancioneiros. Três desses livros chegaram até nós. O Cancioneiro da
Vaticana, o Cancioneiro

15
UAB/Unimontes - 4º Período

BOX 1
Glossário A notícia de Torto
Iluminura: desenho,
miniatura, grafismo que A Notícia de Torto deve ser considerada, segundo CINTRA (1986-87), como o mais antigo
ornamenta livros, espe-
cialmente manuscritos dos documentos sob forma de manuscrito original. Tratam-se das queixas feitas por Lourenço
medievais. Fernandes da Cunha contra os filhos de Gonçalo Ramires. Estes deveriam entregar-lhe uma
Jogral: artista medieval parte da herança de seu pai, segundo a promessa que lhe havia feito antes de morrer. Mas
que ganhava a vida di- não somente tinham se recusado a cumprir a promessa como lhe fizeram uma série de ofen-
vertindo o público, nos sas (tortos), descrito no documento. O testamento, de Dom Afonso II, é um diploma real escri-
palácios ou nas praças
públicas. O jogral divul- to em português em 1214. Segundo Avelino de Jesus, Dom Afonso II, apesar de ter apenas 28
gava a poesia trovado- anos de idade e pouco mais de três anos de reinado, fez este testamento para garantir a paz
resca cantando-a. e a tranqüilidade da família e do reino, no caso de lhe sobrevir uma morte prematura. Toma
as providências para garantir a sucessão do reino pela via varonil, ou, na falta desta, pela filha
mais velha. Providencia também sobre o governo do reino durante a possível menoridade do
herdeiro e sobre a tutela dos filhos e filhas menores, confiando ao Papa a proteção deste e do
reino e a execução do testamento. Dom Afonso II viria, ainda, a fazer dois outros testamentos
em 1218 e 1221, ambos em latim. Do testamento de 1214 foram feitas 13 cópias todas igual-
mente autenticadas, das quais restam apenas duas, que se encontram na Torre do Tombo, em
Lisboa, e no arquivo da Catedral de Toledo, na Espanha.

Fonte: CINTRA, Luís F. Lindley. Sobre o mais antigo texto não literário português. A Notícia de torto (leitura crítica,
data, lugar de redacção e comentário linguístico). In: Boletim de Filologia. Tomo XXXI. Lisboa: Centro de Lingüística da
Universidade de Lisboa, 1986-87. Pesquisa em 8 de junho de 2008. Disponível em <http://www.institutocamoes.pt/
cvc/bdc/lingua/ boletimfilologia/31/boletim31_pag21_77.pdf>. Acesso em 20 fev. 2015.

Os códices eram, em geral, enriquecidos com iluminuras e partituras, e recitados pelos jograis.

Figura 8: O 
jogral Mendinho
(Meendinho), sec.: XIII
– XIV
Fonte: Disponível em
<http://www.hs-augs-
burg.de/~harsch/lusitana/
Cronologia/ seculo14/
Mendinho/men_jogr.
jpg>. Acesso em 20 fev.
2015.

Referências
CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. História e Estrutura da Língua Portuguesa. 13. ed. Rio de Ja-
neiro: Vozes, 1983.

CASTRO, Ivo. Curso de História da língua portuguesa. Lisboa: Universidade Aberta, 2001.

CINTRA, Luís F. Lindley. Sobre o mais antigo texto não literário português. A Notícia de tor-
to (leitura crítica, data, lugar de redação e comentário linguístico). In: Boletim de Filologia. Tomo
XXXI. Lisboa: Centro de Lingüística da Universidade de Lisboa, 1986-87. Pesquisa em 8 de junho

16
Letras Português - Gramática Histórica

de 2008. Disponível em <http://www.institutocamoes.pt/cvc/bdc/lingua/ boletimfilologia/31/


boletim31_pag21_77.pdf>. Acesso em 20 fev. 2015.

COSTA, Pe. Avelino Jesus da. Os mais antigos documentos escritos em português. In: Instituto
Camões. Pesquisa em 8 de junho de 2008. Disponível em <http://www.institutocamoes.pt/cvc/
hlp/biblioteca/estudos_de_cronologia.pdf>. Acesso em 20 fev. 2015.

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de Gramática Histórica. 7. ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Téc-
nico, 1976.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro; FRANCO, Francisco Manoel de Mello. Dicionário Houaiss da
língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

LEÃO, Duarte Nunes de. Origem da língua portuguesa. 4. ed. Lisboa: ProDomo, 1945.

MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal: desde os tempos mais antigos até a Presidên-
cia do Sr. General Eanes. 12. ed. Lisboa: Palas, 1985.

SAID ALI, M. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1964.

SILVA NETO, Serafim da. História da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Livros de Portugal,
1952.

TEYSSIER, Paul. História da língua portuguesa. Tradução de Celso Cunha. 2. ed. São Paulo: Mar-
tins Fontes, 2001.

17
Letras Português - Gramática Histórica

Unidade 2
Metaplasmos e Analogia
Elaine Ferreira Dias

2.1 Introdução
Caros acadêmicos, na unidade anterior, descrevemos a História da Língua Portuguesa. Vi-
mos que a Península Ibérica passou, durante muito tempo, por uma sucessão de invasões e de
guerras que só cessou, em parte, após a expulsão dos últimos invasores, os muçulmanos. A re-
gião onde se encontra Portugal, hoje, antigamente era também conhecida pelos viajantes como
“o fim do mundo” (Marques, 1985, p.10) por seu distanciamento em relação à metrópole, o que
favoreceu, desde o início, a formação de um romance particular, o galego-português. Esse veio,
com a formação do Estado Nacional Português, a se desenvolver e a adquirir o status de língua
forte e de cultura. Desse modo, o português passou, durante muito tempo, a ser a língua dos
trovadores e, depois do colonizador, falado em quatro continentes, europeu, africano, asiático e
americano, conforme observamos no mapa a seguir:

◄ Figura 9: Países e
regiões de língua
oficial portuguesa
Fonte: Disponível em
<http://pt.wikipedia.org/
wiki/Ficheiro:Map-Luso-
phone_World-en.png>.
Acesso em 20 fev. 2015.

Dica
Segundo Vasconcelos,
citado por Coutinho
(1976), podemos dividir
a história da língua
portuguesa em três
Feitas essas observações, resta-nos compreender como o sistema linguístico, a gramática, fases: pré-histórica
evoluiu. (das origens ao séc. IX),
Nesta unidade, estudaremos, inicialmente, as alterações sonoras que ocorreram na passa- proto-histórica (do séc.
IX ao XII) e histórica
gem do latim vulgar para o português arcaico. (a partir do séc. XII). A
Na próxima unidade, passaremos para o léxico, que, com a evolução da sociedade portu- fase histórica pode ser
guesa, teve que ser ampliado. dividida em: arcaica
(do séc. XII ao XVI) e
moderna (do séc. XVI
em diante). Pesquisem

2.2 Metaplasmos mais sobre o assunto na


obra: COUTINHO, Ismael
de Lima. Pontos de
Gramática Histórica.
7. ed. Rio de Janeiro: Ao
Metaplasmos, do grego ετα além + λασ óς formação, transformação, é, segundo Coutinho
Livro Técnico, 1976.
(1976, p. 142), o estudo das modificações fonéticas que sofreram as palavras na sua evolução.
Desse modo, esta unidade contempla a riqueza e a variedade das transformações fonéticas que
ensejaram, no passado, a mudança de muitas palavras da nossa língua, e que, ainda hoje, teste-
munhamos modificações similares. Importa, nesse momento, conhecer os processos de mudan-
ça, bem como os condicionadores linguísticos envolvidos. Vamos a eles.

19
UAB/Unimontes - 4º Período

Dica Podemos classificar os metaplasmos em quatro tipos:


Tradicionalmente, os 1. Metaplasmos por permuta.
neogramáticos foram os 2. Metaplasmos por aumento.
primeiros a estudarem 3. Metaplasmos por subtração.
as transformações foné- 4. Metaplasmos por transposição.
ticas de modo científico.
Eles desenvolveram um
método centrado em
dois grandes princípios: 2.2.1 Metaplasmos por Permuta
as leis fonéticas e a
analogia. As transfor-
mações fonéticas, que Consiste na troca de um fonema por outro. Entende-se por fonema a menor unidade sonora
estudamos aqui com o com valor distintivo. Nessa categoria, podemos ainda fazer uma segunda classificação:
nome de metaplasmos,
deveriam ser previstas
a. sonorização.
pelas leis fonéticas, b. vocalização.
enquanto os casos dis- c. consonantização.
cordantes eram explica- d. assimilação.
dos pela ação de outro e. dissimilação.
princípio, o da analogia.
Para saber mais sobre
f. nasalação.
leis fonéticas, consulte g. desnasalação.
Coutinho (1976, p.137). h. apofonia.
i. metafonia.

a. Sonorização é a permuta de um fonema surdo em seu correspondente sonoro homorgâni-


co. No esquema que se segue, temos uma consoante surda que se transforma em seu cor-
Dica respondente sonoro; a seta indica a substituição.
Os segmentos con-
sonantais podem ser
sonoros quando pro- pb td cg fv
duzidos com vibração
das cordas vocais. Nesse
caso, são considerados
segmentos sonoros, 1. sapere > saber; saporem > sabor; lupum > lobo
ou, em oposição, surdo, 2. mutum > mudo; potére > poder; rotam > roda
quando não houver
vibração das cordas 3. amicum > amigo; pacáre > pagar; aquam > água
vocais. Para saber mais, 4. profectum > proveito; trifolu > trevoo > trevo
pesquisar (SILVA, 2008,
p. 27). A sonorização se processou em um ambiente medial e intervocálico. Tomemos, como exem-
plo, a palavra sapere; em sua cadeia sonora, podemos traçar o seguinte esquema CVCVCV, sendo
C consoante e V vogal. Como a consoante surda -p se encontra, nesse caso, em posição intervo-
cálica entre as vogais -a e –e; na evolução, ela tende a se tornar sonora, em virtude da sonoridade
das vogais que lhe transmitem essa característica. Porém, segundo Silva Neto (1942), o mesmo
não ocorre com as semivogais. Exemplos: paucum>pouco, autǔmnum>outono.

b. Vocalização é a permuta de um segmento consonantal em um vocálico. Nos grupos -ct, -lt,


-pt, -lc, -lp, -bs, -gn, a primeira consoante vocalizou-se, passando a i ou u.

ct, lt, pt, lc, lp, bs, gn  i, u

Exemplos:
1. factu > feito
2. alteru > outro
3. cap(i)tale > caudal
4. falce > fouce
5. palpare > poupar
6. absentia > ausência
7. regnu > reino

c. Consonantização é a permuta de um segmento vocálico em um consonantal. Em latim, as


consoantes i e u passaram, respectivamente, a j e v. Em geral, a consonantização ocorre no
início da palavra ou no contexto intervocálico.

