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Final Nazir 1

O documento analisa a escola como uma organização educativa, explorando diferentes modelos de análise organizacional, incluindo a burocracia, democracia, arena política e anarquia organizada. O objetivo é compreender como esses modelos influenciam a estrutura e o funcionamento das instituições escolares, destacando características, vantagens e desafios de cada abordagem. A pesquisa se baseia em revisão bibliográfica e discute a importância da adaptação da escola às mudanças sociais e educacionais.

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Final Nazir 1

O documento analisa a escola como uma organização educativa, explorando diferentes modelos de análise organizacional, incluindo a burocracia, democracia, arena política e anarquia organizada. O objetivo é compreender como esses modelos influenciam a estrutura e o funcionamento das instituições escolares, destacando características, vantagens e desafios de cada abordagem. A pesquisa se baseia em revisão bibliográfica e discute a importância da adaptação da escola às mudanças sociais e educacionais.

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Brigida Elias
Fauzia Aissa Jose Amisse
Osmim Costa Cassimo
Ossufo Saide
Silvia Joao Armando Salvador

Escola como uma Organização Educativa: Modelos de Análise Organizacional


(Licenciatura em Ensino Básico com Habilitações em Supervisão e Insensato
Pedagógica da Escola Básica, 3º Ano)

Universidade Rovuma
Nampula
2024
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Brigida Elias
Fauzia Aissa Jose Amisse
Osmim Costa Cassimo
Ossufo Saide
Silvia Joao Armando Salvador

Escola como uma Organização Educativa: Modelos de Análise Organizacional


(Licenciatura em Ensino Básico com Habilitações em Supervisão e Insensato
Pedagógica da Escola Básica, 3º Ano)

Trabalho de pesquisa e de carácter


científico, a ser apresentado na
Faculdade de Educação e Psicologia,
Departamento de Educação e Formação
de Professores, na cadeira de:
Organização e Gestão Escolar.
Leccionada pelo docente:
PhD: Mohamed Nazir Ibraimo

Universidade Rovuma
Nampula
2024
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Table of Contents
1. Introdução..................................................................................................................4

2. A Escola como uma Organização Educativa.............................................................5

3. Modelos de Análise Organizacional..........................................................................5

3.1.1. Escola como Burocracia.....................................................................................5

3.1.1.1. Características Burocráticas na Escola............................................................6

3.1.1.2. Críticas à Escola como Burocracia.................................................................6

3.1.2. Escola como Democracia....................................................................................7

3.1.2.1. Características da Escola como Democracia...................................................7

3.1.2.2. Vantagens da Escola como Democracia.........................................................8

3.1.2.3. Desafios da Escola como Democracia............................................................8

3.1.3. A Escola como Arena Política............................................................................9

3.1.3.1. Características da Escola como Arena Política...............................................9

3.1.3.2. Vantagens de Reconhecer a Escola como Arena Política.............................10

3.1.3.3. Desvantagens e Desafios...............................................................................10

3.1.4. A Escola como Anarquia Organizada...............................................................11

3.1.4.1. Características da Escola como Anarquia Organizada..................................11

3.1.4.2. Vantagens......................................................................................................12

3.1.4.3. Desafios.........................................................................................................12

4. Conclusão.................................................................................................................13

5. Referências Bibliográficas.......................................................................................14
3

1. Introdução
A escola como organização educativa tem constituído, nos últimos tempos, um dos
objetos de estudo preferenciais da investigação educacional. Os estabelecimentos de
ensino tornaram-se, também, uma das áreas de estudo mais procuradas pela
investigação educacional a partir de meados da década de 70. Tem sido frequente
«transpor para o contexto educacional os quadros teóricos-conceptuais produzidos no
estudo de outros tipos de organizações». Compreender a escola como organização
educativa exige a consideração da sua historicidade enquanto unidade social
artificialmente construída e das suas especificidades em termos de políticas e objectivos
educacionais, de tecnologias pedagógicas e de processos didácticos, de estruturas de
controlo e de coordenação do trabalho discente, (Lima, 2011, pag15). O
desenvolvimento deste trabalho tem como Objetivo Geral: Analisar a escola como uma
organização educativa, investigando os diferentes modelos de análise organizacional
aplicáveis, a fim de compreender como esses modelos influenciam a estrutura e o
funcionamento das instituições escolares.Objetivos Específicos:
 Conceituar os modelos de análise organizacional;
 Caracterizar os modelos de análise organizacional e olhar para suas vantagens,
desvantagens e desafios no ceio de uma organização escolar;
 Avaliar a escola como uma anarquia organizada e como uma arena política,
compreendendo as interações entre diferentes grupos de interesse no ambiente
escolar.
Metodologia Utilizada
Revisão Bibliográfica: Foi realizada uma análise teórica de literatura acadêmica sobre
os diferentes modelos de organização escolar, incluindo autores como Weber, Dewey e
Weick, entre outros.
4

