0% acharam este documento útil (0 voto)
14 visualizações75 páginas

Direito Processual Civil

O documento aborda o Código de Processo Civil, destacando suas premissas fundamentais como neoprocessualismo, sistema multiportas e modelo cooperativo. Também discute princípios e normas do processo civil, como o da demanda, acesso à justiça, razoável duração do processo e boa-fé processual, além de explorar a jurisdição e seus equivalentes. Por fim, menciona a criação de centros de solução consensual de conflitos para mediação e conciliação.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
14 visualizações75 páginas

Direito Processual Civil

O documento aborda o Código de Processo Civil, destacando suas premissas fundamentais como neoprocessualismo, sistema multiportas e modelo cooperativo. Também discute princípios e normas do processo civil, como o da demanda, acesso à justiça, razoável duração do processo e boa-fé processual, além de explorar a jurisdição e seus equivalentes. Por fim, menciona a criação de centros de solução consensual de conflitos para mediação e conciliação.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

1. INTRODUÇÃO AO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL


 O Código de Processo Civil está estruturado em três grandes premissas: neoprocessualismo, sistema
multiportas e modelo cooperativo.
o Neoprocessualismo: é o processo à luz do neoconstitucionalismo, concretizando as
disposições constitucionais, em especial no que diz respeito à valorização dos direitos e
garantias fundamentais. Essa análise do processo sob o viés constitucional está
expressamente prevista no art. 1º, do Código de Processo Civil.
 O art. 3º replicou o ditame constitucional da inafastabilidade da jurisdição.
 O art. 11 transformou em regra o princípio constitucional da motivação,
estabelecendo, inclusive, o que não configura motivação (art. 489, §1º).
o Sistema multiportas: é caracterizado por não restringir as formas de solução de controvérsias
exclusivamente ao Poder Judiciário, oferecendo meios alternativos e, muitas vezes,
adequados ao tipo de conflito, inclusive aquelas menos usuais no país, como os dispute
boards.
 O Código de Processo Civil prevê que “o Estado promoverá, sempre que possível, a
solução consensual dos conflitos” (art. 3º, §2º).
 A conciliação, a mediação e outros métodos de solução de conflitos deverão ser
estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério
Público, inclusive no curso do processo judicial (art. 3º, §3º).
 Na heterocomposição, o método é construído a partir de um terceiro que vem
solucionar o conflito, impondo sua vontade, ao passo que na autocomposição, são
as partes que chegam à solução, ainda que terceiro proponha solução.
o Modelo cooperativo: busca conciliar o modelo inquisitivo e o modelo adversarial, mesclando
de forma temperada a participação dos sujeitos do processo e do juiz.
 No modelo inquisitivo, o juiz atua prioritariamente de ofício, enquanto no modelo
adversarial, o juiz fica equidistante das partes, com excepcional atuação de ofício.
2

 É uma importante ferramenta para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional,


facilitando o exercício do devido processo legal substantivo.
 O modelo cooperativo está previsto no CPC por meio do princípio da cooperação e
pela sua inserção em inúmeros dispositivos que regulam o procedimento, seja entre
as partes e o juiz, seja por jurisdições diversas.
 O Código de Processo Civil de 1973 era menos organizado que o Código de Processo Civil de 2015, que
se divide em uma parte geral e outra especial, dentro dos quais agrupam-se as normas jurídicas em
diferentes livros.

2. PRINCÍPIOS E NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL


 Independentemente da corrente de pensamento do direito processual, todos eles devem obediência e
devem ser lidos à luz do que apregoa a Constituição Federal (art. 1º, do CPC).
 Norma jurídica é o produto da interpretação do texto de lei (dispositivo legal); é o sentido que se
retira de um texto legal e a partir do qual se aplica o direito.

2.1 NORMAS JURÍDICAS: NORMAS PRINCÍPIOS X NORMAS REGRAS


NORMAS PRINCÍPIOS NORMAS REGRAS
Pautas específicas - impositivas, permissivas ou
Pautas genéricas e programas abstratos.
proibitivas.
Permitem uma adaptação conforme o tempo e
Aumentam a segurança jurídica, mas mantém o
local, mas geram insegurança, decorrente da
sistema jurídico engessado e estanque.
amplitude interpretativa.
Podem ser implícitas. São expressamente previstas, em regras.
Em caso de conflito, há a combinação pela Em caso de conflito, em regra, há a
ponderação, prevalecendo uma sobre a outra impossibilidade de ponderação, aplicando as
somente no caso concreto. regras da LINDB.
Exemplos: devido processo legal, conceito de
Exemplos: prazo de contestação de quinze dias.
prova ilícita e boa-fé etc.

2.2 DIMENSÕES DAS NORMAS PRINCÍPIOS


 Objetiva: servem de vetor legislativo (função orientadora) e vetor interpretativo (função integrativa).
 Subjetiva: os princípios afirmam uma posição jurídica de vantagem (função normativa).

2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS PROCESSUAIS


 Princípios informativos ou formativos (axiomas jurídicos):
o Lógico: todo e qualquer sistema processuais é estruturado em uma ordem lógica.
o Econômico: impõe que o princípio deve custar o menos possível e ser acessível a todos.
o Jurídico: o processo deve obediência a regras de um sistema jurídico (pré-disposição).
3

o Político: o processo é o mecanismo de afirmação da vontade da lei e do Estado.


 Princípios gerais/genéricos ou fundamentais do processo civil
o São princípios que possuem conteúdo político e ideológico (frutos de escolha do Estado).
o Nem todas as normas fundamentais do Código de Processo Civil são princípios (há
sobreposição de disciplina normativa em alguns deles).
o Há normas-princípios fora do rol do art. 1º a 11, do Código de Processo Civil.

Modernamente, os princípios formativos perderam relevância pois (a) já foram positivados dentre os
princípios gerais do ordenamento jurídico; e (b) alguns Estado de exceção não preveem a sua observância.

2.4 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL


 Princípio da demanda, da inércia ou do dispositivo: veda a instauração do processo de ofício pelo juiz.
o O juiz não pode decidir além do pedido (ultra petita), fora do pedido (extra petita) ou não
apreciar o pedido (infra ou citra petita).
 A título de exemplo, o STJ já entendeu que a condenação por danos sociais somente
pode ser pedida pelos legitimados coletivos e dever ser expresso 1, sob pena de
ofensa ao princípios da congruência ou adstrição, que veda decisão diversa do que
foi pedido.
o O princípio tem mitigação na interpretação dos pedidos com base na boa-fé e na formulação
de pedidos implícitos (art. 322, §2º); e na existência dos poderes instrutórios do juiz
(produção de provas pelo juiz – art. 370).
o As exceções estão na cumulação legal de pedidos (embora a parte não peça, estão previstas
em lei); questões de ordem pública (como nulidades absolutas e fatos supervenientes); e
iniciativa oficial autorizada por lei (restauração de autos, alienação judicial e herança jacente).
 Princípio da ação, do acesso à justiça e da inafastabilidade de controle judicial : impede a vedação do
acesso à tutela jurisdicional aos indivíduos.
o Em alguns casos, é necessário, para submeter a apreciação judicial, o processamento
administrativo prévio, como no caso de habeas corpus em punições disciplinares militares;
ações submetidas à justiça desportiva; e em matéria de benefício previdenciário.
 Nas hipóteses de exibição de documentos de instituições financeiras, é necessário
que seja formulado o pedido administrativo (inclusive, mediante pagamento pelos
serviços), sob pena de não haver interesse processual2.
o Em caso de omissão (legislativa ou probatória), o juiz não pode se eximir de decidir, devendo
julgar com base nas regras de integração da norma ou na regra do ônus da prova.
o São inconstitucionais as vedações à concessão de liminares contra o Poder Público previstas
nas Leis nº 9.494/97 e 8.437/92, nos casos de compensação em matéria tributária,

1
STJ, Recl. 12.062/GO.
2
STJ, REsp 1.349.453/MS.
4

desembaraço de mercadorias estrangeiras, aumento de remuneração e reclassificação de


servidor público, conforme entendimento firmado pelo STF3.
o A maioria da doutrina reconhece a arbitragem como jurisdição (exceto Alexandre Câmara).
o Há forte movimento de extrajudicialização de institutos processuais, como o arrolamento
sucessório, o divórcio consensual e a busca e apreensão de veículos em caso de alienação
judiciária (Lei nº 14.711/2023).
 Princípio da razoável duração do processo: o processo precisa de um tempo para amadurecer ao
ponto de estar em condições do juiz julgar. Duração razoável não se confunde com processo célere.
o Prevê o Código de Processo Civil que “as partes têm o direito de obter em prazo razoável a
solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa” (art. 4º).
o São fatores para considerar um tempo razoável para o caso concreto o comportamento das
partes, o comportamento do órgão judicial e a complexidade do litígio.
o Tem aplicação prática nas hipóteses de tutela de evidência, julgamento liminar de
improcedência e julgamento antecipado parcial do mérito.
o As medidas para combater a violação da duração razoável do processo podem ser internas
(representação por excesso de prazo ou ação indenizatória) ou externas (CIDH).
o Abrange também a fase satisfativa do processo, inclusive mediante medidas atípicas.
 Existem várias jurisprudências que tratam de limites na aplicação de tais medidas,
tais como: REsp 1.788.950/MT, REsp 1.782.418/RJ, REsp 1.864.190/SP e HC
558.313/SP.
 Princípio da boa-fé processual: aquele que, de qualquer forma, participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa fé (art. 5º, do Código de Processo Civil).
o Dispensa o elemento anímico, ou seja, não importa se a pessoa agiu ou não de má-fé.
o A verificação da violação à boa-fé objetiva dispensa a comprovação do animus do sujeito
processual4.
o Busca a concretização da previsibilidade e confiança das partes e do juiz.
o Do princípio da boa-fé processual derivam outros institutos do venire contra factum
proprium, surrectio/supressio, duty to mitigate the loss e adimplemento substancial.
 Princípio da cooperação: é uma tentativa de democratização de processo, a fim de estabelecer um
processo dialógico e isonômico na condução. No momento de decidir, contudo, há um juiz
assimétrico.
o Os deveres de cooperação do juiz com as partes implicam o dever de esclarecimento
(esclarecimento de dúvidas), de consulta (oitiva prévia das partes), de prevenção
(advertência) e de auxílio (ajuda na busca do mérito).
o Os deveres da cooperação das partes com o juiz se traduzem na possibilidade de fixação de
calendário processual e de saneamento cooperativo do processo.

3
STF, ADI 4296/DF.
4
Enunciado 01, do CJF.
5

 Princípio da isonomia: é o tratamento igualitário das partes, formal e material, com paridade de
armas.
 Princípio do contraditório: é o direito de conhecer, participar e influir no processo.
o O contraditório pode ser diferido, nos casos de urgência ou evidência.
 Princípio da publicidade e motivação: o processo judicial é público, pois é financiado com dinheiro
público. Além disso, o sistema deve permitir o acompanhamento de todos que queiram, e isso
legitima a prestação jurisdicional.
o Exceções à publicidade: art. 189, do Código de Processo Civil.
o Exceção às exceções: art. 93, inciso IX, da Constituição Federal.

3. JURISDIÇÃO
 Jurisdição: é a capacidade genérica de dizer o direito de modo definitivo.
o A jurisdição privada ocorrer por meio da arbitragem (Lei n.º 9.307/1996), ao passo que a
jurisdição pública é prestada pelo Poder Judiciário, em sua larga maioria. Atipicamente, o
Poder Legislativo exerce jurisdição pública, como no julgamento dos crimes de
responsabilidade.
o Investidura é o pressuposto para o exercício da jurisdição. O Estado precisa outorgar à pessoa
o poder de dizer o direito, no caso, o magistrado.
 Ocorre por meio do concurso de provas e títulos ou nomeação de ordem política
(quinto constitucional ou escolha do Presidente da República); ou da convenção de
arbitragem (art. 3º, da Lei n.º 9.307/1996), na esfera privada.
o Apesar da existência das justiças estaduais, o Poder Judiciário tem caráter nacional,
aplicando-se as mesmas regras de atuação e funcional. As decisões proferidas por qualquer
juiz produzem eficácia em todo o território nacional.
o São características da jurisdição:
 Definitividade: as decisões têm caráter definitivo.
 Substitutividade: só atua quando houver conflito, substituindo a vontade das partes.
 Imparcialidade: é pressuposto antecedentes do exercício da jurisdição.
 Inércia: o Poder Judiciário só atua quando for provocado.
 Unidade: a jurisdição é uma função una, de caráter nacional.

3.1 EQUIVALENTES JURISDICIONAIS


 Autotutela: é o sacrifício integral do interesse de uma das partes envolvidas no conflito em razão do
exercício da força pela parte vencedora, comum em sociedades mais rudimentares.
o Ainda há resquícios de autotutela no direito civil, como no caso da legítima defesa (art. 188,
inciso I, do Código Civil); apreensão de bens com penhor legal (art. 1.467, inciso I, do Código
Civil); desforço imediato no esbulho (art. 1.210, §1º, do Código Civil).
6

o O exercício da autotutela pode ser amplamente revisto pelo Poder Judiciário, pois não goza
de definitividade.
 Autocomposição: é o sacrifício integral ou parcial do interesse de uma das partes envolvidas no
conflito, mediante vontade unilateral ou bilateral de tais sujeitos.
o Diferentemente do que ocorre na jurisdição, não há imposição de uma vontade.
o Se ocorre no curso de um processo judicial, o juiz homologará por sentença de mérito.
Haverá substancialmente uma autocomposição, mas formalmente há exercício de jurisdição.
 Mediação: é fundada na vontade das partes, inexistindo sacrifício total ou parcial dos interesses das
partes. É centrada na causa do conflito, não no conflito propriamente dito.
o O mediador não propõe a solução do conflito às partes, que chegam, por si sós, à solução
consensual. Assim, atua o mediador em casos em que tiver liame anterior entre as partes.
 Arbitragem: é a vontade das partes de submeterem a decisão a um determinado sujeito que, de
algum modo, exercia forte influência sobre elas.
o A decisão proferida pelo árbitro será impositiva, podendo, inclusive, afastar a submissão da
matéria à análise do Judiciário (tem natureza de equivalente jurisdicional).
o A decisão do árbitro sob sua competência vincula até mesmo o juízo estatal, fazendo coisa
julgada material e fazendo verdadeiro título executivo judicial.

PROCEDIMENTO DA CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO

 O art. 165, do CPC, prevê a responsabilidade de criação de centros de solução consensual de


conflitos, que ficarão responsáveis pela realização de audiências de mediação e conciliação.
 Ficarão os centros vinculados ao segundo grau da Justiça Estadual ou Federal.
 Em regra, haverá espaço físico exclusivo para o desempenho das atividades dos conciliadores e
mediadores. Excepcionalmente, as audiências ou sessões poderão realizar-se nos próprios
juízos.
 Para a função de conciliador e mediador é necessária aprovação em curso a ser realizado por
entidades credenciada, cujo parâmetro curricular será definido pelo CNJ, em conjunto com o
Ministério da Justiça, além de graduação há pelo menos dois anos em curso de ensino superior
em instituição reconhecida pelo Ministério da Educação.
 Se o conciliar ou mediador for advogado, estará impedido de exercer advocacia nos juízos em
que exerça suas funções (ou pelo menos nas varas vinculadas à atividade).
 Ficam impedidos os mediadores e conciliadores de assessorar, representar ou patrocinar
qualquer das partes pelo prazo de um ano, estendido o impedimento à sociedade a que
pertença.
 Os Tribunais podem criar quadros próprios de conciliadores ou mediadores, mediante concurso
público de provas e títulos.
 As partes podem escolher o conciliador ou mediador, podendo ser pessoal não vinculada à
7

atividade ou ao Tribunal respectivo. Contudo, às partes não é dado aceitar o mediador.


 A atividade de conciliação e mediação será, em regra, remunerada, de acordo com tabela
fixada pelo próprio Tribunal, a ser paga pelas partes, ressalvada a hipótese de serem
beneficiárias da gratuidade da justiça.
 Aos conciliadores e mediadores aplicam-se as mesmas regras de analogia às causas de
parcialidade, deverá imediatamente comunicar a parcialidade, por meio eletrônico
(preferencialmente).
 O mediador ou conciliador será excluído do cadastro, por meio de processo administrativo,
quando agir com dolo ou culpa na condução ou quando violar os deveres decorrentes do art.
166, §§1º e 2º, do Código de Processo Civil.

4. COMPETÊNCIA
 Competência: é a capacidade específica de dizer o direito de modo definitivo.
o Traslatio iudicii: na urgência, cessa a competência. Em uma situação de risco absoluto,
qualquer juiz dotado de jurisdição é apto a dizer o direito, remetendo-se, posteriormente, ao
juiz competente, para que confirme ou não a decisão proferida.

4.1 JURISDIÇÃO NACIONAL


 São princípios/critérios de direito internacional:
o Efetividade: os países costumam julgar aquilo que tem capacidade de efetivar ou impor.
o Interesse: os países costumam julgar sobre os casos que considerem relevantes.
o Submissão: os países respeitam a autonomia de vontade – onde as partes podem escolher
que o processo seja julgado (eleição de jurisdição internacional).
 Pode ser positiva, quando os litigantes escolhem a jurisdição (art. 22, inciso III); ou
negativa, quando os litigantes afastam uma jurisdição (art. 25).
 O sistema brasileiro usa dois critérios para o julgamento: exclusiva ou concorrente.

4.1.1 Jurisdição nacional exclusiva


 Consiste nas hipóteses em que, a luz dos três critérios de direito internacional, reconhece que tem
jurisdição sobre o caso, afastando a aplicação de qualquer outra jurisdição.
 São as hipóteses de jurisdição exclusiva, previstas no art. 23, do Código de Processo Civil:
o Conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil (de natureza real ou obrigacional).
o Em matéria de sucessão de bens situados no Brasil, independentemente da nacionalidade do
domicílio do autor da herança.
 Excepciona-se essa hipótese quando a lei estrangeira for mais benéfica para a prole
brasileira (extraterritorialidade – aplicação da lei estrangeira no Brasil).
8

 Nesse caso, a jurisdição segue sendo brasileira, mas a lei aplicada é de outro país.
o Em caso de divórcio ou dissolução de união estável, somente a autoridade brasileira pode
definir sobre a partilha dos bens situados no Brasil.
 Não há como falar em litispendência, tendo em vista que não se reconhece a jurisdição estrangeira
nos casos de jurisdição nacional exclusiva.
o Critério da prevalência: a decisão que vale em caso de jurisdição nacional estrangeira é a
brasileira.

4.1.2 Jurisdição nacional concorrente


 O Brasil poderá julgar as hipóteses previstas em lei, mas não afasta a possibilidade de outra jurisdição
decidir acerca da matéria.
 São hipóteses de jurisdição concorrente, previstas nos arts. 21 e 22, do Código de Processo Civil:
o Se estiver o réu domiciliado no Brasil, independentemente de sua nacionalidade.
o Se o Brasil foi indicado como local de cumprimento da obrigação.
o Quando o ato ou fato que dá origem à ação tiver ocorrido no Brasil.
o Ação ou execução de alimentos, quando o credor for domiciliado no Brasil ou o réu mantiver
vínculos de cunho econômico no Brasil.
o Quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil.
o Quando as partes elegerem a jurisdição brasileira para submissão da ação.
 No caso de jurisdição concorrente, não há litispendência se duas ações tramitarem em países
diferentes.
o Critério de prevalência: é identificado onde primeiro se teve coisa julgada. Contudo, deve-se
ter atenção ao fato que a sentença estrangeira só terá trânsito em julgado quando for
homologada pelo STJ, nos termos no art. 960 a 965, Código de Processo Civil.
 Se ao tempo do pedido de homologação de sentença estrangeira já houver coisa
julgada pela jurisdição brasileira, o STJ sequer homologará o pedido.

4.2 COMPETÊNCIA INTERNA


4.2.1 Critério hierárquico ou funcional
 Leva em consideração a pessoa do processo, são casos em que a própria lei já determina a
competência.
 Tem três finalidades: ações originárias, foro privilegiado e prevenção.
o Ações originárias: já se iniciam no Tribunal, como primeira instância. As ações que se iniciam
nas cortes nacionais e federais estão dispostas no art. 102, inciso I; art. 105, inciso I; art. 108,
inciso I; e art. 114, inciso V, da Constituição Federal. A competência originária das cortes
estaduais está prevista nas Constituições estaduais.
9

 O STF, na ADI 4412, passou a dizer que a competência para julgar os atos do CNJ, por
qualquer via, mas desde que em respeito às suas funções constitucionais, seria do
STF.
o Foro privilegiado (ratione personae): determinadas autoridades podem ser diretamente
julgadas pelos Tribunais. O cargo que a autoridade ocupa justifica que ela não seja julgada em
primeira instância (arts. 102, I, “d” e “q”; 105, I, “b” e “h”; 108, I, “c”; 114, IV da CF/88).
 Não há foro privilegiado nas ações cíveis, apenas criminais ou writs constitucionais.
o Prevenção: é a concentração em um órgão jurisdicional, da competência que já pertencia a
dois ou vários juízos, servindo para estabelecer o sentido vetorial da atração de uma causa a
um juiz já preestabelecido e para aplazar a própria causa e seus incidentes ao órgão
jurisdicional que já foi atribuído.

4.2.2 Critério material (ratione materiae ou ratione personae)


 Tem como finalidade definir os quatro grandes segmentos da justiça competente:
o Justiça Eleitoral: está prevista no art. 121, da Constituição Federal e no Código Eleitoral. A
competência cível é definida de acordo com a causa de pedir.
 Sufrágio: sobre qualquer consulta popular – eleições, plebiscito e referendo (ação de
impugnação de registro de candidatura, ação de investigação judicial eleitoral,
recurso contra expedição de diploma, ação de impugnação de mandato eletivo etc.)
 Questões político-partidárias: como expulsão de filiado e fidelidade partidária.
 A Lei das Eleições veda ação civil pública eleitoral, mas pode inquérito civil no MP.
 O cargo de juiz eleitoral é exercido por juízes de Direito.
o Justiça do Trabalho: é definida pela causa de pedir, nas competências previstas no art. 114,
da Constituição Federal e na Súmula 736, do Supremo Tribunal Federal.
 O STF deu interpretação conforme, sem redução de texto ao art. 114, inciso I, para
determinar que os empregados públicos têm relação de trabalho, regido pela CLT
(celetista), devendo ser julgado pela Justiça do Trabalho. O funcionário público,
todavia, deve ser julgado na justiça comum, eis que se trata de relação estatutária5.
 O servidor temporário tem relação de Direito Administrativo com a Administração
Pública, cabendo o julgamento das ações à justiça comum6.
 As ações oriundas de cargos comissionados serão julgadas pela justiça comum7.
 A justiça comum é competente para julgar ação ajuizada por servidor celetista
contra o Poder Público, em que se pleiteia parcela de natureza administrativa8.

