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Poder Constituinte

O documento discute o conceito de Poder Constituinte, sua supremacia na criação da Constituição e as teorias que explicam sua origem, incluindo as correntes jusnaturalista e juspositivista. O Poder Constituinte é considerado titularizado pelo povo, que exerce esse poder através de representantes em assembleias constituintes. Além disso, o texto classifica o Poder Constituinte em originário e derivado, detalhando suas características e a importância de sua natureza ilimitada e incondicionada.
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Poder Constituinte

O documento discute o conceito de Poder Constituinte, sua supremacia na criação da Constituição e as teorias que explicam sua origem, incluindo as correntes jusnaturalista e juspositivista. O Poder Constituinte é considerado titularizado pelo povo, que exerce esse poder através de representantes em assembleias constituintes. Além disso, o texto classifica o Poder Constituinte em originário e derivado, detalhando suas características e a importância de sua natureza ilimitada e incondicionada.
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PODER CONSTITUINTE. CONCEITO. TEORIAS.

TITULARIDADE. ESPÉCIES. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL.


RECEPÇÃO CONSTITUCIONAL.
DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO.

1. CONCEITO

Estudamos que a Constituição é a NORMA JURÍDICA BÁSICA DE UM PAÍS e que serve de


FUNDAMENTO DE VALIDADE DE TODAS AS DEMAIS NORMAS JURÍDICAS que compõem o ordenamento.
Em suma, ela é a NORMA SUPREMA DE UM ESTADO.

Mas a pergunta que se impõe no momento é: DE ONDE VEM A SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO?


QUAL SEU FUNDAMENTO?

A resposta é simples: a supremacia da Constituição advém da SOBERANIA DA FONTE QUE A


PRODUZIU: o PODER CONSTITUINTE.

Portanto, PODER CONSTITUINTE pode ser definido como o PODER QUE CRIA E ORGANIZA UM ESTADO,
ATRAVÉS DE UMA CONSTITUIÇÃO. É o poder que CRIA A NORMA FUNDAMENTAL DE UM PAÍS, ou seja, a
própria Constituição do país.

Trata-se de um PODER QUE CONSTITUI todos os demais poderes (Executivo, Legislativo e


Judiciário), mas que não é constituído por nenhum outro poder superior a ele. É por essa razão
que ele é denominado de “CONSTITUINTE”, em contraposição aos “PODERES CONSTITUÍDOS”.

Esses últimos criam as demais normas jurídicas do ordenamento, enquanto o poder constituinte
cria a própria Constituição.

Essa característica diferencia a Constituição das demais normas do sistema e lhe confere
supremacia sobre elas.

Portanto, vale a pena repetir: “A CONSTITUIÇÃO GOZA DE SUPREMACIA SOBRE AS DEMAIS NORMAS
JURÍDICAS EM RAZÃO DA SOBERANIA DO PODER QUE A CRIOU, O PODER CONSTITUINTE”

A soberania do criador (poder constituinte) gera a supremacia da Constituição (criatura).

A Constituição é descendente direta, em linha reta e em primeiro grau, do poder constituinte.

2. TEORIAS SOBRE A ORIGEM DO PODER CONSTITUINTE

Todas as sociedades humanas sempre foram dotadas de um poder constituinte, pois ele é algo
que sempre existiu, já que nunca deixou de haver o ato de uma sociedade estabelecendo os
fundamentos de sua organização política.

Portanto, a novidade surgida com as revoluções liberais do século XVIII (Revolução Francesa e
Revolução Americana) e com as primeiras constituições escritas não foi o surgimento do poder
constituinte, mas a formulação de teorias que tentaram explicar o que era esse poder e qual a
sua origem.

A primeira pessoa a elaborar uma teoria sobre o poder constituinte foi o ABADE EMMANUEL DE
SIEYÈS, mais conhecido como Abade Sieyès, cidadão francês, nascido em 1748, hoje
reconhecido como o CRIADOR E PRECURSOR DA “TEORIA DO PODER CONSTITUINTE”.
DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

Seu pensamento foi publicado através de um panfleto intitulado "QUE É O TERCEIRO ESTADO?",
distribuído nas ruas de Paris dois dias antes da eclosão da Revolução Francesa. Conta-se que
esse panfleto insuflou os ânimos e serviu como estopim para o início da Revolução, o que
ocorreu em 14 de julho de 1789.

Em seu manifesto, Sieyès fez a distinção entre “PODER CONSTITUINTE” e “PODERES


CONSTITUÍDOS”: o primeiro é o “CRIADOR”, pois cria a própria Constituição do Estado (a criatura); o
segundo é “CRIADO PELA CONSTITUIÇÃO” e cria as demais normas do sistema jurídico.

PORTANTO, NÃO SE ESQUEÇA: o surgimento de uma TEORIA SOBRE O PODER CONSTITUINTE


precedeu historicamente a primeira constituição escrita, tendo como grande colaborador a figura
do Abade Emmanuel de Sieyès que, dois dias antes da Revolução Francesa, publicou um
panfleto intitulado "Que é o Terceiro Estado?".

A partir daí foram surgindo diversas teorias que tentavam explicar a ORIGEM e a NATUREZA do
Poder Constituinte, as quais podem ser divididas em duas correntes:

1) CORRENTE JUSNATURALISTA 2) CORRENTE JUSPOSITIVISTA

Vejamos:

2.1. CORRENTE JUSNATURALISTA

Os adeptos dessa corrente consideram que o Poder Constituinte é um PODER DE DIREITO e sua
origem não se encontra em normas de direito positivo, mas num DIREITO NATURAL, que lhe é
anterior e superior.

Esse direito natural é composto por um conjunto de princípios que PREEXISTEM À PRÓPRIA
CONSTITUIÇÃO ESCRITA DO ESTADO, os quais são autônomos em relação às decisões do legislador
constituinte, obrigando-o e vinculando-o, de tal sorte que as normas constitucionais que venham
a ser aprovadas, mas que sejam contrárias a esses princípios, devem ser consideradas
juridicamente inválidas e não-obrigatórias. Vejamos um exemplo.

Exemplo: Imagine que um determinado país resolva elaborar uma nova Constituição e
que o texto final aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte contenha em seu art. 5º
a seguinte redação: “O direito à vida não é assegurado a todas as pessoas, dependendo
de certas condições a serem estabelecidas em lei”. Pois bem. De acordo com a corrente
jusnaturalista, o direito à vida é um direito natural. Dessa forma, mesmo que o legislador
constituinte tenha optado, em princípio, por não garantir esse direito a todas as pessoas,
fazendo constar o dispositivo no texto da própria Constituição, este dispositivo é
juridicamente inválido, pois contraria um princípio de direito natural.

Em suma, segundo os jusnaturalistas, o poder constituinte está condicionado e limitado por um


PODER NATURAL, anterior e superior a ele, não estando limitado por normas de direito positivo,
mas decorre da natureza humana e da própria ideia de justiça da comunidade (poder de direito
natural gera poder constituinte).

O Abade Emmanuel de Sieyès era jusnaturalista.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

2.2. CORRENTE JUSPOSITIVISTA

Os adeptos dessa corrente consideram que a origem e o fundamento do Poder Constituinte não
se encontram em qualquer direito preexistente ou superior a ele. Não se trata, portanto, de um
poder de direito, mas de um PODER DE FATO.

Exemplo: Apelando novamente para nosso exemplo, a norma contida no art. 5º do nosso
país fictício seria perfeitamente válida, pelo simples fato de ter sido editada pelo Poder
Constituinte, não cabendo qualquer comparação com um direito natural anterior ou
superior a ele, pois esse direito simplesmente não existe.

Portanto, segundo a corrente juspositivista, “direito” é somente aquele contido na Constituição,


editada pelo Poder Constituinte, e contido nas normas infraconstitucionais, editadas pelos
poderes constituídos, e ponto final, não existindo um “direito natural”, preexistente e superior, mas
apenas um “DIREITO POSITIVO”, no sentido de “DIREITO POSTO” por um poder constituinte e por
poderes constituídos.

Em suma, para os positivistas o poder constituinte não decorre e nem está condicionado e
limitado por qualquer norma de direito natural ou de direito positivo anterior e superior. Ao
contrário, ele se funda a si próprio, sendo um poder de fato.

3. TITULARIDADE DO PODER CONSTITUINTE

Quem é o titular e detentor do Poder Constituinte? A doutrina moderna considera que é o “POVO”.

Nas palavras de J. J. Gomes Canotilho, “POVO” pode ser definido como uma “GRANDEZA
PLURALÍSTICA formada por INDIVÍDUOS, ASSOCIAÇÕES, GRUPOS SOCIAIS, IGREJAS, COMUNIDADES,
PERSONALIDADES, INSTITUIÇÕES, que agregam INTERESSES, IDEIAS, CRENÇAS E VALORES, PLURAIS,
CONVERGENTES OU CONFLITANTES”.

Portanto, o Poder Constituinte PERTENCE EXCLUSIVAMENTE AO POVO, de modo que comete


equívoco quem afirma que há cotitularidade entre o POVO E O GOVERNO: seu titular EXCLUSIVO é o
povo.

A Constituição originária é expressão das decisões soberanas do POVO, em sua integralidade.

“Maioria” é elemento determinante das decisões da assembleia constituinte, que é mero


representante do POVO.

ATENÇÃO!
1) Nos regimes de DEMOCRACIA REPRESENTATIVA, como é o caso do Brasil, o TITULAR do Poder
Constituinte (povo) não se confunde com os EXERCENTES do poder: exercentes são as pessoas
que, EM NOME DO POVO E NA CONDIÇÃO DE REPRESENTANTES OU MANDATÁRIOS, elaboram a Constituição
do Estado. Esses representantes, em geral, organizam-se sob a forma de Assembleia ou
Convenção Constituinte, a qual promulga a Constituição, podendo ser escolhidos por eleição ou
formados por um GRUPO (OU MOVIMENTO) REVOLUCIONÁRIO que recebe integral apoio do povo.

Exemplos: A Constituição Americana de 1787 foi editada pela Convenção da Filadélfia; a


Constituição Francesa de 1791 foi editada pela Assembleia Nacional Francesa.

Depois de encerrados os trabalhos de elaboração da Constituição, o poder de mandato dos


representantes se esgota. Mas, O PODER CONSTITUINTE DO POVO PERMANECE PARA SEMPRE. Trata-se,
portanto, de PODER PERMANENTE.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

2) Nos casos de constituições OUTORGADAS, como foi o caso da Constituição brasileira de 1824,
imposta isoladamente pelo Imperador Pedro I, que dissolveu a Assembleia Constituinte antes
mesmo de ter sido elaborada a Constituição, a doutrina considera que ocorre USURPAÇÃO DO PODER
CONSTITUINTE DO POVO, e esse poder acaba sendo exercido POR QUEM NÃO É SEU TITULAR NEM SEU
REPRESENTANTE. O Brasil teve mais duas constituições outorgadas: a de 1937 e a de 1967, com a
Emenda nº 01/1969.

3) Como o assunto visto neste item foi cobrado em concurso??

Na prova realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2006, para o cargo de Procurador do
Ministério Público do Tribunal de Contas do Ceará, “caíram” as seguintes assertivas:

“I. No que diz respeito ao Poder constituinte, é correto afirmar que o Movimento
Revolucionário não é considerado uma das formas básicas de expressão desse Poder.”

“II. No que diz respeito ao Poder constituinte, é correto afirmar que o titular desse Poder é
o povo, e seu exercente é aquele que, em nome do povo, cria o Estado, editando a nova
Constituição.”

A primeira assertiva foi considerada ERRADA e a segunda CORRETA.

4. ESPÉCIES DE PODER CONSTITUINTE

A doutrina classifica o poder constituinte da seguinte forma:

1) PODER CONSTITUINTE PODER PARA ELABORAR A CONSTITUIÇÃO DE UM


ORIGINÁRIO ESTADO

PODER PARA
PODER CONSTITUINTE REFORMAR A
DERIVADO REFORMADOR CONSTITUIÇÃO DE UM
ESTADO

2) PODER CONSTITUINTE
DERIVADO
PODER QUE OS
ESTADOS MEMBROS DE
PODER CONSTITUINTE UMA FEDERAÇÃO
DERIVADO DECORRENTE POSSUEM PARA
ELABORAR SUAS
PRÓPRIAS
CONSTITUIÇÕES

Vamos estudar com detalhes cada uma delas.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

5. PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

É o PODER QUE O POVO TEM DE ELABORAR, DE MANEIRA ORIGINÁRIA, SUA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO,
dispondo sobre a organização política do Estado e sobre os direitos e garantias fundamentais.

O poder constituinte originário também costuma ser denominado de PODER CONSTITUINTE DE


PRIMEIRO GRAU, PRIMÁRIO ou GENUÍNO.

