Jessica Benjamin
Virginia H. Ferreira da Costa
Edição eletrônica URL:
ISSN: 2526-6187
Blogs de Ciência da Universidade Estadual de Campinas: Mulheres na Filosofia, V.
7, N. 4, 2025, pp. 1-18
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Jessica Benjamin
(1946-)
por Virginia H. Ferreira da Costa,
Professora de Filosofia na FFLCH-USP
Lattes
1. Influências e formação
Nascida em Washington (EUA), em uma família de classe média judia politicamente
“progressista”, Jessica Benjamin descreve a si mesma como tendo um forte senso de justiça
social desde a infância. Inspirada por seus pais, quando jovem chegou a participar dos piquetes
do “sit-in movement” iniciados em fevereiro de 1960 nos balcões de almoço racialmente
segregados em Greensboro (Carolina do Norte) e que se espalharam por todo o país. Contudo,
“o valor de dar a todos o poder de transformar as condições de suas próprias vidas, de criar essa
agência junto com outros, era em nossa vida familiar paradoxalmente inseparável do senso de
trauma e perseguição que veio com o macartismo” (Benjamin, 2013a, p. 4).
Ao ingressar na graduação em Teoria Social na Universidade de Wisconsin (1963-1967),
seu interesse inicial pela Teoria Crítica, em especial em Herbert Marcuse, Theodor Adorno e
Max Horkheimer, a conduziu à Psicanálise. O foco nas relações de dominação da Teoria Crítica
e Psicanálise foi complementado por sua atuação política. Durante a faculdade, Benjamin foi
ativa na organização feminista antiguerra: como não estavam resistindo ativamente ao
recrutamento, seu grupo se perguntou se havia algo que pudesse fazer “como mulheres”. A
partir da decisão de lerem juntas a obra de Simone de Beauvoir, Benjamin não deixou mais de
refletir acerca de problemáticas feministas.
A autora carrega tal bagagem crítica para o seu mestrado (1968-1971), desenvolvido na
Universidade de Frankfurt, berço da Teoria Crítica, onde aprofunda seus conhecimentos sobre o
marxismo hegeliano, cuja dialética entre o senhor e o escravo Benjamin considera ser uma de
suas principais ferramentas para desenvolver reflexões sobre oposições binárias. Desde então, a
autora questiona o significado masculino por trás da constituição de subjetividades:
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o que constitui uma subjetividade será visto de forma muito diferente se seu
modelo de subjetividade ainda for o do sujeito masculino. (...) Pois qual tipo de
conhecimento constituía o modelo de todo o pensamento pragmático ocidental,
social, político e da alteridade? Era o conhecimento de objetos, era o
conhecimento de coisas que você controlava e que dominava. Esse foi meu
primeiro interesse na teoria crítica. (Benjamin, 2006, p. 6)
Profundamente interdisciplinar, a autora articula reflexões próximas às de Simone de
Beauvoir, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Georg W. F. Hegel, Jürgen Habermas, Axel
Honneth, Christopher Lasch, Georges Bataille, Max Weber, Evelyn Keller e Judith Butler. Já na
psicanálise, sua atenção se desdobra principalmente sobre os trabalhos de Sigmund Freud,
Dorothy Dinnerstein, Nancy Chodorow, e Donald Winnicott.
Atualmente, Jessica Benjamin é autora de quatro livros: The Bonds of Love (1988) [Os
laços de amor], Like Subjects, Love Objects: Essays on Recognition and Sexual Difference
(1995) [Sujeitos semelhantes, objetos de amor: ensaios sobre reconhecimento e diferença
sexual], Shadow of the Other: Intersubjectivity and Gender in Psychoanalysis (1998) [Sombra
do outro: intersubjetividade e gênero na psicanálise] e Beyond Doer and Done To: Recognition
Theory, Intersubjectivity and the Third (2017) [Para além do algoz e da vítima: teoria do
reconhecimento, intersubjetividade e o terceiro]. Ela também é supervisora do corpo docente do
Programa de Pós-Doutorado em Psicoterapia e Psicanálise da Universidade de Nova York
(NYU) e do Stephen Mitchell Center for Relational Studies, onde é fundadora e integrante do
conselho. Além disso, Benjamin é cofundadora da International Association for Relational
Psychoanalysis and Psychotherapy (IARPP).
