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Laudo Ariel Signed

O laudo psicológico avalia Ariel Vianna dos Santos, que busca investigar possíveis transtornos como TEA, ansiedade e depressão, além de dificuldades em organização e gestão emocional. A avaliação incluiu entrevistas, observações e testes psicológicos, revelando comportamentos autorregulatórios, dificuldades emocionais e funcionais, e hipersensibilidade sensorial. O documento é sigiloso e deve ser utilizado apenas por profissionais envolvidos no manejo clínico.

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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Laudo Ariel Signed

O laudo psicológico avalia Ariel Vianna dos Santos, que busca investigar possíveis transtornos como TEA, ansiedade e depressão, além de dificuldades em organização e gestão emocional. A avaliação incluiu entrevistas, observações e testes psicológicos, revelando comportamentos autorregulatórios, dificuldades emocionais e funcionais, e hipersensibilidade sensorial. O documento é sigiloso e deve ser utilizado apenas por profissionais envolvidos no manejo clínico.

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LAUDO PSICOLÓGICO - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

Segundo o Código de Ética Profissional do Psicólogo, artigo 1 "g" e "h" é um dever do Psicólogo:
“Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos, transmitindo
somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário”; e, “orientar a quem
de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a partir da prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre
que solicitado, os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho”.
Este material é sigiloso, não possui fins jurídicos e foi elaborado de acordo com a resolução 006/2019, do
Conselho Federal de Psicologia. As informações descritas neste laudo psicológico devem ser utilizadas somente
por profissionais envolvidos no manejo clínico. Desaconselha-se o seu uso fora deste contexto. O uso que deste
material venha a ser feito, é de inteira responsabilidade do requerente.

1. IDENTIFICAÇÃO DO PROFISSIONAL

Nome: Amanda de Oliveira Soares


CRP: 06/204052 - São Paulo
Psicóloga

Nome: Bruna de Freitas Navarro Kindlein


CRP: 07/31496
Psicóloga Supervisora

2. IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE

Nome: Ariel Vianna dos Santos

Data de nascimento: 05/03/1998

Naturalidade: Canela - RS

Escolaridade: Ensino Médio Completo

Profissão: Agente de reservas

Estado civil: Solteiro

Filhos: Não

3. DEMANDA
3.1. Dados Relevantes da Anamnese:

1
 Reside: Sozinho.
 Doença Pré-existente: Não.
 Condição Psicodiagnóstica prévia: Não.
 Irmãos: 6 irmãos, de 17, 19, 27, 33 e 34 anos.
 Condição psiquiátrica na família: Não.

3.2. Descrição da demanda

Ariel buscou avaliação psicológica para investigação de possível Transtorno do


Espectro Autista (TEA) e suas comorbidades, como ansiedade e depressão. Também busca
suporte para compreender suas dificuldades em organização, planejamento e gestão emocional
no ambiente profissional e pessoal.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A avaliação psicológica é compreendida como um amplo processo de investigação com
intuito de programar a tomada de decisão mais apropriada do psicólogo. Mais especialmente, a
avaliação psicológica refere-se à coleta e interpretação de dados, obtidos por meio de um
conjunto de procedimentos confiáveis, entendidos como aqueles reconhecidos pela ciência
psicológica. (Krug, 2016, p.24.).

Cabe ressaltar que uma avaliação psicológica tem limitações e possibilidades. No caso
de uma avaliação em adultos, temos variáveis mais específicas ainda, que dizem respeito ao
próprio constructo de vida do paciente, sua capacidade de adaptabilidade ao meio, e um possível
quadro de sobreposições de sintomas comórbidos (normalmente ligados a condições
emocionais vigentes).

4.1 Instrumentos utilizados:

 Entrevista de autorrelato
A entrevista semiestruturada de autorrelato, tem por objetivo, coletar dados referentes aos
aspectos sociais, comportamentais, comunicacionais, questões relacionadas a interesses
restritos, investigação de perfil sensorial, sob o ponto de vista do próprio avaliado

2
 Entrevista com pessoas do convívio atual – Ex-namorada
A entrevista com amigos ou pessoas do convívio atual, tem por objetivo coletar dados acerca
dos aspectos relacionais em diversos contextos sociais (trabalho, ambiente acadêmico, eventos
etc.)

 Observação Comportamental

Observar significa tornar mensurável o comportamento que se expõe por parte do sujeito que o
manifesta. O comportamento observado também produz reações (sentimentos, respostas) no
observador, que o auxiliam a formular hipóteses sobre ele.

4.2 Instrumentos utilizados - Fontes fundamentais e complementares de informação:

4.2.1 - Testes Psicológicos:

 1) IHS-2 – Inventário de Habilidades Sociais de Del Prette (Del Prette, 2018)


O IHS 2-Del-Prette trata-se de um instrumento de autorrelato, que permite caracterizar
o desempenho social em diferentes situações, ou seja, possibilita aferir o repertório de
habilidades sociais usualmente requeridas em diversas situações interpessoais cotidianas.
 2) BFP - Bateria Fatorial de Personalidade (Nunes, et.al., 2013)
A Bateria Fatorial de Personalidade – BFP é um instrumento psicológico construído para
avaliação da personalidade a partir do modelo dos Cinco Grandes Fatores (CGF), que inclui as
seguintes dimensões: Neuroticismo, Extroversão, Socialização, Realização, Abertura.

 3) Bateria Diferencial de Atenção - BDA (Marín Rueda, 2024)


Avaliação da atenção visual sob 3 contextos distintos: Atenção Concentrada, Dividida
e Alternada).
 4) TRL – Teste de Raciocínio Lógico
O instrumento avalia a inteligência por meio do raciocínio lógico indutivo definido como a
capacidade para realizar inferências a partir de um conjunto de informações e solucionar
problemas, relacionar ideias e aprender com novas experiências.
 5) TEM R-2 – Teste de Memória de Reconhecimento - 2

3
O instrumento oferece uma avaliação referente à memória de reconhecimento. Esse tipo de
memória refere-se a uma recordação consciente de uma experiência anterior, e diz respeito a
reconhecer que um estímulo visualizado no momento não é novo, pois já foi visto
anteriormente.

4.2.2 Instrumentos utilizados - Fontes Complementares de Informação:

 1) SRS-2 - Escala de Responsividade Social (Borges et. al., 2020)


A SRS-2 é uma escala destinada a mensurar sintomas associados ao Transtorno do Espectro
Autista (TEA), bem como classificar os níveis de responsividade social do indivíduo. Podem
ser aplicados formulários de autorrelato (com o avaliando) ou heterorrelato (com cônjuge,
genitores, ou pessoas do convívio do avaliado).