5
STF, ADI 3.395/DF e ADI 3.694/AP.
6
STF, Rcl 7.126/MG.
7
STJ, Edcl 184.065/SP.
8
STF, RE 1.288.440/SP.
10

 O direito de greve dos servidores públicos deve ser viabilizado mediante aplicação
das Leis nº 7.701/1988 e 7.783/1989, até que seja editada a legislação específica de
que trata o art. 37, VII, da Constituição Federal9.
 No caso de greve, não se deve identificar o vínculo do servidor com o Estado, mas o
impacto da greve para a Administração Pública. Assim, serão julgadas as ações
sobre greve, ainda que de empregados públicos da administração direta, autarquias
e fundações de direito público, na justiça comum10.
 Toda matéria relativa a sindicato de servidores públicos define-se a competência
pela natureza do vínculo. O mesmo se aplica às indenizatórias por assédio sexual ou
moral.
 No acidente de trabalho, a competência será da Justiça do Trabalho quanto o pedido
for intentado em face do empregador. Se houver pedido de benefício acidentário ao
instituto de previdência, a ação deve ser ajuizada na justiça comum estadual, ainda
que em face de autarquia federal.
 A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória
ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores11.
 Profissional liberal não tem relação de trabalho com seus clientes, estabelecendo
relação civil ou de consumo, competindo à justiça comum.
o Justiça Federal: é um ramo da justiça que tem como atuação definida pela matéria e pela
causa de pedir ou pela parte que compõe o processo.
 A competência da Justiça Federal é definida pelas causas de pedir, nos casos de:
 Tratado ou contrato celebrado pela União com Estado estrangeiro ou
organismo internacional.
 Incidente de deslocamento de competência: o PGR postula perante o STJ
para deslocar o processo da justiça estadual para a justiça federal quando
houve grave violação de direitos humanos, e o Brasil, responder perante
Organismos Internacionais e Estados estrangeiros, em vista da não
apuração ou não responsabilização daquele grave evento.
 Ações sobre a disputa de direitos indígenas.
 A competência da Justiça é definida pelas partes, nos casos de:
 União e administração indireta federal (salvo sociedade de economia
mista), como autoras, rés ou interveniente.
o Exceções: matéria eleitoral, matéria trabalhista, falência (incluindo
recuperação judicial, insolvência civil, superendividamento e
repactuação de dívidas) e ação acidentária contra o INSS.

9
STF, MI 670/ES e ARE 654.432/GO.
10
STF, RE 846.854/SP.
11
STF, Súmula vinculante nº 23.
11

o Compete à Justiça Federal processar e julgar ações em que a


Ordem dos Advogados do Brasil, quer mediante o Conselho
Federal, quer seccional, figure na relação processual12.
o Se a ação rescisória contra o julgado da justiça estadual, for
proposta pela União ou pela Administração Indireta Federal (art.
109, I, CF), a competência para rescindir os julgados será do TRF13.
 Estado estrangeiro ou organismo internacional contra Município ou pessoa
domiciliada ou residente no país.
o Nesses casos, o recurso cabível será o recurso ordinário
constitucional, julgado pelo STJ em segunda instância.
 Mandados de segurança e o habeas data contra autoridades federais
(integra o organograma da União ou da administração pública federal).
o Ensino Superior: o MEC é o responsável por gerir e autorizar o
funcionamento de órgãos de ensino superior relacionados à
prestação de serviços pela União e por instituições privadas. Assim,
os mandados de segurança contra ato de universidade federal ou
universidade privada são de competência da Justiça Federal. Os
mandados de segurança contra atos de universidade estadual ou
municipal são julgados pela justiça estadual, tendo em vista que a
exploração do ensino superior é competência do Estado, em
ambos os casos. As ações ordinárias, contudo, são processadas
pela justiça comum, salvo se contra universidade federal.
o No caso de ação em que se discute expedição de diploma,
qualquer que seja a ação contra universidade privada, ela deverá
ser ajuizada perante a Justiça Federal14.
o Concessões da atividade pública federal: nos mandados de
segurança contra entidade privada, que atuem em concessão de
serviço pública federal, a competência será da Justiça Federal. As
demais ações tramitam perante a Justiça Estadual.
o Sociedade de economia mista: caberá mandado de segurança
contra sociedade de economia mista, desde que o ato praticado
seja de gestão pública (e não ato de gestão comercial), tramitando
o writ perante a Justiça Federal, se for uma SEM federal.
o Justiça Estadual: trata-se de competência residual, de forma que, tudo aquilo que não for da
competência das justiças acima, será de competência da justiça estadual.

12
STF, RE 595.332/PR.
13
STF, RE 598.650/MS.
14
STF, RE 1.304.964/SP.
12

 A Justiça Estadual é a competente para julgar ações ordinárias em face de sociedade


de economia mista (Súmulas n.º 42, do STJ e Súmulas nº 508, 517 e 556, do STF).
 Somente prevalece a competência da Justiça Federal em caso de litisconsórcio
necessário. Sendo facultativo, haverá a cisão do processo, extinguindo-se o processo
sem resolução do mérito quanto à parte cindida.
 Compete à Justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de
serviço público de telefonia, quando a ANATEL não seja litisconsorte passiva
necessária, assistente nem opoente15.
 Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que
justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas16.
 O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se
o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo
(art. 45, §3º, do Código de Processo Civil).
 Intervenção anódina: art. 5º, da Lei n.º 9.469/1997. Ocorre quando a União
intervém no processo sem interesse jurídico, meramente econômico. Não
há deslocamento da competência para a Justiça Federal.
o Súmula n.º 270, do STJ: O protesto pela preferência de crédito,
apresentado por ente federal em execução que tramita na justiça
estadual, não desloca a competência para a justiça federal.
 Súmula n.º 365, do STJ: A intervenção da União como sucessora da Rede
Ferroviária Federal S/A (RFFSA) desloca a competência para a Justiça
Federal ainda que a sentença tenha sido proferida por Juízo estadual.
 Há algumas hipóteses em que haverá a competência material delegada (a justiça estadual julga
demandas da Justiça Federal ou até da Justiça do Trabalho), por razões de política e acesso à justiça.
o O juiz estadual julgará causas trabalhistas desde que não haja Vara do Trabalho no local e
existência de uma lei que atribua aos juízes estaduais a competência para julgar matéria
trabalhista (art. 112, da Constituição Federal).
 Eventual recurso deverá ser dirigido ao Tribunal Regional do Trabalho.
o A Justiça Estadual poderá julgar causas de competência da Justiça Federal somente nas
hipóteses de benefícios previdenciários ou assistenciais, mediante autorização legislativa,
desde que inexista Vara Federal em até setenta quilômetros.
 A Lei n.º 13.043/2014 previu que a justiça estadual não pode mais julgar a execução
fiscal federal, mantendo o acervo de ações anteriores na justiça estadual.
 O art. 381, §4º, do Código de Processo Civil, está prejudicado, não sendo possível a
produção antecipada de provas requerida em face da União na justiça estadual.

15
STF, Súmula vinculante nº 27.
16
STJ, Súmula nº 150.
13

COMPETÊNCIA NAS AÇÕES DE MEDICAMENTOS


Nas ações de medicamentos, poderá o jurisdicionado escolher contra quem irá demandar, dentre todos os
entes federados: União, Estado, Distrito Federal ou Município. A depender da escolha do jurisdicionado, a
competência irá para Justiça Federal ou para a Justiça Estadual.
Em regra, a demanda pode ser proposta em face de qualquer dos entes da Federação (União, Estados,
Distrito Federal, Municípios), isolada, ou conjuntamente.
Em relação à distribuição de competências, o STF fixou o entendimento que, para fins de organização de
prestação de serviços relacionados à saúde, entre os entes, é irrelevante para o jurisdicionado, pois o
sistema de saúde é único. Na prática, o jurisdicionado poderá escolher contra quem demandar,
independentemente de qualquer coisa.
Em relação aos medicamentos não registrados na ANVISA (tratamento experimental), devem ser postulados,
necessariamente, em face da UNIÃO, e a competência será da Justiça Federal, portanto.
Tema 1.234, do STF: Hoje temos a ideia de que, tratando-se de medicamento com registro na ANVISA, mas
não padronizado, ajuíza-se a ação contra qualquer ente. Porém, a tendência é do STF é passar a obrigar a
União ser parte em processos em que pleiteia medicamentos não padronizados pelo SUS (AINDA PENDENTE
DE JULGAMENTO).

MANDADO DE SEGURANÇA E AÇÕES EM FACE DE UNIVERSIDADE


MANDADO DE SEGURANÇA AÇÃO ORDINÁRIA
UNIÃO Justiça Federal Justiça Federal
ESTADOS/DF Justiça Estadual Justiça Estadual
MUNICÍPIOS Justiça Estadual Justiça Estadual
PRIVADA Justiça Federal Justiça Estadual (em regra)

4.2.3 Critério valorativo (ou ratione valore)


 Usa o conteúdo econômico da demanda para determinar uma regra de competência própria.
o Juizado Especial Cível: o valor é de até 40 salários-mínimos (é facultativo).
o Juizado Especial Federal: o valor é de até 60 salários-mínimos (é obrigatório).
o Juizado Especial da Fazenda Pública: o valor é de até 60 salários-mínimos (é obrigatório).
 Alguns Tribunais de Justiça possuem o critério valorativo para definir competências internas.

4.2.4 Critério territorial


 Direito pessoal e real sobre bens móveis (art. 46): para ação fundada em direito obrigacional ou
direito real sobre bem móvel, regra é o domicílio do réu – regra geral.
o Havendo mais de um réu, em qualquer domicílio de um deles; caso o réu não more no Brasil,
será o domicílio do autor; caso autor e réu morem fora do Brasil, em qualquer foro.
 Direito real sobre bens imóveis (art. 47): seguirão o foro de situação da coisa (competência absoluta).
14

o Em temas relacionados a direitos pessoais sobre imóveis (locação, comodato, arrendamento


etc.), as partes poderão optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição.
o As ações possessórias imobiliárias seguem a regra do caput, de forma que é competente o
foro de situação da coisa para a reintegração de posse, manutenção de posse ou interdito
proibitório (competência absoluta).
 Em havendo ajuizamento de ação possessória com fundamento em descumprimento
de obrigação contratual (cumulação de pedidos), não se aplica o foro de situação da
coisa (AREsp n.º 1114244-SP).
 Ações de direito sucessório (art. 48): a sucessão dos bens o Brasil é competência da jurisdição
brasileira, definindo-se o foro competente da seguinte forma:
o Última domicílio do falecido, em regra.
o Havendo mais de um domicílio, a competência será do local dos bens imóveis.
o Havendo imóveis em vários locais, qualquer lugar.
o Não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens móveis deixado pelo
falecido.
 Ação em face de ausente (art. 49): será competente o local do último domicílio.
 Contra incapaz, relativa ou absolutamente (art. 50): foro do seu representante ou assistente.
o Súmula 383, STJ: A competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de
menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda.
 Ações em que a União for autora ou ré (art. 51): em regra, é competente o foro de domicílio do réu,
quando a União for autora; em sendo ela ré, poderá ser:
o Justiça Federal do local do domicílio do autor.
o No local do ato ou fato.
o Foro de situação da coisa (obrigatória).
o No Distrito Federal (sede das pessoas jurídicas de direito público federal).
o Na capital do Estado (art. 109, §2º).
 Ações em que Estado ou o Distrito Federal forem autores ou réus (art. 52): em regra, é competente o
foro de domicílio do réu, quando forem autores; em sendo réus, haverá foros concorrentes:
o No domicílio do autor.
o No local do ato ou fato.
o No foro de situação do imóvel (obrigatório).
o Capital do Estado.
o O STF já entendeu que o Estado não pode ser processado fora do seu território.
 Ações em que Município for autor ou réu: não há regra específica, observando-se as regras gerais.
 Regras especiais (art. 53):
o Nas ações relativas a divórcio ou dissolução de união estável, há foros sucessivos:
 Foro da vítima de violência doméstica ou familiar.
15

 Foro do guardião dos incapazes.


 Foro do último domicílio do casal.
 Foro de domicílio do réu.
o Nas ações de reparação de dano por ato praticado em razão do ofício, é competente o foro
da sede da serventia notarial ou de registro (art. 53, III, “f”).
o Nas ações de dano fundada em acidente de veículo, inclusive aeronave, é competente o foro
do local do fato ou no domicílio do autor (art. 53, V).

4.2.5 Regime jurídico da competência interna


4.3 REGRA GERAL DO REGIME JURÍDICO DA COMPETÊNCIA INTERNA

ABSOLUTA RELATIVA
Regime jurídico funcional e hierárquico e Regime jurídico valorativo e
CRITÉRIOS
material. territorial.
PREVISÃO LEGAL Art. 64 e §§, do CPC. Art. 65, do CPC.
INTERESSE Público. Privado.
CONHECIMENTO PELO De ofício, em qualquer momento e grau Só mediante alegação da parte ou do
JUIZ de jurisdição. Ministério Público.
DERROGABILIDADE Não pode convencionar. Pode ser convencionado.
MOMENTO E MODO DE Preliminar de contestação ou a qualquer Preliminar de contestação, sob pena
ALEGAÇÃO momento do processo. de preclusão.
Não gera nulidade: há prorrogação
Eventual nulidade dos atos praticados,
VIOLAÇÃO de competência, não cabendo ação
cabendo ação rescisória.
rescisória.

 Competência absoluta: é determinada pelos critérios funcionais e hierárquico.


o Objetivam a proteção do interesse público.
o As incompetências absolutas podem ser conhecidas de ofício pelo julgador.
 Para o STJ, prevaleceu o entendimento que, diante da hipótese de incompetência
absoluta, não há necessidade de se aplicar o art. 10 17. Entendeu-se que, as partes
conhecem regras de competência, por isso não há necessidade de debate com as
partes, e isso atrasaria o tempo do processo (STJ, AgInt no RMS 61.732/SP +
Enunciado n. 4, do ENFAM).
 Enunciado 4 – ENFAM: Na declaração de incompetência absoluta não se aplica o
disposto no art. 10, parte final, do CPC/2015.
o A competência absoluta não pode ser convencionada pelas partes, pelo caráter público.

17
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
16

o Pode ser alegada pela parte como preliminar de contestação (momento ideal), mas pode ser
suscitada a qualquer momento do processo.
o Em caso de violação, poderá haver a nulidade dos atos praticados ou mesmo o ajuizamento
de ação rescisória.
 Competência relativa: é determinada pelos critérios valorativo e territorial.
o Objetivam a proteção do interesse privado.
o As incompetências relativas só podem ser conhecidas mediante alegação da parte ou do MP.
 Súmula n. 33, STJ: Não pode o Juiz apreciar de ofício a sua incompetência relativa.
o A incompetência relativa deve ser suscitada como preliminar de contestação, sob pena de
prorrogação da competência (preclusão).
o Em razão da prorrogação da competência, eventual violação da competência relativa não
gera a nulidade, sendo incabível a ação rescisória.
o Pode ser convencionada entre as partes (ex.: cláusula de eleição de foro).

4.4 REGIME JURÍDICO EXCEPCIONAL DE COMPETÊNCIA INTERNA


 Critério territorial/absoluto: em algumas raras hipóteses, o legislador usa o critério territorial para
proteger o próprio interesse público. Nessa hipótese, usa-se o regime da competência absoluta. São
elas:
o Ações possessórias imobiliárias: foro da situação da coisa.
o Ações civis públicas: devem ser ajuizadas no local onde ocorreu o dano.
 Critério valorativo/absoluto: tanto no Juizado Federal, quanto no Juizado da Fazenda Pública, se
estabeleceu que qualquer ação de até 60 salários-mínimos, deverá obrigatoriamente, ser processada
no juizado (objetivo: reestruturação do sistema de justiça).
 Foro de eleição: são necessários três requisitos para que caiba o foro de eleição (art. 62 e 63, §1º):
o 1º: A regra a ser combinada deve, necessariamente, ser uma regra de competência relativa,
tendo como base o critério valorativo ou territorial.
o 2º: Só cabe foro de eleição por escrito, ainda que não no contrato.
o 3º: O foro de eleição só vale se aludir expressamente a dado negócio jurídico. O objeto deve
específico, não podendo ser genérico.
o A cláusula de foro de eleição obriga apenas as partes subscritoras e seus sucessores – inter
vivos ou causa mortis (art. 63, §2º, do Código de Processo Civil).
 O cônjuge que não participa dos contratos, mas deveria participar, não o obriga ao
foro de eleição, porque, não foi contratante e não é sucessor (art. 1.647, do CC).
o Abusividade do foro de eleição: o foro de eleição pode ser usado pela parte mais forte da
relação jurídica, com o objetivo de dificultar ou inviabilizar o acesso à justiça do seu
adversário.
 Vislumbrando que o foro de eleição é abusivo, o juiz pode remeter os autos de ofício
para o domicílio do réu.
17

 O juízo pode reconhecer a abusividade de foro de eleição de ofício, antes de citar o


réu. Citado o réu, este deverá alegar a abusividade. Se nada alegar, não pode mais o
juiz reconhecer de ofício.

4.4.1 Causas modificativas de competência


 Princípio da perpetuatio jurisdictionis: desde que respeitadas às regras de competência, o juízo para
o qual o processo foi distribuído será perpetuado. Assim, em regra, o processo permanece no local do
registro ou da distribuição.
o Súmula n. 58, STJ: Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado
não desloca a competência já fixada.
 Em alguns casos excepcionais à perpetuatio jurisdictionis, há modificação de competência:
o Supressão do órgão judiciário: ocorre quando há a extinção da vara (art. 43).
o Alteração da competência absoluta : por exemplo, altera-se a competência de determinada
vara que era única e passa a tratar apenas sobre família.
 Súmula Vinculante n. 22: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar
as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de
trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda
não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da
Emenda Constitucional nº 45/04.
 Súmula n. 367, STJ: A competência estabelecida pela EC n. 45/2004 não alcança os
processos já sentenciados.
o Incidente de deslocamento de competência (IDC) : em casos de grave violação de direitos
humanos, em não havendo movimentação do caso pela Justiça Estadual, desde que o Brasil
tenha se comprometido por tratados internacionais, o Procurador Geral da República poderá
requerer ao STJ a transferência do processo para a Justiça Federal.
o Cumprimento de sentença: partindo da premissa de um processo sincrético, o juiz que
prolatou a decisão no processo de conhecimento, é o juízo competente para o cumprimento
de sentença. Ocorre que, o art. 516, do CPC, permite que a requerimento do credor, o
processo seja deslocado para o foro onde estão localizados os bens do devedor, como forma
de facilitar a satisfação do crédito.
o Casos da infância e da juventude : as ações relacionadas a menores em situação de risco
(crianças e adolescentes), devem ser propostas no local onde estas ou seus representantes
estão (art. 147, do Estatuto da Criança e do Adolescente).
o Conexão: ocorre quando o pedido (mediato) ou a causa de pedir (remota) for a mesma para
mais de uma ação. Assim, não interessa o provimento jurídico imediato e os fundamentos
jurídicos aventados.
 O CPC adotou o critério materialista, pois exige a mera conexão material, não a
necessária e exata correspondência entre pedido e causa de pedir.
18

 É admitida a unificação dos processos, mesmo que não haja entre eles conexão, em
razão do risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias.
o Continência: ocorre quando há partes e causa de pedir forem iguais, mas o pedido de uma
ação for mais do que o dia outra.
 Para que tenha continência o pedido da primeira ação deve, necessariamente, ser
menor do que o pedido das demais ações, sob pena de incorrer em litispendência.
o Tanto para a conexão quanto para a continência, somente se modificação a competência, se
esta for relativa (valorativa e territorial).
o Somente haverá conexão ou continência, ainda que presentes os requisitos legais, por razões
de economia processual e risco de decisões contraditórias.
 Súmula n. 235, STJ: A conexão [e a continência] não determina a reunião dos
processos, se um deles já foi julgado.
o O juízo competente para a análise dos processos reunidos, seja por conexão ou continência,
será definido em razão daquele em que primeiro houve o registro ou distribuição de uma das
ações (art. 58 e 59, do Código de Processo Civil).
 Súmula n. 489, STJ: “Reconhecida a continência, devem ser reunidas na Justiça
Federal as ações civis públicas propostas nesta e na Justiça estadual”.

5. TEORIA DA AÇÃO
 Tem como fundamento o art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, que estabelece o princípio do
acesso à justiça: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
 Conceito: é o direito público, subjetivo e abstrato, de requerer aos órgãos jurisdicionais tutela.
o É público, porque deriva da Constituição e não tem natureza contratual.
o É subjetivo, na medida em que está nas faculdades dos indivíduos exercê-lo ou não.
o É abstrato, porque independe da existência do direito material.
 A ação pode ser de natureza processual ou constitucional ou de direito material.
o Ação de direito processual ou constitucional é aquela em que se pede proteção ao Estado.
o Ação de direito material tem caráter excepcional, pretendendo-se a proteção
independentemente da jurisdição. A pretensão de satisfação não depende da chancela do
Estado. É a autorização para o exercício da autotutela (exemplos: desforço imediato da posse;
consignação em pagamento extrajudicial; homologação do penhor legal).
 Fora das hipóteses legais, o exercício da autotutela implica em crime de exercício
arbitrário das próprios razões ou abuso de autoridade (se autoridade pública).
 Atipicidade das ações: a atribuição de nome às ações tem origens no direito romano, mas não tem
reminiscências históricas no direito contemporâneo. O direito de ação é inominado, não possuindo
nome, em que pese a prática forense atribua nome com base nos pedidos nela formulados.
19

5.1 TEORIAS SOBRE O DIREITO DE AÇÃO


 As teorias clássicas do direito de ação caíram em desuso e são, atualmente, meramente históricas.
o Teoria civilista: apregoava o direito de ação não era autônomo do direito material.
o Teoria concretista: o direito de ação só existe àquele que for titular do direito material.
o Teoria do direito potestativo: o exercício de ação é contra o adversário, não contra o Estado.
 As teorias modernas são autonomistas ou abstrativistas (reconhecem a autonomia do direito de ação).
o Teoria autonomia ou abstrata pura : tem como características o reconhecimento de que o
direito de ação independe do direito material; sustenta que o direito de ação é exercido
através da consecução de um direito ao pronunciamento judicial de qualquer teor; o direito
de ação é incondicionado, independentemente do teor do pronunciamento exarado pelo
Estado.
 A teoria autonomia não reconhece a existência das condições de ação.
o Teoria eclética ou instrumental: também reconhece a autonomia do direito de ação em
relação ao direito material. No entanto, entende que só há o exercício do direito de ação se a
parte obtiver do Estado um pronunciamento de mérito.
 A teoria eclética reconhece a existência de condições da ação, cuja ausência gera a
extinção sem análise do mérito (a qualquer momento, em cognição sumária ou
plena).
o Teoria da asserção: derivada da teoria eclética, distingue o modo de análise das condições da
ação. As condições da ação só poderiam ser analisadas em cognição sumária, conforme
alegação autoral inicial. Reconhecida a falta das condições de ação no curso do processo,
estaria resolvido o mérito e exercido o direito de ação.
 Em alguns casos, contudo, ainda que reconhecidas as faltas de condições da ação no
curso do processo, não haverá análise de mérito, como na hipótese da falta de
legitimidade na ação civil pública (art. 5º, §4º, da Lei n. 7.347/1985).
 No Brasil, a doutrina diverge acerca da teoria adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro. Contudo,
no STJ foi adotada a teoria da asserção (Tema 939 e REsp 818.603/RS).

