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Monografia Final Capitine

A monografia analisa os fatores que influenciam a adesão e não adesão aos serviços de Planejamento Familiar no Bairro da Mafalala entre 2022 e 2024. Utilizando uma abordagem qualitativa e entrevistas semiestruturadas com 17 mulheres, o estudo revela que, apesar de percepções positivas sobre o planejamento familiar, barreiras culturais, medo e desinformação dificultam a adesão. Os resultados indicam que fatores socioeconômicos, culturais e de acesso aos serviços de saúde são determinantes na adesão ao planejamento familiar.

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Dani Duvane
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Monografia Final Capitine

A monografia analisa os fatores que influenciam a adesão e não adesão aos serviços de Planejamento Familiar no Bairro da Mafalala entre 2022 e 2024. Utilizando uma abordagem qualitativa e entrevistas semiestruturadas com 17 mulheres, o estudo revela que, apesar de percepções positivas sobre o planejamento familiar, barreiras culturais, medo e desinformação dificultam a adesão. Os resultados indicam que fatores socioeconômicos, culturais e de acesso aos serviços de saúde são determinantes na adesão ao planejamento familiar.

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Sebastião Jorge Capetine Muthisse

Análise dos Factores Associados ao Planeamento Familiar de e à não Adesão: Caso do


Estudo Bairro da Mafalala de 2022-2024

Licenciatura em Sociologia

Universidade Pedagógica de Maputo


Maputo
2025
ii
i

Sebastião Jorge Capetine Muthisse

Análise dos Factores Associados ao Planeamento Familiar de e à não Adesão: Caso do


Estudo Bairro da Mafalala de 2022-2024

Monografia Científica a ser submetido ao


Departamento de Pedagógico na Faculdade de
Ciências Sociais e Filosóficas para obtenção
do grau de Licenciatura em Sociologia, sob
supervisão de Ph.D. Arcanjo Nharucue

Universidade Pedagógica de Maputo


Maputo
2025
ii
iii

ÍNDICE
Lista de Quadros..............................................................................................................................iv

Lista de abreviaturas.........................................................................................................................v

Declaração de Honra.......................................................................................................................vi

Dedicatória.....................................................................................................................................vii

Agradecimentos.............................................................................................................................viii

Resumo............................................................................................................................................ix

INTRODUÇÃO..............................................................................................................................10

CAPITULO I: QUADRO TEÓRICO E CONCEPTUAL..............................................................15

1.1 Planeamento familiar na África Austral..........................................................................17

1.2 Planeamento familiar em Moçambique...........................................................................18

1.3 Enquadramento teórico....................................................................................................19

1.4 Definição e operacionalização dos conceitos..................................................................21

1.4.1 Socialização..............................................................................................................21

1.4.2 Subjectividade..........................................................................................................22

1.4.3 Simbolismo...............................................................................................................23

1.4.4 Realidade Social.......................................................................................................23

CAPITULO II. METODOLOGIA DO ESTUDO..........................................................................24

2.1 Método de Abordagem....................................................................................................24

2.2 Método de procedimento.................................................................................................24

2.3 Instrumentos e Técnicas de recolha de dados..................................................................25

2.3.1 Entrevista semiestruturada........................................................................................25

2.3.2 Pesquisa Bibliográfica..............................................................................................26

2.4 População e Amostra.......................................................................................................26

2.5 Métodos de análise de dados...........................................................................................27


iv

2.6 Considerações éticas........................................................................................................27

2.7 Constrangimentos e formas de Superação.......................................................................27

CAPITULO III: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS..................................................28

3.1 Localização Geográfica e Aspectos Histórico-Culturais do Bairro da Mafalala.............28

3.2 Perfil sociodemográfico das mulheres que utilizam e não utilizam os serviços de
Planeamento Familiar no Bairro da Mafalala.............................................................................29

3.3 Percepção das Mulheres do Bairro da Mafalala sobre o Planeamento Familiar.............31

3.4 Factores associados a adesão e não adesão ao Planeamento Familiar das mulheres no
Bairro da Mafalala......................................................................................................................33

CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................................39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................................41

APÊNDICE....................................................................................................................................43

1
v

Lista de Quadros

Tabela 1: Perfil sócio - demográfico dos participantes da pesquisa


vi

Lista de abreviaturas

CIPD-Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento

DIU – dispositivo intra-uterino

DPS - Direcção Provincial de Saúde

EG- Enfermagem Geral

FCSF – Faculdade de Ciências Sociais e Filosóficas

ICS – Instituto de Ciências de Saúde

MISAU - Ministério da Saúde

OMS-Organização Mundial da Saúde

UPM – Universidade Pedagógica de Maputo

PF – Planeamento Familiar

SDSMAS – Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social

SMI – Saúde Materna Infantil

SNS - Sistema Nacional de Saúde


vii

Declaração de Honra

Declaro que esta Monografia Científica é resultado da minha investigação pessoal sob orientação
da minha Supervisora. Declaro também a originalidade dos conteúdos apresentados e que todas
as fontes consultadas estão devidamente citadas no texto, nas notas e na bibliografia final.

Declaro ainda, que este trabalho nunca foi apresentado em nenhuma outra instituição para
obtenção de qualquer grau académico.

__________________________________________________________

Sebastião Jorge Capetine Muthisse

Maputo, Julho de 2025


viii

Dedicatória

Dedico esta Monografia Científica a minha família Muthisse, e em especial aos meus pais Jorge
Capetine e Carolina Mateus Chamusse Santos, a Minha Esposa, Venância Muthisse, aos meus
irmãos, Fina, Gil, Elsa, Sónia, Calisto, Jorge e Irene.
ix

Agradecimentos

Quero em primeiro lugar agradecer a Deus pela bênção e pela protecção que me tem concedido
há cada dia, e especial por me ter guardado vivo e saudável até hoje.

Um muito obrigado vai ao meu supervisor Ph.D. Arcanjo Nharucue pela orientação,
metodológica e técnica sem a qual não teria sido possível a efetivação deste trabalho.

Quero também deixar os meus agradecimentos a todos os meus docentes da FCSFS a quem devo
a minha formação.

Devo ainda aos meus colegas e amigos, Bila, Helena, José, Abdul, Armando, Nuvunga, Vick e
Geraldina. Colegas, com os quais contei durante a minha caminhada académica, ao meu colega
de trabalho e amigo Manuel, a minha antiga Directora de Programas, Ana João, pelo apoio e
incentivo para voltar a escola e terminar a Licenciatura, ao meu Director Executivo, Santos, pelo
apoio incondicional, bem como a sua persistência incentivando para que eu feche este ciclo.

Os agradecimentos estendem-se também a todos os entrevistados que de forma incondicional


foram capazes de participar do estudo respondendo todas as perguntas da entrevista.

Um kanimambo muito especial a minha família Muthisse, e em especial Jorge Capetine e


Carolina Mateus Chamusse Santos, a Minha Esposa, Venância Muthisse, pelo apoio
incondicional, moral e pela paciência que tiveram quando não pude compartilhar com eles os
momentos mais importantes da família.
x

Resumo

Esta monografia científica intitulada “"Analise dos Factores Associados ao Planeamento Familiar de e à não
Adesão: Caso do Estudo Bairro da Mafalala de 2022-2024", tem como objectivo analisar os factores de e à não
adesão aos serviços de Planeamento Familiar no Bairro da Mafalala. O estudo foi orientado pela perspectiva
construtivista de Peter Berger e Thomas Luckmann, conforme apresentada em sua obra "A Construção Social da
Realidade – Tratado da Sociologia do Conhecimento" (2004). A pesquisa adoptou uma abordagem qualitativa, como
método de procedimento usou-se a entrevista semiestruturada, permitindo um diálogo aprofundado com as
participantes, a amostra foi composta por 17 mulheres solteiras e jovens, trabalhando como vendedoras no sector
informal, sugerindo vulnerabilidade socioeconómica. Os dados foram submetidos a análise de conteúdo, pois não
houve preocupação com a representatividade mas sim com o aprofundamento da compreensão de um grupo social
sobre determinado aspecto. O trabalho conclui que as percepções, e as representações sociais das participantes sobre
o PF é geralmente positiva, considerando-o um método para prevenir gravidez e infecções sexualmente
transmissíveis, e para permitir que as meninas terminem os estudos. No que diz respeito a não adesão ao
Planeamento Familiar, conclui-se que é influenciada por medo, estigmas culturais e sociais, desinformação, receio de
serem rotuladas pelo parceiro. Outros factores incluem a crença cultural de que ter muitos filhos é riqueza, falta de
acesso a informações claras, distância a centros de saúde, experiências negativas com métodos e a oposição do
parceiro. Os principais factores de influência podem ser agrupados em socioeconómicos, culturais e de acesso a
serviços de saúde, sendo que mulheres com maior escolaridade e renda tendem a ter maior adesão.

Palavras-chave: Planeamento Familiar; Bairro; Acesso a Serviços de Saúde; Mafalala e Percepções


11

INTRODUÇÃO

O presente projecto de Licenciatura debruça-se sobre " Analise dos Factores Associados ao
Planeamento Familiar de e à não Adesão no Bairro da Mafalala de 2022-2024", enquadra-se
no âmbito do trabalho de culminação do Curso de Licenciatura em Sociologia, na Faculdade de
Ciências Sociais e Filosóficas, cujo objectivo fundamental analisar os factores associados ao
Planeamento Familiar e à não adesão aos seus serviços no Bairro da Mafalala, Maputo, no
período compreendido entre 2022 e 2024."