Em síntese, é o poder que CRIA A CONSTITUIÇÃO DE UM PAÍS.

A atual Constituição brasileira (1988) foi criada pelo Poder Constituinte originário, titularizado pelo
povo brasileiro e exercido em seu nome pela Assembleia Nacional Constituinte, cujos trabalhos
se desenvolveram ao longo do ano de 1987.

A Constituição é o produto e o resultado do exercício desse poder.

5.1. CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO PODE CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

De acordo com a doutrina, o poder constituinte originário apresenta as seguintes características:

1) INICIAL 2) ILIMITADO E AUTÔNOMO

3) INCONDICIONADO 4) PERMANENTE

Vejamos o que significa cada uma delas:

A) INICIAL Significa que o poder constituinte originário INAUGURA NOVA ORDEM


JURÍDICO-CONSTITUCIONAL, seja elaborando a primeira Constituição do
(OU INAUGURAL)
país, seja rompendo com a ordem constitucional anterior, caso em que a
nova Constituição REVOGA a Constituição anterior, assim como todas as
normas infraconstitucionais que com ela sejam materialmente
incompatíveis.

Por essa razão, nas palavras de Dirley da Cunha Júnior, o Poder


Constituinte originário é ao mesmo tempo “CONSTITUINTE” e
“DESCONSTITUINTE”, pois desconstitui a ordem jurídica anterior (pg.235).

Foi o que ocorreu no Brasil, no dia 05 de outubro de 1988, quando a atual


Constituição revogou a Constituição de 1967/69 e todas as leis
infraconstitucionais materialmente incompatíveis com seus dispositivos.

C) ILIMITADO E AUTÔNOMO Significa que cabe exclusivamente à Assembleia ou Convenção


Constituinte, na qualidade de representante do Poder Constituinte
originário, determinar o CONTEÚDO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS, não
estando sujeita a nenhuma limitação de conteúdo imposta por direito
positivo anterior ou pressuposto.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

Exemplo: O art. 150, § 11, da Constituição de 1967/69 proibia,


em princípio, a pena de morte no Brasil. Esse dispositivo,
contudo, não vinculava a Assembleia Nacional Constituinte de
1987, não sendo ela obrigada a proibir a pena de morte no texto
da nova Constituição, pois seu poder era ilimitado e autônomo em
relação à ordem jurídico-constitucional anterior. Por livre escolha,
ela acabou optando pela proibição da pena de morte.

D) INCONDICIONADO Significa que o Poder Constituinte originário não está vinculado à


observância de nenhuma REGRA PROCEDIMENTAL para elaboração da
Constituição do país, não estando condicionada a NENHUMA NORMA
PREESTABELECIDA DE PROCESSO LEGISLATIVO.

Neste ponto, o processo de elaboração da Constituição originária se


diferencia do processo de elaboração das demais espécies de normas do
ordenamento jurídico (emendas à Constituição, leis complementares, leis
ordinárias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções), pois estas
últimas têm seu processo de elaboração PRÉ-FIXADO NA PRÓPRIA
CONSTITUIÇÃO. No caso da Constituição brasileira de 1988, essas regras
encontram-se entre os arts. 59 e 69.

No caso da Constituição originária, não há previsão dessas regras no


ordenamento jurídico positivo.

Isso não significa que não haja necessidade de fixação de regras de


procedimento para que a Assembleia Constituinte possa
“trabalhar”.Porém, é a própria assembleia que dita essas regras.

E) PERMANENTE Conforme já vimos, depois de CONCLUÍDOS OS TRABALHOS DE ELABORAÇÃO


DA CONSTITUIÇÃO pela Assembleia ou Convenção, O PODER DE MANDATO
DOS REPRESENTANTES SE ENCERRA.

Mas o Poder Constituinte originário do povo PERMANECE SEMPRE.

Trata-se, portanto, de um PODER PERMANENTE.

 ATENÇÃO!
Do ponto de vista SOCIOLÓGICO, ou POLÍTICO, ou ECONÔMICO, a DOUTRINA moderna tem entendido que
até mesmo o poder constituinte originário está sujeito a certos limites, impostos por princípios
constitutivos da ideia de Direito da comunidade e de sua tradição cultural, não tendo liberdade
total para moldar arbitrariamente o conteúdo da nova Constituição de um país. São limitações
impostas por PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA (princípios de direito suprapositivo) e PRINCÍPIOS DE DIREITO
INTERNACIONAL como, por exemplo, a observância dos direitos humanos, muitos deles
consagrados em tratados internacionais dos quais o país é signatário. Essas limitações
impositivas se manifestam através das pressões econômicas, sociais e de grupos particulares.
Todavia, DO PONTO DE VISTA ESTRITAMENTE JURÍDICO, prevalece o entendimento, tanto na DOUTRINA
quanto na JURISPRUDÊNCIA, de que não há limitações, no plano interno, ao Poder Constituinte
originário.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

6. PODER CONSTITUINTE DERIVADO

É o poder que DETERMINADOS ÓRGÃOS POSSUEM PARA REFORMAR A CONSTITUIÇÃO (poder


derivado reformador) OU o poder que os ESTADOS DA FEDERAÇÃO POSSUEM PARA ELABORAR SUA
PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO (poder derivado decorrente).

O poder constituinte derivado também costuma ser denominado de PODER CONSTITUINTE DE


SEGUNDO GRAU, SECUNDÁRIO ou PODER CONSTITUÍDO.

6.1. CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO PODER CONSTITUINTE DERIVADO

1) JURÍDICO 2) LIMITADO

3) CONDICIONADO
(OU SUBORDINADO)

Vejamos o que significa cada uma dessas características:

A) JURÍDICO Significa que o poder constituinte derivado é PODER DE DIREITO (OU PODER
JURÍDICO) e não poder de fato, pois DERIVA DE NORMAS CONSTITUCIONAIS
JURÍDICO-POSITIVAS.

Exemplo: No caso da Constituição Federal brasileira de 1988, o


poder para reformá-la através de emendas encontra-se instituído
em seu art. 60 (poder derivado reformador), e o poder dos
Estados de elaborar suas próprias Constituições está previsto no
art. 25 (poder derivado decorrente).

B) LIMITADO Significa que os órgãos detentores do Poder Constituinte derivado


(Congresso Nacional e Assembleias Legislativas estaduais) não têm
liberdade total para determinar arbitrariamente o CONTEÚDO DAS EMENDAS
CONSTITUCIONAIS OU DAS CONSTITUIÇÕES DOS ESTADOS-MEMBROS, ficando
sujeitos a LIMITAÇÕES DE CONTEÚDO IMPOSTAS PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

Exemplos: O art. 60, § 4º, da Constituição Federal proíbe


expressamente que sejam aprovadas emendas constitucionais
que eliminem o voto direto, secreto, universal e periódico.
Portanto, o Congresso Nacional não pode aprovar emenda
constitucional estabelecendo que o Presidente da República será
eleito a partir de votos de colégio eleitoral constituído por
deputados e senadores. Por sua vez, o art. 34, inciso VII, da
Constituição Federal estabelece que os Estados da Federação
brasileira deverão assegurar e respeitar a autonomia político-
administrativa de seus Municípios. Por essa razão, a Assembleia
Legislativa de um Estado não pode estabelecer em sua
Constituição que os Municípios serão administrados por um
representante do Governador.

Trata-se de LIMITAÇÕES MATERIAIS impostas pela Constituição Federal ao


Poder Constituinte derivado.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

C) CONDICIONADO Significa que o Poder Constituinte derivado está obrigado a observar


REGRAS PROCEDIMENTAIS PREESTABELECIDAS para a elaboração das
(OU SUBORDINADO)
emendas e das Constituições dos Estados-membros.

Exemplo: De acordo com o art. 60, § 2º, da Constituição Federal,


proposta de emenda à Constituição Federal só pode se aprovada
se obtiver a concordância de, no mínimo, 3/5 dos membros de
cada Casa do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e
Senado Federal), em dois turnos de votação.

Vamos agora estudar com mais detalhes cada uma das espécies de Poder Constituinte derivado.

7. PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR (OU COMPETÊNCIA REFORMADORA)

Depois que já foram aprovadas e se encontram em vigência, é muito comum que algumas
Constituições necessitem ser reformadas.

Para atender a essa necessidade, seria pouco prático convocar Assembleia Nacional Constituinte
para emendar a Constituição toda vez que houvesse necessidade.

Por essa razão, nossa Constituição atribui ao CONGRESSO NACIONAL o poder de reformá-la,
através da edição de EMENDAS À CONSTITUIÇÃO.

Alguns doutrinadores costumam denominar o poder derivado reformador de “COMPETÊNCIA


REFORMADORA”.

7.1. TIPOS DE EMENDAS

A Constituição brasileira de 1988 prevê DUAS ESPÉCIES DE EMENDAS:

1) EMENDAS DE REFORMA 2) EMENDAS DE REVISÃO GERAL

Servem para promover ALTERAÇÕES Destinavam-se a promover uma REVISÃO GERAL da


PONTUAIS no texto da Constituição. Constituição.

O procedimento para a elaboração de Sua previsão foi feita no art. 3º do Ato das
EMENDAS DE REFORMA encontra-se Disposições Finais Transitórias (ADCT), segundo o
regulado no art. 60 da Constituição. qual, APÓS 5 (CINCO) ANOS, CONTADOS DA
PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO (isto é, a partir de 5
Atualmente, já foram editadas mais de 100 de outubro de 1993), deveria ser realizada revisão
emendas de reforma. constitucional geral, UMA ÚNICA VEZ, pelo voto da
MAIORIA ABSOLUTA dos membros do Congresso
Nacional, em SESSÃO UNICAMERAL (Câmara+Senado).

Tratava-se de PODER PROGRAMADO E TRANSITÓRIO,


atribuído ao Congresso Nacional e que já foi
exercido, resultando na elaboração de 6 (SEIS)
EMENDAS CONSTITUCIONAIS DE REVISÃO, TODAS
EDITADAS EM 1994.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

ATENÇÃO!
NÃO SE ESQUEÇA!
No Brasil, o poder de reforma da Constituição, EM SENTIDO AMPLO, inclui tanto o poder de EDITAR
EMENDAS DE REFORMA, quanto o poder de editar EMENDAS DE REVISÃO GERAL do texto constitucional. A
revisão geral foi feita em 1994, de forma que não mais existe essa modalidade de emenda,
remanescendo exclusivamente o poder de editar EMENDAS DE REFORMA, que é PERMANENTE e PODE
SER EXERCIDO A QUALQUER TEMPO, respeitadas as limitações impostas pela Constituição.

7.2. LIMITAÇÕES AO PODER CONSTITUINTE DERIVADO REFORMADOR

O poder constituinte derivado reformador está sujeito a diferentes tipos de limitações, conforme
tabela a seguir:

A) PROCESSUAIS Essas espécies de limitações dizem respeito ao RITUAL para a elaboração


da emenda, que deverá seguir certas regras, tais como legitimidade para
(OU FORMAIS OU apresentar a proposta, quorum de aprovação, competência para
PROCEDIMENTAIS) promulgação, entre outras formalidades.

Na constituição brasileira de 1988 essas limitações encontram-se


previstas no art. 60.

B) CIRCUNSTANCIAIS São limitações que PROÍBEM A EDIÇÃO DE EMENDAS DURANTE A VIGÊNCIA DE


DETERMINADAS CIRCUNSTÂNCIAS EXCEPCIONAIS como, por exemplo, durante
o estado de sítio, a fim de evitar comprometimento da liberdade e
independência dos órgãos incumbidos da reforma.

A Constituição brasileira de 1988 prevê essa espécie de limitação em seu


art. 60, § 1º.

C) TEMPORAIS Existe limitação temporal quando a Constituição fixa UM PERÍODO DE


TEMPO DURANTE O QUAL O TEXTO CONSTITUCIONAL NÃO PODERÁ SER
MODIFICADO, seja através de emendas de reforma, seja através de
emendas de revisão geral.

Nossa Constituição previa esse tipo de limitação apenas para as


emendas de revisão geral.

D) MATERIAIS São limitações que PROÍBEM A EDIÇÃO DE EMENDAS QUE ELIMINEM OU SEJAM
TENDENTES A ELIMINAR CERTAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS contidas no texto
(OU SUBSTANCIAIS) originário da Constituição Federal.

A Constituição brasileira de 1988 prevê essa espécie de limitação em seu


art. 60, § 4º.