2. Desenvolvimento da psicanálise relacional
As origens de sua pesquisa recente remontam aos resultados de seu doutorado
(1972-1978). Contudo, como a própria Benjamin adverte: “para escrever tal tese, foi necessário
retornar aos Estados Unidos, onde o feminismo estava a todo vapor e eu poderia encontrar um
lar não convencional no Departamento de Pós-graduação de Sociologia da NYU, onde os
estudos femininos tinham acabado de ser introduzidos.” (Benjamin, 2013a, p. 2) Sua tese,
intitulada “Internalization and Instrumental Culture” [Internalização e Cultura Instrumental],
elabora uma crítica à posição de Adorno, Horkheimer e Marcuse, para os quais a teoria
freudiana seria exclusivamente intrapsíquica. Vê-se, então, o peso que o ambiente intersubjetivo
comunicativo habermasiano (em especial da obra Conhecimento e interesse, lançado em 1968)
teve sobre ela, uma intersubjetividade que Benjamin direciona para a psicanálise:
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O propósito da tese era mostrar como a perspectiva das relações objetais na
psicanálise poderia ser desenvolvida em direção a uma teoria intersubjetiva que
parecia mais apropriada para compreender a alienação do reconhecimento que
envolve a cultura instrumental. (Benjamin, 2012a, p. 5)
Seus estudos na Teoria Crítica a aproximaram de Andy Rabinbach, que conheceu em
1977 e com quem manteve um casamento por 26 anos, outro judeu novaiorquino e profundo
conhecedor dos autores da primeira geração da Escola de Frankfurt.
A partir da segunda metade dos anos 1970, começam a surgir seus primeiros artigos de
importância: “The end of internalization: Adorno’s social psychology” [O fim da internalização:
psicologia social de Adorno] (publicado originalmente na revista Telos em 1977, mas cuja
tradução só aparece em 2017 na revista Dissonância), seguido do texto de 1978, centrado em
uma crítica a Horkheimer, intitulado “Authority and the Family Revisited: Or, a World without
Fathers?” [Autoridade e família revisitado: ou um mundo sem pais?], que aparece na famosa
New German Critique. Em ambos, a autora desenvolve os principais resultados de seu
doutorado, indicando as falhas, sob a perspectiva feminista, de autores da Teoria Crítica que
negam implicitamente a necessidade do reconhecimento e do processo intersubjetivo. Benjamin
releva haver, ainda, uma defesa da autoridade paterna que aparece de forma implícita nas obras
de Adorno e Horkheimer e explícita na de Lasch.
Para a autora, o patriarca, sendo concebido como um paradigma de autocontrole,
autonomia e racionalidade a ser seguido, ganha uma proeminência indevida no que se refere ao
combate ao autoritarismo. Segundo a teoria horkheimiana sobre a falência da figura paterna
(especialmente no texto de Horkheimer comentado por Benjamin, Autoridade e Família),
alterações do capitalismo teriam gerado um declínio na autoridade do pai no interior das famílias
burguesas, o que prejudicaria a internalização da norma paterna durante a infância e a
consequente formação do superego. O resultado seria a produção de pseudoindivíduos dotados
de egos fracos, id descontrolados e superegos externalizados em líderes sociais: justamente os
ingredientes da “personalidade autoritária”.
Embora Adorno tenha produzido uma dialética de aproximação mimética com o
não-idêntico, Benjamin se apega aos seus textos em que o modelo racional a ser internalizado
ainda aparece vinculado à autoridade paterna clássica das primeiras fases do capitalismo liberal.
Assim, a saída para tal autoritarismo, segundo Horkheimer e Adorno, estaria no retorno da
consciência moral para a internalidade, retirando o peso ético e cognitivo da autoridade externa,
o que promoveria o reforço do ego racional e evitaria a manipulação social dos conteúdos
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inconscientes. Mas, Benjamin questiona: não haveria um modo mais saudável de vivenciar a
falência da autoridade paterna que não recaísse necessariamente no autoritarismo?
Além disso, Horkheimer, Adorno e Lasch não se debruçaram sobre as relações
intrínsecas entre o patriarcado e a exploração capitalista, que fomentam a dependência e
submissão de membros da sociedade ao poder dominante. Ao mesmo tempo, contudo, dada a
falência da figura paterna, estaríamos vivendo em um sistema “patriarcal sem pai” (Benjamin,
1978, p. 36): o capitalismo salvaguardaria o privilégio masculino, mesmo que a autoridade
paterna tenha falido ou sumido do núcleo familiar — o que aproxima a família “burguesa”
heterossexual de uma ideologia e faz da instituição familiar um meio de transmissão de
desigualdade de gênero em prol da exploração capitalista.
A versão de Benjamin para uma solução ao problema do autoritarismo se encontra no
desenvolvimento de uma perspectiva intersubjetiva no interior da psicanálise que privilegiaria
reconhecimento mútuo no lugar da internalização, algo que será desenvolvido com profundidade
a partir dos seus trabalhos futuros.