A história da humanidade mostra que as mulheres com uma gravidez indesejada,


independentemente do seu “status” socioeconómico, ou devido aos outros motivos têm
procurado resolver esse problema pondo em risco a sua saúde, a sua fertilidade e aceitando até a
possível consequência da sua própria morte. Todavia, as mais afectadas são maioritariamente
mulheres jovens e adolescentes, (WLSA, 2014).

MISAU (2010), mostra que nos países em desenvolvimento, cerca de 201 milhões de mulheres
não fazem planeamento familiar, 137 milhões de mulheres correm o risco de uma gravidez não
desejada por não estarem a utilizar nenhum método de PF e um adicional de 64 milhões de
mulheres utilizam métodos de PF tradicionais que são pouco efectivos.

No entanto, desde 1978 que a declaração de Alma-Ata identificou o PF como uma componente
essencial dos cuidados de saúde primários, no contexto da Política de Saúde para Todos. Por
outro lado, em 1994, na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD)
no Cairo, foi alcançado um consenso a favor de uma abordagem ampla de desenvolvimento
baseada nos direitos reprodutivos e na equidade de género, orientando para que o PF fosse
oferecido como parte integrante de um leque de serviços de atenção à saúde reprodutiva (UN
1995, cit. em MISAU, (2010).
O planeamento familiar é uma das principais estratégias globais de promoção da saúde
reprodutiva, com impacto directo na redução de gravidezes indesejadas, melhoria das condições
de saúde das mulheres e no desenvolvimento socioeconómico das comunidades.
MAAS (2012), afirma que, a nível global, o uso de métodos contraceptivos tem vindo aumentar
em ritmo muito modesto nos últimos anos (0.1% ao ano), sendo que o menor crescimento tem
12

sido reportado nas regiões mais pobres do mundo. No contexto de África, sobretudo da África
Subsaariana, a taxa de prevalência contraceptiva em 2010 era mais baixa que entre as mulheres
de outras regiões em 1990. Para o caso de Moçambique os métodos de planeamento familiar são
limitados e os métodos mais conhecidos e utilizados na contracepção são injectáveis e a pílula.
Os métodos de acção prolongada tais como o dispositivo utra-uterino DIU e implantes são
altamente eficaz na prevenção de gravidez, e em 2012 os implantes foram introduzidos como
novos métodos de PF e tem o potencial de se situar entre os métodos escolhidos (MISAU, 2001).
Tal é o caso do Bairro da Mafalala na Cidade de Maputo enfrenta-se diversos desafios que
contribuem para a fraca utilização de métodos contraceptivos. Esses desafios incluem barreiras
culturais, sociais, educacionais e de acesso aos serviços de saúde, criando um cenário de
vulnerabilidade em relação à saúde sexual e reprodutiva. Além disso, questões como estigmas
associados ao uso de métodos contraceptivos, desinformação, e dificuldades de acesso aos
recursos de saúde sexual e reprodutiva agravam o cenário.
Para a contextualização do problema de pesquisa, partimos de pressuposto que em Moçambique,
o Planeamento Familiar iniciou em 1977 como uma intervenção dentro do Programa de
Protecção à Saúde Materna e Infantil, tendo sido apenas em 1980 estabelecido como um
programa de âmbito nacional com prestação de serviços aos diferentes níveis da rede de
Instituições Públicas de Saúde, com os objectivos de:

"Melhorar as condições de saúde da mulher, especificamente das mulheres com Alto Risco
Reprodutivo que contribuem significativamente para as altas taxas de morbi-mortalidade materna
e perinatal"; "melhorar a saúde das crianças, promovendo um intervalo de pelo menos 2 anos
entre um nascimento e o seguinte", (MISAU, 2010).

Na contemporaneidade os Serviços de PF continuam a ser maioritariamente públicos e


oferecidos de forma gratuita, estando sob a responsabilidade do Serviço Nacional de Saúde
(SNS) e encontrando-se integrados no atendimento materno-infantil.

No entanto, apesar do desenvolvimento progressivo deste Programa, dos vários esforços


realizados e do aumento na Taxa de Prevalência Geral de Contracepção de 6% em 1997 para
17% em 2003, esta taxa continua ainda muito baixa, havendo necessidade de maiores esforços e
melhor coordenação na promoção da educação e informação a população, na melhoria da
qualidade e acesso aos Serviços de PF, na capacitação dos recursos humanos, assim como no
13

fortalecimento da gestão, monitoria e avaliação destes Serviços e das intervenções para a sua
divulgação, promoção e aumento da demanda, (Idem).

A não adesão do Planeamento Familiar gera impactos significativos na saúde pública, como o
aumento das taxas de gravidez precoce, maior risco de complicações na gravidez e dificuldades
na continuidade da educação e desenvolvimento pessoal.

A fraca adesão PF pode ser resultado de múltiplos factores interligados, como o acesso limitado
à educação sexual adequada, a influência de normas culturais conservadoras, a falta de infra-
estruturas de saúde e recursos disponíveis na comunidade, bem como o estigma social associado
ao uso de contraceptivos. Além disso, a desinformação e o medo de julgamento por parte da
família e da sociedade levam muitos adolescentes a evitar o uso de métodos contraceptivos,
resultando em riscos maiores para sua saúde reprodutiva e oportunidades futuras.

Partindo do exposto acima, urge a seguinte questão de pesquisa: Que Factores influenciam a
adesão e não adesão do Planeamento Familiar no Bairro da Mafalala de 2022-2022?

A escolha do tema deste estudo deve-se ao facto de que ao discutir esta temática no contexto de
saúde materno-infantil em Moçambique, possibilitará ao acesso e esclarecimentos no que diz
respeito ao PF, bem como os factores que possam estar associados a baixa adesão ao PF. De
modo geral, analisar os factores associados a baixa adesão PF no Bairro de Mafalala, na cidade
de Maputo é importante pois poderá servir de alerta e/ou guia aos órgãos gestores da saúde na
elaboração de políticas e programas na área da saúde e bem-estar da população.

Ademais, justifica-se pela necessidade de compreender as causas que estão por de trás da fraca
adesão do PF por parte dos casais e sobretudo da mulher solteira. As taxas de gravidez
aumentam os riscos de complicações na saúde reprodutiva e perpetuam ciclos de pobreza,
especialmente em regiões rurais onde os recursos são limitados.

Assim, a pesquisa oferece uma oportunidade de explorar soluções práticas que possam melhorar
a adesão ao planeamento familiar, promovendo não apenas a saúde da mulher, mas também o
desenvolvimento sustentável da comunidade. Identificar e abordar factores como o estigma
social, as normas culturais, as falhas no sistema de saúde e a falta de educação sexual é essencial
para criar políticas públicas mais eficazes e sensíveis às necessidades locais.
14

Esta pesquisa é de extrema importância, pois visa trazer conhecimentos sobre os desafios e
oportunidades relacionados ao planeamento familiar, e pode ajudar a formular intervenções
estratégicas que visem melhorar a saúde, promovendo uma abordagem mais inclusiva e eficaz ao
planeamento familiar na região.

Neste âmbito, o presente trabalho tem como objectivo geralː Analisar os factores de e à não
adesão aos seus serviços de Planeamento Familiar no Bairro da Mafalala. E para o alcance do
objectivo geral, teremos como objectivos específicos:

1. Caracterizar o perfil sociodemográficas das mulheres que utilizam e não utilizam os


serviços de PF no Bairro da Mafalala;
2. Descrever as percepções das mulheres do Bairro da Mafalala sobre o Planeamento
Familiar;
3. Interpretar os factores associados a adesão e não adesão ao Planeamento Familiar das
mulheres do Bairro da Mafalala.

A partir dos objectivos específicos descritos, elaboramos as seguintes questões operacionais:


1. Qual é o perfil sociodemográfico das mulheres e casais que utilizam e não utilizam os
serviços de PF não Birro da Mafalala?
2. Quais são as percepções das mulheres do Bairro da Mafalala sobre o Planeamento
Familiar?
3. Como são interpretados os factores de e não adesão ao Planeamento Familiar por parte
das mulheres no Bairro da Mafalal?
A presente pesquisa está organizada em três capítulos. Mas antes é presentada a introdução onde
faz-se referência ao contexto do estudo, o problema, os objectivos, as questões e a justificativa da
pesquisa.

No primeiro capítulo, apresenta-se a revisão da literatura onde se faz a definição de conceitos


que circundam a questão desistência escolar da rapariga.

No segundo capítulo, trazemos a metodologia usada para a realização da pesquisa, onde


apresentados os métodos e procedimentos que nortearam a condução da pesquisa, os
15

instrumentos de recolha de dados, a população e amostra, as questões éticas de pesquisa e as


limitações do estudo.

No terceiro, faz-se a apresentação dos resultados, tendo em conta os objectivos previamente


traçados. E por fim as conclusões e as devidas sugestões para a adesão massiva no PF.
16

1 CAPITULO I: QUADRO TEÓRICO E CONCEPTUAL

Neste capítulo, inteiramo-nos de forma mais aprofundada sobre os factores de adesa e não
adesão ao Planeamento Familiar, trazendo as várias contribuições de diferentes estudos
realizados. Colocamos igualmente em discussão as perspectivas dos autores que abordam sobre
Planeamento Familiar
Revisão da Literatura

Iniciou-se por analisar os estudos que versam sobre o tema em, onde destacam-se autores como
Mendonça (2018), Silva (2019), Gomes (2020), Cardoso (2021), Pereira (2022).