 2) BSI – Inventário Breve de Sintomas (Derogatis, L., 2019)


O Inventário Breve de Sintomas – BSI, tem por objetivo avaliar de forma global o estado
psicopatológico, assim como, identificar o bem-estar psicológico. As dimensões de sintoma
principal são: Somatização, Obsessiva-compulsivo, Sensibilidade Interpessoal, Depressão,
Ansiedade, Hostilidade, Ansiedade Fóbica, Ideação Paranoide, Psicoticismo.

 3) BDEFS - Escala para Avaliação de Disfunção Executiva de Barkley (Godoy,


et.al., 2011)
A Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley (BDEFS) avalia os possíveis
déficits das Funções Executivas (FE) nas atividades do cotidiano em adultos. Estes
processos são responsáveis por orientar, direcionar e gerenciar funções cognitivas.

 4) DIVA 5 – Entrevista Diagnóstica para TDAH em Adultos (Koij, et.al., 2019)


O DIVA-5 é uma entrevista semiestruturada que avalia os sintomas de TDAH na
infância e na idade adulta. Avalia também a cronicidade dos sintomas e a disfunção por eles
causada.

4.2. Procedimento:

4
A avaliação foi composta de 7 (sete) encontros semanais, com sessões de 40 a 60
minutos de duração, utilizando-se dos métodos supracitados.
Inicialmente, aplicou-se os instrumentos de análise clínica: Entrevistas e Observação
Comportamental.
Em seguida, houve aplicação dos instrumentos de análise psicométrica (escalas e testes)
Após aplicação dos instrumentos, iniciou-se a análise descritiva dos resultados
juntamente com a supervisora de processos avaliativos. Esta, também realizou uma sessão com
o paciente, para dupla checagem.
Em seguida, elaborou-se a conclusão da leitura funcional do paciente, com os devidos
posicionamentos diante das demandas trazidas inicialmente, bem como hipóteses levantadas ao
longo do processo.
Após finalização da elaboração do laudo, procedeu-se a sessão devolutiva para entrega
deste, com os devidos esclarecimentos e encaminhamentos pertinentes ao caso.

5. ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS CLÍNICOS


5.1. Entrevista de Autorrelato

Desde a infância, Ariel manifesta comportamentos autorregulatórios como movimentar


mãos e pés, estalar dedos, vocalizar, fazer caretas e apresentar rituais sensoriais repetitivos,
como passar a mão nos cabelos para obter prazer tátil. Demonstra forte apego a rotinas e objetos
específicos, como o uso constante de uma caneca vermelha, preferência por utensílios metálicos
e necessidade de realizar certas ações em múltiplos de três, sob pena de intenso desconforto
físico e emocional. Também apresenta episódios dissociativos e fantasiosos, como imaginar
pequenas sociedades vivendo no banheiro ou atribuir sentimentos a objetos inanimados.

No âmbito emocional, Ariel tem grande dificuldade em nomear e expressar emoções,


demonstrando oscilações frequentes de humor, pensamentos ruminativos, autodepreciação e
sentimento de culpa. A instabilidade emocional é agravada pela quebra de expectativas e pela
dificuldade em lidar com frustrações e mudanças de rotina, gerando episódios de raiva,
impulsividade e sofrimento psíquico intenso. Sua relação conjugal, iniciada na adolescência e

5
recentemente encerrada, expôs comportamentos de desconfiança, controle e dependência
emocional, com episódios de paranoia e tentativas de proteção desajustadas.

Do ponto de vista cognitivo e executivo, Ariel relata extrema dificuldade com


organização, memória operacional, gerenciamento de tempo e sequenciamento de tarefas. É
facilmente distraído por estímulos internos e externos, como ruídos, luzes, movimentos
periféricos e pensamentos intrusivos. Demonstra procrastinação crônica e dificuldade em
manter o foco em atividades que não sejam de seu interesse imediato, ainda que, em temas de
hiperfoco, como videogames, montagem de computadores ou animes, revele alto grau de
concentração.

Sensivelmente impactado por estímulos sensoriais, Ariel apresenta hipersensibilidade


auditiva, visual e tátil. Sons agudos ou ambientes ruidosos desencadeiam desconforto e, por
vezes, crises de angústia. Toques inesperados são percebidos como invasivos, e certos sons ou
texturas provocam reações físicas semelhantes a choques. Também relata experiências como
ouvir os próprios pensamentos como se estivessem amplificados, especialmente em momentos
de silêncio.

Socialmente, Ariel tende ao isolamento, evita interações em grupos e demonstra


ansiedade em ambientes novos ou com muitas pessoas. Tem dificuldade em manter contato
visual, interpretar expressões faciais e adaptar seu comportamento a diferentes contextos. Sua
ex-companheira relata que ele apresentava resistência a críticas e dificuldade em perceber as
necessidades do outro, embora, quando conscientizado, se esforçasse para corresponder.

Por fim, Ariel reconhece suas limitações e demonstra desejo de mudança, ainda que
ambivalente quanto a isso. Mostra-se emocionalmente abalado pelo término do relacionamento
e expressa necessidade de cuidado emocional. Suas queixas e observações, aliadas aos relatos
de terceiros, apontam para um quadro multifacetado que requer avaliação diagnóstica criteriosa,
com atenção especial à possibilidade de transtornos do espectro autista e do déficit de
atenção/hiperatividade, além de manifestações ansiosas e dissociativas.

5.2. Entrevista de Heterorrelato – Ex namorada

6
De acordo com os dados fornecidos por sua ex-namorada, o relacionamento teve início
na adolescência, quando ela tinha 14 anos e ele 17. Inicialmente, a relação foi marcada por
carinho, atenção e comportamentos considerados agradáveis, sendo Ariel descrito como
educado, carinhoso e interessado em agradar. No entanto, ao longo do tempo, a convivência
passou a ser impactada por dificuldades emocionais e funcionais do paciente, refletidas em
episódios de desregulação emocional e comportamentos de controle.

A ex-companheira relata que Ariel apresentava crises internas alimentadas por


pensamentos paranoides e ruminativos, especialmente em situações em que ela saía sozinha ou
se comunicava com outras pessoas. Nessas ocasiões, ele criava narrativas infundadas,
expressava desconfiança e se mostrava visivelmente abalado, demonstrando sofrimento
psicológico significativo. A dificuldade em lidar com incertezas e frustrações levava-o a
manifestações de ansiedade, expressas por olhares fixos, questionamentos insistentes e falas
desconectadas da realidade.