20
Letras Português - Gramática Histórica

1. iam > já, ieiunu > jejum


2. uagare > vagar, uiuere > viver

ij uv

d. A assimilação consiste na aproximação ou identidade entre os fonemas. Um determinado


som (assimilador) adquire características de outro (assimilado) que lhe está próximo, com-
partilhando com ele algumas características. Podemos classificar a assimilação em três tipos:
1. vocálica ou consonantal.
2. total ou parcial.
3. progressiva ou regressiva.

1. A assimilação é vocálica quando o fonema assimilado é uma vogal; por outro lado, ela passa
a ser consonantal quando o fonema assimilado é uma consoante.
Exemplos: paomba > poomba > (pomba), persona > pessoa

No primeiro exemplo, houve assimilação vocálica, pois a primeira vogal da palavra paomba
passou a –o, por influência da vogal mais próxima. No segundo caso, a consoante –r, da palavra
persona, passou a -s por influência da consoante mais próxima; portanto, é assimilação conso-
nantal.
2. A assimilação é total quando o assimilador se identifica por completo com o fonema assimi-
lado, e é parcial quando não existe completa identidade, isto é, apenas alguns traços fonéti-
cos são compartilhados.
Exemplos: adversu > avessu (> avesso), auro > ouro.

No primeiro caso, constatamos a assimilação total, pois houve uma completa identidade en-
tre o assimilador -r que passou a –s, e o assimilado -s da palavra avessu. No segundo caso, a vogal
–a, da palavra auto, passou do status de vogal baixa –a para vogal média –o, aproximando-se da
vogal alta assimilada –u. Para uma melhor compreensão, vejamos o esquema abaixo:

3. A assimilação progressiva ocorre quando o assimilador está à direita do fonema assimi-


lado, ao passo que, na assimilação regressiva, o assimilador está à esquerda do fonema
assimilado.
Exemplos: amaramlo > amaram-no, reversu > revesso.

No primeiro caso, o fonema assimilador é o –l, que adquire traços da consoante nasal do fo-
nema assimilado –m, passando a -n. O fonema assimilador se encontra mais à direita do assimila-
do; portanto, temos um caso de assimilação progressiva. Notem que a identidade é parcial, uma
vez que os fonemas -m e -n compartilham apenas o modo de articulação, que é nasal, variando
no ponto de articulação bilabial e alveolar, respectivamente.
No segundo caso, o fonema assimilador é o –r, que se encontra mais à esquerda do fonema
assimilado –s. Temos um exemplo, portanto, de assimilação regressiva. Observamos, também, que
houve completa identidade do fonema assimilado, sendo, portanto, um caso de assimilação total.
Obs.: Quando detectarmos um caso de assimilação, podemos classificá-lo segundo as três
subclassificações ora apresentadas.
Ex: amaramlo > amaram-no.
O exemplo constitui um caso de assimilação consonantal, parcial, progressiva.

21
UAB/Unimontes - 4º Período

Um tipo especial de assimilação são as palatalizações. Elas alteraram a configuração do sis-


tema fonético latino, ao acrescentar novos segmentos em seu repertório fonético. O caso clássico
é o formado por consoante mais semivogal palatal. Conforme o esquema abaixo:

l  lh n  nh ss  x gj

Ex: filium > filho, ciconia > cegonha, angelum > angeo > anjo, passio- nem > pasione > paixão.
Nos exemplos acima, temos como assimilador as consoantes alveolares, -l, -n, e -s e a velar -g
que adquiriram o traço mais anterior, por influência da semivogal anterior i assimilada, passando
às respectivas consoantes palatais e alveopalatais: -lh, -nh, -x, -j.
Também palatalizaram os grupos:
Ex: implere > encher, afflare > achar, clamāre > chamar

Os exemplos mostram que os grupos consonantais transformaram- se em fricativas alveopa-


latais, tanto no início quanto no interior do vocábulo.

e. Na dissimilação, “dis” (prefixo latino que significa negação, falta de) + “similação” significa
a ausência de identidade entre os sons. A dissimilação se materializa tanto na queda de um
fonema quanto na diferenciação de um fonema igual ou semelhante. A dissimilação ainda
pode ser:
1. vocálica/consonantal;
2. progressiva/regressiva.
Ex: poçonha > peçonha, prora > proa

No primeiro caso, temos um exemplo de dissimilação vocálica regressiva. O fonema dissimi-


lador é a vogal –e, que se encontra à esquerda da vogal dissimilada –o.
No segundo exemplo, observamos um caso de dissimilação consonantal progressiva. O dis-
similador, o segundo -r da palavra raru, se encontra à direita da consoante dissimilada, primeiro -r
da palavra raru.

f. Nasalação é a conversão de um fonema oral em nasal.


Ex: ne(c) > nem, mac(u)la > mancha.

g. Desnasalação ou desnasalização ocorre quando um segmento nasal passa a oral.


Ex: luã > lua, corõa > coroa, boa > boa

h. Apofonia ou deflexão consiste na alteração da vogal da sílaba inicial de uma palavra, quan-
do lhe é acrescido um prefixo.
Ex: ad + cantu> accentu (> acento), per + factu> perfec- tu( > perfeito)

i. Metafonia é a modificação do timbre de uma vogal, resultante da influência da vogal ou


semivogal seguinte. Essa modificação pode ocorrer no singular, no masculino e na 1ª pessoa
do indicativo. Já no plural, no feminino e na 2ª e 3ª pessoas do modo indicativo, conserva-se
o timbre originário latino. As palavras assinaladas com asterisco apresentam modificação no
timbre, que, no latim, era aberto / / passando para o português como fechado /o/.

QUADRO 1 - Metafonia

Singular Plural
*jocu>jogo jocos>jogos
*focu>fogo focos>fogos
*porcu>porco porcos>porcos
porca>porca porcas>porcas
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

22
Letras Português - Gramática Histórica

2.2.2 Metaplasmos por Aumento

Consiste na adição de um fonema ao vocábulo. Esse tipo de metaplasmo admite as seguin-


tes classificações:
a. prótese;
b. epêntese;
c. anaptixe ou suarabácti;
d. paragoge ou epítese.

Essas classificações oscilam segundo a posição do fonema inserido, no início, no interior ou


no final do vocábulo.
a. Prótese consiste na adição de um fonema no início do vocábulo.
Ex: stare > estar, scribére > escrever

b. Epêntese consiste na adição de um fonema no interior do vocábulo.


Ex: ingen(e)rare > engendrar, area > arena> areia=permuta de n-i – desnasalizarão.

c. Anaptixe ou suarabácti é considerado um tipo especial de epêntese, consiste em eliminar


um grupo de consoantes pela inserção de uma vogal.
Ex: (februariu>) fevrairo > fevereiro, (blatta>) bratta > barata

d. Paragoge ou epítese é o acréscimo de um fonema no final do vocábulo.


Ex: ante > antes

2.2.3 Metaplasmos por Subtração

Consiste na redução de um fonema das palavras. Podemos dividir este grupo em seis tipos:
a. aférese;
b. síncope;
c. haplologia;
d. apócope;
e. crase;
f. sinalefa ou elisão.

a. Aférese é a subtração de um fonema no início da palavra.


Ex: attonitu > tonto, inamorare > namorar

b. Síncope é a subtração de um fonema no interior do vocábulo.


Ex: malu > mau, mediu > meio

c. Haplologia é uma síncope especial que consiste na queda de uma sílaba medial por haver
outra idêntica.
Ex: idololatria > idolatria, rotatore > rodador > rodor > redor.

d. Apócope é a subtração de um fonema no final da palavra.