Com tais resultados de seu doutorado, ao lado de Angela Davis, Jessica Benjamin se
torna uma das primeiras teóricas críticas a produzir críticas feministas internas à própria
tradição. Os textos iniciais da autora permanecerão esquecidos por um tempo, talvez porque
Benjamin tenha modificado significativamente os termos de sua crítica a Adorno, mantendo a
acusação de “paternalismo” apenas sobre Lasch. No entanto, com o atual levante de gênero
ocorrido em especial na filosofia brasileira, tais textos iniciais, bem como a sua obra como um
todo, vêm sendo significativamente retomados.
Paralelamente aos seus estudos de teoria social, Benjamin prosseguia com sua formação
psicanalítica iniciada em 1971 e concluída por ocasião de seu pós-doutorado em Psicanálise e
Psicoterapia na NYU em 1983, onde desenvolveu pesquisas sobre a infância em colaboração
com Beatrice Beebe. Seu desenvolvimento psicanalítico centrado na intersubjetividade
relacional visava escapar tanto de uma psicologia acadêmica influenciada por pesquisas
comportamentais de viés positivista, quanto tentava complementar o modelo ortodoxo freudiano
na psicanálise.
Segundo a autora, o desenvolvimento de sua psicanálise relacional teria duas origens
contextuais: a pesquisa empírica com bebês e o distanciamento em relação a feministas
antipornografia.
No fim de seu doutorado, Benjamin seguia noções da teoria das relações objetais no
interior da psicanálise. Mas tudo muda ao descobrir os trabalhos com bebês reais, considerados
interpessoalmente ativos, realizados por Daniel Stern na esteira de Colwyn Trevarthen. Tal
teoria desenvolvia concepções relativas ao reconhecimento da mãe pelo bebê no interior das
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teorias do apego, contradizendo as crenças pré-egoicas freudianas que tomavam a psique como
um conjunto de impulsos parciais que se defendiam da hostilidade proveniente da invasão pelo
mundo exterior, o que levaria ao banimento da alteridade na interioridade, junto com a expulsão
das tensões psíquicas. Suas referências teóricas, no entanto, só eram aparentemente distantes:
“Trevarthen, ao que parece, leu Habermas (1968) e então adotou seu uso do termo
‘intersubjetividade’ por falta de uma palavra melhor” (Benjamin, 2013a, p. 5).
O ponto de apoio na psicanálise para tais descobertas foi encontrado em Winnicott, que
desenvolve uma teoria da construção da percepção da externalidade dos sujeitos, baseada no fato
de que estes “sobrevivem” à sua destruição enquanto objetos psíquicos do bebê. Tal processo,
que ocorre por exposição à agressividade do bebê, demonstra como a violência é considerada
uma tentativa de evitar a onipotência psíquica, sendo um meio tanto de autoafirmação quanto de
afirmação da alteridade: ao colidir com a resistência de outro sujeito, este outro poderá
reconhecer, por sua vez, o bebê como sujeito. Isso tornaria possível a percepção do outro como
um sujeito igual, base para uma relação de mutualidade, algo que dependeria, segundo
Winnicott, da relação do bebê com uma “mãe suficientemente boa” – isto é, uma mãe que não
reage demais, e nem deixa totalmente de reagir à agressividade do bebê. Relacionando
Winnicott com Hegel, Benjamin conclui que sobreviver à destruição era exatamente o que o
escravo não poderia fazer pelo senhor que não reconhecia sua subjetividade: “a segurança da
sobrevivência não retaliatória significa que a incontrolabilidade e imprevisibilidade do outro
pode se tornar uma fonte de alegria” (Benjamin, 2013a, p. 7).
Embora as contribuições de Winnicott tenham sido fundamentais para sua teoria,
Benjamin percebeu uma limitação importante: a ausência da subjetividade materna. A partir
disso, ela desenvolveu uma crítica feminista, que se tornaria uma das marcas de sua obra, como
explica na longa citação:
Nenhum dos trabalhos considerou a subjetividade da mãe, mesmo em
discussões sobre mutualidade. Sua existência como uma pessoa separada foi de
alguma forma sutilmente ignorada, como se o conflito com suas próprias
necessidades e subjetividade não fosse um problema se ela fosse boa e dedicada
o suficiente. (…) O [meu] esforço era fazer do reconhecimento mútuo um
receptáculo para algo muito mais complexo, de fato a origem de tantos dilemas
posteriores de intersubjetividade: negociar os compromissos e paradoxos (...)