Vejamos cada uma dessas limitações, NA FORMA COMO SE ENCONTRAM PREVISTAS NA


CONSTITUIÇÃO DE 1988.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

7.3. LIMITAÇÕES PROCESSUAIS (OU PROCEDIMENTAIS, OU FORMAIS)

São as seguintes as limitações procedimentais impostas por nossa Constituição ao poder de


reforma:

A) LEGITIMIDADE PARA Proposta de emenda à Constituição não pode ser apresentada por
APRESENTAR PROPOSTA DE qualquer pessoa, mas apenas por uma das seguintes autoridades:
EMENDA

(ART. 60, INCISOS I A III, CF) a) PRESIDENTE DA REPÚBLICA;

b) 1/3 (UM TERÇO) DOS MEMBROS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (171


DEPUTADOS);

c) 1/3 (UM TERÇO) DOS MEMBROS DO SENADO FEDERAL (27


SENADORES);

d) MAIS DA METADE DAS ASSEMBLEIAS LEGISLATIVAS DAS UNIDADES


DA FEDERAÇÃO, manifestando-se, cada uma delas, pela MAIORIA
RELATIVA DE SEUS MEMBROS (14 ASSEMBLEIAS LEGISLATIVAS).

Se, por exemplo, for aprovada emenda cujo projeto foi apresentado ao
Congresso Nacional pelo Procurador-Geral da República, ela será
formalmente inconstitucional, por não ter respeitado limitações relativas à
legitimidade.

B) TURNOS DE DISCUSSÃO E a) NO CASO DE EMENDA DE REFORMA...


VOTAÇÃO
A proposta deverá ser discutida e votada em cada Casa do
(ART. 60, § 2º, CF)
Congresso Nacional (Câmara e Senado) em 2 (DOIS) TURNOS de
discussão e votação.

b) EM CASO DE EMENDA DE REVISÃO GERAL...

A sessão de discussão e votação deveria ser CONJUNTA ENTRE AS


DUAS CASAS E REALIZADA UM SÓ VEZ (sessão unicameral).

C) QUORUM DE APROVAÇÃO a) NO CASO DE EMENDA DE REFORMA...


(ART. 60, § 2º, CF)
A proposta considera-se aprovada se obtiver, em ambos os
turnos, 3/5 (TRÊS QUINTOS) DOS VOTOS DOS MEMBROS DA CASA
LEGISLATIVA.

Assim sendo, para ser aprovada proposta de emenda de reforma,


no Senado, deverá haver a aprovação de 49 Senadores (3/5 X
81=48,9); na Câmara, que atualmente tem 513 deputados, deverá
haver 308 votos favoráveis (3/5 X 513 = 307,8).

Observe que 3/5 corresponde a 60% (SESSENTA POR CENTO).

Nesse ponto, o ritual para elaboração de emendas se distingue


do ritual para elaboração das leis ordinárias, que exige o quorum
de maioria simples, e das leis complementares, que exige maioria
absoluta.

b) EM CASO DE EMENDA DE REVISÃO GERAL...

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

O quorum de aprovação era a MAIORIA ABSOLUTA DOS MEMBROS


DO CONGRESSO NACIONAL (mais da metade dos membros do CN).

D) COMPETÊNCIA PARA É das MESAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL,


PROMULGAR E PUBLICAR A CONJUNTAMENTE, com o respectivo número de ordem.
EMENDA

(ART. 60, § 3º, CF) Quanto à competência para providenciar a PUBLICAÇÃO DA EMENDA, a
Constituição é silente, mas a doutrina considera que compete ao
CONGRESSO NACIONAL.

E) IMPOSSIBILIDADE DE A matéria constante de proposta de EMENDA REJEITADA OU HAVIDA POR


REAPRESENTAÇÃO DA PREJUDICADA NÃO PODE SER OBJETO DE NOVA PROPOSTA (nova
PROPOSTA NA MESMA apresentação do projeto) NA MESMA SESSÃO LEGISLATIVA.
SESSÃO LEGISLATIVA

(ART. 60, § 5º, CF) De acordo com o art. 57, caput, da Constituição, sessão legislativa é o
PERÍODO ANUAL, compreendido entre 02 DE FEVEREIRO E 22 DE DEZEMBRO,
em que o Congresso deve se reunir na Capital Federal para os trabalhos
legislativos.

NOSSA CONSTITUIÇÃO NÃO CONTEMPLA QUALQUER EXCEÇÃO A ESSA REGRA


LIMITATIVA, de modo que, se um projeto de emenda for novamente
apresentado e aprovado na mesma sessão legislativa em que foi
rejeitado ou havido por prejudicado, a emenda será formalmente
inconstitucional por violação à regra de procedimento legislativo.

ATENÇÃO!
1) No ritual de elaboração de emendas à Constituição, diferente do que ocorre no rito das leis
ordinárias ou complementares, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA SÓ POSSUI LEGITIMIDADE PARA APRESENTAR O
PROJETO DE EMENDA, o que significa que ele só pode atuar na FASE DE INICIATIVA do processo
legislativo, pois AS EMENDAS NÃO SE SUJEITAM À SANÇÃO OU VETO PRESIDENCIAL e NEM MESMO À
PROMULGAÇÃO E PUBLICAÇÃO PELO PRESIDENTE, atos que competem às Mesas da Câmara e do Senado,
conjuntamente, e ao Congresso Nacional, respectivamente (ver letra “D” da tabela acima).

2) Observe que a literalidade de nossa Constituição não prevê a possibilidade de INICIATIVA


POPULAR para emendas à Constituição Federal. Entretanto, isso não impede que as CONSTITUIÇÕES
DOS ESTADOS prevejam a INICIATIVA POPULAR PARA EMENDAS ÀS CONSTITUIÇÕES ESTADUAIS . É o caso, por
exemplo, da Constituição do Estado de Pernambuco (art. 17, inciso III, CE).

3) No procedimento de emenda, a Constituição não estabelece qual das Casas deve funcionar
como iniciadora e qual deve ser a revisora. Por isso, aplica-se subsidiariamente a regra geral do
procedimento legislativo ordinário, contida no art. 64, caput, da CF, que atribui à CÂMARA DE
DEPUTADOS a função de CASA INICIADORA e ao SENADO FEDERAL a função de CASA REVISORA, exceto se a
emenda tiver sido proposta por 1/3 dos membros do Senado Federal, caso em que esta funcionará
como casa iniciadora.

4) Julgando MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL ajuizado por parlamentares que invocavam


descumprimento ao devido processo legislativo, o STF reafirmou o direito público subjetivo de
não serem os congressistas obrigados a votar proposta de emenda constitucional que havia sido
reapresentada na mesma sessão legislativa em que foi rejeitada (STF, MS nº 22.503-3).

5) Como o assunto visto neste item foi cobrado em concurso??

Na prova realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2011, para o cargo de Procurador do
Ministério Público do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, “caiu” a seguinte
assertiva:
11
DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

“Cento e oitenta Deputados Federais subscrevem proposta de emenda à Constituição, com


vistas a alterar a redação de seu artigo 5º, inciso IX, para prever que “é livre o acesso à
imaginação, sendo igualmente livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica
e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. A proposta é votada em
dois turnos na Câmara dos Deputados, sendo aprovada pelo voto de 331 membros, em
cada turno. Em primeira votação no Senado Federal, contudo, a proposta é rejeitada.
Nessa hipótese, a matéria não poderá ser objeto de nova proposta de emenda à
Constituição na mesma sessão legislativa.”

A assertiva foi considerada CORRETA. Trata-se de limitação procedimental instituída pelo


art. 60, § 5º, da Constituição Federal.

7.4. LIMITAÇÕES CIRCUNSTANCIAIS (OU DE AMBIENTE POLÍTICO-INSTITUCIONAL)

De acordo com o art. 60, § 1º, a Constituição não poderá ser emendada na vigência de:

1) INTERVENÇÃO FEDERAL 2) ESTADO DE DEFESA

3) ESTADO DE SÍTIO

ATENÇÃO!
1) Nada impede que durante esses estados de exceção a proposta de emenda seja SUBMETIDA À
DELIBERAÇÃO do Congresso. O que não se admite é que, sendo aprovada a proposta, a
Constituição seja EMENDADA.

2) No caso da intervenção, SOMENTE A INTERVENÇÃO FEDERAL (da União nos Estados da Federação ou
da União em municípios localizados em territórios federais) impede a aprovação de emendas. A
intervenção de Estado-membro num ou mais de seus municípios (intervenção estadual) não
constitui proibição à reforma da Constituição Federal.

7.5. LIMITAÇÕES TEMPORAIS

Essa espécie de limitação não deve ser confundida com a limitação circunstancial, vista no item
anterior, pois a limitação temporal impede que a Constituição seja reformada por LAPSO DE TEMPO
DETERMINADO.

Ou seja, tem a ver com tempo, não com circunstância político-institucional.

O Poder Constituinte derivado reformador instituído pela Constituição brasileira de 1988 nunca
esteve sujeito a esse tipo de limitação, pois desde a sua promulgação em 05 de outubro de 1988,
a Constituição sempre pôde ser reformada a qualquer tempo.

Dentre as Constituições brasileiras, somente a Constituição Imperial de 1824 estabelecia


limitação temporal ao poder de reforma, em razão do que dispunha seu art. 124. Vamos
relembrar:

12
DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

Art. 124, Constituição do Império de 1824 – “Se passados 4 (QUATRO) ANOS, DEPOIS DE
JURADA A CONSTITUIÇÃO DO BRASIL, se conhecer, que algum dos seus artigos merece
reforma, se fará a proposição por escrito, a qual deve ter origem na Câmara dos
Deputados, e ser apoiada pela terça parte deles.”

Na Constituição brasileira de 1988, podemos dizer que nem mesmo o art. 3º do ADCT, que exigia
o transcurso de um período mínimo de 5 (cinco) anos para que a Constituição pudesse receber
EMENDAS DE REVISÃO GERAL, teve o efeito de impor limitações temporais ao poder constituinte
derivado, pois nesse período a Constituição já podia ser modificada através de EMENDAS DE
REFORMA. Na verdade, só havia limitação temporal para a edição de emendas de revisão geral.

Porém, atualmente, essa limitação não tem mais sentido, pois as emendas de revisão já foram
todas editadas durante o exercício de 1994, conforme vimos anteriormente.

7.6. LIMITAÇÕES MATERIAIS (OU SUBSTANCIAIS, OU “CLÁUSULAS PÉTREAS”)

São limitações que proíbem a edição de emendas que eliminem determinadas disposições
contidas no texto originário da Constituição, sendo dirigidas ao CONTEÚDO DAS EMENDAS, NÃO A
SEU PROCEDIMENTO DE ELABORAÇÃO.

As limitações materiais são representadas por aquilo que a doutrina convencionou denominar de
“CLÁUSULAS PÉTREAS” (OU “CLÁUSULAS DE INAMOVIBILIDADE”), relacionadas no art. 60, § 4º, de
nossa Constituição, segundo o qual não poderá ser objeto de deliberação a proposta de emenda
TENDENTE A ABOLIR:

A) A SEPARAÇÃO DOS PODERES (SEPARAÇÃO FUNCIONAL DE PODER);

B) OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS;

C) A FORMA FEDERATIVA DE ESTADO (SEPARAÇÃO GEOGRÁFICA DE PODER);

D) O VOTO DIRETO, SECRETO, UNIVERSAL E PERIÓDICO.

Todas as disposições da Constituição Federal que digam respeito a uma dessas matérias,
diluídas em seus 250 artigos, são cláusulas pétreas (imutáveis para efeito de supressão ou
limitação).

As cláusulas pétreas também costumam ser denominadas de “NÚCLEO IMUTÁVEL” ou “NÚCLEO


DURO” da Constituição, pois representam a parte absolutamente RÍGIDA de nossa Constituição, as
quais não se submetem a supressões nem mesmo por emenda (NORMAS DE EFICÁCIA OU
APLICABILIDADE ABSOLUTA).

Alguns doutrinadores denominam as cláusulas pétreas de “CLÁUSULAS DE GARANTIA DE


ETERNIDADE” (Gilmar Ferreira Mendes, p. 1028).

Isso se dá porque as matérias relacionadas acima (letras “A” a “D”) foram consideradas de
grande relevância pelo Poder Constituinte originário brasileiro, razão pela qual ele resolveu torná-
las IMUTÁVEIS, não podendo ser abolidas ou suprimidas através de emendas. Vejamos um
exemplo:

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

Exemplo: Uma emenda constitucional não pode estabelecer que as pessoas terão que
pagar uma taxa para sair de seu Estado de origem e residir noutro Estado da Federação,
pois tal emenda seria tendente a abolir o direito individual de locomoção no território
nacional, declarado no art. 5º, inciso XV, da Constituição.

ATENÇÃO!
1) Nem todas as constituições do mundo possuem cláusulas pétreas. Isso não lhes retira,
contudo, a supremacia sobre as normas infraconstitucionais, pois, conforme vimos, a supremacia
das normas constitucionais sobre as demais depende da existência ou não de um PROCEDIMENTO
ESPECIAL MAIS COMPLEXO E DIFICULTOSO PARA SUA APROVAÇÃO, e não da existência de cláusulas
pétreas.