Ex: amat > ama, et > e.

e. Crase é a fusão de duas vogais idênticas. Hoje só ocorre crase com a preposição “a” mais o
pronome demonstrativo “aquele” e suas flexões, ou com o artigo definido feminino “a”.
Ex: pee > pe, (dolore>) door > dor

f. Sinalefa ou elisão é a subtração da vogal final de uma palavra quando a seguinte começa
por vogal.
Ex: de + intro > dentro, de + este > deste, de + aquele > daquele

23
UAB/Unimontes - 4º Período

Dica 2.2.4 Metaplasmos por Transposição


As transformações
fonéticas ocorridas na Consiste na deslocação de fonema ou de acento tônico da palavra. Nessa categoria, pode-
passagem do latim para
o português, chamadas mos listar os seguintes casos:
de metaplasmos, ainda a. metátese;
hoje são produtivas. b. hiperbibasmo (sístole e diástole).
Casos de apócope,
como bobagem > boba- a. Metátese é a transposição ou deslocamento de um fonema, na mesma sílaba ou entre sílabas.
ge; quer > qué; passar
> passá; furúnculo > Ex: semper > sempre, pigritia > pegriça, preguiça.
furunco; lâmpada >
lampa; rapaz > rapá e b. Hiperbibasmo consiste na transposição do acento tônico e compreende a sístole e a diástole.
pôr > pó não são difíceis • Sístole: transposição do acento tônico para a sílaba anterior. Ex: erámus > éramos
de serem encontra- • Diástole: transposição do acento tônico para a sílaba posterior. Ex: océano > oceano, júdice >
dos. Da mesma forma,
encontramos casos de juiz
haplologia, como para-
lelepípedo > paralepí-

2.3 Analogia
pedo; e infalibilidade >
infabilidade..

Anttila (1969) aponta


um típico paradoxo
na relação entre leis O termo analogia, segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, vem da palavra lati-
fonéticas e analogia. En- na analogia e significa proporção, correspondência. Para Coutinho (1976, p.150), a analogia é um
quanto as leis fonéticas princípio de uniformização da língua que tende a reduzir formas irregulares a formas regulares.
partem da regularidade
para causar irregularida- Um exemplo citado pelo autor é o uso das formas dizi, fazi, trazi, por “disse”, “fiz” e “trouxe”,
de, a analogia atua de em analogia a formas regulares como, por exemplo, “recebi” e “vendi”. Observe que, na analogia,
forma inversa, transfor- há sempre um termo ativo – o que exerce influência – e um passivo, o que recebe a influência.
mando as irregularida- Segundo Bréal (1992, p. 53), as línguas recorrem à analogia, muitas vezes, para evitar alguma
des em regularidade. dificuldade de expressão, obter mais clareza, destacar uma oposição ou semelhança, ou ainda,
Ampliem seus conheci-
mentos pesquisando na ajustar uma regra antiga ou nova.
obra: ANTILLA, Raimo. A analogia, segundo Bynon (1977, p.34), pressupõe identidade de dois vocábulos em rela-
An introduction to ção a um aspecto gramatical ou semântico. Assim, não podemos confundir analogia com assi-
historical and compa- milação, pois enquanto a analogia envolve a identidade entre vocábulos, a assimilação envolve
rative linguitics. New a identidade entre fonemas. No exemplo anterior, a relação de identidade se processou segundo
Jersey: Prentice Hael,
1969. um aspecto gramatical específico, ou seja, a flexão verbal.
Esse forte princípio está presente nos mais diferentes domínios da língua:
a. na fonética,
b. na morfologia,
c. na sintaxe e
d. na semântica.

a. Na fonética, o sistema fonético de uma língua é também passível de sofrer ação da analo-
gia. Às vezes, associamos palavras de origens diversas, através de relações arbitrárias entre
som e sentido.
Segundo Coutinho (1976), os linguistas denominam de “etimologia popular” essa prática.
Vejamos os exemplos citados pelo autor:

QUADRO 2 - Etimologia popular


Etimologia popular Analogia com Palavra original
Altomóvel Alto Automóvel
Barriguilha Barriga Braguilha
Esgatanhar Gato Esgadanhar
Ourina Ouro Urina
Sancristão Santo Sacristão
Vagamundo Mundo Vagabundo
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

24
Letras Português - Gramática Histórica

Palavras ou frases estrangeiras foram consequentemente sujeitas à etimologia popular.

QUADRO 3 - Etimologia popular


Etimologia popular Expressão original
A necessidade tem cara de herege. Necessitas caret lege (A necessidade não tem lei)
Arma, vareta e cano. Arma e virumque cano (Canto as armas e os varões)
No tempo do Nilo. In illo tempore (Naquele tempo)
Sal nos enfermos. Salus infirmorum (Saúde dos enfermos)
Já não há céu. Janua caeli (Porta do céu)
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

Da mesma forma, observamos a ação da analogia na grafia das palavras.

QUADRO 4 - Etimologia popular


Etimologia popular Analogia com Palavra original
Ascenção Assunção Ascensão
Excessão Excesso Exceção
Setim Seda Cetim
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

b. Na morfologia encontramos um número maior de flexões e irregularidades e por isso o ca-


ráter uniformizador da analogia será mais expressivo.
Vejamos o efeito da analogia nas duas principais classes de palavras: substantivos e verbos.
• Substantivos: podemos observar a ação da analogia em suas três flexões.
• Gênero: as palavras da 1ª declinação latina eram em sua maioria do gênero feminino e ter-
minavam no acusativo singular em -a(m), que passou a -a. Essa terminação tornou-se a mar-
ca do gênero feminino em português. Por analogia, todas as palavras que terminassem com
a vogal -a foram consideradas femininas na língua arcaica embora em alguns casos fossem
em sua origem neutras ou masculinas. Ex: clima, planeta, cometa, fantasma, diadema.

Com as palavras da 2ª declinação, ocorreu um processo semelhante. Em geral, elas designa- Dica
vam palavras do gênero masculino. A sua terminação no acusativo masculino passou, após sofrer Não é difícil encontrar
algumas alterações (-u(m)>- u>-o), a ser considerada a desinência indicativa de palavras mascu- hoje em dia casos
linas. Desse modo, todas as palavras que terminassem com –o eram consideradas, à luz da ana- semelhantes de ana-
logia, como masculinas. Substantivos femininos do latim passaram a masculinos. Ex: louro, pinho, logia, principalmente
olmo, freixo, choupo. com relação a palavras
estrangeiras. A palavra
• Número: a desinência de plural do português originou-se do acusativo plural latino, que Shiva, em analogia a
terminava em –s. Por analogia, as palavras estrangeiras incorporadas ao nosso léxico for- sua terminação, é, por
mam igualmente o plural com –s. muitos, considerada
Grau: alguns adjetivos, além do superlativo próprio de origem latina, possuem outro resul- feminina, transforman-
tante de analogia, conforme se observa no quadro seguinte: do um deus da cultura
hindu, que é sinônimo
de virilidade e força, em
QUADRO 5 - Superlativo analógico uma deusa.
Adjetivo Superlativo próprio Superlativo analógico Para saber sobre o
plural dos nomes em
Bom Ótimo Boníssimo –ao, consultar Coutinho
(1976, p. 157-158).
Pequeno Menor Pequeníssimo
Grande Máximo Grandíssimo
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

• Verbos: a riqueza das flexões verbais fez surgir inúmeros casos de analogia. Em resumo, ve-
jamos alguns casos apontados por Coutinho (1976):

25
UAB/Unimontes - 4º Período

Dica • Os verbos da 3ª conjugação passaram para a 2ª, por analogia.


Para saber mais sobre • Os infinitivos anômalos posse e velle transformaram-se, por analogia, em potere e volere.
a ação da analogia na • Os verbos “mentir”, “sentir” e “arder”, cujas formas latinas eram, respectivamente, mentiri,
morfologia, consulte sentire, ardere tinham, na 1ª pessoa do indicativo e em todas as pessoas do subjuntivo, um
Coutinho (1976, p. 159- -ç resultante da evolução sonora do -ti e do –de + vogal em ç. Mentio>menço, ardeo>arço.
160). Depois, por analogia com as outras pessoas do indicativo, o ç foi substituído por -t nos dois
primeiros verbos, “sinto”, “minto”. Somente o verbo “medir” conservou o –ç, conforme nos
atesta a forma flexionada meço.
• As formas arcaicas dos verbos “benzer” e “aduzir”, beenzer e aduzer apresentavam, na 1ª pes-
soa do indicativo e em todas as pessoas do subjuntivo, um –g decorrente de transformação
do –c latino, conforme observamos nas formas bendico > beẽ igo, adduco > adugo.
• Por influência das outras pessoas do indicativo, em que o –c seguido de -i passa a –z, foi o –g
substituído por este fonema, como nos comprovam as formas flexionadas benzo e aduzo.
• Segundo Vasconcelos, citado por Coutinho: “Uns verbos influem nos outros”. Assim, o verbo
flexionado “sei” não vem diretamente de sapio, mas de hei, que vem do latim vulgar *haio
(<habeo). “Vivi”, da mesma forma, não de vixi, forma latina, mas da analogia com pretéritos
regulares como devi.

c. Na sintaxe houve a mais tímida foi a ação da analogia nesse domínio. O uso vicioso de es-
truturas ou construções estrangeiras e o uso irregular de verbos transitivos indiretos toma-
dos por verbos transitivos diretos constituem alguns casos.

d. Na semântica, o emprego de um vocábulo em sentido figurado constitui um caso de ana-


logia semântica citado por Coutinho. Desse modo, se um indivíduo é perspicaz, o rotulamos
de águia; se é valente, de leão; manso, de cordeiro; se canta bem, rouxinol; e assim por diante

Referências
ANTILLA, Raimo. An introduction to historical and comparative linguistics. New Jersey: Pren-
tice Hael, 1969.

BREAL, Michel. Ensaio de semântica: ciência das significações. Trad. Aída Ferras et al. São Paulo:
EDUC, 1992.

