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Diário Rweflexivo

O diário reflexivo de Will Farias de Souza explora sua jornada na disciplina de Práticas Pedagógicas em Ciências Naturais, destacando a importância da reflexão crítica sobre sua formação como futura professora. Ele reconhece que o ensino de ciências deve ser contextualizado e ligado à formação cidadã, enfatizando a necessidade de abordar a ciência de forma inclusiva e investigativa. A experiência em museus e a aplicação de indicadores de alfabetização científica reforçam sua visão de que a educação deve ser uma experiência significativa e transformadora.

Enviado por

Will Farias
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Diário Rweflexivo

O diário reflexivo de Will Farias de Souza explora sua jornada na disciplina de Práticas Pedagógicas em Ciências Naturais, destacando a importância da reflexão crítica sobre sua formação como futura professora. Ele reconhece que o ensino de ciências deve ser contextualizado e ligado à formação cidadã, enfatizando a necessidade de abordar a ciência de forma inclusiva e investigativa. A experiência em museus e a aplicação de indicadores de alfabetização científica reforçam sua visão de que a educação deve ser uma experiência significativa e transformadora.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA – UEFS

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO
COLEGIADO DE PEDAGOGIA
EDU 452 - Práticas Pedagógicas em Ciências Naturais para a Educação Infantil e Anos
Iniciais do Ensino Fundamental

DISCENTE: WILL FARIAS DE SOUZA

Diário Reflexivo

Ao final do semestre na disciplina Práticas Pedagógicas em Ciências Naturais para a


Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, fui convidado a escrever um diário
reflexivo com o propósito de ir além com os conteúdos da disciplina, é uma oportunidade de
olhar para dentro, de revisitar minha trajetória ao longo da disciplina e reconhecer o que
mudou em mim, como estudante, como futura professora, como pessoa.

Através dele é possível refletir criticamente sobre como os conteúdos e experiências vividas
na disciplina impactaram minha forma de pensar e construir minha prática docente. Posso
perceber como as teorias que estudamos, como a abordagem CTS, a alfabetização científica, o
ensino por investigação, o uso de espaços não formais para a educação, não ficaram apenas no
campo do abstrato, mas se conectaram com minha realidade, minhas memórias do tempo de
escola e também com os sonhos que alimento para minha atuação na educação.

No momento em que escrevo este texto sou estudante da Universidade Estadual de Feira de
Santana, cursando o sexto semestre de Pedagogia, neste sentido, estou no início de uma
jornada para alcançar um dos meus objetivos nesta graduação: me tornar professor. Este
objetivo é algo que persigo arduamente e visualizo com clareza no meu futuro profissional, o
motivo de eu buscar a educação é por entender que na relação ensino-aprendizagem-ensino
encontra-se um potencial capaz de transformar a vida daqueles que participam. Aquele que
ensina, aprende, e aquele que aprende, se torna capaz de ensinar, portanto, não me vejo em
outra posição senão esta, se eu aprendi, logo me vejo no dever de ensinar aquilo que sei.
Acredito que o conhecimento e sua partícula menor, a informação não são de propriedade
privada, mas sim, devem ser socializados e compartilhados a ponto de que ele seja de fácil
acesso para as pessoas que o procuram.
Logo percebi que produzir um um diário é uma tarefa muito importante, pois se trata de um
movimento revolucionário, visto que hoje ele é considerado um dos tipos de textos
acadêmicos como memorial e validado como parte de um recorte sócio-histórico, trazendo
consigo o conhecimento empírico como uma das bases fundamentais da produção científica e
acadêmica. A produção de um diário no contexto educacional afirma automaticamente que o
conhecimento é uma construção, que ele também é produzido através de experiências e
interações, portanto, cada vivência possui algo a acrescentar de sua realidade ao
conhecimento comum.

Além disso, vejo o diário como um espaço meu, íntimo e afetivo, onde posso me expressar
com liberdade, sem a rigidez de uma prova ou relatório. Aqui, sou eu escrevendo sobre mim,
com minhas palavras, meu olhar, minhas sensações. É um registro vivo da minha jornada
formativa, algo que vou poder reler no futuro para lembrar de onde parti e o quanto evoluí.