2. A Escola como uma Organização Educativa


A escola como organização é objeto de estudo de vários autores, como Lima (2001),
Nóvoa (1992), Canário (2005), entre outros. A escola é entendida como “organização
educativa complexa e multifacetada”. A idéia de organização remete a uma forma
ordenada e estruturada de planejar uma ação e ter condições de efetivá-la.
Segundo RENATO RIBEIRO, a escola como uma organização educativa não é
apenas um espaço físico onde ocorre o ensino, mas sim é também uma estrutura
social dinâmica, onde ocorrem interações entre os diversos agentes educativos
(professores, alunos, o corpo administrativo da escola, o conselho de escola e a
comunidade). A escola é considerada uma organização educativa porque seu propósito
principal é promover o ensino e a aprendizagem. Assim, a escola como organização
educativa tem princípios e procedimentos que estão relacionados à ação de coordenar
todos os envolvidos no processo educativo, tendo em vista atingir aos objetivos e
preferências a que se propõe (LIMA, 2001, p. 10).
Como organização, ela envolve uma série de elementos estruturais e operacionais, como
liderança, divisão de tarefas, objetivos claros e políticas educacionais. Na educação, as
escolas desempenham um papel fundamental ao reunir diferentes grupos – alunos,
professores, gestores, pais e a comunidade – para alcançar seus objetivos de
aprendizagem.
De acordo com Franco (2001), “a escola é uma organização complexa, na qual
interagem diferentes agentes sociais, com interesses e expectativas diversas”. Esta
diversidade torna o ambiente escolar um lugar de confronto de ideias, onde as práticas
pedagógicas devem ser mediadas por uma gestão eficiente e inclusiva.

Além disso, a escola precisa adaptar-se constantemente às mudanças da sociedade. Essa


capacidade de adaptação, de acordo com Santos (2016), "é fundamental para que a instituição
educacional cumpra seu papel de formar cidadãos preparados para enfrentar os desafios do
mundo contemporâneo". Ou seja, a escola, como uma organização educativa, não é apenas um
espaço de transmissão de conhecimento, mas também de formação cidadã.

3. Modelos de Análise Organizacional


Os modelos de análise organizacional da escola procuram explicar como as instituições
escolares são organizadas e geridas, abrangendo desde estruturas burocráticas até
modelos mais flexíveis e democráticos.

3.1.1. Escola como Burocracia


5

Max Weber foi um dos principais teóricos da buroccracia. Ele descreveu as


organizações burocráticas como estruturas racionais e hierárquicas, nas quais as
responsabilidades e funções são claramente definidas e seguem normas e regras formais.
No contexto escolar, isso significa que há uma organização hierárquica com diretores,
coordenadores e professores, onde as decisões são tomadas de cima para baixo,
conforme padrões estabelecidos.
Segundo Weber (1968), “a burocracia é a forma mais eficiente de organização, pois
garante a previsibilidade e a padronização nas relações de trabalho”. No entanto, esse
modelo também pode ser criticado por reduzir a autonomia dos professores e
estudantes.