de uma díade na qual há mutualidade, mas assimetria; identidade de
necessidades, mas conflito de necessidades; sintonia profunda, mas também
diferença. Para minha sensibilidade, a inspiração mais profunda da teoria
feminista foi (…) a luta hegeliana até a morte por reconhecimento na qual
apenas um pode viver, o outro deve morrer (...). Em outras palavras, eu estava
determinada a ter mãe e bebê ‘‘vivendo’’ na mesma teoria e assim reunir o
feminismo e a psicologia da infância. (…) Um equilíbrio dinâmico que
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facilmente dá errado, em que, mesmo no seu melhor, o processo de
acomodação mútua é caracterizado por conflito e mais frequentemente por
colapso e restauração do reconhecimento. (Benjamin, 2013a, p. 6)
O desenvolvimento de tal perspectiva feminista na psicanálise relacional foi possível
graças à influência dos trabalhos de Dinnerstein e Chodorow sobre o não reconhecimento da
subjetividade materna na formação hegemônica da psique na ocidentalidade.
Tal perspectiva que considera a subjetividade da mãe foi, de certa forma, transposta para
o ambiente clínico, onde Benjamin considera o/a analista como um sujeito, dando lugar há uma
interação subjetiva entre dois sujeitos no consultório:
você pode dizer que se o analista é o sujeito que sabe, e o paciente é o objeto
que é conhecido, você não tem uma teoria intersubjetiva. Se você inverter isso e
se concentrar no analista como o doador de empatia, como a psicologia do self
faz, então você também tem a reversão em que o paciente é o sujeito e o
analista é, de alguma forma, uma função, um doador de algo, uma fonte, um
fornecedor, uma fonte de bondade. (…) Como você vai levar o sujeito para o
mundo onde há dois sujeitos e onde cada pessoa pode ser um objeto, bem como
um sujeito de desejo (...)? Como você vai movê-lo para isso? Bem, em certo
sentido, a psicanálise não é sobre já estarmos lá, a psicanálise é sobre tentarmos
encontrar nosso caminho até lá em um relacionamento humano que de alguma
forma se assemelha ou recria a situação da criação parental inicial. (Benjamin,
2006, p. 6-7)
Além da pesquisa empírica com bebês, outro fator que influenciou o desenvolvimento da
psicanálise relacional de Benjamin foi sua análise de textos sadomasoquistas. Esse interesse
surgiu em resposta a debates feministas sobre perspectivas antipornografia, principalmente
aquelas expostas pela revista Ms., publicação feminista que data do início dos anos 1970 e que
permanece em circulação ainda hoje. Contrariamente à posição que concebe a mulher como
“vítima da revolução sexual”, Benjamin assume a complexidade psíquica que deseja se afastar
do moralismo do “sexo limpo”. Para tanto, precisa assumir os desejos de exibicionismo,
voyerismo, objetificação, dependência e submissão masoquista que também habitam o prazer.
Para aprofundar sua compreensão da relação entre reconhecimento e dominação,
Benjamin também se voltou para a literatura. O principal texto analisado por Benjamin é
História de O (1954), escrito por Dominique Aury sob o pseudônimo de Pauline Réage.
Benjamin encontrou várias conexões desta obra com suas análises winnicottianas e hegelianas –
embora durante seu pós-doutorado não soubesse que Aury tinha feito parte do meio parisiense
onde Alexandre Kojève movimentou a filosofia com suas aulas sobre a dialética do senhor e do
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escravo de Hegel. A grande questão da ficção de Aury aborda a impossibilidade de uma
subjetividade não realizada (e submetida de forma masoquista) fomentar reconhecimento do
outro, o que produz insatisfação contínua do senhor (sádico). Quanto a isso, lembremos que, se
dominarmos e “consumirmos” o outro ao realizarmos o nosso desejo de reconhecimento,
destruindo-o completamente, esta alteridade não poderá nos reconhecer, o que nos conduz à
incorporação e identificação com essa morte.
Tal ideia é reforçada por Bataille em sua reflexão sobre Hegel, o erotismo e a violação
sexual, que auxiliou a autora a sobrepor uma visão pejorativa da perversão por uma noção mais
complexa de alienação. Mais do que movida por uma fantasia agressiva, a violência racional,
controladora, ritualizada e repetitiva do sadomasoquismo talvez remonte a certo impulso
subjetivo diferenciador básico.
Os resultados inovadores da pesquisa de pós-doutorado podem ser lidos no artigo “The
bonds of love: rational violence and erotic domination” (1980) [Os laços de amor: violência
racional e dominação erótica], publicado na renomada Feminist Studies, considerado uma
espécie de ensaio geral de seu livro de estreia publicado em 1988, The Bonds of Love:
Psychoanalysis, Feminism, & the Problem of Domination, que em português, publicado pela
editora Quina no final de 2025 ganha o título de Laços de amor: Psicanálise, Feminismo e o
Problema da Dominação.