O primeiro estudo apresentado por Mendonça (2018) com o título “Contracepção e Saúde
Reprodutiva de Adolescentes nas Zonas Rurais de Moçambique”, revelou que a falta de acesso a
métodos contraceptivos modernos nas áreas rurais contribui significativamente para as altas
taxas de gravidez na adolescência. O estudo apontou que muitos adolescentes desconhecem ou
têm dificuldade em acessar serviços de planeamento familiar, o que aumenta a incidência de
gravidezes indesejadas.

O segundo estudo desenvolvido por Silva (2019), cujo título é“ O Impacto do Planeamento
Familiar na Redução da Mortalidade Materna”, defendeu que o uso de métodos
anticoncepcionais de longa duração, como o DIU e implantes, tem sido eficaz na redução da
mortalidade materna em áreas onde o planeamento familiar é amplamente implementado. A
pesquisa mostrou que mulheres que utilizam esses métodos têm menores riscos de complicações
relacionadas à gravidez.

O terceiro estudo de Gomes (2020), que tem como título “Educação Sexual e Contracepção: A
Importância da Informação para Adolescentes”, concluiu que a implementação de programas de
educação sexual nas escolas é essencial para a promoção de comportamentos sexuais
responsáveis entre os jovens. O autor destacou que a falta de informação adequada sobre
métodos contraceptivos leva muitos adolescentes a adoptarem práticas sexuais de risco.

O quarto estudo apresentado por Cardoso (2021) com o título “O Espaçamento das Gravidezes e
a Saúde Infantil”, revelou que respeitar um intervalo mínimo de dois anos entre gravidezes reduz
significativamente a mortalidade infantil. A pesquisa demonstrou que o espaçamento adequado
17

entre os filhos melhora as condições de saúde da mãe e da criança, proporcionando melhores


resultados na saúde pública em geral.

O quinto e último estudo de Pereira (2022), com o seguinte título “O Papel das Políticas Públicas
no Planeamento Familiar em Moçambique”, concluiu que a inclusão de políticas públicas
voltadas ao fortalecimento dos serviços de saúde reprodutiva e o incentivo ao uso de métodos
anticoncepcionais modernos têm sido eficazes na diminuição das taxas de natalidade em várias
regiões do país.

O planeamento familiar engloba um conjunto de práticas e medidas que ajudam casais e


indivíduos a alcançar o número desejado de filhos e a determinar o intervalo entre os
nascimentos. O objectivo é promover o bem-estar físico, emocional e económico dos membros
da família, contribuindo para uma saúde materno-infantil mais robusta. O planeamento familiar
inclui não apenas a prevenção da gravidez, mas também o aconselhamento pré-concepcional, que
é essencial para avaliar e optimizar a saúde física e emocional dos futuros pais. Este processo
envolve o rastreamento de condições médicas pré-existentes, orientação sobre estilo de vida
saudável e a identificação de factores de risco que possam impactar a gravidez (Barros, 1993;
Diniz, 2010)

Segundo a OMS (2007) o planeamento familiar (PF) é um conjunto de actividades destinadas a


promover uma vida sexual saudável, evitar os nascimentos indesejados, determinar o número de
crianças que constituirão a família e favorecer o nascimento em função da idade dos pais.

De acordo MISAU (2006), o Planeamento Familiar constitui uma intervenção chave para a
melhoria da Saúde da Mulher e da Criança. Uma implementação efectiva do Planeamento
Familiar (fundamentalmente com recurso aos métodos anticonceptivos modernos e de longa
duração) tem um impacto directo no espaçamento entre os filhos e leva a um impacto importante
na redução da morbimortalidade materna.

Planeamento Familiar é um conjunto de acções que permitem às mulheres e aos homens escolher
quando querem ter um filho, o número de filhos que querem ter e o espaçamento entre o
nascimento dos seus filhos. (Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres,
2001:25).
18

O Planeamento familiar é muitas vezes considerado sinónimo de contracepção, sendo o


Planeamento Familiar um dos serviços habitualmente utilizados por quem quer fazer alguma
forma de contracepção (Nodin, 2002).

1.1 Planeamento familiar na África Austral

A maior parte do crescimento da população mundial ocorre nos países pobres e em vias de
desenvolvimento, porque as políticas de saúde reprodutiva estão concebidas na perspectiva de
controlo da taxa de estabilização de crescimento populacional rápido, e cujo desenvolvimento
socioeconómico é mais travado pela fecundidade alta (Mariano e Paulo 2009). As autoras dizem
que se estima que mais de 1/3 dos recursos ginecológicos e planeamento familiar são dedicados
na infertilidade e problema relacionado com os mesmos. Por outo lado em relação ao
planeamento familiar revela que existe uma fraca promoção e a procura dos métodos
contraceptivos e a aconselhamento na área do planeamento familiar, entre os provedores de
saúde e limitada.

O leque de oposições dos métodos de planeamento familiar e limitado e os métodos mais


conhecidos e utilizados na contracepção são injectáveis e a pílula. Os métodos de acção
prolongada tais como o dispositivo utra-uterino DIU e implantes são altamente eficaz na
prevenção de gravidez, e em 2012 os implantes foram em Moçambique introduzidos como novos
métodos de PF e tem o potencial de se situar entre os métodos escolhidos (Misau 2001).

A infertilidade em África é elevada, o temor da infertilidade faz os casais relutarem em adoptar


métodos contraceptivos. Assim, embora a infecundidade elevada mantenha a fertilidade em
níveis baixos, ela também impede o uso de contraceptivos e desacelera o eventual declínio da
fertilidade. Os programas de planeamento familiar podem evitar a infecundidade, a literatura
antropológica apresenta a infertilidade como a capacidade de conceber, de dar a luz a uma
criança, isto é, um problema de saúde que pode ter efeitos em termos de satisfação individual e o
bem-estar (Mariano e Paulo 2009).

Segundo Demarque et al. (2014), definem a infertilidade como a ausência de gravidez após dozes
de relações sexuais sem nenhum método contraceptivo, e essa infertilidade pode ser classificada
como primária (não tem filhos) ou secundaria (incapacidade de conceber outros filhos) e a
esterilidade secundária (a impossibilidade de conceber ou voltar a dar à luz depois do primeiro
19

parto), porque informam acerca das causas de esterilidade e tomam disponíveis os meios de
contracepção, que permitem às adolescentes adiar a gravidez e às mulheres evitarem a gravidez
não desejada que pode ser interrompida por um aborto ilegal, uma das principais causas da
esterilidade secundária.

A variedade de métodos anticoncepcionais disponíveis e a suspensão ou eliminação das


restrições a seu uso possibilitarão aos casais escolher o método mais adequado a seu caso e
difundir mais o uso de contraceptivos. Mulheres jovens costumam preferir a pílula e os
espermicidas; as mais velhas preferem métodos mais duradouros, como o Dispositivo Intra-
uterino (DIU) ou injecções, ou mesmo a esterilização. Actualmente 34% dos casais africanos
recorrem à contracepção. Mas é cada vez mais evidente que, as baixas taxas de uso de
contraceptivos na África subsaariana não decorrem da falta de interesse no planeamento familiar,
e sim da pouca disponibilidade de contraceptivos (Lee et al., 1992).

1.2 Planeamento familiar em Moçambique

Em Moçambique, a gravidez indesejada é mais frequente nas adolescentes, e quase 17% das
adolescentes entre os 15-19 anos tiveram já um filho. Isso devido a não respeito dos valores pela
sociedade tradicional, particularmente nas áreas urbanas. As adolescentes adoptam a cultura
ocidental incluindo a prática de relações sexuais livres, apesar dos serviços de planeamento
familiar e preservativos serem maioritariamente oferecidos gratuitamente. Por outro lado, a
educação sexual nas escolas é ainda pobre ou não existe e visto que a sexualidade é um tabu, os
pais não a discutem com os seus filhos adolescentes (MAAS, 2012).

Em Moçambique, a taxa de prevalência de contraceptivos é ainda muito baixa, sem grandes


melhorias ao longo dos últimos anos. A taxa de prevalência de contraceptivos para métodos
modernos entre as mulheres casadas/unidas aumentou de 5.3% em 1997 para 11.7% em 2003,
tendo permanecido em 11.3% em 2011 (IDS 2011). Comparando com os países da África
Austral, verifica-se que o nível de uso disparidades por área de residência, província e demais de
contracepção em Moçambique é ainda uma das mais características sociodemográficas no uso de
planeamento baixos da região, (Idem).

Segundo Mariano e Paulo (2009) afirmam que o conhecimento acerca dos contraceptivos é
também ainda muito limitado e mesmo, quando existe, muitos adolescentes têm as suas relações
20

desprotegidas. Consequentemente a gravidez indesejada na mulher adolescente é frequente e


muitas a terminam recorrendo a um aborto inseguro. A taxa de infertilidade é alta entre os
macuas em relação aos tsongas devido ao modelo de casamento e sexualidade. Os macuas
casam-se cedo e apresentam uma instabilidade matrimonial que se caracteriza por uma
permissividade sexual que incluía as relações extra matrimoniais.

MISAU (2001) mostra que os métodos de contracepção mais usados em Moçambique são os
injectáveis e a pílula, para além do preservativo. Dados da OMS indicam que nos países em
Desenvolvimento, grupo do qual Moçambique faz parte, cerca de 201 milhões de mulheres não
fazem o planeamento familiar, das quais 137 milhões correm o risco de uma gravidez não
desejada por não estarem a utilizar contraceptivos. Enquanto isso, 64 milhões de mulheres
utilizam métodos contraceptivos tradicionais que são considerados pouco eficazes. No geral
quanto aos métodos contraceptivos a pílula é mais utilizada seguindo o preservativo a razão disso
tem a ver com o facto de por um lado PF ser encarado como responsabilidade das mulheres pois
elas é que ficam grávidas, mas por outro elas são que tem maior contacto com questões de
contracepção.

