Poder Constituinte
Poder Constituinte
1. CONCEITO
Portanto, PODER CONSTITUINTE pode ser definido como o PODER QUE CRIA E ORGANIZA UM ESTADO,
ATRAVÉS DE UMA CONSTITUIÇÃO. É o poder que CRIA A NORMA FUNDAMENTAL DE UM PAÍS, ou seja, a
própria Constituição do país.
Esses últimos criam as demais normas jurídicas do ordenamento, enquanto o poder constituinte
cria a própria Constituição.
Essa característica diferencia a Constituição das demais normas do sistema e lhe confere
supremacia sobre elas.
Portanto, vale a pena repetir: “A CONSTITUIÇÃO GOZA DE SUPREMACIA SOBRE AS DEMAIS NORMAS
JURÍDICAS EM RAZÃO DA SOBERANIA DO PODER QUE A CRIOU, O PODER CONSTITUINTE”
Todas as sociedades humanas sempre foram dotadas de um poder constituinte, pois ele é algo
que sempre existiu, já que nunca deixou de haver o ato de uma sociedade estabelecendo os
fundamentos de sua organização política.
Portanto, a novidade surgida com as revoluções liberais do século XVIII (Revolução Francesa e
Revolução Americana) e com as primeiras constituições escritas não foi o surgimento do poder
constituinte, mas a formulação de teorias que tentaram explicar o que era esse poder e qual a
sua origem.
A primeira pessoa a elaborar uma teoria sobre o poder constituinte foi o ABADE EMMANUEL DE
SIEYÈS, mais conhecido como Abade Sieyès, cidadão francês, nascido em 1748, hoje
reconhecido como o CRIADOR E PRECURSOR DA “TEORIA DO PODER CONSTITUINTE”.
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Raquel Porto Leite
Seu pensamento foi publicado através de um panfleto intitulado "QUE É O TERCEIRO ESTADO?",
distribuído nas ruas de Paris dois dias antes da eclosão da Revolução Francesa. Conta-se que
esse panfleto insuflou os ânimos e serviu como estopim para o início da Revolução, o que
ocorreu em 14 de julho de 1789.
A partir daí foram surgindo diversas teorias que tentavam explicar a ORIGEM e a NATUREZA do
Poder Constituinte, as quais podem ser divididas em duas correntes:
Vejamos:
Os adeptos dessa corrente consideram que o Poder Constituinte é um PODER DE DIREITO e sua
origem não se encontra em normas de direito positivo, mas num DIREITO NATURAL, que lhe é
anterior e superior.
Esse direito natural é composto por um conjunto de princípios que PREEXISTEM À PRÓPRIA
CONSTITUIÇÃO ESCRITA DO ESTADO, os quais são autônomos em relação às decisões do legislador
constituinte, obrigando-o e vinculando-o, de tal sorte que as normas constitucionais que venham
a ser aprovadas, mas que sejam contrárias a esses princípios, devem ser consideradas
juridicamente inválidas e não-obrigatórias. Vejamos um exemplo.
Exemplo: Imagine que um determinado país resolva elaborar uma nova Constituição e
que o texto final aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte contenha em seu art. 5º
a seguinte redação: “O direito à vida não é assegurado a todas as pessoas, dependendo
de certas condições a serem estabelecidas em lei”. Pois bem. De acordo com a corrente
jusnaturalista, o direito à vida é um direito natural. Dessa forma, mesmo que o legislador
constituinte tenha optado, em princípio, por não garantir esse direito a todas as pessoas,
fazendo constar o dispositivo no texto da própria Constituição, este dispositivo é
juridicamente inválido, pois contraria um princípio de direito natural.
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Os adeptos dessa corrente consideram que a origem e o fundamento do Poder Constituinte não
se encontram em qualquer direito preexistente ou superior a ele. Não se trata, portanto, de um
poder de direito, mas de um PODER DE FATO.
Exemplo: Apelando novamente para nosso exemplo, a norma contida no art. 5º do nosso
país fictício seria perfeitamente válida, pelo simples fato de ter sido editada pelo Poder
Constituinte, não cabendo qualquer comparação com um direito natural anterior ou
superior a ele, pois esse direito simplesmente não existe.
Em suma, para os positivistas o poder constituinte não decorre e nem está condicionado e
limitado por qualquer norma de direito natural ou de direito positivo anterior e superior. Ao
contrário, ele se funda a si próprio, sendo um poder de fato.
Quem é o titular e detentor do Poder Constituinte? A doutrina moderna considera que é o “POVO”.
Nas palavras de J. J. Gomes Canotilho, “POVO” pode ser definido como uma “GRANDEZA
PLURALÍSTICA formada por INDIVÍDUOS, ASSOCIAÇÕES, GRUPOS SOCIAIS, IGREJAS, COMUNIDADES,
PERSONALIDADES, INSTITUIÇÕES, que agregam INTERESSES, IDEIAS, CRENÇAS E VALORES, PLURAIS,
CONVERGENTES OU CONFLITANTES”.
ATENÇÃO!
1) Nos regimes de DEMOCRACIA REPRESENTATIVA, como é o caso do Brasil, o TITULAR do Poder
Constituinte (povo) não se confunde com os EXERCENTES do poder: exercentes são as pessoas
que, EM NOME DO POVO E NA CONDIÇÃO DE REPRESENTANTES OU MANDATÁRIOS, elaboram a Constituição
do Estado. Esses representantes, em geral, organizam-se sob a forma de Assembleia ou
Convenção Constituinte, a qual promulga a Constituição, podendo ser escolhidos por eleição ou
formados por um GRUPO (OU MOVIMENTO) REVOLUCIONÁRIO que recebe integral apoio do povo.