Em 1982, quase no final de seu pós-doutorado, nasce o primeiro filho de Jessica
Benjamin, 6 anos antes do segundo, que é “parido” praticamente junto com o lançamento de seu
primeiro livro.
3. Os laços de amor e seus principais conceitos
Seu livro inaugural é incontornável para a boa compreensão da trajetória intelectual da
autora e é considerado sua obra de maior importância, embora Benjamin tenha modificado
alguns de seus pensamentos desenvolvidos naquela ocasião. No livro, ela retoma as ideias de seu
pós-doutorado em uma teoria sistemática do reconhecimento mútuo que se desdobra em
profundas concepções de dominação de gênero relativamente à cultura e racionalidade ocidental.
Seu intuito de desenvolver uma ética da reconciliação que atinge a epistemologia, a
constituição subjetiva e a Teoria Crítica é destacado no livro, tendo como base psicanalítica a
fase pré-edipiana de relação intersubjetiva de reconhecimento mútuo entre mãe-bebê. Este seria
o momento de ênfase na tensão entre amor e agressividade durante a mutualidade, em vez do
costumeiro e unilateral “dar ou receber” que reina na diferenciação entre criança e cuidador
durante a fase do complexo de Édipo narrado pela psicanálise ortodoxa.
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Tal perspectiva de reciprocidade tensa na primeira infância leva, muitas vezes, a uma
ausência da diferenciação clássica entre amor identificatório e amor objetal e reconfigura, no
limite, as fronteiras entre sujeito e objeto que sustentam o complexo de Édipo clássico, as bases
das relações heterossexuais e a própria epistemologia ocidental. Com isso, a autora visa produzir
“algo diferente. Esse algo pode ser chamado de superinclusão, multiplicidade ou queerness, mas
o que importa para mim é sua preservação da vivacidade emocional e reconhecimento”
(Benjamin, 2013a, p. 13). Não se trata, com isso, de valorizar o irracional, ou de substituir a
racionalidade pelo reconhecimento, mas de complementar os mecanismos defensivos de
separação e individuação ao refletir sobre aspectos de inclusão ainda não considerados na Teoria
Crítica e na Psicanálise.
Sua crítica incide sobre a polaridade de gênero, assumida como base para o não
reconhecimento da alteridade pela racionalidade instrumental. Se esta, diagnosticada por Weber
como o fundamento do capitalismo, reduz a reflexividade a um meio de relação ao objeto como
produto, fomentando a despersonalização e o desencantamento, Benjamin enxerga tal processo
como um “homólogo social” da rejeição masculina da mãe. Seguindo Keller, Benjamin afirma
que a ênfase científica dirige a própria constituição de identidades supostamente autônomas a
partir da valorização da impessoalidade. Tal forma de pensar é denominada por Benjamin como
a hegemônica “racionalidade masculina”.
Os elementos edípicos que separam mãe e bebê remontariam, então, à prevalência da
racionalidade masculina que promove rivalidade, unilateralidade, polaridade e independência.
Contudo, tal superdiferenciação edípica seria uma “falsa diferenciação”, uma vez que ela não
acontece por meio da tensão de reconhecimento mútuo entre sujeitos, mas sim pela redução da
mãe a um mero objeto passivo do desejo masculino.
A diferenciação que ocorre sem qualquer apreciação da subjetividade da mãe é
perfeitamente consonante com o desenvolvimento de faculdades racionais. Na
verdade, parece acelerá-la. Racional ou cognitivamente, a distinção é clara;
emocional e inconscientemente, a outra pessoa é simplesmente vivenciada
como a projeção de uma imagem mental. (Benjamin, 1980, p. 149)
O objeto-mãe, de quem é importante se diferenciar para que se possa instrumentalizar, é
confundido com a mãe-terra, uma forma sobre a qual Benjamin debate com Adorno e
Horkheimer acerca da conquista da natureza pela racionalidade instrumental a partir de uma
perspectiva feminista.
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Embora sustente a dualidade mãe-bebê em tensão, a autora também aponta para noções
queer ao demonstrar como ser homem também é insistir nas separações estritas entre
sujeito-objeto, masculino-feminino, sem admitir figuras intermediárias. Por isso, o autoritarismo
seria, para a autora, carregado de forte viés masculinista dominador que remonta à negação da
subjetividade de mulheres que são colocadas como cuidadoras quase que exclusivas nas
primeiras vivências da constituição de seres humanos na ocidentalidade.
No interior da Teoria Crítica, a noção de reconhecimento de Benjamin foi retomada por
Honneth em Luta por reconhecimento (1992), em especial na primeira de suas três esferas – a
dos afetos e da autoconfiança. Contudo, em tal retomada, a perspectiva feminista da autora, tão
central para o seu pensamento, não foi mencionada.