1.3 Enquadramento teórico

O estudo foi orientado a luz da perspectiva construtivista de Peter Berger e Thomas Luckmann.
Os autores constroem a sua teoria no seu livro "A Construção Social da Realidade – Tratado da
Sociologia do Conhecimento" (2004). Os autores partem do pressuposto segundo o qual a
construção da realidade social dá-se tendo em conta a dualidade entre a realidade objectiva
(estrutura) e a realidade subjectiva (interiorização da estrutura).

Na sua proposta teórica para a sociologia do conhecimento, Berger e Luckmann partem da tese
segundo a qual a realidade é construída socialmente e concebem a sociologia como a ciência que
se deve preocupar em analisar o processo em que se dá essa construção. Nesse prisma, tomam
como primeiro aspecto da colocação da sua proposta teórica, o conceito de “realidade” e
“conhecimento”.

Em primeiro lugar, definem "realidade" como uma qualidade pertencente a fenómenos que
reconhecem ter um ser independente de nossa própria volição (não podem "desejar que não
existam"). Em segundo lugar, definem "conhecimento" como a certeza de que os fenómenos são
21

reais e possuem características específicas. Contudo, os autores advogam o facto de os conceitos


terem uma dupla conotação, o primeiro que diz respeito ao significado atribuído pelos actores
sociais e o segundo pela sociologia. Uma sociologia da construção social da realidade deve focar
no processo pelo qual os actores sociais concebem a realidade e como é que os mesmos
produzem o conhecimento sobre a mesma, independentemente da sua validade ou não.

Berger e Luckmann (2004) focalizam a sua análise no mundo da vida quotidiana, advogando que
o mesmo é construído pelos actores sociais. A vida quotidiana apresenta-se como uma realidade
interpretada pelos homens e subjectivamente dotada de sentido para eles na medida em que
forma um mundo coerente. É nesse contexto que os autores concebem as actividades dos homens
na vida quotidiana como sendo susceptíveis de análise sociológica.

Na vida quotidiana, a realidade é partilhada com os outros. A mais importante dessa experiência
de partilha com os outros é através da interacção face a face, na qual a apreensão de um pelo
outro é resultado do vivido presente partilhado pelos elementos da interacção, o agora e o aqui de
cada um coincidem. Nessa interacção, as componentes trocam significados que lhes facilitam
interagir

No âmbito da ideia da socialização, encontra-se a socialização secundária, onde os autores


advogam que é possível conceber uma sociedade na qual não haja uma outra socialização depois
da primária, mas tal sociedade seria uma possuidora de conhecimentos simples. Não obstante, a
que ressaltar que o facto da existência da divisão de trabalho e a distribuição de conhecimento na
sociedade torna se pertinente a existência de uma socialização secundária. Os autores olham a
socialização secundária como sendo a interiorização de "submundos" institucionais ou baseados
em instituições. A socialização secundária é a aquisição do conhecimento de funções específicas,
funções directa ou indirectamente com raízes na divisão do trabalho (Berger e Luckmann, 2004).

A socialização secundária é necessária para a divisão social do trabalho que suscita uma
distribuição social do conhecimento que irá possibilitar os indivíduos a interiorizar outros
significados das coisas. É a partir dessa ideia que os autores olham para a socialização secundária
como indispensável para a compreensão e análise da realidade objectiva e subjectiva. Observar
para essas duas realidades e tendo em conta tanto a socialização primária assim como a
22

secundária é focalizar no aspecto crucial que é a distribuição social do conhecimento da


sociedade.

Berger e Luckmann estabelecem uma diferença quanto a socialização primária e a socialização


secundária. No primeiro tipo, a socialização é dada automaticamente e no segundo tipo, a
socialização é reforçada por questões pedagógicas específicas ao indivíduo. Os dois tipos de
socialização envolvem momentos de entrega diferentes, ou seja, enquanto no primeiro, a entrega
para a interiorização do conhecimento é emocional, no segundo tipo é racional.

Nesse sentido, a perspectiva construtivista da realidade social de Berger e Luckmann ofereceu


alicerces que servirão de base nas análises deste estudo, na medida em que o estudo busca
analisar os factores de e à não adesão aos seus serviços de Planeamento Familiar no Bairro da
Mafalala.

Um outro aspecto importante da perspectiva construtivista da realidade social para o presente


estudo, tem que ver com o facto de que a adesão ou a não adesão ao Planeamento Familiar
também pode se feita em função da interiorização e atribuição de significados subjectivos da
realidade social. É nesse contexto em que a ideia de realidade subjectiva afigura-se importante
no estudo na medida em que permitira a adesão ou não adesão como sendo motivada pela
percepção que as mulheres têm acerca do acervo de conhecimento existente na realidade
objectiva.

1.4 Definição e operacionalização dos conceitos

1.4.1 Socialização

Segundo Berger e Luckmann (2004), a socialização é o processo através do qual um indivíduo se


torna membro da sociedade, internalizando valores, normas, papéis e a própria realidade
social. Este processo ocorre em duas fases principais: socialização primária e secundária.

Socialização Primária: É a primeira fase, geralmente na infância, onde o indivíduo aprende os


fundamentos da sociedade, através da família e outras figuras importantes. Nessa fase, a
internalização da realidade é intensa e incondicional, formando a base da identidade do
indivíduo, (Berger e Luckmann, 2004).
23

Socialização Secundária: Ocorre ao longo da vida, em diferentes contextos sociais (escola,


trabalho, amigos, etc.). Nessa fase, o indivíduo aprende a lidar com novas situações, papéis e
conhecimentos, integrando-se a outros sectores da sociedade, (Idem).

Em Sociologia, socialização é o processo pelo qual o indivíduo, no sentido biológico, é integrado


numa sociedade. Através da socialização o indivíduo desenvolve o sentimento colectivo da
solidariedade social e do espírito de cooperação., adquirindo os hábitos que o capacitam para
viver numa sociedade.

Socialização significa aprendizagem ou educação, no sentido mais amplo da palavra,


aprendizagem essa que começa na primeira infância e só termina com a morte doa pessoa. O
processo de socialização é essencial para a transmissão da ordem social de geração em
geração. Através da socialização, os indivíduos internalizam os significados e valores
simbólicos, tornando-se membros competentes da sociedade. A socialização primária, que
ocorre na infância, é particularmente importante para a formação da identidade e da visão de
mundo do indivíduo.

1.4.2 Subjectividade

Moron (2017), caracteriza a subjectividade como uma constituição do sujeito a partir do


reconhecimento do outro e do eu, isso acontece porque na medida em que reconhecemos o outro
como diferente e o outro nos reconhece como diferente, nos constituímos sujeito para o outro e o
outro se constitui sujeito para nós.

De acordo com Berger e Luckmann (2004), a objectividade é uma construção social, não uma
realidade inerente. A sociedade é vista como uma produção humana que, uma vez estabelecida,
age sobre seus criadores como algo externo e coercivo. A objectividade, portanto, surge através
de processos de internalização e externalização, onde as experiências subjectivas são
objectivadas e se tornam fatos sociais.

Os mesmos autores argumentam que a objectividade não é uma característica intrínseca do


mundo, mas sim uma construção social. A realidade objectiva é criada através de um ciclo de
externalização, objectivação e internalização, onde as acções humanas se tornam fatos sociais
que, por sua vez, moldam a consciência individual, (Idem).
24

Dessa forma, a objectividade é vista como um produto social, uma construção contínua que
ocorre através da interacção humana e da internalização de normas e valores sociais. A
sociedade, por sua vez, é percebida como uma realidade objectiva que exerce influência sobre os
indivíduos, moldando suas acções e percepções.

1.4.3 Simbolismo
Segundo Berger e Luckmann (2004), abordam o simbolismo como um componente crucial na
construção da realidade social. Eles argumentam que os símbolos são formas de objectivação que
permitem a comunicação e a transmissão de significado entre os indivíduos, contribuindo para a
criação e manutenção de uma ordem social compartilhada.

Berger e Luckmann (2004), afirmam que os símbolos e sistemas simbólicos desempenham um


papel fundamental nesse processo de legitimação, tornando as normas e valores sociais
subjectivamente plausíveis e justificáveis.

A compreensão do simbolismo é fundamental para entender como a realidade social é


construída, mantida e transmitida.

1.4.4 Realidade Social

A realidade social é um produto da interacção humana, construída através de processos contínuos


de externalização, objectificação e internalização. A sociedade, portanto, não é uma entidade pré-
existente, mas sim o resultado da actividade humana e, ao mesmo tempo, uma realidade
objectiva que influencia os indivíduos, (Berger e Luckmann, 2004).

De acordo com Berger e Luckmann (2004), a realidade social é uma construção humana
contínua, resultante da interacção entre acções individuais e a sociedade, onde o indivíduo e a
sociedade se moldam mutuamente.

A realidade social não é uma entidade estática, mas sim um processo dinâmico de construção e
reconstrução contínua, no qual o simbolismo desempenha um papel central, (Idem).

