EXCELENTÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CRIMINAL DA
COMARCA DE MARINGÁ-PR
Autos n...
“A”, nacionalidade, profissão, estado civil, portador da cédula de identidade
n°...., inscrito no CPF sob o n°...., endereço eletrônico, com domicílio e
residência na Rua n°...., bairro..., cidade..., Estado....já qualificada nos autos
de ação penal que lhe move o Ministério Público, vem, por intermédio de
sua advogada que infra subscreve, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, interpor, tempestivamente apresentar
RECURSO DE APELAÇÃO
com fundamento no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal.
Requer que, após o recebimento destas, com as razões inclusas, ouvida a
parte contrária, sejam os autos encaminhados ao Egrégio Tribunal, onde
serão processados e provido o presente recurso.
Termos em que,
pede e aguarda deferimento.
Maringá, 30/10/2023.
Advogada...
OAB...
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ
COLENDA CÂMARA JULGADORA
ÍNCLITOS DESEMBARGADORES
DOUTA PROCURADORIA DE JUSTIÇA
Recorrente: “A”
Recorrido: Ministério Público
Autos de origem n.:...
“A”, devidamente qualificado aos autos sob epígrafe, vem por intermédio de
seu Advogado que ao final subscreve, com o devido respeito e acatamento à
presença de Vossas Excelências oferecer RAZÕES DE APELAÇÃO com
fulcro no art. 600 do Código de Processo Penal.
I. DOS FATOS
A pessoa de “A” nascida em 12/07/1995 está sendo processada pela prática
do crime de furto qualificado pela escalada (art 155, §4º, II do CP) por conta
do fato que narrou a inicial acusatória que no dia 10/11/2015.
Consta da inicial acusatória que “A” pulou o muro de aproximadamente dois
metros que guarnecia a casa da vítima e após ingressar na residência, subtraiu
uma bicicleta com valor estimado de 3.000 reais.
A denúncia foi recebida no dia 20/10/2023, determinando a citação de “A”
para manifestação como de direito.
Após isso determinou audiência de instrução e julgamento, no qual foram
ouvidas as testemunhas e “A” se reservou em seu direito de permanecer em
silêncio e após manifestação das partes o MM. Juiz prolatou a sentença
condenando a pessoa de “A” estabelecendo a pena de 4 anos de reclusão em
regime semiaberto e o pagamento de 50 dias-multa à proporção de 1/30 do
salário mínimo cada dia multa; também substituiu o MM. Juiz a pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos nos termos do art. 44 do CP.
A sentença foi publicada na data 20/10/2023
Assim, irresignada com a decisão proferida em primeira instância, com o
devido respeito e acatamento, deve a sentença ser reformada, consoante os
fatos e fundamentos a seguir expostos.
II. DAS PRELIMINARES
1. DO RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO RETROATIVA
PELA PENA IN CONCRETO
A sentença foi prolatada e o réu foi condenado a pena de 4 anos de reclusão
em regime semiaberto e o pagamento de 50 dias-multa à proporção de 1/30
do salário-mínimo cada dia multa.
Conforme disposto nos arts. 109, inciso IV e 110, § 1°,
ambos do Código Penal, levando-se em consideração a pena in concreto
imposta ao réu, a contagem do prazo prescricional é de quatro anos, já se
considerando a redução do prazo prescricional pela metade, vez que o réu,
quando à época dos fatos, era menor de 21 (vinte e um) anos de idade (art.
115, do Código Penal).
Portanto, considerando que entre a data do recebimento da
denúncia em 20.10.2019 e a data da prolação da sentença transcorreram-se
04 (quatro) anos, evidencia-se a ocorrência da prescrição retroativa pela pena
in concreto.
III. NO MÉRITO
1. DA DESCARACTERIZAÇÃO DA QUALIFICADORA DO
ART 155, § 4º, II DO CÓDIGO PENAL “ESCALADA”
Tendo em vista a denúncia narrada e, diante das provas que constam nos
autos, não ficou certo de que o furto seria mediante escalada, deixando de
ser apresentado o exame pericial para o reconhecimento da qualificadora.
Sendo assim, a aludida qualificadora não merece prosperar.
Sendo assim:
"A prova para a condenação deve ser robusta e estreme de dúvidas, visto o
Direito Penal não operar com conjecturas" (TACrimSP, ap. 205.507, Rel.
GOULART SOBRINHO)
"O Direito Penal não opera com conjecturas ou probabilidades. Sem
certeza total e plena da autoria e da culpabilidade, não pode o Juiz
criminal proferir condenação" (Ap. 162.055. TACrimSP, Rel. GOULART
SOBRINHO)
"Sentença absolutória. Para a condenação do réu a prova há de ser plena
e convincente, ao passo que para a absolvição basta a dúvida,
consagrando-se o princípio do ‘in dubio pro reo’, contido no art. 386, VI,
do C.P.P" (JUTACRIM, 72:26, Rel. ÁLVARO CURY)
Destaca-se que escalada é considerada a entrada por via anormal,
necessitando de instrumento ou meio incomum. Verifica-se da inicial
acusatória que o muro teria dois metros, sendo assim não necessitaria de algo
desse tipo.
Nesse sentido: FURTO. QUALIFICADORA RELATIVA À
ESCALADA. NECESSIDADE DE PERÍCIA. PRECEDENTES. 1... Para
a caracterização da qualificadora da escalada no crime de furto é necessária
a realização de perícia. Precedentes. 3. Agravo regimental a que se nega
provimento... FURTO QUALIFICADO. ESCALADA OU DESTREZA.
NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE CORPO DE
DELITO. NECESSIDADE DE LAUDO PERICIAL.
RECONHECIMENTO DA QUALIFICADORA BASEADO APENAS EM
PROVA TESTEMUNHAL
TIPICIDADE PENAL
Passa-se às observações acerca das penas.
O crime que ora se imputa ao Denunciado prevê uma pena privativa de
liberdade de 02 a 08 anos de reclusão e multa.
CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES
São as circunstâncias que, analisadas no presente caso, servem de
atenuantes.
Ter confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do
crime; art. 65, III, do Código Penal.
Portanto, no caso, não há uma circunstância que servem de atenuantes à
pena.
Subsidiariamente, caso se mantenha a condenação, deve ser o Apelante
julgado pelo tipo a ele imputado, aplicando-se a diminuição da pena nos
termos do artigo 14, inciso II, § único do CP, que se requer desde já.
Por fim, quanto à aplicação da pena de multa segundo melhor doutrina a
aplicação da pena de multa deve ser mensurada de acordo as condições
financeiras do acusado já que o Apelante demonstrou a total incapacidade
financeira de arcar com aplicação da sanção da pena de multa.
3 – DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer-se seja conhecido e provido o presente recurso, para
que seja decretada a ABSOLVIÇÃO do Apelante, sobretudo por ser medida
de inteira e salutar justiça, prevalecendo o princípio do in dúbio pro reo por
insuficiência de provas para uma condenação.
Requer, ainda, caso não seja acolhida as pretensões apresentadas nos itens
anteriores, que seja desclassificado o furto simples na modalidade tentada,
sem aplicação das qualificadoras.
quanto à pena privativa de liberdade, a aplicação da pena-base no mínimo
legal;
a fixação da pena de multa no mínimo legal.
Por fim, a minoração da pena, fixando-a em patamar justo, haja vista o
excesso da reprimenda aplicada.
p. deferimento.
Maringá, 30 de outubro de 2023.
Nesses termos,
Pede e aguarda deferimento.
Maringá-PR, 30/10/2023.
Advogada...
OAB...