3.1.1.1. Características Burocráticas na Escola


 Hierarquia: Há uma clara divisão de autoridade, com diretores no topo,
coordenadores e supervisores abaixo, seguidos pelos professores, e por fim, os
alunos. Cada grupo tem funções e responsabilidades específicas e precisa seguir a
cadeia de comando.
 Regras e regulamentos: A burocracia escolar opera com base em um conjunto de
regras e procedimentos que todos devem seguir. Isso inclui desde o horário de
funcionamento, normas de comportamento, até currículos padronizados e métodos
de avaliação.
 Divisão do trabalho: Cada profissional dentro da escola tem funções bem
definidas. Os professores são responsáveis pelo ensino, o diretor pela gestão, os
funcionários de apoio por atividades administrativas ou de manutenção, entre outros.
 Impersonalidade: As relações dentro da burocracia escolar são, muitas vezes,
baseadas em regras e não em afinidades pessoais. Isso quer dizer que,
independentemente de quem seja o aluno ou o professor, as normas devem ser
aplicadas de maneira igualitária, sem favorecimentos.
 Avaliação padronizada: O desempenho tanto de professores quanto de alunos é
muitas vezes medido por critérios padronizados, como testes e avaliações formais,
que seguem um formato predefinido, sem muita margem para variações individuais.
3.1.1.2. Críticas à Escola como Burocracia
Falta de autonomia: O excesso de regras e procedimentos pode limitar a criatividade e
autonomia dos professores, que ficam presos a currículos fixos e pouca liberdade para
inovar em suas práticas de ensino; Desumanização: A impessoalidade pode criar um
6

ambiente frio, onde as relações entre professores e alunos são reguladas por regras em
vez de interações humanas significativas; Resistência à mudança: Por ser altamente
estruturada e rígida, a escola burocrática pode ser lenta para se adaptar às novas
demandas educacionais e sociais, como a inclusão de novas tecnologias ou abordagens
pedagógicas mais flexíveis; Foco no cumprimento de normas: Em vez de focar no
desenvolvimento integral do aluno, a escola burocrática pode acabar priorizando o
cumprimento de normas, como desempenho em exames e cumprimento de
cronogramas.

3.1.2. Escola como Democracia


O modelo democrático, por outro lado, enfatiza a participação ativa de todos os
membros da escola (professores, alunos, pais e a comunidade) nos processos de tomada
de decisão. John Dewey, um dos principais defensores da educação democrática,
argumentava que “a escola é um ambiente de preparação para a vida democrática, onde
todos devem ser capazes de participar ativamente no processo educativo” (Dewey,
1916).
3.1.2.1. Características da Escola como Democracia
 Participação ativa: Todos os membros da comunidade escolar, incluindo os
estudantes, têm o direito e a responsabilidade de participar das decisões que afetam
o ambiente escolar. Isso pode ocorrer em fóruns como assembleias escolares,
conselhos estudantis ou grupos de trabalho. A participação vai além de opinar:
envolve a criação de políticas e práticas dentro da escola.
 Autonomia dos estudantes: Nesse modelo, os estudantes são incentivados a se
expressar, participar do planejamento das aulas e até mesmo propor mudanças no
currículo. Eles têm voz ativa na criação de regras de convivência e na maneira como
a escola funciona. A autonomia, portanto, é uma peça central desse sistema.
 Cooperação e diálogo: A escola democrática promove a resolução de problemas e
conflitos por meio do diálogo e da cooperação, em vez de recorrer exclusivamente a
regras rígidas ou punições. Assim, a educação para a cidadania é vivenciada na
prática, e não apenas ensinada em conteúdos teóricos.
 Desenvolvimento integral: O foco não está apenas no desempenho acadêmico, mas
no desenvolvimento integral do indivíduo, incluindo habilidades sociais, emocionais
e éticas. A formação do caráter, a empatia, a responsabilidade social e a
compreensão crítica são aspectos valorizados no processo educacional.
7