A realidade social não é fixa ou imutável, mas sim um processo dinâmico, constantemente sendo
construído e reconstruído pelos indivíduos.
25

2 CAPITULO II. METODOLOGIA DO ESTUDO

Nesta secção, procura-se traçar os eixos metodológicos que norteiam o nosso trabalho pois,
qualquer trabalho de investigação pressupõe a selecção e utilização de métodos e técnicas de
recolha dos dados necessários para a corporificação do mesmo. Assim metodologia, segundo Gil,
é uma actividade básica das ciências na sua integração e descoberta da realidade. Ė uma atitude
que envolve caminhos, formas, maneiras, procedimentos para atingir determinado objectivo.

2.1 Método de Abordagem

Esta pesquisa será realizada com recurso à abordagem qualitativa. De acordo com Richardson
(1999, p.70) “o método qualitativo, é aquele que não emprega um instrumento estatístico como
base de análise de um problema”. A sua vantagem consiste em respeitar a totalidade solidária dos
grupos, ao estudar, em primeiro lugar a vida do grupo em unidade concreta; evitando a
dissociação prematura de seus elementos e, em penetrar na sua possibilidade na realidade social,
o que não é conseguido pelo método quantitativo, ou seja, este método é importante para este
estudo, pois partir-se-á dos pontos de vista dos participantes sobre a adesa ou não adesão ao
Planeamento Familiar.

A abordagem qualitativa possibilitou-nos analisar os factores de e à não adesão aos seus serviços
de Planeamento Familiar no Bairro da Mafalala. A partir dos discursos dos actores sociais
envolvidos, buscou-se os significados subjacentes a adesão ou não adesão ao Planeamento
Familiar. Esse facto permitiu-nos em última instância analisar os factores de adesão e não adesão
ao Planeamento Familiar.

2.2 Método de procedimento


Quanto aos procedimentos técnicos é um estudo de caso pois visa conhecer em profundidade os
factores de adesão e não adesão ao Planeamento Familiar como e o porquê da, procurando
descobrir o que há nela de mais essencial e característico. Para Fonseca (2002, p. 33), o estudo
de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva interpretativa, que procura compreender
como é o mundo do ponto de vista dos participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa
simplesmente apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do
objecto de estudo do ponto de vista do investigador. Neste procedimento técnico permitiu
26

analisar os factos de ponto de vista empírico e possibilitou confrontar a visão teórica com os
dados da realidade. Para tal, foi realizada a pesquisa bibliográfica e documental.

2.3 Instrumentos e Técnicas de recolha de dados


Nesta fase apresentou-se as técnicas e instrumentos usados no campo de estudo para recolha de
dados, salientar que estas técnicas possibilitaram a realização completa deste trabalho. Segundo
Sousa & Baptista (2001, cit em Barbosa, 1999), as técnicas de recolha de dados que se adequam
aos estudos qualitativos são: pesquisa documental, entrevista, e inquérito.

Moresi (2003) define a técnica de recolha de dados como “um conjunto de processos e
instrumentos elaborados para garantir o registo de informações, a colecta e análise de dados”.

2.3.1 Entrevista semiestruturada


A entrevista é uma técnica importante para a recolha de dados e pode-se usar em simultâneo com
outras técnicas de recolha de dados, ajudando desse modo ao pesquisador desenvolver de forma
mais nítida um parecer sobre a forma como os sujeitos da pesquisa interpretam um determinado
assunto.

Para HILL& HILL (2009), a principal vantagem que a entrevista tem é o facto de permitir uma
recolha directa de dados que é feita a partir dos actores sociais, o que permite indagar de forma
detalhada a percepção dos mesmos no que se refere a investigação.

Em nossa pesquisa recorreu-se a entrevista pelo facto de ser um instrumento que permite obter
informações verbalizadas e explicadas detalhadamente pelo entrevistado, permitindo deste modo
ao pesquisador desenvolver ideias em torno do que as participantes da pesquisa pensa a cerca da
Planeamento Familiar. Para tal elaboramos um guião de entrevistas com questões definidas
previamente, tendo em conta os nossos objectivos específicos e o mesmo foi administrado a
jovens mulheres residentes no Bairro da Mafalala, que se encontram na faixa etária dos 18 a 35
anos de idade.

A entrevista semi-estruturada permitiu uma maior abertura no decorrer da entrevista, onde


puderam surgir questões que não foram previamente elaboradas. Também permitiu uma maior
liberdade de expressão aos entrevistados. Essa técnica permitiu captar informações detalhadas e
de forma aprofundada. Essa técnica permitiu proporcionar um diálogo descontraído e facilitou a
27

recolha de informações relevantes no que diz respeito às percepções como motivadoras na


escolha da adesão e não adesão.

Importa referir que as entrevistas foram feitas de forma individualizada em lugares previamente
estabelecidos pelo pesquisadora e as entrevistadas, não obstante ter-se dado prerrogativa da
escolha do lugar para a prossecução das entrevistas as próprias entrevistadas. Nesse sentido, na
maioria das vezes teve que se deslocar ao encontro das entrevistadas. Importa referir ainda que
os dados foram colhidos com recurso a um aparelho gravador, onde pode-se gravar as entrevistas
com o consentimento das entrevistadas.

2.3.2 Pesquisa Bibliográfica


A pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de material já publicado, fonte secundaria,
constituído, principalmente de livros, artigos, de jornais científicos e, actualmente, também de
artigos publicados em portais científicos na internet. Esta técnica foi importante no âmbito da
elaboração da presente monografia uma vez que ajudou na consulta de manuais, artigos e teses
que abordam sobre o tema em estudo. Para o efeito, foram feitas consultas em bibliotecas
existentes nas diversas universidades, nas bibliotecas públicas e privadas.

2.4 População e Amostra


De acordo com GIL (2007) a população vai ser a totalidade dos indivíduos que possuem as
mesmas características definidas para um determinado estudo. Nesta linha, a população do nosso
estudo será constituída será constituída por indivíduos de sexo feminino (mulheres) com idade de
14 aos 45 anos de idade.

O estudo teve como suporte a amostragem não probabilística, do tipo intencional. Nessa
amostragem, segundo Richardson (1999) os elementos que formam a amostra relacionam-se
intencionalmente de acordo com certas características estabelecidas no plano e nas hipóteses
formuladas pelo pesquisador. A amostra intencional consiste em usar um determinado critério e
escolher intencionalmente um grupo de elementos que irão compor a amostra. O investigador
selecciona os grupos da população dos quais deseja saber as suas características típicas e deles
pretende obter a informação desejada (Mulenga, 2010). Nessa ordem de ideias, serão
entrevistados 20 jovens de forma intencional, tendo em conta o critério de ser do sexo feminino
com idade compreendida dos 18 aos 35 anos de idade.
28

2.5 Métodos de análise de dados

Os dados desta pesquisa serão tratados por meio de métodos qualitativos, baseados em análise
descritiva dos conteúdos com objectivo de subsidiarem as análises e conclusões correspondentes
aos dados pesquisados, pois esses dados serão transformados em texto. Este método será usado
para descrever as percepções que as mulheres do Bairro da Mafalala têm sobre o PF. Os estudos
descritivos pretendem analisar como se manifesta um fenómeno e os seus componentes e
permitem estudar o fenómeno pormenorizadamente através da avaliação de um ou mais
atributos. Servem para aumentar os conhecimentos das características e dimensões de um
problema (Vilelas, 2009).

2.6 Considerações éticas

Tendo em conta a ética na pesquisa, todo esforço será feito para minimizar qualquer tipo de
prejuízos no local da pesquisa, decorrentes da realização deste estudo, neste caso no Bairro da
Mafalala. Todos os participantes serão convidados a participar livremente no estudo e o seu
consentimento será documentado através da ficha de consentimento informado. Durante todas
etapas de recolha, processamento de dados e redacção do relatório final será mantida a
privacidade, confidencialidade e anonimato das fontes primárias de dados.

2.7 Constrangimentos e formas de Superação


O primeiro constrangimento no âmbito da elaboração do presente estudo, foi o facto de escassez
da literatura sociológica que aborda a temática do Planeamento Familiar, e para tal tivemos que
nos socorrer da literatura do campo da saúde.

O segundo constrangimento, foi encontrado no campo no âmbito da recolha da informação para


a efetivação deste trabalho. Alguns participantes não responderam condignamente as questões
preconizadas no nosso guião de entrevista, visto que, os mesmos esquivavam da assunção e
aceitação da condição social de mãe solteira. Não querendo assumir uma posição antropocêntrica
no campo, tive que adoptar uma nova postura na qual perguntava apenas sobre o Planeamento
Familiar no seu todo.
29

3 CAPITULO III: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS


Após a recolha de dados e informações inerentes ao assunto em estudo, apresentou-se de forma
descrita e detalhada, como a pesquisa foi desenvolvida, com a apresentação de resultados obtidos
de modo a solucionar a pergunta de pesquisa e alcançar os objectivos traçados.

3.1 Localização Geográfica e Aspectos Histórico-Culturais do Bairro da Mafalala


Geograficamente o Bairro da Mafalala localiza-se na cidade de Maputo. O bairro tem uma área
de 250 km2. A norte é limitado pelo mercado Adelina, a sul pela Avenida Marion Ngoabi, a
Oeste pela Avenida Acordos de Lusaka, a Este pela Avenida da Angola. O bairro da Mafalala é
composto por três células, A, B, e C que estas se subdividem em cinquenta e sete blocos. Embora
os residentes do bairro da Mafalala vivam em células separadas, estes encontram-se em
diferentes ocasiões e com frequência em sítios como: mesquitas, mercados, escolas, ruas, postos
administrativos (onde tratam os documentos e resolver os conflitos) entre outros espaços (Paulo
2004:9).

