UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS
ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DISCIPLINA: SAÚDE COMUNITÁRIA E DO TRABALHO
Regulação em Saúde
Profa Márcia Costa
Regulação
Regulação - ato de regular.
Segundo o dicionário Aurélio: 1. Verbo transitivo: sujeitar à
regras; dirigir, encaminhar conforme a lei, regulamentar,
esclarecer e facilitar por meio de regulamentos a execução
de uma lei ou decreto, cotejar; acertar; regularizar o
movimento de, moderar; reprimir. 2. Verbo intransitivo:
servir de regra, trabalhar com acerto, estar conforme. 3.
Verbo reflexivo: guiar-se. 4. Adjetivo: conforme as regras ou
Objetivo
Compreender as atividades e ações de
Regulação como prática de gestão em saúde,
na garantia do direito à saúde, da equidade,
universalidade e integralidade, com qualidade,
eficiência, eficácia e efetividade.
Introdução
Integralidade
Garantia do direito de acesso dos usuários às ações e
serviços dos diferentes níveis de “complexidade”, com
fluxos ou percursos definidos e organizados
espacialmente de forma a assegurar a continuidade
dos cuidados.
Giovanella et al., 2003
Introdução
O sistema de referência e contra-referência constitui-se
na articulação entre as unidades, sendo que por
referência compreende-se o trânsito do nível menor
para o de maior “complexidade”. Inversamente, a
contra-referência compreende o trânsito do nível de
maior para o de menor “complexidade”.
Witt, 1992
Introdução
Níveis de atenção à saúde
• Primário
• Secundário (média “complexidade”)
• Terciário (média/alta “complexidade”)
Introdução
Regulação em Saúde
A regulação estatal se dá quando o Estado, investido de seu
papel de mediador coletivo, exercita um conjunto de
diferentes funções para direcionar os sistemas de serviços
de saúde no sentido do cumprimento de seus objetivos e
para definir, implementar e avaliar as regras do jogo desses
sistemas, de forma a regular o comportamento dos atores
sociais em situação e a satisfazer as demandas,
necessidades e representações da população.
Mendes, 2002
Regulação em Saúde
• planejamento da oferta de ações e serviços com base
nas necessidades de saúde da população;
• estabelecimento das responsabilidades e de metas
quantitativas e qualitativas da atenção para as unidades
de prestação de serviços dos diferentes níveis de
complexidade;
• regulação da utilização dos serviços;
• monitoramento e avaliação dos resultados alcançados
Complexo Regulador
Permite aos gestores articular e integrar os
dispositivos de Regulação do Acesso como Centrais de
Internação, Centrais de Consultas e Exames,
Protocolos de Regulação com outras ações da
Regulação da Atenção à Saúde como Contratação,
Controle assistencial e Avaliação, e com outras funções
da gestão como a programação e a regionalização.
Complexo Regulador
É a estrutura que operacionaliza as ações da regulação,
de abrangência estadual, regional ou municipal, e
usualmente organiza-se em:
• Central de Regulação de Consultas e Exames;
• Central de Regulação de Internações Hospitalares;
• Central Regulação de Urgências;
• Central Estadual de Regulação da Alta Complexidade.
Complexo Regulador
2007 – Portaria nº 1.571/GM
Estabelece o incentivo financeiro para implantação
e/ou implementação de Complexos Reguladores.
2009 – Portaria nº 2.907/GM
Dispõe sobre o financiamento para a implantação de
Complexos Reguladores e informatização das
Unidades de Saúde no âmbito do SUS.
Política Nacional de Regulação do SUS
Finalidades:
• Estruturar as ações de regulação, controle e
avaliação no âmbito do SUS;
• Fortalecer os instrumentos de gestão do Sistema
Único de Saúde - SUS, que garantem a organização
das redes e fluxos assistenciais;
• F o r t a l e c e r o p ro c e s s o d e re g i o n a l i z a ç ã o ,
hierarquização e integração das ações e serviços de
saúde.
Política Nacional de Regulação do SUS
Dimensões de ação:
Regulação de Sistemas de Saúde
Regulação da Atenção à Saúde
Regulação do Acesso
à Assistência
Política Nacional de Regulação do SUS
1 - Regulação de Sistemas de Saúde
Nessa dimensão verifica-se se as regulamentações que
devem ser seguidas para execução das políticas de
saúde estão sendo cumpridas. Ao mesmo tempo em que
aponta para execução das ações de monitoramento,
controle, avaliação, auditoria e vigilância desses
sistemas.
Política Nacional de Regulação do SUS
Ações:
Elaboração de decretos, normas e portarias que dizem
respeito às funções de gestão, como:
• planejamento, financiamento e fiscalização de
sistemas de saúde;
• controle social e ouvidoria em saúde;
• vigilância sanitária e epidemiológica;
Política Nacional de Regulação do SUS
Ações:
Elaboração de decretos, normas e portarias que dizem
respeito às funções de gestão, como:
• regulação da saúde suplementar;
• auditoria assistencial e/ou clínica;
• avaliação e incorporação de tecnologias em saúde.