5.2 CONDIÇÕES DA AÇÃO


 As condições da ação têm como fundamento a economia processual, a fim de evitar a tramitação de
uma ação ineficaz e que está fadada à impossibilidade (Liebman).
 O Código de Processo Civil estabelece como condições da ação o interesse processual e a legitimidade.
o Interesse processual: depende da existência de dois elementos: necessidade e adequação.
 Necessidade: decorre da imposição legal ou da resistência à pretensão. Se
decorrente da imposição legal, à parte não há opção senão socorrer-se ao Poder
Judiciário (ex.: adoção e homologação de decisão estrangeira). Se decorrente de
resistência à pretensão, há o que se chama de lide.
20

 Em alguns casos, o Judiciário entende que não existe lide sem a anterior
submissão à esfera administrativa, como no caso em que a parte postula
benefício previdenciário ou mesmo na exibição de documentos bancários.
 Adequação/utilidade: para ajuizar ou contestar uma ação é indispensável que a via
eleita ou a medida requerida seja adequada e útil para o caso concreto.
o Legitimidade ad causam: a legitimidade pode ser ordinária ou extraordinária. É a relação que
deve existir entre quem pede e contra quem pede, à luz do objeto do pedido.
 Ordinária: há identidade entre a parte processual e a parte material da relação
jurídica. É a defesa em nome próprio de direito próprio. É a regra geral (art. 18).
 Extraordinária (ou substituição processual): a parte material é diferente da parte
processual. É a defesa em juízo de direito alheio em nome próprio, devendo estar
expresso na lei. Pode ocorrer de forma exclusiva ou mesmo de forma concorrente.
 A legitimidade extraordinária não se confunde com a representação
processual, em que há defesa de direito alheio em nome alheio (art. 71).
 Para alguns autores, é diferente de substituição processual porque esta
ocorrerá somente quando a co-parte não pode ser parte do processo. Para
esses autores, a legitimidade extraordinária seria quando há a possibilidade
de todos estarem como parte no processo.
 É diferente da sucessão processual, que ocorre quando há a substituição de
uma parte por outra numa relação processual.
 Há autores que defendem a possibilidade de criação de regras de
legitimidade extraordinária por meio de negócio jurídico processual.
 No CPC/1973 existia uma terceira condição da ação: possibilidade jurídica dos elementos da ação.
Atualmente, entende-se que encontra-se situada no interesse de agir, em que pese haja divergência:
o 1ª corrente: está inserida no interesse processual, não sendo categoria autônoma.
o 2ª corrente: virou pressuposto processual de validade (Fredie Didier Jr).
o 3ª corrente: foram convertidas em hipóteses de improcedência liminar do pedido.
 Uma parte minoritária da doutrina acredita que com a superveniência do Código de Processo Civil de
2015, as condições da ação deixaram de existir, em razão de ter abandonado a expressão “carência de
ação”. Sua atual alocação nos institutos jurídicos diverge na doutrina.
 Fenômenos das falsas carências: ocorre quando a sentença extingue o processo sem resolução do
mérito, apesar de constar da fundamentação todos os requisitos para a sua resolução.
o Exemplo: extinção sem resolução de mérito de investigação de paternidade após sobrevir
resultado pericial negativo.
 Regime jurídico das condições de ação : a ausência das condições da ação, em análise inicial, acarreta
a resolução do processo sem extinção de mérito. Além disso, são consideradas questões de ordem
pública, podendo ser reconhecida de ofício e não incorrendo em preclusão.
o Mesmo em questões de ordem pública, deve o juiz possibilitar a parte de se manifestar.
21

o Em sede de recurso especial e recurso extraordinário não há possibilidade de suscitar a


carência das condições de ação, tendo em vista a necessidade de prequestionamento.

5.3 ELEMENTOS DA AÇÃO


 São os elementos que dão contornos objetivos e subjetivos da demanda.
 Tem como finalidade a verificação de identidade total (para fins de coisa julgada e litispendência) e
parcial (verificação de conexão ou continência) das demandas.
 São teorias dos elementos da ação a teoria da tríplice identidade e a teoria da relação jurídica
material.
o Teoria da tríplice identidade: são elementos da ação as partes, a causa de pedir e o pedido.
o Teoria da relação jurídica material: é uma teoria de reserva, utilizada quando a primeira for
insuficiente. Define hipóteses em que, mesmo não sendo iguais todos os elementos, ainda
assim haverá litispendência, com base na relação jurídica material.
 Partes (ativa e passiva): é quem faz o pedido e contra quem se faz o pedido. Para se falar em
legitimidade, faz-se necessário, antes disso, haver parte.
o Em caráter excepcionalíssimo, é possível que não haja partes no processo, quando a lei
autorizar o início de uma ação de ofício, como no procedimento de restauração dos autos.
o Nas ações de jurisdição voluntária e nas ações de controle de constitucionalidade, em regra,
não há réus.
 Pedido: é o objeto do processo. Pode ser imediato (pretensão processual – provimento jurídico
desejado) ou mediato (pretensão material – bem da vida).
 Causa de pedir: é o motivo do processo (causa petendi). A causa de pedir abarca os fundamentos de
fato (remota) e os fundamentos jurídicos (próxima).
o O Brasil adota a teoria da substanciação que determina que a causa de pedir é composta
pelos fatos e pelos fundamentos jurídicos narrados pelo autor, independentemente da
natureza da ação (art. 282, inciso III, do CPC).
o Alguns autores inventem os conceito de causa de pedir remota e próxima, como no caso de
Nelson Nery Junior, que entende que a causa de pedir próxima são os fundamentos de fato,
enquanto a causa de pedir remota são os fundamentos jurídicos.
o Os fundamentos jurídicos são a tese jurídica, com fundamento no ordenamento jurídico. Não
se confunde com o fundamento legal, que era a mera menção do dispositivo de lei.

6. PROCESSO
 Teorias modernas sobre a natureza jurídica do processo:
o Processo como relação jurídica processual (Bülow): baseia-se na dicotomia entre a relação
jurídica material e a relação jurídica processual, esta última regida pelo direito público e com
a necessária intervenção do Estado. Tendo natureza autônoma, o processo tem pressupostos
de existência próprios, não se confundindo com os pressupostos do direito material.
22

o Processo como situação jurídica (Goldschmidt): enquanto não existir conflito, o direito
objetivo é estático. No surgimento de conflito, o direito objetivo passa a se dinamizar. Assim,
existe um feixe de relações entre os sujeitos processuais, que podem assumir as situações de
poderes, deveres e faculdades.
o Processo como procedimento em contraditório (Fazzalari): o processo é uma combinação de
atos com participação das partes. Os atos são ligados entre si por um elemento
determinante: o contraditório.
o Processo como entidade complexa: o processo é um composto de relação jurídica processual
+ de procedimento em contraditório. O contraditório é um fator de legitimação
constitucional. É a teoria dominante.
 Processo é o instrumento pelo qual o Estado exerce a jurisdição, o autor exerce o direito de ação e o
réu exerce o direito de defesa (Dinamarco) – com base na teoria do processo como entidade
complexa.
o Escopo social: o processo objetiva pacificar o conflito entre as partes e educar as partes.
o Escopo político: fortalecimento das instituições públicas e preservação das liberdades.
o Escopo jurídico: afirmar a soberania do Direito e da lei.
 Processo x procedimento: a União tem competência para legislar sobre relação jurídica processual
(conjunto de direito, deveres, ônus e obrigações que ligam os atores do processo entre si) e
procedimento. Já os Estados e o Distrito Federal, por outro lado, podem legislar conjuntamente à
União sobre procedimento (forma como os atos processuais se combinam no tempo e no espaço).
o A União estabelece normas gerais sobre procedimentos, ao passo que os Estados e o Distrito
Federal podem estabelecer normas específicas sobre procedimento.
 A formação do processo é gradual, tendo em vista que, em que pese o processo exista desde o
protocolo, a relação jurídica processual se forma com a citação do réu.
 A relação jurídica processual é triangular, uma vez que existe relação entre as partes e o Estado-juiz e
das próprias partes entre si. Alguns autores defendem ser angular, somente existindo relação entre
cada uma das partes e o Estado-juiz.
 Os processos podem ser classificados em processo de conhecimento, de execução e de urgência.
o Processo de conhecimento ou sincrético: pretende superar uma crise de acertamento e de
adimplemento. São as ações do procedimento comum e dos procedimentos especiais.
o Processo de execução: só serve para crise de adimplemento, tendo em vista que já existe
documento extrajudicial declarando a existência do direito. É o processo de execução.
o Processo de urgência: são as hipóteses de tutelas provisórias antecedentes, fundadas em
crise de urgência, que pode ser estabilizada quando não impugnada.

6.1 PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS


 Pressupostos processuais são os requisitos considerados como indispensáveis para que o processo se
desenvolva de modo existente, valida e regular, entregando uma prestação jurisdicional adequada.
23

 Os pressupostos processuais podem ser de existência e de validade (positivos e negativos), diferindo


seus elementos a depender de uma visão ampliativa ou restritiva.
o A distinção entre os pressupostos de existência e de validade tem relevância porque, em
sendo vício de existência, terá caráter transrescisório: não depende de ação rescisória para
ser pronunciado e não possui prazo decadencial, podendo ser alegada a qualquer momento e
por qualquer via (querela nullitatis insanabilis).

VISÃO AMPLIATIVA
EXISTÊNCIA VALIDADE POSITIVOS VALIDADE NEGATIVOS
Demanda (autor) Demanda apta Litispendência
Jurisdição/investidura Jurisdição competente e imparcial Coisa julgada material
Citação Citação válida Perempção
Capacidade de ser parte Capacidade ad processum Convenção de arbitragem
Capacidade postulatória Caução ou requisito específico

VISÃO RESTRITIVA
EXISTÊNCIA VALIDADE POSITIVA VALIDADE NEGATIVA
Demanda apta
Litispendência
Jurisdição competente e imparcial
Jurisdição/investidura Citação válida
Capacidade de ser parte e ad Coisa julgada material
processum

 Alguns doutrinadores optam pela divisão em pressupostos processuais objetivos (relacionados ao


objeto da demanda) e pressupostos processuais subjetivos (relacionados aos sujeitos).
o São pressupostos processuais objetivos (intrínsecos):
 Demanda: provocar a jurisdição por meio de processo.
 Petição inicial apta: preenchidos os requisitos formais do art. 319, do CPC.
 Citação válida: a citação é o que complementa a relação jurídica processual, de
forma que a sua validade implica a regularidade do processo.
 Regularidade formal: os atos processuais devem ser praticados na forma prevista
pela lei. Assim, se a lei demandar um requisito específico, sua validade depende
dele.
o São pressupostos processuais objetivos (extrínsecos):
 Litispendência: é a reprodução concomitante de demandas idênticas.
 Coisa julgada material: é a reprodução de demandas idênticas, tendo uma delas já
ter tido seu mérito decidido. Assim, não são concomitantes.
24

 Perempção: é uma sanção processual pelo abuso do direito de demandar. Se o autor


der causa a sentença por abandono de causa por três vezes, perderá a faculdade de
ingressar (pela quarta vez) com a ação sobre aquela matéria. Contudo, ainda que
perempta a matéria, poderá ser utilizada como defesa de mérito.
 Convenção de arbitragem: as partes pactuaram cláusula de submissão à arbitragem.
o São pressupostos processuais subjetivos:
 Investidura: aptidão do sujeito para desempenhar o poder jurisdicional em nome do
Estado.
 Imparcialidade: inexistência de causa de impedimento ou suspeição.
 Capacidade de ser parte: é a existência de personalidade jurídica ou personalidade
judiciária. São as pessoas físicas, pessoas jurídicas, pessoas formais e entes
despersonalizados.
 Capacidade de estar em juízo : também conhecida como capacidade processual. É a
capacidade de uma pessoa praticar validamente os atos processuais
 Capacidade postulatória: é a necessidade de a parte ter um advogado regularmente
inscrito e habilitado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
 Regime jurídico dos pressupostos processuais : não havendo correção do vício, a violação acarreta a
extinção sem mérito ou a remessa para o juízo competente. Além disso, são consideradas questões de
ordem pública, podendo ser reconhecida de ofício e não incorrendo em preclusão.
o Mesmo em questões de ordem pública, deve o juiz possibilitar a parte de se manifestar.
o Em sede de recurso especial e recurso extraordinário não há possibilidade de suscitar a
carência das condições de ação, tendo em vista a necessidade de prequestionamento.
o Apesar do regime jurídico semelhante, diferem das condições da ação porque estas analisam
o mérito da demanda, ao passo que para os pressupostos processuais o mérito é irrelevante.
 Alguns autores, contudo, sustentam que tanto as condições da ação quanto os pressupostos
processuais fazem parte dos pressupostos de admissibilidade do julgamento do mérito.

7. SUJEITOS DO PROCESSO
7.1 PARTES DO PROCESSO
 Conceito restritivo (Chiovenda): parte é quem pede e contra quem se pede algo (parte na demanda –
parte na relação jurídica material).
 Conceito ampliativo: (Liebman): toda e qualquer pessoa que participe em contraditório da relação
processual, com exceção do juiz e dos servidores, são partes do processo (parte no processo – parte
na relação jurídica processual).
 Podem ser partes as pessoas físicas, jurídicas, pessoas irregulares e entes despersonalizados.
o Pessoas físicas: em regra, fala em juízo por conta própria, independente de representação.
 Incapaz: pode estar sujeito à representação (absolutamente incapaz) ou à assistente
(relativamente incapaz).
25

 Pessoa com deficiência: o Estatuto da Pessoa com Deficiência é pessoa capaz, assim,
em regra, não depende de qualquer representação. A depender do outro de
deficiência, pode ser submetida ao regime de curatela, sujeita à representação.
 A tomada da decisão apoiada é um meio termo entre a plena capacidade e
a incapacidade. São nomeados dois apoiadores, que auxiliam na tomada
das decisões da vida civil. Em caso de eventual conflito, o juiz decide.
 Em se tratando de ação de direito real imobiliário, o cônjuge deve consentir para a
propositura da ação. Se fundada em direito obrigacional ou se o regime de
casamento for da separação total de bens, não há necessidade do consentimento
para a propositura da ação.
 Não se trata de hipótese de litisconsórcio, mas mero consentimento. No
polo passivo, contudo, haverá litisconsórcio necessário. Aplica-se também
às ações possessórias imobiliárias.
 Não havendo consentimento, injustificadamente, o juiz poderá supri-lo.
o Pessoas jurídicas: são presentadas (não representadas) pelos seus órgãos diretivos. Em regra,
as hipóteses de presentação das pessoas jurídicas de direito público e privado estão
disciplinadas no art. 75, do Código de Processo Civil.
o Pessoas irregulares: são as pessoas jurídicas de fato, que não possuem registro formal dos
atos constitutivos. Serão presentadas pelo administrador de suas estruturas.
o Personalidade judiciária: embora não possuam personalidade jurídica, poderão representar
seus interesses em juízos as universalidade de fato e de direito, além de alguns órgãos e
poderes do Estado.
 Se, no curso do processo, o juiz perceber que as partes não estão representadas, será determinada a
regularização processual, suspendendo o processo até que seja sanado o vício.
o Se o autor não sanar o vício, o processo é extinto sem mérito.
o Se o réu não sanar o vício, será decretada a sua revelia.
o Se for terceiro integrante do processo, este será excluído.
o Se for no âmbito dos Tribunais, ao recorrente não será conhecido o recurso, enquanto ao
recorrido serão desentranhadas as contrarrazões dos autos.

7.2 LITISCONSÓRCIO
 É cumulação subjetiva de demandas. Assim, é a pluralidade de partes no polo ativo ou no polo passivo
da demanda ou mesmo em ambos os polos.

7.2.1 Classificações do litisconsórcio


 Quantos aos sujeitos:
o Ativo: pluralidade de autoras na demanda.
o Passivo: pluralidade de réus na demanda.
26

o Misto: pluralidade de autores e réus na demanda.


 Quanto ao momento:
o Inicial: formado na propositura da ação (é a regra geral).
o Ulterior: aquele cuja formação ocorre após o ajuizamento da ação. É excepcional, pois pode
implicar violação ao princípio do juiz natural. São exemplos de litisconsórcio ulterior:
conexão, intervenção iussi iudicis, intervenção de terceiros e integração dos parentes do
mesmo grau em ações de alimentos.
 Quanto aos efeitos:
o Simples: aquele cujos efeitos da decisão são cindíveis. Assim, a decisão pode ter efeitos
diferentes para os litisconsortes do mesmo polo.
o Unitário: há a incindibilidade dos efeitos da decisão. O destino dos efeitos da decisão é o
mesmo para os litisconsortes do mesmo polo.
 Em regra, o litisconsórcio unitária será necessário. Excepciona-se em caso de
legitimidade concorrente (identidade da relação jurídica material ou ação civil
pública).
 Quanto a obrigatoriedade:
o Facultativo: é o litisconsórcio opcional. A opção é puramente autoral, que formará em caso
de comunhão de direito, conexão ou afinidade (litisconsórcio impróprio).
 Por comunhão de direitos: em caso de obrigação solidária, o autor poderá optar
contra quem pretende ajuizar a ação.
 Por conexão: há vínculos entre as várias demandas que poderiam ser ajuizadas
juntas.
 Por afinidade: há menor intensidade do vínculo, mas por economia processual o
litisconsórcio é permitido pela legislação.
o Necessário: é aquele impositivo, por força de lei ou por força da unitariedade. Significa dizer
que todo litisconsórcio unitário será necessário.
 A inobservância do litisconsórcio necessário gera a nulidade do processo, mas a
doutrina diverge se trata-se de falta de ilegitimidade ad causam (falta de condição
da ação) ou inexistência de pressuposto processual de validade.
 O litisconsórcio, por força da incindibilidade da relação jurídica será unitário e
necessário, salvo quando a lei expressamente admitir a legitimação concorrente,
caso em que será facultativo e unitário (exemplos: ADI e ação civil pública).

7.2.2 Figuras problemáticas do litisconsórcio


 Litisconsórcio ativo, facultativo e ulterior : a doutrina entende ser inconstitucional, tendo em vista que
ofende o juiz natural. O litisconsorte ulterior tem prévia ciência do juiz atuante no processo, podendo
escolher o julgador do caso levado ao Poder Judiciário.
27

 Litisconsórcio ativo necessário: a lei impõe que haja litisconsórcio entre autores, sob pena de extinção
sem resolução de mérito. A doutrina afirma violação à autonomia da vontade e do próprio acesso à
justiça àquele que pretende ajuizar a ação.
o Uma primeira posição doutrinária afirma que não existe essa modalidade de litisconsórcio no
Código de Processo Civil vigente (majoritária).
o A jurisprudência, contudo, defende a existência de litisconsórcio ativo necessário, ainda que
seja raro. Ocorre no caso do dissídio coletivo de natureza econômica (art. 114, §2º, da
Constituição Federal) e de execução de honorários pelo advogado substabelecido (art. 26, do
Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil).
 Caso haja resistência de um dos litisconsortes em ingressar com a ação, o autor
deverá colocar a parte resistente no polo passivo, garantindo-se direito de
participação.
 Litisconsórcio passivo eventual ou alternativo: não possuem disposição expressa, analisando-se
apenas analogicamente. É aquele cuja pretensão autoral é dirigida aos litisconsortes, mas sem pedido
para que todos os estes sejam condenados.
o Será eventual quando houver uma ordem de preferência entre os eventuais condenados, ao
passo que será alternativo quando essa ordem não estiver definida.
 Litisconsórcio multitudinário: é o litisconsórcio formado por um número elevado de pessoas, o que
faz com que dificulte o andamento da ação. Assim, o juiz pode limitar o número dos participantes do
processo, tanto na fase de conhecimento quanto na fase de execução (art. 113, §1º, do CPC).
o A limitação do litisconsórcio multitudinário somente poderá ocorrer se for facultativo.
o O litisconsórcio será limitado quando comprometer a rápida solução do conflito ou dificultar
o direito de defesa, não havendo número máximo definido (a análise será casuística).
o A limitação do litisconsórcio poderá ocorrer de ofício ou por requerimento. Neste caso, a
formulação de pedido pelas partes interrompe o prazo para contestar.
o Embora não seja pacífico, entende-se que o juízo originário é que seria competente para
apreciar as ações desmembradas, com fundamento no art. 286.
o A propositura da ação originária tem o condão de interromper a prescrição das ações
desmembradas. Assim, quando propostas as ações desmembradas e, uma vez ordenada a
citação do réu, retroagirá a interrupção da prescrição à data da propositura da ação originária
(STJ, REsp 1.868.419/MG e REsp 1.670.417/PE).
o O recurso cabível, da decisão que limita ou não limita o número de litisconsórcio, é o agravo
de instrumento, nos termos do art. 1.015, incisos VII e VIII, do Código de Processo Civil.
o A doutrina defende a hipótese de que, ao invés da limitação do litisconsórcio, pode o juiz
ampliar o prazo de defesa, com fulcro no art. 139, inciso VI, do Código de Processo Civil.
28

7.2.3 Regime jurídico do litisconsórcio


 Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos,
exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros,
mas os poderão beneficiar (art. 117, do Código de Processo Civil).
 Condutas alternativas (benéficas): no litisconsórcio simples, as condutas benéficas não beneficiam os
demais litisconsortes, salvo em caso de teses e provas comuns. No litisconsórcio unitário, o ato de um
beneficia os demais (art. 117).
 Condutas determinantes (prejudiciais): no litisconsórcio simples e no unitário, as condutas
prejudiciais não atingem os demais litisconsortes. No caso do unitário, o ato só terá validade se todos
os litisconsortes praticarem o ato. Caso contrário, não atinge nem mesmo o praticante.
BENÉFICOS PREJUDICIAIS
Litisconsórcio simples Em regra, não. Não.
Litisconsórcio unitário Sim. Não.