Ariel demonstrava apego intenso e dependência emocional, tendo dificuldade em aceitar


mudanças ou lidar com a possibilidade de perda. A parceira percebeu que ele evitava tomar
decisões para não ter que lidar com as consequências emocionais das escolhas. No entanto, nos
momentos em que ela expressava suas necessidades, ele tentava atendê-las dentro de suas
capacidades, mostrando um esforço adaptativo, ainda que limitado.

Do ponto de vista funcional, a ex-namorada observa prejuízos na organização doméstica


e profissional de Ariel, com dificuldades em manter o foco, cumprir tarefas e gerenciar o tempo.
Relata que ele esquecia objetos com frequência e tinha episódios de estresse e impulsividade,
expressos por gritos ou comportamentos agressivos direcionados a objetos, mas não a pessoas.

Em termos psicológicos, destaca que Ariel possuía uma mente extremamente ativa, que
o levava a reflexões intensas, pensamentos constantes e dificuldade de silenciar internamente.
Ele também relatava a presença de figuras internas que considera como partes distintas de si
mesmo, o que a parceira acreditava ter influência direta em seu funcionamento emocional e
organizacional. Ela aponta, por fim, que as maiores dificuldades de Ariel estavam ligadas à sua
desorganização emocional e funcional, o que comprometia a qualidade da relação e seu bem-
estar subjetivo.

7
5.5. Observação Comportamental - Apresentação ao longo da avaliação
Observar, significa tornar mensurável o comportamento que se expõe por parte do
sujeito que o manifesta. O comportamento observado também produz reações (sentimentos,
respostas) no observador, que o auxiliam a formular hipóteses sobre o mesmo.
Dentre as dimensões de uma observação comportamental, Ariel apresentou os seguintes
comportamentos:
Atenção: [Capacidade de concentração frente a determinado estímulo]
Quanto a atenção, o paciente mostrou-se atento e respondente aos questionamentos de
forma coerente e pertinente. Eventualmente, se perdia no enviesamento de algum raciocínio.
Consciência: [Estado de clareza mental]
Quanto ao nível de consciência, o paciente mostrou-se consciente e vigil durante as
sessões.
Orientação: [Capacidade de situar-se em relação a si mesmo e ao ambiente]
Quanto a orientação, o paciente mostrou-se orientado no ambiente e no espaço em que
se encontrava .
Memória: [Capacidade de fixar, conservar, evocar e reconhecer um estímulo]
Memoria preservada para os estímulos ocorridos em sessão, fixando e armazenando o
que lhe era pedido.
Pensamento: [Capacidade de elaborar, associar e criticar ideias. Traduz a aptidão de
elaborar conceitos, articulá-los em juízos e construir raciocínios de modo a solucionar
problemas]
Mostrou-se capaz de atribuir valores e nexo causal diante do que pensa sobre
determinados conceitos e assuntos. Por várias vezes expressou pensamentos impulsivos sobre
pessoas e situações, acompanhados de verbalização.
Linguagem: [Conjunto de sinais convencionados utilizados para se expressar]
Linguagem funcional preservada e com vasto vocabulário, além de curso do diálogo linear.

Afetividade: [Capacidade de experimentar sentimentos e emoções]


Percebe-se certo embotamento relacionado a expressão das emoções.

8
Conduta: [Tendência psicomotora do comportamento (a ação diante dos estímulos,
propriamente dita)]
Movimentava-se constantemente durante as sessões.
Área sensorial e motora: [Visão, Audição, Movimento corporal]
Visão e Audição mostram-se preservadas para demandas pertinentes a um contexto de
avaliação psicológica.
Outras Observações:
O avaliado mostrou-se colaborativo em todas as sessões.

6. ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS PSICOMÉTRICOS

1) IHS 2 - Inventário de Habilidades Sociais de Del Prette:


O IHS 2-Del-Prette trata-se de um instrumento de autorrelato, que permite caracterizar
o desempenho social em diferentes situações, ou seja, possibilita aferir o repertório de
habilidades sociais usualmente requeridas em diversas situações interpessoais cotidianas. Cada
um dos itens descreve uma situação de interação social e uma possível reação a ela,
possibilitando a identificação de recursos disponíveis ou deficitários no repertório do
respondente e, consequente facilitação no planejamento e acompanhamento da intervenção a
ser realizada.

Resultado:

9
Escores Classificação

ET - Escore Total: Habilidades Sociais Inferior

F1 - Conversação assertiva: Iniciar e participar de conversação, Inferior


manter conversação, pedir favores e fazer perguntas a pessoas
desconhecidas, recusar pedidos abusivos, falar para público
desconhecido.
F2 - Abordagem afetivo-sexual: Apresentar-se a outra pessoa; Inferior
declarar sentimento amoroso; abordar para relação sexual.
F3 - Expressão de sentimento positivo: Expressar carinho e bem- Inferior
estar, agradecer elogios, elogiar alguém, lidar com críticas justas,
cumprimentar pessoas desconhecidas.
F4 - Autocontrole/enfrentamento: Lidar com críticas injustas, Bom
discordar em grupo de conhecidos, expressar desagrado a amigos,
discordar de autoridades.
F5 - Desenvoltura social: Cumprimentar desconhecidos; manter Inferior
conversa com desconhecidos; falar a público desconhecido;
interromper a fala do outro; fazer cobrança de combinados; pedir
ajuda e favores a colegas; lidar com brincadeiras.

2) BFP - Bateria Fatorial de Personalidade


A Bateria Fatorial de Personalidade – BFP é um instrumento psicológico construído
para avaliação da personalidade a partir do modelo dos Cinco Grandes Fatores (CGF), que
inclui as seguintes dimensões:
Neuroticismo: refere-se ao nível de ajuste e à inconstância emocional; igualmente representa as diferenças
individuais que ocorrem quando as pessoas têm experiência com emoções associadas ao desconforto
psicológico e comportamentos e estilos cognitivos decorrentes.
Extroversão: referente ao número e à proporção das interações interpessoais, está mencionado às formas
conforme as pessoas interagem com os demais.
Socialização: é a habilidade das relações interpessoais, relacionado aos tipos de interações apresentadas por um
indivíduo entre o duradouro e o consecutivo que se estende da condolência, bondade e afinidade à competição,
cinismo e manipulação.
Realização: o conceito de organização, perseverança, controle e ânimo para atingir objetivos.
Abertura: seriam os comportamentos exploratórios e o reconhecimento da importância de ter novas experiências.

Resultado:

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Facetas do fator Neuroticismo (N)

Definição: Este é um indicador da tendência a forma como o sofrimento psicológico é


vivido, se mais ou menos intenso. Envolve aspectos da vulnerabilidade, instabilidade
emocional, passividade e depressão. Altos níveis estão associados à ocorrência de sintomas de
depressão e ansiedade, com tendência a interpretar estímulos ambíguos de forma negativa ou
ameaçadora e, por isso, normalmente podem ver ameaças, problemas ou crises em que não
existem objetivamente.