2) As cláusulas pétreas não impedem a edição de EMENDAS QUE VENHAM A ATRIBUIR NOVOS DIREITOS E
GARANTIAS AO CIDADÃO, mas apenas aquelas que eliminem ou suprimam os direitos já existentes ou
que sejam tendentes a aboli-los do texto constitucional originário. Cite-se como exemplo a
Emenda Constitucional nº 45/2004, conhecida como “Emenda da reforma do Poder Judiciário”,
que acrescentou mais uma categoria de direito individual ao rol do art. 5º da Constituição,
atribuindo ao cidadão o “direito à razoável duração do processo e aos meios que garantam a
celeridade de sua tramitação” (ART. 5º, LXXVIII, CF).

3) Para ser considerada inconstitucional, não se exige que a emenda elimine de forma direta os
dispositivos que dizem respeito às cláusulas pétreas. Basta que ela seja TENDENTE A ABOLIR essas
matérias, MESMO QUE A SUPRESSÃO NÃO SEJA DIRETA, ABSOLUTA E LITERAL. Um bom exemplo seria uma
emenda constitucional que modificasse o art. 28, caput, da Constituição de 1988, aumentando a
duração do mandato dos Governadores dos Estados de 4 (quatro) para 40 (quarenta) anos. Ela
seria uma emenda inconstitucional, pois, apesar de não suprimir de forma absoluta e direta o voto
periódico, seria tendente a aboli-lo.

4) Segundo a jurisprudência do STF, não somente as normas constantes do catálogo de direitos e


garantias individuais do art. 5º da CF, mas também outras normas consagradoras de direitos
individuais constantes noutras partes do texto constitucional estão marcadas pela característica
da imutabilidade, como, por exemplo, o princípio da anterioridade tributária, declarado no art. 150,
inciso III, aliena “b”, da Constituição, ou a regra da menoridade penal, contida no art. 228 da CF.

5) Observe que a OBRIGATORIEDADE do voto NÃO É CLÁUSULA PÉTREA, mas representa cláusula
constitucional, contida no art. 14, § 1º, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, para que o voto
se torne facultativo é necessário uma emenda à Constituição.

6) Como o assunto visto neste item foi cobrado em concurso??

Na prova realizada pela Fundação Carlos Chagas em 2007, para o cargo de Procurador do
Ministério Público do Tribunal de Contas de Minas Gerais, “caiu” a seguinte assertiva:

“A doutrina reconhece as normas constitucionais de eficácia absoluta como sendo as


intangíveis; contra elas nem mesmo há o poder de emendar, a exemplo da tripartição de
Poderes.”

A assertiva foi considerada CORRETA.

7.7. ESPÉCIES DE LIMITAÇÕES MATERIAIS

A doutrina distingue duas espécies de limitações materiais ao poder constituinte derivado


reformador:

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

A) LIMITAÇÕES EXPLÍCITAS São aquelas PREVISTAS EXPRESSAMENTE NO TEXTO DA CONSTITUIÇÃO, (art.


60, § 4º), relacionadas no item 7.6 acima e conhecidas como CLÁUSULAS
(OU EXPRESSAS)
PÉTREAS.

B) LIMITAÇÕES IMPLÍCITAS NÃO SE ENCONTRAM PREVISTAS EXPRESSAMENTE NO TEXTO DA CONSTITUIÇÃO,


mas DECORREM NECESSARIAMENTE DOS REGIMES E PRINCÍPIOS ADOTADOS
(OU TÁCITAS, OU INERENTES)
POR ELA. São elas:

a) LIMITAÇÕES RELATIVAS AO PRÓPRIO PROCEDIMENTO DE ELABORAÇÃO DAS


EMENDAS

Sendo assim, o Congresso Nacional não pode editar uma


emenda para ALTERAR o próprio procedimento de elaboração de
emendas, nem para simplificar nem para complicar.

Por exemplo, não pode mudar o quorum de aprovação de 3/5


(60%) para 3/6 (50%).

b) LIMITAÇÕES RELATIVAS AO PRÓPRIO ROL DAS CLÁUSULAS PÉTREAS

Dessa forma, o Congresso Nacional não pode editar uma


emenda mudando o rol das cláusulas pétreas, contido no art. 60,
§ 4º, nem para suprimir nem para acrescentar.

Exemplo: Seria inconstitucional uma emenda que suprimisse o


inciso III, do § 4º, do art. 60 da Constituição (princípio da
separação dos poderes).

c) LIMITAÇÕES RELATIVAS AO TITULAR DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO

Não se admite a edição de emenda que retire do POVO a


titularidade exclusiva sobre o Poder Constituinte originário.

d) LIMITAÇÕES RELATIVAS AO TITULAR DO PODER CONSTITUINTE DERIVADO

Assim sendo, é juridicamente impossível a aprovação de uma


emenda que retire do Congresso Nacional a competência para
reformar a Constituição Federal, ou das Assembleias Legislativas
estaduais a competência para elaborar as Constituições dos
Estados.

7.8. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE EMENDAS

A essa altura, você deve ter percebido que é perfeitamente possível que uma emenda seja
declarada inconstitucional pelo STF.

Isso ocorre quando o constituinte derivado deixa de observar as limitações procedimentais,


circunstanciais ou materiais, estabelecidas no texto da Constituição.

Em certa medida, o controle concentrado de constitucionalidade exercido pelo STF sobre as


emendas à Constituição impõe restrições ao Poder Constituinte derivado.

O detalhe é que esse controle é exercido posteriormente, ou seja, depois que a emenda já se
encontra vigente.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

O STF já apreciou a inconstitucionalidade de diversas emendas.

Um dos exemplos mais conhecidos foi o julgamento da ADI - Ação Direta de Inconstitucionalidade
nº 3.128/DF, ajuizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República – ANPR, contra
o art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição
previdenciária para os SERVIDORES PÚBLICOS INATIVOS.

O Tribunal julgou improcedente o pedido, considerando constitucional o art. 4º da Emenda e, por


consequência, a cobrança de contribuição previdenciária de servidores públicos inativos.

8. PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE

Trata-se da segunda espécie de Poder Constituinte derivado, consistente no poder atribuído pela
Constituição aos ESTADOS-MEMBROS DE UMA FEDERAÇÃO PARA ELABORAREM SUAS PRÓPRIAS
CONSTITUIÇÕES (veja item 4 deste capítulo).

Na nossa atual Constituição, esse poder encontra-se instituído no caput do art. 25. Vejamos:

Art. 25, caput, CF - OS ESTADOS ORGANIZAM-SE E REGEM-SE PELAS CONSTITUIÇÕES e LEIS


QUE ADOTAREM, observados os princípios desta Constituição.

Em reforço ao art. 25, dispunha o art. 11 do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias):

Art. 11, caput, do ADCT - CADA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, COM PODERES CONSTITUINTES,
deverá elaborar a CONSTITUIÇÃO DO ESTADO, no prazo de 1 (um) ano, contado da
promulgação da Constituição Federal, obedecidos os princípios desta.

Cabe ressaltar que essa modalidade de poder derivado só existe nos PAÍSES QUE ADOTAM A
FORMA FEDERATIVA DE ESTADO, como é o caso brasileiro.

Ao atribuir poder constituinte aos Estados, a Constituição na verdade lhes atribuiu AUTONOMIA
POLÍTICO-ADMINISTRATIVA para se auto-organizarem através de uma Constituição.

Esse poder deve ser exercido pelas Assembleias Legislativas estaduais.

O Estado de Pernambuco cumpriu a determinação constitucional, promulgando sua Constituição


no dia 05 de outubro de 1989.

 ATENÇÃO!
Segundo o STF, a INICIATIVA POPULAR de emenda à Constituição Estadual é compatível com a
Constituição Federal, encontrando fundamento no art. 1º, parágrafo único, no art. 14, incisos II e
III, e no art. 49, inciso VI, da CF/88. Embora a Constituição Federal não autorize proposta de
iniciativa popular para emendas ao próprio texto, mas apenas para normas infraconstitucionais,
não há impedimento para que as Constituições Estaduais prevejam a possibilidade, ampliando a
competência constante da Carta Federal (STF, INFO 921).

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

8.1. PODER CONSTITUINTE DO DISTRITO FEDERAL

O Distrito Federal também é dotado de poder constituinte derivado decorrente, ou seja, de


autonomia político-administrativa para se auto-organizar através de uma Constituição, pois,
apesar de a Constituição Federal referir-se à sua organização através de uma “LEI ORGÂNICA”, a
ele também foram atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados da Federação,
entre as quais está a de elaborar sua própria Constituição.

Vejamos os dispositivos constitucionais pertinentes:

Art. 18, caput, CF - A ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DA REPÚBLICA FEDERATIVA


DO BRASIL COMPREENDE a União, os Estados, O DISTRITO FEDERAL e os Municípios, TODOS
AUTÔNOMOS, nos termos desta Constituição.

Art. 32, CF - O DISTRITO FEDERAL, vedada sua divisão em Municípios, reger-se-á por LEI
ORGÂNICA, votada em dois turnos com interstício mínimo de 10 (dez) dias, e aprovada por
2/3 (dois terços) da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição.

§ 1º - Ao Distrito Federal são atribuídas as COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS RESERVADAS AOS


ESTADOS e Municípios.

Portanto, a LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL possui NATUREZA MATERIAL DE CONSTITUIÇÃO (lei
de organização política), submetida apenas aos princípios estabelecidos na Constituição Federal
e servindo de parâmetro para o controle de constitucionalidade das leis distritais. (Cunha Júnior,
Dirley da. Curso de Direito Constitucional. Salvador: JusPodivm, 2008. p. 248.)

O STF já decidiu nesse sentido (ADI-MC nº 980/DF).

Vejamos os termos da decisão:

“A Lei Orgânica do Distrito Federal constitui instrumento normativo primário destinado a


regular, de modo subordinante - e com inegável primazia sobre o ordenamento positivo
distrital - a vida jurídico-administrativa e político-institucional dessa entidade integrante da
Federação brasileira. Esse ato representa, dentro do sistema de direito positivo, o
momento inaugural e fundante da ordem jurídica vigente no âmbito do Distrito Federal. Em
uma palavra: a Lei Orgânica equivale, em força, autoridade e eficácia jurídicas, a um
VERDADEIRO ESTATUTO CONSTITUCIONAL, ESSENCIALMENTE EQUIPARÁVEL AS CONSTITUIÇÕES
PROMULGADAS PELOS ESTADOS-MEMBROS”.

No DF, o poder constituinte decorrente deve ser exercido pela CÂMARA LEGISLATIVA.

8.2. PODER CONSTITUINTE DOS MUNICÍPIOS

Neste ponto, a pergunta que se impõe é: os Municípios também são dotados de Poder
Constituinte decorrente?

A doutrina não é unânime, muito embora a maioria tenha a tendência de responder que NÃO.

Dirley da Cunha Júnior explica que os municípios não são dotados dessa modalidade de poder,
porque, apesar de a Constituição Federal lhes ter atribuído o poder de se auto-organizarem
através de leis orgânicas, essas leis também deverão observar as normas e princípios contidos

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

na Constituição do Estado em que o Município se localiza. É o que se encontra disposto no art.


29 da Constituição Federal.

Art. 29, caput, CF - O Município reger-se-á por LEI ORGÂNICA, votada em 2 (dois) turnos,
com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por 2/3 (dois terços) dos membros da
Câmara Municipal, que a promulgará, ATENDIDOS OS PRINCÍPIOS ESTABELECIDOS NESTA
CONSTITUIÇÃO e NA CONSTITUIÇÃO DO RESPECTIVO ESTADO.

Por essa razão, esse autor conclui que admitir a existência de um poder constituinte decorrente
dos Municípios equivale a admitir a existência de um “poder decorrente do poder decorrente”.
(p.249)

Ousamos divergir.

A resposta requer que seja enfrentada uma outra pergunta logicamente anterior: para um ente
federativo, o que significa ser dotado de poder constituinte decorrente?

Conforme anotamos, significa ter PODER DE SE AUTO-ORGANIZAR ATRAVÉS DE UMA CONSTITUIÇÃO.

Noutros termos, significa ser dotado de autonomia político-administrativa.

Ora, no sistema federativo instituído pela Constituição brasileira de 1988, os municípios, NA


QUALIDADE DE ENTES FEDERATIVOS COMPONENTES DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, também
foram dotados de autonomia político-administrativa.

É o que se deduz do disposto nos arts. 1º e 18:

Art. 1º, caput, CF - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e MUNICÍPIOS e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito.