7.2.4 Efeitos da não formação do litisconsórcio


 No litisconsórcio facultativo, a não formação do litisconsórcio não gera qualquer efeito.
 No litisconsórcio necessário, os efeitos dependem do momento da verificação.
o Se antes da sentença, o juiz ordenará a regularização (intervenção iussi iudicis). O
litisconsorte não será integrado no processo de ofício, devendo o juiz ordenar a emenda da
inicial.
o Se após a sentença, será nula a decisão, no caso de litisconsórcio necessário unitário; ou será
ineficaz, em relação aos litisconsortes omitidos, no caso de litisconsórcio simples.
 Para suscitar a nulidade, deve ser observado prazo decadencial de dois anos para
propositura de ação rescisória.

7.2.5 Casuística do litisconsórcio


 Em caso de autos físicos, havendo litisconsórcio e cada um deles representado por advogados de
escritórios diferentes, o prazo será contado em dobro (art. 229, do Código de Processo Civil).
o A dobra do prazo se dará uma vez só, independentemente do número de litisconsortes.
o O prazo em dobro não se cumula com outras dobras legais.
o Súmula n. 641, STF: “Não se conta em dobro o prazo para recorrer, quando só um dos
litisconsortes haja sucumbido.”
o O prazo em dobro aplica-se, também, ao cumprimento de sentença.
 Alimentos avoengos: recentemente, o STJ mudou seu entendimento para afirmar que se trata de
litisconsórcio facultativo ulterior e simples, podendo o neto escolher contra qual dos avós proporá a
ação (STJ, REsp 1.736.596/RS).
29

 Relação entre segurado e seguradora : é garantido o direito de demandar a seguradora do causador


do dano, conjuntamente com este, em litisconsórcio facultativo. Não pode a seguradora ser a única
demandada na ação reparatória.
 Competência dos Juizados Especiais: o limite do teto valorativo dos Juizados Especiais é considerado
por autor (Enunciado n. 2, do FONAJE).
o Enunciado n. 2, do FONAJE: “É cabível, nos Juizados Especiais da Fazenda Pública, o
litisconsórcio ativo, ficando definido, para fins de fixação da competência, o valor
individualmente considerado de até 60 salários-mínimos”.

7.3 INTERVENÇÃO DE TERCEIROS


 A rigor, as decisões judiciais tem eficácia endoprocessual, atingindo as partes que integram o
processo. Os terceiros que são atingidos de forma reflexa ou diretamente tornam-se partes legítimas
para ingressar em uma relação jurídica alheia.
o A expressão “intervenção de terceiros” é equívoca, tendo em vista que, uma vez ingressando
no processo, os atingidos deixam de ser terceiros e tornam-se partes do processo.
o O que define a modalidade de intervenção de terceiros, será a intensidade com que o
terceiro é alcançado pela decisão, de processo alheio.
o Na visão moderna sobre intervenção de terceiros, ainda em construção, este instituto não
pode ser fixado tão somente quando a esfera jurídica do terceiro for atingida pelo processo.
Assim, o terceiro estaria autorizado a ingressar no processo para deixar o contraditório mais
efetivo e o processo mais democrático.
 A prioridade de tramitação, se estende a terceiros que eventualmente, estejam no processo (art.
1.048).
 Caberá agravo de instrumento, da decisão sobre o ingresso de terceiros em um processo.
o Da decisão que admite o ingresso de amicus curiae não cabe agravo de instrumento. Segundo
o STF, também não cabe recurso do processo contra decisão que inadmite amicus curiae.
o Tratando de ação de controle abstrato de constitucionalidade, é admissível recurso de
amicus curiae do indeferimento do pedido de ingresso no processo.
 No processo de execução não cabe denunciação da lide nem chamamento ao processo. Não há
vedação ao amicus curiae nem à assistência, mas é raro que ocorra, uma vez que o direito já está
constituído.
 Nos Juizados Especiais, é vedada a intervenção de terceiros, salvo o incidente de desconsideração de
personalidade jurídica (art. 1.062, do Código de Processo Civil).

7.3.1 Classificação das formas de intervenção de terceiros


 Intervenção típica: são aquelas previstas expressamente na lei como intervenção de terceiros.
30

o No Código de Processo Civil foram estabelecidas cinco intervenções típicas de terceiros, quais
sejam: assistência, denunciação à lide, chamamento ao processo, amicus curiae e incidente
de desconsideração da personalidade jurídica.
 Intervenção atípica: são aquelas que não são tratadas pela lei como intervenção de terceiros, mas que
em realidade são, como no caso dos embargos de terceiros (art. 674), oposição (art. 682), recurso de
terceiro prejudicado (art. 996) e concurso de prelações (art. 908).
 Intervenção espontânea: o terceiro ingressa no processo por sua vontade, sem ser convidado.
 Intervenção provocada: o terceiro é citado ou intimado a participar do processo.
 Intervenção por inserção: ocorre dentro da relação jurídica primitiva (triangular).
 Intervenção por ação: ocorre uma nova relação jurídica (ainda que dentro do mesmo processo),
ajuizada pelo ou contra o terceiro (denunciação à lide e desconsideração da personalidade jurídica).

7.3.2 Assistência
 É a possibilidade de um terceiro ingressar no processo, a fim de auxiliar a parte a lograr êxito na ação.
 A assistência prevista no Código de Processo Civil exige a existência de interesse jurídico na demanda
(art. 119). Interesse jurídico tem todo aquele é atingido direta ou reflexamente em processo alheio.
o Não se considera interesse jurídico o econômico, o interesse moral nem o corporativo.
 Assistência anódina: é a hipótese de assistência sem interesse jurídico, prevista no art. 5º, da Lei n.
9.469/97. Assim, a União poderá intervir, independentemente de interesse jurídico nas causas cuja
decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica.
o O STF e o STJ entendem que a parte final do parágrafo único do art. 5º, da Lei n. 9.469/97 é
inconstitucional, haja vista que representaria violação ao juiz natural. Assim, inexistindo
interesse jurídico, não é possível o deslocamento da competência.
 A assistência poderá ocorrer em qualquer momento e grau de jurisdição, admitida participação em
todos os atos a partir do seu ingresso, sendo vedado se manifestar sobre atos pretéritos.
 Assistência simples: há relação jurídica apenas entre o assistente e o assistido, não há relação com a
parte adversária. Sua atividade é subordinada à vontade do assistido.
o O assistente tem atividade subordinada ao assistido. Só pode recorrer e contestar, se o
assistido assim o fizer. Do contrário, se este reconhece o pedido, o assistente nada poderá
fazer.
o Em caso de inércia do assistido, o assistente poderá atuar como substituto processual.
o O assistente simples não é atingido pela coisa julgada, mas pela justiça da decisão. Assim,
poderá rediscutir a matéria objeto do processo em caso de impossibilidade de produzir
provas ou de não utilização pelo assistido de alegações ou provas, com dolo ou culpa.
 Assistência litisconsorcial: ocorre quando há relação jurídica entre o assistente e o assistido, bem
como com o assistente e a parte adversária do assistido. É a hipótese de litisconsórcio facultativo.
o O assistente litisconsorcial recebe tratamento de parte e pode contrariar o assistido.
o Não há subordinação entre assistente e assistido, havendo atuações autônomas.
31

o O assistente litisconsorcial é atingido pela coisa julgada, não podendo rediscutir a matéria.

7.3.3 Denunciação à lide


 É uma ação regressiva ajuizada por uma das partes do processo com a finalidade de, desde já, obter
título executivo ou a condenação direta, daquele obrigado ao cumprimento da obrigação.
o Tem como fundamento a economia processual e tem natureza de ação.
o O denunciado passa a ter interesse que o denunciante ganhe a ação, tendo em vista que
inexistirá direito de regresso. Assim, o litisconsórcio será ulterior.
o A ação será sempre julgada primeiro, eis que há relação de prejudicialidade entre o resultado
da ação com a procedência da denunciação.
 São hipóteses de cabimento da denunciação à lide:
o Transferência da propriedade e da posse (evicção) : é o direito de regresso do adquirente de
propriedade ou posse em face do alienante, em caso de posterior perda do direito. As partes
podem, em contrato, limitar a extensão da garantia da evicção.
o Direito de regresso por contrato ou lei : ocorre quando a relação jurídica pactuada via
contrato obriga uma das partes a suportar os danos sofridos; ou quando ela decorre de lei.
 A doutrina majoritária entende que somente é cabível a denunciação à lide nos
casos de garantia legal própria ou específica (o direito deriva de dispositivo legal
específico); enquanto uma parte minoritária defende ser possível com base na
cláusula geral de responsabilidade civil do art. 186, do Código Civil (garantia legal
imprópria ou atípica).
 Legitimidade: a denunciação à lide pode ser feita tanto pelo autor quanto pelo réu da ação.
 Momento: A denunciação à lide deverá ocorrer na primeira oportunidade de se manifestar nos autos.
Assim, o autor fará na petição inicial e o réu na contestação.
o A rigor, não se manifestando no momento adequado, haverá preclusão do direito da
denunciação da lide. Contudo, o STJ já admitiu a denunciação intempestiva, com base no
princípio da economia processual (STJ, REsp 1.637.108).
 Procedimento: é variável de acordo com a parte que promoverá a denunciação à lide.
o Pelo autor: o pedido é formulado na inicial, suspendendo-se a ação e citando-se o
denunciado. O denunciado poderá ingressar no polo ativo da ação, em litisconsórcio ativo
ulterior, podendo, inclusive, aditar a inicial. Finda-se a suspensão da ação, citando-se o réu.
o Pelo réu: é formulado o pedido da denunciação na contestação, suspendendo-se a ação
principal. O denunciado é citado, ingressando como litisconsorte passivo ulterior. O
denunciado poderá, por si próprio, contestar a denunciação e aditar a contestação do
denunciante. Finda-se a suspensão da ação, prosseguindo o processo até seus ulteriores
termos.
 A denunciação à lide é facultativa, podendo o direito de regresso ser exercido em ação autônoma.
32

 Poderá haver uma única denunciação sucessiva no mesmo processo. Em havendo outros responsáveis
pelos danos, a responsabilidade deverá ser intentada em ação autônoma (art. 125, §2º).
 Denunciação per saltum: é a denunciação direta ao alienante primitivo, pulando-se os intermediários.
O Código de Processo Civil não autoriza essa espécie de denunciação à lide.
 O Código de Defesa do Consumidor não admite a denunciação à lide em causas em que se discutam
relações de consumo, por acidente de consumo (art. 88).
o O STJ, ao enfrentar a questão, entendeu que NÃO cabe denunciação á lide nas ações de
consumo de um modo geral, sejam fundamentadas no vício do produto ou serviço, sejam
fundamentadas no acidente de consumo. O fundamento foi: a denunciação à lide é
prejudicial ao consumidor, pois posterga no tempo a solução para o consumidor (STJ, AgInt
no AREsp 2.199.836/SP).
 Tema 940, STF: Não cabe denunciação à lide do Estado em face do servidor público, nos casos de
responsabilidade civil da Administração Pública. Caberá somente ação de regresso em face do servidor
público, em ação autônoma, em caso de dolo (teoria da dupla garantia).
o Além disso, a vítima somente pode ajuizar a ação em face do Estado (nunca o servidor
público).
 O mau deferimento ou indeferimento da denunciação à lide não gera nulidade, eis que persiste a
possibilidade de ajuizamento de ação autônoma.
o Somente haverá nulidade no caso de responsabilidade civil do Estado, em que figure na ação
o servidor público responsável pelo ato ilícito.
 Súmula n. 537, STJ: Em ação de reparação de danos, a seguradora denunciada, se aceitar a
denunciação ou contestar o pedido do autor, pode ser condenada, direta e solidariamente junto com
o segurado, ao pagamento da indenização devida à vítima, nos limites contratados na apólice.
o Caso o valor da condenação seja superior ao limite estabelecido na apólice, o segurado será
responsável pelo excedente.
 Em caso de vitória do denunciante na ação, a denunciação será julgada extinta sem resolução de
mérito. Vitorioso o denunciante, este deverá pagar sucumbência em relação ao denunciado na ação
extinta.
 É possível a denunciação à lide de quem já é parte do processo. Assim, se o autor ingressou com ação
em face de duas pessoas e entre elas há a relação descrita nos incisos do art. 125, poderá uma delas
requerer a denunciação à lide em face da outra.

7.3.4 Chamamento ao processo


 É uma intervenção de terceiros por inserção, onde um obrigado ou coobrigado amplia a legitimidade
passiva do processo através do chamamento dos demais coobrigados para, junto consigo, responder
pela demanda.
o Somente há uma ação e um processo, onde os chamados são introduzidos na demanda
diretamente no polo passivo, ampliando-se subjetivamente a demanda.
33

 São hipóteses de cabimento do chamamento ao processo:


o O fiador, em relação ao afiançado (art. 818, do Código Civil).
o O fiador, em relação aos cofiadores (art. 829, do Código Civil).
o Os demais devedores solidários (art. 275, do Código Civil).
 A hipótese do art. 1.698, do Código Civil, não é chamamento ao processo. Trata-se de intervenção de
terceiros atípica, pois tanto o autor quanto o réu podem fazê-lo e não há formação de título executivo
do obrigado em favor dos coobrigados, pois a responsabilidade é autônoma.
 Legitimidade: somente o réu poderá promover o chamamento ao processo.
 Momento: somente poderá fazê-lo na contestação, sob pena de preclusão.
 Procedimento: os coobrigados serão citados para formar litisconsórcio passivo ulterior, abrindo-se
prazo para contestação.
 A eventual condenação formará título executivo àquele que satisfazer o débito. Assim, poderá exigir
por inteiro do devedor principal ou a quota de cada um dos codevedores solidários (art. 132).
 Tema 793, STF: nas demandas de saúde, há responsabilidade solidária entre todos os entes federados.
Assim, o polo passivo pode ser composto por qualquer um deles, isolada ou conjuntamente.
o “Os entes da federação, em decorrência da competência comum, são solidariamente
responsáveis nas demandas prestacionais na área da saúde, e diante dos critérios
constitucionais de descentralização e hierarquização, compete à autoridade judicial
direcionar o cumprimento conforme as regras de repartição de competências e determinar o
ressarcimento a quem suportou o ônus financeiro” (STF, RE 855178 ED/SE, info. 941).

7.3.5 Incidente de desconsideração da personalidade jurídica


 Em caso de abuso de personalidade ou confusão patrimonial, pode o juiz afasta a personalidade para
alcançar outras personalidades, para fins de responsabilização patrimonial.
 A desconsideração da personalidade jurídica pode ocorrer de três formas:
o Direta: afasta a personalidade jurídica da pessoa jurídica para atingir os bens do sócio.
o Inversa: afasta a personalidade jurídica da pessoa física para atingir os bens da empresa.
o Expansiva: o devedor blinda seu patrimônio por meio da utilização de terceiros.
 O incidente previsto no Código de Processo Civil tem função de dar suporte ao art. 50, do Código Civil;
e ao art. 28, do Código de Defesa do Consumidor, a fim de garantir contraditório ao terceiro
prejudicado pela desconsideração da personalidade jurídica.
 Há dois modelos de desconsideração da personalidade jurídica:
o Por ação (art. 134, §2º): é a possibilidade de litisconsórcio eventual. Assim, o autor, na
própria petição inicial, demanda contra a pessoa jurídica e a pessoa física (com ordem
preferencial).
 O desconsiderando (terceiro) apresenta uma contestação bifronte, com duas linhas
de argumentação: negando o débito e negando a desconsideração.
 O juiz definirá a desconsideração na sentença, dela cabendo apelação.
34

o Incidental: o pedido é formulado no curso da ação, ante a superveniência do conhecimento


de eventual abuso de personalidade ou confusão patrimonial.
 O processo será suspenso para definir se há ou não a responsabilidade patrimonial
do terceiro sobre a obrigação postulada pelo autor.
 Como será definido no curso da demanda, será proferida decisão interlocutória, da
qual é cabível recurso de agravo de instrumento.
 Momento: a desconsideração da personalidade jurídica é cabível em todas as fases do processo,
inclusive na fase recursal. Cabe também no cumprimento de sentença e na execução de título
extrajudicial.
 Cabimento: caberá em qualquer processo subjetivo, excluindo-se somente as ações de controle
abstrato de constitucionalidade.
o É cabível a desconsideração da personalidade jurídica inclusive nos Juizados Especiais.
 Legitimidade: pode ser requerida a pedido da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber
intervir no processo. Não poderá, contudo, ser feita de ofício (art. 133).
 Procedimento incidental: apresentado o requerimento fundamentado, haverá a suspensão
automática do processo (ex lege). O terceiro será citado, podendo contestar no prazo de quinze dias.
Haverá instrução processual, proferindo-se, ao final, decisão interlocutória, da qual cabe agravo de
instrumento.
o Desacolhido o incidente, o processo volta a correr em face do devedor principal, apenas.
Nesse caso, o advogado do desconsiderando terá direito a receber honorários advocatícios às
custas do credor que requereu indevidamente o incidente (STJ, REsp 1.925.959/SP).
o Acolhido o incidente, haverá a ampliação da responsabilidade patrimonial no processo
suspenso. Nesse caso, o terceiro é inserido no processo principal como devedor. Não haverá
honorários advocatícios, pois serão calculados com base na fase de conhecimento.
 Em caso de eventual penhora e inobservância do incidente de desconsideração de personalidade
jurídica, poderá o terceiro prejudicado opor embargos de terceiros (art. 674, §2º, inciso III).
o A contrário senso, se o sujeito for parte do incidente, não será possível a oposição dos
embargos de terceiro, pois esse sujeito passou a ser considerado parte (devedor).
 Na estrita hipótese de responsabilidade tributária, não é necessária a instauração do incidente de
desconsideração da personalidade jurídica, em especial porque trata-se de relação de direito público,
presumindo-se a veracidade da alegação do Poder Público.

7.4 DO JUIZ
 O juiz é tido como presidente da relação jurídica processual, dentro de um modelo cooperativo. Assim,
está em condições de igualdade e simetria entre as partes, salvo no momento da decisão.
 As incumbências do juiz estão previstas no art. 139, do Código de Processo Civil:
o Assegurar às partes igualdade de tratamento (art. 7º).
o Velar pela duração razoável do processo.
35

o Prevenir atos contrários à dignidade da justiça e indeferir manifestação protelatórias.


o Dever de efetivação, por meio da aplicação, inclusive, de medidas atípicas.
 O STF ratificou a possibilidade de medidas atípicas, desde que observadas algumas
condições: esgotamento das medidas típicas, contraditório prévio com o
prejudicado, razoabilidade/proporcionalidade (eficácia e temporariedade),
fundamentação e observâncias das garantias processuais (STF, ADI 5.941).
 O controle das medidas atípicas ocorre por meio dos recursos em face das decisões
proferidas em execução (por agravo de instrumento) e, a depender da situação,
caberá mandado de segurança ou habeas corpus.
o Promover autocomposição, com auxílio de mediação e conciliação.
o Dilatar prazos processuais e alterar ordem das provas.
o Exercer poder de polícia.
o Determinar comparecimento pessoal das partes (interrogatório judicial).
o Determinar o suprimento dos pressupostos processuais e saneamento de vícios.
 É o princípio do interesse jurisdicional no conhecimento do mérito, devendo o juiz
permitir o salvamento do processo, sanando-se eventuais vícios para permitir a
análise do mérito, ainda que seja pela improcedência da demanda.
o Representar pela coletivização de demandas, comunicando Ministério Público e Defensoria.
 Princípio da indeclinabilidade: não pode o Judiciário deixar de decidir sob o fundamento da
inexistência de lei ou de provas. Nesses casos, o juiz deverá se valer dos métodos de integração:
analogia, costumes e princípios gerais do direito (art. 4º, da Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro).
o Nas hipóteses de julgamento por falta de provas, o CPC traz uma regra de desempate,
segundo a qual se as partes não conseguirem provar suas alegações o juiz decidirá de acordo
com a distribuição do ônus de prova que cada um tinha e não conseguiu cumprir.
o O juiz somente poderá decidir por equidade nos casos previstos em lei. O Código de Processo
Civil prevê a inobservância da legalidade estrita em procedimento de jurisdição voluntária
(art. 723, parágrafo único).
 O princípio da identidade física do juiz, que previa que o juiz que conclui a colheita de provas deveria,
necessariamente, julgar o processo, não mais subsiste no processo civil atual.

7.4.1 Regime jurídico do impedimento e suspeição


 A doutrina clássica estabelece que as regras de impedimento e suspeição devem ser expressamente
positivadas, em rol taxativo, com interpretação restritiva. Modernamente, com a elaboração dos
princípios de Bangalore de conduta judicial, há o entendimento que a imparcialidade do juiz deve ser
analisada subjetivamente (interno) e objetivamente (externo).

IMPEDIMENTO SUSPEIÇÃO
36

Presunção absoluta de parcialidade Presunção relativa de imparcialidade


Circunstâncias objetivas Circunstâncias subjetivas
Violação gera nulidade, mesmo se não arguida Violação não gera nulidade se não arguida
oportunamente oportunamente
Ação rescisória pela violação Não cabe ação rescisória pela violação
Arguida por incidente Arguida por incidente
Prazo de quinze dias a contar do conhecimento do
A qualquer tempo
fato, sob pena de preclusão.

 São hipóteses de impedimento (art. 144, do CPC):


o Em que o juiz interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou como
membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha.
o De que o juiz conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão.
o Quando no processo estiver postulando, como defensor público, advogado ou membro do
Ministério Público, cônjuge ou companheiro do juiz, ou qualquer parente, consanguíneo ou
afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive.
o Quando for parte no processo o próprio juiz, seu cônjuge ou companheiro, ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive.
o Quando o juiz for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa jurídica parte
no
processo.
o Quando o juiz for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes.
o Em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha o juiz relação de emprego
ou decorrente de contrato de prestação de serviços.
o Em que figure como parte cliente do escritório de advocacia do cônjuge, companheiro ou
parente do juiz, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,
inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de outro escritório.
 ADI 5.953/STF: É inconstitucional, por violar os princípios do juiz natural, da
razoabilidade e da proporcionalidade, o inciso VIII do art. 144, do CPC, que
estabelecia que o magistrado está impedido de atuar nos processos em que a parte
seja cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive,
ainda que essa mesma parte seja representada por advogado de escritório diverso.
o Quando o juiz promover ação contra a parte ou seu advogado.
 São hipóteses de suspeição (art. 145, do CPC):
o Quando o juiz for amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados.
37

o Quando receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de
iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que
subministrar meios para atender às despesas do litígio.
o Quando qualquer das partes for credora ou devedora do juiz, de seu cônjuge ou companheiro
ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive.
o Quando o juiz for interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.