 Diversidade e inclusão: Uma escola democrática valoriza as diferenças entre os


indivíduos, seja em termos de habilidades, interesses, origens culturais ou formas de
pensar. As diferentes perspectivas são vistas como parte do processo de construção
do conhecimento, em vez de serem eliminadas ou marginalizadas.
3.1.2.2. Vantagens da Escola como Democracia
Formação para a cidadania: Ao viver a experiência democrática no cotidiano escolar,
os estudantes aprendem na prática a importância de direitos e deveres, desenvolvem
senso de responsabilidade social, e se preparam para a participação ativa em uma
sociedade democrática; Maior engajamento: Quando os estudantes têm voz nas
decisões e sentem que suas opiniões são valorizadas, eles tendem a se engajar mais no
processo de aprendizagem e a desenvolver uma maior motivação para aprender;
Desenvolvimento de habilidades socioemocionais: O ambiente democrático fomenta a
empatia, a escuta ativa, o trabalho em equipe e a capacidade de lidar com conflitos de
maneira construtiva, preparando os alunos para os desafios da vida adulta;
Flexibilidade e inovação: Uma escola democrática tende a ser mais flexível e aberta a
novas ideias e práticas pedagógicas, permitindo que o currículo e as metodologias de
ensino sejam adaptados às necessidades e interesses dos estudantes e da comunidade;
Ambiente de convivência saudável: Ao promover o diálogo, a cooperação e a
inclusão, o ambiente escolar torna-se mais acolhedor, onde os conflitos são resolvidos
de maneira construtiva e as relações entre os indivíduos são fortalecidas.

3.1.2.3. Desafios da Escola como Democracia


 Dificuldade de implementação: Em sistemas educacionais tradicionais e
burocráticos, a implementação de uma escola democrática pode enfrentar
resistência, tanto por parte dos gestores quanto dos professores, que podem não estar
preparados para adotar uma postura mais flexível e participativa.
 Conflitos de interesses: Em um ambiente onde todos têm voz, pode haver conflitos
de interesse entre estudantes, professores e gestores, o que exige habilidades
sofisticadas de mediação e negociação para que as decisões sejam tomadas de forma
equilibrada.
 Demandas de tempo: A gestão democrática, por exigir a participação de todos em
processos decisórios, pode ser mais demorada do que um sistema burocrático
tradicional, onde as decisões são tomadas de cima para baixo.
8

3.1.3. A Escola como Arena Política


A escola pode ser entendida como uma arena política, onde diferentes interesses,
valores e ideologias estão em constante confronto. Isso se dá porque a educação é uma
prática social que envolve não só a transmissão de conhecimento, mas também a
formação de indivíduos e a reprodução (ou transformação) de valores culturais, sociais e
políticos.
Segundo Paulo Freire (1987), "a educação nunca é neutra; ela ou perpetua as estruturas
de dominação ou contribui para a libertação dos oprimidos". Isso significa que, dentro
da escola, ocorrem disputas sobre o que deve ser ensinado, como deve ser ensinado e
com quais objetivos. Essas disputas refletem as tensões mais amplas da sociedade, como
questões de classe, raça, gênero e ideologia política.

A visão da escola como arena política também implica reconhecer que os professores,
gestores e demais profissionais da educação desempenham papéis de mediadores desses
conflitos. Muitas vezes, são eles que devem equilibrar as demandas da comunidade
escolar, do governo e das políticas educacionais, em um ambiente que busca, ao mesmo
tempo, ser inclusivo e garantir a qualidade da educação.

3.1.3.1. Características da Escola como Arena Política


 Disputa por ideologias: As escolas são espaços onde diferentes visões de mundo
competem por legitimação. Currículos, materiais didáticos e práticas pedagógicas
frequentemente refletem as tensões entre grupos que querem promover suas próprias
visões de sociedade, seja em relação a temas como religião, política, moralidade, ou
identidade cultural;
 Formação de cidadãos: A escola tem um papel fundamental na formação de
cidadãos e na transmissão de valores cívicos, éticos e políticos. Dependendo de
como esse processo é conduzido, ele pode servir tanto para reforçar a ordem social
estabelecida quanto para formar indivíduos críticos e conscientes de seu papel na
transformação social;
 Políticas públicas educacionais: As decisões políticas que afetam a educação –
como o financiamento de escolas públicas, a escolha de currículos, ou a adoção de
políticas inclusivas ou meritocráticas – são reflexo de debates e disputas no campo
9