Art. 18, caput, CF - A ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DA REPÚBLICA FEDERATIVA


DO BRASIL COMPREENDE a União, os Estados, o Distrito Federal e OS MUNICÍPIOS, TODOS
AUTÔNOMOS, nos termos desta Constituição.

Decorre dessa autonomia não só o poder de auto-organização político-administrativa através de


lei orgânica, mas também o de editar suas próprias leis, desde que obedecidos os limites de
competência legislativa traçados na própria Constituição Federal.

Quanto ao argumento de que o poder constituinte decorrente dos Municípios equivaleria a um


“poder decorrente do poder decorrente”, cabe lembrar que o poder de auto-organização é
atribuído aos Municípios pela própria Constituição Federal, manifestação do Poder Constituinte
originário.

Por todas essas razões, nossa conclusão é no sentido de que OS MUNICÍPIOS BRASILEIROS SÃO
DOTADOS DE PODER CONSTITUINTE DECORRENTE E SUAS LEIS ORGÂNICAS POSSUEM NATUREZA
JURÍDICA DE VERDADEIRAS CONSTITUIÇÕES.

Nesse mesmo sentido, posiciona-se Gilmar Ferreira Mendes (p. 821).

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

MAS, ATENÇÃO!
1) Essa não é a opinião dos principais constitucionalistas brasileiros. Portanto, para efeito das
questões de concurso, essa é modalidade de poder atribuída APENAS AOS ESTADOS E AO DISTRITO
FEDERAL.

2) O CESPE-Unb, em prova realizada em 2009, para o cargo de Juiz Federal Substituto do TRF 1ª
Região, considerou que, pelo critério jurídico-formal, a manifestação do poder constituinte
derivado decorrente mantém-se adstrita aos Estados-membros, para elaboração de suas
respectivas constituições, não se estendendo ao Distrito Federal e aos municípios, que se
organizam mediante LEI ORGÂNICA.

8.3. LIMITAÇÕES MATERIAIS AO PODER CONSTITUINTE DERIVADO DECORRENTE

Sendo modalidade de poder constituinte derivado da Constituição Federal, o poder decorrente


também está sujeito a uma série de LIMITAÇÕES MATERIAIS (OU SUBSTANCIAIS).

Isso significa que os Estados e o Distrito Federal NÃO PODEM editar NORMAS CONSTITUCIONAIS
LOCAIS que contrariem determinados PRINCÍPIOS, MODELOS E PADRÕES DE ESTRUTURAÇÃO DO
ESTADO fixados pela Constituição Federal.

Temos aqui, o que a doutrina denomina de PRINCÍPIO DA SIMETRIA.

Esses princípios, modelos e padrões, de reprodução obrigatória nos Estados, encontram-se


previstas de forma difusa no texto constitucional. São eles:

A) OS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (ART. 5º, ARTS. 6º A 11, ART. 34, VII, “B”);

B) A SEPARAÇÃO DOS PODERES (ART. 2º);

C) OS DIREITOS POLÍTICOS (ARTS. 14 A 17);

D) A REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS ENTRE OS ENTES POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS (ARTS. 21 A 24);

E) AS NORMAS DE ORGANIZAÇÃO DOS PODERES EXECUTIVO, LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO DOS ESTADOS


(ART. 93, I A XI);

F) AS NORMAS DE GARANTIAS DO PODER JUDICIÁRIO E DO MINISTÉRIO PÚBLICO (ART. 95, I, II, III);

G) A FORMA REPUBLICANA, SISTEMA REPRESENTATIVO, REGIME DEMOCRÁTICO, AUTONOMIA


MUNICIPAL (ART. 1º, I A V, E ART. 34, VII);

H) AS NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ARTS. 37 A 41);

I) OS PRINCÍPIOS GERAIS DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL (ARTS. 145 A 149, CF);

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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J) OS PRINCÍPIOS GERAIS DA ORDEM ECONÔMICA (ARTS. 170 A 181, CF);

L) OS PRINCÍPIOS GERAIS DA ORDEM SOCIAL (ARTS. 193 A 232, CF).

Esses elementos, denominados de “ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO TOTAL DO ESTADO FEDERADO”,


formam um conjunto de regras centrais para incidência direta sobre a ordem jurídica local.

ATENÇÃO!
1) Segundo entendimento do STF, manifestado no julgamento da ADI nº 2.076/AC, mesmo que
esses princípios não sejam expressamente reproduzidos na Constituição Estadual, eles deverão
incidir normalmente sobre a ordem jurídica local. Vejamos os termos da decisão:

“Noutra hipótese, todavia, o constituinte estadual reproduz norma da Constituição Federal


que, REPRODUZIDA OU NÃO, incidirá sobre a ordem local. É que, nesta hipótese, tem-se
reprodução obrigatória para as comunidades jurídicas parciais (os Estados), norma central
que constitui a “CONSTITUIÇÃO TOTAL DO ESTADO FEDERAL”, Constituição total “entendida como
o setor da Constituição Federal formado pelo conjunto das normas centrais, selecionadas
pelo constituinte, para ulterior projeção no Estado-membro, sem organizá-lo
integralmente.”

2) A essa altura, você já deve ter deduzido que é juridicamente possível que uma contida na
Constituição de um Estado-membro seja declarada inconstitucional pelo STF. Isso ocorre quando
a norma contraria princípios que compõem o núcleo central da Constituição Federal, relacionados
na tabela acima.

3) Observe que a Constituição Federal NÃO ESTIPULOU EXPRESSAMENTE limitações PROCEDIMENTAIS,


CIRCUNSTANCIAIS ou TEMPORAIS para o exercício do poder constituinte derivado decorrente pelos
Estados e Distrito Federal (itens 7.3, 7.4 e 7.5).

9. MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL

É PROCESSO INFORMAL DE ALTERAÇÃO DE SENTIDOS, SIGNIFICADOS E ALCANCE das normas


contidas no texto da Constituição, através de INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL que se destina a
adaptar, atualizar e manter a Constituição em contínua INTERAÇÃO COM A REALIDADE SOCIAL,
respeitados os princípios estruturantes da ordem jurídica.

Em suma, é MUDANÇA CONSTITUCIONAL SEM MUDANÇA DE TEXTO. Mudança em sua dimensão


significativa, não em sua dimensão literal.

A mutação constitucional é também denominada de “INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL


EVOLUTIVA” e decorre da atuação do denominado “PODER CONSTITUINTE DIFUSO”.

Exemplo: Gilmar Ferreira Mendes dá excelente exemplo sobre o fenômeno da mutação


constitucional no direito brasileiro (p. 230). Conta que com as mudanças ocorridas ao longo do
tempo no processo inflacionário, o STF evoluiu em sua interpretação acerca do alcance a ser dado
ao princípio da legalidade, previsto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, segundo o qual
“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Num
primeiro momento, quando o processo inflacionário não era tão extremo, seu entendimento foi no
sentido de que a correção monetária das dívidas de valor só poderia ser exigida pelo credor de
uma obrigação, se houvesse previsão em lei (STF, RE nº 74.655, julgado em 1973). Num segundo
momento, quando o processo inflacionário se agravou, o STF passou a considerar que, nos casos

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

de dívida de valor, a correção monetária poderia ser exigida mesmo que não houvesse lei
autorizadora, o que não violava o princípio da legalidade (STF, RE nº 104.930, julgado em 1985).

Portanto, as normas contidas no texto da Constituição de um país PODEM GANHAR NOVOS


SENTIDOS E SIGNIFICADOS não somente através do processo formal de emendas (de reforma ou de
revisão geral), mas também através do PROCESSO INFORMAL DE MUTAÇÃO CONSTITUCIONAL.

ATENÇÃO!
1) O fenômeno da mutação constitucional faz-se sentir de maneira muito forte nos Estados Unidos
da América e na Inglaterra, países regidos por normas constitucionais antigas, elaboradas há mais
de 200 anos, as quais exigem de seus tribunais constitucionais uma interpretação adaptada aos
usos, costumes e à realidade atual.

2) Ressalve-se que a nova interpretação deve ser compatível com o teor das palavras empregadas
pelo constituinte (dimensão literal) e com os princípios estruturantes da Constituição. Do
contrário, teremos uma “interpretação inconstitucional”.

10. RECEPÇÃO CONSTITUCIONAL

É fenômeno pelo qual as NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS ANTERIORES À NOVA CONSTITUIÇÃO e que


sejam MATERIALMENTE compatíveis com ela, SÃO RECEPCIONADAS, recebendo dela seu novo
fundamento de validade.

Exemplo: Conforme mencionamos em capítulo anterior, o exemplo clássico é o do Código


Tributário Nacional, o qual contém as normas gerais da União sobre matéria tributária. O
Código nasceu sob o “império” da Constituição de 1946, assumindo a forma de lei
ordinária (Lei nº 5.172, de 25/10/1966). Acontece que o art. 146, inciso III, da Constituição
de 1988 estabelece que as normas gerais da União em matéria tributária deverão ser
editadas sob a forma de lei complementar. Portanto, há uma incompatibilidade meramente
formal entre o CTN e a Constituição de 1988. Isso não impediu que ele fosse
recepcionado pela nova Constituição, passando a ter status de lei complementar, pois,
embora tenha nascido como lei ordinária, a maior parte de seus dispositivos são
materialmente compatíveis com os dispositivos da Constituição.

Portanto, norma infraconstitucional anterior a nova Constituição e que seja MATERIALMENTE


compatível com ela pode ser recepcionada pela nova Constituição, continuando plenamente
válida e vigente.

A recepção ocorrerá mesmo que elas sejam formalmente incompatíveis com a Constituição.

Portanto, para que ocorra a recepção, basta que haja compatibilidade material, não havendo
necessidade de compatibilidade formal.

Por outro lado, as normas materialmente incompatíveis com a nova Constituição são REVOGADAS
por ela, o que indica que a não-recepção é fenômeno jurídico revogatório (lex superiori derrogat
inferiori), não de inconstitucionalidade superveniente.

21
DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

11. DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO

É fenômeno pelo qual nova Constituição de um país recepciona, na qualidade de leis


infraconstitucionais, NORMAS CONTIDAS NA CONSTITUIÇÃO ANTERIOR que sejam materialmente
compatíveis com ela.

Ou seja, as normas da Constituição anterior, materialmente compatíveis com a nova Constituição,


continuam válidas e em vigor, embora com status de norma infraconstitucional.

Cumpre esclarecer que ESSE FENÔMENO NÃO É ADMITIDO PELO SISTEMA JURÍDICO BRASILEIRO, pois
com a edição de uma nova Constituição, a anterior fica completamente revogada.

Ademais, as normas materialmente constitucionais, ou seja, aquelas que dizem respeito à forma
de Estado, à forma de Governo, aos órgãos de poder, suas atribuições e limites, e aos direitos e
garantias fundamentais do indivíduo, codificadas ou não em texto único, são, em regra,
insuscetíveis de desconstitucionalização, ou seja, não podem adquirir caráter de norma
infraconstitucional (são constitucionais por definição).

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QUESTÕES DE CONCURSOS
1. (FCC/TRF 5ª Região/Juiz Federal/2001/q.1) A origem da ideia de Poder Constituinte e a
consequente distinção entre poder constituinte e poderes constituídos é atribuída a

(A) Siéyès, na obra "Que é o Terceiro Estado?".

(B) Rousseau, na obra "O contrato social".

(C) Ferdinand Lassale, na obra "Essência da Constituição – Que é uma Constituição?".

(D) Carl Schmitt, na obra "Teoria da Constituição".

(E) Montesquieu, na obra "O Espírito das Leis".

2. (CESPE/PGE-PB/Procurador/2008/q.23) Com relação ao poder constituinte, à teoria da


recepção e às emendas à constituição, assinale a opção correta.

A) A teoria do poder constituinte, desenvolvida pelo abade Emmanuel Sieyès no manifesto “O


que é o terceiro estado?” contribuiu para a distinção entre poder constituído e poder constituinte.

B) Uma norma infraconstitucional que não seja compatível, do ponto de vista formal ou material,
com a nova constituição, é por esta revogada.

C) Considere-se que o Senado Federal tenha rejeitado, no final do ano de 2007, proposta de
emenda à CF. Nessa hipótese, nova proposta de emenda não poderá ser apresentada, com a
mesma matéria, no ano de 2008.

D) Mutação constitucional, conforme doutrina majoritária, é definida como a mudança no texto da


constituição, seja por meio de emenda, seja por revisão.

E) Considere-se que a assembleia legislativa de um estado da Federação tenha promulgado


emenda à Constituição estadual, de iniciativa de parlamentar, dispondo acerca do regime jurídico
dos servidores públicos do estado. Nessa hipótese, não há qualquer violação à Constituição
estadual ou Federal, visto que a iniciativa privativa do chefe do executivo está restrita aos
projetos de lei.