Política Nacional de Regulação do SUS
2 - Regulação da Atenção à Saúde
Tem como objetivo garantir a adequada prestação de
serviços à população e seu objeto é a produção das
ações diretas e finais de atenção à saúde, estando,
portanto, dirigida aos prestadores públicos e privados,
definindo estratégias macrodiretrizes para a Regulação
do Acesso à Assistência e controle da oferta de
serviços.
Política Nacional de Regulação do SUS
Ações:
• cadastramento de usuários, estabelecimentos e
profissionais de saúde;
• contratualização de serviços de saúde;
• habilitação para a prestação de serviços de saúde;
• elaboração e incorporação de protocolos de
regulação que ordenam os fluxos assistenciais;
• supervisão e processamento da produção
ambulatorial e hospitalar;
Política Nacional de Regulação do SUS
Ações:
• integrar o planejamento e a programação em saúde;
• avaliação de desempenho dos serviços e da gestão e
de satisfação dos usuários;
• avaliação das condições sanitárias dos
estabelecimentos de saúde;
• avaliação dos indicadores epidemiológicos e das
ações e serviços de saúde nos estabelecimentos de
saúde.
Instrumentos Necessários
• Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde –
CNES
• Cadastro Nacional do Usuário – CNS
• Ferramentas de Planejamento e Programação
• Protocolos Assistenciais (Clínicos e de Regulação)
• “Contratualização” dos Serviços de Saúde
• Programa Nacional de Avaliação dos Serviços de
Saúde – PNASS / PNASH / AMQ / PMAQ
• Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do
Instrumentos Necessários
Instrumentos Necessários
Instrumentos Necessários
Política Nacional de Regulação do SUS
3 - Regulação do Acesso à Assistência
Também denominada regulação do acesso ou regulação
assistencial, tem como objetos a organização, o
controle, o gerenciamento e a priorização do acesso e
dos fluxos assistenciais no âmbito do SUS, como
sujeitos seus respectivos gestores públicos, sendo
estabelecida pelo complexo regulador e suas unidades
operacionais.
Política Nacional de Regulação do SUS
3 - Regulação do Acesso à Assistência
Esta dimensão abrange a regulação médica, exercendo
autoridade sanitária para a garantia do acesso baseada
em protocolos, classificação de risco e demais critérios
de priorização.
Política Nacional de Regulação do SUS
Ações:
• regulação médica da atenção pré-hospitalar e
hospitalar às urgências;
• controle dos leitos disponíveis e das agendas de
consultas e procedimentos especializados;
• padronização das solicitações de procedimentos por
meio dos protocolos assistenciais;
• estabelecimento de referências entre unidades de
diferentes níveis de complexidade, de abrangência
local, intermunicipal e interestadual, segundo fluxos
e protocolos pactuados.
SISREG
SISREG
Atribuições Básicas do Regulador/Autorizador
SISREG
• Auxiliar na construção e aplicação dos protocolos
de regulação;
• Realizar análise de solicitações de procedimentos
regulados pendentes, autorizando, negando ou
devolvendo;
• Realizar solicitações de procedimentos em casos
específicos quando não permitido para operadores
solicitantes.
Desafios
• necessidade de ampliação da cobertura e
resolutividade da atenção básica;
• adequação da média e alta complexidade, com
demandas artificiais e estrangulamentos de oferta em
algumas áreas;
• adequar a oferta de serviços pelos prestadores, com
excesso de alguns procedimentos e insuficiência de
outros – o pagamento por procedimentos induz a
produção daqueles mais bem remunerados;
• a demanda e oferta ainda são condicionadas pelo
modo restrito de entender o objeto da saúde, pela
perda da dimensão humana e de integralidade do
cuidado, pelo exercício da clínica de pouca
abrangência, e pela pressão tecnológica de mercado e
CONASS, 2011
O problema do uso inadequado ou da
introdução de novas tecnologias sem critérios
não é apenas de gastos despendidos, mas de
perda de benefícios que poderiam ser
alcançados se esses recursos fossem aplicados
em outras ações e serviços.
Objetivo
Compreender as atividades e ações de
Regulação como prática de gestão em saúde,
na garantia do direito à saúde, da equidade,
universalidade e integralidade, com qualidade,
eficiência, eficácia e efetividade.
Bibliografia Recomendada
1) Brasil. Conselho Nacional de Secretários de Saúde.
Coleção Para Entender a Gestão do SUS 2011, 10:
Regulação em Saúde. CONASS. Brasília, 2011. 126p.
2) Brasil. Portaria GM no 1.559, de 1o de agosto de 2008.
Institui a Política Nacional de Regulação do Sistema
Único de Saúde – SUS. Ministério da Saúde. Brasília,
2008.
3) Oliveira RR, Elias PE. Conceitos de regulação em
saúde no Brasil. Rev Saude Publica 2012; 46(3):
571-6.