MICROECONOMIA
NA PRÁTICA:
ANÁLISE DE MERCADO EM
CONTEXTO REGIONAL
Introdução
O setor farmacêutico é um dos segmentos mais relevantes da
economia brasileira, tanto do ponto de vista social quanto
econômico. Responsável por fornecer medicamentos e produtos
essenciais para a manutenção da saúde da população, esse setor
opera em um ambiente altamente regulado e, ao mesmo tempo,
competitivo.
A cidade de Lajeado, com aproximadamente 93 mil habitantes,
apresenta uma estrutura de mercado farmacêutico bastante
desenvolvida. As farmácias estão presentes em praticamente todos
os bairros e têm papel fundamental na rotina de consumo dos
moradores, tanto na aquisição de medicamentos quanto na oferta
de serviços complementares de saúde. A presença simultânea de
grandes redes (como Panvel, São João, Droga Raia) e farmácias
independentes contribui para um ambiente marcado por ampla
oferta, diferenciação de serviços e concorrência acentuada.
Introdução
A presente pesquisa propõe uma análise do setor de farmácias em
Lajeado a partir de uma perspectiva microeconômica, com base
em observações empíricas simples, dados secundários e
fundamentos teóricos da microeconomia. O estudo contempla
aspectos como a estrutura de mercado, comportamento dos
consumidores, formação de preços, elasticidade da demanda,
canais de venda, além de identificar tendências e desafios que
impactam a operação dos ofertantes.
Nesse contexto, o objetivo geral é compreender como se dá o
funcionamento desse mercado a partir das forças de oferta e
demanda, avaliando o grau de concorrência, os fatores que
influenciam o consumo e as estratégias adotadas pelas farmácias
para manter sua viabilidade econômica. Este tipo de análise é
particularmente útil não apenas para fins acadêmicos, mas
também para empresários, gestores públicos e demais
interessados no desenvolvimento regional e na sustentabilidade
de serviços essenciais à população.
Desenvolvimento
O setor de farmácias no município de Lajeado (RS) opera em um ambiente de mercado bastante ativo e
competitivo, refletindo características típicas de uma estrutura de concorrência monopolística. Nesse
modelo, os ofertantes atuam em um mercado com muitos concorrentes, produtos semelhantes, mas não
perfeitamente substituíveis, onde há espaço para diferenciação baseada em aspectos como localização,
serviços prestados, qualidade no atendimento, variedade de produtos e estratégias de fidelização. Estima-se
que existam mais de 40 estabelecimentos farmacêuticos na cidade, o que indica uma média de uma
farmácia para cada 2 mil habitantes, índice bem acima do parâmetro recomendado pela Organização
Mundial da Saúde (uma farmácia para cada 8 mil habitantes). Essa concentração revela um alto nível de
oferta, que, por sua vez, influencia diretamente na formação de preços e na necessidade constante de
diferenciação para a manutenção da competitividade.
A oferta no setor é composta por diversos tipos de produtos e serviços. Os produtos principais são os
medicamentos, tanto de referência quanto genéricos e similares, além de itens relacionados à saúde e bem-
estar, como vitaminas, suplementos alimentares, cosméticos, produtos de higiene pessoal, fraldas, e itens de
conveniência. Já os serviços oferecidos incluem aferição de pressão arterial, testes de glicemia, aplicação de
vacinas, manipulação de medicamentos e, em alguns casos, orientação farmacêutica. Essa diversificação é
uma das principais estratégias utilizadas para agregar valor ao serviço e atrair consumidores, diferenciando-
se da concorrência.
Desenvolvimento
As grandes redes, como Farmácias São João, Panvel e Droga Raia,
dominam parte significativa do mercado local. Elas se beneficiam de
economias de escala, acesso a capital, investimento em marketing,
sistemas informatizados de gestão e forte presença digital. Isso lhes
permite oferecer preços mais competitivos em determinados
produtos, além de serviços como programas de fidelidade, aplicativos
próprios, entrega em domicílio e retirada rápida na loja. Por outro lado,
farmácias independentes e de pequeno porte tendem a se diferenciar
por meio do atendimento personalizado, relação direta com o cliente,
foco em nichos específicos (como manipulação de fórmulas) e
flexibilidade nas negociações.