BYNON, Theodora. Historical Linguistics. Cambridge: Cambridge University Press, 1977.

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de Gramática Histórica. 7. ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Téc-
nico, 1976.

SAID ALI, M. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1964.

SILVA, Rosa Virgínia Mattos e. O português arcaico: fonologia. São Paulo/Bahia: Contexto/Edito-
ra Universidade Federal da Bahia, 1991.

SILVA NETO, Serafim da. Manual de Gramática Histórica Portuguesa (de acordo com o Progra-
ma Oficial do 4º ano. São Paulo: Companhia Editorial Nacional, 1942.

SILVA, Thaïs Cristófaro. Fonética e fonologia do português: roteiro de estudos e guia de exercí-
cios. 9. ed., 1ª reimpressão, - São Paulo: Contexto, 2008.

26
Letras Português - Gramática Histórica

Unidade 3
Constituição do Léxico
José Lúcio Ferreira Higino

3.1 Introdução
Queridos acadêmicos, como já vimos, o latim que esteve na origem das línguas românicas
foi o falado pelas classes humildes, pelo povo, o sermo vulgaris ou latim vulgar. Assim, a maioria
das palavras latinas entrou na nossa língua por via popular. Essas palavras eram faladas, esponta-
neamente, por toda a população e, por isso, foram sofrendo, ao longo do tempo, grandes trans-
formações, sobretudo no campo fonético. Portanto, caros estudantes, o que acabamos de dizer
facilita a compreensão do fato de uma mesma palavra latina dar origem a mais de uma palavra
portuguesa. São as chamadas formas ou palavras divergentes. Vamos lá!

3.2 Formas Divergentes ou


Alotrópicas
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o adjetivo “divergente” significa o que
se afasta, não paralelo, e tem sua origem etimológica no verbo latino “divergere”, que significa
pender, inclinar. Já o vocábulo “alotrópico” é formado pelos antepositivos gregos “állos”, que sig-
nifica “outro, um outro, diferente” e “trópos”, que corresponde a “mudar, evoluir em outro sentido,
transformar”, além do sufixo “ico”, que é formador de adjetivo.
Assim, podemos dizer que, nas formas divergentes ou alotrópicas, um só vocábulo latino,
geralmente, dá origem a várias palavras em português. Vejamos este exemplo:

Palavra Latina: masculus = De macho, masculino

Palavra portuguesa: másculo = Forte, viril


Palavra portuguesa: macho = Animal do sexo masculino, homem
Palavra portuguesa: másculo = Forte, viril
Palavra portuguesa: macho = Animal do sexo masculino, homem

Vejamos mais exemplos:

QUADRO 6 - Exemplo da evolução fonética das palavras


LATIM VIA ERUDITA VIA POPULAR
Maculam Mácula Mancha
Atrium Átrio Adro
Solitarium Solitário Solteiro
Legalem Legal Leal
Oculum Óculu Olho
Plumbum Chumbo/plúmbeo Prumo
Patrem Padre Pai
Fonte: Elaborado a partir do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, (2001)

27
UAB/Unimontes - 4º Período

Como vimos, apesar de as palavras terem uma origem comum, as formas não são sempre
sinônimas. A diferença de aspecto morfêmico resulta, freqüentemente, em distinção de sentido.
Veremos, a seguir, que várias podem ser as causas dessas divergências.

3.2.1 Causas das Formas Divergentes

Dando continuidade aos nossos estudos, conheceremos os agentes causadores das diver-
gências na evolução fonética de nossa língua.
Ismael de Lima Coutinho (1976) aponta as seguintes causas:
a. corrente popular;
b. corrente erudita;
c. corrente estrangeira;
d. desinências causais;
e. diferença de número;
f. deslocação do acento tônico.

a. corrente popular
As palavras, ao serem faladas pelo povo, propagadores e modificadores naturais de uma lín-
gua, acabam, conforme a época, por originar formas diversas.
Vejamos alguns exemplos: plumbum deu origem a chumbo e a prumo; articulu originou
artigo e artelho (junta de ossos; dedo do pé); corona gerou coroa e coronha.

b. corrente erudita

Figura 10: A Mona Lisa 


– Leonardo da Vinci
Fonte: Disponível em <ht-
tps://www.google.com.
br/search?q=mona+li-
sa+leonardo+da+vin-
ci+imagens&es_sm=93&-
tbm=isch&tbo=u&sour-
ce=univ&sa=X&ei=bS7n-
VJL3F6vfsASDk4KYBA&-
ved=0CB4QsAQ&bi-
w=1600&bih=799>.
Acesso em 20 fev. 2015.

Caros estudantes, como sabemos, o Renascimento foi um importante movimento de ordem


artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Idade Moder-
na. Com o advento dessa importante fase da história da humanidade, deu-se a tentativa de apro-
ximar a língua portuguesa à língua mãe, o latim, e isso provocou a entrada, em nossa língua, de
várias palavras que muito se aproximavam de seu étimo original. Em Os Lusíadas, célebre obra
de Luís Vaz de Camões, publicada em 1572, encontramos um grande número de termos eruditos
como: ara (altar), flame (chama), gesto (aspecto, rosto) e tuba (trombeta). É importante ressaltar
que palavras como essas passaram a existir ao lado de outras formas já modificadas pela fonética
popular. Como exemplo, podemos citar:

28
Letras Português - Gramática Histórica

QUADRO 7 - Palavras erudita e populares

Etimologia Via erudita Via popular


Duplu Duplo Dobro
Plenu Pleno Cheio
Solitariu Solitário Solteiro
Arena Arena Areia
Atriu Átrio Adro
Clamare Clamar Chamar
Materia Matéria Madeira
Parabola Parábola Palavra
Fonte: Elaborado a partir do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, (2001)

c. corrente estrangeira
Essa corrente se dá devido ao natural e contínuo intercâmbio entre outros povos e, conse-
quentemente, outras línguas, fatores que motivaram de forma significativa o enriquecimento de
nossa língua, por meio da importação de novos vocábulos. Coutinho (1976) afirma que a cor-
rente erudita começou em Portugal, no século XII, com a influência dos trovadores de Proven-
ça. Contudo, com as cruzadas e as grandes navegações, amplia-se o círculo de relações do povo
lusitano, dilatando o número de vocábulos estranhos que, a partir dessa época, se juntaram ao
léxico português. Acontece, caros acadêmicos, que muitas palavras, vindas do latim e já repre-
sentadas em português, entraram de novo na língua por intermédio do francês, do espanhol e
do italiano. Vejamos alguns exemplos citados por Ismael de Lima Coutinho:

QUADRO 8 - Palavras estrangeiras que passaram para o português

Francês Português Latim


Chapéu Capelo Cappellu
Chefe Cabo Capu
Dama Dona Domina
Forja Fábrica Fabrica
Hotel Hospital Hospitale
Usina Oficina Officina
Italiano Português Latim
Entremez Entremeio Intermediu
Corso Curso Cursu
Ópera Obra Opera
Piano Chão Planu
Soprano Soberano Superanu
Tenor Teor Tenore
Espanhol Português Latim
Castilho Castelo Castellu
Cincho Cinto Cinctu
Frente Fronte Fronte
Sancho Santo Sanctu
Cavalheiro Cavaleiro Caballariu
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

29
UAB/Unimontes - 4º Período

d. desinências causais
É importante frisar que o caso genealógico que deu origem às palavras na língua portugue-
sa foi o acusativo; contudo, existem vocábulos que derivam diretamente do caso nominativo.
Como resultado, às vezes podem existir duas palavras portuguesas diferentes, a partir de uma
mesma voz latina, isto é, uma do nominativo, outra do acusativo. Isto é mais comum com as pa-
lavras imparissílabas da terceira declinação. Você deve estar lembrado de que palavras imparis-
sílabas são as que, no genitivo singular, têm uma ou mais sílabas a mais do que no nominativo.
Imparissílabo quer dizer, portanto, número diferente de sílabas. Vamos aos exemplos:

QUADRO 9 - Exemplos de desinências causais

FORMA DO NOMINATIVO FORMA DO ACUSATIVO


Cancer Cancro
Drago Dragão
Ladro Ladrão
Tredo Traidor
Virgo Virgem
Cícero Cicerão
Leo Leão
Nero Nerão
Plato Platão
Zeno Zenão
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

e. diferenças de números
Vamos em frente! As palavras neutras latinas apresentam, frequentemente, duas formas em
português: uma vinda do acusativo singular, outra do acusativo plural. Com o desaparecimento
do gênero neutro na língua portuguesa, essas palavras passaram, no singular, para o masculino;
no plural, para o feminino. Os exemplos abaixo nos permitirão atestar esse fato.

QUADRO 10 - Exemplo de diferença de número

MASCULINO FEMININO
ACUSATIVO SINGULAR ACUSATIVO PLURAL
Braço Braça
Cinto Cinta
Folho Folha
Lenho Lenha
Senho Senha
Tormento Tormenta
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

f. deslocação de acento tônico


Não é difícil de perceber que a simples deslocação do acento tônico em uma palavra pode
determinar a existência de formas divergentes na língua portuguesa. As palavras “tônico” e “toni-
co” servem-nos como exemplo.