7.5 DO MINISTÉRIO PÚBLICO


 O Ministério Público tem dupla atuação no processo civil: como parte ou como fiscal da ordem
jurídica.
 Como parte, poderá atuar na defesa de quatro de suas finalidade institucionais: na defesa da ordem
jurídica, na defesa do regime democrático, na tutela dos interesse sociais e na tutela dos interesses
individuais indisponível (art. 176, do CPC).
o No CPC, há previsão de atuação nas ações individuais por atribuição própria (ex.: abertura de
inventário, ação de interdição por doença mental grave, declaração de ausência, dissolução
de entidades e anulação de casamento), nas ações individuais por substituição processual
(ex.: ação de alimentos em favor de incapaz e ação civil ex delicto) e nas ações coletivas (ex.:
ação civil pública, ação de improbidade administrativa e IRDR).
o Unidade institucional: o princípio da unidade institucional do Ministério Público somente
vale a uma categoria determinada. Assim, não há unidade entre todos os promotores do
Brasil, pois as chefias são distintas (STF, ADPF 482).
 O STJ, contudo, passou a entender que é necessária fazer uma distinção: (a) sob o
ponto de vista funcional, não há unidade entre os Ministérios Públicos; (b) sob a
perspectiva processual, há unidade institucional, pois todo o Ministério Público é
regido pelo art. 127, do CPC (STJ, AgInt no REsp n. 1.820.565/PB).
o O Ministério Público goza de algumas garantias processuais, não extensíveis aos demais:
 Intimação e vista pessoal por carga ou remessa (autos físicos), fluindo o prazo a
partir da entrada do processo na Promotoria (STJ, REsp 1.278.239/RJ).
 Prazo em dobro para todas as manifestações processuais, inclusive recursos.
 Isenção do pagamento das despesas processuais, inclusive preparo e porte de
remessa e retorno, no caso de autos físicos.
 No caso de perícia, não há antecipação dos honorários, sendo pagos ao final
pelo vencido (art. 91). Vencido o Ministério Público, o Estado pagará os
honorários. Se o perito não aceitar receber ao final do processo,
encaminha-se a realização da perícia para entidade público ou utiliza-se
verba do Ministério Público com dotação orçamentária para pagar a perícia.
 Isenção de pagamento de honorários advocatícios, salvo comprovada má-fé.
 Intimação pessoal das testemunhas por si arroladas (art. 455, §4º, inciso III, do CPC).
38

 Como fiscal da ordem jurídica, poderá atuar em processos que haja interesse de incapaz, interesse
público ou social, conflitos coletivos pela posse de terra e demais hipóteses previstas em lei.
o Por interesse público, entende-se interesse da coletividade. Assim, a participação da Fazenda
Pública não configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério Público (art. 178,
parágrafo único, do Código de Processo Civil).
o Entende-se que no mandado de segurança há interesse público do Ministério Público.
o A atuação do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica é, em regra, definida pela
própria instituição (Resolução n. 34/2016, do CNMP). O professor Nelson Nery Junior entende
que trata-se de manifestação do Ministério Público e do juiz, conjuntamente.
o Aplica-se ao Ministério Público as hipóteses de impedimento e suspeição aplicáveis ao juiz.
Em regra, haverá julgamento pelo próprio juiz da causa.
 A doutrina majoritária entende que as causas de impedimento e suspeição aplicam-
se tanto nas causas em que atue como parte ou como fiscal da ordem jurídica.
o O Ministério Público goza de algumas prerrogativas processuais enquanto fiscal:
 Todas as garantias aplicáveis ao MP quando parte.
 Vista dos autos após a oitiva das partes (art. 179, I).
 Produção de provas e requisição de medidas processuais pertinentes (art. 179, II).
 Arguição de incompetência (art. 65, parágrafo único).
 Legitimidade (sempre) e interesse (nem sempre) para recorrer (art. 179, II; e art.
997).
 Nulidade pela não intimação (art. 227 e art. 279), desde que comprovado o prejuízo
relativo ao interesse que o Ministério Público deveria defender.

7.6 DEFENSORIA PÚBLICA


 A Defensoria Pública atua na defesa dos hipossuficientes econômicos, na defesa dos hipossuficientes
organizacionais e na promoção dos direitos humanos.
 A natureza jurídica da atuação no processo civil pode ser:
o Âmbito individual: pode atuar por representação, quando age em nome alheio, na defesa de
direito alheio (atua como advogado), em função típica. Poderá atuar em nome próprio, na
defesa de direito alheio (atua como curador), em função atípica.
o Âmbito coletivo: a Defensoria Pública tem legitimidade para atuar como substituto
processual em ações de âmbito coletivo, na defesa de hipossuficientes potenciais (STF, ADI
3.943).
o Custos vulnerabilis: existem interesses de necessitados em determinados processos, que
justificam a atua da Defensoria Pública, de modo semelhante a intervenção do Ministério
Público na função de custos legis (STJ, Tema n. 990).
 São prerrogativas processuais da Defensoria Pública:
39

o Intimação e vista pessoal por carga ou remessa (autos físicos), fluindo o prazo a partir da
entrada do processo na Defensoria (STJ, REsp 1.278.239/RJ).
o Prazo em dobro para todas as manifestações processuais, inclusive recursos.
o Pagamento de despesas processuais pelo assistido só ao final, se recuperar a situação
econômica no prazo de cinco anos.
o Isenção do pagamento das despesas processuais, inclusive preparo e porte de remessa e
retorno, no caso de autos físicos.
o Isenção de pagamento de honorários advocatícios, salvo comprovada má-fé nas ações
coletivas. Quando a Defensoria Pública representa alguém em face do próprio Estado, haverá
condenação do ente em honorários, para aplicação na própria instituição.
o Intimação pessoal das testemunhas por si arroladas.
o Intimação da parte assistida para providências (art. 186, §2º).

8. ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PROCESSUAIS


 Conceito: é qualquer manifestação de vontade humana, ainda que realizada antes da instauração do
processo, mas com o objetivo de nele gerar efeitos.
 Momento: os atos e negócios processuais podem se dar antes ou durante o processo. Por isso, podem
ser pré-processuais ou processuais, respectivamente.
 Difere-se de fato jurídico processual, pois este é o acontecimento que não deriva da manifestação
humana e que gera efeitos no processo, como no caso da morte da parte.
 A omissão pode ser processualmente relevante quando gerar efeitos, como no caso da revelia ou da
preclusão (perda da faculdade do ato processual).

8.1 CLASSIFICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS


 Quanto à vontade para que se aperfeiçoe:
o Atos ou negócios unilaterais: basta a manifestação de vontade de uma das partes para que
ele gere seus efeitos processuais (ex.: desistência do recurso, reconhecimento jurídico do
pedido).
o Atos ou negócios bilaterais: são as manifestações de vontade que só geram efeitos no
processo caso ambos os litigantes o pratiquem (ex.: foro de eleição, suspensão do processo).
o Atos ou negócios plurilaterais: para que o ato gere efeito, não basta a manifestação de
vontade das partes, necessitando da aferência da vontade de terceiro (ex.: alienação da coisa
litigiosa).
 Quanto aos sujeitos:
o Ato das partes: são as declarações unilaterais ou bilaterais de vontade, que produzem
imediatamente a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais, salvo quando
a lei previr expressamente a necessidade de homologação judicial.
40

 As partes podem estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às


especificidades da causa (negócio jurídico processual – art. 190).
o Atos do escrivão ou chefe da secretaria : podem praticar os atos meramente ordinatórios,
como a juntada e a vista obrigatória, independente de despacho, podendo ser praticados de
ofício pelos servidores e revistos pelo juiz quando necessário.
o Atos ou pronunciamentos do juiz: podem ser sentenças, decisões interlocutórias e
despachos.
 Sentença: pronunciamento judicial que põe fim à fase cognitiva do procedimento
comum e extingue a execução (art. 203, §1º). Cabe apelação.
 Decisão interlocutória: é todo pronunciamento judicial de natureza decisória, que
não se encaixe no conceito de sentença. Cabe agravo de instrumento, se estiver no
rol do art. 1.015, do Código de Processo Civil.
 Despacho: demais pronunciamentos do juiz praticados no processo, de ofício ou a
requerimento da parte. Não causa prejuízo às partes.

8.2 FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS


 Vige no sistema brasileiro o princípio da liberdade das formas, não havendo formas pré-estabelecida
em lei, salvo quando ela expressamente exigir.
o Quando a lei exigir forma para o ato processual e este não for respeitado, será considerado
válido se este preencher a finalidade essencial (depende de prejuízo comprovado).
 Os atos processuais são públicos, em razão do princípio da publicidade. Excepciona-se as hipóteses de
segredo de justiça previstas no art. 189, do Código de Processo Civil.
 Em todos os atos e termos do processo, é obrigatório o uso do vernáculo.
o Se não for utilizado o vernáculo, surge a figura do tradutor.
o Será possível que o ato processual continue em língua estrangeira, desde que não haja dúvida
sobre o seu conteúdo, como forma de facilitar a cooperação judiciária entre os países,
evitando a necessidade de tradutor juramentado (STJ, REsp 616.103/SC).

8.3 LUGAR DOS ATOS PROCESSUAIS


 Em regra, os atos processuais devem se realizar na sede do juízo (art. 217, do CPC). Excepcionalmente,
poderão se realizar em outro lugar em razão de deferência, de interesse da justiça, da natureza do ato
ou de obstáculo arguido pelo interessado e acolhido pelo juiz.
o Após a pandemia da Covid-19, essa regra passou a ser relativizada:
 Testemunhas egrégias: Nesse caso, pela função que a testemunha desempenha, ela
será ouvida fora da sede do juízo. Como regra, é ouvida no local onde desempenha
suas funções.
 Cartas: Nesse caso, os atos são praticados fora da sede do juízo, por carta precatória,
rogatória ou por carta de ordem.
41

 Audiências virtuais: Nesse caso, a audiência é realizada remotamente, portanto, fora


da sede do juízo.

8.4 TEMPO DOS ATOS PROCESSUAIS


 Os atos processuais são praticados das 6h às 20h dos dias úteis.
 A prática eletrônica de ato processual pode ocorrer em qualquer horário até as 24 horas do último dia
do prazo (art. 213, do CPC).
 Férias forenses: não há férias forenses em 1º e 2º grau de jurisdição, uma vez que a atividade
jurisdicional será ininterrupta, sendo vedada férias coletivas. Somente haverá férias forenses nos
Tribunais Superiores (art. 66, da LOMAN).
 Recesso forense: há recesso tanto no 1º, quanto no 2º grau, bem como nos Tribunais Superiores. O
recesso forense é o período de 20/12 a 06/01, em que não há funcionamento do Poder Judiciário. Não
há expediente forense.
o Em 1º e 2º grau, o CPC estabelece que do período entre 20/12 a 20/01 suspende-se todos os
prazos processuais. Há expediente forense, mas não se conta os prazos.
o Os casos urgentes são apreciados em regime de plantão.

8.5 PRAZOS PROCESSUAIS


8.5.1 Classificação dos prazos processuais
 Quanto à forma de contagem: os prazos podem ser contados em minutos, horas, dias, meses etc.
 Quanto à origem:
o Legais: são estabelecidos em lei (regra geral).
o Judiciais: são estabelecidos pelo juiz.
o Convencionais: as partes fixam por negócio jurídico processual.
 Quanto à cogência:
o Peremptórios: era prazos imodificáveis, pelas partes ou pelo juiz.
o Dilatórios: podiam ser modificados pelas partes ou pelo juiz.
 Quanto ao destinatário:
o Próprios: destina-se às partes e ao advogado, tendo como consequência a preclusão.
o Impróprios: destina-se ao juiz e aos servidores.
 Quanto ao curso do prazo:
o Simples: a prática do ato cabe apenas uma das partes.
o Comum: a prática do ato cabe a mais de uma das partes.

8.5.2 Regras de contagem dos prazos processuais


 Termo inicial: é definido de acordo com os incisos do art. 231, do Código de Processo Civil.
o A data de juntada aos autos do AR, quando a citação ou a intimação for pelo correio.
42

o A data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por
oficial de justiça.
o A data de ocorrência da citação ou da intimação, quando ela se der por ato do escrivão ou do
chefe de secretaria.
o O dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a intimação for
por edital.
o O dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo para
que a consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica.
o A data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a data de
juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a
intimação se realizar em cumprimento de carta.
o A data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou
eletrônico.
o O dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga, do
cartório ou da secretaria.
o O quinto dia útil seguinte à confirmação, na forma prevista na mensagem de citação, do
recebimento da citação realizada por meio eletrônico.
o A data da audiência, quando as decisões forem nelas proferidas (art. 1.003, §1º).
o Na citação/intimação por e-mail, recebido este haverá 3 dias para confirmação de seu
recebimento. Uma vez confirmado, termo inicial será o 5º dia útil após o recebimento. Caso
não abra em 3 dias, não há presunção de recebimento e a citação se dará pelas outras formas
previstas em lei. Porém, na primeira oportunidade que se manifestar nos autos, terá que se
justificar o motivo da não confirmação do recebimento, sob pena de multa (art. 246, §§1º-A e
1º-C).
 Os prazos serão contados excluindo o dia do começo e incluindo o dia do vencimento.
 O primeiro e o último dia de prazo deverão ser sempre em dias úteis de expediente cheio.
 Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias
úteis.
o Os prazos do ECA contam-se em dias corridos (art. 152, §2º).
o O prazo de 10 dias para se consultar a intimação eletrônica em portal, deve ser contado em
dias corridos (art. 5º, §3º, da Lei n. 11.419/2006).
 Durante o recesso os prazos se suspendem, ou seja, o prazo para e recomeça a contagem no primeiro
dia útil após o dia 20/01.
 Na hipótese de prazo dobrado [Ministério Público, Defensoria Pública, Fazenda Pública e litisconsortes
de escritórios distintos em autos físicos], só se dobra o prazo uma vez.

8.6 PRECLUSÃO
 A preclusão é a perda de uma faculdade processual, em virtude de dado comportamento da parte.
43

 Nas instâncias ordinárias (1ª e 2º instância), a preclusão NÃO se aplica a matérias de ordem pública.
 São espécies de preclusão:
o Lógica: é a perda da faculdade processual pela prática de outro ato incompatível.
o Consumativa: é a perda da faculdade processual pela prática do próprio ato projetado.
o Temporal: é a perda da faculdade processual, em virtude do término no prazo e inércia de
seu titular.
 A preclusão é um fenômeno interno ao processo, ao passo que, tanto a prescrição quanto a
decadência são fenômenos externos ao processo.
 O juiz poderá “perdoar” a preclusão temporal, quando houver justa causa, mediante análise casuística.
 Qualificação pelo efeito: a consequência da preclusão será muito mais grave, como ocorre na revelia,
na estabilização da tutela antecipada antecedente e na coisa julgada.
 Preclusão pro judicato: há divergência doutrinária quanto à existência de preclusão para o juiz.
o 1ª corrente: Não há preclusão pro judicato. Essa posição é minoritária.
o 2ª corrente: Existe preclusão pro judicato, ao menos nas espécies preclusão lógica e a
consumativa. O que não há, é a preclusão temporal, pois o juiz pratica ato com a observância
de prazos impróprios, ou seja, a sua inobservância não gera qualquer consequência
processual.

9. TUTELA PROVISÓRIA
 Tutela de urgência: fundada no periculum in mora, podendo ser satisfativa/antecipada ou
conservativa/cautelar, ambas podendo ser incidental ou antecedente.
o Satisfativa/antecipada: nesse caso, a tutela tem por escopo tutelar o próprio direito material
postulado pela parte. Ou seja, com esta tutela se satisfaz o direito material pleiteado pela
parte, na demanda.
o Conservativa/cautelar: nesse caso, o escopo da tutela provisória é proteger os bens, as
provas e os direitos, para que sejam conservados, de modo que, no momento próprio da
decisão definitiva estes estejam íntegros, para que seja possível se efetivar o direito.
 Tutela da evidência: sem periculum in mora. Na tutela de evidência há um estado processual em que
as afirmações de fato são extremamente prováveis. Só existente na modalidade incidental.

 O professor Kazuo Watanabe define “cognição” como: “tudo o que o juiz considera no momento de
decidir”, dividindo-se em:
o Cognição horizontal (extensão): se investiga a extensão das matérias que o juiz aprecia, ou
seja, se avalia “aquilo que a lei permite ou não permite que o juiz aprecie na hora de decidir”.
 Cognição ilimitada: é aquela em que NÃO há limites em relação às matérias que o
juiz apreciará. A cognição ilimitada, é a que se dá com maior frequência.
44

 Cognição limitada: é aquela que sofre limitação quanto a abrangência daquilo que o
juiz poderá apreciar. Nesse tipo de cognição, há matérias que o juiz não poderá
apreciar (exemplo: art. 525, §1º, do CPC).
o Cognição vertical (profundidade): se refere ao grau de profundidade com que o aplicador do
Direito deve conhecer cada matéria alegada pela parte.
 Cognição profunda ou exauriente: o juiz aprecia as alegações das partes com base
em um Juízo final (juízo de certeza). Ou seja, o juiz análise todas as alegações,
argumentos e provas e, com base nisso, forma a sua convicção.
 Cognição sumária: nesse caso, o juiz, forma a sua convicção calcado em um juízo de
probabilidade. Não há profundidade na análise, como ocorre na exauriente.
 De acordo com o sistema do ordenamento jurídico brasileiro, TODAS as tutelas provisórias são
fundadas em um juízo de cognição sumária (mais célere e menos segura).
 Existem, ainda, graus de probabilidade. Em outras palavras, há situações em que o grau de
convencimento do juiz será maior ou menor, mesmo que pautado em mera probabilidade.
o Para concessão de tutela de evidência, a probabilidade do direito é, portanto, maior.
o Em relação à probabilidade entre tutela antecipada e cautelar, há divergência doutrinária.
 1ª corrente: defende que não há diferença entre probabilidade de tutela antecipada
e tutela cautelar, porque o art. 300 não diferencia uma da outra.
 2ª corrente: defende existir diferença, de forma que na tutela antecipada, o grau de
probabilidade deve ser maior (porque é satisfativa), ao passo que na tutela cautelar
há uma probabilidade menor (porque é meramente conservativa).
 Para a concessão da antecipada e cautelar, é necessária a comprovação de risco de dano ao direito ou
ao resultado útil do processo (preventividade – periculum in mora).
o A preventividade é diferente para a tutela de urgência e para a tutela cautelar. O perigo de
dano refere-se ao periculum in mora da tutela antecipada e protege o direito material, pois
se antecipa a satisfação deste direito. Ao passo que, o risco ao resultado útil do processo
refere-se ao periculum in mora da tutela cautelar, pois se conserva o bem/direito/pessoa
para que, quando vier a decisão definitiva, esta seja possível de ser satisfeita.
 Reversibilidade: As tutelas provisórias são deferidas com base em um juízo de mera probabilidade.
Pela menor grau de segurança, são passíveis de reversibilidade ou mutabilidade.
o Em regra, caso se constate a irreversibilidade da tutela provisória, o juiz, NÃO a concederá
(art. 300, §3º, do CPC). Assim, a tutela provisória somente será deferida se a medida for
reversível, ainda que em pecúnia.
 Teoria do mal menor (ou da proporcionalidade): em casos extremos, mesmo
medidas irreversíveis em pecúnia podem permitir a concessão, mediante
ponderação dos direitos disputados.
45

 Enunciado nº 25, ENFAM: A vedação da concessão de tutela de urgência cujos


efeitos possam ser irreversíveis (art. 300, § 3º, do CPC/2015) pode ser afastada no
caso concreto com base na garantia do acesso à Justiça (art. 5º, XXXV, da CRFB).
o No caso da tutela antecipada antecedente estabilizada, que poderá operar seus efeitos
indefinidamente, poderá haver revisão no prazo de dois anos (não é exceção à
reversibilidade).
 Coisa julgada: na cognição sumária, há uma decisão pautada em mera probabilidade, motivo pelo qual
não fará coisa julgada material.
o Exceção: quando o juiz acolher alegação de prescrição ou decadência, em sede de tutela
provisória, essa decisão fará coisa julgada material. Assim, essa decisão influenciará o próprio
pedido principal, que está prescrito ou se operou a decadência.
o Caso o juiz indefira o pedido de prescrição e decadência feito via tutela provisória, essa
decisão NÃO fará coisa julgada material
 Fungibilidade: pela leitura do art. 305, § único, do CPC, é possível constatar que há fungibilidade entre
a tutela cautelar e a antecipada. Isso por conta da urgência, que pode acarretar equívoco no momento
de se decidir por qual tutelar ingressar com o pedido provisório.
o A doutrina defende que trata-se de fungibilidade de mão dupla: aplica-se também quando é
formalizado pedido de tutelar cautelar, em se tratando de hipótese de tutela antecipada.
o NÃO há fungibilidade entre tutela de evidência e tutela de urgência.
 Responsabilidade civil: Independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo
prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa.
o A responsabilidade pela reparação é objetiva, na medida em que, independente, de dolo o
indivíduo que obtém uma tutela provisória, que é desacolhida, deverá pagar indenização a
parte contrária.
 Efeito suspensivo: em regra, a apelação não terá efeito suspensivo. Contudo, se houver confirmação,
concessão ou revogação de tutela provisória, a sentença produzirá efeitos imediatamente após a sua
publicação.
 Recurso cabível: se for decisão interlocutória de primeiro grau, o recurso será agravo de instrumento.
Se for tutela provisória concedida na sentença, o recurso é apelação. Se for tutela provisória
concedida no âmbito dos Tribunais pelo relator, o recurso é agravo interno.
 Aplicação nos Juizados Especiais: nos Juizados Especiais Federais, bem como nos Juizados da Fazenda
Pública cabem tutela provisória, por expressa disposição na Lei nº 10.259/2001 e Lei nº 12.153/2009.
A Lei nº 9.099/1995 não prevê expressamente a possibilidade, mas entende-se possível por expressa
previsão constitucional.
o Enunciado nº 163, FONAJE: Os procedimentos de tutela de urgência requeridos em caráter
antecedente, na forma prevista nos arts. 303 a 310 do CPC/2015, são incompatíveis com o
Sistema dos Juizados Especiais.
46

 Fazenda Pública: é possível tutela provisória contra Fazenda Pública, não sofrendo, atualmente,
qualquer tipo de limitação (art. 1.059, do CPC).
o A Lei do mandado de segurança vedava liminar para desembaraço de mercadorias
estrangeiras, compensação em matéria tributária, vantagens e aumento para servidor público
e equiparação de servidor público (art. 7º, § 2º, da Lei nº 12.016/2009).
o O art. 1.059, do CPC, previa ser aplicável às tutelas provisórias contra a Fazenda Pública o
disposto no art. 7º, § 2º, da Lei nº 12.016/2009.
o O art. .7º, § 2º, da Lei nº 12.016/2009 foi declarado inconstitucional pela ADI 4.296.