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2) Nos casos de constituições OUTORGADAS, como foi o caso da Constituição brasileira de 1824,
imposta isoladamente pelo Imperador Pedro I, que dissolveu a Assembleia Constituinte antes
mesmo de ter sido elaborada a Constituição, a doutrina considera que ocorre USURPAÇÃO DO PODER
CONSTITUINTE DO POVO, e esse poder acaba sendo exercido POR QUEM NÃO É SEU TITULAR NEM SEU
REPRESENTANTE. O Brasil teve mais duas constituições outorgadas: a de 1937 e a de 1967, com a
Emenda nº 01/1969.
Na prova realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2006, para o cargo de Procurador do
Ministério Público do Tribunal de Contas do Ceará, “caíram” as seguintes assertivas:
“I. No que diz respeito ao Poder constituinte, é correto afirmar que o Movimento
Revolucionário não é considerado uma das formas básicas de expressão desse Poder.”
“II. No que diz respeito ao Poder constituinte, é correto afirmar que o titular desse Poder é
o povo, e seu exercente é aquele que, em nome do povo, cria o Estado, editando a nova
Constituição.”
PODER PARA
PODER CONSTITUINTE REFORMAR A
DERIVADO REFORMADOR CONSTITUIÇÃO DE UM
ESTADO
2) PODER CONSTITUINTE
DERIVADO
PODER QUE OS
ESTADOS MEMBROS DE
PODER CONSTITUINTE UMA FEDERAÇÃO
DERIVADO DECORRENTE POSSUEM PARA
ELABORAR SUAS
PRÓPRIAS
CONSTITUIÇÕES
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É o PODER QUE O POVO TEM DE ELABORAR, DE MANEIRA ORIGINÁRIA, SUA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO,
dispondo sobre a organização política do Estado e sobre os direitos e garantias fundamentais.
A atual Constituição brasileira (1988) foi criada pelo Poder Constituinte originário, titularizado pelo
povo brasileiro e exercido em seu nome pela Assembleia Nacional Constituinte, cujos trabalhos
se desenvolveram ao longo do ano de 1987.
3) INCONDICIONADO 4) PERMANENTE
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ATENÇÃO!
Do ponto de vista SOCIOLÓGICO, ou POLÍTICO, ou ECONÔMICO, a DOUTRINA moderna tem entendido que
até mesmo o poder constituinte originário está sujeito a certos limites, impostos por princípios
constitutivos da ideia de Direito da comunidade e de sua tradição cultural, não tendo liberdade
total para moldar arbitrariamente o conteúdo da nova Constituição de um país. São limitações
impostas por PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA (princípios de direito suprapositivo) e PRINCÍPIOS DE DIREITO
INTERNACIONAL como, por exemplo, a observância dos direitos humanos, muitos deles
consagrados em tratados internacionais dos quais o país é signatário. Essas limitações
impositivas se manifestam através das pressões econômicas, sociais e de grupos particulares.
Todavia, DO PONTO DE VISTA ESTRITAMENTE JURÍDICO, prevalece o entendimento, tanto na DOUTRINA
quanto na JURISPRUDÊNCIA, de que não há limitações, no plano interno, ao Poder Constituinte
originário.
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1) JURÍDICO 2) LIMITADO
3) CONDICIONADO
(OU SUBORDINADO)
A) JURÍDICO Significa que o poder constituinte derivado é PODER DE DIREITO (OU PODER
JURÍDICO) e não poder de fato, pois DERIVA DE NORMAS CONSTITUCIONAIS
JURÍDICO-POSITIVAS.
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Vamos agora estudar com mais detalhes cada uma das espécies de Poder Constituinte derivado.
Depois que já foram aprovadas e se encontram em vigência, é muito comum que algumas
Constituições necessitem ser reformadas.
Para atender a essa necessidade, seria pouco prático convocar Assembleia Nacional Constituinte
para emendar a Constituição toda vez que houvesse necessidade.
Por essa razão, nossa Constituição atribui ao CONGRESSO NACIONAL o poder de reformá-la,
através da edição de EMENDAS À CONSTITUIÇÃO.
O procedimento para a elaboração de Sua previsão foi feita no art. 3º do Ato das
EMENDAS DE REFORMA encontra-se Disposições Finais Transitórias (ADCT), segundo o
regulado no art. 60 da Constituição. qual, APÓS 5 (CINCO) ANOS, CONTADOS DA
PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO (isto é, a partir de 5
Atualmente, já foram editadas mais de 100 de outubro de 1993), deveria ser realizada revisão
emendas de reforma. constitucional geral, UMA ÚNICA VEZ, pelo voto da
MAIORIA ABSOLUTA dos membros do Congresso
Nacional, em SESSÃO UNICAMERAL (Câmara+Senado).
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ATENÇÃO!
NÃO SE ESQUEÇA!
No Brasil, o poder de reforma da Constituição, EM SENTIDO AMPLO, inclui tanto o poder de EDITAR
EMENDAS DE REFORMA, quanto o poder de editar EMENDAS DE REVISÃO GERAL do texto constitucional. A
revisão geral foi feita em 1994, de forma que não mais existe essa modalidade de emenda,
remanescendo exclusivamente o poder de editar EMENDAS DE REFORMA, que é PERMANENTE e PODE
SER EXERCIDO A QUALQUER TEMPO, respeitadas as limitações impostas pela Constituição.
O poder constituinte derivado reformador está sujeito a diferentes tipos de limitações, conforme
tabela a seguir:
D) MATERIAIS São limitações que PROÍBEM A EDIÇÃO DE EMENDAS QUE ELIMINEM OU SEJAM
TENDENTES A ELIMINAR CERTAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS contidas no texto
(OU SUBSTANCIAIS) originário da Constituição Federal.