30
Letras Português - Gramática Histórica

3.2.2 Formas Convergentes ou Homeotrópicas

Caros estudantes, continuemos nossa jornada cultural. Vamos entender o que são as formas Dica
convergentes ou homeotrópicas. O dicionário Houaiss registra que o adjetivo “convergente” sig-
Para saber mais sobre
nifica o que se dirige para um ponto comum a um outro. O vocábulo “homeotrópico” é formado as causas das formas
pelos prepositivos gregos “homos”, que significa “o mesmo, semelhante, comum”, e “trópos”, divergentes, consulte
que corresponde a “mudar, evoluir em outro sentido, transformar”, além do sufixo “ico” que é for- as páginas 201 a 209 do
mador de adjetivo. livro Pontos de Gramá-
Como vimos, formas divergentes são várias palavras em português com sentidos diferentes, tica Histórica, de Ismael
de Lima Coutinho.
isto é, que divergem da palavra primitiva ou originária. Diferentemente do que aconteceu com
as palavras divergentes, as formas convergentes equivalem a palavras iguais, em português, mas
que vieram de étimos ou raízes diferentes.
Mattoso Câmara assim enumera as causas das formas convergentes:
1. coincidência de evolução fonética em dois ou mais vocábulos, a princípio, diversos de for-
ma; assim, o latim filare > fiar “tecer” e o latim fidare por fidere > fiar “ter confiança”. A diferen-
ça entre os dois vocábulos latinos desapareceu com a síncope da consoante intervocálica;
2. coincidência entre um derivado de um vocábulo e outro vocábulo já existente; assim, o de-
verbal de render - renda é forma convergente com renda “tecido”, substantivo, de origem
obscura (germ. randa?);
3. empréstimos a línguas estrangeiras, ao lado de uma forma convergente vernácula. Assim,
ao lado de manga “peça de vestuário para cobrir o braço” (lat. manica), temos manga “espé-
cie de fruta”, que é empréstimo do malaio (veja Coutinho, 1976).

Palavras de origens diferentes

Latim = manica = manga = peça de vestuário


Malaio = manga = espécie de fruta

Mesma palavra em português

Manga

Vamos a outros exemplos.


Tomemos a palavra “são”: como adjetivo, deriva de sanu (curado, sem doença) e de “sanctu” Dica
(imaculado, santo); já como verbo, veio de “sunt” (3ª pessoa do plural, presente do indicativo do
Para saber mais sobre
verbo “sum”). as formas convergentes,
A palavra “rio”, como nome, originou-se de “rivu”; como verbo, veio de “rideo”. consulte as páginas 208
A conjunção ou advérbio “como” tem a sua origem em “quomodo”; como verbo, originou-se e 209 do livro Pontos
de “comedo”. de Gramática Históri-
Caros acadêmicos, como vimos, a fonética é a única causa que contribui para o surgimento ca, de Ismael de Lima
Coutinho.
das formas convergentes.
Acadêmicos e acadêmicas, viram como é rico e interessante o estudo das formas divergen-
tes e convergentes? Vamos tomar fôlego, pois ainda temos uma longa caminhada cultural pela
frente.

3.3 Arcaísmos
Arcaísmos são palavras e expressões que estão em desuso, isto é, pertencem ao passado da
língua. É muito comum, caros estudantes, abrirmos um livro de um autor antigo e encontrar uma
imensa lista de palavras e expressões que, atualmente, são completamente desconhecidas. Va-
mos aos exemplos.

31
UAB/Unimontes - 4º Período

QUADRO 11 - Arcaísmos
Dica ARCAÍSMO FORMA ATUAL
Quando alguém diz
a outro: “Vai te catar!”
Vosmecê Você
Você já refletiu sobre o Botica Farmácia
sentido dessa expres-
são? Observe, então, o Físico Médico
verbo “catar” com o sen-
tido de olhar, examinar Fremoso Formoso
com atenção.
Palmeirim Peregrino - estrangeiro
Arreio Enfeite
Quitanda Guloseima
Entonces Então
Catar Olhar – examinar com atenção
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

Atividade Coutinho (1976) afirma que nenhum fenômeno linguístico surge ou desaparece repentina-
Refaça o texto abaixo, mente. Nos idiomas, as mutações são sempre demoradas e lentas. Aponta, ainda, as seguintes
substituindo os arcaís- causas para a arcaização dos vocábulos:
mos. 1. O desaparecimento das instituições, costumes e objetos: suserano, vassalo, feudal, ouvidor,
Não fique macambúzio, comuna.
seus quitutes e acepipes 2. A sinonímia ou o neologismo: arteirice (astúcia), rouçar (violentar), asinha (depressa), manda
estão supimpas. Será
que nesse sarau de (testamento).
trovadores e menestré- 3. O eufemismo ou a degradação de sentido: cornos (pontas, armas), parir (dar à luz), drudo
is servir-se-á alguma (amante), manceba (concubina, a outra, amante), feder (cheirar mal), tratante (negociante),
beberagem? Poste safado (gasto pelo tempo).
esse texto no fórum de 4. O sentido especial: degredos (segredos), físico (médico), manha (dote do espírito).
discussão.

O texto ficará assim: Não fique triste, seus salgadinhos e docinhos estão excelentes. Nessa
reunião de poetas e músicos, será servida alguma bebida?
Gostaram? Vejam mais esta.

BOX 2
A bronca de Rui Barbosa

Conta-se que Rui Barbosa, ao chegar à sua casa, ouviu um esquisito barulho vindo do seu
quintal. Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se, vagarosamente, do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com
seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse- lhe:
- Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorra-
teiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transito; mas
se é para zombares de minha alta prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com
minha bengala fosfórica no alto de tua sinagoga que reduzir-te-á à quinquagésima potência
que o vulgo denomina nada.
E então o ladrão disse:
- Ô moço, levo ou deixo os patos?

Fonte: Disponível em <carlosrafaelferreira.blogspot.com/.../bronca-de-rui-barbosa.html>. Acesso em 20 fev. 2015.

Bacana, não? Vamos prosseguir.

32
Letras Português - Gramática Histórica

3.4 Neologismos
Para começar, vejamos como o poeta Manuel Bandeira faz uso de neologismo em um de
seus poemas:

Neologismo
Manuel Bandeira

Beijo pouco, falo menos ainda


Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana

Inventei, por exemplo, o verbo teodorar


Intransitivo;
Teadoro, Teodora.

Após esse belíssimo exemplo de criatividade, podemos perceber que neologismo é a cria-
ção de uma palavra nova ou o uso de uma palavra existente, porém, com sentido renovado.
Como exemplo, podemos citar o caso do verbo “ficar”, que, atualmente, ganhou novo sentido e
ainda deu origem ao adjetivo “ficante”.
O neologismo, conforme a intensidade do seu uso, pode ser assimilado pela língua padrão,
mostrando, dessa forma, todo o seu dinamismo. Barbosa (1904) afirma que só se imobilizam os
idiomas mortos. Não há língua definitiva e inalteradamente formada. Todas se formam e se trans-
formam continuamente.
Os neologismos surgem da necessidade de se nomear uma nova realidade. Coutinho (1976)
afirma que, ao assinalar novas conquistas nas ciências, nas artes, nas letras, na indústria, no co-
mércio, etc., fica, no vocabulário de cada povo, um número apreciável de termos, que serve bem
de índice aos estranhos para avaliarem seu grau de cultura. Disso não se segue que o neologis-
mo seja sempre aconselhável, importe sempre ideia de benefício ou de riqueza para a língua,
porque a criação de um vocábulo novo deve estar condicionada ao imperativo da necessidade.
Vejamos, agora, alguns neologismos usados atualmente:

QUADRO 12 - Neologismos

NEOLOGISMO SIGNIFICADO
Salvar Armazenar na memória do computador
Ficar Relacionar-se sem compromisso
Animal Ser muito bom em algo
Azarar Prejudicar alguém
Níver Aniversário
Refri Refrigerante
Bombar Obter êxito
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

3.4.1 Processo de Formação dos Neologismos

Inúmeros fatores contribuem para a formação de neologismos. Novos vocábulos podem


surgir a partir de termos já usados, por prefixação, sufixação, justaposição, aglutinação ou por
empréstimos vindos de línguas estrangeiras, os chamados estrangeirismos. Vamos aos exemplos:

33
UAB/Unimontes - 4º Período

QUADRO 13 - Neologismo

NEOLOGISMO SIGNIFICADO
Internauta Usuário da Internet
Petista Membro do PT
Enxugamento Contenção de gastos
Pacotão Conjunto de medidas
Besteirol Conjunto de bobagens
Skatista Que usa skate
Fonte: Elaborado a partir de Coutinho (1976)

Referências
BARBOSA, Rui. Réplica. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1904.

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. História e Estrutura da Língua Portuguesa. 13. ed. Rio de Ja-
neiro: Vozes, 1983.

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de Gramática Histórica. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico,
1976.

HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva Ltda., 2001.

LEÃO, Duarte Nunes de. Origem da língua portuguesa. 4. ed. Lisboa: ProDomo, 1945.

SAID ALI, M. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1964.

34
Letras Português - Gramática Histórica

Unidade 4
O Português no Brasil
José Lúcio Ferreira Higino

4.1 Introdução
Caros acadêmicos, continuando nossa jornada cultural através da história da língua portu-
guesa, veremos, nesta unidade, a trajetória de nossa língua mater, desde sua chegada à Terra Bra-
silis, até os dias atuais. Vamos lá! A expansão da língua portuguesa começou no século XV, quan-
do os lusitanos começaram suas conquistas na África e na América do Sul.
Vamos, então, nos ater ao estudo da evolução da língua portuguesa no Brasil, o qual deixará
mais claro o porquê, sob o ponto de vista filológico, da presença de empréstimos na nossa lín-
gua, muitas vezes necessários, outras, desnecessários.