4. Demais obras e os desenvolvimentos de reconhecimento em Terceiridade
O próximo livro de Benjamin, Like Subjects, Love Objects: Essays on Recognition and
Sexual Difference (1995) [Sujeitos semelhantes, objetos de amor: ensaios sobre reconhecimento
e diferença sexual], foi publicado sete anos após sua obra de estreia, e um conjunto de ensaios
em que a autora produz uma revisão crítica das principais ideias de seu livro anterior, uma
extensão de suas implicações e maturações de pensamento, e um novo esforço para situar suas
ideias a fim de influenciar sua recepção. O título do livro “sugere a maneira complexa pela qual
cada sujeito tem que ocupar posições simultaneamente diferentes ou contrastantes” (Benjamin,
1995, p. 7) entre sujeitos de desejo e objetos de amor.
Destaca-se no livro a reflexão sobre “uma fase pós-edípica na qual o gênero se torna não
convencional e transicional [apesar d]as estruturas e rigidez edípicas permanecerem vivas na
cultura” (Benjamin, 2013a, p. 11). Trata-se da abordagem encontrada no Capítulo 4 (“Father and
Daughter, Identification with Difference: A Contribution to Gender Heterodoxy” [Pai e Filha,
identificação com diferença: uma contribuição à heterodoxia de gênero]) em que a autora
desenvolve como “cada objeto de amor incorpora múltiplas possibilidades de semelhança e
diferença, de masculinidade e feminilidade, e um relacionamento pode servir a uma infinidade
de funções” (Benjamin, 1995, p. 128). Já no capítulo seguinte, “What angel would hear me? The
erotics of transference” [Que anjo me ouviria? A erótica da transferência], Benjamin desconstrói
as concepções tradicionais de gênero sobre a feminilidade que “acolhe e cuida” e a
masculinidade de “penetração fálica”.
A temática da pornografia/sadomasoquismo é retomada a partir de outras personagens:
“Satã”, de Paraísos Perdidos (1667), obra de John Milton e “Mefistófeles” do Fausto (1808), de
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Johann W. Goethe, refletindo como “a liberdade de fantasiar pode contribuir positivamente para
o metabolismo da agressão” (Benjamin, 1995, p. 196).
O terceiro livro de Benjamin, Shadow of the Other: Intersubjectivity and Gender in
Psychoanalysis [Sombra do outro: intersubjetividade e gênero na psicanálise] é publicado em
1997 e seu título se refere a um trecho de Luto e melancolia (1917) de Freud em que “a sombra
do objeto recai sobre o próprio eu”. De todos os seus livros, este é certamente o que Benjamin
desenvolve mais debates filosóficos e, talvez por isso, ele tenha tido menor repercussão que os
demais. Sua preocupação central é expandir a noção de intersubjetividade sob tensão com
diversas escolas de pensamento.
Destaque é dado ao primeiro ensaio, originalmente escrito para uma conferência
ocasionada pelo centenário da publicação dos Estudos sobre histeria (1895), de Josef Breuer e
Sigmund Freud, em que Benjamin revisita o caso de Anna O. (Bertha Pappenheim)
demonstrando haver uma omissão, por parte dos autores, dos dados históricos extra-analíticos
sobre a vida política pública da ativista feminista Pappenheim. A autora questiona o que leva os
psicanalistas, em sua posição masculina, a tornar tal subjetividade feminina passiva:
a ideia que desenvolvi da qual mais me orgulho, que acho que de certa forma
era única para mim, (...) embora se baseie no trabalho de Horney, era a ideia de
que toda a posição que Freud constrói para a menina é o tipo de posição de
filha na qual o pai, que em sua mente é essencialmente a mente do menino
edipiano, vê a filha como o recipiente de toda a passividade e receptividade que
ele gostaria que sua mãe tivesse, mas com toda a controlabilidade que ele
gostaria que sua mãe tivesse, e é assim que obtemos aquelas filhas histéricas
que Freud descreve. (…) Meu terceiro livro vendeu cerca de 1/100 das cópias
do meu primeiro livro, mas a verdadeira inovação teórica na teoria de gênero
está no meu terceiro livro, nessa ideia da posição de filha. (Benjamin, 2006, p.
8)
Nos capítulos subsequentes, ao tentar integrar aspectos da teoria feminista pós-moderna,
teoria das relações objetais e intersubjetividade, Benjamin simultaneamente declara a sua dívida
com o feminismo pós-moderno, mas sem rejeitar perspectivas clássicas. A autora retoma
feministas francesas lacanianas como Luce Irigaray, Julia Kristeva e Juliet Mitchell, bem como
feministas americanas Butler, Chodorow e Carol Gilligan. Ela desafia algumas de suas ideias
enquanto integra outras com aspectos de seu próprio pensamento e os das intersubjetivistas
Muriel Dimen, Adrienne Harris e Virginia Goldner, suas colegas no Programa de Pós-doutorado
da NYU.