N1 - Vulnerabilidade - Percentil 70 = Médio

Esse é um indicador da fragilidade emocional, que indica o sofrimento emocional em


decorrência da percepção de como são aceitos. Relaciona-se também com dependência
emocional e dificuldade para tomada de decisões em função do medo de decepcionar as
pessoas.

Escores médios nessa faceta indicam um padrão comportamental dentro da média no


que se refere a quanto o indivíduo vivencia o sofrimento emocional em decorrência da sua
percepção de como os outros o aceitam. É um indicativo de maior flexibilidade em relação à
dependência emocional e à dificuldade para tomar decisões em função do medo de decepcionar
as pessoas.

N2 - Instabilidade Emocional - Percentil 85 = Alto

A faceta Instabilidade emocional avalia o quanto as pessoas se descrevem como


irritáveis, nervosas e com grandes variações de humor.

Escores altos nessa faceta são considerados indicativos da tendência de agir


impulsivamente frente a algum desconforto psicológico e pode levar a pessoa a tomar algumas
decisões de forma precipitada. Indivíduos com padrão alto nessa faceta geralmente alternam de
humor com mais facilidade, apresentando baixa tolerância à frustração.

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N3 – Passividade - Percentil 95 = Muito Alto

A faceta Passividade/Falta de Energia avalia o nível de iniciativa para iniciar tarefas,


nível de automotivação e o comportamento de tomada de decisão em assuntos de interesse do
indivíduo.

Escores muito altos nessa faceta indicam tendência alta apresentar comportamento
procrastinador, grande dificuldade para iniciar tarefas, ainda que sejam simples. Podem
apresentar também dificuldade para manter a motivação em afazeres longos ou difíceis,
tendendo a abandoná-los antes de sua conclusão. Tendem a necessitar de muito estímulo
externo para levar adiante seus planos e, com frequência, abstêm-se de tomar decisões mesmo
sobre assuntos de seu interesse.

N4 - Depressão - Percentil 75 = Alto

A Escala de Depressão avalia os padrões de interpretações que os indivíduos apresentam


em relação aos eventos que ocorrem ao longo de suas vidas.

Escores altos nessa faceta podem traduzir expectativas negativas em relação ao futuro,
desesperança e uma vida monótona e sem emoção. Além disso, indivíduos com padrão alto
nessa faceta frequentemente podem sentir-se solitários, sem objetivos claros para suas vidas e
desconfiar de sua capacidade para resolver eventuais dificuldades.

Facetas do Fator Extroversão (E)

Definição: A diminuição deste indicador refere-se a ser mais calado, falar pouco sobre
si e necessitar de mais tempo para desenvolver intimidade. Por outro lado, indicadores altos,
denotam tendência a ser falante, buscar contato com pessoas, mesmo que as conheçam pouco,
tendem a ter um senso de intimidade maior que os demais, contando fatos íntimos e confiando

Nível de Comunicação (E1) - Percentil 10 = Muito Baixo

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Essa faceta é composta por itens que descrevem o quão comunicativas e expansivas as
pessoas acreditam ser.

Escores muito baixos nessa faceta sugerem preferências de pessoas para não se
expressarem em público, apresentarem forte tendência a se constranger em situações de maior
exposição e de raramente falarem sobre si mesmas.

E2 - Altivez - Percentil 25 = Baixo

Essa faceta é composta por itens que descrevem pessoas com uma percepção grandiosa
sobre a sua capacidade e o seu valor.

Pessoas que apresentam escores baixos nessa faceta tendem a não se vangloriar por seus
bens e capacidades pessoais, além de apresentarem pouca necessidade de chamar a atenção dos
outros para si. Podem inclusive ter alguma dificuldade para reconhecer as suas capacidades e
atributos favoráveis.

E3 - Dinamismo - Percentil 10 = Muito Baixo

Esta faceta é composta por itens que indicam o quanto as pessoas tomam iniciativa em
situações variadas, o quão facilmente julgam colocar suas ideias em prática e o seu nível de
atividade.

Escores muito baixos nessa faceta revelam tendência a concentração em uma atividade
por vez e não precisar estar constantemente envolvido em atividades para sentir-se bem. Além
disso, pessoas com padrão muito baixo nessa faceta podem demorar mais para colocar suas
ideias em prática e apresentarem baixa iniciativa para realizar certas ações.

Interações Sociais (E4) - Percentil 5 = Muito Baixo

Esta faceta descreve pessoas que buscam ativamente situações que permitam interações
sociais, como festas, atividades em grupo etc.

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Pessoas que apresentam escores muito baixos nessa faceta preferem muitas vezes ficar
sozinhos ou em pequenos grupos e demoram mais para desenvolver novas relações sociais.
Tendem a esquivarem-se de vivenciar situações mais intensas, frequentar lugares mais ricos em
termos de estímulos e possibilidades de contatos sociais.

Fatores do Fator Socialização (S)

Definição: Esse é um indicador da socialização. Indicadores baixos permitem


discriminar a tendência à hostilidade, com uma postura mais manipuladora, objetivando o
próprio benefício, desconfiança dos demais, poucas amizades ou pessoas significativas.
Tendem a quebrar leis e regras sociais. Indicadores altos demonstram tendência a confiar nos
demais, acreditando no seu lado positivo e raramente suspeitando das suas intenções, o que
influencia na formação de identidade e capacidade de intimidade com os demais. Há grande
tendência a ser leal e honesto, com preocupação com os outros e desejo genuíno de ajudar.

S1 - Amabilidade – Percentil 5 = Muito Baixo

Esta faceta agrupa itens que descrevem o quão atenciosas, compreensivas e empáticas
as pessoas procuram ser com as demais. Indica o quão agradáveis as pessoas buscam ser com
as outras, observando suas opiniões, sendo educadas com elas e se importando com as suas
necessidades.

Escores muito baixos nessa faceta revelam muito pouca disponibilidade para os
demais, autocentrismo e indiferença quanto às necessidades alheias. Demonstram pouca
preocupação em promover o bem-estar dos outros, podendo dirigir-se a eles de forma pouco
cuidadosa, tratando de assuntos delicados de forma insensível e chegando a ser hostis.