◄ Figura 11: Chegada


dos portugueses ao
Brasil
Fonte: Disponível em
<http://image.slide-
sharecdn.com/sculox-
vi-111011142749-phpa-
pp01/95/sculo-xvi-2-728.
jpg?cb=1318361396>.
Acesso em 23 fev. 2015.

4.2 O Elemento Indígena


Segundo o filólogo brasileiro Serafim da Silva Neto, em seu livro Introdução ao Estudo da
Língua Portuguesa no Brasil (1950), a história da língua portuguesa divide-se em três fases.
A primeira fase começa em 1532, com o início da nossa colonização, e termina em 1654,
quando se deu a expulsão dos holandeses de nosso território. A segunda termina em 1808, com a
chegada da família real portuguesa ao Brasil, e a terceira fase vai daquela época até os dias atuais.
A primeira fase marca a chegada da língua portuguesa à Terra de Santa Cruz, trazida pelos
descobridores e colonos.
Essa fase, caros estudantes, é caracterizada pelo contato da língua lusitana com a língua dos
índios que aqui habitavam, e é representada, principalmente, pelo uso da língua geral, formada
praticamente pelo tupi e influenciado pelas línguas banto e sudanesas, trazidas da África. Naque-
la época, o português era falado pelo povo lusitano que vinha para cá e começou a ser ensinado
aos índios pelos jesuítas, com a intenção de catequizá-los. Assim, criou-se um linguajar de emer-
gência, uma língua geral, que era falada pelos mamelucos e mulatos e usada também pelos ban-
deirantes.

35
UAB/Unimontes - 4º Período

Glossário Coutinho (1976) afirma que, nas entradas pelo sertão brasileiro, estabelecendo a ligação en-
Abanheém: Denomi- tre o litoral e o interior, os bandeirantes, entre os quais havia, ordinariamente, condutores índios,
nação que os índios faziam do abanheém o instrumento das suas comunicações diárias. Desse modo, justifica-se a
tupis e guaranis davam existência de tantos topônimos tupis em regiões situadas fora de sua área de ocupação.
à própria língua. Era a Na segunda fase, a língua geral vai sendo, aos poucos, preterida, falada apenas no interior
língua geral. e nas aldeias dos padres jesuítas. Nessa fase, vai aumentando, consideravelmente, o número de
Mameluco: Mestiço de
branco com índio ou de imigrantes portugueses e, consequentemente, colégios vão sendo instalados para atender a essa
branco com caboclo. população. Chegam ao Brasil, então, professores e estudiosos de nossa língua, como, por exem-
Mulato: Filho de branco plo, o padre Vieira. Essa fase é caracterizada pela preparação do terreno para a implantação defi-
com mãe negra ou vice- nitiva da língua portuguesa no Brasil, o que acontecerá, efetivamente, em 1808, com a chegada
versa. da família real, dando início à 3ª fase, que perdura até os dias atuais.
Prezados estudantes, como vemos, a língua portuguesa foi entrando no Brasil, gradativa-
mente, e foi intensamente influenciada pelas línguas indígenas e africanas. Ilari (2004) afirma que
o grosso das contribuições lexicais indígenas provém do tupi-guarani, do qual o português bra-
sileiro herdou cerca de 10 mil vocábulos, em sua maioria repartidos pela toponímia e pela ono-
Dica mástica, às quais se somam nomes de vegetais e de animais. Não há notícias comprovadas de
influências fonéticas ou gramaticais.
Para seu conhecimento,
a palavra “perereca” (pe-
Os termos de procedência tupi, conforme ensina Coutinho (1976), incorporados ao léxico por-
queno animal que salta) tuguês do Brasil, são nomes próprios ou apelidos de pessoas: Araci, Baraúna, Cotegipe, Iracema,
é formada do verbo tupi Itagiba, Jaci, Juraci, Jurema, Jupira, Moema, Pitanga, Piragibe, Paranaguá, Sucupira , Ubirajara.
“pererek” (ir aos saltos, Nomes próprios geográficos: Guanabara, Guaratinguetá, Itatiaia, Itu, Niterói, Paraíba, Paquetá,
saltar), tal e qual o saci Tietê, Ubatuba. Nomes de seres do reino animal: araponga, arara, caninana, capivara, curiango,
“pererê”, que também
salta em uma perna só.
curió, cutia, gambá, jiboia, iara, nambu, jacaré, jacu, jaburu, jaó, jararaca, juruti, lambari, mandi,
Você sabia? maracanã, paca, piranha, sabiá, siriema, sucuri, surubi, tamanduá, tanajura, tatu, urubu. Nomes
de seres do reino vegetal: abacaxi, buriti, capim, carnaúba, caroba, caruru, cipó, guabiroba, ingá,
ipê, jabuticaba, jacarandá, mandioca, peroba, pitanga, taioba. Nomes
de objetos, aparelhos, utensílios: arapuca, arataca, jacá, jaqui, urupema.
Nomes de fenômenos naturais, doenças, alimentos, crendices: piracema,
pororoca, catapora, moqueca, moquém, saci, caipora, curupira, além de
um grande número de verbos formados de nomes indígenas: capinar,
empipocar, encoivarar, empaçocar, encaiporar, moquear.
Coutinho (1976) ensina, ainda, que a incorporação de muitos india-
nismos à nossa língua foi tão perfeita que eles se tornaram produtivos,
servindo para a formação de compostos e derivados: urubu-rei, sabiá da
praia, jabuticabal, jabuticabeira, cajueiral, cajuada, capinzal, carnaubeira,
ingazeira.

Figura 12: Índios tupis
Fonte: Disponível em
<www.maniadehistoria.
wordpress.com>. Acesso
4.3 Elemento Africano
em 23 fev. 2015.
Caros estudantes, veremos, a seguir, outro elemento que, entrando logo depois do elemen-
to indígena, muito influenciou na formação lexical do português brasileiro. Estamos falando do
elemento africano. A necessidade de mão de obra para trabalhar a terra trouxe ao Brasil os ne-
gros da África. Vieram principalmente da região de Guiné e Sudão Ocidental e da África Austral
(Bantos) e logo se tornaram elementos importantes na nossa economia. Como atesta Coutinho
(1976, p.324), das línguas por eles faladas deve-se salientar o nagô ou ioruba (grupo sudanês),
tendo como ponto de irradiação principalmente a Bahia, como atesta o vocabulário regional, e o
quimbundo (grupo banto), em Pernambuco e outros estados do norte, no Rio de Janeiro, em São
Paulo e Minas Gerais. Esta última, sobretudo, parece ter exercido maior influência no português
do Brasil, por causa do número quantitativamente maior de pessoas que a falavam.
Ilari (2004, p. 240) nos ensina que as palavras banto recobrem diversas áreas lexicais (como
nesta amostra: cacunda, caçula, fubá, angu, jiló, carinho, bunda, quiabo, dendê, dengo, sombra,
samba), ao passo que, das palavras oeste-africanas (cultura sudanesa), 65,7 % integram a lingua-
gem litúrgica dos candomblés. Coutinho (1976, p. 325) atesta que os vocábulos de procedência
africana que passaram ao nosso léxico incluem nomes geográficos: Bangu, Benguela, Cachimbo,
Cacimba, Carangola, Caxambu, Guandu, Murundu, Quilombo; ou designam divindades, ministros
de cultos, práticas rituais, crendices: Exu, Iemanjá, Ogum, Olorum, Oxum, orixá, Xangô, alufá, baba-
laô, babalorixá, quimbombo, candomblé, canjerê, catimbau, macumba, mandinga, muamba, zum-

36
Letras Português - Gramática Histórica

bi; danças e instrumentos musicais: bangulê, batucagê, batuque, jeguedê, jongo, lundu, maracatu, Dica
samba, banza, agogô, berimbau, canzá, marimba; alimentos, iguarias, bebidas: abará, acará, aca- Queridos acadêmicos,
rajé, angu, mungunzá, quenga, quitute, vatapá, cachaça, marafo; animais, aves e insetos: caxin- vocês devem se lembrar
guelê, camundongo, gongolô, marimbondo: árvores, plantas, legumes e frutas: mutamba, dendê, de que, ao estudarmos
diamba, guandu, inhame, chuchu, jiló, maxixe, munganga, quiabo; inflamação, doenças, estados a disciplina Filologia
d’alma: calombo, cachumba, cafife, maculo, calundu, banzo; objetos de uso, enfeites e vestes: ca- Românica, vimos três
termos técnicos utiliza-
chimbo, carimbo, gongá, malunga, miçanga, tanga; habitação, local de reunião ou onde se exerce dos para explicar a for-
alguma atividade, prisão: cubala, quimbembe, mocambo, quilombo, senzala, banguê, cafua; pes- mação de uma língua:
soas, levando em consideração o sexo, a idade, a condição social, a camaradagem: macola, oba, stratum, substratum e
zambi, moleque, dengo, curumba, malungo, mucama. São ainda de origem africana: búzio, cafu- superstratum. Tratando-
né, calumbá, candonga, dengue, fubá, milonga, mironga, molambo, muxiba, muxoxo. se das línguas români-
cas, o latim é o stratum;
Da mesma proveniência, também se contam em nosso vocabulário alguns adjetivos: ban- o substratum, no caso
guelo, caçula, macambúzio; verbos, formados de nomes já integrados ao idioma: aquilombar, ba- da Península Ibérica, era
tucar, cochichar, candongar, sungar, xingar; além de algumas palavras afro-negras se tornaram as línguas faladas pelos
fecundas entre nós, produzindo compostos e derivados, tais como: angu de caroço, pé de mole- celtas e iberos quando
que, azeite de dendê, congada, quiabal, molecagem. os romanos introduzi-
ram, naquela região, o
latim vulgar; e o supers-
tratum foi as línguas