Por tudo isso, encaro este diário como uma ferramenta poderosa de reflexão, autoria e
crescimento. É um retrato sincero de quem estou me tornando como professor, uma educadora
curiosa, crítica, sensível e comprometida com a formação cidadã das crianças com quem vou
conviver, aprender e ensinar.

Confesso que, inicialmente, eu tinha uma ideia muito limitada sobre o ensino de Ciências:
pensava em experiências engessadas, conteúdos baseados nas experiências prévias que tive
enquanto estudante, entretanto, as discussões, as vivências propostas pela disciplina,
ressignificaram minha compreensão. Logo no início, a conversa que tivemos sobre "Por que
ensinar Ciências?", me fizeram perceber que mais do que transmitir conhecimento, o papel
docente é o de provocar perguntas. O contato com a abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e
Sociedade) foi especialmente marcante. Ao estudar o artigo de Gomes e Zanon, compreendi
que ensinar Ciências pode (e deve) estar intrinsecamente ligado à formação cidadã,
permitindo que os estudantes reconheçam o papel da ciência em suas vidas cotidianas,
problematizando a realidade.

Ainda segundo Gomes e Zanon (2019), uma situação de ensino nos moldes da perspectiva
CTS parte de um tema gerador real, que é analisado à luz dos aspectos sociais, tecnológicos e
científicos que o atravessam. A ideia é que as crianças sejam instigadas a investigar o mundo
com base em sua própria realidade. Apresentada como uma crítica à visão ingênua e
determinista da ciência, “Os diversos desastres ambientais e bélicos e a crescente
desigualdade social colocaram em xeque a visão determinista da tecnologia e da ciência. A
tecnologia não resolveu os problemas do desenvolvimento social no que diz respeito à
igualdade e à justiça. O progresso científico serviu tanto para contribuir com a melhoria da
vida das pessoas quanto afetá-las negativamente.” (GOMES; ZANON, 2019, p. 148). Ou seja,
ensinar ciências nessa perspectiva é reconhecer que a ciência não é neutra, nem descolada dos
interesses econômicos, políticos e sociais. Pelo contrário, ela é uma construção humana,
atravessada por histórias, disputas e contextos. Isso me ajudou a enxergar o papel do professor
como mediador crítico, que ajuda os alunos a compreenderem o mundo à sua volta com
responsabilidade e participação.

Desde os primeiros encontros, percebi que o ensino de Ciências exige muito mais do que o
conhecimento de conceitos biológicos, químicos ou físicos. Exige sensibilidade, escuta e
disposição para dialogar com a realidade do mundo em que vivemos. Nas atividades
propostas fui desafiada a pensar em como as crianças constroem seus saberes sobre o mundo
natural e social, e como a ciência pode ser apresentada como uma forma de compreensão e
transformação da realidade.

A visita ao Museu Afro-Brasileiro (MAFRO) e ao Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE),


em Salvador, foi um divisor de águas. Estar em contato com saberes ancestrais, objetos
simbólicos, memórias silenciadas, tudo isso trouxe a potência dos espaços não formais de
educação como territórios vivos para o ensino de Ciências. O MAFRO nos proporcionou uma
imersão nas culturas afro-brasileiras, com ênfase na religiosidade, na arte e nos saberes
tradicionais. A visita nos levou a refletir sobre a importância de incluir, no ensino de Ciências,
outras epistemologias, reconhecendo que a ciência se constrói também a partir da experiência,
da interação e da cultura dos povos.

Para mim, que já estudei sobre e conto histórias dos orixás, visitar o MAFRO foi mais do que
uma aula: foi uma reconexão profunda com a minha identidade e com o papel social da
pessoa narradora. Ver representados em esculturas, textos e objetos dos orixás que evocam os
sentimentos que levo para as pessoas por meio das palavras foi uma experiência comovente.