3. (FCC/DPE–SP/Defensor Público/2007/q.1) Em relação ao poder constituinte originário, pode-


se afirmar: (adaptada)

(A) Envolve processos cognitivos e questões complexas sobre teoria política, filosofia, ciência
política e Teoria da constituição, já que dispõe, de maneira derivada, sobre a principal lei de um
Estado, sua organização e os direitos e garantias fundamentais.

(B) Os positivistas admitem que é um poder de direito que se funda num poder natural, do qual
resultam regras anteriores ao direito positivo e decorrentes da natureza humana e da própria
ideia de justiça da comunidade.

(C) Sua teorização precedeu historicamente a primeira constituição escrita, tendo como grande
colaborador a figura do Abade Emmanuel Sieyès que alguns meses antes da Revolução
Francesa publicou um panfleto intitulado “A Essência da Constituição”.

(D) Sua atividade se dá nos casos de necessária evolução constitucional, onde o texto poderá ser
modificado através de regras e limites jurídicos contidos na norma hipotética fundamental
idealizada por Hans Kelsen.

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(E) Na sua atuação poderá encontrar limitações circunstanciais impositivas como por exemplo as
pressões econômicas, sociais e de grupos particulares, mas fundará sua legitimidade numa pauta
advinda da ideia de direito da comunidade e de sua tradição cultural.

4. (FCC/TCE–AM/Auditor Substituto de Conselheiro/2007/q.13) Considere as afirmações a


seguir a respeito do Poder Constituinte:

I. Dentre as possíveis classificações existentes, o Poder Constituinte classifica-se em originário e


derivado.

II. A manifestação do Poder Constituinte originário é condicionada às regras procedimentais


estabelecidas para a reforma da Constituição.

III. Poder Constituinte derivado é sempre ilimitado.

IV. As Emendas à Constituição de 1988 são frutos do Poder Constituinte derivado.

Está correto o que se afirma SOMENTE em

(A) I e IV.

(B) I e III.

(C) II e IV.

(D) III e IV.

(E) IV.

5. (ESAF/Distrito Federal/Procurador/2007/nova prova/q.02) Acerca do poder constituinte, da


reforma da Constituição e das cláusulas pétreas, assinale V ou F. (adaptada)

( ) Não há limites para a ação do poder constituinte originário.

( ) O exercício do poder constituinte derivado, ou poder constituído, sofre limitações de ordem


circunstancial, material, processual e temporal, das quais algumas podem ser implícitas.

( ) Por ser integrante da Constituição, a norma constitucional que enumera as cláusulas pétreas,
também chamadas de cláusulas de inamovibilidade, é passível de alteração como outros
dispositivos constitucionais. Desse modo, é juridicamente possível a aprovação de emenda
constitucional que altere o rol daquelas cláusulas.

6. (CESPE/CGE–PB/Auditor das Contas Públicas/2008/q. 34) Em relação ao poder


constituinte, assinale a opção correta.

A) A iniciativa popular para apresentação de proposição legislativa não pode dar início a proposta
de emenda à Constituição.

B) A ausência de promulgação de emenda à Constituição pelo presidente da República confere


poder ao presidente do Congresso para promulgá-la.

C) O poder constituinte originário está limitado à observância das cláusulas pétreas.

D) Emenda à Constituição pode determinar que o presidente da República seja eleito pelos
integrantes do Congresso Nacional.

E) O poder constituinte decorrente é ilimitado e incondicionado.

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7. (CESPE/TJ–PI/Juiz de Direito/2007/q.2) A respeito do poder constituinte, assinale V ou F.


(adaptada)

( ) O poder atribuído aos estados-membros de uma federação para instituírem a sua própria
constituição denomina-se originário decorrente.

8. (ESAF/CGU/Analista de Finanças e Controle/2004/q. 33) Analise as assertivas a seguir,


relativas ao poder constituinte e à reforma da Constituição, e marque com V as verdadeiras e
com F as falsas. (adaptada)

( ) Segundo a melhor doutrina, a característica de subordinado do poder constituinte derivado


refere-se exclusivamente à sua sujeição às regras atinentes à forma procedimental pela qual ele
irá promover as alterações no texto constitucional.

( ) Segundo a melhor doutrina, a aprovação de emenda constitucional, alterando o processo


legislativo da própria emenda, ou revisão constitucional, tornando-o menos difícil, não seria
possível, porque haveria um limite material implícito ao poder constituinte derivado em relação a
essa matéria.

( ) Segundo a melhor doutrina, o art. 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da


Constituição Federal de 1988 (CF/88), que previa a revisão constitucional após cinco anos,
contados de sua promulgação, é uma limitação temporal ao poder constituinte derivado.

9. (ESAF/CGU/Analista de Finanças e Controle/2004/q. 34) Analise as assertivas a seguir,


relativas ao poder de reforma e revisão constitucional, e marque com V as verdadeiras e com F
as falsas. (adaptada)

( ) Segundo o STF, é possível a declaração de inconstitucionalidade de normas constitucionais


resultantes de aprovação de propostas de emenda à constituição, desde que o constituinte
derivado não tenha obedecido às limitações materiais, circunstanciais ou formais, estabelecidas
no texto da CF/88, pelo constituinte originário.

( ) A distinção doutrinária entre revisão e reforma constitucional materializou-se na CF/88, uma


vez que o atual texto constitucional brasileiro diferencia tais processos, ao estabelecer entre eles
distinções quanto à forma de reunião do Congresso Nacional e quanto ao quorum de deliberação.

10. (CESPE/ PGE–CE/Procurador do Estado/2004/q. 12) Julgue os itens a seguir. (adaptada)

( ) Qualquer constituição, não importa a que Estado nacional se refira, deve conter cláusulas
pétreas, pois, do contrário, terá apenas força de lei, sem a necessária supremacia.

( ) A constituição pode ganhar novos sentidos tanto por processo formal legislativo como por
processo informal de mudança de suas normas.

11. (CESPE/TJ-BA/Juiz substituto/2005/q. 3) Dos pontos de vista sociológico, político e


econômico, é certo que o poder constituinte originário não tem liberdade total para moldar, a seu
talante, a nova constituição de um país, porquanto está sujeito a limitações variadas. Do ponto de
vista estritamente jurídico, todavia, prevalece o entendimento de que não há limitações, no plano
interno, àquele poder.

12. (CESPE/AGU/Procurador Federal/2004/q. 46) Segundo doutrinadores ligados à corrente


jusnaturalista, preexistem princípios à constituição escrita, autônomos em relação às decisões do
legislador constituinte, e que o vinculam de tal sorte que as normas constitucionais que os
contrariem devam ser consideradas juridicamente inválidas e não-obrigatórias.

13. (CESPE/TCU/Analista de Controle Externo/2007/q. 54) O poder de reforma recebe,


doutrinariamente, as mais diferentes denominações, sendo seus sinônimos as expressões poder
constituinte derivado ou poder constituinte de segundo grau.

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14. (CESPE/TCU/Analista de Controle Externo/2007/q. 52) O poder de reforma inclui tanto o


poder de emenda como o poder de revisão do texto constitucional.

15. (CESPE/TCU/Analista de Controle Externo/2007/q. 53) O poder de reforma é criado pelo


poder constituinte originário e se confunde com ele ao estabelecer o procedimento a ser seguido
para as alterações constitucionais e as limitações a serem observadas.

16. (CESPE/TCU/Analista de Controle Externo/2007/q. 55) No Brasil, o poder de emendar a


Constituição só se concretiza quando a proposta de emenda reúne, entre outros requisitos, o voto
favorável de três quintos dos membros de cada casa do Congresso Nacional e em dois turnos de
votação em cada uma delas.

17. (CESPE/TCU/Analista de Controle Externo/2004/q. 158) O poder constituinte derivado


possui, na Constituição Federal de 1988, limites circunstanciais e materiais, todos explícitos,
sendo reconhecidas pela doutrina limitações materiais implícitas.

18. (CESPE/TJ-CE/Juiz substituto/2005/q. 1.1) Em certa medida, o chamado poder constituinte


derivado encontra-se sujeito a restrições fixadas pela interpretação constitucional que o Supremo
Tribunal Federal (STF) estabeleça, uma vez que as emendas constitucionais produzidas por
aquele são passíveis de controle concentrado de constitucionalidade nesse órgão judiciário.

19. (CESPE/Delegado de Polícia de Roraima/2003) Poder constituinte decorrente é o poder que


têm os estados-membros de uma Federação para elaborar suas próprias Constituições.

20. (CESPE/DPU/Defensor Público/2007/q.185) Na elaboração das normas locais, o poder


constituinte decorrente deve respeitar o modelo de estruturação do Estado fixado pela CF.

21. (CESPE/AGU/Procurador Federal/2004/q. 66) Segundo o STF, os limites


constitucionalmente estabelecidos para o poder constituinte estadual determinam que, aplicado o
princípio da simetria, um núcleo central da Constituição Federal seja obrigatoriamente
reproduzido na constituição do estado-membro; caso contrário, as normas que integram esse
núcleo não incidirão sobre a ordem local.

22. (CESPE/TRF 5ª Região/Juiz Federal/2006/q. 52) Denomina-se mutação constitucional a


mudança constitucional sem mudança de texto.

23. (CESPE/TRF 5ª Região/Juiz Federal Substituto/2017/q.1) Foi proposta, por um terço das
assembleias legislativas das unidades da Federação, emenda constitucional com o objetivo de
alterar dispositivo referente à Defensoria Pública, visando-se aprimorar a estrutura orgânico-
institucional desse órgão. Votada em dois turnos nas duas casas do Congresso Nacional, a
emenda foi aprovada mediante três quintos dos votos dos membros de cada uma delas. Nesta
situação hipotética, a referida proposta deve ser considerada

A) inconstitucional, pois a emenda fere cláusula pétrea da separação dos poderes.

B) inconstitucional, uma vez que a emenda fere cláusula de reserva de iniciativa do chefe do
Poder Executivo.

C) constitucional, porquanto o poder constituinte derivado é ilimitado.

D) constitucional, pois o tema tratado na emenda respeita as limitações formais e materiais ao


poder constituinte derivado reformador.

E) inconstitucional, já que a emenda fere limitação formal ao poder constituinte derivado


reformador.

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24. (CESPE/TCU/2015/q.3) Segundo a jurisprudência predominante do STF, determinadas


normas da CF voltadas à União são consideradas de observância obrigatória para os demais
entes da Federação, independentemente de previsão constitucional expressa para essa
extensão, ao passo que outras, ao contrário, são tidas como não obrigatórias e até mesmo
vedadas a esses mesmos entes. Diante de tais circunstâncias, assinale a opção correta acerca
dos limites constitucionais à autonomia dos entes federativos.

( ) De modo geral, se determinada regra da CF voltada à União representa a concretização de


princípio constitucional comum a todos os entes da Federação, então essa regra deve ser
considerada obrigatória também aos demais entes, como forma de fazer valer o referido princípio.
É o que ocorre, por exemplo, com as regras de iniciativa legislativa reservada ao presidente da
República, que o STF entende serem uma projeção do princípio da separação de poderes.

( ) Embora não previsto expressamente, o princípio da simetria determina que todas as normas
da CF voltadas à União devem, sem exceção, ser aplicadas também aos demais entes
federativos, especialmente nos casos em que o texto constitucional for silente sobre tal extensão.

( ) São de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais e leis orgânicas municipais, sob
pena de nulidade destas, todas as normas da CF consideradas de observância obrigatória para
estados e municípios, dependendo a incidência local destas últimas da sua devida transposição
naqueles diplomas fundamentais.

( ) As prerrogativas de chefe de governo asseguradas ao presidente da República devem


igualmente ser asseguradas aos chefes de Poder Executivo das unidades da Federação, como é
o caso da garantia de que, na vigência de seu mandato, não serão responsabilizados por atos
estranhos ao exercício de suas funções.

( ) É de observância obrigatória para o controle abstrato de constitucionalidade instituído nos


estados a norma da CF que estabelece o rol de legitimados para propor ADI perante o
STF.

25. (CESPE/TCU/2015/q.12) Com relação aos mecanismos de freios e contrapesos admitidos


pela CF, assinale V ou F:

( ) Propostas de emenda à CF não estão sujeitas a sanção ou veto do presidente da República,


salvo quando versarem sobre matéria em que o poder de iniciativa para o respectivo projeto de lei
seja do chefe do Poder Executivo.

26. (CESPE/TCE-RN/2015/q.24) O poder constituinte derivado decorrente permite a modificação


de uma constituição por procedimento disciplinado pelo titular do poder constituinte originário.

27. (CESPE/TCE-ES/2012/q.117) Denomina-se mutação constitucional o processo informal de


mudança da constituição por meio do qual a ela se atribui novo sentido, sem que se altere seu
texto.