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A) LEGITIMIDADE PARA Proposta de emenda à Constituição não pode ser apresentada por
APRESENTAR PROPOSTA DE qualquer pessoa, mas apenas por uma das seguintes autoridades:
EMENDA
Se, por exemplo, for aprovada emenda cujo projeto foi apresentado ao
Congresso Nacional pelo Procurador-Geral da República, ela será
formalmente inconstitucional, por não ter respeitado limitações relativas à
legitimidade.
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(ART. 60, § 3º, CF) Quanto à competência para providenciar a PUBLICAÇÃO DA EMENDA, a
Constituição é silente, mas a doutrina considera que compete ao
CONGRESSO NACIONAL.
(ART. 60, § 5º, CF) De acordo com o art. 57, caput, da Constituição, sessão legislativa é o
PERÍODO ANUAL, compreendido entre 02 DE FEVEREIRO E 22 DE DEZEMBRO,
em que o Congresso deve se reunir na Capital Federal para os trabalhos
legislativos.
ATENÇÃO!
1) No ritual de elaboração de emendas à Constituição, diferente do que ocorre no rito das leis
ordinárias ou complementares, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA SÓ POSSUI LEGITIMIDADE PARA APRESENTAR O
PROJETO DE EMENDA, o que significa que ele só pode atuar na FASE DE INICIATIVA do processo
legislativo, pois AS EMENDAS NÃO SE SUJEITAM À SANÇÃO OU VETO PRESIDENCIAL e NEM MESMO À
PROMULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO PELO PRESIDENTE, atos que competem às Mesas da Câmara e do Senado,
conjuntamente, e ao Congresso Nacional, respectivamente (ver letra “D” da tabela acima).
3) No procedimento de emenda, a Constituição não estabelece qual das Casas deve funcionar
como iniciadora e qual deve ser a revisora. Por isso, aplica-se subsidiariamente a regra geral do
procedimento legislativo ordinário, contida no art. 64, caput, da CF, que atribui à CÂMARA DE
DEPUTADOS a função de CASA INICIADORA e ao SENADO FEDERAL a função de CASA REVISORA, exceto se a
emenda tiver sido proposta por 1/3 dos membros do Senado Federal, caso em que esta funcionará
como casa iniciadora.
Na prova realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2011, para o cargo de Procurador do
Ministério Público do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, “caiu” a seguinte
assertiva:
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De acordo com o art. 60, § 1º, a Constituição não poderá ser emendada na vigência de:
3) ESTADO DE SÍTIO
ATENÇÃO!
1) Nada impede que durante esses estados de exceção a proposta de emenda seja SUBMETIDA À
DELIBERAÇÃO do Congresso. O que não se admite é que, sendo aprovada a proposta, a
Constituição seja EMENDADA.
2) No caso da intervenção, SOMENTE A INTERVENÇÃO FEDERAL (da União nos Estados da Federação ou
da União em municípios localizados em territórios federais) impede a aprovação de emendas. A
intervenção de Estado-membro num ou mais de seus municípios (intervenção estadual) não
constitui proibição à reforma da Constituição Federal.
Essa espécie de limitação não deve ser confundida com a limitação circunstancial, vista no item
anterior, pois a limitação temporal impede que a Constituição seja reformada por LAPSO DE TEMPO
DETERMINADO.
O Poder Constituinte derivado reformador instituído pela Constituição brasileira de 1988 nunca
esteve sujeito a esse tipo de limitação, pois desde a sua promulgação em 05 de outubro de 1988,
a Constituição sempre pôde ser reformada a qualquer tempo.
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Art. 124, Constituição do Império de 1824 – “Se passados 4 (QUATRO) ANOS, DEPOIS DE
JURADA A CONSTITUIÇÃO DO BRASIL, se conhecer, que algum dos seus artigos merece
reforma, se fará a proposição por escrito, a qual deve ter origem na Câmara dos
Deputados, e ser apoiada pela terça parte deles.”
Na Constituição brasileira de 1988, podemos dizer que nem mesmo o art. 3º do ADCT, que exigia
o transcurso de um período mínimo de 5 (cinco) anos para que a Constituição pudesse receber
EMENDAS DE REVISÃO GERAL, teve o efeito de impor limitações temporais ao poder constituinte
derivado, pois nesse período a Constituição já podia ser modificada através de EMENDAS DE
REFORMA. Na verdade, só havia limitação temporal para a edição de emendas de revisão geral.
Porém, atualmente, essa limitação não tem mais sentido, pois as emendas de revisão já foram
todas editadas durante o exercício de 1994, conforme vimos anteriormente.
São limitações que proíbem a edição de emendas que eliminem determinadas disposições
contidas no texto originário da Constituição, sendo dirigidas ao CONTEÚDO DAS EMENDAS, NÃO A
SEU PROCEDIMENTO DE ELABORAÇÃO.
As limitações materiais são representadas por aquilo que a doutrina convencionou denominar de
“CLÁUSULAS PÉTREAS” (OU “CLÁUSULAS DE INAMOVIBILIDADE”), relacionadas no art. 60, § 4º, de
nossa Constituição, segundo o qual não poderá ser objeto de deliberação a proposta de emenda
TENDENTE A ABOLIR:
Todas as disposições da Constituição Federal que digam respeito a uma dessas matérias,
diluídas em seus 250 artigos, são cláusulas pétreas (imutáveis para efeito de supressão ou
limitação).
Isso se dá porque as matérias relacionadas acima (letras “A” a “D”) foram consideradas de
grande relevância pelo Poder Constituinte originário brasileiro, razão pela qual ele resolveu torná-
las IMUTÁVEIS, não podendo ser abolidas ou suprimidas através de emendas. Vejamos um
exemplo:
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Exemplo: Uma emenda constitucional não pode estabelecer que as pessoas terão que
pagar uma taxa para sair de seu Estado de origem e residir noutro Estado da Federação,
pois tal emenda seria tendente a abolir o direito individual de locomoção no território
nacional, declarado no art. 5º, inciso XV, da Constituição.