O Bairro possui água canalizada, electricidade. Antes de se designar Mafalala, o bairro era
conhecido por Munhuana, que significa “água salgada” nas línguas Ronga e Changana, porque a
área já esteve debaixo do nível das águas do mar. O nome muda para Mafalala na altura em que
marinheiros vindos da ilha de Moçambique, Província de Nampula, norte de Moçambique se
estabelecerão nesta região (idem).

O tipo de casa predominantes no bairro da Mafalala, é feito de chapa de zinco e madeira, as


paredes são de chapa de zinco assim como a cobertura das casas, onde a madeira tem o papel de
suportar as casas como pilar, estas casas tem um valor histórico.

Em termos de actividades económicas do migrantes de Nampula residentes no bairro da


Mafalala, geralmente a mais importante esta no sector informal fazendo pequenos negócios
como venda de legumes e verduras, outras profissões que são exercidas por migrantes
entrevistados durante o presente trabalho, são os ofícios de pedreiro e alfaiate, estas profissões
conforme podemos observar são praticadas por jovens, segundo os entrevistado, estes ofícios
esta a ser transmitido a partir dos mais velhos.
30

3.2 Perfil sociodemográfico das mulheres que utilizam e não utilizam os serviços de
Planeamento Familiar no Bairro da Mafalala
Nesta parte de trabalho, propusemo-nos a apresentar o perfil sociodemográfico das participantes
da pesquisa. Para tornar possível a realização desta pesquisa trabalhamos com um total de 17
entrevistadas que se encontram a residir no Bairro da Mafalala.

Tabela 1: Perfil sócio - demográfico dos participantes da pesquisa


Código do Idade Estado Nível de Profissão Renda Número
participante Civil escolaridade mensal de
filhos
M1 20 Solteira 10ª classe Vendedeira 3000 MT 1filho
anos
M2 22 Solteira 12 ª classe Vendedeira 2500MT 1filho
anos
M3 21 Solteira 10ª classe Vendedeira 2000MT 1 filho
anos
M4 20 Solteira 12 ª classe Vendedeira 2750 MT 1 filhos
anos
M5 26 Solteira 12 ª classe Vendedeira 6500 MT 2 filhos
anos
M6 24 Solteira 12 ª classe Vendedeira 2000 MT 1 filho
anos
M7 25 Solteira 12 ª classe Costureira 7500MT 1 filho
anos
M8 26 Solteira 8ª classe Vendedeira 2000 MT 3 filhos
anos
M9 22 Solteira 9 ª classe Vendedeira 3000 MT 1 filho
anos
M10 29 Solteira 12 ª classe Vendedeira 4000 MT 3 filhos
anos
M11 23 Solteira 12 ª classe Promotor de 7500 MT 1 filhos
anos vendas
M12 35 Solteira 10ª classe Funcionária 8758 MT 2 filhos
anos pública
M13 19 Solteira 10ª classe Empregado 4500 MT 2 filhos
anos domestica
M14 26 Solteira 12 ª classe Confeiteira 10000 MT 1 filho
anos
M15 31 Solteira 7ª classe Recepcionist 12000 MT 2 filhos
anos a
M16 20 Solteira 12 ª classe Secretária 11000 MT 2 filhos
anos
M17 28 Solteira 12 ª classe Vendedeira 2000 2 filhos
anos
Fonte: Dados da Pesquisa
31

A tabela mostra que a amostra é composta principalmente por mulheres solteiras e jovens, muitas
das quais não têm renda ou trabalham como vendedoras, sugerindo uma possível vulnerabilidade
socioeconómica.

A predominância de participantes solteiras na amostra é um dado significativo que ecoa


discussões sobre a crescente incidência de famílias monoparentais, particularmente aquelas
chefiadas por mulheres, em diversas partes do mundo. A literatura aponta que se refere à mulher
responsável pela criação dos filhos sem a participação de um parceiro, é uma construção social
que reflecte as mudanças nas estruturas familiares e nas percepções sobre a maternidade e a
parental idade (Berger e Luckmann, 2004). A condição de "solteira" para a maioria das
participantes, aliada à presença de filhos, sugere a relevância de analisar as estratégias de
subsistência e os arranjos familiares em face da ausência de um parceiro.

Observa-se que a maioria dos participantes possui o ensino médio completo (12ª classe), um
nível de escolaridade que, em teoria, deveria abrir portas para melhores oportunidades no
mercado de trabalho formal. Contudo, a realidade apresentada pela tabela, com muitos grande
parte trabalhando como "Vendedeira" no sector informal, remete à literatura sobre a
descompasso entre qualificação educacional e inserção profissional em economias em
desenvolvimento.

A presença de participantes com níveis mais baixos de escolaridade (7ª, 8ª, 9ª e 10ª classes)
reforça a heterogeneidade educacional da amostra, um factor que a literatura sobre estratificação
social e desigualdade de oportunidades destaca como determinante para a trajectória de vida.

Acreditamos que a baixa escolaridade pode ser um factor relacionado ao conhecimento de


método contraceptivo de massa, como é o caso da pílula amplamente divulgado pela media e
pelos laboratórios que realizam a sua fabricação, pois realizam um trabalho sistemático através
dos seus propagandistas de visitas regulares aos médicos, responsáveis pela prescrição destes e
de outros métodos contraceptivos.

A presença de "Funcionária pública", "Empregado doméstica". "Confeiteira", "Costureira",


"Promotora de vendas" e "Recepcionista" adiciona nuance à discussão, mostrando uma
diversidade de inserções, mas que, excepto para funcionários públicos, também podem
apresentar graus variados de vulnerabilidade.
32

A faixa etária dos participantes (de 18 a 35 anos), combinada com o número de filhos, pudesse
aferir que a idade média das participantes é de 24,8 anos e o facto de a maioria ter 1 filho, sugere
que essas mulheres estão assumindo responsabilidades parentais muito cedo. O número de filhos
por mulheres varia conforme a região ou classe social. A maior parte das mulheres tem
demonstrado preferência por um número reduzido de filhos, o que pode estar relacionado com as
condições económicas, com a política adoptada pelo País nas questões referentes ao planeamento
familiar ou mesmo com outros interesses pessoais como estudar e trabalhar, enfim, poder se
dedicar a outras actividades pessoais e profissionais, que não tenham funções exclusivas ligadas
à maternidade. Exclusivas ligadas à maternidade.

3.3 Percepção das Mulheres do Bairro da Mafalala sobre o Planeamento Familiar


Nessa categoria, estão contempladas as respostas que demonstram as percepções das participantes a
respeito do Programa de Planeamento Familiar, abordando conceito, importância, função de vantagens e
desvantagens, etc.

A partir das respostas, foi possível perceber que as participantes foram unânimes ao consideram o
planeamento da familiar uma acção positiva, o que pode ser identificado nos trechos a seguir:

" Planeamento é um método para prevenir a gravidez e doenças de transmissão sexual, hoje em
dia o preservativo é importante, porque a gente não sabe o que as pessoas têm. É no
planeamento familiar onde aprendemos coisas que a gente não sabe em casa". (M1, 20 anos de
idade.)

Percebe-se com esses depoimentos que a percepção que as entrevistadas têm sobre o PF é
influenciada pelas informações que elas têm a cerca dos mesmos, estimulando-as a percepcionar
e posteriormente usar um método em termos de vantagens ou desvantagens que cada método
apresenta. a percepção da realidade é um processo socialmente construído, onde a sociedade
molda a forma como percebemos o mundo e a nós mesmos. Eles argumentam que a realidade
não é uma entidade fixa e objectiva, mas sim uma construção social que emerge das interacções
humanas e da internalização de significados compartilhados (Berger e Luckmann, 2004).
Recorrendo ao quadro teórico, se pode constatar que a interiorização desses conhecimentos sobre
o PF, permite legitimar a percepção social existente sobre os mesmos. Segundo Berger e
Luckmann (2004) existe o processo de legitimação, que se dá a partir do entendimento da origem
dos universos simbólicos, dos mecanismos conceituais para a sua manutenção e das acções das
33

organizações sociais no papel de manutenção deste universo. A partir do significado das coisas,
do universo simbólico, é que se objectiva a realidade.

Dentre as abordagens sobre o planeamento familiar, as participantes ressaltam que este contribui
não apenas para evitar uma gravidez indesejada mas também para incentivar a prevenção de
infecções de transmissão Sexual (ITs), como identificada a seguir:

" O planeamento familiar é importante porque orienta, planeja, determina o tempo da fertilidade
da mulher, não só como também dá o poder de escolha a mulher de decidir quando e quantos
filhos podem ter, para além de garante segurança na altura de ter filhos" (M6, 24 anos de
idade).

De acordo com as respostas das participantes percebe-se que existe um conhecimento considerável que
diz respeito à existência de vários métodos contraceptivos, esse facto pode-se constatar nos depoimentos
abaixo:

" Conheço e já ouvi falar do DIU, implante, pílula e preservativo (masculino e feminino). O que
mais uso é o preservativo por ser o mais seguro e eficaz. Posso dizer que conheço todos os
métodos de planeamento familiar". (M10, 29 de idade).

Os depoimentos acima são uma evidência que demonstra claramente que as entrevistadas
possuem um certo conhecimento acerca da existência de vários métodos de PF. Este facto que
permite perceber que há transmissão de conhecimento social acerca da realidade que tange as
questões de saúde sexual e reprodutiva. Contudo, esses mesmos depoimentos não permitem
compreender até que ponto esse mesmo conhecimento se afigura sólido em termos de
implicações e consequências no seu uso. As participantes consideram adequado o seu
conhecimento em relação aos métodos contraceptivos, pois elas afirmam ter conhecimento de
todos métodos de Planeamento Familiar.