S2 - Pró-sociabilidade - Percentil 15 = Baixo

Esta faceta agrupa itens como comportamentos de risco, concordância ou confronto com
leis e regras sociais, moralidade, autoagressividade e também para com os outros e padrões de

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consumo de bebidas alcoólicas. Escores muito altos nessa faceta sugerem que o indivíduo evita
fortemente situações de risco e preocupa-se muito em não transgredir leis ou regras sociais.

Escores baixos nessa faceta indicam tendência ao próprio envolvimento e de terceiros


em situações de risco e algumas vezes à discordância de leis e regras sociais, minimizando sua
importância. Pessoas com padrão baixo nessa faceta geralmente agem de forma com que os
outros façam sua vontade e podem ser um pouco descorteses.

S3 - Confiança nas pessoas - Percentil 20 = Baixo

Esta faceta agrupa itens que descrevem o quanto as pessoas confiam nos outros e
acreditam que eles não as prejudicam.

Escores baixos nessa faceta indicam alguém que possui tendência a perceber os outros
de maneira persecutória e de assumir que os outros podem ser desonestos ou perigosos. Podem
ser um pouco ciumentas em suas relações afetivas, apresentando mais dificuldade para se
tornarem íntimas dos demais.

Facetas do Fator Realização (R)

Definição: Esse é um indicador da tendência à realização. Indicadores baixos indicam


tendência a pouca motivação para lidar com tarefas complexas, desistindo diante das
dificuldades, envolvimento em atividades sem saber como essas ajudaram na realização dos
objetivos. Podem ser descomprometidos e pouco pontuais, com dificuldades para se manterem
envolvidos em tarefas, mesmo que isso gere prejuízos. Indicadores altos indicam tendência a
buscar formas de alcançar seus objetivos, mesmo que isso envolva algum sacrifício ou conflito
com desejos imediatos. Pode-se perceber tendência a ambição, esforço e dedicação ao trabalho.

R1 - Competência – Percentil 5 = Muito Baixo

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A faceta Competência é composta por itens que descrevem uma atitude ativa na busca
dos objetivos e a consciência de que é preciso fazer alguns sacrifícios pessoais para se obter os
resultados esperados. Também são descritas situações em que as pessoas possuem uma
percepção favorável de si mesmas, acreditando na sua capacidade para realizar ações
consideradas difíceis e importantes.

Escores muito baixos nessa faceta sugerem pouca disposição para atingir objetivos;
pessoas com padrão muito baixo nessa faceta tendem a facilmente desistir diante de obstáculos
ou da necessidade de fazer sacrifícios. Além disso, tendem a ter uma percepção muito
desfavorável sobre sua capacidade, de sempre evitar atividades complexas e desafiantes e de
não possuir objetivos bem definidos.

R2–Ponderação/Prudência - Percentil 10 = Muito Baixo

A faceta Ponderação é composta por itens que descrevem situações que envolvem o
cuidado com a forma para expressar opiniões ou defender interesses, bem como a avaliação das
possíveis consequências de ações.

Escores muito baixos nessa faceta sugerem tendência a falar sem pensar, a agir antes
de planejar e a ser bastante impulsivo. A impulsividade, nesse caso, não se relaciona
necessariamente a baixa tolerância à frustração ou a uma reação emocional negativa
intensificada, mas sim à falta de planejamento e organização de modo geral.

R3 - Empenho e Comprometimento - Percentil 10 = Muito Baixo

Esta faceta descreve tendência à atenção aos detalhes na realização de trabalhos e um


alto nível de exigência pessoal com a qualidade das tarefas realizadas.

Escores muito baixos nessa faceta tendem a ser verificados em pessoas pouco
comprometidas com atividades acadêmicas e profissionais, que usualmente não se preocupam
com a forma de realizar e concluir tarefas. Tendem a colocar pouca energia nas atividades em

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que se envolvem e podem, com alguma frequência, fazê-las de tal forma que a qualidade de seu
trabalho seja insuficiente ou prejudicada.

Facetas do Fator Abertura (A)

Definição: Esse é um indicador da tendência a ser mais convencional nas suas crenças
e atitudes, conservadoras nas suas preferências, dogmáticas e rígidas, ou tendência à
consideração e busca por diversas formas de pensamento, posturas e atitudes.

A1 - Abertura a ideias – Percentil 40 = Médio

Os itens de Abertura a ideias descrevem abertura para novos conceitos ou novas ideias,
que podem incluir postura aberta para posições filosóficas, arte, fotografia, estilos musicais,
diferentes expressões culturais e uso da imaginação, criatividade e da fantasia.

Escores médios nessa faceta indicam um padrão comportamental dentro da média no


que se refere à abertura para novos conceitos ou ideias, que podem incluir interesse por questões
filosóficas, arte, fotografia, estilos musicais e diferentes expressões culturais.

A2 - Liberalismo - Percentil 30 = Médio

Liberalismo descreve uma tendência à abertura para novos valores morais e sociais.

Escores médios nessa faceta indicam um padrão comportamental dentro da média no


que se refere à forma de lidar com diferentes valores morais e sociais e a noção de que estes
podem ser relativizados, que podem mudar ao longo do tempo e ser diferentes em várias
culturas e regiões.

A3 - Busca por novidades - Percentil 5 = Muito Baixo

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A faceta Busca por novidades é composta por itens que descrevem preferência por
vivenciar novos eventos e ações.

Pessoas que apresentam escores muito baixos nessa faceta relatam sentir-se bastante
desconfortáveis com a quebra de rotina, não possuir interesse para fazer coisas que nunca
fizeram antes, como conhecer lugares novos e se colocarem em situações diferentes das que
vivem usualmente.

3) Bateria Diferencial de Atenção - BDA

O BDA configura-se como teste de atenção on-line aprovado pelo Conselho Federal de
Psicologia. É composto de:

BDA- A: A atenção alternada é entendida como a capacidade do indivíduo em focalizar


e selecionar ora um estímulo, ora outro, por diferentes períodos de tempo e alternando
sucessivamente esse foco.

BDA-C: A atenção concentrada é a capacidade que uma pessoa tem em focalizar e


selecionar apenas um estímulo, em um período de tempo predeterminado, enquanto outros
estímulos distratores e semelhantes ao estímulo-alvo estão dispostos ao seu redor.

BDA-D: Na Bateria Diferencial de Atenção (BDA), assume-se que a atenção difusa e a


dividida se referem ao mesmo tipo atencional, sendo definido como a capacidade que uma
pessoa tem em focar e selecionar mais de um estímulo, dentre vários outros estímulos que são
apresentados em um tempo predeterminado.