ATENÇÃO!
1) Nem todas as constituições do mundo possuem cláusulas pétreas. Isso não lhes retira,
contudo, a supremacia sobre as normas infraconstitucionais, pois, conforme vimos, a supremacia
das normas constitucionais sobre as demais depende da existência ou não de um PROCEDIMENTO
ESPECIAL MAIS COMPLEXO E DIFICULTOSO PARA SUA APROVAÇÃO, e não da existência de cláusulas
pétreas.
2) As cláusulas pétreas não impedem a edição de EMENDAS QUE VENHAM A ATRIBUIR NOVOS DIREITOS E
GARANTIAS AO CIDADÃO, mas apenas aquelas que eliminem ou suprimam os direitos já existentes ou
que sejam tendentes a aboli-los do texto constitucional originário. Cite-se como exemplo a
Emenda Constitucional nº 45/2004, conhecida como “Emenda da reforma do Poder Judiciário”,
que acrescentou mais uma categoria de direito individual ao rol do art. 5º da Constituição,
atribuindo ao cidadão o “direito à razoável duração do processo e aos meios que garantam a
celeridade de sua tramitação” (ART. 5º, LXXVIII, CF).
3) Para ser considerada inconstitucional, não se exige que a emenda elimine de forma direta os
dispositivos que dizem respeito às cláusulas pétreas. Basta que ela seja TENDENTE A ABOLIR essas
matérias, MESMO QUE A SUPRESSÃO NÃO SEJA DIRETA, ABSOLUTA E LITERAL. Um bom exemplo seria uma
emenda constitucional que modificasse o art. 28, caput, da Constituição de 1988, aumentando a
duração do mandato dos Governadores dos Estados de 4 (quatro) para 40 (quarenta) anos. Ela
seria uma emenda inconstitucional, pois, apesar de não suprimir de forma absoluta e direta o voto
periódico, seria tendente a aboli-lo.
5) Observe que a OBRIGATORIEDADE do voto NÃO É CLÁUSULA PÉTREA, mas representa cláusula
constitucional, contida no art. 14, § 1º, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, para que o voto
se torne facultativo é necessário uma emenda à Constituição.
Na prova realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2007, para o cargo de Procurador do
Ministério Público do Tribunal de Contas de Minas Gerais, “caiu” a seguinte assertiva:
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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A essa altura, você deve ter percebido que é perfeitamente possível que uma emenda seja
declarada inconstitucional pelo STF.
O detalhe é que esse controle é exercido posteriormente, ou seja, depois que a emenda já se
encontra vigente.
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Um dos exemplos mais conhecidos foi o julgamento da ADI - Ação Direta de Inconstitucionalidade
nº 3.128/DF, ajuizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR, contra
o art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição
previdenciária para os SERVIDORES PÚBLICOS INATIVOS.
Trata-se da segunda espécie de Poder Constituinte derivado, consistente no poder atribuído pela
Constituição aos ESTADOS-MEMBROS DE UMA FEDERAÇÃO PARA ELABORAREM SUAS PRÓPRIAS
CONSTITUIÇÕES (veja item 4 deste capítulo).
Na nossa atual Constituição, esse poder encontra-se instituído no caput do art. 25. Vejamos:
Em reforço ao art. 25, dispunha o art. 11 do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias):
Art. 11, caput, do ADCT - CADA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, COM PODERES CONSTITUINTES,
deverá elaborar a CONSTITUIÇÃO DO ESTADO, no prazo de 1 (um) ano, contado da
promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta.
Cabe ressaltar que essa modalidade de poder derivado só existe nos PAÍSES QUE ADOTAM A
FORMA FEDERATIVA DE ESTADO, como é o caso brasileiro.
Ao atribuir poder constituinte aos Estados, a Constituição na verdade lhes atribuiu AUTONOMIA
POLÍTICO-ADMINISTRATIVA para se auto-organizarem através de uma Constituição.
ATENÇÃO!
Segundo o STF, a INICIATIVA POPULAR de emenda à Constituição Estadual é compatível com a
Constituição Federal, encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, incisos II e
III, e no art. 49, inciso VI, da CF/88. Embora a Constituição Federal não autorize proposta de
iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais,
não há impedimento para que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a
competência constante da Carta Federal (STF, INFO 921).
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Art. 32, CF - O DISTRITO FEDERAL, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por LEI
ORGÂNICA, votada em dois turnos com interstício mínimo de 10 (dez) dias, e aprovada por
2/3 (dois terços) da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição.
Portanto, a LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL possui NATUREZA MATERIAL DE CONSTITUIÇÃO (lei
de organização política), submetida apenas aos princípios estabelecidos na Constituição Federal
e servindo de parâmetro para o controle de constitucionalidade das leis distritais. (Cunha Júnior,
Dirley da. Curso de Direito Constitucional. Salvador: JusPodivm, 2008. p. 248.)
No DF, o poder constituinte decorrente deve ser exercido pela CÂMARA LEGISLATIVA.
Neste ponto, a pergunta que se impõe é: os Municípios também são dotados de Poder
Constituinte decorrente?
A doutrina não é unânime, muito embora a maioria tenha a tendência de responder que NÃO.
Dirley da Cunha Júnior explica que os municípios não são dotados dessa modalidade de poder,
porque, apesar de a Constituição Federal lhes ter atribuído o poder de se auto-organizarem
através de leis orgânicas, essas leis também deverão observar as normas e princípios contidos
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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Art. 29, caput, CF - O Município reger-se-á por LEI ORGÂNICA, votada em 2 (dois) turnos,
com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por 2/3 (dois terços) dos membros da
Câmara Municipal, que a promulgará, ATENDIDOS OS PRINCÍPIOS ESTABELECIDOS NESTA
CONSTITUIÇÃO e NA CONSTITUIÇÃO DO RESPECTIVO ESTADO.