Apesar dos dados não permitirem compreender as diversas facetas dimensionais sobre o
conhecimento possuído acerca da existência de vários métodos contraceptivos, é possível
destacar que existe uma certa fonte de aquisição e transmissão desse mesmo conhecimento sobre
essa realidade social.
34

O planeamento familiar no bairro da Mafalala, assim como em qualquer outro local, traz diversas
vantagens para a saúde individual e familiar, além de contribuir para o desenvolvimento
socioeconómico da comunidade. Destacam-se a redução da mortalidade materna e infantil, a
prevenção de gravidezes indesejadas, a melhoria da saúde reprodutiva e a possibilidade de
planejar o tamanho da família de acordo com as necessidades e possibilidades do casal, seguem-
se os depoimentos das participantes:

" As vantagens que o planeamento familiar tem é que permitem que as mulheres tenham tempo
para se recuperar entre as gravidezes e reduz os riscos de complicações durante a gestação e o
parto, aumentando as chances de sobrevivência tanto da mãe quanto do bebé" (M15, 31 anos de
idade).

Os dados apresentados demonstram que o planeamento familiar é uma ferramenta indispensável


para a promoção da saúde individual e colectiva. Ele não apenas empodera as mulheres a
tomarem decisões informadas sobre a sua saúde reprodutiva, mas também contribui
significativamente para a redução da mortalidade materna e infantil, a prevenção de doenças e a
melhoria da qualidade de vida das famílias e comunidades. Investir em serviços de planeamento
familiar acessíveis e de qualidade é, portanto, um investimento directo no desenvolvimento
humano e na sustentabilidade social.

O planeamento familiar compreende uma série de acções, protocolos e medidas que visam
oferecer à população aconselhamento, educação em saúde e acesso a métodos contraceptivos
contemporâneos, permitindo que os indivíduos exerçam o seu direito de tomar decisões livres e
responsáveis sobre a maternidade, incluindo a escolha do momento e do número ideal de filhos.

O planeamento familiar é uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde, o bem-estar e o


desenvolvimento da comunidade da Mafalala, permitindo que as pessoas tenham mais controle
sobre suas vidas reprodutivas e tomem decisões informadas sobre o futuro de suas famílias.

3.4 Factores associados a adesão e não adesão ao Planeamento Familiar das mulheres no
Bairro da Mafalala
As razões para não adesão ao PF consistem no medo que as informantes têm. São várias razões
para não adesão ao PF, as informantes durante a conversa mostram ter receio de uso de métodos
35

contraceptivos, pois o meio social em que se encontram a melhor forma para não contrair
doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce é a abstinência.

Algumas das informantes como é o caso da M8, afirmaram que tiveram sempre informações a
partir dos meios que difundem a informação, que é a questão das revistas, mas não adere o
planeamento familiar visto que é para pessoas que já têm filhos. Por outro lado, existe um medo
de serem rotuladas pelo namorado ao saber que elas aderem o planeamento familiar. Eis aqui os
depoimentos da participante M8 sobre a não adesão ao PF

" Não há Centro de Saúde aqui no bairro e isso faz com que o acesso a serviços de planeamento
familiar seja difícil, para meu caso não foi só a falta de Centro de Saúde aqui no Bairro, o que
acontece é tive uma experiência negativa com métodos contraceptivos, o que me levou não fazer
mais o Planeamento Familiar". (M8, 26 anos de idade)

Os principais factores que influenciam a adesão ao planeamento familiar em Maputo,


concretamente no Bairro da Mafalala, assim como as percepções das mulheres, podem ser
agrupados em factores socioeconómicos, culturais e de acesso a serviços de saúde. Mulheres
com maior escolaridade e renda tendem a ter maior adesão ao planeamento familiar, enquanto
mulheres mais jovens, com menor escolaridade e menor renda, e aquelas que não têm
companheiro, podem apresentar maiores dificuldades na adesão. Além disso, factores culturais e
religiosos podem influenciar as decisões reprodutivas das mulheres, assim como a
disponibilidade e a qualidade dos serviços de saúde reprodutiva, incluindo o acesso a diferentes
métodos de PF.

A percepção da gravidade de uma gravidez indesejada e uma maior auto-eficácia em relação ao


uso de contraceptivos foram fortes preditores de uma maior disposição para usar contraceptivos,
ilustrando como normas religiosas e culturais também. Para Berger e Luckmann (2004), a
religião e a cultura estão intrinsecamente ligadas na construção social da realidade, para eles a
religião desempenha um papel crucial na legitimação da ordem social, fornecendo justificativas e
significados para as normas e valores culturais. Eles argumentam que a religião ajuda a tornar a
ordem social subjectivamente plausível e coerente, especialmente em face da mudança e da
incerteza.
36

As participantes da pesquisa elencam poucos factores de adesão ao PF, pois maior parte das
participantes afirmam que as mulheres do Bairro em estudo não adere ao PF, entretanto 6 das
participantes dizem o seguinte:

" As mulheres com mais escolaridade e as casadas são que têm aceitado mais a ideia do
Planeamento Familiar (M4 e M9). Outra coisa que tenho verificado é que o dinheiro tem
influência na escolha e acesso a métodos de PF mais eficazes, logo nos aqui no Bairro temos
pouca escolha". (M5, 26 anos de idade)

O parceiro desempenha um papel crucial na decisão de usar ou não preservativo masculino (PF),
influenciando a escolha através do diálogo, da compreensão mútua e do apoio à decisão
tomada. A comunicação aberta e honesta sobre necessidades e preocupações, bem como o
respeito pelas escolhas individuais, são fundamentais para fortalecer o relacionamento e garantir
escolhas conscientes sobre saúde sexual.

Eis os depoimentos das participantes:

" O apoio mútuo e a compreensão das necessidades individuais são cruciais para a decisão de
usar ou não o PF, então há necessidade que o meu parceiro me apoie neste momento importante
das nossas vidas e da nossa saúde" (M7, 25 anos de idade).

O parceiro desempenha um papel activo na decisão de usar ou não PF, através da comunicação,
do entendimento, do respeito e do apoio mútuo. Uma relação baseada na confiança e no diálogo
aberto é fundamental para garantir escolhas conscientes e responsáveis sobre saúde sexual.

Segundo Berger e Luckman (2004), a realidade que hoje vemos é fruto de um processo de
objectivação, em que os pensamentos exteriorizados, seja em forma de representações do real,
linguagens, artefactos técnicos, linguagens naturais ou modos de interacção, ganham autonomia
ou independência dos seus criadores (exteriorizações objectivadas), tornando-se disponíveis às
gerações futuras. Tendo chegado a novas gerações, estes pensamentos são absorvidos dando
lugar à interiorização, que possibilita a estas novas gerações exteriorizarem, dando continuidade
ao ciclo.

A influência da família na decisão sobre o planeamento familiar é significativa, tanto positiva


quanto negativamente. A cultura familiar, valores e crenças podem influenciar a percepção e
37

aceitação do PF, assim como a decisão de ter filhos ou não, e quando tê-los. As participantes da
pesquisa responderam o seguinte em relação a influência da família:

" Na minha família há uma comunicação aberta a cerca de questões ligadas a sexualidade, por
isso dialogamos de forma aberta no que respeita ao PF, e eles ajudam-me sempre que preciso
tomar decisões sobre a minha saúde sexual" (M16, 20 anos de idade).

A família desempenha um papel crucial na decisão sobre planeamento familiar, seja como um
factor de apoio e incentivo ou como uma barreira devido a pressões sociais, culturais ou
religiosas. O acesso à informação e a um ambiente familiar favorável são essenciais para que
homens e mulheres possam tomar decisões informadas e conscientes sobre sua saúde reprodutiva
e o planeamento de suas famílias

No que respeita a influência da religião no PF, em Maputo, varia, com algumas igrejas
desencorajando o uso de métodos contraceptivos artificiais, enquanto outras adoptam uma
postura mais aberta ou focam no planeamento familiar natural. A Igreja Católica
tradicionalmente desaconselha o uso de contraceptivos artificiais, mas apoia o planeamento
familiar natural (métodos que não interferem no ciclo menstrual). Já outras denominações
religiosas podem ter abordagens diferentes, com algumas incentivando o uso de métodos
contraceptivos para evitar gravidezes indesejadas e proteger a saúde da mulher e do feto.

Uma boa parte das participantes da pesquisa são católicas num valor percentual de 30%, estas
afirmam aprenderam na igreja que o uso de métodos contraceptivos é algo mundano, como
afirma uma das participantes:

" O uso de preservativo e outros métodos para não engravidar é coisa do diabo e não de Deus,
pois o senhor disse para multiplicarmo-nos. Isso não significa que a nossa igreja é contra o
Planeamento Familiar, tanto que aprendemos e fazemos o Planeamento recorrendo a métodos
naturais" (M12, 35 anos de idade).

Segundo Berger e Luckman (2010), na realidade objectiva ocorre a institucionalização das


normas, regras e papéis que, quando cristalizadas, exercem um controle directo na interacção dos
membros do grupo como um todo. Transportando esta lógica de pensamento para a análise da
nossa realidade, percebemos que as entrevistadas, ao encararem o Planeamento familiar
38

convencional como algo diabólico, reproduzem regras, papéis e normas cristalizadas, os quais
exercem um controle directo sobre a sua conduta como crentes da religião católica.

