Análise do impacto de reforçadores sociais na frequência do comportamento
verbal
Myllena Ayonara Sabino de Lima
Douglas Tavares da Silva
Sarah Alves Rocha
Centro Universitário Tabosa de Almeida
Resumo
Este experimento teve como objetivo analisar os efeitos do reforço positivo sobre o uso do
pronome “eu” no comportamento verbal. Participou do experimento um voluntário do sexo
masculino, com 18 anos de idade. O participante foi solicitado a construir frases espontâneas
com 60 verbos apresentados por meio de um tablet. Os materiais utilizados incluíram folhas
de papel com os pronomes, canetas, lápis e fichas para registro das respostas. Na fase inicial
(linha de base), correspondente aos primeiros 20 verbos, não houve aplicação de reforço. A
partir do 21º verbo, o experimentador passou a aplicar reforço social positivo sempre que o
pronome “eu” era utilizado. Observou-se um aumento gradual da frequência do pronome a
partir do verbo de número 44, indicando possível condicionamento à resposta desejada. Os
dados sugerem que o uso de reforçamento social verbal e não verbal influenciou a emissão do
pronome-alvo, reforçando a sensibilidade do comportamento verbal às consequências
ambientais.
Palavras-chave: comportamento verbal; reforçamento positivo; pronomes; análise do
comportamento; linguagem;
Introdução
O comportamento verbal foi compreendido, dentro da perspectiva da Análise do
Comportamento, como um tipo de comportamento operante que pôde ser modelado por
contingências ambientais. Skinner (1957) definiu o comportamento verbal como uma ação
cuja função era mediada pelo comportamento de outras pessoas, sendo suscetível a
reforçamento e controle de estímulos, assim como outros comportamentos observáveis.
Entre os elementos verbais analisáveis, os pronomes pessoais representam
componentes sensíveis à forma como o indivíduo se posicionou em relação à ação descrita. O
uso do pronome “eu” estava frequentemente relacionado à expressão de experiências pessoais
e auto-relatos, enquanto pronomes como “ele”, “você” ou “a gente” indicaram certo
distanciamento ou generalização do conteúdo verbal (Pennebaker, 2003).
A presente atividade experimental teve como objetivo analisar o impacto do
reforçamento social na frequência do uso do pronome “eu” em frases construídas a partir de
verbos apresentados oralmente. Um participante foi solicitado a criar frases espontâneas
utilizando 60 verbos. Nos primeiros 20 verbos (fase de linha de base), não houve qualquer
tipo de reforço. A partir do 21º verbo, passou-se a fornecer reforço social positivo (verbal e
não verbal) somente quando o pronome “eu” era utilizado. A variável independente (VI)
consistiu na aplicação do reforço social, enquanto a variável dependente (VD) correspondeu à
frequência de uso do pronome “eu”.
Participantes
O experimento foi realizado com um jovem adulto de 18 anos, do sexo masculino.
Que, graças ao seu diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH), ele fazia uso contínuo do medicamento venvanse. Apresentava escolaridade
correspondente ao ensino superior incompleto e renda mensal de aproximadamente
R$800,00.
Locais e Materiais
O procedimento foi realizado em uma sala de aula reservada, área onde o paciente ja
tem familiaridade. O ambiente possuía uma iluminação artificial com procedente de oito
lâmpadas, a temperatura média em torno de 22ºC e sem a presença de ruídos externos que
pudessem desconcentrar o paciente e interferir na coleta de dados. Sendo os seguintes
materiais utilizados: um IPAD, folha com pronomes do caso reto, folha de registro, duas
canetas e uma pasta. A aplicação foi conduzida por três integrantes da equipe de pesquisa.
Inicialmente, um dos aplicadores ficou responsável por apresentar as 30 primeiras questões
ao participante, enquanto o segundo se encarregava de registrar as respostas na folha de
registro, e o terceiro observava e anotava aspectos comportamentais relevantes e observáveis
durante a execução da tarefa. Após concluir a primeira metade do experimento, acontece uma
troca de papéis entre o primeiro e segundo aplicador. Aquele que anteriormente registrava as
respostas passou a conduzir as 30 questões restantes, enquanto o primeiro assumiu a função
de registrador. O observador manteve sua função ao longo de toda a aplicação.