4.4 Outros Elementos dos conquistadores


germânicos e árabes,
que influenciaram o
latim já instalado.
Caros acadêmicos, chamamos de outros elementos as línguas de outros povos que deram
sua contribuição para a formação lexical do nosso português. Povos invasores, como holandeses
e franceses, por exemplo, imigrantes, principalmente italianos, alemães e japoneses, que vieram
para trabalhar, sobretudo na lavoura, contribuíram para a formação do vocabulário do português
brasileiro. Além desses povos, línguas americanas também deram sua contribuição para o enri-
quecimento do idioma português no Brasil, como ensina Ismael de Lima Coutinho. Assim, desta-
camos os principais:
• o Caribe (Antilhas, Venezuela, Guiana): caimã, piroga, colibri;
• o Taíno (Haiti): cacique, batata, tubarão, tabaco, canoa, canibal, savana, furacão;
• o Nauatle (México): cacau, chocolate, jalapa, tocaio, tomate, abacate, asteca, nopal, sapoti,
coiote;
• o Mapuche (Chile): gaúcho, poncho, araucária;
• o Quíchua (Peru): alpaca, cancha, condor, chácara, charque, inca, mate, guano, guanaco,
guasca, lhama, pampa, puma, quina, vicunha.
Como vimos, nossa língua é aberta a todo tipo de influência e empréstimos e pelos mais va-
riados motivos. Do século XVI até quase metade do século XIX, as palavras que entraram em nos-
so vocabulário eram, em geral, por razões socioculturais, religiosas e comerciais. No entanto, com
o final da segunda grande guerra mundial (1939-1945), veio o crescimento da hegemonia dos
Estados Unidos, principalmente nos campos da ciência, da tecnologia e, mais recentemente, no
campo da informática; então, palavras inglesas passaram a ter significado internacional. Inevita-
velmente, nós brasileiros fomos, com o correr dos anos, aderindo a tais empréstimos e passamos
a adotar um grande número de neologismos de origem anglo-saxônica.
Se estivermos tratando de filologia portuguesa, o verdadeiro substratum do português fala-
do no Brasil foram as línguas indígenas, sobretudo o tupi, além das línguas africanas (o nagô, o
quibundo). Quanto aos superstratos que nos deixaram marcas de todo o tipo, temos vários po-
vos que para aqui vieram, primeiro tentando conquistar regiões de nosso país e, depois, imigran-
tes das mais variadas etnias.

4.5 Diferenciação Espacial e


Temporal
Áreas dialetais brasileiras
Acadêmicos, a língua portuguesa, ao chegar ao Brasil, a exemplo do latim, na Península
Ibérica, estabeleceu contato com várias outras línguas e culturas. Ora, em tão vasto território,

37
UAB/Unimontes - 4º Período

como o do nosso país, em que as influências são múltiplas e diversas, com o tempo, foram apa-
recendo, nas diferentes regiões, divergências, e hoje se percebe diferenças bem acentuadas no
falar nacional.
Para ilustrar, observe a composição musical do Box 3.

BOX 3
A Tonga da Mironga do Kabuletê
Composição: Toquinho / Vinícius de Moraes

Eu caio de bossa
Eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa
Xingando em nagô
Você que ouve e não fala
Você que olha e não vê
 Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender
Figura 13: Livro o poeta
da Paixão
Fonte: Disponível em A tonga da mironga do kabuletê (5x)
<http://www.companhia- Eu caio de bossa
dasletras.com.br/detalhe.
php?codigo=10443>.
Acesso em 23 fev. 2015. Eu sou quem eu sou
Eu saio da fossa
Xingando em nagô
Dica Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Conheça um pouco da
Você que entra e não cabe
história da nossa língua.
Em 17 de agosto de Você vai ter que viver
1758, um decreto do
Marquês de Pombal Na tonga da mironga do kabuletê (5x)
proibiu o uso da língua Lá, lá, lá, iá...
geral e instituiu a língua
portuguesa como
idioma oficial do Brasil. Você que fuma e não traga
Até esta data, o Brasil E que não paga pra ve
era um país bilíngue, Vou lhe rogar uma praga
pois aqui se falava o Eu vou é mandar você
tupi (língua geral) e o
Pra tonga da mironga do kabuletê...
português. Em 1759,
e os padres jesuítas,
defensores da língua Fonte: Disponível em <http://letras.mus.br/toquinho/49093/>. Acesso em 23 fev. 2015.
dos silvícolas – haviam
escrito uma gramática BOX 4
do tupi, catequizado os
índios e escrito literatu- Ano 1970
ra em língua indígena –
foram expulsos do país.
Vinícius e Toquinho voltam da Itália onde haviam acabado de inaugurar a parceria com o
disco “A Arca de Noé”, fruto de um velho livro que o poetinha, como era carinhosamente cha-
mado Vinícius de Morais, fizera para seu filho Pedro, quando este ainda era menino. Encon-
Dica tram o Brasil em pleno “milagre econômico”, a censura em alta, a bossa em baixa, e os oposito-
res ao regime pagando com a liberdade e a vida o preço de seus ideais. O poeta é visto como
Observe que, quan-
do cantamos o Hino comunista pela estupidez militar, e ultrapassado pela intelectualidade militante, que, pejorati-
Nacional Brasileiro, em va e injustamente, classificou sua música de easy music. No teatro Castro Alves, em Salvador,
nossa região, pronun- é apresentada ao Brasil a nova parceria. Vinícius está casado com a atriz baiana Gesse Gessy,
ciamos: “ÉspÉlha esta uma das maiores paixões de sua vida, que o aproximaria do candomblé, apresentando-o à
grandeza” com as vogais Mãe Menininha do Gantois. Sentindo a angústia do companheiro, Gesse o diverte, ensinando-
“é” abertas. Já no sul,
a pronúncia é fechada lhe xingamentos em Nagô, entre eles “tonga da mironga do Kabuletê”, que significa “o pêlo do
“ÊspÊlha”. cu da mãe”. O mote anal e seu sentimento em relação aos homens de verde oliva inspiram o
poeta. Com Toquinho, Vinícius compõe a canção para apresentá-la no Teatro Castro Alves. Era
a oportunidade de xingar os militares sem que eles compreendessem a ofensa. E o poeta ain-
da se divertia.

38 Fonte: CASTELO, José. Vinicius de Moraes. O Poeta da Paixão; uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
Letras Português - Gramática Histórica

Coutinho (1976, p. 329) nos ensina que o falar brasileiro se divide em dois gru-
pos: o do norte e o do sul. No grupo do norte, distinguem-se duas variedades: o
amazônico (Amazonas, Acre, Pará e Tocantins) e o nordestino (Maranhão, Piauí, Cea-
rá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e parte de Goiás); e o do sul,
em quatro subfalares: o baiano (Sergipe, Bahia, norte, nordeste e noroeste de Minas
Gerais, parte de Goiás e Tocantins; o fluminense (Espírito Santo, Estado do Rio, Zona
da Mata e parte do leste de Minas; o mineiro (centro, oeste e parte do leste de Mi-
nas); e o sulista (S. Paulo, Paraná, Santa Catarina, R. G. do Sul, Sul, Triângulo Mineiro,
parte do Sul de Goiás e Mato Grosso).
Veremos, a seguir, exemplos de diferenças nos falares do português brasileiro.
• Elevação das vogais médias pretônicas no nordeste. Essa característica distin-
gue fortemente os falares do norte e do sul. A elevação pode produzir uma vo-
gal alta como em “filiz”, “chuver”, ou média aberta, como em “nóturno”, “cóvarde”,
“récruta”; no sul, produz-se vogal média fechada.
• Queda ou nasalização da vogal átona inicial: magina (por imagina), inleição
(por eleição), inducação (por educação).
• Queda da vogal átona postônica, acompanhada ou não da perda de outros ele-
mentos fonéticos da palavra: “cosca” (por cócega), abobra (por abóbora), “arve”
(por árvore), “oclos” (por óculos), “lampa” (por lâmpada), “figo” (por fígado). Este

fenômeno é um dos mais comuns.
• Monotongação do ditongo: “cocha”, “caxa”, “pexe”, “bejo”, “quejo”, ou ditongação da vogal: Figura 14: Marquês de
bandeija, feichar. Pombal
Fonte: Disponível em
• Desnasalação e monotongação de ditongos nasais finais: “homi”, “falaru” “cumeru”, sendo <http://anaraquel-
esse fenômeno um dos mais comuns. vaz.blogspot.com.
É importante salientar que as mudanças existem, mas somente na língua falada. br/2013_09_01_archive.
html>. Acesso em 23 fev.
2015.

◄ Figura 15: Áreas


dialetais brasileiras
Fonte: Disponível em
<http://www.linguapor-
tuguesa.ufrn.br/pt_3.3.b.
php>. Acesso em 23 fev.
2015.

Dica
Para saber mais sobre
o português no Brasil,
veja o livro Gramática
Histórica, de Ismael de
Lima Coutinho, páginas
322 a 341. Veja também
Linguística Românica,
de Rodolfo Ilari, 2004,
páginas 237 a 269.

Referências
BARBOSA, Rui. Réplica. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1904.

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. História e Estrutura da Língua Portuguesa. 13. ed. Rio de Ja-
neiro: Vozes, 1983.