Por essa razão, esse autor conclui que admitir a existência de um poder constituinte decorrente
dos Municípios equivale a admitir a existência de um “poder decorrente do poder decorrente”.
(p.249)
Ousamos divergir.
A resposta requer que seja enfrentada uma outra pergunta logicamente anterior: para um ente
federativo, o que significa ser dotado de poder constituinte decorrente?
Art. 1º, caput, CF - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e MUNICÍPIOS e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito.
Por todas essas razões, nossa conclusão é no sentido de que OS MUNICÍPIOS BRASILEIROS SÃO
DOTADOS DE PODER CONSTITUINTE DECORRENTE E SUAS LEIS ORGÂNICAS POSSUEM NATUREZA
JURÍDICA DE VERDADEIRAS CONSTITUIÇÕES.
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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MAS, ATENÇÃO!
1) Essa não é a opinião dos principais constitucionalistas brasileiros. Portanto, para efeito das
questões de concurso, essa é modalidade de poder atribuída APENAS AOS ESTADOS E AO DISTRITO
FEDERAL.
2) O CESPE-Unb, em prova realizada em 2009, para o cargo de Juiz Federal Substituto do TRF 1ª
Região, considerou que, pelo critério jurídico-formal, a manifestação do poder constituinte
derivado decorrente mantém-se adstrita aos Estados-membros, para elaboração de suas
respectivas constituições, não se estendendo ao Distrito Federal e aos municípios, que se
organizam mediante LEI ORGÂNICA.
Isso significa que os Estados e o Distrito Federal NÃO PODEM editar NORMAS CONSTITUCIONAIS
LOCAIS que contrariem determinados PRINCÍPIOS, MODELOS E PADRÕES DE ESTRUTURAÇÃO DO
ESTADO fixados pela Constituição Federal.
A) OS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (ART. 5º, ARTS. 6º A 11, ART. 34, VII, “B”);
F) AS NORMAS DE GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (ART. 95, I, II, III);
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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ATENÇÃO!
1) Segundo entendimento do STF, manifestado no julgamento da ADI nº 2.076/AC, mesmo que
esses princípios não sejam expressamente reproduzidos na Constituição Estadual, eles deverão
incidir normalmente sobre a ordem jurídica local. Vejamos os termos da decisão:
2) A essa altura, você já deve ter deduzido que é juridicamente possível que uma contida na
Constituição de um Estado-membro seja declarada inconstitucional pelo STF. Isso ocorre quando
a norma contraria princípios que compõem o núcleo central da Constituição Federal, relacionados
na tabela acima.
9. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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de dívida de valor, a correção monetária poderia ser exigida mesmo que não houvesse lei
autorizadora, o que não violava o princípio da legalidade (STF, RE nº 104.930, julgado em 1985).
ATENÇÃO!
1) O fenômeno da mutação constitucional faz-se sentir de maneira muito forte nos Estados Unidos
da América e na Inglaterra, países regidos por normas constitucionais antigas, elaboradas há mais
de 200 anos, as quais exigem de seus tribunais constitucionais uma interpretação adaptada aos
usos, costumes e à realidade atual.
2) Ressalve-se que a nova interpretação deve ser compatível com o teor das palavras empregadas
pelo constituinte (dimensão literal) e com os princípios estruturantes da Constituição. Do
contrário, teremos uma “interpretação inconstitucional”.
A recepção ocorrerá mesmo que elas sejam formalmente incompatíveis com a Constituição.
Portanto, para que ocorra a recepção, basta que haja compatibilidade material, não havendo
necessidade de compatibilidade formal.
Por outro lado, as normas materialmente incompatíveis com a nova Constituição são REVOGADAS
por ela, o que indica que a não-recepção é fenômeno jurídico revogatório (lex superiori derrogat
inferiori), não de inconstitucionalidade superveniente.
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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11. DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO
Cumpre esclarecer que ESSE FENÔMENO NÃO É ADMITIDO PELO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO, pois
com a edição de uma nova Constituição, a anterior fica completamente revogada.
Ademais, as normas materialmente constitucionais, ou seja, aquelas que dizem respeito à forma
de Estado, à forma de Governo, aos órgãos de poder, suas atribuições e limites, e aos direitos e
garantias fundamentais do indivíduo, codificadas ou não em texto único, são, em regra,
insuscetíveis de desconstitucionalização, ou seja, não podem adquirir caráter de norma
infraconstitucional (são constitucionais por definição).
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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QUESTÕES DE CONCURSOS
1. (FCC/TRF 5ª Região/Juiz Federal/2001/q.1) A origem da ideia de Poder Constituinte e a
consequente distinção entre poder constituinte e poderes constituídos é atribuída a
B) Uma norma infraconstitucional que não seja compatível, do ponto de vista formal ou material,
com a nova constituição, é por esta revogada.
C) Considere-se que o Senado Federal tenha rejeitado, no final do ano de 2007, proposta de
emenda à CF. Nessa hipótese, nova proposta de emenda não poderá ser apresentada, com a
mesma matéria, no ano de 2008.
(A) Envolve processos cognitivos e questões complexas sobre teoria política, filosofia, ciência
política e Teoria da constituição, já que dispõe, de maneira derivada, sobre a principal lei de um
Estado, sua organização e os direitos e garantias fundamentais.
(B) Os positivistas admitem que é um poder de direito que se funda num poder natural, do qual
resultam regras anteriores ao direito positivo e decorrentes da natureza humana e da própria
ideia de justiça da comunidade.
(C) Sua teorização precedeu historicamente a primeira constituição escrita, tendo como grande
colaborador a figura do Abade Emmanuel Sieyès que alguns meses antes da Revolução
Francesa publicou um panfleto intitulado “A Essência da Constituição”.
