Porquê comparar?
Ciência Política
Definições
○ Lasswell: "Quem recebe o quê, quando e como":
○ Contudo, deve-se separar o "Porquê" de "O que é";
○ Goodin: "Uso controlado do poder social";
○ Enciclopédia Britânica: "Foco no poder enquanto habilidade de um agente político conseguir com que um terceiro
cumpra a sua vontade"
Tarefa fundamental de C.P.
○ "Controlo" do poder;
○ Impossibilidade de apenas mandar: há que persuadir.
C.P. enquanto ciência
○ Multicasualidade;
○ Conceitos contrastados;
○ Subjetividade e neutralidade;
○ Regularidade/padrões de comportamento, estruturas e processos;
○ Possibilidade de formular generalizações probabilísticas (e não determinísticas);
○ Uso de métodos sujeitos a escrutínio público.
Essência da política
○ Seguir os seus objetivos com quem, entre quem e à volta de quem se terá que integrar para os atingir;
○ É necessário um manuseamento estratégico;
○ Visões distintas:
○ Clássica: Política enquanto atividade praticada em áreas específicas - o Estado e as suas instituições;
○ Moderna: Política enquanto campo de relações de poder, mesmo que fora do domínio do Estado.
Considerações sobre "poder"
○ Poder formal de tomar (e bloquear) decisões;
○ Determinar a agenda (o que é ou não decidido);
○ Defesa de interesses.
3 Subcampos:
Teoria política
○ Campo essencialmente normativo
○ Lida c/ juízos s/ manifestação empírica (debate teórico)
○ Exemplos de questões:
○ "O que é a justiça?"
○ "A democracia é intrinsecamente boa?"
○ "Há Estados s/ soberania?"
Relações Internacionais
○ Campo essencialmente empírico;
○ Hipóteses que podem ou não ser validadas na prática sobre as interações e processos ENTRE Estados;
○ Exemplos de questões:
○ "As alterações climáticas aumentam a probabilidade de os Estados declararem guerra?"
○ "Pode o comércio internacional diminuir a conflitualidade entre Estados?"
○ Como desenhar mecanismos que permitam o cumprimento de metas de desarmamento nuclear?
Política Comparada
○ Campo essencialmente empírico (DENTRO dos Estados);
○ Exemplos de questões:
○ Porque é que alguns regimes autoritários recorrem mais à repressão e à violência do que outros?
○ Os partidos políticos conseguem cumprir a suas promessas eleitorais?
○ As guerras civis tendem a resultar de legados imperiais/coloniais?
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Política Comparada (Caramani)
O que é
○ Foco na estrutura política interna, atores e processos, analisando-os empiricamente;
○ Explica e descreve "", prevendo a sua variedade em diferentes sistemas políticos (nacional, regional, municipal ou
supranacional).
Tipos de tradições em PC
○ Países individuais (case-studies);
○ Metodológico (regras e expectativas);
○ Analítico (combinação de método e experiência -> comparação sistemática)
Na prática
○ Comparar = descrever semelhanças e diferenças (estabelecem-se classificações e tipologias);
○ Explicar
○ Formular hipóteses p/ explicar; dados experimentais p/ provar;
○ Inferir casualidades, generalizar, melhorar teorias.
O que caracteriza a política comparada enquanto ramo da ciência política?
○ Dimensão intra-sistémica;
○ Focada em estruturas, atores e processos.
Relevância da P.C.
○ Rothstein
○ Informar as elites/decisores e apoiá-los na conquista e exercício de poder;
○ Escrutinar os decisores e informar o público;
○ Aprofundar o bem-estar humano através da investigação sobre o tipo de instituições que fazem a diferença em:
§ Prosperidade económica;
§ Legitimidade política;
§ Indicadores sociais.
○ Van Deth e Newton
○ Para compreender o nosso país de análise;
○ Para compreender os outros países;
○ Para construir generalizações válidas.
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Definição de Ciência
○ Existe apenas 1 lógica científica, partilhada por todos os ramos;
○ Produzem-se inferências (descritivas ou causais) -> King, Keohane e Verba ;
○ O método é público;
○ As conclusões não são definitivas e devem incluir uma estimativa do grau de incerteza;
○ O seu conteúdo é o método.
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A COMPARAÇÃO PROCURA REGRAS SOCIOLÓGICAS E TENTA CHEGAR ÀS
CAUSAS GERAIS DOS FENÓMENOS SOCIAIS
1. A comparação ajuda a separar o acidental do inevitável
○ A comparação permite a introdução de leis e a elaboração de generalizações. O próprio espírito da comparação
envolve a procura de leis universais, com pontes provisórias entre universos aparentemente irreconciliáveis.
2. Os fenómenos políticos não podem ser objeto de uma ciência experimental
○ Investigador do método experimental pode provocar num ambiente fechado o fenómeno que quer estudar,
assegurando que nenhuma perturbação ambiental interfira; ao manter constantes as variáveis que não quer estudar,
pode excluí-las do campo de análise. Este tipo de manipulação – controlo – é impossível nas ciências sociais e
humanas, onde só se podem estudar fenómenos não provocados (espontâneos).
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Porquê comparar?
1. Fugir ao etnocentrismo;
2. Falso particularismo: Um observador que estuda um só caso pode considerar singular algo que não resiste à
comparação geral. («Só Em Portugal há tantos funcionários públicos».);
3. Falso universalismo: Tomar como universal a ideia ocidental de progresso, levando a classificar cada sistema político
numa escala imaginária que conduz inexoravelmente ao desenvolvimento ou à democracia. Problema agravado com o
erro do “evolucionismo”: facto que cada desenvolvimento que pareça aproximar-se do Estado Final seja considerado
positivo e cada desenvolvimento que pareça afastar- se do Estado Final seja considerado negativo.