28. (CESPE/TCE-ES/2009/q.3) Acerca da formação da constituição, da recepção, da reforma e


da revisão de normas constitucionais, na sistemática constitucional brasileira, assinale a opção
correta.

A) No tocante ao poder constituinte originário, o Brasil adotou a corrente positivista, de modo que
o referido poder se revela ilimitado, apresentando natureza pré-jurídica.

B) O STF admite a teoria da inconstitucionalidade superveniente de ato normativo produzido


antes da nova constituição e perante o novo dispositivo paradigma, nela inserido.

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C) No fenômeno da recepção, são analisadas as compatibilidades formais e materiais da lei em


face da nova constituição.

D) As normas produzidas pelo poder constituinte originário são passíveis de controle concentrado
e difuso de constitucionalidade.

E) A CF pode ser alterada, a qualquer momento, por intermédio do chamado poder constituinte
derivado reformador e também pelo derivado revisor.

29. (CESPE/PGE-PE/2018/q.5) Proposta de emenda constitucional (PEC) que visa instituir o


direito de secessão no ordenamento jurídico brasileiro encontra-se em tramitação no Congresso
Nacional. Recentemente, o governo decretou intervenção federal em um estado da Federação.
No que se refere a essa situação hipotética, considere as asserções apresentadas a seguir.

I. A referida PEC não poderá ser objeto de deliberação.


II. A CF veda emenda ao seu texto na vigência de intervenção federal.

Assinale a opção correta.

A) As asserções I e II são falsas.

B) A asserção I é verdadeira, e a II é falsa.

C) A asserção I é falsa, e a II é verdadeira.

D) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é justificativa da I.

E) As asserções I e II são verdadeiras, e a II não é uma justificativa da I.

30. (CESPE/PGE-PE/2018/q.7) Acerca da teoria do poder constituinte, julgue os seguintes itens.

I. Lei anterior não pode ser inconstitucional em relação à Constituição superveniente.

II. O poder constituinte derivado reformador, também chamado de poder constituinte difuso,
refere-se às mutações constitucionais.

III. Se o conteúdo for compatível, a norma anterior será recepcionada, mesmo que sua forma não
seja mais admitida pela Constituição superveniente.

Assinale a opção correta.

A) Apenas o item I está certo.


B) Apenas o item II está certo.
C) Apenas os itens I e III estão certos.
D) Apenas os itens II e III estão certos.
E) Todos os itens estão certos.

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31. (FCC/TCE-PI/Procurador/2005/q.13) O poder constituinte derivado, na ordem jurídica


brasileira,

(A) apresenta subdivisão em duas espécies, que são o poder constituinte decorrente, ou de auto-
organização dos estados-membros, e o poder constituinte reformador, que permite ao Legislativo
alterar a Constituição.

(B) encontra-se limitado por normas expressas e implícitas da própria Constituição, as quais
devem ser seguidas sob pena de ilegalidade do ato dele derivado.

(C) extrai sua legitimidade do poder constituinte originário, ao qual se subordina quanto ao
conteúdo, que é limitado por normas constitucionais explícitas, sendo que seu exercício é de
manifestação livre no aspecto formal.

(D) é autônomo e limitado, na sua forma e no seu conteúdo, pois, acaso contrarie os princípios
constitucionais limitativos, é passível de controle de constitucionalidade.

(E) encontra fundamento no poder constituinte decorrente e se exprime pelas cláusulas pétreas,
rol de matérias constitucionais que não podem ser alteradas na hipótese de reforma da
constituição.

32. (FCC/TCE-PI/Procurador/2005/q.23) As mudanças da Constituição brasileira podem ocorrer


mediante

(A) emenda constitucional, mesmo na vigência de estado de defesa ou de estado de sítio.

(B) revisão constitucional proposta por metade, no mínimo, dos membros da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal, pelo Presidente da República ou por mais da metade dos
governadores das unidades da Federação.

(C)revisão constitucional periódica, realizada a cada cinco anos, a partir de sua promulgação,
pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional.

(D)revisão constitucional, mesmo na vigência de intervenção federal, tendo em visto o caráter


incondicionado da revisão.

(E) emenda constitucional oriunda de proposta de mais da metade das Assembleias Legislativas
das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa dos seus
membros.

33. (FCC/TCE-MG/Auditor/2005/q.2) No tocante à doutrina do poder constituinte, a forma


federativa de Estado é, segundo a Constituição brasileira vigente,

(A) limitação implícita do poder constituinte originário.

(B) baliza circunstancial do poder constituinte decorrente.

(C) limitação material do poder constituinte derivado.

(D) baliza formal do poder constituinte de revisão.

(E) limitação formal do poder constituinte instituído.

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34. (FCC/TCE-MG/Auditor/2005/q.3) A legislação infraconstitucional editada anteriormente à


Constituição de 1988

(A) perdeu eficácia 180 dias após a sua promulgação.

(B) foi implicitamente revogada e, na sequencia, repristinada.

(C)continua integralmente válida.

(D) foi republicada a fim de ter validade formal.

(E) foi recepcionada nos aspectos que não contrariam as novas normas constitucionais.

35. (FCC/TCE-AM/Procurador/2006/q.11) A respeito das emendas à Constituição Federal é


correto afirmar que

(A) podem decorrer de aprovação de projeto apresentado pela iniciativa popular, como
expressamente admite o texto constitucional.

(B) não poderão ser aprovadas na vigência de intervenção federal e estadual.

(C) devem ser promulgadas pelo Presidente da Re- pública.

(D) a matéria constante de proposta de emenda rejeitada não pode ser objeto de nova proposta
na mesma sessão legislativa.

(E) pode o Presidente da República vetar proposta de emenda constitucional aprovada pelo
Congresso Nacional.

36. (FCC/TCE-CE/Auditor/2006/q.17) Em tema de Poder Constituinte Derivado, é INCORRETO


afirmar que ele é

(A) subordinado, porque está em posição hierarquicamente inferior ao poder constituinte


originário, não podendo contrariar as regras fixadas por este.

(B) previsto no próprio texto constitucional, para reformar a Constituição vigente, ou de permitir
que as unidades que compõem a Federação instituam suas próprias Constituições.

(C) condicionado, por estar submetido aos condicionamentos impostos pelo poder constituinte
originário.

(D) ilimitado, porque não encontra limites na elaboração do texto constitucional, podendo dispor
sobre quaisquer temas que repute necessários.

(E) também chamado de secundário ou de segundo grau.

37. (FCC/TCE-MG/Procurador/2007/q.15) Com relação às Emendas Constitucionais é correto


afirmar:

(A) Matéria constante de proposta de emenda constitucional rejeitada deverá ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.

(B) Não há vedação constitucional que impeça a Constituição Federal de ser emendada na
vigência de intervenção federal.

(C) A Constituição Federal poderá ser emendada, também, mediante proposta de um terço, no
mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.

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(D) Matéria constante de proposta de emenda constitucional havida por prejudicada deverá ser
objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.

(E) A Constituição Federal poderá ser emendada, também, mediante proposta de dois terços das
Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela
maioria absoluta de seus membros.

38. (FCC/TCE-AM/Auditor/2007/q.13) Considere as afirmações a seguir a respeito do Poder


Constituinte:

I. Dentre as possíveis classificações existentes, o Poder Constituinte classifica-se em originário e


derivado.

II. A manifestação do Poder Constituinte originário é condicionada às regras procedimentais


estabelecidas para a reforma da Constituição.

III. Poder Constituinte derivado é sempre ilimitado.

IV. As Emendas à Constituição de 1988 são frutos do Poder Constituinte derivado.

Está correto o que se afirma SOMENTE em

(A) I e IV.
(B) I e III.
(C) II e IV.
(D) III e IV.
(E) IV

39. (FCC/TCE-AM/Auditor/2007/q.14) Editada determinada lei ordinária sob a vigência de certa


Constituição, sobrevindo nova Constituição, a lei ordinária em questão

(A) perderá sua validade imediatamente, ainda que seja compatível com a nova Constituição.

(B) não perderá sua validade se for compatível com a nova Constituição.

(C) perderá sua validade apenas se a nova Constituição expressamente assim determinar.

(D) não perderá a validade, ainda que seja incompatível com a nova Constituição.

(E) não perderá sua validade apenas se a nova Constituição expressamente assim determinar.

40. (FCC/TCE-AL/Auditor/2008/q.2) A Constituição da República veda que matéria constante de


proposta de emenda constitucional rejeitada ou havida por prejudicada seja objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa. Considerando a classificação doutrinária das limitações ao
poder constituinte reformador, esta vedação constitucional caracteriza-se como limitação de
ordem

(A) material.
(B) formal.
(C) circunstancial.
(D) implícita.
(E) relativa.

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41. (FCC/TCE-AL/Auditor/2008/q.10) Considerando os limites à auto-organização dos Estados-


membros, as Constituições estaduais podem

(A) reduzir o rol das garantias da magistratura estadual previstas na Constituição da República.

(B) determinar que os Tribunais de Contas Estaduais sejam compostos por mais de sete
Conselheiros.

(C) estabelecer a possibilidade de edição de medida provisória estadual.

(D) vedar a iniciativa legislativa aos Tribunais de Justiça.

(E) reduzir o rol de direitos sociais previstos na Constituição da República.

42. (FCC/TCE-RR/Procurador/2008/q.5-adaptada) O art. 60, § 4º, incisos I, II, III e IV, da


Constituição da República dispõe que não será objeto de deliberação a proposta de emenda
constitucional tendente a abolir “a forma federativa de Estado”, “o voto direto, secreto, universal e
periódico”, “a separação dos Poderes” e “os direitos e garantias individuais”. Segundo a
jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, assinale V ou F:

( ) “a forma federativa de Estado” − enquanto limite material ao poder constituinte de reforma −


deve ser conceituada a partir de um modelo ideal e apriorístico de Federação adotado pelo
constituinte originário e, por isso, é cláusula pétrea.

( ) as limitações materiais ao poder constituinte de reforma não significam a intangibilidade literal


da respectiva disciplina na Constituição originária, mas apenas a proteção do núcleo essencial
dos princípios e institutos cuja preservação nela se protege.

43. (FCC/TCE-AL/Auditor/2008/q.1) Considere que a Constituição de um determinado Estado


preveja que o Poder Legislativo possa reformar a Constituição, ordinariamente, a cada cinco anos
e, extraordinariamente, a qualquer momento, desde que assim decidam quatro quintos dos
parlamentares. Em qualquer hipótese, as alterações da Constituição deverão ser aprovadas por
maioria de dois terços dos membros do Legislativo, cabendo ao Presidente da República
promulgar o ato normativo de reforma. Suponha, por fim, que exista proibição de reforma
constitucional na vigência de estado de sítio. O procedimento acima descrito é similar ao de
reforma da Constituição brasileira de 1988 no que diz respeito

(A) ao lapso temporal para exercício regular do poder de reforma da Constituição.

(B) ao quorum de quatro quintos dos parlamentares para apresentação de proposta de emenda.

(C) ao quorum de dois terços dos parlamentares para aprovação da emenda constitucional.

(D) à necessidade de promulgação da emenda pelo Presidente da República.

(E) à existência de limitações circunstanciais ao poder de reforma da Constituição.

44. (FCC/TCE-RO/Procurador/2010/q.1) O Poder Constituinte Reformador, no Brasil,

(A) é fundamento de validade para que os Estados-Membros da Federação promulguem


Constituições próprias com a aprovação das respectivas Assembleias Legislativas.

(B) permite que a Constituição Federal seja emendada, por meio de revisão constitucional, desde
que haja o voto favorável de três quintos de Deputados e Senadores, em sessão unicameral.

(C) está materialmente limitado à forma federativa de Estado, à separação de poderes, à forma
republicana, ao sistema presidencialista, bem como aos direitos e garantias fundamentais
segundo disposição expressa do texto constitucional.
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(D) pode se manifestar por meio de emendas à Constituição, cujo projeto pode ser proposto por
mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se,
cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros.

(E) é caracterizado como derivado, limitado, circunstanciado e inicial.

45. (FCC/TCE-AP/Procurador/2010/q.1) Em 26 de maio de 2010, foi realizada audiência pública


na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal com vistas a debater a elaboração de
proposta de emenda à Constituição, tendo por objeto a inserção do direito à busca da felicidade
dentre os direitos sociais elencados na Constituição da República. A eventual apresentação de
proposta de emenda à Constituição com esse teor ao Senado Federal

(A) viola a Constituição, que exclui matéria relativa a direitos e garantias fundamentais da esfera
de atuação do poder de reforma da Constituição.

(B) é incompatível com a Constituição, por se tratar de matéria de iniciativa privativa do


Presidente da República, devendo iniciar seu trâmite pela Câmara dos Deputados.