39
UAB/Unimontes - 4º Período

CASTRO, Ivo. Curso de História da língua portuguesa. Lisboa: Universidade Aberta, 2001.

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de Gramática Histórica. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico,
1976.

HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva Ltda., 2001.

ILARI, Rodolfo. Linguística Românica. 3. ed. São Paulo: Cromosete Gráfica e Editora Ltda, 2004.

LEÃO, Duarte Nunes de. Origem da língua portuguesa. 4. ed. Lisboa: ProDomo, 1945.

MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal: desde os tempos mais antigos até a Presidên-
cia do Sr. General Eanes. 12. ed. Lisboa: Palas, 1985.

SAID ALI, M. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1964.

SILVA NETO, Serafim da. História da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Livros de Portugal,
1952.

TEYSSIER, Paul. História da língua portuguesa. Tradução de Celso Cunha. 2. ed. São Paulo: Mar-
tins Fontes, 2001.

40
Letras Português - Gramática Histórica

Resumo
Nesta disciplina, você aprendeu:

Unidade 1
A história da língua portuguesa

• A origem da língua portuguesa.


• Os principais fatos históricos que permearam a formação de nossa língua, antes dos roma-
nos, a romanização e depois dos romanos.
• As contribuições dos povos invasores.
• A reconquista.
• A formação do Estado Nacional Português e seus reflexos na língua.
• Os primeiros textos redigidos genuinamente em português. A formação do português, as-
pectos estruturais:

Unidade 2
Metaplasmos e analogia
• As principais alterações sonoras que ocorreram na passagem do latim vulgar para o portu-
guês arcaico, sob o nome de metaplasmos.
• O conceito de analogia e sua ação nos diversos domínios da língua, na fonologia, na morfo-
logia, na sintaxe e na semântica.

Unidade 3
Constituição do léxico
• A formação do léxico da língua portuguesa, as formas divergentes e convergentes e suas
causas.
• Palavras em desuso na língua atual, razões para o surgimento dos arcaísmos, as palavras no-
vas ou antigas com novo sentido, processo de formação dos neologismos.

Unidade 4
O português no Brasil
• A implantação da língua portuguesa, as influências recebidas, a contribuição dos elementos
indígena, africano e de outros elementos para a formação lexical do português brasileiro.
• A diferenciação espacial e temporal dos vários falares brasileiros, suas regiões e sub-regiões.

41
Letras Português - Gramática Histórica

Referências
Básicas

CÂMARA JR., Joaquim Mattoso. História e Estrutura da Língua Portuguesa. 13. ed. Rio de Ja-
neiro: Vozes, 1983.

COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de Gramática Histórica. 7. ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Téc-
nico, 1976.

SAID ALI, M. Gramática Histórica da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Acadêmica, 1964.

Complementares

ANTILLA, Raimo. An introduction to historical and comparative linguistics. New Jersey: Pren-
tice Hael, 1969.

BARBOSA, Rui. Réplica. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1904.

BREAL, Michel. Ensaio de semântica: ciência das significações. Trad. Aída Ferras et al. São Paulo:
EDUC, 1992.

BYNON, Theodora. Historical Linguistics. Cambridge: Cambridge University Press, 1977.

CASTRO, Ivo. Curso de História da língua portuguesa. Lisboa: Universidade Aberta, 2001.

MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal: desde os tempos mais antigos até a Presidên-
cia do Sr. General Eanes. 12. ed. Lisboa: Palas, 1985.

SILVA NETO, Serafim da. História da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Livros de Portugal,
1952.

SILVA NETO, Serafim da. Manual de Gramática Histórica Portuguesa (de acordo com o Pro-
grama Oficial do 4º ano). São Paulo: Companhia Editorial Nacional, 1942.

SILVA, Rosa Virgínia Mattos e. O português arcaico: fonologia. São Paulo/Bahia: Contexto/Edi-
tora Universidade Federal da Bahia, 1991.

SILVA, Thaïs Cristófaro. Fonética e fonologia do português: roteiro de estudos e guia de exercí-
cios. 9. ed., 1ª reimpressão, São Paulo: Contexto, 2008.

TEYSSIER, Paul. História da língua portuguesa. Tradução de Celso Cunha. 2. ed. São Paulo: Mar-
tins Fontes, 2001.

Suplementares

CINTRA, Luís F. Lindley. Sobre o mais antigo texto não literário português. A Notícia de torto
(leitura crítica, data, lugar de redacção e comentário linguístico). In: Boletim de Filologia. Tomo
XXXI. Lisboa: Centro de Lingüística da Universidade de Lisboa, 1986-87. Pesquisa em 8 de junho
de 2008. Disponível em <http://www.institutocamoes.pt/cvc/bdc/lingua/boletimfilologia/31/bo-
letim31_pag21_77.pdf>. Acesso em 20 de fev. 2015.

43
UAB/Unimontes - 4º Período

COSTA, Pe. Avelino Jesus da. Os mais antigos documentos escritos em português. In: Instituto
Camões. Pesquisa em 8 de junho de 2008. Disponível em <http://www.institutocamoes.pt/cvc/
hlp/biblioteca/ estudos_de_cronologia.pdf>. Acesso em 20 de fev. 2015.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro; FRANCO, Francisco Manoel de Mello. Dicionário Houaiss da
língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

ILARI, Rodolfo. Linguística Românica. 3. ed. São Paulo: Cromosete Gráfica e Editora Ltda, 2004.

LEÃO, Duarte Nunes de. Origem da língua portuguesa. 4. ed. Lisboa: ProDomo, 1945.

44
Letras Português - Gramática Histórica

Atividades de
Aprendizagem - AA
1) A diferenciação do latim vulgar nas diversas línguas românicas é fruto da intervenção de diver-
sos fatores histórico-sociais. Sobre essa afirmação, assinale a alternativa que NÃO constitui fator
de diversificação.
a. ( ) A influência das escolas e da língua oficial adotada nos documentos notariais.
b. ( ) Variação de circunstâncias culturais e educacionais.
c. ( ) Contato entre línguas.
d. ( ) Desenvolvimento de unidades políticas separadas.

2) Sobre a história da língua portuguesa, marque a alternativa INCORRETA.


a. ( ) O espaço geográfico de Portugal sempre facilitou a chegada de povos invasores; con-
tudo, os romanos, os germanos e os muçulmanos influenciaram, de maneira mais marcante,
na formação da língua e dos costumes da península.
b. ( ) Os primeiros textos redigidos inteiramente em português foram a Noticia de Torto e o
Testamento, de Afonso II.
c. ( ) Os cristãos, insatisfeitos com a intolerância religiosa dos muçulmanos, reagiram com
uma guerra que durou oito séculos, a então chamada Reconquista ou Conquista Cristã.
d. ( ) A língua portuguesa tem origem no latim vulgar, língua antiga falada pelo povo roma-
no.

3) Marque a alternativa que apresenta a classificação INCORRETA.


a. ( ) mihi>mii>mi>mim - Nasalização: transformação de um fonema oral em nasal.
b. ( ) per+factu>perfectu>pefeito – Apofonia: mudança sofrida por uma vogal da sílaba ini-
cial do vocábulo por influência de um prefixo.
c. ( ) cravelha>caravela – Epêntese: inserção de fonema no meio do vocábulo.
d. ( ) palea>palha – Síncope: desaparecimento de fonema no interior do vocábulo.

4) As transformações fonéticas ocorridas na passagem do latim para o português, chamadas de


metaplasmos, ainda hoje são produtivas; desse modo, marque a alternativa que melhor classifica
os casos abaixo:
1. acabou>cabou, acendi>cendi, obrigado>brigado, está>ta
2. música>musca, espírito>sprito, olhar>oiá, ridículo>ridiclo
3. cárcere> cárcer, mármore>mármor, mulher>muié
4. advogado>advogado, grampo>garampo

a. ( ) Aférese, síncope, apócope, epêntese.


b. ( ) Síncope, epêntese, apócope, aférese.
c. ( ) Aférese, síncope, epêntese, apócope.
d. ( ) Aférese, apócope, síncope, epêntese.

5) Sobre a analogia, assinale a alternativa INCORRETA.


a. ( ) A analogia é um princípio de uniformização da língua que tende a reduzir formas irre-
gulares a formas regulares.
b. ( ) As línguas recorrem à analogia, muitas vezes, para evitar alguma dificuldade de expres-
são.
c. ( ) Na analogia, há sempre um termo ativo – o que exerce influência – e um passivo, o que
recebe a influência.
d. ( ) A etimologia popular consiste em associamos palavras de mesma origem, através de
relações entre som e sentido.

45
UAB/Unimontes - 4º Período

6) Conforme os estudos realizados, explique os termos:


a. Formas divergentes ou alotrópicas.
b. Formas convergentes ou homeotrópicas.

7) Indique, conforme estudado, as causas das formas divergentes.

8) O que são arcaísmos? Quais as causas que contribuem para a arcaização dos vocábulos?

9) Explique o termo neologismo e indique as causas para seu aparecimento em uma língua.

10) Dos enunciados a seguir, marque a letra “V”, se for verdadeiro, e a letra “F”, se falso:
a. ( ) A língua portuguesa trazida para o Brasil manteve-se pura.
b. ( ) A grande via de entrada de vocábulos para a língua portuguesa foi o latim vulgar.
c. ( ) As línguas indígenas pouco influenciaram na formação do léxico do português brasileiro.
d. ( ) Muitas palavras do português brasileiro que hoje conhecemos vieram das línguas indí-
genas e africanas.

46

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