político mais amplo. Esses debates moldam o que é ensinado, como é ensinado e
quem tem acesso à educação de qualidade.
 Movimentos sociais e educação: A escola também é um espaço de atuação e
mobilização de movimentos sociais, que veem a educação como um meio para
promover mudanças sociais. Movimentos feministas, antirracistas, de direitos
humanos, e ecológicos, por exemplo, lutam para incluir suas pautas nas discussões e
no conteúdo escolar;
 Relação com o poder estatal: A educação pública, em particular, está diretamente
vinculada ao estado, que a utiliza como instrumento para promover certos ideais e
projetos políticos. Em regimes autoritários, as escolas são muitas vezes usadas para
doutrinação, enquanto em democracias, há um debate contínuo sobre o grau de
intervenção estatal na educação e a liberdade de ensino.
3.1.3.2. Vantagens de Reconhecer a Escola como Arena Política
 Desenvolvimento de senso crítico: Ao reconhecer a escola como um espaço onde
diferentes visões de mundo se confrontam, os estudantes podem desenvolver um
senso crítico mais apurado, aprendendo a avaliar diferentes perspectivas e a se
posicionar de maneira informada.
 Participação democrática: Esse reconhecimento pode encorajar a participação
ativa dos estudantes nos processos políticos e sociais, tanto dentro quanto fora da
escola, reforçando o papel da educação na formação de cidadãos participativos e
conscientes.
 Inclusão de novas pautas: Ver a escola como um espaço político permite a
inclusão de pautas que refletem os desafios contemporâneos da sociedade, como a
igualdade de gênero, questões raciais, e justiça ambiental.
3.1.3.3. Desvantagens e Desafios
 Polarização: O reconhecimento da escola como uma arena política pode levar à
polarização, tanto dentro do ambiente escolar quanto na sociedade mais ampla.
Grupos podem se sentir ameaçados ou excluídos, e as discussões podem se tornar
mais sobre ideologias conflitantes do que sobre o bem-estar dos estudantes;
 Interferência excessiva: Em alguns contextos, a interferência política pode ser tão
intensa que prejudica a autonomia da escola e dos professores, tornando a educação
um campo de batalhas partidárias em vez de um espaço para o desenvolvimento
integral dos alunos.
10

3.1.4. A Escola como Anarquia Organizada


O conceito de “anarquia organizada” no contexto escolar foi popularizado por Karl
Weick. A ideia é que, ao contrário de outras organizações que operam com regras
rígidas e estruturas claras, as escolas frequentemente funcionam com uma série de
práticas menos coordenadas, onde professores e gestores têm graus variados de
autonomia. Essa “anarquia” não implica caos, mas sim flexibilidade na gestão e no
ensino.
Weick (1976) sugere que "a fragmentação nas práticas escolares pode ser vista como uma
vantagem, permitindo que as escolas se adaptem de maneira mais fluida às circunstâncias e
demandas locais". Contudo, essa falta de uniformidade pode gerar desafios na implementação de
políticas educacionais consistentes e na avaliação dos resultados.

Escola como anarquia organizada, refere-se a uma forma de organização escolar em


que há a máxima liberdade individual para estudantes e professores, mas dentro de uma
estrutura que garante a convivência e o respeito mútuo. Em vez de seguir rígidos
sistemas hierárquicos e burocráticos, a escola busca uma organização mais horizontal e
flexível, onde as regras emergem de forma negociada e são mantidas por consenso e não
por imposição.

3.1.4.1. Características da Escola como Anarquia Organizada


 Autogestão: A escola como anarquia organizada valoriza a autogestão, tanto por
parte dos professores quanto dos alunos. As decisões sobre o funcionamento da
escola, o currículo e as práticas pedagógicas são tomadas coletivamente e de forma
participativa, sem a imposição de uma autoridade central rígida;
 Liberdade com responsabilidade: Embora os indivíduos tenham ampla liberdade
para escolher o que estudar e como participar das atividades escolares, essa
liberdade é acompanhada de uma responsabilidade compartilhada para garantir que
as necessidades da comunidade sejam atendidas e o ambiente escolar se mantenha
saudável e produtivo;
 Flexibilidade e fluidez: Diferente do modelo burocrático, a anarquia organizada
permite flexibilidade nas regras e nos processos educacionais. O foco não está em
seguir procedimentos padronizados, mas em adaptar o ambiente de aprendizagem às
necessidades e interesses de cada indivíduo ou grupo;
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 Iniciativa individual e coletiva: A iniciativa individual é altamente incentivada, e