(D) Sua atividade se dá nos casos de necessária evolução constitucional, onde o texto poderá ser
modificado através de regras e limites jurídicos contidos na norma hipotética fundamental
idealizada por Hans Kelsen.
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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(E) Na sua atuação poderá encontrar limitações circunstanciais impositivas como por exemplo as
pressões econômicas, sociais e de grupos particulares, mas fundará sua legitimidade numa pauta
advinda da ideia de direito da comunidade e de sua tradição cultural.
(A) I e IV.
(B) I e III.
(C) II e IV.
(E) IV.
( ) Por ser integrante da Constituição, a norma constitucional que enumera as cláusulas pétreas,
também chamadas de cláusulas de inamovibilidade, é passível de alteração como outros
dispositivos constitucionais. Desse modo, é juridicamente possível a aprovação de emenda
constitucional que altere o rol daquelas cláusulas.
A) A iniciativa popular para apresentação de proposição legislativa não pode dar início a proposta
de emenda à Constituição.
D) Emenda à Constituição pode determinar que o presidente da República seja eleito pelos
integrantes do Congresso Nacional.
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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( ) O poder atribuído aos estados-membros de uma federação para instituírem a sua própria
constituição denomina-se originário decorrente.
( ) Qualquer constituição, não importa a que Estado nacional se refira, deve conter cláusulas
pétreas, pois, do contrário, terá apenas força de lei, sem a necessária supremacia.
( ) A constituição pode ganhar novos sentidos tanto por processo formal legislativo como por
processo informal de mudança de suas normas.
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23. (CESPE/TRF 5ª Região/Juiz Federal Substituto/2017/q.1) Foi proposta, por um terço das
assembleias legislativas das unidades da Federação, emenda constitucional com o objetivo de
alterar dispositivo referente à Defensoria Pública, visando-se aprimorar a estrutura orgânico-
institucional desse órgão. Votada em dois turnos nas duas casas do Congresso Nacional, a
emenda foi aprovada mediante três quintos dos votos dos membros de cada uma delas. Nesta
situação hipotética, a referida proposta deve ser considerada
B) inconstitucional, uma vez que a emenda fere cláusula de reserva de iniciativa do chefe do
Poder Executivo.
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( ) Embora não previsto expressamente, o princípio da simetria determina que todas as normas
da CF voltadas à União devem, sem exceção, ser aplicadas também aos demais entes
federativos, especialmente nos casos em que o texto constitucional for silente sobre tal extensão.
( ) São de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais e leis orgânicas municipais, sob
pena de nulidade destas, todas as normas da CF consideradas de observância obrigatória para
estados e municípios, dependendo a incidência local destas últimas da sua devida transposição
naqueles diplomas fundamentais.
A) No tocante ao poder constituinte originário, o Brasil adotou a corrente positivista, de modo que
o referido poder se revela ilimitado, apresentando natureza pré-jurídica.
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D) As normas produzidas pelo poder constituinte originário são passíveis de controle concentrado
e difuso de constitucionalidade.
E) A CF pode ser alterada, a qualquer momento, por intermédio do chamado poder constituinte
derivado reformador e também pelo derivado revisor.
II. O poder constituinte derivado reformador, também chamado de poder constituinte difuso,
refere-se às mutações constitucionais.
III. Se o conteúdo for compatível, a norma anterior será recepcionada, mesmo que sua forma não
seja mais admitida pela Constituição superveniente.
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(A) apresenta subdivisão em duas espécies, que são o poder constituinte decorrente, ou de auto-
organização dos estados-membros, e o poder constituinte reformador, que permite ao Legislativo
alterar a Constituição.
(B) encontra-se limitado por normas expressas e implícitas da própria Constituição, as quais
devem ser seguidas sob pena de ilegalidade do ato dele derivado.
(C) extrai sua legitimidade do poder constituinte originário, ao qual se subordina quanto ao
conteúdo, que é limitado por normas constitucionais explícitas, sendo que seu exercício é de
manifestação livre no aspecto formal.
(D) é autônomo e limitado, na sua forma e no seu conteúdo, pois, acaso contrarie os princípios
constitucionais limitativos, é passível de controle de constitucionalidade.
(E) encontra fundamento no poder constituinte decorrente e se exprime pelas cláusulas pétreas,
rol de matérias constitucionais que não podem ser alteradas na hipótese de reforma da
constituição.
(B) revisão constitucional proposta por metade, no mínimo, dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal, pelo Presidente da República ou por mais da metade dos
governadores das unidades da Federação.
(C)revisão constitucional periódica, realizada a cada cinco anos, a partir de sua promulgação,
pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.
(E) emenda constitucional oriunda de proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas
das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa dos seus
membros.
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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(E) foi recepcionada nos aspectos que não contrariam as novas normas constitucionais.
(A) podem decorrer de aprovação de projeto apresentado pela iniciativa popular, como
expressamente admite o texto constitucional.
(D) a matéria constante de proposta de emenda rejeitada não pode ser objeto de nova proposta
na mesma sessão legislativa.
(E) pode o Presidente da República vetar proposta de emenda constitucional aprovada pelo
Congresso Nacional.
(B) previsto no próprio texto constitucional, para reformar a Constituição vigente, ou de permitir
que as unidades que compõem a Federação instituam suas próprias Constituições.
(C) condicionado, por estar submetido aos condicionamentos impostos pelo poder constituinte
originário.
(D) ilimitado, porque não encontra limites na elaboração do texto constitucional, podendo dispor
sobre quaisquer temas que repute necessários.
(A) Matéria constante de proposta de emenda constitucional rejeitada deverá ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.
(B) Não há vedação constitucional que impeça a Constituição Federal de ser emendada na
vigência de intervenção federal.