Procedimento
Pré-procedimento
Inicialmente, foi solicitado que o participante do experimento assinasse o TCLE, o
qual explica as condições de estudo em que o mesmo seria submetido e sua liberdade de
desistir do procedimento a qualquer momento. Em seguida, se procedeu a aplicação do
formulário sociodemográfico, com o intuito de coletar informações descritivas sobre o
participante. Antes do início do experimento, foi apresentado ao participante as instruções
padronizadas, baseadas no protocolo descrito por Matos e Tomanari (2002), com o objetivo
de assegurar a uniformidade do conteúdo informacional transmitido. Foi instruído a
construção das frases, que deveriam começar com um pronome e, posteriormente, um verbo.
Logo
Foi esclarecido que as frases formadas estariam livres para ser em qualquer tempo,
com veracidade ou não, longa ou curta. A folha de pronomes estava em frente ao participante
para melhor acesso a ele. Em caso de quaisquer dúvidas do entrevistado, o texto padronizado
apresentado anteriormente era repetido como resposta.
Fase 1- Linha Base
Para começar, foram apresentados os primeiros 20 verbos para a formação das frases,
enquanto era registrado o comportamento espontâneo e natural do indivíduo, sem nenhuma
interferência e manipulação experimental. Graças a falta de consequências quanto ao uso de
pronomes, foi possível observar um parâmetro comparativo posteriormente em relação às
respostas na linha base e para as fases posteriores a ela. (Moreira e Medeiros, 2019)
Fase 2- Condicionamento
Ao finalizar a primeira etapa, as próximas 40 perguntas vieram com reforçadores
sociais em formato de elogios como “eu gostei”, “essa foi boa!” E afirmações físicas como
expressões faciais e balançar de cabeça em momentos em que a variável-alvo estava presente
na frase. Concluindo a dinâmica, algumas perguntas foram feitas ao indivíduo a fim de
conhecer a sua percepção e opinião sobre aquela experiência.
Resultados e Discussão
O pronome “eu” ser o mais frequente, poderia talvez ter uma idéia de que a maioria
das respostas poderia dizer mais sobre si, sobre o indivíduo entrevistado. Pode sim ter sido
apenas um padrão proposto pelo seu uso diário na vida pessoal, apesar de “eu” ser
naturalmente um dos pronomes mais usados pelas pessoas integral.
Seguindo a base, segue-se à análise dos dados. Ao observar a linha de base e
estímulos, é notável a forma distinta que se exibem, sobressaindo a frequência dos pronomes
“eu” e “ele”. Claramente “vós” foi o menos utilizado.
Mudança na Frequência do Uso de Pronomes Durante o Estudo
É notável que na frequência de uso dos pronomes da linha de base, houve uma grande
diferença. Agora, ao observarmos a tabela com suas porcentagens:
Frequência de Uso dos Pronomes no Processo Pré de Pós Interventivo
É indiscutível que o vós é o único que não foi citado, apesar de ser ainda presente nas
falas de Portugal e em alguns lugares do Rio Grande do Sul, costumava ser comum na Idade
Média, na época das colônias. Portanto, se tornou um tanto incomum.
Nosso entrevistado, apesar de um pouco nervoso no início do estudo, com o tempo
parou de estar receoso com as respostas, pensar demais antes de falar, e passou a responder
no mesmo segundo que foram apresentados os cartões seguintes. Houve um equilíbrio parcial
nas frases dos cartões 21-40, parecia estar mais confiante nas respostas. Porém, já havia se
acostumado com a forma que estava ocorrendo o estudo, assim, voltando para sua zona de
maior frequência, o pronome “Eu”.
Conclusão
Ao longo desta entrevista e análises, ficou evidente a grande importância dos
pronomes na estrutura da língua portuguesa. Percebe-se que eles desempenham um papel
crucial na coesão e precisão dos relatos, ora substituindo, ora acompanhando substantivos,
para evitar repetições desnecessárias. O exame dessas classes e padrões, revela como o uso
correto dos pronomes contribui, para uma comunicação mais eficaz, seja verbalizada ou
escrita, tendo um papel crucial na expressão geral de um ou mais indivíduos, em uma cultura,
em um hábito, no ambiente e no mundo de forma geral. A compreensão do uso pronominal é
essencial, para o desenvolvimento da habilidade linguística, pilar da gramática e da escrita.
Esse estudo buscou aumentar o conhecimento gramatical e promover o uso correto e
adequado da língua portuguesa.
O estudo dos pronomes é crucial para compreender a estrutura do Português de forma
mais sagaz e aprofundada, e, por isso, aperfeiçoar na fala. Reconhecer e usar os pronomes
corretamente ajuda a facilitar, unificar, e dar foco na fala. Ao fazer o uso correto e bem
estruturado, evita repetições, trazendo maior êxito em redações e textos gerais. Entender essa
parte da gramática é um passo gigante para maior fluidez na fala e idioma em si.