os estudantes são encorajados a tomar decisões sobre sua própria aprendizagem.
Porém, essas iniciativas se desenvolvem dentro de um contexto coletivo, onde os
interesses individuais são conciliados com os do grupo;
 Rejeição de hierarquias rígidas: A escola organizada sob princípios anárquicos
evita a imposição de hierarquias fixas entre professores e alunos. Em vez disso, há
uma tentativa de horizontalizar as relações, promovendo o diálogo aberto e a
colaboração.
3.1.4.2. Vantagens
 Criatividade e inovação: A liberdade e a ausência de regras rígidas permitem que
os estudantes e professores explorem abordagens criativas e inovadoras para o
ensino e a aprendizagem, o que pode resultar em um ambiente mais dinâmico e
estimulante;
 Desenvolvimento da autonomia: A gestão compartilhada e a liberdade de escolha
proporcionam uma oportunidade para que os estudantes desenvolvam sua
autonomia, senso de responsabilidade e habilidades de autogestão;
 Engajamento ativo: Quando os estudantes têm voz ativa no que e como aprendem,
eles tendem a se engajar mais com o processo educacional, aumentando a motivação
e a participação;
 Respeito mútuo e colaboração: O foco em relações horizontais e colaborativas
fortalece o respeito mútuo entre os membros da comunidade escolar e promove uma
cultura de apoio coletivo.
3.1.4.3. Desafios
Dificuldade de organização: A ausência de uma autoridade centralizada pode tornar a
organização mais difícil, especialmente quando surgem conflitos ou quando as decisões
precisam ser tomadas de forma eficiente; Responsabilidade compartilhada: A
anarquia organizada depende da maturidade dos indivíduos para que a liberdade não
seja confundida com falta de compromisso. Sem um senso compartilhado de
responsabilidade, o ambiente pode se tornar caótico; Resistência ao modelo: Como
muitas escolas estão baseadas em estruturas hierárquicas tradicionais, a implementação
de uma escola anárquica organizada pode enfrentar resistência tanto de professores
quanto de pais, que estão acostumados com sistemas mais rígidos.
12

4. Conclusão
Ao longo deste estudo, foi possível observar que as escolas, como organizações
educativas, são multifacetadas e podem ser analisadas sob diversas perspectivas. A
escola como burocracia oferece uma estrutura formal, com normas rígidas e uma
hierarquia definida, o que pode garantir previsibilidade e controle, mas também pode
gerar rigidez e ineficiência em situações que demandam flexibilidade. A visão da escola
como uma democracia ressalta a importância da participação de todos os membros da
comunidade escolar na tomada de decisões, promovendo a inclusão e a transparência,
embora nem sempre seja fácil manter esse ideal na prática.
Por outro lado, ao entender a escola como uma arena política, observa-se que conflitos
de interesse entre diferentes grupos (professores, pais, gestores) são inevitáveis, e que
esses conflitos podem tanto enriquecer quanto dificultar o processo educativo.
Finalmente, ao considerar a escola como uma anarquia organizada, o estudo de Weick
destaca a natureza fragmentada e descentralizada do sistema escolar, no qual as várias
partes da organização (turmas, departamentos, áreas administrativas) estão acopladas de
forma frouxa, o que possibilita maior flexibilidade, porém, também maior
imprevisibilidade.
13

5. Referências Bibliográficas
CANÁRIO, R. O que é a Escola? Um “olhar” sociológico. Porto – Portugal: Porto,
2005.
DEWEY, J. Democracia e Educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1916.
FRANCO, Sérgio. Organizações Educacionais: Dinâmica e Desafios. São Paulo:
Editora X, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
LIMA, L.C. A escola como organização educativa: uma abordagem sociológica. São
Paulo: Cortez, 2001.
NÓVOA, A. Para uma análise das instituições escolares. In: NÓVOA, António
(coord.) As organizações escolares em análise. Lisboa: Dom Quixote, 1992. (p.13-42).
SANTOS, Milton. O Espaço do Cidadão. São Paulo: Nobel, 2016.
WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília: Editora UnB, 1968.
WEICK, K. E. Organizações educacionais como sistemas frouxamente acoplados.
Quarterly de Ciências Administrativas, 1976.

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