(C) A Constituição Federal poderá ser emendada, também, mediante proposta de um terço, no
mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.
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(D) Matéria constante de proposta de emenda constitucional havida por prejudicada deverá ser
objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.
(E) A Constituição Federal poderá ser emendada, também, mediante proposta de dois terços das
Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria absoluta de seus membros.
(A) I e IV.
(B) I e III.
(C) II e IV.
(D) III e IV.
(E) IV
(A) perderá sua validade imediatamente, ainda que seja compatível com a nova Constituição.
(B) não perderá sua validade se for compatível com a nova Constituição.
(C) perderá sua validade apenas se a nova Constituição expressamente assim determinar.
(D) não perderá a validade, ainda que seja incompatível com a nova Constituição.
(E) não perderá sua validade apenas se a nova Constituição expressamente assim determinar.
(A) material.
(B) formal.
(C) circunstancial.
(D) implícita.
(E) relativa.
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(A) reduzir o rol das garantias da magistratura estadual previstas na Constituição da República.
(B) determinar que os Tribunais de Contas Estaduais sejam compostos por mais de sete
Conselheiros.
(B) ao quorum de quatro quintos dos parlamentares para apresentação de proposta de emenda.
(C) ao quorum de dois terços dos parlamentares para aprovação da emenda constitucional.
(B) permite que a Constituição Federal seja emendada, por meio de revisão constitucional, desde
que haja o voto favorável de três quintos de Deputados e Senadores, em sessão unicameral.
(C) está materialmente limitado à forma federativa de Estado, à separação de poderes, à forma
republicana, ao sistema presidencialista, bem como aos direitos e garantias fundamentais
segundo disposição expressa do texto constitucional.
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(D) pode se manifestar por meio de emendas à Constituição, cujo projeto pode ser proposto por
mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.
(A) viola a Constituição, que exclui matéria relativa a direitos e garantias fundamentais da esfera
de atuação do poder de reforma da Constituição.
(C) deve ser precedida de plebiscito, por se tratar de matéria reservada à atuação do povo, titular
do poder constituinte originário.
(D) é compatível com a Constituição, desde que resulte da iniciativa conjunta de, no mínimo, 27
(vinte e sete) Senadores.
(A) não poderá ser aprovada porque afronta o Poder Constituinte Originário, o qual não permite
que restrições de direitos sejam modificadas.
(B) é uma manifestação do Poder Constituinte Derivado Reformador e, portanto, não poderá ser
aprovada por desrespeitar a cláusula pétrea da separação de poderes e da federação.
(C) é uma manifestação do Poder Constituinte Derivado Reformador que não afronta os limites
materiais da Constituição e, portanto, poderá ser aprovada.
(D) poderá ser aprovada, mas sua aplicabilidade dependerá de alteração do texto das
Constituições Esta- duais e das Leis Orgânicas Municipais, por imposição do Poder Constituinte
Derivado Decorrente.
(E) é uma manifestação do Poder Constituinte Derivado Decorrente e, portanto, não poderá ser
aprovada por afrontar a cláusula pétrea da separação de poderes e da federação.
(B) não se atingiu o quórum necessário para aprovação na Câmara dos Deputados.
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(D) versa sobre matéria de direitos fundamentais, vedada à ação de reforma constitucional.
(C) enseja ação direta de inconstitucionalidade por omissão para a sua imediata regulamentação
por parte do Supremo Tribunal Federal.
(E) escapa, como qualquer tributo estadual, às normas gerais constantes do Código Tributário
Nacional.
(B) Pode ser caracterizado como uma energia ou força social com natureza pré-jurídica que, a
partir da sua manifestação, inaugura uma ordem jurídica, não admitindo que qualquer lei ou
constituição que lhe preceda continue a produzir efeitos.
(C) Admite-se que a Constituição originária, que decorre dos trabalhos do poder constituinte
originário, tenha suas normas declaradas inconstitucionais em função de violação da Constituição
anterior.
(D) No caso brasileiro, a partir da sua manifestação na modalidade originária, que não encontra
na ordem jurídica anterior qualquer controle, inaugura-se uma nova ordem jurídica, para a qual o
relacionamento com a ordem anterior pode ser regulado mediante o conceito de recepção.
(E) O poder constituinte derivado reformador, que elabora as constituições estaduais nos estados
federais, tem as mesmas características do poder constituinte originário, exceto a desvinculação
constitucional da ordem jurídica anterior.
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11. (Correto. O Poder Constituinte originário é ilimitado e autônomo do ponto de vista jurídico-material.
Isso significa que cabe exclusivamente à Assembleia ou Convenção Constituinte, na qualidade de
representante do Poder Constituinte originário, determinar o conteúdo das normas constitucionais, não
estando ela sujeita a nenhuma limitação de conteúdo imposta pelo direito positivo anterior. Por outro lado,
do ponto de vista sociológico, ou político, ou econômico, a doutrina moderna tem entendido que até mesmo
o poder constituinte originário está sujeito a certos limites, impostos por princípios constitutivos da ideia de
Direito da comunidade e de sua tradição cultural, não tendo liberdade total para moldar arbitrariamente o
conteúdo da nova Constituição de um país. São limitações impostas por princípios de justiça (princípios de
direito suprapositivo) e princípios de direito internacional como, por exemplo, a observância dos direitos
humanos, muitos deles consagrados em tratados internacionais dos quais o país é signatário. Todavia, do
ponto de vista estritamente jurídico, prevalece o entendimento, tanto na doutrina quanto na
jurisprudência, de que não há limitações, no plano interno, ao Poder Constituinte originário.)
12. (Correto. Vamos apelar para um exemplo: imagine que um determinado país resolva elaborar uma
nova Constituição e que o texto final aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte contenha em seu art.