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Dentre tantos nomes, destaco o profícuo debate travado com Butler, que se inicia nesta
obra. Como enfatiza Butler em Desfazendo gênero (2004), Benjamin tem sido uma aliada nas
pesquisas pós-fálicas, defendendo que
pode, e deve, se dar uma recuperação pós-edipiana de identificações
sobre-inclusivas características da fase pré-edipiana, na qual as identificações
com um gênero não implicam em repúdio ao outro; Benjamin é cuidadosa
nesse contexto a fim de permitir diversas identificações coexistentes. (...) Tenho
uma grande simpatia por esses movimentos, especialmente pela forma com que
eles estão sustentados no segundo capítulo de Shadow of the Other,
“Constructions of Uncertain Content”. (...) Acredito que o trabalho de
Benjamin está caminhando em direção a uma psicanálise não-heterossexista
nesse livro. (p. 232)
De fato, Benjamin produz uma teoria das pluralidades de sujeitos generificados que substitui as
polaridades dicotômicas sujeito masculino x objeto feminino, algo que é retomado por seu
colega na NYU (e ex-orientando) Ken Corbett. Em específico, a autora é bastante clara quanto à
importância do seu conceito de “amor identificatório” para designar um amor homoerótico,
amor pelo que é visto como ou desejado ser ‘‘semelhante’’. Essa relação de espelhamento,
desejo de reconhecimento pelo ‘‘sujeito semelhante’’ seria diferente do amor edipiano do outro.
Benjamin diferencia a sua concepção de amor identificatório da ideia butleriana de
melancolia de gênero, justamente porque Benjamin produz um enfoque superinclusivo em que
nada é perdido. Em complemento à perspectiva ek-stática de Butler, para quem os sujeitos são
criados “de fora” por movimentos de exclusão e produção de abjeção, Benjamin enfatiza que
nada pode ser repudiado da psique, demonstrando haver paradoxos e tensões na relação entre Eu
e Id, assim como self e outro.
O essencial da crítica de Butler a Benjamin se encontra na compreensão da
operacionalização do reconhecimento que parece permanecer como um ideal positivo ou “feliz”,
como insiste em questionar: “se for o caso que a destrutividade pode se tornar reconhecimento,
disso decorre que o reconhecimento pode deixar para trás a destrutividade. Isso é verdade?”
(Butler, 2004, p. 228). Além disso, o reconhecimento se assemelha a uma transcendência ainda
muito normativa (herança recebida de Habermas?), afastando-se de certa materialidade e
concretude do desejo.
Nos anos subsequentes, Benjamin recebeu o devido coroamento de tão importantes
reflexões. Em 2001, ela recebeu o Distinguished Scientist Award da Psychoanalysis Section
[Prêmio de Distinção Científica da Seção de Psicanálise] ofertado pela American Psychological
Association. Mas, seu reconhecimento definitivo veio com o famoso texto “Beyond doer and
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done to: an intersubjective view of thirdness” publicado em 2004 na Psychoanalytic Quarterly,
sendo atualmente o quarto artigo de periódico mais citado no campo da psicanálise.
Por mais que o conceito de “terceiridade” já tivesse sido apresentado em seu livro
anterior, é neste celebrado artigo que seus contornos ganham maior precisão. Após receber
algumas críticas (inclusive de Butler) sobre a permanência de um pensamento binário em sua
estrutura de reconhecimento, Benjamin desenvolve uma terceira posição que tende a romper
com as complementaridades reversíveis e tencionar as polaridades que as fundamentam. A
terceiridade seria “uma qualidade ou experiência de relacionamento intersubjetivo que tem
como correlato um certo tipo de espaço mental interno; está intimamente relacionado à ideia de
Winnicott de potencial ou espaço transicional” (Benjamin, 2004a, p. 7). Evitando vincular o
terceiro a uma função (paterna e castradora no Édipo), seu terceiro é um espaço compartilhado.
A metáfora privilegiada de ritmicidade, com criação de padrões harmônicos e sincronizados
compartilhados por base de acomodação mútua, é retomada várias vezes pela autora. Assim, a
terceiridade é o lugar onde a autorregulação e a regulação mútua se encontram.