Resultado:

Os resultados da avaliação das habilidades atencionais de Ariel indicam:

Subtipo Percentil Classificação Interpretação

Atenção visual alternada 90 Superior Bastante acima da média

18
normativa

Atenção visual concentrada 90 Superior Bastante acima da média


normativa

Atenção visual dividida 80 Médio Superior Um pouco acima da média


normativa

Subtipo Tempo de Classificação Interpretação


reação

Atenção visual alternada 1,46 Muito Baixo Despende de um tempo muito


menor que a média normativa

Atenção visual concentrada 1,38 Muito Baixo Despende de um tempo muito


menor que a média normativa

Atenção visual dividida 1,85 Muito Baixo Despende de um tempo muito


menor que a média normativa

4) TRL – Teste de Raciocínio Lógico

O Teste de Raciocínio Lógico (TRL), os itens foram construídos demandando o


raciocínio indutivo “...a capacidade de observar um fenômeno e descobrir os princípios ou
regras subjacentes que determinam este comportamento. Essa habilidade também é conhecida
como inferência de regras” (Schneider & McGrew, 2018, p. 93).
O raciocínio indutivo é componente importante para um raciocínio mais amplo que é o
Raciocínio Fluido. O raciocínio fluido (Gf) pode ser definido como “o uso de procedimentos
deliberados e controlados (muitas vezes exigindo atenção concentrada) para resolver problemas
novos, imediatos que não podem ser resolvidos usando hábitos, esquemas e roteiros
previamente aprendidos” (Schneider & McGrew, 2018, p. 93)

19
Resultado:

Ariel Vianna dos Santos foi submetido ao TRL e obteve uma pontuação bruta total de
10 ponto(s), que corresponde ao percentil 80. Esse resultado indica que, quando comparado(a)
às pessoas da amostra normativa, Ariel Vianna dos Santos dispõe de um raciocínio lógico
indutivo um pouco acima da média, ou seja, pode ser indicativo de boa capacidade para
realizar inferências com base em um conjunto de informações. Consequentemente, tende a
apresentar boa capacidade para solucionar problemas, relacionar ideias e aprender com novas
experiências. Por sua vez, a média da velocidade de processamento foi 39,93, que corresponde
à classificação alta. Esse resultado sugere que, ao ser comparado(a) às pessoas da amostra
normativa, Ariel Vianna dos Santos utiliza um tempo maior para processar uma resposta.
Diante disso, recomenda-se uma avaliação cuidadosa das responsabilidades da função ocupada
ou pretendida, a fim de avaliar possível impacto da necessidade de maior tempo para a tomada
de decisão, mesmo que associada à facilidade para raciocinar.

5) Teste de Memória de Reconhecimento – TEM R-2

O TEM-R-2 oferece uma avaliação referente à memória de reconhecimento. Esse tipo


de memória refere-se a uma recordação consciente de uma experiência anterior, e diz respeito
a reconhecer que um estímulo visualizado no momento não é novo, pois já foi visto
anteriormente.

20
Resultado:

Ariel Vianna dos Santos foi submetido(a) ao TEM-R-2 e obteve uma pontuação bruta
total de 28 pontos, que corresponde ao percentil 50. De acordo com o resultado do TEM-R,
Ariel tem uma memória de reconhecimento melhor que a maior parte do grupo ao qual
foi comparada, e é capaz de identificar qualquer estímulo ou situação já visualizado ou vivida
anteriormente.

7. ANÁLISE DOS INSTRUMENTOS COMPLEMENTARES

1) Escala de Responsividade Social – SRS-2

A SRS-2 é uma escala destinada a mensurar sintomas associados ao Transtorno do


Espectro Autista (TEA), bem como classificar os níveis de responsividade social do indivíduo,
em: leves, moderados ou severos. As pontuações neste intervalo indicam prejuízos no
comportamento social recíproco que são clinicamente significativos e podem levar a uma
interferência de leve a moderada nas interações sociais cotidianas. Indivíduos que estão na
extremidade inferior deste intervalo podem ser razoavelmente bem ajustados quando não
coloridamente afetados por outras condições psiquiátricas.

Nota Explicativa:

21
Percepção Social: mede a capacidade de reconhecer pistas sociais e lidar com os aspectos da percepção do
comportamento social recíproco
Cognição Social: refere-se à capacidade de interpretar as pistas sociais após reconhecê-las e lidar com o aspecto
cognitivo -interpretativo do comportamento social recíproco.
Comunicação Social: mede a capacidade de comunicação expressiva, lidando com os aspectos motores do
comportamento social recíproco.
Motivação Social: refere-se ao grau em que as pessoas geralmente são motivadas a se engajar em comportamento
socio interpessoal. Elementos de ansiedade, inibição e orientação empática estão incluído entre esses itens.
Padrões restritos e repetitivos: mede a presença de comportamentos estereotípicos característicos de TEA e áreas
de interesse muito limitadas.
Comunicação e Interação Social: é uma medida global que se relaciona tanto a capacidade de reconhecer e
interpretar sinais sociais quanto a capacidade de motivação para o contato interpessoal social expressivo, Ela avalia
a reciprocidade socioemocional, comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social e
capacidade de desenvolver, manter e compreender relacionamentos.

Resultado:

22
Escore-Total = 98

Escore-T 76 e acima – Nível severo.

As pontuações neste nível da escala indicam prejuízos no comportamento social


recíproco que são clinicamente significativos e levam a uma interferência severa e duradoura
nas interações sociais cotidianas. Essas pontuações estão fortemente associadas ao Transtorno
do Espectro Autista, de acordo com o DSM-V.

2) BSI – Inventário Breve de Sintomas

23
O Inventário Breve de Sintomas – BSI tem por objetivo avaliar de forma global o estado
psicopatológico, assim como, identificar o bem-estar psicológico. As dimensões de sintoma
principal são: Somatização, Obsessiva-compulsivo, Sensibilidade Interpessoal, Depressão,
Ansiedade, Hostilidade, Ansiedade Fóbica, Ideação Paranoide, Psicoticismo.

Resultado:

24
Dimensão Definição Escore Faixa
T
Dimensão que reflete o mal-estar resultante da 99,7 Extremamente
percepção do funcionamento somático; Alto
Somatização

Dimensão que inclui sintomas identificados 99,9 Extremamente


com a síndrome clínica do mesmo nome Alto
Obsessivo compulsivo

Dimensão que se centra nos sentimentos de 99,9 Extremamente


inadequação pessoal, inferioridade, Alto
Sensibilidade Interpessoal particularmente na comparação com outras
pessoas.
Dimensão cujos itens refletem o grande 99,9 Extremamente
número de indicadores de depressão clínica. Alto
Depressão

Dimensão que inclui os indicadores gerais de 99,9 Extremamente


ansiedade. Alto
Ansiedade

Dimensão que inclui pensamentos, emoções e 99,4 Extremamente


comportamentos característicos do estado Alto
Hostilidade afetivo negativo da cólera.