(C) deve ser precedida de plebiscito, por se tratar de matéria reservada à atuação do povo, titular
do poder constituinte originário.

(D) é compatível com a Constituição, desde que resulte da iniciativa conjunta de, no mínimo, 27
(vinte e sete) Senadores.

(E) atenta contra o princípio constitucional da vedação do retrocesso em matéria de direitos e


garantias fundamentais.

46. (FCC/TCE-RO/Auditor Substituto de Conselheiro/2010/q.3) Suponha que esteja tramitando


no Congresso Nacional proposta de Emenda Constitucional para alterar o artigo 29, VIII, com o
intuito de ampliar a inviolabilidade dos vereadores por suas opiniões, palavras e votos para além
da circunscrição do Município. Esta proposta de Emenda Constitucional

(A) não poderá ser aprovada porque afronta o Poder Constituinte Originário, o qual não permite
que restrições de direitos sejam modificadas.

(B) é uma manifestação do Poder Constituinte Derivado Reformador e, portanto, não poderá ser
aprovada por desrespeitar a cláusula pétrea da separação de poderes e da federação.

(C) é uma manifestação do Poder Constituinte Derivado Reformador que não afronta os limites
materiais da Constituição e, portanto, poderá ser aprovada.

(D) poderá ser aprovada, mas sua aplicabilidade dependerá de alteração do texto das
Constituições Esta- duais e das Leis Orgânicas Municipais, por imposição do Poder Constituinte
Derivado Decorrente.

(E) é uma manifestação do Poder Constituinte Derivado Decorrente e, portanto, não poderá ser
aprovada por afrontar a cláusula pétrea da separação de poderes e da federação.

47. (FCC/TCE-SP/Procurador/2011/q.2) Proposta de emenda à Constituição da República tendo


por objeto a introdução do direito ao afeto familiar dentre os direitos individuais é apresentada por
Deputado Federal, sendo aprovada por dois terços dos membros da Câmara dos Deputados e
três quintos do Senado Federal, em dois turnos de votação, em cada uma das Casas legislativas.
A proposta assim aprovada é promulgada pelas Mesas das Casas do Congresso Nacional.
Referida proposta é incompatível com a Constituição, pois

(A) padece de vício de iniciativa.

(B) não se atingiu o quórum necessário para aprovação na Câmara dos Deputados.
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

(C) não se atingiu o quórum necessário para aprovação no Senado Federal.

(D) versa sobre matéria de direitos fundamentais, vedada à ação de reforma constitucional.

(E) a promulgação é ato de competência exclusiva do Presidente da República.

48. (FCC/TCE-CE/Procurador/2015/q.14) Considere a seguinte hipótese em face do Direito


Constitucional brasileiro: o texto constitucional originário confia, aos estados, competência para a
instituição, por meio de lei estadual, de um adicional a certo imposto federal. Esse adicional,
nunca implementado,

(A) pode ser revogado por emenda constitucional à Constituição da República.

(B) é resguardado pela cláusula pétrea protetiva da forma federativa de Estado.

(C) enseja ação direta de inconstitucionalidade por omissão para a sua imediata regulamentação
por parte do Supremo Tribunal Federal.

(D) deve ser regulamentado, necessariamente, por lei complementar estadual.

(E) escapa, como qualquer tributo estadual, às normas gerais constantes do Código Tributário
Nacional.

49. (FCC/TCE-CE/Conselheiro Substituto/2015/q.7) Sobre o poder constituinte, é correto


afirmar:

(A) Sua titularidade se deposita sobre a nação de um Estado.

(B) Pode ser caracterizado como uma energia ou força social com natureza pré-jurídica que, a
partir da sua manifestação, inaugura uma ordem jurídica, não admitindo que qualquer lei ou
constituição que lhe preceda continue a produzir efeitos.

(C) Admite-se que a Constituição originária, que decorre dos trabalhos do poder constituinte
originário, tenha suas normas declaradas inconstitucionais em função de violação da Constituição
anterior.

(D) No caso brasileiro, a partir da sua manifestação na modalidade originária, que não encontra
na ordem jurídica anterior qualquer controle, inaugura-se uma nova ordem jurídica, para a qual o
relacionamento com a ordem anterior pode ser regulado mediante o conceito de recepção.

(E) O poder constituinte derivado reformador, que elabora as constituições estaduais nos estados
federais, tem as mesmas características do poder constituinte originário, exceto a desvinculação
constitucional da ordem jurídica anterior.

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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
Raquel Porto Leite

GABARITO DAS QUESTÕES


1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A A E A FVF A F FVF VV FV

11. (Correto. O Poder Constituinte originário é ilimitado e autônomo do ponto de vista jurídico-material.
Isso significa que cabe exclusivamente à Assembleia ou Convenção Constituinte, na qualidade de
representante do Poder Constituinte originário, determinar o conteúdo das normas constitucionais, não
estando ela sujeita a nenhuma limitação de conteúdo imposta pelo direito positivo anterior. Por outro lado,
do ponto de vista sociológico, ou político, ou econômico, a doutrina moderna tem entendido que até mesmo
o poder constituinte originário está sujeito a certos limites, impostos por princípios constitutivos da ideia de
Direito da comunidade e de sua tradição cultural, não tendo liberdade total para moldar arbitrariamente o
conteúdo da nova Constituição de um país. São limitações impostas por princípios de justiça (princípios de
direito suprapositivo) e princípios de direito internacional como, por exemplo, a observância dos direitos
humanos, muitos deles consagrados em tratados internacionais dos quais o país é signatário. Todavia, do
ponto de vista estritamente jurídico, prevalece o entendimento, tanto na doutrina quanto na
jurisprudência, de que não há limitações, no plano interno, ao Poder Constituinte originário.)

12. (Correto. Vamos apelar para um exemplo: imagine que um determinado país resolva elaborar uma
nova Constituição e que o texto final aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte contenha em seu art.
5º a seguinte redação: “o direito à vida não é assegurado a todas as pessoas, dependendo de certas
condições a serem estabelecidas em lei”. Pois bem. De acordo com a corrente jusnaturalista, o direito à
vida é um direito natural. Dessa forma, mesmo que o legislador constituinte tenha optado, em princípio, por
não garantir esse direito a todas as pessoas, fazendo constar o dispositivo no texto da própria Constituição,
este dispositivo é juridicamente inválido, pois contraria um princípio de direito natural. Em suma, o poder
constituinte está condicionado e limitado por um poder natural, anterior e superior a ele. Não se encontra
limitado por normas de direito positivo, mas decorre da natureza humana e da própria ideia de justiça da
comunidade.)

13. (Correto. O Poder Constituinte derivado é também conhecido como poder constituinte de segundo
grau, secundário ou poder constituído. Pode ser definido como o poder atribuído pela Constituição a certos
órgãos para que eles reformem a própria Constituição e, no caso dos Estados federativos, para que
sejam instituídos os Estados-membros, através de uma Constituição Estadual. Essas finalidades
definem as duas espécies de poder constituinte derivado: o reformador e o decorrente.)

14. (Correto. O Poder Constituinte derivado reformador se manifesta não somente através da edição de
emendas de reforma à Constituição, mas também através da aprovação de emendas de revisão geral da
Constituição. As emendas de reforma servem para promover alterações pontuais no texto da Constituição,
enquanto que as emendas de revisão se destinaram a promover uma alteração geral.)

15. (Errado. O erro da assertiva está em afirmar que o Poder Constituinte reformador se confunde com o
Poder Constituinte originário. O primeiro, definido como o poder de reformar a Constituição, é limitado e
condicionado, pois seu exercício deve se dar dentro dos limites procedimentais e materiais estabelecidos
pela Constituição. O segundo, definido como o poder de elaborar a Constituição de um país, é ilimitado e
incondicionado, pois seu exercício não está sujeito a qualquer limitação imposta pelo direito positivo.
Portanto, ambos são distintos entre si, havendo entre eles uma relação de criador e criatura: o poder
constituinte originário cria o poder constituinte reformador.)

16. (Correto. Conforme dispõe o art. 60, § 2º, da Constituição Federal: “a proposta será discutida e
votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em
ambos, 3/5 (três quintos) dos votos dos respectivos membros”.)

17. (Correto. As limitações materiais ao Poder Constituinte derivado proíbem a edição de emendas
constitucionais que eliminem determinadas disposições ou princípios contidos no texto originário da
Constituição. A doutrina distingue duas espécies de limitações materiais ao poder constituinte derivado: as
explícitas (ou expressas) e as implícitas (ou tácitas, ou inerentes). A primeira categoria é formada
pelas limitações expressamente previstas no texto da Constituição. No caso brasileiro, as limitações
materiais explícitas encontram-se previstas no art. 60, § 4º, da Constituição, chamadas de cláusulas
pétreas. A segunda categoria é formada pelas limitações não previstas expressamente no texto da
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DIREITO CONSTITUCIONAL 1 – CURSO TEÓRICO E TESTES
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Constituição, mas que decorrem necessariamente dos regimes e princípios adotados por ela. Quanto às
limitações circunstanciais, são todas expressas e encontram-se previstas no § 1º do art. 60: “a Constituição
não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.)

18. (Correto. É juridicamente possível a declaração de inconstitucionalidade de normas constitucionais


resultantes de aprovação de emendas à constituição. Em síntese: é possível que uma emenda
constitucional seja declarada inconstitucional pelo STF. Isso ocorre quando o constituinte derivado deixa de
observar as limitações procedimentais, circunstanciais ou materiais, estabelecidas no texto da Constituição
pelo constituinte originário. Por essa razão, o controle concentrado de constitucionalidade exercido pelo
STF sobre as emendas à Constituição, em certa medida, impõe restrições ao Poder Constituinte derivado.
O detalhe é que esse controle e as restrições que dele resultam só ocorrem posteriormente, ou seja, depois
que a emenda já se encontra aprovada pelo Congresso Nacional.)

19. (Correto. Trata-se de uma segunda espécie de Poder Constituinte derivado, ao lado do Poder
Constituinte reformador.)

20. (Correto. Sendo uma modalidade de poder constituinte derivado da Constituição Federal, o poder
decorrente também está sujeito a uma série de limitações materiais (ou de conteúdo). Isso significa que os
Estados e o Distrito Federal não podem editar normas constitucionais locais que contrariem determinados
princípios contidos no texto originário da Constituição Federal. O princípio maior que regula e limita o
conteúdo das normas constitucionais dos Estados é o princípio da simetria. De acordo com esse
princípio, na elaboração das Constituições e normas locais, o Poder Constituinte decorrente deve respeitar
os princípios, modelos e padrões de estruturação do Estado fixados pela Constituição Federal. Tais
modelos são de reprodução obrigatória e simétrica nos textos das Constituições estaduais. Representam
um núcleo central da Constituição Federal, o qual deve obrigatoriamente ser reproduzido na Constituição
do Estado-membro e do Distrito Federal.)

21. (Errado. Segundo o entendimento do STF, manifestado no julgamento da ADI nº 2.076/AC, sendo de
reprodução obrigatória, mesmo que esse núcleo não seja expressamente reproduzido na Constituição
Estadual, as normas que o compõem incidirão normalmente sobre a ordem jurídica local. Vejamos os
termos da decisão: “(...) Noutra hipótese, todavia, o constituinte estadual reproduz norma da Constituição
Federal que, reproduzida ou não, incidirá sobre a ordem local. É que, nesta hipótese, tem-se
reprodução obrigatória para as comunidades jurídicas parciais (os Estados), norma central que constitui a
Constituição total do Estado Federal, Constituição total entendida como o setor da Constituição Federal
formado pelo conjunto das normas centrais, selecionadas pelo constituinte, para ulterior projeção no
Estado-membro, sem organizá-lo integralmente.” (grifamos) Essas normas centrais representam, na
verdade, certos princípios a que o poder constituinte decorrente está limitado e dizem respeito às seguintes
matérias: direitos e garantias fundamentais, separação dos poderes, forma republicana, sistema
representativo, regime democrático, autonomia municipal, entre outras, difusamente expostas no texto
constitucional.)

22. (Correto. Mutação constitucional é um processo informal de alteração de sentidos, significados e


alcance dos enunciados normativos contidos no texto constitucional, através de uma interpretação
constitucional que se destina a adaptar, atualizar e manter a Constituição em contínua interação com a
realidade social. Em suma, é a mudança constitucional sem mudança de texto.)

23. E;
24. VFFFF;
25. F;
26. Errado;
27. Certo;
28. A;
29. E;
30. C;
31. A;
32. E;
33. C;
34. E;
35. D;
36. D;
37. C;

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38. A;
39. B;
40. B;
41. C;
42. FV;
43. E;
44. D;
45. D;
46.C;
47. A;
48. A;
49. D.

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