Tal terceridade pode assumir diversas funções, como um aspecto de “terceiro moral”, de
testemunho do sofrimento do outro. Tal conceito ganhou vias práticas mediante “The
Acknowledgement Project” [O Projeto do Reconhecimento], realizado entre 2004 e 2010,
quando Benjamin e Eyad el Sarraj iniciaram uma série de diálogos entre psiquiatras palestinos e
israelenses. O propósito era permitir que palestinos e israelenses reconhecessem ter causado
danos e ferimentos, bem como o sofrimento um do outro, enquanto estavam cientes da
assimetria de poder. Os resultados teóricos de tais experimentos se encontram registrados no
artigo “Acknowledging the Other’s Suffering: A Psychoanalytic Approach to Trauma in
Israel/Palestine” [Reconhecendo o sofrimento do outro: uma abordagem psicanalítica ao trauma
em Israel/Palestina], publicado em 2015.
Em 2008, Benjamin foi convidada para dar a prestigiosa “Palestra Sigmund Freud” no
Freud Memorial, em Viena. E em 2015 ela recebeu o prêmio Hans Kilian por estudos
humanísticos estabelecido pela Cátedra de Teoria Social e Psicologia Social da Universidade
Ruhr Bochum, na Alemanha.
Finalmente, em 2017, Benjamin publica seu último livro, também intitulado Beyond doer
and done to: Recognition Theory, Intersubjectivity and the Third [Para além do algoz e da
vítima: teoria do reconhecimento, intersubjetividade e o terceiro], sua obra mais política.
Pensando além de uma lógica de complementaridade “agressor x vítima”, o objetivo do
reconhecimento é perceber que o objeto de nossos sentimentos, necessidades, ações e
pensamentos é na verdade outro sujeito, um centro equivalente do ser.
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Retomando aspectos centrais de suas teorias prévias, em sua obra derradeira (até o
momento) a autora reflete sobre realidades sociopolíticas – como o racismo nos EUA, o
holocausto nazista, o apartheid na África do Sul e a situação em Gaza – demonstrando a
importância de se perceber que há um lado vulnerável nos perpetradores que fica oculto quando
estes se envolvem em atos de vitimização. Isso não significa que os perpetradores devem ser
perdoados, mas que é necessário que a vítima perceba que os atos já ocorreram e são
irreparáveis. O que também é necessário, no entanto, é que a visão do perpetrador sobre seus
atos envolva o reconhecimento da perda de sua própria humanidade. Sua maior preocupação –
proveniente justamente de falas de vítimas judias do holocausto que agora são os perpetradores
de sofrimentos contra palestinos – é que as vítimas podem se tornar perpetradores ao insistirem
em um certo tipo de pensamento binário que envolve a falha em reconhecer em si mesmo a
tendência de ser violento.
A falha, em geral, em reconhecer como há um lado vulnerável nos perpetradores e há um
lado destrutivo nas vítimas seria derivado, para a autora, de certo individualismo irrestrito
intensificado pelo neoliberalismo durante as últimas décadas. Isso resulta em posturas rivais,
hierárquicas, separatistas e defensivas, bem como em “testemunhas falhadas”, isto é, em
espectadores passivos diante das injustiças e violências.
Decididamente, esta obra é a mais carregada de negatividade de sua trajetória. Um
exemplo disso é a noção de que “só um pode viver” retomada em seu atualíssimo artigo sobre
Donald Trump, “The Wolf’s Dictionary”: Confronting the Triumph of a Predatory World View”
(2017) [“O Dicionário do Lobo”: Confrontando o Triunfo de uma Visão de Mundo Predatória].
Para a autora, tal fantasia está presente nos fundamentos do capitalismo, imperialismo,
nacionalismo e racismo. Benjamin retoma Horkheimer, Marcuse e Adorno ao vincular fascismo
e capitalismo ao analisar como o discurso de Trump se adequa à dominação neoliberal: ele é a
figura autoritária que garante a seus seguidores que estes serão os únicos a sobreviver, embora o
sistema queira prejudicá-los.
A autora ainda responsabiliza parte da esquerda por não assumir plenamente a sua
cumplicidade com a exploração econômica e racial, afastando-se do sofrimento concreto das
pessoas e, com isso, falhando em oferecer uma alternativa aos trabalhadores. Além disso, ela
procura por uma visão segundo a qual “mais de um pode viver”. Com isso,
A análise benjaminiana tem o potencial de combinar uma crítica radical ao
capitalismo, com uma prática política democrática, potencialmente oferecendo
um diagnóstico aprofundado das contradições da estrutura, ao mesmo tempo
em que oferece uma possível saída, embora ambivalente, arriscada e sempre em
aberto. Afinal, como aponta Gandesha (2018), a solução intersubjetivista
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benjaminiana talvez não fosse mesmo tão distante da proposta tardia de
Adorno. (Cesar, 2022, p. 126)
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