A demanda por produtos farmacêuticos em Lajeado é influenciada
por fatores como envelhecimento populacional, sazonalidade de
doenças, campanhas de vacinação, prescrição médica, renda dos
consumidores e hábitos de saúde. Medicamentos de uso contínuo ou
prescritos, como os voltados para o tratamento de hipertensão,
diabetes, colesterol alto ou distúrbios cardiovasculares, possuem
demanda inelástica. Ou seja, mesmo com variações de preço, os
consumidores tendem a continuar comprando, pois são produtos
essenciais para a manutenção da saúde. Por outro lado, produtos
complementares, como cosméticos, vitaminas ou itens não prescritos,
apresentam maior elasticidade-preço: sua demanda é mais sensível a
descontos, promoções ou mudanças de preço.
Desenvolvimento
Em relação à formação de preços, é importante destacar que parte significativa do setor farmacêutico no
Brasil é regulada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que estabelece limites de
preços para medicamentos de referência e genéricos. No entanto, dentro desses limites, as farmácias podem
aplicar estratégias comerciais próprias, como descontos progressivos, pacotes promocionais, programas de
cashback e políticas de preços diferenciadas conforme o canal de venda (presencial ou online). A concorrência
intensa faz com que muitas farmácias pratiquem descontos agressivos em determinados produtos para atrair
fluxo de clientes, mesmo que isso represente margens reduzidas ou negativas em curto prazo, uma prática de
penetração de mercado comum em setores com alta competição.
Do ponto de vista do comportamento do consumidor, nota-se uma crescente valorização da conveniência, da
digitalização e da agilidade no atendimento. Muitos consumidores passaram a utilizar aplicativos de farmácias
para comparar preços, agendar vacinas ou medicamentos, acumular pontos e fazer compras online com
entrega em domicílio. A pandemia do COVID-19 intensificou esse movimento, tornando o atendimento remoto
uma tendência irreversível em diversos segmentos, inclusive o farmacêutico. Além disso, a população está mais
informada sobre os princípios ativos, genéricos e equivalência terapêutica, o que muda sua percepção de valor
e afeta suas escolhas de consumo.
Durante a realização da pesquisa, foi entrevistada uma moradora de Lajeado, identificada como Paula M, 43
anos, residente do bairro Universitário, com o objetivo de compreender seu comportamento de consumo em
relação às farmácias do município. Paula relatou que costuma frequentar farmácias uma ou duas vezes por
mês, sendo que a frequência aumenta em períodos de maior incidência de doenças ou complicações. Ela
informou que a maior parte de suas compras está relacionada à aquisição de medicamentos de uso ocasional
para dor de cabeça, resfriados, mas além disso, cosméticos, itens de higiene pessoal, etc.
Desenvolvimento
Ao ser questionada sobre os fatores que influenciam sua escolha de farmácia, Paula destacou os preços como um dos
principais critérios, preferindo estabelecimentos com melhores ofertas, ela ainda afirma que costuma pesquisar valores em
pelo menos duas farmácias antes de efetuar a compra. Além disso, demonstrou preferência por redes que oferecem
programas de fidelidade, descontos e aplicativos com preços promocionais, como a Panvel. Sua experiência reflete o perfil de
consumidor urbano típico: que valoriza o preço justo, confiança na marca e atendimento de qualidade. A entrevista reforça as
observações feitas durante a pesquisa, indicando que os consumidores de Lajeado estão cada vez mais atentos às opções
disponíveis, o que exige das farmácias estratégias diversificadas para atrair e manter a clientela em um mercado local
altamente competitivo.
Já do ponto de vista da estrutura de mercado, embora o setor ainda permita a entrada de novos empreendimentos, existem
barreiras consideráveis. Para abrir uma farmácia, é necessário obter licenças da vigilância sanitária, contar com um
farmacêutico responsável técnico em tempo integral, adquirir infraestrutura mínima (balcões, refrigeradores, estoque,
informatização) e seguir rigorosos protocolos legais e sanitários. Isso exige capital inicial significativo e conhecimento
técnico, o que limita o acesso de pequenos empreendedores, tornando o ambiente mais favorável à expansão de redes já
estabelecidas. Entre as principais tendências do setor, destacam-se a ampliação do portfólio de serviços clínicos, a integração
com planos de saúde, a venda online e o crescimento do marketing farmacêutico personalizado. Além disso, a busca por
eficiência operacional por meio de sistemas automatizados de controle de estoque, gestão de relacionamento com clientes
(CRM) e treinamentos contínuos para equipe tem se tornado um diferencial competitivo importante.