Dimensão definida como a resposta de medo 99,7 Extremamente


persistente. Alto
Ansiedade Fóbica
Dimensão que representa fundamentalmente 99,4 Extremamente
o comportamento paranóide. Alto
Ideação Paranoide
Representado como uma dimensão contínua 99,9 Extremamente
da experiência humana. Alto
Psicoticismo
Indicador mais sensível do nível de estresse 99,9 Extremamente
do respondente. Combinando informações Alto
Indice de Gravidade Global sobre número de sintomas e intensidade do
estresse

É uma medida de intensidade corrigida para o 99,2 Intensidade


número de sintomas. Este indicador oferece extremamente
Indice de Sintomas Positivos informações sobre o nível médio de estresse alta
de Distresse das experiencias do respondente

Revela o número de sintomas que o 99,9 Intensidade de


respondente relata vivenciar, e quando usado natureza
Total de Sintomas Positivos em conjunto com outros índices globais, ajuda clínica
Clínicos a transmitir a extensão do estresse emocional
do indivíduo avaliado

25
3) BDEFS - Escala de Disfunções Executivas de Barkley
A Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley (BDEFS) avalia os
possíveis déficits das Funções Executivas (FE) nas atividades do cotidiano em adultos. Estes
processos são responsáveis por orientar, direcionar e gerenciar funções cognitivas. O termo FE
representa um construto que inclui uma coleção de funções inter-relacionadas que são
responsáveis por um comportamento intencional, dirigido para objetivos e de resolução de
problemas. As funções avaliadas nesta escala são: Gerenciamento de tempo; Organização e
resolução de problemas; Autocontrole; Automotivação; Autorregulação de emoções. A
escala também permite correlacionar as respostas do examinando com o TDAH, e pode sugerir
ao examinador que aquele respondente possui sintomas, e necessita ser avaliado mais
profundamente.

Interpretações:
0 a 75 = Sem prejuízo
76ª. ao 84ª = Indicativo de risco, mas não pontua.
84ª. ao 92ª. = Grau levemente disfuncional
93ª ao 95ª. = Grau moderadamente disfuncional
96ª. ao 98ª = Grau gravemente disfuncional
• 99ª = Grau severamente disfuncional

Resultado:

26
Definição Percentil Interpretação

F1 - Gerenciamento de tempo: Requer que os próprios 66 Sem prejuízo.


indivíduos se esforcem para definir prioridades e se
organizar. Mais que o incentivo da organização, é preciso
despertar o interesse dessas pessoas em ajustar o seu
cotidiano e, assim, assumir uma postura de alto desempenho
nas atividades profissionais.
F2 - Organização/ Resolução de Problemas: Refere a um 63 Sem prejuízo.
estado de desejo por alcançar uma meta, definida a partir de
uma condição que está longe dela, ou necessita de mais
lógica complexa para encontrar uma descrição perdida das
condições ou passos em direção à meta.

27
F3 - Autocontrole: É uma habilidade que consiste em 60 Sem prejuízo.
aprender a lidar com as próprias emoções. Desenvolver essa
competência torna uma pessoa capaz de se adaptar a
qualquer situação do dia a dia.

F4- Motivação: Refere ao direcionamento momentâneo do 60 Sem prejuízo.


pensamento, da atenção, da ação a um objetivo visto pelo
indivíduo como positivo. Esse direcionamento ativa o
comportamento e engloba conceitos tão diversos como
anseio, desejo, muita vontade, esforço, sonho, esperança
entre outros É o impulso interno "o porquê do indivíduo se
comportar de determinada maneira”.

F5 Regulação Emocional: É a capacidade do indivíduo 63 Sem prejuízo.


lidar com situações estressantes e desafiadoras de maneira
saudável, sem deixar que elas causem prejuízos em sua
vida, rotina ou relacionamentos.

Probabilidade de TDAH em adultos se Pontos Percentil


a soma dos pontos for igual ou maior
que 20 30 63

4) DIVA – Entrevista Diagnóstica TDAH - Infância e Adulto

A DIVA-5 é um instrumento que avalia os sintomas de TDAH na infância e na idade


adulta de acordo com a análise funcional do paciente versus os critérios do DSM. Avalia
também a cronicidade dos sintomas, bem como a disfunção causada por esses sintomas.

Critério A
Sintomas Vida Adulta Infância
(5 ou mais dos 9 (3 ou mais dos 9
listados) listados)
Sintomas de Déficits Atencionais (A) 9/9 9/9
Sintomas de Hiperatividade/Impulsividade 9/9 9/9
(H/I)

28
Critério B: Evidência de curso persistente ao longo da vida
Sintomas Evidência de curso persistente desses Evidência de curso persistente
sintomas na vida adulta desses sintomas na infância
Sintomas de SIM SIM
A
Sintomas de SIM SIM
H/I

Critério C e D: Prejuízos que impactam em pelo menos 2 (duas) áreas da vida, na fase adulta
e na infância
Áreas Vida Adulta Infância
Educação/Trabalho x x
Relacionamentos/Família x x
Interação Social x x
Tempo livre/Hobbies x x
Autoconfiança/autoimagem x x
Total: 5 5

Critério E: Os sintomas podem ser mais bem explicados por outro transtorno?
(x) NÃO
( ) SIM -
*Os sintomas foram validados por informações de familiares ou pessoas do convívio?
(x) SIM – Pela ex namorada
( ) NÃO – As informações foram avaliadas pelo sujeito.

Considerações:

29
Não pontuou suficientemente para satisfazer aos critérios
Pontuou para apresentação combinada x
Pontuou para apresentação predominante desatento (a)
Pontuou para apresentação predominante hiperativo/impulsivo

7. CONCLUSÃO

Ariel Vianna dos Santos buscou Avaliação Psicológica para suspeita de diagnóstico de
Transtorno do Espectro Autista e possíveis diagnósticos diferenciais/condições coexistentes.

Procedeu-se com extensa avaliação psicológica, como exposto na metodologia e nos


resultados deste laudo psicológico.

As informações descritas neste laudo psicológico são sigilosas e devem ser utilizadas
somente por profissionais envolvidos no manejo clínico. Desaconselha-se o seu uso fora deste
contexto. O uso que deste material venha a ser feito é de inteira responsabilidade do requerente.

Cabe ressaltar que uma avaliação psicológica tem limitações e possibilidades. No caso
de uma avaliação psicológica de neurodivergência em adultos, temos variáveis mais específicas
ainda, que dizem respeito ao próprio constructo de vida do paciente, sua capacidade de
adaptabilidade ao meio, e um possível quadro de sobreposições de sintomas comórbidos
(normalmente ligados a condições emocionais vigentes).