9.1 TUTELA ANTECIPADA ANTECEDENTE


 Trata-se de uma tutela satisfativa, pois antecipa o próprio direito material. Refere-se a possibilidade
de a parte requerer, antes do pedido principal, somente a tutela provisória.
 A tutela antecipada antecedente poderá ser utilizada em duas hipóteses: extrema urgência e
estratégia processual para estabilização.
 A inicial é sumarizada, tendo seis requisitos:
o Indicação expressa de que se trata de tutela antecipada antecedente.
o Indicação do pedido principal (pedido da tutela final);
o Exposição sumária da lide (do conflito);
o Fumus bonis iuris, que se refere o direito que se pretende realizar.
o Perigo de dano ao direito material, que demonstra a urgência.
o Valor da causa, que se refere ao pedido final (para recolhimento de custas).
 O juiz, ao receber um pedido de tutela antecipada antecedente, terá duas opções:
o Deferimento: nesse caso, o autor fará o aditamento da inicial, no prazo de 15 dias, com o
objetivo de transformar o pedido provisório em pedido final. Nesse caso, a parte poderá
complementar a causa de pedir e incrementar ou aumento os pedidos.
 Nos casos de deferimento, o prazo de 15 dias, que se refere o inciso I do § 1º do
artigo 303 CPC, apenas se inicia após intimação judicial específica, ou seja, o início do
prazo não é automático (STJ, REsp 1.766.376/TO).
 Em suma, após o deferimento da tutela, há a intimação do requerido, que poderá
recorrer da decisão, sob pena de estabilização, no prazo de quinze dias. O prazo para
aditamento do pedido principal pelo autor só começa após a manifestação do
requerido, se houve. Se não houve, haverá estabilização da decisão.
o Indeferimento: Nesse caso, o autor terá o prazo de 5 dias, para emendar a inicial, com o
objetivo de transformar o pedido provisório indeferido em pedido final.
 Na hipótese de não aditamento/emenda, o juiz, extinguirá o processo sem análise de mérito (art. 485),
cassando a liminar, caso tenha sido ela deferida.
47

 Estabilização da tutela antecipada antecedente : deferida a tutela, sem que haja recurso pela parte
demandada, a tutela provisória tem seus efeitos perenizados até que, eventualmente, se proponha
uma nova ação para rediscutir a matéria (art. 304).
o Somente há estabilização da tutela antecipada antecedente. Assim, não há estabilização nos
casos de tutela antecipada incidental, tutela cautelar antecedente, tutela cautelar incidental
e tutela de evidência.
o A condição para que não ocorra a estabilização é que a parte não interponha recurso.
Contudo, o STJ tem entendimentos diferentes sobre a matéria: um deles entende que
qualquer meio de impugnação serve para evitar a estabilização (STJ, REsp 1.760.966/SP) e o
outro que somente o recurso poderia evitá-la (STJ, REsp 1.797.365/RS).
 Enunciado nº 28, ENFAM: Admitido o recurso interposto na forma do art. 304 do
CPC/2015, converte-se o rito antecedente em principal para apreciação definitiva do
mérito da causa, independentemente do provimento ou não do referido recurso.
 Ocorrida a estabilização da demanda, haverá a extinção do processo sem análise do mérito, por meio
de uma sentença, fixando-se honorários em favor do autor.
o Enunciado nº 18, ENFAM: Na estabilização da tutela antecipada, o réu ficará isento do
pagamento das custas e os honorários deverão ser fixados no percentual de 5% sobre o valor
da causa (art. 304, caput, c/c o art. 701, caput, do CPC/2015).
 Revisão, reforma e invalidação da tutela estabilizada : ainda que estabilizada, a tutela antecipada
antecedente continua a ser uma medida provisória. Assim, é possível a propositura de uma ação para
revisão, reforma ou invalidação da tutela estabilizada.
o A ação de revisão, reforma ou invalidação será distribuída por dependência ao mesmo juízo.
o Na nova ação não há limitação temática quanto à matéria a ser alegada.
o Quanto ao prazo para propositura da ação revisional, há duas correntes doutrinárias:
 Marinoni e Tereza Arruda Alvim: não há prazo para ação revisional. Essa ação pode
ser proposta a qualquer tempo, pois visa revisar algo que é provisório, ou seja, não
sendo definitivo poderá ser revisto.
 Posição majoritária: entende que, a ação revisional, deve ser proposta no prazo de 2
anos a contar da intimação da sentença que deu por estabilizada os efeitos da tutela
antecipada antecedente não recorrida (art. 304, §5º).
o Decorrido o prazo de dois anos, alguns autores defendem a ocorrência da coisa julgada,
somente podendo ser revista por ação rescisória; enquanto outros defendem que não há
coisa julgada (pelo menos em seu efeito positivo – dever de respeito ao que foi decidido).
 Enunciado nº 27, ENFAM: Não é cabível ação rescisória contra decisão estabilizada
na forma do art. 304 do CPC/2015.
48

9.2 TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE


 Há um pedido provisório antes do pedido principal, porém o pedido provisório tem natureza
conservativa, para conservar pessoas, bens e direitos, garantindo o resultado útil do processo.
 Só é utilizada com base na urgência (não como estratégia processual), uma vez que não há
estabilização.
 A inicial é sumarizada, tendo como requisitos:
o Valor da causa do pedido principal.
o Exposição sumária da lide e de seu fundamento.
o Fumus boni iuris: probabilidade do direito.
o Periculum in mora: trata-se do perigo ao resultado útil do processo.
 O procedimento varia de acordo com a existência ou não de liminar:
o Sem liminar: o réu será citado para contestar no prazo de cinco dias, havendo produção de
provas e, ao final, decisão interlocutória concedendo ou negando a tutela cautelar requerida.
o Com liminar: se o juiz concede a liminar, não há necessidade de contraditório pleno nesse
momento, pois haverá no curso do trâmite do pedido principal. Com a concessão da tutela
cautelar antecedente, segue-se o procedimento comum.
 Da concessão da tutela cautelar antecedente, com ou sem liminar, a parte deverá formular o pedido
principal no prazo de 30 dias (contados em dias úteis).
o Se a parte, não observar esse prazo e não formular o pedido principal, cessará a eficácia da
tutela provisória concedida (art. 308 e 309, do Código de Processo Civil)
o Não haverá perda da eficácia da tutela cautelar antecedente concedida em demandas de
direito de família (polêmica) e quando a própria propositura da ação principal não puder ser
feita dentro desse prazo.
o O prazo de 30 dias conta-se da efetivação da última medida cautelar ordenada pelo juiz.

9.3 TUTELA DE EVIDÊNCIA


 A tutela de evidência não tem como base o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, mas
apenas a probabilidade do direito alegado.
 A lei veda a tutela de evidência na modalidade antecedente. Somente poderá ser incidental.
 A petição inicial deve ser completa, preenchendo os requisitos do art. 319, do Código de Processo
Civil, formulando, desde já, o pedido principal da demanda.
 São hipóteses de incidência da tutela de evidência:
o Quando ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o propósito protelatório da parte.
o Quando as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver
tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante.
 Enunciado nº 30, ENFAM: É possível a concessão da tutela de evidência prevista no
art. 311, II, do CPC/2015 quando a pretensão autoral estiver de acordo com
orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle abstrato de
49

constitucionalidade ou com tese prevista em súmula dos tribunais,


independentemente de caráter vinculante.
 Enunciado nº 31, ENFAM: A concessão da tutela de evidência prevista no art. 311, II,
do CPC/2015 independe do trânsito em julgado da decisão paradigma.
o Quando se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada do
contrato de depósito, determinando a entrega do objeto, sob pena de multa.
o Quando a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos constitutivos
do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável.
 O juiz poderá fazer o julgamento antecipado do mérito, concedendo a tutela de
evidência, para fins de remover o efeito suspensivo de eventual recurso.
 Possibilidade de concessão da liminar : nas hipóteses do inciso II e III do art. 311, do Código de
Processo Civil, será possível a concessão da tutela de evidência liminarmente.

10. PROCEDIMENTO COMUM


10.1 PETIÇÃO INICIAL
 É o instrumento da demanda, a forma como se exerce a demanda. Não se confunde com seu
conteúdo.
 São momentos e efeitos da petição inicial:
o Momento de propositura ou protocolo: é o que dá início ao processo. Considera-se proposta
a ação quando a petição inicial for protocolada (art. 312).
o Momento do registro ou distribuição: o registro ocorre no protocolo em vara única, ao passo
que a distribuição ocorre em locais com vários juízes, escolhendo-se o competente por meio
de sorteio (art. 284 e seguintes). Tem como efeito a perpetuatio jurisdictionis e a prevenção.
o Momento do despacho positivo: quando o juiz recebe o processo, por registro ou
distribuição, analisa a petição inicial e ordenada a citação do réu.
 Tem como efeito a interrupção precária da prescrição (ainda que ordenada por juiz
incompetente), com retroação à data da propositura/protocolo.
 São requisitos da petição inicial:
o Endereçamento: é o juízo a que é dirigida.
o Partes e suas qualificações: os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união
estável, a profissão, o número de inscrição no CPF ou no CNPJ, o endereço eletrônico, o
domicílio e a residência do autor e do réu.
 Caso não disponha das informações de qualificação da parte ré, poderá o autor, na
petição inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a sua obtenção.
 A petição inicial não será indeferida se, a despeito da falta de informações de
qualificação, for possível a citação do réu.
50

o Fatos e fundamentos jurídicos: há adoção da teoria da substanciação, segundo a qual a causa


de pedir é composta dos fatos (causa de pedir remota) e dos fundamentos jurídicos (causa de
pedir próxima).
o Pedido com as suas especificações : é o provimento judicial desejado (pedido imediato) e o
bem da vida postulado (pedido mediato).
o Valor da causa: é o representativo quântico do benefício econômico auferido pelo autor, caso
ele se sagre vencedor no deslinde do processo.
 A toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico
imediatamente aferível (art. 291). Nesses casos, é estabelecido por estimativa.
 Caso seja atribuído erroneamente, poderá o juiz corrigir de ofício o valor da causa,
inclusive ordenando o recolhimento das custas correspondentes.
 O réu pode impugnar o valor da causa, sob pena de preclusão, como preliminar de
contestação (art. 293 e art. 337, inciso III).
 Em regra, no caso de danos morais, ainda se faz necessária a fixação de valor da
causa e a formulação de pedido certo. Contudo, os Tribunais Superiores têm
tolerado o pedido de danos morais sem estabelecer valor.
 Súmula nº 236, STJ: Na ação de indenização por dano moral, a condenação
em montante inferior ao postulado na inicial não implica sucumbência.
 Em relações jurídicas continuativas, se o pedido for inferior a doze prestações, o
valor da causa é a somatória das prestações. Se o pedido for superior a doze
prestações, o valor da causa será de uma anuidade. Se houver prestações vencidas e
vincendas, o valor será a soma das vencidas mais uma anuidade.
o Pedido de provas: a mera indicação genérica é suficiente. Não é necessário especificar, desde
já, todas as provas que a parte pretende produzir.
o Opção pela realização ou não de audiência de conciliação ou mediação : não haverá
audiência de conciliação se o autor e o réu se manifestarem pela sua não realização. O
momento para o autor indicar desinteresse na solenidade é na petição inicial.
o Custas processuais: a taxa judiciária tem natureza de tributo. É a contrapartida pela
contraprestação do serviço judiciário. Não sendo recolhidas, a distribuição é cancelada (art.
290).
o Documentos indispensáveis à propositura da ação : são aqueles necessários para a própria
admissibilidade da ação, inclusive a procuração.
 Exceção: é possível que a ação seja ajuizada sem procuração para evitar preclusão,
decadência ou prescrição; ou para praticar ato considerado urgente.
o Algumas ações específicas exigem requisitos específicos, como no caso de ação que tenha por
objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação
de bens, que exige a impugnação específica das obrigações contratuais (art. 330, §§ 2º e 3º).
51

10.2 PEDIDO
 É o provimento jurídico desejado (pedido imediato) e o bem da vida requerido (pedido mediato).
 Princípio da congruência ou adstrição : o pedido limita a atividade do juiz, estando ele associado ao
pedido formulado pelas partes. Por isso, existem os vícios da sentença contra congruência.
 Pedido certo ou expresso: o pedido deve ser formulado, expresso. Se isso não for feito, em princípio,
o juiz não irá apreciar pois o pedido não foi feito.
o Pedidos implícitos: é aquele que não consta de modo expresso e claro, mas pelo conjunto da
postulação e com fundamento na boa-fé, o juiz entende que o pedido foi formulado.
o Cumulação legal de pedidos: são pedidos que, mesmo que o autor não faça, o juiz aprecia, já
que a lei determinou a sua apreciação. São as prestações periódicas, os consectários legais
(correção monetária e juros de mora) e a sucumbência (art. 322, §1º).
 A taxa a que se refere o art. 406 do Código Civil é a SELIC, sendo este o índice
aplicável na correção monetária e nos juros de mora das relações civis (STJ, REsp
1.795.982/SP).
 Pedido determinado: é o pedido quantificado, atribuindo-se uma prestação judicial ao pedido.
o É permitido pedido genérico em caso de ações universais, se o autor não puder individuar os
bens demandado; quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato
ou do fato; e quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato
que deva ser praticado pelo réu (art. 314, §1º).
o A sentença que reconhece pedido genérico deverá definir a extensão da obrigação, o índice
de correção monetária e a taxa de juros (além de seus termos iniciais e periodicidade), salvo
se indeterminável ou depender de prova de realização demorada ou excessivamente
dispendiosa.
 Ampliação ou alteração do pedido: até a citação do réu, é livre a alteração ou ampliação dos pedidos,
independentemente de concordância do réu. Da citação ao saneamento do processo, a alteração do
pedido depende de concordância do réu. Após o saneamento, o pedido não poder ser modificado,
pois este é o momento de estabilização da demanda.
o Para a desistência da ação, o autor poderá formular o pedido até a contestação.

10.2.1 Cumulação de pedidos


 São espécies de cumulação de pedidos:
o Cumulação de pedidos própria: é calcada na conjunção aditiva “e”, formulando uma
pluralidade de pedidos, na intenção de que sejam todos apreciação pelo juízo.
 Simples: os pedidos não têm relação entre si e são autônomos.
 Sucessiva: os pedidos são dependentes entre si. Somente poderá ser concedido o
pedido sucessivo se concedido o antecedente.
o Cumulação de pedidos imprópria : é calcada na conjunção alternativa “ou”, requerendo a
parte que seja apreciado um ou outro pedido formulado.
52

 Eventual ou subsidiária: apresenta uma ordem de preferência entre os pedidos.


 Alternativa: não há ordem de preferência entre os pedidos.
o Cumulação de pedidos superveniente: é aquela cuja ampliação do objeto ocorre após a
propositura da ação. O processo inicia com um pedido, ampliando-se após o seu ajuizamento.
 São requisitos da cumulação de pedidos:
o Identidade das partes: os pedidos devem ser formulados contra o mesmo réu.
o Competência: o juiz competente para apreciar um pedido deve ser competente para apreciar
todos os demais (absoluta, material ou funcionalmente).
o Identidade procedimental: é fundamental que para todos os pedidos haja o mesmo rito.
 Se o procedimento for diverso, poderá o autor cumular os pedidos se empregado o
procedimento comum, sem prejuízo de emprego de técnicas processuais
diferenciadas previstas nos procedimentos especiais, se não forem incompatíveis
(art. 327, §2º).
o Compatibilidade entre os pedidos: só se pode cumular pedidos se eles não forem auto
excludentes. Aplica-se somente para a cumulação própria, em que os pedidos são aditivos.

10.3 ADMISSIBILIDADE DA PETIÇÃO INICIAL


 Admissão: antes de ordenar a citação do réu, o juiz deve verificar a admissibilidade da inicial.
 Emenda da petição inicial: em havendo vício sanável (defeito e irregularidade), o juiz determinará que
o autor, no prazo de quinze dias, emenda ou complete a petição inicial, indicando o que deve ser
corrigido ou completado (art. 321).
o Se o juiz reconhece o vício formal e determina a emenda, não poderá dar seguimento ao
processo enquanto a emenda não ocorrer, indeferindo a inicial se não sanado.
 Indeferimento da petição inicial: tratando-se de vício insanável, o juiz irá indeferir a petição inicial,
antes mesmo da citação do réu.
o São hipóteses de indeferimento da petição inicial: quando for inepta; quando a parte for
manifestamente ilegítima; quando o autor carecer de interesse processual; e quando não
forem atendidas as prescrições do art. 106 (declaração de endereço pelo advogado para
recebimento de intimações) e 321 (não promovida a emenda à inicial).
 Considera-se inepta a petição inicial quando lhe faltar pedido ou causa de pedir, o
pedido for indeterminado (fora das hipóteses legalmente autorizadas), não houve
lógica da narrações dos fatos e contiver pedidos incompatíveis entre si.
o Nas hipóteses acima, não haverá a análise do mérito, não fazendo coisa julgada material.
 Julgamento liminar de improcedência do pedido : se o juiz, na petição inicial, puder verificar as
hipóteses do art. 332, do Código de Processo Civil, poderá, independentemente da citação do réu,
julgar improcedente o pedido liminarmente.
o São as hipóteses de julgamento de improcedência liminar do pedido:
 O pedido contrariar enunciado de súmula do STF ou STJ.
53

 O pedido contrariar acórdão proferido em recurso repetitivo do STF ou STJ.


 O pedido contrariar entendimento firmado em incidente de resolução de demandas
repetitivas (IRDR) ou de assunção de competência (IAC).
 O pedido contrariar enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.
 For verificada a ocorrência de prescrição ou decadência.
 Em ação de improbidade administrativa, quando manifestamente inexistente o ato
de improbidade imputado (art. 17, §6º-B, da Lei nº 8.429/1992).
o Nessas hipóteses, haverá análise do mérito do pedido, fazendo coisa julgada material.
o Prevalece, atualmente, o entendimento de que as hipóteses do art. 332 são taxativas.
Contudo, faz-se interpretação extensiva para admitir a improcedência liminar quando houver
outros precedentes qualificados fora dos previstos neste art. 332.
o Nas hipóteses dos incisos I ao IV do art. 332, deve o juiz dar à parte oportunidade de se
manifestar, na forma do art. 10, para fins de demonstrar que há ali uma distinção ou
superação na aplicação do procedente. No caso de reconhecimento de prescrição ou
decadência no recebimento da inicial, poderá decidir sem observância do art. 10. Se for em
momento posterior, precisa oportunizar a manifestação das partes.
o Do indeferimento da petição inicial ou julgamento liminar de improcedência do pedido,
caberá apelação, no prazo de quinze dias. O réu será citado para apresentar contrarrazões.
 O juiz poderá retratar-se, no prazo de cinco dias após a interposição da apelação.
o Não há honorários quando o juiz indefere a inicial na hipótese do art. 330 ou 332 (além do
art. 17, §6º-B, da Lei nº 8.429/1992).

10.4 AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU DE MEDIAÇÃO


 A regra geral do sistema é que, uma vez admitida a inicial, o juiz não vá citar os réus para contestarem.
No modelo vigente, os réus serão citados para comparecer a uma audiência de conciliação e
mediação.
o Esse modelo somente existe no procedimento comum. Se houver audiência de conciliação e
mediação nos procedimentos especiais, deverá haver previsão legal expressa.
 Poderá ser designada mais de uma sessão de conciliação ou mediação, não podendo exceder o prazo
de dois meses entre uma e outra (art. 334, §2º).
 A conciliação e a mediação são exercidas por um terceiro facilitador, que não julga o processo.
o Mediação: envolve conflitos em relações perenes, em que há vínculo anterior ou posterior. O
mediador não pode sugerir soluções para o conflito, devendo a decisão partir dos mediados.
o Conciliação: é uma técnica que se emprega para conflitos efêmeros, sem preservar a relação
entre as partes. O conciliador participa na eleição do melhor resultado ao processo.
 Os mediadores e conciliadores podem ser recrutados por concurso público, por seleção feita pelo
próprio Tribunal (Resolução nº 271/2018, do CNJ) ou de forma voluntária.
54

o Nas três hipóteses, somente se poderá fazer conciliação e mediação se tiver sido treinado em
curso de capacitação com carga horária e conteúdo definidos pelo CNJ.
 São hipóteses de não realização da audiência de conciliação ou mediação:
o Quando ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição.
 O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, ao
passo que o réu fará por petição, apresentada com 10 dias de antecedência,
contados da data da audiência (art. 334, §5º).
 O prazo para contestação inicia-se com o protocolo da petição de desinteresse.
o Quando o direito ali debatido não admite autocomposição.
 Em processo envolvendo a Fazenda Pública, somente haverá audiência de
conciliação ou mediação se houver autorização legal (como no caso de causas de até
60 salários-mínimos, nos termos da Lei nº 10.259/2001 e da Lei nº 12.153/2009).
o A jurisprudência tem admitido a não designação do ato em caso de (i) inexistência de
conciliador e mediador; (ii) quando, em casos semelhantes, já houver sido demonstrado a
impossibilidade de acordo; e (iii) quando uma das partes manifestar desinteresse (não é
pacífico).
 Enunciado nº 35, ENFAM: Além das situações em que a flexibilização do
procedimento é autorizada pelo art. 139, VI, do CPC/2015, pode o juiz, de ofício,
preservada a previsibilidade do rito, adaptá-lo às especificidades da causa,
observadas as garantias fundamentais do processo.
 Enunciado nº 61, ENFAM: Além das situações em que a flexibilização do
procedimento é autorizada pelo art. 139, VI, do CPC/2015, pode o juiz, de ofício,
preservada a previsibilidade do rito, adaptá-lo às especificidades da causa,
observadas as garantias fundamentais do processo.
 O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é considerado ato
atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por cento da vantagem
econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado.
o É aplicável ao INSS a multa prevista no art. 334, § 8º, do CPC/2015, quando a parte autora
manifestar interesse na realização da audiência de conciliação e a autarquia não comparecer
no feito, mesmo que tenha manifestado seu desinteresse previamente (STJ, REsp
1769949/SP).
o No Juizado Especial Cível, a ausência do autor na audiência de conciliação ou mediação gera a
extinção do processo, sem resolução de mérito, ao passo que a ausência do réu gera a
revelia.
o As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos. Somente
dispensa-se a participação do advogado em caso de conciliações ou mediação extrajudiciais
(como no caso dos CEJUSCs).
55

 Havendo audiência de conciliação e mediação, sem êxito na autocomposição, o prazo para


contestação inicia-se da (última) audiência de conciliação ou de mediação (art. 335, inciso I). Se não
houver audiência de conciliação, o prazo contestacional inicia-se do protocolo da petição de
desinteresse (art. 335, §1º).
 Uma vez designada a audiência, o réu citado poderá, no seu próprio domicílio, apresentar
contestação, que será encaminhada para o juízo da ação que suspenderá o ato e deliberará sobre a
competência.
o Se entender ser competente, remarcará a audiência; se entender que não é competente,
remete os autos para o domicílio do réu.
o Parte da doutrina entende que, nesse caso, seria possível a apresentação de contestação
parcial, alegando exclusivamente a incompetência do juízo.
 Nos casos em que o réu não manifesta desinteresse na conciliação e o réu não apresenta proposta de
acordo, há entendimento no sentido de que é possível aplicação de litigância de má-fé, em que
especial se o autor já manifestou o desinteresse na autocomposição.
o Há corrente de pensamento que entende, inclusive, pela possibilidade de concessão de tutela
de evidência pelo abuso de direito de defesa (art. 311, inciso I).