Já o MAE, com seu acervo voltado à arqueologia e etnologia, nos possibilitou observar como
a ciência também se faz pela investigação histórica, pelo estudo dos vestígios materiais, pelas
narrativas culturais. A forma como o museu apresenta os objetos arqueológicos,
contextualizando-os com o cotidiano das populações, despertou em mim uma vontade ainda
maior de levar para a sala de aula a ciência como investigação, como experiência viva.

Utilizar os Indicadores de Alfabetização Científica nesse contexto me mostrou que é possível


planejar práticas pedagógicas mais sensíveis, contextualizadas e inclusivas. Vi como esses
indicadores ajudam a entender como os espaços museais podem contribuir para uma
alfabetização científica que ultrapassa o conteudismo e promove engajamento, afeto e
participação com a produção de ciência.

A promoção de uma alfabetização científica contextualizada, que leve em consideração os


saberes prévios dos estudantes, suas experiências cotidianas e seus modos de ver o mundo, é
essencial. Essa abordagem permite que a ciência seja ensinada como parte da vida, e não
como um conjunto de verdades distantes. Promove o encantamento, mas também a
capacidade de questionar e agir sobre o mundo.

Pensando a educação científica para a cidadania, percebo que as abordagens estudadas têm
grande potencial, mas também enfrentam desafios. A ludicidade e a contextualização, por
exemplo, são eficazes para despertar o interesse e o senso crítico nas crianças. No entanto, o
sistema educacional ainda valoriza conteúdos fragmentados, provas padronizadas, onde o
ensino de ciências na infância ainda é vista como acessório. Essa mentalidade limita a
aplicação de propostas como o ensino investigativo, além disso, sinto que há uma lacuna na
formação inicial dos professores, especialmente no campo das Ciências, mas certamente
estamos trabalhando para mudar essa situação.

Encerrar a disciplina com a elaboração deste diário me permitiu me enxergar como autora de
saberes, percebi que ao longo das atividades propostas fui autor e investigador. E, mais do que
isso, pude projetar a educadora que desejo ser: curiosa, investigativa, sensível à diversidade,
comprometida com a formação integral dos meus futuros alunos. Ao final desta disciplina,
saio com a certeza de que ensinar Ciências é mais do que seguir um plano de aula: é cultivar a
curiosidade, promover o questionamento e favorecer a participação cidadã. Não saio com
todas as respostas, mas com perguntas mais potentes, que me levam a caminhos interessantes
de investigação. E acredito que isso é o mais científico que posso ser. Levo comigo o desejo
de construir uma docência que valorize os saberes das crianças, que se abra ao novo e que
tenha coragem de romper com os modelos tradicionais para fazer da ciência uma experiência
significativa, libertadora e transformadora do mundo em que vivemos.
REFERÊNCIAS

COSTA, Edith G.; ALMEIDA, Ana C. P. C. Ensino de ciências na educação infantil: uma
proposta lúdica na abordagem ciência, tecnologia e sociedade (CTS). Ciência &
Educação, Bauru, v. 27, e21043, 2021.

POLON, Sandra Aparecida Machado. Teoria e metodologia do ensino de ciências. Paraná:


UNICENTRO, 2012.

GOMES, Bruna C. C.; ZANON, Dulcimeire A. V. A educação através da ciência,


tecnologia e sociedade (CTS) para os anos iniciais do ensino fundamental: a Terra e o
Universo em foco. Actio: Docência em Ciências, Curitiba, v. 4, n. 3, p. 146-164, set./dez.
2019.

MARANDINO, Martha et al. Ferramenta teórico-metodológica para o estudo dos


processos de alfabetização científica em ações de educação não formal e comunicação
pública da ciência: resultados e discussões. Journal of Science Communication – América
Latina, Trieste, v. 1, n. 1, p. A03, 2018. SANTOS, Willian L. P. Contextualização no ensino
de ciências por meio de temas CTS em uma perspectiva crítica. Ciência & Ensino, v. 1, p.
1–12, 2007.

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