5º a seguinte redação: “o direito à vida não é assegurado a todas as pessoas, dependendo de certas
condições a serem estabelecidas em lei”. Pois bem. De acordo com a corrente jusnaturalista, o direito à
vida é um direito natural. Dessa forma, mesmo que o legislador constituinte tenha optado, em princípio, por
não garantir esse direito a todas as pessoas, fazendo constar o dispositivo no texto da própria Constituição,
este dispositivo é juridicamente inválido, pois contraria um princípio de direito natural. Em suma, o poder
constituinte está condicionado e limitado por um poder natural, anterior e superior a ele. Não se encontra
limitado por normas de direito positivo, mas decorre da natureza humana e da própria ideia de justiça da
comunidade.)
13. (Correto. O Poder Constituinte derivado é também conhecido como poder constituinte de segundo
grau, secundário ou poder constituído. Pode ser definido como o poder atribuído pela Constituição a certos
órgãos para que eles reformem a própria Constituição e, no caso dos Estados federativos, para que
sejam instituídos os Estados-membros, através de uma Constituição Estadual. Essas finalidades
definem as duas espécies de poder constituinte derivado: o reformador e o decorrente.)
14. (Correto. O Poder Constituinte derivado reformador se manifesta não somente através da edição de
emendas de reforma à Constituição, mas também através da aprovação de emendas de revisão geral da
Constituição. As emendas de reforma servem para promover alterações pontuais no texto da Constituição,
enquanto que as emendas de revisão se destinaram a promover uma alteração geral.)
15. (Errado. O erro da assertiva está em afirmar que o Poder Constituinte reformador se confunde com o
Poder Constituinte originário. O primeiro, definido como o poder de reformar a Constituição, é limitado e
condicionado, pois seu exercício deve se dar dentro dos limites procedimentais e materiais estabelecidos
pela Constituição. O segundo, definido como o poder de elaborar a Constituição de um país, é ilimitado e
incondicionado, pois seu exercício não está sujeito a qualquer limitação imposta pelo direito positivo.
Portanto, ambos são distintos entre si, havendo entre eles uma relação de criador e criatura: o poder
constituinte originário cria o poder constituinte reformador.)
16. (Correto. Conforme dispõe o art. 60, § 2º, da Constituição Federal: “a proposta será discutida e
votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em
ambos, 3/5 (três quintos) dos votos dos respectivos membros”.)
17. (Correto. As limitações materiais ao Poder Constituinte derivado proíbem a edição de emendas
constitucionais que eliminem determinadas disposições ou princípios contidos no texto originário da
Constituição. A doutrina distingue duas espécies de limitações materiais ao poder constituinte derivado: as
explícitas (ou expressas) e as implícitas (ou tácitas, ou inerentes). A primeira categoria é formada
pelas limitações expressamente previstas no texto da Constituição. No caso brasileiro, as limitações
materiais explícitas encontram-se previstas no art. 60, § 4º, da Constituição, chamadas de cláusulas
pétreas. A segunda categoria é formada pelas limitações não previstas expressamente no texto da
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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Constituição, mas que decorrem necessariamente dos regimes e princípios adotados por ela. Quanto às
limitações circunstanciais, são todas expressas e encontram-se previstas no § 1º do art. 60: “a Constituição
não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.)
19. (Correto. Trata-se de uma segunda espécie de Poder Constituinte derivado, ao lado do Poder
Constituinte reformador.)
20. (Correto. Sendo uma modalidade de poder constituinte derivado da Constituição Federal, o poder
decorrente também está sujeito a uma série de limitações materiais (ou de conteúdo). Isso significa que os
Estados e o Distrito Federal não podem editar normas constitucionais locais que contrariem determinados
princípios contidos no texto originário da Constituição Federal. O princípio maior que regula e limita o
conteúdo das normas constitucionais dos Estados é o princípio da simetria. De acordo com esse
princípio, na elaboração das Constituições e normas locais, o Poder Constituinte decorrente deve respeitar
os princípios, modelos e padrões de estruturação do Estado fixados pela Constituição Federal. Tais
modelos são de reprodução obrigatória e simétrica nos textos das Constituições estaduais. Representam
um núcleo central da Constituição Federal, o qual deve obrigatoriamente ser reproduzido na Constituição
do Estado-membro e do Distrito Federal.)
21. (Errado. Segundo o entendimento do STF, manifestado no julgamento da ADI nº 2.076/AC, sendo de
reprodução obrigatória, mesmo que esse núcleo não seja expressamente reproduzido na Constituição
Estadual, as normas que o compõem incidirão normalmente sobre a ordem jurídica local. Vejamos os
termos da decisão: “(...) Noutra hipótese, todavia, o constituinte estadual reproduz norma da Constituição
Federal que, reproduzida ou não, incidirá sobre a ordem local. É que, nesta hipótese, tem-se
reprodução obrigatória para as comunidades jurídicas parciais (os Estados), norma central que constitui a
Constituição total do Estado Federal, Constituição total entendida como o setor da Constituição Federal
formado pelo conjunto das normas centrais, selecionadas pelo constituinte, para ulterior projeção no
Estado-membro, sem organizá-lo integralmente.” (grifamos) Essas normas centrais representam, na
verdade, certos princípios a que o poder constituinte decorrente está limitado e dizem respeito às seguintes
matérias: direitos e garantias fundamentais, separação dos poderes, forma republicana, sistema
representativo, regime democrático, autonomia municipal, entre outras, difusamente expostas no texto
constitucional.)
23. E;
24. VFFFF;
25. F;
26. Errado;
27. Certo;
28. A;
29. E;
30. C;
31. A;
32. E;
33. C;
34. E;
35. D;
36. D;
37. C;
36
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38. A;
39. B;
40. B;
41. C;
42. FV;
43. E;
44. D;
45. D;
46.C;
47. A;
48. A;
49. D.
37