Contudo, o setor enfrenta desafios significativos. A redução das margens de lucro em produtos altamente concorridos, o
aumento dos custos logísticos e tributários, as limitações impostas pela regulação de preços e a instabilidade econômica que
afeta o poder de compra dos consumidores impõem pressões constantes sobre as farmácias, especialmente as de menor
porte. Para manter sua sustentabilidade, os gestores precisam investir em inovação, conhecer bem seu público-alvo e adaptar
rapidamente seus modelos de negócio às novas demandas do mercado.
Conclusão
A análise detalhada do mercado farmacêutico em Lajeado revelou um cenário complexo, porém
muito representativo das dinâmicas microeconômicas presentes em setores essenciais da
economia local. O segmento de farmácias caracteriza-se por uma estrutura de concorrência
monopolística, marcada pela coexistência de diversas empresas, desde grandes redes com forte
poder de mercado até pequenas farmácias independentes, que disputam espaço através da
diferenciação de produtos, serviços e estratégias de fidelização.
A oferta é ampla e diversificada, abrangendo desde medicamentos controlados e genéricos até
itens de conveniência e serviços farmacêuticos. A regulamentação de preços, sobretudo para
medicamentos, impõe limites que impactam diretamente a rentabilidade do setor e exigem que
as farmácias busquem competitividade por meio da inovação no atendimento e na experiência do
consumidor. Observa-se também que o comportamento dos consumidores locais tem evoluído
para uma postura mais racional e criteriosa, valorizando não apenas o preço, mas também a
conveniência, a qualidade do serviço e as facilidades proporcionadas pela tecnologia, como
aplicativos e plataformas de vendas online.
Conclusão
Por fim, a sustentabilidade e o crescimento das farmácias em Lajeado dependem
diretamente da capacidade dos gestores em equilibrar a oferta de produtos regulados com
serviços diferenciados, investir na digitalização e atendimento personalizado, e entender
profundamente as demandas e preferências do consumidor local. O setor segue em
transformação, e a compreensão dos fundamentos microeconômicos é fundamental para
orientar decisões estratégicas que assegurem a competitividade e relevância das farmácias
no mercado regional. Essa análise evidencia, portanto, não apenas as condições atuais do
mercado farmacêutico em Lajeado, mas também os caminhos possíveis para sua evolução
sustentável, refletindo a importância de políticas de gestão e inovação alinhadas às
características específicas da economia local e ao perfil do consumidor
REFLEXÕES SOBRE A REALIDADE OBSERVADA
Durante a realização da pesquisa sobre o mercado de farmácias em Lajeado, nós, enquanto alunos,
pudemos observar diversas características e desafios que compõem essa realidade local. Um ponto que nos
chamou bastante atenção foi a alta concentração de farmácias na cidade. Por um lado, isso demonstra um
acesso facilitado para a população, o que é fundamental para a saúde da comunidade, mas por outro lado,
percebemos que essa saturação cria um ambiente muito competitivo, principalmente para as pequenas
farmácias, que enfrentam dificuldades para manter suas margens de lucro diante de grandes redes que
dominam parte do mercado.
Além disso, notamos que a concorrência não é baseada somente em preço, mas também na qualidade do
atendimento, nos serviços adicionais oferecidos e no uso crescente de tecnologias digitais. A pandemia
acelerou o uso de aplicativos e vendas online, algo que parece ter transformado a forma como os
consumidores buscam e compram medicamentos e outros produtos. Essa mudança nos fez refletir sobre a
importância da inovação e adaptação para que as farmácias possam continuar relevantes e competitivas.
REFLEXÕES SOBRE A REALIDADE OBSERVADA
Quanto ao comportamento dos consumidores, percebemos que eles estão cada vez mais informados e
exigentes, valorizando não só o preço, mas também a conveniência, o atendimento personalizado e a
facilidade proporcionada pelos canais digitais. Isso reforça a ideia de que as farmácias precisam investir não
apenas no estoque, mas também na capacitação da equipe e no relacionamento com os clientes. Por fim,
acreditamos que o crescimento do setor deve ser acompanhado de uma gestão eficiente e responsável, para
que as farmácias possam se desenvolver de forma sustentável e continuar contribuindo para a saúde da
população. O nosso olhar como estudantes nos mostrou que é fundamental considerar todos esses aspectos
para entender de fato a dinâmica do mercado farmacêutico em Lajeado e as oportunidades e desafios que ele
apresenta.
obrigada
pela atençao