O planeamento familiar no contexto do Islão, e mais especificamente no Bairro da Mafalala


(Maputo) que predonaminente habitado por muçulmanos, é um tema complexo influenciado por
diversos factores religiosos, culturais e sociais. Embora não haja uma proibição explícita no
Alcorão sobre o planeamento familiar, interpretações e práticas variam entre os muçulmanos,
afectando a adopção de métodos contraceptivos e o número de filhos desejados, tal como os
depoimentos a baixo:

" Eu sou muçulmana e na minha religião é importante ter muitos filhos para que possam encher
o mundo e ajudar nas tarefas de casa e pelo que eu saiba ninguém deve interferir na vontade de
Allah, se ele quiser que eu tenha filhos, quem sou eu para negar" (M9, 22 anos de idade).

A influência religiosa pode afectar o acesso e a escolha de métodos contraceptivos em


Maputo. Mulheres que seguem religiões com fortes restrições a contraceptivos artificiais podem
enfrentar dificuldades para acessar esses métodos, mesmo que desejem usá-los. Além disso, a
crença religiosa pode influenciar as decisões sobre o número de filhos e o espaçamento entre as
gestações, o que pode ter impactos na saúde reprodutiva e na dinâmica familiar.

É fundamental que haja um diálogo aberto e respeitoso sobre planeamento familiar,


considerando as diferentes crenças e valores religiosos. O acesso à informação e aos serviços de
saúde reprodutiva é essencial para que as pessoas possam tomar decisões informadas sobre sua
saúde sexual e reprodutiva, independentemente de suas crenças religiosas.

Em Maputo, assim como em muitas outras regiões, as mulheres enfrentam diversas experiências
negativas com o planeamento familiar. Estas incluem falta de acesso a serviços de qualidade,
informação inadequada sobre métodos contraceptivos, estigma social, violência de género no
acesso a serviços e falta de suporte dos parceiros e da comunidade, tal como demonstra o parecer
de maior das participantes que afirmam que enfrentam dificuldades em encontrar centros de
saúde com serviços de planeamento familiar acessíveis e com pessoal qualificado.

Para além disso eis os depoimentos da participante 3:


39

" Eu estava sempre a sangrar e isso causava fraqueza, minha cabeça doía sempre e as vezes
tinha vontade de vomitar, para além de que o método que eu usava fazia com que eu engordasse
muito então desisti" (M1, 20 anos de idade).

É importante ressaltar que o planeamento familiar é um direito humano fundamental e que o


acesso a serviços de qualidade, com informação adequada e suporte social, é essencial para a
saúde e bem-estar das mulheres e das famílias. É necessário investir em programas de educação e
sensibilização para combater o estigma e a violência de género, e garantir que todas as mulheres
tenham acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes.

De modo análogo, os mitos sobre os efeitos no corpo geram as percepções negativas em relação
aos potenciais efeitos colaterais de alguns métodos de PF, o que contribui para a confusão e o
medo em torno desse método contraceptivo. Essas preocupações afectaram significativamente as
opiniões das mulheres sobre a utilização do dispositivo implantável. Além disso, a falta de
informações claras e a compreensão inadequada sobre os riscos e benefícios também
desempenharam um papel importante na formação dessas percepções (Berger e Luckman, 2004).
É essencial fornecer educação abrangente e esclarecedora sobre os métodos de PF para ajudar as
mulheres a tomar decisões informadas sobre sua saúde reprodutiva.
40

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise do estudo sobre o Planeamento Familiar (PF) no Bairro da Mafalala, Maputo, revela
uma complexa interacção de factores socioeconómicos, culturais, religiosos e de acesso a
serviços de saúde que influenciam a adesão e a não adesão aos métodos contraceptivos.

A amostra do estudo é toda ela composta por mulheres jovens e solteiras, muitas das quais sem
renda ou inseridas no sector informal como vendedoras. Essa realidade aponta para uma
significativa vulnerabilidade socioeconómica, acentuada pela presença de filhos em diversas
faixas etárias, o que impacta as responsabilidades financeiras e a capacidade de geração de renda.
Embora a maioria das participantes possua ensino médio completo, a dificuldade de inserção no
mercado de trabalho formal as direcciona para o sector informal, evidenciando um descompasso
entre qualificação educacional e oportunidades de emprego de qualidade.

Apesar dos desafios, as participantes demonstram uma percepção maioritariamente positiva


sobre o PF, reconhecendo-o como uma ferramenta essencial para prevenir gravidezes
indesejadas, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e para permitir que as mulheres
concluam seus estudos e que os casais desfrutem de uma vida com qualidade e saúde. Há um
conhecimento considerável sobre a existência de diversos métodos contraceptivos, como
preservativo (masculino e feminino), implante, injecção e DIU. O PF é visto como um meio de
empoderar a mulher na decisão sobre o número e o espaçamento dos filhos, contribuindo para a
redução da mortalidade materna e infantil e para o desenvolvimento socioeconómico da
comunidade.

A não adesão ao PF é influenciada por uma série de barreiras multifacetadas tais como o receio
de serem rotuladas pelos parceiros ou pela comunidade, o medo dos efeitos colaterais dos
métodos contraceptivos, como dores de cabeça, sangramento e náuseas, e a crença de que podem
causar infertilidade são factores importantes. A cultura é outros dos factores que influenciam a
não adesão ao PF, pois há culturas que valoriza muitos filhos como sinal de riqueza, a pressão
familiar por descendentes, e a influência religiosa, como a crença em algumas denominações
católicas de que o uso de contraceptivos artificiais é "mundano" e a interpretação em algumas A
falta de apoio ou a oposição explícita do parceiro emerge como um factor determinante na
41

decisão das mulheres em não aderir ao PF. A comunicação aberta e o compartilhamento de


responsabilidades entre os parceiros são cruciais para a adesão.

Em contrapartida, os factores que promovem a adesão ao PF incluem mulheres com maior nível
de escolaridade e renda tendem a ter maior adesão, sugerindo que a educação e a estabilidade
financeira podem facilitar o acesso à informação e a escolhas mais conscientes. Mulheres
casadas mostram maior adesão ao PF em comparação com as solteiras. A comunicação aberta
entre parceiros e o apoio mútuo são fundamentais para a tomada de decisões conjuntas e a adesão
aos métodos escolhidos.

O estudo ressalta a necessidade de abordagens integradas que considerem as particularidades


socioeconómicas e culturais do Bairro da Mafalala. É fundamental fortalecer os programas de
educação sexual, combater o estigma associado ao PF, expandir o acesso a serviços de saúde de
qualidade e promover o diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre parceiros e
famílias, a fim de garantir o direito das mulheres e casais ao planeamento familiar e à saúde
reprodutiva.
42

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World Bank Publications.
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APÊNDICE

Guião de Entrevista para Recolha de Dados sobre Planeamento Familiar no Bairro da


Mafalala

Bom dia/Boa tarde! Estamos a realizar um estudo para compreender melhor os factores que
influenciam o uso do planeamento familiar aqui no Bairro da Mafalala. A sua participação é
muito importante para nós. As suas respostas serão confidenciais e usadas apenas para fins de
pesquisa.

Secção 2: Perfil Sociodemográfico

1. Qual é a sua idade? ______


2. Qual é o seu estado civil actual ______________
3. Qual é o seu nível de escolaridade mais alto? ________________
4. Qual é a sua profissão? ______________________
5. Consegue estimar um valor aproximado da sua renda mensal?___________________
6. Qual a idade do seu filho(a) mais novo(a)?_______

Secção 2: Percepções Gerais sobre Planeamento Familiar

1. O que você entende por "Planeamento Familiar"?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

2. Na sua opinião, qual é a importância do Planeamento Familiar para as mulheres e para as


famílias aqui no bairro da Mafalala?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
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3. Você já ouviu falar sobre os diferentes métodos de Planeamento Familiar? Quais você
conhece ou já ouviu falar?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

4. Quais são as principais vantagens que você vê no uso do Planeamento Familiar?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

5. E quais são as desvantagens ou preocupações que você ou outras mulheres do bairro


possam ter em relação ao Planeamento Familiar?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

6. Como você acha que o Planeamento Familiar afecta a saúde e o bem-estar das mulheres?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________

7. Qual é a percepção geral da comunidade (vizinhos, amigos, líderes) sobre as mulheres


que utilizam o Planeamento Familiar? É vista de forma positiva, negativa ou neutra?

______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
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______________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________

8. Em relação ao futuro, como você vê o papel do Planeamento Familiar na melhoria da


vida das mulheres e das famílias no bairro da Mafalala?

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

Secção 3: Factores Gerais de Adesão e Não Adesão

1. Na sua opinião, quais são os principais factores que fazem com que as mulheres no
Bairro da Mafalala adiram ao planeamento familiar?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
______________________________________________________________________

2. E quais são os principais factores que levam as mulheres no Bairro da Mafalala a não
aderir ao planeamento familiar?

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

3. Qual o papel do seu parceiro/marido na decisão de usar ou não o Planeamento Familiar?


A opinião dele é importante?

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
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4. A sua família (pais, sogros, irmãos/irmãs) influencia a sua decisão sobre Planeamento
Familiar? De que forma?

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

5. Como a religião ou as crenças culturais aqui no bairro da Mafalala se relacionam com o


Planeamento Familiar? Há alguma influência?

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________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

6. Há alguma experiência negativa que você ou alguma mulher que você conheça teve com
o Planeamento Familiar que a fez desistir ou ter receio de usar? Pode descrever?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
7. O que você acha que poderia ser feito para que mais mulheres no bairro da Mafalala
pudessem aderir ao Planeamento Familiar, se desejassem?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

Obrigado pela colaboração!

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