Com relação ao transtorno do espectro autista: "O Transtorno do Espectro Autista (TEA)
é marcado por desordens de origem neurobiológica, sendo os prejuízos referentes aos
comportamentos restritivos e repetitivos e déficits na área sociocomunicativa (Júlio-Costa &
Antunes, 2017)." Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento, cujo sinais podem
aparecer nos primeiros anos de vida, é comum atrasos ou perda de habilidades adquiridas
anteriormente (APA, 2014). Sua origem é multifatorial, faz-se necessário a avaliação e
compreensão dos fatores, genéticos, hereditários e ambientais. O diagnóstico do TEA é
fundamentalmente clínico, baseado em observações das características comportamentais. Nesse

30
sentido, os instrumentos de triagem, escalas e avaliações padronizadas vem se mostrando
necessários no processo diagnóstico (Machado, Lerner, Novaes, Palladino, Cunha, 2014).

Com relação a Análise, foi possível identificar a seguinte leitura do quadro funcional
do paciente:

Ariel apresenta prejuízos consistentes em funções executivas, como dificuldade de


organização, priorização e sequenciamento de tarefas. Relata esquecimentos frequentes de
objetos e compromissos, procrastinação crônica e desorganização doméstica. Sua produtividade
é impactada por distrações externas e internas, como pensamentos intensos e estímulos
sensoriais periféricos. Demonstra rigidez em rotinas e rituais, com desconforto significativo
diante de mudanças. As queixas de fadiga mental, baixa tolerância à frustração e sensibilidade
sensorial também afetam seu desempenho nas atividades cotidianas e laborais.

Emocionalmente, Ariel apresenta instabilidade acentuada, com relatos de variações


bruscas de humor, sentimento de culpa, autocrítica exacerbada e baixa autoestima. Demonstra
dificuldade em lidar com frustrações e mudanças, reagindo com raiva, irritabilidade e, por
vezes, pensamentos agressivos de conteúdo fantasioso, embora sem risco real de agir com
violência. Traz experiências dissociativas, como a presença de diferentes “versões de si mesmo”
com as quais conversa internamente. Relata episódios de despersonalização, especialmente em
momentos de silêncio ou ao tentar dormir, indicando também uma intensa atividade mental
autorreferente. Há ainda elementos de dependência emocional e sofrimento relacionado à perda
de vínculos afetivos.

O comportamento de Ariel é marcado por padrões repetitivos e estereotipados, como


bater os pés e mãos, fazer caretas, vocalizações e seguir rituais baseados no número três.
Apresenta hiperfocos em jogos, montagem de computadores e temas específicos de história,
que consome de forma repetitiva. Expressa desconforto com interações sociais e ambientes
desconhecidos, evitando aglomerações, contato visual e situações novas. Também demonstra
hipersensibilidade tátil, auditiva e visual, sendo facilmente desregulado por ruídos, luzes ou
toques inesperados.

31
Diante do exposto na análise clínica e análise psicométrica da presente avaliação, o
presente parecer é de que Ariel Vianna dos Santos apresenta um quadro que preenche os
critérios diagnósticos de:

 Transtorno do Espectro Autista sem deficiência intelectual e com pouco ou


nenhum comprometimento da linguagem funcional, atualmente no nível de
suporte 1 (CID-11 6A02.0)
 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – com apresentação
combinada. (CID-11 6A05.2)

Considero a importância da avaliação longitudinal em contexto psicoterapêutico, tanto para


melhora do quadro funcional e emocional atual, como para parecer complementar de condições
coexistentes (comorbidades), condizentes com um possível funcionamento de Transtorno de
Ansiedade, Transtorno Depressivo, Transtorno de Personalidade Esquizotípico e Síndrome de
Tourette. *

*Cabe ressaltar que algumas condições comórbidas só são possíveis de detectar por meio de
avaliação longitudinal com acompanhamento do cotidiano da paciente, permitindo um
monitoramento de maneira continua e ajustável.

7.1. ENCAMINHAMENTOS
- Avaliação do Médico Psiquiatra para verificar necessidade de terapia medicamentosa com
base nos sintomas concernentes ao quadro emocional e disfuncional vigente.
- Visando intervir nas demandas psicodinâmicas identificadas, sugere-se tratamento
psicoterapêutico com psicólogo cognitivo comportamental e terapia baseada em evidências.

8. REFERÊNCIAS

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11ª revisão: da concepção à implementação. Revista de Saúde Pública, 54.

American Psychiatric Association (APA). (2014). Manual diagnóstico e estatístico de


transtornos mentais: DSM-5 (5. ed.). Porto Alegre: Artmed.

32
American Psychiatric Association (APA). (2022). Manual diagnóstico e estatístico de
transtornos mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed.

BORGES, Lisandra, CONSTANTINO, John, & GRUBER, Christian. (2021). SRS2 - Escala
de Responsividade Social (2. ed.). São Paulo: Hogrefe.

CUNHA, Jurema Alcides. (2007). Psicodiagnóstico (5. ed. rev. e aum.). Porto Alegre: Artmed.

DEROGATIS, Leonard R. (2019). Inventário breve de sintomas (BSI) (1. ed.). São Paulo:
Pearson.

GODOY, Victor Polignano. (2011). BDEFS Escala de avaliação de disfunções executivas de


Barkley / Russel A. Barkley: adaptação Victor Polignano Godoy, Leandro Fernando Malloy –
Diniz, Paulo Mattos (1. ed.). São Paulo: Hogrefe.

HAYES, S. C., & HOFMANN, S. G. (2020). Terapia Cognitivo-Comportamental Baseada em


Processos: Ciência e Competências Clínicas. Artmed Editora.

MARÍN RUEDA, Fabián Javier; RAAD, Alexandre José; MONTEIRO, Rebecca de


Magalhães. TEM-R-2: Teste de Memória de Reconhecimento. São Paulo: Vetor Editora, 2020

MARÍN RUEDA, Fabián Javier; MUNIZ, Monalisa; GUIMARÃES, Juliana de Barros. TRL:
Teste de Raciocínio Lógico. São Paulo: Vetor Editora, 2019.

NUNES, Carlos Henrique S., HUTZ, Claudio Simon, & FARIAS OLIVEIRA NUNES,
Maiana. (2013). Bateria Fatorial de Personalidade (2. ed.). São Paulo: Pearson.

São Bernardo do Campo, 14 de abril de 2025.


AMANDA DE OLIVEIRA SOARES
CRP: 06/204052

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