10.5 RESPOSTA DO RÉU


 A resposta do réu é um ônus processual (sujeição que não pode ser imposta nem sancionada, mas o
seu não cumprimento acarreta prejuízo a quem não o cumpriu – imperativo do próprio interesse).
o Nas hipóteses de nomeação de curador especial, trata-se de opção política do legislador, não
podendo se falar em contraditório compulsório, como no processo penal.
o A Constituição Federal assegura o direito de defesa em paridade ao direito de ação, sendo
declinadas as mesmas prerrogativas e oportunidades para as partes.
 São espécies de respostas do réu:
o Típicas: são aquelas tratadas na lei como respostas do réu (contestação e reconvenção).
o Atípicas: são aquelas não reconhecidas pelo sistema como forma de defesa, mas que não
deixam de representar uma forma de resposta do réu (como o reconhecimento jurídico do
pedido e as intervenções de terceiros).
 As defesas do réu podem ser classificadas com base na teoria de Gaio ou na teoria das exceções.
o Teoria de Gaio: as defesa são divididas em defesas processuais e defesa de mérito.
 Defesas processuais: dizem respeito à admissibilidade da ação e discutem somente
aspectos processuais, podendo ser peremptória (ou própria), quando o acolhimento
gera a extinção sem análise do mérito; ou dilatória (ou imprópria), quando causa o
mero retardamento do processo, a fim de sanar o vício.
 Defesas de mérito (ou substancial): é a que ataca o próprio direito material que está
sendo debatido, podendo ser direta, quando nega os fatos e/ou as consequências
56

jurídicas reclamadas pelo autor; ou indireta, quando admite os fatos, mas apresenta
fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito.
o Teoria das exceções: em sentido processual, exceção é sinônimo de defesa.
 Exceções em sentido estrito: são defesas que, em regra, estão sujeitas à preclusão e
não podem ser pronunciadas de ofício, podendo ser processuais ou de mérito.
 Objeções: são defesas que, em regra, podem ser pronunciadas de ofício e não estão
sujeitas à preclusão nas instâncias ordinárias, podendo ser processuais ou de mérito.

10.5.1 Contestação
 É a resposta do réu por excelência, sendo o momento em que o réu se defende dos fatos alegados
pelo autor na petição inicial, no prazo de quinze dias (art. 335, do Código de Processo Civil).
o Princípio da eventualidade: incumbe ao réu alegar na contestação toda a matéria de defesa.
As defesas são concatenadas por eventos, de modo que se o juiz não puder acolher o
primeiro dos argumentos de defesa, passará ao segundo e assim sucessivamente.
 Excepciona-se o princípio da eventualidade no caso de (i) alegações relativas a
direito ou fato superveniente; (ii) matérias que possam ser conhecidas de ofício; e
(iii) matérias que puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição,
por autorização legal.
o Princípio da impugnação específica dos fatos : compete ao réu contrapor todos os fatos
alegados na inicial. Se assim não fizer, vai deixar de ser questão (fato controvertido) e será
ponto (alegação que se presume verdadeira). Excepciona-se nos seguintes casos:
 Quando não for admissível confissão a seu respeito.
 Quando a petição não for acompanhada da prova legal dos fatos.
 Quando o fato não impugnado for contrário ao conjunto da defesa.
 Quando à parte for nomeado curador especial (contestação por negativa geral).
 São conteúdo da defesa processual (preliminares da contestação):
o Inexistência ou nulidade de citação.
o Incompetência absoluta ou relativa.
o Incorreção do valor da causa.
o Inépcia da petição inicial.
o Perempção.
o Litispendência.
o Coisa julgada.
o Conexão.
o Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização.
o Convenção de arbitragem.
o Ausência de legitimidade ou de interesse processual.
o Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar.
57

o Indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça.


 A arguição de ilegitimidade veio a substituir a nomeação à autoridade do CPC de 1973, impondo ao
réu a obrigação de indicar a parte legítima para ocupar o polo passivo, caso alegue a ilegitimidade
passiva e tenha conhecimento do verdadeiro legítimo.
o Após a alegação da ilegitimidade passiva, o autor será ouvida e poderá (i) não concordar com
a indicação e o processo prossegue; (ii) concordar com a sucessão processual (extromissão);
ou (iii) concordar com a indicação, mas não concordar com a sucessão.

10.5.2 Reconvenção
 É um instrumento de ampliação objetiva do pedido e do objeto do processo (art. 343, do Código de
Processo Civil). É uma forma de cumulação de pedidos supervenientes e heterogênea.
o É superveniente porque o processo começa com pedidos do autor contra o réu e o último,
aproveitando da mesma relação jurídica, propõe uma ação contraposta contra o autor.
o É heterogênea porque a cumulação dos pedidos é advinda de partes diversas.
 A reconvenção é uma faculdade do réu, mas deverá ser apresentada no mesmo ato contestação.
o Se apenas apresentar a reconvenção, o réu será considerado revel e os fatos afirmados pelo
autor poderão ser presumidos verdadeiros.
o A reconvenção deverá atender a todos os requisitos da petição inicial.
 São pressupostos da reconvenção:
o Pretensão própria: não pode o réu fazer pedido em legitimação extraordinária.
o Conexão: há necessidade de conexão com a ação ou com fundamento de defesa.
o Identidade parcial de partes: deve haver equivalência entre as partes. Contudo, é possível a
ampliação subjetiva da demanda, tanto no polo ativo quanto no polo passiva da reconvenção.
o Competência: o juízo que julga os pedidos da ação tem que ter competência absoluta para
julgar os pedidos da reconvenção.
o Identidade procedimental: deve haver uma compatibilidade de rito. Se o da ação é o comum,
o da reconvenção também precisa ser. Se não houver, há possibilidade de o juiz adaptar o
rito ou não admitir o processamento da reconvenção.
 A reconvenção é autônoma em relação à ação. Assim, se a ação for extinta sem análise do mérito, o
processo prossegue em relação à reconvenção.
 É admissível a reconvenção sucessiva, também denominada de reconvenção à reconvenção, desde
que a questão que justifique a propositura tenha surgido na contestação ou na primeira reconvenção
(STJ, REsp 1.690.216/RS, info. 680).
o O art. 702, §6º, veda a reconvenção da reconvenção na monitória. Logo, a contrario sensu,
ele confirma a regra de que, o que não é monitória, cabe reconvenção da reconvenção.
 Apesar de ser no mesmo processo, tecnicamente, há duas ações. Logo, haverá dois dispositivos e duas
sucumbências (dois julgamentos em um só).
58

 A aplicação da sanção civil do pagamento em dobro por cobrança judicial de dívida já adimplida
(cominação encartada no artigo 1.531 do Código Civil de 1916, reproduzida no artigo 940 do Código
Civil de 2002) pode ser postulada pelo réu na própria defesa, independendo da propositura de ação
autônoma ou do manejo de reconvenção, sendo imprescindível a demonstração de má-fé do credor
(STJ, REsp 1.111.270/PR, info. 576).

10.6 JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO


 O juiz analisa o processo e, se entender que não precisa produzir provas, poderá julgar o processo.
 São hipóteses de julgamento conforme o estado do processo:
o Extinção do processo sem análise do mérito.
o Reconhecimento de prescrição e decadência.
o Homologação de autocomposição das partes.
 Sentença de julgamento antecipado do mérito : o juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo
sentença com resolução do mérito, quando (i) não houver necessidade de produção de outras provas
ou (ii) em caso de contumácia com os efeitos da revelia ou revelia sem requerimento de prova (art.
335).
o Contumácia é a ausência de contestação, acompanhada dos efeitos da revelia. Se presume
verdadeiro, não precisa produzir provas.
o O réu pode ter apresentado contestação intempestiva e ser decretada a revelia, o que não
impede o requerimento de provas, a fim de afastar a presunção de veracidade.
 Decisão de julgamento antecipado parcial mérito : o juiz poderá fazer uma cisão no processo,
entendendo que, para alguns pedidos, não há necessidade de prova, já julgando o processo conforme
o estado em que se encontra (decisão interlocutória), prosseguindo o processo somente em relação a
alguns dos pedidos, que demandam dilação probatória.
o Da decisão interlocutória que julga parcialmente o mérito cabe agravo de instrumento. Não
havendo recurso da decisão, far-se-á coisa julgada material, formando-se título executivo.

10.7 SANEAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO


 É a decisão proferida entre o fim da fase postulatória e o início da fase instrutória. Em regra, é uma
atividade decisória do juiz, que o faz por escrito.
 Não sendo hipótese de extinção do processos ou julgamento antecipado do mérito, deverá o juiz, em
decisão de saneamento e de organização do processo:
o Resolver as questões processuais pendentes, se houver.
o Delimitar as questões de fato (“pontos controvertidos”).
o Delimitar as questões de direito relevantes para a decisão de mérito.
o Definir a distribuição do ônus da prova.
o Designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.
59

 As partes têm direito de pedir esclarecimentos e ajustes, no prazo de 5 dias. Realizados os


esclarecimentos ou ajustes, a decisão de saneamento torna-se estável.
 As partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato
e de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz.
o O juiz poderá negar a homologação e fazer seu próprio saneamento ou poderá homologar,
com ou sem ajustes.
o Trata-se de uma faculdade das partes, não podendo o juiz impor às partes a formulação.
 Audiência de saneamento compartilhado : se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou
de direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as
partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas
alegações (art. 357, §3º, do Código de Processo Civil).

11. TEORIA GERAL DA PROVA


 Prova é todo elemento trazido ao processo para contribuir com a formação do convencimento do juiz,
a respeito da veracidade das alegações concernentes aos fatos da causa.
o O processo busca a verdade processual, que, por sua vez, se inclina à verdade real.
o O ônus probatório é uma faculdade que compete à parte, mas não é um dever.
o O objeto da prova é os pontos controvertidos (questões) e deve ser fixado em saneamento.
o As provas típicas são aquelas que vêm expressas na lei como prova, ao passo que as provas
atípicas são aquelas que não têm previsão legal.
 Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento
do mérito (art. 370, do Código de Processo Civil).
o Em regra, não há ofensa à imparcialidade do juiz, mas a atuação judicial não pode substituir a
parte que, por ineficiência, não requereu a prova tempestivamente.
o O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente
protelatórias.
 Alegações sobre direito não são objeto de prova, pela presunção de que o juiz conhece a lei.
o Exceção: a parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário
provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar (art. 376, do Código de Processo
Civil).
 As partes têm o dever geral de colaboração, contribuindo para a solução adequada do litígio. Os
deveres das partes e de seus procuradores estão previstos no art. 77, do Código de Processo Civil.
o Incumbe a parte comparecer em juízo, respondendo o que lhe for interrogado; colaborar com
o juízo na realização de inspeção judicial; e praticar o ato que lhe for determinado (art. 379).
o Como exceção, há a proteção quanto à não autoincriminação e a confidencialidade quanto ao
conhecimento de assuntos em razão de ofício ou função (art. 388).
o A parte não é obrigada a depor sobre fatos (art. 388):
 Criminosos ou torpes que lhe forem imputados.
60

 A cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.


 Acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu
companheiro ou de parente em grau sucessível.
 Que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas acima.
o Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de
sua recusa e a recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se
pretendia obter com o exame (art. 231 e 232, do Código Civil).
 Qualquer um tem o dever de colaborar com o Poder Judiciário no descobrimento da verdade,
o Incumbe ao terceiro, em relação a qualquer causa:
 Informar ao juiz os fatos e as circunstâncias de que tenha conhecimento.
 Exibir coisa ou documento que esteja em seu poder.
o Poderá o juiz, em caso de descumprimento, determinar, além da imposição de multa, outras
medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias.
o Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar a efetuar a exibição, o juiz ordenar-lhe-á que
proceda ao respectivo depósito em cartório ou em outro lugar designado, no prazo de 5 dias,
impondo ao requerente que o ressarça pelas despesas que tiver.
 Se o terceiro descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão,
requisitando, se necessário, força policial, sem prejuízo da responsabilidade por
crime de desobediência, pagamento de multa e outras medidas indutivas,
coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar a efetivação
da decisão.
 Ônus da prova: em regra, a distribuição do ônus da prova é estática, incumbindo ao autor a prova do
fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito do autor.
o Não cabe ao juiz deixar de julgar pela inexistência de prova (non liquet). Se provado, julga-se
de acordo com a prova. Se não provado, julga-se de acordo com a regra do ônus da prova.
o Teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova : é hipótese excepcional, em que o juiz ou a
convenção das partes podem dispor de modo diverso, nos casos previstos em lei ou diante de
peculiaridades da causa relacionada à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o
ônus probatório ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário.
 Deverá o juiz dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus atribuído.
 Não pode o juiz inverter a regra do ônus da prova em sentença.
 A inversão do ônus da prova não pode gerar situação em que a desincumbência do
encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.
 Não poderá haver a inversão do ônus da prova por convenção das partes em caso de
direito indisponível da parte ou quando tornar excessivamente difícil a uma parte o
exercício do direito.
 A convenção da inversão do ônus da prova pode ser antes ou durante o processo.
61

 São fatos que não dependem de prova (art. 374):


o Fatos notórios (conhecimento geral, perceptível por qualquer pessoa).
o Fatos afirmados por uma parte e confessado pela parte contrária.
o Fatos admitidos no processo como incontroversos (ausência de impugnação específica).
o Fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.
 Prova emprestada: prova produzida em outro processo e trazida para ser utilizada no processo em
curso, de interesse em seu uso. O juiz atribui o valor que considerar adequado, observado o
contraditório (art. 372).
o Independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o requisito primordial
para o aproveitamento da prova emprestada. Portanto, assegurado às partes o contraditório
sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutá-la adequadamente,
afigura-se válido o empréstimo (STJ, EREsp 617.428/SP).
 São etapas do procedimento quanto à prova:
o Requerimento: o autor deve indicar e especificar as provas na petição inicial (art. 319, inciso
VI), ao passo que o réu o fará em sede de contestação (art. 336).
 Se o réu não contestar a ação, o juiz, verificando a inocorrência do efeito da revelia
previsto no art. 344, ordenará que o autor especifique as provas que pretenda
produzir, se ainda não as tiver indicado (art. 348).
 Ao réu revel será lícita a produção de provas, contrapostas às alegações do autor,
desde que se faça representar nos autos a tempo de praticar os atos processuais
indispensáveis a essa produção (art. 349).
o Admissão: requerida a prova, cabe ao juiz examinar sua pertinência, fundamentando a
decisão quanto à necessidade da prova ou à rejeição (art. 370).
o Produção: admitida a prova, ela deverá ser produzida, geralmente em audiência de instrução
e julgamento, salvo a prova documental, que é juntada com a inicial ou contestação (art.
434).
 É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapô-
los aos que foram produzidos nos autos (art. 435).
 Admite-se também a juntada posterior de documentos formados após a petição
inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou
disponíveis após esses atos (art. 435, parágrafo único).
o Valoração: produzida a prova, ela será valorada. Em regra, o momento de valoração é na
sentença, ocasião em que o magistrado forma o seu convencimento (art. 371).
 Princípio da comunhão da prova: a prova pertence ao processo, é do juízo.
 Princípio da persuasão racional: as provas não têm valor preestabelecido.
 Produção antecipada de prova: é um procedimento judicial que permite a coleta de provas antes do
início de um processo ou de uma fase processual adequada.
62

o Será admitida nos casos em que (art. 381):


 Haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a
verificação de certos fatos na pendência da ação.
 A prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio
adequado de solução de conflito.
 O prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação.
o O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as
respectivas consequências jurídicas. Além disso, não se admite defesa ou recurso.
o Os autos permanecerão em cartório durante um mês para extração de cópias e certidões
pelos interessados. Findo o prazo, os autos serão entregues ao promovente da medida.
o A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde esta deva ser
produzida ou do foro de domicílio do réu (art. 381, §2º).
 A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que
venha a ser proposta (art. 381, §3º).
 O juízo estadual tem competência para produção antecipada de prova requerida em
face da União, de entidade autárquica ou de empresa pública federal se, na
localidade, não houver vara federal (art. 381, §4º).
 Admite em jurisdição voluntária a produção antecipada de provas.

11.1 CLASSIFICAÇÃO DAS PROVAS


 Quanto ao fato:
o Diretas: diz respeito ao fato probando.
o Indiretas: diz respeito a outros fatos, do qual se pode extrair por dedução ou por indução o
fato que se pretende provar.
 Quanto ao sujeito:
o Real: atestação contida em uma coisa.
o Pessoal: afirmação feita por pessoa.
 Quanto ao objeto:
o Testemunhal: toda afirmação oral (testemunha ou depoimento pessoal).
o Documental: toda afirmação escrita ou gravada.
 Quanto ao tempo:
o Casual: prova produzida no curso do processo.
o Pré-constituída: prova produzida antes do curso do processo.

11.2 PROVAS EM ESPÉCIE


 Ata notarial: é um documento público, lavrado por notário, através do qual este declara algo que
tenha presenciado, atestando a sua existência e modo de ser (art. 384).
o Imagens e sons em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial.
63

o Instrumento também usado para fatos transeuntes (transitórios, que não permanecem).
o É vedado o juízo de valor sobre o que atesta ou juízos técnicos e científicos. É certificador da
ocorrência do fato por ele verificado ou pessoalmente presenciado.
 A Lei dos Cartórios estabelece como competência dos notários a autenticação de
fatos (art. 6º, inciso III, da Lei nº 8.935/1994).
o O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o
tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença (art. 405).
o Os notários são dotados de fé pública, ou seja, suas declarações geram presunção iuris
tantum de veracidade (admitem prova em sentido contrário).
 Depoimento pessoal: é o testemunho prestado por uma das partes em juízo. Tem dupla finalidade:
esclarecimento de fatos e obtenção de confissão.
o Prestam depoimento pessoal na qualidade de parte o autor, o réu, o assistente litisconsorcial,
o denunciado da lide, o chamado ao processo e o opoente. O assistente simples não presta
depoimento pessoal, eis que não é parte e não pratica atos incompatíveis com o assistido.
o Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de que esta seja
interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-
lo de ofício.
 Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da
pena de confesso, não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, o juiz
aplicar-lhe-á a pena (art. 385, §1º).
 Pena de confesso – confissão presumida (ficta). O juiz, ao valorar a prova,
considerará que o silêncio da parte equivale à confissão dos fatos sobre os quais ela
iria depor, devendo valorar este comportamento ensejador da confissão no conjunto
geral da prova, manifestando expressamente sobre o ponto e a sanção.
o Quando a parte, sem motivo justificado, deixar de responder ao que lhe for perguntado ou
empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais circunstâncias e os elementos de prova,
declarará, na sentença, se houve recusa de depor (art. 386).
o A parte não é obrigada a depor sobre fatos:
 Criminosos ou torpes que lhe forem imputados.
 A cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.
 Acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu
companheiro ou de parente em grau sucessível.
 Que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas acima.
 Confissão: quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do
adversário, judicial ou extrajudicial (art. 389).
o Tem como consequências a dispensa de prova sobre o fato (art. 374, II, CPC) e presunção de
veracidade do fato.
o Há duas modalidade de confissão do processo civil:
64

 Confissão real: o depoente confessa um fato em detrimento da alegação da parte


contrária (ato comissivo – positivo).
 Confissão ficta: A lei estabelece uma consequência, uma presunção. A confissão ficta
ocorre quando a parte deveria depor em audiência, mas não se apresenta ou não
apresenta defesa, mesmo estando em audiência. Também pode ocorrer quando a
parte demonstra oposição, evasão ou desconhecimento dos fatos objeto da lide (ato
omissivo – negativo).
o A confissão difere-se do reconhecimento jurídico do pedido. A confissão é a confirmação dos
fatos, ao passo que o reconhecimento jurídico do pedido enseja o reconhecimento do próprio
direito material do autor.
o São impedimento e limites da confissão:
 Não vale a fatos relativos a direitos indisponíveis.
 É ineficaz se feita por quem não for capaz de dispor do direito.
 Pode ser dada por representante com poderes especiais para isso.
 Vincula quem confessa, mas não prejudica os litisconsortes.
 Sobre bens imóveis ou direitos reais, a confissão precisa do cônjuge ou
companheiro, salvo se o regime for da separação absoluta.
o A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação.
 A anulação deve ser feita em demanda autônoma, promovida pelo confitente e
somente podendo ser transferida a seus herdeiros, em caso de falecimento.
o Incumbe ao juiz valorar a confissão junto com todo o restante do acervo probatório.
o A confissão é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser invocar como prova
aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável, porém cindir-se-á
quando o confitente a ela aduzir fatos novos, capazes de constituir fundamento de defesa de
direito material ou de reconvenção (art. 395).
 Exibição de documento ou coisa: é um incidente processual para determinar a exibição de documento
ou coisa que se pretende usar como fonte de prova.
o Pode ser provocado por qualquer das partes, que pode dirigir o pedido em face da outra
parte ou de terceiro que tenha consigo a coisa ou o documento a ser exibido.
o O pedido formulado conterá (art. 397):
 A descrição do documento ou da coisa.
 A finalidade da prova.
 As circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a
coisa existe e se acha em poder da parte contrária.
o O juiz requisitará às repartições públicas, em qualquer tempo ou grau de jurisdição:
 As certidões necessárias à prova das alegações das partes.
 Os procedimentos administrativos nas causas em que forem interessados a União, os
Estados, o Distrito Federal, os Municípios ou entidades da administração indireta.
65

o Procedimento da exibição de documento em face da parte:


 O juiz intima o requerido para apresentar a coisa ou se manifestar em 5 dias.
 Se o requerido afirmar que não possui o documento ou a coisa, o juiz permitirá que
o requerente prove, por qualquer meio, que a declaração não corresponde à
verdade.
 Não será aceita a recusa se o requerido tiver a obrigação legal de exibir; se
tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o intuito de
constituir prova; ou se o documento, por seu conteúdo, for comum às
partes.
 Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que, por meio do
documento ou da coisa, a parte pretendia provar se o requerido não efetuar a
exibição nem fizer nenhuma declaração em 5 dias ou se a recusa for ilegítima.
 Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais
ou sub-rogatórias para que o documento seja exibido.
 Desde que prováveis a existência da relação jurídica entre as partes e de documento
ou coisa que se pretende seja exibido, apurada em contraditório prévio, poderá o
juiz, após tentativa de busca e apreensão ou outra medida coercitiva, determinar sua
exibição sob pena de multa (STJ, REsp 1.763.462/MG).
o Procedimento da exibição de documento em face de terceiro:
 O terceiro é citado para responder em 15 dias em ação incidental.
 Apresentando o documento ou a coisam, está liberado o terceiro.
 Se negar, o juiz marca uma audiência especial, em que haverá depoimento do
terceiro, das partes e testemunha, decidindo o juiz, ao final.
 Na decisão, o juiz pode acolher a justificativa ou mandar depositar em cartório, em 5
dias (o ressarcimento das despesas é do requerente da medida).
 A decisão do juiz que julga o incidente tem natureza de decisão interlocutória (art.
402), cabendo agravo de instrumento (art. 1.015, inciso VI).
 O juiz expedirá mandado de apreensão, requisitando, se necessário, força policial,
sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência, pagamento de multa
e outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias
para assegurar a efetivação da decisão (art. 403, parágrafo único).
o São motivos justificantes para a não-apresentação do documento ou coisa (art. 404):
 Documento ou coisa concernente a negócios da própria vida da família.
 Puder viola dever de honra.
 Sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus
parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou representar perigo de ação
penal.
66

 Sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão,
devam guardar segredo.
 Subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz,
justifiquem a recusa da exibição.
 Houver disposição legal que justifique a recusa da exibição.
 Prova documental: é toda informação registrada em um suporte material, que ateste fatos,
fenômenos ou pensamentos em uma determinada época ou lugar.
o Os documentos podem ser públicos ou privados, a depender do agente que o produziu.
 O documento público é feito por agente investido de função pública, no exercício
dela, e faz prova da forma e do conteúdo (presunção Iuris tantum).
 Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato,
nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta
(art. 406).
 O documento feito por oficial público incompetente ou sem a observância
das formalidades legais, sendo subscrito pelas partes, tem a mesma eficácia
probatória do documento particular (art. 407).
 O documento privado é definido por critério residual e não prova o conteúdo do fato
em si, apenas presumem-se verdadeiras as declarações em relação ao signatário.
 O documento particular de cuja autenticidade não se duvida prova que o
seu autor fez a declaração que lhe é atribuída.
 O documento particular admitido expressa ou tacitamente é indivisível,
sendo vedado à parte que pretende utilizar-se dele aceitar os fatos que lhe
são favoráveis e recusar os que são contrários ao seu interesse, salvo se
provar que estes não ocorreram.
o Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, a cinematográfica, a fonográfica ou de
outra espécie, tem aptidão para fazer prova dos fatos ou das coisas representadas, se a sua
conformidade com o documento original não for impugnada (art. 422).
 As fotografias digitais e as extraídas da rede mundial de computadores fazem prova
das imagens que reproduzem, devendo, se impugnadas, ser apresentada a
respectiva autenticação eletrônica ou, não sendo possível, realizada perícia.
 Se se tratar de fotografia publicada em jornal ou revista, será exigido um exemplar
original do periódico, caso impugnada a veracidade pela outra parte.
o A arguição de falsidade do documento deverá ser suscitada na contestação, na réplica ou no
prazo de quinze dias da intimação da juntada do documentos nos autos.
 Uma vez arguida, a falsidade será resolvida como questão incidental, salvo se a parte
requerer que o juiz a decida como questão principal (art. 430, parágrafo único).
 O exame pericial sobre o documento será realizado em 15 dias após a oitiva da parte
contrária, salvo se a parte concordar em retirar o documento falso dos autos.
67

 A declaração sobre a falsidade do documento, quando suscitada como questão


principal, constará do dispositivo da sentença, incidindo os efeitos da coisa julgada.
 A instauração de incidente de falsidade é possível mesmo quando se tratar de
falsidade ideológica, mas desde que o documento seja narrativo, isto é, que não
contenha declaração de vontade, de modo que o reconhecimento de sua falsidade
não implique a desconstituição de relação jurídica, quando será necessário o
ajuizamento de ação própria (STJ, REsp 1.637.099/BA).
 Prova testemunhal: depoimento em juízo de terceiro, estranho ao processo, que narra o que sabe
sobre os fatos da causa, sendo admissível em todos os processos.
o Não caberá prova testemunhal:
 Desde que a lei não disponha de modo contrário.
 Já provados por documento ou confissão da parte.
 Fatos que só por documento ou exame pericial podem ser provados.
o Todas as pessoas podem depor, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas.
 Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva disponíveis para que
a pessoa com deficiência tenha garantido o acesso à justiça, sempre que figure em
um dos polos da ação ou atue como testemunha, partícipe da lide posta em juízo,
advogado, defensor público, magistrado ou membro do Ministério Público (art. 80).
o São impedidos de prestar depoimento como testemunha:
 O cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o
colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou
afinidade.
 O que é parte na causa (tendo em vista que presta depoimento pessoal).
 O que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da
pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as
partes.
o São suspeitos na prestação de depoimento:
 O inimigo da parte ou o seu amigo íntimo.
 O que tiver interesse no litígio.
o A testemunha não é obrigada a depor sobre fatos:
 Que lhe acarretem grave dano, bem como ao seu cônjuge ou companheiro e aos
seus parentes consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau.
 A cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo (inclui o advogado).
o É possível a substituição da testemunha que falecer; que, por enfermidade, não estiver em
condições de depor; ou que, tendo mudado de residência ou de local de trabalho, não for
encontrada (art. 451).
o Algumas autoridade podem ser inquiridas em sua residência: incisos do art. 454.
68

o Cabe ao advogado da parte informar ou intimar a testemunha por ele arrolada por carta com
aviso de recebimento, comprovando nos autos com antecedência mínima de 3 dias.
 A parte pode comprometer-se a levar independentemente de intimação.
 Se a testemunha não comparece, presume-se que desistiu.
o Os servidores públicos são requisitados pelo juiz (não intimados), diretamente à autoridade
superior ao servidor, que organiza o funcionamento de seu departamento.
o Contradita: é a impugnação à oitiva da testemunha por incapacidade, impedimento ou
suspeição. Antes de depor, a testemunha será qualificada, declarará ou confirmará seus
dados e informará se tem relações de parentesco com a parte ou interesse no objeto do
processo.
 É lícito à parte contraditar a testemunha, arguindo-lhe a incapacidade, o
impedimento ou a suspeição, bem como, caso a testemunha negue os fatos que lhe
são imputados, provar a contradita com documentos ou com testemunhas, até 3
(três), apresentadas no ato e inquiridas em separado.
 Juiz decide, acolhendo ou ouvindo como informante.
 Prova pericial: prova consistente em exame, vistoria ou avaliação, feita por profissional habilitado,
com conhecimento técnico ou científico para apurar determinado fato.
o Hipóteses de não cabimento (art. 464):
 A prova não depende de conhecimento técnico.
 For desnecessária tendo em vista as outras já produzidas.
 A verificação for impraticável.
o De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em substituição à perícia, determinar a
produção de prova técnica simplificada, quando o ponto for de menor complexidade.
o As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o mediante requerimento,
desde que sejam plenamente capazes e a causa possa ser resolvida por autocomposição.
 As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os respectivos assistentes técnicos
para acompanhar a realização da perícia.
o O procedimento da prova pericial segue o seguinte rito:
 O juiz nomeia o perito e fixa prazo para entregar o laudo.
 Dentro de 15 dias, as partes podem arguir impedimento ou suspeição; indicam o
assistente técnico e apresentam os quesitos.
 O perito, assim que cientificado da perícia, apresenta em 5 dias a proposta de
honorários, com currículo e contatos.
 Partes dizem sobre o valor, no prazo de 5 dias, arbitrando o juiz, ao final.
 Os honorários devem ser pagos 50% antes e o restante na entrega do laudo.
 O laudo deve ser entregue em juízo pelo menos 20 dias antes da audiência.
 As partes são intimadas do laudo, manifestando-se em 15 dias e apresentando os
pareceres técnicos elaborados pelos assistentes técnicos.
69

o O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento (art. 371).
o Quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida, poderá haver segunda perícia.
 A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o valor de cada.
 Inspeção judicial: o juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do processo,
inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à decisão da causa.
o O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando:
 Julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos.
 A coisa não puder ser apresentada em juízo sem despesas ou dificuldades.
 Determinar a reconstituição dos fatos.
o As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e fazendo
observações que considerem de interesse para a causa (art. 481, parágrafo único).
o Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, mencionando nele tudo
quanto for útil ao julgamento da causa (art. 484), podendo ser instruído com desenho, gráfico
ou fotografia (art. 484, parágrafo único).

12. SENTENÇA
 Sentença é o pronunciamento do juiz que tem o efeito de pôr fim ao processo de primeiro grau ou
extinguir a execução e, ao mesmo tempo, tem por conteúdo alguma das disposições elencadas no art.
485 ou 487, do Código de Processo Civil (resolução ou não do mérito).
o O conceito de sentença, assim, leva em consideração os efeitos e o conteúdo da decisão.

12.1 CLASSIFICAÇÕES DA SENTENÇA


 Quanto ao prolator:
o Monocrática: é o pronunciamento proferido por apenas um juiz.
o Colegiada: é o julgamento proferido pelos Tribunais (por meio do acórdão, que tem a mesma
natureza jurídica da decisão que visa reformar).
 Quanto aos efeitos:
o Meramente declaratória: o conteúdo é a declaração da existência, inexistência ou modo de
ser de uma relação jurídica de direito material (art. 19).
o Constitutiva/desconstitutiva: visa criar, modificar ou extinguir uma relação jurídica. Em
regra, é dotada de efeitos ex nunc, salvo quando a lei expressamente previr o contrário.
o Condenatória: tem como conteúdo o reconhecimento e a imposição do cumprimento de uma
obrigação de fazer, não fazer, dar ou pagar quantia.
o Executivo (lato sensu): é uma espécie de sentença condenatória, na qual a lei autoriza que o
juiz determine, de ofício, a satisfação do direito (ex.: despejo e reintegração de posse).
70

o Mandamental: é uma espécie de sentença condenatória, na qual é autorizado o


cumprimento oficioso e por ordem judicial, sob pena de incorrer no crime de desobediência
(ex.: normalmente é a sentença proferida em mandado de segurança).
 Quanto ao conteúdo da sentença:
o Terminativas: é aquela que extingue o processo sem resolução de mérito, ou seja, sem que
cognição exauriente da lide (faz coisa julgada formal).
 São hipóteses de sentença sem resolução do mérito (art. 485):
 Indeferimento da petição inicial.
 O processo ficar parado por mais de um ano por negligência das partes.
 Não promover atos ou diligência – 30 dias (abandono do processo).
 Ausência de pressupostos processuais.
 Perempção, litispendência e coisa julgada.
 Ausência de legitimidade ou interesse processual.
 Acolhimento de convenção de arbitragem.
 Homologação de desistência da ação.
 Morte da parte, em caso de ação intransmissível.
o Definitivas: é aquela que julga o mérito da causa, decidindo se o pedido formulado pelo autor
é procedente ou improcedente, com aptidão para produzir coisa julgada material.
 São hipóteses de sentença com resolução de mérito (art. 487):
 Procedência ou improcedência dos pedidos.
 Prescrição ou decadência.
 Homologação do reconhecimento do pedido.
 Homologação da transação.
 Homologação da renúncia à pretensão.

12.2 ELEMENTOS DA SENTENÇA


 Relatório: é um resumo da demanda, no qual o juiz indicará as partes, a suma do pedido e da defesa e
a descrição dos principais atos praticados no processo.
o Nos Juizados Especiais Cíveis, é dispensado o relatório nas sentenças.
o A doutrina majoritária entende que a ausência de relatório é causa de nulidade absoluta.
 Fundamentação: é o momento em que o juiz enfrenta todas as questões de fato e de direito que
sejam relevantes para a solução da demanda, justificando a conclusão a que chegará no dispositivo.
o A fundamentação tem uma função endoprocessual: controle das partes do arbítrio judicial,
por meio dos recursos; e duas funções extraprocessuais: permite o escrutínio público do
papel do Poder Judiciário e a formação de precedentes.
o Não é fundamentada qualquer decisão que:
 Se limitar a indicar ou reproduzir ato normativo.
 Empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicação no caso concreto.
71

 Invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão.


 Não enfrentar todos os argumentos deduzidos capazes de informar a conclusão.
 Se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem aplicar ao caso.
 Deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela
parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso concreto.
o A fundamentação sucinta não se confunde com a ausência de fundamentação e não acarreta
a nulidade da decisão se forem enfrentadas todas as questões cuja resolução, em tese,
influencie a decisão da causa18.
o Os Tribunais Superiores têm validado a fundamentação per relationem, desde que sejam
analisadas eventuais questões levantadas no recurso que não foram objetos da sentença19.
o A interpretação sistemática do Código de Processo Civil evidencia que "precedente" abarca
somente os casos julgados na forma qualificada pelo art. 927, não tendo o termo abarcado de
maneira generalizada qualquer decisão judicial20.
o Mesmo após o advento no novo Código de Processo Civil, prevalece no STJ o entendimento
de que "o julgador não é obrigado a rebater cada um dos argumentos aventados pela defesa
ao proferir decisão no processo, bastando que pela motivação apresentada seja possível
aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões da parte21.
 Dispositivo: é o momento em que o juiz conclui e aprecia os pedidos que lhe foram formulados.
Majoritariamente, entende-se que a coisa julgada recai sobre o dispositivo da sentença.

12.3 DEFEITOS DA SENTENÇA


 Error in procedendo: ocorre quando o juiz viola normas processuais, ou seja, comete um erro no rito
ou na forma de condução do processo, não relacionado ao conteúdo da decisão.
o Vício estrutural: falta de relatório, dispositivo ou fundamentação.
o Vício de fundamentação: a sentença não cumpre o art. 489, §1º.
 Constatado o vício de fundamentação, o Tribunal responsável pelo julgamento do
recurso poderá suprir a decisão, através da aplicação da teoria da causa madura (art.
1.013, §3º, inciso IV, do Código de Processo Civil).
o Vício de adstrição: violação ao princípio da congruência, que obriga o juiz a decidir nos
limites do que foi pedido e debatido pelas partes (art. 492).
 Sentença extra petita: o juiz concede algo não pedido (gera anulação).
 Sentença ultra petita: o juiz concede mais do que foi pedido (gera readequação).
 Sentença citra petita: o juiz deixa de analisar algum pedido (gera integração).
 Error in judicando: ocorre quando o juiz interpreta ou aplica erroneamente o direito ou os fatos do
caso, ou seja, comete um erro no mérito da decisão.

18
Enunciado nº 10, da ENFAM.
19
STJ, HC 216.659/SP; STF, 150.872/SP.
20
STJ, AREsp 1.267.283/MG.
21
STJ, AgRg no AREsp 1.009.720/SP.
72

12.4 OUTRAS QUESTÕES RELACIONADAS À SENTENÇA


 Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão
definirá desde logo a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo
inicial de ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso.
o Poderá decidir genericamente quando:
 Não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido.
 A apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada
ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença.
o Nos casos em que for possível a sentença genérica, o valor devido será apurado em
liquidação.
 Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir
no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da
parte, no momento de proferir a decisão.
o Em grau recursal, o STJ tem entendido que, para aplicação de fato superveniente, é
necessário que o recurso seja cognoscível, ou seja, há necessidade do recurso puder ser
analisado pelo mérito, estando presentes os pressupostos recursais.
o Se o juiz constatar de ofício os fatos constitutivos, modificativos e impeditivos, intimará as
partes para manifestar, com base no art. 10, do Código de Processo Civil.
 Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte,
inexatidões materiais ou erros de cálculo; ou por meio de embargos de declaração.
 Nos Juizados Especiais Cíveis, há regra própria sobre a fundamentação da sentença (art. 38, da Lei nº
9.099/1995), de forma que parte da doutrina entende pela inaplicabilidade do art. 489, §1º.
o Enunciado nº 162, do FONAJE: Não se aplica ao Sistema dos Juizados Especiais a regra do art.
489 do CPC/2015 diante da expressa previsão contida no art. 38, caput, da Lei 9.099/95.

12.5 EFEITOS SECUNDÁRIOS DA SENTENÇA


 A decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente em dinheiro e a que determinar
a conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como
título constitutivo de hipoteca judiciária (art. 495).
o A decisão produz a hipoteca judiciária:
 Embora a condenação seja genérica;
 Ainda que o credor possa promover o cumprimento provisório da sentença ou esteja
pendente arresto sobre bem do devedor;
 Mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito suspensivo.
o A hipoteca judiciária poderá ser realizada mediante apresentação de cópia da sentença
perante o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem judicial, de
declaração expressa do juiz ou de demonstração de urgência.
73

o No prazo de até 15 (quinze) dias da data de realização da hipoteca, a parte informá-la-á ao


juízo da causa, que determinará a intimação da outra parte para que tome ciência do ato.
o A hipoteca judiciária, uma vez constituída, implicará, para o credor hipotecário, o direito de
preferência, quanto ao pagamento, em relação a outros credores, observada a prioridade no
registro.
o Sobrevindo a reforma ou a invalidação da decisão que impôs o pagamento de quantia, a
parte responderá, independentemente de culpa, pelos danos que a outra parte tiver sofrido
em razão da constituição da garantia, devendo o valor da indenização ser liquidado e
executado nos próprios autos.
 A decisão judicial transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de
transcorrido o prazo para pagamento voluntário previsto no art. 523.
o Para efetivar o protesto, incumbe ao exequente apresentar certidão de teor da decisão.
o A certidão de teor da decisão deverá ser fornecida no prazo de 3 (três) dias e indicará o nome
e a qualificação do exequente e do executado, o número do processo, o valor da dívida e a
data de decurso do prazo para pagamento voluntário.
o O executado que tiver proposto ação rescisória para impugnar a decisão exequenda pode
requerer, a suas expensas e sob sua responsabilidade, a anotação da propositura da ação à
margem do título protestado.
o A requerimento do executado, o protesto será cancelado por determinação do juiz, mediante
ofício a ser expedido ao cartório, no prazo de 3 (três) dias, contado da data de protocolo do
requerimento, desde que comprovada a satisfação integral da obrigação.

12.6 REEXAME NECESSÁRIO


 É a revisão obrigatória das sentenças de primeiro grau pela segunda instância, que ocorre
independentemente da interposição de recursos voluntários.
o Tem natureza jurídica de sucedâneo recursal: visam corrigir error in procedendo e error in
judicando de decisão judicial, mas não possui características de recurso, como a
voluntariedade.
o O reexame necessário constitui condição de eficácia da sentença, não havendo trânsito em
julgado enquanto houver omissão do recurso ex officio22.
 São hipóteses de cabimento do reexame necessário (art. 496):
o Sentença proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas
respectivas autarquias e fundações de direito público.
o Sentença que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal.
o Sentença que conceder a segurança em mandado de segurança (art. 14, da Lei nº 12.016/09).
o Sentença de improcedência ou por carência da ação na ação popular e na ação civil pública.
o Sentença de desapropriação em que houver quantia superior ao dobro da quantia ofertada.
22
STF, Súmula nº 423.
74

 Não haverá reexame necessário:


o Ações originárias (de competência dos Tribunais).
o Sentença contra pessoa jurídica de direito privado que pertença à Administração Pública.
o Sentença que não alcançar os valores de alçada da condenação, quais sejam:
 Inferior a 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e
fundações de direito público.
 Inferior a 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as
respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que
constituam capitais dos Estados.
 Inferior a 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas
autarquias e fundações de direito público.
o Sentença que aplicar precedente qualificado, independentemente do valor de condenação.
o Sentença proferida no âmbito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública.
o Sentença proferida no âmbito dos Juizados Especiais Federais.
o Sentença de extinção sem resolução do mérito (art. 485).
o Quando, apesar de ser hipótese de reexame necessário, houver dispensa administrativa do
recurso por enunciado ou parecer normativo da Fazenda Pública ou da advocacia pública.
 A dispensa de reexame necessário não se aplica a sentenças ilíquidas23.
 O reexame necessário não se submete ao pagamento de preparo ou à apresentação de contrarrazões.
 O presidente do Tribunal poderá avocar os processo não submetidos ao reexame necessário.
 Para a doutrina majoritária, mesmo que haja recurso voluntário, haverá reexame necessário, tendo
em vista que este possui uma extensão integral do efeito devolutivo.
 É possível o julgamento monocrático do reexame necessário por aplicação analógica do art. 923,
incisos III, IV e V, do Código de Processo Civil.
 Não há possibilidade de ampliação do colegiado, prevista no art. 942, §4º, inciso II, do CPC.
 Nas decisões por maioria, em reexame necessário, não se admitem embargos infringentes24.
 No reexame necessário, é defeso, ao Tribunal, agravar a condenação imposta à Fazenda Pública25.

12.7 COISA JULGADA


 A coisa julgada é uma qualidade que se agrega à sentença e que torna seus efeitos imutáveis e
indiscutíveis, não podendo mais ser modificada pelos recursos voluntários ou pela remessa necessária.
o A coisa julgada tem como razão de ser a segurança jurídica (art. 5º, inciso XXXVI, da CF/88).
o A coisa julgada recai sobre pronunciamentos de mérito, uma vez que as sentenças
meramente terminativas não chegam a decidir o conteúdo da ação.
 São efeitos ou funções da coisa julgada:

23
STJ, Súmula nº 490.
24
STJ, Súmula nº 390.
25
STJ, Súmula nº 45.
75

o Imutabilidade (efeito negativo): impede a repropositura de outra ação igual a ela.


o Indiscutibilidade (efeito positivo): a coisa julgada vincula todos aqueles que forem alcançados
pela coisa julgada, até mesmo os órgãos do Poder Judiciário.
 São espécies de coisa julgada:
o Formal (eficácia endoprocessual): só vale para as partes do processo, como ocorre nas
sentenças extintivas sem resolução do mérito. Não pode haver rediscussão da questão
naquele mesmo processo, mas não impede a repropositura da ação (preclusão máxima).
o Material (eficácia extraprocessual): tem eficácia para além do processo em que proferida a
decisão, expandido os efeitos para além dos próprios autos do processo.
o Soberana: ocorre quando a sentença não pode mais ser objeto de ação rescisória, ou seja,
decorrido dois anos da última decisão proferida no processo (art. 975).

Você também pode gostar